ABRUPTO

24.9.05


FONTES DE ONDE VEM O MAL QUE TODOS VEMOS À FRENTE



Há muitas, o atraso, a pobreza a ignorância, a arrogância presumida, a hipocrisia, os péssimos costumes da classe média (nome que nós damos à pequena burguesia), a corrupção, os “políticos”, a Lux, a Caras, o Herman, o “conde”, a TVI, o jornalismo de quinta, o provincianismo, os reality shows, etc, etc, etc, You name it.

Mas há mais uma fonte: o cinismo dos intelectuais. O cinismo dos intelectuais que se comportam como nefelibatas e que se “espantam” porque as pessoas se indignam com o “caso” de Fátima Felgueiras. O mais espantoso é ver este cinismo coexistir com a crítica ao relativismo, mostrando como não bastam algumas leituras da moda, onde falta vida. Seja por puro formalismo jurídico, seja por não se gostar de misturar as suas opiniões com as do vulgo, seja pela irritante mania da superioridade, seja por pedantismo.

Alguns portugueses indignam-se com a saga da fugitiva libertada. É só hipocrisia, dizem os cínicos do intelecto, porque para eles o sinónimo de indignação é a hipocrisia. É, pode ser tudo isso, pode ser uma indignação bacteriologicamente impura, mas é também incómodo, mal-estar, mal connosco próprios, com o país, como o “nosso Portugal”, uma das últimas sobrevivências de um sistema de valores quase de rastos, colocado de rastos também pelos cínicos, um dos últimos restos de alguma coisa a que chamávamos patriotismo. Vão viver para Felgueiras e atrevam-se a criticar a “Fatinha” em público, e não me venham com a Madeira por razões de equidistância, porque isso também mostra que não sabem nada do que estão a falar.

Há alturas de facto em que os intelectuais não prestam mesmo. Há alturas em que os intelectuais não percebem nada. Bem vistas as coisas, é quase sempre assim.

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COISAS COMPLICADAS


William Hogarth. An Election Entertainment

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EARLY MORNING BLOGS 608

Dizia uma vez Aquilino...


Dizia uma vez Aquilino que em Portugal
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluções feitas
"em vez de" (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).


(Jorge de Sena)

*

Bom dia!

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23.9.05


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
PROPAGANDA POLÍTICA E OS POSTES DA EDP




Sou um cidadão residente em S.Bernardo - Aveiro e sou Electricista de profissão.Serve esta descrição para alertar para uma situação que está a acontecer na minha freguesia e não só, e passo a explicar.

Como cidadão tenho que lamentar que se coloquem placards de campanha política fixos aos postes da EDP e na época de Natal não se possa fixar iluminação decorativa de Natal aos mesmos.Como Electricista também é de lamentar que quando solicitamos uma ligação para execução de obras não nos seja permitido fixar a baixada aos mesmos postes e para campanha politica já é autorizado.

Posso ainda informar que actualmente os postes são pagos pelos cidadãos que requisitam a baixada que por sua vez são obrigados a cede-los a titulo definitivo à EDP para que a EDP por sua vez os ceda para campanha politica, o que é de lamentar. Todos os placards que vi estão associados a um único partido político o que torna a situação ainda mais grave.

Será que a EDP está ao serviço dos cidadãos ou ao serviço da politica?

(Júlio Gonçalves)

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INTENDÊNCIA

Em actualização os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
UMA COLIGAÇÃO NEGATIVA QUE PODE SER POSITIVA NUMA EMERGÊNCIA

OU PARA GRANDES MALES GRANDES REMÉDIOS




É penoso, confrangedor mesmo, observar os candidatos do PSD e PS a relativizarem a política, não chamando "a senhora pelo seu verdadeiro nome" (fugitiva), relegando para a justiça (manipulada por quem?!) desenvolver os passos, ditos, "normais". Bem sei que em Democracia, todos são presumíveis inocentes até trânsito em julgado - mas mesmo aqueles que fogem na bagageira de um carro, para um país onde sabem, à partida, que não poderão ser extraditados, onde fazem plásticas, alterando o visual e que chegam, até esta quase república das bananas, como triunfadores, mais jovens, de cara lavada!?!?

Não sei se concorda comigo, por ventura não; mas mesmo assim deixo-lhe um
repto: e se o PS e PSD de Felgueiras comunicassem ao País que se iriam coligar, após as eleições, para travar o ímpeto devorador dos que apenas conhecem as leis das favelas?!

Utópico?! Talvez, mas seria um sinal de que os políticos, nas questões essenciais de cidadania, onde estão em causa valores mais elevados do que a conquista do poder, dariam um sinal de que, afinal, fazer política, ainda é uma actividade nobre.

(Daniel Ferreira Gaspar)

*

Ver também a actualização de VAMOS ESCOLHER O “FIXE” OU O “CONFIÁVEL”?

