ABRUPTO

29.2.08


COISAS DA SÁBADO: A SITUAÇÃO DE REVOLTA NAS ESCOLAS



No caso do Ministro da Saúde a contestação era maior na rua do que no interior do “sistema”, no caso da Ministra da Educação é o contrário. A situação nos dois ministérios “reformistas” do governo Sócrates tinha por isso uma diferença fundamental e levou ao despedimento do Ministro da Saúde e à manutenção da Ministra da Educação. No entanto, com a deterioração acelerada da situação no interior das escolas já estive mais seguro de que ninguém tocaria na Ministra do que estou hoje.

Não é que o Ministério da Educação não tenha simpatias do seu lado e poderosas: muitas pessoas estão com a Ministra, pais, autarcas, “povo”, porque se revoltavam com a situação das escolas, por muitas e diferentes razões, mas unidos num único alvo, os professores. Os professores no seu conjunto eram tidos como os grandes responsáveis pelo que se passava nas escolas e embora houvesse outros alvos, o Ministério, o laxismo, o “eduquês”, os sindicatos, acabava sempre por sobrar para os professores. Os professores tinham uma óbvia responsabilidade por esta situação e tinham-se posto a jeito. Embora houvesse professores que individualmente expressassem o seu descontentamento com o “eduquês”, o facilitismo, a falta de hierarquia de mérito entre os próprios professores, o absentismo, o desleixo e a má preparação de muitos profissionais, a ausência de avaliação digna desse nome, a sindicalização do Ministério, não havia um sólido movimento de opinião entre os professores que exigisse reformas e isso permitiu a demonização dos professores enquanto classe profissional. Mas havia professores com estas preocupações e estes deveriam ser os aliados naturais de uma política de reformas como a que a Ministra quis realizar. Só que não há, não há ninguém, é difícil encontrar alguém, em qualquer escola do país, que apoie a Ministra, que é universalmente odiada pelos professores. Uso a palavra forte, “odiar”, porque é raro encontrar algum responsável ministerial mais sozinho que a Ministra da Educação e isso, por si só, mostra que alguma coisa falhou nas suas reformas, porque, por escassos que fossem, alguns aliados deveriam existir, 10%, 5% dos professores, 3 ou 2% para se conseguir ter sucesso.

Onde estão os erros? Um, de primeira responsabilidade de Sócrates, foi fazer reformas “contra”, usar, para obter apoio popular fácil, o mecanismo de pôr juízes contra professores, professores contra médicos, pais contra os professores, cada classe ou grupo contra os “privilégios” dos outros, e o “povo” contra todos. É bom para as sondagens, é péssimo para fazer reformas. Esta linguagem agressiva das reformas “contra” os grupos profissionais também penetrou no Ministério e, feito o mal, a seguir não é possível controlar os estragos. Depois, o Ministério, que é uma burocracia que se comporta como burocracia, quis fazer tudo ao mesmo tempo, dispersou-se e desconcentrou-se, misturou coisas importantes com irrelevâncias, atirou para todo o lado, e, sem dar espaço às escolas e aos professores para se adaptarem a uma nova ecologia, logo surgia outra alteração e outra e outra. Muita coisa foi feita de forma incompetente, gerando injustiças flagrantes em processos muito delicados, criando divisões e hostilidade entre professores, despromovendo carreiras profissionais altamente qualificadas a favor de critérios apenas centrados no dar aulas, actuando de uma forma sentida como punitiva contra os professores. O Ministério alienou os apoios dos melhores e mais dedicados professores e não conquistou o apoio de nenhuns outros.

A Ministra bem pode mandar, como Jeová, os Anjos a Sodoma e Gomorra à procura de um justo, que não encontra ninguém. Pode-se dizer que isto acontece porque são mesmo verdadeiras reformas e atingem o cerne do corporativismo dos professores, o que é em parte verdade, mas escapa à questão de fundo: muitas reformas foram mal conduzidas, mesmo quando tinham mérito de per si e o resultado pode apenas ser mais caos e esvanecer-se junto com a Ministra.

A janela de oportunidade está quase fechada, o tempo é escassíssimo, mas só uma pessoa pode ainda tentar salvar o que se pode salvar: a Ministra da Educação. Não é “ceder” que se lhe pede, é que distinga o que é essencial do que é secundário e se concentre, concentre, concentre, no que é essencial e deite o resto pela borda fora. Já.

*
(...) concordo em grande parte com o seu texto sobre a "A SITUAÇÃO DE REVOLTA NAS ESCOLAS". Permita-me, porém, como professor do ensino secundário, dizer-lhe que também existem na escola professores do lado das politicas educativas deste Ministério da Educação. Mas, confesso, não somos muitos.

De facto, ao que parece, a classe docente anda revoltada. A julgar pelas conversas nas salas de professores, e pelas manifestações “espontâneas” que por aí se preparam, nunca, como hoje, a contestação a este governo e à Ministra da Educação foi tão unânime e incisiva por parte dos professores.

Nos últimos tempos muito se tem dito e ouvido sobre a Avaliação do Desempenho dos Professores. Há ano e meio atrás, a maior parte dos professores dizia-se contra qualquer avaliação de desempenho que fugisse dos termos da que era feita na época, ou seja, que interferisse com a progressão automática nas carreiras que, como alguns sabem, assegurava a todos, sem distinção, ao fim de uns anos o topo da carreira, isto é, um ordenado de € 2900 (ilíquidos) por 12 horas semanais de trabalho lectivo. Agora, percebendo que não têm argumentos que sustentem o facto de não quererem ser avaliados, dizem que, afinal, querem ser avaliados mas não nos moldes que a regulamentação do Ministério da Educação definiu.

Todos sabemos que a avaliação dos professores, tal como a dos alunos, é de elementar justiça e fundamental para valorizar o empenhamento e premiar o mérito, visando, dessa forma, a melhoria das aprendizagens e resultados. Contudo, isso não é suficiente para que os professores a desejem e aceitem. Muito menos para os sindicatos, através dos seus milhares de agentes impregnados nas escolas, deixarem fugir esta oportunidade de fazerem figura perante os seus líderes partidários. Afinal, qual seria o professor que aceitaria de bom grado, de um dia para outro, o incómodo e a preocupação de prestar contas pelo trabalho realizado ao longo do ano lectivo, ainda por cima com implicações na progressão na carreira? Certamente muito poucos.

Por agora, o objectivo de alguns professores e sindicatos é, tal como ouvi ontem na voz de um colega, "dar cabo da ministra antes que ela dê cabo de nós". Por isso que os argumentos contra a regulamentação da Avaliação de Desempenho dos Professores, assim como as providências cautelares interpostas pelos sindicatos e as mega manifestações previstas, são apenas fogo de artificio para nos entreter em discussões demagógicas e vãs que visam apenas e só adiar a implementação da avaliação e deixar tudo como está.

Sejamos claros, a reforma em curso na educação é difícil, com óbvios custos políticos, e envolve mudanças profundas na cultura das nossas escolas que, sem margem de dúvida, afectam os interesses e expectativas dos professores. Contudo, são reformas imperativas a bem do país, que só não foram feitas há muitos anos por falta de coragem política dos governos anteriores.

João Filipe Marques Narciso (Prof. de Matemática do 3º Ciclo e Ens. Secundário)

*

A questão da avaliação dos professores está na ordem do dia, em várias partes do mundo, não apenas por cá. As politicas que por cá se estão a aplicar são já prática em vários lados e com resultados duvidosos. Um dos aspectos é a utilização dos resultados dos alunos na avaliação dos docentes, que apesar de polémica poderá sob controlo ser um aspecto a considerar. No entanto não me queria perder em aspectos técnicos numa questão que é meramente politica.

É curioso que nenhum partido ou politico venha a terreno explicar claramente o que está em causa, ou por ventura ficar ao lado dos que entendem que avaliação docente não pode ser feita nos moldes da que é realizada numa empresa. Para começar uma escola não é uma empresa e em segundo lugar o que está em causa é a concepção da verdadeira escola pública. Hoje (ainda) último reduto da liberdade. A escola que pretendem asfixiar e domar colocando-a ao serviço do governo (este ou outro) é algo muito desejado e claramente rejeitado por qualquer sistema que respire livre da coacção. Não será por acaso que as politicas reformistas da educação em países como os EUA falharam toda ao longo do sec.XX.

Os professores ao contrário do que por aí se vai dizendo não são corporativistas, muito pelo contrário. Estão desunidos por vários (imensos) sindicatos; uma diversidade imensa quanto à sua proveniência (Engenheiros, advogados, farmacêuticos, médicos e mais recentemente professores) e dispersos por niveis de ensino com especificidades próprias (ensino artístico, educação infantil, primeiro ciclo, ensino profissional, etc). O problema é que não há politico, por mais impoluto que seja, que não deseje domar esta força de influencia junto das massas. Talvez por isso nunca tenha sido concedido aos professores uma ordem, que regulasse a profissão a nível deontológico. A questão fulcral do insucesso reside em aspectos até simples de solucionar, houvesse verdadeira vontade em os resolver. Mas acredite não é necessário hierarquias para manter uma escola, pelo contrário. Quanto a carreira deixe-me dar-lhe um esclarecimento - até agora um professor determinava a carreira que tinha e era remunerado por isso. Se supervisionava estágios , presidia a um executivo era por que era capaz e se empenhava, caso contrário abandonava as suas funções e regressava a soldado.

Na verdade a escola que hoje está moribunda é libertária e não opressiva e em breve teremos uma escola opressiva, regulada pelos poderes politico-partidários. Existiam obviamente entorses que deveriam ter sido resolvidas à muito tempo. Nem tudo estava bem, mas acreditem que vai ficar pior. acredito porém que nem tudo será mau a classe passará realmente a existir - este é o ano do nascimento de uma nova classe em Portugal a da classe docente.

(...) de um docente consciente da sua primeira função,

(Carlos Brás)

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Efectivamente, a Ministra perdeu os professores e é pena.Porque, estando em causa o ensino e a educação, está em causa o futuro do país. A actividade docente, porque é uma actividade que implica relações humanas, precisa de um clima de serenidade e confiança entre os vários intervenientes. Ora, as injustiças e o desassossego, entretanto criados com os atropelos à lei, com o aumento da burocracia, com a overdose legislativa (e mal escrita) e com um comportamento de desconfiança e frequentemente acintoso relativamente aos docentes não se apagam, da mente, com um simples delete. Mais, mesmo que nos queiramos abstrair, tudo isso emerge quando menos esperamos e contamina, como um veneno, as melhores boas intenções. Os professores não são todos bons profissionais, é evidente, mas a maioria é-o. E as actuais políticas educativas não estão a separar o trigo do joio. Pelo contrário, está-se a deitar fora a criança com a água do banho. Má estreia, diria o Eça pela voz do Afonso da Maia.

(Nelsa Neves, professora.)

*

Hesitei em comentar o artigo porque efectivamente não sinto a obrigação de convencer ninguém. Quem trabalha diariamente nas escolas são todos aqueles que lá estão; todos os outros não podem opinar sobre aquilo que não sentem, não sofrem e não sabem como funciona. A tentação é sempre usar o chavão do corporativismo mas isso aplica-se transversalmente a toda a sociedade: desde os políticos que governam até a todas as profissões. Quem tem de defender as condições dignas de trabalho são os agentes aos quais é aplicado esse trabalho. Na docência estas condições pioraram (perdeu-se o direito à maternidade, paternidade, luto de familiares, casamento) com mais horas lectivas semanais (horas extra não remuneradas), mais turmas em escolas com a mesma dimensão e equipamentos (os cursos profissionais, Novas Oportunidades), etc.

Treinadores de bancada hà muitos mas só um é que comanda a equipa; como é possível opinar sem conhecer os elementos técnicos da avaliação de desempenho? Quando os conhecerem, concluirão que é humanamente impossível aplicá-los nos moldes em que estão propostos. Os parâmetros criados são a porta aberta à arbitrariedade, discricionariedade e perseguição, que em nada estão relacionados com qualidade do desempenho. O exemplo da escola de Leiria (com parâmetros em que avaliavam a verbalização da opinião dos professores), aliado ao novo modelo autocrático de gestão das escolas, é paradigmático do que irá acontecer a médio prazo em termos de avaliação; se o oito é mau, o oitenta é pior.

Como é possível aceitar tacitamente a divisão dos professores em 2 categorias quando executam exactamente as mesmas funções e muitas vezes em conjunto?
Nunca houve progressão automática porque os professores só progrediam se cumprissem uma série de requisitos; se era eficaz, é um assunto que teria de ser discutido na mesa técnica. O que é garantido, é que com esta avaliação NINGUÉM progride, nem maus e nem bons, por imposição de quotas cegas.
Agora não “são sempre os mesmos”, parafraseando o primeiro-ministro; são muitos que nunca na sua vida profissional se manifestaram (eu incluído), mas que atingiram o limite da humilhação a que têm sido sujeitos.
Toda a revolta espontânea que surgiu, ao arrepio dos sindicatos, apenas teve como causa as muitas injustiças e ilegalidades descaradas do ME em relação a milhares de professores; e a injustiça é a mãe de todas as revoltas.

(Mário Silva)

*

Sou um professor titular do ensino básico. Tenho 30 anos de serviço docente. Não sou nem nunca fui militante de nenhum partido político. Tenho cumprido regularmente a minha obrigação cívica e democrática de exercício do voto, tanto na escolha dos deputados nacionais, como na dos deputados europeus e municipais, de acordo com as minhas opções políticas e ideológicas e as minhas preferências partidárias.
Tenho-me sentido incomodado e ofendido pela forma superficial e pouco séria como a generalidade dos meios de comunicação social e em particular alguns jornalistas e opinion makers vêm abordando o conflito entre professores e o governo, reduzindo tudo a querelas partidárias e sindicais.

(Francisco José Santana Nunes dos Santos)

*

Sobre a questão da Avaliação de Desempenho dos professores, gostaria de lhe pedir para se debruçar um pouco sobre a ficha de avaliação imposta aos Conselhos Executivos (CE) para poderem avaliar todos os docentes. A partir desses itens os CE têm de estabelecer os padrões de referência/perfis de desempenho que acabam por ser impossíveis de
quantificar.como por exemplo este:

Indicadores de medida:

. nº de projectos e actividades desenvolvidas no âmbito do PEE, PAA e PCT

. nº de projectos e actividades que coordenou

. nº de actividades em que o docente não participou sem qualquer justificação relevante

. cumprimento dos objectivos previstos na actividade/projecto

. natureza da actividade/projecto

. relevância dos projectos e actividades desenvolvidas

. qualidade na supervisão das AEC (1º ciclo)/componente de apoio à família (Pré-Escolar)

Padrões de referência/perfis de desempenho (para os indicadores acima
mencionados):

C.1.1.1.1 – O docente empenhou-se em muitas (mais de 10/ano) e relevantes actividades/projectos, coordenando pelo menos uma delas/ano
introduzindo aspectos inovadores no desenvolvimento das mesmas

C.1.1.1.2 – O docente empenhou-se em bastantes (mais de 5/ano) e
relevantes actividades/projectos, coordenando pelo menos uma delas/dois
anos e, quando não participou, justificou tal facto de forma plausível

C.1.1.1.3 – O docente empenhou-se em algumas (mais de 3/ano) actividades/projectos

C.1.1.1.4 – O docente não se empenhou grandemente nas actividades/projectos


Se reparar, é pedido a cada docente, para obter a pontuação máxima, que se envolva em 10 actividades relevantes, coordenando pelo menos uma delas. Se pensar numa escola com 60 professores, poderá acontecer de num ano lectivo, a escola desenvolver 600 projectos ou actividades. Como poderá o CE medir o empenhamento e a relevância dessas mesmas actividades? Como se dimensiona o empenhamento e a relevância se à partida todos os docentes promoveram a actividade para resolver um problema? Estas actividades têm sempre como um fim levar os alunos a empenhar-se num determinado problema constatado por eles. Vamos supor que o problema para um determinado grupo de alunos era o lixo acumulado no recreio. O
docente implementou com os seus alunos um projecto de sensibilização para o problema e desenvolveu-o durante o ano conseguindo que esse problema desaparecesse. Um outro professor, desenvolveu um projecto de expressão dramática e levou os seus alunos a dramatizar uma obra. Essa obra foi depois levada para o exterior, envolvendo os pais na confecção de roupas etc... Esta actividade foi muito mais visível, mas será que promoveu nos alunos mais competências?
Como será que o CE vai decidir qual a mais relevante? Para mim a 1ª é muito mais relevante, mas menos visível. Será que a relevância se vai confundir com visibilidade?

Outro problema nesta avaliação está na contradição entre os normativos e depois os itens. Por ex: na educação especial o normativo 3/2008 refere que cabe ao docente titular de turma a coordenação e implementação do Plano Educativo Individual (PEI), mas é o professor de Ed. Esp. que é avaliado pelo resultado do mesmo. Ainda no que refere à Ed. Esp, no meu agrupamento de escolas, cada professor tem em média 12 alunos, tendo apenas uma carga horária de 2 horas semanais com cada aluno. Como pode um professor implementar um PEI com esta carga horária?

(H)

*

(...) no que diz respeito à Educação, permita-me que discorde em parte consigo. 20 anos de ensino, algumas leituras e reflexões dar-me-ão alguma autoridade para opinar sobre o assunto, o que lamento não ser o caso de toda a gente neste país. Somos um povo de "palpitadeiros", perdoe-me o neologismo.

A Educação estava de facto mal, toda a literatura científica sobre o assunto apontava nesse sentido. Os problemas estavam bem identificados nos extensos estudos que foram publicados sobre a Educação do "antes". Porque não duvidemos, haverá uma educação do "antes" e do "pós" era Socrática...

O que mais me tem confundido, e me leva a partilhar a opinião de um trio ministerial autista aos reais problemas da educação é esse mesmo: a incapacidade (ou recusa?) em reconhecer os bloqueios de um sistema de educação dos mais adiantados em termos teóricos e dos mais ineficientes em termos de aplicação.

O problema podia também estar ao nível dos professores, mas não estava só. Posso apontar vários aspectos que funcionavam mal, mas que não irão melhorar. Este ministério ignorou-se, ou subverteu-os atribuindo a responsabilidade da sua inoperância aos professores. O objectivo é claro, tal como no sector da saúde: privatizar, privatizar, privatizar. A política não é o meu forte, e nem irei por aí, mas essa não é a minha concepção de escola. A escola é de todos e para todos.

A avaliação dos alunos não estava adequadamente implementada. O reforço da importância dos exames para o rigor (rigor de quê?!), não a veio melhorar de forma alguma. A avaliação dos professores, que sempre existiu, nunca foi devidamente aplicada. A formação que permitia aos professores progredirem na carreira era aprovada e frequentemente paga pelo estado. Os formadores eram acreditados pelas estruturas do estado. Os professores não melhoravam as suas práticas, a formação estava frequentemente desfasada das necessidades do sistema, sabiam-no? Porque não respeitar as regras do jogo, nomeadamente incumbindo as Escolas Superiores de Educação da formação contínua, finalidade para que foram criadas e não para formação de professores 2 em 1?

A Educação Especial não funcionava ou funcionava mal pontualmente? Porque não aplicar a lei e recorrer às estruturas existentes (Coordenações das Áreas Educativas, Equipas de Coordenação da Educação Especial) para pôr ordem no sector. É claro que tal implicaria que prevalecessem critérios de competência e não políticos para a escolha dos coordenadores. Do tempo do governo PSD / CDS-PP, foi caricato, em certas Coordenações e Direcções Regionais, o baile de cadeiras para a divisão dos lugares entre estes dois partidos. Mudámos para um governo PS, recomeçou o bailinho das estruturas...

Seria exaustivo enumerar todos os problemas, que foram pura e simplesmente postos de lado, é mais fácil culpar os professores: a fixação geográfica dos professores, a falta de equipas multidisciplinares para quebrar o isolamento da escola face aos desafios da era moderna (indisciplina/ violência, drogas, famílias destruturadas, instabilidade económica, que se foi aliás agravando com este governo. Se a escola já não lhe respondia antes, imagina-se agora...)

A situação está à imagem do debate dos prós e contras: a Ministra bate no ceguinho, alguns professores emitem barbaridades sem se aperceberem sequer disso, e o professor Formosinho procura defender que se calhar o que está mal é a própria estrutura da escola. Dizia ele : porquê haver turmas? A escola está em mudança é urgente adaptarmo-nos às necessidades criadas. A escola tem de mudar.

A minha opinião é: mimem os professores, dêem-lhes formação adequada, acompanhem-nos, dêem-lhes condições físicas, materiais e psicológicas, ajudem as famílias. E depois exijam. Exijam. Eu agradecia. Sentir-me ia mais amparada, e talvez reconhecessem finalmente o valor dos bons.

(Conceição Faustino)

*

Em 2006, relendo o “Estado de Sítio” de Albert Camus, senti como proféticas estas palavras relativamente:

a) aos professores:

"Nada: (...) imaginam que tudo está na ordem. Não, vocês não estão na ordem, vocês estão na fila. Bem alinhados, de ar tranquilo, vocês estão maduros para a calamidade. (...) Quanto ao resto não se incomodem , há quem se ocupe de vocês lá em cima. E vocês sabem o que isso dá: os que se ocupam de nós não são complacentes!

b) à Ministra da Educação:

A Peste: Eu reino, é um facto, é por consequência um direito. Mas é um direito que não se discute: vós deveis adaptar-vos.”

“A Secretária: A nossa convicção é que vocês são culpados.

(«Temos professores a mais e com fracas competências», dizia a Ministra em Maio de 2006)

(...) É preciso ainda que vocês próprios se sintam culpados. E não se sentirão culpados enquanto não se sentirem fatigados. Estamos a fatigá-los, eis tudo. Quando estiverem derreados de fadiga, o resto irá por si.”

Para terminar, e também sobre a avaliação:

"(...) e as avaliações e os exames diminuem as poucas forças internas capazes de mobilizar os indivíduos, (...) Longe de lhe [à sociedade portuguesa] insuflar força anímica, retiram-lhe energia, envergonham-na sem a estimular."

(Portugal Hoje, O Medo de Existir, José Gil, Relógio D'Água, p. 82)


Rui Monteiro (professor de Educação Tecnológica na EB 2,3 Luís de Sttau Monteiro, Loures)

*

Há quase vinte anos que estou na educação, nunca fiz uma greve, não sou militante de nenhum partido e nunca fui a uma "manif ". A minha carreira profissional teve início no ensino privado, onde permaneci cerca de dez anos. O que oferecia eram baixos salários, pouco investimento na formação dos docentes. A situação económia estava sempre à frente do investimento ao nível pedagógico. Considerei que tinha chegado a hora de sair.

Ao optar por passar para o ensino público, verifiquei melhorias a nível salarial, mas um sistema pouco receptivo a mudanças, burocrático e instalado. Os colegas que estavam ligados aos sindicatos tinham ainda mais regalias, as avaliações de desempenho, pouco assertivas, em suma a escola existia mais para os professores e menos para os alunos.

Era importante mudar, ajustar, fazer alterações. Surgiram os agrupamentos de escolas e as alterações pouco a pouco tornaram-se visiveis. No entanto era necessário continuar com as mudanças, fazer reformas, mexer em interesses instalados.

Quando este governo começou a fazer alterações, considerei que as mudanças seriam graduais, apesar de não sentir grande empatia pelo PM. Começam as revogações das leis, alterações nos concursos, surgem as extras currículares, as aulas de substituição e ninguém esclarecia ninguém, tudo era imposto,

Instalou-se a incerteza, o medo, o sentimento de injustiça e por fim a revolta. O autoritarismo, a falta de diálogo, leis atrás de leis, sem qualquer espaço nem termpo, para as aplicar.

Estatísticas sem veracidade ao nível do conteúdo, combate ao insucesso e abandono escolar, com conteúdos programáticos sem qualquer exigência, desordem total!

Retirei, como mãe, a minha filha das extra currículares, por não existirem condições, nem ao nível das estruturas fisícas, nem técnicos qualificados, estes, arranjados à pressa pelas Associações de Pais e Câmaras Municipais, enfim um verdadeiro depósito. Por fim a cereja no bolo, acabar com ATLs porque os pais saiem todos do trabalho às 17h30, foi genial!

Vou para a rua, vou pela 1ª vez a uma "manif" porque considero que "não é com vinagre que se apanham moscas", farta de mentiras, de injustiças, de pagar cada vez mais impostos e ter de reduzir cada vez mais, em quase tudo. Ver reduzir o IVA nos ginásios, quando o leite, o pão, as papas e os bens essenciais das crianças a subir.

Familías cada vez mais necessitadas e medidas sociais, que apenas contribuem para a maior produção de crianças nas classes mais desfavorecidas com o objectivo de irem buscar subsídios. O resultado são o aumento das crianças em centros de acolhimento, para adopção. Aumento do número de contribuiçóes do já pouco dinheiro dos contribuintes.

Trabalhar! Sempre o tenho feito e farei enquanto conseguir e for útil, porque a reforma está longe e provavelmente inexistente, mas desta forma, para chegar onde?

Vou em protesto, vou! Contra todos os políticos, que estão instalados na carreira e nada mais fazem do que proteger os seus interesses, marionetas dos grandes grupos económicos. Para onde nos vão levar, onde fica a nossa cultura? O nosso contexto social? Para onde foi parar o referendo, para passarmos a ser uma federação da Europa, o sonho de Robert Schuman e Jean Monnet.

A comunicação social sem qualquer independência, com reportagens só aceites pela censura "socrátrica". As maiorias são perigosas, porque eles vêm disfarçados de D. Sebastião, que nunca mais voltou, porque não chegou a partir, está em cada um de nós, nas nossas consciências, nos nossos valores éticos, no altruismo e sentido de justiça.

Maria B. Campos (Educadora de Infância )

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver





Segurança em torno do Teatro Mariinsky (S. Petersburgo) onde Vladimir Putin assiste a um concerto privado.

