ABRUPTO

25.11.06


CORREIO

Uma parte do correio que me foi enviado entre o dia 23 e hoje, 25, para o endereço jppereir@mail.telepac.pt perdeu-se devido não só ao micro-tamanho da caixa da Telepac como também a um comportamento errático dessa caixa (desaparição de correio apesar de haver espaço, indicações contraditórias quanto ao espaço disponível). Agradecia que me enviassem de novo as mensagens de correio desses dias, se tiverem usado essa caixa, com o endereço do gmail que está no Abrupto. As minhas desculpas mas enquanto existirem pessoas que apenas usam esse endereço antigo, o problema repete-se.

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O LABIRINTO SOLITÁRIO DE MÁRIO SOTTOMAYOR CARDIA

Foto de Mário Augusto Sottomayor Leal Cardia Em Portugal os mortos são todos bons e os vivos todos maus. A explicação é simples: tudo é escasso, os bens são escassos, logo cada vivo ocupa um lugar a mais, o lugar que poderia ser o meu. A enorme inveja social que domina a vida pública e privada em Portugal é a consequência dessa escassez.

Mário Sottomayor Cardia morreu agora, mas na verdade já tinha morrido há muito tempo, porque não ocupava já o lugar de ninguém, não afrontava os vivos, logo não existia, estava esquecido. No seu funeral escasseavam os dirigentes socialistas do regime, os actuais detentores do poder, para quem Cardia era já uma sombra de uma sombra e a uma sombra não se justificava sequer o elogio habitual dos mortos. Tivesse Cardia morrido no exercício pleno de qualquer cargo, e a consternação seria maior. O morto já podia ser bom e o lugar podia ser dado ou recebido.

Esquecido pelos novos-ricos do seu partido, do poder e da celebridade fátua, Cardia foi lembrado por aqueles que ainda se recordavam do seu percurso solitário na política portuguesa dos últimos 40 anos. Quem se recordava lembrava-se intensamente, como Mário Soares comovido como não é habitual; quem esquecera nunca percebera nada. Eu recordo Cardia, o finalmente enigmático e "perdido" Cardia, década após década, perguntando-me sempre sobre o sentido de uma certa forma de viver, que ninguém sabe verdadeiramente se vale a pena, mas que não sabe viver de outra maneira. Que legado deixa Cardia, ele tão típico de uma geração apanhada numa mudança que por ele e pelos seus passou, sem ser outra coisa senão retrato dessa mesma mudança? Ora, quem se mexe não fica na fotografia e Cardia mexeu-se demais para ficar registado num mundo que, sendo ainda mais rápido que qualquer fotografia não vê nada, nem os breves momentos de uma vida. Não é fácil responder sobre o legado de Cardia, porque este se enredou cada vez mais num labirinto muito pessoal, que cada vez mais o isolou e o perturbou a ele e a nós.

A minha memória pessoal de Cardia começa como leitor da Seara Nova e dos seus livros da época seareira, naturalmente proibidos. Cardia fora um comunista mais que ortodoxo, numa época em que o comunismo pró-soviético em Portugal era um comunismo de reacção ao esquerdismo. Acossado, obrigado a explicar-se, perdendo os melhores quadros na universidade para os esquerdistas, começando a ter competidores na rua, na agitação e nos sectores do jovem operariado, o PCP reagia com violência e veemência. Cardia foi um dos símbolos dessa reacção mas, em pouco tempo, evoluiu para um proto-eurocomunismo e daí para um PS de facto mais eurocomunista do que socialista. Contrariando o trajecto de muitos que saíam do PCP para a extrema-esquerda, Cardia saía para a "direita", um percurso mais incomum.

Neste caminho, Cardia não passava despercebido, não só pela sua coragem pessoal na prisão - tornou-se um lugar-comum falar do contraste antropomórfico da sua força com o seu corpo frágil, com uma face que fornecia todos os ingredientes de uma caricatura do pensador, os óculos maiores que a cara, a testa alta -, como pelo seu papel de intelectual de combate, polémico e agressivo. Escolhendo o seu caminho fora do consenso, condição sine qua non para as melhores carreiras na democracia portuguesa, ele sabia que entrando em polémicas se tornava "polémico", logo inconvidável para qualquer cargo de relevo. É verdade que foi ministro da Educação nos primeiros anos pós-PREC, mas quem é que queria esse cargo maldito? Com António Barreto, Cardia partilhou as paredes do ódio. Numa Festa do Avante! havia um daqueles jogos em que se atiram bolas de trapo contra o alvo, e o alvo era ele. Barreto como vampiro, Cardia como bufão, faziam parte da iconografia comunista contra quem queria acabar com o PREC onde ele estava de pedra e cal, na educação e na agricultura.

