ABRUPTO

12.8.03


CRÍTICAS AO ABRUPTO

Escrevo-lhe estas observações a propósito do post no Abrupto em que critica a Volta a Portugal e a circunstância de se permitir que os ciclitas corram debaixo desta canícula.
Pois é, meu caro JPP. Quem fala sobre tanta coisa arrisca-se a errar. Não vou discutir consigo se o ciclismo é um desporto violento. Porventura será um desporto que exige um esforço sobrehumano e onde os atletas correm riscos de vária ordem. Nesse carácter épico reside um dos grandes pólos de interesse do desporto. A minha crítica vai para o que está subentendido no seu post. Se morrer um ciclista, diz o caro JPP, a culpa é de ninguém, como é costume. Entendo nesta afirmação que, na sua opinião, estaremos perante mais um mal português.
É aqui que está enganado. A Volta a Portugal é uma brincadeira de crianças se comparada com uma Volta a França ou uma Volta a Espanha. Aconselho-o a ver as magníficas transmissões directas destas provas através do Eurosport. A Volta a Portugal dura 11 dias enquanto que as de França e Espanha duram 21 dias. Em Portugal sobe-se a serra da Estrela e em França sobem-se os Alpes e os Pirinéus. O ciclismo é um desporto de Verão e é disputado com temperaturas elevadíssimas, aquelas que Deus dá. Por vezes sob chuva e ventos inclementes. Não se adiam provas por causa das condições climatéricas. Seja em França, Espanha ou Portugal. E é assim em todos os países ditos civilizados. Os proletários da bicicleta são clinicamente acompanhados, de forma que talvez não haja paralelo em outros desportos. Quem não tem condições físicas não pode ser ciclista profissional.
Tudo isto para lhe dizer que, neste caso, não vale a pena bater em Portugal. Bem ou mal, nesta matéria somos iguais aos outros. Iríamos ser a gargalhada da Europa se fosse anulada alguma etapa da Volta porque está muito calor.
” (ruim)

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]