(..) no St. Petersburg Times pode-se ler uma noticia sobre o concerto a que Vladimir Putin assistiu na passada quarta-feira. (ao qual se referem as fotografias que lhe enviei com a segurança em torno do teatro). Não e' de todo coincidência que em véspera de eleições, Putin decida homenagear cantores tão queridos do publico russo, como a nova "diva" Anna Netrebko, e anuncie aumentos dos subsídios para um teatro que esta' tão no coração dos russos como o Mariinsky. Seria normal que nesta altura escrevesse algumas linhas sobre as eleições na Rússia mas para ser sincero nao me apetece, porque na realidade, uma vez mais não havera por aqui verdadeiramente qualquer eleição. Esta tudo mais do que determinado, e o suposto acto eleitoral e uma encenação que nem se esforça muito por disfarçar a fraude.

Mas gostaria de partilhar um pequeno comentário que me fez um destes dias o concertino da Orquestra Filarmónica de St.Petersburgo. Contava-me ele, em conversa de café, no intervalo de um ensaio, como foi a sua passagem por Lisboa há cerca 2 semanas, quando se houve pela televisão a voz de Putin. Ele faz uma pequena careta (como quem diz "nao gosto deste tipo"), e depois diz: "mas pela música e pelos músicos, so' fez coisas boas!" E' por estas e por outras que, independentemente de alguns métodos menos ortodoxos usados, e perante a incompreensão de muitos ocidentais, Putin goza de tanta popularidade entre os russos!

(João Tiago Santos)

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LENDO
VENDO
OUVINDO
ÁTOMOS E BITS

de 29 de Fevereiro de 2008


A quantidade de correspondência que está a chegar ao Abrupto sobre os serviços dos CTT, de que se publicam aqui alguns exemplos, mostra que a exibição malcriada e arrogante ontem na SICN do seu responsável nomeado pelo governo, esconde muita incompetência e maus serviços de uma empresa pública que despreza os seus utentes como o seu administrador despreza as regras de civilidade e a obrigação de prestar contas.

*

Poucas vezes tive mais pena de não poder escrever de imediato, com bastante fúria aliás, do que quando ouvi ontem na SICN o gestor destacado pelo PS para os CTT, Luís Nazaré, responder com uma grosseria e má educação sem limites, às críticas da DECO aos serviços dos correios. Espero que a SICN coloque em linha esses longos minutos de insultos, de arrogância, de recusa liminar de qualquer crítica, no fundo para disfarçar uma desresponsabilização fundamental: a administração dos CTT não assume a responsabilidade pelo correio normal, não registado, o correio dos cidadãos comuns que não podem esperar que comprar um selo, ou seja pagar um serviço ao estado, lhes dê a garantia que a carta chega ao destino. Não ficou aqui o protesto em directo, fica em diferido.

Resposta de Luís Nazaré aqui e aqui.

*
Em relação aos serviços que os CTT prestam, gostava de referir alguns aspectos que, por serem factos (e não opiniões), têm algum interesse:

Lembram-se das etiquetas amarelas de «Publicidade não endereçada - aqui não, obrigado» que os CTT davam? Pois já não dão.

Lembram-se dos envelopes selados, de correio normal? Pois já não se fazem.

Lembram-se de um serviço que permitia, mediante pré-pagamento, que se enviasse uma carta escrita no computador - e que era enviada por www.ctt.pt? Pois deixou de funcionar.

Lembram-se dos quiosques que permitiam aceder à Internet em muitas estações? Pois foram retirados.

Lembram-se de os quiosques de venda de selos aceitarem cartões (nomeadamente os NetPost, que os próprios CTT vendiam por €5,49)? Pois deixaram de os aceitar.

Conhecem alguma estação onde se possa pagar com cartão multibanco? Pois eu não conheço.

E deixo a melhor para o fim:

Quase todos os dias tenho de ir a uma estação dos CTT comprar selos para envio de livros e, naturalmente, esperar na fila. No entanto, existe lá uma máquina de venda de selos que, depois de alguns "cliques", me pede para colocar o envelope na balança.
Pois em seguida informa-me que o meu pedido não pode ser satisfeito porque a encomenda "pesa mais do que 0 (sim, ZERO!) gramas"!

De vez em quando, a propósito de um caso ou outro, reclamo. Mas as cartas de resposta (que, reconheço, sempre vêm) são "chapa-três" - limitam-se a agradecer a minha informação... e tudo fica na mesma.

(C. Medina Ribeiro)

*

Telegraficamente, aconteceu-me hoje nos CTT (estação da Av. Igreja):

Quero fazer reexpedição de correspondência.

Preencheu os papéis?

Sim, minha senhora aqui os tem (dou impressos obtidos via Net).

Esta gente toda?

Sim, porque está aí para além de mim e da minha mulher, a minha Mãe, já falecida, e o meu filho mais velho.

Tem tudo que assinar.

E eu com ar de espanto: desculpe? Ó minha senhora, eu e a minha mulher, está bem, mas repare que nos outros casos não é possível: a minha Mãe porque já faleceu e o meu filho porque só tem 5 anos.

Não, não. Tem tudo que assinar. ( e continua) Olhe, para já não é possível reexpedir correspondência dos mortos (sic), depois, quanto ao seu filho, diz para ele pôr a impressão digital.

(aí, perdi a paciência e alguma compostura) Desculpe-me, minha senhora? A senhora tem a mínima noção do que está a dizer? Tem a noção ou não tem? Primeiro é possível sim senhora a reexpedição de correspondência de pessoas falecidas, porque eu próprio utilizei esse serviço durante cerca de um ano, depois, acha que vou dizer ao meu filho mais velho para pôr o dedo aqui neste papel?!? É que não tenha dúvidas que não vou!

(diz-me ela, sem perder o perfil de incompetente) Só um momento que vou falar com a chefe da estação.

(passados 2 mn) Olhe, ainda é pior do que lhe disse da primeira vez: não só não pode reexpedir correios dos mortos (sic), como do seu filho também não.

(eu) Chame a chefe da estação.

(ela) Só um momento.

Chega a dita com ar empertigado: Diga, sff.

(eu) Ó minha senhora, pode dizer-me como é que esta senhora funcionária me está a dar uma informação comprovadamente errada quanto à reexpedição de correspondência de pessoas falecidas?

(ataca ela logo) Sim senhor! Isso é impossível! As pessoas não percebem que os Correios fazem isto para protecção dos interesses das pessoas!

(eu) Ai é? Então a defesa desses interesses significa, de acordo com o que me estão a dizer, que as pessoas que falecem não podem deixar ninguém… (hesitei) vivo, porque esses não podem receber directamente qualquer correspondência, é isso? Então isso também significa que o que os mesmos Correios me fizeram há um ano e tal está errado, é isso?

(ela) É isso mesmo. (!!!!)

(eu) Olhe, minha senhora, não vou entrar nesse plano de discussão, porque é demasiado ridículo. Apenas lhe digo que se se enganaram, enganaram-se bem! Bom dia.


(cerca de uma hora depois, na Loja do Cidadão). Tratam-me com competência e simpatia (decidi entretanto eliminar o nome de minha Mãe) No fim, pergunto: Olhe minha senhora, só por curiosidade: é possível a reexpedição de correio de pessoas falecidas?

Resposta pronta: claro que sim, desde que junte cópia simples da habilitação de herdeiros.

(eu) Muito obrigado pela informação.

(ela) Com muito gosto.


Veja as diferenças. Sinceramente, não há comentários possíveis.

(Rui Esperança)

*

(..)os CTT tornaram-se para mim, já há uns anos, um ódio de estimação:

Em 1990 paguei para, durante 3 meses (se a memória não me falha), ter o correio reencaminhado entre duas moradas em Lisboa: nem uma única carta foi reencaminhada.

Depois fui viver para a zona velha de Almada: vivo numa Travessa que tem os números de porta (muito bem indicados) como: 3, 3ª, 3B e 3C.

E há uns anos que acontecem coisas estranhas: o correio normal chega, por norma, uma vez por semana (ou quinzenalmente) por atacado: como se os meus fornecedores de serviços e os simpáticos da publicidade combinassem colocar as cartas no correio num determinado dia (embora com datas de envio diferentes, claro).

O correio registado já apresenta mais alternativas: por vezes alguém recebe o correio registado e coloca a carta respectiva por baixo da minha porta (sendo que a minha porta só dá para 2 casas, e não é essa vizinha a assinar os avisos, não sei quem o faça), esta é sem dúvida a melhor opção.

Noutras alturas, aparece o aviso para ir levantar o correio vários dias depois da data aposta nele.

Já aconteceu estar de férias, sair de casa às duas da tarde, e encontrar um aviso dizendo que ninguém tinha atendido às 11.00 da manhã (a minha campainha até um morto acorda….).

Há poucos meses, concorri a um concurso interno na CML e recebi, no meu local de trabalho, a carta de notificação para apresentar reclamação à lista de candidatos aceites, que me tinha sido enviada para casa e devolvida à CML com a indicação “não reclamado”. Escusado será dizer que nesse não me ausentei e nunca recebi nenhum aviso.

Quanto a reclamações: os CTT da Praça do MFA recusam-se a receber reclamações, dizendo que as mesmas têm que ser feitas na estação do Pragal. Uma vez até me dei ao trabalho de ir reclamar por escrito. E funcionou: recebi um telefonema a saber se os problemas já estavam ultrapassados e, de facto, durante umas semanas recebi tudo com regularidade, mas depois voltou à confusão do costume. E Eu, preguiçosa como sou, não voltei a reclamar.

(Brígida Carvalho)

*

Cópia de carta enviada ao Presidente dos CTT (por mail), a 29 de Dezembro de 2006, ainda sem resposta.


Exmo. Senhor

Dr. Luis Nazaré

Presidente do Conselho de Administração dos CTT


A 27 de Setembro, precisei de enviar uma carta para o estrangeiro. Como não sabia qual era o selo e se a carta precisava de ser pesada, fui a uma estação dos CTT. Aliás, mesmo que soubesse, teria que ir na mesma porque a máquina de venda de selos mais próxima (na 5 de Outubro) esteve avariada durante meses e não estive para perder tempo a verificar.

Na estação dos CTT da Avenida 5 de Outubro, havia 4 ou 5 clientes quando cheguei, às 14h38. Enquanto esperava vi que a estação parece um supermercado brinquedos, livros duvidosos, canetas, ursos de peluche, pulseiras, copos, uma parafernália de brindes. Mas comprar UM SIMPLES SELO é que foi o diabo!

A senha estava no 232 quando cheguei. A minha era o 243. Havia poucas pessoas à espera, o que significa que outros clientes desistiram e tinham ido embora. O 232 esteve parado até às 15h00!

Havia 4 empregados a atender o público:

- Um deles só mexia em papéis (se é para mexer em papéis, escusava de estar ao balcão, a presentear-nos com o seu ar burocrata);

- Uma senhora só atendia para assuntos financeiros, com ar despachado;

- O 3º passava a vida a “ir lá atrás” buscar não se sabe bem o quê, uns papéis...

- A 4º, mal terminava de atender um cliente, descansava longamente, olhando para cima, para baixo e para os lados, antes de chamar a senha seguinte.

Como barulho de fundo, meia dúzia de vozes femininas, atrás do balcão, rindo regaladamente com uma criancinha que foi de visita à estação, mostrar as suas graças infantis. Perante a minha indignação, a que se juntou a dos outros clientes, a 4ª funcionária disse que era hora de almoço!

Fui atendida às 15h12, um atendimento que demorou menos de 1 minuto. 34 minutos à espera de ser atendida, para comprar um simples selo, parece-me um poucochinho exagerado, em dia de ponte, com a estação/supermercado praticamente vazia. O selo custou-me cerca de 2 euros, mais 34 minutos de espera.

São estas as maravilhas que tem para nos oferecer a gestão moderna e eficiente dos CTT? Eu quero lá saber dos Action Man ou dos restaurantes que têm nas estações! Eu quero é entrar numa estação e comprar um selo, em poucos minutos.


Será que alguém pode, pf., pensar um bocadinho sobre o que levará uma pessoa a entrar numa estação dos CTT?

Muito obrigada

(espero que esta carta chegue bem)


INFELIZMENTE, a história não acaba aqui.

Hoje, 29 de Dezembro, fui à mesma estação comprar um envelope azul nacional para lhe enviar esta carta. Fui à máquina para poupar tempo. Carreguei no único botão que tinha este tipo de envelope (azul, sem janela). Saiu-me um envelope internacional, por 1.8 euros (mas esta indicação só estava no envelope em letras minúsculas, não na prateleira, e só com ele na mão pude verificar).

Os envelopes azuis normais, correio nacional estavam ESGOTADOS. Em compensação, havia imensos Tartarugas Ninja na prateleira do lado. Que pena não servirem para levar cartas!

Tirei uma senha e repetiu-se a experiência – 45 minutos à espera de um grande momento:

Os seus funcionários não queriam trocar o envelope! Diziam que a máquina não faz trocas. Eu perguntei de quem era a máquina e eles responderam: CTT.

Mandei chamar a chefe. Depois de um bate-papo, por especial favor (isto é, para evitar um escândalo maior) lá me devolveu os 1.8 euros.

Conclusão: vou enviar esta carta não por correio, mas por mail.

Se eu fosse presidente de uma empresa que funciona assim, pintava a cara de preto.

Não estou à espera de resposta, mas gostava de a receber.

Com os meus cumprimentos,

Dalila Carvalho

*

Não tenho memória em tv, ou qualquer outro meio de comunicação social, de assistir a uma demonstração tão grande de profunda má criação, arrogância e falta de nível. Em nota de rodapé a SIC Noticias identificava o senhor como presidente do Conselho de Administração dos CTT, o qual, aliás, se mostrou logo incomodado de não ter, por parte da DECO, um parceiro ao seu nível hierárquico. Penso que a minha estupefacção não era menor do que a da jornalista e do próprio representante da DECO, esse sim que como pessoa educada que demonstrou ser, conseguiu não baixar o nível do debate, que devia ser o que queria o seu oponente.

Disse ainda, o tal senhor que os CTT estavam entre os 10 primeiros serviços de correio do mundo. Estiveram, será correcto e justo afirmar.

Não utilizo os CTT com regularidade. Recebo, no entanto, correspondência, aqui em Lisboa. Mas de há uns anos a esta parte é ver a correspondência que me é destinada e aos meus vizinhos, trocada com outros prédios da rua, sem qualquer justificação plausível, tamanho é o disparate. O que se observa é um corrupio de carteiros, ou seja mudam com muita frequência. Assim sendo o nível de confiança é, naturalmente, muito baixo.

O senhor acabou por prestar, junto de quem assistiu ao jornal da noite, um serviço à DECO.

(Rosa Barreto)

*

Resido no Porto, na Rua X, no 5.º andar esquerdo do n.º 848. Na minha caixa do correio, foi hoje depositada uma carta dirigida ao senhor Yunjie Zhu, residente na Rua X, n.º 856.

Por outro lado, este mês não paguei a conta da luz, porque a determinada altura tive a peregrina ideia de aderir à VIA CTT (lembram-se?). As facturas da luz chegam-me agora ao site da VIA CTT em formato PDF e eu recebo um mail a avisar-me da respectiva entrada. Este mês, recebi o mail de aviso, mas sempre que me dirigi ao site para abrir a factura em PDF, saiu-me uma janela pop-up a advertir-me da impossibilidade de executar a operação. Resultado: não pude recolher os números de referência e o montante, para, como é costume, proceder ao pagamento no multibanco. Por causa dos CTT, estou em mora com a EDP.

(António Cardoso da Conceição)

*

Nesta polémica sobre os serviços prestados pelos CTT, que ria chamar a atanção para uma questão, que se cinge normalmente ao meio filatélico, sobre a política de emissões filatélicas dos CTT e, particularmente, para a política deliberada de apagamento da memória. Os CTT têm um rpograma filatélico com a emissão anual de muitos selos. Nem tudo pode caber neste plano de emissões e nem sempre se pode agradar a todas as sugestões que são feitas. Porém, como confessa o director da Filatelia nos CTT no seu blog, estes têm uma política deliberada de apagamento da memória cultural do país, esquecendo-se de lembrar os centenários de nomes tão importantes da nossa cultura como António José da Silva, Francisco Manuel de Melo, Adolfo Casais Monteiro. Dizem os CTT que isso não interessa aos potenciais clientes que compram selos por impulso. Assim se desreponsabiliza uma empresa pública do seu importante papel institucional de divulgação, embora mitigada, da nossa cultura.
Aproveito para lembrar que os CTT são de alguma forma sensíveis à crítica: deixaram de emitir selos sobre as máscaras populares por pressão da Igreja Católica, porque alegadamente reproduziam o Diabo...

(António Carvalho )

*

Hoje cheguei a casa depois de 5 dias fora. Na minha caixa do correio tinha meia duzia de cartas que eram para vizinhos. Os endereços dessas cartas estavam correctos. Fiz a função do carteiro e distribuí-as pelas caixas certas. Nunca tal aconteceu antes.

(Eduardo Tomé)

*

Desculpem lá estragar a festa, mas tenho uma história verídica para contar sobre os CTT. É contra a corrente, mas enfim...aqui vai. Tenho uma tia no Porto, chamada Margarida, mas conhecida por Nena, que um dia recebeu uma carta de uma amiga que vive na Venezuela, com o seguinte endereço: NENA -Porto.
A minha tia não é figura pública,o Porto é uma cidade um pouco maior do que a Marmeleira, mas a verdade é que a carta lhe foi entregue pelo carteiro. Demorou cinco meses a chegar ao destino, mas a verdade é que chegou. Como? Não sei! ATENÇÃO! Isto é verdade, não é PUBLICIDADE!

DECLARAÇÃO DE INTERESSES: Não sou do PS, não conheço o Dr Luís Nazaré e não tenho acções dos CTT

(Carlos B.Oliveira)

*
Enviou-lhe mais um exemplo, passado comigo, de como andam os serviços dos CTT:

Informação obtida através do serviço dos CTT (nem tudo é mau nos CTT) que indica os passos porque passou uma encomenda minha, vinda do estrangeiro, desde a chegada à Central de Cabo Ruivo até me ser entregue:

Pesquisa de Objectos GF710xxxxxxPT
Nº Alfândega: N/A

5 items encontrados, mostrando todos os items.
....

Cabo Ruivo ao Paço do Lumiar convenhamos que é um bocadinho demais.


(Pedro Bandeira)

*

Eu sou professor e irei à manif do dia 8. Lendo os relatos absurdos acerca dos serviços dos ctt, não pude deixar de pensar em como isso tudo vem já no seguimento de um ensino deficiente. Um dia recebi uma encomenda onde vinha manuscrito a indicação "A quebrar: 5$00". Faz lembrar aquela citação: "Se acham o ensino dispendioso, experimentem a ignorância"

A instrumentalização do ensino público para fins puramente eleitorais, com o combate ao insucesso e ao abandono escolar por quaisquer meios para obter resultados estatísticos fraudulentos, está a levar os professores a situações limite. Cada vez mais ouço casos de professores que pura e simplesmente deixam de transmitir conhecimentos a turmas inteiras, ou a alguns alunos dentro de uma turma, porque é simplesmente impossível.

(Jaime Braz)

*

Com o presidente dos CTT a falar assim na televisão, como poderemos esperar um atendimento respeitoso por parte dos seus funcionários nas estações?
Que eu saiba ninguém se queixou do estravio de cartas( e aí devemos felicitar o senhor pelos escassos 3%,). Os problemas surgem quando entramos numa estação dos Correios.

(M Cruz, Oeiras)

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EARLY MORNING BLOGS


1237 - L'homme et son image

Un homme qui s'aimait sans avoir de rivaux
Passait dans son esprit pour le plus beau du monde:
Il accusait toujours les miroirs d'être faux,
Vivant plus que content dans une erreur profonde.
Afin de le guérir, le sort officieux
Présentait partout à ses yeux
Les conseillers muets dont se servent nos dames:
Miroirs dans les logis, miroirs chez les marchands,
Miroirs aux poches des galands,
Miroirs aux ceintures des femmes.
Que fait notre Narcisse? Il se va confiner
Aux lieux les plus cachés qu'il peut s'imaginer,
N'osant plus des miroirs éprouver l'aventure.
Mais un canal, formé par une source pure,
Se trouve en ces lieux écartés:
Il s'y voit, il se fâche, et ses yeux irrités
Pensent apercevoir une chimère vaine.
Il fait tout ce qu'il peut pour éviter cette eau;
Mais quoi? Le canal est si beau
Qu'il ne le quitte qu'avec peine.

On voit bien où je veux venir.
Je parle à tous; et cette erreur extrême
Est un mal que chacun se plaît d'entretenir.
Notre âme, c'est cet homme amoureux de lui-même;
Tant de miroirs, ce sont les sottises d'autrui,
Miroirs, de nos défauts les peintres légitimes;
Et quant au canal, c'est celui
Que chacun sait, le livre des Maximes.

(La Fontaine)

*

Bom dia!

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27.2.08


EARLY MORNING BLOGS


1236 - L'infinito

Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
E questa siepe, che da tanta parte
Dell'ultimo orizzonte il guardo esclude.
Ma sedendo e mirando, interminati
Spazi di là da quella, e sovrumani
Silenzi, e profondissima quiete
Io nel pensier mi fingo; ove per poco
Il cor non si spaura. E come il vento
Odo stormir tra queste piante, io quello
Infinito silenzio a questa voce
Vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
E le morte stagioni, e la presente
E viva, e il suon di lei. Così tra questa
Immensità s'annega il pensier mio:
E il naufragar m'è dolce in questo mare.

(Giacomo Leopardi)

*

Bom dia!

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26.2.08


NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

LENDO / VENDO / OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 25 de Fevereiro de 2008 (2) - sobre o debate Rajoy - Zapatero + comentários.

NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DO IRAQUE COMO OPERAÇÃO MILITAR (4) - o livro de Gordon e Trainor, sobre a invasão militar do Iraque.

O LASER QUE PERSEGUIU RONALDO - o que valem as notícias do dia a dia + comentários.

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: РОДИНА



















Simon Roberts,
Motherland
, Londres, Chris Boot, 2007.

(Em breve.)

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver





Noite em Cascais.



Porta verde em Monsanto.



Bandeira. (António Cabral)



Lugar de Merlães, Cepelos, Vale de Cambra.



Uma vaca, hoje. (Fernando Batista)



Manhã na Quarteira. (Ochoa)

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EARLY MORNING BLOGS


1235 - 1(a... (a leaf falls on loneliness)

1(a

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iness

(e.e. cummings)

*

Bom dia!

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25.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 25 de Fevereiro de 2008 (2)

O debate Zapatero - Rajoy transmite a dureza da vida política espanhola, mais radicalizada do que a portuguesa. Mas, no seu conjunto, mostra em ambos o esgotamento deste tipo de retórica política, deste teatro estudado ao milímetro, feito de acusações mútuas, que resulta cansativo e estéril. O que é que acontecia se aparecesse alguém a falar normalmente com dúvidas, reconhecendo erros, hesitações, com convicções mas sem tanta certeza, discutindo mais do que proclamando? Cada vez me parece mais que talvez, talvez, tivesse uma oportunidade. Não sei. talvez.

*
Estou absolutamente de acordo consigo quanto ao debate Zapatero - Rajoy e ao cansaço causado pelas certezas absolutas. Mas não estará você a cair em contradição com a sua própria atitude frequentemente pouco nuancée - veja por exemplo o que escreveu sobre Obama, a última entrada sobre o Insurgente ou a fobia do futebol. Não me entenda mal: eu acho muito bem que pense nas coisas e que escreva sobre elas e infelizmente há poucos por aí a fazê-lo com liberdade; acho é que também sofre dessa tendência de pintar a preto ou branco.

(Pedro Barbosa)

*

Há anos que me faço essa pergunta, convicto que estou que seria bem diferente e aceite (ainda que ao princípio com alguma resistência) quem tivesse um comportamento “humano” em cenário político. Penso, muito sucintamente, que um dos problemas reside nas máquinas partidárias, nas agências de comunicação e afins que, pura e simplesmente, trituram quem possa vir com novas ideias acerca de uma abordagem diferente e mais honesta aos temas de debate. Para que tal não acontecesse, seria necessário um líder forte e com personalidade, que não se submetesse à lógica político-partidária. Ora, é visível que esses – a existirem – estão longe destas coisas, porque não estão para isso.

(Rui Esperança)

*

Não se estará a referir a António Guterres? Ele era justamente assim, com dúvidas, humanista, hesitante por vezes. Mas não foi precisamente por aí que se iniciou o "ataque" ao então primeiro-ministro? Depois veio a presidência da UE (distanciamento da política interna, disse-se então, como se a política comunitária não fosse, também ela, interna, ou de interesse nacional) e os jornais, seleccionando as piores fotografias para publicar (a partir de 2001) fizeram o resto. A António Guterres não foi feita ainda, na minha opinião (claro), justiça ao seu trabalho enquanto PM, nem mesmo depois de Durão-Santana-Sócrates. Tenho muita pena que se tenha demitido, desde então, não temos tido homens a governar sem ser pela arrogância e pela mentira.

(Samuel Freire)

*

Queria chamar-lhe a atenção para o adensar do clima de tensão social e política que se vive em Espanha com o aproximar das eleições de 9 de Março. O PSOE apresentou o guia do candidato para a campanha e o assunto promete dar que falar por aqui. No documento define-se a estratégia que deve seguir o discurso dos políticos socialistas durante a campanha. Cumprindo com a linha retórica da esquerda no que toca a períodos pré - eleitorais, sugere-se explicitamente o recurso à caricatura da direita, a exploração do estereótipo habitual que a cola à extrema-direita, que insiste no seu carácter autoritário, retrógrado, anti-social e agressivo por contraponto à esquerda socialista: moderna, progressista, justa, afligida pelos problemas sociais, moderada, defensora dos pobres e oprimidos. O guia é de tal forma descarado no convite que faz à exploração política de uma imagem preconceituosa e enviesada que mais parece um manual de demagogia ou de manipulação de massas. E o pior é mesmo o despudor com que o assume e as consequências que está a ter.

