ABRUPTO

31.10.06
 


EARLY MORNING BLOGS

899 - The Cruel Moon

The cruel Moon hangs out of reach
Up above the shadowy beech.
Her face is stupid, but her eye
Is small and sharp and very sly.
Nurse says the Moon can drive you mad?
No, that�s a silly story, lad!
Though she be angry, though she would
Destroy all England if she could,
Yet think, what damage can she do
Hanging there so far from you?
Don�t heed what frightened nurses say:
Moons hang much too far away.

(Robert Graves )

*

Bom dia!

30.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



Trabalhos na barra do Douro. Hoje.

(Gil Coelho)
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



Jardineiros no jardim do Passeio Alegre, no Porto.

(Gil Coelho)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 30 de Outubro de 2006


Em Portugal apoiam S�crates por apertar o cinto, no Brasil apoiam Lula por dar dinheiro aos pobres. H� aqui qualquer coisa que n�o encaixa.

Uma breve nota sobre a compara��o entre S�crates e Lula. N�o h� dissemelhan�as, porque o ponto, creio, � este. A imagem de S�crates �, tal como Lula, a de Robin dos Bosques.
Da� a popularidade, de ambos. Imagem, ou realidade, "a hist�ria o julgar�". Tenhamos paci�ncia!

(Am�lcar Lopes Ant�nio)
*

Robert Fagles sobre as raz�es que o levaram a traduzir a Eneida de Virg�lio: �My feeling is that if something is timeless, then it will also be timely.

*

Continua a n�o haver um dia singular sem o Momento-Ch�vez do Primeiro-ministro, num palco controlado a dizer o que quer sem contradit�rio e, mais grave ainda, sem tratamento editorial em fun��o da relev�ncia e do conte�do jornal�stico da mat�ria.
 


COISAS DA S�BADO: DIA SIM DIA SIM



Contam-se pelos dedos de uma m�o s�, as pessoas que t�m acesso � comunica��o social de primeira linha e que falam dos mecanismos de controlo e manipula��o da comunica��o social pelo governo socialista. � uma mat�ria tabu, que suscita logo um ambiente de grande hostilidade, com exig�ncia probat�rias imediatas. N�o acho mal as exig�ncias probat�rias, dado que penso n�o faltarem provas, sendo �s vezes serem t�o evidentes que a sua exig�ncia j� � suspeita. S� tenho pena que n�o tenham sido pedidas com a mesma convic��o antes do per�odo actual de governa��o. Mais: intriga-me que aqui os jornalistas que se indignam, muitos deles em posi��es de relevo em �rg�os de comunica��o estatais, alguns em posi��es de chefia, tenham nesta mat�ria a atitude exactamente contr�ria � que tomam face a todas as coisas, onde acham sempre que n�o h� fumo sem fogo por regra geral, e onde exercitam abundantes doses de cinismo. Aqui, ficam ing�nuos em absoluto, nesta mat�ria n�o s�o certamente o �ninho de v�boras� com que s�o descritos no mundo anglo-sax�nico.

Veja-se um dos exemplos mais que evidentes, referido por Eduardo Cintra Torres na s�rie que est� a escrever para o P�blico, e que tanta hostilidade suscita contra o seu autor, que est� a provar uma medicina que j� conhe�o h� muitos anos. Trata-se da tentativa de controlo da agenda comunicacional atrav�s da sobreposi��o de pseudo-factos, declara��es, confer�ncias de imprensa, manobras de divers�o, criados do nada para esconderem ou minimizarem os factos que s�o inc�modos para o governo. O Primeiro-ministro S�crates n�o faz isto dia-sim-dia-n�o, faz isto dia-sim-dia-sim, com sucesso garantido. Exemplo: no dia da manifesta��o da CGTP com setenta mil pessoas na rua, S�crates fez mais uma das suas desloca��es a um palco controlado (� interessante ver como utiliza muitas vezes o grupo parlamentar do PS como �palco controlado�) para responder aos manifestantes a solo, sem contradit�rio. Nos notici�rios o facto e o pseudo-facto equivaliam-se e mesmo que n�o se queira chamar �s declara��es de S�crates pseudo-facto, elas n�o tinham o interesse jornal�stico que justificasse um tratamento quase sim�trico. Isto acontece, quase sempre com S�crates a solo em palcos controlados, dia-sim-dia-sim.

� evidente que n�o s� os governos socialistas que aplicam estas t�cnicas, os do PSD e do CDS fizeram o mesmo, mas com muito menor efic�cia porque h� diferen�as fundamentais e que t�m a ver com o facto de a comunidade jornal�stica se comportar por regra de forma muito adversarial com governos �de direita�, como agora se diz. Provas? Provas, pergunto eu? E que tal pensarmos nisto: sabedores das t�cticas de oculta��o do Primeiro-ministro e de alguns membros do governo mais s�bios como o Ministro Ant�nio Costa, que fazem os jornalistas para manterem a informa��o cr�tica a fluir, que fazem as redac��es para darem o devido valor (o de notas de quatro ou cinco linhas como fazem os jornais anglo-sax�nicos) a actos que eles sabem serem de contra-informa��o, sem conte�do jornal�stico, n�o dando o benef�cio ao infractor? Nada, quase nada. Ao aceitarem as regras do Primeiro-ministro e do governo, aceitam a governamentaliza��o e o controlo pol�tico.

E n�o adianta dizerem, como j� vi escrito, que n�o h� problema nenhum em que o governo tenha investido tanto em �rela��es p�blicas� e em assessorias de imprensa que s�o �boas�, sem perceberem que esta frase � mort�fera para a profiss�o de jornalista e auto-condenat�ria. H� quanto tempo se recordam de uma genu�na pergunta e de uma genu�na resposta do engenheiro S�crates, fora do mundo da propaganda? N�o me lembro.
 


EARLY MORNING BLOGS

898 - The Fall Of Rome

The piers are pummelled by the waves;
In a lonely field the rain
Lashes and abandoned train;
Outlaws fill the mountain caves.

Fantastic grow the evening gowns;
Agenst of the Fisc pursue
Absconding tax-defaulters through
The sewers of provincial towns.

Private rites of magic send
The temple prostitutes to sleep;
All the literati keep
An imaginary friend.

Cerebrotonic Cato may
Extol the Ancient Disciplines,
But the muscle-bound Marines
Mutiny for food and pay.

Caesar's double-bed is warm
As an unimportatnt clerk
Writes I DO NOT LIKE MY WORK
On a pink official form.

Unendowed with wealth or pity
Little birds with scalet legs,
Sitting on their speckled eggs,
Eye each flu-infected city.

Altogether elsewhere, vast
Herds of reindeer move across
Miles and miles of golden moss,
Silently and very fast.

(W.H. Auden)

*

Bom dia!

29.10.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 29 de Outubro de 2006


Lendo o Sol hoje: um editorial de mis�ria e uma mis�ria de editorial. J� se percebeu que tudo est� maduro para se descer mais um passo na abjec��o p�blica. � verdade que os sinais j� estavam por todo o lado, que a porta que o Expresso abriu escancaradamente j� estava semi-aberta. Mas cada vez temos menos respeito por n�s pr�prios e pelos outros. Se h� quem queira viver no mundo do Simplesmente Maria e na lama voyeuristica da exibi��o da privacidade e da intimidade, for�a! Que as p�ginas exibicionistas vos sejam leves! Mas n�o esperem de quem n�o � desse mundo outra coisa que n�o seja nojo e vergonha por terem descido t�o baixo.
 


IMAGENS POLITICAMENTE INCORRECTAS 2

 


IMAGENS POLITICAMENTE INCORRECTAS 1



(Enviada por Medina Ribeiro)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
GOVERNAR POR DECRETO D� LUGAR AO "RELEVANTE INTERESSE P�BLICO"




Dantes era o "governar por decreto", sin�nimo de falta de respeito pelas normas democr�ticas e como forma de imposi��o de algo que n�o seria pass�vel de aceita��o nas inst�ncias apropriadas ou que enfermam de defici�ncias formais ou processuais.

Hoje, o mesmo acontece, mas sob um nome diferente, o de resolu��o fundamentada, que justifica se com o interesse p�blico e se sobrep�e a decis�es de car�cter administrativo por parte dos Tribunais, evitando assim o normal curso da Justi�a e revogando o efeito suspensivo imposto pelas inst�ncias judiciais.

Perversamente, ao ultrapassar a decis�o com car�cter suspensivo de um Tribunal, supostamente garante da igualdade perante a Justi�a, a decis�o fundamentada pode tornar irrevers�vel todo o processo, sendo que ap�s este passo, muitas vezes, ultrapassou-se o ponto de retorno.

Esta possibilidade legal, que assume cada vez mais contornos de verdadeiro artif�cio que permite contornar decis�es desfavor�veis, pela sua vulgariza��o nos mais diversos dom�nios da governa��o, tem-se vindo a alastrar a todas as inst�ncias que, no �mbito das suas compet�ncias, a possam utilizar.

Por outro lado, permite contornar a legisla��o em vigor e, por exemplo, proceder a adjudica��es por ajuste directo quando um concurso p�blico n�o foi lan�ado a tempo, mesmo sabendo-se da sua necessidade, ou quando um processo se atrasou de tal forma, por responsabilidade exclusiva dos pr�prio, que j� n�o h� possibilidade de seguir os tr�mites legais sem um efectivo prejuizo.

O recurso a esta figura jur�dica tem, portanto, servido cada vez mais como uma alternativa processual do que como um �ltimo recurso para situa��es imprevistas, nas quais existe uma efectiva necessidade de ultrapassar um obst�culo de �ltima hora, raz�o pela qual cada vez menos o chamado "relevante interesse p�blico" adquire o car�cter excepcional que o devia caracterizar.

Entre a excep��o e a regra, o uso e o abuso, aceita-se a normalidade, do que devia ser excepcional ganhando for�a � custa da imposi��o de uma figura de car�cter administrativo que tende a transformar-se numa nova forma de governar.

Afinal, a normalidade � um conceito estat�stico, dependente do n�mero de ocorr�ncias, sobre as quais n�o emite qualquer valor.

(Nuno M. Cabe�adas)
 


EARLY MORNING BLOGS

897 - The dangers to which we are exposed from our Women must now be manifest ...


 If our highly pointed Triangles of the Soldier class are formidable, it may be readily inferred that far more formidable are our Women. For, if a Soldier is a wedge, a Woman is a needle; being, so to speak, all point, at least at the two extremities. Add to this the power of making herself practically invisible at will, and you will perceive that a Female, in Flatland, is a creature by no means to be trifled with.

But here, perhaps, some of my younger Readers may ask how a woman in Flatland can make herself invisible. This ought, I think, to be apparent without any explanation. However, a few words will make it clear to the most unreflecting.

Place a needle on the table. Then, with your eye on the level of the table, look at it side-ways, and you see the whole length of it; but look at it end-ways, and you see nothing but a point, it has become practically invisible. Just so is it with one of our Women. When her side is turned towards us, we see her as a straight line; when the end containing her eye or mouth -- for with us these two organs are identical -- is the part that meets our eye, then we see nothing but a highly lustrous point; but when the back is presented to our view, then -- being only sub-lustrous, and, indeed, almost as dim as an inanimate object -- her hinder extremity serves her as a kind of Invisible Cap.

The dangers to which we are exposed from our Women must now be manifest to the meanest capacity of Spaceland. If even the angle of a respectable Triangle in the middle class is not without its dangers; if to run against a Working Man involves a gash; if collision with an Officer of the military class necessitates a serious wound; if a mere touch from the vertex of a Private Soldier brings with it danger of death; -- what can it be to run against a woman, except absolute and immediate destruction? And when a Woman is invisible, or visible only as a dim sub-lustrous point, how difficult must it be, even for the most cautious, always to avoid collision!

(Edwin A. Abbott, a Square, Flatland: A romance of many dimensions)

*

Bom dia!

28.10.06
 


BIBLIOFILIA / GRANDES CAPAS

 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 28 de Outubro de 2006


Ontem houve v�rios Momentos-Chavez para o Primeiro-ministro, hoje haver� mais. O TGV j� deu para dois Momentos-Chavez e ainda dar� para mais. Agora come�ou-se a desdobrar os actos p�blicos - um com o ministro, que tamb�m quer os seus Momentos-Chavez; outro, igual ao anterior e sobre a mesma mat�ria, com o Primeiro-ministro.

Ontem a RTP deu outro exemplo de como se actua pela imagem: enquanto o Ministro das Finan�as fazia o seu discurso punitivo contra as finan�as da Madeira, Jardim aparecia em imagens de fundo a passear-se num elefante. O Justo e o Tolo. Duvido que imagens de Soares passeando numa tartaruga ou vestido de maraj� passeando num elefante alguma vez passem em fundo de qualquer not�cia sobre ele. � verdade que Jardim muitas vezes pede-as, mas n�o pode ser a televis�o p�blica a d�-las.

*

Ontem um amigo aqui em Cabo Verde que pouco se interessa por pol�tica e muito menos est� a par do que se passa com a pol�tica lusa, perguntou-me se vai haver elei��es em Portugal. Que eu saiba, n�o, disse eu, porqu�? � que o teu primeiro ministro parecer estar em campanha eleitoral. Pois, parece, respondi. Bom, talvez esteja a pensar em elei��es mais cedo.

(S�rgio)
 


EARLY MORNING BLOGS

896 - I call our world Flatland, not because we call it so, but to make its nature clearer to you, my happy readers, who are privileged to live in Space.

http://etext.library.adelaide.edu.au/a/abbott/edwin/flatland/images/cover.jpgImagine a vast sheet of paper on which straight Lines, Triangles, Squares, Pentagons, Hexagons, and other figures, instead of remaining fixed in their places, move freely about, on or in the surface, but without the power of rising above or sinking below it, very much like shadows -- only hard with luminous edges -- and you will then have a pretty correct notion of my country and countrymen. Alas, a few years ago, I should have said "my universe": but now my mind has been opened to higher views of things.

In such a country, you will perceive at once that it is impossible that there should be anything of what you call a "solid" kind; but I dare say you will suppose that we could at least distinguish by sight the Triangles, Squares, and other figures, moving about as I have described them. On the contrary, we could see nothing of the kind, not at least so as to distinguish one figure from another. Nothing was visible, nor could be visible, to us, except Straight Lines; and the necessity of this I will speedily demonstrate.

Place a penny on the middle of one of your tables in Space; and leaning over it, look down upon it. It will appear a circle.

But now, drawing back to the edge of the table, gradually lower your eye (thus bringing yourself more and more into the condition of the inhabitants of Flatland), and you will find the penny becoming more and more oval to your view, and at last when you have placed your eye exactly on the edge of the table (so that you are, as it were, actually a Flatlander) the penny will then have ceased to appear oval at all, and will have become, so far as you can see, a straight line.

The same thing would happen if you were to treat in the same way a Triangle, or a Square, or any other figure cut out from pasteboard. As soon as you look at it with your eye on the edge of the table, you will find that it ceases to appear to you as a figure, and that it becomes in appearance a straight line. Take for example an equilateral Triangle -- who represents with us a Tradesman of the respectable class. Figure 1 represents the Tradesman as you would see him while you were bending over him from above; figures 2 and 3 represent the Tradesman, as you would see him if your eye were close to the level, or all but on the level of the table; and if your eye were quite on the level of the table (and that is how we see him in Flatland) you would see nothing but a straight line.

(Edwin A. Abbott, a Square, Flatland: A romance of many dimensions)

*

Bom dia!

27.10.06
 


BIBLIOFILIA / GRANDES CAPAS

 


A DEGRADA��O DA PRIVACIDADE E DA INTIMIDADE



Tudo come�ou no Expresso de 14 de Outubro, h� apenas dez dias. � verdade que j� havia nas revistas do cora��o e nos tabl�ides uma explora��o do mesmo tema, mas nunca tinha chegado � imprensa que se pretende s�ria e respons�vel. Para se perceber como � que a coisa funciona, basta seguir a sequ�ncia: no dia 14, o Expresso titula na primeira p�gina "Casal S�crates pelo sim", referindo-se � presen�a de Jos� S�crates enquanto secret�rio-geral do PS e uma jornalista descrita como sua "namorada" num debate sobre o aborto. O t�tulo era completamente abusivo: a presen�a dos dois na sala e o facto de fazerem interven��es sobre o mesmo tema era mais que justificado pela circunst�ncia de ambos, cada um de per se, como indiv�duos, terem revelado interesse pelo tema e pela causa e n�o por serem um "casal" que era o que o t�tulo queria dizer num mecanismo puramente tabl�ide. Acresce que, quer um, quer outro, independentemente das rela��es que tenham ou n�o tenham, s�o pessoas que mant�m sobre a sua vida privada uma sadia reserva que cada vez menos se observa em pessoas sujeitas a uma exposi��o p�blica. O t�tulo do "casal" n�o tinha qualquer relev�ncia jornal�stica, destinava-se apenas a alimentar o voyeurismo de um p�blico que respeita pouco ou nada da privacidade alheia. N�o havia um �tomo de interesse p�blico em tal "revela��o", ou sequer na sugest�o ofensiva para a individualidade de cada um, e aqui obviamente mais ofensiva para a mulher do que para o homem, de que ela vale mais como parceiro de um "casal", do que pelo seu m�rito pr�prio.

Os jornalistas do Expresso n�o podiam deixar de saber o que estavam a fazer. Quem conhece os mecanismos da comunica��o e a selvajaria deontol�gica em que est� hoje mergulhada sabe muito bem que, quando um jornal de "refer�ncia" faz aquele t�tulo, abre as comportas a uma enxurrada que, a partir da intromiss�o de privacidade inicial, normaliza o delito. O Expresso deu legitimidade a que todos pudessem voltar a aten��o do seu voyeurismo, do seu machismo, para o "casal", neste caso em particular para a "namorada". E nos �ltimos dez dias a enxurrada do lixo tabl�ide aberta pelo Expresso levou outra vez todas as revistas do cora��o a pegar no mesmo assunto, agora j� livres do gueto inicial onde estavam acantonadas e mais � vontade para irem mais longe, e a imprensa s�ria a colocar-se ao mesmo n�vel. Hoje [ontem], no momento em que escrevo, a Focus tem como t�tulo da primeira p�gina "Conhe�a a namorada do 1.� ministro", e a prociss�o ainda vai no adro.

Insisto que n�o h� aqui qualquer elemento de interesse p�blico, nada que justifique que um jornal assim proceda. N�o se trata de usar recursos do Estado indevidamente, n�o se trata de passar segredos a uma pot�ncia estrangeira, n�o se trata de cometer qualquer crime, trata-se de se viver como se pretende, mesmo tratando-se do primeiro-ministro, que sempre foi reservado na sua vida privada, e da "namorada", que n�o sei se o � ou n�o nem isso me interessa, que tamb�m tem sempre preservado as suas rela��es da curiosidade p�blica. Trata-se de duas pessoas que n�o podem em nenhuma circunst�ncia ser acusadas de se andarem a exibir e, bem pelo contr�rio, pretenderam sempre defender a sua privacidade com a m�xima reserva e a quem esta exposi��o for�ada e gratuita notoriamente incomoda. Isso deveria ser respeitado, mas n�o �.

O facto de ter sido o Expresso a trilhar este caminho revela uma tend�ncia preocupante da comunica��o social portuguesa para desrespeitar direitos de privacidade (j� quase todos violados repetidamente pelas revistas cor-de-rosa) e da intimidade (violados no mundo do espect�culo e da televis�o, muitas vezes com o consentimento dos pr�prios, que encontraram na exposi��o da sua privacidade um modo de vida, mas que � s� uma quest�o de tempo at� chegar a todos, queiram ou n�o).

A banaliza��o da viola��o da privacidade e da intimidade vive do con�bio entre o novo mundo das revistas do cora��o, cada vez mais agressivas, com a generaliza��o das fotografias tiradas na via p�blica sem autoriza��o por paparazzi e "cidad�os-jornalistas-tabl�ides", e a progressiva infec��o destas pr�ticas pela imprensa s�ria, da� a import�ncia do t�tulo do Expresso. Neste processo participam muitos volunt�rios do mundo do espect�culo e cada vez mais gente de outros mundos, inclusive da pol�tica. Fazem mal, e quase sempre arrependem-se, tendo muitas vezes que fazer o exerc�cio p�blico de arranque da pele da tatuagem em que escreveram, como num cartaz, o nome do amor eterno que durou um m�s.

A verdade � que ainda h� muita gente para quem a defesa da privacidade e da intimidade s�o elementos essenciais da sua dignidade e da dignidade dos outros, muita gente que se respeita a si pr�prio para gostar de ter e viver no seu espa�o de liberdade. Estou a imaginar o encolher de ombros e o sibilino, "devem ter alguma coisa a esconder...", pretendendo-se criminalizar a defesa da privacidade, atribuindo-a sempre um mundo de culpa clandestino. Mas � isso mesmo, t�m alguma coisa a esconder para poderem ter liberdade de viver como querem, para serem senhoras da sua vida. S�o cada vez mais uma minoria em extin��o, face aos maus h�bitos das gera��es antigas habituadas � coscuvilhice e ao boat�rio e das mais novas que praticam a "aldeia global" com todos os inconvenientes da "aldeia", onde todos se conhecem. As gera��es do telem�vel e da Internet an�nima crescem sem qualquer respeito pela privacidade e intimidade, como se vivessem num reality show. S�o eles que n�o perceberam que, ao aceitar um telem�vel com GPS ou com v�deo, aceitam ser controlados com efic�cia. N�o querem saber, cresceram assim, ningu�m os educou para a reserva de si pr�prios. Ser�o excelentes clientes para os psiquiatras, quando tiverem dinheiro para os pagar.

Uma sociedade em que haja um putativo direito de saber tudo e em que ningu�m tenha o seu espa�o de intimidade e privacidade defendido, mesmo admitindo uma restri��o razo�vel por raz�es de interesse p�blico, e s� por essas, para os detentores de cargos electivos, � uma sociedade totalit�ria. Nos �ltimos dias deram-se mais alguns passos para que, na cultura comunicacional dominante em Portugal, a dignidade do indiv�duo fique mais fr�gil, assim como a liberdade de todos.

(No P�blico de 26 de Outubro de 2006)

*
Estamos cada vez mais pobres. Mais embrutecidos pela imprensa cor de rosa/marginal que alimenta sonhos de dona de casa frustrada e dependente de "factos" que n�o a obriguem a olhar o seu "EU". O Expresso foi o meu refugio de fim de semana. Ainda me recordo da frase "n�o h� s�bado sem sol ou Expresso". Mas modificou-se, adulterou-se, vendeu-se ao facilitismo. Ser� que tem saudades do Independente e quer seguir as suas pisadas? O Sol tamb�m foi uma decep��o. O que nos resta para ler? ONde vamos poder ler NOTICIAS de interesse. Algu�m que nos acuda. Casal S�crates? Acha respeito pelo outro se quer ser respeitado. Expresso:Am�n.

(Fortunata de S�)

*

Agora referindo-me c/ propriedade ao seu artigo no P�blico, ser� de mencionar:

1) Toda a imprensa dita s�ria tem vivido em concubinato c/ a dita cor-de-rosa.
Como noutras �reas da �aldeia global� da comunica��o as fronteiras diluem-se.
H� uns anos o Expresso referia-se � actualmente futura ex-esposa de Paul Mccartney como �aquela que conseguiu engatar o ex-Beatle�. Isto diz tudo.

2) Quanto aos actores, podem-se dividir entre os �volunt�rios�, os �volunt�rios � for�a� e os �involunt�rios�. Os primeiros vivem disso e p/ isso e raramente se arrependem. Muitas vezes o deixar de ser �perseguidos� por essa tipo de �not�cias� (como vimos no ponto anterior esbate-se a diferen�a entre tipos de imprensa, pelo que temos que distinguir o tipo de �noticias�) � a sua �morte� social e financeira. Os segundos s�o aqueles cuja profiss�o / actividade obriga uma exposi��o p�blica (pol�ticos, artistas, desportistas, empres�rios, etc.) e que muitas vezes necessitam de expor a sua privacidade p/ se promoverem e promover a sua actividade. O voyarismo do p�blico faz c/ que a exposi��o da privacidade seja um chamariz / promo��o do seu produto / actividade c/ consequ�ncias nas respectivas �vendas� (isto inclui votos no caso de pol�ticos) . Esta tenta��o de �vender a alma ao diabo� �s vezes paga- se cara quando aqueles a quem se vendeu uma parte da alma querem o resto, mormente passar da privacidade p/ a intimidade. Os terceiros s�o aqueles que fazendo tudo p/ manter em publico apenas aquilo que � estritamente p�blico e se v�em enredados na teia da invas�o da privacidade ao menor �deslize�. Muitas vezes esse ataque tem claras inten��es de denegrir algu�m que n�o alinhou c/ o sistema. Outras a sua defesa da privacidade tornou esta num bem bastante precioso e cobi�ado pelos que vendem a privacidade alheia, dado que o p�blico voyeur est� desejoso de saber algo sobre a privacidade dessa personagem que n�o se exp�e. Assim � primeira oportunidade entram pela m�nima brecha (ou em ultimo caso fro�am a entrada).

3) Uma vez que quer os �volunt�rios� quer os �volunt�rios � for�a� se fazem passar por �involunt�rios� p/ se vitimizarem e assim se valorizarem, o jogo de sombras est� montado. Muito boa gente j� foi descoberta a vender �reportagens� s/ a sua vida privada enquanto choravam l�grimas de crocodilo pela privacidade violada, mas muitos continuam por descobrir.

4) Mas no fim a culpa � sempre do p�blico que consome estas �not�cias�. No dia em que deixarem de as consumir e no dia em que as suas decis�es de �compra�
(de discos, de livros, de espect�culos, de telenovelas, de �votos�, etc) deixarem de ser influenciadas pela maior ou menor exposi��o da privacidade das figuras p�blicas, todo este teatro de sombras fecha. At� l� cumprir-se-� a velha m�xima do mercado livre, enquanto houver compradores aparecer�o vendedores p/ manter a procura satisfeita e realizarem os respectivos lucros.

� a lei da oferta e da procura no seu estado puro.

(Miguel Sebasti�o)

*

Isto tudo parece ser complicado. At� onde dever�o conter-se os elementos do casal para evitar n�o dar azo �s not�cias dos tabloides? Dever�o eternamente viver em clausura? Nunca assumir essa rela��o? Ent�o pelo facto de um dia irem jantar juntos a um bar in de Alc�ntara e serem fotografados a� por algum curioso com telem�vel que logo a remete a imagem a um jornal, est�o por isso, a partir da�, sujeitos a toda a devassa? E se esse jantar for num restaurante mais discreto, escondido num dos sub�rbios? Faz diferen�a? Diz-se por vezes (pessoas tidas por sensatas o afirmam) "eles colocaram-se a jeito", logo n�o podem estranhar uma vez que s�o pessoas p�blicas. H� essa ideia. E at� parece num ponto ou noutro do seu texto que defende isso. Pelo menos indirectamente.
A verdade � que n�o existe crit�rio para determinar a partir de que momento uma pessoa � de notoriedade p�blica. Em �ltima an�lise somos todos figuras p�blicas. Se tivermos o azar de ser interpelados na rua por um canal de televis�o para nos perguntar se concordamos com as touradas, tornamo-nos ou n�o figura p�blica? Respondo eu: Depende do meu crit�rio. Exclusivamente.
Melhor mesmo � as pessoas "n�o se porem a jeito". Porque n�o se tornam eremitas? Penso melhor: Mesmo assim um eremita poderia vir a ser uma figura p�blica. Parece ent�o n�o haver fuga.

(Fernando Barros)

*

Em primeiro lugar, a express�o "casal S�crates" usada pelo Expresso j� seria em si mesma um ris�vel abuso. N�o h� nenhum casal. H� um PM, com opini�es muito "notici�veis" sobre o aborto. H� uma jornalista activista do tema, com opini�es menos "notici�veis" sobre o assunto. Mas o que h� entre os dois, se h�, � com eles e o Expresso n�o tem nada com isso.

Ao noticiar o assunto nos termos em que o fez, o Expresso ganhava das duas formas: ou a a not�cia se confirmava e o Expresso acertava; ou n�o se confirmava (como veio a suceder, uma vez que n�o houve nenhuma "campanha" e muito menos" conjunta") e o Expresso ganhou na mesma porque colocou o assunto na agenda. Para seu pr�prio benef�cio e de toda a imprensa, que estava "mortinha" por deitar as m�os a este assunto.
Foi por estas e por outras que o Expresso h� muito deixou de ser o meu jornal.

