ABRUPTO |
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jppereira@gmail.com
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31.10.06
07:25
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 899 - The Cruel Moon The cruel Moon hangs out of reach Up above the shadowy beech. Her face is stupid, but her eye Is small and sharp and very sly. Nurse says the Moon can drive you mad? No, that�s a silly story, lad! Though she be angry, though she would Destroy all England if she could, Yet think, what damage can she do Hanging there so far from you? Don�t heed what frightened nurses say: Moons hang much too far away. (Robert Graves ) * Bom dia! 30.10.06
20:56
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
Trabalhos na barra do Douro. Hoje. (Gil Coelho)
16:36
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
Jardineiros no jardim do Passeio Alegre, no Porto. (Gil Coelho)
09:42
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 30 de Outubro de 2006 Em Portugal apoiam S�crates por apertar o cinto, no Brasil apoiam Lula por dar dinheiro aos pobres. H� aqui qualquer coisa que n�o encaixa. Uma breve nota sobre a compara��o entre S�crates e Lula. N�o h� dissemelhan�as, porque o ponto, creio, � este. A imagem de S�crates �, tal como Lula, a de Robin dos Bosques. * Robert Fagles sobre as raz�es que o levaram a traduzir a Eneida de Virg�lio: �My feeling is that if something is timeless, then it will also be timely.� * ![]()
09:35
(JPP)
COISAS DA S�BADO: DIA SIM DIA SIM ![]() Contam-se pelos dedos de uma m�o s�, as pessoas que t�m acesso � comunica��o social de primeira linha e que falam dos mecanismos de controlo e manipula��o da comunica��o social pelo governo socialista. � uma mat�ria tabu, que suscita logo um ambiente de grande hostilidade, com exig�ncia probat�rias imediatas. N�o acho mal as exig�ncias probat�rias, dado que penso n�o faltarem provas, sendo �s vezes serem t�o evidentes que a sua exig�ncia j� � suspeita. S� tenho pena que n�o tenham sido pedidas com a mesma convic��o antes do per�odo actual de governa��o. Mais: intriga-me que aqui os jornalistas que se indignam, muitos deles em posi��es de relevo em �rg�os de comunica��o estatais, alguns em posi��es de chefia, tenham nesta mat�ria a atitude exactamente contr�ria � que tomam face a todas as coisas, onde acham sempre que n�o h� fumo sem fogo por regra geral, e onde exercitam abundantes doses de cinismo. Aqui, ficam ing�nuos em absoluto, nesta mat�ria n�o s�o certamente o �ninho de v�boras� com que s�o descritos no mundo anglo-sax�nico. Veja-se um dos exemplos mais que evidentes, referido por Eduardo Cintra Torres na s�rie que est� a escrever para o P�blico, e que tanta hostilidade suscita contra o seu autor, que est� a provar uma medicina que j� conhe�o h� muitos anos. Trata-se da tentativa de controlo da agenda comunicacional atrav�s da sobreposi��o de pseudo-factos, declara��es, confer�ncias de imprensa, manobras de divers�o, criados do nada para esconderem ou minimizarem os factos que s�o inc�modos para o governo. O Primeiro-ministro S�crates n�o faz isto dia-sim-dia-n�o, faz isto dia-sim-dia-sim, com sucesso garantido. Exemplo: no dia da manifesta��o da CGTP com setenta mil pessoas na rua, S�crates fez mais uma das suas desloca��es a um palco controlado (� interessante ver como utiliza muitas vezes o grupo parlamentar do PS como �palco controlado�) para responder aos manifestantes a solo, sem contradit�rio. Nos notici�rios o facto e o pseudo-facto equivaliam-se e mesmo que n�o se queira chamar �s declara��es de S�crates pseudo-facto, elas n�o tinham o interesse jornal�stico que justificasse um tratamento quase sim�trico. Isto acontece, quase sempre com S�crates a solo em palcos controlados, dia-sim-dia-sim. � evidente que n�o s� os governos socialistas que aplicam estas t�cnicas, os do PSD e do CDS fizeram o mesmo, mas com muito menor efic�cia porque h� diferen�as fundamentais e que t�m a ver com o facto de a comunidade jornal�stica se comportar por regra de forma muito adversarial com governos �de direita�, como agora se diz. Provas? Provas, pergunto eu? E que tal pensarmos nisto: sabedores das t�cticas de oculta��o do Primeiro-ministro e de alguns membros do governo mais s�bios como o Ministro Ant�nio Costa, que fazem os jornalistas para manterem a informa��o cr�tica a fluir, que fazem as redac��es para darem o devido valor (o de notas de quatro ou cinco linhas como fazem os jornais anglo-sax�nicos) a actos que eles sabem serem de contra-informa��o, sem conte�do jornal�stico, n�o dando o benef�cio ao infractor? Nada, quase nada. Ao aceitarem as regras do Primeiro-ministro e do governo, aceitam a governamentaliza��o e o controlo pol�tico. E n�o adianta dizerem, como j� vi escrito, que n�o h� problema nenhum em que o governo tenha investido tanto em �rela��es p�blicas� e em assessorias de imprensa que s�o �boas�, sem perceberem que esta frase � mort�fera para a profiss�o de jornalista e auto-condenat�ria. H� quanto tempo se recordam de uma genu�na pergunta e de uma genu�na resposta do engenheiro S�crates, fora do mundo da propaganda? N�o me lembro.
09:19
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 898 - The Fall Of Rome The piers are pummelled by the waves; In a lonely field the rain Lashes and abandoned train; Outlaws fill the mountain caves. Fantastic grow the evening gowns; Agenst of the Fisc pursue Absconding tax-defaulters through The sewers of provincial towns. Private rites of magic send The temple prostitutes to sleep; All the literati keep An imaginary friend. Cerebrotonic Cato may Extol the Ancient Disciplines, But the muscle-bound Marines Mutiny for food and pay. Caesar's double-bed is warm As an unimportatnt clerk Writes I DO NOT LIKE MY WORK On a pink official form. Unendowed with wealth or pity Little birds with scalet legs, Sitting on their speckled eggs, Eye each flu-infected city. Altogether elsewhere, vast Herds of reindeer move across Miles and miles of golden moss, Silently and very fast. (W.H. Auden) * Bom dia! 29.10.06
12:28
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 29 de Outubro de 2006 Lendo o Sol hoje: um editorial de mis�ria e uma mis�ria de editorial. J� se percebeu que tudo est� maduro para se descer mais um passo na abjec��o p�blica. � verdade que os sinais j� estavam por todo o lado, que a porta que o Expresso abriu escancaradamente j� estava semi-aberta. Mas cada vez temos menos respeito por n�s pr�prios e pelos outros. Se h� quem queira viver no mundo do Simplesmente Maria e na lama voyeuristica da exibi��o da privacidade e da intimidade, for�a! Que as p�ginas exibicionistas vos sejam leves! Mas n�o esperem de quem n�o � desse mundo outra coisa que n�o seja nojo e vergonha por terem descido t�o baixo.
09:54
(JPP)
IMAGENS POLITICAMENTE INCORRECTAS 2
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09:46
(JPP)
IMAGENS POLITICAMENTE INCORRECTAS 1
(Enviada por Medina Ribeiro)
09:38
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: GOVERNAR POR DECRETO D� LUGAR AO "RELEVANTE INTERESSE P�BLICO" ![]() Hoje, o mesmo acontece, mas sob um nome diferente, o de resolu��o fundamentada, que justifica se com o interesse p�blico e se sobrep�e a decis�es de car�cter administrativo por parte dos Tribunais, evitando assim o normal curso da Justi�a e revogando o efeito suspensivo imposto pelas inst�ncias judiciais. Perversamente, ao ultrapassar a decis�o com car�cter suspensivo de um Tribunal, supostamente garante da igualdade perante a Justi�a, a decis�o fundamentada pode tornar irrevers�vel todo o processo, sendo que ap�s este passo, muitas vezes, ultrapassou-se o ponto de retorno. Esta possibilidade legal, que assume cada vez mais contornos de verdadeiro artif�cio que permite contornar decis�es desfavor�veis, pela sua vulgariza��o nos mais diversos dom�nios da governa��o, tem-se vindo a alastrar a todas as inst�ncias que, no �mbito das suas compet�ncias, a possam utilizar. Por outro lado, permite contornar a legisla��o em vigor e, por exemplo, proceder a adjudica��es por ajuste directo quando um concurso p�blico n�o foi lan�ado a tempo, mesmo sabendo-se da sua necessidade, ou quando um processo se atrasou de tal forma, por responsabilidade exclusiva dos pr�prio, que j� n�o h� possibilidade de seguir os tr�mites legais sem um efectivo prejuizo. O recurso a esta figura jur�dica tem, portanto, servido cada vez mais como uma alternativa processual do que como um �ltimo recurso para situa��es imprevistas, nas quais existe uma efectiva necessidade de ultrapassar um obst�culo de �ltima hora, raz�o pela qual cada vez menos o chamado "relevante interesse p�blico" adquire o car�cter excepcional que o devia caracterizar. Entre a excep��o e a regra, o uso e o abuso, aceita-se a normalidade, do que devia ser excepcional ganhando for�a � custa da imposi��o de uma figura de car�cter administrativo que tende a transformar-se numa nova forma de governar. Afinal, a normalidade � um conceito estat�stico, dependente do n�mero de ocorr�ncias, sobre as quais n�o emite qualquer valor. (Nuno M. Cabe�adas)
09:04
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 897 - The dangers to which we are exposed from our Women must now be manifest ... But here, perhaps, some of my younger Readers may ask how a woman in Flatland can make herself invisible. This ought, I think, to be apparent without any explanation. However, a few words will make it clear to the most unreflecting. Place a needle on the table. Then, with your eye on the level of the table, look at it side-ways, and you see the whole length of it; but look at it end-ways, and you see nothing but a point, it has become practically invisible. Just so is it with one of our Women. When her side is turned towards us, we see her as a straight line; when the end containing her eye or mouth -- for with us these two organs are identical -- is the part that meets our eye, then we see nothing but a highly lustrous point; but when the back is presented to our view, then -- being only sub-lustrous, and, indeed, almost as dim as an inanimate object -- her hinder extremity serves her as a kind of Invisible Cap. The dangers to which we are exposed from our Women must now be manifest to the meanest capacity of Spaceland. If even the angle of a respectable Triangle in the middle class is not without its dangers; if to run against a Working Man involves a gash; if collision with an Officer of the military class necessitates a serious wound; if a mere touch from the vertex of a Private Soldier brings with it danger of death; -- what can it be to run against a woman, except absolute and immediate destruction? And when a Woman is invisible, or visible only as a dim sub-lustrous point, how difficult must it be, even for the most cautious, always to avoid collision! (Edwin A. Abbott, a Square, Flatland: A romance of many dimensions) * Bom dia! 28.10.06
19:31
(JPP)
BIBLIOFILIA / GRANDES CAPAS
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10:26
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 28 de Outubro de 2006 ![]() ![]() * Ontem um amigo aqui em Cabo Verde que pouco se interessa por pol�tica e muito menos est� a par do que se passa com a pol�tica lusa, perguntou-me se vai haver elei��es em Portugal. Que eu saiba, n�o, disse eu, porqu�? � que o teu primeiro ministro parecer estar em campanha eleitoral. Pois, parece, respondi. Bom, talvez esteja a pensar em elei��es mais cedo.
10:11
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 896 - I call our world Flatland, not because we call it so, but to make its nature clearer to you, my happy readers, who are privileged to live in Space. ![]() In such a country, you will perceive at once that it is impossible that there should be anything of what you call a "solid" kind; but I dare say you will suppose that we could at least distinguish by sight the Triangles, Squares, and other figures, moving about as I have described them. On the contrary, we could see nothing of the kind, not at least so as to distinguish one figure from another. Nothing was visible, nor could be visible, to us, except Straight Lines; and the necessity of this I will speedily demonstrate. Place a penny on the middle of one of your tables in Space; and leaning over it, look down upon it. It will appear a circle. But now, drawing back to the edge of the table, gradually lower your eye (thus bringing yourself more and more into the condition of the inhabitants of Flatland), and you will find the penny becoming more and more oval to your view, and at last when you have placed your eye exactly on the edge of the table (so that you are, as it were, actually a Flatlander) the penny will then have ceased to appear oval at all, and will have become, so far as you can see, a straight line. The same thing would happen if you were to treat in the same way a Triangle, or a Square, or any other figure cut out from pasteboard. As soon as you look at it with your eye on the edge of the table, you will find that it ceases to appear to you as a figure, and that it becomes in appearance a straight line. Take for example an equilateral Triangle -- who represents with us a Tradesman of the respectable class. Figure 1 represents the Tradesman as you would see him while you were bending over him from above; figures 2 and 3 represent the Tradesman, as you would see him if your eye were close to the level, or all but on the level of the table; and if your eye were quite on the level of the table (and that is how we see him in Flatland) you would see nothing but a straight line. (Edwin A. Abbott, a Square, Flatland: A romance of many dimensions) * Bom dia! 27.10.06
23:26
(JPP)
BIBLIOFILIA / GRANDES CAPAS
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13:57
(JPP)
A DEGRADA��O DA PRIVACIDADE E DA INTIMIDADE ![]() ![]() Os jornalistas do Expresso n�o podiam deixar de saber o que estavam a fazer. Quem conhece os mecanismos da comunica��o e a selvajaria deontol�gica em que est� hoje mergulhada sabe muito bem que, quando um jornal de "refer�ncia" faz aquele t�tulo, abre as comportas a uma enxurrada que, a partir da intromiss�o de privacidade inicial, normaliza o delito. O Expresso deu legitimidade a que todos pudessem voltar a aten��o do seu voyeurismo, do seu machismo, para o "casal", neste caso em particular para a "namorada". E nos �ltimos dez dias a enxurrada do lixo tabl�ide aberta pelo Expresso levou outra vez todas as revistas do cora��o a pegar no mesmo assunto, agora j� livres do gueto inicial onde estavam acantonadas e mais � vontade para irem mais longe, e a imprensa s�ria a colocar-se ao mesmo n�vel. Hoje [ontem], no momento em que escrevo, a Focus tem como t�tulo da primeira p�gina "Conhe�a a namorada do 1.� ministro", e a prociss�o ainda vai no adro. Insisto que n�o h� aqui qualquer elemento de interesse p�blico, nada que justifique que um jornal assim proceda. N�o se trata de usar recursos do Estado indevidamente, n�o se trata de passar segredos a uma pot�ncia estrangeira, n�o se trata de cometer qualquer crime, trata-se de se viver como se pretende, mesmo tratando-se do primeiro-ministro, que sempre foi reservado na sua vida privada, e da "namorada", que n�o sei se o � ou n�o nem isso me interessa, que tamb�m tem sempre preservado as suas rela��es da curiosidade p�blica. Trata-se de duas pessoas que n�o podem em nenhuma circunst�ncia ser acusadas de se andarem a exibir e, bem pelo contr�rio, pretenderam sempre defender a sua privacidade com a m�xima reserva e a quem esta exposi��o for�ada e gratuita notoriamente incomoda. Isso deveria ser respeitado, mas n�o �. O facto de ter sido o Expresso a trilhar este caminho revela uma tend�ncia preocupante da comunica��o social portuguesa para desrespeitar direitos de privacidade (j� quase todos violados repetidamente pelas revistas cor-de-rosa) e da intimidade (violados no mundo do espect�culo e da televis�o, muitas vezes com o consentimento dos pr�prios, que encontraram na exposi��o da sua privacidade um modo de vida, mas que � s� uma quest�o de tempo at� chegar a todos, queiram ou n�o). A banaliza��o da viola��o da privacidade e da intimidade vive do con�bio entre o novo mundo das revistas do cora��o, cada vez mais agressivas, com a generaliza��o das fotografias tiradas na via p�blica sem autoriza��o por paparazzi e "cidad�os-jornalistas-tabl�ides", e a progressiva infec��o destas pr�ticas pela imprensa s�ria, da� a import�ncia do t�tulo do Expresso. Neste processo participam muitos volunt�rios do mundo do espect�culo e cada vez mais gente de outros mundos, inclusive da pol�tica. Fazem mal, e quase sempre arrependem-se, tendo muitas vezes que fazer o exerc�cio p�blico de arranque da pele da tatuagem em que escreveram, como num cartaz, o nome do amor eterno que durou um m�s. A verdade � que ainda h� muita gente para quem a defesa da privacidade e da intimidade s�o elementos essenciais da sua dignidade e da dignidade dos outros, muita gente que se respeita a si pr�prio para gostar de ter e viver no seu espa�o de liberdade. Estou a imaginar o encolher de ombros e o sibilino, "devem ter alguma coisa a esconder...", pretendendo-se criminalizar a defesa da privacidade, atribuindo-a sempre um mundo de culpa clandestino. Mas � isso mesmo, t�m alguma coisa a esconder para poderem ter liberdade de viver como querem, para serem senhoras da sua vida. S�o cada vez mais uma minoria em extin��o, face aos maus h�bitos das gera��es antigas habituadas � coscuvilhice e ao boat�rio e das mais novas que praticam a "aldeia global" com todos os inconvenientes da "aldeia", onde todos se conhecem. As gera��es do telem�vel e da Internet an�nima crescem sem qualquer respeito pela privacidade e intimidade, como se vivessem num reality show. S�o eles que n�o perceberam que, ao aceitar um telem�vel com GPS ou com v�deo, aceitam ser controlados com efic�cia. N�o querem saber, cresceram assim, ningu�m os educou para a reserva de si pr�prios. Ser�o excelentes clientes para os psiquiatras, quando tiverem dinheiro para os pagar. Uma sociedade em que haja um putativo direito de saber tudo e em que ningu�m tenha o seu espa�o de intimidade e privacidade defendido, mesmo admitindo uma restri��o razo�vel por raz�es de interesse p�blico, e s� por essas, para os detentores de cargos electivos, � uma sociedade totalit�ria. Nos �ltimos dias deram-se mais alguns passos para que, na cultura comunicacional dominante em Portugal, a dignidade do indiv�duo fique mais fr�gil, assim como a liberdade de todos. (No P�blico de 26 de Outubro de 2006) * Estamos cada vez mais pobres. Mais embrutecidos pela imprensa cor de rosa/marginal que alimenta sonhos de dona de casa frustrada e dependente de "factos" que n�o a obriguem a olhar o seu "EU". O Expresso foi o meu refugio de fim de semana. Ainda me recordo da frase "n�o h� s�bado sem sol ou Expresso". Mas modificou-se, adulterou-se, vendeu-se ao facilitismo. Ser� que tem saudades do Independente e quer seguir as suas pisadas? O Sol tamb�m foi uma decep��o. O que nos resta para ler? ONde vamos poder ler NOTICIAS de interesse. Algu�m que nos acuda. Casal S�crates? Acha respeito pelo outro se quer ser respeitado. Expresso:Am�n.