Enquanto o guia do PSOE alerta os espanhóis para o autoritarismo da direita, vem da esquerda a selvajaria que nos últimos dias tem impedido a liberdade de expressão sob aquela aura romântica do “intelectualismo inconformado” que a contracultura de 68 criou. Nos últimos 15 dias houve tentativas organizadas de agressão a dirigentes do PP como Maria San Gil em Santiago de Compostela, Dolors Nadal, impedida de falar em Barcelona, Franscisco Granados e Juan Guermes também do PP e Rosa Diez, do novo partido UPyD em Madrid. Aqui na Faculdade de Ciência Política da Complutense, a cartilha neomarxista não deixa espaço ao “outro”. Quem não partilhe a perspectiva da “dominação simbólica” que nos define a todos como cúmplices do capitalismo opressor e é a preferida de quem opta pelo modo de vida do “perro y porro” ou quem apresente o menor sinal de “aburguesamento” está automaticamente sujeito ao clima insuportável de intolerância, denúncia e acosso. Esse mesmo que dissuade qualquer visita académica que ouse problematizar ou reflectir criticamente sobre os adquiridos e o “dogmatismo preguiçoso” da esquerda, que era justamente o que se propunha fazer a presidente do novo partido surgido em Espanha e que junta personalidades reconhecidas como por exemplo o filósofo Fernando Sabater.

A estes episódios somam-se ainda os vídeos da “Izquierda Unida” colocados no youtube em que se pode ver o avatar do próprio líder (Llamazares) a queimar uma fotografia da família real numa daquelas acções de fanfarra tão típicas na estética de acção da extrema esquerda europeia. Sem deixar de ser contraditório é de facto notável o modo como a Revolução se aproveita tão bem dos veículos de informação e da lógica sensacionalista que critica no capitalismo para ganhar a atenção e o protagonismo que o sufrágio popular lhe nega sistematicamente.

Faltam duas semanas para as eleições e tenho a impressão de que todo o ambiente de profunda crispação social e política que desencadeou um governo acidental, “repescado” entre os dias 11 e 14 de Março de 2004, se vai condensar nestes 15 dias à volta de temas tão actuais na vida política de Espanha como os separatismos vasco e catalão, o estatuto da Igreja Católica, a nova disciplina de “Educación para la Ciudadania”, que é pouco menos do que uma tentativa de “alinhar” os adolescentes espanhóis no politicamente correcto do socialismo “moderno”, a lei de memoria histórica, um capricho de Zapatero que reabre a ferida que a Transición tentou fechar com tanto custo para evitar um processo revolucionário como aquele que deixou marcas entre nós, etc.

Acrescento apenas a propósito das agressões que os movimentos feministas, particularmente fortes em Espanha e normalmente lestos a denunciar a violência de género não tiveram uma única palavra de condenação e censura para a cobardia daquela rapaziada tão CHE que abana as bandeiras da tolerância e da diferença mas não deixa falar quem tenha outra opinião a dar. A palavra que se ouviu, essa sim, foi a de Felipe Gonzalez que ironizou sobre o facto de uma das senhoras ter aparentado chorar por ser ver no meio daquele espectáculo. Tendo em conta que se trata do “sábio” mor da UE, às tantas ainda nos vão proibir o choro ou então admiti-lo só para quando soe a Nona…

(Diogo Xavier Madureira)

*

Discordo da sua nota sobre o debate. Não creio que seja a retórica política em Espanha mais radicalizada que por cá, o que há sim é uma sociedade mais radicalizada, e sobretudo uma direita perfeitamente canhestra e caceteira. Espanha tem cinco vezes o tamanho de Portugal, e quatro vezes e meia a população, com vários problemas de nacionalidades- País Basco, Catalunha, Galiza( basta ver a posição que está a ter sobre o Kosovo para se perceber que a balcanização não é um fantasma, mas sim uma ameça). Convém não esquecer que Espanha tem uma longa história de guerras civis( não apenas a deste século), de intentonas repúblicanas e de sucessões dinásticas falhadas. E convém recordar que o próprio avô de Zapatero morreu na guerra civil espanhola. Numa manifestação recente um manifestante do PP tinha um cartaz alusivo a esse facto histórico: "Zapatero, bete com tu abuelo", ou seja Zapatero vai ter com o teu avô. Espanha tem a direita mais "caceteira" da europa. O PP não é, de modo algum, parecido com o nosso PSD. É muito mais parecido com o nosso PP que com o nosso PSD, sobretudo na demagogia e no discurso hiperbólico. A atitude de encobrimento que Rajoy teve no 11 de Março faria com que, em qualquer país europeu, nunca mais voltasse a fazer política. Se fosse em Portugal não estou a imaginar nenhum líder do PSD a sobreviver a um tal evento. Porém em Espanha a direita optou sempre por defender quem a esquerda ataca. Não importa quem, nem o quê- se for atacado pela esquerda é porque é bom!... É deste primarismo populista que este PP vive. E esse primarismo populista, gostem eles ou não disso, tem um nome na sua génese: Franco. O discurso da direita espanhola é, sem tirar nem por, o mesmo que o velho ditador tinha. Ao contrário do que sucedeu por cá, muito graças à acção de Francisco Sá Carneiro, um político de excepção, a direita espanhola não mudou com a abertura democrática e continua tão franquista como o era antes da Constituição. O PP é o seu mais que perfeito herdeiro político.

(Pedro Pita Soares)

*

O debate Zapatero-Rajoy, na parte em que vi, incluindo os dez minutos iniciais de enumeração de todos os órgãos de comunicação que o transmitiam e a descrição detalhada das regras a que obedecia, fez-me lembrar as óperas chinesas em que até os passos de cada um no palco estão contados e a existência e cumprimento dessas regras são um valor em si mesmo. Confesso que além de pouco interessante me parece quase ridículo. Os temas estão preparados, cada um leva decoradas as suas declarações e há pouca discussão verdadeira. O importante é “fazer passar uma mensagem”, mesmo que não seja em diálogo efectivo com o interlocutor. Há que parecer sereno, parecer seguro, parecer confiante, parecer respeitar as regras, parecer sério, parecer agressivo sem ser violento, parecer dominar os assuntos, especialmente números, parecer que já ganhou. De alguma forma, fez-me lembrar a entrevista de Sócrates à SIC. Ou seja, um tédio.

Também os blogues portugueses que li entram nos sítios certos, com a voz, a nota, a veste e os passos certos: os que pensam que são de direita acham que ganhou Rajoy, os que acham que são de esquerda acham que ganhou Zapatero. E depois, papagueiam exactamente os mesmos argumentos. Ou seja, a mensagem passou. Sem fífias ou gaffes. E vazia.

(R)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DO IRAQUE COMO OPERAÇÃO MILITAR (4)

Ver 1 , 2.e 3.

A operação militar no Iraque foi uma forma moderna de blitzkrieg, executada por um número de forças bastante reduzido, mas dotado de enormes vantagens tácticas e estratégicas, a começar pelo controlo absoluto do ar e pela superior qualidade do armamento. A capacidade e determinação dos militares americanos debaixo de fogo, marines, forças especiais, soldados e oficiais, revelou-se em múltiplas ocasiões. Apesar de existir um plano estudado até ao mais pequeno pormenor, houve um grau considerável de iniciativa e de adaptação às circunstâncias imprevistas. Entre as páginas mais interessantes deste livro está a descrição do raid final até ao centro de Bagdade comandado pelo coronel David Perkins. A incursão era suposta ser exploratória, mas Perkins, actuando por sua iniciativa, transformou-a no momento da derrota iraquiana, quando resolveu ficar a noite num dos palácios de Saddam. Nessa altura, os americanos pensavam que ainda iriam ter a sua prova de fogo mais dura contra a Divisão Medina, que tinha sido ultrapassada na corrida a Bagdade, mas isso nunca aconteceu.

A "velocidade" da máquina de guerra americana foi no entanto atrasada por formas pouco convencionais de guerra, entre a guerrilha e acções de guerra convencional, que se revelaram a seu modo eficazes e mostraram que havia grupos determinados e organizados para continuar a resistência, mesmo que o "centro" caísse. Não é no entanto líquido que, se a transição fosse melhor gerida, a "insurreição" do Baas e de alguns grupos sunitas não tivesse o sucesso que posteriormente veio a ter. O caos que se instalou quase de imediato com os saques generalizados mostrou as debilidades enormes da ocupação. Resultou de erros de julgamento sobre a possibilidade de manter a máquina do estado iraquiano a funcionar, associados à impossibilidade prática de controlar as cidades devido ao número muito pequeno de tropas, conforme a "economia de forças" defendida por Rumsfeld. Este estava convencido que as tropas americanas chegavam, viam e venciam e depois vinham-se embora. Nunca houve planos sérios para uma estadia muito superior aos seis meses, o que se veio a mostrar completamente irrealista.

Alguns dos erros que hoje são evidentes, têm estado a ser, pouco a pouco, corrigidos, mas já num contexto muito mais hostil e com enormes dificuldades que podiam ter sido evitadas ou minimizadas. A melhoria das condições de segurança, ainda que ténue, parece consolidada, mas há ainda muito que fazer para "remendar" um país que Saddam quase destruiu, com colaboração dos erros e ilusões americanas. Mas a situação ainda é precária, pelo que não parecem ser outra coisa que demagogia as propostas de retirada de candidatos presidenciais como Hillary Clinton e Obama. Se o fizerem, os EUA sofrerão uma enorme derrota política no Iraque muito para além da vitória militar que obtiveram, com consequências gravosas para todo o mundo. Bush tem as suas responsabilidades, mas uma retirada unilateral imediata é do domínio do pesadelo para a segurança do mundo.








Quando escrevi esta nota sobre o livro de Chandrasekaran não sabia que existia uma edição portuguesa das edições 70. Aqui fica a referência.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 25 de Fevereiro de 2008


O Insurgente "ocupado" parece os Avantes falsos que a PIDE fazia. Parecia propaganda comunista e era propaganda anti-comunista. Este parece a mesma coisa: parece esquerdista mas é para ser anti-esquerdista. Só que é tão rudimentar, tão rudimentar, que é tão ineficaz como eram os Avantes, e mostra o mesmo primarismo de aproximação (não me venham dizer que tem graça, porque isto é tão óbvio que não tem graça nenhuma).

Um exemplo da pseudo-linguagem revolucionária do "Insurgente (okupado)":

A tentativa de expor o campo de concentração dos falcões de Washington e de, simultaneamente, apoiar as culturas indígenas e de comércio justo e biológico do camarada Morales, bem como de combater a política opressiva dos bófias estado-unidenses e do lobby farmacêutico sobre a recreação e a cultura, foi deste modo tragicamente interrompida, sem poder dar os seus plenos frutos e avançar a agenda revolucionária.

O Colectivo lamenta somente a falta de arrojo dos nossos camaradas infiltrados na CIA que militam na Europa. Enquanto na frente de combate se sabe conjugar com equilíbrio as causas, e se sabe também transportar ao povo os benefícios da luta, por aqui temos que nos contentar com umas meras escalas técnicas e com a camarada Ana Gomes.

Um exemplo semelhante num Avante falso, onde um pseudo-general Delgado explica como se converteu ao comunismo:

Para isto não valia a pena terem dado cabo do Insurgente.

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CAÇA
http://www.mtas.es/insht/images/erga/vangogh_lena02.jpg
E RECOLECÇÃO (2)


Quando se escreve sobre história, mesmo muito recente, mapas, guias, roteiros, mapas de estradas, são muito úteis e evitam muita asneira na narrativa. Somo para a minha colecção este Guide et Plan de Lisbonne de dois jornalistas ilustres, Norberto de Araújo e António Soares, que não está datado, mas deve ser do final dos anos trinta, ou anos quarenta. Para se ver como era a zona das Amoreiras antes da ligação à autoestrada e das torres, fica aqui um fragmento do mapa.

Depois vários livros "raros e curiosos", como se diz nos catálogos dos alfarrabistas. Dois vindos dos regimes ditatoriais, um sobre a ofensiva que a URSS e outros países conduziram contra a Espanha franquista (e também o Portugal de Salazar) na muito jovem ONU em 1946; outro, um conjunto de documentação da Itália fascista, destinada entre outras coisas a justificar a entrada da Itália em guerra contra a França em 1940.


Vários para os meus trabalhos sobre a extrema-esquerda:


O de Glucksman, anterior ao Maio de 1968, é um exercício filosófico sobre a "guerra revolucionária", que tenta enquadrar a revolução cubana e o "pensamento de Mao Zedong". Muito do tempo, como a Partisans, a revista fundamental para estes anos e estas situações. Tenho uma colecção incompleta, em grande parte porque era muito difícil obtê-la antes do 25 de Abril, e lá vou comprando número a número, quase sempre nos alfarrabistas estrangeiros. Este número 12 é muito interessante por ter um dos primeiros artigos maoístas europeus de autoria do belga Jacques Grippa. Ao lado está um livro-panfleto de Hill, ele também um dos primeiros maoístas, advogado de Victoria na Austrália, e fundador do PC da Austrália Marxista-Leninista. O PC Belga de Grippa e o PCA - ML de Hill foram casos de sucesso do muito jovem maoísmo, logo nos anos de 1963 e 1964. Por fim, Eldridge Cleaver, o Pantera Negra, candidato presidencial, revolucionário internacionalista que viveu na Argélia, violador de brancas, prisioneiro de delito comum, autor de Soul on Ice, um best-seller, consumidor de crack, desenhador de roupas, cristão born again, tudo o que se podia, devia e não devia ser. O livro Panthére Noir da Seuil é só sobre o revolucionário, mas já se percebe o tumulto interior do personagem.

(Continua)

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CAÇA
http://www.mtas.es/insht/images/erga/vangogh_lena02.jpg
E RECOLECÇÃO

Resultados da actividade, um pouco por todo o lado, de caça e recolecção:




um grupo de postais de Bernardino Machado enviados ao jornalista e publicista Carlos Portugal Ribeiro nos anos vinte.




















Um lote de números da revista Gil Vicente. Este número aqui reproduzido, o 21-24, Janeiro - Dezembro de 1985, tem um estudo de Manuel Gama sobre Sampaio Bruno e a divulgação do marxismo em Portugal.


(Continua)

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EARLY MORNING BLOGS


1234 - L'approdo

Felice l’uomo che ha raggiunto il porto,
Che lascia dietro di sè mari e tempeste,
I cui sogni sono morti o mai nati,
E siede a bere all’osteria di Brema,
Presso al camino, ed ha buona pace.
Felice l’uomo come una fiamma spenta,
Felice l’uomo come sabbia d’estuario,
Che ha deposto il carico e si è tersa la fronte,
E riposa al margine del cammino.
Non teme né spera né aspetta,
Ma guarda fisso il sole che tramonta.

(Primo Levi)

*

Bom dia!

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver





Barra de Aveiro ao fim da tarde. (José Manuel Figueiredo)



Fim do dia sobre a Quarteira. (Ochoa)



Mosteiro, Gondar, Amarante. (Helder Barros)



Mar no Algarve. (Ochoa)


Rio Sizandro.



De manhã no Oeste. (Ana Ferreira)



Burro à hora do almoço. (António Cabral)





Algarve. (Ochoa)



Sede do PSD em Setúbal. (Mário Simões)



Porto da Figueira da Foz. (Pedro Pimentel)





Cheias em Gotemburgo. Diga-se em abono da verdade que não havia muito a fazer. Vento de oeste a 100km/hora, com rajadas a 140, empurra a água do mar com uma força fenomenal. Como além disso a pressão atmosférica é muito baixa, "puxa" a água para cima. Em poucas horas, o nível médio do mar e do rio tinha subido quase um metro e meio. Mas havia um "alerta laranja", tanto para o vento como para a subida do nível da água, e toda a gente estava mais ou menos preparada. (Madalena Ferreira Åhman)



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Noite no Algarve. (Ochoa)



Aznavour em Lisboa.

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24.2.08


O LASER QUE PERSEGUIU RONALDO



O que é que é importante e o que é que é "espuma dos dias"? É um exercício perigoso e arriscado, não é bem futurologia, mas também não é apenas a mais segura análise do presente. O futuro é uma terra distante e o futuro tem muitas mãos a mexer-lhe. Por isso gente sensata não se põe a fazer de Maya ou Paulo Cardoso, nem de "mãe de santo", nem de general romano a mandar ler as entranhas de uma ave antes de uma batalha. Com o futuro tenho muito respeitinho, até porque tem o hábito de não andar por cá quando escrevemos sobre ele e depois chega quando não o esperamos. Tomem, pois, este exercício à conta de desespero noticioso.

Por onde é que anda o futuro? Uso como minhas vísceras de ave, ou cristais, que é mais elegante, o Público de ontem, um jornal que, declarando-se de referência, já é suposto fazer uma selecção de assuntos em termos de importância, logo de futuro. Deito fora de imediato as páginas de desporto. Duvido que "dois minutos à Benfica resolvem jogo praticamente perdido" dure mais que um dia ou dois, para além do enigma que para mim é este "à Benfica". O "Basileia caiu com estrondo", "faltaram golos para poder sonhar", o "laser que perseguiu Ronaldo", "bom arranque de Pedro Figueiredo faz sonhar..." e vários "líder" nos títulos tenham futuro. Tem graça esta secção de desporto, parece a página de poesia, cheia de "sonho", ou será a página Lopes-Menezes cheia de "líder"? Não sei. Devem ser as duas: a poesia que eles lêem e o "sonho" que eles têm. Adiante.

As páginas de economia estão dedicadas ao crime. BCP e "processo de fraude das falências" e a "fuga ao fisco que cria tensão entre a Alemanha e o Liechtenstein" são os destaques. Se fosse nos EUA, já teríamos visto os amáveis gestores a saírem das empresas de algemas. Na Europa, duvido. Futuro? O crime tem sempre futuro. O destaque do jornal também é dedicado à economia, ao crescimento da UE em 2008, uma análise macroeconómica dominada pelo medo da "estagflação", o fantasma que ensombra o mundo, diz o título, feito certamente de uma memória remota do início do Manifesto Comunista.



Um pouco mais de futuro já tem a notícia sobre a Greenpeace ir ter uma "antena virtual" em Portugal. Sempre pensei que isto das "antenas" era com os serviços de informação, mas a Greenpeace parece que está preocupada com o facto de Portugal ser "o país europeu que mais peixe per capita consome: 50 quilos por ano". Bem tem que se preocupar, porque com a moda elegante do sushi que invadiu a turma lisboeta dos que seguem a moda, vamos ficar o Japão da Europa e tornar a dar trabalho aos baleeiros dos Açores. Preparem pois as armas para a guerra entre os amigos da pesca e os amigos do peixe. E eu que pensava que peixe era bom para a saúde.

Deixei para o fim, a política nacional e a internacional, o "mundo" como se diz. Nós por cá todos bem, diz o poder, e todos mal, diz toda a gente que sobra. A SEDES escreve sobre o futuro: "Sente-se em Portugal "um mal-estar difuso", que "alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional". Este mal-estar e a "degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento". E se essa espiral descendente continuar, "emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever"." Ou seja, diz o mesmo que disse o general Garcia Leandro, sem as reminiscências do 28 de Maio e do 25 de Abril. Como todos sabem, eu faço parte da equipa dos pessimistas de quem o senhor primeiro-ministro falou com enorme enfado esta semana, por isso acho mesmo que há futuro nesta previsão. É por isso que os que dizem que a entrevista do primeiro-ministro foi um sucesso para ele, esquecem que, com este "mal-estar difuso", aquele tipo de discurso não só não cola como começa a ser contraproducente.

Depois, o resto do noticiário nacional tem muito crime e pouco castigo. Há os episódios seguintes da "telenovela venezuelana" no PSD, várias disfunções, coisas que funcionam mal e deviam funcionar bem, uma eterna fonte de notícias em Portugal. Há também os habituais passos de dança da coreografia nacional entre as quais a benemérita passagem das discotecas a "associações" para nelas se poder fumar. De resto, nada de relevo, espuma. Só espreita por cima da espuma esta complacência que se tem com António Costa, a mesma que sempre envolveu os "meninos de ouro" putativos sucessores no PS, Vitorino e Costa. Costa está a conduzir mal o processo financeiro na CM de Lisboa, mas o mau da fita é agora o Tribunal de Contas, que impede a câmara de pagar aos fornecedores, baseando-se numa lei do próprio Costa, quando, noutra encarnação, verberava os autarcas devedores e lhes cortava a colecta.

Por fim, chegamos ao futuro propriamente dito, ao "mundo", onde a selecção natural das notícias já nos garante alguma solidez. A começar pelo Kosovo, ilustrado com chamas. Os Balcãs são um perfeito exemplo de uma regra que convém não esquecer: onde há muito passado, há muito futuro. O vespeiro em que a UE se tem vindo a meter é um verdadeiro caso de estudo da inexistência de uma política externa europeia e da relação dessa ausência com a falta de expressão militar da União. Quem está a fazer a política para os Balcãs são os EUA, num dos casos exemplares em que uma política "europeia" teria sempre que ser diferente da americana. Mas como são os EUA que, desde a guerra da Bósnia, têm o músculo militar, por si e através da OTAN, que podem os europeus fazer diferente? Nada, balbuciam e dividem-se, com o directório a mandar. Por tudo isto ainda vamos ouvir falar muito desse protectorado dos EUA que é o Kosovo. E da UE como femme de ménage. Muito futuro, muito futuro, o recordista do futuro neste dia de jornal.
A maioria da opinião pública e de muita da comunicação social (aqui o Público é excepção) permanece indiferente à política externa portuguesa quanto ao Kosovo. O mesmo se poderá dizer da indiferença com que o PS e o PSD tratam esta questão, ainda por cima numa zona onde há tropas portuguesas que foram para lá baseadas num mandato que afirmava que o Kosovo era parte da Sérvia... Quem é que quer saber disso para alguma coisa? Agora o que eu queria saber é que pressão está a fazer o directório europeu, França, Alemanha, Reino Unido, para que países como Portugal reconheçam o Kosovo? Porque estão de certeza a fazê-la e eu estou longe de considerar que o reconhecimento do Kosovo corresponda aos nossos interesses nacionais. Por muito que isso pareça contra-intuitivo em relação à nossa história, não é do interesse nacional qualquer coisa que ajude à fragmentação da Espanha.
Muito futuro, tanto futuro quase como o Kosovo, é a destruição de um satélite perdido por um míssil disparado de um navio americano. Um teste real que qualquer militar desejaria fazer e que pelos vistos correu bem, mostrando que os EUA avançam na sua capacidade anti-satélites, uma vantagem estratégica fundamental. Os russos acusaram o toque, como é óbvio. De resto, Paquistão, Marrocos e Al-Qaeda continuam nas notícias, como era de esperar, vem do passado, estendem-se para o futuro. Mais "tempos interessantes" da maldição chinesa, a caminho por esses lados.



Podemos agora pôr o futurómetro de lado. Pensando bem, o que é que é estranho nisto tudo? Há a história, como de costume, com a sua assinatura caótica que estamos sempre a querer ordenar a posteriori. Mas estranho, estranho, meus amigos e leitores, estranho é o presente em que vivemos, em que um "laser perseguiu Ronaldo". Aí está aquilo que nunca passou pela cabeça ao Deus da História, ao Professor Hegel, às Parcas, ao Destino Manifesto, seja lá ao que for. É por isso que o mundo nunca nos aborrece e é sempre interessante.

(Versão do Público de 23 de Fevereiro de 2008.)

*
(...) Confesso, no entanto, que não entendi porque a UE vai ser a "femme de ménage" no Kososvo. A dúvida ou divergência não é de substância, é linguística. Escapa-me porque não utilizou você, a expressão mulher-a-dias e teve de se socorrer de duma expressão fracesa desnecessária. Cá para mim, complexo freudiano, de quem acha que os deputados no Parlamento Europeu em Bruxelas, podem e devem ter uma femme de ménage, talvez vinda da Sérvia, do Kosovo ou da Albânia; mas os intelectuais portugueses devem ser ele próprios a engraxar os seus próprios sapatos, e pôr as peúgas a lavar na máquina. Que é o que eu faço.

(Pedro K(C)osta Ferreira)

*

(...) estou a ler ou melhor ouvir "Die Geschichte Deutschlands im 19. und 20. Jahrhundert" de Golo Mann. Não sei se já leu, não sei se está traduzido em português, mas é certamente uma obra que me tira a respiração: lucidez, informação fide digna, um alemão cristalino. Extraordinário para a comprehensão da história europeia, porque nos faz perceber os meandros sem entrar em fundamentalismo teórico.

(Monika Kietzmann Lopes)

*

A apatia dos dois grandes partidos portugueses, da opinião pública em geral e da imprensa (com uma ou outra excepção), sobre a questão do Kosovo, infelizmente não é grande surpresa. Mesmo a imprensa que lhe dedicou alguma atenção, não deu o devido destaque à sui generis "posição comum" europeia e à sua muito peculiar forma de respeitar a legalidade internacional. Nas conclusões sobre o Kosovo da reunião nº 2851 do Conselho da União Europeia efectuada em Bruxelas, a 18/02/2008, podemos ler que "O Conselho saúda a continua presença da comunidade internacional baseada na Resolução nº 1244 do Conselho de Segurança".

O que o texto se "esqueceu" de dizer é que na Resolução nº 1244 (1999) deste órgão das Nações Unidas se afirma, claramente, logo nas considerações iniciais, "o comprometimento de todos os Estados-membros com a soberania territorial e integridade da República Federal da Jugoslávia", o que não foi propriamente o caso. Quanto à posição comum sobre o Kosovo da UE, uma leitura rápida do texto mostra também que esta basicamente consiste em que cada "Estado-membro vai decidir, de acordo com a sua prática nacional, e de acordo com a lei internacional, as suas relações com o Kosovo".

