| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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19.5.06
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES) (19 de Maio de 2006) ![]() ![]() ![]() __________________________ A ler: LIBERDADE E UTOPIA no Kontratempos. * A pergunta O QUE É QUE ACONTECEU AO INQUÉRITO "URGENTE" PARA SABER COMO É QUE LISTAS DE TELEFONES E TELEFONEMAS DE ALTAS INDIVIDUALIDADES DO ESTADO FORAM PARAR AO "ENVELOPE 9" DO PROCESSO CASA PIA? tem pés para andar, porque é uma exigência cívica. Hoje Eduardo Prado Coelho retoma-a no Público: "Acontece que o mundo mediático tem uma regra (que vai contaminando as diversas áreas da nossa existência): pega num tema, explora-o até à exaustão e depois esquece-o e passa a outro para evitar a saturação dos leitores. E as coisas desaparecem na voragem da memória. E há quem se aproveite destas coisas para continuar a sobreviver na nossa vida pública. Neste caso, estamos perante um verdadeiro escândalo." * Mário Crespo na SICN fez a melhor entrevista a Carrilho até agora realizada sobre o seu livro. Com um interlocutor difícil, sem nunca ultrapassar a condição de entrevistador, tendo estudado a matéria e sem preconceitos corporativos, fez perguntas certeiras para as quais não houve resposta cabal. E tirou do livro de José Gil uma interpretação certa, que um filósofo como Carrilho, que também cita Gil a propósito da inveja, perceberá que se lhe aplica. Onde, no seu livro, está "inscrita" a derrota eleitoral de Lisboa? Cito da entrevista de Gil ao Público, a parte relevante: P. — É aquilo a que chama "não inscrição". Que significa? (url) (url)
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Before The World Was Made If I make the lashes dark And the eyes more bright And the lips more scarlet, Or ask if all be right From mirror after mirror, No vanity’s displayed: I’m looking for the face I had Before the world was made. What if I look upon a man As though on my beloved, And my blood be cold the while And my heart unmoved? Why should he think me cruel Or that he is betrayed? I’d have him love the thing that was Before the world was made. (William Butler Yeats) * Bom dia! (url) 18.5.06
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES) (18 de Maio de 2006) ![]() ![]() ![]() __________________________ Com pés para andar: as "micro-causas", uma invenção cá da casa, tem no Miniscente uma primeira análise substantiva. And now for something completely different: O QUE É QUE ACONTECEU AO INQUÉRITO "URGENTE" PARA SABER COMO É QUE LISTAS DE TELEFONES E TELEFONEMAS DE ALTAS INDIVIDUALIDADES DO ESTADO FORAM PARAR AO "ENVELOPE 9" DO PROCESSO CASA PIA? (url) A VITÓRIA PÓSTUMA DO XVI GOVERNO CONSTITUCIONAL Hoje, muita gente que deu o chamado "benefício da dúvida", ou até bem mais do que isso, ao dr. Lopes, abomina-o com vigor... e sem memória. Eu, que nunca lhe dei esse benefício, estou à vontade para ver o pano de fundo em que ele cresceu, e por breves momentos venceu, e perceber que esse pano de fundo está cá bem mais ancorado do que parece. A personagem que o simbolizava "anda por aí", mas o mundo que o criou está bem mais "por aqui" do que muitos querem ver. ![]() Este mundo tradicional é modernizado para os dias de hoje, pelo espectáculo, em particular por vidas vividas como um reality show. Por isso mesmo, outra vingança póstuma do chefe do XVI Governo Constitucional foi ver uma das suas Némesis, Manuel Maria Carrilho - Némesis idêntica porque ambos fizeram a mesma "política cultural" moldada em Jacques Lang, só que com clientelas distintas -, a não perceber que o mundo lá fora tem ruído e que a imensa imagem que temos de nós próprios não o transforma em espelho. O dr. Lopes viu-se assim com alguém a seguir a sua escola de pensamento sobre a correlação entre derrotas eleitorais e conspirações comunicacionais. Exemplos absolutamente idênticos abundam. A única diferença é que o chefe do XVI Governo Constitucional nunca gozou da complacência com que o dr. Carrilho é recebido, muito para além da substância igualmente autista do seu livro, com artigos que lhe louvam a "coragem" da denúncia e respeitáveis professores de comunicação a levá-lo a sério, quando nada, insisto nada, é diferente na mecânica do seu livro com as elucubrações do "menino guerreiro". Ambos demonstram a veracidade do ditado: "Se vives pela imprensa, morres pela imprensa." Quer um quer outro brincaram com um fogo perigoso, o da exposição pública com fins promocionais, ou seja, em política, eleitorais. A vaidade de aparecer corroeu-lhes o ser e, se em Carrilho isso é mais devastador devido à sua indiscutível obra intelectual, iguala-o a Lopes no produto final. A vitória póstuma do XVI Governo Constitucional ao ver florescer o seu mundo em pleno socialismo não é um epifenómeno. O mesmo Portugal que o fez, desfê-lo como uma personagem do Purgatório de Dante dizia: "Siena mi fé, disfecemi