ABRUPTO

14.9.06


RETRATOS DO TRABALHO EM MURANO - VENEZA, ITÁLIA



Trabalho numa oficina de vidro na ilha de Murano em Maio último.

(José Farinha)

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EARLY MORNING BLOGS

865 - Ignorance

Strange to know nothing, never to be sure
Of what is true or right or real,
But forced to qualify or so I feel,
Or Well, it does seem so:
Someone must know.

Strange to be ignorant of the way things work:
Their skill at finding what they need,
Their sense of shape, and punctual spread of seed,
And willingness to change;
Yes, it is strange,

Even to wear such knowledge - for our flesh
Surrounds us with its own decisions -
And yet spend all our life on imprecisions,
That when we start to die
Have no idea why.

(Philip Larkin)

*

Bom dia!

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13.9.06


CORREIO
The image “http://www.caleida.pt/filatelia/imagens/gloss/gloss01h.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.
O correio depois do Prós e Contras subiu exponencialmente e tenho cerca de 300 mensagens por responder, a que se somam a muitas outras atrasadas. Vou tentar, mas não sei se consigo. De qualquer modo, desde já, obrigado. E escrevam sempre, todas as mensagens fazem falta.

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COISAS DA SÁBADO: COM QUE ENTÃO O BE NÃO É A EXTREMA-ESQUERDA?

Uma das gentilezas com que a comunicação social mostra as suas simpatias bloquistas é nunca tratar o BE como uma organização de extrema-esquerda. A UDP, o PSR, e os outros pequenos grupos eram assim tratados no passado, mas depois da fusão-milagre aparecem sempre com uma face mais amável de inovadores do discurso político e “fracturantes” imaginativos. Aquilo é velho como Trotsky e Chomsky, mas resulta sempre.

Louçã desde a sua aventura presidencial, percebeu que o espaço do BE encolheu, e, sempre que se sente apertado, deixa o radical chic (bom, nunca deixa inteiramente como se viu na “cow parade” para os desempregados…) e fala a linguagem pura e dura do anticapitalismo marxista da extrema-esquerda. Foi o que fez na volta do desemprego quando comparou a classe empresarial portuguesa à máfia, e, no seu verbo fácil, se lembrou do Padrinho (ele deve achar os Sopranos muito bushistas e suburbanos):
"Temos o Carrapatoso/Corleone, o Belmiro/Corleone e o Paulo Teixeira/Corleone", que "tal como Corleone fazia aos seus colaboradores, apresentando-lhes propostas que não podiam ser recusadas, sob pena de morte, também os empresários fazem propostas irrecusáveis de rescisões voluntárias aos trabalhadores".
Ora para quem é Corleone, para quem é da máfia, só há uma resposta - se nós levássemos a sério Louçã e o seu BE, o que num acto de bom senso não levamos, titularíamos o seu discurso inflamado, com caixa alta: “Louçã quer prender os empresários portugueses “. Ninguém fará isso, mas que é fiel á letra e ao conteúdo do comício do BE, lá isso é.

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COISAS DA SÁBADO:
DUAS DITADURAS LATINO-AMERICANAS, FILHAS DO ALTERMUNDIALISMO


http://www.martinoticias.com/media/graphics/morales-chavez.jpgDuas ditaduras estão rapidamente em construção na América Latina. Como não são militares de óculos escuros, ao serviço da CIA, ninguém diz nada. Na Bolívia, o Movimento para o Socialismo do Presidente Evo Morales, fez aprovar de forma anticonstitucional legislação que possibilita ao regime impor tudo o que quiser a pretexto do carácter "originário" da Assembleia Constituinte; na Venezuela, Chávez prepara-se para se declarar Presidente Vitalício. O apoio político a Morales e Chávez tem vindo em Portugal dos que se reclamam do altermundialismo de Porto Alegre, verdadeiro cadinho político desses dois candidatos a ditadores, ou seja, o BE, Boaventura de Sousa Santos, Mário Soares, entre outros. Seria interessante saber o que pensam sobre os seus amigos latino-americanos.

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12.9.06


RETRATOS DO TRABALHO NA PATAGÓNIA, ARGENTINA



Trabalho de paleontólogo português de dinossáurios na Patagónia argentina (próximo de Plaza Huincul, trabalho de campo).

(Luis Azevedo Rodrigues)

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RETRATOS DO TRABALHO EM MURANO - VENEZA, ITÁLIA



Trabalho numa oficina de vidro na ilha de Murano em Maio último.