12:57
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL
(Artur Pastor)
10:55
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 27 de Outubro de 2006 ![]() Quantas vezes j� vimos isto nos �ltimos meses? Muitas. Os anteriores bons manipuladores da televis�o parecem meninos de coro (Cavaco fazia o mesmo, mas com muito menor efic�cia e nem Lopes, nem Barroso, nem Guterres se comparam). Havia tamb�m outras hostilidades da "classe", contra Cavaco, contra Lopes, contra Guterres na fase moribunda, que parecem ter-se desvanecido. A diferen�a � que Cavaco, Guterres, Barroso e Lopes, ainda estavam na inf�ncia da arte. Entretanto, os �rg�os de comunica��o social j� deviam ter evolu�do na sua percep��o de como se faz propaganda moderna. Mas n�o, passam acriticamente a encena��o. Sejamos justos: uns mais que os outros.
09:42
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 895 - F�te galante Les hauts talons luttaient avec les longues jupes,
En sorte que, selon le terrain et le vent, Parfois luisaient des bas de jambes, trop souvent Intercept�s! - et nous aimions ce jeu de dupes. Parfois aussi le dard d'un insecte jaloux Inqui�tait le col des belles sous les branches, Et c'�taient des �clairs soudains de nuques blanches, Et ce r�gal comblait nos jeunes yeux de fous. Le soir tombait, un soir �quivoque d'automne: Les belles, se pendant r�veuses � nos bras, Dirent alors des mots si sp�cieux, tout bas, Que notre raison, depuis ce temps, tremble et s'�tonne. (Paul Verlaine) * Bom dia! 26.10.06
19:15
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM BARCELONA, ESPANHA
Trabalhos de remodela��o na Funda��o Joan Mir�, em Barcelona. (Ant�nio Filipe Meira)
15:48
(JPP)
NUNCA � TARDE PARA APRENDER COMO O PCP N�O CONSEGUE FAZER A SUA PR�PRIA HIST�RIA (Vers�o completa em ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.) ![]() � o caso deste volume, ali�s feito sem grandes cuidados de rigor, sem notas e omitindo muita informa��o de enquadramento que podia valorizar o que de in�dito l� se publica. Grande parte do volume � constitu�do por documentos j� conhecidos ou publicamente acess�veis � artigos do Avante! e testemunhos de antigos presos do Tarrafal � a que s�o acrescentados dois grupos de in�ditos: �di�rios� do Tarrafal, escritos por presos n�o identificados, e pe�as da correspond�ncia entre a Direc��o da Organiza��o Comunista do Tarrafal e a direc��o do PCP, representada por �lvaro Cunhal. Sabia-se da exist�ncia destes documentos nos arquivos do PCP, como ali�s de outros que continuam a ser escondidos, mas o partido n�o permitia o seu acesso � investiga��o hist�rica. Como � habitual nas publica��es do PCP � a perspectiva repressiva-her�ica que domina o volume, o que se compreende no seu papel de den�ncia, mas acrescenta muito pouco � hist�ria do Tarrafal, e ainda menos � hist�ria dos comunistas no Tarrafal, apenas uma parte dos seus presos. Do ponto de vista do detalhe sobre as condi��es prisionais, sobre as viol�ncias cometidas pelos carcereiros, sobre a devasta��o causada pela doen�a e pelos maus tratos, os �di�rios� oferecem mais detalhes que permitem conhecer melhor o aspecto de extrema puni��o, quase exterminista, que o campo de concentra��o tinha. Basta ver como a doen�a matava em tr�s a cinco dias: �6- apareceu uma biliosa ao Dam�sio Martins Pereira; 11 � faleceu o Dam�sio�; �Deu um ataque ao Vale Domingues que faleceu uns minutos depois�, etc., etc. Este aspecto, como o seu reverso, a luta dos prisioneiros para conseguir concess�es da direc��o do campo, fica a conhecer-se melhor com a publica��o destas fontes prim�rias. Mas tudo o resto fica na mesma, em particular tudo o que tenha a ver com a pol�tica, quer entre os comunistas e os outros grupos de presos, em particular, os anarquistas, quer entre os diferentes grupos em que os comunistas se dividiram bem como sobre a sua complexa rela��o com o PCP na metr�pole. A� os documentos in�ditos escolhidos foram seleccionados a dedo para n�o se saber mais, e a habitual pol�tica de oculta��o e falsifica��o da hist�ria do PCP continua de vento em popa. O que falta � abissal. No per�odo da exist�ncia do Tarrafal toda uma s�rie de pol�micas e discuss�es, divis�es, an�temas e expuls�es, atravessou quer a OPC quer o PCP continental, e sobre isso nada de novo � acrescentado, embora os documentos fundamentais e politicamente relevantes estejam nos arquivos do PCP. � verdade que o editor informa que apenas �algumas�, uma �selec��o� de cartas da correspond�ncia entre a OPC e o Secretariado s�o publicadas. Mas que sentido tem continuar a pretender manter em segredo aquilo de que j� se sabe, pelo menos em linhas grossas? Nem uma linha sobre as pol�micas entre anarquistas e comunistas sobre a atitude a manter face �s autoridades no Tarrafal, nem uma linha sobre os debates � volta do Pacto Germano-Sovi�tico e as propostas que Bento Gon�alves fez ao sabor das reviravoltas da pol�tica da URSS, nem uma linha sobre que papel teve a OPC no desencadear da �reorganiza��o�, nem uma linha � e aqui a omiss�o � gritante � sobre a chamada �pol�tica de transi��o�, cuja cr�tica por Cunhal fundou ideologicamente o PCP at� aos nossos dias. Estas omiss�es grosseiras diminuem significativamente o interesse deste volume e mostram que o PCP continua incorrig�vel a tentar tapar com o seu dedo o conhecimento da sua hist�ria, da nossa hist�ria contempor�nea.
13:10
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL Pormenores s�o os 2 euros a d�zia por que alguns transeuntes fazem caretas e os novos cartuchos em substitui��o dos velhinhos cones de p�ginas amarelas ou quartos de folha de jornal, afinal formas de reutiliza��o do papel... (Ant�nio Marrachinho Soares)
12:00
(JPP)
COISAS DA S�BADO: MANIFESTA��ES ![]() Est� na moda desvalorizar os sindicatos e as manifesta��es. � um pouco bizarro, bem vistas as coisas, que num pa�s onde h� t�o pouca participa��o c�vica, se d� mais import�ncia ao enclausuramento de quarenta �artistas� temerosos pelos seus subs�dios, do que a setenta mil pessoas na rua. Tamb�m, bem vistas as coisas, pode-se sempre dizer que �� o Partido Comunista� e, em grande parte, �. S� que, tamb�m, bem vistas as coisas, era suposto que o PCP j� n�o fosse capaz de juntar tanta gente. Nem o PCP nem as �corpora��es�, o modo como agora erradamente se descrevem os sindicatos. Tudo isto � cegueira, e cada qual toma a que quer. � verdade que a resist�ncia que se encontra nas ruas � resist�ncia � mudan�a, mas para muitos � a �sua� resist�ncia � mudan�a e n�o apenas a do PCP ou da CGTP. N�o estariam l� tantas pessoas se n�o fosse assim. Quanto �s corpora��es � verdade que o seu poder � grande em muitas �reas do estado. Na sa�de, na educa��o, nas profiss�es liberais como os m�dicos, advogados e farmac�uticos. Enquanto o Sindicato dos Professores mandar no Minist�rio da Educa��o por dentro estamos perante uma �corpora��o� que deve ser de l� tirada. Mas, c� fora, o Sindicato dos Professores ou qualquer outro, como sindicato e n�o como detentor de poderes �corporativos�, � um elemento fundamental da sa�de de uma sociedade democr�tica. Conv�m n�o atirar fora o menino com a �gua do banho. (Na S�bado de 18 de Outubro.) * Ainda bem que esta� na moda desvalorizar sindicatos. Quer dizer que o povo portugues esta� finalmente a acordar para a realidade de um mundo global, de uma economia global e para o facto de que os patroes que tratavam os empregados ao pontape� sao uma coisa do passado. A sociedade em que vivemos evoluiu moralmente desde o virar do seculo, quando os sindicatos foram pela primeira vez criados. Nessa altura sim, as condicoes de trabalho eram horriveis e os trabalhadores necessitavam de defesa. Hoje em dia, isso ja� nao existe.
11:47
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A ESCOLA QUE TEMOS ![]() Estive a trabalhar at� agora na correc��o das provas escritas dos meus alunos e terei de continuar at� um pouco mais tarde para alinhavar algumas aulas da pr�xima semana. Fiz portanto um intervalo.O meu hor�rio apesar de conter apenas 26 horas marcadas n�o me permite fazer um uso �til das que n�o est�o e supostamente serviriam para este trabalho. S�o verdadeiros buracos no hor�rio que me obrigam a permanecer na escola sem condi��es para fazer o que devo fazer e que n�o s�o contabilizadas para trabalho de escola. Tenho tamb�m 90minutos para apoio aos meus alunos, os que apresentem mais dificuldades. Pena � que entre o pedido de autoriza��o aos pais e a efectiva��o do apoio teremos chegado ao final do primeiro periodo. No segundo per�odo e partindo do principio que os pais autorizam os seus educandos a terem mais umas quantas horas no j� denso hor�rio dos seus filhos ir�o para uma sala onde est�o cerca de 10 professores com as mesmas atribui��es. Cerca de 20% (tenho sorte) dos meus alunos ir�o necessitar mais tarde ou mais cedo de apoio que ser� prestado nesta sala. N�o � preciso ser matem�tico para perceber que nesta sala n�o podem estar tantos professores e alunos at� porque n�o h� condi��es para realizar o trabalho nem acomodar tanta gente. No caso de um professor n�o prescrever as medidas necess�rias � correc��o dos desvios �s aprendizagens previstas estar� em falta. N�o se justifica a reten��o destes alunos pois devem ter apoio caso necessitem devendo o professor avaliar atempadamente e p�r em pr�tica as medidas necess�rias- � um direito dos alunos que n�o questiono. Tudo isto est� certo. Desta forma 75% dos meus alunos transitam por m�rito pr�prio e os restante 25% tamb�m. Pois ter�o aulas de apoio de modo a adquirirem as "compet�ncias" necess�rias a transitarem. Tudo fruto da compet�ncia do respons�vel, o docente, que de outra forma n�o � tido como competente. Neste dia a dia nas escolas percebo uma coisa muito simples: a necessidade de resultados. Bons resultados permitem subir uns lugares no ranking dos pa�ses mais competitivos. Talvez por isso hoje estejam a ser criadas secretarias que passam diplomas de 12� ano. Um ano em que muito estudei e aprendi e onde quem n�o estudava n�o passava. Essa autonomia e capacidade de desenrascan�o perante um sistema menos atento ent�o permitia crescer e desenvolver a capacidade de resposta perante as dificuldades que encontr�vamos como alunos. Tamb�m tive maus professores e isso nunca foi desculpa para p�r os livros de lado, pelo contr�rio. Quem n�o trabalhava "chumbava". Hoje com a proletariza��o dos licenciados urge n�o reter pessoas que apesar de n�o saberem ler ao fim de 9 anos de escolaridade t�m de saber que a mat�ria � discreta e que as fases de V�nus evidenciam um sistema dito heliocentrico. N�o � uma situa��o economicamente vi�vel- o que tamb�m acredito. Hoje sou a par dos educadores dos jardins Infantis, que muito respeito, medido a resultados. O triste disto � que estudei a matem�tica de Newton e introduzo aos meus alunos conceitos como a fus�o e fiss�o nuclear, a forma��o do Universo como as provas encontradas tornam este modelo aceit�vel, o que a � ci�ncia, falo das teorias de Einstein e como est�o presentes no GPS e porqu�, de conceitos que embora simplificados exigem uma actualiza��o permanente cada vez mais dif�cil de fazer. N�o vale a pena falar e trazer para aqui outras compet�ncias minhas nas �reas das did�cticas espec�ficas da Qu�mica ou da F�sica onde aprendemos a dar a volta �s dificuldades de aprendizagem dos alunos. Tamb�m as "novas" tecnologias com a utiliza��o dos computadores em sala de aula e a explora��o de modelos matem�ticos, sensores diversos s�o correntes nas aulas. Al�m disso transporto o livro de ponto de sala em sala, lavo material de laborat�rio quando a funcion�ria n�o est� (felizmente temos na nossa escola funcion�ria com essas fun��es), fa�o as matriculas dos alunos, tuturia, avalia��o e organiza��o da forma��o na escola etc. No entanto a bitola � a mesma para todos e serve um �nico objectivo: resultados. Aos olhos da sociedade n�o sou diferente do educador infantil. � esta a escola que temos. N�o � nova, n�o est� em remodela��o nem ser� melhor, mas teremos a curto prazo melhores resultados. Subiremos um ou dois lugares no ranking da competividade. E isso � importante atrai investimento, com ele emprego que embora prec�rio e transit�rio d� de comer. (...) (Carlos Br�s)
10:25
(JPP)
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: PARAB�NS AO ESP�RITO
![]() que fez mil sols.
10:17
(JPP)
COISAS DA S�BADO: REFORMAS OU DINHEIRO PARA DIMINUIR O D�FICE? ![]() Como todas as avalia��es finais s�o supostas serem feitas no momento do exame, quando de novas elei��es, pode-se sempre estar a julgar erradamente quando se avalia a meio. No entanto, penso n�o me enganar repetindo aquele que me parece ser o mais clamoroso erro do governo, mas tamb�m de quem lhe bate palmas a mais ou o exorciza totalmente. Est� o governo a fazer reformas de fundo ou apenas a traduzir medidas pontuais que �tem� que tomar para controlar o d�fice numa ret�rica de reformas? Esta parece-me ser a quest�o central para avaliar o governo S�crates. O pano de fundo da quest�o tem a ver com as condi��es excepcionais de governabilidade que este governo tem: maioria absoluta, partido socialista domado pelo poder, oposi��o muito enfraquecida, consenso alargado na opini�o p�blica muito para al�m das fronteiras partid�rias. Ter tudo isto em Portugal � um milagre, pelo que se espera que o miraculado mostre excepcionais virtudes. Depois, para al�m do pano de fundo, h� que julgar a linguagem e as medidas concretas, a ret�rica pol�tica e a capacidade de realiza��o, e fazer um balan�o. A ret�rica pol�tica do governo � reformista-autorit�ria, associada a progressivista-tecnol�gica. Usando estes pares de conceitos consegue-se perceber quase tudo do governo S�crates. Deixo aqui o lado progressivista-tecnol�gico e fico pelo primeiro par, o reformista-autorit�rio e a ret�rica respectiva. Aqui, analisando medida sobre medida, � �bvio que o que se pretende a muito curto prazo � controlar o d�fice, cortar onde for preciso e arranjar mais dinheiro. � isto que tem sido considerado reformista na ac��o do primeiro-ministro e merecido um apoio mais vasto do que o do PS ao governo. Ora, � aqui tamb�m que me parece dever-se ser muito prudente, porque se h� de facto medidas com o objectivo de cortar dinheiro, associada a medidas ainda mais duras, para arranjar mais dinheiro, n�o parece que se v� para al�m da emerg�ncia pontual, numa via que n�o devia ser chamada de reformas porque o n�o �. Fica ali�s a suspeita consolidada de que, se n�o fosse o aperto financeiro da Uni�o Europeia, o governo socialista procederia de forma bem diferente. Basta ver as medidas que podiam ser tomadas e n�o o foram nem s�o, como as ligadas a uma reforma mais estrutural e menos conjuntural na seguran�a social, ou a intocabilidade de alguns monstros como as SCUTs, para se perceber que n�o h� um plano reformista de conjunto, mas sim medidas pontuais cuja efic�cia est� por demonstrar para al�m do muito curto prazo. � por isso que a ret�rica governamental encalha quando defronta advers�rios que tem poder para resistir, como acontece com os autarcas. O governo bem pode valorizar os m�ritos estruturantes da nova legisla��o sobre as finan�as locais, que os autarcas n�o t�m dificuldade em desmontar aquilo que s�o estrat�gias para poupar e que seriam mais facilmente aceites se n�o fossem envolvidas numa ret�rica reformista-autorit�ria. O problema � id�ntico na sa�de e na educa��o, pelo menos em parte. Se a ret�rica fosse de emerg�ncia nacional, dizendo com clareza que as medidas se destinam a resolver um problema urgente de adequar as nossas despesas � imposi��o do d�fice, as pessoas aceitariam mais facilmente porque as faziam participar num sacrif�cio colectivo. A� haveria apenas que mostrar que a crise � para todos, para o que tamb�m h� um ret�rica pr�pria que o governo conhece bem porque a ensaiou. Assim, as pessoas s�o confrontadas com falsas reformas apresentadas como sendo contra �eles�, como sendo virtuosas e salv�ficas, quando todos percebem muito bem que se destinam a apenas a obter mais poupan�as ou mais dinheiro � custa n�o s� do seu pec�lio como da sua imagem profissional e pessoal. E isso valeria a pena se se tratasse efectivamente de domar fortes corpora��es, para fazer uma nova configura��o da rela��o entre o estado e os cidad�os, o que manifestamente n�o � o caso, porque quase tudo vai ficar na mesma, embora mais pobre e mais zangado. Mas foi este o caminho que S�crates seguiu desde o in�cio e que come�a agora a mostrar os seus efeitos perversos. (Na S�bado de 18 de Outubro.)
