ABRUPTO

13.8.05


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
MAIS FOGOS (3)




A propósito do texto do médico Fernando Gomes da Costa, lembrei-me do que ouvi há uns dois ou três anos no Sul de França. A costa do Mediterrâneo, sobretudo à volta e para leste de Marselha, é, como se sabe, uma zona "clássica" de incêndios florestais, quando o mistral (vento muito forte de Norte ou Noroeste) se faz sentir no pino do Verão.

O que várias pessoas me disseram é que existe desde há uns anos um "pacto" com a comunicação social francesa no sentido de evitar dar demasiada cobertura (sobretudo visual) aos incêndios, pois chegaram à conclusão de que as imagens dantescas dos incêndios eram excelentes para atear pirómanos, que viam assim os seus actos "glorificados". Dito isto, não creio que a culpa seja sempre de pirómanos. Além dos casos em que há interesses económicos, há que lembrar que muitos incêndios se devem exclusivamente a "pironegligentes".

(Madalena Ferreira Åhman)

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Dividir o País numa quadrícula, devidamente dimensionada, e colocar a concurso público o serviço de “garantia de prevenção e minimização de incêndios”.
Cada empresa (ou consórcio de empresas e/ou outras entidades) que ganhasse o concurso para uma determinada área, era-lhe atribuída uma verba anual de prémio correspondente à não ocorrência de incêndios ou a um valor de área ardida mínimo. A partir dessa atribuição inicial seria sistematicamente descontado um quantitativo, correspondente à área ardida/danos causados, por cada incêndio ocorrido na área de garantia concessionada.

Este esquema permitiria partir de um valor inicial de custos bem conhecido, o qual corresponderia ao custo máximo possível, sendo por isso mais seguramente orçamentado.
Por outro lado, colocaria a pressão económica do lado da prevenção dos fogos, pois cada empresa que ganhasse a concessão deste serviço desenvolveria todos os esforços (limpeza, vigilância, meios de intervenção rápida, accionamento de meios alternativos de combate, etc.) de modo a minimizar a área ardida/danos causados, pois só assim poderia assegurar a recepção da maior parte da verba inicialmente atribuída.

Com o passar dos anos seria possível também optimizar o valor destes prémios anuais iniciais, pois nos primeiros anos é natural que tenham tendência para alguma sobrevalorização.

O princípio desta sugestão baseia-se no esquema em tempos existente nas aldeias chinesas, em que o médico da aldeia vivia exclusivamente das doações dos aldeãos. Assim, só a manutenção de uma população saudável garantia a sobrevivência do próprio médico.

(Bravo Ferreira)

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Por que é que não se fala mais do exemplo da Lousã? Lá não conseguem acabar por completo com os incêndios (isso não é possível) mas, com objectivos bem definidos e trabalho sério, muito tem sido feito, com sucesso, no sentido de os reduzir em número e em dimensão de área ardida.

E por que é que os governos (este e os anteriores) não estuda(ra)m este caso, não apoiam mais quem lá está e não o divulgam como exemplo?

Será porque este exemplo mostra que alguma coisa pode ser feita, para além de lamúrias e de atribuição das culpas aos outros, e isso revela a incompetência e a indiferença de muitos?

(PB)

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© José Pacheco Pereira
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