(José Farinha)

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RETRATOS DO TRABALHO NO CAMBODJA



Transporte de gado no Cambodja. Consoante o tamanho as motorizadas transportam 1 porco, 2 porcos ou mesmo 3 porcos. Vivos e de patas em riste eles vão a caminho de algures! As motorizadas são autênticas bestas de carga: galinhas, bicicletas, porcos, atrelados com bidons de água, leitões, estátuas de Budas ou 5 pessoas numa mota.

(Antonio Rebordao)

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EARLY MORNING BLOGS

864 - Insoumission

Vivre tranquille en sa maison,
Vertueux ayant bien raison,
Vaut autant boire du poison.

Je ne veux pas de maladie,
Ma fierté n'est pas refroidie,
J'entends la jeune mélodie.

J'entends le bruit de l'eau qui court,
J'entends gronder l'orage lourd,
L'art est long et le temps est court.

Tant mieux, puisqu'il y a des pêches,
Du vin frais et des filles fraîches,
Et l'incendie et ses flammèches.

On naît filles, on naît garçons.
On vit en chantant des chansons,
On meurt en buvant des boissons.

(Charles Cros)

*

Bom dia, já um pouco para o tarde!

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11.9.06


EARLY MORNING BLOGS

863 - The Sound of the Trees


I wonder about the trees.
Why do we wish to bear
Forever the noise of these
More than another noise
So close to our dwelling place?
We suffer them by the day
Till we lose all measure of pace,
And fixity in our joys,
And acquire a listening air.
They are that that talks of going
But never gets away;
And that talks no less for knowing,
As it grows wiser and older,
That now it means to stay.
My feet tug at the floor
And my head sways to my shoulder
Sometimes when I watch trees sway,
From the window or the door.
I shall set forth for somewhere,
I shall make the reckless choice
Some day when they are in voice
And tossing so as to scare
The white clouds over them on.
I shall have less to say,
But I shall be gone.

(Robert Frost)

*

Bom dia!

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10.9.06


NUNCA É TARDE PARA APRENDER: AS ARMADILHAS DA HISTÓRIA


Há cinco anos, um grupo que variava entre duzentos e quinhentos homens fugia pelas terras do Leste de Angola, entre as nascentes dos grandes rios, mudando quase todos os dias de local de dormida, caminhando a pé e à noite. O seu principal problema era a fome. Comiam mel silvestre, restos de mandioca, larvas, plantas e frutos com muito baixo poder nutritivo. Como não podiam disparar para não serem localizados pelo barulho dos tiros, só muito raramente tinham carne, e só em dois ou três momentos levavam consigo meia dúzia de vacas. Equipas destinadas a recolher comida andavam dez dias a apanhar o pouco que havia, para voltar quase sempre só com mel, para três dias. O roubo ou o açambarcamento de comida era punido com chicotadas, fosse feito por soldados ou por oficiais. Os guerrilheiros sonhavam com comida. Literalmente. Mais do que os combates, que se davam apenas nos perímetros defensivos avançados, a fome era a sua principal dificuldade. Passara de "táctica" a "estratégica".

Aos nossos olhos de hoje, tudo parecia trocado: papéis, ideias, amizades políticas, "esquerda - direita", geoestratégias. A coluna de guerrilheiros era a Coluna Presidencial, onde marchava o único dirigente guerrilheiro africano que não morreu na cama de um palácio, Jonas Savimbi. Savimbi, talvez o melhor produto de sempre das escolas militares chinesas, lia nos intervalos da marcha, pela enésima vez, os livros de Mao Zedong sobre a "guerra camponesa". Numa das noites, acompanhou atentamente com os seus companheiros o debate Bush - Al Gore, torcendo por Bush. Nas reuniões clandestinas da Direcção da UNITA, realizadas com muita dificuldade no meio da mata, gritava-se o slogan, que era também o da revolução cubana, "Pátria ou Morte Venceremos" e elogiava-se o exemplo de figuras como Lumumba, Che Guevara, Nkruma, e, entre os vivos, Nelson Mandela. O comunicado final de uma dessas reuniões era assinado com o nome de guerra "Jaguar Negro dos Jagas", e os militares guerrilheiros faziam jus a uma panóplia de nomes programáticos como o do general Black Power.

A maioria dos dirigentes que acompanhava Savimbi na sua Longa Marcha final, eram, como ele, um produto das missões protestantes que bordejavam a faixa do Caminho de Ferro de Benguela, onde estações e postos faziam crescer vilas com uma pequena burguesia rural arreigada às tradições africanas de senioridade (Savimbi era um dos Mais Velhos), a uma profunda religiosidade e ao valor da educação como instrumento de promoção pessoal. Eram protestantes, odiavam os desregramentos, a embriaguez, a devassidão. Alguns dos últimos comunicados internos escritos por Savimbi continham anátemas contra esses comportamentos e não era apenas por razões político-militares. O igualitarismo maoista-camponês, o ascetismo revolucionário que impregnava a UNITA e o culto de personalidade de Savimbi, entre o mágico-supersticioso e a "autorictas" africana mais tradicional, eram traços únicos. Não importa se tudo era assim na realidade, mas a vontade de que assim fosse era completamente genuína.