09:55
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 894 - The Weather in Verse ![]() To make the observation, which properly he may, To wit: That writing verses on the several solar seasons Is most uncertain business, and for these conclusive reasons : In the middle of the Autumn the subscriber did compose A sonnet on November, showing how the spirit grows Unhappy and despondent at the season of the year When the skies are dull and leaden, and the days are chill and drear. Perhaps you may recall to mind that, when November came, No leaden skies nor chilly days accompanied the same ; But the weather was as balmy as in Florida you'd find, And that sonnet on November was respectfully declined ! (...) And for these conclusive reasons it is obviously plain That verses on the weather are precarious and vain ; And the undersigned would only add, so far as he can see, The trouble's not the metre, but the meteorology ! (Marc Cook) * Bom dia! 25.10.06
19:59
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O Minist�rio das Finan�as apurou um �buraco� de 365 milh�es de euros nas contas da empresa Estradas de Portugal EP, que faria aumentar o deficite do OGE de 4,6 % para 4,8 % . Teixeira dos Santos. Ministro das Finan�as solicitou ent�o ao Ministro das Obras P�blicas M�rio Lino para adiar para 2007 o lan�amento de v�rios concursos para constru��o de novas vias e parar obras actualmente em curso. No entanto o or�amento de 535 milh�es de euros da Estradas de Portugal previsto para 2007 � claramente insuficiente para cobrir a totalidade das rendas das SCUT or�adas em cerca de 705 milh�es de euros, mesmo contando com as receitas geradas pelas portagens anunciadas para as tr�s SCUTs do norte do pa�s. �When the going gets tough, the tough gets going!� ![]() Neste contexto a Estradas de Portugal necessitaria de um or�amento de cerca de 1,2 bilh�es de euros para pagar as rendas das SCUTs e lan�ar as obras anunciadas e diferidas para 2007. Na actual balb�rdia governativa que passou por ministros a anunciarem infantilmente o fim da crise �por decreto�, a responsabilizarem os cidad�os pelos anunciados aumentos da electricidade, a anunciarem o lan�amento de taxas moderadoras nos internamentos hospitalares e o aumento das presta��es sociais de pensionistas e deficientes, a CICI - Central de Inspec��o e Controlo lan�ada por S�crates para filtrar e seleccionar as declara��es institucionais dos respectivos ministros n�o foiu de todo eficiente na sua opera��o propagand�stica. De todo... Contra tudo o que foi prometido e garantido por S�crates em campanha eleitoral a� est�o as primeiras SCUTs com o anuncio de introdu��o de portagens reais, sem uma declara��o explicando aos cidad�os o porqu� da invers�o da pol�tica governativa, nem desculpando a quebra de promessas e garantias. Jos� S�crates �deu �s de vila Diogo�, pura e simplesmente volatilizou-se deixando os seus ministros com o �nus das justifica��es e explica��es. Este ser� talvez, tudo o leva a crer, o princ�pio do fim das SCUTs e o inicio, p� ante p� - como conv�m para minimizar os estragos - da introdu��o do princ�pio do conceito utilizador-pagador, reconhecendo que 705 milh�es euros anuais em portagens s�o or�amentalmente insustent�veis sem o agravamento correspondente de impostos. A demagocia e hipocrisia de S�crates est� bem � vista.: �when the going gets tough, the tough gets going!�. Nem mais...aplica-se que nem uma luva ! (Ant�nio Ruivo)
19:30
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM BEIJING, CHINA
Trabalho marcial em Pequim, Outubro de 2006 (Luis Azevedo Rodrigues) 24.10.06
13:36
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 24 de Outubro de 2006 ![]() Na RTP, engole-se sem pestanejar o modo como o governo todos os dias (como Chavez, S�crates actua todos os dias na sua televis�o) arranja uns minutos de propaganda - S�crates a anunciar medidas, solit�rio face a uma plateia atenta, veneradora e obrigada. O papel do jornalista nesta pe�a, em que � t�o evidente que o discurso que passa � s� propaganda (este caso � t�o expl�cito que n�o oferece d�vidas), � repetir em seguida o que aquele disse. O Primeiro-Ministro l� est� ao fundo, a cumprimentar uns not�veis, enquanto a propaganda ganha uma nova dimens�o ao ser repetida pela voz do jornalista. Nem uma pergunta, nem uma curiosidade, nem nada. O homem entrou vestido de redoma e vai-se embora de redoma vestido, que a RTP acha bem. Na SIC, o jornalista bem tenta perguntar ao Primeiro-Ministro sobre a greve anunciada da fun��o p�blica e sobre as not�cias do incumprimento da lei das finan�as partid�rias (a ele que � o secret�rio-geral do PS), e ele foge protegido por uma pequena multid�o em sil�ncio, virando as costas. Diferen�as. * Concordando inteiramente com o teor do que escreve sobre o (n�o)desempenho profissional dos jornalistas da RTP face ao Governo e � sua m�quina de propaganda, e particularmente perante a �vaca-sagrada� que � hoje o Primeiro-Ministro para muitos meios de comunica��o social, permita-me que lhe fa�a notar que a compara��o com o Sr. Ch�vez da Venezuela � excessiva. Todos os Domingos, durante 6 a 8 horas, o homem tem direito a um programa televisivo na maior cadeia de TV daquele pa�s (�Hola Presidente�, ou algo parecido), onde em directo o homem perora sobre o mundo, os inimigos, os traidores, a economia (maravilhosa), os EUA (imperialistas) a vida do pai, a hist�ria da m�e, a qualidade da colheita de laranjas deste ano e, de passagem, sobre a sua extraordin�ria personalidade de estadista. Penso que ainda n�o cheg�mos a esse ponto. Julgo, ali�s, que n�o chegaremos. Temos em Portugal, felizmente, mecanismos formais - e sobretudo informais, como a opini�o escrita, os blogues, etc. - que v�o estabelecendo limites, prec�rios � certo, mas social e culturalmente enraizados, que nos afastaram definitivamente dessa esp�cie de �Conversa em Fam�lia� populista, um anacronismo at� no contexto latino-americano, que � o estilo e a ess�ncia (fundem-se, na verdade) do oligarca venezuelano.
12:09
(JPP)
PARA UM DEBATE SOBRE A "RIVOLU��O" ![]() 1. O ESTADO COMO �RBITRO DO GOSTO E DA QUALIDADE CULTURAL Acta de reuni�o da Comiss�o de Aprecia��o do Concurso para Apoio a Projectos Pontuais no �mbito das Actividades Teatrais de Car�cter Profissional, de 11 de Abril de 2006: "Entendeu ainda a comiss�o recomendar uma revis�o da pondera��o dos diversos crit�rios que s�o tidos em conta na classifica��o dos projectos. Com efeito, o regulamento actualmente me vigor contempla sete crit�rios dos quais tr�s, apenas, com a classifica��o de 0 a 10, incidem sobre a qualidade e sustentabilidade art�stica dos projectos, correspondendo-lhe assim um total de trinta pontos (de cada membro) em 55 pontos atribu�veis. Os restantes quatro crit�rios incidem sobre aspectos que se prendem sobretudo com a vertente da produ��o executiva (p�blicos e comunica��o) e com a vertente administrativa e financeira (or�amento, parcerias e apoios), sendo pontuados com um m�ximo de 25 pontos nos 55 pontos atribu�veis. Sem descurar a vertente da produ��o e da administra��o, entende a comiss�o que os aspectos art�sticos deveriam contar com um peso de cerca de dois ter�os, ou seja, n�o 30, mas 40 pontos, reduzindo os outros quatro crit�rios para 20 pontos, ou seja, cerca de um ter�o. Caso contr�rio, o concurso traduz-se mais num concurso a projectos com boa produ��o e administra��o do que a projectos com elevada qualidade art�stica."(Sublinhados meus.) 2. QUANDO OS "P�BLICOS" N�O S�O TIDOS EM CONTA Retomando o tema da programa��o cultural do Pa�s, e especialmente do Porto, e do 'completo "div�rcio" entre a cultura subsidiada e o p�blico', interessar� talvez analisar alguns n�meros sobre os espect�culos musicais previstos para o m�s de Outubro, nesta cidade. Somando os espect�culos musicais do Coliseu do Porto, Casa da M�sica (apenas Sala Suggia, a principal), Rivoli Teatro Municipal e Teatro do Campo Alegre, temos que nenhum dos grupos actuantes est� no top semanal da Associa��o Fonogr�fica Portuguesa, apenas 3 deles podem ser considerados "mainstream" (por muito discut�vel que seja a defini��o, s�o apenas estes os grupos conhecidos pela generalidade do p�blico) e o conjunto M�sica Cl�ssica + M�sica Barroca representa 48% do total da programa��o, sendo ainda que est�o previstos mais espect�culos de m�sica popular brasileira do que de pop/rock portugu�s. O problema n�o est� em haver um n�mero elevado de espect�culos de m�sica cl�ssica, e uma oferta suficiente de jazz e m�sica barroca, at� porque a sua qualidade � inquestion�vel, com protagonistas como a Orquestra Nacional do Porto. O problema est� no desequil�brio entre a programa��o tendencialmente mais elitista e aquela que � mais comercial, mais "mainstream", desequil�brio este muito provavelmente explicado pelo r�tulo de "cultura menor" que � colado a tudo aquilo quanto vende um n�mero significativo de CDs. N�o havendo na cidade do Porto salas de espect�culo de dimens�o significativa para al�m das enumeradas, n�o seria de esperar que, pelo menos essas, servissem tamb�m para criar utilidade para uma por��o significativa do p�blico portuense, em lugar de o fazerem apenas para minorias? N�o ser� isto, a aus�ncia de uma programa��o atractiva para as massas, uma raz�o maior para o progressivo esvaziamento do centro da cidade, que agora tanto se discute? (Artur Vieira)
Acredito que este seja apenas mais uma reac��o aos acontecimentos que se deram no Porto. Mas penso que nunca s�o amais.
09:18
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 10 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es de ordem moral", de 15 de Julho de 1935: ![]() e foram 48 anos disto.
09:09
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 893 - A Connotation Of Infinity a connotation of infinity sharpens the temporal splendor of this night when souls which have forgot frivolity in lowliness,noting the fatal flight of worlds whereto this earth�s a hurled dream down eager avenues of lifelessness consider for how much themselves shall gleam, in the poised radiance of perpetualness. When what�s in velvet beyond doomed thought is like a woman amorous to be known; and man,whose here is alway worse than naught, feels the tremendous yonder for his own� on such a night the sea through her blind miles of crumbling silence seriously smiles (E. E. Cummings) * Bom dia! 23.10.06
14:00
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 23 de Outubro de 2006 ![]() Ser� que algu�m explica aos redactores do telejornal das 13 horas da RTP que na Hungria n�o h� s� o governo (o do mentiroso socialista) e a "extrema-direita" e que a maioria dos manifestantes, l� porque atacam um governo socialista, n�o s�o "extrema-direita"? �Algu�m explica� ao inef�vel rep�rter da RTPN Ant�nio Esteves Martins e seus colegas que uma manifesta��o pac�fica n�o se faz com encapu�ados a arremessar pedras contra as for�as policiais? �Algu�m explica� ao AEM & colegas que num Estado de Direito � necess�rio o uso da for�a e a interven��o policial para manter a ordem e o respeito pela lei quando ela � desrespeitada? �Algu�m explica� aos ditos senhores jornalistas que a lei � desrespeitada quando, sob o pretexto da manifesta��o, se aproveita para lan�ar o caos e a desordem? Finalmente �algu�m explica� aos senhores jornalistas que mesmo admitindo ter existido despropor��o nos meios usados aquilo n�o tem nada a ver com a interven��o dos tanques sovi�ticos na Revolu��o H�ngara? � que foi com essa mensagem que a not�cia come�ou e essa foi a ideia pisada e repisada durante toda a reportagem. Eu sei que este tipo de compara��o cai muito bem e d� uma certa emo��o � est�ria. Em alguns casos revela muita ignor�ncia, noutros m� f� e desonestidade intelectual. Nesta linha j� vi insuspeitos a comparar o 11 de Setembro com Hirochima ou os refugiados de Melilla com os �balseros� de Cuba� * Ser� que algu�m explica ao editorialista do Di�rio de Not�cias que afirmou isto A introdu��o de portagens nas Scut anunciada ontem pelo Governo � uma medida sensata, na medida em que corresponde � aplica��o do modelo utilizador-pagador, ainda para mais num tempo de evidente escassez de recursos p�blicos. Regista-se, ainda, a inten��o de o Governo se propor fazer cumprir o programa eleitoral com que o PS se apresentou �s �ltimas elei��es, no qual prometia manter as auto-estradas sem portagens apenas nas regi�es com menores �ndices de desenvolvimento socioecon�mico e naquelas em que n�o existem alternativas no sistema rodovi�rio. . (Sublinhados meus)aquilo que um leitor do Abrupto explica com clareza: O Minist�rio das Obras P�blicas, Transportes e Comunica��es divulgou os seus argumentos para a colocar portagens em algumas vias nacionais.
