ABRUPTO

7.4.10


EARLY MORNING BLOGS

1775 - I Could Give All To Time

To Time it never seems that he is brave
To set himself against the peaks of snow
To lay them level with the running wave,
Nor is he overjoyed when they lie low,
But only grave, contemplative and grave.

What now is inland shall be ocean isle,
Then eddies playing round a sunken reef
Like the curl at the corner of a smile;
And I could share Time's lack of joy or grief
At such a planetary change of style.

I could give all to Time except - except
What I myself have held. But why declare
The things forbidden that while the Customs slept
I have crossed to Safety with? For I am There,
And what I would not part with I have kept.

(Robert Frost)

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6.4.10


EARLY MORNING BLOGS

1774

There are only two truly infinite things, the universe and stupidity. And I am unsure about the universe.

(John Dryden)

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5.4.10


O AMADOR DE LIVROS PERANTE AS BIBLIOTECAS A MORRER


(Foto de António Leal.)

Se for pessimista posso dizer que tenho em casa várias bibliotecas mortas. Se quiser ser optimista, várias bibliotecas que salvei de morrer, algumas in extremis. Explico-me: no ofício de bibliófilo, de amador de livros, encontro-me muitas vezes com restos de bibliotecas, ou nalguns casos com bibliotecas inteiras, que recolho a casa, com as dificuldades que os livros transportam. Livros são matéria difícil e cara de manter: ocupam muito espaço, são muito pesados, ganham pó e humidade, bolores e uma fauna sinistra de insectos que já leram muito mais do que os humanos. Leram aliás de uma forma mais holística, comendo livros, jornais e revistas. Eu que sou gandhiano e vagamente budista em relação a todas as formas de vida - nunca se sabe que inimigos meus, ignorantes presumidos em vida, reincarnaram em caruncho ou "peixinhos de prata" por castigo divino - transformo-me num Átila diante desses bichos.

Não me refiro aqui a livros avulsos, porque livros avulsos mesmo que sejam muitos não fazem uma biblioteca. Refiro-me a bibliotecas verdadeiras, colecções privadas de livros que não são meros ajuntamentos, ou fachada para dar entrevistas e receber alguém num escritório. Uma regra, com fundamento na minha experiência, diz-me que a partir de mil livros a biblioteca não contém só livros mas a identidade do seu "autor". São estas bibliotecas que me interessam, muitas vezes mais do que os livros em si, mesmo quando não contém raridades bibliográficas. Bibliotecas que são parte de uma vida, livros que foram escolhidos por uma razão qualquer, que foram lidos pelo menos em parte, e que serviam mais de espelho do seu dono do que de fachada de estantes. E são essas bibliotecas que, na morte, são tão trágicas como é a morte de alguém.

Já as vi nas estantes, mas o que é mais comum é que quando ainda aí permanecem é porque já foram ou vão ser vendidas a algum alfarrabista ou esperam um leiloeiro. Na verdade, é esse o destino das bibliotecas com mais preciosidades, e que são vistas pelos herdeiros como um valor essencial da herança. Também aqui se compreende visto que nem toda a gente gosta de livros, nem tem as condições materiais para os manter. E não seriam capazes de lhes dar continuidade, como colecções valiosas que exigem muito. Nesse caso, e se a venda for bem feita, o catálogo é o último momento da integridade da biblioteca e, num certo sentido, fica aí a sombra da identidade do seu possuidor. E os livros alimentam outras bibliotecas e outras colecções. É aquilo que se pode chamar de morte digna, se é que há morte que seja digna.

Mas, mesmo bibliotecas preciosas morrem mal por ignorância e cupidez, de gente que quer despachar tudo rapidamente, e que quando se chega à biblioteca já hordas de herdeiros passaram tudo a pente fino para levar das encadernações mais vistosas aos lustres e naperons. Lustres e naperons, porque bibliotecas são coisa cada vez mais de gente antiga, porque nos apartamentos de Telheiras não há espaço para livros que se vejam, nem a "vida moderna" permite ocupar tanta parede. Só o "plasma" dá para uma estante inteira, ou melhor, não dá porque tira. Para além disso há normalmente um membro do casal, ou algum membro das formas actuais de uniões monogâmicas sucessivas - esta é uma história que já ouvi dezenas de vezes -, que conduz uma guerra surda ou sonora contra o "espaço" que ocupam os livros. E uma parte vai para a arrecadação, a mais antiga normalmente, a que foi comprada há mais tempo, e então revistas e jornais são periodicamente purgados da "vida moderna".

