ABRUPTO

15.8.05


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
"TALVEZ DEVESSEMOS SER MAIS EXIGENTES"




Por alguns dos seus posts recentes, vejo que também critica o facto de o primeiro-ministro se encontrar de férias e não ter regressado por causa dos incêndios ou que não telefone todos os dias para o seu gabinete para saber como vão as coisas. Ora, gostava de deixar á sua reflexão dois planos em que esta questão pode ser abordada: no plano pessoal-privado, não acha que mesmo um primeiro-ministro tem o direito de disfrutar de 15 dias com os filhos, que são pequenos e não vivem com o Pai e a quem provavelmente ele prometera antes de ir para o Governo umas férias num safari onde muitos portugueses levam também os filhos? (Não tenho qualquer informação sobre isso mas trata-se de uma probabilidade). Ou será que é por ser o Quénia e ficar muito distante? Como sabe, apesar da crise, as férias exóticas estão há muito na moda e os portugueses enchem os aviões para essas paragens. Não serão demagógicas as críticas que por aí andam, de que em tempo de crise o primeiro-ministro não devia ir ao Quénia?

No plano político, acha que se o primeiro-ministro tivesse interrompido as férias algo teria mudado no apoio às vítimas dos incêndios? Bem sei que seria um gesto simbólico mas será que a politica tem de ser, sempre, simbolismo e imagem? Por outro lado, tudo depende assim tanto do primeiro-ministro (este ou outro)? Ou seremos tão masoquistas que precisamos de ver todos os dias os políticos (o primeiro-ministro) na televisão para podermos criticá-los depois (e às televisões que os mostram) porque aparecem todos os dias? (Lembremo-nos do que se disse de Guterres e dos seus ministros que, no caso da queda da ponte de Entre-os.Rios, apareciam a toda a hora nos telejornais).

E o que dizer dos partidos e autarcas que pedem declaração do estado de calamidade sem parecerem conhecer o que a lei diz sobre isso e as consequências que daí resultam?

É verdade que não temos escolas de formação de quadros políticos e que os nossos governantes saem, em geral, dos quadros partidários, muitos deles com passagens breves por instituições públicas ou privadas, sem grande conhecimento da sociedade que depois vão "governar". Mas, essa impreparação também existe em muitos comentadores, oriundos do jornalismo e de outras áreas, de quem se esperaria uma intervenção informada e consistente, pela responsabilidade que detêm no espaço público mediático, mas que pouco mais fazem do que desenvolver um criticismo sistemático dos políticos do governo ou da oposição, feito de frases sonantes ou de sínteses apressadas de leituras em diagonal. Essas frases sonantes, tanto mais repetidas quanto mais demolidoras se revelarem, correm o risco de afastar os (poucos) que ainda lêem jornais e votam em eleições. Dir-se-ia que o deserto de ideias que se nota nos governantes existe também nos seus críticos.

Que soluções, então, perguntar-se-à? Talvez devessemos ser mais exigentes, não apenas em relação aos políticos, embora devam ser estes os mais "vigiados", mas também em relação à sociedade em geral, incluindo os que detêm outros poderes para além do poder político, como sejam o poder económico, o poder mediático, etc. Aos políticos, ainda podemos castigar em eleições. Mas, e os outros?

(Estrela Serrano)

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