Numa linguagem mais terra-a-terra que qualquer pessoa compreende, a posição comum é... cada cada um fazer o que bem entende em relação ao Kosovo. Percebe-se por que a UE, com este tipo de "posições comuns", é de facto o grande actor da política internacional que todos nós conhecemos. Para além disso, o texto da resolução do Conselho, vinda de uma organização preocupada com o respeito do Direito Internacional e a moralidade na política internacional, não deixa de saber também a um belo exercício de cinismo político.

Uma outra ironia disto é que a UE - uma organização que ambiciona federar os povos europeus -, apoia não uma federação entre sérvios e kosovares, mas a secessão destes últimos, promovendo uma Europa que, em vez de se unificar, cada vez mais se fragmenta (o Kosovo é o sexto estado a emergir da ex-Jugoslávia). Outra contradição, também notória, reside no facto de apoiar a unificação de cipriotas gregos e turcos, ao mesmo tempo que a apoia a separação de sérvios e kosovares. A consequência natural desta política é dar argumentos e legitimar a pretensão (ilegal face ao Direito Internacional) dos cipriotas turcos sobre o reconhecimento «República Turca de Chipre do Norte», predispondo-os para a não reunificação, e tornado o problema de Chipre insolúvel.

Quanto ao Kosovo, não sei se os europeus (e norte-americanos) pensaram nisto a médio ou longo prazo - infelizmente, parece que perderam esse hábito -, mas uma coisa parece bastante óbvia: ou assumem a difícil tarefa de construção de um estado e de um protectorado ab eterno do Kosovo (com o necessário envolvimento político, militar e de ajuda económica e social - neste sentido a declaração de independência foi mais uma "declaração de dependência" da UE e dos EUA), ou então, mais tarde ou mais cedo, este será uma porta aberta para a projecção da influência árabe e islâmica no sudeste europeu. Pior do que isso, se o Kosovo engrossar o número de estados falhados poderá tornar-se numa porta de entrada por onde o islamismo radical vai tentar entrar na UE. Será que este foi um risco calculado?

(José Pedro Teixeira Fernandes)

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22.2.08


BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 22 de Fevereiro de 2008


Aleluia! Pela primeira vez vi aquilo que me parecia ir ser mais um momento-Chávez de Sócrates na RTP ser transformado numa pergunta a sério e respondida pela irritação e pela recusa mal-humorada de quem é perguntado. O Primeiro-ministro marca as cerimónias para aparecer em directo no telejornal, logo é suposto que lhe perguntem pela actualidade, neste caso o documento da SEDES, também em directo. Espero que não seja apenas um acaso, mas revele uma nova orientação editorial que só prestigiaria a televisão pública. Amen.

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Debate democrático. (MJ)



Mar na Quarteira hoje.



Mais Quarteira. (Ochoa)



Santa Maria de Fregim, Amarante.



Tardes de Inverno, vista de Amarante a partir de Madriane, Telões. (Helder Barros)

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EARLY MORNING BLOGS


1233 - One Life of so much Consequence!

One Life of so much Consequence!
Yet I—for it—would pay—
My Soul's entire income—
In ceaseless—salary—

One Pearl—to me—so signal—
That I would instant dive—
Although—I knew—to take it—
Would cost me—just a life!

The Sea is full—I know it!
That—does not blur my Gem!
It burns—distinct from all the row—
Intact—in Diadem!

The life is thick—I know it!
Yet—not so dense a crowd—
But Monarchs—are perceptible—
Far down the dustiest Road!

(Emily Dickinson)

*

Bom dia!

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21.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 21 de Fevereiro de 2008


Ninguém entrevista hoje na televisão como Mário Crespo, como se pode ver neste momento com Telmo Correia na SICN.

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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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EARLY MORNING BLOGS


1232 - La conchiglia marina

O conchiglia marina, figlia
della pietra e del mare biancheggiante,
tu meravigli la mente dei fanciulli.

(Salvatore Quasimodo)

*

Bom dia!

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EXTERIORES: CORES DO ECLIPSE DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver








A Lua em Sul até que chegaram as nuvens... (José Manuel Figueiredo)

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20.2.08


EXTERIORES: CORES DE HOJE

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Lua no noite do eclipse no Funchal. (Carlos Oliveira)



Crepúsculo em Setúbal. (Ochoa)



Crepúsculo no Montijo. (António Cabral)



Quinta da Granja frente ao C.C. Colombo. Benfica,Lisboa. (Pedro Gms)





Miranda do Douro. (Pedro Bandeira)



Tâmega junto de Amarante. (Gil Regueira)



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)





Nevoeiro em Setúbal. (Ochoa)



Nevoeiro na Ponte. (Nuno Soares)







Depois da chuva. (António Cabral)

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EARLY MORNING BLOGS


1231 - I Am The People, The Mob

I am the people--the mob--the crowd--the mass.
Do you know that all the great work of the world is
done through me?
I am the workingman, the inventor, the maker of the
world's food and clothes.
I am the audience that witnesses history. The Napoleons
come from me and the Lincolns. They die. And
then I send forth more Napoleons and Lincolns.
I am the seed ground. I am a prairie that will stand
for much plowing. Terrible storms pass over me.
I forget. The best of me is sucked out and wasted.
I forget. Everything but Death comes to me and
makes me work and give up what I have. And I
forget.
Sometimes I growl, shake myself and spatter a few red
drops for history to remember. Then--I forget.
When I, the People, learn to remember, when I, the
People, use the lessons of yesterday and no longer
forget who robbed me last year, who played me for
a fool--then there will be no speaker in all the world
say the name: "The People," with any fleck of a
sneer in his voice or any far-off smile of derision.
The mob--the crowd--the mass--will arrive then.

(Carl Sandburg)

*

Bom dia!

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19.2.08


NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

"VAMOS A VER" (1) e (2) - fotografias e cartas de leitores de Loures sobre as cheias que o responsável da Protecção Civil dizia que não podia haver.

NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DO IRAQUE COMO OPERAÇÃO MILITAR
Ver 1 , 2 , 3. e continua.


BOOMERANG - sobre o pedido de desculpas do PM australiano aos aborígenes+ comentários.

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Muro em Lisboa pela manhã. (RM)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 19 de Fevereiro de 2008


Alguém percebeu a "defesa" dos magistrados do DIAP do Porto? Alguém percebeu em que é que aquilo é "defesa"?

*

Hoje, o Eduardo Prado Coelho teria escrito sobre Alain Robbe-Grillet.

*

O "tabu" é uma tentativa de dar interesse e novidade a uma entrevista que não teve nenhum, nem interesse, nem novidade. Eu podia prescindir da novidade se houvesse interesse, mas nem isso. O Diário Económico pediu-me uma opinião sobre a entrevista do Primeiro-ministro à SIC:
“Não teve pontos positivos nem negativos. Foi completamente desinteressante e reveladora do estilo agressivo e propagandístico do primeiro-ministro. Ou há contraditório ou não há interesse nestas entrevistas.”
*

Um típico rodriguinho dos jornalistas é a palavra "tabu". Já está por todo o lado nos relatos da entrevista de Sócrates (aqui e aqui), porque ele resolveu não dizer já que se vai recandidatar, por razões que se percebe serem puramente retóricas, para afirmar que o que lhe interessa agora "é governar e não pensar em eleições". Por favor, deixem lá de usar a palavra sempre que alguém não quer responder numa determinada altura a uma determinada questão, como se fosse verdadeiramente um segredo, ou uma dúvida ou um "tabu"... Alguém pensa que Sócrates não respondeu porque não vai recandidatar-se ou não sabe ainda o que vai fazer? Poupem-me. Um pouco mais de imaginação e menos de estereótipos não fazia mal.

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"VAMOS A VER" (2)

foi o que eu disse ontem no programa da Maria Elisa sobre as cheias na RTP1 ao responsável da Protecção Civil de Loures, que assegurava que a construção de uma nova ponte em Loures tinha acabado com os problemas das cheias e me acusava de desconhecer a actual situação do concelho. Viu-se para infelicidade de muita gente em Loures. A chuva respondeu ao senhor responsável da Protecção Civil pelo que talvez seja bom que alguma explicação seja dada por quem tão bem conhece o concelho cuja segurança é suposto garantir. Já passou um dia sem que este responsável, que também é ou foi Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara, esclareça o que aconteceu e como pôde dizer o que disse. A correspondência e as informações que recebo de Loures contam uma longa história de incúria, indiferença e arrogância, tão bem retratadas nessa atitude.

Mais fotografias e correspondência dos leitores sobre o que aconteceu em Loures, aqui.



Rotunda da EN 8 com a EN 115 - Ao fundo, a famosa ponte. Imagem captada na altura em que se efectuava a limpeza da água, lama e dos lixo que atolaram a rotunda, as lojas, as casas, os terrenos agrícolas e as... Oficinas Municipais.



Parque da Cidade, Loures.



Infantado, Loures. (MC)



(Luis Reino)

*
O testemunho que apresento prende-se, como facilmente se deduz pelo que acima escrevi, com a Câmara Municipal de Loures e com os últimos e trágicos acontecimentos que tive a infelicidade de poder ver com os meus próprios olhos. Também eu, como você e milhões de portugueses, tive a oportunidade de ver o senhor Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Loures e responsável máximo pelo Serviço Municipal de Protecção Civil, António Baldo, proferir aquelas palavras – pejadas de arrogância e desfaçatez – no programa “E Depois do Adeus”, de Maria Elisa. (...) Arrogância, prepotência, desprezo, indiferença perante o comum dos mortais, sobranceria face a todos os que o rodeiam. As suas palavras no dia de ontem mais não mostram que a sua verdadeira personalidade.

Ele sabia, como qualquer cidadão minimamente atento, que a nova ponte de Loures não iria solucionar em nada o problema das cheias na cidade. Ele sabia que o concelho continua a ter, e terá durante muitas décadas enquanto não se inverter a política de planificação do território, diversas áreas de risco eminente de cheias, e que Loures, Sacavém, Frielas, Bobadela, Camarate e Bucelas, entre outras freguesias, têm construção em leito de cheias. Ele sabia que pouco ou nada foi feito para reverter este quadro, e que as obras feitas recentemente na rede viária, assim como os atrasos de outras intervenções anunciadas há mais de 4 anos – foram um dos factores responsáveis para o culminar desta terrível situação.

Ainda assim, no programa televisivo, como no dia-a-dia, tentou humilhar os presentes, mostrando arrogantemente as suas falsas ideias. (...)

(MC)

*

As estradas e rotundas que agora inundam ninguém as projectou? Ninguém estudou percursos e drenagens? Ninguém as construiu? Ninguém as encomendou e pagou? Será que caíram do céu como a chuvinha que as inunda? Onde está essa gente toda? Não percebo?

(Feliz Santos)

*

Sou daqui do Norte mas estudei-Liceu ( Camões) e Agronomia em Lisboa, era finalista em 1967 e como imensos estudantes também estive lá! e aquelas imagens vão-me acompanhar p/ sempre na vida...Assisti ontem ao debate e sinceramente deixo aqui a minha profunda indignação pela leviandade com que se continua a gerir este problema de fundo no n/ país. (...)

(José Ribeiro)

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EARLY MORNING BLOGS


1230 - Self-Portrait


He wants to be
a brutal old man,
an aggressive old man,
as dull, as brutal
as the emptiness around him,

He doesn’t want compromise,
nor to be ever nice
to anyone. Just mean,
and final in his brutal,
his total, rejection of it all.

He tried the sweet,
the gentle, the “oh,
let’s hold hands together”
and it was awful,
dull, brutally inconsequential.

Now he’ll stand on
his own dwindling legs.
His arms, his skin,
shrink daily. And
he loves, but hates equally.

(Robert Creeley)

*

Bom dia!

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18.2.08


NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DO IRAQUE COMO OPERAÇÃO MILITAR (3)

Ver 1 e 2.

Um dos aspectos a que a planificação operacional americana deu muita atenção foi a possibilidade de utilização pelos iraquianos de armas químicas ou biológicas na guerra. Os militares consideravam essa possibilidade muito a sério e, contrariamente às teses dos que afirmam que a administração Bush estava de forma deliberada a mentir sobre a sua existência, tudo aponta para que acreditavam de boa fé que os iraquianos as tinham. Em várias ocasiões, os recursos escassos do exército e das forças especiais tinham sido atribuídos a missões de controlo de locais que se considerava terem armamento químico e biológico, houve vários falsos alarmes, e os soldados tiveram que transportar, usar e às vezes combater, debaixo de condições muito difíceis, os seus fatos protectores.

Aliás, conforme revela o livro, também os comandantes iraquianos estavam convencidos de que essas armas existiam e quando, em vésperas do conflito, Saddam os informou da sua inexistência, uns ficaram surpreendidos, outros continuaram a achar que ele as tinha escondidas, provavelmente sob comando de um pequeno grupo de fiéis dirigido pelos seus filhos, Uday e Qusay. No "Cobra II" não só o próprio desenvolvimento das operações tinha em conta a possibilidade de um ataque com armamento não convencional, como havia o convencimento que, à medida que as tropas dos EUA se aproximassem da linha "vermelha", inscrita no plano de defesa iraquiano, à volta de Bagdad, Saddam utilizaria esse armamento como último recurso. Os americanos tinham obtido, através de uma fonte iraquiana da CIA, esse plano de círculos concêntricos de linhas defensivas, uma das quais estava a vermelho. A interpretação do plano era errada, mas, em nenhum momento antes do conflito fora posta em causa a existência de tais armas pelos militares dos EUA, que se prepararam com cuidado para a hipótese de serem atacados com esse armamento pelos iraquianos.
(Uma discussão sobre a interpretação da "linha vermelha" encontra-se no Anexo G (Chemical Warfare and the Defense of Baghdad) em DCI Special Advisor Report on Iraq's WMD, o relatório da CIA que analisa os erros cometidos na avaliação das armas de destruição massiva iraquianas.)
(Continua)

Etiquetas:


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"VAMOS A VER"

foi o que disse ontem no programa da Maria Elisa sobre as cheias na RTP1 ao responsável da Protecção Civil de Loures, que assegurava que a construção de uma nova ponte em Loures tinha acabado com os problemas das cheias e me acusava de desconhecer a actual situação do concelho. Hoje, a chuva respondeu ao senhor responsável da Protecção Civil originando uma situação calamitosa em Loures, pelo que talvez seja bom que alguma explicação seja dada por quem tão bem conhece o concelho cuja segurança é suposto garantir.
Sobre os problemas de Loures e a atitude dos responsáveis municipais em 2007, veja-se aqui.
Agradeço a todos os que estão a enviar informação sobre a situação em Loures.



Esta Rotunda encontra-se à entrada de Loures e junto à famosa nova ponte de Loures que segundo o responsável pela protecção Civil em Loures iria resolver todos os problemas. Pelas 16h00 estava parcialmente fechada, originando um caos nos acessos a Loures.



Sem caminho.



Pelas 16h00 estes bombeiros e civis estavam isolados, devido à inundação
do caminho municipal (Loures junto ao Loures Shopping).



Caminho municipal inundado junto à A8.



A várzea de Loures junto ao Infantado.



Operações conjuntas dos Bombeiros de Loures e Alhandra junto da A8 em Loures.



Parque urbano junto ao Loures Shopping e A8, completamente inundado



Pelas 16h00 a A8, junto ao Loures Shopping, ainda estava a ser limpa no sentido Lisboa-Loures. (Luis Reino)







(Alexandra Romão)




Cheias em Loures: rua Cesário Verde. (NB)
(...) a realidade tristemente o comprova, basta aceder à zona da entrada do parque de Loures, onde se encontra por acabar uma rotunda. Esta zona que foi durante anos, afectada por cheias sempre que a intensidade das chuvas era um pouco maior, parecia ter a sua situação controlada, até que aproximadamente nos últimos 3 anos o problema regressou. Só não aconteceu antes nada como hoje, pois nos últimos anos a época de chuvas tem sido bem mais suave, mas a zona em causa já indiciava que voltaria a ser palco de cheias.

Depois do anúncio espantoso que em Loures a resolução das cheias acontece com a construção de pontes, está neste caso explicado o motivo para esta ponte, com poucas centenas de metros, ter levado quase mais tempo de construção que a ponte Vasco da Gama. O regresso de cheias à baixa de Loures, coincide, presumo que por mero acaso, com a construção da referida ponte e com o tempo (anos) que a rotunda efectuada para acesso à mesma, está para acabar. (...)

(LM)

*

Bastou umas horas para provar que o nosso concelho está entregue aos bichos. Não temos nem protecção civil, nem vergonha na cara, quanto ao comportamento de quem quer ser chefe de qualquer coisa em Loures. Acompanhei o programa de ontem na RTP 1, a tragédia voltou novamente a Loures, nos mesmos sítios de sempre, Sacavém , Camarate, Frielas e SA Cavaleiros, e apesar de existir uma nova ponte em Loures repetiu-se a tragédia de sempre com niveis de àgua de 3 metros junto ao Café Stop , onde foram realizadas obras hà menos de um ano pela Câmara de Loures ( rotundas e a tal ponte do rio de LOURES)., As oficinas municipais ficaram cheias de agua. Em Santo António dos Cavaleiros na estrada nacional foi o fim do mundo, a repetição das mesmas situações das cheias anteriores. Acho que deve fazer a denuncia destas situações

(VS)
*

Pois de facto a situação em Loures hoje estava caótica. Demorei cerca de 2h30 a chegar de Santo António dos Cavaleiros ao final da Calçada de Carriche (percurso mais ou menos com 5km). Para colocar a cereja em cima do bolo, por pouco não afundei o meu carro na Estrada Nacional 8 (que vai de Frielas para a Póvoa de Santo Adrião). Junto envio as fotos do final da Calçada de Carriche para verem como estava a situação hoje de manhã (tenho pena de não ter fotos dos diversos carros que estavam a flutuar na Estrada Nacional 8, mas estava a tentar não afundar o meu…..)

Gostaria muito de ouvir os comentários do Presidente da Câmara de Loures e o responsável da Protecção Civil de Loures sobre o que se passou hoje no concelho de Loures e as medidas a curto, médio e longo prazo a tomar.

(Alexandra Romão)

*

Por acaso, mas também em nome da memória de uma participação muito juvenil, nos "rescaldos" das cheias de 67, via activismo católico, precisamente em Loures e Alhandra, acompanhei com alguma atenção o programa da Maria Elisa de ontem. O respeito pela competência e honorabilidade dos participantes, alguns dos quais conheço pessoalmente, também contribuiu para uma atenção que não me é muito habitual relativamente a debates televisivos. Assustou-me a certa altura a atitude de total irresponsabilidade do tal indivíduo da Câmara de Loures (não fixei cargo nem nome...) que de forma arrogante e convencida afirmava do alto da sua gravata e muito gel, que com a construção da tal ponte (mais uma obra...não é...) estavam todos os problemas de cheias resolvidos em Loures. Esta manhã, poucas horas após o programa tive a oportunidade de apreciar, por entre as torrentes lamacentas que corriam ao longo da A8, a que ponto chegou a incompetência e irresponsabilidade dos que nos governam. Com efeito, estando em Lisboa por razões familiares e precisando de me deslocar a Loures, pela A8, o enorme dique que atravessa a várzea de Loures, revi as imagens das Torres do Infantado e do "Shopping de Loures" que no programa haviam ilustrado de forma tão clara e inequívoca os numerosos atentados contra a REN e RAN, efectuados nos últimos anos em nome do progresso... Só que em vez dos parques verdes com que, normalmente se disfarçam estes atentados, cheios de bancos para namorados e percursos para "jogging", lá estava o grande lago de Loures transformando Bairro e Shopping numa ilha fantasmagórica. Proponho pois aos proprietários do Centro Comercial que tirem partido da situação e aproveitem para mudar a decoração demasiado circense do Shopping, transformando-o à imagem de um daqueles castelos, tipo disneyworld, que aquele rei meio louco da Baviera, mandava construir junto aos lagos da sua terra.

(ACSilva)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 18 de Fevereiro de 2008 (2)


Finalmente, ao fim de meio dia e de várias chamadas de atenção, esta notícia do Expresso foi corrigida. Onde estava

"O ministro da Defesa espanhol, José António Alonso, rejeitou hoje comparações entre a independência do Kosovo e aspirações de forças em algumas regiões espanholas, afirmando que a situação na zona báltica "nada tem a ver com a realidade espanhola"."

está agora correctamente

"O ministro da Defesa espanhol, José António Alonso, rejeitou hoje comparações entre a independência do Kosovo e aspirações de forças em algumas regiões espanholas, afirmando que a situação na zona dos Balcãs "nada tem a ver com a realidade espanhola".

Demorou.

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Praceta Manuel Nunes de Almeida, Setúbal. (Ochoa)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 18 de Fevereiro de 2008


Ontem no novo programa da Maria Elisa na RTP1 discutiu-se a questão das cheias a partir do aniversário da tragédia de 1967. Houve vários exemplos de más práticas no concelho de Loures, incluindo as construções na Quinta do Infantado, e a localização do parque de máquinas dos Serviços Municipais. Com bastante arrogância o responsável da Protecção Civil de Loures garantiu que, depois da construção da nova ponte, tudo estava resolvido quanto às cheias. Hoje, a chuva em Loures respondeu ao senhor responsável da Protecção Civil originando uma situação calamitosa no concelho. Para se perceber melhor pedia aos leitores do Abrupto em Loures que me enviassem informação e fotografias sobre a situação.

*



Inundações na Estrada de Benfica em 1946. (Medina Ribeiro)

*

Numa manifestação de falta de respeito pelos leitores, esta notícia no Expresso continua a confundir os Balcãs com o Báltico, apesar de aqui e vários leitores do jornal em linha terem pedido a rectificação:
"O ministro da Defesa espanhol, José António Alonso, rejeitou hoje comparações entre a independência do Kosovo e aspirações de forças em algumas regiões espanholas, afirmando que a situação na zona báltica "nada tem a ver com a realidade espanhola"."

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver







Chuva e inundações em Setúbal. (Ochoa)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DO IRAQUE COMO OPERAÇÃO MILITAR (2)

O plano de operações para a guerra do Iraque foi resultado de opções políticas essencialmente tomadas por Rumsfeld, aplicadas pelo general Tommy Franks, e que implicavam uma nova concepção da aplicação do poder militar, a que o Secretário da Defesa gostava de chamar de "economia de forças". Rumsfeld era muito crítico da forma como os EUA tinham actuado na Guerra do Golfo e no conflito nos Balcãs. Essa crítica atingia todos os que tinham estado envolvidos nessas operações, a começar pela administração Clinton e a acabar nos diplomatas chefiados por Colin Powell. Rumsfeld discordava da lentidão no acumular de forças, tornada inevitável pelo número de militares e meios envolvidos, que entendia excessivos e dos processos de "nation bulding" nos quais se entrava e depois não se conseguia sair, como nos Balcãs. Opunha aquilo que achava ser uma "revolução" no Pentágono: em vez de uma enorme concentração militar, que demorava meses a juntar, queria forças pequenas, rápidas, móveis, com utilização predominante de tropas especiais, apoiadas em armamento tecnologicamente avançado. Inteligente, muito capaz, meticuloso, persistente, autoritário, querendo controlar tudo ao mais ínfimo detalhe, afastando liminarmente quem se lhe opunha, Rumsfeld queria aplicar os seus novos conceitos à guerra no Iraque contra tudo e contra todos. Muitos chefes militares se opuseram e muitos mais fizeram avisos sobre as consequências das opções da "economia de forças", em particular, a exiguidade dessas forças não só para as operações da guerra, como para a ocupação posterior do Iraque, para a paz. Uns foram afastados, como representantes de uma corporação conservadora, que estava habituada a apenas contar com a força bruta do poder bélico massivo e não entendia as novas condições da guerra, outros não foram ouvidos ou só foram ouvidos quando a realidade não admitia escapatória.

O resultado da "economia de forças" foi inconclusivo no plano militar, - nem tudo funcionou mal e muitos aspectos do plano militar, em particular a fluidez muito rápida das forças terrestres, apanhou Saddam de surpresa porque estava à espera de um lento acumular de unidades e logística nas suas fronteiras, o que não sucedeu - , mas foi desastroso no plano político e depois também no militar, quando houve que defrontar a deterioração da situação de segurança posterior à vitória.

(Continua)

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

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Na CRIL. (J)





Lisboa pela manhã. (RM)



Praça do Vitória Futebol Clube, Setúbal. (Ochoa)

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EARLY MORNING BLOGS


1229 - Winter Trees

All the complicated details
of the attiring and
the disattiring are completed!
A liquid moon
moves gently among
the long branches.
Thus having prepared their buds
against a sure winter
the wise trees
stand sleeping in the cold.

(William Carlos Williams)

*

Bom dia!

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17.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 17 de Fevereiro de 2008


Leio isto com espanto no Expresso:
"O ministro da Defesa espanhol, José António Alonso, rejeitou hoje comparações entre a independência do Kosovo e aspirações de forças em algumas regiões espanholas, afirmando que a situação na zona báltica "nada tem a ver com a realidade espanhola"."
Zona báltica? De quem é a asneira de confundir os Balcãs com os países bálticos?
ADENDA: esta nota é das 18.00, às 22.15 continua o erro.

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NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

BOOMERANG - sobre o pedido de desculpas do PM australiano aos aborígenes+ comentários.

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DO IRAQUE COMO OPERAÇÃO MILITAR (1)

Michael R. Gordon / Bernard E. Trainor, Cobra II: The Inside Story of the Invasion and Occupation of Iraq , Nova Iorque, Pantheon Books, 2006

Este é o melhor livro que li sobre a guerra do Iraque, e duvido que haja melhor sobre a componente militar da guerra: o plano final de operações intitulado "Cobra II" e a sua execução. Pela descrição em dois tempos, o da preparação do plano, e a guerra propriamente dita até à ocupação de Bagdad, percebe-se até que ponto as forças armadas americanas são o único exército moderno existente no mundo, dotado de uma capacidade operacional sem paralelo e, depois do Iraque, de uma experiência de combate total. A começar pelas "botas no chão"e a acabar nas formas mais sofisticadas de guerra aérea, nenhum exército se lhe pode comparar.

