| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
|
22.3.08
(url) 1254 - Easter Day The silver trumpets rang across the Dome:
The people knelt upon the ground with awe: And borne upon the necks of men I saw, Like some great God, the Holy Lord of Rome. Priest-like, he wore a robe more white than foam, And, king-like, swathed himself in royal red, Three crowns of gold rose high upon his head: In splendour and in light the Pope passed home. My heart stole back across wide wastes of years To One who wandered by a lonely sea, And sought in vain for any place of rest: 'Foxes have holes, and every bird its nest. I, only I, must wander wearily, And bruise my feet, and drink wine salt with tears.' (Oscar Wilde) * Bom dia! (url) 21.3.08
A RTP deu mais um exemplo de como é a informação em Portugal ao tratar o aniversário da Cimeira dos Açores como o Bloco de Esquerda acha que foi: um crime. Deu voz apenas a Mário Soares que disse exactamente isto mesmo, mas nunca se perguntou se tem sentido no plano informativo tratar um evento desta natureza de forma não só completamente unilateral, politizada e, pior ainda, pela linha do extremismo político. Pode ser que para muitos jornalistas da RTP, que tem uma das informações internacionais mais anti-americanas de todas as televisões portuguesas, isto seja completamente natural. Cimeira dos Açores, crime, logo a voz única de Soares, a dizer que é um crime. Ponto final. Isto não é informação, é opinião e pode ser a de muita gente, que nem por isso deixa de ser apenas opinião. Assinem-na num editorial, não a coloquem como peça informativa num telejornal. (url) 1253 -The Hangman at Home What does the hangman think about When he goes home at night from work? When he sits down with his wife and Children for a cup of coffee and a Plate of ham and eggs, do they ask Him if it was a good day’s work And everything went well or do they Stay off some topics and talk about The weather, base ball, politics And the comic strips in the papers And the movies? Do they look at his Hands when he reaches for the coffee Or the ham and eggs? If the little Ones say, Daddy, play horse, here’s A rope—does he answer like a joke: I seen enough rope for today? Or does his face light up like a Bonfire of joy and does he say: It’s a good and dandy world we live In. And if a white face moon looks In through a window where a baby girl Sleeps and the moon gleams mix with Baby ears and baby hair—the hangman— How does he act then? It must be easy For him. Anything is easy for a hangman, I guess. (Carl Sandburg) * Bom dia! (url) 20.3.08
Portugal tem pouca tradição de respeito pelos seus mortos. No último século tivemos duas guerras, a I Guerra Mundial e a guerra colonial, em ambas sofremos milhares de mortos. Não interessa muito classificar as guerras para este caso em justas e injustas, porque os mortos são nossos, são parte do que nós somos e merecem memória e respeito. Muitos não tiveram esse respeito, e estão algures esquecidos, como o “menino de sua mãe” numa terra alheia, no Norte da França, em África, neste último caso em campas muitas vezes abandonadas e perdidas. Por isso, a iniciativa da Liga dos Combatentes de juntar os seus restos num cemitério militar digno desse nome, merece todo o apoio. Mais do mesmo. (url) (url) 1252 - Baruch Spinoza Bruma de oro, el Occidente alumbra la ventana. El asiduo manuscrito aguarda, ya cargado de infinito. Alguien construye a Dios en la penumbra. Un hombre engendra a Dios. Es un judío de tristes ojos y de piel cetrina; lo lleva el tiempo como lleva el río una hoja en el agua que declina. No importa. El hechicero insiste y labra a Dios con geometría delicada; desde su enfermedad, desde su nada, sigue erigiendo a Dios con la palabra. El más pródigo amor le fue otorgado, el amor que no espera ser amado. (Jorge Luis Borges) * Bom dia! (url) 19.3.08