Depois Cardia fez carreira como deputado socialista, assistindo com incómodo a um progressivo movimento de Soares e do PS para "meter o socialismo na gaveta". Conheci-o então melhor. Recordo-me de com Cardia ter feito uma viagem a Amarante nos anos 80 a convite de um jovem presidente da Câmara, Francisco Assis, para discutir uma questão então considerada bizarra: se devia haver televisões privadas. Eu dizia que sim, Cardia que não. No regresso, paramos em Penafiel para almoçar, um arroz fresco de tomate com outra coisa qualquer. Cardia pegou no garfo e parou a meio caminho da boca e começou a contar histórias da sua passagem pela Ministério da Educação. Uma das histórias, a de uma árvore que impedia uma passagem entre dois institutos que ninguém queria abater, e acabara por ir a Conselho de Ministros, era tão divertida, como aliás tudo o que relatava, que todos se riam. Ninguém falava, presos nas suas palavras, e Cardia contava e contava sempre com o garfo parado a meio caminho. Por deferência ninguém queria começar a comer, mas, após algum tempo, comeu-se o prato, a sobremesa, o café e Cardia mantinha o garfo suspenso. Quando acabaram as histórias, ou aquela série de histórias, o arroz estava frio, a conta já fora pedida e ninguém pensava que Cardia fosse comer. Pois comeu tudo, frio e envelhecido, sem dar por ela do tempo que passara. Cardia concentrava-se e o mundo parava à sua volta. Não havia um átomo de desinteresse no que ele dizia, podia-se ouvir horas a fio, mas o contraste entre o nosso tempo e o dele começava a parecer estranho e errado.

Este desfasamento agravou-se nos anos seguintes. Na revisão constitucional de 1988, Cardia apresentou um projecto próprio com a oposição do PS. Aceitou-se que pudesse a título individual defender o seu projecto nas reuniões da Comissão para a Revisão Constitucional. Começou então um processo bizarro em que, reunião após reunião, José Magalhães por um lado e Cardia por outro tornavam o progresso impossível. Magalhães, representante solitário do PCP, fazia um daqueles tour de force de trabalho gigantesco que o caracterizavam como o workaholic da Assembleia, aguentando sózinho toda a discussão horas a fio, para bloquear a revisão. Cardia ajudava, trazendo todos os dias um papelinho minucioso e longo em que discutia tudo, cada vírgula, cada palavra, num processo infinito. Houve que deliberar procedimentos excepcionais para impedir que a revisão bloqueasse entre Magalhães e Cardia.

Nos anos seguintes, Cardia foi ficando cada vez mais sózinho, num mundo muito próprio, a que não faltava coerência mas também uma implosão interior que só ele tomava por luz. Propôs-se como candidato presidencial e, em palavras que sempre tomei como um elogio, declarou que o oponente que desejava ter era eu próprio. Ele sabia o que queria discutir e ninguém estava interessado em discutir nada com ele. Afastou-se do Parlamento, de que gostava como todos os que gostam de política em democracia, e voltou à filosofia, escrevendo sobre ética. Caminhou para fora da atenção que se lhe dava, já então escassa, e foi rapidamente esquecido, como é da norma.

Perguntar o que sobra é sempre cruel, porque sobra sempre pouco. Cardia ficará na história do pensamento político entre a desagregação do marxismo nos anos 60 e 70 e o modo peculiar do nosso socialismo que ele, como vinha do marxismo, queria "sem dogma". Ficará o ministro da Educação de tempos difíceis, num pequeno grupo dos "normalizadores" do PREC, sob a égide do combate político de 1975 de Mário Soares. Ficarão para os seus amigos as recordações do homem, um gesto, um acto, um escrito, uma palavra, um exemplo, uma pena, uma preocupação. Nestes tempos é o que fica. Nestes e nos outros.

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IMAGENS POLITICAMENTE INCORRECTAS 7

Uma anedota ilustrada publicada no «ALMANACH BERTRAND» de 1926

(C. Medina Ribeiro)

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MAU TEMPO EM SUL, S.PEDRO DO SUL


(José Manuel de Figueiredo)

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COISAS DA SÁBADO: TIMOR AINDA EXISTE?

[East Timor flag]

Existe, existe, nós é que pouco queremos saber dele. No fundo não saiu o menino da mamã que esperávamos, não saiu nem o farol altermundialista que irradiasse a luz de Porto Alegre pelas bandas da Indonésia e da Micronésia, nem saiu o voluntário protectorado de Portugal, que nos redimisse de não parecer haver tanto amor pelo nosso benevolente colonialismo nem nos brasileiros, nem nos africanos, nem nos goeses e macaenses. A última esperança do Império estava em Timor e falhou. Desiludiu-nos, logo passou para o limbo do que não queremos lembrar. Até que, um dia, lá morra um português e nós desejemos intimamente que torne a ser indonésio, para não ser australiano. Até neste desejo se vê como queremos bem pouco aos povos que tocamos na história e muito aos nossos mitos grandiosos.

