ABRUPTO

15.1.05


INTENDÊNCIA

Actualizada a nota GRANDES NOMES: MANI DI FATA.

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CHUVA

Começou. Sursum corda.

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PERGUNTAS

Se se acender um fósforo em Titã , o que é que acontece? Vai tudo pelos ares? Sempre é metano o que lá está, mas é o mesmo metano das minas, o que mata os passarinhos que avisam os mineiros? Pode-se acender um fósforo em Titã? E se não for um fósforo, mas qualquer outra coisa que "acenda"? A centelha pode incendiar a planície? Tinha razão, em Titã, o camarada Mao Zedong?

*
Em Titã, um fósforo não acende e o metano não arde porque aparentemente não há oxigénio. Além disso, está muito frio e a pressão é muito alta. Se lá tivesse existido uma poça de oxigénio, já há muito teria sido consumida, a não ser que exista algures em Titã um mecanismo que mantenha a atmosfera longe do equilíbrio, como por exemplo vida. Na Terra, a atmosfera está longe do equilíbrio químico porque o oxigénio e o azoto são de origem biológica.
(João Miranda)

*
Estas são de resposta fácil. Para haver combustão, é necessário um combustível (esse está lá) e um comburente (que aqui, na velha Terra, é geralmente o oxigénio do ar) que - segundo se pensa - não está lá.
Donde, é tão impossível uma chama em Titã como aqui na nossa atmosfera, se não tiver combustível. Podemos imaginar um isqueiro BIC a funcionar em Titã, mas o depósito teria que estar cheio de ar comprimido (ou oxigénio). Enquanto aqui na Terra, com ar em todo o lado, para haver fogo temos que arranjar combustível, em Titã, com metano (combustível) em todo o lado, para haver fogo temos que arranjar ar!
(João Ventura)

*
Esta é a fórmula que expressa a combustão do metano:

CH4 (g) + 2 O2 (g) CO2 (g) + 2 H2O (l)

como é evidente, se não houver oxigénio em Titã não haverá combustão.
Nem o azoto nos safa aqui, esse gás inerte que por aqui não nos aquece nem nos arrefece (a não ser que sejamos mergulhadores..)

Logo, o mais certo era nem sequer conseguirmos acender o fósforo..
(Alexandre Monteiro)

*
A pergunta correcta seria «E também há oxigénio?» É dos compêndios básicos da química que uma reacção de combustão necessita de oxigénio… o metano «queima» na presença do oxigénio. Se existir oxigénio ele permitirá a combustão do metano, pelo menos enquanto existir, pois além do metano, também o oxigénio se consome nesta reacção.

O mais curioso… e pura especulação científica, delírio mesmo, a combustão do metano iria resultar em dióxido de carbono (que ajudaria a elevar a temperatura média da atmosfera e contribuiria para um saudável efeito estufa) e vapor de água. Vamos queimar Titã para obtermos um planetóide mais quente e com água? Puro delírio naturalmente… tal como há 50 anos seria delírio pensar que uma nave europeia aterraria tão longe…
(Emanuel Ferreira)

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TITÃ A COR DE LARANJA


Pedras, pedrinhas. E as conchinhas e os pedacinhos de ossos? Não há?

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BIBLIOFILIA/ PARA UMA ANTOLOGIA DA TRAIÇÃO (5)




The Faber Book of Treachery (Editado por Nigel West), Londres, Faber & Faber, 1995.

Uma das melhores antologias sobre a traição, centrada na traição ao seu próprio país. O prefácio de Nigel West é um exercício sobre esta peculiar paixão inglesa, assente num contínuo que vai de Forster, a Philby e a Graham Greene. Lendo-o percebe-se bem como a traição não conhece limites, espalha-se por círculos à volta do traidor, tocando tudo o que ele toca e todos que o tocam.

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OUVINDO CHANTS... DE CLAUDE VIVIER




One two buckle your shoe
Three four shut the door
Five six pick up sticks
Seven eight lay them straight
Nine ten this is the end.


Enquanto quase chove. Quase.


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GRANDES NOMES: REFEIÇÃO ESPIRITUAL

De Frei Manoel do Sepulcro, edição de 1742. Título verdadeiro e completo: Refeição Espiritual Para A Meza Dos Religiosos, E De Toda A Devota Familia, Ordenada Por Todas As Domingas, E Festas Do Anno, Segundo A Fórma Da Reza Romana No Officio Do Tempo, Com Diligente Parafrase Historial, E Mystica De Seus Evangelhos.

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TITÃ, ONTEM





Ouvir um planeta: sons de Titã.

Na Internet há um coro de protestos pela política selectiva e lenta de divulgação de imagens da Agência Espacial Europeia, em contraste com a prática habitual da NASA. Por indicação de Tiago Hormigo, podem-se encontrar mais imagens não tratadas aqui.

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COISAS SIMPLES


P. Bonnard

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EARLY MORNING BLOGS 407

The Mystery of Meteors



I am out before dawn, marching a small dog through a meager park
Boulevards angle away, newspapers fly around like blind white birds
Two days in a row I have not seen the meteors
though the radio news says they are overhead
Leonid's brimstones are barred by clouds; I cannot read
the signs in heaven, I cannot see night rendered into fire

And yet I do believe a net of glitter is above me
You would not think I still knew these things:
I get on the train, I buy the food, I sweep, discuss,
consider gloves or boots, and in the summer,
open windows, find beads to string with pearls
You would not think that I had survived
anything but the life you see me living now

In the darkness, the dog stops and sniffs the air
She has been alone, she has known danger,
and so now she watches for it always
and I agree, with the conviction of my mistakes.
But in the second part of my life, slowly, slowly,
I begin to counsel bravery. Slowly, slowly,
I begin to feel the planets turning, and I am turning
toward the crackling shower of their sparks

These are the mysteries I could not approach when I was younger:
the boulevards, the meteors, the deep desires that split the sky
Walking down the paths of the cold park
I remember myself, the one who can wait out anything
So I caution the dog to go silently, to bear with me
the burden of knowing what spins on and on above our heads

For this is our reward:Come Armageddon, come fire or flood,
come love, not love, millennia of portents--
there is a future in which the dog and I are laughing
Born into it, the mystery, I know we will be saved


(Eleanor Lerman)

*

Bom dia!

