| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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27.11.04
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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: "GORGEOUS DIONE...
... posa para a Cassini", escreve o entusiasmado escriba da NASA, ao ver a fotografia da deusa celeste que orbita Saturno. Dione, "a que brilha" diz-se na Ilíada, a Deusa do Carvalho, a quem Afrodite chamava Mãe, porque era o nome feminino de Zeus. Quando, numa outra encarnação, me deu para tentar fazer uma genealogia da mitologia grega, Dione perturbava tudo: era filha de Cronos e de Gaia? Ou de Oceanus e Tetis? Ou a mãe de Afrodite? Casada com Tantalo, e mãe de Niobe parece que era. Nem Hesíodo me salvava na confusão. Mas agora que ela posa para a fotografia, bem se lhe podia perguntar pelos pais... (url)
EARLY MORNING BLOGS 371
EL INFANTE ARNALDOS
¡Quien hubiera tal ventura sobre las aguas del mar como hubo el infante Arnaldos la mañana de San Juan! Andando a buscar la caza para su falcón cebar, vio venir una galera que a tierra quiere llegar; las velas trae de sedas, la ejarcia de oro terzal, áncoras tiene de plata, tablas de fino coral. Marinero que la guía, diciendo viene un cantar, que la mar ponía en calma, los vientos hace amainar; los peces que andan al hondo, arriba los hace andar; las aves que van volando, al mástil vienen posar. Allí hablo el infante Arnaldos, bien oiréis lo que dirá: -Por tu vida, el marinero, dígasme ora ese cantar. Respondióle el marinero, tal respuesta le fue a dar: -Yo no canto mi canción sino a quién conmigo va. *
Eu sei que já aqui coloquei o romance. Mas é como se fosse um hino, não faz mal repeti-lo.
Bom dia! (url) 26.11.04
PARVOÍCE
A jornalista da TVI a perguntar aos delegados do Congresso do PCP se sabem "quem é uma santanete". (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 370
Hymne au Dragon couché Le Dragon couché : le ciel vide, la terre lourde, les nuées troubles ; soleil et lune étouffant leur lumière : le peuple porte le sceau d'un hiver qu'on n’explique pas. Le Dragon bouge : le brouillard aussitôt crève et le jour croît. Une rosée nourrissante remplit la faim. On s'extasie comme à l'orée d'un printemps inespérable. Le Dragon s'ébroue et prend son vol : à Lui l'horizon rouge, sa bannière, le vent en avant-garde et la pluie drue pour escorte. Riez d'espoir sous la crépitation de son fouet lancinant : l'éclair. o
Hé ! Las ! hé, Dragon couché ! Enspiralé ! Héros paresseux qui sommeille en l'un de nous, inconnu, engourdi, irrévélé, Voici des figues, voici du vin tiède, voici du sang : mange et bois et flaire : nos manches agitées t'appellent à grands coups d'ailes. Lève-toi, révèle-toi, c'est le temps. D'un seul bond saute hors de nous ; et pour affirmer ton éclat, Cingle-nous du serpent de ta queue, fais-nous malades au clin de tes petits yeux, mais brille hors de nous, -- oh ! brille ! (Victor Segalen) * Bom dia! (url) 24.11.04
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A ENTREVISTA - PLÁSTICO
Com o Primeiro-ministro tudo é plástico. Tudo pode ser ou não ser. Uma coisa corre mal, pode-se mudar, não há problema nenhum. Aconteceu assim e esperava-se que acontecesse assado. Não é muito importante. Fizemos isto. Já estava previsto que o fizéssemos. Tudo é desvalorizado, nada é cortado a direito. Amanhã torce-se a memória de hoje e não fica nada. Num certo sentido é o que o primeiro-ministro deseja, que fique apenas a imagem, o som, um certo adormecimento colectivo. Um canto, monótono é certo, mas um canto. (url) 23.11.04
A ENTREVISTA - DINÂMICA
O que move o discurso do primeiro-ministro é apenas o que dizem os jornais. Não há nenhuma dinâmica que tenha a ver com o país, com os problemas dos portugueses, apenas sobre os jornais. A frase está morta e só se alumia quando há um comentário ou notícia jornalística a que quer responder ou ripostar.Aí anima-se e tudo se torna fluído. Viu-se em toda a entrevista. (url)
