ABRUPTO

10.8.03


VER A NOITE

Ver uma coruja caçar é um privilégio raro. Nas gravuras e fotografias parece sempre Minerva, um pisa-papéis para os literatos. No ar, na noite profunda, é um grande pássaro de asas brancas, com a palavra rapina escrita em todas as penas, que passa no mais absoluto silêncio. No vale escuro, os pequenos ratos não sabem o que lhes cai em cima. Mesmo no planalto, as gatas protegem as ninhadas, não vá gatinho ser rato. Só tamanho conta e há quem não tenha o tamanho.

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© José Pacheco Pereira
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