ABRUPTO

21.11.09


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Porto Santo. (Carlos Oliveira)



Palácio do Freixo, Porto. (Fernando Correia de Oliveira)

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COISAS DA SÁBADO: É TÃO SIMPLES COMO ISTO…







…se Manuela Ferreira Leite não estivesse à frente do PSD e na Assembleia da República, a exigência de esclarecimento ao Primeiro-ministro sobre o seu envolvimento nos estilhaços do caso Face Oculta, nunca seria questionada como foi. Às vezes depende mesmo das pessoas, às vezes só depende das pessoas. Como se percebe nos protestos do PS (e não só) que perguntam, “quando é que ela se vai embora”. Percebe-se muito bem que queiram que “ela” se vá embora.

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EARLY MORNING BLOGS

1680 - I see, said the blind man,
As he put down his hammer and saw

There is some charm in that old music
He'd fall for when the night wind released it:
Pleasant to be away; the stones fall back;
The hill of gloom in place over the roar
Of the kitchens but with remembrance like a bright patch
Of red in a bunch of laundry. But will the car
Ever pull away and spunky at all times he'd
Got the mission between the ladder
And the slices of bread someone had squirted astrology over
Until it took the form of a man, obtuse, out of pocket
Perhaps, probably standing there.

Can't you see how we need these far-from-restful pauses?
And in the wind neighbors and such agree
It's a hard thing, a milestone of sorts in some way?
So that the curtains contribute what charm they can
To the spectacle: an overflowing cesspool
Among the memoirs of court life, the candy, cigarettes,
And what else. What kind is it, is there more than one
Kind, are people forever going to be at the edge
Of things, even the nice ones, and when it happens
Will we all be alone together? The armor
Of these thoughts laughs at itself
Yet the distances are always growing
With everything between, in between
The tall hedges that seem to know what life is:
An offering that stands to one side. And we dream.

(John Ashbery)

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20.11.09


PERGUNTAS DO



Pergunta feita há dias: então não é que se vai verificar que afinal houve (há) mesmo "asfixia democrática"?

Resposta dada todos os dias: houve. Claro que houve. Como alguns disseram e outros negaram.

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COISAS DA SÁBADO: CONVENIÊNCIAS



Quando convém usam-se os argumentos da forma; quando convém usam-se os argumentos da substância. Com Sócrates usam-se os argumentos da forma, com Preto os argumentos da substância. Em ambos os casos fala-se com base em escutas telefónicas passadas à comunicação social. Ou de onde é que se pensa que veio a história da “mala”? Numa mesma discussão arrepelam-se os cabelos contra as "monstruosidades" que estão a fazer a Sócrates, ao arrepio do estado de direito, para a seguir, na maior das calmas, tratar Manuel Godinho como corrupto condenado. Já vi algumas discussões de “má língua” , por exemplo na SICN, assim. Respeitinho com Sócrates, chacota com os “corruptos” de baixo. O estado de direito e a democracia é só para os "nossos" importantes, os que tem direito ao "alegadas", porque para Godinho, como para o "Bibi", não há nenhum pejo em classificá-los como culpados, mesmo que nenhum deles o seja ainda em Tribunal. À volta dos "alegados" crimes dos segundos, seja a corrupção, seja a pedofilia, fala-se à vontade dos fracos. Mas dobra-se a língua de reverência, com os fortes.

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19.11.09


PONTO / CONTRAPONTO - 6


Aqui.

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1679

"No place affords a more striking conviction of the vanity of human hopes than a public library; for who can see the wall crowded on every side by mighty volumes, the works of laborious meditations and accurate inquiry, now scarcely known but by the catalogue..."

(Samuel Johnson)

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17.11.09


EARLY MORNING BLOGS

1678

The world is grown so bad,
that wrens make prey where eagles dare not perch.
Since every Jack became a gentleman,
There's many a gentle person made a Jack.”

(William Shakespeare, Richard III, acto I,III)

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16.11.09

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1677 - Portrait of the Artist as a Prematurely Old Man