A guerra iraquiana não foi um passeio e os americanos defrontaram problemas novos, imprevistos e mesmo surpreendentes (como as tácticas anti-aéreas low tech usadas pelos iraquianos, após estudarem a experiência da guerra do Golfo, contra os helicópteros americanos), mas no essencial a performance militar das forças americanas, blindados, marines, forças especiais, engenharia e logística, revelou um elevado profissionalismo, determinação e coragem, tudo factores que nenhum exercício virtual pode revelar, mas apenas o combate real. O grande falhanço foi o das informações, em particular as da CIA, mas também as informações militares. Do lado iraquiano, enquanto as grandes unidades convencionais do exército regular e da Guarda Republicana se dissolveram quase sem lutar, as forças não convencionais, os Fedayen, mostraram também uma capacidade de resistência que surpreendeu os americanos e não raras vezes os obrigou a mudar de planos.

(Continua)

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

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Varanda de uma casa em Bad Godesberg - Bona, Alemanha, a comemorar a proclamação unilateral da independência do Kosovo. (Helena Ferro de Gouveia)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER
(Os próximos livros de que se vai falar aqui. Em breve.)

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BOOMERANG



A cena do pedido de perdão do primeiro-ministro australiano Rudd aos aborígenes provocou a habitual satisfação politicamente correcta por este tipo de actos. Rudd pediu desculpa pelas "leis e políticas de sucessivos Parlamentos e governos que causaram profunda dor, sofrimento e perdas aos nossos companheiros australianos (fellow australians)" e salientou em particular a política de retirar à força os filhos e filhas de casamentos mistos aos aborígenes, que viriam a constituir as Gerações Perdidas (Stolen Generations). Tal política infligiu "indignidades e degradação a um povo orgulhoso e a uma cultura orgulhosa".
(Esta afirmação é reveladora. O que é uma "cultura orgulhosa"? Duvido que exista na cultura aborígene sequer tal conceito, típico da forma moderna do discurso paternalista "multicultural". )
Acabou desejando que com este pedido de desculpas se abrisse caminho a um futuro que unisse "todos os australianos, indígenas ou não indígenas", separados hoje por grandes diferenças de "esperança de vida, oportunidades económicas e resultados educacionais", como "parceiros iguais" para moldar este "grande país, a Austrália". A declaração foi negociada ao milímetro com dirigentes da comunidade aborígene e provocou cenas de choro, emoção e festa em vários sítios da Austrália. Parece que muitos aborígenes a consideram mesmo assim insuficiente e, por detrás da declaração, arrasta-se uma enorme discussão sobre as reparações económicas e financeiras que são devidas aos aborígenes, os homens e mulheres que vivem em piores condições na Austrália.
Sobre os direitos humanos violados e a desigualdade social dos aborígenes ver os documentos da Human Rights and Equal Opportunities Comission , em particular o relatório Bringing them Home, que esteve na origem da percepção pública sobre as Stolen Generations. Seja qual for a dimensão da "culpa", mesmo o actual governo australiano não está disposto a fazer compensações às crianças, hoje adultos, "roubados". Isto significa que a maioria "branca" dos australianos, os descendentes dos colonizadores, não estão dispostos a diminuir o seu bem estar para saldar as "culpas" da sua atitude.
O cerne da declaração tinha a ver com as Stolen Generations, uma política iniciada em 1860 e que durou cerca de 100 anos até ao fim da década de sessenta do século XX. O objectivo era retirar as crianças de origem mista, quase sempre com pai branco e mãe aborígene, que as comunidades originais recusavam e abandonavam e levá-las para orfanatos e instituições do Estado e religiosas com o fim de as educar fora da sua cultura original, mas também de as proteger dos abusos de que eram vítimas ou, pura e simplesmente, recolhê-las porque eram abandonadas. Cerca de 100.000 crianças teriam conhecido este destino, mas os números são muito contestados.

Toda a questão é muito controversa na Austrália, incluindo um debate sobre números, percentagens, relevância e significado da política, que atravessa também as linhas de fractura político-partidárias. Nalgum desse debate não é difícil reconhecer quer variantes do "negacionismo", quer do "politicamente correcto", na interpretação dos factos, valorizando ou negando a sua dimensão e significado. E o pedido de desculpas actual tem também a ver com a viragem política ocorrida nas últimas eleições que deram a vitória a um trabalhista, Rudd, contra um conservador, John Howard. O governo Howard sempre se recusou a fazer um pedido formal de desculpas considerando que a actual geração de australianos não devia pagar o preço pelos "erros da geração anterior", embora vários estados já tivessem feito pedidos de desculpa sem a dimensão nacional do que ocorreu na semana passada.

O que aconteceu na Austrália não é muito diferente dos múltiplos pedidos de desculpa que têm proliferado nos últimos anos, em particular na Europa, pela expulsão dos judeus (Portugal também fez), do pedido de desculpas do Papa anterior, quer aos judeus, quer aos ortodoxos, pela conquista e saque de Constantinopla, repetido aliás pelo Papa actual, e dos pedidos de desculpa exigidos por várias comunidades como os arménios face aos turcos, os povos indígenas americanos ao Governo dos EUA, e os coreanos face às violências japonesas.

Estes pedidos de desculpa são uma atitude política e cultural moderna, sem precedente no passado, na qual confluem muitas influências. Falando do "arrependimento", o Papa João Paulo II referiu um conceito judaico, o de teshuva, como estando na base destes pedidos de perdão. Os judeus, sujeitos a uma exterminação de proporções bíblicas, o Holocausto, mostraram-se sempre muito sensíveis a esta relação de culpa, aliás um elemento muito importante que o judaísmo trouxe à modernidade e que impregnou a cultura ocidental. Durante muito tempo, a exigência da admissão da culpa, de arrependimento e da sua proclamação pública fazia-se em relação aos "injustos" que tinham perseguido os judeus, os nazis e a Alemanha, e a todos os anti-semitas. Pouco a pouco, o clima do pós-guerra europeu e em particular do "olimpianismo" dominante desde o fim da Guerra Fria tornaram aquilo que era uma reivindicação judaica, que só tinha paralelo na exigência do reconhecimento do genocídio arménio pelos turcos, se tornasse um ritual público muito comum nos governos à esquerda. Não se conhecem pedidos de desculpa, por exemplo, pelo Gulag, nem pelas purgas soviéticas que atingiram milhões de pessoas durante mais de trinta anos.
Existe uma diferença entre o discurso de carácter religioso e o político e o papel do "arrependimento" e do "perdão" num e noutro não é o mesmo. Mas, na nossa tradição cultural, eles comunicam mesmo nas sociedades laicizadas da Europa (nos EUA a densidade de relações entre o discurso político e religioso é muito maior). Os dois últimos Papas, o anterior e o actual, não têm dificuldade nenhuma em mover-se numa tradição comum entre o judaísmo e o cristianismo:
Olhando para o futuro das relações entre judeus e cristãos, em primeiro lugar pedimos aos nossos irmãos e irmãs católicos que renovem a consciência das raízes judaicas da sua fé. Pedimos-lhes que recordem que Jesus era um descendente de David; que do povo hebraico nasceram a Virgem Maria e os Apóstolos; que a Igreja haure sustento das raízes daquela boa oliveira na qual foram enxertados os ramos da oliveira selvática dos gentios (cf. Rm 11, 17-24); que os judeus são os nossos caros e amados irmãos, e que, num certo sentido, são verdadeiramente «os nossos irmãos maiores» (Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, Nós Recordamos: Uma Reflexão sobre o Shoah, 16 de Março 1998)
mas, mesmo assim, sentiram a necessidade de justificar o regresso ao passado do Shoah, entendendo que a "história" é memoria futuri . Daí a valorização do teshuva num contexto histórico teleológico, semelhante ele também à tradição do judaísmo, que percebe a história como destino, como sentido. A política nas democracias não pode ser teleológica, a não ser no sentido do "bem comum", e por isso deve resistir a uma impregnação religiosa. Parte do poder psicológico do "pedido de desculpas" de Rudd vem do seu sentido religioso mediatizado num ritual.
Os pressupostos dessa atitude têm também na Europa muito a ver com o fim do mundo colonial e com a culpa que o "homem branco" teria na colonização. A culpabilização do colonialismo acompanhou uma nova sensibilização "multicultural", que tende a considerar de forma relativista o valor de todas as culturas e civilizações em nome do abandono de uma visão eurocêntrica do mundo. O racismo, o sentimento de superioridade branca e o correlativo menosprezo pelas culturas não europeias, em particular aquelas que não se tinham constituído em civilizações, como acontecia em África ou pior ainda, as que se considerava estarem no limiar da idade da pedra, como acontecia com as tribos da Amazónia ou os aborígenes australianos, levaram a enormes violências e a atitudes que hoje seriam entendidas como um crime. E bem. Estes fenómenos culturais foram muitas vezes o instrumento para a chacina das populações locais, principalmente quando estas se encontravam na posse de terras, bens, recursos minerais, florestas, valiosos para os colonizadores externos ou internos. Os índios do Brasil e as tribos da Amazónia foram sujeitos a múltiplas violências, só para citar exemplos recentes.

Mas, quando saímos da actualidade e vamos para a História as coisas são bastante mais complexas. A ideia da "missão do homem branco", a ideia de que ao colonizador branco estava assacada uma missão divina de "civilizar" os povos "atrasados", tiveram como resultado práticas que hoje consideramos racistas e cruéis, como foi o caso da política australiana de "roubo" de crianças que "perdeu" gerações de aborígenes. Mas elas eram feitas muitas vezes com as melhores das intenções, em nome daquilo que se pensava ser o bem-estar e dignidade das crianças, que seriam rejeitadas pelos aborígenes. A ideia de "civilizar", a bem ou à força, implicava também obrigações e sentido de missão que levaram muitos homens e mulheres a viverem vidas difíceis e perigosas apenas para melhorar as condições de vida daqueles que, ou queriam converter à sua religião e num certo sentido "salvar", ou a quem queriam dar condições mínimas de vida, alimentação, cuidados médicos, educação, como seres humanos que tinham direito à dignidade da vida. Foi esse, por exemplo, o papel das missões religiosas, elas próprias também um produto do colonialismo.

Por estranho e irónico que pareça, o pedido de desculpas é também uma típica atitude "branca" e ocidental, que não conhece paralelo noutras civilizações, a que não é alheia uma tradição humanista, que se poderia saudar se não contivesse elementos perigosos para os próprios valores que a sustentam. O "multiculturalismo", com o seu forte relativismo cultural, é cada vez mais difícil de compatibilizar com o adquirido civilizacional ocidental. Os valores que consideramos universais, em particular os direitos humanos, são postos em causa pelo relativismo "multicultural", que tende a desvalorizar a universalidade desses conceitos e a substituí-los por "interpretações" culturais que os põem em causa. As declarações do arcebispo de Cantuária sobre a aceitabilidade da sharia são um exemplo do caminho a que o "multiculturalismo" leva e, se tomarmos à letra o significado profundo destes pedidos de perdão pela História, ainda acabamos por dar razão à Al-Qaeda, que nos considera como "cruzados", logo um alvo a abater pelo novo Saladino. E porque não, se nos consideramos culpados de tudo o que aconteceu na História desde que somos o que somos? Há certas ideias que funcionam como o boomerang, a gente atira-as convencidos das nossas melhores intenções e elas voltam para nos bater na cabeça.

(Versão do Público de 16 de Fevereiro de 2008)

*
O seu artigo sintetiza muito bem as virtualidades e os defeitos destes rituais de desculpabilização, mas creio que não valoriza suficientemente o ponto de vista dos "ofendidos". Principalmente quando ainda são vivas pessoas que directa ou indirectamente foram afectadas pelos acontecimentos, como é o caso australiano.
Ficaria mal aos governantes sérvios pedirem "desculpa" pelos crimes cometidos contra ex-cidadãos/comunidades iuguslavos um pouco por todo o lado? Pelo contrário, só abriria as portas para uma reavaliação do sentido nacional dos próprios sérvios daqui em diante. E num país como a Austrália, não será este um passo para a desejável integração e valorização cívica dos chamados "aborígenes"? Se lhes der bases jurídicas para poderem reclamar direitos violados e indemnizações por receber, não será esse um acto justo?

Hei-de me sentir diminuido com o pedido de desculpa do Estado Português pela expulsão dos Judeus no sec.XV? Ao contrário, como português e, eventualmente, descendente de judeus (como qualquer português do sec.XXI pode ser), foi um acto nacional que me orgulha.

Deverá ser um "pedido de desculpa" desta natureza entendido como fraqueza, cedência ao "multiculturalismo", provocando um efeito de "boomerang"? Pessoalmente, vejo-o mais na perspectiva a que se refere duma tradição humanista e ocidental. E com vocação universalista. Se bem "trabalhada", arrisca-se a ter um efeito de contágio.

(Pedro Freire Almeida)

*

Não sei se teve oportunidade de ver esta notícia na imprensa britânica, mas o governo de Gordon Brown também parece estar convertido às virtudes financeiras da Sharia islâmica, não se pelo facto de esta não permitir o juro. Aparentemente também já tem uma fatwa para lançar o empréstimo obrigacionaista.

Não admira que tivesse considerado que o Arcebispo de Cantuária estava muito bem no seu lugar e não se devia demitir. Segundo relata o "Evening Standard" de hoje, o Chanceler do Tesouro quer agora lançar "obrigações do tesouro islâmicas".

Por este andar a "Riqueza das Nações" do Adam Smith ainda vai ter de ser reescrita.

(José Pedro Teixeira Fernandes)


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EARLY MORNING BLOGS


1228 - All that's Past

Very old are the woods;
And the buds that break
Out of the brier's boughs,
When March winds wake,
So old with their beauty are--
Oh, no man knows
Through what wild centuries
Roves back the rose.
Very old are the brooks;
And the rills that rise
Where snow sleeps cold beneath
The azure skies
Sing such a history
Of come and gone,
Their every drop is as wise
As Solomon.

Very old are we men;
Our dreams are tales
Told in dim Eden
By Eve's nightingales;
We wake and whisper awhile,
But, the day gone by,
Silence and sleep like fields
Of amaranth lie.

(Walter De La Mare)

*

Bom dia!

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16.2.08


EXTERIORES: CORES DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



A Lua em Sul. (José Manuel Figueiredo)



Canal Griboedov, S. Petersburgo.



Pequena esquadra da Polícia na estação de metro Sennaya Ploshad. (João Tiago Santos)



A sede do PSD no Bairro Salgado, Setúbal.
A foto com a legenda "A sede do PSD no Bairro Salgado, Setúbal.", não corresponde à sede do psd. o psd fica na mesma rua, mas um quarteirão mais abaixo e no lado esquerdo da rua, enquanto que esta casa que aparece na foto é sensivelmente no ínicio da rua e do lado direito.(a não ser que haja por aqui alguma ironia...)

(josé simões)


Polícia na noite. (Ochoa)

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EARLY MORNING BLOGS


1227 - Thanatos Athanatos

Edovremo dunque negarti, Dio
dei tumori, Dio del fiore vivo,
e cominciare con un no all'oscura
pietra «io sono», e consentire alla morte
e su ogni tomba scrivere la sola
nostra certezza: «thànatos athànatos»?
Senza un nome che ricordi i sogni
le lacrime i furori di quest'uomo
sconfitto da domande ancora aperte?
Il nostro dialogo muta; diventa
ora possibile l'assurdo. Là
oltre il fumo di nebbia, dentro gli alberi
vigila la potenza delle foglie,
vero è il fiume che preme sulle rive.
La vita non è sogno. Vero l'uomo
e il suo pianto geloso del silenzio.
Dio del silenzio, apri la solitudine.

(Salvatore Quasimodo)

*

Bom dia!

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15.2.08


A NOVA LEITURA



Comecei a ir à Leitura ainda se chamava Divulgação. Há muito tempo. Lembro-me de ver lá Sá Carneiro que tinha escritório perto. Lembro-me da Leitura pequena e da Leitura grande e da do meio, com os livros empilhados na escada que subia ao andar de cima, sem espaço. Lembro-me da Leitura de Fernando Fernandes. Quando a Leitura ganhou dimensão e espaço escrevi um texto que está aqui. Depois começaram os sinais imperceptíveis da decadência, sempre os mesmos livros, falta de renovação, rigidez nas estantes. A gente que habita livrarias percebe logo o que se está passar. Na última vez que lá tinha estado a senhora do balcão tinha lágrimas nos olhos, não sabia o que ia acontecer. O ciclo de vendas sucessivas começara e ninguém sabia o que ia acontecer.

Estive lá hoje e fiquei contente. A Leitura não é a mesma, percebe-se que mudou a mão. Mas, as livrarias são os livros que têm, e na Leitura de hoje encontrei coisas que nunca tinha visto numa livraria portuguesa. Por exemplo, dez ou doze volumes das grandes obras teológicas de Urs von Balthasar, traduzidas para espanhol. Para mim basta para perceber que a Leitura ainda é a Leitura. São os livros, Senhor. Só os livros a fazem durar.

*
Porque segui o seu post e comprei livros on line na Leitura estive um ano e dois meses (sic) à espera de alguns. Chegaram hoje (sexta-feira) os 4 últimos e agora deparo-me com o seu post... Nem imagina as pragas que roguei ao autor da sugestão.
Mas, das duas ou três vezes que telefonei para lá perguntando, o atendimento fosse agradável, educado - como já não o é nas livrarias de Lisboa, o que o terá salvo das consequências mais gravosas das maldições.

(Victor Santos Carvalho)
NOTA: a mim aconteceu-me o mesmo com livros encomendados na própria Livraria e que também só chegaram agora. O problema, disseram-me, teve a ver com a crise da Livraria no ano passado, que a levou quase à extinção, e que parecem estar ultrapassados. Oxalá.

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COISAS DA SÁBADO: ESTADO DE ESTUPOR

A palavra “estupor” tornou-se um insulto e, mesmo como insulto, está a cair em desuso face a outros mais brutos, humilhantes e eficazes. Mas “estupor” é uma palavra com uma velha história médica. Significa uma forte diminuição das funções intelectuais, acompanhada de uma espécie de catatonia física. Até vem na Wikipedia. Os tratados médicos dizem-nos que o indivíduo em estado de estupor pensa que está bem, lá por dentro pensa numas coisas dispersas, mas não tem consciência da sua desconexão com o mundo exterior e “repete movimentos estereotipados”. O “estado de estupor” está algures entre o “estado onírico” e o “estado de delírio”, e não é certamente bom para a saúde. Infelizmente é como o PSD está, em estado de estupor.

Já repararam que, na maioria das questões, o PSD não toma posição, não toma posição a tempo, promete tomar e depois esquece-se de tomar posição, ou qualquer destas três variantes? Nuns casos, parece que está à espera para ver o que dizem os jornais no dia seguinte. Noutros, os múltiplos comités de assessores, agências e sábios convidados para photo opportunities, ou não tem nada para dizer ou então estão à espera de ver o que os outros dizem para reagir, ou, como concordam com o governo, ou porque é matéria espinhosa, ficam calados e aconselham silêncio. A teoria do “estado de estupor” vigente no partido é que “é preciso não se cometer asneiras” e por isso fica-se calado a ver se se foge pelos interstícios dos telejornais, aparecendo porque é bom para os barómetros que são “apareçómetros”, mas sem se dizer nada. Claro que depois, de repente, há uns movimentos desconexos, também típicos do “estado de estupor”, com consequências desastrosas, que só reforçam os conselheiros da teoria catatónica como política, mais vale estar calado, a ver se o engenheiro se despenha por si.

O “estado de estupor” do PSD, o silêncio do PSD como partido de oposição é um dos factores mais perturbadores da vida política nacional.

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14.2.08


EXTERIORES: CORES DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 14 de Fevereiro de 2008


Sobre o "meio". Vale a pena ler o despacho de arquivamento do caso Bexiga que está disponível no Público, em anexo. Ler com todos os olhos, os sociais, os políticos, os do direito, os da investigação policial, e os do bom senso. Está lá quase tudo. E está o "ponto axiológico para que tende o inquérito":
"(...) o seu encerramento, com decisão de mérito, vinculada ao juízo sobre a suficiência de indícios.

Como já demonstrámos, malgrado o empenhamento patenteado na investigação, não conseguimos alcançar e identificar os autores materiais do crime, tido por verificados.

Encerramos o inquérito com a certeza que a sua intencionalidade teleológica, o combate ao crime, através da responsabilização criminal dos seus agentes, não foi alcançada.

Tal insucesso deve-se não só ao tipo de crime com que estamos a tratar, em que os autores materiais actuam a mando de outrem, encapotados, mas também, como já sobejamente sublinhámos, à forma como ocorreu o início da investigação, uma vez que a não recolha imediata no local da agressão de eventuais vestígios deixados pelos agressores, poderá ter contribuído, de forma capital, para o insucesso da mesma e poderá mesmo, ter inviabilizado, a identificação dos autores, do ilícito criminal indiciado. (Sublinhados meus)
*

Já agora depois de pedir perdão aos aborígenes, "our fellow australians", só falta perguntar-lhes se eles querem ser australianos. Dado o tom do pedido de perdão, tem todo o sentido pôr em causa a colonização branca da Austrália. Nunca lhes foi pedida autorização, nem licença, pelo uso das terras, não é? O país era deles há 25000 anos, os brancos são na verdade guest workers, ainda por cima indesejados porque vinham degradados, fugidos, presos. Isto de pedir desculpas pela história não tem pés nem cabeça, porque os pedidos de desculpa acabam por ser sempre selectivos. Nós, por exemplo, já pedimos desculpa por expulsar os judeus e ainda não pedimos desculpa por expulsar os árabes. Pode ser que o Bin Laden nos obrigue.

*

Omissio veri, suggestio falsi. João Miranda no Blasfémias:
"Sócrates escolhe as palavras sempre que fala deste tema. Diz “assumo a autoria”, não diz “fui eu que fiz”. Diz “os projectos que assinei são da minha responsabilidade”, mas não diz “os projectos que assinei foram feitos por mim”.
É exactamente o mesmo do "I did not have sexual relations with that woman, Miss Lewinsky".

*

A ler os jornais australianos para tentar saber o que se passa em Timor, encontram-se outras notícias. Morreu Smoky Dawson, o cantor cowboy local. Aqui fica o velho Smoky a cantar.

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EARLY MORNING BLOGS


1226 - Against Winter

The truth is dark under your eyelids.
What are you going to do about it?
The birds are silent; there's no one to ask.
All day long you'll squint at the gray sky.
When the wind blows you'll shiver like straw.

A meek little lamb you grew your wool
Till they came after you with huge shears.
Flies hovered over open mouth,
Then they, too, flew off like the leaves,
The bare branches reached after them in vain.

Winter coming. Like the last heroic soldier
Of a defeated army, you'll stay at your post,
Head bared to the first snow flake.
Till a neighbor comes to yell at you,
You're crazier than the weather, Charlie.

(Charles Simic)

*

Bom dia!

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13.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 13 de Fevereiro de 2008


Isto está de cortar à faca. É um pouco inevitável com a conjugação de três coisas em sequência: um pano de fundo de crise económica e social grave, que gera uma peculiar sensibilidade a questões como a corrupção, e, como na política não há alternativas, tudo desagua num ambiente pastoso, irritado e sem esperança. Hoje, num supermercado, um homem disse-me: "vai haver uma explosão". Sei lá, alguma coisa vai haver. Não menosprezem os sinais.

*
Será que a situação do país é tão desesperada como pretende fazer crer? Não será que o Senhor com o seu pessimismo descontrolado não é um dos responsáveis? Deveria tentar reflectir um pouco sobre as suas verdades, talvez não sejam tão absolutas como pretende fazer crer. Não tem nenhum sentimento de culpa por ter um discurso que é claramente alarmista e exagerado? O Senhor fala em crise económica e social, mas será que sabe do que fala? Tenho sérias dúvidas.

(Carlos Simão)

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Noite em Vouzela. (José Manuel Figueiredo)



Justiça ao fundo. (António Cabral)



Pôr-do-Sol em Setúbal. (Ochoa)



À saída de um dos refeitórios, Universidade de Tóquio. Saindo da cantina ele faz-se à neve sem medo. Qui audet adipiscitur. (Antonio Rebordão)



Casa dos Bicos. (António Cabral)



Saída da escola.



Skate. (Ochoa)



Espantalho em horta biológica. (António Cabral)



Gatão.



Tâmega em Amarante. (Helder Barros)

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12.2.08


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: PEDIDOS DO FISCO


Email recebido hoje na empresa.
Tradução: como nas nossas repartições o atendimento não é célere, é melhor vocês porem os computadores da empresa a trabalharem para nós…
Tudo isto para o vosso benefício pois terão elevados ganhos de produtividade.
Por favor tenham pena de nós. Recepcionar 4,5 milhões de declarações é uma chatice!
Um dia destes vão pedir-me que disponibilize um automóvel e respectivo motorista para transportar um qualquer funcionário do fisco às nossas instalações e fiscalizar a empresa.

(Sublinhados meus.)

(JC)

Ex.mos Senhores ..........., Contribuinte nº ---------,

Como certamente será do conhecimento de V. Ex.as, encontra-se a decorrer o prazo para a entrega da declaração de rendimentos de IRS Modelo 3.

A Direcção-Geral dos Impostos disponibiliza, há já vários anos, no seu site das "Declarações Electrónicas", em http://www.e-financas.gov.pt, a possibilidade de os sujeitos passivos de IRS procederem à entrega de tais declarações via Internet, com benefícios vários, designadamente o menor dispêndio de tempo no cumprimento desta obrigação.