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: O PAPA SALVO PELA MÃO DE N. S. DE FÁTIMA
Nigel West, The Third Secret: The CIA, Solidarity and the KGB's Plot to Kill the Pope, Londres, Harper Collins, 2001.Aqui está um livro escrito por um especialista rigoroso e conhecedor do mundo dos serviços secretos mas que, ao ter que lidar com uma teoria inconclusiva, que ele próprio não pode inteiramente confirmar, acaba por disfarçar o impasse falando de outras coisas, falando para o lado. O livro de Nigel West é um retrato interessante de algumas das últimas operações mais ou menos secretas dos anos do fim da Guerra Fria, só que o tema, - o atentado do turco Ali Agca contra João Paulo II -, fica imerso nos subtemas do Afeganistão, do Solidariedade, do estado de sítio polaco e das ameaças soviéticas de invadir a Polónia. Há capítulos interessantes no livro, como por exemplo o que refere o papel dos misseis Stinger no Afeganistão ou a acção de William J. Casey como dirigente da CIA, mas percebe-se que Nigel West se estende por estes temas porque, não havendo provas conclusivas de que o atentado contra o Papa tenha sido de responsabilidade do KGB, embora o envolvimento dos búlgaros esteja confirmado, é obrigado a sugerir os contextos que o podiam explicar, ou justificar, do ponto de vista soviético. A introdução sobre a história do "segredo de Fátima" não é novidade para os portugueses interessados nestas matérias, mas o papel do Papa polaco, que tinha a certeza de que fora N. S. de Fátima que o tinha poupado à morte, percebe-se como sendo decisivo, em grande parte pela sua atitude de não fazer compromissos com o regime que muitos outros prelados polacos estavam habituados a fazer e queriam, mesmo em plena crise do Solidariedade, fazer. João Paulo II e Reagan acabaram por ser o par mais decisivo no fim do comunismo, duas personagens improváveis e imprevistas, o actor de filmes da série B e sindicalista anti-comunista e o bispo que chegou a Papa por omissão dos candidatos mais bem posicionados. Eis pois um caso interessante de colaboração entre o Espírito Santo e o Povo Americano. (url) (url) 18.3.08
(url) 16.3.08
NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE NESTES DIAS APRENDENDO COM O SR. JOÃOZINHO DAS PERDIZES (1): "UMA VERDADEIRA POTÊNCIA ELEITORAL" - como funciona o populismo. LECTOR INTENDE: LAETABERIS - sobre as traduções dos clássicos a propósito do Orlando Furioso. (url) APRENDENDO COM O SR. JOÃOZINHO DAS PERDIZES (2): "O CÓMODO DEGRAU" Leitor, se tens, como eu, esperança e sincera fé no sistema representativo, perdoa-me o obrigar-te a assistir a uma cena que faz subir a cor ao rosto de quem, como nós, abençoa os sacrifícios por cujo preço nossos pais nos compraram a nobre regalia de intervir, como povo, na governação do Estado, as franquias que nos emanciparam da caprichosa tutela de um homem, revestido de diretos impiamente chamados divinos, contra os quais o instinto e a razão igualmente se revoltam. A cena, porém, humilhante como é, não envolve a mínima censura à excelência do sistema; mas apenas aos que nos quarenta anos que ele quase tem de vida entre nós, não souberam ou não quiseram ainda fazer compreender ao povo toda a grandeza da augusta missão que lhe cabe executar. (...) Era o Sr. Joãozinho das Perdizes à frente da sua freguesia, disse eu. E é justamente este o espectáculo humilhante de que falava. Tendes visto um guardador de cabras à frente do seu rebanho, conduzindo com acenos e assobios todas as barbudas cabeças daquele regimento quadrúpede? Pois vistes o mais perfeito simile da cena que se presenciava agora no adro da igreja matriz. O povo, o povo soberano, que naquele dia tinha nas mãos o ceptro da sua soberania, não era menos dócil do que os irracionais que recordámos. O dia em