| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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24.6.07
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 24 de Junho de 2007 Hoje o Primeiro-ministro e o Presidente da República vieram dizer-nos que não se pode desde já tomar o compromisso do referendo, "porque ainda não se sabe como vai ser o tratado". O Primeiro-ministro foi mais longe e acusou os que pretendem desde já garantir que haja referendo, conforme aliás com os compromissos de PSD e PS, de que se continuassem a falar disso "prejudicariam" Portugal e a Presidência portuguesa. Esta acusação, quase uma ameaça, é um completo absurdo e deve ser recusada com veemência.O que se está a preparar percebe-se demasiado bem. Deixar o tempo correr, tentar dar ao país a pequena glória mundana de ter um tratado que se chama "de Lisboa", mesmo que seja mau, e depois impor a política do facto consumado: com tudo decidido, tudo escrito e assinado com pompa "para salvar a Europa", etc., etc., chegar-se-á à conclusão-imposição de que querer vir então ofuscar a glória do Tratado de Lisboa com um referendo, é não só inútil como antipatriótico e, em nome dos "superiores interesses nacionais", passa-se à frente. O sentido anti-democrático desta operação é tanto maior quanto, ao mesmo tempo, se diz que este novo tratado mantém tudo o que é importante na Constituição Europeia, recusada em dois referendos e ameaçada de recusa em outros, e que implica mudanças de fundo em todos os aspectos da União Europeia. Como é possível neste caso vir dizer que se tem que "esperar pelo que vem no tratado"? Não se sabe? Não é o que se publicitou dos resultados do Conselho Europeu? O que é que "prejudica" desde já garantir que em Portugal há referendo? Bem pelo contrário, é a falta de transparência que "prejudica" o processo europeu e gerará mais polémica do que a afirmação clara de que os compromissos serão respeitados e os portugueses votarão logo que exista um texto. A continuar assim, os povos e as nações da Europa têm que começar a perceber que não existe o direito a dizer que "não", só podem dizer "sim". E se ousarem dizer "não" haverá sempre um truque qualquer para os fazer passar por dizer "sim". Isto não vai acabar bem. Etiquetas: Europa, União Europeia (url)
© José Pacheco Pereira
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