De facto, certamente que V. Ex.as não desconhecerão os significativos ganhos de produtividade decorrentes da não deslocação dos vossos colaboradores aos Serviços de Finanças, para efeitos da entrega das suas declarações de rendimentos, onde nem sempre se consegue assegurar um atendimento célere, particularmente em épocas de maior afluência de contribuintes a estes serviços, como é o caso do período em que são recepcionadas mais de 4,5 Milhões de declarações de IRS.

Deste modo, e atendendo a que nem todos os sujeitos passivos de IRS terão ainda acesso aos equipamentos informáticos indispensáveis à concretização da opção pelo envio da declaração pela Internet nas suas residências, tal como aconteceu no ano passado, muito gostaria de poder mais uma vez contar com a vossa colaboração, permitindo o uso dos referidos equipamentos aos vossos colaboradores, para efeitos da entrega, por essa via, das respectivas declarações de IRS.

Agradeço a colaboração prestada por V. Ex.as e apresento os melhores cumprimentos,

O Director-Geral,
José António de Azevedo Pereira

*

Devo dizer que não vejo problema nenhum no pedido da DGCI, antes pelo contrário, mostra boa-educação. Se os cidadãos/empresas não colaborarem com o Estado, quem o vai fazer? Faz algum sentido estar a dimensionar os serviços de atendimento da DGCI para aguentar um enorme pico de solicitações nesta altura, sendo no resto do ano o volume de trabalho é muito menor? Qual o inconveniente, concretamente, para as empresas?

Em vez disso preferia que a DGCI corrigisse o enorme volume de erros que seguramente tem nas suas bases de dados. Eu fui sócio-gerente de uma pequena empresa de consultoria que resolvi liquidar em 2002 (tudo direitinho, sem dívidas, com comunicação às Finanças, publicação em Diário da República, etc.), e ainda hoje tenho processos de infracção por suposta falta entrega de IVA, até mesmo de 2006, vários anos depois de a empresa ter deixado de existir! Já fiz dezenas de contactos por carta registada, email, telefone, pessoalmente, a todas as instâncias possíveis: a repartição de finanças local, os serviços centrais da DGCI, directamente o director e sub-directores gerais dos impostos, e mais recentemente o próprio Ministro das Finanças. Continua o problema por resolver e a empresa (que, mais uma vez, já não existe há mais de 6 anos) ameaçada com cobranças coercivas por dívidas que não tem nem nunca teve!

(Tiago Azevedo Fernandes)

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Manhã em Setúbal. (Ochoa)



Alameda de Sta. Quitéria, Felgueiras, ao anoitecer. (Sérgio Martins)



Fim da tarde no campo. (RM)



Fim de tarde, na região de Apenzeller, na Suíça . (Marcelo Correia)



Acessos à Ponte Vasco da Gama.



Bugio. (António Cabral)



Cargueiro à vista, 10 milhas sul de Vila Franca do Campo, Açores. (Nuno Pimentel)



Café do PS, em Valadares, V.N.Gaia. (Filipe António)



Douro. (Gil Regueiro)



Caminhos de S. Petersburgo. (João Tiago Santos)



Caminho em Regoufe. (José Manuel Figueiredo)



Na Maia. (Luis Vidal)

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EARLY MORNING BLOGS


1225 - A Book Full of Pictures

Father studied theology through the mail
And this was exam time.
Mother knitted. I sat quietly with a book
Full of pictures. Night fell.
My hands grew cold touching the faces
Of dead kings and queens.

There was a black raincoat
in the upstairs bedroom
Swaying from the ceiling,
But what was it doing there?
Mother's long needles made quick crosses.
They were black
Like the inside of my head just then.

The pages I turned sounded like wings.
"The soul is a bird," he once said.
In my book full of pictures
A battle raged: lances and swords
Made a kind of wintry forest
With my heart spiked and bleeding in its branches.

(Charles Simic)

*

Bom dia!

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11.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 11 de Fevereiro de 2008


(No Prós e Contras) No meio da discussão, Hespanha teve um pequeno lapso de memória e esqueceu-se da autoria dos Buddenbrooks de Thomas Mann, que citou. Ficou em silêncio e faltou-lhe o nome, como nos acontece a todos, e uma sala inteira, com alguma da nossa mais alta elite jurídica, pura e simplesmente não sabia completar-lhe a frase com o nome do autor. Foi já na frase seguinte, após aqueles segundos de incomodado silêncio, que Hespanha se lembrou e continuou. Eu ainda me espanto com isto, mas deve ser defeito e certamente um sinal da minha arrogância...

*

Não assisti, mas escrevo-lhe para lhe comunicar que também compartilho o seu espanto sobre o silêncio de uma sala preenchida com a nossa mais prestigiada elite jurídica quando se levanta uma questão a respeito da autoria dos Buddenbrooks. Simpaticamente, sempre é possível especular que parte daquele silêncio fosse gerado por causas diferentes à da ignorância: desde a inércia de quem, sabendo, não estivesse para se esforçar a pensar, a quem não tivesse a certeza, até quem não se dispusesse, por antipatia, a auxiliar António Hespanha, que sofrera o lapso…

Tenho dificuldade em encontrar explicações tão benignas, e o meu espanto foi o mesmo, quando no seu caso e num outro programa de televisão(da SIC), confunde um regimento com uma companhia de engenharia – e ali também ninguém o corrigiu… – seguido de uma argumentação – a “robustez” da composição da UNIFIL – em que se percebe que o seu desconhecimento sobre a distinção na engenharia militar entre o que é a engenharia de combate e a de construção é absoluta… Silêncio, verifiquei-o depois na sua (não) resposta ao comentário que então lhe enderecei a respeito dessa sua ignorância…

Não é apenas uma questão de arrogância sua, é também a de lhe relembrar que também tem os seus momentos de lixo: eles não se restringem aos "95% da blogosfera" (N.O.S.) que referiu numa citação hoje famosa… E quem quer passar por tão exigente com os outros, também tem que se dispor a sofrer o mesmo tratamento, consigo próprio…

(A.Teixeira)
*

Era mesmo o que fazia falta: um debate absolutamente confuso, inútil, impotente e às vezes patético no Prós e Contras sobre "justiça".

*

Será que ouvi bem o PGR dizer, a propósito do "Apito Dourado", que a mera existência do processo, seja qual for o resultado, é já "positiva" e já "teve resultados"? Isto é completamente absurdo sob todos os pontos de vista e péssimo para o ambiente que já se vive em Portugal. Primeiro, porque podemos passar a ter processos desencadeados com intenção exemplar, funcionando para culpabilizar alguém junto da opinião pública, mesmo sem decisão judicial de culpa, apenas porque o Ministério Público tem uma agenda punitiva contra A ou contra B. Depois, porque é absurdo pensar que, se processos sobre processos chegam a tribunal e ficam pelo caminho, ou porque as pessoas foram injustamente acusadas, ou porque a instrução foi deficiente e negligente; que isso possa contribuir para qualquer outra coisa que não seja o aumento da sensação de impunidade e de ineficácia da justiça. O que parece é que o PGR não tem confiança na solidez da instrução do "Apito Dourado" ou não acredita na justiça...

*

Ainda não ouvi o sonoro "prove!", que imediatamente foi dito a Marinho Pinto, a propósito das acusações de António Costa contra o Público.

*

Nós deveríamos ser o país com melhor informação sobre Timor, depois da Austrália. Temos lá jornalistas dos órgãos de comunicação do estado dentro de uma ideia de "serviço público". No entanto, acordamos sempre com novidades cujo contexto desconhecemos, desenquadradas de tudo, e foi preciso que Mário Alkatiri fornecesse uma interpretação política do que estava a acontecer para termos enfim um vislumbre dos eventos e do seu contexto.

Depois, mais uma vez, os jornais em linha e os sítios de notícias que deveriam acompanhar o fluxo de notícias em tempo real, como era de noite não deviam ter ninguém (o mais rápido foi o Expresso), e atrasaram-se de uma forma injustificada. Hoje quando há notícias deste tipo, de surpresa, as pessoas vão à televisão, à CNN se a tiverem e à Internet. A lentidão dos nossos recursos noticiosos em linha, com a Lusa a fechar os comunicados a quem não paga assinatura, não se justifica.

ADENDA - Para se ficar informado: ver e ouvir as intervenções do Primeiro-ministro da Austrália aqui.

*
Há um pormenor perfeitamente descabido na análise jornalística do duplo
homicídio que hoje se intentou em Timor-Leste: pelo que dizem os nossos
repórteres, fazendo um eco ovino e acrítico da versão oficial veiculada por
Xanana e pelo MNE timorense, Alfredo Reinado liderou uma «tentativa de golpe
de Estado».
Paremos um segundo para pensar: alguém acredita que Reinado, militar
experiente, podia sequer supor que lhe era possível, à testa de uns quantos
desertores, derrotar a guarnição australiana destacada em Timor e ascender
pela força à chefia do Estado (e é isto, caso os nossos jornalistas não
saibam, que um golpe de Estado é)? O Le Figaro e o New York Times,
comedida e inteligentemente, tratam este assunto como um atentado,
articulado decerto, mas em todo o caso não mais do que isso. Por cá, não: a
ânsia de fazer «claque» ao grande resistente Xanana pura e simplesmente
impede os nossos jornalistas de deixar por um momento a vocação natural para
a propaganda e abordar de forma séria e reflectida os factos com que se
deparam.

(João Vilela Moreira)

*

Há pouco, em consulta aos sites tsf.pt e publico.pt observei que as primeiras notícias sobre os atentados em Timor surgiram cerca das 23:30 de ontem. Ora a SIC Notícias, principal canal de notícias do país, durante pelo menos meia hora (o tempo em que me apercebi), entre as 0:10 e as 0:40, manteve uma amena cavaqueira entre o seu pivot e o comentador desportivo Rui Santos. Assim, enquanto a RTPN entrevistava Mari Alkatari e fazia reportagens em directo, Rui Santos debitava pérolas de sabedoria sobre o estado do balneário do Sporting e dissertava sobre o conteúdo das declarações de Paulo Bento durante a semana. Nestas declarações, Paulo Bento, treinador voluntarioso, mas jovem e sem grande experiência, afirmava revoltado (no seu registo oral emotivo com muitas pausas) que existem "bufos" no Sporting, dando sinais da sua impotência para dominar um balneário jovem, sem grande cultura de colectivo. O irónico no meio disto é que Paulo Bento poderá ser uma metáfora daquilo que aconteceu em Timor Leste.

Tiago Lopes

*

A edição on-line do Sol publicou a notícia do atentado contra Ramos Horta antes do Expresso, momentos após as 23h de domingo, uns 10 minutos após oprimeiro take da Associated Press e imediatamente após o alerta da CNN. O Expresso publicou a primeira notícia sobre o assunto às 23h42. De resto, partilho o espanto do José e dos seus leitores perante a lenta reacção da generalidade dos meios de comunicação portugueses aos acontecimentos daquela noite.

(Pedro Guerreiro)

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

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Um inverno pouco russo em S. Petersburgo. (João Tiago Santos)

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EARLY MORNING BLOGS


1224 - The early history of Rome is indeed far more poetical than anything else in Latin literature.

The early history of Rome is indeed far more poetical than anything else in Latin literature. The loves of the Vestal and the God of War, the cradle laid among the reeds of Tiber, the fig-tree, the she-wolf, the shepherd's cabin, the recognition, the fratricide, the rape of the Sabines, the death of Tarpeia, the fall of Hostus Hostilius, the struggle of Mettus Curtius through the marsh, the women rushing with torn raiment and dishevelled hair between their fathers and their husbands, the nightly meetings of Numa and the Nymph by the well in the sacred grove, the fight of the three Romans and the three Albans, the purchase of the Sibylline books, the crime of Tullia, the simulated madness of Brutus, the ambiguous reply of the Delphian oracle to the Tarquins, the wrongs of Lucretia, the heroic actions of Horatius Cocles, of Scævola, and of Cloelia, the battle of Regillus won by the aid of Castor and Pollux, the defence of Cremera, the touching story of Coriolanus, the still more touching story of Virginia, the wild legend about the draining of the Alban lake, the combat between Valerius Corvus and the gigantic Gaul, are among the many instances which will at once suggest themselves to every reader.

(Thomas Babbington Macaulay, Lays of Ancient Rome)

*

Bom dia!

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10.2.08


EXTERIORES: CORES DE HOJE

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Hoje, ao fim de tarde, na região de Apenzeller, na Suíça . (Marcelo Correia)

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NÃO, NÃO ESTAMOS NOS NOSSOS MELHORES DIAS

Lá fora está um esplêndido dia de Inverno, com uma luz do Sol que faz brilhar todos os contrastes, todos os limites, separando cada coisa com uma clareza que só o frio permite. A noite anterior também estava assim, escura e nítida, e, sem a poluição luminosa que já de há muito nos impede de olhar o céu, podia-se ver como a máquina do mundo rodava perfeita, com Orion, a grande constelação do Inverno, presidindo. Mas a memória, a inimiga das veleidades da novidade, lembra-me um ditado que aprendi na escola primária do salazarismo: "Em Janeiro, se vires verdejar põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar." E verdeja já um pouco por todo o lado, e as andorinhas já começam a voltar, e percebe-se que falta pouco para as árvores se convencerem de que estão na Primavera. Pensando bem, devia levar as andorinhas a ver o filme do Al Gore para as convencer de que não são as aparências do tempo que contam, desreguladas que estão pelos sinistros neoliberais que querem aquecer a tampa do mundo, mas sim as realidades do calendário. E que ainda é Inverno, ainda é Inverno. Não, não estamos nos nossos melhores dias... Não eu, que estou bem e recomendo-me, mas eles, lá fora, as andorinhas, Portugal, o mundo.

A colheita dos últimos dias "verdeja" à superfície de coisas um pouco sinistras: o processo de Isaltino de Morais voltou quase à estaca zero, mais uma vez, ao fim de não sei quantos anos, e não acontece nada. Vários crimes de que era acusada Fátima Felgueiras prescreveram entre os passeios pelo Brasil, as mudanças de visual e as peregrinações a Fátima dos felgueirenses, patrocinadas pela "Fatinha". E não acontece nada. O Ministério Público arquivou o processo de agressões ao vereador de Gondomar, continua a não se saber quem o agrediu, mas isso não deve ter importância, porque não acontece nada. Cravinho faz uma crítica duríssima aos seus colegas de bancada por sabotarem qualquer legislação contra a corrupção. E não acontece nada. De passagem, o mesmo Cravinho põe em causa com todas as letras o comportamento do LNEC, a quem acusa de ter moldado as conclusões às vontades do poder político, falsificando o seu relatório sobre o aeroporto por omissão de despesas. E não acontece nada. O bastonário da Ordem dos Advogados falou alto de mais e obrigou a mais uma ronda de lip service sobre a corrupção dos ricos e poderosos, que muito provavelmente vai dar origem a mais uma... Comissão. E não acontece nada. O mesmo bastonário acrescentou um caso muito interessante de como se ganha dinheiro em Portugal, o prédio vendido de manhã pelo Estado aos privados e vendido à tarde pelos privados a outros privados com mais cinco milhões em cima e, pelo meio, consultores e assessores do PS e do PSD. E não acontece nada. O Público mostrou a obra arquitectónica do engenheiro Sócrates, (vale a pena este vídeo) por coincidência toda no distrito da Guarda, apesar de ele ser funcionário da Câmara da Covilhã e dirigente partidário do distrito de Castelo Branco. E não acontece nada. Depois, há o ciclo do governo PSD/PP com os seus sobreiros, submarinos e um casino dado numa noite de despachos que adormeceu ainda com o governo Santana Lopes/Portas e acordou com o governo do engenheiro Sócrates, porque era o dia do fim dos tempos, o Gotterdamerung da coligação despedida por Sampaio e por milhões de portugueses. E não acontece nada. Do lado do "dar" está o Estado, do lado do "receber" está a Estoril-Sol, os Espírito Santo, a Lusoponte, o Futebol Clube Felgueiras, etc., etc. Não, não estamos nos nossos melhores dias...

Pensando bem, não admira que, com este dia-a-dia, fiquemos tão intimamente absurdos como os maoístas nacionais, nos quais eu me incluía, que queriam derrubar o "quartel-general" à força de dazibaos. O nosso maoísmo dos dias de hoje é, imagine-se, o glamour da monarquia. Não a inglesa, nem a sueca, nem a do Brunei, o que ainda se percebia, mas a dos Braganças, o que não se percebe de todo. Não, não estamos nos nossos melhores dias...

Numa daquelas reviravoltas que a moda faz à história, sim, que a história é muito de modas, passou-se da versão carbonária à versão ao modo do Senhor Dom Duarte Nuno. Tudo isto a propósito desse bom homem que matámos há cem anos, o Rei D. Carlos, agora o Senhor Dom Carlos, Rei de Portugal. Uma pequena multidão descobriu as maravilhas da monarquia, muda o nome de Ataíde para Athayde, de Rui para Ruy, passeia o seu blaser nos grandes escritórios de qualquer coisa burocrática que eles acham que não é burocrática, negócios, auditoria, advocacia, aconselhamento fiscal, project finance, com o emblema da Causa Monárquica na lapela, dobrando a voz todas as vezes que diz Senhor, como em Senhor Dom Carlos, indo a missas para esconjurar os jacobinos e os carbonários, convencidos de que os regicídas eram a encarnação da Al-Qaeda da época e que Portugal seria um grande país caso não houvesse aqueles tiros junto ao Tejo.

O Rei D. Carlos era um homem estimável, com boas virtudes e dedicações científicas e estéticas pouco comuns nos Braganças, com pecados simpáticos, que foi um crime matar e que mais do que merecia a banda militar a tocar nas cerimónias? De certeza que sim, mas não o façam ser o que não foi. Oh! Homens e mulheres do Senhor arredondado, para os regicidas da época aconselho um dos melhores e mais fascinantes textos de Eça, ao modo de Jorge Luís Borges, perdido nas Notas Contemporâneas, sobre o assassino de Canovas del Castillo, ou o Agente Secreto do genial Conrad, para se olhar para estas coisas com outros olhos, nem carbonários, nem beatos.

Para o resto, peguem numa lupa e vão ver as fotografias dos "palácios reais", as fotografias dos grandes e médios eventos desses anos finais da monarquia e podem continuar pela República e pelo Estado Novo dentro e vejam o Portugal que lá está ao lado da Família Real nos vasos partidos segurados com arame, nas louças com "gatos", nos jardins pouco cuidados, nos espelhos com a prata gasta, nas roupas puídas e usadas, nas decorações erguidas de madeira e papelão, no tom de abandono, descuido e pouca limpeza, que nem a hierarquia do upstairs e do downstairs servia para funcionar bem, não porque não houvesse muita criadagem, mas porque faltavam os mordomos ingleses. Esse mundo que tomam por brilhante e cosmopolita era o mesmo Portugal que hoje pretendem esconjurar porque "feio, porco e mau", o mesmo Portugal - oh sinistro adjectivo! -, "piroso", de que pensam fugir conhecendo os vinhos de casta, comprando relógios Patek Philipe para entesourar, caçando vestidos de duendes verdes, fazendo subir o preço do Almanaque de Gotha nos leilões, e passeando-se por resorts e spas. Não, não estamos nos nossos melhores dias...
Nas procuras que fiz na Rede para a publicação deste artigo precisava de uma capa do Almanach de Gotha original ( e não a versão inglesa que se publica depois de 2000 e que é uma desgraça, cheia de erros) e não encontrei nada de decente. Há uma entrada que me parece razoável na Wikipedia, mas em várias tentativas não arranjei uma capa razoável do verdadeiro Almanach, o anterior a 1944, que acabou "ocupado" pelo Exército Vermelho. É um pouco estranho que na Rede, em que há imensa coisa, não haja nenhuma capa. Valia a pena estudar não só que está em linha como o que não está. Na minha biblioteca familiar há para aí uns dez exemplares, quase todos do século XIX e um deles mesmo do principio do século, mas não tenho aqui nenhum à mão. Eram muito volumosos e muito pequenos, quase um cubo sólido numa estante, com a sua capa imediatamente reconhecível entre o vermelho e o carmim e com uma coroa gravada a ouro. (Depois disto escrito por cortesia do leitor João P. Carvalho chegou-me uma referência a uma capa do Almanach.)
Salva-nos o mundo? Não, não salva, a não ser que Barack Obama, que em Portugal tem o maior número de admiradores por metro quadrado da Costa Leste dos EUA para cá, ganhe as eleições. Obama, aquilo que a esquerda europeia pensa que é a esquerda americana, é a última esperança do mundo, tão esperançosa que levou muita gente a trair os Clinton, aquilo que a esquerda europeia pensava que era a esquerda americana antes de Obama aparecer. Soares vota em Obama, Jorge Coelho vota em Obama, Marcelo vota em Obama, o BE vota em Obama, as redacções da TSF, da RTP, da SIC, do Diário de Notícias, votam em Obama. E as outras também. Pensam que Obama vai lá chegar e com a varinha mágica da Utopia e da Esperança, o seu grande mérito a julgar pelos comentários, vai acabar com a guerra no Iraque, a Al-Qaeda, a recessão e as lojas dos chineses, reconhecer a União Europeia como parceira mundial dos EUA e propor Barroso para o Prémio Nobel, dizer "porreiro, pá" ao nosso engenheiro, reconciliar Mário Soares com os EUA e pôr ordem nos israelitas.

Está bem, está na altura de acordar, mas como é que se pode acordar quando toda a gente quer continuar a sonhar? Não, não estamos nos nossos melhores dias...

(Versão do artigo do Público de 9 de Fevereiro de 2008.)

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

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Limpeza do jardim público do Samouco. (António Cabral)

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COISAS DA SÁBADO: A OPOSIÇÃO QUE NÃO QUER ONDAS



Na continuidade deste texto e deste.

Não me admira. A oposição, enterrada até ao pescoço nos casos do governo PSD-PP, que uma divina justiça, um deus ex-machina, distribui sempre como pancada aos dois (PSD e PS) quando um se porta mal (PS), ou vice-versa, como se houvesse sempre um arquivo de malfeitorias à disposição para distribuir num preciso momento, não quer ondas porque nunca sabe se se vai molhar. É por isso que há esta sensação de impunidade na lama, todos estão lá metidos, logo nada é importante. No momento em que um eco gigantesco amplifica as palavras do Bastonário da Ordem dos Advogados, tudo isto é muito, muito, incómodo.
Guilherme Silva, há muitos anos um dos exemplos do que é um bom deputado, num parlamento que os tem cada vez menos, foi a voz solitária vindo da vida política activa contra esta tenebrosa sensação de pastosidade em que estamos metidos.

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

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Lisboa, faina aérea. (António Cabral)



Lisboa, "os trabalhadores não têm pátria"



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Em Caxias de manhã cedo. (Ana Ferreira)

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EARLY MORNING BLOGS


1223 - Ode To Modern Art

Come on in and stay a while
I'll photograph you emerging from the revolving door
like Frank O'Hara dating the muse of modern art
Talking about the big Pollock show is better
than going to it on a dismal Saturday afternoon
when my luncheon partner is either the author or the subject
of The Education of Henry Adams at a hard-to-get-
a-table-at restaurant on Cornelia Street
just what is chaos theory anyway
I'm not sure but it helps explain "Autumn Rhythm"
the closest thing to chaos without crossing the border
I think you should write that book on Eakins and also the one
on nineteenth century hats the higher the hat the sweller the toff
and together we will come up with Mondrian in the grid of Manhattan
Gerald Murphy's "Still Life with Wasp" and the best Caravaggio in the country
in Kansas City well it's been swell, see you in Cleveland April 23
The reason time goes faster as you grow older is that each day
is a tinier proportion of the totality of days in your life

(David Lehman)

*

Bom dia!

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9.2.08


COISAS DA SÁBADO: A DOENÇA



Na continuidade deste texto.

Há dois factores em presença no tratamento noticioso da questão Sócrates II (a I foi o diploma): o primeiro, é um julgamento sobre a oportunidade e o valor jornalístico da notícia do Público; o segundo, é a sua incomodidade para o Primeiro-ministro e as estratégias de spin para a contrariar. Quanto ao primeiro, só gostava que me dissessem com clareza se jornais como o New York Times, o Times, ou o Le Monde (tenho mais dúvidas sobre este último) tivessem uma investigação como esta, sobre Bush, Gordon Brown ou Sarkozy, não a publicavam e isso não era entendido como um “furo” jornalístico? É tão óbvia a resposta que nem vale a pena perder muito tempo aqui. Insisto, o escrutínio rigoroso do currículo público de um Primeiro-ministro, que já era político no activo há “vinte anos”, como insiste Sócrates para minimizar os factos, é uma prática jornalística não só aceitável como exigível. E há factos, declarações, documentos, realidades, que a sustentam e talvez seja por isso que o Primeiro-ministro até agora não processou o Público, nem o jornalista, como fez com o elo mais fraco no caso do título académico, o autor do blogue Portugal Profundo, aliás sem sucesso.

O segundo factor é onde está a doença, e essa doença é muito preocupante, é a capacidade que tem o poder de, nos casos em que realmente dói, exercer uma pressão eficaz, não escrita, que não está nos telefonemas, está no próprio poder e nas suas teias implícitas e explícitas, sobre a comunicação social. Desconto já aqui, a dificuldade da comunicação social reconhecer o mérito alheio, neste caso do Público e dos seus jornalistas, num meio onde há muita fome e todos ralham. Desconto também as afinidades políticas que levam muitos jornalistas a proteger um governo PS. Agora, que a RTP tivesse começado a sua notícia, convenientemente remetida para os fundos do telejornal, com as palavras “a nova ofensiva do jornal Público contra o PM ...” já é a doença. Que, no dia seguinte, o Jornal de Notícias tivesse uma pequena notícia num canto de página em que se diz “Sócrates diz-se alvo de “ataque pessoal”, já é a doença. Embora o Diário de Notícias e o Correio da Manhã fossem salomónicos entre o conteúdo da notícia do Público e o spin do Primeiro-ministro, pelo menos sempre se distanciavam da pura conspiração, com mérito do Correio da Manhã que entrevistava o jornalista acusado pelo Primeiro-ministro, acrescentando pormenores da investigação. Já percebo menos porque razão a notícia foi para a secção dos media e não a da política... Mas, a atitude geral foi isolar o Público, como se fosse pestífero. É essa a doença.