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14.1.05


PRIMEIRO OLHAR




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JÁ CÁ ESTÃO

Ufa! Agora pode-se descansar, até começarem a vir os dados científicos tratados e as fotografias.

Na pressa, usei sempre o nome inglês ESA, a Agência Espacial Europeia, e não disse o local onde tudo foi acompanhado, Darmstadt. Por coincidência, que não é coincidência, fui "shadow rapporteur" dos relatórios da Agência Espacial Europeia no Parlamento Europeu.

Um erro já foi corrigido em baixo, a confusão entre Mars 6, que não existe e Marsis.

Pela primeira vez, o Abrupto teve um subida apreciável do número de leitores, que atingiram entre 300 e 500 por hora durante a tarde, de vários países, por um assunto que não é do foro político.

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JÁ CÁ ESTÃO

Imagens poderão estar prontas hoje à noite.

(Não é muito importante, mas a CNN deu a notícia da confirmação da data recebida, vinte minutos depois do Abrupto, o que não é mérito nenhum especial mas mostra as vantagens da rede e dos blogues.)

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JÁ CÁ ESTÃO

"Existem dados da superfície?" "Estão certo que pelo menos trinta minutos de dados da superfície nos vão chegar."

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JÁ CÁ ESTÃO

Perguntas. "Quanto tempo poderá a sonda continuar a trabalhar?" "Calculamos sete horas, porque as baterias estão carregadas e a funcionar bem."

"O que é o canal A e B?". "Toda a sonda é redundante, na realidade há duas sondas numa, tudo em duplo, para não perdermos dados numa missão muito arriscada. Há apenas uma experiência única no canal A, sobre o efeito Doppler no vento."

"Caiu a sonda em qualquer espécie de líquido?. "Tem que se ter paciência até se saber, mas é provável que não, dado o tempo em que sobreviveu."

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JÁ CÁ ESTÃO

Um dos canais não funcionou, o A. Mas o B funcionou perfeitamente e todos os sistemas são redundantes.

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JÁ CÁ ESTÃO

Palmas. "Deve ser a única vez que vemos os engenheiros a chorar (ou a gritar?) na sala de côntrolo."

Confirma-se que os paraquedas abriram como deviam.

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JÁ CÁ ESTÃO

Vários radiotelescópios estão a tentar seguir a sonda mesmo depois de Cassini deixar de receber, porque ela continuou a transmitir.

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JÁ CÁ ESTÃO

Os dados enviados agora dizem respeito ao momento em que a sonda está a cinquenta quilómetros da superfície.

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JÁ CÁ ESTÃO

Quatro horas de transmissão. Esperava-se duas horas e meia.

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JÁ CÁ ESTÃO

Conferência de imprensa: parabéns à Alcatel e à ESA.
A seguir Marsis e Venus Express.

*
[Erro na nota do Abrupto] A "Mars 6" a que se refere no seu comentário das 16:41 é o radar de sondagem do subsolo e ionosfera de Marte, que está a bordo da Mars Express (cujo "verdadeiro" nome é "Marsis"- MARs Subsurface and Ionospheric Sounder), não de uma nave da ESA diferente.O radar ainda não foi ligado devido à possibilidade (que está a ser revista) da antena, de 40m, atingir a Mars Express durante a sua abertura.

(Tiago Hormigo)


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JÁ CÁ ESTÃO

Conferência de imprensa.
Parabéns à NASA que levou Huygens ao objectivo.
Vinte e cinco anos de trabalho.


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JÁ CÁ ESTÃO

"Visitamos Titã".
A sonda manteve o sinal mais de duas horas depois de tocar o planeta.
Cassini começou a enviar dados.
"Grande sucesso para a indústria europeia capaz de construir uma magnífica máquina".
"Grande sucesso para a comunidade cíentifica."
Mérito para os italianos, que fizeram a antena.

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JÁ CÁ ESTÃO

"A manhã foi boa, a tarde foi melhor. Um sucesso de engenharia e um sucesso científico"

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JÁ CÁ ESTÁ

Conferência de imprensa: palmas, sinais de vitória.


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JÁ CÁ ESTÁ

Alguém diz "very good". Atenção aos ecrãs. Agitação na sala.

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JÁ CÁ ESTÁ

Contentamento. Parabéns.


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JÁ CÁ ESTÁ

Palmas. Começou a chegar. Viva!


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JÁ LÁ ESTÁ

Há quem roa as unhas. Há quem bata com os dedos. Há quem mexa e remexa no lápis. Ouve-se falar em alemão. Toca um telefone. Esfregam-se as mãos, Alguns andam de um lado para o outro. Começam a sentar-se, a atenção a concentrar-se. Faltam sete minutos.