It is common knowledge to every schoolboy and even every Bachelor of Arts,
That all sin is divided into two parts.
One kind of sin is called a sin of commission, and that is very important,
And it is what you are doing when you are doing something you ortant,
And the other kind of sin is just the opposite and is called a sin of omission
and is equally bad in the eyes of all right-thinking people, from
Billy Sunday to Buddha,
And it consists of not having done something you shuddha.
I might as well give you my opinion of these two kinds of sin as long as,
in a way, against each other we are pitting them,
And that is, don’t bother your head about the sins of commission because
however sinful, they must at least be fun or else you wouldn’t be
committing them.
It is the sin of omission, the second kind of sin,
That lays eggs under your skin.
The way you really get painfully bitten
Is by the insurance you haven’t taken out and the checks you haven’t added up
the stubs of and the appointments you haven’t kept and the bills you
haven’t paid and the letters you haven’t written.
Also, about sins of omission there is one particularly painful lack of beauty,
Namely, it isn’t as though it had been a riotous red-letter day or night every
time you neglected to do your duty;
You didn’t get a wicked forbidden thrill
Every time you let a policy lapse or forget to pay a bill;
You didn’t slap the lads in the tavern on the back and loudly cry Whee,
Let’s all fail to write just one more letter before we go home, and this round
of unwritten letters is on me.
No, you never get any fun
Out of things you haven’t done,
But they are the things that I do not like to be amid,
Because the suitable things you didn’t do give you a lot more trouble than the
unsuitable things you did.
The moral is that it is probably better not to sin at all, but if some kind of
sin you must be pursuing,
Well, remember to do it by doing rather than by not doing.

(Ogden Nash)

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15.11.09

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UM PROBLEMA DE CONFIANÇA

Compreendo muito bem que haja meus amigos no PS que se interroguem sobre as razões pelas quais "ataco" tantas vezes José Sócrates e que entendam esse ataque como uma questão de animosidade pessoal. Divirjo profundamente das suas políticas, que penso fazem mal ao país, e coloco-o numa espécie de top ten daqueles políticos do PS, do PSD e do CDS que entendo terem, pela sua acção política e governativa, provocado mais danos ao Bem Público, como foi o tandem Guterres-Pina Moura. Mas não são as discordâncias políticas, nem sequer é o julgamento sobre o Governo, que inclui ministros que respeito, que explicam a minha atitude.
O problema com Sócrates é outro: é um problema de desconfiança política profunda. Acrescentei o adjectivo "política" porque o terreno dessa desconfiança é o da própria acção política, não o da pessoa, embora reconheça que é impossível separar de todo os dois níveis, porque a desconfiança implica também com uma questão de carácter. Mas gostaria que, no que eu digo e no que eu faço, a desconfiança ficasse no político e fosse a partir do político que inquinasse o julgamento do carácter e não ao contrário. Não penso que os políticos tenham que ser julgados pelo carácter, o que é sempre uma atitude propícia a um moralismo que acaba por ser arrogante, mas o carácter também importa e em determinadas circunstâncias importa mais. É o caso de José Sócrates.
Essa desconfiança não me surgiu com o aparecimento da personagem na cena pública, cuja acção como secretário de Estado na co-incineração apoiei, nem na sua vitória de 2005. Pelo contrário. Foi encontrando terreno propício quando me foram sendo cada vez mais nítidos o papel da encenação e da pose na sua acção e a crescente disparidade entre os resultados e a propaganda. Mas também não foi por isso. Sócrates era um político típico da sua geração e da sua formação e nisso não era muito diferente de muitos políticos oriundos do interior dos partidos, das "jotas" em particular", feitos pela promiscuidade entre as "fontes" e os jornais, com "biografias do nada", especializados nas técnicas interiores das carreiras partidárias, construindo "imagens" e obcecados pelo "protagonismo". Portugal e a Europa estão cheios deste tipo de políticos, que se entendem bem entre si e movem-se com habilidade pelo actual panorama mediático, as televisões em particular. Nesse estilo, Sócrates era aliás do melhor, porque não se chega onde ele chegou sem qualidades, muito trabalho, determinação e - e isto é uma questão-chave - sem um grupo. No aparelho sobe-se sempre em grupo, e o de Sócrates anda à sua volta em tudo o que é complicação passada e presente. Mas, mesmo assim, nada disto chegava para me mover contra Sócrates com a intransigência que, reconheço, tenho.
O clic, chamemos-lhe assim, foi, de facto, a primeira "história", a do curso e a do diploma. Nada daquilo seria muito relevante, se fosse apenas uma certa ligeireza associada à pose, e um curso mais ou menos artificial, que não foi apenas o dele, mas o de muitos da sua geração que apareceram "formados" em escolas privadas pouco exigentes e facilitadoras. Confrontado com o facto de usar um título académico que não possuía, Sócrates podia ter acabado com a questão num instante, dizendo que partilhava a reivindicação dos seus colegas de considerar que o seu curso era de "engenheiro", ou admitindo que não fora muito rigoroso. Toda a gente passaria em frente e não haveria danos.
Mas ele insistiu que estava tudo bem, e não só que estava bem como tudo era exemplar. E esta atitude, acompanhada por algo que acompanha sempre Sócrates, que é uma enorme e agressiva pressão sobre todos os que não lhe são subservientes - e como são poucos nota-se mais -, levou-me a olhar com outros olhos para o que aparecia e para documentos particularmente bizarros como o currículo emendado existente na Assembleia. Fiquei convicto de que ele era capaz de fazer muita coisa que não devia, por seu próprio interesse, e como se trata de um homem poderoso, isso preocupa-me.
A partir daí não há pedra em que não se dê um pontapé, casinhas, processos na área do ambiente quando ele foi secretário de Estado ou ministro, Freeport, negócios ligados ao controlo da comunicação social, Face Oculta, em que Sócrates não apareça. Pode-se dizer que isso é perseguição, como há quem no PS diga. Mas não é, o problema é que Sócrates aparece sempre lá, perto ou longe, com mais ou menos responsabilidades, e aparece porque está lá. Ele, a família, os seus amigos do PS, as pessoas que escolheu, as áreas onde governou e governa. E, quando ele aparece, nada nunca se esclarece cabalmente. Nem na justiça (e isso é uma arma de dois bicos, porque também o prejudica), nem na parte da política que exige transparência. Por isso, a minha desconfiança original não tem conhecido a não ser um crescendo, porque encontra um padrão e não "casos". E penso, posso estar enganado, mas penso, que essa desconfiança é puramente racional.

