ABRUPTO

31.10.10

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
  
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1899 - Abandoned Farmhouse

He was a big man, says the size of his shoes
on a pile of broken dishes by the house;
a tall man too, says the length of the bed
in an upstairs room; and a good, God-fearing man,
says the Bible with a broken back
on the floor below the window, dusty with sun;
but not a man for farming, say the fields
cluttered with boulders and the leaky barn.


A woman lived with him, says the bedroom wall
papered with lilacs and the kitchen shelves
covered with oilcloth, and they had a child,
says the sandbox made from a tractor tire.
Money was scarce, say the jars of plum preserves
and canned tomatoes sealed in the cellar hole.
And the winters cold, say the rags in the window frames.
It was lonely here, says the narrow country road.


Something went wrong, says the empty house
in the weed-choked yard. Stones in the fields
say he was not a farmer; the still-sealed jars
in the cellar say she left in a nervous haste.
And the child? Its toys are strewn in the yard
like branches after a storm--a rubber cow,
a rusty tractor with a broken plow,
a doll in overalls. Something went wrong, they say.

(Ted Kooser)

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30.10.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
 
  
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)
 



 No Alfeite, a bordo do submarino Tridente (Fernando Correia de Oliveira).

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COISAS DA SÁBADO:  ATENÇÃO AOS FACTORES POLÍTICOS DA CRISE

O facto do aspecto mais visível da nossa crise ser de natureza financeira e o seu motor ser de natureza económica e social, tem obscurecido o papel da crise especificamente política. Ouvindo no essencial economistas a falar sobre a crise cria-se a perigosa ilusão que as soluções para a crise que atravessamos são apenas de natureza económico-financeira e que os aspectos políticos são menos relevantes ou irrelevantes. Ora Portugal é uma democracia e por isso há dois factores que nunca podem ser esquecidos: um, primeiro e fundamental, é que o eleitorado não vota segundo a racionalidade dos economistas, mas segundo os seus interesses e expectativas e conforme considera que eles estão assegurados ou ameaçados por determinadas políticas; e, em segundo lugar, que é na política, nos partidos e nas suas lideranças, que essas expectativas e interesses estão representados, ou não.

Isto para dizer que para haver a mudança necessária ela tem que passar pelo voto e o voto não se move pela noção de custo-benefício económica, mas sim pela percepção do custo-benefício social para o eleitor. Em condições de normalidade os partidos políticos representariam as diferentes percepções desse custo-benefício social, que não é a mesma para os eleitores do PCP e do BE ou do CDS e, mesmo que seja a mesma para os eleitores do PS e do PSD, há muitos factores de diferenciação, mesmo sociais, entre os partidos que vão buscar votos ao centro. Mas hoje essa relação entre políticos-partidos-eleitores está muito deteriorada e isso ainda torna mais difícil manter a racionalidade democrática do voto. Por várias razões, que vão desde a degradação dos partidos e dos políticos, até a bloqueios institucionais inscritos na Constituição e na legislação eleitoral, ao surto de demagogia e populismo que vivemos, o sistema político está disfuncional e ameaça manter-se disfuncional por muitos anos. Ou seja, a crise da política democrática impede a estabilização de um terreno em que a racionalidade económica funcione sem ser pelos diktats do estrangeiro. Isto significa que a crise política pode agravar significativamente o tempo necessário para se tomarem as medidas devidas para defrontar a crise económica e financeira e travar a crise social.

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EARLY MORNING BLOGS

1898 - Hard-time blues

Went down home ’bout a year ago
things so bad, Lord, my heart was sore.
Folks had nothing was a sin and shame
every-body said hard time was the blame.
Great-God-a-mighty folks feeling bad
lost every thing they ever had.

Sun was shining fourteen days and no rain
hoeing and planting was all in vain.
Hard hard times, Lord, all around
meal barrels empty crops burnt to the ground.
Great-God-a-mighty folks feeling bad
lost every thing they ever had.

Skinny looking children bellies poking out
that old pellagra without a doubt.
Old folks hanging ’round the cabin door
ain’t seen times this hard before.
Great-God-a-mighty folks feeling bad
lost every thing they ever had.

I went to the Boss at the Commissary store
folks all starving please don’t close your door
want more food a little more time to pay
Boss Man laughed and walked away.
Great-God-a-mighty folks feeling bad
lost every thing they ever had.

