ABRUPTO

20.6.09


PAGA-SE UM PREÇO POR CRITICAR OS JORNAIS,

embora muita gente que os leia não se aperceba das pequenas vinganças e desconsiderações. A capa do i de hoje é um bom exemplo. Não me pronuncio, como é óbvio, sobre a "entrevista" de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende. Mas surpreende-me que um jornal que se pretende sério escolha uma frase insultuosa para título, e isso é de sua responsabilidade.

Sucede que, na quarta-feira passada, o i tinha-me pedido uma entrevista de fundo. Por consideração com a Maria João Avilez que ma pediu, dei a entrevista, estando presente uma equipa de televisão e um fotógrafo do jornal. Mas enganei-me quanto à seriedade do jornal a que dei a entrevista, pelo que, a não haver um pedido de desculpas pela afronta, não autorizo a sua publicação, facto que já comuniquei à Maria João Avilez.

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EARLY MORNING BLOGS

1582

There was an old person of Woking,
Whose mind was perverse and provoking;
He sate on a rail,
With his head in a pail,
That illusive old person of Woking.

(Edward Lear)

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19.6.09


COISAS DA SÁBADO: SÓCRATES NO SEU LABIRINTO



Sócrates é muito hábil, muito esperto no sentido em que o termo se demarca de inteligente. “Polymekanos” como Ulisses, salve-se a gigantesca distância entre o grego e o português. Duvido que seja tão intuitivo como se diz que ele é, o “animal político”, porque há ali muita coisa de construído por assessores, por agência, depois materializado no bom repetidor e actor que sem dúvida é. É mais zangado e agressivo contra as contrariedades do que firme, mas uma coisa passa por outra com facilidade. Precisa dessa encenação de autoridade para ser temido e não hesita em usar os instrumentos da autoridade e da vingança para ser temido.

Ora, quase tudo isto soçobrou, menos os instrumentos, que ainda lá estão em S. Bento a ser usados. Ele é o mesmo, o mundo não. Este é um risco que Sócrates corria desde sempre, porque quando se vive numa redoma de imagem profissional (muito nítida nos últimos dias de campanha das europeias em que repetia sempre a mesma “mensagem” / massagem, preparada para ele), corre-se o risco de, uma vez partida a redoma, o ambiente exterior se tornar muito corrosivo.

E uma vez na mó de baixo, está-se muito, muito, na mó de baixo. Até nisso muita gente é situacionista, a expressão que tenho usado para descrever a conformidade preguiçosa ou activa com o poder instalado. Quando alguém está na mó de baixo há sempre alguém que nunca mexeu uma palha que vai lá bater, atirar a sua pedra. Somos bons no louvaminhar e no bater nos fracos.

Este é o labirinto em que Sócrates pode estar metido. Ele vai dar luta, com aquela determinação que tem e que o faz ultrapassar dúvidas e escrúpulos. Mas se repete a mesma receita de ontem, o que resultava no passado hoje vira-se contra ele. E a encenação de humildade e outras teatrices, não resultam pela desadequação do actor. Na mesma peça não se pode ser um bom Capuchinho quando se é reconhecido por todos como um bom Lobo Mau. Este é o labirinto de Sócrates.

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EARLY MORNING BLOGS

1581 - Literary

I sing of simple people and the hardier virtues, by Associated Stuffed Shirts & Company,
Incorporated, 358 West 42d Street, New York, brochure enclosed
of Christ on the Cross, by a visitor to Calvary, first class
art deals with eternal, not current verities, revised from last week's Sunday supplement
guess what we mean, in The Literary System, and a thousand noble answers to a thousand empty questions, by a patriot who needs the dough.
And so it goes.
Books are the key to magic portals. Knowledge is power. Give the people light.
Writing must be such a nice profession.
Fill in the coupon. How do you know? Maybe you can be a writer, too.
(Kenneth Fearing)

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17.6.09


EARLY MORNING BLOGS

1580

蝸牛
そろそろ登れ
富士の山

katatsumuri
soro soro nobore
fuji no yama

O snail,
Climb Mt. Fuji,
But slowly, slowly!

Lento caracol
Devagar, devagar caminha
E o Fuji escala!


(Kobayashi Issa 小林一茶, vários tradutores)

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16.6.09




"O esquecimento do "se bem me lembro" na Sábado em linha.

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1579 - Au zoo

Si la girafe étire son long cou
C'est pour regarder partout,
Elle est curieuse, Voilà tout !

Si le dromadaire fait le gros dos
C'est pour qu'on le prenne en photo,
Il croit qu'il est le plus beau.

