ABRUPTO

14.7.05


PÉSSIMAS ENTREVISTAS

as que Judite de Sousa fez a Maria Eugénia Cunhal e a Urbano Tavares Rodrigues sobre Cunhal. Os dois entrevistados são muito diferentes, mas, em ambos os casos, Judite de Sousa ouviu de menos e falou de mais. Falou e falou e falou. No caso de Maria Eugénia Cunhal numa raríssima, única ocasião, defrontou uma pessoa tão difícil de entrevistar como o irmão e repetiu o mesmo estilo reverencial que era usual com ele. A começar por ter deixado passar uma directa contradição entre ambos os entrevistados, quando Urbano conta que leu o Cinco Dias, Cinco Noites antes de Cunhal se ter revelado como "Manuel Tiago", porque a irmã lhe dera o original para ler. Maria Eugénia Cunhal insistiu na óbvia impossibilidade de que só soubera que Cunhal era “Manuel Tiago” no dia em que este informou o mundo todo de que “o Álvaro Cunhal e o Manuel Tiago eram a mesma pessoa”. A péssima qualidade da entrevista foi mais evidente com Urbano Tavares Rodrigues, que é um conversador nato, e falava com fluidez e sem quebra de interesse, e quando ia dizer alguma coisa era interrompido por mais uma banalidade da entrevistadora.

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© José Pacheco Pereira
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