11:58
(JPP)
NUNCA � TARDE PARA APRENDER: MAMBO JAMBO, POESIA, FEMINISMO, TROCAS E MEINKAMPF LOOK ![]() Em Break, Blow, Burn, a aluna de Bloom defronta-se com o c�none, com a necessidade do c�none: At this time of foreboding about the future of Western culture, it is crucial to identify and preserve our finest artifacts. Canons are always in flux, but canon formation is a critic�s obligation. What lasts, and why? Custodianship, not deconstruction, should be the mission and goal of the humanities.C� est� a frase-chave: �Custodianship, not deconstruction, should be the mission and goal of the humanities.� Longe dos franceses, perto da �literary education� de tradi��o anglo-sax�nica. Simplifico, como � �bvio. N�o � que Paglia n�o mergulhe fundo nas fontes do mambo-jambo, em particular numa leitura psicanal�tica agressiva t�o ao gosto discursivo da cr�tica francesa, mas f�-lo respeitando mais o valor das palavras originais do que perdendo-se no pr�prio discurso da cr�tica. Fiel ao texto, perto do texto, presa pelo texto, n�o pela an�lise do texto. Break, Blow, Burn, t�tulo pagliano, � uma an�lise de 43 dos �melhores poemas do mundo�. Paglia explica as raz�es pelas quais s� escolheu poemas escritos em ingl�s, e as raz�es s�o aceit�veis para evitar que o seu texto, rasando os poemas por perto, se enredasse nos problemas da tradu��o. � verdade que alguns dos 43 poemas est�o longe de ser os �melhores poemas do mundo�, mas isso � pouco importante porque servem a consist�ncia da leitura idiossincr�tica de Paglia. Dois exemplos em que Paglia brilha com a sua luz pr�pria, ao mesmo tempo Paglia, a feminista e Paglia, a cr�tica: os coment�rios ao poema de William Carlos Williams This is Just to Say (que j� apareceu num Early Morning Blogs) e Daddy de Sylvia Plath (que nunca apareceria num Early Morning Blogs, porque n�o se alimenta o inimigo, a filha do "daddy"). O poema de William Carlos Williams parece incoment�vel, na sua absoluta simplicidade, mas Paglia mostra a complexidade, o mundo denso de rela��es entre os sexos, o espa�o dom�stico, a proposta do poema, a sua chantagem afectiva, a sua troca invis�vel de favores e servi�os: �hence the �delicious� fruitness of the final images has the tactile lushness of a kiss�. Em Daddy, que Paglia considera um dos poemas fundamentais do s�culo XX, e � capaz de ter raz�o (n�o sei bem julgar porque quando reli o poema neste livro ele soou-me mais �fundamental� que antes, mas tinha 160 p�ginas de Paglia por tr�s�), poema, autora e leitora encaixam t�o perfeitamente que estas p�ginas s�o as que mais transportam um pathos comum. A raiva pura que emana do poema, as suas injun��es insultuosas I made a model of you,ou Every woman adores a Fascist,at� ao final Daddy, daddy, you bastard, I�m through.servem �s mil maravilhas para Paglia mostrar o melhor e o pior da sua an�lise, a densidade do significado (este �bastard� ainda t�o pouco vulgar na boca de uma mulher no ano em que foi escrito) , o mergulhar do poema em todas as hist�rias fundadoras da psican�lise, como num cat�logo freudiano dos complexos, e at� o mau gosto kitsch da compara��o final �I nominate Sylvia Plath as the first female rocker�. Se h� qualquer coisa semelhante a um cord�o umbilical paterno, o poema corta-o, mas como Paglia nota, quem o corta diante da rapariguinha que ama/odeia o pai, infantilizado no �Daddy� � o pr�prio pai, o agressor em acto, aquele para quem a for�a est� do lado do Homem e para quem todas as mulheres ser�o sempre o objecto da viol�ncia sexual: �Daddy, daddy, you bastard, I�m through�. Estava. Meteu a cabe�a num fog�o, na cozinha, lugar da mulheres, como nota Paglia. Parece um quadro de Paula Rego, � o mesmo mundo. Est� lido. * Fa�o assim a minha estreia neste espa�o a prop�sito do seu t�pico sobre o �ltimo livro de Camille Paglia, dado que a minha experi�ncia recente nos departamentos liter�rios americanos n�o podia ter sido mais dissonante daquilo que escreve sobre a sua "excel�ncia". Fui durante o ano de 2005 uma visiting scholar junto do Departamento de Literatura Comparada na Universidade de Yale e n�o posso deixar de manifestar o meu profundo desagrado pelo que l� assisti.
10:41
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 892 - La pierre voudrait se soustraire aux lois de la pesanteur? Impossible. J'�tablirai dans quelques lignes comment Maldoror fut bon pendant ses premi�res ann�es, o� il v�cut heureux; c'est fait. Il s'aper�ut ensuite qu'il �tait n� m�chant: fatalit� extraordinaire! Il cacha son caract�re tant qu'il put, pendant un grand nombre d'ann�es; mais, � la fin, � cause de cette concentration qui ne lui �tait pas naturelle, chaque jour le sang lui montait � la t�te; jusqu'� ce que, ne pouvant plus supporter une pareille vie, il se jeta r�sol�ment dans la carri�re du mal... atmosph�re douce! Qui l'aurait dit! lorsqu'il embrassait un petit enfant, au visage rose, il aurait voulu lui enlever ses joues avec un rasoir, et il l'aurait fait tr�s-souvent, si Justice, avec son long cort�ge de ch�timents, ne l'en e�t chaque fois emp�ch�. Il n'�tait pas menteur, il avouait la v�rit� et disait qu'il �tait cruel. Humains, avez-vous entendu? il ose le redire avec cette plume qui tremble! Ainsi donc, il est une puissance plus forte que la volont�... Mal�diction! La pierre voudrait se soustraire aux lois de la pesanteur? Impossible. Impossible, si le mal voulait s'allier avec le bien. (Lautr�amont, Chants de Maldoror) * Bom dia! 22.10.06
18:57
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 9 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es de ordem moral", de 11 de Julho de 1935: ![]()
11:32
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO NORTE DE PORTUGAL
Peles de cabra a secar. (Artur Pastor)
10:51
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 891 - Les mauvais artisans ![]() Ce sont, dans les vingt-huit maisons du Ciel ; la Navette �toil�e qui jamais n�a tiss� de soie ; Le Taureau constell�, corde au cou, et qui ne peut tra�ner sa voiture ; Le Filet myriadaire si bien fait pour coiffer les li�vres et qui n'en prend jamais ; Le Van qui ne vanne pas ; la Cuiller sans usage m�me pour mesurer l'huile ! Et le peuple des artisans terrestres accuse les c�lestes d'imposture et de nullit�. Le po�te dit : Ils rayonnent. (Victor Segalen) * Bom dia! 21.10.06
13:08
(JPP)
![]() N�o se sabe muito bem que livros Hitler leu e tinha na sua biblioteca. Apenas uma parte foi recuperada numa mina de sal perto de Berchtesgaden. Outra, sabe-se que se perdeu com a destrui��o da Chancelaria do Reich. Os livros que sobraram est�o na sec��o de livros raros da Biblioteca do Congresso numa colec��o em que est�o misturadas v�rias bibliotecas privadas de altos dignit�rios nazis. Alguns dos livros t�m o ex-libris de Hitler e anota��es que lhe podem ser atribu�das, mas s�o muito poucos aqueles de que h� a certeza de ter lido completamente, ou folheado com aten��o. Mas o conjunto da biblioteca tem um aspecto interessante: a grande quantidade de obras pseudo-cient�ficas e de ocultismo. Este aspecto do interesse de Hitler e de outros dirigentes nazis pelo oculto � bem conhecido mas, quando se v� � dist�ncia a lista dos seus livros, impressiona a mescla indiscriminada de panfletos, bizarras teorias alternativas, op�sculos de absurdas teorias sobre hist�ria, psicologia humana, medicina, e, acima de tudo, a ra�a. Ora, esta biblioteca, t�pica de uma certa forma de autodidactismo b�sico, foi feita no preciso momento em que o cientismo progressivista era dominante e a ci�ncia ganhava um f�lego especial com a obra de Darwin, Einstein, a f�sica qu�ntica, a gen�tica mendeliana, quase todas as grandes teorias que sustentam a ci�ncia contempor�nea. Esta sub-literatura, afim das teorias da conspira��o actuais, era lida por pessoas que n�o tinham muita forma��o e escolaridade, mas que queriam ter a "ci�ncia" do seu lado, uma "ci�ncia" que n�o precisava de ser muito complexa e era uma projec��o da sua vontade e ideias sobre sociedade e cultura.
11:50
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O PROBLEMA � DE OUTRA NATUREZA ![]() Relativamente ao primeiro diploma, escreve o comunicado: "Eliminam-se as regalias e benef�cios respeitantes a planos complementares de reforma". Quanto ao segundo, destaca-se "a previs�o expressa de que aos membros do conselho de administra��o do Banco de Portugal [passar� a ser] subsidiariamente aplic�vel o regime previsto no Regulamento do Gestor P�blico em tudo o que n�o for previsto na Lei Org�nica do Banco de Portugal". Mais papistas do que o Papa, os telejornais da RTP de anteontem � noite e de ontem de manh� (pelo menos - n�o vi os outros) proclamam euf�ricos: "Governo acaba com as reformas milion�rias no Banco de Portugal". Ser�o necess�rias palavras adicionais? Ser� necess�rio explicar aos jornalistas da RTP que a express�o "reformas milion�rias" - com a sua carga n�o neutra e manifestamente qualificativa - n�o � do universo da informa��o, mas do universo da propaganda? Ser� necess�rio explicar-lhes que o valor das pens�es de reforma � indexado ao valor das remunera��es auferidas e que, no caso dos administradores do Banco de Portugal (com sal�rios necessariamente elevados, por for�a das responsabilidades assumidas), n�o foi nunca o valor da suas reformas que esteve em causa, mas os crit�rios excepcionalmente ligeiros da constitui��o do respectivo direito? N�o, n�o vale. Nenhum jornalista estagi�rio ignora estas evid�ncias. O problema � de outra natureza. (Ant�nio Cardoso da Concei��o) * Se me � permitida a resposta a Jos� "Von" Barata, esclareceria que o meu coment�rio inicial era sobre a informa��o na RTP e n�o sobre as remunera��es dos administradores do Banco Portugal. Acresce que o seu coment�rio ao meu enferma da corrente fal�cia conhecida como do "Modus Ponens". Eu disse que, pela responsabilidade que tem, um administrador do Banco de Portugal tem obrigatoriamente que auferir uma remunera��o elevada. N�o disse nunca que, a contrario, outras cargos e fun��es devem ser baixamente remunerados. N�o me pronunciei sobre o assunto.
11:47
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 8 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Propaganda e combate", de 29 de Junho de 1935:
![]()
10:50
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS
![]() 860 - Peter, who was very naughty Once upon a time there were four little Rabbits, and their names were -- Flopsy, ---....Mopsy, ------.....Cotton-tail, -----------..and Peter. They lived with their Mother in a sand-bank, underneath the root of a very big fir-tree. "Now, my dears," said old Mrs. Rabbit one morning, "you may go into the fields or down the lane, but don't go into Mr. McGregor's garden: your Father had an accident there; he was put in a pie by Mrs. McGregor." "Now run along, and don't get into mischief. I am going out." Then old Mrs. Rabbit took a basket and her umbrella, and went through the wood to the baker's. She bought a loaf of brown bread and five currant buns. Flopsy, Mopsy, and Cotton-tail, who were good little bunnies, went down the lane to gather blackberries; But Peter, who was very naughty, ran straight away to Mr. McGregor's garden, and squeezed under the gate! (Beatrix Potter) * Bom dia! 20.10.06
13:25
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA NAZAR�. PORTUGAL
A rapariga do cesto. (Artur Pastor)
12:04
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 7 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es n�o classificadas", de 25 de Junho de 1935: ![]()
10:40
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 20 de Outubro de 2006 ![]()
10:35
(JPP)
A "RIVOLU��O" DOS NOSSOS DIAS ![]() [� data em que escrevo, a situa��o � a seguinte: os do Pl�stico permanecem dentro do teatro, pouco mais do que 20 pessoas, e c� fora, ap�s apelos sucessivos e apesar da grande cobertura televisiva, est�o mais umas dezenas, n�o chegando o total a cerca de 50. O n�mero de pessoas � escass�ssimo. Num comunicado pungente, como se estivessem em pris�o maior, e cercados por um ex�rcito, os ocupantes do Pl�stico comunicaram que est�o impedidos de "comunicar" por uma porta de vidro e que o ar condicionado foi posto no frio, uma viol�ncia inomin�vel do "sr. Rui Rio". O munic�pio colocou um processo-crime por ocupa��o ilegal de instala��o, que j� obrigou a mudar um concerto de benefici�ncia para a Casa da M�sica. � data em que escrevo, uma s�rie de not�cias contradit�rias refere ou a possibilidade de a ministra da Cultura visitar os ocupantes ou pelo menos receb�-los, tendo a pr�pria j� feito declara��es p�blicas de apoio inequ�voco que, vindas de um membro dum governo democr�tico, s�o pelo menos completamente absurdas. Aconte�a o que acontecer, o que j� se est� a passar permite discutir o significado da "Rivolu��o" muito para al�m das perip�cias folcl�ricas da sua d�zia de intervenientes. No entanto, tendo em conta que isto � muito vol�til, pode tudo estar mudado quando o artigo sair.] [NOTA: Sobre as incongru�ncias, contradi��es, ditos. desditos e n�o-ditos da Ministra da Cultura ver BLOGUITICA.]H� nesta "Rivolu��o" v�rias coisas que t�m a ver com a pol�tica local, mas que reflectem problemas da rela��o entre a cultura e o Estado. No Porto � pior, mas no resto do pa�s � o mesmo com outra dimens�o. Os "rivoltosos" representam uma face vis�vel da orfandade que no Porto atingiu uma pequena multid�o de "agentes culturais" a quem o Porto, Capital da Cultura e a pol�tica "cultural" da municipalidade socialista tinha enchido de dinheiro, subs�dios e "prest�gio". Essa orfandade atinge uma elite cultural subsidiada numerosa, que alimenta uma nostalgia activa dos bons velhos tempos do bin�mio futebol-"cultura" de Fernando Gomes. Milh�es de euros foram gastos em anima��o "cultural" nos anos fartos e agora, como veio um tempo de vacas magras e um rebound com a gest�o severa de Rui Rio, o autarca "contabilista" que privilegia as despesas sociais, temos a "Rivolu��o". Repito mais uma vez aquilo que devia ser uma evid�ncia e � uma oculta��o: hoje, a "cultura" � o meio mais eficaz para obter propaganda. Desde Malraux e da sua reencarna��o em Lang, os governantes mais iluminados perceberam que, investindo na "cultura", essencialmente na "anima��o cultural", obt�m boa imprensa, legitimidade, figuras de cartaz e "nome". � caro, mas � eficaz, porque tem a enorme vantagem de proteger a propaganda com a intangibilidade da "cultura", que ningu�m contesta nem discute, porque a criatividade est� acima do debate vulgar da pol�tica. Foi esta a pol�tica de Santana Lopes, com o teatro e a de Carrilho com as "vanguardas", variando nas clientelas e nos gostos, mas obtendo uma corte fiel e agradecida, sempre dispon�vel para dar o nome e a face em campanhas. Viu-se na campanha das legislativas de Santana Lopes e na aut�rquica de Carrilho. No Porto, como em Lisboa e um pouco por todo o lado, � medida que o Estado se foi tornando mecenas, depois produtor-empregador e, por fim, criativo-empregador, foram destru�das todas as iniciativas aut�nomas, que n�o eram dependentes dos subs�dios, mas sim do interesse do p�blico ou da actividade empresarial no sector. Abra-se um jornal da d�cada anterior ao 25 de Abril e veja-se a p�gina de espect�culos, cinema e teatro, para se perceber a diferen�a radical. No Porto, nos �ltimos 20 anos antes do 25 de Abril, o "povo" dispunha de espect�culos de teatro, quer "s�rio", quer de revista, com a vinda regular das companhias de teatro de Lisboa ao Rivoli e ao S� da Bandeira. Mais raramente havia �pera, � certo que �peras mais "f�ceis" como O Barbeiro de Sevilha, o Rigoletto ou a Cavalaria Rusticana, mas era �pera e os espect�culos conheciam enchentes. A maioria destas iniciativas era de empres�rios do teatro e a presen�a do Estado fazia-se sentir essencialmente atrav�s da FNAT e da Emissora Nacional que organizavam espect�culos populares e baratos. Havia um d�fice face a Lisboa, mas n�o era o deserto que hoje se pensa. As elites da cidade pagavam e podiam pagar, atrav�s de quotiza��es, pre�o dos bilhetes e de mecenato, toda uma rede de institui��es culturais privadas: o Cineclube do Porto, a Juventude Musical, o Teatro Experimental, que estavam longe de ser �nicas. Clubes como os Fenianos e o Ateneu patrocinavam actividades culturais. O TEP era um excelente exemplo de uma iniciativa portuense, apoiada por m�dicos, empres�rios, comerciantes, advogados e arquitectos, com o melhor report�rio contempor�neo e cl�ssico. Tinha encenadores profissionais e actores profissionais e, desde a Morte de Um Caixeiro Viajante de Miller � Yerma de Lorca, do Morgado de Fafe Amoroso de Camilo a Quem Tem Medo de Virginia Wolf de Albee, tudo por l� passou. Muitas destas iniciativas, o TEP, o Cineclube, por exemplo tinham a ver com gente da oposi��o e conheciam persegui��es da censura e da pol�cia, que nunca foram capazes de os matar. Foi ap�s o 25 de Abril que desapareceram, ficando apenas uma �rvore em crise, como sobreviv�ncia deste mundo cultural aut�nomo e que existia quase sem subs�dios. O mundo mudou e hoje este modelo revela-se incapaz de suportar consumos culturais mais democratizados e p�blicos mais vastos? Duvido, duvido muito que seja esta a maneira correcta de colocar a quest�o que se destina a justificar o que existe... porque existe. Os partid�rios da "Rivolu��o" explicam a sua iniciativa num dos textos mais significativos do modo como a "cultura" subsidiada se v� a si pr�pria: "- Que nos sejam dadas garantias de que o Rivoli - Teatro Municipal n�o ser� gerido e programado em fun��o da maior ou menor rentabilidade dos objectos que aqui se produzem e/ou difundem, da submiss�o declarada ou velada aos interesses e des�gnios do executivo da CMP, da visibilidade medi�tica, da pretensa acessibilidade;O objectivo deste caderno reivindicativo n�o � protestar contra qualquer censura existente - � impedir a gest�o privada do Rivoli para assegurar que o dinheiro p�blico flua sem custo nem crit�rio, garantir emprego e subs�dios sem que nunca ningu�m se atreva a contestar a sua qualidade "art�stica" e os seus resultados e, muito menos, o terem ou n�o espectadores. Isso s� o pr�prio Teatro Pl�stico pode julgar, porque "uma programa��o de qualidade" d� origem a "objectos exigentes para consigo mesmos e para com o p�blico a que se destinam". Reparem no preciosismo que mostra como esta gente sabe muito bem o que est� a dizer: n�o � o p�blico, mas "o p�blico a que se destinam", ou seja, outros grandes artistas com a dimens�o est�tica dos membros do Teatro Pl�stico. O Teatro Pl�stico acaba de apresentar uma semana de "objectos", deliciosa linguagem, no Rivoli com uma m�dia de 30 espectadores, numa sala que custa 11 milh�es de euros ao munic�pio e cujas receitas de bilheteira pagam apenas 6 por cento dos custos. No caso do Teatro Pl�stico nem isso. O Teatro Pl�stico duvida muito justamente que o operador que ganhar o concurso para gerir a programa��o do Rivoli aceite pagar estes custos fabulosos e querer� "gerir (...) em fun��o da maior (...) rentabilidade dos objectos", n�o sendo indiferente � "pretensa acessibilidade" que, com toda arrog�ncia do mundo, o Pl�stico n�o quer que seja tida em conta. [Um exemplo t�pico da est�tica e do gosto dos "ocupantes" pode encontrar-se neste "poema"O problema de tudo isto tem a ver com o completo div�rcio entre a "cultura" subsidiada e o p�blico, que gera um establishment cultural de muito m� qualidade, caro e solipsista, que existe apenas para si pr�prio e fora de quaisquer crit�rios que avaliem o uso de dinheiros p�blicos. Sem cr�tica, que n�o existe, e sem p�blico, a quem estes "objectos" nada dizem, a grupos como o Pl�stico resta apenas o espect�culo tonitruante da defesa do subs�dio contra o pap�o dos ignaros "privados", atrav�s de ac��es para as televis�es, a forma moderna de fanfarra. Est�o a defender o seu, exigindo continuara a gastar o nosso. Mas n�o � isso a "rivolu��o dos nossos dias? (No P�blico de 19 de Outubro de 2006)
10:14
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 889 - The Enthusiastic Elephant ![]() The Enthusiastic Elephant, (Edward Lear) *
Bom dia! 19.10.06
21:18
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL
Moliceiros. (Artut Pastor)
20:17
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL Retratos do trabalho de remo��o de um cami�o acidentado na A3 (ao quil�metro 15). Foi hoje � tarde, por volta das 4 horas. O tr�nsito foi cortado naquela auto-estrada no sentido Porto Braga. O Porto, com isto e com a chuva que resolveu cair, tornou-se (mais) ca�tico! (Isabel Martinho)
15:57
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 19 de Outubro de 2006 ![]()
12:13
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 6 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes, sec��o "Quest�es de ordem moral", de 22 de Junho de 1935: ![]() * O coment�rio � um pouco lateral ao lado sociol�gico da an�lise que o Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes pode suscitar.