Landlord coming ’round when the rent is due
you ain’t got the money take your home from you
take your mule and horse even take your cow
get offa my land you ain’t no good no how.
Great-God-a-mighty folks feeling bad
lost every thing they ever had.

(William Waring Cuney)

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29.10.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
 
  
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)
 
 
Hoje de tarde, na Cidade Proibida, em Beijing. (Fernando Correia de Oliveira)
 
 
El Rocio.
 


 Parque Donana (Luiz Boavida Carvalho).

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ARCAÍSMOS

Os arcaísmos abundam na nossa vida política e, num momento de grave crise política como aquele que atravessamos, esses arcaísmos diminuem a capacidade de o espaço público ter qualidade para responder a essa crise. O mais interessante é que, mesmo nas gerações de políticos que usam intensamente tecnologias de informação, esses arcaísmos não perderam a força, bem pelo contrário. E, no caso português, não é só a geração que cresceu com o Facebook e com o Twitter, mas também a geração-telemóvel e a geração-blogue. Como acontece com quase tudo o resto, os arcaísmos em política são duplicados pela comunicação social, que replica muito melhor o arcaísmo do que a renovação.

Um desses arcaísmos é a condenação dos políticos por "falar de Portugal no estrangeiro". Ainda recentemente Sócrates foi atacado por ter feito declarações sobre a crise nacional nos EUA, assim como Passos Coelho por uma entrevista que deu ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, e mesmo o cosmopolita Marcelo Rebelo de Sousa desdobrou-se em desculpas por estar a falar de Portugal em Maputo. O que é bizarro é que o "estrangeiro" continue a ser uma espécie de anátema antipatriótico como era no salazarismo e que numa altura em que os novos media são, pela sua natureza, globais, ainda se pense que é um mal falar de "fora". Esta atitude muito provinciana é um resquício da nossa periferia, do tempo em que viajar para fora de Portugal era excepcional e tudo o que vinha de fora era visto como tendencialmente estranho e suspeito.

Numa declaração feita a um órgão de comunicação social o que conta é a adequação do meio e da mensagem dos diferentes interlocutores. Se isso pode implicar, nalguns casos, que o lugar onde se emite uma mensagem e o seu meio sejam relevantes, nunca o será por ser português ou estrangeiro. Admito que, quando se fala a um jornal estrangeiro, se pense no que se diz em função do público que vai ler esse jornal, mas isso é muito diferente de condenar alguém por ter falado no estrangeiro para um público português, principalmente quando se está numa missão e o tempo da fala é relevante. Não me choca que Sócrates ameace com a sua demissão a partir dos EUA, onde estava em funções como primeiro-ministro, porque o faz para um público português, num tempo político que é também o português. O valor da sua declaração para um público estrangeiro (e em particular para a audiência que mais nos interessa nesta altura, os "mercados") é igual, quer esta seja feita em Nova Iorque, quer transmitida de Lisboa por um despacho de agência. Mas a persistência deste arcaísmo provinciano mostra como ainda são muito paroquiais os termos da nossa política.

Outro arcaísmo igualmente persistente e que resiste, mesmo quando as lideranças partidárias se pretendem muito modernas e muito desenvoltas com os novos media, é a condenação do "falar fora", ou seja, a emissão de opiniões no espaço público e, por extensão, a interdição do debate aberto para além de normas de estrita disciplina e obediência partidária.

Só a ignorância da vida política fora de Portugal é que leva a pensar-se que nas democracias mais consolidadas alguém aceitaria sequer imaginar a condenação da livre discussão "fora", ou seja, em público, por exemplo entre membros e eleitos dos partidos Democrata e Republicano americanos, ou dos conservadores e trabalhistas ingleses, ou dos sociais-democratas nórdicos, de políticas, orientações, decisões dos seus partidos. É normal que se considere um dever de reserva para os governantes, obrigados a uma relação especial de confiança que une uma equipa executiva, mas congressistas, senadores, deputados, autarcas, eleitos a todos os níveis, discutem livremente se são ou não a favor de uma lei proposta, de uma declaração ou tomada de posição, sem que isso enerve ninguém, como acontece às lideranças em Portugal, nem mobilize os obedientes sempre de serviço para tentar pôr na ordem os recalcitrantes.

