ABRUPTO

11.11.09


EARLY MORNING BLOGS

1673 - Ninguém


Ninguém, na vasta selva virgem
Do mundo inumerável, finalmente
Vê o Deus que conhece.
Só o que a brisa traz se ouve na brisa
O que pensamos, seja amor ou deuses,
Passa, porque passamos.

(Ricardo Reis)

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10.11.09


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Passagem do tempo pela agricultura portuguesa. (Carlos Silva)



Tempo de dióspiros. (MJ)

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A DECADÊNCIA DO OCIDENTE



- Τι περιμένουμε στην αγορά συναθροισμένοι;
Είναι οι βάρβαροι να φθάσουν σήμερα.

- Γιατί μέσα στην Σύγκλητο μια τέτοια απραξία;

Τι κάθοντ' οι Συγκλητικοί και δεν νομοθετούνε;
Γιατί οι βάρβαροι θα φθάσουν σήμερα.
Τι νόμους πια θα κάμουν οι Συγκλητικοί;

Οι βάρβαροι σαν έλθουν θα νομοθετήσουν.


O que esperamos nós em multidão no Forum?
Os Bárbaros que chegam hoje.

Dentro do Senado, porque tanta inacção?

Se não estão legislando, que fazem lá dentro os senadores?

É que os Bárbaros chegam hoje.

Que leis haviam de fazer agora os senadores?

Os Bárbaros, quando vierem ditarão as leis.


As previsões sobre a "decadência do Ocidente" são antigas e recorrentes. Há cem anos estavam inscritas em muito do mais interessante pensamento desse mesmo Ocidente, de Nietzsche a Spengler. Os grandes movimentos totalitários do nazismo e do comunismo mantinham uma relação muito próxima com essa possibilidade, contrariada ou desejada, de "decadência". O nazismo usava uma análise spengleriana, assumindo ao mesmo tempo uma afirmação do Reich como corolário dos valores épicos europeus, e defendendo o Ocidente simultaneamente contra as "plutocracias", em particular os EUA, e a "barbárie bolchevista". O comunismo, por seu lado, mantinha a visão teleológica da história que vinha de Hegel, propondo-se ultrapassar a "decadência" do capitalismo pela utopia da sociedade sem classes.

Tudo o que era filosofia da história e movimento político assente numa interpretação ou numa variante do destino manifesto assumia como sua a missão de contrariar uma realidade tida como "decadente". Essa realidade era muito mais sentida quando a história parecia estagnar e não mover-se, entre as guerras, mas permaneceu sempre uma sensação de perda de vitalidade cultural e civilizacional. O fim do colonialismo e o complexo antieuropocêntrico que se lhe seguiu deram origem a muitas das ideias politicamente correctas que circulam nos nossos dias, como o multiculturalismo, versões de um relativismo cultural, civilizacional e político que legitima essa mesma "decadência".

Esta crise está também ligada a uma nova dimensão de "guerra cultural", e religiosa, associada ao conflito antiocidental com origem no fundamentalismo muçulmano, cuja expressão através de formas de terrorismo apocalíptico abriram o século com a destruição das Torres Gémeas. Face à dimensão de conflito cultural e civilizacional do fundamentalismo muçulmano, é muito nítida a dificuldade de resposta identitária, em tempos de multiculturalismo.


Uma cultura da catástrofe, outra forma de exprimir a decadência e a crise, só que com o factor da aceleração e surpresa, atravessou todo o século XX com altos e baixos, emergindo ou submergindo conforme a percepção pública dos riscos. A crise gerada pelo medo da guerra termonuclear nos anos cinquenta foi talvez a mais significativa, dando origem a uma cultura popular da catástrofe, que se expressou no cinema e na ficção científica, mas que também penetrou na teoria política através da erosão de todas as ideologias que mantinham um conceito de "guerra justa", como era o caso do comunismo. A impossibilidade de ganhar uma guerra termonuclear, o fundamento do Mutual Assured Destruction (MAD) que nos deu cinquenta anos de paz, ao pôr em causa a possibilidade de considerar a guerra como a expressão última da luta de classes mundial, a política pelos "meios violentos" de que falava Lenine, levou à destruição interior da coerência do marxismo-lenismo, e à sucessão histórica de expressões dessa implosão: a "coexistência pacífica" de Krutchev, o conflito sino-soviético e, por fim, a queda do Muro de Berlim.