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COISAS DA SÁBADO: AS TRADIÇÕES AINDA SÃO O QUE ERAM

Former Russian spy Alexander Litvinenko in his hospital bedExiste na nossa história ocidental uma velha tradição de envenenar os opositores políticos. Os Bórgias passaram à história, entre outras coisas, por causa dos anéis que se abriam e despejavam veneno no copo dos anti-Bórgias. Os bizantinos, nossos antepassados cristãos gregos do oriente, tinham também essa tradição, que complementavam com o uso da cegueira para eliminar os competidores ao trono imperial ou os irmãos ambiciosos. Os guerrilheiros dos Balcãs utilizaram abundantemente essa prática de cegar os inimigos. Os russos, herdeiros dos soviéticos, herdeiros do império czarista, moldado na teocracia de Bizâncio, que ainda ostentam a águia bifronte como bandeira, também se dedicaram aos venenos. O NKVD, o seu sucessor KGB e o os serviços “democráticos” actuais, o FSB, mostram um know how venenoso bastante eficaz. O KGB búlgaro, discípulo do soviético, matou assim um opositor em Londres, com uma ponta de guarda-chuva. E o FSB já foi apanhado várias vezes com a mão na massa venenosa: o líder laranja ucraniano que ficou com a cara num bolo, os chechenos e os russos mortos no teatro de Moscovo por um gás “desconhecido” e agora um ex-FSB Litvinenko que comeu um sushi muito especial.

Litvinenko sabia umas coisas, nunca se percebe até que ponto verdadeiras ou adaptadas pelos serviços ocidentais e pela necessidade de sobreviver no caro mundo do capitalismo, mas bastante incómodas para o seu ex-colega Putin. Se a Rússia fosse uma democracia, uma questão como a chechena seria tão importante para a política interna como o Iraque para os americanos. Mas não é, porque a Rússia não é uma democracia, apesar da benevolência da UE. E Litvinenko, que estava nos serviços secretos quando da ascensão de Putin, sabe de sobra como é que ele chegou ao poder. Envenena-se pois, no seguimento de uma boa tradição autocrática.

NOTA: Depois de escrito este texto Litvinenko morreu, Putin explicou que isto de assassinatos políticos é o que de mais comum há na Europa, e parece que o veneno usado é suficientemente raro e sofisticado para não ser acessível aos comuns mortais...

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DE REGRESSO

Tudo em breve.
Árvores caídas, chuva, sol, mar, palavras, sítios, folhas, fúria do ar, cheias, tudo.

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23.11.06


JUDEU ERRANTE



Mais uma corrida, mais uma viagem.

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21.11.06


EARLY MORNING BLOGS

913 - Le bibliophile

http://philo19.ifrance.com/rouveyr/167.jpg

Ce n'était pas quelque tableau de l'école flamande, un
David-Téniers, un Breughel d'Enfer, enfumé à n'y pas
voir le diable.

C'était un manuscrit rongé des rats par les bords, d'une
écriture toute enchevêtrée, et d'une encre bleue et rouge.

- " Je soupçonne l'auteur, dit le Bibliophile, d'avoir
écu vers la fin du règne de Louis douze, ce roi de pater-
nelle et plantureuse mémoire. "

" Oui, continua-t-il d'un air grave et méditatif, oui,
il aura été clerc dans la maison des sires de Chateau-
vieux. "

Ici, il feuilleta un énorme in-folio ayant pour titre le
Nobiliaire de France, dans lequel il ne trouva mentionnés
que les sires de Chateauneuf.

- " N'importe ! dit-il un peu confus, Chateauneuf et
Chateauvieux ne sont qu'un même château. Aussi bien il
est temps de débaptiser le Pont-Neuf. "

(Aloysius Bertrand, Gaspard de la nuit)

*

Bom dia!