Claro que há razões estruturais e conjunturais que explicam a persistência deste arcaísmo na vida política portuguesa. A começar pela a falta de consistência político-ideológica dos partidos que os tornam mais comunidades de acesso ao poder e às benesses do poder do que organizações cívicas com identidade. Em consequência, a diferença é vista muito mais como uma quebra de eficácia no trajecto para o poder do que como manifestação de opinião ou como ponto de vista legítimo. O aparelhismo que cresceu exponencialmente nos partidos portugueses reforça esta tendência, logo acentua a necessidade de uma imagem monolítica para o exterior, em detrimento do debate democrático e aberto ao público, ele próprio uma forma de recrutamento mais eficaz do que o monolitismo, caso a sociedade premiasse o mérito e não a conformidade. Neste caso, os partidos reflectem também a escassa mobilidade social e o peso do consensualismo na vida colectiva.

Em segundo lugar, o sistema político português favorece carreiras de obediência, na medida em que os partidos políticos e as suas direcções fazem as escolhas fundamentais quanto ao acesso à eleição. Não havendo sistema eleitoral uninominal, nem misto, não existindo a possibilidade de cidadãos concorrerem a cargos políticos legislativos fora dos partidos, são os directórios partidários que decidem quem entra ou sai de um lugar como o de deputado. Logo, a manutenção de um cargo como o de deputado, de uma eleição para outra, pouco tem a ver com o mérito, trabalho ou a relação pessoal com o eleitorado, mas com a carreira interpartidária, o lugar de cada um na estrutura partidária e a fidelidade às direcções partidárias.

Isso favorece um clima de obediência e uma gestão de "carreiras" muito concentrada em não desagradar a quem está momentaneamente no poder, assim estiolando qualquer debate. Mas, na verdade, a condenação do debate é igual, quer ele seja feito "dentro", quer "fora", ao mesmo tempo que há uma enorme complacência com ambientes de intriga e conspiração que substituem o debate público por fugas de informação orientadas. A comunicação social actua em conformidade com este ambiente, até porque cada vez mais a mentalidade, formação e mesmo transumância entre lugares é feita numa ecologia comum. Os blogues de jornalistas, aliás, revelam uma continuidade perfeita de mentalidade e métodos entre o meio jornalístico e o meio político.

Se somarmos a esta ecologia que privilegia a conformidade a fragilidade política das lideranças, que se geram e caem exactamente neste meio, temos os ingredientes para a inanidade do debate político intrapartidário. O debate livre, dentro e fora, que é, aliás, o normal em todas as democracias adultas, obrigaria a um upgrade, quer das lideranças, quer dos termos do próprio debate, afastando-o da intriga e aproximando-o das regras, cada vez mais exigentes, do espaço público livre. Ora, isso é particularmente temido pelos aparelhos partidários, que precisam de manter regras de acesso ao poder e à influência "fechadas", oligárquicas e comunitárias, quase clubísticas.

Na verdade, que mal viria ao mundo e em que é que seria anormal, não fosse o nosso arcaísmo e a nossa pequenez, se, por exemplo, a posição a tomar face ao Orçamento do Estado, que é mais do que isso um verdadeiro "debate da nação", fosse livremente discutida em público por todos, no PS e no PSD? Nenhum, nem se perderia aí um voto sequer. Os votos perdem-se é com outras asneiras, que talvez pudessem ser evitadas, se houvesse mais discussão e menos medo do debate. Fora, para todos os portugueses e, dentro como fora, com liberdade.

(Versão do Público de 23 de Outubro de 2010.)

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 EARLY MORNING BLOGS

1897 - The times are nightfall, look, their light grows less

The times are nightfall, look, their light grows less;
The times are winter, watch, a world undone:
They waste, they wither worse; they as they run
Or bring more or more blazon man’s distress.
And I not help. Nor word now of success:
All is from wreck, here, there, to rescue one—
Work which to see scarce so much as begun
Makes welcome death, does dear forgetfulness.


