ABRUPTO

17.9.04


AR PURO


Turner

(url)


EARLY MORNING BLOGS 313

UN LECTOR


Que otros se jacten de las páginas que han escrito;
a mí me enorgullecen las que he leído.
No habré sido un filólogo,
no habré inquirido las declinaciones, los modos, la laboriosa mutación de las letras,
la de que se endurece en te,
la equivalencia de la ge y de la ka,
pero a lo largo de mis años he profesado
la pasión del lenguaje.
Mis noches están llenas de Virgilio;
haber sabido y haber olvidado el latín
es una posesión, porque el olvido
es una de las formas de la memoria, su vago sótano,
la otra cara secreta de la moneda.
Cuando en mis ojos se borraron
las vanas apariencias queridas,
los rostros y la página,
me di al estudio del lenguaje de hierro
que usaron mis mayores para cantar
espadas y soledades,
y ahora, a través de siete siglos,
desde la Última Thule,
tu voz me llega, Snorri Sturluson.
El joven, ante el libro, se impone una disciplina precisa
y lo hace en pos de un conocimiento preciso;
a mis años, toda empresa es una aventura
que linda con la noche.
No acabaré de descifrar las antiguas lenguas del Norte,
no hundiré las manos ansiosas en el oro de Sigurd;
la tarea que emprendo es ilimitada
y ha de acompañarme hasta el fin,
no menos misteriosa que el universo
y que yo, el aprendiz.


(Jorge Luis Borges)

*

Bom dia!

(url)

16.9.04


OBSESSÃO

"Temos o objectivo [controlar o defice], mas não temos a obsessão", está Bagão Félix a dizer na RTP. Já se percebeu. É que sem a "obsessão" não se consegue o objectivo.

Todo o discurso (até agora) é de uma hesitação surpreendente, num homem que costuma ser muito afirmativo. Parece estar a ser forçado a falar de matérias em que não tem a certeza de obter apoio político.

(url)


COMO, NÃO SE PODENDO FAZER UMA SIMPLES PERGUNTA QUE TODA A GENTE ENTENDE, SE FAZ UMA COMPLICADA QUE NINGUÉM ENTENDE - 2

"Embora me agrade geralmente o que escreve Vital Moreira, concordo consigo quando diz que um referendo que pedisse às pessoas para se pronunciarem sobre a pergunta que ele (de certeza, penosamente) imaginou seria uma farsa. Também concordo em que a principal razão para apoiar o referendo neste caso concreto é a necessidade de recuperar alguma democraticidade para um processo que andou depressa demais e deixou para trás os principais interessados: os cidadãos, a população europeia.

Mas aqui em Bruxelas, é difícil convencer alguém (falo principalmente da administração comunitária e das entidades que gravitam em torno dela) de que esta falta de legitimidade constitui problema. Já ouvi perguntas como «porque vamos confiar a gente que nada percebe destas coisas (leia-se: as populações) o poder de decidir sobre matérias tão complexas (leia-se: a Constituição)?» Balelas. Se são assim tão complexas, isso é mais uma razão para que não sejam deixadas à indecisão e falta de visão política tradicionais nas administrações internacionais. E para mais, verdade é que não deviam ser assim tão complexas essas questões que comprometem o futuro de todos nós; porque o que se pretende é congregar esforços, é definir um destino partilhado e isso faz-se através de ideias simples descritas em palavras simples. Aliás, mais do que difíceis em si mesmas, penso que muitas são complicadas de forma artificial para satisfazer gregos e troianos e garantir que uma parte do poder fique nas mãos da tecnocracia e burocracia europeia.

Temo que a incapacidade de compreender que é indispensável apelar aos cidadãos para legitimar o projecto europeu traga como consequência, a prazo, a morte ou a irrelevância desse projecto."


(José Pedro Pessoa e Costa)

(url)


INTENDÊNCIA

Actualizada a nota COMO, NÃO SE PODENDO FAZER UMA SIMPLES PERGUNTA QUE TODA A GENTE ENTENDE, SE FAZ UMA COMPLICADA QUE NINGUÉM ENTENDE

(url)


DA SOBRECARGA

Podemos marcar o que já foi marcado? Tatuagem, ferro em brasa, marca de vacina, rasgão de faca, saída de meninos, permuta de orgãos, não. Nos selos, sim. A pertença é uma, vem a sobrecarga e passa a ser outra.