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JÁ LÁ ESTÁ

Risos. Solitários. Silêncio, logo em seguida. Um dos presentes olha para o relógio. Não era preciso, relógios estão em todos os ecrãs. Nas primeiras filas ninguém tem gravata. Atrás há algumas gravatas. Bonés de basebol, devem ser os americanos. Atrás devem estar alguns representantes das empresas que financiaram parte do projecto.

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JÁ LÁ ESTÁ

Espera. Alguns visitantes entram. Cumprimentos. Sorrisos. Espera. Nas duas meia-luas de instrumentos, ecrãs e consolas, olha-se com atenção. Seis grandes ecrãs reproduzem dados.

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JÁ LÁ ESTÁ

no centro de operações da ESA, só se ouvem murmúrios. Está tudo à espera.

(Sigo em directo pela televisão da NASA.)

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JÁ LÁ ESTÁ

daqui a quarenta minutos vamos começar a entender a fala. Sabemos que fala, sabemos que os nossos longínquos ouvido na Cassini a ouviram. Faltam os nossos. Tudo bem até agora. Tudo muito bem.

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JÁ LÁ ESTÁ

e viva, pousada. E continua a falar. Deles, de nós.

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JÁ LÁ ESTÁ

e tudo parece bem. Já começou a falar. Não sabemos ainda o que disse.

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DEDICATÓRIA

O Abrupto hoje é dedicado aos cientistas e engenheiros europeus e americanos que gastaram (?) vinte e cinco anos da sua vida a um projecto que dura meia dúzia de horas e que tem muitas probabilidades de falhar.


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A CAMINHO

Já deve ter chegado. Tempo da Huygens.
Não temos a certeza. Tempo da terra.
Mas falou pelo caminho? Só logo à tarde se saberá.
Até agora tudo bem.

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BIBLIOFILIA: DIÁRIO MANUSCRITO DE MANUEL JOAQUIM BAPTISTA "RUDY", PINTOR, 1935






Encontrado num alfarrabista esta preciosidade. "Rudy" (1912-1956) foi um obscuro pintor, aguarelista e ilustrador, natural de Olhão. O diário do ano de 1935, escrito numa Agenda Rex, retrata um história de infelicidade e miséria, dobrada por desgostos amorosos. "Rudy" queixa-se da vida, da falta de dinheiro, das dificuldades em lhe pagarem as ilustrações que faz (no Século por exemplo), das doenças (queixa-se do coração e desenha um pequeno coração), dos azares amorosos. É uma vida feita de esperas e zangas, dominada pela pobreza - o senhorio quer expulsa-lo, tem que empenhar o fato "que traz vestido", não tem dinheiro para comer - e pela infelicidade. Tudo ilustrado com desenhos e colagens, de receitas de farmácia, de contas de restaurantes de bilhetes de eléctrico e de programas de cinema . Muitas personagens do submundo da edição popular, do jornalismo, dos ilustradores de capas e reclames, aparecem no diário. A vida é assim.



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A CAMINHO

Já abriu o paraquedas. Já disse: estou aqui.

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A CAMINHO

Está a descer. / Deve estar a descer. Tempo da Huygens. / Nosso tempo.

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A CAMINHO

A Huygens já acordou.

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COISAS SIMPLES


Baugin

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EARLY MORNING BLOGS 406

Aubade


As I would free the white almond from the green husk
So would I strip your trappings off,
Beloved.
And fingering the smooth and polished kernel
I should see that in my hands glittered a gem beyond counting.


(Amy Lowell)

*

Bom dia!

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13.1.05


OUVINDO JESSYE NORMAN A CANTAR RICHARD STRAUSS E WAGNER



Escrevi "cantar" com muita hesitação. "Cantar" parece alegre demais, ligeiro, para estas palavras de Hermann Hesse

Der Garten trauert,
kühl sinkt in die Blumen der Regen.
Der Sommer schauert
still seinem Ende entgegen.


Se há música é isto, as últimas canções de Strauss e os Wesendok-Lieder de Wagner. Pura música. Nada mais. Revolta de tão belo.

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: INCUBADORAS QUE FAZEM FORTES ESTRELAS



A Nebulosa Trífide, uma das poderosas incubadoras de estrelas no universo. No centro está uma estrela solitária, radiante nos seus jovens 300.000 anos. Em nebulosas como estas, as estrelas nascem debaixo da maior pancada imaginável, submetidas a forças brutais, chocando com tudo e todas, ao murro e ao pontapé às suas vizinhas, mas nascem fortes, grandes, cheias de energia, mudando o mundo à sua volta. O formato da Trífide foi esculpido pela sua estrela. Esta nunca se queixou do mundo duro em que nasceu. Não é o mundo, lá fora, assim?

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: TORTURADA PLACENTA



A "Oportunidade" visita o local onde está, brilhando ao sol, o seu escudo protector do calor na violenta descida em Marte. Já lá vai um ano: mudaram os meus olhos?

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A LER

o Contra Factos & Argumentos que, com o Ponto Media, ajudam a retratar a mudança da "tecnosfera". É verdade que tudo isso se pode seguir nos blogues americanos especializados, mas o contraponto português torna-os necessários.

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DUAS COISAS GRAVES: POPULISMO E FALTA DE SENTIDO DE ESTADO

A crítica demagógica e populista do PS à viagem do Ministro da Presidência parte de um exercício que qualquer populista sabe fazer: ver uma viagem de estado com má fé. Para os portugueses que comem por 3 ou 5 euros, qualquer almoço que custe dez vezes mais é um escândalo, qualquer português que não tem dinheiro para ir à praia quanto mais mergulhar, fazer mergulho é obsceno, qualquer português que viva mal e em dificuldades é um reservatório ideal para este tipo de populismo assente na inveja e no ressentimento social. O populismo é um produto da pobreza tanto quanto a usa para obter os resultados que pretende.

