ABRUPTO

16.2.07


COISAS DA SÁBADO - AUTOFAGIA: JUÍZES A FALAR DEMAIS

Ou é impressão minha ou os juízes, andam a falar demais? É evidente que os juízes são cidadãos como outros quaisquer, mas haver juízes a criticar decisões de outros juízes em público, em processos que ainda estão em aberto, a não ser em casos de interesse público relevante, quase de crise das instituições, de ameaça à democracia, de obrigação moral excepcional, não me parece que tenha outro efeito senão dissolver a autoridade dos próprios juízes face aos cidadãos que deles esperam distância, prudência, sensatez e alguma reserva. A reserva do poder.

Dito isto, não tenho qualquer dúvida que não vale a pena dizê-lo. A mediatização da vida toda não parará à porta dos tribunais nem da cabeça dos juízes. Eles querem, como toda a gente, participar na grande cacofonia universal e tornar-se como os outros. A ilusão está em que, tornando-se como os outros, pensam que poderão manter o estatuto e os poderes que hoje têm. Estão enganados, mas ninguém os vai convencer disso, porque também eles querem ser “protagonistas”.

*
Permite que lhe observe que, a propósito de "É evidente que os juízes são cidadãos como outros quaisquer ... ", juíz é um cargo (ou orgão de soberania) e não um cidadão. Creio que será deste "erro de paralaxe" que emanam todos os "protagonismos" que a sua entrada no blog tão bem descreve. Quando os cidadãos, que ocupam os respectivos cargos de juízes, se relembrarem da sua condição, a protagonista será a Justiça.

(Luís Casanova)

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6.2.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 6 de Fevereiro de 2007


Cada vez mais a agenda mediática é a agenda do Ministério Público: nas notícias de hoje lá estão os voos da CIA (esta investigação vai ser muito interessante de seguir e de ver os resultados) e "as interferências de Alberto João Jardim no "Jornal da Madeira"". Algo me diz que esta tentativa de criar um Baltazar Garzón português não vai ser brilhante. Live by the press, die by the press.

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28.1.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 28 de Janeiro de 2007



Mais absurdos: no sítio do Diário de Notícias (ou deveria dizer do Papagaio Amarelo?)
O Diário de Notícias, promove o seguinte "inquérito":

"Concorda com a pena de seis anos de prisão imposta ao pai adoptivo da criança de Torres Novas?"

Eu, simples cidadã que gosta de emitir sentenças, principalmente sendo absolutamente irresponsável pelo resultado,e ainda por cima num caso que "puxa ao sentimento", fiquei mesmo satisfeita. Vou votar, vou julgar.

Com uma declaração de voto que é também uma pergunta: concorda que jornais nacionais de créditos firmados provoquem deliberadamente equívocos, desinformem, se aproveitem da especial emotividade de factos que eles transformam em "notícia", para induzir os leitores na doce ilusão de que têm uma palavra a dizer num processo judicial cujos elementos desconhecem e para os quais não estão habilitados a decidir?

(RM)
*

Será que ninguém acha estranho, para não dizer ilegal, que se conheçam em detalhe "planos do ministério público", opiniões do PGR através de "fontes", deliberações do Tribunal Constitucional que é suposto ainda não terem sido tomadas, decisões futuras negociadas (como, com quem, com que base legal?) entre "agentes da justiça" e "especialistas", que permitirão esta ou aquela "solução", a propósito do chamado "caso Esmeralda", todas no sentido de "libertar" o "pai do coração" da prisão, e de entregar a criança à família "do coração"? É difícil encontrar melhor exemplo da degradação da lei, do direito, da justiça, ao sabor de uma "justiça mediática" feita pela vox populi, do que o que se pode ouvir em notícias como as que o Telejornal da RTP está a dar. Passou tudo na lei, no direito, nos tribunais a ser plástico, moldável, adaptável, desde que haja uma campanha de opinião e uma causa popular.

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Os militantes, soldados de causas e de partidos, não compreendem que, independentemente do mérito das suas causas e do valor dos seus partidos, as suas prioridades não são as das pessoas comuns.

Todo o debate sobre o aborto está inquinado pelo que interessa aos militantes, pelos ganhos que os militantes querem levar para o exército de que são soldados no dia 12 de Fevereiro..

No concurso dos Grandes Portugueses são os militantes que votam em Salazar e Cunhal. Se ganhar um ou outro haverá brilho nos olhos em muitos locais de trabalho. "Ganhar" por interposta figura faz bem aos egos dos militantes.

Nos blogues há muitos militantes.

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Concordo consigo que quem vota em Cunhal e em Salazar são os militantes. Mas não acha que o numero de votos de cada um (19 000 e 12000) é mais um prova que a militância está em baixa ?

(Eduardo Tomé)

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