ABRUPTO

29.5.04


ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO

em actualização.

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: NO SOPÉ



das colinas de Columbia está o "Espírito". Nos EUA e no Canadá, há quatro cidades com o nome de Columbia, uma província do Canadá "britânico", um "district" nos EUA com Washington dentro, um rio, uma universidade, uma enciclopédia, uma nave espacial tombada das alturas, um memorial em Marte com uma parte de uma sonda em forma de flor. "O "Espírito" nasceu lá dentro - lembrar-se-á, agora que vai subir, que também ele está "nel mezzo del cammin di nostra vita" ?

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EARLY MORNING BLOGS 213

What thou lovest well remains,
the rest is dross
What thou lov'st well shall not be reft from thee
What thou lov'st well is thy true heritage
Whose world, or mine or theirs
or is it of none?
First came the seen, then thus the palpable
Elysium, though it were in the halls of hell,
What thou lovest well is thy true heritage
What thou lov'st well shall not be reft from thee


(Ezra Pound)

*

Bom dia!


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28.5.04


OS DEZ DA TRETYAKOV: K. A. ZELENTSOV - INTERIORES (1820)


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27.5.04


EARLY MORNING BLOGS 212

Cold Morning


Through an accidental crack in the curtain
I can see the eight o'clock light change from
charcoal to a faint gassy blue, inventing things

in the morning that has a thick skin of ice on it
as the water tank has, so nothing flows, all is bone,
telling its tale of how hard the night had to be

for any heart caught out in it, just flesh and blood
no match for the mindless chill that's settled in,
a great stone bird, its wings stretched stiff

from the tip of Letter Hill to the cobbled bay, its gaze
glacial, its hook-and-scrabble claws fast clamped
on every window, its petrifying breath a cage

in which all the warmth we were is shivering.


(Eamon Grennan)

*

Bom dia!

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26.5.04


OS DEZ DA TRETYAKOV: VASILY PEROV - RETRATO DO AUTOR FEODOR DOSTOYEVSKY (1872)



Verdadeiramente difícil escolher um retrato na Tetryakov, que tem uma das melhores colecções do mundo de retratos do século XIX. O retrato de Pushkin, de Kiprensky, com a face grosseira do poeta, o auto-retrato de Briulov, toda a galeria de Repin, alguns dos retratos do "realismo socialista" na Nova Tretyakov, como o de Staline com o seu estado maior, imensa panóplia do poder nacional soviético, todos podiam aqui estar. Mas há neste Dostoyevsky uma força sombria, um desalinhamento interior que quase não arranca a pintura do fundo escuro, como se a claridade que nos permite ver a cara e o corpo do escritor fossem conseguidos com imenso esforço e o retrato quisesse voltar para trás, para a sombra e o escuro.

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OS DEZ DA TRETYAKOV: VASILY SURIKOV - BOYARYNIA MOROZOVA (1897)



O quadro de Surikov é dos mais prejudicados pela reprodução. É um fresco gigantesco, retratando o momento dramático da história russa em que a Igreja ortodoxa se dividiu, no século XVII, com os Velhos Crentes (staroviery) remetidos para a clandestinidade e para a perseguição. Os Velhos Crentes contestavam a reforma da Igreja e foram excomungados até 1971. Sobreviveram, escondidos de todos os regimes, e hoje são cerca de um milhão em vários países da área ex-soviética. O quadro retrata a prisão de Morozova, que acabou por morrer de fome. Gestos iniciáticos, incluindo uma forma diferente de persignação, identificavam os Velhos Crentes e alguns dos presentes fazem esses gestos de identidade.