(Jos� Moreno)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL



(Artur Pastor)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 27 de Outubro de 2006



Ontem, o Momento-Chavez do Primeiro-ministro foi junto dos militantes do PS no Algarve, no dia anterior no Forum das PME. Qual ser� o de hoje? Sempre o mesmo esquema: palco controlado, plateia atenta, veneradora e obrigada, discurso firme e vigoroso, sempre adversarial. S�crates tem sempre inimigos: os governos anteriores, o PSD, Marques Mendes (ele leva Marques Mendes mais a s�rio do que os jornalistas e o PSD), as corpora��es, "eles". C�maras de televis�o de frente, primeiro plano para S�crates, frases fortes escolhidas a dedo e preparadas para a televis�o, n�o para os interlocutores de circunst�ncia que s�o parte da decora��o. Sem perguntas, sem contradit�rio, sem nada que perturbe o cen�rio montado.

Quantas vezes j� vimos isto nos �ltimos meses? Muitas. Os anteriores bons manipuladores da televis�o parecem meninos de coro (Cavaco fazia o mesmo, mas com muito menor efic�cia e nem Lopes, nem Barroso, nem Guterres se comparam). Havia tamb�m outras hostilidades da "classe", contra Cavaco, contra Lopes, contra Guterres na fase moribunda, que parecem ter-se desvanecido. A diferen�a � que Cavaco, Guterres, Barroso e Lopes, ainda estavam na inf�ncia da arte. Entretanto, os �rg�os de comunica��o social j� deviam ter evolu�do na sua percep��o de como se faz propaganda moderna. Mas n�o, passam acriticamente a encena��o. Sejamos justos: uns mais que os outros.
 


EARLY MORNING BLOGS

895 - F�te galante

Les hauts talons luttaient avec les longues jupes,
En sorte que, selon le terrain et le vent,
Parfois luisaient des bas de jambes, trop souvent
Intercept�s! - et nous aimions ce jeu de dupes.

Parfois aussi le dard d'un insecte jaloux
Inqui�tait le col des belles sous les branches,
Et c'�taient des �clairs soudains de nuques blanches,
Et ce r�gal comblait nos jeunes yeux de fous.

Le soir tombait, un soir �quivoque d'automne:
Les belles, se pendant r�veuses � nos bras,
Dirent alors des mots si sp�cieux, tout bas,
Que notre raison, depuis ce temps, tremble et s'�tonne.

(Paul Verlaine)

*

Bom dia!

26.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM BARCELONA, ESPANHA



Trabalhos de remodela��o na Funda��o Joan Mir�, em Barcelona.

(Ant�nio Filipe Meira)
 


INTEND�NCIA

Em actualiza��o os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO, incluindo as bibliografias.,
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER
COMO O PCP N�O CONSEGUE FAZER A SUA PR�PRIA HIST�RIA

(Vers�o completa em ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.)

Para comemorar o 70� anivers�rio da cria��o do campo do Tarrafal, a editorial do PCP, as Edi��es Avante!, publicou um Dossier Tarrafal. Nesse volume, sem autoria a n�o ser a da Editora, o que quer dizer de autoria da direc��o do PCP, s�o inclu�dos documentos conhecidos como tamb�m outros in�ditos. Como a publica��o de documentos in�ditos oriundos dos arquivos do PCP n�o abunda, foi com muito interesse que li este volume. Infelizmente confirmei na sua leitura que o PCP n�o consegue ultrapassar a sua enorme dificuldade em contrariar as vers�es oficiais da sua hist�ria, destinadas � sua legitima��o pol�tica, e qualquer pol�tica de publica��o de documentos in�ditos acaba por ser muito restritiva para n�o entrar em contradi��es com essas mesmas vers�es oficiais.

� o caso deste volume, ali�s feito sem grandes cuidados de rigor, sem notas e omitindo muita informa��o de enquadramento que podia valorizar o que de in�dito l� se publica. Grande parte do volume � constitu�do por documentos j� conhecidos ou publicamente acess�veis � artigos do Avante! e testemunhos de antigos presos do Tarrafal � a que s�o acrescentados dois grupos de in�ditos: �di�rios� do Tarrafal, escritos por presos n�o identificados, e pe�as da correspond�ncia entre a Direc��o da Organiza��o Comunista do Tarrafal e a direc��o do PCP, representada por �lvaro Cunhal. Sabia-se da exist�ncia destes documentos nos arquivos do PCP, como ali�s de outros que continuam a ser escondidos, mas o partido n�o permitia o seu acesso � investiga��o hist�rica.

Como � habitual nas publica��es do PCP � a perspectiva repressiva-her�ica que domina o volume, o que se compreende no seu papel de den�ncia, mas acrescenta muito pouco � hist�ria do Tarrafal, e ainda menos � hist�ria dos comunistas no Tarrafal, apenas uma parte dos seus presos. Do ponto de vista do detalhe sobre as condi��es prisionais, sobre as viol�ncias cometidas pelos carcereiros, sobre a devasta��o causada pela doen�a e pelos maus tratos, os �di�rios� oferecem mais detalhes que permitem conhecer melhor o aspecto de extrema puni��o, quase exterminista, que o campo de concentra��o tinha. Basta ver como a doen�a matava em tr�s a cinco dias: �6- apareceu uma biliosa ao Dam�sio Martins Pereira; 11 � faleceu o Dam�sio�; �Deu um ataque ao Vale Domingues que faleceu uns minutos depois�, etc., etc. Este aspecto, como o seu reverso, a luta dos prisioneiros para conseguir concess�es da direc��o do campo, fica a conhecer-se melhor com a publica��o destas fontes prim�rias.

Mas tudo o resto fica na mesma, em particular tudo o que tenha a ver com a pol�tica, quer entre os comunistas e os outros grupos de presos, em particular, os anarquistas, quer entre os diferentes grupos em que os comunistas se dividiram bem como sobre a sua complexa rela��o com o PCP na metr�pole. A� os documentos in�ditos escolhidos foram seleccionados a dedo para n�o se saber mais, e a habitual pol�tica de oculta��o e falsifica��o da hist�ria do PCP continua de vento em popa.

O que falta � abissal. No per�odo da exist�ncia do Tarrafal toda uma s�rie de pol�micas e discuss�es, divis�es, an�temas e expuls�es, atravessou quer a OPC quer o PCP continental, e sobre isso nada de novo � acrescentado, embora os documentos fundamentais e politicamente relevantes estejam nos arquivos do PCP. � verdade que o editor informa que apenas �algumas�, uma �selec��o� de cartas da correspond�ncia entre a OPC e o Secretariado s�o publicadas. Mas que sentido tem continuar a pretender manter em segredo aquilo de que j� se sabe, pelo menos em linhas grossas? Nem uma linha sobre as pol�micas entre anarquistas e comunistas sobre a atitude a manter face �s autoridades no Tarrafal, nem uma linha sobre os debates � volta do Pacto Germano-Sovi�tico e as propostas que Bento Gon�alves fez ao sabor das reviravoltas da pol�tica da URSS, nem uma linha sobre que papel teve a OPC no desencadear da �reorganiza��o�, nem uma linha � e aqui a omiss�o � gritante � sobre a chamada �pol�tica de transi��o�, cuja cr�tica por Cunhal fundou ideologicamente o PCP at� aos nossos dias. Estas omiss�es grosseiras diminuem significativamente o interesse deste volume e mostram que o PCP continua incorrig�vel a tentar tapar com o seu dedo o conhecimento da sua hist�ria, da nossa hist�ria contempor�nea.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL



Pormenores s�o os 2 euros a d�zia por que alguns transeuntes fazem caretas e os novos cartuchos em substitui��o dos velhinhos cones de p�ginas amarelas ou quartos de folha de jornal, afinal formas de reutiliza��o do papel...

(Ant�nio Marrachinho Soares)
 


COISAS DA S�BADO: MANIFESTA��ES



Est� na moda desvalorizar os sindicatos e as manifesta��es. � um pouco bizarro, bem vistas as coisas, que num pa�s onde h� t�o pouca participa��o c�vica, se d� mais import�ncia ao enclausuramento de quarenta �artistas� temerosos pelos seus subs�dios, do que a setenta mil pessoas na rua. Tamb�m, bem vistas as coisas, pode-se sempre dizer que �� o Partido Comunista� e, em grande parte, �. S� que, tamb�m, bem vistas as coisas, era suposto que o PCP j� n�o fosse capaz de juntar tanta gente. Nem o PCP nem as �corpora��es�, o modo como agora erradamente se descrevem os sindicatos.

Tudo isto � cegueira, e cada qual toma a que quer. � verdade que a resist�ncia que se encontra nas ruas � resist�ncia � mudan�a, mas para muitos � a �sua� resist�ncia � mudan�a e n�o apenas a do PCP ou da CGTP. N�o estariam l� tantas pessoas se n�o fosse assim. Quanto �s corpora��es � verdade que o seu poder � grande em muitas �reas do estado. Na sa�de, na educa��o, nas profiss�es liberais como os m�dicos, advogados e farmac�uticos. Enquanto o Sindicato dos Professores mandar no Minist�rio da Educa��o por dentro estamos perante uma �corpora��o� que deve ser de l� tirada. Mas, c� fora, o Sindicato dos Professores ou qualquer outro, como sindicato e n�o como detentor de poderes �corporativos�, � um elemento fundamental da sa�de de uma sociedade democr�tica. Conv�m n�o atirar fora o menino com a �gua do banho.

(Na S�bado de 18 de Outubro.)

*

Ainda bem que esta� na moda desvalorizar sindicatos. Quer dizer que o povo portugues esta� finalmente a acordar para a realidade de um mundo global, de uma economia global e para o facto de que os patroes que tratavam os empregados ao pontape� sao uma coisa do passado. A sociedade em que vivemos evoluiu moralmente desde o virar do seculo, quando os sindicatos foram pela primeira vez criados. Nessa altura sim, as condicoes de trabalho eram horriveis e os trabalhadores necessitavam de defesa. Hoje em dia, isso ja� nao existe.

Por vezes confesso que nao percebo em que planeta vive a UGT, CGTP, BE e PCP, penso que vivem num mundo qualquer alternativo, numa outra dimensao em que as suas fantasias marxistas tem de ser satisfeitas.

A economia do sec. XXI e� diferente da economia protecionista do anos 80 e 90, a China e India estao a crescer a um ritmo alucinante, os empregos do passado em fabricas, que duravam 20-30 anos com pensao, regalias etc sao coisas do passado. Os trabalhadores tem de aceitar esta realidade porque ela esta� ca� para ficar!! Nao interessa o que a UGT, CGTP e outros tolinhos pensam. A economia mundial mudou e nos todos (sindicatos inlusive�) temos que no adaptar. E� necessario mais e sobretudo melhor educacao, mais anos de escola, e� preciso que se perceba que sem uma boa educacao, entao mais vale encostar �as boxes ou emigrar. Mas melhor educacao nao significa mais dinheiro do estado para educacao, e� sobretudo preciso re-educar comportamentos, aumentar propinas para que os estudantes tomem a educacao a serio e nao a brincar e a beber como o fazem hoje (os tais engracadinhos das praxes que o JPP tao bem fala). E� tambem preciso premiar os bons estudantes secundarios, dar-lhes bolsas de estudo universitarias. E� tambem preciso limpar as universidades dos engracadinhos que demoram 10 anos para finalizar um curso, na Suica, Canada e EUA so� se pode chumbar 1 vez, e depois adeus.

E� tambem preciso avaliar professores, sem duvida concordo com Socrates nisto. Ha� professores completamente inuteis, que nao tem qualquer interesse em educar e em motivar os estudantes. Querem apenas o salario e nao serem chateados. Isto tem de mudar ja�!! Nao pode esperar, nao pode esperar pela �aprovacao dos sindicatos�, caso contrario ficamos na mesma.

O mundo mudou e os sindicatos estao a emperrar a mudanca. Os sindicatos tem de mudar ou de preferencia tem de desaparecer.

(Carlos Carvalho)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A ESCOLA QUE TEMOS



Estive a trabalhar at� agora na correc��o das provas escritas dos meus alunos e terei de continuar at� um pouco mais tarde para alinhavar algumas aulas da pr�xima semana. Fiz portanto um intervalo.O meu hor�rio apesar de conter apenas 26 horas marcadas n�o me permite fazer um uso �til das que n�o est�o e supostamente serviriam para este trabalho. S�o verdadeiros buracos no hor�rio que me obrigam a permanecer na escola sem condi��es para fazer o que devo fazer e que n�o s�o contabilizadas para trabalho de escola. Tenho tamb�m 90minutos para apoio aos meus alunos, os que apresentem mais dificuldades. Pena � que entre o pedido de autoriza��o aos pais e a efectiva��o do apoio teremos chegado ao final do primeiro periodo. No segundo per�odo e partindo do principio que os pais autorizam os seus educandos a terem mais umas quantas horas no j� denso hor�rio dos seus filhos ir�o para uma sala onde est�o cerca de 10 professores com as mesmas atribui��es. Cerca de 20% (tenho sorte) dos meus alunos ir�o necessitar mais tarde ou mais cedo de apoio que ser� prestado nesta sala. N�o � preciso ser matem�tico para perceber que nesta sala n�o podem estar tantos professores e alunos at� porque n�o h� condi��es para realizar o trabalho nem acomodar tanta gente.

No caso de um professor n�o prescrever as medidas necess�rias � correc��o dos desvios �s aprendizagens previstas estar� em falta. N�o se justifica a reten��o destes alunos pois devem ter apoio caso necessitem devendo o professor avaliar atempadamente e p�r em pr�tica as medidas necess�rias- � um direito dos alunos que n�o questiono.

Tudo isto est� certo. Desta forma 75% dos meus alunos transitam por m�rito pr�prio e os restante 25% tamb�m. Pois ter�o aulas de apoio de modo a adquirirem as "compet�ncias" necess�rias a transitarem. Tudo fruto da compet�ncia do respons�vel, o docente, que de outra forma n�o � tido como competente.

Neste dia a dia nas escolas percebo uma coisa muito simples: a necessidade de resultados. Bons resultados permitem subir uns lugares no ranking dos pa�ses mais competitivos. Talvez por isso hoje estejam a ser criadas secretarias que passam diplomas de 12� ano. Um ano em que muito estudei e aprendi e onde quem n�o estudava n�o passava. Essa autonomia e capacidade de desenrascan�o perante um sistema menos atento ent�o permitia crescer e desenvolver a capacidade de resposta perante as dificuldades que encontr�vamos como alunos. Tamb�m tive maus professores e isso nunca foi desculpa para p�r os livros de lado, pelo contr�rio. Quem n�o trabalhava "chumbava".

Hoje com a proletariza��o dos licenciados urge n�o reter pessoas que apesar de n�o saberem ler ao fim de 9 anos de escolaridade t�m de saber que a mat�ria � discreta e que as fases de V�nus evidenciam um sistema dito heliocentrico. N�o � uma situa��o economicamente vi�vel- o que tamb�m acredito.

Hoje sou a par dos educadores dos jardins Infantis, que muito respeito, medido a resultados. O triste disto � que estudei a matem�tica de Newton e introduzo aos meus alunos conceitos como a fus�o e fiss�o nuclear, a forma��o do Universo como as provas encontradas tornam este modelo aceit�vel, o que a � ci�ncia, falo das teorias de Einstein e como est�o presentes no GPS e porqu�, de conceitos que embora simplificados exigem uma actualiza��o permanente cada vez mais dif�cil de fazer. N�o vale a pena falar e trazer para aqui outras compet�ncias minhas nas �reas das did�cticas espec�ficas da Qu�mica ou da F�sica onde aprendemos a dar a volta �s dificuldades de aprendizagem dos alunos. Tamb�m as "novas" tecnologias com a utiliza��o dos computadores em sala de aula e a explora��o de modelos matem�ticos, sensores diversos s�o correntes nas aulas. Al�m disso transporto o livro de ponto de sala em sala, lavo material de laborat�rio quando a funcion�ria n�o est� (felizmente temos na nossa escola funcion�ria com essas fun��es), fa�o as matriculas dos alunos, tuturia, avalia��o e organiza��o da forma��o na escola etc. No entanto a bitola � a mesma para todos e serve um �nico objectivo: resultados. Aos olhos da sociedade n�o sou diferente do educador infantil.

� esta a escola que temos. N�o � nova, n�o est� em remodela��o nem ser� melhor, mas teremos a curto prazo melhores resultados. Subiremos um ou dois lugares no ranking da competividade. E isso � importante atrai investimento, com ele emprego que embora prec�rio e transit�rio d� de comer. (...)

(Carlos Br�s)
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: PARAB�NS AO ESP�RITO

http://marsrovers.jpl.nasa.gov/gallery/press/spirit/20061025a/mcmurdo_MiplAtc_colorglyph2-A814R1_br2.jpg

que fez mil sols.
 


COISAS DA S�BADO: REFORMAS OU DINHEIRO PARA DIMINUIR O D�FICE?



Como todas as avalia��es finais s�o supostas serem feitas no momento do exame, quando de novas elei��es, pode-se sempre estar a julgar erradamente quando se avalia a meio. No entanto, penso n�o me enganar repetindo aquele que me parece ser o mais clamoroso erro do governo, mas tamb�m de quem lhe bate palmas a mais ou o exorciza totalmente. Est� o governo a fazer reformas de fundo ou apenas a traduzir medidas pontuais que �tem� que tomar para controlar o d�fice numa ret�rica de reformas? Esta parece-me ser a quest�o central para avaliar o governo S�crates.

O pano de fundo da quest�o tem a ver com as condi��es excepcionais de governabilidade que este governo tem: maioria absoluta, partido socialista domado pelo poder, oposi��o muito enfraquecida, consenso alargado na opini�o p�blica muito para al�m das fronteiras partid�rias. Ter tudo isto em Portugal � um milagre, pelo que se espera que o miraculado mostre excepcionais virtudes. Depois, para al�m do pano de fundo, h� que julgar a linguagem e as medidas concretas, a ret�rica pol�tica e a capacidade de realiza��o, e fazer um balan�o.

A ret�rica pol�tica do governo � reformista-autorit�ria, associada a progressivista-tecnol�gica. Usando estes pares de conceitos consegue-se perceber quase tudo do governo S�crates. Deixo aqui o lado progressivista-tecnol�gico e fico pelo primeiro par, o reformista-autorit�rio e a ret�rica respectiva. Aqui, analisando medida sobre medida, � �bvio que o que se pretende a muito curto prazo � controlar o d�fice, cortar onde for preciso e arranjar mais dinheiro. � isto que tem sido considerado reformista na ac��o do primeiro-ministro e merecido um apoio mais vasto do que o do PS ao governo.

Ora, � aqui tamb�m que me parece dever-se ser muito prudente, porque se h� de facto medidas com o objectivo de cortar dinheiro, associada a medidas ainda mais duras, para arranjar mais dinheiro, n�o parece que se v� para al�m da emerg�ncia pontual, numa via que n�o devia ser chamada de reformas porque o n�o �. Fica ali�s a suspeita consolidada de que, se n�o fosse o aperto financeiro da Uni�o Europeia, o governo socialista procederia de forma bem diferente. Basta ver as medidas que podiam ser tomadas e n�o o foram nem s�o, como as ligadas a uma reforma mais estrutural e menos conjuntural na seguran�a social, ou a intocabilidade de alguns monstros como as SCUTs, para se perceber que n�o h� um plano reformista de conjunto, mas sim medidas pontuais cuja efic�cia est� por demonstrar para al�m do muito curto prazo.

� por isso que a ret�rica governamental encalha quando defronta advers�rios que tem poder para resistir, como acontece com os autarcas. O governo bem pode valorizar os m�ritos estruturantes da nova legisla��o sobre as finan�as locais, que os autarcas n�o t�m dificuldade em desmontar aquilo que s�o estrat�gias para poupar e que seriam mais facilmente aceites se n�o fossem envolvidas numa ret�rica reformista-autorit�ria. O problema � id�ntico na sa�de e na educa��o, pelo menos em parte. Se a ret�rica fosse de emerg�ncia nacional, dizendo com clareza que as medidas se destinam a resolver um problema urgente de adequar as nossas despesas � imposi��o do d�fice, as pessoas aceitariam mais facilmente porque as faziam participar num sacrif�cio colectivo. A� haveria apenas que mostrar que a crise � para todos, para o que tamb�m h� um ret�rica pr�pria que o governo conhece bem porque a ensaiou.

Assim, as pessoas s�o confrontadas com falsas reformas apresentadas como sendo contra �eles�, como sendo virtuosas e salv�ficas, quando todos percebem muito bem que se destinam a apenas a obter mais poupan�as ou mais dinheiro � custa n�o s� do seu pec�lio como da sua imagem profissional e pessoal. E isso valeria a pena se se tratasse efectivamente de domar fortes corpora��es, para fazer uma nova configura��o da rela��o entre o estado e os cidad�os, o que manifestamente n�o � o caso, porque quase tudo vai ficar na mesma, embora mais pobre e mais zangado. Mas foi este o caminho que S�crates seguiu desde o in�cio e que come�a agora a mostrar os seus efeitos perversos.

(Na S�bado de 18 de Outubro.)
 


EARLY MORNING BLOGS

894 - The Weather in Verse

http://www.loc.gov/exhibits/ukiyo-e/images/8530s.jpgThe undersigned desires, in a modest sort of way,
To make the observation, which properly he may,
To wit: That writing verses on the several solar seasons
Is most uncertain business, and for these conclusive reasons :

In the middle of the Autumn the subscriber did compose
A sonnet on November, showing how the spirit grows
Unhappy and despondent at the season of the year
When the skies are dull and leaden, and the days are chill and drear.

Perhaps you may recall to mind that, when November came,
No leaden skies nor chilly days accompanied the same ;
But the weather was as balmy as in Florida you'd find,
And that sonnet on November was respectfully declined !

(...)

And for these conclusive reasons it is obviously plain
That verses on the weather are precarious and vain ;
And the undersigned would only add, so far as he can see,
The trouble's not the metre, but the meteorology !

(Marc Cook)

*

Bom dia!

25.10.06
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
�When the going gets tough, the tough gets going!�



O Minist�rio das Finan�as apurou um �buraco� de 365 milh�es de euros nas contas da empresa Estradas de Portugal EP, que faria aumentar o deficite do OGE de 4,6 % para 4,8 % . Teixeira dos Santos. Ministro das Finan�as solicitou ent�o ao Ministro das Obras P�blicas M�rio Lino para adiar para 2007 o lan�amento de v�rios concursos para constru��o de novas vias e parar obras actualmente em curso. No entanto o or�amento de 535 milh�es de euros da Estradas de Portugal previsto para 2007 � claramente insuficiente para cobrir a totalidade das rendas das SCUT or�adas em cerca de 705 milh�es de euros, mesmo contando com as receitas geradas pelas portagens anunciadas para as tr�s SCUTs do norte do pa�s.

Neste contexto a Estradas de Portugal necessitaria de um or�amento de cerca de 1,2 bilh�es de euros para pagar as rendas das SCUTs e lan�ar as obras anunciadas e diferidas para 2007. Na actual balb�rdia governativa que passou por ministros a anunciarem infantilmente o fim da crise �por decreto�, a responsabilizarem os cidad�os pelos anunciados aumentos da electricidade, a anunciarem o lan�amento de taxas moderadoras nos internamentos hospitalares e o aumento das presta��es sociais de pensionistas e deficientes, a CICI - Central de Inspec��o e Controlo lan�ada por S�crates para filtrar e seleccionar as declara��es institucionais dos respectivos ministros n�o foiu de todo eficiente na sua opera��o propagand�stica. De todo...

Contra tudo o que foi prometido e garantido por S�crates em campanha eleitoral a� est�o as primeiras SCUTs com o anuncio de introdu��o de portagens reais, sem uma declara��o explicando aos cidad�os o porqu� da invers�o da pol�tica governativa, nem desculpando a quebra de promessas e garantias. Jos� S�crates �deu �s de vila Diogo�, pura e simplesmente volatilizou-se deixando os seus ministros com o �nus das justifica��es e explica��es. Este ser� talvez, tudo o leva a crer, o princ�pio do fim das SCUTs e o inicio, p� ante p� - como conv�m para minimizar os estragos - da introdu��o do princ�pio do conceito utilizador-pagador, reconhecendo que 705 milh�es euros anuais em portagens s�o or�amentalmente insustent�veis sem o agravamento correspondente de impostos.

A demagocia e hipocrisia de S�crates est� bem � vista.: �when the going gets tough, the tough gets going!�. Nem mais...aplica-se que nem uma luva !

(Ant�nio Ruivo)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM BEIJING, CHINA



Trabalho marcial em Pequim, Outubro de 2006

(Luis Azevedo Rodrigues)

24.10.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 24 de Outubro de 2006


Tinha acabado de escrever uma nota para a S�bado sobre a fal�ncia cr�tica de muita comunica��o social face � manipula��o oriunda do governo e do Primeiro-Ministro, de maior gravidade nos �rg�os p�blicos como a RTP, quando vejo os notici�rios das 13 horas da RTP e da SIC. H� sempre quem, quando se critica o governo, pe�a muitas provas que noutras circunst�ncias acha desnecess�rias. Aqui vai mais uma: o tratamento da interven��o do Primeiro-Ministro no F�rum das PME pela RTP e pela SIC.

Na RTP, engole-se sem pestanejar o modo como o governo todos os dias (como Chavez, S�crates actua todos os dias na sua televis�o) arranja uns minutos de propaganda - S�crates a anunciar medidas, solit�rio face a uma plateia atenta, veneradora e obrigada. O papel do jornalista nesta pe�a, em que � t�o evidente que o discurso que passa � s� propaganda (este caso � t�o expl�cito que n�o oferece d�vidas), � repetir em seguida o que aquele disse. O Primeiro-Ministro l� est� ao fundo, a cumprimentar uns not�veis, enquanto a propaganda ganha uma nova dimens�o ao ser repetida pela voz do jornalista. Nem uma pergunta, nem uma curiosidade, nem nada. O homem entrou vestido de redoma e vai-se embora de redoma vestido, que a RTP acha bem. Na SIC, o jornalista bem tenta perguntar ao Primeiro-Ministro sobre a greve anunciada da fun��o p�blica e sobre as not�cias do incumprimento da lei das finan�as partid�rias (a ele que � o secret�rio-geral do PS), e ele foge protegido por uma pequena multid�o em sil�ncio, virando as costas.

Diferen�as.
*
Concordando inteiramente com o teor do que escreve sobre o (n�o)desempenho profissional dos jornalistas da RTP face ao Governo e � sua m�quina de propaganda, e particularmente perante a �vaca-sagrada� que � hoje o Primeiro-Ministro para muitos meios de comunica��o social, permita-me que lhe fa�a notar que a compara��o com o Sr. Ch�vez da Venezuela � excessiva. Todos os Domingos, durante 6 a 8 horas, o homem tem direito a um programa televisivo na maior cadeia de TV daquele pa�s (�Hola Presidente�, ou algo parecido), onde em directo o homem perora sobre o mundo, os inimigos, os traidores, a economia (maravilhosa), os EUA (imperialistas) a vida do pai, a hist�ria da m�e, a qualidade da colheita de laranjas deste ano e, de passagem, sobre a sua extraordin�ria personalidade de estadista. Penso que ainda n�o cheg�mos a esse ponto. Julgo, ali�s, que n�o chegaremos. Temos em Portugal, felizmente, mecanismos formais - e sobretudo informais, como a opini�o escrita, os blogues, etc. - que v�o estabelecendo limites, prec�rios � certo, mas social e culturalmente enraizados, que nos afastaram definitivamente dessa esp�cie de �Conversa em Fam�lia� populista, um anacronismo at� no contexto latino-americano, que � o estilo e a ess�ncia (fundem-se, na verdade) do oligarca venezuelano.

