ABRUPTO

20.6.07


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ÁTOMOS E BITS

de 20 de Junho de 2007


A espantosa facilidade, a evidente vontade, o desejo à flor da pele, com que os políticos (e não só) gostam de arranjar moratórias para a política, do género de "a política segue dentro de momentos", é uma das réstias da herança dos nossos quarenta e oito anos de ditadura. Agora é a Presidência portuguesa como pretexto para mais uma moratória para a política (sempre entendida nestes momentos como coisa menor), anunciada por, imagine-se, Alberto João Jardim e secundado por Marques Mendes.

Isto não tem pés nem cabeça. A política, o conflito político, o confronto partidário, numa sociedade democrática, nunca pára. E aqueles que pensam suspendê-la em nome de "altos interesses" (ou seja de algumas políticas) acabam por ver o seu lugar ocupado por outros. No caso português, o melhor presente que se podia dar ao governo na sua política interna (e mesmo na política europeia), seria suspender a crítica em nome dos interesses de uma "boa" Presidência portuguesa, ela própria tão sujeita a críticas como tudo. Aliás, não passaria pela cabeça de ninguém em Espanha, na Alemanha, na França, no Reino Unido, ir agora "parar" a política por causa da Presidência da União. Tão provincianos que nós somos!

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© José Pacheco Pereira
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