| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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10.6.08
(url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 10 de Junho de 2008 Está toda a gente a fazer de conta, a começar pelo governo, que não existe hoje um grave problema de ordem pública em Portugal. Tudo na paralisação das empresas de camionagem é ilegal e ninguém quer saber. Impedir a circulação e bloquear estradas é ilegal, organizar piquetes que impedem com violência os camiões de passar é ilegal, e tudo isto é feito diante dos olhos dos agentes da GNR que passivamente assistem não se sabe bem para quê. Presumo que terão instruções para não prenderem ninguém, para não irem ver de onde vieram as pedradas, para garantir a passagem de quem quer passar e são bastantes os que o desejam fazer. Eu sei que no governo estão os que foram para a Ponte 25 de Abril incitar ao bloqueio e participar nele, mas deixar que o império da força se instale nas ruas e estradas paga-se muito caro. Os sinais que estão a ser dados são todos de fraqueza do estado e da lei. (url) 1318 - A Quick One Before I Go There comes a time in every man's life when he thinks: I have never had a single original thought in my life including this one & therefore I shall eliminate all ideas from my poems which shall consist of cats, rice, rain baseball cards, fire escapes, hanging plants red brick houses where I shall give up booze and organized religion even if it means despair is a logical possibility that can't be disproved I shall concentrate on the five senses and what they half perceive and half create, the green street signs with white letters on them the body next to mine asleep while I think these thoughts that I want to eliminate like nostalgia 0 was there ever a man who felt as I do like a pronoun out of step with all the other floating signifiers no things but in words an orange T-shirt a lime green awning (David Lehman) * Bom dia! (url) 9.6.08
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: РОДИНА ![]() Simon Roberts, Motherland, Londres, Chris Boot, 2007. Toda a gente tem terras especiais. É uma velha pecha romântica prender-se às terras como se fossem "estados de alma" e depois não conseguir sair delas, como se se estivesse impregnado do seu ar. Na Rússia há um ar tão "russo" que se fosse transportado para lá pelo aparelho da nave USS Enterprise abriria os olhos e diria "estou na Rússia" sem hesitar. Beam me up, Scotty! Como se percebe, uma das minhas "terras" é a Rússia. Há quem goste assim de África, eu prefiro a Rússia que é mais fria e com outra história mais nossa, com gente com tanto espaço dentro e fora que nós nunca cabemos neles. Sobra sempre alguma coisa, como se a roupa fosse maior. Tolstoi, Chekov, as mulheres da poesia, a Anna e a Marina, Pasternak, os pintores, os músicos. E sempre a pátria e a tragédia duma Rússia que conheci pelo lado torto, numa das grandes convulsões da sua história, o fim do comunismo. Aliás não me lembro da Rússia ter um lado direito em todo o século XX. Há na Rússia uma vastidão muito especial, mais épica do que lírica, uma enorme quantidade de terra com pouca gente, ligada pelos fios ténues do Transsiberiano, ou pelos voos da Aeroflot para aeroportos inomináveis, em cidades que merecem verdadeiramente o nome de perdidas. Mesmo para os russos europeus, o lado de lá dos Urais até ao Mar do Japão é uma travessia que só se faz por exílio e por pena. Só os turistas americanos o fazem por turismo e por aventura. Para os russos é sempre percorrer a Vladimirka. Levitan retratou essa estrada perdida, de terra batida, feita pelos pés, sem fim, perdida nas nuvens sombrias de um espaço que é para os russos um destino. As fotografias de Simon Roberts dão como poucas esse espaço que só se atravessa no sofrimento, que só se atravessa partilhando com a родина, com a pátria-mãe, essa terra que mistura húmus, sangue, história, mortos, pobreza, vida difícil. A tragédia da Rússia é que, no meio daquela terra, sempre houve esperança e essa esperança nunca se cumpriu. Roberts quis fotografá-la, uns rapazes a brincar no meio da devastação urbana, umas raparigas a sorrir para a fotografia, um jovem soldado na sua farda nova, uns casais embrulhados em roupas sobre roupas algures na Sibéria, mas sempre que as figuras são individuais não há esperança que apague aquelas caras, aqueles corpos perdidos no fim do mundo, no fim de um mundo. Por isso me reconheço nestas fotos de Simon Roberts. Bastante. Muito. Mesmo muito. (url) (url) 1317 - Song of an Old General When he was a youth of fifteen or twenty, He chased a wild horse, he caught him and rode him, He shot the white-browed mountain tiger, He defied the yellow-bristled Horseman of Ye. Fighting single- handed for a thousand miles, With his naked dagger he could hold a multitude. ...Granted that the troops of China were as swift as heaven's thunder And that Tartar soldiers perished in pitfalls fanged with iron, General Wei Qing's victory was only a thing of chance. And General Li Guang's thwarted effort was his fate, not his fault. Since this man's retirement he is looking old and worn: Experience of the world has hastened his white hairs. Though once his quick dart never missed the right eye of a bird, Now knotted veins