(Manuel Margarido)

*

J� que nele insiste, falemos ent�o desse tema que lhe � t�o caro: a governamentali��o. Ou, neste caso, da "camaraliza��o". Aqui h� umas semanas, a SIC, montou arraiais na Avenida da Liberdade durante, pelo menos, um dia inteiro, por ocasi�o do seu anivers�rio, ficando essa via interrompida. Questiono com que direito um privado toma para si uma avenida importante da capital. E mais: Pode-se arrendar uma avenida? Onde est� o pre��rio das avenidas de Lisboa (espero que aos dias de semana seja mais caro...)? Posso eu, no meu anivers�rio, arrendar a Rua da Betesga ao Rossio? A TVI tamb�m pode ocupar as avenidas de Lisboa (por falar em 'okupas'...)? Como se isto n�o fosse rid�culo, junta-se o facto de a sede da SIC ser noutro concelho... Quando vi isto, s� me ocorreu a filmagem de um certo aperto de m�o recusado. Proponho o seguinte movimento para a blogosfera: Queremos o pre��rio das avenidas de Lisboa!

(Eduardo Proen�a)

*

N�o sei se reparou, mas na pe�a do jornal da tarde da RTP de 23 de Outubro, sobre a revolta h�ngara de 1956 (que veio imediatamente a seguir � j� referida pe�a da "extrema-direita" h�ngara) a palavra "comunista" n�o foi usada uma �nica vez. Um malabarismo lexical assinal�vel. J� o colega Ant�nio Esteves Martins n�o est� com rodeios: tudo o que n�o � socialista � de "extrema-direita".

(paulo salvador)
 


PARA UM DEBATE SOBRE A "RIVOLU��O"



1. O ESTADO COMO �RBITRO DO GOSTO E DA QUALIDADE CULTURAL

Acta de reuni�o da Comiss�o de Aprecia��o do Concurso para Apoio a Projectos Pontuais no �mbito das Actividades Teatrais de Car�cter Profissional, de 11 de Abril de 2006:
"Entendeu ainda a comiss�o recomendar uma revis�o da pondera��o dos diversos crit�rios que s�o tidos em conta na classifica��o dos projectos. Com efeito, o regulamento actualmente me vigor contempla sete crit�rios dos quais tr�s, apenas, com a classifica��o de 0 a 10, incidem sobre a qualidade e sustentabilidade art�stica dos projectos, correspondendo-lhe assim um total de trinta pontos (de cada membro) em 55 pontos atribu�veis. Os restantes quatro crit�rios incidem sobre aspectos que se prendem sobretudo com a vertente da produ��o executiva (p�blicos e comunica��o) e com a vertente administrativa e financeira (or�amento, parcerias e apoios), sendo pontuados com um m�ximo de 25 pontos nos 55 pontos atribu�veis. Sem descurar a vertente da produ��o e da administra��o, entende a comiss�o que os aspectos art�sticos deveriam contar com um peso de cerca de dois ter�os, ou seja, n�o 30, mas 40 pontos, reduzindo os outros quatro crit�rios para 20 pontos, ou seja, cerca de um ter�o. Caso contr�rio, o concurso traduz-se mais num concurso a projectos com boa produ��o e administra��o do que a projectos com elevada qualidade art�stica."
(Sublinhados meus.)

2. QUANDO OS "P�BLICOS" N�O S�O TIDOS EM CONTA

Retomando o tema da programa��o cultural do Pa�s, e especialmente do Porto, e do 'completo "div�rcio" entre a cultura subsidiada e o p�blico', interessar� talvez analisar alguns n�meros sobre os espect�culos musicais previstos para o m�s de Outubro, nesta cidade.

Somando os espect�culos musicais do Coliseu do Porto, Casa da M�sica (apenas Sala Suggia, a principal), Rivoli Teatro Municipal e Teatro do Campo Alegre, temos que nenhum dos grupos actuantes est� no top semanal da Associa��o Fonogr�fica Portuguesa, apenas 3 deles podem ser considerados "mainstream" (por muito discut�vel que seja a defini��o, s�o apenas estes os grupos conhecidos pela generalidade do p�blico) e o conjunto M�sica Cl�ssica + M�sica Barroca representa 48% do total da programa��o, sendo ainda que est�o previstos mais espect�culos de m�sica popular brasileira do que de pop/rock portugu�s.

O problema n�o est� em haver um n�mero elevado de espect�culos de m�sica cl�ssica, e uma oferta suficiente de jazz e m�sica barroca, at� porque a sua qualidade � inquestion�vel, com protagonistas como a Orquestra Nacional do Porto. O problema est� no desequil�brio entre a programa��o tendencialmente mais elitista e aquela que � mais comercial, mais "mainstream", desequil�brio este muito provavelmente explicado pelo r�tulo de "cultura menor" que � colado a tudo aquilo quanto vende um n�mero significativo de CDs.

N�o havendo na cidade do Porto salas de espect�culo de dimens�o significativa para al�m das enumeradas, n�o seria de esperar que, pelo menos essas, servissem tamb�m para criar utilidade para uma por��o significativa do p�blico portuense, em lugar de o fazerem apenas para minorias? N�o ser� isto, a aus�ncia de uma programa��o atractiva para as massas, uma raz�o maior para o progressivo esvaziamento do centro da cidade, que agora tanto se discute?

(Artur Vieira)

*

Acredito que este seja apenas mais uma reac��o aos acontecimentos que se deram no Porto. Mas penso que nunca s�o amais.

Neste processo todo que est� a ser a privatiza��o da gest�o e programa��o do Rivoli e a sua contesta��o h� muito sumo a tirar.

1-Come�ando pelas resolu��es tomadas.
Desde a cria��o da Culturporto que o Rivoli se aproximou muito da popula��o porque havia espa�o para todo o tipo de espect�culos. N�o havia portanto uma exclusividade para apresenta��es de pequenos grupos ou elites das artes.
Rui Rio quando "entrou" para a CMP consegue, devagar, ir tirando poderes � Culturporto a todos os n�veis: financeiros, de decis�o e pol�ticos. Consegue, como resultado, tornar o Rivoli numa sala sem programa��o que s� � pouco tempo, com casos flagrantes pela sua dimens�o como o fim do Festival de Jazz, o fim do Festival de Marionetas (que finalmente ressurgiu) e os problemas criados ao Fantasporto, se tornou claro!
Tendo-se tornado o Rivoli numa sala sem possibilidades de programa��o � f�cil entender a privatiza��o do teatro para que se consiga encher a casa. Porque � tamb�m f�cil pensar que uma sala cheia � o resultado imediatamente pretendido (assunto que retomarei mais � frente).
Quando um grupo de pessoas ligado �s artes do espect�culo se manifesta, da forma que entendeu melhor (podemos n�o a entender como melhor, � certo) para que consiga voz, o que se passa ent�o? O presidente toma (continua com) uma posi��o altiva e remete-se ao silencio nunca prestando declara��es � posi��o que salienta ainda mais a aus�ncia de discuss�o sobre o assunto ANTES da tomada de decis�o da privatiza��o apostando na seguran�a que a maioria lhe d�. No meu entender uma prova de abuso de poder. O grupo n�o se fecha no Rivoli mas como n�o sai � fechado l� dentro e o corpo de seguran�as � duplicado (para qu�? Com medo de destrui��o da casa, ou para intimida��o? N�o sei.). �-lhes dada a responsabiliza��o do encerramento das salas de espect�culo assim como do caf� e do caf� concerto, que foi claramente recusada. O grupo fechado nunca tentou impedir o funcionamento do Rivoli e abertamente diz que se podem dar os espect�culos. Lu�s Represas e a Lions Club da Boavista (a organizadora do concerto de benefic�ncia) n�o afastaram a hip�tese de realizar o concerto, sendo da c�mara a responsabilidade de mudar o evento para a Casa da M�sica.
Mais tarde a c�mara cria aquilo a que chamo um cerco medieval, literalmente. Corta o acesso do grupo com o exterior fechando as portas de vidro � at� a �nica frincha de uma porta que fechava mal foi mandada apertar � e a electricidade. Resultado pretendido: era muito dif�cil a comunica��o directa e as baterias dos port�teis e telem�veis acabaram, o isolamento era total. Mais tarde deixa de ser poss�vel passar comida pela porta dos artistas �s horas antes definidas cortando depois a agua. Resultado pretendido: a falta de condi��es de sobreviv�ncia m�nimos que dificultassem a manuten��o no espa�o. (Mas, pergunto-me a pergunta banal por n�o me lembrar de outra, o que � a democracia afinal e em que ano � que vivemos?). O processo continua e provavelmente novos epis�dios surgir�o.
� parte o Rivoli vemos a CMP, ainda antes deste epis�dio, legislar ou decretar que qualquer entidade que receba subs�dios da c�mara n�o poder� fazer cr�ticas ou afirma��es p�blicas que a ponham em causa.
Penso que n�o � dif�cil entender a preocupa��o que � ter a governar quem toma estas atitudes, e penso que � grave deixar que se tomem decis�es desta import�ncia exclusivamente por uma pessoa assim.
N�o ser� ainda legitimo que pessoas ligadas �s artes do espect�culo, que trabalham, vivem e pensam na �rea tenham direito a exigir participa��o na decis�o do futuro de um espa�o p�blico? Penso que ningu�m, mais do que eles, tem esse direito. N�o ser�o tamb�m pessoas das artes do espect�culo cred�veis nesse assunto?

2- O que implica e o que se perde com a privatiza��o.
Pensar que a c�mara tem gastos com o Rivoli insuport�veis numa altura de conten��o e que a "programa��o atractiva para as massa" vai oferecer a um p�blico maior o que ele quer, leva-nos sem d�vidas a pensar que este � o melhor caminho.
Digo, desde j�, que posso estar muito errado, mas, aprofundando um bocado mais o assunto, estes valores podem pesar menos.

Com uma entidade privada a gerir o Rivoli, esta vai querer lucros, � �bvio. Para tal ela j� n�o conta com despesas de aluguer do espa�o e de todo o equipamento necess�rio nem com a agua, a luz, a limpeza, a manuten��o e penso que os funcion�rios pagos pela c�mara. Os lucros vir�o do maior n�mero de pessoas que conseguir�o chamar aos seus espect�culos. J� sabemos que para isso tem que haver uma programa��o que lhes agrade. As artes do palco entram assim no mesmo caminho que a televis�o e entramos na discuss�o que esta criou h� muito tempo. A programa��o est� com uma qualidade miser�vel exclusivamente pela procura de audi�ncias? Ser� que a qualidade de um programa deixa de ser m� quando � "atractiva para as massas"?
Estas e muitas outras perguntas podem formar uma reflex�o muito pr�xima daquela que deve ser feita ao privatizar o Rivoli.
Eu pessoalmente penso que a qualidade da programa��o televisiva est� m� devido � procura de audi�ncias e que o facto de um programa ser apreciado por um grande publico n�o faz dele um bom programa.

Penso tamb�m que um servi�o publico de artes do espect�culo, ao contrario de um servi�o privado, por se afirmar de todos (embora desacredite muito) � um servi�o que me permite exigir qualidade e responsabilidades. � um espa�o que permite a cria��o de eventos de todos os tipos e que tem o dever de agradar tamb�m �s minorias.
Os grupos pequenos podem ser: um grupo que utiliza uma linguagem pr�pria com actividades vulgarmente conhecidas como de dif�cil compreens�o, por isso de um publico de minorias (que geralmente s�o tentativas da t�o afamada quebra de limites ou explora��o m�xima da �rea, e expans�o de conhecimento que romanticamente se proclamam de vanguardas que com ou sem sucesso s�o muito importantes); um grupo que est� a crescer e precisa de plataformas de projec��o; um grupo pequeno que, por reac��o, n�o quer crescer; um grupo simplesmente pequeno.
Todos estes grupos t�m valor e s�o parte de uma m�quina de cria��o que n�o � exclusiva das grandes produtoras, portanto com direito e dever � sobreviv�ncia. T�m por isso o mesmo direito de exigir do teatro que � municipal uma gest�o municipal e sem vista exclusiva nos lucros.

Entendo ainda que o investimento na cultura deve ser a fundo perdido (sem prever retorno de capital, j� que existem outros retornos) assim como nas ci�ncias humanas. Os gastos suportados pela CMP no Rivoli s�o gastos que devem ter em vista um crescimento cultural da popula��o e um enriquecimento do conhecimento. O investimento na cultura n�o se trata apenas de gastos no entretenimento.

(Nuno Guedes)

*

Relativamente � reac��o do Sr. H�lder Sousa ao meu apontamento sobre o desequil�brio da programa��o musical da cidade do Porto, tenho a referir o seguinte:

1. � irrelevante para a discuss�o saber quem gere as salas. Quer seja a CMP, o Minist�rio da Cultura, a FCT, a Associa��o dos Amigos do Coliseu, o relevante aqui � analisar a forma como a programa��o � feita e, no caso concreto do meu texto, o elitismo que lhe est� subjacente.

2. O Rivoli Teatro Municipal, n�o sendo uma sala de dimens�es compar�veis ao Coliseu ou mesmo � Casa da M�sica, � j� utilizado para eventos de massas, como algumas pe�as de teatro, o Fantasporto, e, esporadicamente, alguns concertos, como o que estava previsto de Lu�s Represas.

3. O Teatro do Campo Alegre, uma sala que, segundo palavras do leitor, "n�o est� de todo preparada para concertos", recebeu, a 18 do corrente, a m�sica folk de Paddy B & Celtic Express.

4. Concordo que os n�meros que refiro pouco acrescentam � discuss�o, uma vez que n�o � novidade para ningu�m a forma elitista como est�o programadas as salas de espect�culos do Porto. No entanto, servem para refor�ar essa mesma no��o: no Porto, n�o h� programa��o musical que crie utilidade real para a maioria dos seus habitantes.

5. Sobre a alegada 'voca��o' da Casa da M�sica para se dedicar, apenas e somente, � divulga��o da m�sica erudita: � razo�vel que uma sala daquela dimens�o, tendo custado � cidade e ao Pa�s aquilo que custou, seja utilizada apenas para um fim que beneficia, e bem, pequenas faixas da sociedade, mas em nada beneficia, e mal, a esmagadora maioria da popula��o da cidade e da �rea metropolitana?

6. Admitindo que os argumentos do Sr. H�lder Sousa sobre a voca��o do Coliseu do Porto e da Casa da M�sica s�o leg�timos (e n�o me parece que o sejam), a quest�o n�o deixa de se colocar, por�m de outra forma: por que raz�o n�o existem no Porto salas direccionadas para uma cultura de massas, mas apenas para pequenos nichos de p�blico?

(Artur Vieira)

*

A cita��o que faz do Sr. Artur Vieira, menciona 4 salas, das quais uma � explorada com um car�cter fundamentalmente comercial (o Coliseu), uma � da responsabilidade da CMP, que, como sabe, est� na origem de todo este debate e n�o tem caracter�sticas para ser palco de concertos para as massas (800 pessoas sentadas � a lota��o m�xima); outra � gerida por uma parceria entre a CMP e a Funda��o Ci�ncia e Desenvolvimento (Teatro do Campo Alegre), tem cerca de 400 lugares e n�o est� de todo preparada para concertos. Quanto � Casa da M�sica, creio que pelas suas caracter�sticas se dever� dedicar mais � promo��o e divulga��o da m�sica dita erudita porque essa n�o ter� facilmente lugar em locais de explora��o comercial, como o Coliseu, p. ex.Quero com isto dizer que o texto que transcreve, n�o acrescenta rigorosamente nada � discuss�o que pretende lan�ar.

(H�lder Sousa)

*
Em rela��o ao tema programa��o cultural queria s� fazer ver uma vez que me encontro no interior e por aqui a cultura � pouca(felizmente vamos ter aqui por Castelo Branco dia 4 de Novembro um recital na S� Catedral, com o coro Polof�noco da Lapa, Porto,a Orquestra Sine Nomine, quatro cantores solistas e o grupo Coral de Proen�a-a-Nova com os Maestros Felipe Ver�ssimo e Carlos Gama onde ser� interpretada a Missa de Requiem de Mozart)que nem a nossa televis�o tem respeito pela mesma,veja-se o caso recente de um concerto de Maria Jo�o Pires que come�ou a ser transmitido no 2 canal por volta da 1h.40m de um salvo erro de 1 Domingo para Segunda feira (preparava-me eu para me deitar).

Quero terminar dizendo que espetaculos de musica na tv s�o raros(sejam de que estilo for) e quando d�o s�o quase sempre ao Fim de Semana no canal 2,quase sempre depois da meia noite.J� nem falo de teatro pois nem v�-lo, fez mais servi�o publico durante o Ver�o a tvi que passou teatro salvo engano uma vez por semana de madrugada que nossa a RTP.

(Hugo Cunha)

 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 10

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es de ordem moral", de 15 de Julho de 1935:



e foram 48 anos disto.
 


EARLY MORNING BLOGS

893 - A Connotation Of Infinity

a connotation of infinity
sharpens the temporal splendor of this night

when souls which have forgot frivolity
in lowliness,noting the fatal flight
of worlds whereto this earth�s a hurled dream

down eager avenues of lifelessness

consider for how much themselves shall gleam,
in the poised radiance of perpetualness.
When what�s in velvet beyond doomed thought

is like a woman amorous to be known;
and man,whose here is alway worse than naught,
feels the tremendous yonder for his own�

on such a night the sea through her blind miles

of crumbling silence seriously smiles

(E. E. Cummings)

*

Bom dia!

23.10.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 23 de Outubro de 2006



Ser� que algu�m explica aos redactores do telejornal das 13 horas da RTP que na Hungria n�o h� s� o governo (o do mentiroso socialista) e a "extrema-direita" e que a maioria dos manifestantes, l� porque atacam um governo socialista, n�o s�o "extrema-direita"?
�Algu�m explica� ao inef�vel rep�rter da RTPN Ant�nio Esteves Martins e seus colegas que uma manifesta��o pac�fica n�o se faz com encapu�ados a arremessar pedras contra as for�as policiais? �Algu�m explica� ao AEM & colegas que num Estado de Direito � necess�rio o uso da for�a e a interven��o policial para manter a ordem e o respeito pela lei quando ela � desrespeitada? �Algu�m explica� aos ditos senhores jornalistas que a lei � desrespeitada quando, sob o pretexto da manifesta��o, se aproveita para lan�ar o caos e a desordem? Finalmente �algu�m explica� aos senhores jornalistas que mesmo admitindo ter existido despropor��o nos meios usados aquilo n�o tem nada a ver com a interven��o dos tanques sovi�ticos na Revolu��o H�ngara? � que foi com essa mensagem que a not�cia come�ou e essa foi a ideia pisada e repisada durante toda a reportagem. Eu sei que este tipo de compara��o cai muito bem e d� uma certa emo��o � est�ria. Em alguns casos revela muita ignor�ncia, noutros m� f� e desonestidade intelectual. Nesta linha j� vi insuspeitos a comparar o 11 de Setembro com Hirochima ou os refugiados de Melilla com os �balseros� de Cuba�

(Helena Mota)
*

Ser� que algu�m explica ao editorialista do Di�rio de Not�cias que afirmou isto
A introdu��o de portagens nas Scut anunciada ontem pelo Governo � uma medida sensata, na medida em que corresponde � aplica��o do modelo utilizador-pagador, ainda para mais num tempo de evidente escassez de recursos p�blicos. Regista-se, ainda, a inten��o de o Governo se propor fazer cumprir o programa eleitoral com que o PS se apresentou �s �ltimas elei��es, no qual prometia manter as auto-estradas sem portagens apenas nas regi�es com menores �ndices de desenvolvimento socioecon�mico e naquelas em que n�o existem alternativas no sistema rodovi�rio. . (Sublinhados meus)
aquilo que um leitor do Abrupto explica com clareza:
O Minist�rio das Obras P�blicas, Transportes e Comunica��es divulgou os seus argumentos para a colocar portagens em algumas vias nacionais.
O curioso dos n�meros apresentados (PIB per capita regional, �ndice de poder de compra concelhio e tempo m�dio da melhor alternativa poss�vel) � que eles j� eram conhecidos h� muito tempo. Mesmo antes do Governo entrar em fun��es.

1. A distribui��o do PIB per capita regional � extremamente est�vel. Ou seja, as regi�es que eram mais ricas em 2002, s�o, de grosso modo, as mesmas que s�o ricas hoje em dia. Por forma a comparar estes n�meros habitualmente publicados pelo INE, repare-se que a imagem da esquerda foi publicada a 10 de Setembro de 2004 (ainda com Ant�nio Guterres no poder). A da direita � a usada pelo Governo e consta do documento Retratos Territoriais 2004 (28 de Dezembro de 2005).

N�o h� grandes diferen�as, apenas na zonas de Lisboa que sofreram uma mudan�a de conceito.

2. O Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio 2004 foi publicado a 24 de Janeiro de 2005 (antes do Governo entrar em fun��es).

3. Por fim, o crit�rio tempo, s� se alteraria se tivessem sido constru�das novas vias de acesso relevantes. O que n�o aconteceu.

Porque se esperou tanto tempo para fazer as contas? Os n�meros sempre apontaram para o mesmo lado�

(Filipe Charters de Azevedo)
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER:
MAMBO JAMBO, POESIA, FEMINISMO, TROCAS E MEINKAMPF LOOK

Break, Blow, Burn: Camille Paglia Reads Forty-Three of the World's Best PoemsCamille Paglia � um t�pico produto da Universidade americana. A Universidade americana n�o d� s� MITs d� tamb�m alguns dos melhores departamentos liter�rios do mundo, sendo os outros igualmente anglo-sax�nicos. Mesmo quando h� muito mambo-jambo franc�s nas universidades americanas, e o estruturalismo mais Derrida, Foucault, Lacan e Deleuze invadiram a academia liter�ria, n�o parecem t�o franceses if you know what I mean� Paglia tinha tudo para ser desta escola, a que somava as inconveni�ncias da persona p�blica, mas o fundo, como era s�lido, vem ao de cima. A mulher-harpia est� l�, com a mistura de generaliza��es provocadoras e c�nicas que d�o p�blico, mas tamb�m est� a melhor escola, uma aten��o � leitura do texto, um entusiasmo culto pela palavra e o seu arranque do meio das outras palavras para dar origem a um poema.

Em Break, Blow, Burn, a aluna de Bloom defronta-se com o c�none, com a necessidade do c�none:
At this time of foreboding about the future of Western culture, it is crucial to identify and preserve our finest artifacts. Canons are always in flux, but canon formation is a critic�s obligation. What lasts, and why? Custodianship, not deconstruction, should be the mission and goal of the humanities.
C� est� a frase-chave: �Custodianship, not deconstruction, should be the mission and goal of the humanities.� Longe dos franceses, perto da �literary education� de tradi��o anglo-sax�nica. Simplifico, como � �bvio. N�o � que Paglia n�o mergulhe fundo nas fontes do mambo-jambo, em particular numa leitura psicanal�tica agressiva t�o ao gosto discursivo da cr�tica francesa, mas f�-lo respeitando mais o valor das palavras originais do que perdendo-se no pr�prio discurso da cr�tica.

Fiel ao texto, perto do texto, presa pelo texto, n�o pela an�lise do texto. Break, Blow, Burn, t�tulo pagliano, � uma an�lise de 43 dos �melhores poemas do mundo�. Paglia explica as raz�es pelas quais s� escolheu poemas escritos em ingl�s, e as raz�es s�o aceit�veis para evitar que o seu texto, rasando os poemas por perto, se enredasse nos problemas da tradu��o. � verdade que alguns dos 43 poemas est�o longe de ser os �melhores poemas do mundo�, mas isso � pouco importante porque servem a consist�ncia da leitura idiossincr�tica de Paglia.

Dois exemplos em que Paglia brilha com a sua luz pr�pria, ao mesmo tempo Paglia, a feminista e Paglia, a cr�tica: os coment�rios ao poema de William Carlos Williams This is Just to Say (que j� apareceu num Early Morning Blogs) e Daddy de Sylvia Plath (que nunca apareceria num Early Morning Blogs, porque n�o se alimenta o inimigo, a filha do "daddy"). O poema de William Carlos Williams parece incoment�vel, na sua absoluta simplicidade, mas Paglia mostra a complexidade, o mundo denso de rela��es entre os sexos, o espa�o dom�stico, a proposta do poema, a sua chantagem afectiva, a sua troca invis�vel de favores e servi�os: �hence the �delicious� fruitness of the final images has the tactile lushness of a kiss�.

Em Daddy, que Paglia considera um dos poemas fundamentais do s�culo XX, e � capaz de ter raz�o (n�o sei bem julgar porque quando reli o poema neste livro ele soou-me mais �fundamental� que antes, mas tinha 160 p�ginas de Paglia por tr�s�), poema, autora e leitora encaixam t�o perfeitamente que estas p�ginas s�o as que mais transportam um pathos comum. A raiva pura que emana do poema, as suas injun��es insultuosas
I made a model of you,
A man in black with a Meinkampf look
ou
Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you
at� ao final
Daddy, daddy, you bastard, I�m through.
servem �s mil maravilhas para Paglia mostrar o melhor e o pior da sua an�lise, a densidade do significado (este �bastard� ainda t�o pouco vulgar na boca de uma mulher no ano em que foi escrito) , o mergulhar do poema em todas as hist�rias fundadoras da psican�lise, como num cat�logo freudiano dos complexos, e at� o mau gosto kitsch da compara��o final �I nominate Sylvia Plath as the first female rocker�.

Se h� qualquer coisa semelhante a um cord�o umbilical paterno, o poema corta-o, mas como Paglia nota, quem o corta diante da rapariguinha que ama/odeia o pai, infantilizado no �Daddy� � o pr�prio pai, o agressor em acto, aquele para quem a for�a est� do lado do Homem e para quem todas as mulheres ser�o sempre o objecto da viol�ncia sexual: �Daddy, daddy, you bastard, I�m through�. Estava. Meteu a cabe�a num fog�o, na cozinha, lugar da mulheres, como nota Paglia. Parece um quadro de Paula Rego, � o mesmo mundo.

Est� lido.

*

Fa�o assim a minha estreia neste espa�o a prop�sito do seu t�pico sobre o �ltimo livro de Camille Paglia, dado que a minha experi�ncia recente nos departamentos liter�rios americanos n�o podia ter sido mais dissonante daquilo que escreve sobre a sua "excel�ncia". Fui durante o ano de 2005 uma visiting scholar junto do Departamento de Literatura Comparada na Universidade de Yale e n�o posso deixar de manifestar o meu profundo desagrado pelo que l� assisti.

Ao contr�rio do que sugere, as Humanidades americanas est�o completamente hegemonizadas pelos autores do "p�s-estruturalismo" franc�s (diga-se que isto j� nem em Fran�a acontece, dado que l� agora dominam as an�lises "sist�micas", inspiradas em Pierre Bourdieu ou Niklas Luhmann), de tal modo que s�o rejeitadas � partida todas as abordagens que n�o se basearem no eixo Lyotard/Derrida/Deleuze/Foucault ou aparentadas, como os estudos "culturais", "de g�nero" ou "p�s-coloniais". Existe uma enorme diferen�a entre as liberdades concedidas a uma professora universit�ria como uma carreira consolidada (� o caso de Camille Paglia, e nem ela escapa a um determinado tipo de observa��es absolutamente gratuitas) e as restri��es extremas colocadas aos scholars mais desconhecidos. Por outro lado, ao contr�rio do que escreve no seu t�pico, os estudos liter�rios nas universidades americanos s�o particularmente theory-centered, de tal modo que a esmagadora maioria dos artigos que os p�s-graduandos entregam no final dos semestres incidem sobre os problemas do "discurso da cr�tica" e n�o sobre as "palavras originais" do texto.

Para al�m destes tabus metodol�gicos, existem outros que se me afiguram ainda mais dif�ceis de compreender: constatei, por exemplo, com surpresa que as obras inclu�das nos programas eram estudadas com base nas suas tradu��es em Ingl�s e que a consulta do texto original era quase sempre desencorajada. Poderia apontar ainda mais problemas, mas n�o quero ser fastidiosa.

Os departamentos liter�rios americanos n�o s�o excep��o � amea�a de extin��o gradual que pesa sobre estes departamentos nas universidades do mundo inteiro. � vis�vel, pelo n�mero de publica��es e de alunos inscritos, que os Estudos Liter�rios s�o neste momento uma disciplina universit�ria em clara decad�ncia, cujo futuro �, para ser eufemista, sombrio. � com pesar que o digo (porque esta � a minha "camisola"), mas � uma verdade que entra pelos olhos dentro, e uma boa parte da responsabilidade por este estado de coisas n�o deve deixar de ser imputada �s universidades americanas.

