ABRUPTO

24.7.07


DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (19)


Voltemos aos recados vindos anonimamente do lado de Aguiar Branco no Público. Consistem eles

- numa teoria do "adiamento" como solução para alargar o "espaço": "O nome foi considerado plausível, Aguiar Branco ganhou espaço, o adiamento pode ter ficado no ar."
Foi uma aplicação deste método de "adiamento" que tornou inúteis dois anos de governação PSD-PP, embora tenha sido instrumental em levar Barroso ao governo. Ser-se "plausível", o que é o mínimo dos mínimos, "adiar" e "ganhar espaço". Esta do "ganhar espaço" é interessante de analisar porque é uma das teorias que Marcelo trouxe ao discurso jornalisto-politiquês, de que é o mais importante e criativo praticante. Significa espaço comunicacional, tempo de antena, obtido pela pura presença, de preferência pela presença sussurrante, porque, na verdade, nada se sabe do que pensa Aguiar Branco sobre o partido e os seus problemas que justifique "espaço".
- a teoria das falsas dificuldades: "A marcação das directas para 28 de Setembro não dava margem de manobra ao lançamento de uma candidatura de última hora. (...) Marcar as eleições de sopetão, com o mês de Agosto pelo meio, é tornar impossível qualquer candidatura que não estivesse já no terreno"
Traduzido significa: não encontrei apoios significativos, nem qualquer entusiasmo. De há muito Aguiar Branco estava a preparar a sua candidatura, e não é preciso ser um génio da previsão política para se perceber que depois das eleições de Lisboa iria haver uma crise no PSD. Esta é aliás uma grande diferença com Menezes, que se toma a sério e trabalha para obter os resultados que pretende. Ele não acredita que exista um "cheguei, vi e venci" e isso é mérito.

Quanto à data da crise, se Marques Mendes não a tivesse provocado a seguir aos resultados de Lisboa, estaria agora sob fogo intenso para que se demitisse e houvesse eleições no partido.
- a teoria de "não concorro agora para não prejudicar Rui Rio": "terá pesado o argumento, esgrimido por Marcelo Rebelo de Sousa, de que uma candidatura de Aguiar Branco poderia dividir de tal forma o partido que se corria o risco de entregar a presidência a Luís Filipe Menezes. "Esse cenário seria catastrófico para outras pessoas" que agora apoiariam Aguiar Branco, mas são vistas como candidatos putativos para o futuro."

- por fim uma teoria da fraqueza: "se 2007 era o timing certo para esta candidatura, vista como uma oportunidade única na medida em que outros candidatos mais fortes não estariam disponíveis para avançar, o calendário de Marques Mendes acabou por fazê-la abortar. Ou será apenas adiar?"
Esta é uma variante da teoria do adiamento e também foi típica do "barrosismo".

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