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POEIRA DE 26 DE MAIO

Hoje, há sessenta e sete anos, um grupo de quatro sindicalistas da UAW estava a conversar em frente às portas da fábrica da Ford em Dearborn, Michigan, depois de uma distribuição de panfletos. Meia dúzia de homens de mão da companhia aproximaram-se de Walter Reuther, Bob Kanter, J.J. Kennedy e Richard Frankensteen. Quando eles chegaram mais perto, os sindicalistas começaram a rir e devem ter-lhes dito algumas amabilidades irreproduzíveis. Mas permaneciam calmos e divertidos. A greve estava a correr bem para o ainda jovem sindicato dos trabalhadores do automóvel.

Os homens da companhia tinham sido recrutados entre os gangsters da Lei Seca e não vinham para responder às amabilidades do grupo, vinham dar-lhes uma lição sob a forma universalmente consabida do espancamento. Quando começou a pancadaria, mais tarde conhecida com o nome épico da “Batalha do Overpass”, envolveu muitos trabalhadores e resultou em dezenas de feridos. A batalha foi ganha pelos sindicalistas, mas sem ser ao murro. Ganharam-na porque havia um fotógrafo por perto e as fotografias explicavam tudo, ou quase tudo.

A esquerda comunista e socialista europeia sempre desprezou o sindicalismo americano. Considerava-o não politizado, anticomunista, infectado pela máfia e demasiado obcecado pelo bem-estar dos trabalhadores e pelos seus fundos de pensões. Personalidades como Jimmy Hoffa, dos Teamsters, simbolizavam esse repúdio. Mas enganam-se – na história da “luta de classes” poucos sindicatos lutaram com mais dureza contra as grandes companhias. Não há na Europa muitos exemplos de confrontos de “classe” como o que opôs o sindicalista Hoffa ao menino rico Robert Kennedy nas audiências do inquérito sobre crime organizado. De antologia.

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EARLY MORNING BLOGS 211

Morning Sorrows

Sad memory wakes anew at morning's touch
And, as some muscles move without our will,
She seizes, with involuntary clutch,
The sorrow that we hate, our bosom ill;

But we are formed with such fine wisdom, such
A Providence our moral need supplies,
That we can seldom overrate our sighs
Nor prize our organs of regret too much;

Then welcome still these ever-new returns
Of anguish! Who escapes or can escape
The burthen, while the great world sins and mourns?

Grief comes to all, whatever be her shape
To each, but we are framed with pain to cope;
And, when we bow, we help our climbing hope.


(Charles Turner)

*

Bom dia!

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OS DEZ DA TRETYAKOV: REPIN – RETRATO DA BARONESA VARVARA IKSKUL VON HILDENBANDT (1889)



Escolher um quadro de Repin foi difícil. Havia literalmente outras dez escolhas possíveis, entre as quais um genial retrato de Mussorgsky (à esquerda) e um outro de sua mulher Vera Repina (à direita). Mas se há quadro de mulher que transpira uma altivez absoluta é este retrato da Baronesa Varvara. Apesar de tudo, é raro num retrato feminino tanta vaidade, soberba, postura, aquele vermelho do chapéu em crista, aquele véu a meio rosto, aquela decisão sem tréguasEsta mulher ou viveu muito bem, ou viveu muito mal. Sem meias tintas.





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NORMAL, PARECE

que tudo voltou ao normal no Blogger. Continuemos.

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25.5.04


PROBLEMAS COM AS IMAGENS DO ABRUPTO

Alguém me pode ajudar a resolver um problema bizarro de desaparição de imagens, apesar de tudo estar a funcionar normalmente?

*

Obrigado a Albano Ferreira que identificou o problema:

"O problema não é com as imagens, mas com o Blogger.De há uns tempos para cá os endereços com www dão problemas.Ou seja, o http://abrupto.blogspot.com/ funciona bem, mas o http://www.abrupto.blogspot.com/ já não. Como as imagens tem o www no URL, consegue-se ver o Blog mas não as imagens."

Experimentei mudar o URL e a última imagem que coloquei ficou visível, mas espero que o Blogger volte ao normal e resolva o problema antes de mexer mais nas outras.