� verdade que cada um � livre de ter o ju�zo que quiser sobre a qualidade do ensino das Humanidades nas universidades americanas, e n�o creio que a minha opini�o v� mudar a sua (ou a dos outros leitores). Mas fique claro que "nem tudo o que luz � ouro".

(Regina Lopes)
 


EARLY MORNING BLOGS

892 - La pierre voudrait se soustraire aux lois de la pesanteur? Impossible.

J'�tablirai dans quelques lignes comment Maldoror fut bon pendant ses premi�res ann�es, o� il v�cut heureux; c'est fait. Il s'aper�ut ensuite qu'il �tait n� m�chant: fatalit� extraordinaire! Il cacha son caract�re tant qu'il put, pendant un grand nombre d'ann�es; mais, � la fin, � cause de cette concentration qui ne lui �tait pas naturelle, chaque jour le sang lui montait � la t�te; jusqu'� ce que, ne pouvant plus supporter une pareille vie, il se jeta r�sol�ment dans la carri�re du mal... atmosph�re douce! Qui l'aurait dit! lorsqu'il embrassait un petit enfant, au visage rose, il aurait voulu lui enlever ses joues avec un rasoir, et il l'aurait fait tr�s-souvent, si Justice, avec son long cort�ge de ch�timents, ne l'en e�t chaque fois emp�ch�. Il n'�tait pas menteur, il avouait la v�rit� et disait qu'il �tait cruel. Humains, avez-vous entendu? il ose le redire avec cette plume qui tremble! Ainsi donc, il est une puissance plus forte que la volont�... Mal�diction! La pierre voudrait se soustraire aux lois de la pesanteur? Impossible. Impossible, si le mal voulait s'allier avec le bien.

(Lautr�amont, Chants de Maldoror)

*

Bom dia!

22.10.06
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 9

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es de ordem moral", de 11 de Julho de 1935:



 


RETRATOS DO TRABALHO NO NORTE DE PORTUGAL



Peles de cabra a secar.

(Artur Pastor)
 


EARLY MORNING BLOGS

891 - Les mauvais artisans

Ce sont, dans les vingt-huit maisons du Ciel ; la Navette �toil�e qui jamais n�a tiss� de soie ;

Le Taureau constell�, corde au cou, et qui ne peut tra�ner sa voiture ;

Le Filet myriadaire si bien fait pour coiffer les li�vres et qui n'en prend jamais ;

Le Van qui ne vanne pas ; la Cuiller sans usage m�me pour mesurer l'huile !

Et le peuple des artisans terrestres accuse les c�lestes d'imposture et de nullit�.

Le po�te dit : Ils rayonnent.

(Victor Segalen)

*

Bom dia!


21.10.06
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER: A BIBLIOTECA DE HITLER

Ambrus Miskolczy, Hitler's Library

N�o se sabe muito bem que livros Hitler leu e tinha na sua biblioteca. Apenas uma parte foi recuperada numa mina de sal perto de Berchtesgaden. Outra, sabe-se que se perdeu com a destrui��o da Chancelaria do Reich. Os livros que sobraram est�o na sec��o de livros raros da Biblioteca do Congresso numa colec��o em que est�o misturadas v�rias bibliotecas privadas de altos dignit�rios nazis. Alguns dos livros t�m o ex-libris de Hitler e anota��es que lhe podem ser atribu�das, mas s�o muito poucos aqueles de que h� a certeza de ter lido completamente, ou folheado com aten��o. Mas o conjunto da biblioteca tem um aspecto interessante: a grande quantidade de obras pseudo-cient�ficas e de ocultismo. Este aspecto do interesse de Hitler e de outros dirigentes nazis pelo oculto � bem conhecido mas, quando se v� � dist�ncia a lista dos seus livros, impressiona a mescla indiscriminada de panfletos, bizarras teorias alternativas, op�sculos de absurdas teorias sobre hist�ria, psicologia humana, medicina, e, acima de tudo, a ra�a. Ora, esta biblioteca, t�pica de uma certa forma de autodidactismo b�sico, foi feita no preciso momento em que o cientismo progressivista era dominante e a ci�ncia ganhava um f�lego especial com a obra de Darwin, Einstein, a f�sica qu�ntica, a gen�tica mendeliana, quase todas as grandes teorias que sustentam a ci�ncia contempor�nea. Esta sub-literatura, afim das teorias da conspira��o actuais, era lida por pessoas que n�o tinham muita forma��o e escolaridade, mas que queriam ter a "ci�ncia" do seu lado, uma "ci�ncia" que n�o precisava de ser muito complexa e era uma projec��o da sua vontade e ideias sobre sociedade e cultura.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
O PROBLEMA � DE OUTRA NATUREZA


Em comunicado oficial do Conselho de Ministros de 19 de Outubro, publicado no Portal do Governo (uma p�gina meio informativa meio propagand�stica da ac��o governativa), foi anunciada a aprova��o do novo Estatuto do Gestor P�blico e da nova Lei Org�nica do Banco de Portugal.

Relativamente ao primeiro diploma, escreve o comunicado: "Eliminam-se as regalias e benef�cios respeitantes a planos complementares de reforma". Quanto ao segundo, destaca-se "a previs�o expressa de que aos membros do conselho de administra��o do Banco de Portugal [passar� a ser] subsidiariamente aplic�vel o regime previsto no Regulamento do Gestor P�blico em tudo o que n�o for previsto na Lei Org�nica do Banco de Portugal".

Mais papistas do que o Papa, os telejornais da RTP de anteontem � noite e de ontem de manh� (pelo menos - n�o vi os outros) proclamam euf�ricos: "Governo acaba com as reformas milion�rias no Banco de Portugal". Ser�o necess�rias palavras adicionais? Ser� necess�rio explicar aos jornalistas da RTP que a express�o "reformas milion�rias" - com a sua carga n�o neutra e manifestamente qualificativa - n�o � do universo da informa��o, mas do universo da propaganda?

Ser� necess�rio explicar-lhes que o valor das pens�es de reforma � indexado ao valor das remunera��es auferidas e que, no caso dos administradores do Banco de Portugal (com sal�rios necessariamente elevados, por for�a das responsabilidades assumidas), n�o foi nunca o valor da suas reformas que esteve em causa, mas os crit�rios excepcionalmente ligeiros da constitui��o do respectivo direito?

N�o, n�o vale. Nenhum jornalista estagi�rio ignora estas evid�ncias. O problema � de outra natureza.

(Ant�nio Cardoso da Concei��o)

*
Se me � permitida a resposta a Jos� "Von" Barata, esclareceria que o meu coment�rio inicial era sobre a informa��o na RTP e n�o sobre as remunera��es dos administradores do Banco Portugal. Acresce que o seu coment�rio ao meu enferma da corrente fal�cia conhecida como do "Modus Ponens". Eu disse que, pela responsabilidade que tem, um administrador do Banco de Portugal tem obrigatoriamente que auferir uma remunera��o elevada. N�o disse nunca que, a contrario, outras cargos e fun��es devem ser baixamente remunerados. N�o me pronunciei sobre o assunto.

(Ant�nio Cardoso da Concei��o)

*

Julgo que seria muito pedag�gico se todos os an�ncios oficiais de �fim dos privil�gios e mordomias de (...)� inclu�ssem uma pequena nota de rodap� dizendo, no essencial: �Esta disposi��o destina-se a acabar com a actual injusti�a, da responsabilidade do Sr. Ministro (...), no ano (...), em que era Primeiro Ministro (...)�.

(C. Medina Ribeiro)

*

Se por for�a das tarefas essenciais � vida quotidiana os empregados da recolha do lixo, os enfermeiros das urg�ncias hospitalares ou os condutores de transportes p�blicos exigissem sal�rios excepcionalmente elevados e consequentemente reformas indexadas a essas remunera��es? Ou a responsabilidade assumida na limpeza, na sa�de e no transporte dos cidad�os n�o tem a mesma import�ncia que a administra��o banc�ria?

(Jos� "Von" Barata)
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 8

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Propaganda e combate", de 29 de Junho de 1935:
 


EARLY MORNING BLOGS

860 - Peter, who was very naughty

Once upon a time there were four little Rabbits, and their names were
-- Flopsy,
---....Mopsy,
------.....Cotton-tail,
-----------..and Peter.

They lived with their Mother in a sand-bank, underneath the root of a very big fir-tree.

"Now, my dears," said old Mrs. Rabbit one morning, "you may go into the fields or down the lane, but don't go into Mr. McGregor's garden: your Father had an accident there; he was put in a pie by Mrs. McGregor." "Now run along, and don't get into mischief. I am going out."

Then old Mrs. Rabbit took a basket and her umbrella, and went through the wood to the baker's. She bought a loaf of brown bread and five currant buns. Flopsy, Mopsy, and Cotton-tail, who were good little bunnies, went down the lane to gather blackberries;

But Peter, who was very naughty, ran straight away to Mr. McGregor's garden, and squeezed under the gate!

(Beatrix Potter)

*

Bom dia!

20.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NA NAZAR�. PORTUGAL



A rapariga do cesto.

(Artur Pastor)
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 7

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es n�o classificadas", de 25 de Junho de 1935:

 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 20 de Outubro de 2006


No P�blico de hoje dizia Francisco Alves, o director da "Rivolu��o": "Fomos tratados de forma pidesca, com requintes de desumanidade. Mas se somos os perigosos delinquentes que nos querem fazer parecer, por que � que fizeram isto �s 6h00 da manh�, nas costas da opini�o p�blica e dos jornalistas?". Uma daquelas frases que dizem tudo: primeiro, que n�o sabem o que foi a PIDE; segundo, que n�o sabem o que � uma "desumanidade"; terceiro, que o que lhes correu mal foi n�o estar l� a televis�o nem os jornalistas para mostrarem as suas qualidades de actores. As duas primeiras, revelam mau teatro, um branqueamento da PIDE insultuoso para quem sabe o que � a "forma pidesca" de tratar algu�m. A terceira, a obsess�o pela visibilidade televisiva como maneira de transpor o enorme fracasso de ades�o � causa que torna ir�nicas todas as alus�es � "opini�o p�blica". Mas h� um agradecimento a fazer ao Teatro Pl�stico: deram o pior golpe � "cultura" subsidiada de que me recordo nos �ltimos tempos. A "opini�o p�blica" felizmente percebeu-os.
 


A "RIVOLU��O" DOS NOSSOS DIAS

IMG_4188J� que n�o h� revolu��o, o Bloco de Esquerda dedica-se � "Rivoli��o", a ocupa��o do Rivoli no Porto, por um grupo de "artistas" ligados ao Teatro Pl�stico, contra a "privatiza��o" da sala.

[� data em que escrevo, a situa��o � a seguinte: os do Pl�stico permanecem dentro do teatro, pouco mais do que 20 pessoas, e c� fora, ap�s apelos sucessivos e apesar da grande cobertura televisiva, est�o mais umas dezenas, n�o chegando o total a cerca de 50. O n�mero de pessoas � escass�ssimo. Num comunicado pungente, como se estivessem em pris�o maior, e cercados por um ex�rcito, os ocupantes do Pl�stico comunicaram que est�o impedidos de "comunicar" por uma porta de vidro e que o ar condicionado foi posto no frio, uma viol�ncia inomin�vel do "sr. Rui Rio". O munic�pio colocou um processo-crime por ocupa��o ilegal de instala��o, que j� obrigou a mudar um concerto de benefici�ncia para a Casa da M�sica. � data em que escrevo, uma s�rie de not�cias contradit�rias refere ou a possibilidade de a ministra da Cultura visitar os ocupantes ou pelo menos receb�-los, tendo a pr�pria j� feito declara��es p�blicas de apoio inequ�voco que, vindas de um membro dum governo democr�tico, s�o pelo menos completamente absurdas. Aconte�a o que acontecer, o que j� se est� a passar permite discutir o significado da "Rivolu��o" muito para al�m das perip�cias folcl�ricas da sua d�zia de intervenientes. No entanto, tendo em conta que isto � muito vol�til, pode tudo estar mudado quando o artigo sair.]
[NOTA: Sobre as incongru�ncias, contradi��es, ditos. desditos e n�o-ditos da Ministra da Cultura ver BLOGUITICA.]
H� nesta "Rivolu��o" v�rias coisas que t�m a ver com a pol�tica local, mas que reflectem problemas da rela��o entre a cultura e o Estado. No Porto � pior, mas no resto do pa�s � o mesmo com outra dimens�o. Os "rivoltosos" representam uma face vis�vel da orfandade que no Porto atingiu uma pequena multid�o de "agentes culturais" a quem o Porto, Capital da Cultura e a pol�tica "cultural" da municipalidade socialista tinha enchido de dinheiro, subs�dios e "prest�gio". Essa orfandade atinge uma elite cultural subsidiada numerosa, que alimenta uma nostalgia activa dos bons velhos tempos do bin�mio futebol-"cultura" de Fernando Gomes. Milh�es de euros foram gastos em anima��o "cultural" nos anos fartos e agora, como veio um tempo de vacas magras e um rebound com a gest�o severa de Rui Rio, o autarca "contabilista" que privilegia as despesas sociais, temos a "Rivolu��o". Repito mais uma vez aquilo que devia ser uma evid�ncia e � uma oculta��o: hoje, a "cultura" � o meio mais eficaz para obter propaganda. Desde Malraux e da sua reencarna��o em Lang, os governantes mais iluminados perceberam que, investindo na "cultura", essencialmente na "anima��o cultural", obt�m boa imprensa, legitimidade, figuras de cartaz e "nome". � caro, mas � eficaz, porque tem a enorme vantagem de proteger a propaganda com a intangibilidade da "cultura", que ningu�m contesta nem discute, porque a criatividade est� acima do debate vulgar da pol�tica. Foi esta a pol�tica de Santana Lopes, com o teatro e a de Carrilho com as "vanguardas", variando nas clientelas e nos gostos, mas obtendo uma corte fiel e agradecida, sempre dispon�vel para dar o nome e a face em campanhas. Viu-se na campanha das legislativas de Santana Lopes e na aut�rquica de Carrilho.

No Porto, como em Lisboa e um pouco por todo o lado, � medida que o Estado se foi tornando mecenas, depois produtor-empregador e, por fim, criativo-empregador, foram destru�das todas as iniciativas aut�nomas, que n�o eram dependentes dos subs�dios, mas sim do interesse do p�blico ou da actividade empresarial no sector. Abra-se um jornal da d�cada anterior ao 25 de Abril e veja-se a p�gina de espect�culos, cinema e teatro, para se perceber a diferen�a radical. No Porto, nos �ltimos 20 anos antes do 25 de Abril, o "povo" dispunha de espect�culos de teatro, quer "s�rio", quer de revista, com a vinda regular das companhias de teatro de Lisboa ao Rivoli e ao S� da Bandeira. Mais raramente havia �pera, � certo que �peras mais "f�ceis" como O Barbeiro de Sevilha, o Rigoletto ou a Cavalaria Rusticana, mas era �pera e os espect�culos conheciam enchentes. A maioria destas iniciativas era de empres�rios do teatro e a presen�a do Estado fazia-se sentir essencialmente atrav�s da FNAT e da Emissora Nacional que organizavam espect�culos populares e baratos. Havia um d�fice face a Lisboa, mas n�o era o deserto que hoje se pensa.

As elites da cidade pagavam e podiam pagar, atrav�s de quotiza��es, pre�o dos bilhetes e de mecenato, toda uma rede de institui��es culturais privadas: o Cineclube do Porto, a Juventude Musical, o Teatro Experimental, que estavam longe de ser �nicas. Clubes como os Fenianos e o Ateneu patrocinavam actividades culturais. O TEP era um excelente exemplo de uma iniciativa portuense, apoiada por m�dicos, empres�rios, comerciantes, advogados e arquitectos, com o melhor report�rio contempor�neo e cl�ssico. Tinha encenadores profissionais e actores profissionais e, desde a Morte de Um Caixeiro Viajante de Miller � Yerma de Lorca, do Morgado de Fafe Amoroso de Camilo a Quem Tem Medo de Virginia Wolf de Albee, tudo por l� passou.

Muitas destas iniciativas, o TEP, o Cineclube, por exemplo tinham a ver com gente da oposi��o e conheciam persegui��es da censura e da pol�cia, que nunca foram capazes de os matar. Foi ap�s o 25 de Abril que desapareceram, ficando apenas uma �rvore em crise, como sobreviv�ncia deste mundo cultural aut�nomo e que existia quase sem subs�dios. O mundo mudou e hoje este modelo revela-se incapaz de suportar consumos culturais mais democratizados e p�blicos mais vastos? Duvido, duvido muito que seja esta a maneira correcta de colocar a quest�o que se destina a justificar o que existe... porque existe.

Os partid�rios da "Rivolu��o" explicam a sua iniciativa num dos textos mais significativos do modo como a "cultura" subsidiada se v� a si pr�pria:
"- Que nos sejam dadas garantias de que o Rivoli - Teatro Municipal n�o ser� gerido e programado em fun��o da maior ou menor rentabilidade dos objectos que aqui se produzem e/ou difundem, da submiss�o declarada ou velada aos interesses e des�gnios do executivo da CMP, da visibilidade medi�tica, da pretensa acessibilidade;

- Que nos sejam dadas garantias de que os n�cleos de produ��o da cidade do Porto, emtodos os dom�nios da cria��o, ter�o acesso e lugar no seu teatro municipal, sem pr�via censura pol�tica e segundo crit�rios que visem t�o-s� a manuten��o de uma programa��o de qualidade, isto � - de objectos exigentes para consigo mesmos e para comop�blico a que se destinam;

- Que nos sejam dadas garantias de que a direc��o do Rivoli - Teatro Municipal pugnar� pela forma��o cont�nua do p�blico, desenvolvendo, de todas as maneiras e por todos os meios, ac��es que visem transformar em bens comuns os objectos produzidos e/ou difundidos na e pela casa, seguindo nomeadamente o singelo crit�rio de que um produto art�stico, � um objecto que confronta o seu destinat�rio com o inesperado, o inaudito, o alargar dos horizontes, o derrubar das fronteiras do poss�vel."
[NOTA: transcrevo aqui uma parte maior do texto que por raz�es de espa�o n�o foi inclu�da no P�blico. Os textos originais e fotografias aqui reproduzidos est�o no blogue No Teatro Rivoli.]
O objectivo deste caderno reivindicativo n�o � protestar contra qualquer censura existente - � impedir a gest�o privada do Rivoli para assegurar que o dinheiro p�blico flua sem custo nem crit�rio, garantir emprego e subs�dios sem que nunca ningu�m se atreva a contestar a sua qualidade "art�stica" e os seus resultados e, muito menos, o terem ou n�o espectadores. Isso s� o pr�prio Teatro Pl�stico pode julgar, porque "uma programa��o de qualidade" d� origem a "objectos exigentes para consigo mesmos e para com o p�blico a que se destinam". Reparem no preciosismo que mostra como esta gente sabe muito bem o que est� a dizer: n�o � o p�blico, mas "o p�blico a que se destinam", ou seja, outros grandes artistas com a dimens�o est�tica dos membros do Teatro Pl�stico.

O Teatro Pl�stico acaba de apresentar uma semana de "objectos", deliciosa linguagem, no Rivoli com uma m�dia de 30 espectadores, numa sala que custa 11 milh�es de euros ao munic�pio e cujas receitas de bilheteira pagam apenas 6 por cento dos custos. No caso do Teatro Pl�stico nem isso. O Teatro Pl�stico duvida muito justamente que o operador que ganhar o concurso para gerir a programa��o do Rivoli aceite pagar estes custos fabulosos e querer� "gerir (...) em fun��o da maior (...) rentabilidade dos objectos", n�o sendo indiferente � "pretensa acessibilidade" que, com toda arrog�ncia do mundo, o Pl�stico n�o quer que seja tida em conta.
[Um exemplo t�pico da est�tica e do gosto dos "ocupantes" pode encontrar-se neste "poema"

Amigo OCUPANTE de fora
Tu que sorris t�o-s� e passas, desaparecendo noutra multid�o
Tu que ficaste a casa a tomar conta das horas que passam
Tu que te quedas a falar como se o mundo parasse � nossa porta
Tu que trazes a fam�lia a passear e todos aproveitam para um banho de luta
Tu que passas ma��s pelas grades e de para�so nos alimentas
Tu que ainda n�o nos percebeste mas queres a todo o custo perceber
Tu que bebeste � nossa sa�de e assim nos embriagaste � dist�ncia
Tu que tinhas a barriga maior que os olhos e a ofereceste para nos carregar
Tu a quem o trabalho humilha e nos deste tuas poucas horas de �cio
Tu que trouxeste a bandeira no bolso e a trocaste por duas horas de troca
Tu que nem tanto ao mar nem tanto � terra e agora somente tempestade
Tu que vento semeias e vento colhes para que o ar se respire
Tu que sa�ste aperaltada e voltaste desfeita como que acabada de nascer
Tu que vieste ao engano e voltaste mais verdadeiro
Tu que trouxeste as tuas sobras de esperan�a e eram um banquete
Tu que quiseste a noite branca e de manh� choravas por mais
Tu que em vale de len��is nos concedeste vidas nunca vividas
Tu e tu e tu e tu e tu e tu e tu e tu e tu e tu e tu e tu
Ocupa a rua como n�s ocup�mos este nosso teatro
Pinta a manta e a macaca pinta a negro pinta o sete pinta-te a ti e aos outros
Canta para o mal espantar para acordar animar embalar protestar discordar
Toca o sino e a trompete toca tambor clarinete toca a caixa e troca o mundo
Dan�a a roda dan�a a salsa dan�a o tango dan�a a valsa baila gira salta pula
Faz figas e faz de conta faz a s�rio ou a brincar faz mais para o mundo mudar
Troca tintas troca passos troca cartas troca abra�os troca cromos e her�is
E, pelo meio, vem at� trocar umas ideias, impress�es, sensa��es connosco
At� j�, at� sempre
O Grupo de Ocupantes do Rivoli Teatro Municipal. ]
O problema de tudo isto tem a ver com o completo div�rcio entre a "cultura" subsidiada e o p�blico, que gera um establishment cultural de muito m� qualidade, caro e solipsista, que existe apenas para si pr�prio e fora de quaisquer crit�rios que avaliem o uso de dinheiros p�blicos. Sem cr�tica, que n�o existe, e sem p�blico, a quem estes "objectos" nada dizem, a grupos como o Pl�stico resta apenas o espect�culo tonitruante da defesa do subs�dio contra o pap�o dos ignaros "privados", atrav�s de ac��es para as televis�es, a forma moderna de fanfarra. Est�o a defender o seu, exigindo continuara a gastar o nosso. Mas n�o � isso a "rivolu��o dos nossos dias?

(No P�blico de 19 de Outubro de 2006)
 


EARLY MORNING BLOGS

889 - The Enthusiastic Elephant

e

The Enthusiastic Elephant,
who ferried himself across the water with the
Kitchen Poker and a New pair of Ear-rings.

(Edward Lear)

*

Bom dia!

19.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL



Moliceiros.

(Artut Pastor)
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



Retratos do trabalho de remo��o de um cami�o acidentado na A3 (ao quil�metro 15). Foi hoje � tarde, por volta das 4 horas. O tr�nsito foi cortado naquela auto-estrada no sentido Porto Braga. O Porto, com isto e com a chuva que resolveu cair, tornou-se (mais) ca�tico!

(Isabel Martinho)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 19 de Outubro de 2006



A �nica coisa a que assisti na "Rivolu��o" que, de perto ou de longe, tem a ver com a arte dram�tica foi o "teatro" que o director do Pl�stico fez ap�s a expuls�o dos ocupantes pela pol�cia. Ele era a "brutal carga policial", ele era ser acordado por "lanternas", ele era, acima de tudo, essa enorme viol�ncia disto ser feito �s seis da manh�, sem ser diante das c�maras de televis�o.
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 6

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es de ordem moral", de 22 de Junho de 1935:



*
O coment�rio � um pouco lateral ao lado sociol�gico da an�lise que o Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes pode suscitar.

Deixo apenas a impress�o de que, sem censura, a imprensa durante o Estado Novo n�o seria muito diferente da dos nossos dias. Crime, trocadilhos brejeiros, ataques pessoais, explora��o das desgra�as alheias (das classes baixas)... a paleta completa.

N�o quero com isto concluir que antigamente � que era bom. Leva-me � a concluir que a imprensa livre � mesmo assim e gerar� sempre produtos tabloid, para os quais existir� sempre um p�blico fiel, n�o necessariamente, em meu entender, das classes mais desfavorecidas.

O problema n�o reside na rela��o imprensa livre vs censura, mas antes na imprensa livre vs manipul�vel, ou de uma forma mais geral, informa��o vs marketing.

Num ambiente informativo com censura podemos sempre acreditar que nos est�o a contar a verdade embora seja de elementar bom senso considerar, que a mesma �, no m�nimo parcial (se quisermos � a verdade oficial no sentido burocr�tico do termo). Mas o mesmo � verdade quando existe liberdade para se publicar tudo e mais alguma coisa. Mais do que em �mbiente censurado, a informa��o livre exige escrut�nio p�blico, qualidade de servi�o e cr�tica sistem�tica.

Ora aquilo que mais me chateia nos jornalistas em Portugal � terem assumido e interiorizado a impossibilidade de serem objecto de critica, sob o argumento de que sempre que se critica um jornalista se est� a exercer censura, o que n�o � de todo verdade. � neste ambiente de inimputabilidade que cresce o marketing e definha a informa��o, visto nele ser poss�vel fazer passar a mais escandalosa propaganda por rigor, objectividade e isen��o.

Tal como na pol�tica, na guerra, na justi�a, em rela��o aos pol�ticos, generais e ju�zes, tamb�m a informa��o p�blica � um assunto demasiado s�rio para ser deixado nas m�os dos jornalistas.

(M�rio Almeida)
 


EARLY MORNING BLOGS

888 - .... never once considering how in the world she was to get out again.

Alice was beginning to get very tired of sitting by her sister on the bank, and of having nothing to do: once or twice she had peeped into the book her sister was reading, but it had no pictures or conversations in it, 'and what is the use of a book,' thought Alice 'without pictures or conversation?'

So she was considering in her own mind (as well as she could, for the hot day made her feel very sleepy and stupid), whether the pleasure of making a daisy-chain would be worth the trouble of getting up and picking the daisies, when suddenly a White Rabbit with pink eyes ran close by her.

There was nothing so very remarkable in that; nor did Alice think it so very much out of the way to hear the Rabbit say to itself, 'Oh dear! Oh dear! I shall be late!' (when she thought it over afterwards, it occurred to her that she ought to have wondered at this, but at the time it all seemed quite natural); but when the Rabbit actually took a watch out of its waistcoat-pocket, and looked at it, and then hurried on, Alice started to her feet, for it flashed across her mind that she had never before seen a rabbit with either a waistcoat-pocket, or a watch to take out of it, and burning with curiosity, she ran across the field after it, and fortunately was just in time to see it pop down a large rabbit-hole under the hedge.

In another moment down went Alice after it, never once considering how in the world she was to get out again.

(Lewis Carroll)

*

Bom dia!

18.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO PASSADO / PRESENTE, PORTUGAL



(Artur Pastor)

17.10.06
 


INTEND�NCIA

Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS CENSURA.
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 17 de Outubro de 2006


Hoje vai ser um dia muito interessante para perceber a governamentaliza��o da RTP. Eles sabem que eu sei que eles sabem que � assim.

*


A experi�ncia do blogue do P�blico sobre os eventos do Rivoli � interessante de seguir, n�o s� pelo ineditismo nacional, como pelos problemas que suscita a sua elabora��o e manuten��o. Parecia-me evidente, como o devia ser para quem conhece o modo como funciona a rede e os blogues, que a f�rmula inicial de entrada livre sem modera��o ia dar torto. Passada uma noite, foi o que se verificou e o blogue teve que mudar as regras. S� que eu leio o comunicado do Director do P�blico.pt e fico sem perceber quais s�o as novas regras:
"De forma a facilitar a leitura da situa��o foram criados dois �utilizadores virtuais�: um chamado Dentro do Rivoli, que se pretendia que reunisse as posi��es dos ocupantes do Teatro (ainda que cada post devesse ter, al�m dessa assinatura, uma identifica��o individual) e outro �utilizador virtual� chamado Fora do Rivoli, que deveria reunir as posi��es do p�blico em geral.