Maremma." Mas desfê-lo para o recriar, desfê-lo porque havia uma eficácia que ele não lhe trazia nem podia trazer: o cenário politicamente mais correcto para o Portugal do dr. Lopes é o de um socialismo manso, que pague o custo retórico do "social" dos pobres, mas que deixe brilhar esse outro "social", o da nossa pobre classe média deslumbrada com expectativas mais caras do que as pode pagar. Foi já assim em Espanha, com Felipe González e os seus novos-ricos. A história é sempre irónica, quando não é trágica. (No Público de hoje.) (url) TER UM PENSAMENTO DE ESTADO SOBRE O ESTADO é o que manifestamente o PS não tem. A proposta para restringir drasticamente a possibilidade de suspensão do mandato dos deputados é mais uma medida ad hoc, pontual, desirmanada, demagógica e que nada tem a ver com qualquer problema sério do Parlamento. Segue a linha autopunitiva e desqualificadora de muitas outras medidas, igualmente pontuais e demagógicas, tomadas nos últimos anos e completamente inúteis porque atiram ao lado. Teria sido muito mais útil e prestigiante se, de uma vez por todas, se acabasse com a efectiva promiscuidade de alguma grande advocacia, ao mesmo tempo participante num orgão de fiscalização do Estado e clientelar desse mesmo Estado, mas sobre isso impediu que alguma coisa se fizesse. Mais um passo na degradação do Parlamento. (url) BIBLIOFILIA: AMERICANA Kevin Phillips, American Theocracy : The Peril and Politics of Radical Religion, Oil, and Borrowed Money in the 21stCentury E.B. White, Here is New York Michael R. Gordon / Bernard E. Trainor, Cobra II : The Inside Story of the Invasion and Occupation of Iraq (url)
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Encostei-me Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos, E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício. A minha vida passada misturou-se com a futura, E houve no meio um ruído do salão de fumo, Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez. Ah, balouçado Na sensação das ondas, Ah, embalado Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã, De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas, De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali, Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse. Ah, afundado Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono, Irrequieto tão sossegadamente, Tão análogo de repente à criança que fui outrora Quando brincava na quinta e não sabia álgebra, Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento. Ah, todo eu anseio Por esse momento sem importância nenhuma Na minha vida, Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos — Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma, Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro. (Álvaro de Campos) * Bom dia! (url) 17.5.06
RETRATOS DE UM MUNDO LITERÁRIO ANTIGO
Luiz Pacheco , Cartas ao Léu. Vinte e duas cartas de Luiz Pacheco a João Carlos Raposo Nunes, Organização e notas de António Cândido Franco, Vila Nova de Famalicão, Quasi, 2005 ![]() As cartas de Pacheco não têm interesse quase nenhum, mas as notas de António Cândido Franco valem o livro. Elas são o retrato de um certo mundo literário marginal, que existia nas franjas dos autores e editores mais estabelecidos. Em muitas destas notas, ainda se vai mais longe no recenseamento quase erudito da marginalidade, sai-se da Cervejaria Trindade e da Brasileira do Chiado para a província, Setúbal. Este mundo não era parco em deixar traços por todo o lado, livros de autor, brochuras, manifestos, artigos mendigados nos suplementos literários que já desapareceram. Aqueles que por lá andavam queriam ser ouvidos, tinham pouca ironia sobre a sua voz, tomavam-se a sério, atravessavam muitas dificuldades económicas para pagar do seu bolso uma edição, ficavam a dever dinheiro a toda a gente (uma especialidade sobre a qual Pacheco muito escreve), alguns tiveram fim trágico. Sem muito do que Pacheco escreveu e sem trabalhos como o de António Cândido Franco, estariam ainda mais esquecidos do que o que estão. Hoje são uma espécie morta, sem livros como este, nem se sabia deles. (url) (url) LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES) (17 de Maio de 2006) ![]() ![]() ![]() __________________________ Fotografia como saber: a "arquitectura da densidade" de Michael Wolf. (url) OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: A MÁQUINA DO MUNDO
Vistos pela sonda Cassini, o pequeno Epimeteu, o grande Titã e os anéis que anunciam o gigante Saturno. (url)
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A Man Said to the Universe A man said to the universe: "Sir I exist!" "However," replied the universe, "The fact has not created in me A sense of obligation." (Stephen Crane) * Bom dia! (url) 16.5.06
CRISE? DESPEDIMENTOS? DEPRESSÃO? Qual quê! Jogo no Casino, futebol por todo o lado, fado e touros. Parece o Titanic com a orquestra a tocar.
