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semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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15.1.07
![]() BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006 VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR (beta) NOTAS DE ABERTURA BOAS COISAS Novos jornais: Levanta-se o Sol e melhora o Expresso. O Expresso melhorou muito signicativamente com o seu novo formato e com algumas mudanças na arrumação interior. O Sol quer ser tudo e mais alguma coisa e isso tem um preço: quando têm notícias elas tendem a ser desvalorizadas O papel crescente das novas tecnologias na comunicação social portuguesa: os podcasts na rádio, o sector multimédia da RTP/RDP e o Sapo XL ( mais ligado à SIC ) com um canal na internet. O Provedor do Público mostra que começa a existir, pela primeira vez na história recente da comunicação social portuguesa, um ambiente favorável à verificação da qualidade do trabalho jornalístico. Esse controlo deve vir dos pares e dos leitores, do debate público e do trabalho científico e não de qualquer regulação imposta pelo Estado. É o debate público a solução. Felizmente os tempos mudaram e hoje começam, ainda que de modo ténue, a ver-se os resultados e acima de tudo as vantagens. No caso português dois factores foram fundamentais: o trabalho de alguns Provedores dos Leitores e os blogues. O Provedor dos Leitores do Público não caiu nem na complacência corporativa nem no receio de ser mal visto pelos jornalistas da casa. Melhorias gráficas nos jornais (Diário de Notícias, por exemplo) e excelentes ilustradores e cartonistas num número significativo de jornais (Expresso, Diário de Notícias, Público, etc.), uma massa crítica com uma qualidade ímpar tendo em conta a pequenez do nosso meio comunicacional. O Correio da Manhã é um bom jornal. É o que pretende ser e acaba por ser mais alguma coisa do que aquilo que pretende ser. A imprensa de distribuição gratuita está boa, e é cada vez mais e mais diversificada. A Sábado é o órgão de comunicação social portuguesa mais subestimado, vítima das “sinergias” que lhe faltam: não tem quem puxe pelas suas notícias nos outros órgãos de comunicação social. Mas que tem notícias, isso tem, por detrás daquelas capas sensacionalistas. Repito ipsis verbis o que disse o ano passado acrescentando que o sucesso da Sábado face à Visão levou-a a ultrapassá-la nas vendas em banca, o que é um feito. A Visão precisa mesmo de levar uma volta. Alguns dos programas do Prós e Contras foram os melhores (nalguns casos os únicos) debates sobre matérias de interesse público. Na nossa "era dos engraçadinhos" o humor tornou-se prato forte das televisões. Há de tudo, bom e mau. O Gato Fedorento é o melhor de longe, mas está a seguir o ciclo perigoso de Herman José: o sucesso começa a ter o preço do desgaste que resulta de muitos programas, muitas horas, muita publicidade e não há graça que sustente tanto "humor". Herman José na sua queda, não deixando de ser o génio do humor que sempre foi (e estou certo que voltará), deve olhar para trás e reconhecer nos Gatos o mesmo caminho que ele trilhou assombrado pelas mesmas tentações. As séries da Fox no cabo, e nas séries, as da HBO. Muito dividido entre os Sopranos e Deadwood, inclino-me para considerar Deadwood a melhor série televisiva que jamais vi, depois da Twilight Zone original. Na SIC Notícias: Mário Crespo. Crespo tem um estilo de entrevista informado, estudioso, empático, que resulta muito bem no espaço temporal de que dispõe. A saída de João Adelino Faria é uma perda importante para a SICN. Na blogosfera: o debate político. Os blogues políticos de todas as cores continuam a ser a parte mais dinâmica da blogosfera, contra todas as cíclicas previsões em contrário. O debate pode ter todos os defeitos da "atmosfera", mas tem também qualidades que só há na blogosfera. Repito ipsis verbis o que disse o ano passado.Pelo contrário, o papel da blogosfera nas micro-causas esbateu-se, em parte pela banalização do termo e da função, noutra parte, porque a imprensa em papel pega rapidamente nos temas da blogosfera e apaga a assinatura original. Os blogues de jornalismo também perderam alguma acuidade e foram menos activos e menos críticos. Livros e revistas sobre jornalismo.COISAS MÁS / PÉSSIMAS A política comunicacional governativa. O objectivo de todos os governos face à comunicação social é sempre o mesmo: controlá-la, quando não se consegue controlá-la, moldá-la, quando