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BIBLIOTECA


António Leal, Biblioteca da M. 5

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À PROCURA DA PALAVRA



O Plano Tecnológico visto de baixo, da comezinha realidade vai ter muito quer andar. Sucede que preciso de escrever um texto com formatação complicada, entre o dicionário e a enciclopédia, um texto grande, cheio de referências cruzadas no seu interior, a meio caminho entre o processamento e a base de dados simples, que possa permitir ordenar entradas e, ao mesmo tempo, usar todos os instrumentos de formatação de um processador de texto - enfim, complicado. Resolvi procurar um manual actualizado do MSWord, para ver se, entre as mil e uma funções que o programa tem, podia encontra resposta ao problema.

Pois sim. Mais “pois não” do que “pois sim”. Acreditam que nas duas FNAC, na livraria do Corte Inglês, nos livros de informática da Vobis, nas Bertrand várias, nas Boulhosa várias, na Barata, e em mais três ou quatro livrarias não há um único manual decente à venda, que não seja umas traduções de uns livros para principiantes do género “Word for dummies”, e mesmo assim só numa ou duas. Eu pensava que o MSWord era o mais popular processador de texto, e pensava que alguém, algures, não se bastaria com o “help”, ou com o que encontra em linha. Numa capital da Europa. Pois sim.

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VAMOS ESCOLHER O “FIXE” OU O “CONFIÁVEL”?



Parece que os portugueses preferem ter como “chefe no trabalho” Mário Soares e como “professor do filho” Cavaco Silva, preferem ter “como companhia ao jantar” Mário Soares e “emprestar o carro” a Cavaco Silva. Se eu quisesse ser mau para Soares diria que nestes inquéritos ele aparece com um perfil muito próximo de um outro presidente que não estima por aí além, George W. Bush. A maioria dos portugueses gostaria de jantar com Soares, como a maioria dos americanos de ir a um barbecue com Bush, voltando as costas a um pesadelo que seria ter de aturar Al Gore. E eu aqui, percebo muito bem os portugueses.

Mas ainda os percebo melhor quando, - registem a letras de fogo - , desejam Mário Soares como “chefe no trabalho”, todo um programa. Sabem exactamente o que isso significa? Sabem, sabem, todos sabem, é por isso que respondem assim. Pena é que apenas uma pequeníssima minoria de portugueses tenha visto a série da BBC The Office, uma das que devia fazer parte (com o Sim Senhor Ministro) de um currículo moderno de educação cívica e política do secundário.

Mas há mais. No mesmo inquérito (do Expresso) é feita uma pergunta séria e responsável, principalmente nos conturbados dias de hoje: “a quem entregava a organização das suas contas pessoais?” A Cavaco claro. Aqui não é apenas Cavaco que vence, há um esmagador desequilíbrio, o maior de todos, entre 22% a favor de Soares e 69% a favor de Cavaco. Mesmo que a Presidência não seja para gerir o nosso dinheiro, já que Jesus Cristo nada sabia de finanças, dá que pensar.

Claro que nem tudo nesta sondagem favorece Cavaco. Os portugueses reconhecem que Soares fez mais pelo país do que Cavaco, e eu, assim perguntado, responderia da mesma maneira lembrando-me de 1975. Num momento conturbado e perigoso, num momento revolucionário, Mário Soares fez muito por Portugal, e sem o que ele fez, o que Cavaco fez de bom (nem o que de mal fez Soares) não seria possível. É uma questão fundacional, e será por essa que Soares ficará na história. Os portugueses são sábios, mas duvido que seja razão bastante para lhe entregarem pela terceira vez a Presidência.

Também não pediriam a Cavaco um conselho para um livro, só 35% o fariam, contra 60% a Soares, a maior diferença a favor de Soares. Muito bem, também aqui são os portugueses sábios, porque, como revela a antologia dos “poemas da minha vida”, distribuída pelo Público, Soares tem poemas da sua vida, coisa que alguns dos outros autores não têm de todo. A antologia de Soares revela a sua vivacidade, gosto, e leituras e é das melhores, da série.

Foi por isso que Soares proclamou a sua vantagem sobre Cavaco em matéria de “cultura humanística”, cuja ausência tornava Cavaco um candidato não aceitável para Presidente. É verdade que a cultura das elites portuguesas formadas nos anos quarenta, na tradição liberal e republicana, inclui uma dose sólida da literatura do século XIX e XX, com ênfase na geração dos Vencidos da Vida, a que depois se acrescentam os autores que um homem “letrado” conhecia, quase sempre seus contemporâneos.