A ENTREVISTA - SOLIDEZ DA COLIGAÇÃO
É verdade que ninguém contestou a manutenção da coligação no Congresso do PSD. Mas a estabilidade da coligação não existe se o PP estiver convencido que vai sozinho às eleições. Será só uma questão de tempo. Como é que o PP concorre às eleições sozinho em 2006? Onde é que vai buscar os votos numa campanha que vai ser fortemente polarizada entre o PSD e o PS? Como é que se desenvolve um discurso eleitoral, que encontre votos, sem demarcação com o PSD e com o governo? Como é que se espera que o PP aceite concorrer às eleições nestas condições, sabendo que o seu peso numa qualquer negociação futura será muito menor do que tem hoje? A hipótese é absurda. Sem garantias, públicas ou privadas, de listas conjuntas não há estabilidade governativa. Como se vê. (url)
A ENTREVISTA - O RECADO
O Primeiro-ministro deu o recado claríssimo a todos os responsáveis por órgãos públicos e privados: substituam o comentário político pelos debates entre os partidos. Vamos ver como evolui a situação nos órgãos de comunicação social do estado, em particular a RTP que praticamente já não tem comentário político. A primeira parte da entrevista é o retrato de um político acossado, convencido que é vítima de uma conspiração generalizada e de que é capaz, pelo seu verbo, de inverter a situação. Tudo o que ele diz reflecte duas posturas complementares: quer menos comentário, porque o comentário é pela sua própria natureza hostil (o comentário é “deles”, o Outro que o persegue e que se percebe que não é o eng. Sócrates) e quer ter mais tempo de antena. (url)
INTENDÊNCIA
Colocado no VERITAS FILIA TEMPORIS, um contributo para o pensamento europeu do Dr. Portas, O DIÁLOGO DA BATATA LUSA COM A BATATA CASTELHANA (Setembro 1999). (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: PARVOS E TOMADOS POR PARVOS
"Parece-me que, salvo melhor opinião, quanto a esta matéria os portugueses podem ser divididos em quatro grupos: – O primeiro, constituído por partidários convictos do SIM ao referendo nestes moldes, é o daqueles que gostam de fazer os outros de parvos (do latim parvùlu-, «insignificante»); – O segundo, constituído por aqueles que se vão estar nas tintas para responder ao referendo, é o dos que não se importam de ser tomados por parvos; – O terceiro, que desejo que seja o de menor expressão, será constituído pelos que não chegam a perceber a pergunta nem nenhuma das suas implicações e que, por isso, não irão aparecer no referendo ou, caso o façam, dividir-se-ão pelo SIM e pelo NÃO, consoante a opinião de quem sobre eles exerça influência; – O quarto e último, constituído por todos os que irão votar conscientemente NÃO, é o dos que não gostam, em nenhuma circunstância, de serem chamados ou tomados por parvos. Esperemos que, em matéria tão decisiva, estes últimos não sejam uma pequena minoria, mas representem antes um largo movimento da opinião pública portuguesa que, lutando pelo terceiro e por si próprios, faça corar o segundo e ponha um travão às vergonhosas manipulações do primeiro grupo." (João Galvão Teles) (url)
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: OS PEQUENINOS OBEDECEM AOS GRANDES
Tetis passa junto do polo sul de Saturno, perturbado por tempestades maiores do que o satélite viajante. Aqui não há luta de classes que valha: os pequeninos obedecem aos grandes. Ponto. (url)
APRENDENDO COM BRUTUS 1 SOBRE A VAIDADE HUMANA