A vantagem de criar identidades virtuais como estas e de lhes dar privil�gios de membro do blog � a visibilidade dos posts � ao inv�s dos coment�rios, que apenas est�o acess�veis se se clicar num link.

A desvantagem � que, ao conceder esses privil�gios, se concede tamb�m a esse �utilizador virtual� a capacidade de alterar os �seus� posts � entenda-se: posts do mesmo �utilizador virtual�, que podem ser de facto de um outro utilizador individual.

Quisemos experimentar o sistema para garantir a visibilidade das mensagens de todos e por uma quest�o de equidade, apesar dos seus riscos, mas o que podia acontecer aconteceu: houve posts apagados ou alterados por utilizadores menos escrupulosos e com menor sentido da interven��o c�vica e do debate p�blico.

Decidimos assim anular o utilizador �Fora do Rivoli� e permitir aos visitantes deste blog apenas o recurso ao coment�rio dos posts de outrem."
Quem � o "outrem"? Eu compreendo que do ponto de vista jornal�stico o que escrevem os de "dentro" � mais importante para a constru��o da not�cia do que o que escrevem os de "fora", mas num blogue essa hierarquia n�o tem sentido, tanto mais que o blogue n�o tem origem nos de "dentro". At� por suscitar estas quest�es, a experi�ncia � interessante: saber se o blogue de um jornal se comporta como um verdadeiro blogue ou como um instrumento para "pescar" not�cias para o jornal, o que ali�s � perfeitamente leg�timo.

J� agora, ningu�m sugeriu no P�blico que se fizesse um blogue para cobrir a manifesta��o de setenta mil pessoas que atravessou Lisboa, ou a greve dos professores em curso, eventos muito mais relevantes, embora menos "na moda", do que a "Rivolu��o"? E j� agora n�o seria interessante saber que rela��es t�m os ocupantes com a "cultura" subsidiada?

*
Interessant�ssima, a reportagem esta manh� da TSF:
Dizia o locutor com aquele habitual ar de isen��o mal disfar�ado:
�A C�mara do Porto j� deu os primeiros sinais de interven��o: cortou a electricidade na zona do Rivoli.�
E, na passada, sem reparar (?) no absurdo:
�Outra medida foi a de ligar o ar condicionado no m�ximo, havendo alguns dos ocupantes do Rivoli j� com sinais de constipa��o�.
As novas tecnologias s�o fant�sticas. O ar condicionado trabalha sem electricidade, e � telecomandado a partir da C�mara !

(Fernando Gomes da Costa)

*

Estou boquiaberto com a invas�o do Rivoli, designadamente com o destaque merecido; Mas n�o � s� na imprensa, � no Abrupto. A ver se entendo...

Pergunta e bem julgo eu, se um praticamente n�o evento com 40 pessoas teria tanto destaque se n�o fosse de maioria BE; por raz�es ao que me parece, ao n�vel de "tentar apanhar o comboio", "estar na linha da frente", "na vanguarda tecnol�gica", "na moda" e outras sabe-se l� quais, uma institui��o como o P�blico, resolve lavrar uma coisa derivativa a que chamaram blogue. E acha que � uma novidade a saudar?
S� se for por corporativismo blogosf�rico ou outro.
Um blogue criado nestes moldes, sobre um assunto ao n�vel do traque, com aspecto e conte�do a condizer, s� se for para anedot�rio hist�rico da internet lusitana daqui a meia-d�zia de anos.
E tamb�m n�o acho bem uma institui��o como o P�blico, alojar blogues
(?) no Blogger, um sinal mais que evidente de amadorismo atroz. Os respons�veis do Guardian, Times, International Herald Tribune, Washington Post, New York Times, El Mundo, Lib�ration, Le Monde...
acham o mesmo.
O jornal portugu�s cria as obras no Blogger, �s tr�s pancadas, n�o se dando sequer ao trabalho de traduzir o "template" -- � uma vergonha.
Dizer "um blog do P�blico.pt", n�o � sinal que tudo se deve perdoar, mas que tudo se deve exigir.
Quanto ao ineditismo nacional e os problemas que suscita na sua
elabora��o(?) e manuten��o, faz-me lembrar um blog, esse sim muito bom, chamado "Uninnovate". � que n�o se entende onde quer chegar, caro Dr. Pacheco Pereira. A ideia � m�, o facto de ser do P�blico e se chamar "blogue" n�o faz dela boa, n�o compete com nada, concorre com coisa nenhuma e se n�o fosse o Abrupto, tinha dois visitantes, o "fora" e o "dentro".

(Jos� Rui Fernandes)
*

O Pr�s e Contras de ontem foi um programa de televis�o not�vel, sobre o qual se poderia escrever um livro. Um livro sobre Portugal.

Breves notas sobre o debate que comentarei mais em detalhe noutro s�tio: Por estranho que possa parecer, fruto tamb�m dos nossos preconceitos, os autarcas sa�ram-se muito melhor do que o Ministro Ant�nio Costa, apoiado por Saldanha Sanches. Muito, muito melhor. A come�ar pelo que n�o se esperava que acontecesse: mostraram um grande dom�nio da realidade, um muito bom conhecimento dos mecanismos perversos da nova legisla��o, uma grande capacidade argumentativa e foram ... muito menos demag�gicos do que o Ministro. Ant�nio Costa foi de uma agressividade malcriada, ro�ando o insulto, autorit�rio e demag�gico at� ao limite. Fernando Ruas comportou-se com uma enorme delicadeza de trato face aos golpes baixos do Ministro, aos quais n�o era alheio um desprezo intelectual pelos seus interlocutores. E de "classe", diriam os marxistas, face a um Portugal a que ele claramente se acha superior. Por muito sofisticado que queira ser esqueceu-se de uma regra que funciona magnificamente em televis�o: aqueles homens alguns rudes, outros t�midos, transmitiram muito melhor um sentimento de "dedica��o" ao seu "povo" do que o governante, que se ria deles.

A maior parte das suas interven��es tem o toque do propagandista, a repeti��o at� ao limite dos chav�es de propaganda que ele quer fazer "passar". Confrontado com dados concretos, a come�ar pela acusa��o directa de ser respons�vel por casos de manipula��o informativa, fugiu sempre incomodado, confirmando diante de todos a veracidade das acusa��es. Viu os seus n�meros confrontados com acusa��es indesment�veis, mas mesmo assim repetia-os sempre, de novo, para os fazer "passar". Esteve sempre a falar para fora, para a audi�ncia, indiferente aos seus interlocutores que falavam para ele. Se isto se podia compreender em termos de efic�cia propagand�stica, perdeu o efeito face ao autismo que revelava e, de novo, ao ostensivo desprezo pelos interlocutores.

Um desastre. O muito eficaz gabinete de imprensa de Costa vai ter que trabalhar muito para remediar os estragos.

*
De h� muito que sou seu ouvinte nas suas interven��es p�blicas, embora n�o me situo na sua �rea pol�tica e, muitas vezes estou em desacordo com as suas opini�es. Mas, o meu desacordo em rela��o ao texto que escreveu sobre o tema em ep�grafe � de tal ordem que me leva a enviar-lhe estes coment�rios:

� Elogia o comportamento da maioria dos autarcas esquecendo que por diversas vezes a moderadora viu-se na necessidade de os repreender e chegou mesmo a amea��-los com a sa�da da sala.

� Do seu pondo de vista os representantes da Associa��o dos Munic�pios tiveram um comportamento muito qualificado defendendo muito concreta e correctamente os seus pontos de vista. A minha avalia��o � completamente o oposto. Os autarcas limitaram-se a reproduzir um conjunto de acusa��es, receios e conjecturas, sem qualquer demonstra��o baseada em dados concretos que pudessem apoiar as suas afirma��es.

� Pelo contr�rio, o Ministro Ant�nio Costa apoiou a suas afirma��es com dados, refutando sistematicamente as afirma��es/acusa��es apresentadas pelos seus oponentes.

� Na verdade, a quest�o de fundo como diz Vital Moreira na Causa Nossa � a seguinte:

�Sempre que um sector profissional ou uma corpora��o se sentem amea�ados nos seus interesses por uma reforma, logo vem a lada�nha de que "as reformas s� se podem fazer com os interessados".
Trata-se, por�m, de uma contradi��o nos termos. Como � que se pode implementar uma reforma "com os interessados", se a �nica coisa que os interessados querem � justamente manter o "status quo"!? � evidente que as mudan�as que implicam perda de regalias ou privil�gios s� se podem fazer contra os interessados...�

(Carlos da Silva Sim�o)

*

Para j� digo que sou simpatizante do PS, mas n�o uso "freio" e sei ver quando as coisas correm mal (caso do ministro da Economia sobre o "fim da crise"). Mas realmente os assuntos, not�cias ou debates podem provocar opini�es t�o distantes entre quem as(os) analisa que custa a crer que estiveram a ver/ouvir o mesmo.

No frente a frente entre Ant�nio Costa e Fernando Ruas, vi de um lado um governante que se preparou com dados concretos sobre a LFL, as muitas vantagens apresentadas e as poucas ou nenhumas desvantagens que encontra. � verdade, com alguma sobranceria, dirigiu-se aos paineleiros do lado contr�rio.

O certo, � que por parte do l�der da ANMP, Fernando Ruas, muito poucos foram os argumentos v�lidos e demasiado os intuitos pol�ticos e populares (populistas); os chav�es do "enfrentar das popula��es diariamente" , de que os autarcas n�o eram mentecaptos quando uma esmagadora maioria est� contra a LFL. Uma forma de vitimiza��o que j� n�o colhe, entre os que pensam um bocadinho.

De um lado, vi um ministro a afirmar que os autarcas, tal como o Estado central e os portugueses, est�o a ser sujeitos a medidas muito restrivas. Um esfor�o a que os munic�pios n�o se querem juntar. Como foi bem dito, os munic�pios n�o reclamam mais autonomia. Querem sim continuar a depender do Or�amento de Estado para fazerem as obras necess�rias e as acess�rias, mas com mais dinheiro nos cofres.

Pena foi que o presidente da ANMP, agora a trepar paredes acima pela LFL que o Governo leva por diante, andasse praticamente mudo ao tempo da Dra. Ferreira Leite, quando come�aram os primeiros cortes e a LFL come�ou a n�o ser cumprida. Assim se perde a credibilidade...seja qual for o pol�tico.

Quanto ao facto de o Dr. ter notado um desprezo intelectual do ministro pelos pelos seus interlocutores, n�o se esque�a das interven��es p�blicas que v/exa. costuma protagonizar. Lembra-se de alguma vez ter dado o bra�o a torcer? Que me recorde, nenhuma...

(Ricardo C.)

*

H� anos que o vemos defender a necessidade de reformas no Estado para acabar com o desperd�cio, a in�rcia e a m� utiliza��o dos dinheiros p�blicos. � a sua conhecida posi��o cr�tica face ao Modelo Social Europeu que, desde o rendimento m�nimo garantido portugu�s, at� ao modelo assistencial dos banlieue de Paris, lhe t�m servido para o fustigar. Diga-se em abono da verdade que, em coer�ncia, sempre defendeu isto quer seja com governos do PS quer com governos do PSD. H�, todavia, nesta linha de pensamento doutrin�rio uma excep��o que resulta sempre das suas an�lises - o Dr. Ant�nio Costa, Ministro de Estado e da Administra��o Interna.
De facto, quando se trata da an�lise de pol�ticas p�blicas que s�o ou foram da compet�ncia de Ant�nio Costa, o que lhe interessa assinalar nunca � o m�rito ou o valor das mesmas, mas sempre um suposto elemento obscuro e sinistro que subjaz por detr�s das mesmas. Sen�o vejamos: Se h� utiliza��o indevida de escutas telef�nicas na investiga��o de crimes, a culpa � de Ant�nio Costa que as moldou na Lei; Se h� um combate mais eficaz aos inc�ndios, atrav�s de maior racionalidade e economia de meios, isso n�o interessa nada porque a responsabilidade, pelo melhor e pelo pior, � apenas da natureza; Se um presidente de c�mara afirma, perante milh�es de espectadores, que n�o est� de acordo com a amortiza��o obrigat�ria de d�vidas que ele pr�prio contraiu, a si, o que interessa real�ar, � o sorriso do ministro, "malandro, n�o sente a dedica��o �s popula��es"; Se Ant�nio Costa d� �nfase e acentua a manuten��o do mesmo volume de transfer�ncias financeiras do or�amento de Estado para as autarquias, o que est� ali � apenas "arrog�ncia e superioridade moral"; Se perante essa evid�ncia os autarcas, ainda assim, amea�am com cortes em servi�os essenciais � popula��o, tratam-se apenas e t�o s� not�cias fabricadas pelo ministro e nem sequer uma palavra sobre chantagem e resgate do estado perante poderes f�cticos (como tanto gosta de assinalar noutras ocasi�es). E os exemplos s�o intermin�veis!
Apesar de ainda ser jovem, acompanho o seu pensamento h� muitos anos, desde o tempo em que deu rosto a brilhantes an�lises pol�ticas na �ltima p�gina do Jornal de Not�cias do Porto, no in�cio dos anos oitenta, passando pelos textos que, com Jo�o Carlos Espada, assinala a sua passagem do pensamento totalit�rio � democracia, �s pol�micas que estiveram na base do nascimento do Clube de Esquerda Liberal e por a� fora...Sempre me habituei a ver coer�ncia no seu pensamento pol�tico, concordando uma vezes, discordando outras, mas sempre coerente. � por isso que como leitor e cidad�o que l� e reflecte sobre o que diz e escreve, tenho o direito de perguntar porque � que quando se trata de Ant�nio Costa as suas an�lises deixam de ser pol�ticas e passam a ser uma esp�cie de "cr�nicas sociais da pol�tica". Dito de outro modo, porque � que quando se trata de Ant�nio Costa em vez do Jos� Pacheco Pereira de "1984 - A Esquerda Face ao Totalitarismo" nos aparece o Carlos Castro das "Cr�nicas de Mal Dizer"?
� apenas embirra��o pessoal?

(Jo�o Paulo Pedrosa)

PS - gostava, embora sem esperan�a, que este coment�rio fosse publicado na habitual rubrica "o abrupto feito pelos seus leitores"

*

O debate, de facto, n�o foi muito instrutivo� houve muito ru�do de fundo, da plateia. Se calhar, talvez propositado, n�o sei.
Em todo o caso, pareceu-me sintom�tico que o Presidente da ANM e o seu acompanhante de �lhavo se tivessem mostrado muito agastados com as declara��es de Saldanha Sanches sobre as � clientelas e as responsabilidades das autarquias decorrentes da cobran�a de impostos. J� agora: as autarquias s�o as entidades que pagam menos emolumentos (relativamente a todas a outras) pelas auditorias do Tribunal de Contas! Porqu� as queixas?
Concordo consigo no que respeita � demagogia do Ministro � mas, e o que dizer do populismo de Mac�rio Correia quanto ao facto de estar ali (no est�dio, em Lisboa) � uma e tal da manh� e, no dia seguinte, ter de estar �s nove horas na CM a atender as pessoas�desde quando os Presidentes de C�mara atendem pessoas directamente �s nove da manh�?
Confesso que n�o tenho a certeza sobre quem tem raz�o, embora me incline (espero n�o cair) para o lado da proposta do Governo
N�o me esque�o, de resto, do seu combate a favor da transpar�ncia dos cargos pol�ticos e da independ�ncia dos titulares de lugares pol�ticos (recordo os tempos a seguir a Cavaco Silva e ao seu combate com Fernando Nogueira), sobretudo da forma como V. defendia essa independ�ncia. Ainda hoje a subscrevo, apesar de n�o ser eleitor do seu Partido.
Devo dizer-lhe, ali�s, que tenho da gest�o do seu amigo Rui Rio uma opini�o favor�vel; desde logo, por uma posi��o de resist�ncia aos lobby (escrevo � antiga) do futebol, no primeiro mandato; depois, como se tem visto nas �ltimas horas, em rela��o aos Okupas do Rivoli� e n�o s�. Devo esclarecer que n�o sou eleitor do PSD, mas que me preocupo com o estado do Pa�s e, principalmente, com as manobras comunicacionais do Poder�

(Pedro Pimentel)

*

Sou um seu leitor e ouvidor regular e penso que atento. Como imaginar� umas vezes discordo das susa opini�es outras vezes concordo.
Esta sua cr�nica sobre o ministro Ant�nio Costa no "Pr�s e Contras" veio confirmar uma sensa��o que se vem arrastando h� j� algum tempo, quando o leio ou ou�o.
Passo a explicar essa sensa��o . � a de que o Pacheco Pereira est� a ficar muito "preso" cr�tica da forma n�o se pronunciando sobre o conte�do.
Falando s� deste caso gostaria ( ou estaria mais interessado ) em saber se est� de acordo com a a proposta de lei da Finana�as Locais. Se ela melhora ou n�o a actual situa��o. E se n�o...quais s�o as suas sugest�es ?
A sensa��o ( mais uma !) que tenho sobre os actuais debates sobre as prpostas governamentais ( todas ou quase ) � de que :
1� - Todos est�o de acordo que a situa��o ( no ensino, na justi�a, nas autarquias, etc, etc ) est� mal.
2� - Todos ( aqui diria quase ! 9 est�o de acordo que � preciso reformar e mudar um certo n�mero de coisas.
3� - Mas quando se vai mudar...est� quieto � mau ! Mais vale ficar quietinho. Ou ent�o o ministro (a) A ou B est� a ser bruto e mal educado !!!

Sei que � um esp�rito reformador e que denuncia muitas situa��es que outros n�o t�m a capacidade ou a coragem para denunciar, mas ( h� sempre um mas ) quando chega a hora de agir parece-me que est� a ficar "preso de movimentos" !

Possivelmente conhecer� a famosa frase muito usada no mundo da gest�o empresarial : " Pior que uma m� decis�o � nenhuma decis�o ! "

E termino contando uma hist�ria que se passou comigo quando trabalhava numa empresa americana de consultadoria de redu��o de custos. A companhia tinha uma s�rie se SOP ( System Operating Procedures ), ou seja de regras operacionais que eram explicitadas a cada consultor no momento da admiss�o ( e davam-nos depois a respectiva vers�o impressa ). Nas reuni�es da empresa e sempre que o Presidente estava presente havia muitos de n�s que se "revoltavam" contra muitos dos SOP's. Ao que o Presidente dizia sempre :
" Meus caros ainda bem que t�m ideias novas. Fico � espera que sistematizem as vossas sugest�es e me proponham as altera��es desejadas. At� l� continuam em vigor as actuais SOP !"
Nos 4 anos que l� trabalhei nunca ningu�m acabou por apresentar novos procedimentos.

Na actual situa��o pol�tica do pa�s parece que algu�m come�ou a apresentar novos procedimentos ( eventualmente insuficientes, eventualmente com erros e defeitos ) e vai da� � ver e ouvir a oposi��o ( partidos e sindicatos ) a gritarem : V� estejam quietos ! N�o se altere nada !!!

(Ant�nio Monteiro Pais)
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 5

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��es "Quest�es de ordem religiosa" e "Quest�es de ordem moral", de 19 de Junho de 1935:

 


EARLY MORNING BLOGS

887 - An old person of Hove

There was an old person of Hove,
Who frequented the depths of a grove;
Where he studied his books,
With the wrens and the rooks,
That tranquil old person of Hove.

(Edward Lear)

*

Bom dia!


16.10.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 16 de Outubro de 2006


Uma novidade a saudar: um blogue ligado a um jornal, o P�blico, acompanha em tempo real um evento - o "caso" do Rivoli. N�o � um grande "caso", mas a iniciativa � muito positiva porque a blogosfera precisa de competi��o e este tipo de iniciativas aumenta a concorr�ncia. Acrescento apenas ao que escrevi em baixo: "Ser� que se eu juntar quarenta pessoas para protestar... o P�blico tamb�m faz logo um blogue?"

*

Os Frescos escolhem sempre bem as liga��es que sugerem. N�o � muito comum manter um equilibrio deste tipo na blogosfera.

*

Ser� que se eu juntar quarenta pessoas para protestar (e garanto que n�o preciso sequer de um partido), contra a televis�o p�blica ou a "cultura" subsidiada, por exemplo, o evento passa em todos os telejornais com tanto tempo como os protestantes (a maioria do Bloco de Esquerda) junto do Rivoli, com directos e entrevistas, tenho o ministro respectivo logo disposto a receber-me, sou tratado com benevol�ncia como "povo" genu�no e ningu�m me tira de dentro do est�dio principal, caso o ocupe impedindo a emiss�o? Duvido.

*

J� deve ter reparado que hoje, dia 16 de Outubro, o Governo manifestou um not�vel exerc�cio de double speak. No primeiro caso os pais de uma escola p�blica em Sete Rios, Lisboa fecharam a cadeado a escola pois para 300 alunos existem apenas duas auxiliares de ac��o educativa. A DREL classificou o facto de "terrorista" e mandou a pol�cia rep�r a ordem. Tamb�m hoje, no Porto, um grupo de gente ligada ao teatro ocupou o Teatro Rivoli que � tutelado pelo munic�pio. A Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, afirmou tratar-se de uma "original e inovadora forma de luta" e at� ofereceu os seus bons of�cios para "mediar" o conflito com a C�mara do Porto.
� claro que se a C�mara do Porto fosse gerida pelo PS este �ltimo acto tamb�m seria "terrorismo", parece-me que como para bater em Rui Rio, e n�o sendo caso virgem, a ministra que por acaso tamb�m � do Porto prefere falar em originalidade e inova��o das formas de luta.

T�pico Double-speak.

(Ant�nio Jos� Ferreira, Barreiro.)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A INVAS�O DAS MIMOSAS



Esta fotografia � um retrato muito verdadeiro do que est� a acontecer em todo o parque nacional da Peneda-Ger�s. Como se pode observar, as mimosas (arbustos da fam�lia das Ac�cias) ganham dia ap�s dia terreno �s esp�cies aut�ctones, devastando importantes encostas e expulsando fauna e flora �nica no pa�s. S�o uma praga pior que os eucaliptos porque n�o s� secam o ch�o como � quase imposs�vel faz�-las desaparercer. Esta encosta perto do campo de futebol da Pereira mesmo em frente � vila do Ger�s foi limpa h� cerca de tr�s anos, mas como se pode ver tudo voltou ao normal, sendo poss�vel observar mesmo a barreira que separa as mimosas dos pinheiros, barreira essa que diminui dia ap�s dia.

(Jos� Borges)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
O ENGRA�ADISMO CHEGOU AO GOOGLE



N�o ser� com certeza por insensibilidade, mas esta falta de cuidado, faz impress�o.

(Gil Coelho)

*
Reparei que reproduziu um texto de um leitor seu sobre aparecer no Google News, na sec��o entretenimento, not�cias sobre inc�ndios. O sistema � totalmente automatizado, e n�o permite interven��o humana. Mesmo que os funcion�rios do Google quisessem, isso n�o ia ser alterado manualmente. O sistema � imperfeito, e procura pela coincid�ncia de keywords, aferir automaticamente em que local ou categoria cabem as not�cias. �s vezes falha. Antes isso que a manipula��o humana das not�cias ou de onde elas devem caber.

(Lu�s)
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PASSADO, PORTUGAL



(Artur Pastor)
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 4

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��es "Minist�rio da Justi�a", "Secretariado da Propaganda Nacional" e "Quest�es de ordem moral", de 12 de Junho de 1935:

 


EARLY MORNING BLOGS

886 -... dirige tes talons en arri�re et non en avant.

Pl�t au ciel que le lecteur, enhardi et devenu momentan�ment f�roce comme ce qu'il lit, trouve, sans se d�sorienter, son chemin abrupt et sauvage, � travers les mar�cages d�sol�s de ces pages sombres et pleines de poison; car, � moins qu'il n'apporte dans sa lecture une logique rigoureuse et une tension d'esprit �gale au moins � sa d�fiance, les �manations mortelles de ce livre imbiberont son �me comme l'eau le sucre. Il n'est pas bon que tout le monde lise les pages qui vont suivre ; quelques-uns seuls savoureront ce fruit amer sans danger. Par cons�quent, �me timide, avant de p�n�trer plus loin dans de pareilles landes inexplor�es, dirige tes talons en arri�re et non en avant.

(Lautr�amont, Les Chants de Maldoror)

*

Bom dia!

15.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PASSADO, PORTUGAL



(Artur Pastor)

A prop�sito de uma exposi��o da obra de Artur Pastor no Museu do P�o em Seia, com temas relacionados com o p�o, foi-me enviada pelo seu filho uma s�rie de fotografias que retratam aspectos do trabalho e que ser�o publicadas no Abrupto. Como se pode ver, essas fotografias s�o de uma qualidade excepcional e chamam a aten��o para "o seu esp�lio, composto por mais de 50.000 fotografias, (...) adquirido pela C�mara Municipal de Lisboa em Outubro de 2001" e ainda insuficientemente divulgado. Segundo Artur Pastor (filho) "h� uma exposi��o j� finalizada, impress�es e textos, pelo servi�os do arquivo fotogr�fico municipal, a guardar melhores ventos de vontade cultural por parte da autarquia." Espera-se que tais "ventos" soprem depressa, muito depressa.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM PORTO GALINHAS- PERNAMBUCO, BRASIL



(...) tirada h� uns meses na praia de Porto de Galinhas, Estado de Pernambuco, Brasil. Nela se v� um vendedor ambulante de CD's de m�sica que, sob um calor t�rrido, percorre com o seu aparelho m�vel a praia de Porto de Galinhas. E numa praia que � frequentada por bastantes turistas portugueses n�o seria de todo m� ideia a venda tamb�m de livros...

(E. Vieira Novo)

*

Acerca do TRABALHO EM PORTO GALINHAS, diz E. Vieira Novo que �numa praia que � frequentada por bastantes turistas portugueses n�o seria de todo m� ideia a venda tamb�m de livros...� mas n�o sei se ter� raz�o, e explico porqu�:

Este ano, como nos anteriores, pude observar em v�rias praias que mais de metade dos estrangeiros estavam a ler livros - e, dos restantes, muitos estavam a ler jornais. Quanto aos portugueses: quando muito, alguns - poucos - entretinham-se com jornais desportivos e revistas de fofocas.

Em Lagos, inclusivamente, aconteceu-me o seguinte: tendo sabido que acabara de sair o livro �Notas sobre um pa�s grande�, de Bill Bryson, dirigi-me � �Loja do Livro� para o comprar. Como n�o o tinham, pedi que o mandassem vir.

- Tem muita pressa? - foi a resposta/pergunta.

- Hoje � segunda-feira, posso esperar at� sexta-feira - respondi.

- N�o d�. O melhor � ir compr�-lo a Portim�o.

Perguntei ent�o se n�o havia mais nenhuma livraria em Lagos. N�o h�, pelo que acabei por comprar o livro em Lisboa.

(C. Medina Ribeiro)

 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 3

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��o "Quest�es de ordem moral", de Junho de 1935:



*
Estes boletins da Direc��o-Geral dos Servi�os de Censura em que podemos ver os casos concretos daquilo que todos sabemos que existia, em que vemos o "making-off" t�m sido uma real ilumina��o. As decis�es sobre o que � moral ou imoral intrigam, pois ap�s a leitura destes excertos, sou levada a crer que h� uma extraordin�ria arbitrariedade em tudo, mais do que uma deliberada reflex�o sustentada teoricamente por uma precisa ideologia ou filosofia onde se baseassem os conceitos moralidade/imoralidade. Talvez esta forma algo informal, apesar de bem intu�da e apreendida, e em sintonia com a "moral" do regime tenha tido os seus perigos pela dificuldade em ser identificada e combatida. � insidiosa e mel�flua. Tal como a deliberada oculta��o de factos, nomeadamente crimes, ocorridos, que venham abalar a cren�a de uma vida de "bons costumes". Apesar de saber da exist�ncia da censura, fico realmente chocada, pela abrang�ncia e pelos seus tent�culos. � mais dif�cil perceber a forma como o nosso "viver" foi sendo moldado � imagem de uma falsa mansid�o, e a extens�o (mesmo temporal) dos efeitos desse fazer, do que perceber a censura, por exemplo, no meio art�stico.

