ABRUPTO

14.8.07


DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (26)


As duas candidaturas no PSD colocaram notícias nos jornais sobre os seus serviços de SMS. Menezes foi pioneiro, Marques Mendes veio a seguir. Podiam fazer muitas coisas, mas a prioridade pelo telemóvel como instrumento de comunicação política está muito conforme aos tempos, numa altura em que é impossível estar junto de alguém mais de cinco minutos sem o ver ao telemóvel. Como de costume as "jotas" foram pioneiras e usavam (e usam) o telemóvel à ganância.

O problema é que se nada se tem a dizer, o telemóvel basta. Se alguma coisa se pretende dizer ou discutir, não chega. São precisos papers, textos, reflexões, na rede e em papel. E não adianta dizer que estão a ser preparados os documentos, usando-se os nomes dos autores desses documentos para essas listas de "espingardas", porque na realidade é o telemóvel o veículo de comunicação mais eficaz para se dizer... nada. O resto é sentido mais como uma obrigação de circunstância do que uma necessidade vital.

Por isso, o telemóvel encaixa completamente na "Attention Deficit Disorder" dos nossos dias, como o seu short attention span, a sua incapacidade de prestar atenção a mais do que meia dúzia de palavras e sons, a sua íntima ligação com o soundbite, com a publicidade, com a linguagem dos chats, com muita da "cultura de blogue", com muita da iliteracia dos alfabetizados que são capazes de falar assim :- ) Oi, Tdo bem? 2 k fzes na 3a? Kres vir à festa Pontal? :-x, mas são incapazes de expor um argumento em três frases com sequência lógica.

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© José Pacheco Pereira
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