| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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11.8.03
SCRITTI VENETI
Dos cadernos de Bib., sine nobilitate. 1. “O que torna difícil a verdade é que ela não é subjectiva. Se ela fosse um convencimento interior, - todos temos a “nossa” verdade, como quer a sensibilidade romântica – não havia peripécia da vida que não obtivesse aí a sua justificação. Eu faço, porque faço, porque “interiormente” a minha voz me diz para fazer assim. O que acontece a maioria das vezes é que aquilo que se toma como “verdade” não é senão uma máscara auto-congratulatória , um espelho da nossa incapacidade para ir mais além, uma justificação que “nos “serve para remediar um presente satisfatório em detrimento de uma procura mais difícil, mas mais verdadeira. A sensibilidade romântica valoriza até ao limite a pior das vanitas, a crença, psicologicamente apaziguadora, de que se é senhor do seu destino e que este se domina por séries de arroubos sentimentais. Há quem goste mais da vanitas do que a verdade e confunda as duas. Outro esquecimento da sensibilidade romântica é o da alegria, da alegria pura, que não tem antes nem depois e realiza o tempo perfeito." 2 “Veja-se a título de exemplo o anúncio que JPV fez da sua morte. Se ele fosse um texto literário, seria pouco mais do que uma bravata, mas como foi escrito quando ele sabia, no estado presente em que o escreveu, que ia morrer, cada palavra é inundada de uma verdade última que é também uma coragem interior. O verdadeiro clássico prepara-se para esse momento, mas sabe que tudo o que pensa e diz só tem prova nesse momento e nunca antes. Por isso, o clássico pratica a ataraxia como um treino em tempos fáceis para os tempos difíceis.” 3. “Vale a pena gastar uma língua pura, para se perceber, como se percebeu desde o primeiro momento, que a língua que se ouvia maculada era a de um parafraseador francês? “ (url)
© José Pacheco Pereira
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