O PS não compreende que, ao actuar assim, não atinge só Morais Sarmento, atinge todos os políticos, a democracia e o estado. Ver-se-á isso às mil maravilhas quando alguém na oposição a um governo PS peça as facturas de qualquer viagem governamental (que o PS se está a comprometer a revelar, mostrando ausência de sentido de estado) e se “escandalize” com as despesas, ou com aquela tarde sem programa, ou com aquela visita que parece recreativa. E basta só olhar com má intenção e não há viagem de estado que não permita o exercício populista que se fez para a de S. Tomé. E depois não há retorno, tudo parece grave, e os danos estão feitos.

A segunda coisa grave, essa sim a curto prazo bem grave, é que se tenha revelado um acto confidencial do estado, que, pela sua natureza e para garantir a sua eficácia, deve permanecer confidencial, para defender (ou atacar, não sei) o Ministro. Quem cometeu a inconfidência contra o interesse público, não tem nem um átomo daquilo que se usa e abusa nomear, mas pouco se cumpre: sentido de estado. Sentido de estado é um responsável por um segredo de interesse nacional, não o revelar para se defender na curva de qualquer incidente. A pessoa seja de quem for num cargo governamental é sempre menos relevante do que as funções que exerce. Ou então não as aceita, ou vem embora. Calado.

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O ALVO

"O PSD vai propor a limitação dos poderes presidenciais para que não seja possível um Presidente da República dissolver o Parlamento de forma "discricionária", diz o Público de hoje.

O alvo não é Jorge Sampaio, mas sim Cavaco Silva. As propostas de Santana Lopes para limitar os poderes presidenciais destinam-se a garantir que Cavaco Silva, caso seja Presidente, fique uma figura puramente decorativa.

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EARLY MORNING BLOGS 405

Request


For a long time I was sure
it should be "Jumping Jack Flash,"
then the adagio from Schubert's C major Quintet,
but right now I want Oscar Peterson's

"You Look Good to Me." That's my request.
Play it at the end of the service,
after my friends have spoken.
I don't believe I'll be listening in,

but sitting here I'm imagining
you could be feeling what I'd like to feel—
defiance from the Stones, grief
and resignation with Schubert, but now

Peterson and Ray Brown are making
the moment sound like some kind
of release. Sad enough
at first, but doesn't it slide into

tapping your feet, then clapping
your hands, maybe standing up
in that shadowy hall in Paris
in the late sixties when this was recorded,

getting up and dancing
as I would not have done,
and being dead, cannot, but might
wish for you, who would then

understand what a poem—or perhaps only
the making of a poem, just that moment
when it starts, when so much
is still possible—

has allowed me to feel.
Happy to be there. Carried away.


(Lawrence Raab)

*

Bom dia!

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12.1.05


BIBLIOFILIA



Joachim Köhler / Stewart Spencer , Richard Wagner. The Last of the Titans

Bob Dylan's Chronicles

Michael Wachtel, The Cambridge Introduction to Russian Poetry

(Em breve.)

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BOA SORTE HUYGENS

no teu passeio distante.

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11.1.05



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PARA UMA ANTOLOGIA DA TRAIÇÃO (4)

Carmen 11


Furi et Aureli comites Catulli,
sive in extremos penetrabit Indos,
litus ut longe resonante Eoa
tunditur unda,
sive in Hyrcanos Arabesue molles,
seu Sagas sagittiferosue Parthos,
sive quae septemgeminus colorat
aequora Nilus,
sive trans altas gradietur Alpes,
Caesaris visens monimenta magni,
Gallicum Rhenum horribile aequor ulti-
mosque Britannos,
omnia haec, quaecumque feret voluntas
caelitum, temptare simul parati,
pauca nuntiate meae puellae
non bona dicta.
cum suis vivat valeatque moechis,
quos simul complexa tenet trecentos,
nullum amans vere, sed identidem omnium
ilia rumpens;
nec meum respectet, ut ante, amorem,
qui illius culpa cecidit uelut prati
ultimi flos, praetereunte postquam
tactus aratro est.


(Catulo)

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SUBIDAS E DESCIDAS

Se houver subida do PP será à custa do PSD, se houver subida do BE será à custa do PS. Estas eleições podem mostrar uma crise de credibilidade dos dois partidos “centrais”, que é visível no PSD com clareza, mas que também existe no PS. No PS está escondida pelo refluxo do PSD, mas também se percebe na dificuldade, mesmo numa conjuntura excepcional de crise do adversário, em obter uma maioria absoluta e em funcionar como pólo da “esquerda”. O PS pode ganhar, mas nem mostra nem desperta entusiasmo, não tem mobilização fora do aparelho (esse sim mobiliza-se velozmente ao cheiro dos milhares de lugares para mudar), nem sequer revela esforço ou urgência. Está à espera da alternância, sem desejar a mudança.