O catastrofismo continua muito presente no pensamento político corrente, em particular na sua versão ecológica, através desta espécie de versão actual do medo do Milénio, a catástrofe oriunda das alterações climáticas, ou no medo das experiências com o Large Hadron Collider com as suas versões cinematográficas com grande sucesso popular. Estes medos são uma expressão de desconfiança no futuro e sinal de perda de controlo da realidade.

Dito tudo isto e sabendo-se muito bem que eminências de "decadências", catástrofes previstas para o dia ou o século seguinte são muito comuns, nem por isso deixa de ser possível que desta vez seja mesmo a sério. Que a "crise" actual que atravessamos, entendida como uma crise económica e financeira, seja mais do que isso uma expressão da tão temida "decadência do Ocidente", incluindo até uma sua variante clássica, a do "perigo amarelo". Na verdade, embora a crise actual tenha uma dimensão mundial, ela é desigual na sua expressão, e existe a percepção de que a competição da Europa e dos EUA com as novas potências "emergentes" se faz em desfavor dos primeiros.

A deslocação do dinamismo económico para a Ásia, com o papel crescente da China, está associada igualmente a uma dimensão político-militar. Quando se diz que o século XXI será "sino-americano", a maioria dos que o afirmam acham que o lado "sino" é muito mais importante do que o "americano". Para esta equação a Europa conta pouco e conta cada vez menos. Apesar da sua dimensão económica, a Europa perdeu qualquer papel relevante do ponto de vista diplomático-militar, e mesmo as condições da sua crise interior, apenas disfarçadas e adiadas pelo Tratado de Lisboa, atingiram um ponto de estagnação. O chamado "modelo social europeu" é insustentável a prazo e a sua debilidade face à crise económica e financeira revela como se alteraram os factores de competitividade na economia mundial e o dinamismo social que daí advêm.

Por tudo isto, pode ser que desta vez a "decadência do Ocidente" tenha mesmo chegado, e que este século conheça o fim da hegemonia económica, cultural e política da Europa, da cultura ocidental de raiz judaico-cristã. É possível também que a democracia conheça um recuo muito decisivo, uma crise que revele como era inconsistente a ideia "olimpiana" de que o sistema político democrático se iria generalizar após a queda do Muro de Berlim.





A chave de tal acontecer está, por muito bizarro que isso possa parecer aos nossos olhos já muito "decadentes", está onde sempre esteve: na existência de uma maior capacidade militar das democracias em relação aos seus adversários até porque todas as ditaduras têm sempre uma rota de colisão com as democracias. Por isso, a questão que pode fazer tudo mudar é saber até que ponto a segurança do "Ocidente" permanece garantida pela praticamente única democracia armada que existe, os EUA. É também por isso que a presidência Obama pode ser o momento de um desequilíbrio de forças que pode marcar de facto essa "decadência" de forma inelutável.

Και τώρα τι θα γένουμε χωρίς βαρβάρους.
Οι άνθρωποι αυτοί ήσαν μια κάποια λύσις.


E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros?

Essa gente era uma espécie de solução.


(Cavafy)

(Versão do Público de 7 de Novembro de 2009.)

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EARLY MORNING BLOGS

1672

"Patience and submission are very carefully to be distinguished from cowardice and indolence. We are not to repine, but we may lawfully struggle; for the calamities of life, like the necessities of nature, are calls to labour and diligence. When we feel any pressure of distress, we are not to conclude that we can only obey the will of Heaven by languishing under it, any more than when we perceive the pain of thirst, we are to imagine that water is prohibited."

(Samuel Johnson)

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9.11.09

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EARLY MORNING BLOGS

1671

"Choice of attention - to pay attention to this and ignore that - is to the inner life what choice of action is to the outer. In both cases, a man is responsible for his choice and must accept the consequences, whatever they may be."