Era belga, depois alemã, depois belga, depois alemã. Agora é belga.
Era monarquia, depois república, depois Estado Novo, depois democracia.
Era fascista, depois mais fascista ainda.

(url)


ARACNOFOBIA VULCÂNICA



Este é o meu conhecido Fuego, um distinto vulcão guatemalteco que também está a cumprir as suas funções vitais, só que é um pouco longe para ser visitado nestes dias. É mais perigoso, jovem e violento do que muitos outros. A "aranha" do mapa retrata a vermelho as zonas de risco.

(url)


A LER

A nota Campanha "Super 95" num Hiper perto de si! no Office Lounging

Toda a Rua da Judiaria .

(url)


APRENDENDO COM EÇA DE QUEIROZ: "SEM A FUMARAÇA QUE TAPA DEUS"

“Ali jantámos deliciosissimamente, sob os auspícios do Melchior — que ainda depois, próvido e tutelar,- nos forneceu o tabaco. E, como ante nós se alongava uma noite de monte, voltámos para as janelas desvidraçadas, na sala imensa, a contemplar o sumptuoso céu de Verão. Filosofámos então com pachorra e facúndia. Na Cidade (como notou Jacinto) nunca se olham, nem lembram os astros — por causa dos candeeiros de gás ou dos globos de electricidade que os ofuscam. Por isso (como eu notei) nunca se entra nessa comunhão com o Universo que é a única glória e única consolação da Vida. Mas na serra, sem prédios disformes de seis andares, sem a fumaraça que tapa Deus, sem os cuidados que, como pedaços de chumbo, puxam a alma para o pó rasteiro — um Jacinto, um Zé Fernandes, livres, bem jantados, fumando nos poiais de uma janela, olham para os astros e os astros olham para eles. Uns, certamente, com olhos de sublime imobilidade ou de sublime indiferença. Mas outros curiosamente, ansiosamente, com uma luz que acena, uma luz que chama, como se tentassem, de tão longe, revelar os seus segredos, ou de tão longe compreender os nossos... — Oh Jacinto, que estrela esta, aqui, tão viva, sobre o beiral do telhado? — Não sei... E aquela, Zé Fernandes, além, por cima do pinheiral? — Não sei. Não sabíamos. Eu, por causa da espessa crosta de ignorância com que saí do ventre de Coimbra, minha Mãe Espiritual. Ele, porque na sua Biblioteca possuía trezentos e oito tratados sobre Astronomia, e o Saber, assim acumulado, forma um monte que nunca se transpõe nem se desbasta.”

(url)


AR PURO

George Stubbbs

(url)


COMO, NÃO SE PODENDO FAZER UMA SIMPLES PERGUNTA QUE TODA A GENTE ENTENDE, SE FAZ UMA COMPLICADA QUE NINGUÉM ENTENDE

Uma das razões porque falta democraticidade ao processo europeu está claramente expressa nesta nota de Vital Moreira no Causa Nossa, respondendo a uma questão de um leitor, sobre que pergunta deve ser feita no referendo sobre a Constituição Europeia:

“No caso da Constituição europeia, o referendo não pode, portanto, versar sobre a aprovação/rejeição do Tratado em si mesmo (tal como não poderia incidir globalmente sobre um projecto de lei). Está excluída portanto uma pergunta deste tipo: «Concorda com a aprovação e ratificação do Tratado constitucional da UE por parte do nosso País?». Tem de ser uma pergunta (ou mais) sobre as principais inovações de fundo contidas no tratado, sobretudo as mais controversas, a começar pela própria ideia de uma Constituição Europeia. Sem prejuízo de melhor elaboração, poderia ser, por exemplo, algo como isto:
«Concorda com a aprovação de um tratado instituindo uma Constituição para a UE, incluindo nomeadamente uma carta de direitos fundamentais, a garantia do princípio da subsidiariedade, a primazia do direito comunitário, a criação de um presidente do Conselho Europeu, a regra das votações por maioria qualificada e a possibilidade de uma política externa e de defesa comum?»
O direito constitucional devia estar ao serviço das pessoas e da transparência da causa pública e do pleno exercício da soberania popular. Eu também defendo um regime parlamentar e entendo que nem tudo se pode referendar. Defendo o referendo sobre a Constituição Europeia, em grande parte porque será uma maneira de mitigar, (mitigar apenas), o prolongado défice de democraticidade que o processo europeu tem tido nos últimos anos, em Portugal e em toda a Europa. Tenho poucas ilusões sobre como vai ser feito, dado o falso “consenso” que vai do PS ao PP sobre a matéria. Mas um referendo que tivesse esta pergunta, ou uma sua variante, seria uma farsa.