![]() (url) (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: POLÍTICA FISCAL (RÉPLICA DE ANTÓNIO LOBO XAVIER A MANUEL ANSELMO TORRES) ![]() Desculpem-me os leitores do abrupto por voltar ao tema entediante da política fiscal, mas o Manuel Anselmo Torres merece-me muita consideração, pelo que não pode ficar sem réplica, enquanto o José Pacheco Pereira não me expulsar. 1 – Nem de longe nem de perto pretendi sustentar dogmaticamente – como poderia fazê-lo? – a inevitabilidade da isenção das mais-valias para efeitos de IRS. É claro que a progressividade das taxas de um imposto sobre as pessoas físicas é compatível com a tributação dos ganhos fortuitos: o problema consiste justamente em saber se se justifica que estes últimos recebam naquele um tratamento especial, em homenagem à sua particular natureza. A comissão da reforma fiscal, em 1988, optou por responder afirmativamente a esta questão, em nome de algumas das referências que escrevi no primeiro post (está no preâmbulo do Código). 2- Lamento, mas não é verdade que o efeito de restrição da venda (lock-in) só se verifique quando a tributação das mais-valias é mais gravosa do que a que corresponde aos restantes rendimentos. Em face de um imposto progressivo e admitindo que o aumento do valor de um certo bem se formou ao longo de vários anos, é óbvio que a tributação da mais-valia no momento da respectiva realização tenderá a ser mais gravosa do que na hipótese em que se pudesse tributar uma fracção em cada ano (efeito de bunching). Em face desta circunstância, admite-se que o proprietário do bem possa prolongar a sua detenção – especialmente quando o sistema também isenta as transmissões por morte, em certos casos -, com o que se introduz uma distorção fiscal à circulação da propriedade. Trata-se de um efeito teórico? Provavelmente, mas era nesse exacto plano que me colocava quando escrevi. 3 – O facto de não se admitir a comunicação de perdas, para efeitos de IRS, entre as diversas categorias do imposto, não justifica que se isente uma categoria? Claro que não justifica. O que eu criticava era justamente os que, no discurso político, advogam a unidade do imposto só quando isso significa agravamento da tributação do capital, esquecendo os movimentos em sentido inverso que a mesma unidade igualmente reclama. 4 – Ao contrário do que o Manuel Anselmo Torres escreve, há dupla tributação económica – porque não se integra completamente a tributação das pessoas e das sociedades - quando eu tributo o lucro da sociedade e a mais-valia realizada pelo accionista. A manifestação de riqueza subjacente é a mesma, e é com esse motivo que alguns países (Canadá, v.g.) justificam expressamente o seu próprio regime de isenção de mais-valias relativo à venda de participações sociais. Não sou eu que o digo, mas “pessoas que sabem muito mais do que eu” - não, não vou fazer citações, resisto a essa presunção -, justamente como uma consequência do princípio da unidade da tributação do rendimento (e da ideia de que a tributação das sociedades constitui apenas uma espécie de retenção na fonte relativamente à tributação das pessoas). É claro, cada sistema sabe os níveis de dupla tributação com que consegue viver… 5 – Admitir a dedução dos encargos financeiros com uma aquisição (OPA) é permitir a erosão da base tributável? Eu chamo a isso permitir a tributação de acordo com o rendimento real. A diferença é muito grande, muito maior do que todas as que se encontram acima. Estamos frequentemente de acordo com muitas coisas, não há mal nenhum em que não seja com tudo. (ANTÓNIO LOBO XAVIER) * Prometendo ao António Lobo Xavier aprofundar o debate em próxima ocasião sem tomar reféns os leitores do abruto, diria apenas que não discordamos tanto quanto possa parecer... mas não há tema político mais traiçoeiro que o fiscal. (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: RÉPLICA DE ANTÓNIO LOBO XAVIER A MANUEL ANSELMO TORRES SOBRE POLÍTICA FISCAL ![]() [Na sequência de LENDO / VENDO /OUVINDO (11 de Maio de 2006) e O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: IMPOSTOS E DEMAGOGIA. ] Desculpem-me os leitores do abrupto por voltar ao tema entediante da política fiscal, mas o Manuel Anselmo Torres merece-me muita consideração, pelo que não pode ficar sem réplica, enquanto o José Pacheco Pereira não me expulsar. 