"Dave Striver loved the university. He loved its ivy-covered clocktowers, its ancient and sturdy brick, and its sun-splashed verdant greens and eager youth. He also loved the fact that the university is free of the stark unforgiving trials of the business world -- only this isn't a fact: academia has its own tests, and some are as merciless as any in the marketplace. A prime example is the dissertation defense: to earn the PhD, to become a doctor, one must pass an oral examination on one's dissertation. Dave wanted desperately to be a doctor. But he needed the signatures of three people on the first page of his dissertation, the priceless inscriptions which, together, would certify that he had passed his defense. One of the signatures had to come from Professor Hart. Well before the defense, Striver gave Hart a penultimate copy of his thesis. Hart read it and told Striver that it was absolutely first-rate, and that he would gladly sign it at the defense. They even shook hands in Hart's book-lined office. Dave noticed that Hart's eyes were bright and trustful, and his bearing paternal. At the defense, Dave thought that he eloquently summarized Chapter 3 of his dissertation. There were two questions, one from Professor Rodman and one from Dr. Teer; Dave answered both, apparently to everyone's satisfaction. There were no further objections. Professor Rodman signed. He slid the tome to Teer; she too signed, and then slid it in front of Hart. Hart didn't move. ``Ed?" Rodman said. Hart still sat motionless. Dave felt slightly dizzy. ``Edward, are you going to sign?" Later, Hart sat alone in his office, in his big leather chair, underneath his framed PhD diploma." Este texto não foi escrito por um humano, mas sim por uma máquina, um computador do projecto Brutus 1. O tema foi a "traição". Os seus autores consideram que "AI is moving us toward a real-life version of the movie Blade Runner, in which, behaviorally speaking, humans and androids are pretty much indistinguishable." Sobre o Brutus 1 aqui. Sobre o problema da computação do "comportamento" este artigo complexo, difícil e com uma matemática acima dos meus conhecimentos, mas, mesmo assim, muito, muito interessante. (url)
LINHA DE DIVISÃO, ESCOLHA E PROMOÇÃO
Os critérios de escolha e de promoção nos órgãos de comunicação social do estado ou nacionalizados (os da PT) são simples: há uma linha de demarcação entre os que acham que o governo quer controlar a comunicação social e os que não acham. Essa linha manifesta-se nos comentários ao “caso Marcelo”, às declarações de Morais Sarmento, às conclusões da AACS, à “central”. Os que não acham são escolhidos e promovidos, os que acham caminham para o limbo. Os que não acham podem achar tudo mais: que o Ministro das Assuntos Parlamentares devia ter ficado calado, que o governo só faz asneiras nesta área, que tem havido incompetência, podem achar tudo o que quiserem desde que considerem que isso não é o essencial, é o acessório. O essencial é que o governo deve governar, tem direito a “estado de graça”, e merece uma “oportunidade”. É uma opinião, legitima como todas. Só que hoje na comunicação social do estado é o caminho mais certo e seguro para uma promoção. E tantos lugares estão a mudar de mãos… (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 369
The Sycophantic Fox and the Gullible Raven A raven sat upon a tree, And not a word he spoke, for His beak contained a piece of Brie. Or, maybe it was Roquefort. We'll make it any kind you please -- At all events it was a cheese. Beneath the tree's umbrageous limb A hungry fox sat smiling; He saw the raven watching him, And spoke in words beguiling: "J'admire," said he, "ton beau plumage!" (The which was simply persiflage.) Two things there are, no doubt you know, To which a fox is used: A rooster that is bound to crow, A crow that's bound to roost; And whichsoever he espies He tells the most unblushing lies. "Sweet fowl," he said, "I understand You're more than merely natty; I hear you sing to beat the band And Adelina Patti. Pray render with your liquid tongue A bit from Gotterdammerung." This subtle speech was aimed to please The crow, and it