que devia mostrar-se orgulhoso, era quando mais se humilhava; quando podia dispor dos destinos dos seus senhores, era quando mais vergava a cabeça sob o peso que estes lhe assentavam. Não é semelhante esta força inconsciente do povo à do boi robusto e válido, que uma criança dirige e subjuga? Forte como ele, como ele dócil, como ele laborioso, como ele útil, não vê que a mesma força que emprega no trabalho lhe poderia servir para repelir o jugo. Ou quando o vê, é quando o desespero e a fúria o cegam e o impelem a revoltas tremendas. Mas o povo de Pinchões, o povo do Sr.Joãozinho, estava muito longe desses excessos. O morgado vinha, como já disse, à frente. (...) Atrás vinham os eleitores de Pinchões, velhos e moços, ricos e pobres, mas todos com o olhar tímido e estúpido, todos com movimentos enleados, todos com os olhos no caudilho, para saber o que deviam fazer; se ele parava a cumprimentar um amigo, paravam todos com ele; a direcção que tomava, tomavam-na todos a um tempo; apressavam ou demoravam o passo, segundo a velocidade que ele dava aos seus; se ria, sorriam; se praguejava, tudo ficava sério. O cortejo parou à porta da igreja. O morgado passou revista à sua tropa, à qual deu instruções. Os homens, com os cabelos para diante dos olhos, os braços estendidos e a cabeça baixa, não ousavam fazer um movimento e conservaram-se enfileirados até nova ordem do Sr.Joãozinho. Pareciam envergonhados de serem precisos a alguém. No bolso de cada um destes homens havia um oitavo de papel almaço dobrado, no qual estava escrito um nome; um nome de um homem que eles nem sabiam se existia no mundo. No momento devido, cada um deles, chamado pela voz do escrutinador eleitoral, respondia "presente" ; aproximar-se-ia da urna, entregaria ao presidente da mesa aquele papel e retirar-se-ia satisfeito, como se descarregado de um peso que o oprimia. Se lhes perguntassem o que tinham feito, qual o alcance daquele acto que acabavam de executar, não sabiam dizê-lo; se lhes perguntassem o nome do eleito para advogado dos seus interesses e defensor das sua liberdades, a mesma ignorância; se lhes propusessem a resignação do direito de votar, aceitariam com júbilo; se, finalmente, lhes dissessem que naquele dia estavam nas suas mãos e dos seus pares os destinos do país, abririam os olhos de espantados, ou sorririam com a desconfiança própria dos ignorantes. Inocente povo! Querem-te assim os ambiciosos, a quem serves de cómodo degrau. (Júlio Dinis) (url) (url) ![]()
(url) LECTOR INTENDE: LAETABERIS Fica já aqui a tradução porque ninguém é obrigado a saber latim e pode parecer pedante manter o segredo do título até ao fim: "Leitor, presta atenção, vais ter prazer". Prazer, gosto, deleite, talvez felicidade, com o que vais ler. Não neste artigo, mas nestes livros. A frase foi escrita no século II por Apuleio logo no início da sua história de uma "metamorfose" muito particular, O Burro de Ouro. O livro existia na minha biblioteca familiar, numa tradução ou do final do século XVIII ou do início do século XIX, e eu li-o porque a minha referência de então, um enorme Larousse universal em dezassete volumes em letra microscópica, que era tão pesado que vinha com uma estante especial, dizia que tinha partes impróprias, o que era um excelente convite à leitura adolescente. Só que a tradução estava censurada, como muitas, como As Mil e Uma Noites, como o Dafnis e Cloé, e por isso fiquei com a história do burro lascivo na memória e passei adiante. Até hoje, quando encontrei O Burro de Ouro de novo, na tradução de Delfim Leão na Cotovia, certamente livre da censura dos tempos passados. Este surto de traduções de clássicos que marca os nossos dias devia ser notícia de primeira página, mas nem eu, "director por um dia", o fiz, verdade seja porque não me lembrei. Mas devia haver títulos como: "Depois de meio milénio, existe em português uma tradução integral do Orlando Furioso". Porque é esse o tema a que invoco o prazer do leitor: livros, grandes livros, traduzidos. Porque, no meio deste tumulto continuado que é a vida pública portuguesa, estampido mais que som, zanga mais que fúria, meia dúzia de portugueses tem estado em gabinetes de universidades ou em bibliotecas, mas mais provavelmente em casa, de dia e de noite, com mais ou menos tempo, com mais ou menos sossego, a traduzir livros, grandes livros, grandes livros esquecidos, grandes livros que só outra meia dúzia de pessoas lê, mas são os que nos fizeram como nós somos. É da natureza destas coisas que o seu trabalho passe muito despercebido, pouco remunerado, pouco reconhecido e longe de todas as ribaltas. Não tenho dúvidas da surpresa que terão eles próprios ao ler este artigo. Não se trata necessariamente de trabalhos eruditos, de edições críticas, embora também as haja, de textos fixados com cuidadosa comparação de versões, de multidões de notas esclarecendo cada anacronismo ou perplexidade. Também é erudição, porque isto não se pode fazer sem o conhecimento profundo de uma língua, muitas vezes pouco comum, numa forma arcaica, mas não só. É também recriação literária com o sentido de colocar em português a impossível distância de outra língua com idêntico "fogo". Noutros casos, é trabalho científico de grande rigor quando se trata de obras de natureza não literária, como as da Filosofia. Os últimos anos têm vindo a conhecer um recrudescimento da tradução de grandes obras clássicas, muitas das quais nunca tinham sido integralmente ou em parte traduzidas em português a partir da língua original. Homero, Ovídio, Petrónio, Apuleio, entre os mais clássicos, e depois Milton, Shakespeare, Rilke, Brecht, etc. Traduzir os clássicos é uma atitude clássica e pode ser, insisto, pode ser que tal se deva a procurar um refúgio do pathos dos nossos dias, com demasiada luz, muita cor, muito movimento, que seja essa procura do silêncio com as vozes antigas que torna alguns portugueses de hoje em émulos dos nossos árcades que também se interessaram pela tradução. Apenas para citar obras recentes ou obras em curso, tivemos nos últimos tempos o Paraíso Perdido, de Milton, O Burro de Ouro, de Apuleio, as Metamorfoses, de Ovídio, o Satiricon, de Petrónio, o Cyrano de Bergerac, de Rostand, mais Rilke que já conhece mais do que uma geração de traduções, Aristóteles, Nietzsche, Kant e Husserl, isto para falar só de textos árduos de traduzir e sendo injusto com outras traduções que sei que existem, mas que não li ou folheei. Estas, vi-as, li-as ou consultei-as e sei como é difícil. No caso do Cyrano, recordo o Vasco Graça Moura e como uma só frase, uma só palavra, transporta dificuldade numa tradução, como lhe aconteceu na Tirade du Nez, que seria sempre o espelho da qualidade da sua tradução de Rostand e teria que suportar a representação, o tour de force do actor, em português. O meu pretexto próximo, o meu título de primeira página, tem a ver com a tradução portuguesa do livro de Ludovico Ariosto, Orlando Furioso, feita por Margarida Periquito para a Editora Cavalo de Ferro. O livro padece de alguns males: não ter nem a capa dura, nem a encadernação, nem a dimensão, nem a qualidade do papel, que as gravuras de Gustave Doré e o texto de Ariosto exigiriam. Como livro, entidade física, não é brilhante, com as gravuras e o texto encavalitando-se num papel amarelado suficientemente transparente para se ver o verso. Mas, como edição, mesmo com o apoio dos italianos, é uma edição corajosa, como têm sido as de algumas editoras portuguesas que têm apostado em traduções, como a Cotovia.Eu não tenho competência técnica para julgar da qualidade da tradução, em particular, da fidelidade do verso, da prosódia, mais