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UM TERCEIRO PARTIDO CENTRAL

Teria excepcionais condições para aparecer se o nosso sistema partidário fosse menos rígido e as leis eleitorais diferentes. Seria um partido como os sociais-democratas ingleses face aos trabalhistas e conservadores, com apoio eleitoral “nacional”, assente na opinião pública reformista e nos quadros das profissões liberais, competitivo com o PS e o PSD. A conjuntura tem semelhanças com a que deu origem ao PRD, só que o PRD só vingou, mesmo que brevemente, porque era um partido feito a partir de uma personalidade, o general Eanes, e de uma instituição, a Presidência. Houvesse liberdade de candidaturas de cidadãos ao parlamento e ele apareceria roubando votos ao PSD e ao PS. A diferença em relação a 1985 é que um partido desse tipo, iria hoje atingir mais o eleitorado do PSD e não o do PS como aconteceu com o PRD. Provavelmente, como no PRD, a vida desse partido duraria o tempo da conjuntura, tão breve quanto permanecesse a actual situação, em particular no PSD e em menor grau no PS. Se o PSD voltar ao seu espaço natural entre o centro-esquerda e o centro-direita, acabar com o “projecto geracional” que o reduz, e mantiver a esperança reformista, este espaço que agora existe de “não-representação” desaparecerá. Mas tem que mudar muito.

(Nota para a prolífica indústria das intenções inventadas: eu digo que "há condições para existir" e não que "deva existir". Mais vale prevenir do que remediar.)

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COMEÇARAM OUTROS SILÊNCIOS

Se o PSD traz a esta campanha eleitoral confusão, o PS traz cobardia política. A cobardia política está em cavalgar a onda do repúdio a Santana Lopes sem achar que tem obrigação de ir mais além e não percebendo até que ponto a linguagem de promessas que usa é um insulto para todos nós. O candidato do PS já nos prometeu 150.000 empregos, re-nacionalizar os hospitais SA, controlar o défice sem usar receitas extraordinárias, sem sequer se aperceber que ninguém liga nenhuma a essas promessas porque todos sabem que são falsas. E já começa, face a ele, a complacência habitual de muitos hipercríticos do governo actual, mas misteriosamente silenciosos sempre que se aproxima um vislumbre do guterrismo.

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A “FAMÍLIA”, OS “NOSSOS”, DISSE TONY SOPRANO


Os nossos, as dezenas de milhares de pequenos buracos negros perto do Pai de Todos os Buracos Negros, no centro da nossa casa maior, a Via Láctea. Que raio de nome para uma galáxia! Havia de nos calhar por sorte...Mas, enfim, lá estão eles, a nossa família mais voraz, os que ganham o nosso pão, e comem a nossa luz, e nos protegem sei lá de quê…

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OUVINDO





Nashville Skyline de Dylan.

Well, if you're travelin' in the north country fair,
Where the winds hit heavy on the borderline,
Remember me to one who lives there.

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PERGUNTAS SOBRE "O CASO ÚNICO"

“Portugal é um caso único no seio da União Europeia. Foi esta a ideia defendida por Santana Lopes junto do presidente francês, Jacques Chirac. O primeiro-ministro demissionário português argumentou que Portugal não atingiu os níveis de desenvolvimento da Espanha e Irlanda mas não deve, por isso, ser sacrificado. Por isto mesmo, diz Santana Lopes, o país tem de continuar a ser beneficiário dos fundos da UE.” (TSF)

Porque é que Portugal é um “caso único” no seio da UE”? Porque foi o “único” que falhou? Foi isto que foi dito a Chirac? Porque razão isto é um “argumento”? Porque razão é que isto “argumenta” a favor da continuação dos fundos, que, pelos vistos, se admite que Portugal desperdiça?

É tudo incoerente.
E toda a gente acha normal.

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COISAS SIMPLES


P. Bonnard

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EARLY MORNING BLOGS 404

What A Writer


what i liked about e.e. cummings
was that he cut away from
the holiness of the
word
and with charm
and gamble
gave us lines
that sliced through the
dung.

how it was needed!
how we were withering
away
in the old
tired
manner.

of course, then came all
the e.e. cummings
copyists.
they copied him then
as the others had
copied Keats, Shelly,
Swinburne, Byron, et
al.

but there was only
one
e.e. cummings.
of course.

one sun.

one moon.


(Charles Bukowski)

*

Bom dia!

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10.1.05


GRANDES NOMES: JOÃO CRISÓSTOMO ("O BOCA DE OURO")





Devia ser João Boca-de-Ouro porque crysóstomos é “boca de ouro” em grego. Também conhecido como o "novo Paulo", pregador e bispo do século V, um dos fundadores da liturgia bizantina conservada pela Igreja Ortodoxa. Um tropário, a oração repetida durante a liturgia, refere-se a Crisóstomo:

Como lâmpada resplandecente,
assim brilhou a graça de tua boca,
iluminando o Universo,
conservando para o mundo
o precioso tesouro de desprendimento do dinheiro,
e fazendo-nos ver claramente
a excelência da humildade.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O TSUNAMISMO (3)

Aqui fica o meu contributo para o seu espaço de troca de impressões, espero que seja útil ao debate de ideias. Porque, também de terminologia científica tratava o meu interesse em sublinhar a distinção entre os termos tsunami e maremoto, aqui vai mais um modesto esclarecimento relativamente à incorrecção da expressão “sismo com epicentro no mar” apontada por António Vicente a quem agradeço a argúcia e peço desculpa pela contundência do texto. É que gosto de pensar que as fases do meu percurso académico avalizado por homens e mulheres bem mais sábios do que eu, me dá a legitimidade para falar sobre estas coisas com conhecimento de causa. Mais ainda, a verdade assim o é muitas vezes, contundente… Mas vamos a coisas bem mais importantes, epicentro é o termo técnico utilizado para designar o local, à superfície do planeta, onde o sismo seria sentido com maior intensidade, localizado na vertical e directamente sobre o hipocentro. Este último é utilizado para designar o foco do sismo, ou seja, o local da libertação da sua energia e fonte de propagação das ondas sísmicas, forma sob a qual essa energia é propagada. Assim, há literalmente sismos com epicentro no mar, de resto é o caso da maioria destes “pequenos” soluços do nosso planeta. De qualquer forma, aqui ficam algumas referências bibliográficas que lamento não terem sido escritas na altura em que as escolas ainda não eram designadas por “fórmulas matemáticas” mas que, penso eu e pensa a comunidade científica que bem os conhece, terão algum valor.