Si le caïman bâille de toutes ses dents
C'est parce qu'il s'ennuie tout le temps,
Mais ça fait peur aux enfants.

(Cantilena anónima.)

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15.6.09


NUNCA É TARDE PARA APRENDER: ESPIÕES NA AMÉRICA

10-06-2009 (7)

Alexander Vassiliev / Harvey Klehr / John Earl Haynes , Spies: The Rise and Fall of the KGB in America, Yale University Press, 2009.

O que este livro revela é que se sabe praticamente tudo sobre a espionagem russa nos EUA, pelo menos até aos anos cinquenta. O que faltava saber nos casos mais controversos, em particular sobre o dossier "Enormous", de espionagem nuclear, e o caso de Alger Hiss, está no essencial esclarecido. Já se sabia muito, pela conjugação de várias deserções de membros do KGB para os serviços americanos, canadianos e ingleses, e da decifração das mensagens "Venona", um dos maiores feitos da criptologia americana. Conhecia-se o modo como os soviéticos penetraram o programa "Manhattan", e os detalhes das redes ligadas aos Rosemberg, mas permanecia uma controvérsia feroz sobre a culpabilidade de Alger Hiss, um alto funcionário do Departamento de Estado que sempre negou ter espiado para os soviéticos, Essa polémica envolveu académicos e jornalistas, em artigos de acusação e defesa inflamados que, nalguns casos, terminaram no tribunal, em processos de difamação.

O que de novo traz este livro é a utilização dos cadernos de Alexander Vassiliev, um antigo membro do KGB, que se demitiu sem desertar na época de Gorbachev, e que, enquanto jornalista, foi convidado nos anos de Yeltsin a consultar os ficheiros do então extinto KGB, no âmbito de um programa negociado com uma editora americana. Esta oferta parece estranha aos olhos de hoje, em que seria completamente impossível, mas foi feita numa época em que havia gente na Rússia a defender a criação de um serviço comum EUA - Federação Russa, dado que ambos os países eram "aliados". Durante algum tempo, Alexander Vassiliev pode pedir documentos originais, incluindo correspondência operacional entre os responsáveis do KGB na América e a sede em Moscovo, assim como documentos, perfis, etc. Vassiliev conta que os documentos que lhe eram facultados variavam conforme as decisões dos diferentes responsáveis pelas secções do KGB, mas que pôde mesmo assim copiar um número considerável de originais e fazer a síntese dos que lhe pareciam menos relevantes. Daí resultou um numeroso grupo de cadernos que, quando foi impedido de continuar a investigação, foram escondidos e depois enviados para fora da Rússia. Na base dessas informação e cotejando-as com a enorme massa documental já conhecida (Harvey Klehr e John Earl Haynes já tinham escrito em detalhe sobre as redes do KGB na América e sobre o envolvimento do PC dos EUA ) , foi possível fornecer uma narrativa detalhada da espionagem soviética. Não há por isso muitas novidades, mais alguns nomes e detalhes que completam o conhecimento das redes, um ou outro nome de políticos, cientistas e jornalistas que se desconhecia, e, sim, a confirmação de que Alger Hiss espiava para os soviéticos desde os anos trinta.

*
A prova irrefutável da culpabilidade de Alger Hiss veio também liquidar o principal leit-motif do ódio inquebrantável da esquerda americana para com Richard Nixon. De facto, foi como membro da Comissão para as Actividades Anti-Americanas da Câmara dos Representantes (“House Un-American Activities Committee”) que Nixon se tornou famoso, no final dos anos ’40. O prazo para uma condenação de Hiss por espionagem já prescrevera, mas não se livrou de uma condenação por perjúrio. Como Hiss era um membro da elite político-intelectual da Costa Leste, essa difusa comunidade nunca perdoou a Nixon, e, tal como o próprio Hiss, sempre manteve a inocência do homem, tentando fazer dele uma vítima do supostamente tenebroso Nixon, especialmente após o caso Watergate. A queda da URSS e a abertura, pelo menos temporária, de certos arquivos russos, veio demonstrar quem tinha razão. Richard Nixon foi um dos grandes vencedores da Guerra Fria.

(Alexandre Burmester)

*

Diz JPP: "... O que este livro revela é que se sabe praticamente tudo sobre a espionagem russa nos EUA, pelo menos até aos anos cinquenta...."

Como dizia o outro, o pior cego é o cego que pensa que vê.