disso do que das palavras entre o italiano e o português. Mas como leitor só tenho contentamento, tenho nas minhas mãos um livro mítico, que só conhecia de referência ou de fragmento, um livro que posso agora confrontar em português, "navegar" ao sabor da página mesmo que não o leia de fio a pavio, nem isso me diminui o prazer de encontrar as suas histórias e personagens, o seu "espírito" poético, o tempo estranho da mitologia daqueles momentos fundadores daquilo que nós somos, europeus vindos da reconquista, europeus. Ainda há 130 anos, o livro era suficientemente popular para justificar o trabalho de Doré, que, já no fim da vida, fez as gravuras que dão forma às "imagens" do livro. E que gravuras! Mas a beleza soturna e romântica dos bosques encantados, a quadriga alada que caminha para a Lua, as cenas de batalha já não suscitam quase nenhuma memória e as poucas referências que ainda sobrevivem destas histórias estão a perder-se muito rapidamente. Para a curta memória dos dias de hoje, podemos reconhecer o "mundo" de uns poemas do Romanceiro, com "mouros" e donzelas, as histórias de cavalaria que vêm no Quixote, alguns nomes de personagens de ópera, uma memória vaga de histórias "medievais" de Herculano, mesmo O Senhor dos Anéis, num contínuo de referências já muito longínquas, insisto, mais ao mundo do Orlando Furioso do que ao livro. E, no entanto, nós vivemos num país da "reconquista", com castelos mouros, mouras encantadas e façanhudas memórias como as que Eça usou, de forma ao mesmo tempo irónica e séria, para fazer a história dentro da história do Tructesindo, para nos contar a nós, Portugal. Tructesindo, um nome bárbaro que se irmana bem com a mescla de personagens do Orlando Furioso, com nomes como Rodomonte, Medoro, Astolfo, Bradamante, Rinaldo, Agramante, Angelica, uma mistura de nomes germânicos, latinos, gregos, árabes, muitas vezes transliterados pelo "inimigo", que moldava o nome bárbaro à sua oralidade e à sua grafia, ou seja, os nomes, e as histórias que transportam, que vem da génese do fundo da Europa. Orlando é o Roland da Chanson de Roland, aqui louco pelo amor, "furioso".Este é o "programa" do livro na parte do "furioso":Jorge Luís Borges gostava muito particularmente deste Orlando Furioso, um dos clássicos que nos faltavam em português. Borges era dado a leituras peculiares. Mas o que ele gostava tinha sempre mais modernidade do que nós pensamos, porque ele dizia, e bem, que "a erudição era uma forma moderna do fantástico". Borges, leitor de Ariosto, é uma boa recomendação para nós, leitores de Borges. E se a podemos seguir, devemos isso a pessoas como Margarida Periquito, que passou um ano, debaixo da candeia, para ficarmos com o mundo clássico, a trabalhar para nós num livro que "ama". Amores destes também são, como o de Orlando, "furiosos". EL LIBRO DE LOS SERES IMAGINARIOS: EL HIPOGRIFO(Versão do Público de 15 de Março de 2008.) (url) 1251 - E onde havemos nós d'ir ter? PARVO Aguardai, aguardai, houlá! E onde havemos nós d'ir ter? DIABO Ao porto de Lucifer. PARVO Ha-á-a... DIABO Ó Inferno! Entra cá! PARVO Ò Inferno?... Eramá... Hiu! Hiu! Barca do cornudo. Pêro Vinagre, beiçudo, rachador d'Alverca, huhá! Sapateiro da Candosa! Antrecosto de carrapato! Hiu! Hiu! Caga no sapato, filho da grande aleivosa! Tua mulher é tinhosa e há-de parir um sapo chantado no guardanapo! Neto de cagarrinhosa! Furta cebolas! Hiu! Hiu! Excomungado nas erguejas! Burrela, cornudo sejas! Toma o pão que te caiu! A mulher que te fugiu per'a Ilha da Madeira! Cornudo atá mangueira, toma o pão que te caiu! Hiu! Hiu! Lanço-te üa pulha! Dê-dê! Pica nàquela! Hump! Hump! Caga na vela! Hio, cabeça de grulha! Perna de cigarra velha, caganita de coelha, pelourinho da Pampulha! Mija n'agulha, mija n'agulha! (Gil Vicente) * Bom dia! (url)
© José Pacheco Pereira
|