Não estou a condenar ninguém, a "vida moderna" não dá mesmo para ter livros que se vejam em casa. De passagem e com declaração de interesse: não deitem nada fora, eu vou à mais complicada arrecadação de terraço ou de garagem, buscar papéis para lhes dar outra vida. Não há garantias de eternidade, mas se depender do humano esforço, eu faço com gosto. Tomem este artigo como uma página de publicidade, verdade seja que não lucrativa. É para o "colectivo", como diz o PCP.

Neste cemitério dos livros, eu gosto de bibliotecas "comuns" feitas por gente comum que gosta de livros. Bibliotecas de autodidacta na província, feitas quase sempre por gente muito especial, verdadeiros excêntricos, muitas vezes solitários, com interesses muito especiais, obsessivos, que marcam as bibliotecas com a sua vida. Tenho uma de um homem com poucos estudos académicos, soldado da GNR, depois da Polícia de Viação e Trânsito, poliglota, missionário evangélico, que vivia sozinho, e que o único membro da família sobrante vendeu a peso a poucos dias da morte, como se fosse uma vingança qualquer para a excentricidade que se pode perceber do "autor" da biblioteca. Tenho a de Francisco Ferreira, o "Chico da CUF", o que sobrou do seu longo e acidentado périplo pelo exílio na URSS, com os seus clássicos russos em russo, Tolstoi, Tchekov, Lermontov, Turgueniev, mas também os dicionários que usava e os seus cadernos de autodidacta de exercícios de matemática. Tenho outra, mais pequena, mais de revistas, papéis, programas, partituras, desenhos, do que de livros, feita por um actor secundário de revistas do Parque Mayer, já há muito morto, e que foi mantida como memória pela viúva. Outra foi-me oferecida no final de um programa de rádio, um daqueles estandardizados em que se fala das "músicas da vida" na Antena 2, por um filho de um velho professor de liceu de Germânicas que me disse para a ir buscar porque as músicas que passei eram também do agrado do seu pai que tinha morrido. E lá trouxe uma pequena biblioteca cheia de Shakespeare, dos clássicos ingleses, de Goethe, de estudos de literatura alemã e inglesa feita nos anos quarenta e cinquenta. E lá veio também uma daquelas coisas que são marcas imediatas da identidade política, muitas vezes discreta, do seu autor: uma colecção do Diabo. Essas marcas são sempre as mesmas, o Diabo ou o Sol Nascente, as primeiras edições de Redol, de Ferreira de Castro, os livros da Biblioteca Cosmos.

Não tendo condições para manter os livros separados, eles dissolvem-se na biblioteca mais geral, mas digitalizo a capa dos livros numa pasta electrónica separada. Como não tenho tempo para fazer fichas, é assim que os organizo. Mas uma parte fica sempre separada: os papéis que vêm juntos, fora e dentro dos livros, as dedicatórias, os ex-líbris, e tudo que possa servir para lhes manter a identidade. E assim não morrem de todo.

(Versão do Público de 3 de Abril de 2010.)

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)





Fim de tarde no Rio Anços (Concelho de Pombal). (Vítor Xavier)

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EARLY MORNING BLOGS

1773

There was a presumptuous man of Niger
Who smiled as he rode on a tiger.
They returned from the ride
With the man inside
And the smile on the face of the tiger.

(Anónimo)

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4.4.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)





Algures no Parque Natural do Vale do Guadiana - cheiros: hortelã, oregãos, erva luísa, baunilha. (Fernando Correia de Oliveira)



Pôr-do-sol visto do porta-aviões Charles De Gaulle.

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EARLY MORNING BLOGS

1772 - “No, Master, Never!”

Or the true feelings of those slaves who say they would not be free. The following shows their feelings when they are free.

Old master always said,
Jack will never leave me:
He has a noble head,
He will not deceive me.
I will treat him every day
Kindly and clever,
Then he will not run away—
No, master, never!

One night I heard him say,
He was going to Cleveland,
A thought struck me right away,
That this was a free land.
I thought if I too could go,
The dearest ties I’d sever.
And never would come back no more—
Never! no, never!

The next morn at early dawn,
I heard old master knocking:
He says, “Jack, we must be gone—
Put on your shoes and stockings.”
Quickly I bounded out,
And got my clothes together,
And told my wife I’d not come back
No, Lizzie, never!

