O grande risco para a segurança mundial nos próximos tempos, e mais cedo do que se pensa, vem da possibilidade de o Irão passar a ser uma potência nuclear. O mero facto de o Irão “ter a bomba” muda radicalmente a situação estratégica de Israel, dos EUA, dos aliados da OTAN, da Europa, e de todo o mundo árabe sunita. Todas estas partes sabem disto, mas manietados pelo síndroma do fracasso iraquiano, e pelas suas próprias contradições internas, tem vindo a protelar medidas eficazes para travar o Irão, que cada vez mais, são apenas de ordem militar. Pelo que se sabe, a situação de avanço a que se permitiu chegar o programa nuclear iraquiano, deixa apenas a possibilidade militar e cada dia que passa essa mesma opção é mais difícil. Por razões óbvias, os israelitas, que estão na linha da frente para um ataque nuclear iraniano, terão que agir, com mais ou menos apoio internacional, o que para um país que tem a corda na garganta, pouco conta no seu momento extremo.
Mas uma coisa é certa: no dia em que a CNN e os media nos informarem que foi feito um teste nuclear num deserto iraniano, o mundo já mudou de vez.
Governo de Portugal sem cobertura constitucional. É Parlamento, tribunal
e executivo. Não é limitada por nada e decide sobre tudo, da reforma
administrativa ao arrendamento, dos julgamentos e da justiça às leis
sobre despedimentos. Tem um homem com olhos azuis que faz tremer as
senhoras, e três homens que fazem tremer tudo o resto
À volta dele o desastre absoluto. Mestre da propaganda, mestre no
voluntarismo despesista, mestre no dolo, mestre na arrogância
autoritária. Santana Lopes construiu a maioria de Sócrates, ele
construiu a maioria de Passos Coelho. O seu nome tornou-se um insulto,
cujo pathos ele renova com convicção e zelo, como nas declarações
sobre a "gestão da dívida". É um, entre muitos exemplos, de como um
político medíocre pode marcar profundamente Portugal, um Portugal em que
os portugueses o elegeram duas vezes e, se não fosse a crise, poderiam
eleger três. Os portugueses têm com ele uma relação complicada,
permitiram-lhe tudo com a mesma intensidade com que agora o querem
esquecer. Infelizmente fez escola, a mesma escola que o fez a ele.
Sem emprego fixo, pago "a recibos verdes". Trabalho abaixo das qualificações, como na canção Que parva que eu sou,
dos Deolinda. Após algum tempo a empurrar estas palavras sem grande
sucesso, o BE conseguiu fazê-las entrar no vocabulário corrente. O continuum entre o BE e os media já tinha tido o mesmo efeito com outras palavras como "arruada".
Principal instrumento nos nossos dias do Fisco e dos bancos. Nas
empresas é o fim. Nas famílias é uma vergonha difícil de mostrar, mas
também difícil de esconder.
Religião da Senhora Merkel, abominada pelos bons cristãos como Freitas do Amaral. "Hier stehe ich, ich kann nicht anders. Gott helfe mir. Amen." "Aqui estou e não posso fazer de outra maneira. Deus me ajude. Amen." Disse Lutero. Ámen.
ÍNDICE DO SITUACIONISMO (142): AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ
A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.
Ver as voltas e reviravoltas que alguns blogues de direita, mais ligados ao governo, dão para encontrar méritos na Maçonaria, uma instituição que há uns anos atrás os levaria a revirar os olhos de fúria, tem o seu interesse. É que também aqui a palavra "obediência" ganha todo o seu sentido.
A nossa esquerda mobiliza-se para defender o “serviço público” da RTP e é indiferente à sorte dos Estaleiros de Viana do Castelo.
A nossa direita mobiliza-se para manter uma “informação pública” na RTP, Lusa, rádios, etc. e acha bem que, em nome da “democratização da economia”, os Estaleiros de Viana do Castelo fechem.
A nossa esquerda arrepela-se perante a hipótese de se privatizar um canal da RTP, ficando o resto por privatizar, e quer lá saber da privatização dos Estaleiros, mesmo que isso salve a empresa e parte dos empregos.
A nossa direita jura todos os dias que o “serviço público” justifica a presença do estado na RTP, mas não mostra qualquer zelo em privatizar os Estaleiros, nem lhe passa pela cabeça que possa haver razões “públicas” para os manter.
O governo não quer nem ouvir falar em fechar a RTP e acha normal fechar os Estaleiros de Viana do Castelo. Isto é só para comparar um custo de propaganda, com um custo numa estrutura industrial, uma das que seria suposto servir para de novo re-industrializar o país, “virar-nos para o mar”, refazer a nossa frota pesqueira, fornecer navios à nossa Marinha, e outras tretas do discurso oficial.
