| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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27.7.07
Leio José Miguel Júdice com crescente incomodidade. O que é que o move para escolher este tema - a síntese do artigo de hoje no Público está nesta frase: "o PSD está moribundo, e apenas vai fazendo - numa espécie de espasmos cadavéricos - movimentos que, de longe, parecem sinais de vida" - , e não outro? Que "necessidade" intelectual e cívica o leva ao exorcismo da casa onde esteve tantos anos e de que disse ter saído mais por cansaço e desinteresse do que por ruptura? Por que razão não aplicou a si próprio a receita regeneradora que critica outros por não tomarem? Por que razão não ficou num partido que está na sua "área" ideológica, e nele tentou mudar o que estava mal?
Talvez nessa altura percebesse as enormes dificuldades para fazer oposição em Portugal, do território devastado, desértico, inóspito que é a oposição, feita não só contra o partido adversário que está no governo, mas contra os costumes "consensuais" do país, e a enorme dependência de tudo e de todos do poder e das suas benesses. Se Júdice o fizesse perceberia como essas dificuldades são potenciadas pela atracção que o poder exerce, benévola que seja, levando pessoas como ele "para o outro lado", na maioria dos casos em silêncio, no seu caso, com "escândalo" público. Ele dir-me-á que é livre para falar do que entender, para fazer o que entender. Também eu. Mas na sua posição actual essa "liberdade" não o deveria preocupar muito mais com o facto de que o PS, partido que apoiou em Lisboa e que está no governo, nem "espasmos cadavéricos" tenha, com excepção de Alegre e Roseta, e esteja morto, lock, stock and barrel? O seu artigo de hoje no Público parece Pedro a abjurar: “Depois de terem cantado o hino, foram para o monte das Oliveiras. Então Jesus disse aos discípulos: "Todos vós ficareis desorientados, pois está escrito: 'Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão'. Mas, depois de ressuscitar, eu vos precederei na Galileia". Pedro, porém, lhe disse: "Mesmo que todos fiquem desorientados, eu não ficarei". Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade te digo: ainda hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás". Mas Pedro repetiu com veemência: "Ainda que tenha de morrer contigo, eu não te negarei". E todos diziam o mesmo.” Etiquetas: PSD (url)
© José Pacheco Pereira
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