Soon we were on the way,
Toward the Forest City;
There to leave my wife a slave,
I thought it was a pity.
I heard mistress slightly say,
We’ll all keep together,
Or Jack will go to Canada,
No, says master, never!

Jack, says he, be wide awake,
And let nobody tease you;
And don’t go too near the lake—
The cold winds will freeze you!
Do you think I would run away,
And leave a man so clever,
And seek a home in Canada?
“No, master, never!”

We stopped at the Weddell House,
The thought then came o’er me,
That now’s the time to go across,
As many have gone before me.
I went down to the steamboat wharf
Got on the Jacob Astor,
And cried aloud as she shoved off,
Farewell, old master.

The next day, in Malden town,
Who should I see but master,
He says, Jack, you must go home,
You’ll starve and freeze to death sir.
Says I, you are a nice old man;
Very kind and clever;
But think I’ll wear my chains again?
“No, master, never!”

(Joshua McCarter Simpson)

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3.4.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Mar em S. Pedro de Moel.

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EARLY MORNING BLOGS

1771 - La Grenouille qui veut se faire aussi grosse que le boeuf

Une Grenouille vit un Bœuf
Qui lui sembla de belle taille.
Elle qui n'était pas grosse en tout comme un œuf,
Envieuse s'étend, et s'enfle, et se travaille
Pour égaler l'animal en grosseur,
Disant : Regardez bien, ma sœur ;
Est-ce assez ? dites-moi ; n'y suis-je point encore ?
Nenni. M'y voici donc ? Point du tout. M'y voilà ?
Vous n'en approchez point. La chétive Pécore
S'enfla si bien qu'elle creva.
Le monde est plein de gens qui ne sont pas plus sages :
Tout bourgeois veut bâtir comme les grands seigneurs,
Tout petit prince a des ambassadeurs,
Tout marquis veut avoir des pages.

(La Fontaine)

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2.4.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1770

Os servos nunca sentem tanta falta do primeiro senhor como quando experimentam o segundo.

(Esopo)

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1.4.10

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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MANUELA FERREIRA LEITE



Sempre disse que a eleição de Manuela Ferreira Leite em 2008 tinha sido um milagre no actual curso das coisas no PSD. Esse curso já dura há muito tempo e é a “normalidade”. O partido vinha de um Congresso que tinha aclamado por unanimidade Santana Lopes em vésperas de eleições, sem uma única voz crítica e as que existiam fora contavam-se pelos
dedos de uma mão. De uma mão, exactamente. Podiam ter peso na opinião pública, não o tinham no partido. Depois veio Marques Mendes que tinha “partido” consigo, mas que nunca analisou o que tinha acontecido em 2002-5, nem a fuga de Barroso, nem a governação Barroso – Lopes. Hoje toda a gente acha que sabe e dizia à vontade por que razão Manuela Ferreira Leite perdeu as eleições. Em 2005, quando era necessário fazer-se uma análise do que acontecera à última experiência governativa do PSD com o CDS-PP, ninguém teve a coragem de ir muito longe, nem Marques Mendes. Na verdade, compreende-se, todo o partido tinha estado comprometido, de novo com meia dúzia de excepções, e por isso era incómodo estar a discutir aquilo que tinha sido o desbaratar de uma tradição de qualidade governativa. Sócrates ganhou a maioria absoluta porque o PSD perdeu a honra de ser um partido que tinha tido uma grande qualidade de governação, com Sá Carneiro e Cavaco. Ainda hoje há uma parte da resistência do eleitorado a dar-lhe o seu voto por causa da percepção negativa da sua última experiência de governação.

Quando Marques Mendes pôs em causa a indiferença do partido face ao escândalo público gerado pelos casos de justiça, em particular os de Isaltino e o de Valentim Loureiro, e acabou prisioneiro do pântano lisboeta, o partido correu-o e deu o poder a Menezes. As razões foram as mesmas das do congresso que aclamou Santana Lopes unanimemente, quando já todos podiam perceber que se caminhava para o desastre: Menezes dizia que Marques Mendes nunca podia chegar ao poder e ele podia. Um partido que acredita que Menezes pode ser Primeiro-ministro de Portugal, merece o que lhe aconteceu. Depois foi o que se viu, um partido prisioneiro de um contínuo psicodrama, que terminou com uma deserção. Pode ser cómodo encontrar sempre nos críticos a explicação para tudo, mas não é pura e simplesmente verdade. Aliás a história da “bomba”, que me é atribuída falsamente, foi uma frase de Menezes que disse que não sairia “nem à bomba” e que eu glosei. Uma semana depois, saiu por razões completamente por explicar.