SKINNER, B. J. et al. (1995). The Dynamic Earth, 3rd ed.. John Wiley & Sons Inc.

PRESS, F. et al. (1998). Understanding Earth, 2nd ed.. W. H. Freeman and Company.

(Luís Macedo)

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AR PURO


Levitan

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EARLY MORNING BLOGS 403

Si pour avoir passé sans crime sa jeunesse


Si pour avoir passé sans crime sa jeunesse,
Si pour n'avoir d'usure enrichi sa maison,
Si pour n'avoir commis homicide ou trahison,
Si pour n'avoir usé de mauvaise finesse,

Si pour n'avoir jamais violé sa promesse,
On se doit réjouir en l'arrière-saison,
Je dois à l'avenir, si j'ai quelque raison,
D'un grand contentement consoler ma vieillesse.

Je me console donc en mon adversité,
Ne requérant aux dieux plus grand félicité
Que de pouvoir durer en cette patience.

O dieux, si vous avez quelque souci de nous,
Octroyez-moi ce don, que j'espère de vous,
Et pour votre pitié et pour mon innocence.

(Joachim du Bellay)

*

Bom dia!

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GRANDES NOMES: O "CALIFA DE ALCÁCER"

João Branco Núncio, cavaleiro tauromáquico, natural de Alcácer do Sal.

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9.1.05


GRANDES NOMES: NOSSA SENHORA DO Ó / APRENDENDO COM O PADRE ANTÓNIO VIEIRA SOBRE O CÍRCULO DO ÚTERO VIRGINAL

Nossa Senhora representada na "expectação", grávida. Nalgumas imagens populares portuguesas, Nossa Senhora é apresentada grávida e com o Menino ao colo. O Padre António Viera proferiu em 1640 o Sermão de Nossa Senhora do Ó:

"Já o dito até aqui bastava para que eu desse por desempenhada a promessa de que o círculo do útero virginal foi um O que compreendeu dentro em si o imenso. Mas será bem que o mesmo imenso o diga, resumindo também a um O a sua imensidade. Apareceu Cristo, Senhor nosso, ao evangelista S. João na primeira visão do seu Apocalipse, e disse-lhe: Ego sum alpha et omega, principium et finis (Apc. 1,8): Eu sou o Alfa e o Ômega, porque sou o princípio e o fim de tudo: o princípio, enquanto Criador do mundo, e o fim, enquanto reparador dele. Alfa e Ômega são a primeira e última letra do alfabeto grego, o qual começa em A e acaba em O. E esta foi a razão e o mistério porque, sendo Cristo hebreu e S. João também hebreu, não lhe falou o Senhor em hebraico, senão em grego, porque o alfabeto grego acaba em O, e o hebraico não. O alfabeto hebraico também começa em A, que é o seu aleph; e para significar, na primeira letra, as obras da criação, enquanto Cristo é princípio, tanto servia o alfabeto hebraico como o grego. Porém o Senhor usou do grego, sendo estranho, e deixou o hebraico, sendo natural e da própria língua, porque, para significar na última letra o mistério da reparação, enquanto o mesmo Cristo é fim, só o O tinha propriedade e semelhança. E esta semelhança, em que consiste? Consiste em que a figura do O é circular, e assim como o O é um círculo, assim o mistério da Encarnação foi outro círculo: Deus humanatus dicitur esse circulus, ut circumferentia dicatur humanitas, centrum autem divinitas. O mistério da Encarnação do Verbo — diz S. Boa-ventura — foi um círculo porque, vestindo-se Deus de nossa carne, a humanidade de Cristo cercou e encerrou em si a divindade. E por este modo inefável ficou sendo a mesma divindade o centro, e a humanidade a circunferência. Sendo, pois, o mistério da Encarnação, que foi o fim e última perfeição de todas as obras de Deus, este perfeitíssimo círculo, por isso Cristo disse a S. João que, assim como ele, enquanto primeiro princípio, é a primeira letra, A, assim, enquanto último fim, é a última letra, O: Ego sum Alpha et Omega."

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NOVAS NOTAS VULCÂNICAS



(Em breve.)

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LENDO DENISE DUHAMEL (2)

Tirado de The Woman With Two Vaginas:

The Consequences of Wife-Swapping With a Giant

There was a giant who was particularly fond of humans.
He camped near them, his lice -- white bears and white wolves.
He drank whole lakes when he grew thirsty
and generated winds throughout Siberia. He once fell in love
with an Inuk woman, and since he was already married,
convinced the woman's husband to swap his wife
for the giant's. The husband was tempted by the thought
of enormous green female genitals
and agreed without asking his wife's opinion. The giant
picked up the woman in his palm and blew back her hair
with a sigh. The man swam in the folds of the female giant's vulva
and she barely knew he was there. He disappeared
in her vagina and was never seen again.
Although he tried to be kind, the giant
split the woman in half. He returned to his giant wife,
the one he was made for. As they kissed,
ice floes cracked. The whole ground shook.

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GRANDES NOMES: DKW

O nome DKW é um bom exemplo de como se pode viver toda a vida enganado. Sempre pensei que significava "das kleine wunder", por razões certamente obscuras. Afinal é o mais prosaico "Dampf - Kraft - Wagen", carro movido a vapor, patente do engenheiro Rasmussen. Vão engano, afinal não há a pequena maravilha...