(J.)
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: VIAJAR A ESTA LUZ



de Orion, com seu pequeno cavalo, o seu homem a correr, as chamas de um certo inferno, e as mil e uma coisas que o nosso olhar permite ver. Viajar a esta luz, pelo menos uma vez.
 


EARLY MORNING BLOGS

885 -Those Winter Sundays

Sundays too my father got up early
and put his clothes on in the blueblack cold,
then with cracked hands that ached
from labor in the weekday weather made
banked fires blaze. No one ever thanked him.

I'd wake and hear the cold splintering, breaking.
When the rooms were warm, he'd call,
and slowly I would rise and dress,
fearing the chronic angers of that house,

Speaking indifferently to him,
who had driven out the cold
and polished my good shoes as well.
What did I know, what did I know
of love's austere and lonely offices?

(Robert Hayden)

*

Bom dia!

14.10.06
 


INTEND�NCIA

Actualizadas as notas O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS CENSURA e POR QUE RAZ�O A DEMOCRACIA TEM MEDO DE SALAZAR? Vers�o 2.0.
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER: OS MALEF�CIOS DA LEITURA

http://www.universal.pt/scripts/hlp/mm/FHLP173_z.JPG A poderosa raz�o que o lavrador Roberto Rodrigues opunha para n�o mandar ensinar a ler o filho, era � que ele pai tamb�m n�o sabia ler, e mais arranjava lindamente a sua vida. Esta vinha a ser a raz�o capital, refor�ada por outras subalternas e praticamente bastante persuasivas.

� Se o rapaz souber ler � argumentava triunfantemente o idiota � assim que chegar a idade, �s duas por tr�s, fazem-no jurado, regedor, camarista, juiz ordin�rio, juiz de paz, juiz eleito. S�o favas contadas. Depois, enquanto ele vai � audi�ncia ou � C�mara, a Cabe�ais, daqui uma l�gua, os criados e os jornaleiros ferram-se a dormir a sesta de cangalhas � sombra dos carvalhos, e o arado fica tamb�m a dormir no rego. E ademais, isto de saber ler � meio caminho andado para asno e vadio.

E citava exemplos, personalizando meia d�zia de brejeiros que sabiam ler e eram mais asnos e vadios que os analfabetos.


(Camilo Castelo Branco, Vulc�es de Lama)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM T�QUIO, JAP�O





Vidente Japon�s que l� a sina (em Ingl�s ou Japon�s) com a ajuda de fato, gravata e computador. Aos Domingos no parque de Ueno, T�quio.

(Antonio Rebord�o)
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 2

Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��o "Quest�es de ordem moral", 10 de Junho de 1935:

 


EARLY MORNING BLOGS

885 - Home

I didn't know I was grateful
for such late-autumn
bent-up cornfields

yellow in the after-harvest
sun before the
cold plow turns it all over

into never.
I didn't know
I would enter this music

that translates the world
back into dirt fields
that have always called to me

as if I were a thing
come from the dirt,
like a tuber,

or like a needful boy. End
Lonely days, I believe. End the exiled
and unraveling strangeness.

(Bruce Weigl)

*

Bom dia!

13.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL



Trabalho " invis�vel " nos areoportos, a limpeza dos avi�es, feita por trabalhadoras contratadas a empresas "especializadas ". Uma breve pausa antes da limpeza do avi�o.

(Joaquim Antunes)
 


COISAS SIMPLES



(Giorgio Morandi)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O ENGRA�ADISMO CHEGOU AO GOOGLE



Novos conceitos de entretenimento, no Google, Portugal, hoje.

(Gil Coelho)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS CENSURA



N�o tem nada a ver com Salazar, mas j� que no Abrupto se fala de censura, gostaria de relembrar aqui uma lei que a Assembleia Nacional francesa aprovou ontem: a partir de hoje, e caso a dita lei siga o seu percurso at� � aprova��o final, qualquer cidad�o franc�s que negue a exist�ncia do genoc�dio arm�nio, cometido pelos otomanos, poder� ser pesadamente multado ou at� preso.

Numa altura em que mais do que nunca � necess�rio que a Europa demonstre o orgulho que tem, ou deveria ter, na aquisi��o que se deseja definitiva de uma total liberdade de express�o, a Assembleia francesa resolveu dar este presente a quem a ela n�o est� habituado e nem deseja estar. Estou certo de que o presente ser� devidamente apreciado.

� mais uma vit�ria do "pol�ticamente correcto" (neste caso tamb�m eleitoralmente conveniente) em direc��o a uma censura que se acha virtuosa por supostamente defender causas humanistas. E sem sequer perceber (ou n�o querendo) que fazer esta lei para o genoc�dio arm�nio e n�o fazer para todos os outros que se passaram e passam pelo nosso planeta, � de uma incoer�ncia total; e que, se se quiser ser coerente a lei ter� de ser contra o negacionismo de todo e qualquer genoc�dio; e, se for esse o caso, em quantos anos prescreve o crime? � que ainda h� muita gente viva que negou durante muito tempo os crimes de Estaline. A n�o ser que n�o sejam genoc�dio...

(Jo�o Tinoco)

*
N�o resisto a comentar a quest�o do reconhecimento do genoc�dio arm�nio:

O que n�o faz sentido nesta quest�o toda, para al�m de v�rias pisadas � liberdade de express�o, � o facto de se querer pretender que existe uma mem�ria colectiva institucionalizada. Que existe uma mem�ria colectiva, mais ou menos consensual, caracter�stica, ainda que misc�vel e osm�tica, para cada bloco cultural-geogr�fico, � defens�vel. Agora que sentido faz uma mem�ria colectiva institucional, expressa na lei, dependente da discricionariedade de quem det�m o voto no momento? Quanto vale para a Hist�ria? Quanto vale para os direitos humanos? Aquilo que vale compensa o que se perde, ou � descabido p�r a quest�o neste termos? N�o ser� uma quest�o cuja peritagem deve ser deixada exclusivamente, a quem reconhecidamente a estuda em toda a sua complexidade, os historiadores? E que mesmo assim possa ser discutida livremente por todos?

Se a assembleia francesa n�o tem a no��o disto, est� muito mal, se tem a no��o e mesmo assim � prefer�vel ganhar votos junto da popula��o de origem arm�nia e dificultar a entrada da Turquia na UE, a preservar liberdades de express�o, n�o sei se n�o est� pior.

(Jorge Gomes)

*

�queles seus leitores que atribuem a "motivos eleitoralistas" a aprova��o pela Assembleia Nacional Francesa de uma Lei visando penalizar a nega��o do genoc�dio dos arm�nios durante a I Guerra Mundial, somente perguntaria:

os franceses de descend�ncia turca n�o constituem um "franja eleitoral" muito superior aos 80,000 arm�nios ou seus descendentes a� residentes?...

(Jorge Freitas)
 


PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 1

J� que se est� a discutir a quest�o de Salazar como "grande portugu�s", o que ele fez e o que ele deixou de heran�a, vale a pena combater a falta de mem�ria (e de saber...) que domina o nosso espa�o p�blico, publicando alguns documentos originais e in�ditos sobre o principal mecanismo de conformidade do Estado Novo, a censura. A censura definia como se podia pensar e quais os limites ao que se podia dizer. E a PIDE assegurava que uma atmosfera de medo estava presente nesses limites. A combina��o foi particularmente eficaz e teve longo tempo para se consolidar e "formatar" tudo. N�o tem compara��o com nenhum pa�s europeu do s�culo XX quer na forma, quer no conte�do e talvez apenas na continuidade possa ser comparada � URSS.

Os exemplos que publicarei no Abrupto ter�o origem no boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes e ser�o por regra apenas da sec��o "Quest�es de ordem moral". O exemplo de hoje � de 31 de Agosto de 1935:

 


POR QUE RAZ�O A DEMOCRACIA TEM MEDO DE SALAZAR?
Vers�o2.0

A RTP vai realizar uma esp�cie de concurso reality show intitulado Os Grandes Portugueses, que inclui como prato principal a escolha pelo voto dos "portugueses" da personalidade preferida de toda a nossa hist�ria. Coloquei entre aspas os "portugueses", porque do que aqui se trata � dessa interessante figura televisiva, criada por Teresa Guilherme no programa Big Brother para designar aqueles portugueses que estavam dispostos a telefonar, numa chamada, naturalmente com valor acrescentado, a escolher a personagem da "casa" que iriam p�r fora. Os "portugueses" telefonistas ou internetianos s�o o subgrupo activo das "audi�ncias" e funcionam nesta esp�cie de teatro medi�tico do real que s�o os reality shows como a personifica��o simb�lica do povo.

Para ajudar os "portugueses" na sua escolha a RTP preparou uma "lista de sugest�es" que inclu�a nomes que s� com absoluta surpresa e estupor poderiam passar por personalidades centrais da nossa hist�ria milen�ria: Adriano Correia de Oliveira, Ana de Castro Os�rio, Catarina Euf�mia, Dur�o Barroso, Gageiro, Fernando Nobre, Joaquim de Almeida, para al�m do lote na moda de futebolistas e treinadores. N�o sei bem o que passa pela cabe�a de algu�m que possa achar que o portugu�s mais importante de sempre seja o actor Joaquim de Almeida, suspeito ali�s que nem sequer o pr�prio Joaquim de Almeida o achar�.

Mas a lista de sugest�es � muito interessante tamb�m nas suas omiss�es, sendo uma gritante de significado. Na vers�o original da lista n�o vem Ant�nio de Oliveira Salazar, o que imediatamente suscitou protestos nessa parte muito viva e atenta da comunica��o, que s�o os blogues. A lista foi entretanto corrigida, com a inclus�o de Salazar, mas a aus�ncia inicial s� pode ter sido de natureza cens�ria e n�o um lapso. Algu�m achou que colocar l� o nome de Salazar ou podia gerar pol�mica, ou podia levar a uma vota��o inc�moda na personagem, o que se entendeu que colocaria o programa em apuros. Quer num caso quer noutro, os malef�cios do politicamente correcto s�o evidentes, porque uma lista deste tipo sem Salazar n�o tem p�s nem cabe�a.
A "biografia" de Salazar que foi posta em linha na lista das personalidades para corrigir a omiss�o inicial s� confirma e refor�a a interpreta��o das raz�es que levaram � censura. Mal feita e opinativa, s� tem como objectivo evidente induzir ao n�o voto em Salazar com adjectivos e frases fortes:

Dirigiu, de forma ditatorial, os destinos do Pa�s durante quatro d�cadas. Foi ministro das Finan�as, Presidente do Conselho de Ministros, fundador e chefe do partido da Uni�o Nacional. Afastou todos os que tentaram destitu�-lo do cargo. Instituiu, de forma brutal, a censura e a pol�cia pol�tica. Criou dois movimentos paramilitares: a Legi�o e a Mocidade Portuguesas. Mas equilibrou as finan�as p�blicas, criou as condi��es para o desenvolvimento econ�mico, mesmo que controlado, e conseguiu que Portugal n�o fosse envolvido na Segunda Guerra Mundial. Separou os poderes do Estado e da Igreja. Figura controversa, marcou sem d�vida a hist�ria do Pa�s.


O que � interessante � que at� aqui os restos do salazarismo s�o evidentes. Aquele "mas" diz mais sobre a perman�ncia dos quadros mentais do salazarismo do que tudo o resto. O resto � errado ou impreciso: como por exemplo dizer-se de Salazar que "criou as condi��es para o desenvolvimento econ�mico" e o sil�ncio completo quanto � pol�tica e � guerra colonial. Quanto � censura e � pol�cia pol�tica, ambas j� existiam na Primeira Rep�blica, s� que ganharam outra dimens�o e continuidade no Estado Novo.

� interessante de ver que, mais de 30 anos ap�s o fim do regime ditatorial do Estado Novo, a democracia ainda lida mal com a figura de Salazar, uma esp�cie de quest�o n�o resolvida. Para quase todos os "democratas" de antes de 25 de Abril, a maioria dos quais n�o eram democratas mas comunistas, n�o h� nenhuma ambiguidade com Salazar, mas para os democratas de depois do 25 de Abril subsiste uma lembran�a, uma nostalgia, uma mem�ria, com a qual lidam mal, ou n�o lidam � vontade. Para os primeiros, o salazarismo, o regime e o seu mentor, foi uma experi�ncia de "vida", eles "viveram" Salazar e sabem o que isso significava: pol�cia pol�tica, viol�ncia, censura, aus�ncia de liberdades p�blicas, atraso e mis�ria do pa�s e, por �ltimo, guerra. Sabem tamb�m sem ambiguidades que, protegidas pelas institui��es do regime como a censura, existia corrup��o, nepotismo, muita pobreza, ignor�ncia e isolamento arrogante, e por isso n�o s�o sens�veis a qualquer forma de saudades de Salazar. Mas a verdade � que n�o conseguiram com efic�cia transmitir esse sentimento, tornando-o num adquirido que facilmente se normalizasse com o tempo.

Houve tr�s raz�es para isso acontecer: a primeira, o facto de o n�mero de portugueses que fizeram oposi��o activa ao regime serem poucos; a segunda � o facto de o envolvimento dos sectores mais prestigiados e combativos da oposi��o no PREC lhes retirar a legitimidade pol�tica; a terceira, o facto de o peso de muitas institui��es salazaristas continuar intacto e a reproduzir-se em muitos "costumes" democr�ticos.

O primeiro dos factores � evidente para todos os que conhecem a oposi��o; sabem que esta s� teve um ou dois momentos de real converg�ncia com a na��o, no fim da Segunda Guerra e na campanha de Delgado. Ambos eram resultado de factores externos, num caso a vit�ria militar dos Aliados, noutro a personalidade populista de Delgado, que se imp�s tanto � oposi��o que n�o o desejava, como ao regime que acabou por mat�-lo. Este primeiro factor, a escassez de pessoas activamente oposicionistas, n�o pode no entanto ser levado muito longe, ao contr�rio do que algumas vezes os defensores do salazarismo pensam - tal n�o significa que houvesse um consenso ou uma maioria pelo regime. Os dias seguintes ao 25 de Abril, pesem todas as manipula��es, revelaram um genu�no �mpeto de liberta��o, uma alegria pelo fim de um regime que n�o suscitava qualquer simpatia.

O segundo factor, o envolvimento nos excessos do PREC, debilitou seriamente a legitimidade pol�tica da oposi��o, salvo de uma pequena minoria de socialistas e liberais que, exactamente por isso, acabou por, a prazo, dominar os primeiros anos de democracia e vencer o PCP. Enquanto na transi��o espanhola foram os excessos passados na Guerra Civil que voltaram para assombrar o PCE, em Portugal, o PCP e os esquerdistas que acompanharam o seu projecto revelaram que uma parte da luta contra o regime de Salazar n�o era uma luta pela liberdade e a democracia, mas sim pelo totalitarismo comunista. � luz do PREC, do PREC real e do PREC imagin�rio, surgiu uma equival�ncia entre meia d�zia de dias de pris�o ilegal pelo Copcon com 48 anos de tortura e pris�es de anos e anos, o que �, de todo, absurdo, mas o PREC fez nascer uma democracia manca, que demorou muito a endireitar-se.

Por �ltimo, h� uma raz�o muito simples, que ningu�m quer admitir, e que tem a ver com a perman�ncia nos valores mentais, nos h�bitos da nossa democracia, dos quadros do Portugal de Salazar. Valores como o "respeitinho", a hipocrisia p�blica, a ret�rica antipol�tica, a tenta��o de considerar que o suprapartid�rio � bom, a obsess�o pelo "consenso", o medo da controv�rsia, a cunha e a clientela, mesmo a corrup��o pequena, a falta de esp�rito cr�tico desde as artes e letras at� � imprensa e Igreja, tudo vem do quadro do salazarismo e reprodu-lo. O medo do conflito, essa tenebrosa heran�a de 48 anos de censura, permanece embrenhado na vida pol�tica da democracia e isso d� vida � nostalgia da pasmaceira vigiada de Salazar.
J� v�rias vezes o escrevi, a censura foi um instrumento decisivo de conformidade psicol�gica, cultural e social muito mais poderoso do que pol�tico. A t�tulo de exemplo, alguns cortes da censura de 13 de Julho de 1935:






Por tudo isto n�o espanta a censura do nome de Salazar, por medo de um resultado inconveniente num programa da "televis�o p�blica" da democracia (ela pr�pria fundada por Salazar), como n�o me espantaria que Salazar pudesse ganhar o concurso. Vejo nisso poucos inconvenientes e at� vantagens. Para al�m do aspecto cat�rtico, talvez isso suscitasse uma discuss�o a s�rio do que significou Salazar na nossa hist�ria do s�culo XX onde ele � a personagem principal, goste-se ou n�o. Uma das cegueiras desta censura � n�o ver que o salazarismo expl�cito � bem menos importante que o salazarismo impl�cito, mais importante e perigoso para a democracia.

Pouco se me d� que os "portugueses", que, insisto, n�o s�o os portugueses, votem no senhor presidente do Conselho num concurso televisivo. Salazar, ele mesmo, se estivesse vivo e regressasse do Brasil uns anos depois do 25 de Abril, n�o ganharia nenhuma elei��o no Portugal de hoje e teria tantos votos como o general Ka�lza de Arriaga. O que me interessa � recensear que atitudes, nostalgias, h�bitos, costumes, pr�ticas, que ningu�m associa a Salazar, mas v�m directamente dele e do Estado Novo, continuam vivos, adoecendo a nossa democracia. Isso sim, � importante.

(No P�blico de 12 de Outubro de 2006, acrescentado e anotado.)

*

Concordo inteiramente com a an�lise que fez ao "Mas". Podia-se acrescentar:
- Salazar nunca leu Keynes; foi sempre mais a favor de or�amentos equilibrados.
- Salazar n�o criou nada que se parecesse com o Estado de Bem Estar que desenvolveu a Europa de 1945 a 1973; por isso a situa��o social era a que era em 1974;
- Salazar recusou o Plano Marshall;
- Salazar desbaratou o dinheiro do volframio;
- Salazar criou condi��es para uma emigra��o massiva para a Europa nos anos 60;
- Salazar n�o deu o poder a Delgado e levou-nos � Guerra Colonial.
Etc.

(Eduardo Tom�)

*

(...) j� reparou que a frase que o P�blico retirou do seu texto para servir de legenda � foto de Salazar e companheiros � uma escolha SINTOM�TICA daquilo mesmo que o senhor denuncia no artigo: o inc�modo irritado e �preconceituoso� em rela��o ao ditador?

(Carlos David Botelho)

*

Ainda me lembro do COPCON a carregar sobre mim aquando da manifesta��o para a liberta��o do Arnaldo de Matos. Pouco diferiu daquela em que na Faculdade de Ci�ncias, no fim dos anos sessenta, me levaram a saltar pela janela, quando a PIDE entrou para calar o Zeca Afonso...

Se os 30 anos de democracia podem causar essa nostalgia no povo, aos pol�ticos que a vem construindo se deve. Parte da culpa cabe ao Pacheco Pereira. Que em lugar de se preocupar com uma Fundamenta��o Social Democrata Democrata se preocupou mais com a hist�ria do Dr.Cunhal. (desabafo)

Depois da estratifica��o e reposi��o do comunismo no seu devido lugar (num museu, obviamente, sem desrespeito para aqueles que ideologicamente e por convic��o no seu tempo, foram lutando, com tudo, inclusiv� a vida, por aquilo que acreditaram ser melhor para o povo -ou para uma classe do povo), penso ser mais importante a procura do Caminho e bem que dele carecemos. N�o podemos ficar s� com a mem�ria das caravelas. H� que repensar o futuro e olhar a Ci�ncia de frente. � que na aus�ncia de uma filosofia objectivamente social democrata (que susbstitua a imanente procura do Homam por uma sociedade melhor) ou na aus�ncia de valores filos�ficos, ao Fado, Futebol e F�tima juntou-se a Telenovela. Com o branqueamento das ideias de programas como o Big Brother ou tipo Fiel e Infiel e afins, s� pode resultar a passividade que muitas vezes descamba no regresso ao passado quando a crise financeira � persistente e a vida continuamente dif�cil. Repito : A culpa tem sido dos pol�ticos p�s 25 de Abril.

Compreendo que Portugal n�o se iniciou numa democracia pura, mas antes tentou conformar o assalto do comunismo ao poder. E que as quintinhas persistem nas corpora��es da resist�ncia. Mas tantos anos depois, que vemos ainda? Uma democracia sem valores de Justi�a e que a deixou afundar, at� perder a sua express�o, (com alguns rasgos penais para calar a voz do povo). Do desastre de Camarate o que resultou ? Prescri��o. De facto este Instituto Juridico, que caminha como a sombra da Justi�a, perseguindo-a, n�o tem sido mais que o obscurantismo da mem�ria, numa aparente toler�ncia provida pelo tempo que mais n�o esconde que a incapacidade dos pol�ticos de adequar o Sistema Judicial � resposta atempada e c�lere que a Constitui��o e o Direito Natural obrigam, mas que n�o respeitam..

Mas ningu�m parece estar interessado de fundo, a resolv�-la. (...)

(Alberto Pontes)

*

Agora que acabei de dar uma aula e estou com mais tempo, gostaria de lhe manifestar a minha concord�ncia geral com o seu artigo, excepto num ponto: a sua refer�ncia branqueadora �s �meias d�zias de dias pris�o do PREC�. Trata-se, a meu ver, de um erro t�pico de perspectiva hist�rica.
Com efeito, se considerarmos o que acabaram por de facto ser as pris�es do PREC, � verdade que n�o passaram de �meia d�zia de dias de pris�o�. Ou mais exactamente, ano e meio; mas sem torturas nem viol�ncia f�sica.
Por�m, da� n�o pode resultar nenhuma atenuante para os revolucion�rios do PREC, por que se essas pris�es foram assim suaves n�o foi gra�as a eles, mas sim gra�as � contra-revolu��o democr�tica que os derrotou!
Na verdade, os revolucion�rios do PREC n�o tencionavam ser menos brandos para com os presos pol�ticos da �poca do que fora Salazar, e � conveniente recordar os seus contantes protestos de ent�o contra �as condi��es de chocante privil�gio� em que estavam os presos sob tutela militar, pelo simples facto de n�o estarem nem sujeitos a trabalhos for�ados nem a condi��es de cela fechada. Para j� n�o mencionar que tencionavam aplicar, caso a revolu��o vencesse, os conceitos de �justi�a popular� que tiveram em Cuba um bom exemplo do que significavam.
� por isso que os revolucion�rios do PREC ficaram na mem�ria colectiva do povo como n�o melhores que os salazaristas. Por isso, pelos quinze mil despedimentos por raz�es pol�ticas e pela sanha persecut�ria que mostraram para com os outros.
Se n�o foram mais longe, n�o foi gra�as a si pr�prios mas sim a quem os derrotou no �Ver�o quente� e no contra-golpe de 25 de Novembro de 1975.
� um exerc�cio de manipula��o da Hist�ria esse que agora fazem de, na linha geral de se branquearem de �lutadores pela liberdade�, tentarem recuperar esse bom final que os PREC teve como devendo-lhes alguma coisa! Eu sei que voc� sabe isto, JPP. Mas parece-me que a sua mem�ria tamb�m j� est� contaminada por esses democratas �reciclados�...

(Pinto de S�)

*

Obviamente um reality show n�o � sitio pr�prio p/ se debater hist�ria. Estamos mais em presen�a de figuras mediaticas (n�o vejo a import�ncia hist�rica de Quim Almeida ou Lu�s Figo)do que hist�ricas. Talvez por isso mesmo n�o vejo porque n�o por nelas Salazar ou Adolfo (na vers�o alem�) ou Estaline (na vers�o Russa) ou Franco (na vers�o Espanhola)ou MUssolini (vers�o Italiana).
Para o bem e para o mal (mais p/ o mal claro) fazem parte da hist�ria e s�o refer�ncias p/ os respectivos povos e mesmo internacionais. S�o mediaticas.
N�o conviver c/ elas � estalinismo puro, isto �, � querer rever a hist�ria e apagar os maus das fotografias (mesmo s/Photoshop Estaline fazia-o eximiamente como se sabe).

Aproveitando a ocasi�o, e sem querer lavar a hist�ria, para fazer um desafio.
Pergunta-se �o que seria Portugal se Salazar n�o tivesse existido?� Os 30 anos que o antecederam foram uma balburdia entre o fim da monarquia (com um rei a dizer a majest�tica frase �esta choldra � ingovern�vel�) e uma 1� rep�blica que n�o foi um primor de democracia. Entre Sidonismos, deporta��es e um pa�s falido onde havia fome e racionamento de bens essenciais a necessidade de por ordem na casa era obvia. Tal como ningu�m considera Afonso Henriques um humanista (hoje seria considerado um dos causadores do terrorismo Isl�mico) nem D Jo�o II ou o Marqu�s de Pombal democratas mas reconhece-lhes os m�ritos e o estatuto hist�rico, est� na altura se de fazer o mesmo a Salazar.
Por muito que nos custe em 1926 o pa�s n�o tinha condi��es econ�micas e sociais para se democratizar. Como exemplo, basta lembrar que um dos muitos ocupantes do Pal�cio de Bel�m at� 1926 era um assumido ped�filo e n�o viu a sua carreira pol�tica prejudicada por isso. E ningu�m, tirando umas �alminhas c/ boa mem�ria� como Vasco P. Valente, se escandalizou quando Jorge Sampaio escolheu como ultimo acto do seu mandato uma viagem a Argel expressamente p/ homenagear t�o democr�tica figura. A estabiliza��o econ�mica e social � for�a trazida por Salazar foi um mal necess�rio p/ o pa�s sobreviver nessas condi��es. Se Salazar tivesse tido a vis�o de preparar a democratiza��o do pa�s ap�s o fim da 2� Guerra Mundial, aderido ao plano Marshall e sa�do em meados dos anos 50 seria hoje um her�i nacional. A sua falta de vis�o transformou-o numa figura mal querida, fez esquecer o trabalho necess�rio feito e atrasou o pa�s 30 anos. E pior que tudo incutiu em muita boa gente uma atitude de pasmaceira, horror ao conflito, mais import�ncia ao estatuto do que ao m�rito e imobilismo que ainda hoje est� impregnada na nossa sociedade e na nossa democracia. E esta �pesada heran�a� prejudica-nos muito mais e ao nosso futuro que a mem�ria da �longa noite fascista�. E continua presente nos comportamentos, mesmo privados ou n�o politicos, de muita gente. Termino c/ mais uma pergunta �como conseguiu a longa noite fascista durar 50 anos quando todos queriam a luz do dia democr�tico?� Foi s� porque a PIDE assusatava muito?
Duvido. Comparado c/ outras ditaduras a de Salazar at� ter� sido bastante "suave", mas n�o pode ser branqueada por causa disso, mas tem de ser enquadrada no respectivo tempo economico, social e pol�tico do pa�s em que se fundou e em que durou quase 50 anos (conseguiu sobreviver v�rios anos � morte mental e f�sica do seu fundador, porqu�?).

(Miguel Sebasti�o)

*

Acho que o problema mal resolvido com Salazar prende-se ao facto de o dito (problema) ter sido resolvido por uma cadeira e n�o pela m�o lusitana. Fosse-o como foi o regic�dio (e n�o se entenda que o apoio) e acho que a democracia h� muito lidaria melhor com a exist�ncia da figura. Assim ainda vai demorar uns anos. Pelo menos at� que estejam sepultados todos os que podem falar dele sem ser por interposta pessoa

(Nuno Magalh�es)

*

(...) sugerir-lhe uma visita ao site , onde se revelam os resultados alcan�ados por diversas personalidades nas v�rias vers�es nacionais do programa televisivo cujo modelo a RTP importa. No Reino Unido, por exemplo, vemos a Princesa Diana � frente de Darwin, Shakespeare e at� do genial Newton! Nos EUA, Elvis Presley e Oprah Winfrey precedem Frankin D. Roosevelt.