Mas essa cultura tem sérias limitações para nela se fundar uma superioridade “humanística”, a não ser numa visão republicana, jacobina, maçónica. É por exemplo omissa de qualquer dimensão científica séria (as pessoas continuam a achar que cultura é saber o número de cantos dos Lusíadas mesmo que não se saiba o principio de Arquimedes, ou o que é a inércia), pouco tem de filosofia, teoria política (que nos anos da ditadura ficava para os “fascistas” que liam Maquiavel, Hobbes, Schmidt), e nada de economia, mesmo na forma filosófica clássica da “economia política”. Era dominada pela retórica, mesmo quando esta servia boas causas como a democracia.

Havia excepções, como há sempre, mas esta era a regra para a geração de Soares, de que o nosso antigo Presidente é um bom exemplo, a que acrescem os seus dotes de escrita e de conversador, uma arte em extinção que cultiva como ninguém. (Faço aqui uma nota de passagem, nos meus trabalhos sobre a oposição ao salazarismo, onde havia muitos escritores, entre as pessoas que melhor escreviam contam-se Cunhal Leal e Mário Soares. Descrição de um evento feita por Soares é sempre vivíssima, mostrando uma percepção e observação fina, quase sem paralelo.)

Mas atenção, há aqui uma outra questão oculta, que se a esquerda fosse o que diz ser, devia soar todas as trombetas bíblicas, há aqui uma clara divisão social, uma diferença de classe, de meios, de vida, e também de tempo, de idade. Cavaco nasceu em Boliqueime entre o pobre e o remediado e Soares em Lisboa e nasceu rico. E nasceram em tempos diferentes de ser jovem e de ser adulto, em diferentes gerações. É por isso que é preciso muita prudência para se usar a “cultura humanística” como arma de arremesso, porque acaba por ser mais uma afirmação de superioridade da condição social, do que uma crítica política.

Sintetizando e concluindo, o Expresso titulava “Soares é fixe, Cavaco é de confiança”. Duma vez por todas, o Expresso acerta num título. Os portugueses gostam de Soares (já gostaram menos, já gostaram mais, já gostam menos outra vez), mas confiam em Cavaco. Resta agora saber que escolha farão. A única coisa que sei é que essa escolha vai depender do grau de racionalidade da campanha, numa vida política em que ela não abunda. Se Cavaco acentuar a racionalidade da sua campanha, ganha contra um Soares que tenderá a impregna-la de afectividade, de irritações, ao mesmo tempo de drama e de boa disposição. É contraditório? É, mas a personagem é assim, virtudes e qualidades coladas como grude, “fixe” na aparência, e com os seus, e autoritário e duro com os que estão fora da família e que ousam defronta-lo.

Como farão os portugueses? Há muita coisa a favor de Soares, porque a atitude de adiar tudo, de nonchalance face ao futuro, de despreocupação, muito facilmente irritada com quem lhe lembre responsabilidades (veja-se a velha história do Carnaval), cala muito fundo na anomia em que vivemos. Podem continuar a não querer mudar nada, e não se aborrecerem por nada, enquanto puderem viver remediadamente, como faz uma parte importante da burguesia urbana, entre o Algarve, e Varadero, sem cuidar que os seus filhos vão viver pior, e, se tudo continuar como está, os seus netos vão viver mediocremente. Em Soares têm o candidato ideal.

Por outro lado, Cavaco traz um bem precioso, o que menos abunda na nossa vida política, credibilidade e “confiança”. É aqui que remeto para o meu artigo anterior, infelizmente ainda mais confirmado pelos números entretanto divulgados sobre a crise de confiança entre os investidores. Cavaco acrescenta ao sistema político, Soares diminui, ou, na melhor das hipóteses, não muda nada. Há muitas outras razões para se escolher um ou outro, mas esta é talvez aquela em que a diferença é mais nítida, a escolha é mais escolha. Ou o “fixe” ou o “confiável”.

(Do Público de ontem.)

*
(...) que interessam as escolhas no nosso país? A Isaltino Morais, com um caso de contas suspeitas na Suiça, as sondagens dão-lhe quase maioria absoluta, Fátima Felgueiras, depois de fugir à justiça volta a candidatar-se e ainda tem direito a tempo de antena num canal de televisão, Avelino Torres oferece subornos para votarem nele. Por isso pergunto, que interessam as escolhas no nosso país?

Há uns dias contaram-me esta história: em conversa de amigos, na universidade, um jovem com aspirações políticas virou-se para outro e fez-lhe esta pergunta: "Ouve lá, se eu um dia chegar a me candidatar a um cargo importante como Primeiro Ministro ou Presidente da República, votarias em mim?", ao que o outro respondeu com um sorriso, "Bom, isso iria depender... de qual seria a minha fatia do bolo". Face à resposta, o jovem político rapidamente respondeu "Oh pá, é claro, é claro que arranjava qq coisa". Desta vez o amigo questionado tomou um ar sério e disse "Bom, meu amigo, então nesse caso não votaria em ti de certeza". E o jovem com aspirações políticas ficou mudo e nunca mais questionou aquele seu amigo sobre eleições ou tendências de voto.