11:56
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 888 - .... never once considering how in the world she was to get out again. Alice was beginning to get very tired of sitting by her sister on the bank, and of having nothing to do: once or twice she had peeped into the book her sister was reading, but it had no pictures or conversations in it, 'and what is the use of a book,' thought Alice 'without pictures or conversation?' So she was considering in her own mind (as well as she could, for the hot day made her feel very sleepy and stupid), whether the pleasure of making a daisy-chain would be worth the trouble of getting up and picking the daisies, when suddenly a White Rabbit with pink eyes ran close by her. There was nothing so very remarkable in that; nor did Alice think it so very much out of the way to hear the Rabbit say to itself, 'Oh dear! Oh dear! I shall be late!' (when she thought it over afterwards, it occurred to her that she ought to have wondered at this, but at the time it all seemed quite natural); but when the Rabbit actually took a watch out of its waistcoat-pocket, and looked at it, and then hurried on, Alice started to her feet, for it flashed across her mind that she had never before seen a rabbit with either a waistcoat-pocket, or a watch to take out of it, and burning with curiosity, she ran across the field after it, and fortunately was just in time to see it pop down a large rabbit-hole under the hedge. In another moment down went Alice after it, never once considering how in the world she was to get out again. (Lewis Carroll) * Bom dia! 18.10.06
19:50
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO PASSADO / PRESENTE, PORTUGAL
(Artur Pastor) 17.10.06
10:15
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 17 de Outubro de 2006 Hoje vai ser um dia muito interessante para perceber a governamentaliza��o da RTP. Eles sabem que eu sei que eles sabem que � assim. * ![]() "De forma a facilitar a leitura da situa��o foram criados dois �utilizadores virtuais�: um chamado Dentro do Rivoli, que se pretendia que reunisse as posi��es dos ocupantes do Teatro (ainda que cada post devesse ter, al�m dessa assinatura, uma identifica��o individual) e outro �utilizador virtual� chamado Fora do Rivoli, que deveria reunir as posi��es do p�blico em geral.Quem � o "outrem"? Eu compreendo que do ponto de vista jornal�stico o que escrevem os de "dentro" � mais importante para a constru��o da not�cia do que o que escrevem os de "fora", mas num blogue essa hierarquia n�o tem sentido, tanto mais que o blogue n�o tem origem nos de "dentro". At� por suscitar estas quest�es, a experi�ncia � interessante: saber se o blogue de um jornal se comporta como um verdadeiro blogue ou como um instrumento para "pescar" not�cias para o jornal, o que ali�s � perfeitamente leg�timo. J� agora, ningu�m sugeriu no P�blico que se fizesse um blogue para cobrir a manifesta��o de setenta mil pessoas que atravessou Lisboa, ou a greve dos professores em curso, eventos muito mais relevantes, embora menos "na moda", do que a "Rivolu��o"? E j� agora n�o seria interessante saber que rela��es t�m os ocupantes com a "cultura" subsidiada? * Interessant�ssima, a reportagem esta manh� da TSF: * ![]() Breves notas sobre o debate que comentarei mais em detalhe noutro s�tio: Por estranho que possa parecer, fruto tamb�m dos nossos preconceitos, os autarcas sa�ram-se muito melhor do que o Ministro Ant�nio Costa, apoiado por Saldanha Sanches. Muito, muito melhor. A come�ar pelo que n�o se esperava que acontecesse: mostraram um grande dom�nio da realidade, um muito bom conhecimento dos mecanismos perversos da nova legisla��o, uma grande capacidade argumentativa e foram ... muito menos demag�gicos do que o Ministro. Ant�nio Costa foi de uma agressividade malcriada, ro�ando o insulto, autorit�rio e demag�gico at� ao limite. Fernando Ruas comportou-se com uma enorme delicadeza de trato face aos golpes baixos do Ministro, aos quais n�o era alheio um desprezo intelectual pelos seus interlocutores. E de "classe", diriam os marxistas, face a um Portugal a que ele claramente se acha superior. Por muito sofisticado que queira ser esqueceu-se de uma regra que funciona magnificamente em televis�o: aqueles homens alguns rudes, outros t�midos, transmitiram muito melhor um sentimento de "dedica��o" ao seu "povo" do que o governante, que se ria deles. A maior parte das suas interven��es tem o toque do propagandista, a repeti��o at� ao limite dos chav�es de propaganda que ele quer fazer "passar". Confrontado com dados concretos, a come�ar pela acusa��o directa de ser respons�vel por casos de manipula��o informativa, fugiu sempre incomodado, confirmando diante de todos a veracidade das acusa��es. Viu os seus n�meros confrontados com acusa��es indesment�veis, mas mesmo assim repetia-os sempre, de novo, para os fazer "passar". Esteve sempre a falar para fora, para a audi�ncia, indiferente aos seus interlocutores que falavam para ele. Se isto se podia compreender em termos de efic�cia propagand�stica, perdeu o efeito face ao autismo que revelava e, de novo, ao ostensivo desprezo pelos interlocutores. Um desastre. O muito eficaz gabinete de imprensa de Costa vai ter que trabalhar muito para remediar os estragos. * De h� muito que sou seu ouvinte nas suas interven��es p�blicas, embora n�o me situo na sua �rea pol�tica e, muitas vezes estou em desacordo com as suas opini�es. Mas, o meu desacordo em rela��o ao texto que escreveu sobre o tema em ep�grafe � de tal ordem que me leva a enviar-lhe estes coment�rios:
09:45
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 5 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��es "Quest�es de ordem religiosa" e "Quest�es de ordem moral", de 19 de Junho de 1935: ![]()
09:38
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 887 - An old person of Hove ![]() There was an old person of Hove, (Edward Lear) * Bom dia! 16.10.06
20:34
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 16 de Outubro de 2006 Uma novidade a saudar: um blogue ligado a um jornal, o P�blico, acompanha em tempo real um evento - o "caso" do Rivoli. N�o � um grande "caso", mas a iniciativa � muito positiva porque a blogosfera precisa de competi��o e este tipo de iniciativas aumenta a concorr�ncia. Acrescento apenas ao que escrevi em baixo: "Ser� que se eu juntar quarenta pessoas para protestar... o P�blico tamb�m faz logo um blogue?" * Os Frescos escolhem sempre bem as liga��es que sugerem. N�o � muito comum manter um equilibrio deste tipo na blogosfera. * Ser� que se eu juntar quarenta pessoas para protestar (e garanto que n�o preciso sequer de um partido), contra a televis�o p�blica ou a "cultura" subsidiada, por exemplo, o evento passa em todos os telejornais com tanto tempo como os protestantes (a maioria do Bloco de Esquerda) junto do Rivoli, com directos e entrevistas, tenho o ministro respectivo logo disposto a receber-me, sou tratado com benevol�ncia como "povo" genu�no e ningu�m me tira de dentro do est�dio principal, caso o ocupe impedindo a emiss�o? Duvido. * J� deve ter reparado que hoje, dia 16 de Outubro, o Governo manifestou um not�vel exerc�cio de double speak. No primeiro caso os pais de uma escola p�blica em Sete Rios, Lisboa fecharam a cadeado a escola pois para 300 alunos existem apenas duas auxiliares de ac��o educativa. A DREL classificou o facto de "terrorista" e mandou a pol�cia rep�r a ordem. Tamb�m hoje, no Porto, um grupo de gente ligada ao teatro ocupou o Teatro Rivoli que � tutelado pelo munic�pio. A Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, afirmou tratar-se de uma "original e inovadora forma de luta" e at� ofereceu os seus bons of�cios para "mediar" o conflito com a C�mara do Porto.
16:42
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A INVAS�O DAS MIMOSAS Esta fotografia � um retrato muito verdadeiro do que est� a acontecer em todo o parque nacional da Peneda-Ger�s. Como se pode observar, as mimosas (arbustos da fam�lia das Ac�cias) ganham dia ap�s dia terreno �s esp�cies aut�ctones, devastando importantes encostas e expulsando fauna e flora �nica no pa�s. S�o uma praga pior que os eucaliptos porque n�o s� secam o ch�o como � quase imposs�vel faz�-las desaparercer. Esta encosta perto do campo de futebol da Pereira mesmo em frente � vila do Ger�s foi limpa h� cerca de tr�s anos, mas como se pode ver tudo voltou ao normal, sendo poss�vel observar mesmo a barreira que separa as mimosas dos pinheiros, barreira essa que diminui dia ap�s dia. (Jos� Borges)
15:55
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O ENGRA�ADISMO CHEGOU AO GOOGLE N�o ser� com certeza por insensibilidade, mas esta falta de cuidado, faz impress�o. (Gil Coelho) * Reparei que reproduziu um texto de um leitor seu sobre aparecer no Google News, na sec��o entretenimento, not�cias sobre inc�ndios. O sistema � totalmente automatizado, e n�o permite interven��o humana. Mesmo que os funcion�rios do Google quisessem, isso n�o ia ser alterado manualmente. O sistema � imperfeito, e procura pela coincid�ncia de keywords, aferir automaticamente em que local ou categoria cabem as not�cias. �s vezes falha. Antes isso que a manipula��o humana das not�cias ou de onde elas devem caber.
10:20
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PASSADO, PORTUGAL
(Artur Pastor)
10:14
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 4 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��es "Minist�rio da Justi�a", "Secretariado da Propaganda Nacional" e "Quest�es de ordem moral", de 12 de Junho de 1935: ![]()
09:42
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 886 -... dirige tes talons en arri�re et non en avant. Pl�t au ciel que le lecteur, enhardi et devenu momentan�ment f�roce comme ce qu'il lit, trouve, sans se d�sorienter, son chemin abrupt et sauvage, � travers les mar�cages d�sol�s de ces pages sombres et pleines de poison; car, � moins qu'il n'apporte dans sa lecture une logique rigoureuse et une tension d'esprit �gale au moins � sa d�fiance, les �manations mortelles de ce livre imbiberont son �me comme l'eau le sucre. Il n'est pas bon que tout le monde lise les pages qui vont suivre ; quelques-uns seuls savoureront ce fruit amer sans danger. Par cons�quent, �me timide, avant de p�n�trer plus loin dans de pareilles landes inexplor�es, dirige tes talons en arri�re et non en avant. (Lautr�amont, Les Chants de Maldoror) * Bom dia! 15.10.06
21:43
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PASSADO, PORTUGAL (Artur Pastor) A prop�sito de uma exposi��o da obra de Artur Pastor no Museu do P�o em Seia, com temas relacionados com o p�o, foi-me enviada pelo seu filho uma s�rie de fotografias que retratam aspectos do trabalho e que ser�o publicadas no Abrupto. Como se pode ver, essas fotografias s�o de uma qualidade excepcional e chamam a aten��o para "o seu esp�lio, composto por mais de 50.000 fotografias, (...) adquirido pela C�mara Municipal de Lisboa em Outubro de 2001" e ainda insuficientemente divulgado. Segundo Artur Pastor (filho) "h� uma exposi��o j� finalizada, impress�es e textos, pelo servi�os do arquivo fotogr�fico municipal, a guardar melhores ventos de vontade cultural por parte da autarquia." Espera-se que tais "ventos" soprem depressa, muito depressa.
16:53
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTO GALINHAS- PERNAMBUCO, BRASIL (...) tirada h� uns meses na praia de Porto de Galinhas, Estado de Pernambuco, Brasil. Nela se v� um vendedor ambulante de CD's de m�sica que, sob um calor t�rrido, percorre com o seu aparelho m�vel a praia de Porto de Galinhas. E numa praia que � frequentada por bastantes turistas portugueses n�o seria de todo m� ideia a venda tamb�m de livros... (E. Vieira Novo) * Acerca do TRABALHO EM PORTO GALINHAS, diz E. Vieira Novo que �numa praia que � frequentada por bastantes turistas portugueses n�o seria de todo m� ideia a venda tamb�m de livros...� mas n�o sei se ter� raz�o, e explico porqu�:
10:35
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 3 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��o "Quest�es de ordem moral", de Junho de 1935: ![]() * Estes boletins da Direc��o-Geral dos Servi�os de Censura em que podemos ver os casos concretos daquilo que todos sabemos que existia, em que vemos o "making-off" t�m sido uma real ilumina��o. As decis�es sobre o que � moral ou imoral intrigam, pois ap�s a leitura destes excertos, sou levada a crer que h� uma extraordin�ria arbitrariedade em tudo, mais do que uma deliberada reflex�o sustentada teoricamente por uma precisa ideologia ou filosofia onde se baseassem os conceitos moralidade/imoralidade. Talvez esta forma algo informal, apesar de bem intu�da e apreendida, e em sintonia com a "moral" do regime tenha tido os seus perigos pela dificuldade em ser identificada e combatida. � insidiosa e mel�flua. Tal como a deliberada oculta��o de factos, nomeadamente crimes, ocorridos, que venham abalar a cren�a de uma vida de "bons costumes". Apesar de saber da exist�ncia da censura, fico realmente chocada, pela abrang�ncia e pelos seus tent�culos. � mais dif�cil perceber a forma como o nosso "viver" foi sendo moldado � imagem de uma falsa mansid�o, e a extens�o (mesmo temporal) dos efeitos desse fazer, do que perceber a censura, por exemplo, no meio art�stico.
10:09
(JPP)
de Orion, com seu pequeno cavalo, o seu homem a correr, as chamas de um certo inferno, e as mil e uma coisas que o nosso olhar permite ver. Viajar a esta luz, pelo menos uma vez.
10:01
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 885 -Those Winter Sundays Sundays too my father got up early and put his clothes on in the blueblack cold, then with cracked hands that ached from labor in the weekday weather made banked fires blaze. No one ever thanked him. I'd wake and hear the cold splintering, breaking. When the rooms were warm, he'd call, and slowly I would rise and dress, fearing the chronic angers of that house, Speaking indifferently to him, who had driven out the cold and polished my good shoes as well. What did I know, what did I know of love's austere and lonely offices? (Robert Hayden) * Bom dia! 14.10.06
11:55
(JPP)
Actualizadas as notas O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS CENSURA e POR QUE RAZ�O A DEMOCRACIA TEM MEDO DE SALAZAR? Vers�o 2.0.
