ABRUPTO

20.7.13


 
REPUTAÇÃO 

Arlecchino Servitore de Due Padroni

Paulo Portas referiu-se, usando a sempre invocada frase de Sá Carneiro, a que eram pouco importantes os “danos à sua reputação pessoal” face aos problemas do país. Mas não se referiu genericamente aos “danos à sua reputação”, mas “aos danos à sua reputação nas vossas intervenções”, ou seja, nas intervenções dos deputados da oposição no parlamento e não junto dos portugueses. Portas recusa-se a admitir que os “danos” estão muito para além das picardias parlamentares, estão junto de cada um dos portugueses, do CDS ao PCP, no homem comum. 

 Ele acha, como demiurgo, que pode remediar tudo, e conta com a máquina do esquecimento, e com a cumplicidade de muitos jornalistas. Mas este passo irrevogável e a sua responsabilidade directa no facto de o país ter perdido milhões não será esquecido. Mesmo que, na língua ligeira do CDS e da direita dos blogues, se lhes dobre a língua para culpar Portas e Passos pelos milhões perdidos, que seriam imediatamente assacados, se fossem outros o alvos, ao PS, a Sócrates, à CGTP, aos estivadores, aos professores, seja lá quem for. Não, o passo de Portas foi mesmo irrevogável. Sem aspas.

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EARLY MORNING BLOGS  
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A cobardia é medo consentido.
 
(Popular)

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19.7.13


 

 CAOS IRREVOGÁVEL OU ORDEM REVOGÁVEL?


A proposta do Presidente transporta uma forma, um instrumento, um desejo, um objectivo e alguns (poucos) meios. É das propostas políticas mais abertas, ou seja, pode dar resultados muito diferentes, e é uma excepção no extremo controlismo em que vive a vida política portuguesa. É arriscada demais para não ter tido algum suporte em compromissos prévios, que o presidente fez questão de lembrar quando se “surpreendeu” com a “surpresa” dos partidos face à sua intervenção. 

Como de costume, tudo o que é importante, os portugueses não tem direito de saber. Mas, mesmo assim, é uma proposta excepcional, vinda de quem menos parecia ser capaz de sair do terreno sólido da previsibilidade. No entanto, volto atrás, podemos não saber o que se está a passar.

 A proposta presidencial, porém, assenta numa contradição de fundo: pretende ter como objectivo um acordo tripartidário a médio prazo, ou seja desbloquear a actual situação política e, ao mesmo tempo, recusa o único meio possível de conseguir com eficácia esse desbloqueamento, ou seja, fazer eleições antecipadas. 

 Vamos ver no que dá.

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EARLY MORNING BLOGS  
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It is best to avoid the beginnings of evil. 

(Henry David Thoreau)

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18.7.13


O NAVIO FANTASMA (17)

Quer haja, quer não haja acordo, o verdadeiro perdedor será sempre o PS. Se houver acordo, quem sai sempre reforçado é o governo, que verá as suas políticas caucionadas pelo PS, seja o acordo concreto, seja vago e genérico. Se o PS pensa que vai obter ganho de causa por poder acenar com uma ou outra concessão (IVA da restauração, moderação da "reforma do estado", etc.) como sendo resultado da sua negociação, tire daí o sentido. Essas medidas serão implementadas pelo governo Passos-Portas que não terá dificuldade em dizer que já estavam previstas, ou que foi a sua gestão nos dois primeiros anos que o permitiu, ou que foram os "sinais" de uma  "inversão" da situação económica, que abriram esse caminho. A linguagem do poder será sempre mais forte, e depois o tempo apagará as circunstâncias.

Se não houver acordo, o culpado desta crise passa a ser o PS. Na percepção dos portugueses, até este momento, são Portas e depois Passos Coelho e as suas guerras que deram origem  à crise. Ao falhar a "salvação nacional", será sempre mais fácil culpar o PS desse falhanço e passará a ser o PS o mau da fita. O governo terá um novo fôlego.

Claro que a retórica de que quem "ganha" ou quem "perde" "são os portugueses" é apenas pura retórica. Na verdade, quem ganha ou quem perde são os portugueses, mas por outras razões. A começar por se ter adiado a única solução capaz de desbloquear o impasse político actual: novas eleições.

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EARLY MORNING BLOGS  
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“In baiting a mousetrap with cheese, always leave room for the mouse.” 

(Saki)

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17.7.13


O NAVIO FANTASMA (16)

É surpreendente a facilidade com que uma classificação, que não é mais do que uma classificação, traduzindo interpretações de quem a usou originalmente, implicando intenções políticas que são, como todas em democracia, de uma "parte", logo longe de serem ou deverem ser  incontestáveis, se torna a coisa em si. É o caso da classificação das actuais conversações, pactos, entendimentos acordos, seja lá o que for e o que der, como sendo de "salvação nacional".  

Este tipo de classificações são meta-políticas em democracia, prendem mais do que libertam, impedem a discussão, impõem caminhos únicos e estiolam o espaço público. O país pode de facto precisar de um acto de emergência, de uma aliança excepcional, de entendimentos sem precedentes, de uma diferente exigência temporal nos acordos entre partidos, mas não pode ser encerrado num acto de "salvação nacional" que, por assim se classificar, se coloca à margem do debate e do escrutínio democrático. Na realidade, o verdadeiro objectivo deste processo é minimizar o papel das eleições no processo democrático, colocando os portugueses e a soberania do voto popular sob a tutela de acordos  que, ao usarem a grandiloquente expressão de "salvação nacional", diminuem a democracia. Na verdade, quem é que pode estar contra a "salvação nacional"?

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© José Pacheco Pereira
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