Em perseguição da Coluna Presidencial e com o objectivo explícito de matar aquilo a que chamavam a "UNITA militarista" e Savimbi, ia um poderoso exército treinado por cubanos e soviéticos, apoiado por mercenários portugueses e sul-africanos, quase todos antigos aliados da UNITA, uns ligados a empresas de “segurança” luso-angolanas, em que se misturavam generais do MPLA e militantes da extrema-direita portuguesa. O dinheiro vinha do petróleo angolano explorado por norte-americanos. Os aviões que bombardeavam a coluna eram Migs e Sukoy, os aviões de observação eram Tucanos brasileiros pilotados por brasileiros. No plano internacional, o mais activo opositor da UNITA e que tinha sido, com os sul-africanos, o seu mais poderoso aliado eram os EUA da Administração Clinton.

A história que o livro de Alcides Sakala relata, para além do seu testemunho pessoal único*, é a história da História como armadilha. Nada parecia estar no seu “sítio” e, no entanto, nada estava fora do sítio. O mundo pós-guerra fria apanhara nos interstícios da sua mudança homens, organizações, países. A UNITA e a figura épica de Savimbi, eram e são um dos casos mais exemplares do que é ser-se apanhado pelas voltas da história. Completamente apanhado.
* Eu conheci a maioria dos personagens deste livro, a começar pelo Alcides Sakala, de quem tenho as melhores recordações, nos bons e nos piores momentos. Por isso não li com indiferença as quase 450 páginas do seu livro, que ganharia muito em ter um mapa e reflecte algumas vezes o carácter repetitivo da narração da "vida", até porque esta era mesmo repetitiva - dormir, acordar, tentar comer, estar sempre pronto para fugir, frio, calor, humidade, doenças. Mas estes são pequenos defeitos para aquele que é um dos melhores testemunhos publicados sobre a nossa história mais contemporânea.

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EARLY MORNING BLOGS

862 - "Je suis homme et j'ai fait des livres..."

Je suis homme et j'ai fait des livres ; j'ai donc fait aussi des erreurs [Exceptions, si l'on veut, les livres de géométrie et leurs auteurs. Encore s'il n'y a point d'erreurs dans les propositions mêmes, qui nous assurera qu'il n'y en ait point dans l'ordre de déduction, dans le choix, dans la méthode ? Euclide démontre, et parvient à son but mais quel chemin prend-il ? Combien n'erre-t-il pas dans sa route ? La science a beau être infaillible ; l'homme qui la cultive se trompe souvent.]. J'en aperçois moi-même en assez grand nombre : je ne doute pas que d'autres n'en voient beaucoup davantage, et qu'il n'y en ait bien plus encore que ni moi ni d'autres ne voyons point. Si l'on ne dit que cela j'y souscris. Mais quel auteur n'est pas dans le même cas, ou s'ose flatter de n'y pas être ? Là-dessus donc, point de dispute. Si l'on me réfute et qu'on ait raison, l'erreur est corrigée et je me tais. Si l'on me réfute et qu'on ait tort, je me tais encore ; dois-je répondre du fait d'autrui ? En tout état de cause, après avoir entendu les deux parties, le public, est juge, il prononce, le livre triomphe ou tombe, et le procès est fini. Les erreurs des auteurs sont souvent fort indifférentes ; mais il en est aussi de dommageables, même contre l'intention de celui qui les commet. On peut se tromper au préjudice du public comme au sien propre ; on peut nuire innocemment. Les controverses sur les matières de jurisprudence, de morale, de religion tombent fréquemment dans ce cas. Nécessairement un des deux disputants se trompe, et l'erreur sur ces matières important toujours devient faute ; cependant on ne la punit pas quand on la présume involontaire. Un homme n'est pas coupable pour nuire en voulant servir, et si l'on poursuivait criminellement un auteur pour des fautes d'ignorance ou d'inadvertance, pour de mauvaises maximes qu'on pourrait tirer de ses écrits très conséquemment mais contre son gré, quel écrivain pourrait se mettre à l'abri des poursuites ? Il faudrait être inspiré du Saint-Esprit pour se faire auteur et n'avoir que des gens inspirés du Saint-Esprit pour juges.

(Jean Jacques Rousseau, Lettres écrites de la montagne)

*

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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