Na verdade, havia duas linhas para tratar o assunto no dia seguinte, ou se desenvolvia a matéria da notícia (as assinaturas, os projectos de casas, as circunstâncias, a exclusividade) ou o contra-ataque de Sócrates que queria colocar o Público no centro da notícia e não as casas da Guarda. Para mim a doença está no facto de a maioria da comunicação social seguir Sócrates e fazer de conta que não há uma notícia do Público de interesse público.

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EXTERIORES: CORES DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Hoje. Peixe fresco no mercado de Setúbal. (Ochoa)

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EARLY MORNING BLOGS


1222 - A Description of the Morning

Now hardly here and there a hackney-coach
Appearing, show'd the ruddy morn's approach.
Now Betty from her master's bed had flown,
And softly stole to discompose her own.
The slip-shod 'prentice from his master's door
Had par'd the dirt, and sprinkled round the floor.
Now Moll had whirl'd her mop with dext'rous airs,
Prepar'd to scrub the entry and the stairs.
The youth with broomy stumps began to trace
The kennel-edge, where wheels had worn the place.
The small-coal man was heard with cadence deep;
Till drown'd in shriller notes of "chimney-sweep."
Duns at his lordship's gate began to meet;
And brickdust Moll had scream'd through half a street.
The turnkey now his flock returning sees,
Duly let out a-nights to steal for fees.
The watchful bailiffs take their silent stands;
And schoolboys lag with satchels in their hands.

(Jonathan Swift)

*

Bom dia!

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8.2.08


NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

MEMÓRIAS - uma entrevista que fiz a Aznavour em 1966...

COISAS DA SÁBADO:A ENCOMENDA QUE ME FEZ BELMIRO DE AZEVEDO - sobre a tese conspirativa a propósito das notícias do Público sobre Sócrates. + comentários.

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver





Ponte Vasco da Gama iluminada. (António Cabral)





Fim do dia na Praia do Pópulo, S. Miguel, Açores. (Nuno H C Pimentel)





Berlim, hoje, em redor da fundação Heinrich Böll , perto da estação de comboios Hackescher Markt. (Luís Costa)



Vinhas de Inverno às portas de Amarante. (Helder Barros)



Vela no Atlântico (LR)



Céu da manhã. (RM)



Alvorada em Fátima. (Leonor Rodrigues)

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MEMÓRIAS

Em 1966, Aznavour veio a Portugal, penso que pela primeira vez. Estava-se no período de ouro da influência da canção francesa e, sem se saber, no início do seu ocaso. Nessa altura, vieram a Portugal Françoise Hardy, Sylvie Vartan, Gilbert Bécaud e Aznavour. Conheci-os e entrevistei-os a todos, na maioria dos caso para o jornal do Liceu Alexandre Herculano de que era director. Não era comum que gente tão famosa falasse para um obscuro jornal dum Liceu, nem os hábitos da época favoreciam a liberdade que era entrevistar um artista estrangeiro que podia sempre dizer inconveniências impublicáveis. O jornal não ia à Censura oficial porque formalmente, como toda a imprensa escolar, devia ser da MP, mas foi nesses anos completamente independente. Na prática quem fazia a censura era o professor responsável (o padre Brochado) e o reitor Martinho Vaz Pires. Durante o período em que fui director houve problemas graves com o jornal (por culpa de Lopes Graça, de Picasso, dois comunistas, dos bons costumes, e da Bauhaus por outros motivos que já contei noutro lado), mas nenhum com as entrevistas.

Bom, a entrevista (que fiz com um colega meu mais velho, o Soler, que já tinha publicado uns livros de poesia) é o que se pode esperar: banal, estereotipada, escolar, direitinha, respeitosa. Perguntas muito sérias, respostas mais soltas. Aqui ficam alguns exemplos:



E não sei por que carga de água perguntei-lhe isto:



Por aqui se pode imaginar o resto.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 8 de Fevereiro de 2008


Alguém me consegue explicar como é o processo de decisão no Ministério das Obras Públicas? Caótico? Fuzzy? Dependente das decisões dos engenheiros do LNEC? Dos jornais da manhã? Da CIP? Do senhor Presidente da República? Do agora ganhas tu, agora ganho eu? Do senhor Ministro chegar à janela e dizer, parece-me que aquela ponte ficava melhor ali, não achas? Por diktat? Segundo o método do Ministro Mexia no governo Santana Lopes, anunciando uma travessia do Tejo em conferência de imprensa ainda sem saber nem onde nem como seria? Pela posição dos ossos, pelas vísceras duma ave? Alguém me explica?

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COISAS DA SÁBADO:A ENCOMENDA QUE ME FEZ BELMIRO DE AZEVEDO



eu
Escrevo estas linhas [sobre as aventuras de Sócrates projectista] porque Belmiro de Azevedo me pediu, ou, Belmiro de Azevedo pediu a José Manuel Fernandes que me pediu para escrever estas linhas. Como a SONAE perdeu a OPA sobre a PT, o desejo de vingança do “grupo” é enorme e é para isso que existe o Público e o Cerejo, o “novo pide”, para vilipendiar o pobre do proto-engenheiro Sócrates que, há vinte anos, fazia uns projectos para uns amigos que, por coincidência, não os podiam assinar, graciosamente é claro, sem qualquer da burocracia que faria as Finanças hoje grelhar um cidadão nas sinistras suspeitas de fugir ao fisco. Ou pior, como escrevo no Público, escrevo estas linhas para agradar a Belmiro de Azevedo ou a José Manuel Fernandes que não as pediram, mas vão ficar agradados por eu as ter escrito e alguma recompensa me hão-de dar. Ou pior ainda, escrevo estas linhas para que o senhor Primeiro-ministro e o seu gabinete saibam que a “a mim ninguém me cala” e por isso, como fizeram com Manuel Alegre, me dêem a cabeça de um ministro numa bandeja para me amansar. Eu digo já qual é o ministro... Ou pior do pior, mãe de todos os piores, escrevo estas linhas para tramar a tríade Menezes – Lopes – Ribau que a última coisa que querem é que Cerejo olhe para eles com o mesmo olhar com que olha para as casas elegantes que enxameiam a Guarda com assinatura de José Sócrates. Ou pior ainda, o absoluto pior, o pior que encerra o puro mal, porque no meu ignoto canto, mergulhado na raiva pura, no monstro verde, na bílis do mais total ressentimento, invejo o sucesso brilhante do engenheiro Sócrates como desenhador e projectista, um homem que faz, que tem obra feita no distrito da Guarda, enquanto eu não durmo à noite porque apenas pertenço àquela confraria inútil que só escreve livros e artigos, mergulhada na sua própria peçonha.

Deve haver coisas ainda muito piores, mas a minha imaginação não chega lá.

*
1. Há alguma diferença entre projectista, desenhador e Eng. Técnico? Qual o papel de cada um na elaboração de um projecto de ampliação de uma casa(maioria dos casos) ou da construção de uma nova moradia?

2. A estética de um projecto de ampliação (ou mesma de uma construção nova) é da responsabilidade do Engenheiro Técnico, do projectista, do desenhador ou do cliente?

3. Num projecto de ampliação (ou mesmo de uma construção nova) existe alguma ilegalidade em um Engenheiro Técnico assinar um projecto feito em grande parte por um desenhador ou projectista (porque fica mais barato ao cliente), assumindo a responsabilidade por ele?

4. Nos anos 80, no distrito da Guarda quantos Engenheiros Técnicos havia e quantos destes trabalhavam nas Câmaras Municipais? Consegue indicar algum que nunca tenha assinado projectos de favor (com o fim de não cometer nenhuma ilegalidade)?

(Joao Filipe Marques Narciso)

*

Deve haver coisas muitos piores (…)” diz o JPP

Creia que há, como por exemplo ser arquitecto e saber, querer e poder defender a profissão.

Sabe porque não assinei ‘arquitecto’ e sim ‘projectista de arquitectura’ no meu comentário anterior? Não foi, apenas, por não estar em causa abordar o tema ‘A arquitectura aos arquitectos’. Nem pelo receio de levantar a questão de também existirem ‘brincadeiras’, como as fotografadas no Público, assinadas por estes profissionais.

Foi, antes, para não ter que falar do 73/73 e da má vontade e má fé de quem não se interessa em revogá-lo. Porque, desde 73, no espírito redutor da classe governamental, as classes profissionais que têm como objectivo projectar e construir, parecem servir apenas uma amálgama de interesses obscuros.

Efectivamente, continua a ser indecifrável para muitos, incluindo governantes, o significado do termo ‘qualidade’ de um objecto arquitectónico, de um conjunto urbanizado, ou de um plano. Chega a parecer impossível debater este tema, sem que surja, inevitavelmente, a habitual proliferação de equívocos sobre a rivalidade arquitectos-engenheiros.

Na conclusão do seu artigo na Sábado, afirma que teriam existido duas linhas para tratar imediatamente o assunto na comunicação social.

Deixando a segunda sugestão para psis - a que denunciaria o jogo de negação/perseguição do PM - interesso-me principalmente pela sua primeira sugestão.

Ou seja, a comunicação social poderia, e poderá ainda, desenvolver “a matéria da notícia (as assinaturas, os projectos de casas, as circunstâncias, a exclusividade)”.

Todos os portugueses beneficiariam com o desvendar deste questão tão esotérica, que parece envolver conceitos de Ética e Estética.

Coisas ainda muito piores e com mais peçonha, que nos fazem gregos.

(MJE)

*

Claro que o problema das encomendas não diz respeito a si nem a jornalistas que não possam ser coagidos pela necessidade económica. O problema porém é que em média, aliás para dizer a verdade praticamente todos os jornalistas sentem hoje que a sua posição social, a sua progressão na carreira se encontrará prejudicada se saírem dos "modelos" se ousarem investigar de forma séria se expuserem ideias diferentes. Aliás isso também se aplica aos politicos, quanto mais não seja basta ver o seu caso. Não que concorde sempre consigo mas pelo menos entendo que é capaz de reflectir e de propôr ideais e não vê isso como um "palavrão".

Na verdade em meu entender o problema do sistema capitalista não é o mercado livre. é o facto dos dois poderes reguladores - o estado e a imprensa estarem neste momento factualmente dependentes do poder económico. Isso arruina os alicerces da nossa sociedade e coloca os administradores dos grandes grupos económicos no efectivo governo da nação.

Por isso terá que me desculpar mas na verdade acho que a noticia do Publico foi plantada por alguém de forma incontestavelmente habilidosa. Resta saber o que a Sonae quer do governo, mas em breve - parece-me - se saberá ...

(Fernando Vasconcelos)

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7.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 7 de Fevereiro de 2008


Um deputado do PS e quatro deputados do PSD votaram a favor do referendo num sentido de voto contrário ao das suas bancadas e coerente com as promessas eleitorais na base das quais foram eleitos. A Lusa , cujo comunicado se encontra aqui, entende nomear o deputado do PS pelo nome, António José Seguro, e ignorar os nomes dos deputados do PSD. Não posso assim dar-lhes os parabéns pela coerência que mostraram, porque a agência noticiosa que é paga pelos meus impostos acha irrelevante dizer quem são.

ADENDA: Depois desta nota a Lusa fez um segundo comunicado com a indicação de "actualizado" que inclui os nomes na bancada do PSD, que afinal são três: os deputados independentes Pedro Quartin Graça, Nuno da Câmara Pereira e Carloto Marques, tendo Mota Amaral, Miguel Macedo, Miguel Frasquilho, José Manuel Ribeiro, Almeida Henriques, Duarte Pacheco, Cristina Santos e António Preto apresentando declarações de voto. Fez bem.

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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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EARLY MORNING BLOGS


1221 - Si celui qui s'apprête à faire un long voyage

Si celui qui s'apprête à faire un long voyage
Doit croire celui-là qui a jà voyagé,
Et qui des flots marins longuement outragé,
Tout moite et dégouttant s'est sauvé du naufrage,

Tu me croiras, Ronsard, bien que tu sois plus sage,
Et quelque peu encor (ce crois-je) plus âgé,
Puisque j'ai devant toi en cette mer nagé,
Et que déjà ma nef découvre le rivage.

Donques je t'avertis que cette mer romaine,
De dangereux écueils et de bancs toute pleine,
Cache mille périls, et qu'ici bien souvent,

Trompé du chant pipeur des monstres de Sicile,
Pour Charybde éviter tu tomberas en Scylle,
Si tu ne sais nager d'une voile à tout vent.

(Joachim du Bellay)

*

Bom dia!

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6.2.08


EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Fim da tarde em Budapeste. (Gil Regueira)



Carnavel em Torres Vedras. (André Felício)









Desfile trapalhão no Funchal. (Carlos Oliveira)





Carnaval de Gondar em Amarante, à chuva. (Helder Barros)



Anúncio de Primavera. (António Cabral)



Arrozais de Montemor. (Ochoa)



Dia de Carnaval em Lisboa. (MJ)



Voos. (António Cabral)



Erosão em S. Miguel. (António Cabral)



Luz do fim do dia. (RM)



Fevereiro em Penha de França. (Luis Pereira)

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5.2.08

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AS MUDANÇAS DA “CULTURA”


... significam quase sempre mais mudanças na clientela do que mudanças na política. Num sector tribalizado até ao limite, o que muda é a tribo próxima do Ministro, e quem perde é a tribo longínqua. Em função da distância aos subsídios, claro.

O novo ministro chega lá com ideias, gostos, opções diferentes do anterior: gosta mais de teatro de revista, mais de ópera, mais de cinema, mais do grupo A ou do grupo B, mais do fado ou de Emanuel Nunes, vai ao CCB ou à CGD, à Gulbenkian ou a Serralves, dá-se com os bolseiros da escrita ou com os actores da “Rivolução”, está mais com os críticos do Actual do Expresso, do ex-DNA do Diário de Notícias ou com os do Ipsilon do Público, e por aí adiante conforme as tribos. Como nunca há dinheiro que chegue para todos os gostos e tribos, há sempre uma insatisfação activa na “cultura”. É só uma questão de tempo até haver outro abaixo-assinado na Internet.

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EXTERIORES: CORES DO DIA DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver













Hoje, agora. Nem todos os Carnavais são iguais.

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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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PORQUE É QUE ESTES HOMENS PODEM FALAR DEMAIS E MANTER-SE NOS CARGOS?


O director da Judiciária falou demais, falou mal e demais. Em qualquer país civilizado a tutela, sim que o homem tem quem mande nele, o teria demitido no minuto seguinte. Em Portugal não. O que o director da Polícia Judiciária disse foi que a “justiça” portuguesa, juízes, procuradores e a sua própria polícia, se “precipitou” numa avaliação de provável culpa, no caso mais sensível nacional e internacional que no século XXI se conhece em Portugal: o do desaparecimento da “pequena Maddie” e da “culpa” dos McCann.

As suas palavras sobre os McCann iriam ser ouvidas da Califórnia a Hong Kong, de Beijing a Joanesburgo, em qualquer sítio onde se fale inglês e se leia um tablóide britânico, ou seja todo o mundo, das poucas palavras ditas em Portugal que têm o megafone do mundo inteiro. Depois de ditas nada ficará na mesma, e mais vale esquecer depressa o processo da “pequena Maddie” e esperar cinquenta anos até que uma investigação criminal portuguesa que envolva estrangeiros consiga devolver-nos alguma da credibilidade que foi agora irremediavelmente perdida.

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EARLY MORNING BLOGS


1220 - Psalm 176

When I am appalled
By colossal artifice
The sad word
Is my fellow laborer.
What would make you
Want to forsake miracles
You are too close to.
Why.
My eyes are lights
In an emergency alert
System. The radio static
Sounds like water
Left on in the kitchen.
Not real silence. I
Am better off not having
Lived in the age of
Miracles for I can
Believe in them.
-----------------Selah.

(Stan Rice)

*

Bom dia!

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4.2.08


COISAS DA SÁBADO: A FASCINAÇÃO POR BARACK OBAMA

Uma parte da nossa direita e de quase toda a nossa esquerda, mostra como o anti-bushismo não é bom para a qualidade do pensar. É que Obama, comparado com Hillary Clinton ou com John McCain, tem pouco lá dentro. Nem saber, nem experiência, nem consistência. Pode vir a ganhar tudo isto, mas para já não tem. Mais um produto da fábrica de plástico, jovem, simpático, bom ar, bom falador, muito teatro de convicções, e politicamente correcto na cor, nem muito preto, nem muito branco, mais um teste para a tese de Kissinger de que cada vez mais as condições para se ser eleito presidente nada tem a ver com as condições para se exercer bem o seu cargo.

*
Afirmar que o Senador Barack Obama é menos experiente que a Senadora Hillary é um facto. No entanto, classificá-lo como um produto de plástico parece-me um salto excessivo. Concordo quando afirma que no campo politico nacional há uma doença grave.As técnicas de comunicação e o invólucro social sobrepõem-se ostensivamente em prejuízo da causa pública.Ora, nos EUA, para bem e para mal,há um pré-requisito mínimo e muitas vezes fulcral para o pender da balança eleitoral e que se concentra na pergunta:Qual o seu passado?O passado político e pessoal,muitas vezes militar,e principalmente de luta pela causa social é escrutinado até as ultimas consequências(os relatórios de pré-primaria do senador Obama,foram postos em causa!).É importante sublinhar que o passado político mede-se em termos de acções e resultados e não pelo simples facto de ter subido na hierarquia partidária.É este crivo proporcionado pelos media que separa o trigo do joio,e que evidencia a agenda política de cada candidato.A partir daí,quem ganha ou deixa de ganhar depende de outras realidades,mas isso são as regras do jogo democrático.

O Senador Obama, vindo de uma família de classe média, estudou em Harvard e Columbia.Não apresenta PowerPoints. Possui um discurso que cativa, não pelo simples uso de floridos de retórica mas porque está em sintonia com os seus eleitores.Na questão do saber, as suas propostas mais importantes não diferem das de Hillary.É consistente,é o único candidato a não apoiar a intervenção no Iraque desde o princípio.Apesar de mais novo, tem um currículo exemplar, de luta social "no terreno".E se a falta de experiência é directamente proporcional aos erros que se cometem no futuro,que dizer de "Dick" Cheney e Donald Rumsfeld? Será difícil encontrar alguém com um currículo mais longo e no entanto, grandes erros foram cometidos.O presidente Kennedy,o mais novo a ser eleito, também foi acusado de ser demasiado inexperiente e no entanto conduziu com sucesso os EUA através de um dos períodos mais periclitantes da história Mundial,a Crise dos Mísseis Cubanos.

(Bruno Sequeira)
*

Tendo acompanhado à distância e com algum interesse as eleições americanas, permita-me concordar com o que sobre ele diz. Permita-me até acrescentar algo que passa, parece, completamente despercebido aos media de cá: Barack Obama, em todos os debstes e intervenções que tenho acompanhado, parece-me o candidato menos conveniente à Europa e ao Mundo em geral pois as suas posições são muito mais isolacionista do que, pasme-se, as do McCain. Claro que por cá o que interessa, e claro que também interessa mas não esgota, é o facto de ser anti bush, negro (ou mulher no caso de Clinton) e residualmente de esquerda. O resto.... nem se discute.

(José Pedro Machado)

*

No Abrupto referiu em 3.1.08 o clima de “fascínio” e “reserva” * que alimenta a época de Jan-Nov 08 da propaganda eleitoral nos EUA. Sobre o tema diria que as pseudo-verdades do discurso político dos candidatos não me convencem sem atender ao cenário com que alguns factos históricos recentes deram maior substância ao seu carácter. Admirando o discurso de Obama, reconheço, contudo, que o leque de preferências dos eleitores ocorre, exclusivamente, em quadros formados por teocratas e tecnocratas. Ainda que confiando nalgumas convicções de Obama, desapontam-me os enredos messiânicos da sua máquina eleitoral; por outro lado também não encontro diferenças significativas nos discursos de Hillary em igrejas e nos ‘God bless USA” dos candidatos do outro painel. Exemplificando o que referi, vejam-se os apontamentos críticos que um baptista faz às formas enviesadas da actual propaganda eleitoral: em blestou/Brian .

Suponho que poderemos concluir não nos aproveitar imaginarmo-nos nos EUA seleccionando um candidato, se nem neste extremo europeu realizamos as consequências da diferença entre moral republicana ou qualquer outra.

(MJ)

*

Lendo o seu post sobre "A Fascinação por Barack Obama" não pude deixar de tentar perceber as razões para a forma como qualifica "a personagem" e das razões para afirmar que o mesmo "tem pouco lá dentro" e "nem saber, nem experiência, nem consistência". Parece-me uma leitura muito ligeira (e não sustentada, pelo menos no que escreveu), deixando apenas ficar assim no ar "os adjectivos".

Acompanhando com atenção o processo da escolha de candidato presencial nos EUA há vários meses, não vi onde está esta "ocacidade" do Barack Obama, mas poderá de certeza ajudar-me nessa "leitura".

É certo que há um "foclore" normal nestes processos, mas parece-me que lhe terá escapado a essência por detrás do véu da aparência deste processo.

Apesar de ter uma opinião contrária, não consigo contra-argumentar face ao que escreveu no blogue (e sequer compreender) porque faltam os seus argumentos para suportar a qualificação que faz do candidato e como tal, gostava de perceber as razões da mesma. Ou terei perdido algo?

(Rui Soares)

*

Eu gosto de Obama porque este (ou melhor dizendo, o movimento por trás deste) incorpora parte do que há de melhor na América - e isso é independente das ideias que defende. Não há nenhum outro país do mundo onde tantos anónimos participem activamente nas campanhas politicas, e muito menos um país onde a participação anónima e voluntária possa ter efectiva influência no resultado dessas eleições. Gente outrora fora do sistema que se une em torno do seu candidato. É assim com Barack Obama, é assim com Ron Paul, e talvez por aqui se explique o sucesso da democracia americana - a democracia moderna mais antiga do mundo. Quando Obama discursa, milhares juntam-se para ouvi-lo falar. E não é só o facto de milhares irem ouvi-lo falar, mas é a constatação que esses milhares são constituidos por gente de todas religiões, raças e estratos sociais, e todos eles trazem bem traduzida a esperança e a emoção nos olhos. Quando é que tal sucedeu em Portugal? Talvez logo a seguir ao 25 de Abril a politica em Portugal tivesse tal paixão associada, mas daí para a frente o que se assiste é a um descrédito da politica e o afastamento da participação dos cidadãos no destino do seu país, um deixar levar a coisa, entregue aos partidos e às juventudes partidárias.

Depois discordo da sua observação sobre o anti-bushismo como gerador da simpatia entre gentes de direita e de esquerda por Obama. Se assim fosse não percebo porque Hillary Clinton não teria também ela a sua quota de apoio. Depois não sei se Obama será "um teste para a tese de Kissinger de que cada vez mais as condições para se ser eleito presidente nada tem a ver com as condições para se exercer bem o seu cargo" muito mais do que é Hillary Clinton. É Hillary quem por mais do que uma vez já referenciou que uma mulher na casa branca é uma grande mundança, e foi Hillary quem por duas vezes atingiu os head-lines dos noticiários com as suas lágrimas no dia anterior a votações importantes...

(Jorge Assunção, um jovem de direita que nutre simpatia por Obama e que nunca foi anti-bush.)

*

Concordo plenamente com a sua decricao de Obama. Obama e’ na minha opiniao um sub-produto do media americanos. Ele fala bem, cativa, , mas o seu discurso nao e’ baseado em nada de significativo, muito menos em experiencia politica. Comparo-o com Guterres aquando das eleicoes contra Fernando Nogueira. As promessas, o discurso facil e cativante estava la’, mas pior foi o desastre que se seguiu.

Obama e’ senador pelo estado do Illinois ha’ 3 anos! Repito, 3 anos! Isso nao qualifica ninguem para ser presidente dos EUA. Mas os media adoram estas historias, fa-los lembrar de JFK.

Super-Tuesday e’ amanha, vamos ver o que decidem os militantes democratas. Parece-me que Obama sera’ presa facil contra um candidato forte do GOP (Jonh McCain).

(Carlos Carvalho)

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Desde as 8h que neva abundantemente em Tóquio e acabei de tirar uma fotografia que ilustra o facto. (Antonio Rebordão)



Hoje, às 01:14 da manhã, Nova Deli. Menos de 5ºC. Este é o guarda nocturno do meu bairro, enquanto vagueava pela minha rua. O cajado, na mão direita, serve para afugentar cães e vacas, e porventura algum ladrão. Para provar que não adormece e os residentes se sentirem seguros, passa a noite inteira a bater com ele no chão e a soprar um apito (na mão esquerda). (Constantino Xavier)



Pôr-do-sol na Serra dos Mangues. (RM)



Pôr-do-sol no Samouco. (António Cabral)



Caminho ao fim do dia. (RM)



Cruzeiro em Sul. (José Manuel Figueiredo)



Mourão.





Aldeia da Luz. (MJ)





Prédios com reflexos. (António Cabral)



Rio Ovelha. (Helder Barros)





Vinhas no Alto Douro. (José Ribeiro)



Saudação ao público das equipas do Amarante e do Aliados de Lordelo, no inicio de um jogo jogado sobre chuva diluviana e em que o Amarante F.C. venceu por duas bolas a zero.
(Helder Barros)







Praia de Mira. (Paulo Silveira Dias)





Museu do Chiado.