succeeded; He thought no bird in all the trees Could sing as well as he did. In flattery completely doused, He gave the "Jewel Song" from Faust. But gravitation's law, of course, As Isaac Newton showed it, Exerted on the cheese its force, And elsewhere soon bestowed it. In fact, there is no need to tell What happened when to earth it fell. I blush to add that when the bird Took in the situation He said one brief, emphatic word, Unfit for publication. The fox was greatly startled, but He only sighed and answered, "Tut." The Moral is: A fox is bound To be a shameless sinner. And also: When the cheese comes round You know it's after dinner. But (what is only known to few) The fox is after dinner, too. (Guy Wetmore Carryl) * Bom dia! (url) 22.11.04
A LER
Sobre o Tempo que Passa na Europa. As "perguntas" de João Miranda no Blasfémias , como esta: "Lembra-se de ter votado em referendo em todas as disposições da Constituíção Europeia que agora nos dizem que já há muito estão em funcionamento?" (url)
BIBLIOFILIA
Mais livros "livres" da destruição. Um Gide numa edição brasileira, com uma capa que parece de um romance policial. Uma publicação anticomunista de Chang Kai Chek. E um Stefan Zweig, um apenas entre muitos. Aqui está um autor que foi imensamente popular e agora quase esquecido. A Antígona vai agora republicar um título O Combate com o Demónio, mas os bons dias de Zweig já passaram. Por isso, como sempre, ver uma antiga biblioteca é um passeio pelo tempo. Ido. (url)
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: DA ESPERANÇA COMO UM TIRO PARA OS CÉUS
Lançamento do satélite Swift para investigar pontos de origem de raios gama. Um pequeno tiro nos céus à procura de grandes explosões. (url)
SE NÃO PERCEBES A PERGUNTA, VOTA NÃO (2)
Queixam-se os defensores do “sim” à Constituição Europeia que o debate corre o risco de acabar por ser sobre a pergunta e não sobre a Constituição. Ainda bem, porque a pergunta “diz” mais sobre as razões porque se deve votar “não” do que tudo o resto. Ela exemplifica, na sua matriz anti-democrática (esta pergunta não tem nem um átomo de respeito pelos portugueses), o que está mal no actual momento da construção europeia: défice democrático, elitismo iluminado, truques de uma burocracia longínqua e pouco escrutinada, que encontram eco nos grupos dirigentes partidários locais que não se importam, ao mesmo tempo que enchem a boca com a palavra “Portugal”, em ceder poderes nacionais que ninguém em Portugal acabará por controlar, muito menos o parlamento português. É, a pergunta é um retrato feio, não deixemos de a discutir. (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 368
Miroirs
Ts'ai-yu se mire dans l'argent poli afin d'ajuster ses bandeaux noirs et les perles sur ses bandeaux. Ou si le rouge est trop pâle aux yeux, ou l'huile blanche trop luisante aux joues, le miroir, avec un sourire, l'avertit. Le Conseiller s'admire dans l'histoire, vase lucide où tout vient s'éclairer : marches des armées, paroles des Sages, troubles des constellations. Le reflet qu'il en reçoit ordonne sa conduite. o Je n'ai point de bandeaux ni perles, et pas d'exploits à accomplir. Pour régler ma vie singulière, je me contemple seul en mon ami quotidien. Son visage, -- mieux qu'argent ou récits antiques, -- m'apprend ma vertu d'aujourd'hui. (Victor Segalen) * Bom dia (url) 21.11.04
BIBLIOFILIA
Livros salvos de uma biblioteca que ia ser destruída. Mais: livros da minha vida, porque foram os primeiros que pedi para me comprarem, livros com o entusiasmo da curiosidade. ![]() Aprendi lá mil e uma coisas que nunca esqueci, imagens que me ensinaram pequenas coisas: que a televisão é mais um olho do que um ecrã e a persistência de Madame Curie (nunca Maria Curie, nunca senhora Curie, mas sim sempre Madame Curie) a trabalhar no seu frio laboratório, até que o rádio brilhou no escuro.
