ABRUPTO

20.4.05


NOTAS PROVENÇAIS

em breve.
E mais um novo Steiner.
E mais um velho Cézanne.
E mais o lugar que os antigos chamavam "doce", no sentido de amável.

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O QUE SE GANHA O QUE SE PERDE EM VIAGEM

Uma coisa se perde: os acentos.
O resto ganha-se.

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19.4.05


AR PURO


Van Gogh

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EARLY MORNING BLOGS 474

A Mão Posta Sobre a Mesa


A MÃO POSTA sobre a mesa,
A mão abstrata, esquecida,
Imagem da minha vida...
A mão que pus sobre a mesa
Para mim mesmo é surpresa.
Porque a mão é o que temos
Ou define quem não somos.
Com ela aquilo que fazemos
[...]


(Fernando Pessoa)

*

Bom dia! Até breve!

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18.4.05


MAIS GRANDE HOTEL, A REVISTA QUE SE TORCE E SAI AMOR POR TODOS OS POROS

O tempo tem sido escasso, mas entre

Ronald H. Chilcote, Emerging Nationalism in Portuguese Africa; A Bibliography of Documentary Ephemera trough 1965, Stanford, Hoover Institution, 1969

e



Bento de Jesus Caraça, Cultura e Emancipação (1929 - 1933), Porto, Campo das Letras, 2002,

ou seja, no meio dos meus trabalhos bibliográficos, a revista "mágica" do amor tem-me divertido. As fotonovelas estão cheias de verdadeiras maravilhas. O Vasco Graça Moura encontrou uma ontem: "no canto inferior esquerdo do fragmento do Grande Hotel que reproduz, lê-se: "breves, amenas conversas, mas que deixam na alma de Lucrécia uma trépida doçura". Uma "trépida doçura" será uma doçura a aquecer com um ruído de motor a gasóleo?". Não sei, só sei que tudo é possível no Grande Hotel. Veja-se o peso, imenso, esmagador, total, absoluto, deste humilde "porém..." da dama à direita, cheia de amor claro.

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INTENDÊNCIA

Olha a grande novidade! Continua a bibliografia dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO, a caminho das trezentas páginas... e não dá mesmo para ler o Grande Hotel.

Colocados no VERITAS FILIA TEMPORIS os dois artigos do Público (não acessíveis na rede) sobre o PSD, com o título MANTER TODOS OS “PORTUGAIS” QUE CAIBAM NO PSD, cuja terceira e última parte será publicada esta semana.

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AR PURO


Cézanne

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EARLY MORNING BLOGS 473

DIE SONETTE AN ORPHEUS - ERSTER TEIL - XXI


FRÜHLING ist wiedergekommen. Die Erde
ist wie ein Kind, das Gedichte weiß ;
viele, o viele .... Für die Beschwerde
langen Lernens bekommt sie den Preis.

Streng war ihr Lehrer. Wir mochten das Weiße
an dem Barte des alten Manns.
Nun, wie das Grüne, das Blaue heiße,
dürfen wir fragen : sie kanns, sie kanns !

Erde, die frei hat, du glückliche, spiele
nun mit den Kindern. Wir wollen dich fangen,
fröhliche Erde. Dem Frohsten gelingts.

O, was der Lehrer sie lehrte, das Viele,
und was gedruckt steht in Wurzeln und langen
schwierigen Stämmen: sie singts, sie singts !


XXI

Eis outra vez a Primavera. A Terra
é um menino que sabe dizer versos;
tantos, oh tantos... Por aquele esforço
de longo estudo vai receber um prémio.

Severo foi o mestre. Nós gostávamos
da brancura da barba daquele velho.
Agora podemos perguntar o nome
do verde, o azul: ela sabe, ela sabe!

Terra feliz, em férias, brinca agora
co'as crianças. Queremos agarrar-te,
Terra alegre. A mais jovial consegue-o.

Oh, o muito em que o mestre as instruiu
e o impresso nas raízes e nos longos
troncos difíceis: ela o canta, canta!

(Rainer Maria Rilke, traduzido por Paulo Quintela)

*

Bom dia!

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17.4.05


NATUREZA MORTA A CAMINHO DE VIAGEM

Da esquerda para a direita: a pilha dos Grande Hotel, alguns quase desfeitos. “Está completo?”, perguntei. “Mais que completo. Alguns estão tão usados que têm folhas a mais que estavam soltas nos outros…”. Um moleskine, com um mapa dentro, dobrado. Uma cruz numa terra onde há um pluvium, e se vê chover ao longe. Uma cruz noutra terra onde esteve um louco. Outra cruz numa terra onde começou um olhar novo sobre as formas. Outra cruz sobre uma das ruas mais bonitas do mundo. No centro das linhas, unindo essas cruzes, ao modo herético, o Abrupto será aí feito daqui a dias. Uma pilha de livros que faltam numa bibliografia que nunca mais acaba e que tapam a estação meteorológica. Um comando de televisão. Um telemóvel. Uma pilha de zips. Um pequeno rádio. Um espelho convexo. Uma caneta, um lápis que foge para baixo para debaixo do teclado, uma moeda ínfima, um dado improvável, uma faca. Uma tesoura vermelha, duas mãos, um ecrã, um cartão de visita perdido, um papel com meia dúzia de palavras. Um azulejo, um modem que brilha no escuro, bocados de lava de três sabores, de três vulcões. Em bom rigor um não é lava, é pedra-pomes. Um disco pouco subtil, uma máquina fotográfica preparada, um radiómetro parado. Mais livros, desalojados pela bibliografia: Alice Munro, Ballard. Um rato. A beira da mesa. Vazio.

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COISAS SIMPLES


Cézanne, Paul Alexis lendo a Emile Zola

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EARLY MORNING BLOGS 472

Paseniño, paseniño,
vou pola tarde calada,
de Bastabales camiño.

Camiño do meu contento;
i en tanto o sol non se esconde,
nunha pedriña me sento.

E sentada estou mirando
como a lúa vai saíndo,
como o sol se vai deitando.

Cal se deita, cal se esconde,
mentras tanto corre a lúa
sin saberse para donde.

Para donde vai tan soia,
sin que aos tristes que a miramos
nin nos fale, nin nos oia.

Que si oíra e nos falara,
moitas cousas lle dixera,
moitas cousas lle contara.

(Rosalia de Castro)

*

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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