De manhã. Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS


1219 - ... the oak announces itself when, with a far-sounding crash, it falls

A paradoxical philosopher, carrying to the uttermost length that aphorism of Montesquieu's, 'Happy the people whose annals are tiresome,' has said, 'Happy the people whose annals are vacant.' In which saying, mad as it looks, may there not still be found some grain of reason? For truly, as it has been written, 'Silence is divine,' and of Heaven; so in all earthly things too there is a silence which is better than any speech. Consider it well, the Event, the thing which can be spoken of and recorded, is it not, in all cases, some disruption, some solution of continuity? Were it even a glad Event, it involves change, involves loss (of active Force); and so far, either in the past or in the present, is an irregularity, a disease. Stillest perseverance were our blessedness; not dislocation and alteration,--could they be avoided.

The oak grows silently, in the forest, a thousand years; only in the thousandth year, when the woodman arrives with his axe, is there heard an echoing through the solitudes; and the oak announces itself when, with a far-sounding crash, it falls. How silent too was the planting of the acorn; scattered from the lap of some wandering wind! Nay, when our oak flowered, or put on its leaves (its glad Events), what shout of proclamation could there be? Hardly from the most observant a word of recognition. These things befell not, they were slowly done; not in an hour, but through the flight of days: what was to be said of it? This hour seemed altogether as the last was, as the next would be.

(Thomas Carlyle, The French Revolution)

*

Bom dia!

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3.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 3 de Fevereiro de 2008


Leituras que valem a pena:

- o "Retrato do Pai Natal" no Portugal dos Pequeninos, um bom contraponto para a louvaminhice que grassa na "cultura" e não só sobre o ministro que há alguma probabilidade de ter sido convidado por engano;

- uma muito interessante entrevista a José Serra na Artes e Leilões de Janeiro de 2008, sobre as técnicas e truques usados nos leilões em Portugal, sim em Portugal, com nomes, pessoas, firmas, casos, tudo;

- uma igualmente interessante biografia de Hugh Everett no Scientific American de Dezembro de 2007 com um título revelador de "The Many Worlds of Hugh Everett", sobre um desses cientistas que tomaríamos por loucos e génios ao mesmo tempo, maus caracteres, infelizes e absolutamente brilhantes, passados, do outro lado, noutros "mundos". A história do homem que tomava as fórmulas da mecânica quântica a sério, não como "realidades" matemáticas, mas como realidades do mundo físico, não "incertas", mas certas numa multiplicidade de mundos existentes, é melhor do que a "ficção cientifica" a que deu origem. Algures alguém, eu próprio, que escreveu esta nota não escreveu esta nota.

*
Quanto a Hugh Everett, as ideias dele não me convencem. Mas há muitos exemplos de ideias científicas que inicialmente foram apresentadas como um mero utensílio matemático e que só muito mais tarde foram vistas como correspondendo a realidades físicas. Por exemplo, as ideias de Copérnico não foram, no início, tão chocantes como geralmente se pensa, pois o trabalho dele foi inicialmente interpretado como dizendo que, para efeitos de cálculos, seria mais simples supor que era o Sol e não a Terra que estava no centro do Universo.

(José Carlos Santos)

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PORQUE É QUE "ÉTICA REPUBLICANA" É MUITO MAIS DO QUE A LEI


As declarações do bastonário da Ordem dos Advogados suscitaram um intenso debate sobre a corrupção na vida política, entre os defensores do "prove!" e os defensores do "é mais importante que denuncie e possa denunciar sem ter que provar". É um debate que nasceu torto, continua torto e vai morrer na praia, onde infelizmente morrem em Portugal os debates tortos e até os que o não são. E é pena, porque o que Marinho Pinto diz é verdade e os factos são graves demais para serem ofuscados pelo modo como o disse. E, pior ainda, há mais inocência nas palavras do bastonário do que nos "prove!" que lhe atiraram, vindos de quem sabe bem demais que ele está a suscitar um problema real, que nem sequer precisa de "prova" porque é do domínio da ética política das democracias, antes de ser do domínio do ilícito penal.

A questão é que existe a ideia de que estas matérias de corrupção são para os juristas, os advogados, os procuradores, os polícias e os tribunais, que naturalmente se pronunciam em termos de legalidade ou ilegalidade, de crime, de prova, de lei e de sanção. Mas o problema, se só ficar por aqui, não vai muito longe. E em Portugal é que não vai mesmo para lado nenhum. Nós somos especialistas em fazer as melhores leis do mundo e em arranjar maneira de nunca serem aplicadas. E somos também especialistas em deixar tudo na mesma enquanto, com enorme alarido, dizemos que vamos alterar. O modo como os grupos parlamentares do PS e PSD em uníssono se mostraram disponíveis para o que for preciso fazer para combater a corrupção, depois de terem congelado o pacote Cravinho e de, pelos seus representantes na comissão de Ética, cobrirem todos os deputados que flagrantemente abusaram do seu cargo, mostra bem que dali nada vai vir que não seja fogo de vista.
Se os deputados estiverem de boa fé na luta contra as práticas eticamente inaceitáveis no plano político, sabendo eu que há aqui uma fronteira que só se pode definir caso a caso, alterariam o actual modelo da Comissão de Ética, de modo a que casos como estes e este não possam acontecer sem sanção. O Diário de Notícias de ontem escrevia que eu defendia uma Comissão de Ética "extraparlamentar", que nunca me passou pela cabeça. O que eu defendo é uma Comissão de Ética com reais poderes de sanção (a começar pela censura pública), constituída por personalidades parlamentares, passadas (antigos Presidentes da Assembleia, antigos deputados) e presentes, sem uma lógica maioria-minoria a não ser muito mitigada, com mandatos longos numa lógica senatorial, e de cujas decisões se possa recorrer em plenário com exigência de maioria qualificada.
A questão é que se a corrupção ou o tráfico de influências são crimes, eles estão na ponta final de um longo processo de actos e procedimentos, que começa bem dentro da legalidade, mas já longe da moralidade pública. Eu acho péssimo que a moralidade seja metida ao barulho todos os dias, em particular como julgamento de carácter individual dos políticos. Mas já condeno a indiferença face a regras e procedimentos que, numa democracia, violam o princípio do "exemplo" na coisa pública e estão todos na antecâmara da ilegalidade. Por exemplo, a indiferença com que nos partidos políticos se reage ao conhecimento de pequenas falcatruas, truques e golpes na vida interna partidária parece-me meio caminho andado para o tráfico de influências e a corrupção. Parecem-me e são.
A questão da "ética republicana" aplica-se às aventuras projectistas do primeiro-ministro, que dava o seu nome, perante pagamento, a projectos que precisavam de um "engenheiro". Não é sequer um crime, dizem os especialistas, e poderia ser um pequeno pecado de um jovem no início da carreira, tentando sobreviver, se Sócrates dissesse claramente dito que foi isso mesmo. Ninguém lhe levaria muito a mal, tão generalizada está esta prática. Se há razão para levantar esta questão em termos políticos é exactamente a de saber porque é que esta pequena falcatrua existe e tem que ser feita com conhecimento de todos. Saber se há burocracia a mais, regras absurdas ou se, pelo contrário, são mesmo graves estas assinaturas de cruz. E, então, deveriam ser penalizadas.

Como aconteceu com a saga do diploma - que me parece mais grave porque há documentos que continuam a não ter explicação cabal, como o currículo corrigido na Assembleia -, Sócrates podia ter simplesmente dito que de facto usou um título que formalmente não tinha, até porque isso era uma reivindicação dele e dos seus colegas quanto à equiparação, ou então, que tinha sido pouco cuidadoso nos papéis. E ponto final, ninguém passaria disso, ninguém lhe iria pedir mais contas. Nós percebíamos tudo e, como pessoas sensatas, sabemos que a vida tem destas coisas e querer que toda a gente seja tão bacteriologicamente pura como as cozinhas de sonho da ASAE, é absurdo.

Mas Sócrates torna os seus pecadilhos em algo de mais grave. Torna-os em virtudes e, com arrogância, atribui-se comportamentos exemplares que não teve. E acresce a isso um autoritarismo que tenta sequer impedir que se discutam, e isso sim, lança uma luz perigosa sobre o seu exercício de funções.
Por isso me preocupa o facto de existir gente que acha normal falsificar assinaturas em delegações de voto para uma assembleia distrital, ou condicionar processos eleitorais com pagamentos em massa de quotas a desoras, ou manipular urnas de votos, ou viajar com a família para uma estância turística por conta do Parlamento ou, pior ainda, de haver gente que fazia tráfico de influências antes de a prática ser criminalizada e que só isso impediu de ir a tribunal, e, ainda assim, prosseguir, impune e serena, uma pequena e média carreira política como se nada fosse, com a aprovação e a indiferença dos seus pares.
Sobre a tentativa de Marques Mendes de introduzir critérios de ética política para além da legalidade / ilegalidade verificada em Tribunal.
Num certo sentido, o problema é ainda pior, porque a indiferença que ocorre no interior dos partidos tem raízes fora, na atitude de muitos portugueses que não se importaram de eleger, por exemplo, Fátima Felgueiras, que pelo menos uma coisa fez que deveria exigir sanção antes sequer de qualquer tribunal a julgar: fugiu à justiça. Num país mergulhado na clientela, na cunha, no patrocinato, em que quase por obrigação e sobrevivência é necessário ser criativo com a lei, é difícil encontrar um impulso e uma motivação forte para a luta contra a ilegalidade e a corrupção.
Outro exemplo do que não se deve fazer nestas matérias encontra-se na desvalorização do processo que o Tribunal de Contas tem aberto contra a nova ministra da Saúde. É um processo que em nada afecta a sua honorabilidade pessoal e em que não está em causa qualquer benefício próprio, mas que não pode ser desvalorizado por governantes e políticos como o está a ser, porque remete para o bom uso dos dinheiros públicos, algo que não pode ser desvalorizado como irrelevante sem apoucar o Tribunal de Contas e sem dar um sinal de indiferença perante um eventual mau uso dos dinheiros públicos.
Insisto por isso num ponto que tem a ver com a frase de Pina Moura quando disse que para ele "a ética da República é a ética da lei" e não podia haver nenhuma questão de ética que não tivesse como fundamento a ilegalidade. Havia e grave: a óbvia incompatibilidade de funções entre ser deputado da Assembleia da República portuguesa, tendo assim acesso a informação privilegiada e podendo moldar a legislação e as políticas no mesmo sector em que a empresa espanhola de que era presidente competia com as nacionais, num mercado cujas regras ele ajudava a definir como deputado português e não como deputado no Congresso dos Deputados, reunindo no Palácio das Cortes em Madrid.

A própria expressão "ética republicana" é aqui abastardada do seu sentido original. Importada pelos socialistas portugueses do PS francês, importada pelo PS francês do jacobinismo, importada pelo jacobinismo do que o jacobinismo pensava ser a "virtude" da república romana que Catão e Cícero defendiam, a ideia de uma "ética" republicana, universal e comum, face à defesa de interesses particulares, de grupo, casta ou facção, está longe de se restringir à lei, mas remete directamente para os "costumes públicos" que dividiam os senadores virtuosos dos que o não eram.

Por tudo isto, e voltando às declarações do bastonário, ou a condenação dos caminhos para a ilegalidade começa cedo no espaço público, dentro dos partidos e dentro do Estado, ou apenas esperar pelo crime e a sanção nunca cortará o caminho aos corruptos. Insisto: há muita coisa que depende apenas da pura vontade dos responsáveis, e o que se verifica é que ela pura e simplesmente não existe. O problema começa aí.

(Versão do Público de 2 de Fevereiro de 2008)

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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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EARLY MORNING BLOGS


1218 - Coronemus nos Rosis antequam marcescant

Let us drink and be merry, dance, joke, and rejoice,
With claret and sherry, theorbo and voice!
The changeable world to our joy is unjust,
All treasure's uncertain,
Then down with your dust!
In frolics dispose your pounds, shillings, and pence,
For we shall be nothing a hundred years hence.

We'll sport and be free with Moll, Betty, and Dolly,
Have oysters and lobsters to cure melancholy:
Fish-dinners will make a lass spring like a flea,
Dame Venus, love's lady,
Was born of the sea;
With her and with Bacchus we'll tickle the sense,
For we shall be past it a hundred years hence.

Your most beautiful bride who with garlands is crown'd
And kills with each glance as she treads on the ground,
Whose lightness and brightness doth shine in such splendour
That none but the stars
Are thought fit to attend her,
Though now she be pleasant and sweet to the sense,
Will be damnable mouldy a hundred years hence.

Then why should we turmoil in cares and in fears,
Turn all our tranquill'ty to sighs and to tears?
Let's eat, drink, and play till the worms do corrupt us,
'Tis certain, Post mortem
Nulla voluptas.
For health, wealth and beauty, wit, learning and sense,
Must all come to nothing a hundred years hence.

(Thomas Jordan)

*

Bom dia!

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2.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 2 de Fevereiro de 2008


Será que os senhores jornalistas da televisão (a julgar pelos dois noticiários do almoço que vi sobre esta matéria na RTP e na SIC) não se importam de se preparar um pouco melhor para não fazerem perguntas genéricas ao Primeiro-ministro e receberem respostas genéricas, quando há documentos, datas, declarações, e outro material concreto já publicado que impede exactamente que nos bastemos por essa vaga generalidade?

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EXTERIORES: CORES DOS DIAS DE ONTEM E HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Faial: lancha das 8:30 para a ilha do Pico . (José Junqueiro)



O Douro, hoje de manhã. (J. Ferreira)



Sul, esta noite!. (José Manuel de Figueiredo)



Anoitecer no Tejo em Belém.





Travessias em Belém. (MJ)





A bandeira da Federação Portuguesa de Futebol já está hasteada no hotel Beau Rivage, en Nêuchatel, Suíça - é aqui que a Selecção Nacional de Futebol ficará instalada na primeira fase, no Europeu deste Verão, que decorre na Suíça e na Áustria. Os portugueses jogarão praticamente em casa, dada a numerosa comunidade imigrante nacional que vive na região.

(Fernando Correia de Oliveira)





Vinhedos no Chile. (João Almeida)



Estações de comboio: Gare do Oriente e Quebedo, Setúbal.
O nome do apeadeiro de Setúbal é Quebedo e não Quevedo. Interessou-me e emocionou-me, porque, nos 5 anos que frequentei o Liceu de Setubal (só tinha até ao 2º ciclo dos liceus de então – a chamada “Nova reforma”), foi ali que me apeei (eu era “da malta do comboio”, que se levantava antes das seis da manhã, andava no mínimo um ou dois quilómetros até às estações, desde o Barreiro a Palmela) antes de haver o chamado “Liceu Novo”. As salas de aula, então, dividiam-se entre um anexo da abegoaria municipal e o “Liceu velho”, semi-arruinado e só com meia dúzia de salas de aula, mais a secretaria e a reitoria, operacionais.

Mas havia professores excepcionais, que sabiam, sabiam ensinar, sabiam ensinar a estudar e nos faziam aprender por gosto.

Não nos fez mal nenhum o levantar antes dos galos cantarem (e no Inverno, então, não era para brincadeiras…), levar a lancheira com o almoço, andar em carruagens do tempo sr, Rei Dom Carlos (no Inverno, chovia lá dentro; e não tinham casas de banho). Tínhamos sempre a companhia de - que eu me lembre – pelos menos 4 professores que vinham de Lisboa e que já tinham mais de ¾ de hora de viagem até ao Barreiro-A - e ganhavam muito mal!

Altri tempi…

(Luis Manuel Mathias Rodrigues)



(António Cabral)



Veiros, Estremoz. (Filipe Feio)

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EARLY MORNING BLOGS


1217 - Why I am a liberal

"Why?" Because all I haply can and do,
All that I am now, all I hope to be,--
Whence comes it save from fortune setting free
Body and soul the purpose to pursue,
God traced for both? If fetters, not a few,
Of prejudice, convention, fall from me,
These shall I bid men--each in his degree
Also God-guided--bear, and gayly too?
But little do or can the best of us:
That little is achieved thro' Liberty.
Who then dares hold, emancipated thus,
His fellow shall continue bound? not I,
Who live, love, labour freely, nor discuss
A brother's right to freedom. That is "Why."

(Robert Browning)


*

Bom dia!

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1.2.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 1 de Fevereiro de 2008


O que o Público fez foi jornalismo puro. A raiva contra o Público é de facto contra a liberdade de informar, escrutinar, pesquisar uma matéria de interesse público em qualquer sítio civilizado: o percurso de um Primeiro-ministro, quando há legítimas suspeitas de actos impróprios, mesmo quando não são ilegais. Mais do que raiva, mesmo um vago tom de ameaça ao "bem conhecido jornalista José António Cerejo".

*
Para que não subsistam duvidas, acerca da integridade moral do Primeiro-ministro em exercício, poderá este, facilmente demonstrar, que os projectos de engenharia adjudicados pelos seus clientes, tiveram uma contrapartida de ordem financeira, ou seja, houve lugar a pagamentos, recebimentos, emissão de facturas/recibos e a correspondente liquidação ao fisco dos impostos referentes aos montantes recebidos.
Se assim for, não restará qualquer dúvida.

(Telmo Martins)

*

Parecendo-me pertinente comentar, como projectista de arquitectura, o caso das fotos do Público-08.02.01 (boas fotos), resumirei o que me apraz dizer:

1 - Em Portugal sabe-se que obras como as fotografadas não cumprem qualquer tipo de projecto, bom ou mau; são construídas desrespeitando os meros desenhos à esc 1/100, a que se chama impropriamente Projectos; não recorrem a Projectos de Execução; e são fiscalizadas negligentemente pelas autarquias.

2 - O autor do projecto – conceito definido legalmente – sabendo e querendo, tudo pode fazer. É seu dever colaborar com o cliente na definição dos objectivos do projecto e da obra e assiste-lhe o direito de zelar pela sua correcta construção. É sua responsabilidade, ainda, a de colaborar com a equipa que executa o projecto, onde trabalham (trata-se de trabalho, claro) arquitectos e engenheiros.

3 - Os projectistas, arquitectos e engenheiros, não têm apenas que respeitar as normas. Há algo mais a fazer; mas não caberá aqui explicar tal facto, porque levaria mais do que 3 ou 5 breves anos a compreender.

4 – Contornar as incompatibilidades em trabalhos, entre outros, de funcionalismo público, arquitectura, engenharia, ou política, parece-me mal.

5 - Quanto a estéticas, dizia alguém que tem muito a ver com éticas. Concordo.

(MJE)

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Na RTP no Jornal da Tarde, só às 13h18 se deu a notícia. Às 13h23 passou-se a outro assunto. Ah, e a peça começava com a seguinte narração: “A nova ofensiva do jornal Publico contra o PM (…)”.
Sim: ofensiva.

(FA)

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Em todo este assunto, há dois aspectos que, ao contrário do que está a suceder em alguns blogues, convinha não misturar: o estético e o legal:

1.º - Quanto ao primeiro, qualquer pessoa que não viva na Lua sabe que casas como aquelas que se vêem nas fotos que o «Público» mostrou (projectadas por Sócrates, segundo o próprio confirma) são, apesar de horrorosas, feitas ao gosto do cliente.

No aspecto estético, o projectista, mesmo que saiba e queira, pouco pode fazer: o freguês diz o que quer e até que acabamentos usar. O primeiro faz os desenhos e os cálculos (lages, pilares, fundações, instalações de água, gás, electridade, etc), e só tem de respeitar as normas.

Neste mercado, se quiser ir mais longe e entrar pela estética (e, já agora, que formação tem para isso?!), ninguém lhe dará trabalho...

O aspecto estético, na prática, só poderia ser defendido a um nível acima, dos Serviços de Arquitectura e Urbanismo das câmaras. O problema é que aí, como se sabe, estamos bem servidos…
Lembremo-nos que os arquitectos andam há anos a querer ter uma palavra a dizer nos edifícios que se fazem pelo país fora (incluindo os das maiores cidades) e não têm tido sorte nenhuma - nem eles, nem nós...


2.º - Resta o problema legal (ou ético, se se preferir), que aparece quando o projectista não está habilitado a assinar o que fez. Aí, surge a necessidade de recorrer a outrém, que o esteja.

Problemas de incompatibilidades e de corrupção podem aparecer, também, mesmo em casos em que o projectista está habilitado a assinar o projecto: é o caso do indivíduo que trabalha na própria câmara, e que contorna a incompatibilidade dando o trabalho a assinar a outro; depois, se calhar, até pode ir fiscalizar o que ele mesmo fez...
_

Poderíamos ir mais longe, analisando o que se passa com os indivíduos que "assinam de cruz", dando só o nome, sem verem nem reverem nada. Mas fica para outra altura, que o texto já vai longo.

(C. Medina Ribeiro)

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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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COISAS DA SÁBADO:
UM MÉRITO DE MARQUES MENDES QUE JÁ PASSOU À HISTÓRIA PARA NOSSO MAL: PENSAR QUE A ÉTICA REPUBLICANA NÃO É APENAS A LEI



Quando Pina Moura foi confrontado com a incompatibilidade ética de exercer as funções de deputado e ser Presidente da Iberdrola, respondeu que para ele (e para o PS) “só havia uma ética republicana, a lei”. Ou seja, tudo que não é proibido por lei é permitido a um político, mesmo que se tratasse, como era o seu caso e de mais alguns deputados, de uma incompatibilidade ética evidente: ser presidente de uma empresa estrangeira que concorria com empresas nacionais e ter acesso, como deputado, a informação privilegiada sobre decisões que afectavam o mercado em que a sua empresa actuava.

Durante um breve período de tempo num partido português, o PSD, Marques Mendes entendeu o contrário: que havia circunstâncias que não implicavam nem a assunção de ilegalidades, nem a sua condenação em tribunal mas que implicavam a suspensão do exercício de alguns cargos políticos ou a retirada da confiança política. Ele formulou a questão correctamente, insistindo que não se tratava de fazer um pré-decisão de condenação, ou de uma norma genérica que punha em causa arguidos apenas por serem arguidos. Ele insistiu que se tratava de um juízo político pontual, caso a caso, mas que tinha implícito que determinados comportamentos podiam exigir uma sanção política, mesmo sem ser ilegais e sem presunção de culpa. Perdeu três câmaras por causa disso, Oeiras, Gondomar e Lisboa, e o seu partido não lhe perdoou, pelas piores razões. Caiu-lhe tudo em cima, confundindo aquilo que ele sempre dissera ser político e pontual, nalguns casos até com solidariedade pessoal com os acusados e sua defesa pública, para, na amálgama, condenar o precedente que ele com coragem iniciou.

Não houve qualquer inocência no ataque que foi vítima Marques Mendes, que uniu solidamente os “profissionais” do PS e o PSD. Se o que ele inaugurou, a responsabilidade dos partidos em sancionarem determinados comportamentos como eticamente inadmissíveis, mesmo que não sejam ilegais, se tornasse uma regra, muita coisa que hoje se faz impunemente teria custos políticos para os que os praticam. O mesmo se pode dizer para a Comissão de Ética da Assembleia: tivesse a Comissão autoridade e independência para sancionar determinados comportamentos dos deputados, que causam e com razão escândalo público, e a Assembleia sairia mais prestigiada.

Muita da antecâmara da corrupção e do tráfico de influências não é ilegal, está numa zona cinzenta que os partidos conhecem bem. Começa na complacência com as próprias fraudes internas, a falsificação de assinaturas em declarações de voto, os procedimentos do “gangue do Multibanco” pagando centenas de quotas às 3 da manhã, para acabar no proto-tráfico de influências que se torna muita vez a principal actividade de secções e federações e depois sobe por aí acima, passando pelas alcatifas, até chegar aos tapetes persas. É que muita coisa que pode ser feita contra a corrupção e os seus caminhos, não precisa de novas leis, nem de polícias, nem tribunais, precisa de políticos que se incomodem com o que vêem à sua volta e actuem politicamente. Foi o que fez Marques Mendes e correram-no também por isso.

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EXTERIORES: CORES DO DIA DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Hoje de manhã. Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS


1216 - ... on the subject of Clothes

Considering our present advanced state of culture, and how the Torch of Science has now been brandished and borne about, with more or less effect, for five thousand years and upwards; how, in these times especially, not only the Torch still burns, and perhaps more fiercely than ever, but innumerable Rushlights, and Sulphur-matches, kindled thereat, are also glancing in every direction, so that not the smallest cranny or dog-hole in Nature or Art can remain unilluminated,--it might strike the reflective mind with some surprise that hitherto little or nothing of a fundamental character, whether in the way of Philosophy or History, has been written on the subject of Clothes.

Our Theory of Gravitation is as good as perfect: Lagrange, it is well known, has proved that the Planetary System, on this scheme, will endure forever; Laplace, still more cunningly, even guesses that it could not have been made on any other scheme. Whereby, at least, our nautical Logbooks can be better kept; and water-transport of all kinds has grown more commodious. Of Geology and Geognosy we know enough: what with the labors of our Werners and Huttons, what with the ardent genius of their disciples, it has come about that now, to many a Royal Society, the Creation of a World is little more mysterious than the cooking of a dumpling; concerning which last, indeed, there have been minds to whom the question, _How the apples were got in_, presented difficulties. Why mention our disquisitions on the Social Contract, on the Standard of Taste, on the Migrations of the Herring? Then, have we not a Doctrine of Rent, a Theory of Value; Philosophies of Language, of History, of Pottery, of Apparitions, of Intoxicating Liquors? Man's whole life and environment have been laid open and elucidated; scarcely a fragment or fibre of his Soul, Body, and Possessions, but has been probed, dissected, distilled, desiccated, and scientifically decomposed: our spiritual Faculties, of which it appears there are not a few, have their Stewarts, Cousins, Royer Collards: every cellular, vascular, muscular Tissue glories in its Lawrences, Majendies, Bichats.

How, then, comes it, may the reflective mind repeat, that the grand Tissue of all Tissues, the only real Tissue, should have been quite overlooked by Science,--the vestural Tissue, namely, of woollen or other cloth; which Man's Soul wears as its outmost wrappage and overall; wherein his whole other Tissues are included and screened, his whole Faculties work, his whole Self lives, moves, and has its being?

(Thomas Carlyle, início de Sartor Resartus)

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Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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