ABRUPTO

11.7.04


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES. VISTO DE LONGE

"Não sei se ria, se bata palmas, ou se fique no mais profundo dos amúos - tal como se encontra o Abrupto neste preciso momento. Daqui do Brasil, para um figueirense habituado à política espectaculo do Lula e de todos os outros, não há espaço para ficar tomado pelo espanto, nem como Sá de Miranda, envergonhado. Tudo isto começou à muito, com Mário Soares fazendo da política a arte do circo, ou neste caso, da telenovela. Sampaio soube ver isso com precisão e inteligência: são os desejos do Povo que importam. O Povo - ou a sua grande maioria - quer novela, bandidos que prometem e não cumprem, mulheres despeitadas suspirantes, mocinhos da mais fina lábia que viram heróis em uma só penada.
O Presidente foi sensato, poupou dinheiro ao País e uma escandalosa derrota ao Partido Socialista. Quanto ao mocinho que virou herói.. bom, a ver vamos quanto tempo falta para disparar sobre o próprio pé.
"

(Paulo Madureira, São Paulo - Brasil)

*

"Estou chocado com esta decisão do Presidente da Republica. Estou verdadeiramente chocado.
Podem usar os argumentos formais que quiserem. A verdade é que nem eu, nem ninguém, alguma vez teve a possibilidade de dizer que não queria o Santana Lopes como primeiro ministro.
Estou profundamente arrependido de, há 10 anos, quando tive de optar entre o Sampaio e o Cavaco ter feito a escolha errada. Nunca, como agora, estive tão próximo de tomar a decisão de não voltar para Portugal. Estou verdadeiramente sem palavras.
"

(Luís Aguiar-Conraria, Economics Doctoral Student, Cornell University)

*

"Não tenho muito a dizer, se não que isto que se está a passar no nosso pais só me faz lembrar este poema de Florbela Espanca:

Nostalgia

Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que plas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-se esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!

Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Nao sei se esta quimera que me assombra, É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Nao sei por onde vim...
Ah! Nao ser mais que a sombra duma sombra Por entre tanta sombra igual a mim!

Florbela Espanca

nao sei exactamente porquê, mas deve ser por estar longe...

ANS

PS: vivo na dinamarca
"

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© José Pacheco Pereira
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