*

Veja-se um primeiro comentário de Vital Moreira na Causa Nossa, que transcrevo:

"Comentando este post, J. Pacheco Pereira afirma que «um referendo que tivesse esta pergunta, ou uma sua variante, seria uma farsa». Mas não explica porquê, nem por que é que um referendo sobre a Constituição em geral, abrangendo por atacado todo o seu longo e prolixo texto (centenas de artigos), já não seria uma farsa."

*

A minha objecção: em ambos os casos o que se referenda é "todo o seu longo e prolixo texto (centenas de artigos)", ou com uma pergunta de forma simples e que permite a polarização (podemos discutir porque é que é necessária), ou com uma pergunta complicada que deixará as pessoas entregues aos conselhos partidários. As poucas pessoas.

*

"Mas um referendo que tivesse esta pergunta, ou uma sua variante, seria uma farsa."

É o velho hábito português de criar as regras e arranjar logo uma maneira "de lhes dar a volta".


(Tiago Azevedo Fernandes)

(url)


EARLY MORNING BLOGS 312

Yozgad IV: How like an ocean is existence here


How like an ocean is existence here,
Whose waves are days and moving follow on;
Each seventh wave looms larger than the rest,
As Sabbaths mark the passing of the weeks:
Each wave's uplift is as the rise of day,
And lifted high we look around and find
Nor ship, nor shore, nor bound, but only sky;
Then to the trough of night the day descends,
As the wave sweeps from under plunging down,
And passes onward leaving us still here.
So the waves pass, while we remain like hulks
Whose means of self-propulsion are all gone
That once rejoiced to chase them passing by.
Thus derelict we lie, time passes on,
And we shall see nor home, nor friend, nor love,
'Til, as the tides of ocean cast their dead
Spewed forth among the jetsam of the shore,
We too return, -- the flotsam of the war.
So now heave-to my argosy and bear
Thee up into the eye of this chill wind,
And like a skilled experienced mariner
I'll now ride out the storm of this vile war.


(Stanley de Vere Alexander Julius)

*

Bom dia!

(url)

15.9.04


UM VULCÃO DIGNO DO NOME


(foto aqui)
O Etna está de novo a trabalhar. Aqui perto. Está na altura de voar outra vez.

(url)


A LER

A nota Diz-me o que fazes, dir-te-ei quem és no Acidental.

Acrescento: o péssimo trabalho jornalístico feito pelas televisões que filmaram o espectáculo do protesto (de um grupo que ocupou casas num bairro social do Porto destinado à demolição) sem se darem ao trabalho de investigarem o mínimo sobre o que se estava a passar, dando cobertura a uma tentativa de fraude do sistema de atribuição de casas sociais, através de ocupações selectivas por grupos marginais. Se fossem seguidos os critérios a que a operação de propaganda do Bloco de Esquerda deu cobertura, Lisboa e arredores ainda estariam cheios de barracas, como antes do Plano de Erradicação das barracas. Uma das obras do cavaquismo, diga-se de passagem.

(url)


