ABRUPTO

11.7.04


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DISCORDO COMPLETAMENTE ...

"Discordo completamente da equivalência que faz entre as políticas culturais de Carrilho e Santana Lopes. O facto de, para usar a sua expressão, um falar para as vanguardas e outro para as retaguardas, é diferença de não pouca monta. O que nos temos de perguntar é: que lógica subjaz a cada uma das políticas? No caso de Santana Lopes, do que se trata é de gerar clientelas, como você muito bem apontou, e como se viu nos jantares de apoio com Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho e uns tantos actores de revista. Que eu saiba nuca vi apoio explícito de Luís Miguel Cintra, Jorge Silva Melo ou João Mário Grilo à figura de Carrilho ou ao PS. Goste-se ou não do bolchevismo chique que foi a política cultural de Carrilho (para utilizar a expresão de Jorge Silva Melo) é inegável que apoiou trabalhos artísticos que normalmente não sobreviveriam se tivessem de contar apenas com o público. E deve ser essa a orientação de qualquer política cultural hoje: abrir espaços onde possam emergir propostas que sejam radicalmente heterogéneas em relação aos modelos culturais dominantes, que são os que garantem sucesso imediato. Ou o acto estético como utopia antropológico, como o concebeu Ernst Bloch."

(Bruno Peixe Dias)

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© José Pacheco Pereira
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