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OS DEZ DA TRETYAKOV: YURI PIMENOV - NOVA MOSCOVO (1936)



(Na Nova Tretyakov)

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EARLY MORNING BLOGS 210

A Guerra Que Aflige Com Os Seus Esquadrões o Mundo


A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito de erro da filosofia.

A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do universo por nós.
Tendo por conseqüência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs.
Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química direta da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as cousas pré-humanas, mesmo no homem!
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!


(Fernando Pessoa)

*

Bom dia!

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24.5.04


BIBLIOFILIA

Pedro Homem de Mello, Poesias Escolhidas, Porto, Asa, 2004

Uma excelente antologia de Vasco Graça Moura do meu familiar Pedro Homem de Mello. Recordo-o a chamar-me “meu primo” e eu, imbecil, a fazer de conta que não percebia a amabilidade. Era o homem do folclore da televisão da ditadura, dos sargaceiros da Apúlia, dos ranchos e eu detestava esse mundo. Era também um grande poeta, daqueles que brilham numa antologia, escolhidos a dedo, com dedos que descobrem muitos poemas magníficos. Fica este para amostra, mas há muitos mais:

SOLIDÃO

O solidão! A noite, quando, estranho,
vagueio sem destino, pelas ruas,
o mar todo é de pedra... E continuas.
Todo o vento é poeira... E continuas.
A Lua, fria, pesa... E continuas.
Uma hora passa e outra... E continuas.
Nas minhas mãos vazias continuas,
No meu sexo indomável continuas,
Na minha branca insónia continuas,
Paro como quem foge. E continuas.
Chamo por toda a gente. E continuas.
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.
Eterna, continuas...
Mas sei por fim que sou do teu tamanho!









Nancy Mitford, Noblesse Oblige, Oxford University Press, 2002

Finalmente vou ler o famoso debate entre os “U” e os “non-U”, que conhecia das referências da irmã comunista.









George Steiner, Lessons of the Masters, Harvard University Press, 2003

Por razões mais que obvias.







Mohammad-Ali Amir.Moezzi / Christian Jambet, Qu’est-ce que le Shî’isme? , Paris, Fayrad, 2004

Por razões óbvias, para ver se estudo alguma coisa da matéria para além das histórias de Ali e Hussein.

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OS DEZ DA TRETYAKOV: ALEXANDER GERASIMOV - STALINE E VOROSHILOV NO KREMLIN (1938)



(Na Nova Tretyakov)

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ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO

em actualização.

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OS DEZ DA TRETYAKOV: NIKOLAY GAY - "O QUE É A VERDADE?". CRISTO E PILATOS (1890)



*

Para acrescentar ao quadro, aqui segue uma tradução um pouco apressada do Anticristo de Nietzsche sobre este momento:

"Para além disso, no Novo Testamento só aparece uma figura digna de honra: Pilatos, o vice-rei romano. Olhar para um embroglio judaico seriamente – estava muito para além dele. Um judeu a mais ou a menos – interessava a alguém? O desprezo nobre de um romano, diante de quem a palavra verdade era manipulada sem vergonha, enriqueceu o Novo Testamento com a única frase que tem algum valor – e que é ao mesmo tempo a sua crítica e a sua destruição: “o que é a verdade?”


*

Rui Amaral, do Quartzo, Feldspato e Mica, sugere que este quadro seja visto/lido junto com o poema da Spoon River Anthology, de Edgar Lee Masters

OAKS TUTT

My mother was for woman's rights
And my father was the rich miller at London Mills.
I dreamed of the wrongs of the world and wanted to right them.
When my father died, I set out to see peoples and countries In order to learn how to reform the world.
I traveled through many lands.
I saw the ruins of Rome,
And the ruins of Athens,
And the ruins of Thebes.
And I sat by moonlight amid the necropolis of Memphis.
There I was caught up by wings of flame, And a voice from heaven said to me:
"Injustice, Untruth destroyed them. Go forth!
Preach Justice! Preach Truth!"
And I hastened back to Spoon River
To say farewell to my mother before beginning my work.
They all saw a strange light in my eye.
And by and by, when I talked, they discovered What had come in my mind.
Then Jonathan Swift Somers challenged me to debate The subject, (I taking the negative):
"Pontius Pilate, the Greatest Philosopher of the World." And he won the debate by saying at last, "Before you reform the world, Mr. Tutt, Please answer the question of Pontius Pilate:
"What is Truth?"