11:53
(JPP)
NUNCA � TARDE PARA APRENDER: OS MALEF�CIOS DA LEITURA � Se o rapaz souber ler � argumentava triunfantemente o idiota � assim que chegar a idade, �s duas por tr�s, fazem-no jurado, regedor, camarista, juiz ordin�rio, juiz de paz, juiz eleito. S�o favas contadas. Depois, enquanto ele vai � audi�ncia ou � C�mara, a Cabe�ais, daqui uma l�gua, os criados e os jornaleiros ferram-se a dormir a sesta de cangalhas � sombra dos carvalhos, e o arado fica tamb�m a dormir no rego. E ademais, isto de saber ler � meio caminho andado para asno e vadio. E citava exemplos, personalizando meia d�zia de brejeiros que sabiam ler e eram mais asnos e vadios que os analfabetos. (Camilo Castelo Branco, Vulc�es de Lama)
11:48
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM T�QUIO, JAP�O
Vidente Japon�s que l� a sina (em Ingl�s ou Japon�s) com a ajuda de fato, gravata e computador. Aos Domingos no parque de Ueno, T�quio. (Antonio Rebord�o)
10:24
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 2 Do boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes , sec��o "Quest�es de ordem moral", 10 de Junho de 1935: ![]()
10:09
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 885 - Home I didn't know I was grateful for such late-autumn bent-up cornfields yellow in the after-harvest sun before the cold plow turns it all over into never. I didn't know I would enter this music that translates the world back into dirt fields that have always called to me as if I were a thing come from the dirt, like a tuber, or like a needful boy. End Lonely days, I believe. End the exiled and unraveling strangeness. (Bruce Weigl) * Bom dia! 13.10.06
23:26
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL Trabalho " invis�vel " nos areoportos, a limpeza dos avi�es, feita por trabalhadoras contratadas a empresas "especializadas ". Uma breve pausa antes da limpeza do avi�o. (Joaquim Antunes)
22:00
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() (Giorgio Morandi)
20:07
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O ENGRA�ADISMO CHEGOU AO GOOGLE
Novos conceitos de entretenimento, no Google, Portugal, hoje. (Gil Coelho)
14:52
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS CENSURA ![]() N�o tem nada a ver com Salazar, mas j� que no Abrupto se fala de censura, gostaria de relembrar aqui uma lei que a Assembleia Nacional francesa aprovou ontem: a partir de hoje, e caso a dita lei siga o seu percurso at� � aprova��o final, qualquer cidad�o franc�s que negue a exist�ncia do genoc�dio arm�nio, cometido pelos otomanos, poder� ser pesadamente multado ou at� preso. Numa altura em que mais do que nunca � necess�rio que a Europa demonstre o orgulho que tem, ou deveria ter, na aquisi��o que se deseja definitiva de uma total liberdade de express�o, a Assembleia francesa resolveu dar este presente a quem a ela n�o est� habituado e nem deseja estar. Estou certo de que o presente ser� devidamente apreciado. � mais uma vit�ria do "pol�ticamente correcto" (neste caso tamb�m eleitoralmente conveniente) em direc��o a uma censura que se acha virtuosa por supostamente defender causas humanistas. E sem sequer perceber (ou n�o querendo) que fazer esta lei para o genoc�dio arm�nio e n�o fazer para todos os outros que se passaram e passam pelo nosso planeta, � de uma incoer�ncia total; e que, se se quiser ser coerente a lei ter� de ser contra o negacionismo de todo e qualquer genoc�dio; e, se for esse o caso, em quantos anos prescreve o crime? � que ainda h� muita gente viva que negou durante muito tempo os crimes de Estaline. A n�o ser que n�o sejam genoc�dio... (Jo�o Tinoco) * N�o resisto a comentar a quest�o do reconhecimento do genoc�dio arm�nio:
12:36
(JPP)
PARA SE COMPREENDER O PORTUGAL DE SALAZAR E O PORTUGAL QUE FEZ SALAZAR 1 J� que se est� a discutir a quest�o de Salazar como "grande portugu�s", o que ele fez e o que ele deixou de heran�a, vale a pena combater a falta de mem�ria (e de saber...) que domina o nosso espa�o p�blico, publicando alguns documentos originais e in�ditos sobre o principal mecanismo de conformidade do Estado Novo, a censura. A censura definia como se podia pensar e quais os limites ao que se podia dizer. E a PIDE assegurava que uma atmosfera de medo estava presente nesses limites. A combina��o foi particularmente eficaz e teve longo tempo para se consolidar e "formatar" tudo. N�o tem compara��o com nenhum pa�s europeu do s�culo XX quer na forma, quer no conte�do e talvez apenas na continuidade possa ser comparada � URSS. Os exemplos que publicarei no Abrupto ter�o origem no boletim confidencial dactilografado da Direc��o Geral dos Servi�os de Censura � Imprensa - Boletim Di�rio de Registo e Justifica��o dos Cortes e ser�o por regra apenas da sec��o "Quest�es de ordem moral". O exemplo de hoje � de 31 de Agosto de 1935: ![]()
10:46
(JPP)
POR QUE RAZ�O A DEMOCRACIA TEM MEDO DE SALAZAR? Vers�o2.0 A RTP vai realizar uma esp�cie de concurso reality show intitulado Os Grandes Portugueses, que inclui como prato principal a escolha pelo voto dos "portugueses" da personalidade preferida de toda a nossa hist�ria. Coloquei entre aspas os "portugueses", porque do que aqui se trata � dessa interessante figura televisiva, criada por Teresa Guilherme no programa Big Brother para designar aqueles portugueses que estavam dispostos a telefonar, numa chamada, naturalmente com valor acrescentado, a escolher a personagem da "casa" que iriam p�r fora. Os "portugueses" telefonistas ou internetianos s�o o subgrupo activo das "audi�ncias" e funcionam nesta esp�cie de teatro medi�tico do real que s�o os reality shows como a personifica��o simb�lica do povo. Para ajudar os "portugueses" na sua escolha a RTP preparou uma "lista de sugest�es" que inclu�a nomes que s� com absoluta surpresa e estupor poderiam passar por personalidades centrais da nossa hist�ria milen�ria: Adriano Correia de Oliveira, Ana de Castro Os�rio, Catarina Euf�mia, Dur�o Barroso, Gageiro, Fernando Nobre, Joaquim de Almeida, para al�m do lote na moda de futebolistas e treinadores. N�o sei bem o que passa pela cabe�a de algu�m que possa achar que o portugu�s mais importante de sempre seja o actor Joaquim de Almeida, suspeito ali�s que nem sequer o pr�prio Joaquim de Almeida o achar�. Mas a lista de sugest�es � muito interessante tamb�m nas suas omiss�es, sendo uma gritante de significado. Na vers�o original da lista n�o vem Ant�nio de Oliveira Salazar, o que imediatamente suscitou protestos nessa parte muito viva e atenta da comunica��o, que s�o os blogues. A lista foi entretanto corrigida, com a inclus�o de Salazar, mas a aus�ncia inicial s� pode ter sido de natureza cens�ria e n�o um lapso. Algu�m achou que colocar l� o nome de Salazar ou podia gerar pol�mica, ou podia levar a uma vota��o inc�moda na personagem, o que se entendeu que colocaria o programa em apuros. Quer num caso quer noutro, os malef�cios do politicamente correcto s�o evidentes, porque uma lista deste tipo sem Salazar n�o tem p�s nem cabe�a. A "biografia" de Salazar que foi posta em linha na lista das personalidades para corrigir a omiss�o inicial s� confirma e refor�a a interpreta��o das raz�es que levaram � censura. Mal feita e opinativa, s� tem como objectivo evidente induzir ao n�o voto em Salazar com adjectivos e frases fortes: ![]() Houve tr�s raz�es para isso acontecer: a primeira, o facto de o n�mero de portugueses que fizeram oposi��o activa ao regime serem poucos; a segunda � o facto de o envolvimento dos sectores mais prestigiados e combativos da oposi��o no PREC lhes retirar a legitimidade pol�tica; a terceira, o facto de o peso de muitas institui��es salazaristas continuar intacto e a reproduzir-se em muitos "costumes" democr�ticos. O primeiro dos factores � evidente para todos os que conhecem a oposi��o; sabem que esta s� teve um ou dois momentos de real converg�ncia com a na��o, no fim da Segunda Guerra e na campanha de Delgado. Ambos eram resultado de factores externos, num caso a vit�ria militar dos Aliados, noutro a personalidade populista de Delgado, que se imp�s tanto � oposi��o que n�o o desejava, como ao regime que acabou por mat�-lo. Este primeiro factor, a escassez de pessoas activamente oposicionistas, n�o pode no entanto ser levado muito longe, ao contr�rio do que algumas vezes os defensores do salazarismo pensam - tal n�o significa que houvesse um consenso ou uma maioria pelo regime. Os dias seguintes ao 25 de Abril, pesem todas as manipula��es, revelaram um genu�no �mpeto de liberta��o, uma alegria pelo fim de um regime que n�o suscitava qualquer simpatia. O segundo factor, o envolvimento nos excessos do PREC, debilitou seriamente a legitimidade pol�tica da oposi��o, salvo de uma pequena minoria de socialistas e liberais que, exactamente por isso, acabou por, a prazo, dominar os primeiros anos de democracia e vencer o PCP. Enquanto na transi��o espanhola foram os excessos passados na Guerra Civil que voltaram para assombrar o PCE, em Portugal, o PCP e os esquerdistas que acompanharam o seu projecto revelaram que uma parte da luta contra o regime de Salazar n�o era uma luta pela liberdade e a democracia, mas sim pelo totalitarismo comunista. � luz do PREC, do PREC real e do PREC imagin�rio, surgiu uma equival�ncia entre meia d�zia de dias de pris�o ilegal pelo Copcon com 48 anos de tortura e pris�es de anos e anos, o que �, de todo, absurdo, mas o PREC fez nascer uma democracia manca, que demorou muito a endireitar-se. Por �ltimo, h� uma raz�o muito simples, que ningu�m quer admitir, e que tem a ver com a perman�ncia nos valores mentais, nos h�bitos da nossa democracia, dos quadros do Portugal de Salazar. Valores como o "respeitinho", a hipocrisia p�blica, a ret�rica antipol�tica, a tenta��o de considerar que o suprapartid�rio � bom, a obsess�o pelo "consenso", o medo da controv�rsia, a cunha e a clientela, mesmo a corrup��o pequena, a falta de esp�rito cr�tico desde as artes e letras at� � imprensa e Igreja, tudo vem do quadro do salazarismo e reprodu-lo. O medo do conflito, essa tenebrosa heran�a de 48 anos de censura, permanece embrenhado na vida pol�tica da democracia e isso d� vida � nostalgia da pasmaceira vigiada de Salazar. J� v�rias vezes o escrevi, a censura foi um instrumento decisivo de conformidade psicol�gica, cultural e social muito mais poderoso do que pol�tico. A t�tulo de exemplo, alguns cortes da censura de 13 de Julho de 1935: ![]() ![]() ![]() Por tudo isto n�o espanta a censura do nome de Salazar, por medo de um resultado inconveniente num programa da "televis�o p�blica" da democracia (ela pr�pria fundada por Salazar), como n�o me espantaria que Salazar pudesse ganhar o concurso. Vejo nisso poucos inconvenientes e at� vantagens. Para al�m do aspecto cat�rtico, talvez isso suscitasse uma discuss�o a s�rio do que significou Salazar na nossa hist�ria do s�culo XX onde ele � a personagem principal, goste-se ou n�o. Uma das cegueiras desta censura � n�o ver que o salazarismo expl�cito � bem menos importante que o salazarismo impl�cito, mais importante e perigoso para a democracia. Pouco se me d� que os "portugueses", que, insisto, n�o s�o os portugueses, votem no senhor presidente do Conselho num concurso televisivo. Salazar, ele mesmo, se estivesse vivo e regressasse do Brasil uns anos depois do 25 de Abril, n�o ganharia nenhuma elei��o no Portugal de hoje e teria tantos votos como o general Ka�lza de Arriaga. O que me interessa � recensear que atitudes, nostalgias, h�bitos, costumes, pr�ticas, que ningu�m associa a Salazar, mas v�m directamente dele e do Estado Novo, continuam vivos, adoecendo a nossa democracia. Isso sim, � importante. (No P�blico de 12 de Outubro de 2006, acrescentado e anotado.) * Concordo inteiramente com a an�lise que fez ao "Mas". Podia-se acrescentar: - Salazar nunca leu Keynes; foi sempre mais a favor de or�amentos equilibrados. - Salazar n�o criou nada que se parecesse com o Estado de Bem Estar que desenvolveu a Europa de 1945 a 1973; por isso a situa��o social era a que era em 1974; - Salazar recusou o Plano Marshall; - Salazar desbaratou o dinheiro do volframio; - Salazar criou condi��es para uma emigra��o massiva para a Europa nos anos 60; - Salazar n�o deu o poder a Delgado e levou-nos � Guerra Colonial. Etc. (Eduardo Tom�) * (...) j� reparou que a frase que o P�blico retirou do seu texto para servir de legenda � foto de Salazar e companheiros � uma escolha SINTOM�TICA daquilo mesmo que o senhor denuncia no artigo: o inc�modo irritado e �preconceituoso� em rela��o ao ditador? (Carlos David Botelho) * Ainda me lembro do COPCON a carregar sobre mim aquando da manifesta��o para a liberta��o do Arnaldo de Matos. Pouco diferiu daquela em que na Faculdade de Ci�ncias, no fim dos anos sessenta, me levaram a saltar pela janela, quando a PIDE entrou para calar o Zeca Afonso...Se os 30 anos de democracia podem causar essa nostalgia no povo, aos pol�ticos que a vem construindo se deve. Parte da culpa cabe ao Pacheco Pereira. Que em lugar de se preocupar com uma Fundamenta��o Social Democrata Democrata se preocupou mais com a hist�ria do Dr.Cunhal. (desabafo) Depois da estratifica��o e reposi��o do comunismo no seu devido lugar (num museu, obviamente, sem desrespeito para aqueles que ideologicamente e por convic��o no seu tempo, foram lutando, com tudo, inclusiv� a vida, por aquilo que acreditaram ser melhor para o povo -ou para uma classe do povo), penso ser mais importante a procura do Caminho e bem que dele carecemos. N�o podemos ficar s� com a mem�ria das caravelas. H� que repensar o futuro e olhar a Ci�ncia de frente. � que na aus�ncia de uma filosofia objectivamente social democrata (que susbstitua a imanente procura do Homam por uma sociedade melhor) ou na aus�ncia de valores filos�ficos, ao Fado, Futebol e F�tima juntou-se a Telenovela. Com o branqueamento das ideias de programas como o Big Brother ou tipo Fiel e Infiel e afins, s� pode resultar a passividade que muitas vezes descamba no regresso ao passado quando a crise financeira � persistente e a vida continuamente dif�cil. Repito : A culpa tem sido dos pol�ticos p�s 25 de Abril. Compreendo que Portugal n�o se iniciou numa democracia pura, mas antes tentou conformar o assalto do comunismo ao poder. E que as quintinhas persistem nas corpora��es da resist�ncia. Mas tantos anos depois, que vemos ainda? Uma democracia sem valores de Justi�a e que a deixou afundar, at� perder a sua express�o, (com alguns rasgos penais para calar a voz do povo). Do desastre de Camarate o que resultou ? Prescri��o. De facto este Instituto Juridico, que caminha como a sombra da Justi�a, perseguindo-a, n�o tem sido mais que o obscurantismo da mem�ria, numa aparente toler�ncia provida pelo tempo que mais n�o esconde que a incapacidade dos pol�ticos de adequar o Sistema Judicial � resposta atempada e c�lere que a Constitui��o e o Direito Natural obrigam, mas que n�o respeitam.. Mas ningu�m parece estar interessado de fundo, a resolv�-la. (...) (Alberto Pontes) * Agora que acabei de dar uma aula e estou com mais tempo, gostaria de lhe manifestar a minha concord�ncia geral com o seu artigo, excepto num ponto: a sua refer�ncia branqueadora �s �meias d�zias de dias pris�o do PREC�. Trata-se, a meu ver, de um erro t�pico de perspectiva hist�rica. Com efeito, se considerarmos o que acabaram por de facto ser as pris�es do PREC, � verdade que n�o passaram de �meia d�zia de dias de pris�o�. Ou mais exactamente, ano e meio; mas sem torturas nem viol�ncia f�sica. Por�m, da� n�o pode resultar nenhuma atenuante para os revolucion�rios do PREC, por que se essas pris�es foram assim suaves n�o foi gra�as a eles, mas sim gra�as � contra-revolu��o democr�tica que os derrotou! Na verdade, os revolucion�rios do PREC n�o tencionavam ser menos brandos para com os presos pol�ticos da �poca do que fora Salazar, e � conveniente recordar os seus contantes protestos de ent�o contra �as condi��es de chocante privil�gio� em que estavam os presos sob tutela militar, pelo simples facto de n�o estarem nem sujeitos a trabalhos for�ados nem a condi��es de cela fechada. Para j� n�o mencionar que tencionavam aplicar, caso a revolu��o vencesse, os conceitos de �justi�a popular� que tiveram em Cuba um bom exemplo do que significavam. � por isso que os revolucion�rios do PREC ficaram na mem�ria colectiva do povo como n�o melhores que os salazaristas. Por isso, pelos quinze mil despedimentos por raz�es pol�ticas e pela sanha persecut�ria que mostraram para com os outros. Se n�o foram mais longe, n�o foi gra�as a si pr�prios mas sim a quem os derrotou no �Ver�o quente� e no contra-golpe de 25 de Novembro de 1975. � um exerc�cio de manipula��o da Hist�ria esse que agora fazem de, na linha geral de se branquearem de �lutadores pela liberdade�, tentarem recuperar esse bom final que os PREC teve como devendo-lhes alguma coisa! Eu sei que voc� sabe isto, JPP. Mas parece-me que a sua mem�ria tamb�m j� est� contaminada por esses democratas �reciclados�... (Pinto de S�) * Obviamente um reality show n�o � sitio pr�prio p/ se debater hist�ria. Estamos mais em presen�a de figuras mediaticas (n�o vejo a import�ncia hist�rica de Quim Almeida ou Lu�s Figo)do que hist�ricas. Talvez por isso mesmo n�o vejo porque n�o por nelas Salazar ou Adolfo (na vers�o alem�) ou Estaline (na vers�o Russa) ou Franco (na vers�o Espanhola)ou MUssolini (vers�o Italiana). Para o bem e para o mal (mais p/ o mal claro) fazem parte da hist�ria e s�o refer�ncias p/ os respectivos povos e mesmo internacionais. S�o mediaticas. N�o conviver c/ elas � estalinismo puro, isto �, � querer rever a hist�ria e apagar os maus das fotografias (mesmo s/Photoshop Estaline fazia-o eximiamente como se sabe). Aproveitando a ocasi�o, e sem querer lavar a hist�ria, para fazer um desafio. Pergunta-se �o que seria Portugal se Salazar n�o tivesse existido?