2007. O tratado de Lisboa esta finalmente assinado! A Europa, recuperando a sua glória passo a passo constrói-se, assente num modelo social europeu que lutas justas conquistaram. O TGV une a Europa como um só, a implacabilidade de Bruxelas protege os consumidores de todos os males, as guerras estão cada vez mais remotas e longe neste oceano de paz em terra, e começamos a bater o pé mesmo aos próprios Estados Unidos.
No mesmo ano de 2007, acordo as 5h00 da manha, confiando nesta Europa. na mobilidade, na protecção, na segurança. Chegando à estação de uma das poucas cidades que ainda não se envolveu nesta Europa pura, doce, cristalina, sou confrontado com o aviso de 'radicalização' da greve. E penso para com os meus botões: que exemplo mais vivo de construção do modelo europeu eu poderia ter? Sao 6h da manhã.
Entretanto, penso poder compartilhar o regozijo dos comentadores portugueses com o exemplo da força sindical francesa! Plena, completa, inequívoca, cada vez mais radical. Devemos aprender com tal exemplo. Negociar tratados com gente que compreende os sentimentos das pessoas e tem lutas justas.
Recomfortado por este pensamento, de que os políticos europeus sabem o que é melhor para mim, formados neste tumulto de ideias radicais (e logo, boas), posso ás 6h40 confirmar que não há TGV. Que não posso deslocar-me conforme combinado há já um mês. Estao 2 graus Celsius fora da estação. Aproveito a falar com quem está no meu suposto destino. Como o chocolate que lhe era destinado, e pelo qual paguei rigorosamente o preço de custo, numa Suiça que ainda recusa os benefícios de uma União Europeia unida, eficiente, móvel, social, pública. Quem me deveria ter recebido explica um pouco mais além o funcionamento do modelo social franc... europeu. Nas diferentes repartições perderam os documentos necessários á inscrição numa universidade. Foram para Paris, ou perderam-se talvez num dos comboios de distribuição de correio. A culpa morre solteira. E entretanto obrigam-me a pertencer a esta Europa. Sem perguntar. Eu confio... é porreiro, pá!
Ironias á parte, utilizei quatro vezes comboios em França. Em duas fui afectado por greves. Assusta-me a possibilidade de esta forma de estar em greve permanente possa um dia afectar-me mais que pontualmente. Por ser isso que se passa, neste momento, com o único prestador de serviços de transporte de comboio, em França. Um dos signatários do Tratado de Lisboa. Que José Sócrates assinou por mim. Sem perguntar.
(Daniel Rodrigues)
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Quer mais um exemplo de um episódio (que, aliás, deve conhecer) de "Pensamento Único" que, a menos de uma mudança de escala, poderia ter sido decalcado deste último nos seus aspectos negativos? O chamado "Tratado de Bolonha", que impôs uma estrutura única no ensino superior da União Europeia: o "catch" está no facto de o nivelamento ter sido feito por baixo.
Apesar de não ter atraído nenhuma atenção mediática (e acho que nos blogues também não), todos o processo decorreu da mesma forma: não se ouviu, no espaço público, uma análise crítica de fundo; por outro lado, no interior das Universidades e Politécnicos do Estado, quem criticou foi ostracizado e, em alguns casos, pura e simplesmente afastado. Chegou quase a ser obrigatória a assistência a "cursos", apoiados pelo Ministério da C&T, que não eram mais do que sessões de propaganda.
Qual foi o resultado? Neste momento uma "Licenciatura" ou um "Mestrado" têm menos conteúdo científico que os antigo graus de Bacharel e Licenciado. Os alunos europeus já saem do secundário (ou equivalente) ignorantes. Agora, depois da Universidade, podem continuar no mesmo estado. Atrevo-me a dizer que o Tratado de Bolonha, apesar de muito menos mediatizado que o de Lisboa tem potencial para infligir, a longo prazo, muito mais danos. Mas aqui no nosso cantinho (e nos outros cantinhos europeus), basta abanar com frases do género "Espaço Europeu de Ensino Superior" e as faculdades critícas, caso existam, desligam-se.
Será que já ocorreu a alguém que a susceptibilidade dos portugueses ao Pensamento Único seja causada pelo facto de, nas nossas cabeças, só existir espaço para um pensamento de cada vez?
(João Soares)
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Mas afinal alguém me aclara quantos Tratados foram assinados nestes dois últimos dias !? A julgar pela massiva difusão televisiva parece tratar-se de vários! Quais as implicações acarretam para vida dos povos europeus em geral, e para os portugueses em particular, para os 200 mil que estiveram na rua e para os outros que não estiveram.
Nisso a cobertura mediática é omissa, no que concerne à substancia, a única referida foi a que jorrara das garrafas. Bem sei que isso de Tratados é coisa de, e para mentes brilhantes. Mas não precisam de me explicar, eu só quero entender.
Sabendo que, quem boa ou má cama fizer nela se deitará, eu por mim quero ter a possibilidade de opinar acerca do tamanho da dobra.
(Telmo Martins)
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Sobre a fuga para a frente da Europa: Sobre a estratégia de Lisboa (se alguém se lembrar ainda o que é...), esse objectivo está a ser cumprido? Sermos a maior economia mundial em 2010? Não pois nao? Pois... E o protocolo de Quito, também vai ser cumprido? Qualquer dia dizem que esse tem um nome japonês e já não vale.... Melhor parar e reflectir.
(Filipe Figueiredo)
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O trato
Grande alívio terem conseguido O acordo da joanina Confusão com o bebido Pelas tantas da matina
Vencemos o bloqueio do cirílico Cedemos mais um deputado Mas que grande político Este engenheiro diplomado
É enorme a alegria Deste povo de Portugal Por mais esta feitoria Deste país sem igual