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QUEM NÃO TEM VERGONHA, TODO O MUNDO É SEU
é o provérbio mais adaptado aos tempos que correm. (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES / ANTOLOGIA DA PEDRA (4ª série)
1. ROCHAS DE ACHILL
(Enviadas da Irlanda por Mariana Magalhães) 2. "THERE ARE PLENTY OF RUINED BUILDINGS IN THE WORLD BUT NO RUINED STONES" All is lithogenesis – or lochia, Carpolite fruit of the forbidden tree, Stones blacker than any in the Caaba, Cream-coloured caen-stone, chatoyant pieces, Celadon and corbeau, bistre and beige, Glaucous, hoar, enfouldered, cyathiform, Making mere faculae of the sun and moon I study you glout and gloss, but have No cadrans to adjust you with, and turn again From optik to haptik and like a blind man run My fingers over you, arris by arris, burr by burr, Slickensides, truité, rugas, foveoles, Bringing my aesthesis in vain to bear, An angle-titch to all your corrugations and coigns, Hatched foraminous cavo-rilievo of the world, Deictic, fiducial stones. Chiliad by chiliad What bricole piled you here, stupendous cairn? What artist poses the Earth écorché thus, Pillar of creation engouled in me? What eburnation augments you with men’s bones, Every energumen an Endymion yet? All the other stones are in this haecceity it seems, But where is the Christophanic rock that moved? What Cabirian song from this catasta comes? Deep conviction or preference can seldom Find direct terms in which to express itself. Today on this shingle shelf I understand this pensive reluctance so well, This is not discommendable obstinacy, These contrivances of an inexpressive critical feeling, These stones with their resolve that Creation shall not be Injured by iconoclasts and quacks. Nothing has stirred Since I lay down this morning an eternity ago But one bird. The widest open door is the least liable to intrusion, Ubiquitious as the sunlight, unfrequented as the sun. The inward gates of a bird are always open. It does not know how to shut them. That is the secret of its song, But whether any man’s are ajar is doubtful. I look at these stones and know little about them, But I know their gates are open too, Always open, far longer open, than any bird’s can be, That every one of them has had its gates wide open far longer Than all birds put together, let alone humanity, Though through them no man can see, No man nor anything more recently born than themselves And that is everything else on Earth. I too lying here have dismissed all else. Bread from stones is my sole and desperate dearth, From stones, which are to Earth as to the sunlight Is the naked sun which is for no man’s sight. I would scorn to cry to any easier audience Or, having cried, to lack patience to await the response. I m no more indifferent or ill-disposed to life than death is; I would fain accept it all completely as the soil does; Already I feel all that can perish perishing in me As so much has perished and all will yet perish in these stones. I must begin with these stones as the world began. [...] We must be humble. We are so easily baffled by appearances And do not realise that these stones are one with the stars. It makes no difference to them whether they are high or low, Mountain peak or ocean floor, palace, or pigsty. There are plenty of ruined buildings in the world but no ruined stones. [...] Hugh MacDiarmid, “On a Raised Beach”, Stony Limits, and other Poems (London: Gollancz, 1934), enviado por Daniela Kato. (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 367
HAGAMOS UN TRATO Cuando sientas tu herida sangrar cuando sientas tu voz sollozar cuenta conmigo (de una canción de CARLOS PUEBLA) Compañera usted sabe puede contar conmigo no hasta dos o hasta diez sino contar conmigo si alguna vez advierte que la miro a los ojos y una veta de amor reconoce en los míos no alerte sus fusiles ni piense qué delirio a pesar de la veta o tal vez porque existe usted puede contar conmigo si otras veces me encuentra huraño sin motivo no piense qué flojera igual puede contar conmigo pero hagamos un trato yo quisiera contar con usted es tan lindo saber que usted existe uno se siente vivo y cuando digo esto quiero decir contar aunque sea hasta dos aunque sea hasta cinco no ya para que acuda presurosa en mi auxilio sino para saber a ciencia cierta que usted sabe que puede contar conmigo. (Mario Benedetti) * Bom dia! (url)
SE NÃO PERCEBES A PERGUNTA VOTA NÃO
A fórmula mais eficaz de fazer campanha caso a actual pergunta absurda, cozinhada pelo PS-PSD-PP para induzir ao sim e à abstenção no referendo sobre a Constituição Europeia, seja a escolhida, é: “se não percebes a pergunta vota não”. Tem sentido? Tem todo o sentido porque os partidários do “sim” nas direcções do PS-PSD-PP estão a tentar manipular o referendo com uma pergunta deliberadamente complicada, amalgamando matérias distintas e ocultando outras, pretendendo tornar desigual o “sim” e o “não” na resposta. A pergunta pura e simplesmente não é honesta, trata os portugueses de forma indigna, mancha a democracia com a sua óbvia manipulação. Ora basta isto para responder “não”, nem que seja para obrigar a fazer novo referendo, com nova pergunta clara, daqui a uns bons anos. (url)
© José Pacheco Pereira
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