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O seu erro não tem nada de estranho, quase toda a minha geração pensava o mesmo. Quando aos motivos deste apelativo de substituição, também não é obscuro. Para um espírito pouco ligado ás coisas automóveis, talvez. Para quem, nos anos sessenta fez um pouco de desporto automóvel (o meu caso) é de caras:

Quando a DKW (cujos carros tinham dois cilindros a dois tempos (como o Trabant, o mesmo carro com outra carroçaria, nalguns casos em cartão prensado especial, e se transformou num ícone, da Alemanha do Leste, até três anos depois da queda do Muro), lançou o mesmo motor, com três cilindros e três carburadores - um por cilindro – o diabo do carrinho, por vezes aligeirado e transformado, protagonizou muitos ”rally’s” e não poucas provas de pista, com um sucesso inesperado. Era conhecido como 3=6, porque os dois tempos – reduzindo a metade o ciclo de Otto, dos motores normais, com a ausência de complicados mecanismos de válvulas e respectiva distribuição por árvore de “cames” ( em mecaniquez, cams, em inglês) davam-lhe uma capacidade de rotação e uma velocidade inusitadas para a época e para a cilindrada. Daí, “a pequena maravilha”. O modelo de luxo, com madeiras e cabedais, era uma mini-limusina – e é o que vem ilustrado na sua nota. Saudades…


(Luis Rodrigues)
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Encontrei aqui este pequeno apontamento que talvez o venha tranquilizar quanto às origens do nome DKW.
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As iniciais da marca alemã DKW, fundada em 1919, tiveram três significados durante os anos: Dampf Kraft Wagen (carro movido a vapor); depois Des Knaben Wunisch (o sonho dos meninos, devido aos pequenos motores de 18 cm3 para brinquedos); e finalmente Das Kleine Wunder (a pequena maravilha).
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Escuso-me entretanto de aqui falar sobre a mudança para o nome AUTO UNION pós fusões com outras marcas, posteriormente AUDI e até hoje... no grupo VW.

(E. Paulino)
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No Brasil, onde se lê DêKaVê, era também chamado de dêchavê (deixa ver), em virtude de as portas abrirem pela frente e as senhoras da época usarem sempre saias.
Como o carro era muito baixo, adivinha-se o resultado...

(O autor do inominável Votemnasputas.blogspot)

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Ainda me lembro quando a minha mãe (ou seria o meu pai?) conseguia nas viagens “arrumar” 7 filhos naquele longo banco de trás. Ao volante ia o meu pai, a minha mãe e a minha irmã mais velha. Aos pés da minha mãe ia um dos nossos eternos boxer. No banco de trás a minha mãe colocava, sobre o comprido banco, uns sacos de roupa que serviam de balcão. Os meus 4 irmãos mais velhos, excluindo a primogénita que já tinha direito a lugar exclusivo, iam na plateia. Os 3 mais novos, onde me incluía eu, na altura aí com uns 5 ou 6 anos, íamos no balcão. Cintos de segurança nem existiam. Memórias que nunca esquecerei. Grande DKV (e eu que sempre pensei que os círculos eram os que agora vemos na Audi…)

(Gonçalo Pinto Gonçalves)

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OUVINDO JE MEURS SANS MOURIR






de Antoine Boesset, "Dove ne vai, crudele" e "Frescos ayres del prado" e esta pequena maravilha:

"Quels doux supplices,
Quelles délices,
De brusler dans les flammes
De la Beauté des Dames."

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: DEVIA SER SIMPLES


mas parece, todos os dias, mais complicado. Tem coisas que não devia ter, um lado preto e outro claro, montanhas alterosas, descontinuidades. No fundo, Iapetus é um Titã, pai de Prometeu e de Atlas, um dos nossos, um pai dos humanos. E os humanos, como se sabe, também são complicados, têm um lado preto e outro branco, querem e não querem, desejam e desprezam, etc., etc.

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GRANDES NOMES: TROUPE DE JAZZ "ESTRELA VERMELHA"

Criada em 1931 e composta por jovens operários , dirigida pelo tipógrafo Alberto Machado.

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GRANDES NOMES: "COZINHA COMUNISTA" / "SOPA COMUNISTA"

Criadas durante as greves por militantes sindicalistas: “Resistindo heroicamente, inclusive ao espancamento, alguns mineiros são presos e o seu sindicato fechado pela Guarda Republicana, que "resolve auxiliar os patrões a vencer os operários impedindo os trabalhadores de se beneficiarem da Sopa Comunista".
(Edgar Rodrigues lembrado por Nuno Saraiva.)

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GRANDES NOMES: PASSEIO / QUINTA DAS VIRTUDES

Um dos sítios onde o Porto é mais Porto. Mário Cláudio escreveu assim sobre a casa da Quinta:

