ABRUPTO

11.8.03


OBJECTOS EM EXTINÇÃO 19


Mais algumas colaborações dos leitores do Abrupto sobre objectos, e também sentimentos , em extinção.

"- Quem se lembra hoje de, creio que na década de 50/60, ver uns cartões rectangulares perfurados, feitos por especial punção, que eram as facturas/recibos da CRGE (antecessora da actual EDP)?

- De resto tais cartões eram usados nos computadores da época, para neles introduzir dados através da sua leitura por especiais leitores ópticos ou mecânicos.

- Já na década de 70, fitas contínuas de papel perfurado, permitiam o "abençoado carregar" desses computadores de dimensões "mastodônticas", se os compararmos com os actuais.

Da nossa memória colectiva saltam, objectos e sensações ( recordo os pregões de Lisboa) que constituem o espólio activo duma cultura.
"(Rui Silva)

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"O saco do pão. Num tempo em que se acabou com as lixeiras e se construíram aterros sanitários mais consentâneos com o nosso tempo e com as nossas exigências e com a nossa qualidade de vida, recordo o saco do pão – um saco geralmente de linho, por vezes bordado – como símbolo de um outro tempo em que não produzíamos resíduos desnecessários e em que os produtos do supermercado não traziam três ou quatro forras de cartão e plástico, nem se trazia o pão em sacos de plástico estampados que depois exigimos que alguém faça desaparecer longe da nossa porta e longe da nossa vista. Os aterros sanitários estão a encher a um ritmo mais de duas vezes superior aos valores de projecto – que, inocentes, nos viam a nós mesmos como povo civilizado e preocupado com as questões ambientais. E, portanto, daqui a poucos anos – muito antes do que se previra – lá estaremos a manifestarmo-nos contra a localização de novos aterros sanitários que militantemente nos esforçamos agora por encher o mais depressa que pudermos." (J. C. Barros do Um Pouco Mais de Sul)

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Lembram-se do tempo em que havia amigos? (…) Lembram-se de ter alguém com quem tinham uma linguagem única que mais ninguém decifrava. Que nenhum dicionário contemplava nem nenhuma lógica explicava. Por meio de sinais e olhares chegava-se à gargalhada consensual em plena sala de aula, fazendo com que o professor despertasse desconfiado. Lembram-se de receber nos braços o amigo traído e triste que vinha à procura de colo, ombro, mão, consolo? Será que ainda se lembram? Será do vosso tempo? “ (Marlene)

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Morrer de amor parece-me ser um objecto em vias de extinção .” e segue-se uma história que mostra “que é possível morrer de amor.” (Miguel Leal)



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© José Pacheco Pereira
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