� Os 30 anos que o antecederam foram uma balburdia entre o fim da monarquia (com um rei a dizer a majest�tica frase �esta choldra � ingovern�vel�) e uma 1� rep�blica que n�o foi um primor de democracia. Entre Sidonismos, deporta��es e um pa�s falido onde havia fome e racionamento de bens essenciais a necessidade de por ordem na casa era obvia. Tal como ningu�m considera Afonso Henriques um humanista (hoje seria considerado um dos causadores do terrorismo Isl�mico) nem D Jo�o II ou o Marqu�s de Pombal democratas mas reconhece-lhes os m�ritos e o estatuto hist�rico, est� na altura se de fazer o mesmo a Salazar. Por muito que nos custe em 1926 o pa�s n�o tinha condi��es econ�micas e sociais para se democratizar. Como exemplo, basta lembrar que um dos muitos ocupantes do Pal�cio de Bel�m at� 1926 era um assumido ped�filo e n�o viu a sua carreira pol�tica prejudicada por isso. E ningu�m, tirando umas �alminhas c/ boa mem�ria� como Vasco P. Valente, se escandalizou quando Jorge Sampaio escolheu como ultimo acto do seu mandato uma viagem a Argel expressamente p/ homenagear t�o democr�tica figura. A estabiliza��o econ�mica e social � for�a trazida por Salazar foi um mal necess�rio p/ o pa�s sobreviver nessas condi��es. Se Salazar tivesse tido a vis�o de preparar a democratiza��o do pa�s ap�s o fim da 2� Guerra Mundial, aderido ao plano Marshall e sa�do em meados dos anos 50 seria hoje um her�i nacional. A sua falta de vis�o transformou-o numa figura mal querida, fez esquecer o trabalho necess�rio feito e atrasou o pa�s 30 anos. E pior que tudo incutiu em muita boa gente uma atitude de pasmaceira, horror ao conflito, mais import�ncia ao estatuto do que ao m�rito e imobilismo que ainda hoje est� impregnada na nossa sociedade e na nossa democracia. E esta �pesada heran�a� prejudica-nos muito mais e ao nosso futuro que a mem�ria da �longa noite fascista�. E continua presente nos comportamentos, mesmo privados ou n�o politicos, de muita gente. Termino c/ mais uma pergunta �como conseguiu a longa noite fascista durar 50 anos quando todos queriam a luz do dia democr�tico?� Foi s� porque a PIDE assusatava muito? Duvido. Comparado c/ outras ditaduras a de Salazar at� ter� sido bastante "suave", mas n�o pode ser branqueada por causa disso, mas tem de ser enquadrada no respectivo tempo economico, social e pol�tico do pa�s em que se fundou e em que durou quase 50 anos (conseguiu sobreviver v�rios anos � morte mental e f�sica do seu fundador, porqu�?). (Miguel Sebasti�o) * Acho que o problema mal resolvido com Salazar prende-se ao facto de o dito (problema) ter sido resolvido por uma cadeira e n�o pela m�o lusitana. Fosse-o como foi o regic�dio (e n�o se entenda que o apoio) e acho que a democracia h� muito lidaria melhor com a exist�ncia da figura. Assim ainda vai demorar uns anos. Pelo menos at� que estejam sepultados todos os que podem falar dele sem ser por interposta pessoa (Nuno Magalh�es) * (...) sugerir-lhe uma visita ao site , onde se revelam os resultados alcan�ados por diversas personalidades nas v�rias vers�es nacionais do programa televisivo cujo modelo a RTP importa. No Reino Unido, por exemplo, vemos a Princesa Diana � frente de Darwin, Shakespeare e at� do genial Newton! Nos EUA, Elvis Presley e Oprah Winfrey precedem Frankin D. Roosevelt. A mem�ria de um povo parece estar sempre condicionada ao politicamente correcto de cada momento da Hist�ria e aos valores dos "vencedores". N�o existe nada de mais subversivo do que algu�m ter a ousadia de tentar "encontrar a terceira margem do rio" e colocar em causa os unanimismos, que - para mim - s�o sempre suspeitos. Salazar est� bem vivo no pensamento, na pr�tica e nos gestos dos pol�ticos portugueses, em especial nos da nova gera��o. Um vislumbre pelo que se passa na maioria das autarquias resulta numa reprise do filme de terror que foi o Estado Novo. E n�o h� partido imune a este cromossoma do Estado Novo. O "salazarismo impl�cito" - como t�o bem referiu - parece encravado no c�digo gen�tico de cada portugu�s, talvez mais ainda naqueles que com maior alarde proclamam cobras e lagartos contra o velho ditador. E o fim da censura n�o � sin�nimo de liberdade de Imprensa. Se antes se impedia que os jornais publicassem o inconveniente, agora garante-se - at� pelos meios mais s�rdidos - que apenas publiquem o conveniente. (Carlos Robalo) * Devo come�ar por dizer que s� por fal�cia se pode comparar Salazar com Hitler ou Pol Pot. Ali�s, sobretudo por fal�cia porque � assim que a nossa mem�ria colectiva representa Salazar, ou seja, atrav�s de uma fal�cia de racioc�nio desconcertante. Vamos ver se nos entendemos. Eu n�o vivi nos tempos do Estado Novo mas parece-me que esses tempos se tornaram, de alguma forma, numa esp�cie de alibi para os falhan�os do projecto democr�tico p�s-25 de Abril. � que Salazar passou a ter culpa de tudo. E eu, sendo por natureza um neur�tico, desconfio sempre destas perturba��es da personalidade que culpam os outros mas que nunca desculpam. Por outro lado, em termos historiogr�ficos n�o deixa de ser interessante que a manipula��o para uma hist�ria oficial do Estado Novo tenha dado lugar a uma manipula��o deliberada para uma hist�ria oficial do regime democr�tico que atrav�s da anula��o do passado nos quer fazer crer que agora, sim, � que estamos bem. E tudo isto tem consequ�ncias muito graves para a nossa democracia. Concordo em parte com o Jos� Pacheco Pereira (JPP) quando diz que o que interessa �� recensear que atitudes, nostalgias, h�bitos, costumes, pr�ticas, que ningu�m associa a Salazar, mas v�m directamente dele e do Estado Novo, continuam vivos, adoecendo a nossa democracia�. E digo em parte porque tamb�m � verdade que hoje, como sempre, h� por a� muitos potenciais ditadores que s� n�o o s�o por falta de circunst�ncia. Ou seja, nem tudo vem directamente de Salazar e do Estado Novo. H� tiques considerados t�picos da ditadura que s�o transversais no tempo e no espa�o. Antes e ap�s o Estado Novo. Talvez o mais evidente, o mais impl�cito e sobre o qual se tornou politicamente incorrecto falar � o tique da censura. � claro que sintetizada numa nova f�rmula ela faz parte do nosso quotidiano. E at� arrisco a dizer (at� porque n�o � um risco muito grande) que muito mais perigosa do que a censura do Estado Novo. Acima de tudo porque pass�mos a ter dentro da nossa cabe�a os tais homenzinhos de fato e gravata (qual consci�ncia!) a fazer-nos lembrar os tais valores do "respeitinho" e do politicamente correcto, da hipocrisia p�blica e da ret�rica antipol�tica. A censura, como diz o JPP, �foi um instrumento decisivo de conformidade psicol�gica, cultural e social muito mais poderoso do que pol�tico�. � absolutamente verdade. Ainda hoje, sobretudo hoje, � assim que funciona. E todos n�s sabemos disso porque todos n�s temos hist�rias para contar. Vejamos um exemplo: h� uns tempos, uma amiga minha que trabalha num hospital veterin�rio de uma faculdade p�blica contou-me que o pessoal da cirurgia anestesiou um animal mas que depois n�o pode prosseguir porque algu�m tinha roubado o kit cir�rgico (daqueles de especialidade e car�ssimos) e, portanto, teve de ser cancelada. Inventou-se uma hist�ria para disfar�ar o embara�o e marcou-se a cirurgia para outro dia. Pior. A hist�ria terminou mesmo por aqui pois parece que � normal! Depois de tudo isto, que me foi contado num tom de voz muito circunscrito, quando eu lhe disse que ia escrever sobre isso ela disse-me, muito ofendida e incomodada: oh, nunca mais te conto nada! Para terminar, quanto ao concurso, h� alguns aspectos a ter em conta. � verdade que o perfil de p�blico da RTP n�o � exactamente o mesmo da SIC ou da TVI (ou seja, de facto n�o s�o os portugueses mas sim os "portugueses"). Isto ir� condicionar decisivamente as escolhas. Por outro lado, parece-me manifestamente insensato pedir aos "portugueses" que escolham entre Vasco da Gama e Lu�s Figo. Esque�amos por enquanto o facto de Manuel Alegre ter cantado Figo como o novo Vasco da Gama e vejamos o seguinte: nenhum destes "portugueses" conheceu Vasco da Gama. Apenas sabem que foi um grande navegador que realizou a primeira viagem mar�tima para a �ndia nos finais do s�culo XV. � o que aprendem no ciclo preparat�rio. Por outro lado, todos os portugueses, ou quase todos, conhecem Lu�s Figo, um craque do futebol que nasceu em 1972 (cinco s�culos depois de Vasco da Gama) e que delicia o pa�s com as suas habilidades, ora n�o fosse este rect�ngulo uma futebol�ndia. Haver� consci�ncia suficiente para a escolha n�o ser t�o apaixonada? Eu n�o acredito. E por isso � que acho que este programa � uma imbecilidade. (Ricardo S. Reis dos Santos) * Ao leitor Vasconcelos, que pergunta se ser� de relevar o papel dos ditadores na Hist�ria, perguntaria duas coisas: 1) que pensa da import�ncia do Marqu�s de Pombal e de D. Jo�o II na nossa hist�ria? 2) Acha realmente que Salazar foi um pol�tico do tipo de Hitler, Estaline ou Pol Pot? N�o que eu pense que Salazar � compar�vel a D. Jo�o II ou ao Marqu�s, mas a quest�o � de princ�pio. Mais afim seria compar�-lo a Mazarino ou a Richelieu... (Pinto de S�) * A quest�o colocada pelo leitor Luis Vasconcelos Guimar�es sobre a inclus�o de ditadores em listas de �grandes�, parece-me ser uma falsa quest�o. Teria raz�o de ser a quest�o se a lista fosse uma lista de �bons�. N�o tenho d�vidas de que Mao, Hitler e Staline s�o grandes. Grandes mas maus (e Mao com toda a propriedade, inclusivamente a onom�stica.) (RM) * 1) Parece-lhe que numa sondagem feita na Alemanha ou em It�lia ou em Espanha, sobre os "grandes" cidad�os desses pa�ses, deveriam ser inclu�dos os respectivos tr�s ditadores dos anos 30/40? E que dizer, por exemplo, de Estaline, Pol Pot ou Mao? Isto � - e pergunto com curiosidade e sem provoca��o - ser� Salazar um "grande" (sentido abonat�rio) portugu�s, ou um "influente" (sentido neutro) portugu�s? Penso que � importante fazer esta distin��o de conceitos. E os outros ditadores de que falo acima, o que s�o nos seus pa�ses? "Influentes" por certo. Mas "grandes"? Com tanto sangue nas m�os? Em suma: Ser� um ditador, seja qual for a sua influ�ncia hist�rica e a sua obra constru�da, pass�vel de ser considerado um "grande" cidad�o de um pa�s? 2) Se sim, at� que n�vel de "ditatorialidade" (chamemos-lhe assim) poder� um ditador ser inclu�do? Ou seja, se defende a inclus�o de Salazar na lista dos grandes portugueses, at� que ponto iria na defesa dos outros ditadores? Chegaria ao ponto de considerar Hitler um dos poss�veis "grandes" alem�es? E Pol Pot no Cambodja? Se inclu�sse alguns destes mas n�o incluisse outros, qual o crit�rio de considerar uns "grandes" no seu pa�s e outros n�o? O n�mero de pessoas que foram assassinadas sob os seus regimes? (Lu�s Vasconcelos Guimar�es)
10:22
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 885 - La libertad, Sancho ... Cuando don Quijote se vio en la campa�a rasa, libre y desembarazado de los requiebros de Altisidora, le pareci� que estaba en su centro y que los esp�ritus se le renovaban para proseguir de nuevo el asumpto de sus caballer�as , y volvi�ndose a Sancho le dijo: �La libertad, Sancho, es uno de los m�s preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros que encierra la tierra ni el mar encubre; por la libertad as� como por la honra se puede y debe aventurar la vida, y, por el contrario, el cautiverio es el mayor mal que puede venir a los hombres . Digo esto, Sancho, porque bien has visto el regalo, la abundancia que en este castillo que dejamos hemos tenido; pues en mitad de aquellos banquetes sazonados y de aquellas bebidas de nieve me parec�a a m� que estaba metido entre las estrechezas de la hambre, porque no lo gozaba con la libertad que lo gozara si fueran m�os, que las obligaciones de las recompensas de los beneficios y mercedes recebidas son ataduras que no dejan campear al �nimo libre . �Venturoso aquel a quien el cielo dio un pedazo de pan sin que le quede obligaci�n de agradecerlo a otro que al mismo cielo ! �Con todo eso �dijo Sancho� que vuesa merced me ha dicho, no es bien que se quede sin agradecimiento de nuestra parte docientos escudos de oro que en una bolsilla me dio el mayordomo del duque, que como p�ctima y confortativo la llevo puesta sobre el coraz�n , para lo que se ofreciere, que no siempre hemos de hallar castillos donde nos regalen, que tal vez toparemos con algunas ventas donde nos apaleen. En estos y otros razonamientos iban los andantes, caballero y escudero ... (Cervantes, Dom Quixote) * Bom dia! 12.10.06
22:27
(JPP)
![]() e perdendo. Mas Kasparov, que j� deve ter jogado milhares de jogos, tem uma esp�cie de tique: antes de come�ar o jogo, roda as pe�as do xadrez com as duas m�os simetricamente, como se se apoiasse nas pe�as. Fez isto nos vinte tabuleiros, muitas vezes nos pe�es, torres e bispos, pelo que n�o � a orienta��o das pe�as (como nos cavalos) que estava arrumar. Na jogada que virou o "meu" jogo, Kasparov bateu a pe�a com mais for�a, como se dissesse, "acabou". E acabou mesmo. Havia alegria e uma esp�cie de grito de guerra naquele golpe. O homem pode ser profissional at� � medula, mas gosta mesmo de ganhar. Ainda bem, assim d� gosto jogar. Recordando-se dos tempos em que era considerado um dos melhores "investigadores" de xadrez, um conhecedor profundo de jogos e jogadas, lembrou o trabalho que tinha a recortar artigos de jornais e revistas com os jogos. Agora "faz-se tudo no computador", "h� menos trabalho". Era inevit�vel. � Portugal e mesmo na mais tecnol�gica das assist�ncias tinha que vir o Mourinho. Kasparov n�o o tem em boa conta: "quando se tem recursos ilimitados n�o custa ganhar" e acrescentou "os recursos ilimitados do Chelsea que s�o roubados ao meu pa�s".