A história é real e foi-me contada por um jovem de 21 anos, o amigo questionado. E apesar do orgulho e da surpresa que senti, pois tratava-se do meu irmão mais novo, sei que a resposta utópica que ele deu ao amigo conduz a um beco sem saída. Pelo menos no nosso país. No país em que indícios de corrupção dão maiorias absolutas, no país em que foragidos à justiça aparecem na televisão como se nada tivesse acontecido, no país em que os interesse partidários alimentam os interesses pessoais numa sucessão de favores e contra-favores que agravam e afundam cada vez mais a nossa economia, a nossa educação, a herança que iremos passar às próximas gerações.

Por isso, volto a perguntar, que interessam as escolhas no nosso país?

(Paulo)

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COISAS SIMPLES


John Pilson, St Denis (Painting and Lamp)

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EARLY MORNING BLOGS 608

Não toques nos objectos imediatos


Não toques nos objectos imediatos.
A harmonia queima.
Por mais leve que seja um bule ou uma chavená,
são loucos todos os objectos.
Uma jarra com um crisântemo transparente
tem um tremor oculto.
É terrível no escuro.
Mesmo o seu nome, só a medo o podes dizer.
A boca fica em chaga.


(Herberto Helder)

*

Bom dia!

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21.9.05


BIBLIOTECA


António Leal, Biblioteca da M. 4

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EARLY MORNING BLOGS 607

Laranja, peso, potência


Laranja, peso, potência.
Que se finca, se apoia, delicadeza, fria abundância.
A matéria pensa. As madeiras
incham, dão luz. Apuram tão leve açúcar,
tal golpe na língua. Espaço lunado onde a laranja
recebe soberania.
E por anéis de carne artesiana o ouro sobe à cabeça.
A ferida que a gente é: de mundo
e invenção. Laranja
assombrosamente. Doce demência, arrancada à monstruosa
inocência da terra.

(Herberto Helder)

*

Bom dia!

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20.9.05


INTENDÊNCIA

Em actualização, mais que necessária, os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

Coloquei aí um índice final dos capítulos do III volume da biografia de Álvaro Cunhal.

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VIAGENS NO TEMPO



Uma das descobertas do Estado Novo foram as viagens no tempo. Este exemplo inédito de 1935 revela como é possível escrever uma "notícia" antes dela ter acontecido, prática muito comum nos dias de hoje em que se "antecipa" o que vai acontecer, anter de ter acontecido. Pelos vistos, já havia mestres no tempo do dr. Salazar desta actividade típica do jornalismo imaginativo: Carmona eleito com "colossal" votação, antes da votação. Sempre a aprender com o passado.

(Agradeço a M.L.E. a oferta deste e doutros papéis.)

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AR PURO


Cifford Ross, Hurricane XXV

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EARLY MORNING BLOGS 606

estação


Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça


(Mário Cesariny)

*

Bom dia!

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19.9.05


NUNC EST BIBENDUM NUNC PEDE LIBERO PULSANDA TELLUS


Às quinze horas e trinta e seis minutos, coloquei o último ponto final a seguir à palavra “hoje”. Quatro anos depois, seiscentas e cinquenta e uma páginas depois, mil setecentas e cinquenta notas de rodapé depois, encerrei o terceiro volume da biografia de Álvaro Cunhal para os anos da prisão (1949 a 1960). Sairá em Novembro na Temas e Debates e em Janeiro no Círculo de Leitores. A nossa língua é pobre em onomatopeias para o que se passou às quinze horas, trinta e seis minutos e um segundo depois.

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BIBLIOTECA


António Leal, Biblioteca da M. 3

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EARLY MORNING BLOGS 605

Autumn Movement


I cried over beautiful things knowing no beautiful thing lasts.

The field of cornflower yellow is a scarf at the neck of the copper
sunburned woman, the mother of the year, the taker of seeds.

The northwest wind comes and the yellow is torn full of holes,
new beautiful things come in the first spit of snow on the northwest wind,
and the old things go, not one lasts.

(Carl Sandburg)

*

Bom dia!

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18.9.05


BIBLIOTECA


António Leal, Biblioteca da M. 2

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EARLY MORNING BLOGS 604

VIDA


Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das liliáceas!

Calquem. Recalquem, não o afogam.
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.
Não as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? Não as afogam.

Olhem o fogo que anda na serra.
É a queimada... Que lumaréu!
Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.

Deixem! Não calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, rebenta além.
- E se arde tudo? - Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, é para arder...


(Camilo Pessanha)

*

Bom dia!

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BIBLIOTECA


António Leal, Biblioteca da M. 1

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© José Pacheco Pereira
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