ABRUPTO

25.10.07


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ÁTOMOS E BITS

de 25 de Outubro de 2007


Os programas do Clube dos Jornalistas na RTP2, que tinham começado por uma saudável abertura crítica ao trabalho dos jornalistas vistos de fora da profissão, têm vindo cada vez mais a voltar-se para dentro. O de ontem sobre a imprensa económica foi um exemplo dessa implosão corporativa, independentemente do mérito dos intervenientes, acentuado pelo facto de esse tipo de jornais transportarem consigo regras próprias que, se fossem transpostas para o jornalismo mais genérico, seriam inaceitáveis.

O impacto da imprensa económica é hoje importante na exacta medida em que o discurso político é cada vez mais subordinado às regras de um discurso económico que parece hegemónico. Um dos efeitos é a modelação do "politiquês" ao vocabulário económico, que é, com o do futebol, a fonte da maioria das imagens desse discurso. No último Congresso do PSD, os comentários jornalísticos iam buscar ao discurso da imprensa económica e aos relatos recentes de OPAs e dos conflitos no BCP, as suas imagens.

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Sobre "um discurso económico que parece hegemónico" e que modela "politiquês" ao vocabulário económico" veja-se a seguinte afirmação de José de Monterosso Teixeira transcrita no Público de hoje num artigo de Inês Nadais sobre a futura exposição do Hermitage em Portugal:

"O franchising é um modelo de gestão museológica que pode ajudar a consolidar a participação em redes internacionais. Portugal precisa dessas inter-relações, de modo a construir circuitos e parcerias cosmopolitas de nível paritário. Os blockbusters são um atractivo para uma oferta cultural mediática e o Hermitage é uma marca que poderá vender. Veja-se o sucesso galáctico do Guggenheim em Bilbau."

E isto vindo de um historiador de arte..

(A. Bettencourt)

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