| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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22.3.09
ÍNDICE DO SITUACIONISMO (77): O EGO À PROCURA DO ECO (4) ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. Nos dias de hoje, para os jornalistas (e muitos políticos), a política tornou-se pouco mais do que "comunicação", ou seja uma actividade mais ou menos profissionalizada de fazer “passar mensagens”, cujo conteúdo é pouco importante em relação aos “meios” que usa. Neste contexto, o jornalismo também se tornou "comunicação", actuando num contínuo com a “comunicação” dos políticos. Quem não quiser entrar neste esquema “moderno” de entender a acção política (e o jornalismo) está condenado às trevas exteriores. Ou não existe ou existe pela negativa. Mesmo essa “comunicação”, no contexto português, é uma pobre, simplista, redutora “comunicação”. É pouco mais do que uma mistura de reverência aos jornalistas (muito importante) e do acompanhar da acção política pelo marketing, pelas agências de comunicação, por assessores especializados, que cada vez mais substituem as fontes tradicionais, ou as complementam. Todo o processo se profissionalizou e quem nele não participa, ou o contesta, é sujeito a todo o tipo de anátemas e tem "má imprensa". Houve tempos em que alguns jornalistas contestavam esta transformação do jornalismo em “comunicação” (e esta em espectáculo), mas eles também são hoje uma minoria, infelizmente silenciosa a mais. Nem que seja porque o mercado do trabalho escasseia, os jornalistas não podem hoje deixar de olhar para a assessoria política ou empresarial (que muitos fizeram ou fazem), e para o trabalho de assessores de comunicação, seus colegas próximos de profissão, trabalhando para o governo, os partidos ou as agências de comunicação como fazendo parte da “comunicação” moderna que lhes alarga a empregabilidade em tempos difíceis. Não conheço os números mas presumo (com falibilidade) que haja já hoje um número significativo de jornalistas a trabalhar na “comunicação” em agências, empresas e governo, em comparação com os jornais, e quase sempre com salários mais altos. Por isso se encontram hoje tantos jornalistas nos blogues e nas redacções a defender a indispensabilidade de se usarem essas empresas profissionais de “comunicação” para, muito mais do que fornecer uma consultadoria técnica aos políticos, moldar e fazer “passar a mensagem”. Este é um aspecto da actual situação, mas há mais. (Continua.) (url)
© José Pacheco Pereira
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