1 – Nem de longe nem de perto pretendi sustentar dogmaticamente – como poderia fazê-lo? – a inevitabilidade da isenção das mais-valias para efeitos de IRS. É claro que a progressividade das taxas de um imposto sobre as pessoas físicas é compatível com a tributação dos ganhos fortuitos: o problema consiste justamente em saber se se justifica que estes últimos recebam naquele um tratamento especial, em homenagem à sua particular natureza. A comissão da reforma fiscal, em 1988, optou por responder afirmativamente a esta questão, em nome de algumas das referências que escrevi no primeiro post (está no preâmbulo do Código). 2- Lamento, mas não é verdade que o efeito de restrição da venda (lock-in) só se verifique quando a tributação das mais-valias é mais gravosa do que a que corresponde aos restantes rendimentos. Em face de um imposto progressivo e admitindo que o aumento do valor de um certo bem se formou ao longo de vários anos, é óbvio que a tributação da mais-valia no momento da respectiva realização tenderá a ser mais gravosa do que na hipótese em que se pudesse tributar uma fracção em cada ano (efeito de bunching). Em face desta circunstância, admite-se que o proprietário do bem possa prolongar a sua detenção – especialmente quando o sistema também isenta as transmissões por morte, em certos casos -, com o que se introduz uma distorção fiscal à circulação da propriedade. Trata-se de um efeito teórico? Provavelmente, mas era nesse exacto plano que me colocava quando escrevi. 3 – O facto de não se admitir a comunicação de perdas, para efeitos de IRS, entre as diversas categorias do imposto, não justifica que se isente uma categoria? Claro que não justifica. O que eu criticava era justamente os que, no discurso político, advogam a unidade do imposto só quando isso significa agravamento da tributação do capital, esquecendo os movimentos em sentido inverso que a mesma unidade igualmente reclama. 4 – Ao contrário do que o Manuel Anselmo Torres escreve, há dupla tributação económica – porque não se integra completamente a tributação das pessoas e das sociedades - quando eu tributo o lucro da sociedade e a mais-valia realizada pelo accionista. A manifestação de riqueza subjacente é a mesma, e é com esse motivo que alguns países (Canadá, v.g.) justificam expressamente o seu próprio regime de isenção de mais-valias relativo à venda de participações sociais. Não sou eu que o digo, mas “pessoas que sabem muito mais do que eu” - não, não vou fazer citações, resisto a essa presunção -, justamente como uma consequência do princípio da unidade da tributação do rendimento (e da ideia de que a tributação das sociedades constitui apenas uma espécie de retenção na fonte relativamente à tributação das pessoas). É claro, cada sistema sabe os níveis de dupla tributação com que consegue viver… 5 – Admitir a dedução dos encargos financeiros com uma aquisição (OPA) é permitir a erosão da base tributável? Eu chamo a isso permitir a tributação de acordo com o rendimento real. A diferença é muito grande, muito maior do que todas as que se encontram acima. Estamos frequentemente de acordo com muitas coisas, não há mal nenhum em que não seja com tudo. ANTÓNIO LOBO XAVIER (url) 15.5.06
O QUE É QUE ACONTECEU AO INQUÉRITO "URGENTE" PARA SABER COMO É QUE LISTAS DE TELEFONES E TELEFONEMAS DE ALTAS INDIVIDUALIDADES DO ESTADO FORAM PARAR AO "ENVELOPE 9" DO PROCESSO CASA PIA?