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A SORRIDENTE TIRANIA

«Veritas», de facto, esse post sobre o «dia sem carros». Veio-me um arrepio pela espinha de lembrar tão vividamente os tempos da sorridente tirania de Guterres e João Soares. Lembra-se seguramente melhor do que eu de como o único contraditório que passava na comunicação social era o debate sobre o Benfica e Vale de Azevedo. Tudo o resto era ignorado ou silenciado (na comunicação social dominada pela esquerda sempre há a distinção entre os que são parciais espontaneamente e os que o são com dolo). Estaremos muito melhor? Não me parece. Bagão Félix é tão querido e ouvido porque o que lhe aproveitam do discurso vem muito do baú da esquerda, tem muito do ingrediente da «justiça social». Eu, que não sou pobre nem riquíssimo,só lendo blogs descomprimo deste novo sufoco da «solidariedade» e desta ideia de Estado benfeitor e omnipresente. Recebo só 60% do que ganho para que o resto alimente funcionários indolentes, mal-criados, e que me tratam como um aborrecimento intolerável quando tenho que pagar, por exemplo, algumas centenas de contos de imposto imobiliário. E quando sou obrigado a financiar em geral um Estado que quer fazer por mim o que eu faria melhor e mais barato, que se mete em tudo, desde secretarias na Golegã, a educação sem nível, a ONG`s representativas de nada, a saúde risível, a experiências culturais sem esforço nem talento nem público.
Em cada sucessivo discurso governativo é sempre isto: espero um vislumbre de preocupação sobre como deixar a população activa trabalhar, investir e poupar em paz e por sua iniciativa e risco privados; em vez disso repete-se a preocupação paternalista e bacoca de ir buscar ainda mais dinheiro, de ficalizar e tolher ainda mais, para tornar «a sociedade» que eles imaginam ainda mais justa, e «os portugueses» ainda mais felizes. Carvalhas dirá «os trabalhadores», Bagão dirá «as famílias», mas no fundo é o mesmo país que vêem: um conjunto de gente sem grande ambição ou futuro, que é preciso proteger com o dinheiro dos «capitalistas» (diria Carvalhas), dos «privilegiados» (diria Bagão), mas que cada vez mais se parecem com a classe média. Depois debatem-se muito com o défice
"

(José Cruz)

(url)


APRENDENDO COM O PADRE ANTÓNIO VIEIRA: AS LÍNGUAS FALAM, O FOGO ALUMIA

Por que vos parece que apareceu o Espírito Santo hoje sobre os apóstolos, não só em línguas, mas em línguas de fogo? Porque as línguas falam, o fogo alumia. Para converter almas, não bastam só palavras: são necessárias palavras e luz. Se quando o pregador fala por fora, o Espírito Santo alumia por dentro, se quando as nossas vozes vão aos ouvidos, os raios da sua luz entram ao coração, logo se converte o mundo. Assim sucedeu em Jerusalém neste mesmo dia. Sai S. Pedro do cenáculo de Jerusalém, assistido deste fogo divino, toma um passo do profeta Joel, declara-o ao povo, e, sendo o povo a que pregava aquele mesmo povo obstinado e cego, que poucos dias antes tinha crucificado a Cristo, foram três mil os que naquela pregação o confessaram por verdadeiro Filho de Deus e se converteram à fé. Oh! admirável eficácia da luz do Espírito Santo! Oh! notável confusão vossa e minha! Um pescador, com uma só pregação e com um só passo da Escritura, no dia de hoje converte três mil infiéis, e eu, no mesmo dia, com cinco e com seis pregações, com tantas Escrituras, com tantos argumentos, com tantas razões, com tantas evidências, não posso persuadir um cristão. Mas a causa é porque eu falo e o Espírito Santo, por falta de disposição nossa, não alumia. Divino Espírito, não seja a minha indignidade a que impida a estas almas, por amor das quais descestes do céu à terra, o fruto de vossa santíssima vinda: Veni Sancte Spiritus, et emitte caelitus lucis tuae radium: Vinde, Senhor, e mandai-nos do céu um raio eficaz de vossa luz — não pelos nossos merecimentos, que conhecemos quão indignos são, mas pela infinita bondade vossa, e pela intercessão de vossa esposa santíssima.

(url)


AR PURO

Christian Skredsvig

(url)


INTENDÊNCIA

Sobre o Dia Europeu sem Carros escrevi em Setembro de 2000, era ministro José Socrates, este SEM CARROS E SEM CABEÇA que está na VERITAS FILIA TEMPORIS.

Esta humilde intendência é a minha nota 2001 desde que comecei o Abrupto. Daqui a três notas estou em 2004.

(url)


EARLY MORNING BLOGS 311

Coronemus nos Rosis antequam marcescant


LET us drink and be merry, dance, joke, and rejoice,
With claret and sherry, theorbo and voice!
The changeable world to our joy is unjust,
All treasure's uncertain,
Then down with your dust!
In frolics dispose your pounds, shillings, and pence,
For we shall be nothing a hundred years hence.