"Com a Casa por aprontar, ainda, mas habitável, presa a seu escabroso alcantil, apreciava José Pinto de Meirelles exibir, à vista, nem sempre excitada, de visitantes de passagem ou de hóspedes de raiz, a planta do que fora o projecto inicial. Representava ela, no que à fachada norte respeitava, um corpo de linhas neoclássicas, de duas águas bem desenvolvidas, com uma projecção central, que um frontão encimava, no qual as armas da família se inscreviam. E, muito pormenorizadamente, a gestos bastante largos, que faziam com que, sobre o desenho desdobrado, se espalhasse uma pouca de rapé, da caixinha que sustentava, entre os dedos, justificava-se José Pinto de não haver cristalizado sua vontade primeira, em tão grandiosa construção. Perante o exame daquela rejeitada amplitude arquitectónica, dir-se-ia ter perpassado, porventura, em seu espírito, o sonho de uma certa opulência, que o Porto, de resto, não toleraria, de coches estacionados, em longuíssima fileira, diante do lanço de oito degraus, de que emergiam os convidados, para um onírico baile, nos salões comunicantes do plano nobre. Coisa insólita, porém, era a de jamais atribuir ele a impugnação de tanta, nunca vista prodigalidade, ao demasiado custo do empreendimento, senão a conveniências, que não lograva explicar, calma e satisfatoriamente, da perspectiva panorâmica e da higiene dos filhos. Repontavam-lhe os interlocutores, com a esperança de que, num remoto futuro, talvez, se possibilitasse, a um qualquer Meirelles, de gosto perfeito, a concretização do sonho de seu antepassado. "

(Sugestão de José Carlos Santos.)

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GRANDES NOMES: "POSTOS SINDICAIS DE BARBEAR"

Criados durante as greves de 1913, para que os grevistas não fossem privados da sua higiene matinal. Os barbeiros, como se sabe, propícios à subversão e à anarquia, lá se ofereciam para a função revolucionária de escanhoar os fragateiros, padeiros, trabalhadores rurais, latoeiros em greve.

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AR PURO


Levitan

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EARLY MORNING BLOGS 402

Sex with a Famous Poet


I had sex with a famous poet last night
and when I rolled over and found myself beside him I shuddered
because I was married to someone else,
because I wasn't supposed to have been drinking,
because I was in fancy hotel room
I didn't recognize. I would have told you
right off this was a dream, but recently
a friend told me, write about a dream,
lose a reader and I didn't want to lose you
right away. I wanted you to hear
that I didn't even like the poet in the dream, that he has
four kids, the youngest one my age, and I find him
rather unattractive, that I only met him once,
that is, in real life, and that was in a large group
in which I barely spoke up. He disgusted me
with his disparaging remarks about women.
He even used the word "Jap"
which I took as a direct insult to my husband who's Asian.
When we were first dating, I told him
"You were talking in your sleep last night
and I listened, just to make sure you didn't
call out anyone else's name." My future-husband said
that he couldn't be held responsible for his subconscious,
which worried me, which made me think his dreams
were full of blond vixens in rabbit-fur bikinis.
but he said no, he dreamt mostly about boulders
and the ocean and volcanoes, dangerous weather
he witnessed but could do nothing to stop.
And I said, "I dream only of you,"
which was romantic and silly and untrue.
But I never thought I'd dream of another man--
my husband and I hadn't even had a fight,
my head tucked sweetly in his armpit, my arm
around his belly, which lifted up and down
all night, gently like water in a lake.
If I passed that famous poet on the street,
he would walk by, famous in his sunglasses
and blazer with the suede patches at the elbows,
without so much as a glance in my direction.
I know you're probably curious about who the poet is,
so I should tell you the clues I've left aren't
accurate, that I've disguised his identity,
that you shouldn't guess I bet it's him...
because you'll never guess correctly
and even if you do, I won't tell you that you have.
I wouldn't want to embarrass a stranger
who is, after all, probably a nice person,
who was probably just having a bad day when I met him,
who is probably growing a little tired of his fame--
which my husband and I perceive as enormous,
but how much fame can an American poet
really have, let's say, compared to a rock star
or film director of equal talent? Not that much,
and the famous poet knows it, knows that he's not
truly given his due. Knows that many
of these young poets tugging on his sleeve
are only pretending to have read all his books.
But he smiles anyway, tries to be helpful.
I mean, this poet has to have some redeeming qualities, right?
For instance, he writes a mean iambic.
Otherwise, what was I doing in his arms.


(Denise Duhamel)

*

Bom dia!

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APRENDENDO COM D. FRANCISCO MANUEL DE MELO: A PROPORÇÃO

"Uma das coisas que mais assegurar podem a futura felicidade de casados é a proporção do casamento. A desigualdade no sangue, nas idades, na fazenda, causa contradição; a contradição, discórdia. E eis daqui os trabalhos por onde vêm. Perde-se a paz, e a vida é inferno.

Para satisfação dos pais convém muito a proporção do sangue, para o proveito dos filhos, a da fazenda, para o gosto dos casados, a das idades. Não porém que seja preciso uma conformidade, de dia a dia, entre o marido e mulher; mas que não seja excessiva a vantagem de um a outro. Deve ser esta vantagem, quando a haja, sempre a parte do marido em tudo à mulher superior. E quando em tudo sejam iguais, essa é a suma felicidade do casamento.

Dizia um nosso cortesão, havia três castas de casamento no mundo: casamento de Deus, casamento do diabo, casamento de morte. De Deus, o do mancebo com a moça. Do diabo, o da velha com o mancebo. Da morte, o da moça com o velho.

Ele certo tinha razão porque os casados moços podem viver com alegria; as velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia; os velhos casados com moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias."

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GRANDES NOMES: KROPATSCHECK

A espingarda do exército português no final do século XIX.


(De um folheto pedagógico para os oficiais de artilharia dos anos oitenta do século XIX.)

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GRANDES NOMES: ESPERANTO

A língua que o "dr. Esperanto", "o que tem esperança", criou. Pode-se sempre escrever numa árvore para uma esperantista:"Mi amas vin."

Vinhetas esperantistas dos meus efemera.

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© José Pacheco Pereira
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