and tendons make his left arm like an osier. He is sometimes at the road-side selling melons from his garden, He is sometimes planting willows round his hermitage. His lonely lane is shut away by a dense grove, His vacant window looks upon the far cold mountains But, if he prayed, the waters would come gushing for his men And never would he wanton his cause away with wine. ...War-clouds are spreading, under the Helan Range; Back and forth, day and night, go feathered messages; In the three River Provinces, the governors call young men -- And five imperial edicts have summoned the old general. So he dusts his iron coat and shines it like snow- Waves his dagger from its jade hilt in a dance of starry steel. He is ready with his strong northern bow to smite the Tartar chieftain -- That never a foreign war-dress may affront the Emperor. ...There once was an aged Prefect, forgotten and far away, Who still could manage triumph with a single stroke. (Wang Wei) * Bom dia! (url) 8.6.08
Estamos em Junho de 2008, a um ano e pouco de um novo ciclo eleitoral e, pela primeira vez desde 2004, penso que o caminho para que o PS perca as eleições e haja uma alternância política está claramente aberto à nossa frente. Duas prevenções desde já para as mentes perversas. Uma: não, não me enganei na data de 2004, porque era para mim certo em 2004 que o PS se não estava já no poder ia estar, era só uma questão de tempo. Outra: não, não é por causa de Manuela Ferreira Leite ser líder do PSD, embora também seja. É por causa de Manuela Ferreira Leite, do PSD, de Manuel Alegre, do BE, do PCP e acima de tudo por causa de José Sócrates, e do PS entre Alberto Martins e Vitalino Canas. Na política portuguesa fazer previsões a um ano é quase suicidário. Nós temos um grau de usura do processo político, um grau de imprevisibilidade (na verdade é mais de errância do que de imprevisibilidade), estamos tão dependentes de arroubos individuais e de títulos de jornais, que tudo pode desabar amanhã e a gente ficar com a teoria publicada para nos perseguir até ao fim da vida. Mas eu sou imprudente e de costas larguíssimas e não me importo. Penso mesmo que o nosso primeiro-ministro está em sério risco de perder as eleições legislativas de 2009 e que o país começa a desejar que aquela arrogância tenha um preço elevado. Não sei se acontece, desejo que aconteça, mas também penso racionalmente que é possível acontecer. As eleições de 2009 vão-se disputar em clima de crise económica e social, não só "clima", no sentido da geral depressão das pessoas, mas nos efeitos do "clima", empobrecimento generalizado da classe média (inclusiva) para baixo. Hoje falamos muito da crise económica e social, mas os seus efeitos ainda só começam a chegar. Ainda há dinheiro para centenas de milhares pagarem bilhetes no Rock em Rio, ainda há dinheiro para os telemóveis, para a gasolina, para o Algarve, ainda só se aflorou a crise do consumo. Daqui a um ano haverá muito menos de tudo, a crise estará em pleno e o actual Governo do PS estará enredado em opções erradas que já fez e não consegue mudar a tempo sem se negar a si próprio e dar razão à oposição. O terreno é ideal para o populismo e isso nota-se. Portas já teve esse papel, mas nele quase tudo já é póstumo. No PSD, o projecto de Santana Lopes era esse, mas ficou pelo caminho e anda agora "por aí". Mas "por aí" tem "aí", convém não esquecer. Mas é na esquerda que o populismo está de boa saúde, mais significativamente na esquerda de que o PS e a esquerda do PS tanto gostam, no BE. Quem tenha ouvido Louçã a falar na televisão há dias, junto com meia dúzia de pescadores durante a greve, percebeu a potencialidade demagógica daquele discurso. Um discurso entre "eles", os corruptos (o discurso da corrupção é o lubrificante do populismo), os exploradores, os mentirosos, e "nós", ele Louçã, combatente pela verdade, pela moralização, pelos direitos de todos a tudo. É uma linguagem inquisitorial, sempre com inimigos, sempre com a moral, ou uma outra forma qualquer de Deus, "do nosso lado". Não se previnam no BE e um dia acordam, no meio de um curso das coisas eficaz, porque o populismo tem eficácia principalmente nos dias de hoje, mas muito perigoso para a democracia. Até agora, o PS estava bem e podia preocupar-se apenas com a sua esquerda. O PSD como estava era o perfeito antídoto daquilo que qualquer pessoa com bom senso imagina que um eleitor deseja, muito mais em tempos de crise. Era errático, psicótico, obcecado pelas suas pequenas personagens e pelo seu mundo interior, não era ouvido mesmo quando ocasionalmente tinha razão. Isso mudou de todo e o PS sabe-o muito bem e por isso está como os alemães em 1941. Tinham ganho tudo o que podiam, tinham tido uma gloriosa guerra, ocupando quase toda a Europa, e depois meteram-se na aventura, abriram uma segunda frente, tinham inimigos à direita e à esquerda e era só contar os dias até que a foice e o martelo fossem hasteados em Berlim. Hoje o PS já não pode reforçar a Frente Leste sem enfraquecer a Fortaleza Europa e vice-versa, e por isso deixou de ser o agregador que foi quando podia ocupar o "centro" sem competição. O episódio do comício do BE contra o PS, com a colaboração de socialistas como Alegre no palco e outros na sala, acentua a tendência de deslocação