A RTP está a custar mais do que o estado está disposto a dar às perdulárias empresas do sector público, a que aponta o dedo para ignomínia e escândalo na rua.
Os Estaleiros são apenas um exemplo que escolhi porque as dívidas acumuladas dos Estaleiros são pouco mais do dobro de um ano de subvenção estatal à RTP: 240 milhões de euros, para 110. Como se sabe, RTP e Lusa custam um terço de todo o dinheiro atribuído em indemnizações compensatórias, à CP, REFER, TAP, SATA, Metro de Lisboa e Porto, Carris, STCP, etc., etc. já em tempos de vacas magras. Tudo isto com base em decisões já tomadas pelo governo actual, e que, como é óbvio, poderiam ser outras.
Daqui a um ano, a RTP continuará firme e hirta ao serviço do Ministro da tutela e os Estaleiros ameaçam transformar-se num grande parque de sucata. Isto é só para mostrar como o liberalismo pouco tem a ver com estas opções.
I will tell you what I will do and what I will not do. I will not serve
that in which I no longer believe, whether it call itself my home, my
fatherland, or my church: and I will try to express myself in some mode
of life or art as freely as I can and as wholly as I can, using for my
defence the only arms I allow myself to use — silence, exile and
cunning.
Antes, no PSD, falava-se à vontade contra a Maçonaria, muitas vezes com ignorância, mas sempre colocando a Maçonaria do lado do inimigo, das forças da conspiração que o partido era suposto combater. Agora, que alguns dos seus principais dirigentes pertencem a uma Maçonaria, o assunto tornou-se tabu.
Quando se conheceu o acordo português, disse-se que este era menos
severo do que o grego, e tinha em conta a necessidade do crescimento
económico. O Governo discorda, considera a troika perdulária e mole e "vai mais longe do que a troika".
These Poems of Loyalty are chosen, for the most
part, as illustrating what true loyalty means, and
as inspired by that spirit or influence which prepares
for and conduces to true patriotism in the youth of
any great nation or people.
True loyalty is essentially a condition or mood of the
soul. We must be first of all loyal to God, and to the
highest and best ideals and instincts of our race, ere
we are fit to be true patriots.
To be really true to the present, we must be faithful
both to the past and the future. That people is the
greatest which draws its holiest ideals from the highest
influences of the past, and founds upon these its
chief hopes. Britain, in founding her ethics upon the
Hebrew Scriptures and the wisdom and culture of
ancient Greece, was supremely true both to the past
and the future.
Thus, the loyalty of a great modern
people to the revelation, spirit, and culture of a great
ancient race, means the bearing onward of the divine
torch of God's Spirit in humanity throughout the ages.
This idea it is which sets the soul free from the
mere common round of personal experience and the
narrow egotisms of each single succeeding generation.
The vast gulf between civilized man and the mere
savage consists in this that the former lives in all
history, while the latter exists only in his own ex
perience. It is well to lay stress on the great race-
memories and race-dreams as links to the divine.
From these come influences which are conducive to
reverence, veneration, knowledge, and a desire for the
truth.
To fit character for patriotism, the first necessity
is to inculcate the idea of responsibility. The sense
of responsibility, together with the development of
the greater and deeper imagination, is essential to
true loyalty. We are all trustees . for the future, and
we must be made to feel our great responsibility to
God and man.
British loyalty at its best is imbued with this large
spirit. It is founded upon loyalty to God, race, flag,
throne, constitution, and country. It teaches that
service, not power, is the greatest thing that to serve
well the race and the state is the supreme ideal.
(Do Prefácio de Wilfred Campbell, Poems of Loyalty, Ottawa, 1912)
A que nunca seria pedida pelo primeiro-ministro Sócrates e a que foi
pedida pelo primeiro-ministro Sócrates. Os últimos restos de soberania
nacional foram oficialmente enterrados na cerimónia de assinatura do
memorando de entendimento com a troika e simbolicamente enterrados quando se permitiu à troika começar a fazer conferências de imprensa sobre a governação de Portugal.
Indignados estamos todos nós, uns por umas coisas, outras por outras.
Mas refere-se mais propriamente a um grupo de indignados profissionais
que faz umas assembleias populares na rua com cerca de 100 pessoas e
acha que está a decidir pelos dez milhões de portugueses.
Disciplina ao alcance de qualquer pessoa que não seja criança, que
infantilmente pensa que a dívida é para se pagar. Outro sentido: ameaçar
que não se paga e fazer tremer as pernas dos banqueiros alemães.
A herança dos anos de José Sócrates. Pesada, muito pesada herança.