We'll sport and be free with Moll, Betty, and Dolly,
Have oysters and lobsters to cure melancholy:
Fish-dinners will make a lass spring like a flea,
Dame Venus, love's lady,
Was born of the sea;
With her and with Bacchus we'll tickle the sense,
For we shall be past it a hundred years hence.

Your most beautiful bride who with garlands is crown'd
And kills with each glance as she treads on the ground,
Whose lightness and brightness doth shine in such splendour
That none but the stars
Are thought fit to attend her,
Though now she be pleasant and sweet to the sense,
Will be damnable mouldy a hundred years hence.

Then why should we turmoil in cares and in fears,
Turn all our tranquill'ty to sighs and to tears?
Let's eat, drink, and play till the worms do corrupt us,
'Tis certain, Post mortem
Nulla voluptas.
For health, wealth and beauty, wit, learning and sense,
Must all come to nothing a hundred years hence.


(Thomas Jordan)

*

Bom dia!

(url)

14.9.04


INTENDÊNCIA

Publicados na VERITAS FILIA TEMPORIS dois textos:

um Em Defesa do Serviço Militar Obrigatório, que já tem uns anos, mas de que não tenho agora a data exacta:

outro, a Re-Nacionalização da Comunicação Social , que me parece útil lembrar a propósito da recente nomeação de Luis Delgado, escrito em Dezembro de 2000.

(url)



Rembrandt

(url)


A QUADRATURA DO CÍRCULO 2

Anunciei o primeiro programa da nova série para esta semana. Afinal, devido ao impedimento de um dos participantes, o programa começa só na próxima semana e tem um novo horário, à quarta-feira às 23 horas.

(url)


A CARTA

Passa-se qualquer coisa com Bagão Félix, que está demasiado convencido de si próprio. Fica-lhe mal a ele, que é sem dúvida um dos membros mais capazes deste governo, como já o era do anterior, tanta soberba. Ele é o primeiro a saber que, do ponto de vista substantivo, a conversa televisiva que teve ontem só tem duas mensagens políticas: uma, prevenir-nos de que não vai controlar o défice; outra, que este governo vai romper com a política do anterior. O resto é inexistente, descontando já o paternalismo um pouco insuportável de nos virem dizer, do alto do governo, como é que se governa uma família. É pouco, ou então é propaganda.

Esta tendência de Bagão Félix começou com a história da carta, a que se deu pouca atenção. Bagão Félix apareceu na televisão a fazer um número. Nos dias em que o governo se estava a formar e não se sabia quem ficava do governo anterior, apareceu a deitar uma carta no correio para a sua família, dizendo-lhe qual era o seu destino. Repetiu várias vezes que sabia muito bem o que ia fazer. A única interpretação possível era a de que iria abandonar o governo, porque era a única circunstância que dependia exclusivamente da sua vontade. Pareceu-me um exercício de auto-afirmação, como quem diz, eu sou dono de mim próprio e decido o meu destino. Naqueles dias, em que andava tudo muito caladinho, a ver o que acontecia, pareceu-me saudável.

Quando, dias depois, apareceu como Ministro das Finanças, o episódio da carta já tinha uma luz muito diferente. Para além do pormenor de, ou ele, ou o primeiro-ministro, nos estarem a enganar com as datas dos dias do convite, havia ali, já não inteireza, mas soberba e vaidade.

(url)