(Pedro)

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POEIRA DE 15 DE JUNHO

Hoje, há 620 anos, Durad, um dos nobres sérvios derrotados, observou de longe o que sobrava da carnificina da batalha do Kosovo. Tinham-lhe dito na confusão que Murad, o sultão, morrera na batalha, ou tinha sido morto por um dos seus companheiros na cavalaria sérvia. Durad sentiu que falhara nessa vingança inútil, que tomava por sua. Perdeu então a razão de uma forma tão mansa que ninguém se apercebeu. Passou os próximos anos escondido num mosteiro e morreu como um monge, dedicando-se a escrever um longo manuscrito que nunca mostrou a ninguém. Na biblioteca do déspota Stefan Lazarević existia o original desse texto que consistia em 738.000 repetições da palavra "porquê?". O bizarro documento interessou a Freud e a alguns dos seus discípulos. Nas notas de Fritz Wittels sobre a alethia, o texto do louco sérvio é mencionado.

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1578 - On the Waterfront

—know thyself

Flashlight in hand, I stand just inside the door
in my starched white shirt, red jacket nailed shut
by six gold buttons, and a plastic black bowtie,
a sort of smaller movie screen reflecting back
the larger one. Is that really you? says Mrs. Pierce,
my Latin teacher, as I lead her to her seat
between the Neiderlands, our neighbors, and Mickey Breen,
who owns the liquor store. Walking back, I see
their faces bright and childlike in the mirrored glare
of a tragic winter New York sky. I know them all,
these small-town worried faces, these natives of the known,
the real, a highway and brown fields, and New York
is a foreign land—the waterfront, unions, priests,
the tugboat's moan—exotic as Siam or Casablanca.
I have seen this movie seven times, memorized the lines:
Edie, raised by nuns, pleading—praying, really—
Isn't everyone a part of everybody else?
and Terry, angry, stunned with guilt, Quit worrying
about the truth. Worry about yourself, while I,
in this one-movie Kansas town where everyone
is a part of everybody else, am waiting darkly
for a self to worry over, a name, a place,
New York, on 52nd Street between the Five Spot
and Jimmy Ryan's where bebop and blue neon lights
would fill my room and I would wear a porkpie hat
and play tenor saxophone like Lester Young, but now,
however, I am lost, and Edie, too, and Charlie,
Father Barry, Pop, even Terry because he worried
more about the truth than he did about himself,
and I scan the little mounds of bodies now lost even
to themselves as the movie rushes to its end,
car lights winging down an alley, quick shadows
fluttering across this East River of familiar faces
like storm clouds cluttering a wheat field or geese
in autumn plowing through the sun, that honking,
that moan of a boat in fog. I walk outside
to cop a smoke, I could have been a contender,
I could have been somebody instead of who I am,
and look across the street at the Army-Navy store
where we would try on gas masks, and Elmer Fox
would let us hold the Purple Hearts, but it's over now,
and they are leaving, Goodnight, Mr. Neiderland,
Goodnight, Mrs. Neiderland, Goodnight, Mick, Goodnight,
Mrs. Pierce, as she, a woman who has lived alone
for forty years and for two of those has suffered through
my botched translations from the Latin tongue, smiles,
Nosce te ipsum, and I have no idea what she means.

(B. H. Fairchild)

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14.6.09


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EI! O PSD GANHOU AS ELEIÇÕES EUROPEIAS!



(Susan Sontag, On Photography)

E era impossível, não era? Foi mesmo verdade? Não foi o Bloco de Esquerda, o "grande ganhador"? Não foi o PP, que ganha as eleições sempre contra as sondagens, mesmo quando fica em último lugar, atrás do BE e do PCP? Não foi o PS que perdeu para todos, logo há um perdedor e nenhum verdadeiro vencedor? Ei! Cai na real, como dizem os nossos amigos brasileiros, o PSD ganhou de facto as eleições por muito que isso seja surpresa, incomodação, espinho na garganta, sapo a engolir, pesadelo, coisa má. E ele há tanta maneira de diminuir o que aconteceu: ganhou, mas não ganhou. Teve um pobre resultado, teve poucos votos, "o pior resultado de sempre do PSD", teve uma votação pouco diferente da de 2004, ou de Santana Lopes, ou sei lá o quê, mas a verdade é que se repete a dose, a miserável, paupérrima, "pior" dose, afasta Sócrates e o PS e pode governar. Ou seja, impossível não é?