Or what is else? There is your world within.
There rid the dragons, root out there the sin.
Your will is law in that small commonweal… 

(Gerard Manley Hopkins)

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26.10.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
 
  
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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 EARLY MORNING BLOGS

1896 - The Congressional Library (fragmento)

Where else in all America are we so symbolized
As in this hall?
White columns polished like glass,
A dome and a dome,
A balcony and a balcony,
Stairs and the balustrades to them,
Yellow marble and red slabs of it,
All mounting, spearing, flying into color.
Color round the dome and up to it,
Color curving, kite-flying, to the second dome,
Light, dropping, pitching down upon the color,
Arrow-falling upon the glass-bright pillars,
Mingled colors spinning into a shape of white pillars,
Fusing, cooling, into balanced shafts of shrill and interthronging light.
This is America,
This vast, confused beauty,
This staring, restless speed of loveliness,
Mighty, overwhelming, crude, of all forms,
Making grandeur out of profusion,
Afraid of no incongruities,
Sublime in its audacity,
Bizarre breaker of moulds,
Laughing with strength,
Charging down on the past,
Glorious and conquering,
Destroyer, builder,
Invincible pith and marrow of the world,
An old world remaking,
Whirling into the no-world of all-colored light.

(Amy Lowell)

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25.10.10


FRASES PARA OS TEMPOS DE HOJE


…post duos annos vidit Pharao somnium putabat se stare super fluvium de quo ascendebant septem boves pulchrae et crassae nimis et pascebantur in locis palustribus aliae quoque septem emergebant de flumine foedae confectaeque macie et pascebantur in ipsa amnis ripa in locis virentibus devoraveruntque eas quarum mira species et habitudo corporum erat expergefactus…


1. A crise económica, social e política não vai durar um ou dois anos, vai durar pelo menos uma década. Na melhor das hipóteses.

2. O político que disser que as coisas vão melhorar na volta da esquina, está a mentir.

3. O político que diz aos portugueses que vão conhecer tempos maus e que é preciso persistir nas medidas de contenção e austeridade durante um período considerável de tempo, fala verdade. As suas propostas são as únicas que vale a pena ouvir e só ele poderá falar da luz ao fundo do túnel.

4. Um bom político não falará de nenhuma luz ao fundo do túnel tão cedo.

5. O mercado da esperança vai conhecer muitos feirantes, mas nenhum vende a não ser contrafacções que se rasgam à primeira.

6. Deixar um destes feirantes da esperança chegar ao poder pode significar deitar por água abaixo o que foi adquirido nos anos de austeridade anteriores. Será uma tentação fatal a meio do percurso.

7. Primeiro serão os salários, depois serão as reformas. O custo de vida será sempre caro.

8. Nenhum imposto que subiu descerá tão cedo, se descer..

9. Nenhum salário que foi cortado, voltará ser inteiro.

10, Os mais pobres serão as vítimas principais, como sempre.

11. A classe média é que conhecerá a maior queda de qualidade de vida.

12. Algumas pessoas enriquecerão com a crise.

13. A corrupção continuará florescente, mas também conhecerá cortes. Nem para corromper muito caro há dinheiro, mas a corrupção mais barata florescerá ainda mais.

14. A crise matará milhares de pequenas empresas.


15. O TGV, o novo aeroporto de Lisboa, novas estradas está tudo póstumo. Os governantes podem falar deles, desperdiçar dinheiro para simular que os vão fazer, mas não tem dinheiro para os fazer.

16. As escolas tornar-se-ão mais caóticas. O clima de crise social é propício à indisciplina grave.

17. As escolas ficarão mais ou menos em autogestão pelos professores.

18. A saúde ficará bastante mais cara para todos.

19. A TAP pode não sobreviver à crise, a RTP sobreviverá.

20. A diplomacia portuguesa será reduzida ao mínimo, na maioria do mundo não haverá embaixadas portuguesas.

21. A cultura continuar a ter gente habilidosa capaz de vender uma banheira gigante e chamar-lhe arte pública.

22. AS forças armadas portuguesas não verão cumprida a Lei de Programação Militar

23. As autarquias continuarão algum tempo em contra-ciclo, mas chegará o tempo em que também aí haverá austeridade.

24. No final da década os portugueses podem vão estar pobres e a caminho de ficarem ainda mais obres. Se nessa altura a nossa situação da dívida e do défice estiver controlada, ganhamos a década. Se não, perdemos ainda mais.

25. O estado dos portugueses será de irritação política, na melhor das hipóteses. Na pior poderá haver violência.

26. A irritação política é o terreno ideal para a demagogia e para o populismo.

27. A violência política chamará ainda mais violência.

28. Liberais e estatistas todos cortarão no estado. Só não cortarão nas mesmas coisas.


29. Os nossos direitos face ao estado tornar-se-ão quase inexistentes. Face ao fisco quase nenhum direito sobreviverá.

30. A nossa privacidade desaparecerá. O estado vai conhecer por onde andamos, o que compramos, o nosso dinheiro, as nossas prendas, tudo o que sirva para taxar. O Google conhecerá o resto.