APRENDENDO COM O PADRE ANTÓNIO VIEIRA: UNS APRENDEM OUTROS NÃO

"Ille vos docebit omnia quaecumque dixero vobis: O Espírito Santo — diz Cristo — vos ensinará tudo o que eu vos tenho dito. — Notai a diferença dos termos, e vereis quanto vai de dizer a ensinar. Não diz Cristo: o Espírito Santo vos dirá o que eu vos tenho dito; nem diz: o Espírito Santo vos ensinará o que eu vos tenho ensinado; mas diz: O Espírito Santo vos ensinará o que eu vos tenho dito, porque o pregador, ainda que seja Cristo, diz: o que ensina é o Espírito Santo. Cristo diz: Quaecumque dixero vobis; o Espírito Santo ensina: Ille vos docebit omnia. O mestre na cadeira diz para todos, mas não ensina a todos. Diz para todos, porque todos ouvem; mas não ensina a todos, porque uns aprendem, outros não. E qual é a razão desta diversidade, se o mestre é o mesmo e a doutrina a mesma? Porque, para aprender, não basta só ouvir por fora: é necessário entender por dentro. Se a luz de dentro é muita, aprende-se muito; se pouca, pouco; se nenhuma, nada. O mesmo nos acontece a nós. Dizemos, mas não ensinamos, porque dizemos por fora; só o Espírito Santo ensina, porque alumia por dentro: Ministeria forinsecus adjutoria sunt, cathedram in caelo habet, quia corda docet, diz Santo Agostinho. Por isso até o mesmo Cristo, pregando tanto, converteu tão pouco. Se o Espírito Santo não alumia por dentro, todo o dizer, por mais divino que seja, é dizer: Quaecumque dixero vobis; mas se as vozes exteriores são assistidas dos raios interiores da sua luz, logo qualquer que seja o dizer, e de quem quer que seja, é ensinar, porque só o Espírito Santo é o que ensina: Ille vos docebit. "



(url)


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS "PASMO DE TRIANA"- "FANTASMA POR ENTREGAS"

"Continuando, inspirada pelo “Pasmo de Triana”, breve nota agora retirada de História, cultura y memória del arte de torear de José Maria Moreiro:

“(...) el consejo de Juan Belmonte a aquel aprendiz:
- Si quieres torear bien, olvida-te de que tienes cuerpo.

Y es que el torero, el buen torero, ha de transformar-se en un fantasma por entregas, como corresponde a su sueño inmortal de soberbia rebeldia a la materia de que está conformado. El dia que se dé por vencido, habrá que repetir-lo, la tarde que comience a cosechar lástima, nada está pintado ya donde se pone, porque há comenzado a ser la contrafigura de sí mismo: la antitesis del valor que representa


(RM)

(url)


A QUADRATURA DO CÍRCULO

recomeça esta semana (respondo assim às perguntas dos leitores). Bravado, bragadoccio, confusão, vale tudo menos tirar olhos, pontinhos a ganhar e a perder, aí está de novo, num ano particularmente interessante. Pela primeira vez toda a gente em simultâneo no programa está um pouco de mal com os seus partidos (com a maioria nos seus partidos), e o país pior que um problema intratável da geometria grega. O bom do Carlos Andrade tem que ter paciência.

(url)


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: SATURNO E CINCO DEFEITOS



na fotografia, cinco pintinhas de branco acinzentado no escuro do espaço: Dione, Enceladus, Tetis, Mimas e Rea . Uma parte pequena da família.

(url)


AR PURO


Alexei Savrasov

(url)


EARLY MORNING BLOGS 310

The Lawyers Know Too Much

The lawyers, Bob, know too much.
They are chums of the books of old John Marshall.
They know it all, what a dead hand wrote,
A stiff dead hand and its knuckles crumbling,
The bones of the fingers a thin white ash.
The lawyers know
a dead man's thought too well.

In the heels of the higgling lawyers, Bob,
Too many slippery ifs and buts and howevers,
Too much hereinbefore provided whereas,
Too many doors to go in and out of.

When the lawyers are through
What is there left, Bob?
Can a mouse nibble at it
And find enough to fasten a tooth in?

Why is there always a secret singing
When a lawyer cashes in?
Why does a hearse horse snicker
Hauling a lawyer away?

The work of a bricklayer goes to the blue.
The knack of a mason outlasts a moon.
The hands of a plasterer hold a room together.
The land of a farmer wishes him back again.
Singers of songs and dreamers of plays
Build a house no wind blows over.
The lawyers--tell me why a hearse horse snickers
hauling a lawyer's bones.


(Carl Sandburg)

*

Bom dia!

(url)

12.9.04


APRENDENDO COM O PADRE ANTÓNIO VIEIRA: TU ÉS PEDRA

"Levado S. Pedro à divindade pela revelação do Padre, vejamo-lo segunda vez elevado ou confirmado nela pela eleição do Filho: Et ego dico tibi, quia tu es Petrus, et super hanc petram ædificabo ecclesiam meam. O imperador Nerva, como refere Plínio, elegeu por seu sucessor a Trajano, e Trajano em agradecimento colocou a Nerva entre os deuses, e pagou-lhe a sucessão com a divindade. Muito melhor Pedro que Trajano, e muito melhor Cristo que Nerva. Pedro disse a Cristo: Tu es Chistus Filius Dei vivi: e Cristo disse a Pedro: Tu es Petrus, et super hanc petram ædificabo ecclesiam meam. Pedro na sua confissão deu a divindade a Cristo, e Cristo na sua sucessão não só deu a Pedro a sucessão, senão também a divindade. Assim foi e assim havia de ser; porque nem a Pedro seria digno sucessão de Cristo, nem seria digna de Cristo a providência de sua Igreja, se Pedro fora somente homem, e não fora juntamente Deus."