do eleitorado moderado para o PSD, o que se acentuará à medida que o PS apareça mais fragilizado à esquerda. Este foi, como é óbvio, o objectivo do comício do BE, que não soma esquerda com esquerda, até porque a exclusão do PCP revela o carácter partidário do evento, mas sim a abertura do caminho para uma aliança BE-PS, forçada pela convicção de que o PS já não tem maioria absoluta. O comício só serviu ao BE, que sabe que precisa de manter a sua votação ou aumentá-la para ter termos mais favoráveis numa aliança com o PS.O comício do BE mostra que a política em Portugal já se faz plenamente com expectativa de maiorias relativas. Esta é a probabilidade maior quer para o PS, quer para o PSD, o que não significa que ambos os partidos não façam um esforço para ter maiorias absolutas. Tal parece-me impossível neste momento para o PS, apertado nas suas duas fronteiras à esquerda e à direita, o que não acontece com o PSD, que não tem nenhuma competição eficaz à direita. Se um deles ganhar, tanto quanto se possa prever hoje, deverá ser por maioria relativa, por isso é necessário dar importância a pensar nos acordos parlamentares ou nas coligações que possam garantir estabilidade governativa e isso tem que ser feito antes das eleições. A previsibilidade é um elemento fundamental em períodos de crise. ![]() Mas, se descontarmos os riscos de populismo e do providencialismo, é natural que quem vá votar em 2009 possa ter uma atitude mais razoável, mais madura, mais prudente do que a que pretendem os encantadores de serpentes. Os homens e as mulheres que irão às urnas estarão deprimidos no seu bolso, pouco esperançados na sua cabeça, não acreditam por regra nos políticos, não esperam muito, mas esperam alguma coisa. Sabem que desde sempre lhes disseram para aguardar a "luz no fundo do túnel", sabem que lhes pediram para "apertar o cinto" e, em vez de o conseguir desapertar, em tempo útil, têm que passar para o furo abaixo. Não vão em promessas e quem aparecer a acenar-lhe com mundos e fundos será tido como mais um mentiroso a somar ao estado corrente da mentira, representado por um primeiro-ministro que aparece como Pinóquio em metade das caricaturas. Mas tem pelo menos um factor racional para não ir em aventuras como as que lhe propõe a esquerda de Alegre ao PCP, sabem que podem perder o pouco que ainda têm. O eleitor de 2009 está assustado, triste com a sua vida, não acredita em quase nada, mas espera que alguma solidez, alguma seriedade, alguma credibilidade no governo, lhe permitam atravessar a crise sem grandes estragos, sem perder muito e talvez, talvez, passada a tempestade, possa de novo melhorar alguma coisa. É um programa mínimo para tempos difíceis, mas é um programa racional para os eleitores do "centro", que é onde a maioria dos eleitores está. O eleitor de 2009 não vai votar em grandes questões programáticas, nem em listas de medidas por muito atractivas que elas sejam, nem em grandes rupturas. Só trocará o PS pelo PSD se perceber que ganha alguma coisa, mas fá-lo-á se a mudança lhe parecer poder ser feita com confiança e segurança. Se não for assim, em tempos de crise, vai sempre preferir o "diabo que conhece". Nessa mudança, valorizará o que de mais raro existe na política, e procurará naturalmente o contrário do que já tem hoje, procurará mais sobriedade, mais solidez, menos espectáculo, menos mentiras, mais verdade. É isso que significa a credibilidade, palavra com muito mais conteúdo do que parece e que muda muito mais coisas do que se imagina, mas que tem o inconveniente de estar escassamente distribuída. Ou se tem ou não se tem. Vai querer gente muito sólida no governo, não vai querer nem demagogos, nem mentirosos. (Espero eu.) Esta é a grande oportunidade de Manuela Ferreira Leite. (Versão do Público de 7 de Junho de 2008.) (url) (url) 1316 - Les Gaulois et les Francs
Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! D' Attila suivant la voix, le barbare qu' elle égare vient une seconde fois périr dans les champs gaulois. Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! Renonçant à ses marais, le cosaque qui bivouaque, croit, sur la foi des anglais, se loger dans nos palais. Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! Le russe, toujours tremblant sous la neige qui l' assiège, las de pain noir et de gland, veut manger notre pain blanc. Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! Ces vins que nous amassons pour les boire à la victoire, seraient bus par des saxons ! Plus de vin, plus de chansons ! Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! Pour des calmouks durs et laids nos filles sont trop gentilles, nos femmes ont trop d' attraits. Ah ! Que leurs fils soient français ! Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! Quoi ! Ces monuments chéris, histoire de notre gloire, s' écrouleraient en débris ! Quoi ! Les prussiens à Paris ! Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! Nobles francs et bons gaulois, la paix si chère à la terre dans peu viendra sous vos toits vous payer de tant d' exploits. Gai ! Gai ! Serrons nos rangs, espérance de la France ; gai ! Gai ! Serrons nos rangs ; en avant, gaulois et francs ! (P.-J. de Béranger) * Bom dia! (url)
© José Pacheco Pereira
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