(W. H. Auden)

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8.11.09

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NO ANIVERSÁRIO DO MUNDO DE BERLIM



Original não corrigido de um artigo que escrevi (em 1978?) quando atravessei o Muro pela primeira vez e que o Expresso censurou com o argumento de que era "excessivamente anticomunista" e "irrealista", dito pelo responsável pelos artigos de opinião na altura. Esse mesmo. Escrevi-lhe na altura a protestar, citando Wordsworth sobre as vantagens do "mal". Tenho cópia algures por aí. A República Democrática Alemã era considerado um facto imutável da política europeia e só os belicistas anti-comunistas podiam por em causa esse statu quo. Dez anos depois, aconteceu o que aconteceu.

(Clicar para ampliar.)










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COISAS DA SÁBADO: JOSÉ SÓCRATES NÃO SABE GOVERNAR (EM MINORIA) SEM SER A MANDAR (EM MAIORIA)

Fixem este título, porque esta é uma verdade que nem punho. Não há cá essas encenações entre a ovelhinha mansa e o animal feroz. É o que é e o que ele é, para melhor e para pior. Por isso, a única estratégia do PS e do governo é oscilar entre a cenoura e o pau, com prevalência para o pau, tratando a oposição como o clássico burro. Aliás o papel da cenoura é apenas fazer o burro andar ao mando do almocreve. A única estratégia de Sócrates é criar condições para que, em devido tempo, haja novas eleições que possam realizar-se num contexto em que o PS possa ter maioria absoluta.

Eu disse “criar condições”, porque elas não existem. Do mesmo modo que seria suicidário a oposição derrubar o governo, não é só a oposição que se encontra condicionada por este facto. O governo também. Por isso, a oposição têm que distinguir as provocações e denunciá-las.

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EARLY MORNING BLOGS

1670

"Some rise by sin, and some by virtue fall".

(Shakespeare, Mesure for Mesure, Acto II, cena I).

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7.11.09


COISAS DA SÁBADO: O ARGUMENTO “GERACIONAL” É PARA DUMMIES











O argumento “geracional” politicamente vale zero. Há gente péssima com vinte anos e gente excelente com setenta e vice-versa. Aliás ele só colhe acriticamente porque a sociedade actual vive de um modo esquizofrénico a questão da idade, porque, à medida que mais envelhece, mais cultiva a “juventude”. No passado ser “velho”, o que já se era aos quarenta anos, era tido como vantagem porque isso significava experiência, hoje significa senectude. É uma forma yuppie de pensar, mas insisto, em política, não vale nada. Pelo contrário, o argumento da “renovação” já vale alguma coisa, mas é muito traiçoeiro, principalmente quando se tem longas carreiras partidárias e “geracionalmente” só se tem isso para mostrar.

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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COISAS DA SÁBADO: COMPARAR O QUE NÃO PODE SER COMPARADO

Uma das pragas do nosso comentário político é a comparação indevida e o seu corolário, a falta da comparação devida. Na verdade, na política em democracia raras vezes as condições são comparáveis, de eleição para eleição, de comportamento para comportamento, de momento para momento. A política em democracia depende muito das circunstâncias e tem um componente experimental, de “experimentação”, soluções que podem e devem ser abandonadas caso se verifique que não resulta delas o Bem Comum.

Há evidentemente casos em que a comparação é mais que devida, em particular quando atinge questões de natureza ideológica, mas já mesmo em questões de natureza política, em particular da política quotidiana, deve imperar aquilo que Popper chamava “piecemeal reformism”, um reformismo fragmentário. Um certo tipo de comentário, muito comum nos blogues, considera que isto é oportunismo. Não, não é. Oportunismo é outra coisa.

Manuela Ferreira Leite, que é hoje politicamente muito incorrecto nomear quanto mais citar, várias vezes insistiu nos trabalhos internos de preparação do programa do PSD, e nalguns dos seus debates, que era da essência da política em democracia mudar as soluções quando mudavam as circunstâncias. Deu esse exemplo com o Pagamento Especial por Conta, medida que propôs e medida que pretendia extinguir em dois momentos diferentes. O PS gritava pela “incoerência”, mas gritava mal. Os tempos são diferentes.