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EARLY MORNING BLOGS 209

Complainte des crépuscules célibataires


C'est l'existence des passants...
Oh ! tant d'histoires personnelles !...
Qu'amèrement intéressant
De se navrer de leur kyrielle !

Ils s'en vont flairés d'obscurs chiens,
Ou portent des paquets, ou flânent...
Ah ! sont-ils assez quotidiens,
Tueurs de temps et monomanes,

Et lorgneurs d'or comme de strass
Aux quotidiennes devantures ! ...
La vitrine allume son gaz,
Toujours de nouvelles figures ...

Oh ! que tout m'est accidentel !
Oh ! j'ai-t-y l'âme perpétuelle !...
Hélas, dans ce cas, rien de tel
Que de pleurer une infidèle !...

Mais qu'ai-je donc laissé là-bas,
Rien. Eh ! voilà mon grand reproche !
Ô culte d'un Dieu qui n'est pas
Quand feras-tu taire tes cloches !...

Je vague depuis le matin,
En proie à des loisirs coupables,
Epiant quelque grand destin
Dans l'œil de mes douces semblables

Oh ! rien qu'un lâche point d'arrêt
Dans mon destin qui se dévide !...
Un amour pour moi tout exprès
En un chez nous de chrysalide !...

Un simple cœur, et des regards
Purs de tout esprit de conquête,
Je suis si exténué d'art !
Me répéter, oh ! mal de tête !...

Va, et les gouttières de l'ennui !
Ça goutte, goutte sur ma nuque...
Ça claque, claque à petit bruit...
Oh ! ça claquera jusque... jusque ?...


(Jules Laforgue)

*

Bom dia!

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23.5.04


TUDO É RELATIVO – NOTAS RUSSAS 3

O destino dos “museus da revolução” depois do fim das ditas é particularmente inglório. Conheci vários, na RDA, na Albânia, na Rússia. O da Rússia era naturalmente o mais ambicioso, embora o da RDA fosse um bom exemplo da “cientificidade”alemã. A sala sobre o Muro era magnífica de humor negro, com o Muro visto do lado dos seus construtores. Uma barreira contra os espiões, a pornografia, o crime e … as salsichas do fetichismo do consumo. O museu albanês tinha tantas salas para Enver Hodja que, expurgado delas, parecia uma arrecadação vazia.

O russo chama-se hoje Museu de História Contemporânea da Rússia mas, lá no fundo, mudou pouco na sua ortodoxia expositiva. Tem muita “revolução” do antigamente, bastante Staline, acrescentado recentemente, e que, pelos visto, é popular com os turistas, uma sala apressada com Krutchov e depois … Putin na sua glória de homem de estado. Não se vê o longo Brejnev, nem os breves Andropov e Tchernenko, censurados. Gorbachov, idem.

(Continua)

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OBJECTOS EM EXTINÇÃO

foi uma série do Abrupto muito participada pelos seus leitores em 2003. José Paulo Andrade colocou agora em linha fotos de alguns desses objectos aqui.