É que, por muito que se esteja habituado ao esquecimento de tudo, a "urgência" foi um pedido expresso e público do Presidente da República, reiterado pelo Procurador Geral da República, e, tantos meses depois, não há resultados, nada se sabe, não há uma explicação, um esclarecimento, nada. É um pouco afrontoso para o Presidente da República, ou não é? E não é muito afrontoso para todos os que exigem em termos de cidadania mínima, um esclarecimento? É. Ou há uma gigantesca conspiração à volta do envelope, que exige meses e meses de trabalho investigatório, ou então ninguém percebe a complexidade e a demora em saber uma simples coisa que deve ter deixado um rasto de papel atrás. (url) Hungarians Paul Magocsi, Historical Atlas of Central Europe Poucos livros são por si só tão elucidativos do que é a "Europa Central", como esta rigorosa colecção de mapas comentados. Não é preciso ler, basta olhar. Olhando para os mapas percebe-se a maldição da geografia e todo o sentido do ditado polaco: "trocamos a nossa gloriosa história por uma melhor geografia". Para não ir mais longe do que o século XX, alguns dos mapas, como o das deslocações de populações no último ano da II Guerra, revelam a enorme tragédia dos povos do Centro e do Leste da Europa, assim como o "empurrar" das fronteiras dos países para o Ocidente pelo Exército Vermelho. A descentração étnica, linguística, cultural, e religiosa significa toda uma "história" por resolver (por exemplo, a importante população que fala húngaro e que ficou na Roménia, como se vê no mapa da "distribuição etnolinguística por volta de 1900"). (url) LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES) (15 de Maio de 2006) ![]() ![]() ![]() __________________________ Numa rua de Pécs, Hungria. Uma linguagem quase universal: a dos graffiti. Espero que não seja uma obscenidade. (url)
EARLY MORNING BLOGS 776
Fragmento de "Irony Is Not Enough: Essay On My Life as Catherine Deneuve (2nd draft)" de MEN IN THE OFF HOURS saison qui chante saison rapide je commence Beginnings are hard. Sappho put it simply. Speaking of a young girl Sappho said, You burn me. Deneuve usually begins with herself and a girl together in a hotel room. This is mental. Meanwhile the body persists. Sweater buttoned almost to the neck, she sits at the head of the seminar table expounding aspects of Athenian monetary reform. It was Solon who introduced into Athens a coinage which had a forced currency. Citizens had to accept issues called drachmas, didrachmas, obols, etc. although these did not contain silver of that value. Token coinages. Money that lies about itself. Seminar students are writing everything down carefully, one is asleep, Deneuve continues to talk about money and surfaces. Little blues, little whites, little hotel taffetas. This is mental. Bell rings to mark the end of class. He has a foreskin but for fear of wearing it out he uses another man's when he copulates, is what Solon's enemies liked to say of him, Deneuve concludes. Fiscal metaphor. She buttons her top button and the seminar is over. (Anne Carson) * Bom dia! (url) 14.5.06
(url) RETRATOS DO TRABALHO NO DOURO, PORTUGAL Colocando esteios numa nova vinha (Gil Regueiro) Etiquetas: trabalho - retratos (url)
EARLY MORNING BLOGS 775
The little lives of earth and form The little lives of earth and form, Of finding food, and keeping warm, Are not like ours, and yet A kinship lingers nonetheless: We hanker for the homeliness Of den, and hole, and set. And this identity we feel - Perhaps not right, perhaps not real - Will link us constantly; I see the rock, the clay, the chalk, The flattened grass, the swaying stalk, And it is you I see. (Philip Larkin) * Bom dia! (url) RETRATOS DO TRABALHO EM BALI, INDONÉSIA Actividade piscatória de uma comunidade de pescadores que vive na praia de Jimbaran (praia que meses mais tarde sofreu um cobarde atentado terrorista). (Miguel Salazar) Etiquetas: trabalho - retratos (url)
© José Pacheco Pereira
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