A mem�ria de um povo parece estar sempre condicionada ao politicamente correcto de cada momento da Hist�ria e aos valores dos "vencedores". N�o existe nada de mais subversivo do que algu�m ter a ousadia de tentar "encontrar a terceira margem do rio" e colocar em causa os unanimismos, que - para mim - s�o sempre suspeitos. Salazar est� bem vivo no pensamento, na pr�tica e nos gestos dos pol�ticos portugueses, em especial nos da nova gera��o. Um vislumbre pelo que se passa na maioria das autarquias resulta numa reprise do filme de terror que foi o Estado Novo. E n�o h� partido imune a este cromossoma do Estado Novo. O "salazarismo impl�cito" - como t�o bem referiu - parece encravado no c�digo gen�tico de cada portugu�s, talvez mais ainda naqueles que com maior alarde proclamam cobras e lagartos contra o velho ditador. E o fim da censura n�o � sin�nimo de liberdade de Imprensa. Se antes se impedia que os jornais publicassem o inconveniente, agora garante-se - at� pelos meios mais s�rdidos - que apenas publiquem o conveniente.

(Carlos Robalo)

*

Devo come�ar por dizer que s� por fal�cia se pode comparar Salazar com Hitler ou Pol Pot. Ali�s, sobretudo por fal�cia porque � assim que a nossa mem�ria colectiva representa Salazar, ou seja, atrav�s de uma fal�cia de racioc�nio desconcertante.

Vamos ver se nos entendemos. Eu n�o vivi nos tempos do Estado Novo mas parece-me que esses tempos se tornaram, de alguma forma, numa esp�cie de alibi para os falhan�os do projecto democr�tico p�s-25 de Abril. � que Salazar passou a ter culpa de tudo. E eu, sendo por natureza um neur�tico, desconfio sempre destas perturba��es da personalidade que culpam os outros mas que nunca desculpam. Por outro lado, em termos historiogr�ficos n�o deixa de ser interessante que a manipula��o para uma hist�ria oficial do Estado Novo tenha dado lugar a uma manipula��o deliberada para uma hist�ria oficial do regime democr�tico que atrav�s da anula��o do passado nos quer fazer crer que agora, sim, � que estamos bem. E tudo isto tem consequ�ncias muito graves para a nossa democracia.

Concordo em parte com o Jos� Pacheco Pereira (JPP) quando diz que o que interessa �� recensear que atitudes, nostalgias, h�bitos, costumes, pr�ticas, que ningu�m associa a Salazar, mas v�m directamente dele e do Estado Novo, continuam vivos, adoecendo a nossa democracia�. E digo em parte porque tamb�m � verdade que hoje, como sempre, h� por a� muitos potenciais ditadores que s� n�o o s�o por falta de circunst�ncia. Ou seja, nem tudo vem directamente de Salazar e do Estado Novo. H� tiques considerados t�picos da ditadura que s�o transversais no tempo e no espa�o. Antes e ap�s o Estado Novo. Talvez o mais evidente, o mais impl�cito e sobre o qual se tornou politicamente incorrecto falar � o tique da censura. � claro que sintetizada numa nova f�rmula ela faz parte do nosso quotidiano. E at� arrisco a dizer (at� porque n�o � um risco muito grande) que muito mais perigosa do que a censura do Estado Novo. Acima de tudo porque pass�mos a ter dentro da nossa cabe�a os tais homenzinhos de fato e gravata (qual consci�ncia!) a fazer-nos lembrar os tais valores do "respeitinho" e do politicamente correcto, da hipocrisia p�blica e da ret�rica antipol�tica. A censura, como diz o JPP, �foi um instrumento decisivo de conformidade psicol�gica, cultural e social muito mais poderoso do que pol�tico�. � absolutamente verdade. Ainda hoje, sobretudo hoje, � assim que funciona. E todos n�s sabemos disso porque todos n�s temos hist�rias para contar. Vejamos um exemplo: h� uns tempos, uma amiga minha que trabalha num hospital veterin�rio de uma faculdade p�blica contou-me que o pessoal da cirurgia anestesiou um animal mas que depois n�o pode prosseguir porque algu�m tinha roubado o kit cir�rgico (daqueles de especialidade e car�ssimos) e, portanto, teve de ser cancelada. Inventou-se uma hist�ria para disfar�ar o embara�o e marcou-se a cirurgia para outro dia. Pior. A hist�ria terminou mesmo por aqui pois parece que � normal! Depois de tudo isto, que me foi contado num tom de voz muito circunscrito, quando eu lhe disse que ia escrever sobre isso ela disse-me, muito ofendida e incomodada: oh, nunca mais te conto nada!

Para terminar, quanto ao concurso, h� alguns aspectos a ter em conta. � verdade que o perfil de p�blico da RTP n�o � exactamente o mesmo da SIC ou da TVI (ou seja, de facto n�o s�o os portugueses mas sim os "portugueses"). Isto ir� condicionar decisivamente as escolhas. Por outro lado, parece-me manifestamente insensato pedir aos "portugueses" que escolham entre Vasco da Gama e Lu�s Figo. Esque�amos por enquanto o facto de Manuel Alegre ter cantado Figo como o novo Vasco da Gama e vejamos o seguinte: nenhum destes "portugueses" conheceu Vasco da Gama. Apenas sabem que foi um grande navegador que realizou a primeira viagem mar�tima para a �ndia nos finais do s�culo XV. � o que aprendem no ciclo preparat�rio. Por outro lado, todos os portugueses, ou quase todos, conhecem Lu�s Figo, um craque do futebol que nasceu em 1972 (cinco s�culos depois de Vasco da Gama) e que delicia o pa�s com as suas habilidades, ora n�o fosse este rect�ngulo uma futebol�ndia. Haver� consci�ncia suficiente para a escolha n�o ser t�o apaixonada? Eu n�o acredito. E por isso � que acho que este programa � uma imbecilidade.

(Ricardo S. Reis dos Santos)

*

Ao leitor Vasconcelos, que pergunta se ser� de relevar o papel dos ditadores na Hist�ria, perguntaria duas coisas:
1) que pensa da import�ncia do Marqu�s de Pombal e de D. Jo�o II na nossa hist�ria?
2) Acha realmente que Salazar foi um pol�tico do tipo de Hitler, Estaline ou Pol Pot?
N�o que eu pense que Salazar � compar�vel a D. Jo�o II ou ao Marqu�s, mas a quest�o � de princ�pio. Mais afim seria compar�-lo a Mazarino ou a Richelieu...

(Pinto de S�)

*

A quest�o colocada pelo leitor Luis Vasconcelos Guimar�es sobre a inclus�o de ditadores em listas de �grandes�, parece-me ser uma falsa quest�o. Teria raz�o de ser a quest�o se a lista fosse uma lista de �bons�. N�o tenho d�vidas de que Mao, Hitler e Staline s�o grandes. Grandes mas maus (e Mao com toda a propriedade, inclusivamente a onom�stica.)

(RM)

*

1) Parece-lhe que numa sondagem feita na Alemanha ou em It�lia ou em Espanha, sobre os "grandes" cidad�os desses pa�ses, deveriam ser inclu�dos os respectivos tr�s ditadores dos anos 30/40? E que dizer, por exemplo, de Estaline, Pol Pot ou Mao?

Isto � - e pergunto com curiosidade e sem provoca��o - ser� Salazar um "grande" (sentido abonat�rio) portugu�s, ou um "influente" (sentido neutro) portugu�s? Penso que � importante fazer esta distin��o de conceitos.

E os outros ditadores de que falo acima, o que s�o nos seus pa�ses? "Influentes" por certo. Mas "grandes"? Com tanto sangue nas m�os?

Em suma: Ser� um ditador, seja qual for a sua influ�ncia hist�rica e a sua obra constru�da, pass�vel de ser considerado um "grande" cidad�o de um pa�s?

2) Se sim, at� que n�vel de "ditatorialidade" (chamemos-lhe assim) poder� um ditador ser inclu�do? Ou seja, se defende a inclus�o de Salazar na lista dos grandes portugueses, at� que ponto iria na defesa dos outros ditadores? Chegaria ao ponto de considerar Hitler um dos poss�veis "grandes" alem�es? E Pol Pot no Cambodja? Se inclu�sse alguns destes mas n�o incluisse outros, qual o crit�rio de considerar uns "grandes" no seu pa�s e outros n�o? O n�mero de pessoas que foram assassinadas sob os seus regimes?

(Lu�s Vasconcelos Guimar�es)
 


EARLY MORNING BLOGS

885 - La libertad, Sancho ...

Cuando don Quijote se vio en la campa�a rasa, libre y desembarazado de los requiebros de Altisidora, le pareci� que estaba en su centro y que los esp�ritus se le renovaban para proseguir de nuevo el asumpto de sus caballer�as , y volvi�ndose a Sancho le dijo:

�La libertad, Sancho, es uno de los m�s preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros que encierra la tierra ni el mar encubre; por la libertad as� como por la honra se puede y debe aventurar la vida, y, por el contrario, el cautiverio es el mayor mal que puede venir a los hombres . Digo esto, Sancho, porque bien has visto el regalo, la abundancia que en este castillo que dejamos hemos tenido; pues en mitad de aquellos banquetes sazonados y de aquellas bebidas de nieve me parec�a a m� que estaba metido entre las estrechezas de la hambre, porque no lo gozaba con la libertad que lo gozara si fueran m�os, que las obligaciones de las recompensas de los beneficios y mercedes recebidas son ataduras que no dejan campear al �nimo libre . �Venturoso aquel a quien el cielo dio un pedazo de pan sin que le quede obligaci�n de agradecerlo a otro que al mismo cielo !

�Con todo eso �dijo Sancho� que vuesa merced me ha dicho, no es bien que se quede sin agradecimiento de nuestra parte docientos escudos de oro que en una bolsilla me dio el mayordomo del duque, que como p�ctima y confortativo la llevo puesta sobre el coraz�n , para lo que se ofreciere, que no siempre hemos de hallar castillos donde nos regalen, que tal vez toparemos con algunas ventas donde nos apaleen.

En estos y otros razonamientos iban los andantes, caballero y escudero ...

(Cervantes, Dom Quixote)

*

Bom dia!

12.10.06
 


The image �http://www.automatesintelligents.com/actu/images/2003/fev/kasparov.jpg� cannot be displayed, because it contains errors.JOGANDO COM GARY KASPAROV

e perdendo.

Mas Kasparov, que j� deve ter jogado milhares de jogos, tem uma esp�cie de tique: antes de come�ar o jogo, roda as pe�as do xadrez com as duas m�os simetricamente, como se se apoiasse nas pe�as. Fez isto nos vinte tabuleiros, muitas vezes nos pe�es, torres e bispos, pelo que n�o � a orienta��o das pe�as (como nos cavalos) que estava arrumar.

Na jogada que virou o "meu" jogo, Kasparov bateu a pe�a com mais for�a, como se dissesse, "acabou". E acabou mesmo. Havia alegria e uma esp�cie de grito de guerra naquele golpe. O homem pode ser profissional at� � medula, mas gosta mesmo de ganhar. Ainda bem, assim d� gosto jogar.

Recordando-se dos tempos em que era considerado um dos melhores "investigadores" de xadrez, um conhecedor profundo de jogos e jogadas, lembrou o trabalho que tinha a recortar artigos de jornais e revistas com os jogos. Agora "faz-se tudo no computador", "h� menos trabalho".

Era inevit�vel. � Portugal e mesmo na mais tecnol�gica das assist�ncias tinha que vir o Mourinho. Kasparov n�o o tem em boa conta: "quando se tem recursos ilimitados n�o custa ganhar" e acrescentou "os recursos ilimitados do Chelsea que s�o roubados ao meu pa�s".
*













(...) Poderia intitular-se: "Retratos do trabalho no Centro de Congressos do Estoril, Portugal", com a seguinte legenda azul: �O tique de Kasparov, "rodando as pe�as do xadrez com as duas m�os simetricamente", ao iniciar uma simult�nea com vinte xadrezistas amadores portugueses (isto �: que nunca alcan�aram o patamar dos 2000 pontos de ELO). O resultado, previs�vel, foi de 20 vit�rias para o ex-campe�o do mundo e nem sequer um empate para amostra.�


(Jos� M�rio Silva)

*

Injusti�a, (...) , injusti�a. Eu sei que voc� n�o � muito dado a estas coisas da bola, mas Mourinho j� tinha ganho tudo no FCP com recursos escassos e jogadores de "refugo" (em termos de valor de mercado, claro est�) que valorizou. E o Real Madrid? Gastou milh�es em superestrelas e nada ganhou. Mourinho, que tamb�m tem os seus defeitos, � um "revolucion�rio" na gest�o das equipas e um exemplo de competitividade que deveria ser olhado com mais aten��o aqui no Portugal da inveja e dos "pequeninos". Aconselha-se a leitura de "Mourinho, Porqu� Tantas Vit�rias" escrito por quatro licenciados em desporto e editado pela Gradiva. Est� l� tudo. Basta extrapolar para outras �reas.

(Jo�o C�lia)
 


RETRATOS DO TRABALHO NA COSTA DA CAPARICA, PORTUGAL



... hoje �s 16:30 na Costa da Caparica (...) os pescadores devolvem ao mar o peixe com menos interesse comercial, neste caso a cavala, para g�udio das gaivotas num ritual que se repete todos os dias.

(Santos Pereira)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS UMA LEI DA TRETA?



J� que perguntar n�o ofende: quantas pessoas foram multadas, este ano, por terem ido ao banho indevidamente nas praias onde estavam hasteadas as bandeiras de proibi��o?

(C. Medina Ribeiro)

10.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM OLH�O, PORTUGAL



O bagageiro dos barcos que fazem a liga��o entre Olh�o e as ilhas a largo - Armona, Farol e Culatra ajuda os passageiros a colocar os sacos das compras no "telhado" do barco.

(Luis Cunha)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 10 de Outubro de 2006


Mais uma para a era dos engra�adinhos (vinda do Canad�, sem acentos)
Estava eu no Sabado de manha a ver a SIC Internacional, quando deparo com um programa chamado Extase, e� basicamente composto por um bando de engracadinhos, armados em espertos que falam com algumas celebridades, enfim tudo muito parvinho do meu pontos de vista, mas suponho que haja pessoas interessadas neste tipo de programas.

O pior foi que este Sabado, um desses engracadinhos estava no Terreiro do Paco a fazer entrevistas a algumas raparigas que por ali passavam. Ele chamava-as, elas reconheciam-no da TV e iam falar com ele, como se de uma vulgar entrevista se tratasse. O pior foi que este idiota a certa altura punha ostensivamente a sua mao no rabo das meninas, tudo isto dizia ele depois, era para �os apanhados�. Que tipo de apanhados sao estes? Sera� que eu estou a ver bem? (pensei eu) Como e� que uma coisa destas passa o escrutinio da SIC?
Como e� tudo isto possivel?

Este tipo ria-se a bandeiras despregadas da sua piada parvinha. Sera� isto um reflexo da nossa sociedade machista? Porque deixe-me que lhe diga se uma coisa destas acontecesse nos EUA, este tipo estaria provavelmente preso por assedio sexual, e a TV seria multada em varios milhoes de dolares.

(Carlos Carvalho)
*

Restos de um LENDO/VENDO/ OUVINDO de h� alguns dias:
Sobre a crescente politiza��o dos telejornais da esta��o p�blica � digo de nota o tempo que o jornal 2: da passada sexta-feira dedicou a ac��es do governo: sem muita precis�o, os primeiros 15 a 20 minutos for�o dedicados quase inteiramente a an�ncios governamentais de v�rios sectores ou sobre o pr�rpio PS. Apercebi-me desta situa��o quando uma not�cia, onde o primeiro-ministro discursava, teve uma dura��o bem superior ao normal apanhado de frases que � costume fazer-se, mas antes parecia que iriam transmitir o discurso na �ntegra e onde certamente por dois minutos (bastante tempo em televis�o e num notici�rio) o discurso foi transmitido sem interrup��o. Nunca senti t�o claramente um excesso de not�cias sobre o PS relativamente � import�ncia das pr�prias not�cias como neste notici�rio.

(Romeu Duarte)

S� agora li os textos sobre a manifesta��o dos professores e a cobertura da RTP a esta. N�o vou fazer de advogado de defesa da RTP, at� porque abomino esta RTP, mas neste caso espec�fico n�o consigo concordar com os diferentes textos. A RTP n�o passou a not�cia logo na abertura do telejornal, mas passou bem perto das 20h e com cabe�alhos como "Maior manifesta��o dos professores desde o 25 de Abril". A SIC noticiou a manifesta��o bem para l� das 20h30 e, esta sim, sem grande destaque. O servi�o p�blico de televis�o est� mau.
Mas neste caso n�o vejo raz�es de queixa. Mas pelo que leio no Abrupto a RTP j� � quase como que um "�dio de estima��o" n�o?

(Jorge S. Paup�rio)
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PASSADO, MO�AMBIQUE, PORTUGAL



... fotografia da minha m�e nas suas fun��es de secret�ria/ dactil�grafa em Mo�ambique, Louren�o Marques, nos anos sessenta. Tudo nesta foto nos remete para um tempo de que nos lembramos ainda: a m�quina de escrever, a folha de stencil. Hoje teria um teclado e um monitor.

(Madalena Santos)
 


EARLY MORNING BLOGS

884 - Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo ...

Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de tr�s princ�pios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um serm�o, h�-de haver tr�s concursos: h�-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; h�-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; h�-de concorrer Deus com a gra�a, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, s�o necess�rias tr�s coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e � cego, n�o se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e � de noite, n�o se pode ver por falta de luz. Logo, h� mister luz, h� mister espelho e h� mister olhos. Que coisa � a convers�o de uma alma, sen�o entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista s�o necess�rios olhos, � necess�ria luz e � necess�rio espelho. O pregador concorre com o espelho, que � a doutrina; Deus concorre com a luz, que � a gra�a; o homem concorre com os olhos, que � o conhecimento. Ora suposto que a convers�o das almas por meio da prega��o depende destes tr�s concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?

(Padre Ant�nio Vieira)

*

Bom dia!

9.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM MIRAMAR, PORTUGAL



Fot�grafo na praia.

(Gil Coelho)
 


MAIS UMA CORRIDA. MAIS UMA VIAGEM


a terminar.

8.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NA PRAIA - SANTIAGO, CABO VERDE



S�o sete da manh� no Mercado do Plateau na cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde

(Nuno Castela Canilho)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 8 de Outubro de 2006


Quem j� viu v�rios ciclos pol�ticos sabe que uma das caracter�sticas da parte socialista do ciclo � que nunca a quest�o da manipula��o dos �rg�os de comunica��o � considerada relevante para ser tratada pelos �rg�os de comunica��o. "Relevante" n�o significa uma ou outra not�cia dispersa, mas sim um interesse permanente, preocupado, cont�nuo, investigativo. Como o que existiu no tempo do Governo Santana Lopes e das suas "centrais de comunica��o" e bem. Como o que actualmente se exige com um governo maiorit�rio, com longo tempo de decis�es sobre toda a comunica��o social, podendo moldar o sector, escolher provedores e "reguladores", definir direc��es, nomear directores, demitir respons�veis, ou seja, mandar na comunica��o social

*

Veja-se Eduardo Cintra Torres hoje no P�blico:
"A blogosfera protestou: o Telejornal de 5 de Outubro remeteu para segunda linha o discurso de Cavaco Silva e a manifesta��o de professores. De facto, o jornal da RTP dedicou os primeiros 15m29s a um sequestro num banco em Set�bal; seguiu-se o aumento das taxas de juro; s� aos 22 minutos do notici�rio veio a maior manifesta��o de professores de sempre, que teve direito a 2m32s, isto �, metade do futebol e o mesmo que os 50 anos dos livros da Anita. O discurso do Presidente e a abertura do Pal�cio de Bel�m tiveram direito a 7m23s, mas s� depois da primeira meia hora de Telejornal. Os protestos da blogosfera s�o correctos, porque o Telejornal deveria ser a janela do servi�o p�blico informativo. (...) Com uma blogosfera activa, torna-se mais dif�cil aos poderes e aos que vergam �s press�es nos media tradicionais fazer passar propaganda e malabarismos informativos. Esta atitude activa da blogosfera � tanto mais importante quanto uma parte significativa da imprensa tradicional se alheia, incrivelmente, deste tipo de an�lise, fazendo um jornalismo sobre TV muito desviado da realidade: nas �ltimas semanas, recebi duas d�zias de telefonemas de jornalistas de outros media interessados em saber, ou sobre a minha carteira profissional de jornalista, ou a minha opini�o sobre os Morangos, Floribella, Jura, "guerra" SIC-TVI... mas nada sobre o condicionamento pol�tico da informa��o - que � um tema de interesse activo para quem l� jornais, como se v� pela blogosfera."
 


EARLY MORNING BLOGS

883 - Dust in the Eyes

If, as they say, some dust thrown in my eyes
Will keep my talk from getting overwise,
I'm not the one for putting off the proof.
Let it be overwhelming, off a roof
And round a corner, blizzard snow for dust,
And blind me to a standstill if it must.

(Robert Lee Frost)

*

Bom dia!

7.10.06
 


VER A NOITE



Noite desigual. Agora.

(RM)
 


COISAS DA S�BADO: VERDADE E POL�TICA

http://newsimg.bbc.co.uk/media/images/41548000/jpg/_41548116_gyurafp203b.jpgO Primeiro-Ministro h�ngaro num momento de catarse resolveu dizer que mentira aos seus concidad�os para ganhar elei��es. Os seus eleitores, num momento de catarse, resolveram dizer que tinham acreditado nas mentiras e que se sentiam agora enganados pelo que querem o homem na rua. Todos os dilemas da pol�tica moderna nas democracias est�o aqui presentes. Sem mentir, os pol�ticos n�o ganham elei��es, por regra. As excep��es confirmam a regra. Sem serem voluntariamente enganados os eleitores n�o votam em ningu�m. Vou acaso votar em algu�m que me diz, na mis�ria em que eu estou, que vou ter que trabalhar mais, ou ganhar menos e n�o ter esperan�a t�o cedo de a deixar? Nem pensar nisso, vou votar mas � no que parece sa�do da televis�o, bem falante, bem parecido, que me acaricia o ouvido com o que eu quero ouvir. Que faz todas as r�bulas do que eu desejo: se vivo em tempos inseguros, quero um duro e firme com o crime, se vivo num t�nel, quero um que me fale do fim do t�nel e da sua luz radiosa. Eu sei que ele me mente que � s� teatro, mas � desse teatro que eu gosto, n�o me quebrem a ilus�o, esse doce enlevo. Vai para a rua � mentiroso h�ngaro!
 


BIBLIOFILIA: QUANDO O MUNDO ERA SIMPLES



e pouco politicamente correcto.
 


EARLY MORNING BLOGS

882 - ...nobody answers this bell!


There was an Old Man who said, 'Well!
Will nobody answer this bell?
I have pulled day and night,
Till my hair has grown white,
But nobody answers this bell!'

(Edward Lear)

*

Bom dia!


6.10.06
 


O FUTEBOL COMO REPOSIT�RIO DOS BONS COSTUMES

http://www.apostolado.info/fotos/grandes/bola.gif
A �ltima coisa que sou � um moralista e muito menos algu�m que pense que as sociedades s�o ass�pticas, ou sequer que devam ser ass�pticas. Deve ser tenebroso viver num mundo inteiramente ordenado por curadores da moral p�blica, numa esp�cie de Singapura gigantesca policiada por patrulhas do v�cio, embora o crescente papel dos defensores da sharia v� nesse caminho e a cobardia ocidental lhes abra a porta. Mas exactamente por n�o ser moralista � que vejo com curiosidade entomol�gica (sim, de entomologia, "a ci�ncia que estuda os artr�podes sob o aspecto morfol�gico e biol�gico e a sua rela��o com os outros seres vivos") o modo como na sociedade portuguesa as pessoas se relacionam com o futebol. E o modo como este fornece "exemplos de vida", propaganda pelos factos, modelos de comportamentos morais. Bons exemplos, n�o por serem bons, mas por serem eficazes.

Preciso duas coisas, neste terreno armadilhado com �cido f�rmico: n�o � s� em Portugal mas tamb�m noutros pa�ses, com graus diferentes conforme os mecanismos de socializa��o distintos, e n�o se aplica a toda a gente, mas � maioria da gente. Mais uma preven��o por causa do mesmo �cido: o fornecimento de exemplos sociais de malfeitorias n�o se limita ao futebol, tamb�m os pol�ticos, as profiss�es liberais, os ricos, o jet set, os jornalistas, os artistas de variedades, etc., etc., contribuem. S� que o an�tema social que de imediato os atinge � duro e fulminante, o que ainda torna mais reveladora a complac�ncia com o futebol.

Este aspecto de "propaganda pelo exemplo", como diriam os anarquistas, � muito interessante, porque, numa sociedade com uma moral p�blica feita de bons costumes e respeitinho, ningu�m se importa com os desmandos vindos desse exemplo de virtudes que � o mundo do futebol. Exactamente por n�o ser moralista - repito pela terceira vez - � que o que me parece revelador � a hipocrisia que esta atitude mostra e a forma como a circula��o social dessa hipocrisia mostra a superficialidade desses bons costumes: d�em-lhes um campo de futebol, uma discuss�o de caf�, uma entrevista televisiva, uma chamada telef�nica a fazer umas certas combina��es, uma noitada de alterne, horas e horas a fio de conversa no emprego, um megafone na Internet, uma excita��o de cachecol e l� vai a boa educa��o, a moralidade crist�, a cartilha do Jo�o de Deus, a prelec��o da missa ao domingo, e s� ficam os urros colectivos e a suave m�sica tribal do "� Pinto da Costa vai para o c..." (que no P�blico n�o se escrevem obscenidades).

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/MattiParkkonen_chimpanze1.jpg/180px-MattiParkkonen_chimpanze1.jpgO notici�rio nacional � revelador e uma consulta r�pida a essa parte dos jornais pulula de casos virtuosos. Prova um: o Manchester United processou o Benfica, porque, quando os seus jogadores negros apareciam, as bancadas desatavam a gritar umas coisas com us, com a boca atirada para cima e o bei�o grosso, que os adeptos aprenderam com os macacos. Percebe-se: macacos nas bancadas num di�logo multicultural com os macacos no relvado. Esta dos macacos j� eu vi num dos raros jogos de futebol a que assisti, confesso que a sua maioria em campanhas eleitorais, eis o tributo que o v�cio paga � virtude, e de clubes de pequena dimens�o. Num desses jogos, come�aram os macacos sincopados a urrar e eu, que n�o sabia o que era aquilo, perguntei, penso que ao Herm�nio Loureiro, o que � que se passava, se era o hino do clube, e ele, com infinita paci�ncia, explicou-me. O Benfica ficou naturalmente indignado com t�o vil acusa��o e nega que haja racismo entre os seus adeptos, tudo gente que paga as quotas ao SOS Racismo, e presumo que o Manchester tamb�m n�o � um po�o de virtudes.
http://www.artnet.com/artwork_images_287_117714_Carol-Anthony.jpg
Adiante, que n�o faltam exemplos nas fabulosas escutas do Apito Dourado que parece que servem para tudo menos para levar a tribunal os nelas implicados. Prova dois: esta semana ouvi na televis�o mais um virtuoso exemplo de um clube que para agradecer aos �rbitros os bons servi�os prestados lhes garantia "fruta", ou melhor, "fruta para a noite". Mais uma vez me surpreendi pela indig�ncia do nosso futebol que paga um bom resultado apenas com fruta, embora possa pressupor que fruta nocturna deva ser mais rara. Uma pesquisa na Internet sobre o que era essa "fruta nocturna" n�o deu resultados, pelo que o Google ainda est� para apanhar as subtilezas das prendas aos �rbitros portugueses. H� um Night Fruit Caf�, um Starry Night Fruit Cake. H� uma recomenda��o de que n�o se deve comer uma Night Fruit Pie antes de se ser operado, o que me parece recomend�vel, mas nada que explique o sucedido. Ainda me inclinei, metaforicamente claro, a favor da bebida, porque parece que o presidente Pinto da Costa teria sido consultado ou teria perguntado se queriam "caf� com leite, com muito leite ou mais caf�".
Podia tamb�m ser um caramelo, um doce, uma pastilha, visto que algu�m escutado diz ao outro escutado, o presidente, que um �rbitro estaria "� espera de um rebu�adinho", ao que lhe foi respondido "pois est�-lhe garantido". Aqui est� um retalho da vida desportiva �mpar de virtudes frugais. Basta um "rebu�adinho". S� intelectuais maldosos ou apoiantes do presidente do Benfica � que falam da corrup��o no desporto.