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OS DEZ DA TRETYAKOV: IVANOV - RAMO (1840-50)


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OS DEZ DA TRETYAKOV: AIVAZOVSKY - UMA TEMPESTADE NO MAR NEGRO (1881)


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OS DEZ DA TRETYAKOV: VERESHCHAGIN - OS VENCIDOS. OFÍCIO DOS MORTOS (1877-8)



No Abrupto serão reproduzidos dez quadros de pintura russa expostos na Galeria Tretyakov em Moscovo. A escolha é minha, e é como todas as escolhas. A ordem é arbitrária. São quadros muito conhecidos na Rússia, mas quase ignorados fora dela, e o mesmo acontece com os seus autores. É difícil num blogue dar uma ideia da força imensa destes quadros, alguns gigantescos de dimensão, outros com tão fino traço pictórico que os pormenores se perdem na reprodução. Mesmo assim, acho que vale a pena.

(Texto sobre Vereshchagin em breve)

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TUDO É RELATIVO. NOTAS RUSSAS 2

(Para o Almocreve das Petas no seu aniversário)

Moscovo. Biblioteca de Línguas Estrangeiras. Sala Oval. Estantes até ao tecto com livros alemães. Encadernações de luxo. Nenhum livro posterior aos anos vinte. Histórias de regimentos. Livros de aniversário do Kaiser. Pensei que a colecção datava da primeira guerra mundial, tendo talvez como origem uma biblioteca militar especializada, tal era a abundância de militaria. Talvez do exército czarista para estudar o inimigo alemão.

Era e não era. Ekaterina Genieva, directora da Biblioteca, no meio de uma conversa sobre a “grande guerra patriótica”, a segunda, disse de repente: “Estão a ver nesta biblioteca toda essa história. Um país normal não tem “bibliotecas de línguas estrangeiras”, tem bibliotecas. Isto foi uma invenção dos soviéticos para separar os livros. Estão aqui cinco milhões de volumes, em mais de cento e quarenta línguas, mas mais de dez mil são “livros-troféus”. Por exemplo, os que estão nesta sala.”

“Livros-troféus”, livros saqueados pelo Exército Vermelho de bibliotecas alemães durante e no final da II Guerra Mundial, e trazidos para a URSS como troféus de guerra, cuja devolução, junto com milhares de obras de arte, a Alemanha reclama. Estava tudo explicado.

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O VULCÃO TRAIDOR




hoje de manhã está coberto pela bruma, e descansa do fogo. Mas, no sábado passado, o Piton de la Fournaise merecia o nome, embora continue hesitante. Este rio de lava desceu do Piton de Bert, passou ao lado do Nez Coupé du Tremblet, mas assustou-se quando chegou às Grandes Pentes e parou em frente do Grand Brulé. Quando for grande quero ser "nomenclador" de vulcões tropicais.

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EARLY MORNING BLOGS 208

Le frais matin dorait

Le frais matin dorait de sa clarté première
La cime des bambous et des gérofliers.
Oh ! les mille chansons des oiseaux familiers
Palpitant dans l'air rose et buvant la lumière !

Comme lui tu brillais, ô ma douce lumière,
Et tu chantais comme eux vers les cieux familiers !
A l'ombre des letchis et des gérofliers,
C'était toi que mon coeur contemplait la première.

Telle, au Jardin céleste, à l'aurore première,
La jeune Ève, sous les divins gérofliers,
Toute pareille encore aux anges familiers,
De ses yeux innocents répandait la lumière.

Harmonie et parfum, charme, grâce, lumière,
Toi vers qui s'envolaient mes songes familiers,
Rayon d'or effleurant les hauts gérofliers,
O lys, qui m'as versé mon ivresse première !

La Vierge aux pâles mains t'a prise la première,
Chère âme ! Et j'ai vécu loin des gérofliers,
Loin des sentiers charmants à tes pas familiers,
Et loin du ciel natal où fleurit ta lumière.

Des siècles ont passé, dans l'ombre ou la lumière,
Et je revois toujours mes astres familiers,
Les beaux yeux qu'autrefois, sous nos gérofliers,
Le frais matin dorait de sa clarté première !


(Leconte de Lisle)

*

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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