ABRUPTO

11.1.05


UM TERCEIRO PARTIDO CENTRAL

Teria excepcionais condições para aparecer se o nosso sistema partidário fosse menos rígido e as leis eleitorais diferentes. Seria um partido como os sociais-democratas ingleses face aos trabalhistas e conservadores, com apoio eleitoral “nacional”, assente na opinião pública reformista e nos quadros das profissões liberais, competitivo com o PS e o PSD. A conjuntura tem semelhanças com a que deu origem ao PRD, só que o PRD só vingou, mesmo que brevemente, porque era um partido feito a partir de uma personalidade, o general Eanes, e de uma instituição, a Presidência. Houvesse liberdade de candidaturas de cidadãos ao parlamento e ele apareceria roubando votos ao PSD e ao PS. A diferença em relação a 1985 é que um partido desse tipo, iria hoje atingir mais o eleitorado do PSD e não o do PS como aconteceu com o PRD. Provavelmente, como no PRD, a vida desse partido duraria o tempo da conjuntura, tão breve quanto permanecesse a actual situação, em particular no PSD e em menor grau no PS. Se o PSD voltar ao seu espaço natural entre o centro-esquerda e o centro-direita, acabar com o “projecto geracional” que o reduz, e mantiver a esperança reformista, este espaço que agora existe de “não-representação” desaparecerá. Mas tem que mudar muito.

(Nota para a prolífica indústria das intenções inventadas: eu digo que "há condições para existir" e não que "deva existir". Mais vale prevenir do que remediar.)

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© José Pacheco Pereira
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