Afinal, o Record funcionou como aqueles malvados que nos dizem cedo de mais que n�o h� Pai Natal e informou-me da minha angustiante ignor�ncia, tornando prosaica a procura da "fruta nocturna", explicando que o pagamento aos �rbitros era feito atrav�s de "servi�os sexuais com prostitutas", o que alargou a minha no��o de servi�o p�blico e me elucidou ainda mais sobre o fascinante mundo dos "rebu�adinhos".

Eu sei que isto � chover no molhado. H� alt�ssima probabilidade de os meus leitores - sim o P�BLICO � lido por gente normal e n�o por especialistas em Duns Scoto (embora na semana do discurso papal tivesse as minhas d�vidas) - conhecerem estas e mil e uma outras hist�rias e terem-se j� divertido e encolhido os ombros com elas. � esse encolher dos ombros (pensando bem, hoje que eu estou a encher este artigo de metadiscursos protegidos por v�rgulas, par�ntesis e travess�es, o que � isso de encolher os ombros face � riqu�ssima linguagem gestual dos jogos de futebol...) que me interessa: ver pais cuidadosos com a educa��o dos seus filhos, que n�o lhes permitem um palavr�o, ululantes nos est�dios mais os herdeiros; raparigas finas nos sal�es a tornarem-se raparigas grossas nos est�dios; gente que n�o conhece, nem quer conhecer o vizinho e que s� se d� com os seus eleitos a confraternizarem com a cerveja convencidos que est�o entre os apaches a dan�ar com os lobos. Chegam ao futebol e vale tudo, a come�ar pelos olhos.

Os amadores ilustrados pelo intelecto dir�o que isto � que revela a "for�a do futebol" e eu acrescento "e a fragilidade da nossa comunidade, mais a hipocrisia da nossa sociedade". Essa da hipocrisia move-me mais do que a "fruta nocturna" ou os us, porque num pa�s cat�lico, apost�lico, romano, na cauda da Europa, e com uma nostalgia m�tica do passado, faz estragos consider�veis e comunica com outros pecados sociais que acho mais sinistros, a come�ar pela inveja socializada e a defesa activa da mediocridade.

Eu sei que a sociologia, a antropologia, a psicologia de massas, a psican�lise social, a etologia dos primatas, a endocrinologia, e muitas mais �reas cient�ficas explicam tudo. Mas um pouco mais consci�ncia da hipocrisia social activa que o futebol propicia teria certamente a virtude de tornar a sociedade mais genuinamente tolerante, o que ela � pouco e... menos moralista. Eu bem vos disse, agora aqui pela quarta vez, que n�o sou moralista.

(No P�blico de 5 de Outubro de 2006)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 6 de Outubro de 2006


O modo como a manifesta��o dos professores foi tratada mostra a fragilidade do nosso jornalismo, que tem muita dificuldade em sair do habitual, em perceber o que � diferente, para al�m das leg�timas d�vidas sobre a governamentaliza��o da RTP que suscita. A manifesta��o dos professores n�o foi apenas uma manifesta��o bem sucedida para os sindicatos, n�o foi apenas a "maior" manifesta��o dos professores, foi um elemento qualitativamente novo na an�lise da situa��o do nosso ensino.

Mereceria que se lhe estivesse mais atento porque mostra uma ruptura entre os professores e o Minist�rio sem precedentes e que n�o pode deixar de ter consequ�ncias sobre o que se passa nas escolas. Mereceria um coment�rio mais qualificado, fora do tradicional conflito sindical, mereceria que se tentasse perceber porque raz�o o Minist�rio alienou nas escolas a parte mais qualificada dos professores que podiam ser o suporte de muitas das reformas que t�m vindo a ser propostas e que s�o vitalmente necess�rias. Mostra o pre�o do estilo do governo de tentar fazer reformas atacando os grupos profissionais no seu conjunto pelos seus "privil�gios", o que no caso dos professores foi fatal.

Os professores s�o uma profiss�o muito especial, com grandes fracturas internas, muito maus h�bitos mas tamb�m um dos ambientes de trabalho mais �rduos que se possa imaginar, tendo que defrontar problemas sociais, familiares, culturais, para que n�o tem meios nem qualifica��es, para que nem sequer � suposto que escola tenha efic�cia. Mas h� uma minoria de professores, uma minoria porque a profiss�o est� muito degradada, que se dedica de forma quase "vocacional" ao ensino e esses desejavam h� muito algumas das reformas que o Minist�rio se prop�e fazer. Sucede que esses professores tamb�m sabem bem demais o papel negativo que o Minist�rio sempre teve e as enormes responsabilidades do aparelho burocr�tico-sindical que o domina. Revoltaram-se por passarem a bodes expiat�rios de uma situa��o que sempre combateram, sem qualquer assun��o de responsabilidades pr�prias do Minist�rio. Alguns pela primeira vez foram ontem a uma manifesta��o sindical.

Boa tarde, sou um jovem desempregado de 29 anos e senti-me indignado ontem, pois vi o p�ssimo telejornal transmitido pela RTP1(casa que eu tinha em considea��o).Surge-me dizer que estou tentado � acreditar nas palavras de
Cintra torres, em rela��o � governamentaliza��o do telejornal. Que todo
e qualquer governante se sirva do servi�o publico para dar a conhecer o que pretende para o pais tudo bem, agora que praticamente se ignore os protestos, no caso de professores, est� mal.Na Sic al�m da nossa manifesta��o at� apareceu uma na Grecia, na rtp penso que esta nem foi mencionada.

Aqui por casa somos todos professores e estamos profundamente desiludidos com este minist�rio. Podemos dizer que o servi�o publico melhorou deste que est�o este senhores a mandar(veja-se o caso recente do progrma sobre lingua portugu�s, ou programa d reportagens que ecentemente emitiu uma sobre viol�ncia dos alunos sobre os professores),menos o telejornal claro.O caso dos professores � apenas a ponta do iceberg.

Fa�am-me um favor toca a congestionar o mail do provedor sobre este assunto.Penso que vou passar a ver mais o telejornal da Sic.

(Hugo Cunha)

*

Foi muito oportuna a ida do Secret�rio de Estado ao Canal Dois, ao telejornal, onde uma vez mais tratou o problema dos professores como se estivesse a tratar de birras de crian�as e a explicar-lhes que quando uns se portam mal, todos s�o castigados.
Isto � algo que eu n�o entendo nesta equipa ministerial. Nunca o professor foi t�o humilhado e a ressalva dos competentes e dedicados n�o tem qualquer tipo de efeito bals�mico na ferida da humilha��o.

Mas o pior estaria para a acontecer, quando em pleno dever de informar o espectador sobre o que tinha acontecido, ou estava ainda a acontecer, nas ruas de Lisboa, numa manifesta��o espantosamente participada, a not�cia dos professores foi breve e rapidamente substitu�da pela repeti��o de um excerto da entrevista dada na v�spera, exactamente no tema ECD, em que o Sr. Secret�rio de estado repisa a teoria do ME.

Fica esquecida a quest�o do desemprego dos professores profissionalizados que esperam por contrata��es c�clicas que n�o t�m nem dia nem hora para serem publicadas na internet? Este desemprego contribui para a exist�ncia de seres humanos cada vez mais infelizes do ponto de vista pessoal e social. E este governo devia ter preocupa��es com as pessoas. Que socialismo � este? Os alunos s�o gente e os professores s�o gente. Obrigada por lerem a minha indigna��o!

(Madalena Santos, professora do Ensino B�sico, 54 anos de idade, 31 de profiss�o)

*

1. A minha m�e � professora h� 34 anos. Pela primeira vez foi a uma manisfesta��o. A manifesta��o dos professores. Ela � uma pessoa completamente despolitizada.Despolitizada entenda-se :raramente vota , nunca militou em partidos e/ou sindicatos e quando falam em politica na Tv , muda logo de canal.
Quando chegou a casa , vinha com uma bandeira na m�o e a primeira coisa que fez , foi guardar a dita cuja , como que dizendo " Quero guardar uma recorda��o deste dia".
Como ela , outros se lhe juntaram na manifesta��o , que claramente n�o foi s� apenas uma manifesta��o dos sindicatos e seus compagnons de route . Foi um largo contigente de professores que desceu a Lisboa. E foi isso que a RTP omitiu.

2.Imaginemos um Gestor. No primeiro dia , quando chega � sua nova Empresa , a primeira medida que faz � chamar os Trabalhadores para uma reuni�o.
Exp�e-lhes os seus planos e objectivos e no final da reuni�o , remata a mesma dizendo :"Estes s�o os meus planos e objectivos. Sei que vo��s s�o uns incompetentes, mas os objectivos tem de ser alcan�ados!Agora m�os � obra!".Logicamente que a motiva��o e a produtividade dos trabalhadores n�o ser� elevado.Agora substitua-se Gestor por "Ministra da Educa��o", Empresa por "Minist�rio da Educa��o" e Trabalhadores por "Professores."No contexto actual , a situa��o n�o muda muito..

3.Aquando da j� long�nqua (quase dois anos..) campanha eleitoral , em Portugal descobriu-se que existe um pais chamado Finl�ndia , que por "acaso" � bastante desenvolvido .O que motivou uma visita de Jos� Socrates, j� indigitado Primeiro Ministro , para conhecer in loco este fen�meno. Uma das conclus�es , foi que , supresa das supresas , uma das raz�es para o sucesso Finland�s passava por uma forte aposta da educa��o.
Lembro-me que nessa visita , quando entrevistavam professores Finlandeses , todos eles frisavam o facto de , por via da sua profiss�o , serem pessoas bastante respeitadas na comunidade e a sua opini�o ser ouvida atentamente.Ser� que isso sucede em Portugal?Acho que n�o...

(Jo�o Melo)

*

O problema pol�tico da educa��o � muito mais s�rio do que pode parecer. Era altura de a comunica��o social (e o sistema pol�tico) deixarem de tratar o assunto como �pano de fundo� da vida c�vica. Ele merece lugar central. Incido em dois aspectos estranhamente ignorados e que, se se passassem noutro sector, j� teriam chamado a aten��o dos analistas pol�ticos: (i) o mesmo PS que bate no peito a favor das quotas para as mulheres ao n�vel da representatividade pol�tica, ataca sem pudor o sector da educa��o, caso singular em Portugal (talvez acompanhado pelo da sa�de) de valoriza��o e dignifica��o social das mulheres que se afirmaram em p� de igualdade face ao g�nero oposto �sem favores�; (ii) se o maior problema da estrutura social portuguesa � o fosso a tender para o terceiro-mundismo entre as elites e o �resto�, uma almofada de classe m�dia (mais m�dia-baixa) que o Estado Democr�tico impulsionou est� em vias de ser estreitada a um ter�o, se tomarmos como refer�ncia a proposta de Estatuto da Carreira Docente e tendo em conta os efeitos de modela��o social associados �s decis�es estrat�gicas do Estado.

Que o Eng.� Jos� S�crates e os contabilistas-gestores-propagandistas que o acompanham sejam ignorantes nessas mat�rias, o mesmo n�o � aceit�vel vindo da soci�loga Maria de Lurdes Rodrigues. Se a �ltima para progredir na carreira fosse sujeita a um exame sobre a rela��o entre estrutura social e estabilidade pol�tica, estava rotundamente chumbada. Nem sequer parece ter percebido que a maioria absoluta n�o � eterna e a ressaca, com tal heran�a governativa, ser� um tiro no p� da estabilidade do sistema pol�tico democr�tico. Como o processo est� a ser conduzido no plano pol�tico, onde muitos sonham com reformas na estrutura do Estado, daqui a uma d�cada provavelmente encontrar�o uma fragmenta��o est�ril no tecido social e uma administra��o p�blica um pouco mais leve nos custos, mas muito mais ineficaz para os que mais precisam em sectores estruturais (seguran�a social, sa�de e educa��o) e a persist�ncia de um sector privado referenciado na m�o-de-obra barata. Depois n�o valer� a pena voltar a chorar a estruturante desigualdade social de um pa�s bipolar, que n�o sabe ser moderado, no qual desde 2005 os novos �capit�es� tentaram uma revolu��o de Abril ao contr�rio, em vez de encetarem um processo reformista inteligente, honesto, ponderado, solidamente negociado e socialmente dilu�do.

A reac��o de corpos profissionais como o dos professores simboliza muito mais para o sistema pol�tico do que a simples reac��o absurda de pessoas bem instaladas que procuram a mera conserva��o de direitos adquiridos tornados ileg�timos pela propaganda governativa.


(Gabriel Mith� Ribeiro)
*

Sobre monstros, geometria, os gatinhos e o ET - ou de como � f�cil levarem-nos pela certa. Basta ter grandes olhos, nariz curto...

*

Em continua��o de ontem:
N�o podia estar mais de acordo com os coment�rios relativos aos crit�rios noticiosos da RTP. Como � que se explica que not�cias como o do sequestro de Set�bal tenha durado vinte minutos de entrevistas banais a transeuntes (sem que nada se passasse) e outras bem mais relevantes (Discurso do 5 de Outubro, Manifesta��o dos professores, etc...) tenham sido relegados para segundo plano? Isto para j� n�o falar da dura��o do telejornal principal (mais de 1 hora!) cheio de banalidades futebol�sticas (les�es, entrevistas a jogadores, sub-21, selec��es diversas...). Basta ver os notici�rios da BBC, Sky.News, TV5, CNN, para perceber as diferen�as...

(Rui Mota )
 


EARLY MORNING BLOGS

881 - Sur un h�te douteux



Ses disciples chantent : Il revient le Sauveur des hommes : Il v�t un autre habit de chair. L'�toile, tomb�e du plus haut ciel a f�cond� la Vierge choisie. Et il va rena�tre parmi nous.

Temps b�nis o� la douleur recule ! Temps de gloire o� la Roue de la Loi courant sur l'Empire conquis va tra�ner tous les �tres hors du monde illusoire.

*

L'Empereur dit : Qu'il revienne, et je le recevrai, et je l'accueillerai comme un h�te.

Comme un h�te petit, qu'on gratifie d'une petite audience, -- pour la coutume, -- et d'un repas et d'un habit et d'une perruque afin d'orner sa t�te rase.

Comme un h�te douteux que l'on surveille ; que l'on reconduit bien vite l� d'o� il vient, pour qu'il ne soudoie personne.

*

Car l'Empire, qui est le monde sous le Ciel, n'est pas fait d'illusoire : le bonheur est le prix, seul, du bon gouvernement.

Que fut-il, celui qu'on annonce, le Bouddha, le Seigneur F� ? Pas m�me un lettr� poli,

Mais un barbare qui connut mal ses devoirs de sujet et devint le plus mauvais des fils.

(Victor Segalen)

*

Bom dia!

5.10.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 5 de Outubro de 2006


Na RTP uma "grande" entrevista a Nobre Guedes cheia de banalidades. Uma coisa interessante: Nobre Guedes defende o retorno � tradicional estrat�gia do PP de Portas - dar-se bem com o PS, atacar o PSD.

*

Estou a ver o telejornal da RTP (5 de Outubro) e gostaria apenas de expressar a minha estupefac��o relativamente �s primeiras not�cias do dia. S�o 20:19 e apenas foram tratados dois temas: o sequestro do dia anterior num banco e a subida das taxas de juro. Acho inqualific�vel as op��es de quem tem define os crit�rios de escolha das not�cias no telejornal da RTP. Hoje houve um discurso relevante do Sr. Presidente da Rep�blica e (digo-lhe desde j� que n�o sou professor) pelo que ouvi, porque ainda n�o vi, houve a maior manifesta��o de sempre de professores. Como � que � poss�vel?

(Jo�o Paulo Neto)
 


BIBLIOFILIA: PARA O CENTEN�RIO DE HUMBERTO DELGADO



Um livro muito pouco conhecido de Humberto Delgado de 1944, o ano em que foi nomeado respons�vel pela avia��o civil.
 


EARLY MORNING BLOGS

880 -THE ANT



The ant has made himself illustrious
Through constant industry industrious.
So what?
Would you be calm and placid
If you were full of formic acid?

(Ogden Nash)

*

Bom dia!

3.10.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 3 de Outubro de 2006


A Helena Matos cheia de raz�o no Blasf�mias:
"� de anedot�rio o que se tem passado com as not�cias sobre estas elei��es no Brasil. Al�m de Lula sabem os leitores e telespectadores portugueses que existe a candidata Helo�sa Helena. Quantas vezes se falou daquele obscurantissimo senhor que vai � segunda volta? E note-se que segundo nos � dito o inc�gnito vai � segunda volta apenas porque os ricos votaram nele e tamb�m porque os companheiros de Lula se deixaram apanhar nuns esquemas de corrup��o (coisa confusa que nem vale a pena detalhar e que assim como assim � end�mica e generalizada no Brasil)"
A caveira e t�bias � o s�mbolo dos produtos t�xicos.O grau de proselitismo pol�tico na nossa comunica��o social est� t�o embrenhado, � t�o denso e t�o habitual, a come�ar pela quest�o "americano-bushista-israelo-palestiniana-iraquiana", que j� � dif�cil imaginar como seriam as "not�cias" sem ele. Seriam certamente mais not�cias.

Exemplos: sil�ncios sobre o que se passa e � necess�rio fazer no Darfur, resultado de n�o se querer integrar o notici�rio sudan�s no contexto dos conflitos de origem isl�mica; indiferen�a perante atentados como o de Mombai, tamb�m descontextualizado; conflitos h�ngaros entre o primeiro-ministro e a "extrema-direita", forma de diminuir a reac��o contra um governante socialista; omiss�o do conte�do do documento dos servi�os secretos americanos publicado para mostrar como eram de m� f� as fugas parcelares realizadas, etc., etc. Fecho r�pido de assuntos, de tudo o que contraria as teses dominantes, ao mesmo tempo que se estica at� ao limite tudo o que as refor�a. � intencional? Muitas vezes nem sequer isso �. � como quem respira. Sempre o mesmo ar.
 


EARLY MORNING BLOGS

879 - A Man Said To The Universe

A man said to the universe:
"Sir I exist!"
"However," replied the universe,
"The fact has not created in me
A sense of obligation."

(Stephen Crane)

*

Bom dia!

2.10.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM DUHRAM, REINO UNIDO



Diariamente este homem ajuda os alunos e pais de uma escola pr�xima a atravessar a rua numa passagem para pe�es.

(Fernando Baiao Dias)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 2 de Outubro de 2006


Novas paisagens. Esta nunca vi: um aerogerador incendiou-se. Est� neste momento a arder.



*

Da mesma maneira que critiquei o seu "fecho", louvo agora a abertura do P�blico em linha com muito mais conte�dos dispon�veis sem assinatura. N�o � tudo, mas � um avan�o. O jornal s� pode ganhar, n�s s� podemos ganhar.

*

Como nos fala a mem�ria? De um modo geral enganando-nos. Excelente iniciativa sobre os caminhos da mem�ria e da hist�ria no Passado / Presente.
 


RETRATOS DO TRABALHO NO LOBITO, ANGOLA



No mercado do Lobito encontra-se todo o tipo de servi�os.
Neste caso, um �improvisado� sal�o de barbeiro.

(Carlos Guerreiro)
 


A FAVOR DA TURQUIA

http://www.essex.ac.uk/armedcon/images/country/headings/flags/turkey_flag_large.bmp

No dia 1 de Janeiro de 2007, mais dois pa�ses, a Rom�nia e a Bulg�ria, v�o entrar na Uni�o Europeia. Ao mesmo tempo que confirmava esta data para o acesso dos dois pa�ses do Leste europeu, Dur�o Barroso adiou mais uma vez a esperan�a da Turquia de aceder em prazo razo�vel � Uni�o Europeia. As duas decis�es s�o completamente contradit�rias na sua l�gica, a primeira certa mas cheia de ambiguidades, a segunda clara mas completamente errada.

Qualquer pessoa que conhe�a minimamente a Bulg�ria e a Rom�nia sabe de ci�ncia certa que nenhuma das duas, mais a Rom�nia do que a Bulg�ria, est� "preparada" para aceder � Uni�o Europeia, se os seus crit�rios de ades�o fossem tomados a s�rio. A verdade � que j� n�o o foram na �ltima vaga de ades�es, mas sim esticados at� limites puramente formais para que, procedendo a rearranjos formais, alguns pa�ses pudessem entrar. As quest�es complexas que traduzem a hist�ria turbulenta do Centro e Leste da Europa, assim como a heran�a do comunismo permanecem longe de ser resolvidas. Algumas dessas quest�es, envolvendo nacionalidades, direitos de minorias, fronteiras contestadas, direitos individuais, independ�ncia do sistema judicial, sobreviv�ncias de mecanismos totalit�rios de governo, menoriza��o das oposi��es, desigual acesso aos meios do Estado, corrup��o institucionalizada, com maior ou menor grau, existem em muitos pa�ses da antiga cortina de ferro. O que � que aconteceu � importante minoria russa na Let�nia cujos direitos eram violados pela legisla��o sobre a l�ngua e o emprego do Estado, discriminat�ria a favor dos falantes em let�o? Este � apenas um exemplo dos muitos problemas a que se deu uma solu��o formal, para garantir a ades�o, mas que efectivamente se varreram para debaixo do tapete. A Rom�nia e a Bulg�ria tem muitos destes problemas e mais alguns oriundos da maior pobreza relativa.

Apesar disto tudo, � positivo que a Uni�o Europeia inclua estes pa�ses no seu seio, dando-lhe mais oportunidades para prosperarem economicamente e funcionando como uma poderosa for�a de press�o para impedir os desmandos a que a heran�a do comunismo e os processos de transi��o, ou apenas o retornar de hist�rias nacionais antigas, poderiam levar. S� que me parece bem que se tenha consci�ncia de que s� entram, mesmo sem as condi��es cumpridas e ainda com um longo caminho pela frente, por puras raz�es geopol�ticas.

Ao mesmo tempo conv�m abandonar a ilus�o de que a sua entrada favorece a "integra��o" europeia, que de h� muito est� emperrada, em parte porque n�o se soube lidar com a realidade posterior � queda do muro de Berlim. Eu, do mal o menos: prefiro uma Europa m�nima assente numa geopol�tica da paz, que por sua vez assenta numa comunidade de bem-estar econ�mico, do que Europa nenhuma. Ou seja, caminha-se para "unificar" a Europa e n�o para a "integrar". Tamb�m penso que valia a pena aos pa�ses fundadores da Uni�o, e que foram os seus motores, perceberem que a Europa que existe de facto � bem diferente da que se come�ou a fazer at� Maastricht. Essa, a sua ret�rica vanguardista deitou-a a perder nos �ltimos dez anos e n�o volta t�o cedo. E ou aceitam o que h�, e trabalham a partir do que h�, ou acabam por perder tudo.

Numa Europa m�nima tem todo o sentido fazer entrar a Rom�nia e a Bulg�ria, mas se a Europa fosse "m�xima", tivesse a unidade pol�tica, econ�mica e social integrada que a utopia constitucional desejava, n�o teria. Quando se aceitou o alargamento apressado que culminou em 2004, decidiu-se por meras raz�es geopol�ticas impedir que o Centro e Leste da Europa ficasse uma terra de ningu�m entregue � pobreza, aos seus fantasmas do passado e � vizinhan�a perigosa de uma R�ssia que Putin cada vez mais aproxima da pol�tica externa que foi a dos czares e a dos comunistas. E decidiu-se por essas raz�es porque j� nessa altura se tornava evidente que a Uni�o Europeia n�o estava disposta a pagar o elevado pre�o de um processo de ades�o a s�rio, mais lento, testado e caro, e isso se devia a que o impulso para um upgrade pol�tico era demasiado superficial, voluntarista e pouco adequado �s realidades das pol�ticas nacionais.

Depois, a um erro somaram-se muitos outros: a fuga em frente da Constitui��o europeia, a ret�rica da PESC, o gaban�o de uma Europa mais economicamente desenvolvida que os EUA em 2010. E a assun��o de uma pol�tica gaullista da Europa como superpot�ncia destinada a contestar o palco mundial dos EUA. Tudo pol�ticas profundamente erradas, que deixaram tornar o chamado "modelo social europeu" num mecanismo de bloqueio econ�mico e social que gerou proteccionismo, que fracturaram o eixo transatl�ntico e que produziram uma pol�tica externa t�o politicamente correcta como ineficaz. Hoje continuamos a n�o entender que a �nica Europa que funciona � a m�nima e essa devia ser preservada antes que se estrague e que a "m�xima" s� traz caos e tens�es, e nem sequer � hoje minimamente fact�vel.

� por tudo isto que � um erro grav�ssimo estar a criar dificuldades � ades�o da Turquia nesta Europa m�nima, a �nica que existe e funciona. A ades�o da Turquia tem a mesma l�gica da que vai aproximando a UE das fronteiras do continente, fazendo-a parar na Federa��o Russa, com a vantagem de a levar a outras fronteiras cuja instabilidade tamb�m afecta a Europa, as do M�dio Oriente. � verdade que a Turquia tem graves problemas, alguns dos quais semelhantes aos de outros pa�ses no Leste europeu e outros que s�o uma sobreviv�ncia da complexidade da sua hist�ria do s�culo XX, em particular graves quest�es de direitos humanos relacionados com a quest�o curda. Mesmo para essa entrada numa Europa m�nima, estes abusos devem ser controlados e eliminados, mas n�o se conhece outro dissuasor do que a manuten��o da esperan�a da ades�o na UE.

Depois h� a vexata quest�o, a de ser um pa�s maioritariamente mu�ulmano. � verdade, mas tamb�m � o �nico grande pa�s mu�ulmano no mundo (em parte a Indon�sia tamb�m) em que existe separa��o entre a religi�o e o Estado e este � laico, nalguns aspectos agressivamente laico. O nosso problema com a Turquia � que aquilo de que gostamos na Turquia, o Estado laico, assenta naquilo de que n�o gostamos, o papel constitucional do ex�rcito, heran�a das simpatias de Ataturk pelo nacionalismo de g�nese europeia e os totalitarismos dos anos 30. Uma revolu��o imposta a pulso de ferro, mas que criou um sistema de equil�brios �nico.

Resolvidos esses problemas, h� que lidar com a dimens�o da Turquia de forma positiva, como ben�fica para a paz da Europa. A Turquia n�o � um pequeno pa�s, � uma pot�ncia regional, com uma �rea de influ�ncia que se estende das rep�blicas centro-asi�ticas at� � China. E, para al�m disso, entra para a UE um dos poucos ex�rcitos cred�veis existentes na Europa. Tamb�m pode fazer diferen�a. Para a estabilidade da Europa, precisamos da Turquia e da Turquia do nosso lado. Pode ser at� que a sua entrada na UE gere uma din�mica mais favor�vel a uma retomada de um caminho pol�tico, mais lento, prudente e seguro. Exige-se senso e olhar grande sobre a geografia, a hist�ria e a pol�tica. Sen�o, damos por nossa iniciativa um eficaz passo para a "guerra de civiliza��es" que todos esconjuram, mas n�o praticam.

(No P�blico de 28 de Setembro de 2006)
 


EARLY MORNING BLOGS

878 - Spring Comes to Murray Hill

I sit in an office at 244 Madison Avenue
And say to myself You have a responsible job havenue?
Why then do you fritter away your time on this doggerel?
If you have a sore throat you can cure it by using a good goggeral,
If you have a sore foot you can get it fixed by a chiropodist,
And you can get your original sin removed by St. John the Bopodist,
Why then should this flocculent lassitude be incurable?
Kansas City, Kansas, proves that even Kansas City needn't always be Missourible.
Up up my soul! This inaction is abominable.
Perhaps it is the result of disturbances abdominable.
The pilgrims settled Massachusetts in 1620 when they landed on a stone hummock.
Maybe if they were here now they would settle my stomach.
Oh, if I only had the wings of a bird
Instead of being confined on Madison Avenue I could soar in a jiffy to Second or Third.

(Ogden Nash)

*

Bom dia!

1.10.06
 


INTEND�NCIA

Actualizada a nota LENDO / VENDO / OUVINDO �TOMOS E BITS de 28 de Setembro de 2006.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM LOBITO, ANGOLA



CUPAPATA � um servi�o de t�xis muito comum no sul de Angola. N�o se encontra em Luanda.

(Carlos Guerreiro)

� Jos� Pacheco Pereira
In�cio
Site Meter [Powered by Blogger]