31. O fisco será a face do estado mais próxima dos cidadãos e a mais odiada.

32. Existirão suicídios por causa do fisco.

33. O desespero será um sentimento muito comum. Os ricos terão depressões, os pobres desespero.

34. Esta década conhecerá na prática o fim dos direitos adquiridos

35. O pouco dinheiro que chegará aos pobres terá como via as instituições de solidariedade social, em particular da Igreja Católica.

36. O pouco dinheiro que o estado dará aos pobres perder-se-á em grande parte pelo caminho e não será dado aos pobres, mas aos “pobres oficiais”.

37. Vai haver quem queira estar no governo por múltiplas razões, nenhuma das quais é governar.

38. A única política que se pode considerar patriótica não é a que se afasta da austeridade para dar “folga” aos portugueses, mas a que escolhe as melhores medidas de austeridade e evita as más medidas de austeridade

39. As maiorias das medidas de austeridade que qualquer governo vai aplicar nos próximos anos, são escolhidas e decididas no exterior, pela Alemanha, pela EU, pelas agências de rating, pelo FMI, e pelos credores.

40. Poucos políticos actuais sobreviverão à década, mas isso não significa renovação.

41. A maioria dos políticos das novas gerações será profissional da política. Os seus verdadeiros cursos são nos partidos e fora terão apenas cursos de plástico para colocar o dr. e o eng, antes do nome.

42. Os partidos serão substituídos pelos aparelhos partidários, fechados sobre si próprios, tornar-se-ão comunidades de poder e com poder.

43. Haverá cada vez mais familiares de políticos actuais nos lugares políticos.

44. A crise de lugares, empregos, salários, benesses tornará a competição dentro dos partidos cada vez mais dura, visto que os partidos serão uma das saídas rápidas para aceder a um lugar remunerado, para que menos qualificações se exigem.

45. Todas as grandes organizações partidárias de base que tiverem um muito elevado número de membros, sem correspondência com a força eleitoral do partido numa determinada zona, são cacicadas

46. As eleições partidárias internas serão cada vez mais competitivas, duras e agressivas. Os lugares são poucos e a fome muita.

47. Os grandes interesses organizados terão na prática um direito de veto sobre as principais medidas politicas.


48. Comparado com o que aí vem nenhuma destas previsões é especialmente pessimista.

(Versão do Público de 16 de Outubro de 2010.)

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
 
  
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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 EARLY MORNING BLOGS

1895 - Philosophy

If I should labor through daylight and dark,
Consecrate, valorous, serious, true,
Then on the world I may blazon my mark;
And what if I don't, and what if I do?

(Dorothy Parker)

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24.10.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
 
 

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COISAS DA SÁBADO: ONDE ESTÃO OS MAGALHÃES?

Por falar em “Magalhães”, lembram-se do computador azul? Pois deviamos todos lembrar-nos, porque este foi outro exemplo do desperdício gigantesco do primeiro governo Sócrates, em mais um “programa bandeira”, mal pensado, feito à custa de milhões e milhões, e cujos resultados em termos pedagógicos também deveriam ser estudados. Na literatura académica internacional somam-se os estudos sobre o efeito pernicioso de introduzir naquela idade e com aqueles objectivos, computadores individuais, e as primeiras estatísticas mostram uma quebra de rendimento escolar. Se o “Magalhães” tivesse tido sequer 5 minutos de consideração pedagógica, talvez se tivesse utilizado melhor o dinheiro que se gastou. Mas não, foi tudo meia bola e força para o Primeiro-ministro andar a oferecer os computadores nas escolas com a televisão atrás.

Convinha saber agora onde estão os muitos milhares de "Magalhães", quantos estão ainda a funcionar e, desses, quantos ainda tem um vislumbre de utilização pedagógica. É que, como se passa nestes “programas bandeira” feitos sem preparação e sem estudos, não se previram coisas tão simples como as avarias num computador que não é fácil de reparar. É que, a qualquer escola que se vá, e quando se pergunta pelos "Magalhães" que ainda estão em uso, a resposta é, com as habituais e rara excepções, ... apenas uma pequeníssima parte. E este foi mais uma das coisas que custou milhões e milhões e milhões.

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 EARLY MORNING BLOGS

1894

z

The Zigzag Zealous Zebra,
who carried five Monkeys on his back all
the way to Jellibolee.