Tanto texto em jornais, tanta afirmação em blogues, tanta arrogância, jactância, certeza, superioridade, tanta "análise" superficial, errada e de má-fé transformada pelo jornalismo de rebanho em verdade revelada, e no fim a "surpresa". Lembro-me de um "jornalista" que dizia que escolher Rangel era um "cartão amarelo" a Manuela Ferreira Leite, explicitando nessa asneira muito do que explicava o "passoscoelhismo" do Diário de Notícias, para quem este último é que era o verdadeiro líder do PSD e não essa mulher ultrapassada, que meia dúzia de votos tinham colocado à frente do PSD, impedindo a modernidade da "fenomenologia", as fotografias de modelo no Facebook e as agências de comunicação de terem a sua votação "natural".



Lembro-me de um jornalista comentador televisivo, tido como de direita, que sempre, sempre, desde que Santana Lopes deixou de ser líder parlamentar, dizia que o PSD (com Rangel) perdia os debates na Assembleia com Sócrates, dizia que cada entrevista com Sócrates era uma grande vitória, enquanto Manuela Ferreira Leite tinha que mudar tudo, "não tinha jeito" e era "mal aconselhada". Lembro-me de um dono de uma empresa de sondagens a dizer que era impossível o PSD ganhar ao PS, porque o PS estava a lutar pelos 40% e o PSD pelos 30%, números que as suas sondagens reiteravam sucessivamente até ao dia das europeias. Lembro-me dos jornais a colocarem a líder do PSD para baixo ao mais pequeno pretexto, porque cometia gaffes, não ia a comícios, não contratava agências de publicidade, não lia do teleponto e tinha "tabus", ou seja, não dizia as coisas quando eles achavam que deviam ser ditas. Lembro-me do clamor quanto à escolha tardia do candidato, garantia da derrota, e outros clamores que, de novo, o jornalismo de rebanho tornava em evidências onde ninguém parava para pensar, escutar e olhar, só repetia.







Lembro-me de tanta lama, às vezes quase insulto, contra Manuela Ferreira Leite e mesmo contra Rangel, o que era pior que Marcelo (houve um abaixo-assinado de meia dúzia na Internet promovido a grande movimento pelo Diário de Notícias, lembram-se...), que era pior que Marques Mendes, etc., etc., tanto atestado de incompetência, de "perdedor" absoluto, de incapacidade "mediática" que, a dois meses de eleições, colocar sequer a hipótese de vitória era considerado cegueira do pior. O mais interessante era ver os que estavam completamente convencidos de que o PSD nunca ganharia as eleições, e desejando, por pura táctica pessoal que as perdesse, a exigir que as ganhasse, num exercício de má-fé e hipocrisia que acabou por se tornar tão explícito como contraproducente.

O ambiente era tão hostil, tão hostil, que de facto deu à vitória um significado interior, para o partido, e para o país, muito difícil de tragar, quer pelos adversários internos de Manuela Ferreira Leite, quer para o PS de José Sócrates. A vitória marca um antes e um depois, e isso mostra que já não se pode pensar as coisas como se pensavam antes e muita táctica, principalmente no PS e no interior do PSD, tornou-se poeira de um dia para o outro. Um milhão de eleitores conseguiram esse resultado e veio no momento certo.

O caminho agora está aberto, mas permanece muito difícil. A natureza da fragmentação do PSD, assente em interesses de poder interno, pouco reflecte a realidade nacional e pouco se move por ela. Para muitos profissionais do aparelho partidário, é mais importante manter o seu próprio poder interno do que ganhar as eleições ao PS e dar um novo governo ao país. Vejo muita gente a tomar por adquirido que o "cheiro do poder" chega para "unir" o PSD. Terá sido assim no passado, não o é certamente no presente, onde é mais relevante controlar as listas de deputados e os equilíbrios de poder entre distritais e dirigentes que se comportam como caciques, do que mudar o país. O grau de degradação da vida interna dos partidos é tal que é mais importante manter os poderes que existem do que correr os riscos da mudança que podem desequilibrar o que foi laboriosamente adquirido. Não tenho dúvidas de que, se não fosse esta vitória eleitoral, a margem de manobra de Manuela Ferreira Leite seria quase nula, e mesmo assim terá sempre mais dificuldades dentro do PSD do que fora, no país.

O que Manuela Ferreira Leite hoje precisa para competir de forma mais perfeita com o PS é restituir a honra governativa perdida do PSD, um partido que deu ao país governos como os da AD e os de Cavaco Silva, mas que para muitos portugueses tem essa reputação manchada. Para isso, precisa da maior liberdade, porque tem autoridade política que veio de fora, do voto, e precisa de a usar rapidamente nas opções mais difíceis, antes que o tempo exerça a sua usura. Precisa de escolher listas de deputados qualificadas, constituindo equipas com gente velha e nova, mas que seja reconhecida pelo país, pelos grupos profissionais, pelas elites e pelo homem comum, pelos que precisam de melhor política, como dedicados, capazes, impolutos e estando ali pelo interesse público.