(url)


INTENDÊNCIA

Actualizado BIBLIOFILIA: A NAU DE PORTUGAL

(url)


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: ISTO DOS TOUROS, O MAL FOI COMEÇAR

Rafael “El Gallo”, tras almorzar con José Ortega Y Gasset y Cossio, pregunta al último:

- Oye, José Maria, este señor tan amable que comío com nos otros, quien és?

- Hombre, Rafael – le respondió-, tú simpre tan despistado; es Ortega Y Gasset.

-Eso lo sé, que és lo que hace?

-Es el filósofo más grande de España.

Y Rafael “El Gallo” vuelve a mirar Cossío, diciendole:

-Qué barbaridad! Hay gente pa tóo!”



(Luis Nieto Manón, Anecdotario Taurino, enviado por RM )

(url)


COMO OS BLOGUES ESTÃO A TRANSFORMAR A COMUNICAÇÃO SOCIAL,

logo a política, logo o mundo. Veja-se a controvérsia da autenticidade dos documentos sobre a carreira militar de Bush neste artigo do Slate, e sigam-se as ligações.

(url)


COISAS SIMPLES


Carl Schuch

(url)


EARLY MORNING BLOGS 309

Home


I didn't know I was grateful
for such late-autumn
bent-up cornfields

yellow in the after-harvest
sun before the
cold plow turns it all over

into never.
I didn't know
I would enter this music

that translates the world
back into dirt fields
that have always called to me

as if I were a thing
come from the dirt,
like a tuber,

or like a needful boy. End
Lonely days, I believe. End the exiled
and unraveling strangeness.


(Bruce Weigl)

*

Bom dia!

(url)


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UMA ESTREIA, TOUROS! (AGORA ACREDITE QUE NÃO HÁ NADA QUE NÃO ENCONTRE NO ABRUPTO)

O “Pasmo de Triana” condensou recentemente, em poucas palavras, uma das gandes máximas do toureio. (...)

"El riesgo iminente que ve el publico tiene que ir associado, aunque pareça paradojo, con una grande sensacion de dominio y de arte, de lado del torero." (Juan Belmonte)

É preciso, pois, dominar. O domínio é a base indispensável do toureio. E dominar é saber dispor dos instintos do toiro, mediante a prática inteligente dos meios técnicos da lide, segundo a definição concisa de José Maria de Cóssio. Quanto mais domínio há, mais segurança existe. É do conjunto destas circunstâncias que resulta a beleza do espectáculo. E se, a essas duas, acrescentarmos a arte, a graça o ritmo, teremos então a Festa em toda a sua plenitude.


(Crónicas Taurinas por Saraiva Lima, publicadas no Diário Popular durante a temporada de 1944 e enviadas por RM).



(url)


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES. PERCEBER A AMÉRICA E NÃO OS SEUS INIMIGOS

"Neste terceiro aniversário do 11 de Setembro assisto aos debates que têm passado na CNN sobre o Outsourcing na India e as transformações que tem provocado. Sobressai destas discussões o choque entre uma jovem geração empowered por uma nova economia, livre nas suas escolhas, e um pensamento que rejeita e resiste desesperadamente às mudanças que considera ameaçarem o seu mundo. Deste pensamento a ideia que fica é a da convicção de que a sociedade americana é essencialmente imoral, degradante e empestada pela ignorância e a incultura, que a sua influência é deliberada transformando jovens em consumidores sem consciência nem vontade própria. Diga-se o que se disser este pensamento com todas as suas clivagens é antigo, está amplamente espalhado e é muito anterior a G.W.Bush. É um pensamento capcioso, profundamente injusto e espantosamente ingrato. Este 11 de Setembro, para variar, façamos um esforço para perceber a América e não o seus inimigos. "

(João Santos Lima)

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]