não se consegue moldá-la, neutralizá-la, quando não se consegue neutralizá-la, penalizá-la. O actual governo do PS beneficia das velhas vantagens que os socialistas sempre tiveram na comunicação social, um número significativo de jornalistas está melhor com o PS (a "esquerda") no governo do que com o PSD ou o CDS (a "direita"). Isto é verdade para jornalistas da "esquerda", mas também para muitos da "direita" (veja-se a imprensa de "negócios"). Mas, a esta velha realidade, o actual governo soma outras: tem maioria absoluta e fraca oposição, tem muito tempo à sua frente para governar. Isso permite-lhe nomear as pessoas-chave para os lugares-chave, o principal mecanismo de controlo da informação nos dias de hoje, num número significativo de cargos dado o peso da nossa comunicação social estatal. Através de decisões "económicas" ou de regulação, pode usar a cenoura e o pau para os grupos privados, beneficiando também da enorme dependência que em Portugal existe do Estado e do governo em múltiplas decisões que deveriam estar fora do Estado e da política e não estão. Por fim, unindo muito significativamente num mesmo ministro uma função puramente política (os "assuntos parlamentares") com a comunicação social, usa o governo para legislar por forma a manter um controlo rígido sobre o sector. Entidade Reguladora para a Comunicação Social. A ideia da sua existência já é má, a sua actuação tem sido péssima. Recebida com alguma expectativa, a que não era alheia uma certa benevolência depois do descalabro da Alta Autoridade, a ERCS auto-imolou-se na forma como tratou da questão da crítica do Público à governamentalização da RTP. A ausência de programas de informação nas televisões generalistas. Na RTP: a cobertura dos assuntos da UE. A imprensa generalista cai. Agravou-se a crise e a solução não está em mais do mesmo (não há solução evolutiva, evolucionista), mas em pensar de forma radical, a nova economia global da comunicação. Em papel, na rádio, nos ecrãs (televisão e computador) e na Rede . A Antena 2 é demasiado loquaz . Não mudou. Truques na blogosfera portuguesa para incrementar visitas e ligações artificialmente. À medida que a blogosfera se torna mais relevante quer no plano político, quer no plano dos negócios, a tentação de usar mil e um pequenos truques - criação de falsos blogues, criação de redes de blogues densamente ligados por referências mútuas para subir no rankings, colocação estratégica de contadores, truques de indexação para aparecer no Google, número elevado de auto-ligações, etc., etc. - tem vindo a crescer. Na 2: Clube dos Jornalistas, perdeu qualidade e relevância. Começou a ter “causas” e a querer ouvir dos seus convidados a justificação dessas “causas”. Perdeu interesse e tornou-se mais conformista com o velho jornalismo do que o que já era. Os blogues dos jornais em geral. Há excepções, mas a regra é má. O Público é a excepção e tem a melhor série de blogues, com Ponto Media, o excelente Arte Photographica, e o Timor . Foi pena ter perdido o Da Rússia de José Milhazes. Os blogues do Expresso são a regra. No seu conjunto, esses blogues não são vistos como tais pelos seus pares como se verifica pela quase ausência de citação. É como se não existissem. A versão em linha do Diário de Notícias que tem um sítio mal feito, mal desenhado, desleixado e mal mantido. Já me aconteceu várias vezes encontrar entrevistas em que o entrevistado nunca chega a ser identificado em linha, pelo que não se sabe de quem são as declarações. O Público alargou as matérias acessíveis sem assinatura, o que é uma evolução positiva, e tem o melhor sítio na Rede. O excesso de futebol em todas as televisões, mas com mais gravidade na RTP que por ser "serviço público" devia escapar às pressões das audiências. O futebol invadiu o horário nobre, o burguês e o plebeu. Invadiu os telejornais, os programas de informação, numa dose que duvido sequer existir nas televisões sul-americanas. A tendência crescente para a violação da intimidade e da privacidade em toda a imprensa, de referência e "cor de rosa". O Expresso e o Sol deram exemplos negativos e o que se passa nas revistas "cor de rosa", do jet set, do "coração" e quejandos, já ronda o mais miserável voyeurismo. A política de gestão de canais da TVCabo.* Não concordo com a opinião expressa sobre as entrevistas de Mário Crespo na SIC Notícias. Etiquetas: comunicação social, jornalismo (url)
© José Pacheco Pereira
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