ABRUPTO

14.3.09


COISAS DA SÁBADO:
A ESTRATÉGIA DO PS PARA A GESTÃO CORRENTE ATÉ AO INÍCIO DAS ELEIÇÕES




Não custa imaginar como é definida pelo PS (onde digo PS, leia-se governo e onde digo Governo, leia-se José Sócrates) a estratégia de actuação nos media até, pelo menos, às eleições para o Parlamento Europeu. É possível lê-la como se estivesse escrita no papel. É no fundo tão óbvia, que nem valia a pena descreve-la se não fosse a cortina de fumo que por aí anda.

Tivesse eu a arte dos diagramas e colocaria tudo com precisão. Primeira opção a resolver pelos estrategas do PS (quer dizer os assessores do Primeiro-ministro, a começar pelos assessores de imprensa, e um ou dois ministros do “núcleo duro”): ou o eleitorado vai votar com o coração ou com a carteira. Se vota com o coração, o PS volta-se para a esquerda; se vota com a carteira, volta-se para a direita. Até agora o PS tem-se mostrado mais preocupado com a carteira do que com o coração, ou seja mais preocupado com o PSD do que com o Bloco de Esquerda. Isto pode parecer contraditório com um PS que brada todos os dias que não há “oposição”, leia-se PSD, e depois passa as inaugurações e os actos públicos a atacar o PSD e Manuela Ferreira Leite. O PS não parece acreditar naquilo que acreditam os adversários internos de Manuela Ferreira Leite, de que esta não é adversário para o Primeiro-ministro, nem que seja na versão minimalista de lhe tirar a maioria absoluta.

A estratégia socialista assenta em “medidas activas” à esquerda e à direita, mas é bastante mais intensa à direita do que à esquerda. A razão é simples: o resultado eleitoral é mais influenciado pela possibilidade de alternativa, do que pelo experimentalismo do voto do coração. Embora os estrategos socialistas tenham razões para temer o voto no coração (a julgar pelas sondagens que mostram uma crise da bipolarização), a avaliação prática da propaganda governativa, é que continuam a temer mais o voto da carteira. Voto no coração dá os “casamentos de homossexuais”, uma distracção eleitoral que interessa a meia dúzia de pessoas; voto na carteira é sobre políticas alternativas de governação, diz respeito aos desempregados, à classe média, etc.. Os estrategos socialistas são realistas e sabem que ninguém quer ver o BE ou o PCP a governar, e continuam a acreditar que, no momento concreto das eleições, é o sucesso ou insucesso do PSD que os preocupa.

(Continua.)

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© José Pacheco Pereira
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