Não foi o único a ter culpa, mas teve o grosso da culpa em tempos que não
admitiam erros exactamente nessa altura.
A expressão original foi de Passos Coelho, foi desmentida e mais tarde
veio a entrar no quadro corrente das justificações para novas medidas de
austeridade, exactamente no sentido correspondente ao do desmentido
inicial. Mas o sucesso da expressão "desvio colossal" deve-se a Vítor
Gaspar, que, numa gestual explicação, lhe deu a expressão visual de um soundbite. Nunca foi esclarecido qual era o "desvio colossal" que o PS teria deixado nas contas públicas.
Costumava ser o local onde se encostava a cabeça ou o corpo para
descansar. Agora é a "folga" que o PS encontrou no Orçamento do Estado e
que qualquer pessoa, que não seja adepto de "gerir a dívida", sabe que
não é "almofada" coisa nenhuma.
Em Braga, na Rua D. Diogo de Sousa, coração do centro histórico, esta
velha livraria ia resistindo, de há uns anos para cá já não como
livraria Cruz, estabelecimento de gente da terra, mas foi resistindo às
migrações para os shoppings. No entanto o seu dia acabou por chegar:
mudou-se para o Liberdade Street Fashion, o novo shopping que foi ocupar
por completo todo um quarteirão que albergava os CTT.
O país que nós não somos. Na interpretação de Mário Soares, devia continuar a pagar as reparações de guerra sob a forma de eurobonds,
ou do BCE a emitir dinheiro, ou da obrigação de ter que aplicar o seu
superavit comercial na ajuda às economias portuguesa e grega. Só assim é
que a Alemanha não é nazi, mas europeia.
"Respondeu-lhe o
Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta
amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá"
(Lucas, 17.6).
"Pois em verdade
vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis
a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos
será impossível" (Mateus, 17.20).
Arranjar dinheiro para fazer qualquer coisa. A alavancagem do Estado português ficou assegurada pela troika,
a da economia portuguesa deixou de ser garantida pelos bancos, as
famílias e as pessoas estão todas consideravelmente alavancadas na
dívida. Alavancar é uma das palavras preferidas pelo primeiro-ministro,
que parece esquecer que tem que falar português para portugueses que não dominam o
"economês".
Fim do Português como nós o conhecemos. Nenhuma razão de fundo justifica este passo a mais na degradação da ortografia, logo da língua. Trata-se de uma medida burocrática, abusiva e infelizmente conforme com os tempos e com a indiferença e a ignorância cultural das nossas elites políticas.
Igrejas satânicas, associações de malfeitores ou instrumentos de uma
conspiração universal do imperialismo americano - Grupo de Bilderberg -
Maçonaria. O PCP, que deixou um ignorante falar no Avante! do Protocolo dos Sábios de Sião como se fosse um documento genuíno, poderia somar os judeus à conspiração.
Em
2011, a língua portuguesa foi invadida por expressões com origem no
jargão económico, algumas usadas mesmo em inglês, que depois os
jornalistas, com a apetência pelas palavras que parecem finas, dão curso
corrente. Não é nada de novo - lembram-se dos "remédios" e das
"imparidades" que gozaram de uma breve fama aquando da questão do BPN e
do BPP? - mas representam uma moda significativa dos tempos em que a
política parece sofrer um ocaso face à emergência da tecnocracia. Tudo
isto é perigoso para a democracia porque esconde uma realidade básica: o
economês-tecnocratês é um politiquês, uma linguagem abastardada da má
política. Mistura eufemismos, duplicidades, dolo, "engsoc" no
sentido orwelliano e faz circular a pior das ilusões: a de que as
soluções para os problemas nacionais e europeus dependem da actuação de
técnicos e sábios, desempecilhados da "tralha" da política.
Os
grandes produtores de palavras e expressões em 2011 foram, como é hábito
em Portugal, os poderosos. Os poderosos da política, do dinheiro e dos media,
todos irmanados numa epidemia de "pensamento único" como de há muito
não se via. Foram Passos Coelho e Vítor Gaspar (vocabulário em
"economês"), o Bloco de Esquerda e a extrema-esquerda (Precários,
indignados), José Sócrates (o "gestor da dívida"), António José Seguro
("almofada"), e os média com a sua capacidade repetidora e de criar
lugares-comuns (um exemplo é a generalização do nome troika). O
resto, uma pequena parte foi gerada pela realidade, a mais poderosa
fonte de palavras ainda fiéis ao seu sentido corrente, sem dolo, apenas
às vezes com alguma genuína ilusão. Desempregado é desempregado. Pobre é
pobre. Penhora é penhora. Não ter dinheiro é não ter dinheiro.