Depois veio Manuela Ferreira Leite que ganhou quase à tangente e que de facto era outra coisa, para o PSD e para a política portuguesa. Era alguém que estava na vida política sem ambição pessoal e de carreira, atitude tão rara hoje que se torna incompreensível, e que tinha uma posição de intransigência perante as modas e a “narrativa” teatral que hoje é a política. E depois falava de palavras que se tornaram hoje tão bizarras, como por exemplo “verdade”. Não preciso que me atirem com compêndios de ciência política para me explicarem que existe um enorme risco de confundir o discurso político com o de uma ética que remete sempre para o indivíduo. Já o escrevi várias vezes antes de sonhar sequer que Manuela Ferreira Leite iria suscitar este debate, que hostiliza o país habituado à mentira que somos hoje. Mas, numa política cada vez mais dominada pela espectacularização, pelo marketing, pelo soundbite, pela mentira orwelliana, existe de facto uma problema de “verdade” em política, problema puramente político.

E isso é um enorme incómodo para pessoas como Sócrates, mas também para uma comunicação social que vive da espuma dos dias e que comparticipa na mesma espectacularidade que constrói um contínuo entre políticos e jornalistas, cada vez mais iguais nos defeitos. O ódio que muita comunicação social mostrou a Manuela Ferreira Leite vinha de ela ser um exemplo vivo do contrário e ter dito aquilo que era preciso dizer, mesmo quando o país não o queria ouvir. Disse-o sobre as grandes obras públicas, a dívida, a situação social, a economia fictícia de Sócrates, a crise que havia antes e a que houve depois. E foi a única a dizê-lo no sistema político. Hoje todos a repetem, obviamente sem lhe reconhecer o mérito. E disse-o porque era “verdade” e a mentira que se lhe opunha deixa todos os dias os portugueses mais pobres e o país mais dependente.

Fez asneiras? Certamente que fez, umas de sua responsabilidade, outras de responsabilidade colectiva da sua direcção que, salvo raras excepções, a deixou sozinha logo que perdeu as eleições. Falhou numa eleição, como antes tinham falhado Sá Carneiro, Cavaco, Nogueira, Barroso, Lopes, em circunstâncias diferentes e em momentos diferentes, com mais ou menos responsabilidade subjectiva. Mas todos os dias, a começar pelo governo no PEC e a acabar nos que a criticaram dentro do PSD, toda a gente lhe dá contrariada a razão que nunca lhe reconheceu quando era preciso e era fundamental para evitar os enormes custos que os portugueses vão ter que pagar pela mentira. É que a “verdade” acabou por vir ao de cima.

O falhanço eleitoral, para que uma parte do partido contribuiu activamente, foi tratado de forma diferente de todos os anteriores, com sanha e ódio porque o que estava em causa era uma personalidade que afronta muita gente pelo simples facto de existir. Há quem no PSD veja com grande alívio o afastamento de Manuela Ferreira Leite. Mas não tenho dúvida que maior alívio tem o PS e José Sócrates.

(Versão da Sábado de 31 de Março de 2010.)

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EARLY MORNING BLOGS

1769 - From The Frontier Of Writing

The tightness and the nilness round that space
when the car stops in the road, the troops inspect
its make and number and, as one bends his face

towards your window, you catch sight of more
on a hill beyond, eyeing with intent
down cradled guns that hold you under cover

and everything is pure interrogation
until a rifle motions and you move
with guarded unconcerned acceleration—

a little emptier, a little spent
as always by that quiver in the self,
subjugated, yes, and obedient.

So you drive on to the frontier of writing
where it happens again. The guns on tripods;
the sergeant with his on-off mike repeating

data about you, waiting for the squawk
of clearance; the marksman training down
out of the sun upon you like a hawk.

And suddenly you're through, arraigned yet freed,
as if you'd passed from behind a waterfall
on the black current of a tarmac road

past armor-plated vehicles, out between
the posted soldiers flowing and receding
like tree shadows into the polished windscreen.

(Seamus Heaney)

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© José Pacheco Pereira
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