Claro que as grandes opções da vida política tem componentes ideológicas, mas a lógica dos grandes sistemas ideológicos, fruto das revoluções combinadas, francesa e industrial, e em que tinha um lugar central, o Estado, a “ideologia” no sentido de corpo sistémico de doutrina, também se fragmentou. Há quem seja nostálgico desse mundo ordenado e linear, muito a preto e branco, esquerda e direita, liberalismo ou socialismo, conservador ou revolucionário. Isso hoje não há, só para os totalitarismos ou para os radicalismos. O que há é um mundo muito mais complexo, onde não existe nenhum Palácio de Inverno nem para tomar, nem para defender.

A memória é importante, mas não é para nos repetirmos, é para vermos as diferenças. E as semelhanças. Faz bem pensar nas instituições, faz bem pensar nos interesses permanentes do país, mas convêm em política ficar por aí, como sólido pano de fundo. O resto é “fuzzy“, o resto é “messy”. Nesse mundo, ganharíamos alguma coisa se falássemos do Programa de Governo, deste que existe, do Primeiro-ministro, este que existe, Sócrates ele-mesmo, deste PS, deste PSD, deste CDS, deste BE, deste PCP, que existem, como existem e não como desejaríamos que existissem, deste Orçamento que aí vem, deste Presidente da República, deste Portugal que existe em 2009, que não é o mesmo de 1985, de 1987, de 2002 e de 2005.

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EARLY MORNING BLOGS

1669

Coffined thoughts around me, in mummycases, embalmed in spice of words. Thoth, god of libraries, a birdgod, moonycrowned. And I heard the voice of that Egyptian highpriest. In painted chambers loaded with tilebooks. They are still. Once quick in the brains of men. Still: but an itch of death is in them, to tell me in my ear a maudlin tale, urge me to wreak their will.

(James Joyce)

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6.11.09


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1668 - Antes de Nós


Antes de nós nos mesmos arvoredos

Passou o vento, quando havia vento,

E as folhas não falavam

De outro modo do que hoje.


Passamos e agitamo-nos debalde.

Não fazemos mais ruído no que existe

Do que as folhas das árvores

Ou os passos do vento.


Tentemos pois com abandono assíduo

Entregar nosso esforço à Natureza

E não querer mais vida

Que a das árvores verdes.


Inutilmente parecemos grandes.

Salvo nós nada pelo mundo fora

Nos saúda a grandeza

Nem sem querer nos serve.


Se aqui, à beira-mar, o meu indício

Na areia o mar com ondas três o apaga,

Que fará na alta praia

Em que o mar é o Tempo?

(Ricardo Reis)

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5.11.09


EARLY MORNING BLOGS

1667

Nothing is more common than to find men, whose works are now totally neglected, mentioned with praises by their contemporaries as the oracles of their age, and the legislators of science. Curiosity is naturally excited, their volumes after long inquiry are found, but seldom reward the labour of the search. Every period of time has produced these bubbles of artificial fame, which are kept up a while by the breath of fashion, and then break at once, and are annihilated.


(Samuel Johnson)

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3.11.09

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EARLY MORNING BLOGS

1666

A list of some observation. In a corner, it's warm.
A glance leaves an imprint on anything it's dwelt on.
Water is glass's most public form.
Man is more frightening than its skeleton.
A nowhere winter evening with wine. A black
porch resists an osier's stiff assaults.
Fixed on an elbow, the body bulks
like a glacier's debris, a moraine of sorts.
A millennium hence, they'll no doubt expose
a fossil bivalve propped behind this gauze
cloth, with the print of lips under the print of fringe,
mumbling "Good night" to a window hinge.

(Joseph Brodsky)

*
O seu poema de Brodsky trouxe-me à memória a seguinte transcrição (que pode ver aqui) de parte do julgamento dele por parasitismo, em 1964:

juiz: E qual é a sua profissão em geral?

Brodsky: Poeta e tradutor.

juiz: Quem o reconheceu como poeta? Quem o inscreveu na lista dos poetas?

Brodsky: Ninguém. Quem me inscreveu como ser humano?

juiz: Estudou isto?

Brodsky: Isto?

juiz: Como tornar-se poeta. Não tentou terminar o liceu, onde se ensina, onde se prepara?

Brodsky: Não acho que se possa aprender isto na escola.

juiz: Então como?

Brodsky: Acho que... vem de Deus.

(José Carlos Santos)

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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© José Pacheco Pereira
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