ABRUPTO

28.8.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 28 de Agosto de 2007


Exemplos da máquina de propaganda. Como se faz um "recado" governamental destinado a mostrar quão atento e rigoroso é o Primeiro-Ministro, que zela noite e dia pelos nossos problemas (sublinhados meus):
O primeiro-ministro chamou a São Bento, sede das principais acções da gestão governamental, todos os ministros para avaliar o estado de execução orçamental em 2007 e abordar já a preparação do Orçamento do Estado para 2008. Com estas reuniões, José Sócrates tem tido a preocupação de deixar claro que “a previsão do défice para este ano [3,3 por cento] é para cumprir e, se possível, baixar”, garante fonte conhecedora do processo.

A menos de seis meses do fim do ano e a um mês e meio da apresentação do Orçamento do Estado para 2008, o primeiro-ministro tem aproveitado as reuniões com os ministros para frisar que “a contenção orçamental é para ser feita e que tem de ser cumprido o défice previsto para este ano”, garante a mesma fonte. Que acrescenta: “O primeiro-ministro está atento e quer resolver os problemas que possam existir”.
(Correio da Manhã de hoje.)

Etiquetas: ,


(url)

13.3.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 13 de Março de 2007


Para se perceber como o governo pensa as políticas como pouco mais do que marketing veja-se a colocação de planos de marketing em vez de números dos resultados de execução nos portais governativos. É o caso da Campanha de Divulgação da Iniciativa Novas Oportunidades em PDF aqui no Portal de Governo

*

Por regra, quem comenta deve ser reservado perante oficiais do mesmo ofício. Não é uma regra absoluta, admite muitas excepções, até porque o debate público é um contínuo de frases, ditos, análises, polémicas, irritações, entusiasmos, onde todos estão presentes. Mas não me sinto, no entanto, abrangido por nenhuma reserva para falar do que diz António Vitorino, um dos putativos sucessores da liderança do PS, número dois ou três do PS, deputado, grande advogado do Estado e dos privados, ex-comissário europeu, polymekanos como Ulisses. Vitorino tem uma coluna de puro favor político na RTP como explicador do governo e do PS, que só por má fé pode ser comparada com a de Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo é outro polymekanos mas é um “ser” genuíno da comunicação, existindo muito para além da sua própria agenda política, que atrapalha tanto como atrapalha a dos outros. Marcelo dá imensos pontos sem nó e por isso "vive" como comunicador, Vitorino (como Portas aliás) nunca dá um ponto sem nó. É tudo perfeitinho, logo pouco interessante.

No dia dos dois anos de governação de Sócrates, Vitorino “explicou”, entre sorrisos, que tudo o que o governo está a fazer é inevitável, bom e eficaz. Que concentra as polícias no gabinete do Primeiro-Ministro, porque tem que ser e não há mal nenhum nisso (sorriso). Que aumenta os impostos, porque tem que ser e não há mal nenhum nisso (sorriso). Que ainda não há muitos resultados, porque tem que ser e não há nenhum mal nisso (sorriso). E por aí adiante. No balanço já longo dos seus comentários na RTP, quase nada disse que o afaste um milímetro da governação apesar dos jornalistas fazerem um hercúleo esforço para encontrar qualquer fugaz crítica, análise, objecção.

*
Pena que o Marketing continue a ser usado no mau sentido. Infelizmente em Portugal a palavra marketing tem uma conotação totalmente negativa, sendo frequentemente utilizada com o siginificado de publicidade e/ou propaganda. O Marketing é uma metodologia de gestão com base na percepção do comportamento de mercado, amplamente utilizada por empresas e organizações de todo o tipo em todo o mundo. Nem é possível neste início de século XXI num mundo plano, conceber-se que qualquer organização seja criada e avance sem objectivos - mas de boas intenções está o inferno cheio e custam muito caro - basta observar o sem fim de institutos e associações que existem por aí sem sabermos ao certo para que servem (sabemos que servem para criar emprego para alguns). Não basta um plano de intenções para gastar o dinheiro dos contribuintes, a isso deverá chamar-se propaganda; um plano de marketing por outro lado deverá encontrar qual a melhor solução que satisfaça o mercado, obrigando por isso a um diagnóstico quantificado , orçamento, estatísticas, previsões de resultados, obstáculos de percurso previstos, calendários. Sem estes requisitos nunca um ministério/associação/empresa e seus funcionários poderá ser acusado de não ter cumprido, pois nada era objectivamente proposto, e nada pode ser objectivamente, a posteriori, condenado por falhas, pois se não são definidas nem metas, nem metodologias, nem resultados. O que assistimos é a um belo texto que agora fica bem mas que não estabelece responsabilidades para ninguém:

1. Não é apresentado nenhum plano de marketing, e só um plano de intenções. Porquê ?
a) Apresentar objectivos e medidas sem diagnóstico, sem quantificação dos resultados a alcançar e sem espaço temporal da introdução das mesmas
b) Não apresenta as forças nem as barreiras que se vai encontrar para a implementação. Assim só aparecem coisas faziveis e não politicas de concretização.
c) Não há plano sem orçamento. Quanto vai custar aos portugueses, qual o seu retorno.
d) Não define as estratégias e as tácticas a utilizar em cada acção de implementação.
e) etc., etc.

2. Existe uma das apresentações onde de facto se encontra um plano, mas de comunicação. Um plano de comunicação pode ser uma sub-parte de um plano de marketing, mas não é um plano de marketing. Mais , se esse plano de comunicação está assente em principios de como criar impacto no mercado das nossas crenças, não tendo por isso base de informar o mercado sobre uma estratégia e suas vantagens em relação a outras alternativas (ou seja vencer sem convencer), a isso chama-se PROPAGANDA. Coisa que os governos muito bem sabem fazer e que infelizmente também muitas empresas praticam.

(Maria Baldinho e António Xavier)

Etiquetas: , , ,


(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]