O que está a acontecer com o seu envolvimento no caso Face Oculta, e isto para usar o termo exacto "envolvimento" e não "culpa", é mais uma pedra em que, quando se lhe dá um pontapé, aparece Sócrates. Ou dito de outra maneira, cada cavadela sua minhoca, numa terra que, pelos vistos, é fértil nas ditas porque algum adubo há-de ter. Esclareço já que sou contra a violação do segredo de justiça, e, como não sou jornalista, desejo apenas que os jornalistas sejam especialmente criteriosos e restritivos na utilização de documentação oriunda da violação desse segredo. Ou seja, que sejam muito rigorosos no julgamento do interesse público daquilo que publicam e dos direitos conflituais que colocam em causa. Não digo isto apenas agora, já o disse na questão da Casa Pia, talvez o único caso em que houve momentos de "justicialismo" na investigação criminal.

Mas, uma vez publicada a informação, admitindo que ela é verdadeira, não se pode evitar que nos pronunciemos sobre o "escândalo público" que ela suscita, nem sobre os factos que ela revela. E isto é válido tanto para José Sócrates, em que há uma verdadeira barragem, quase chantagem, para que não se discuta o conteúdo do que vem a público, como para António Preto, em que parece que ninguém repara sequer que o que se esteve a discutir nestes últimos anos foram escutas publicadas em violação do segredo de justiça, em que aparecia a história da "mala". Não pode haver filhos e enteados, com critérios diferentes.

E o que se sabe, sem ter sido desmentido, sendo até confirmado da habitual forma retorcida pelo primeiro-ministro, é que José Sócrates mentiu ao Parlamento sobre o seu conhecimento e eventual papel na tentativa de compra pela PT de parte da TVI. Esta não é uma matéria secundária, mas releva das relações institucionais entre órgãos de soberania. E quando digo que ele próprio já confirmou de forma retorcida, foi por o ver começar a fazer uma distinção, demasiado útil, entre conhecer e ter sido "oficialmente informado", que se percebe ir ser a escapadela que vai usar. E é isso que me faz desconfiar e muito, porque o que José Sócrates disse ao Parlamento e aos jornalistas nessa ocasião foi que "não estou sequer informado disso" quando se tratava de saber que grau de envolvimento tinha ele próprio e o Governo no processo. E neste caso, saber a verdade é crucial porque envolve algo de que este Governo tem sempre negado: a interferência a partir do poder na comunicação social. Pelos vistos, o que veio já a público explica que quem temia a chamada "asfixia democrática" tinha até mais razão do que imaginava.



É por isso que desconfio de Sócrates. Vale o que vale, mas para o meu julgamento vale muito. E as razões pelas quais desconfio fazem-me considerar que existe perigosidade na sua actuação para a democracia e para Portugal.

(Versão do Público de 14 de Novembro de 2009.)

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EARLY MORNING BLOGS

1676 - Pastoral

Mote

Vai o rio de monte a monte,
Como passarei sem ponte?

Voltas

É o vau mui arriscado,
Só nele é certo o perigo;
O tempo como inimigo
Tem-me o caminho tomado.
Num monte está meu cuidado,
E eu, posto aqui noutro monte,
Como passarei sem ponte?

Tudo quanto a vista alcança
Coberto de males vejo:
D'aquém fica meu desejo
E d'além minha esperança.
Esta, contínua, me cansa
Porque está sempre defronte:
Como passarei sem ponte?

(Francisco Rodrigues Lobo)

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© José Pacheco Pereira
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