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20.11.06


GRANDES CAPAS


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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 20 de Novembro de 2006


Uma parte importante do "conteúdo" da Rede é feita por trabalhadores dedicados e incansáveis. Eles trabalham para nós, por gosto, por entusiasmo, porque têm interesses e curiosidades muito vivas, que querem transmitir, que colocam ao serviço de todos. Duvido, - não, tenho a certeza - , que não tiram daí quase nada, nem vantagens académicas, nem vantagens materiais, e, num país distraído de tudo e demasiado entretido com ninharias, escasso prestígio intelectual, cultural e social. Mas o seu entusiasmo é compulsivo e, de local em local, de plataforma em plataforma, eles fazem o seu trabalho de amador, no verdadeiro sentido da palavra. Um exemplo é o trabalho na Rede de José Adelino Maltez com o Cosmopolis e a Biografia do Pensamento Político.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES; SÉGOLÈNE LA BELLE

Há uns tempos atrás (já nem sei bem precisar) Sílvio Berlusconi desapareceu por uns tempos porque, segundo parece, fez uma intervenção estética na cara que o terá rejuvenescido uns belos anos. A comunicação social falou, escreveu, inventou anedotas, gozou, os puritanos politicamente correctos abanaram a cabeça de espanto e reprovação por mais uma ousadia de Berlusconi. Hoje eu vejo as fotografias de uma belíssima Ségolène Royal, jovem, fresca, elegante... Parece a filha de uma outra Ségolène Royal que foi Ministra do Ambiente algures no início dos anos 90. Vamos ver se a comunicação social também fala, escreve, inventa anedotas, goza, e se os puritanos politicamente correctos abanam a cabeça de espanto e reprovação pela inesperada ousadia de Ségolène.

(J.)

*
Ségolène tem 2 vantagens na imprensa; é mulher e é de esquerda. Na política (como noutras coisas) estes 2 aspectos perdoam muita coisa. Por muitas igualdades que se apregoem o cuidar da imagem é muito mais aceite nas mulheres que nos homens (veja-se que só recentemente começou a ver-se publicidade a produtos de beleza masculinos). E isto liga-se c/ a parte política, pois atacar Seguelene por esse lado seria visto como dar importância a questões do foro feminino, que não interessam ao debate político (execepto quando se diz que as mulheres têm mais sensibilidade p/ o lado humano da política ou outras coisas no género). No caso Berlusconi trata-se de um homem, logo cuidar da imagem é esconder qualquer coisa, e sendo de direita e rico isto é visto como um luxo com fins manipulatórios.

É a democracia e a igualdade que as nossas sociedades mediatizadas produziram, e temos que viver c/ elas. Um detalhe; ambos os personagens referidos são produto desta mesma sociedade mediatizada, e Berlusconi deu importante contributo enquanto empresário do sector para que a mediatização tivesse seguido o rumo informação-política-espectáculo que seguiu. Logo, só pode queixar-se de si próprio.

Miguel Sebastião

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EARLY MORNING BLOGS

912 - God Fashioned The Ship Of The World Carefully

God fashioned the ship of the world carefully.
With the infinite skill of an All-Master
Made He the hull and the sails,
Held He the rudder
Ready for adjustment.
Erect stood He, scanning His work proudly.
Then—at fateful time—a wrong called,
And God turned, heeding.
Lo, the ship, at this opportunity, slipped slyly,
Making cunning noiseless travel down the ways.
So that, forever rudderless, it went upon the seas
Going ridiculous voyages,
Making quaint progress,
Turning as with serious purpose
Before stupid winds.
And there were many in the sky
Who laughed at this thing.

(Stephen Crane)

*

Bom dia!

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RETRATOS DO TRABALHO EM KONSTANZ, ALEMANHA


Arqueólogos

(Marcelo Correia)

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INTENDÊNCIA

Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: TESTEMUNHOS POR DENTRO.

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19.11.06


RETRATOS DO TRABALHO EM AMARANTE, PORTUGAL


Limpar as margens do Tâmega, em Amarante.

(Gil Coelho)

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EARLY MORNING BLOGS

911- The Dover Bitch: A Criticism Of Life

So there stood Matthew Arnold and this girl
With the cliffs of England crumbling away behind them,
And he said to her, "Try to be true to me,
And I'll do the same for you, for things are bad
All over, etc., etc."
Well now, I knew this girl. It's true she had read
Sophocles in a fairly good translation
And caught that bitter allusion to the sea,
But all the time he was talking she had in mind
the notion of what his whiskers would feel like
On the back of her neck. She told me later on
That after a while she got to looking out
At the lights across the channel, and really felt sad,
Thinking of all the wine and enormous beds
And blandishments in French and the perfumes.
And then she got really angry. To have been brought
All the way down from London, and then be addressed
As sort of a mournful cosmic last resort
Is really tough on a girl, and she was pretty.
Anyway, she watched him pace the room
and finger his watch-chain and seem to sweat a bit,
And then she said one or two unprintable things.
But you mustn't judge her by that. What I mean to say is,
She's really all right. I still see her once in a while
And she always treats me right. We have a drink
And I give her a good time, and perhaps it's a year
Before I see her again, but there she is,
Running to fat, but dependable as they come,
And sometimes I bring her a bottle of Nuit d'Amour.

(Anthony Hecht )

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Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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