(Edward Lear)

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23.10.10


COISAS DA SÁBADO: QUE RESULTADOS JÁ DERAM AS “NOVAS OPORTUNIDADES”?

O objectivo das “Novas Oportunidades” era atacar um dos principais problemas que impede o desenvolvimento do país: a baixa qualificação escolar e profissional dos portugueses. Por isso, as “Novas Oportunidades” tinham virtualidades, se fossem bem conduzidas e pensadas a médio prazo, com uma direcção firme e que mantivesse os critérios de qualidade e execução. Mas tudo em que Sócrates toca torna-se propaganda e as “Novas Oportunidades” tornaram-se um “programa de bandeira” do primeiro mandato socialista. O resultado foi a sua sucessiva degradação, após o momento inicial, com uma série de recrutamentos quase à força para o programa e dando facilidades nos diplomas com o objectivo de manipular estatísticas. As estatísticas iniciais já eram megalómanas e de imediato se percebeu que não era possível chegar nem perto dos valores anunciados sem baixar muito os critérios de qualidade mínima que um programa destes exigia. Agora, que já não serve para a propaganda, o programa desapareceu das luzes da ribalta, até que um qualquer corte orçamental o reduza à insignificância. Entretanto, que resultados tiveram as “Novas Oportunidades” que justifiquem os muitos milhões nelas investidos? Alguns terão, mas como no “Magalhães”, é a relação custo-benefício que revela o enorme desperdício destes “progarmas bandeiras”.

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 EARLY MORNING BLOGS

1893 - In Time Of "The Breaking Of Nations" 

I
Only a man harrowing clods
In a slow silent walk
With an old horse that stumbles and nods
Half asleep as they stalk.


II
Only thin smoke without flame
From the heaps of couch-grass;
Yet this will go onwards the same
Though Dynasties pass.


III
Yonder a maid and her wight
Go whispering by:
War's annals will cloud into night
Ere their story die.

(Thomas Hardy)

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22.10.10

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COISAS DA SÁBADO: IRONIA: OS NOVOS ANTI-SÓCRATES NO PSD


Depois de, durante vários anos, andarem a proteger Sócrates para atacar Manuela Ferreira Leite, eis que agora são os mais anti-socráticos que há. Quem já viu muito, sabe onde isto vai dar e sabe que nunca acaba bem. Ser parvenu tende a ser um modo especial de vida e a repetir-se, de excessiva fidelidade com um, para excessiva fidelidade com outro. Sem memória.

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ESPÍRITO DO TEMPO: ONTEM E HOJE
 
  
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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COISAS DA SÁBADO: O QUE TEM QUE SER TEM MUITA FORÇA

..in statu quo res erant ante bellum.

O mal da política portuguesa é que está cheia de “o que tem que ser tem muita força”, ou seja, há quem mande em nós mais do que nós mandamos. O bom político é aquele que a partir daqui (não se pode ignorar o ponto de partida sob pena de batermos contra ele na primeira volta), conseguir sair daqui. Ou arranjar alguma folga. Não vai ser fácil, nem vai ser com facilidades. Mas talvez ainda seja possível se... houver bons políticos e “bom” povo português. Porque o maior génio, o mais audaz, o mais consequente, o maior dos políticos, precisa de votos. E tudo conspira para não lhos dar. A comunicação social, que mata tudo à nascença com um insecticida muito especial para todos aqueles que lhe tiram o poder de influenciar. E o “bom” povo, na versão dos que gritam nos cafés pela mudança, “por mim ia tudo raso”, mas depois votam pelo status quo. Enquanto for assim, o que tem que ser tem muita força.

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18.10.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
 
  
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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COISAS DA SÁBADO: OS ESQUERDISTAS DE HOJE CONTRA O “SISTEMA” (7)




Outra coisa também caracteriza este esquerdismo. precisa de traidores, da versão moderna dos revisionistas e dos neo-revisionistas. E encontra-os com especial prazer naqueles que chamam os “socratinos” do PSD, ou seja toda gente que se pronunciou a favor da passagem do OE, certamente porque são medrosos, cobardes, vivem do estado e estão a defender os seus vis interesses. A chuva de insultos é também típica do esquerdismo, que encontrava em Lenine um estilo de calúnia que moldou a linguagem do comunismo até aos dias de hoje.

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© José Pacheco Pereira
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