ABRUPTO

24.8.12


COISAS DA SÁBADO
ENTÃO E AS NOTÍCIAS SOBRE ANGOLA? NÃO SE PASSA NADA?



 Talvez o mais preocupante sinal dos condicionamentos à liberdade de informação em Portugal se revele no estranhíssimo silêncio sobre o que se passa em Angola. Em Angola estão a decorrer eleições, todo o mínimo protesto é reprimido por uma combinação de polícias e milícias do MPLA, as condições do acto eleitoral são contestadas pelo principal partido da oposição, a UNITA, que ameaça não ir às urnas nestas circunstâncias. Dentro e fora de Luanda, tem havido e estão anunciadas grandes manifestações da UNITA, ameaçadas sempre de contramanifestações do MPLA. Na verdade, nem isto se sabe pela comunicação social portuguesa, sabe-se pela circulação de fotografias, informações dispersas e algumas declarações corajosas de angolanos que são silenciadas em Portugal. 

Em Angola está tudo bem, os negócios vão de vento em popa, o dinheiro vindo da corrupção e do nepotismo flui para os bancos portugueses em malas, importantes posições na banca, em empresas estratégicas e na comunicação social são compradas por membros da elite do poder angolana. Presume-se que ainda mais compras vão ser feitas, em particular na comunicação social, dados os apertos financeiros dos grupos portugueses e as boas relações de governantes locais com os corruptos de lá, ambos partilhando a ideia de que o dinheiro nunca teve cor e isso das ditaduras corruptas em África é “normal” para criar “países”. Usei a palavra corrupção várias vezes nas frases anteriores, devia usar mil, porque ainda gostava que alguém me explicasse de onde vem o dinheiro de gente que, fora das relações de poder no MPLA e com o Presidente e a família, nunca teve qualquer actividade que explique os milhões que tem, seja sequer uma lanchonete numa rua de Luanda. 

Escrevo isto, com a sensação muito forte, de que, a continuar assim, em breve isto não vai poder ser escrito na comunicação social portuguesa.

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21.8.12


A MÁQUINA DE “COMUNICAÇÃO”


Já repararam que quando alguém critica o governo, seja um bispo, um responsável desportivo, um empresário “vermelho”, um chefe dos bombeiros, uma autarca mais atrevido, vinte e quatro horas depois, aparece alguma notícia danosa, verdadeira ou falsa, populista ou insidiosa, a atacar a sua reputação e os seus motivos? 

 Os homens livres deveriam preocupar-se com a coincidência.

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EARLY MORNING BLOGS   
2244 - A Statesman's Holiday 
I lived among great houses,
Riches drove out rank,
Base drove out the better blood,
And mind and body shrank.
No Oscar ruled the table,
But I'd a troop of friends
That knowing better talk had gone
Talked of odds and ends.
Some knew what ailed the world
But never said a thing,
So I have picked a better trade
And night and morning sing:
Tall dames go walking in grass-green Avalon.

Am I a great Lord Chancellor
That slept upon the Sack?
Commanding officer that tore
The khaki from his back?
Or am I de Valera,
Or the King of Greece,
Or the man that made the motors?
Ach, call me what you please!
Here's a Montenegrin lute,
And its old sole string
Makes me sweet music
And I delight to sing:
Tall dames go walking in grass-green Avalon.

With boys and girls about him.
With any sort of clothes,
With a hat out of fashion,
With Old patched shoes,
With a ragged bandit cloak,
With an eye like a hawk,
With a stiff straight back,
With a strutting turkey walk.
With a bag full of pennies,
With a monkey on a chain,
With a great cock's feather,
With an old foul tune.
Tall dames go walking in grass-green Avalon. 
( William Butler Yeats)

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20.8.12


COISAS DA SÁBADO: EM SETEMBRO… 

 … um passo importante na crise social vai acontecer, que não tem sido muito falado. Já não me refiro às muitas pequenas empresas, por exemplo restaurantes, que já não vão abrir depois de férias, e ao aumento do desemprego de quem tinha trabalho sazonal no turismo. Refiro-me ao facto de muitos milhares de famílias que pela primeira vez não vão ter dinheiro para pagar os impostos. Setembro é um mês de impostos, e a necessidade absoluta das Finanças, encarregou-se de antecipar todos os prazos. Os impostos de Setembro são os mais pesados, em particular o IRS, e no momento das contas vai-se sentir, também pela primeira vez, o aumento brutal da carga fiscal. Setembro será também o mês em que muitas famílias, ao não terem, sublinho, pela primeira vez, dinheiro para pagar os seus impostos, vão cair nas malhas das execuções fiscais e no terreno cada vez mais amplo das coisas que não podem fazer, por não terem os seus impostos em dia. O governo sabe isto e está também, pela primeira vez, muito preocupado pelo clima de instabilidade social. O que não sabe é o que há-de fazer, mas isso é outra história.

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© José Pacheco Pereira
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