Como o está Manuela Ferreira Leite, a quem ninguém pode acusar de usar a política para fazer uma carreira ou actuar por interesse próprio. Ela sabe o que quer, tem neste momento um programa alternativo ao do PS, tem a legitimidade de uma vitória que muitos consideravam impossível, agora tem que usar a sua autoridade para fazer o que falta. Muito trabalho tem vindo a ser feito com discrição para materializar um programa de governo e muita gente capaz pode ser mobilizada. Não é fácil, num momento em que o Governo e os seus aliados nos grandes interesses retaliam contra quem comete o crime de pensar que é preciso mudar. Mas é essa a competição que pode consolidar a mudança de Junho.

Há exactamente um ano, em 7 de Junho de 2008, tinha Manuela Ferreira Leite acabado de ganhar e antes da "crise", escrevi no Público o seguinte:
"O eleitor de 2009 está assustado, triste com a sua vida, não acredita em quase nada, mas espera que alguma solidez, alguma seriedade, alguma credibilidade no governo, lhe permitam atravessar a crise sem grandes estragos, sem perder muito e talvez, talvez, passada a tempestade, possa de novo melhorar alguma coisa. É um programa mínimo para tempos difíceis, mas é um programa racional para os eleitores do 'centro', que é onde a maioria dos eleitores está. O eleitor de 2009 não vai votar em grandes questões programáticas, nem em listas de medidas por muito atractivas que elas sejam, nem em grandes rupturas.

Só trocará o PS pelo PSD se perceber que ganha alguma coisa, mas fá-lo-á se a mudança lhe parecer poder ser feita com confiança e segurança. Se não for assim, em tempos de crise, vai sempre preferir o 'diabo que conhece'. Nessa mudança, valorizará o que de mais raro existe na política, e procurará naturalmente o contrário do que já tem hoje, procurará mais sobriedade, mais solidez, menos espectáculo, menos mentiras, mais verdade. É isso que significa a credibilidade, palavra com muito mais conteúdo do que parece e que muda muito mais coisas do que se imagina, mas que tem o inconveniente de estar escassamente distribuída. Ou se tem ou não se tem. Vai querer gente muito sólida no governo, não vai querer nem demagogos, nem mentirosos."
Um ano depois nada tenho a acrescentar.

(Versão do Público, 13 de Junho de 2009.)

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(António Leal)

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ÍNDICE DO SITUACIONISMO (99): RECICLAGENS


A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

É tão interessante como educativo ver as fórmulas de reciclagem do situacionismo. Uma delas, vinda das mesmas fontes que no passado alimentaram muita intriga e muito desdém, é elogiar Rangel contra Manuela Ferreira Leite, elogiar Rangel de modo a diminuir Manuela Ferreira Leite e outras variantes do mesmo mecanismo.

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REGRAS BÁSICAS PARA SOBREVIVER À POLUIÇÃO MEDIÁTICA (3)



Nunca, jamais, em tempo algum se deve prescindir da melhor, mais eficaz, mais clara forma de responder a uma pergunta: "sim" ou "não".

"- Pensa que não sei quê, não sei que mais?

- Não penso.

- Mas não pensa que B deveria falar com A, antes de dizer a C o que disse?

- Não. Não penso."

E por aí adiante.

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REGRAS BÁSICAS PARA SOBREVIVER À POLUIÇÃO MEDIÁTICA (2)



Nunca, jamais, em tempo algum, se aceita comentar, alimentar, dar relevo, ampliar, um tema da agenda jornalística, quando esta é apenas resultado do moinho de orações próprio dos jornais e representa por si só uma tentativa de controlo e condicionamento do debate público.

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REGRAS BÁSICAS PARA SOBREVIVER À POLUIÇÃO MEDIÁTICA (1)



Nunca, jamais, em tempo algum, se comentam palavras de terceiros com base na "interpretação", "tradução", "simplificação", "ampliação", exagero, ou vulgar traição, feita por um jornalista. Ouve-se, lê-se, vê-se o original e depois comenta-se.

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EARLY MORNING BLOGS

1577

The incredible Wizard of Oz
Retired from his business becoz
due to up-to-date science,
To most of his clients,
He wasn't the Wizard he woz.

(Limerick anónimo.)

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© José Pacheco Pereira
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