18:53
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA COSTA DA CAPARICA, PORTUGAL ... hoje �s 16:30 na Costa da Caparica (...) os pescadores devolvem ao mar o peixe com menos interesse comercial, neste caso a cavala, para g�udio das gaivotas num ritual que se repete todos os dias. (Santos Pereira)
18:46
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS UMA LEI DA TRETA? ![]() J� que perguntar n�o ofende: quantas pessoas foram multadas, este ano, por terem ido ao banho indevidamente nas praias onde estavam hasteadas as bandeiras de proibi��o? (C. Medina Ribeiro) 10.10.06
18:21
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM OLH�O, PORTUGAL O bagageiro dos barcos que fazem a liga��o entre Olh�o e as ilhas a largo - Armona, Farol e Culatra ajuda os passageiros a colocar os sacos das compras no "telhado" do barco. (Luis Cunha)
14:38
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 10 de Outubro de 2006 Mais uma para a era dos engra�adinhos (vinda do Canad�, sem acentos) Estava eu no Sabado de manha a ver a SIC Internacional, quando deparo com um programa chamado Extase, e� basicamente composto por um bando de engracadinhos, armados em espertos que falam com algumas celebridades, enfim tudo muito parvinho do meu pontos de vista, mas suponho que haja pessoas interessadas neste tipo de programas. * Restos de um LENDO/VENDO/ OUVINDO de h� alguns dias: Sobre a crescente politiza��o dos telejornais da esta��o p�blica � digo de nota o tempo que o jornal 2: da passada sexta-feira dedicou a ac��es do governo: sem muita precis�o, os primeiros 15 a 20 minutos for�o dedicados quase inteiramente a an�ncios governamentais de v�rios sectores ou sobre o pr�rpio PS. Apercebi-me desta situa��o quando uma not�cia, onde o primeiro-ministro discursava, teve uma dura��o bem superior ao normal apanhado de frases que � costume fazer-se, mas antes parecia que iriam transmitir o discurso na �ntegra e onde certamente por dois minutos (bastante tempo em televis�o e num notici�rio) o discurso foi transmitido sem interrup��o. Nunca senti t�o claramente um excesso de not�cias sobre o PS relativamente � import�ncia das pr�prias not�cias como neste notici�rio.
10:48
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PASSADO, MO�AMBIQUE, PORTUGAL ... fotografia da minha m�e nas suas fun��es de secret�ria/ dactil�grafa em Mo�ambique, Louren�o Marques, nos anos sessenta. Tudo nesta foto nos remete para um tempo de que nos lembramos ainda: a m�quina de escrever, a folha de stencil. Hoje teria um teclado e um monitor. (Madalena Santos)
09:40
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 884 - Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo ... Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de tr�s princ�pios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um serm�o, h�-de haver tr�s concursos: h�-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; h�-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; h�-de concorrer Deus com a gra�a, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, s�o necess�rias tr�s coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e � cego, n�o se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e � de noite, n�o se pode ver por falta de luz. Logo, h� mister luz, h� mister espelho e h� mister olhos. Que coisa � a convers�o de uma alma, sen�o entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista s�o necess�rios olhos, � necess�ria luz e � necess�rio espelho. O pregador concorre com o espelho, que � a doutrina; Deus concorre com a luz, que � a gra�a; o homem concorre com os olhos, que � o conhecimento. Ora suposto que a convers�o das almas por meio da prega��o depende destes tr�s concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus? (Padre Ant�nio Vieira) * Bom dia! 9.10.06
23:20
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM MIRAMAR, PORTUGAL
Fot�grafo na praia. (Gil Coelho) 8.10.06
12:56
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA PRAIA - SANTIAGO, CABO VERDE
S�o sete da manh� no Mercado do Plateau na cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde (Nuno Castela Canilho)
10:36
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 8 de Outubro de 2006 Quem j� viu v�rios ciclos pol�ticos sabe que uma das caracter�sticas da parte socialista do ciclo � que nunca a quest�o da manipula��o dos �rg�os de comunica��o � considerada relevante para ser tratada pelos �rg�os de comunica��o. "Relevante" n�o significa uma ou outra not�cia dispersa, mas sim um interesse permanente, preocupado, cont�nuo, investigativo. Como o que existiu no tempo do Governo Santana Lopes e das suas "centrais de comunica��o" e bem. Como o que actualmente se exige com um governo maiorit�rio, com longo tempo de decis�es sobre toda a comunica��o social, podendo moldar o sector, escolher provedores e "reguladores", definir direc��es, nomear directores, demitir respons�veis, ou seja, mandar na comunica��o social * Veja-se Eduardo Cintra Torres hoje no P�blico: "A blogosfera protestou: o Telejornal de 5 de Outubro remeteu para segunda linha o discurso de Cavaco Silva e a manifesta��o de professores. De facto, o jornal da RTP dedicou os primeiros 15m29s a um sequestro num banco em Set�bal; seguiu-se o aumento das taxas de juro; s� aos 22 minutos do notici�rio veio a maior manifesta��o de professores de sempre, que teve direito a 2m32s, isto �, metade do futebol e o mesmo que os 50 anos dos livros da Anita. O discurso do Presidente e a abertura do Pal�cio de Bel�m tiveram direito a 7m23s, mas s� depois da primeira meia hora de Telejornal. Os protestos da blogosfera s�o correctos, porque o Telejornal deveria ser a janela do servi�o p�blico informativo. (...) Com uma blogosfera activa, torna-se mais dif�cil aos poderes e aos que vergam �s press�es nos media tradicionais fazer passar propaganda e malabarismos informativos. Esta atitude activa da blogosfera � tanto mais importante quanto uma parte significativa da imprensa tradicional se alheia, incrivelmente, deste tipo de an�lise, fazendo um jornalismo sobre TV muito desviado da realidade: nas �ltimas semanas, recebi duas d�zias de telefonemas de jornalistas de outros media interessados em saber, ou sobre a minha carteira profissional de jornalista, ou a minha opini�o sobre os Morangos, Floribella, Jura, "guerra" SIC-TVI... mas nada sobre o condicionamento pol�tico da informa��o - que � um tema de interesse activo para quem l� jornais, como se v� pela blogosfera."
10:34
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 883 - Dust in the Eyes If, as they say, some dust thrown in my eyes Will keep my talk from getting overwise, I'm not the one for putting off the proof. Let it be overwhelming, off a roof And round a corner, blizzard snow for dust, And blind me to a standstill if it must. (Robert Lee Frost) * Bom dia! 7.10.06
21:07
(JPP)
VER A NOITE
Noite desigual. Agora. (RM)
11:53
(JPP)
COISAS DA S�BADO: VERDADE E POL�TICA ![]()
11:46
(JPP)
BIBLIOFILIA: QUANDO O MUNDO ERA SIMPLES
![]() ![]() e pouco politicamente correcto.
08:24
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 882 - ...nobody answers this bell! ![]() There was an Old Man who said, 'Well! (Edward Lear) * Bom dia! 6.10.06
16:10
(JPP)
O FUTEBOL COMO REPOSIT�RIO DOS BONS COSTUMES ![]() Preciso duas coisas, neste terreno armadilhado com �cido f�rmico: n�o � s� em Portugal mas tamb�m noutros pa�ses, com graus diferentes conforme os mecanismos de socializa��o distintos, e n�o se aplica a toda a gente, mas � maioria da gente. Mais uma preven��o por causa do mesmo �cido: o fornecimento de exemplos sociais de malfeitorias n�o se limita ao futebol, tamb�m os pol�ticos, as profiss�es liberais, os ricos, o jet set, os jornalistas, os artistas de variedades, etc., etc., contribuem. S� que o an�tema social que de imediato os atinge � duro e fulminante, o que ainda torna mais reveladora a complac�ncia com o futebol. Este aspecto de "propaganda pelo exemplo", como diriam os anarquistas, � muito interessante, porque, numa sociedade com uma moral p�blica feita de bons costumes e respeitinho, ningu�m se importa com os desmandos vindos desse exemplo de virtudes que � o mundo do futebol. Exactamente por n�o ser moralista - repito pela terceira vez - � que o que me parece revelador � a hipocrisia que esta atitude mostra e a forma como a circula��o social dessa hipocrisia mostra a superficialidade desses bons costumes: d�em-lhes um campo de futebol, uma discuss�o de caf�, uma entrevista televisiva, uma chamada telef�nica a fazer umas certas combina��es, uma noitada de alterne, horas e horas a fio de conversa no emprego, um megafone na Internet, uma excita��o de cachecol e l� vai a boa educa��o, a moralidade crist�, a cartilha do Jo�o de Deus, a prelec��o da missa ao domingo, e s� ficam os urros colectivos e a suave m�sica tribal do "� Pinto da Costa vai para o c..." (que no P�blico n�o se escrevem obscenidades). ![]() ![]() ![]() Afinal, o Record funcionou como aqueles malvados que nos dizem cedo de mais que n�o h� Pai Natal e informou-me da minha angustiante ignor�ncia, tornando prosaica a procura da "fruta nocturna", explicando que o pagamento aos �rbitros era feito atrav�s de "servi�os sexuais com prostitutas", o que alargou a minha no��o de servi�o p�blico e me elucidou ainda mais sobre o fascinante mundo dos "rebu�adinhos". Eu sei que isto � chover no molhado. H� alt�ssima probabilidade de os meus leitores - sim o P�BLICO � lido por gente normal e n�o por especialistas em Duns Scoto (embora na semana do discurso papal tivesse as minhas d�vidas) - conhecerem estas e mil e uma outras hist�rias e terem-se j� divertido e encolhido os ombros com elas. � esse encolher dos ombros (pensando bem, hoje que eu estou a encher este artigo de metadiscursos protegidos por v�rgulas, par�ntesis e travess�es, o que � isso de encolher os ombros face � riqu�ssima linguagem gestual dos jogos de futebol...) que me interessa: ver pais cuidadosos com a educa��o dos seus filhos, que n�o lhes permitem um palavr�o, ululantes nos est�dios mais os herdeiros; raparigas finas nos sal�es a tornarem-se raparigas grossas nos est�dios; gente que n�o conhece, nem quer conhecer o vizinho e que s� se d� com os seus eleitos a confraternizarem com a cerveja convencidos que est�o entre os apaches a dan�ar com os lobos. Chegam ao futebol e vale tudo, a come�ar pelos olhos. Os amadores ilustrados pelo intelecto dir�o que isto � que revela a "for�a do futebol" e eu acrescento "e a fragilidade da nossa comunidade, mais a hipocrisia da nossa sociedade". Essa da hipocrisia move-me mais do que a "fruta nocturna" ou os us, porque num pa�s cat�lico, apost�lico, romano, na cauda da Europa, e com uma nostalgia m�tica do passado, faz estragos consider�veis e comunica com outros pecados sociais que acho mais sinistros, a come�ar pela inveja socializada e a defesa activa da mediocridade. Eu sei que a sociologia, a antropologia, a psicologia de massas, a psican�lise social, a etologia dos primatas, a endocrinologia, e muitas mais �reas cient�ficas explicam tudo. Mas um pouco mais consci�ncia da hipocrisia social activa que o futebol propicia teria certamente a virtude de tornar a sociedade mais genuinamente tolerante, o que ela � pouco e... menos moralista. Eu bem vos disse, agora aqui pela quarta vez, que n�o sou moralista. (No P�blico de 5 de Outubro de 2006)
11:09
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 6 de Outubro de 2006 O modo como a manifesta��o dos professores foi tratada mostra a fragilidade do nosso jornalismo, que tem muita dificuldade em sair do habitual, em perceber o que � diferente, para al�m das leg�timas d�vidas sobre a governamentaliza��o da RTP que suscita. A manifesta��o dos professores n�o foi apenas uma manifesta��o bem sucedida para os sindicatos, n�o foi apenas a "maior" manifesta��o dos professores, foi um elemento qualitativamente novo na an�lise da situa��o do nosso ensino. Mereceria que se lhe estivesse mais atento porque mostra uma ruptura entre os professores e o Minist�rio sem precedentes e que n�o pode deixar de ter consequ�ncias sobre o que se passa nas escolas. Mereceria um coment�rio mais qualificado, fora do tradicional conflito sindical, mereceria que se tentasse perceber porque raz�o o Minist�rio alienou nas escolas a parte mais qualificada dos professores que podiam ser o suporte de muitas das reformas que t�m vindo a ser propostas e que s�o vitalmente necess�rias. Mostra o pre�o do estilo do governo de tentar fazer reformas atacando os grupos profissionais no seu conjunto pelos seus "privil�gios", o que no caso dos professores foi fatal. Os professores s�o uma profiss�o muito especial, com grandes fracturas internas, muito maus h�bitos mas tamb�m um dos ambientes de trabalho mais �rduos que se possa imaginar, tendo que defrontar problemas sociais, familiares, culturais, para que n�o tem meios nem qualifica��es, para que nem sequer � suposto que escola tenha efic�cia. Mas h� uma minoria de professores, uma minoria porque a profiss�o est� muito degradada, que se dedica de forma quase "vocacional" ao ensino e esses desejavam h� muito algumas das reformas que o Minist�rio se prop�e fazer. Sucede que esses professores tamb�m sabem bem demais o papel negativo que o Minist�rio sempre teve e as enormes responsabilidades do aparelho burocr�tico-sindical que o domina. Revoltaram-se por passarem a bodes expiat�rios de uma situa��o que sempre combateram, sem qualquer assun��o de responsabilidades pr�prias do Minist�rio. Alguns pela primeira vez foram ontem a uma manifesta��o sindical. Boa tarde, sou um jovem desempregado de 29 anos e senti-me indignado ontem, pois vi o p�ssimo telejornal transmitido pela RTP1(casa que eu tinha em considea��o).Surge-me dizer que estou tentado � acreditar nas palavras de * Sobre monstros, geometria, os gatinhos e o ET - ou de como � f�cil levarem-nos pela certa. Basta ter grandes olhos, nariz curto... * Em continua��o de ontem: N�o podia estar mais de acordo com os coment�rios relativos aos crit�rios noticiosos da RTP. Como � que se explica que not�cias como o do sequestro de Set�bal tenha durado vinte minutos de entrevistas banais a transeuntes (sem que nada se passasse) e outras bem mais relevantes (Discurso do 5 de Outubro, Manifesta��o dos professores, etc...) tenham sido relegados para segundo plano? Isto para j� n�o falar da dura��o do telejornal principal (mais de 1 hora!) cheio de banalidades futebol�sticas (les�es, entrevistas a jogadores, sub-21, selec��es diversas...). Basta ver os notici�rios da BBC, Sky.News, TV5, CNN, para perceber as diferen�as...
10:55
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 881 - Sur un h�te douteux ![]() Ses disciples chantent : Il revient le Sauveur des hommes : Il v�t un autre habit de chair. L'�toile, tomb�e du plus haut ciel a f�cond� la Vierge choisie. Et il va rena�tre parmi nous. Temps b�nis o� la douleur recule ! Temps de gloire o� la Roue de la Loi courant sur l'Empire conquis va tra�ner tous les �tres hors du monde illusoire. * L'Empereur dit : Qu'il revienne, et je le recevrai, et je l'accueillerai comme un h�te. Comme un h�te petit, qu'on gratifie d'une petite audience, -- pour la coutume, -- et d'un repas et d'un habit et d'une perruque afin d'orner sa t�te rase. Comme un h�te douteux que l'on surveille ; que l'on reconduit bien vite l� d'o� il vient, pour qu'il ne soudoie personne. * Car l'Empire, qui est le monde sous le Ciel, n'est pas fait d'illusoire : le bonheur est le prix, seul, du bon gouvernement. Que fut-il, celui qu'on annonce, le Bouddha, le Seigneur F� ? Pas m�me un lettr� poli, Mais un barbare qui connut mal ses devoirs de sujet et devint le plus mauvais des fils. (Victor Segalen)
* Bom dia! 5.10.06
21:57
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 5 de Outubro de 2006 Na RTP uma "grande" entrevista a Nobre Guedes cheia de banalidades. Uma coisa interessante: Nobre Guedes defende o retorno � tradicional estrat�gia do PP de Portas - dar-se bem com o PS, atacar o PSD. * Estou a ver o telejornal da RTP (5 de Outubro) e gostaria apenas de expressar a minha estupefac��o relativamente �s primeiras not�cias do dia. S�o 20:19 e apenas foram tratados dois temas: o sequestro do dia anterior num banco e a subida das taxas de juro. Acho inqualific�vel as op��es de quem tem define os crit�rios de escolha das not�cias no telejornal da RTP. Hoje houve um discurso relevante do Sr. Presidente da Rep�blica e (digo-lhe desde j� que n�o sou professor) pelo que ouvi, porque ainda n�o vi, houve a maior manifesta��o de sempre de professores. Como � que � poss�vel? (Jo�o Paulo Neto)
21:56
(JPP)
BIBLIOFILIA: PARA O CENTEN�RIO DE HUMBERTO DELGADO ![]() ![]() Um livro muito pouco conhecido de Humberto Delgado de 1944, o ano em que foi nomeado respons�vel pela avia��o civil.
10:46
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS
![]() 880 -THE ANT ![]() The ant has made himself illustrious Through constant industry industrious. So what? Would you be calm and placid If you were full of formic acid? (Ogden Nash) * Bom dia! 3.10.06
12:04
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 3 de Outubro de 2006 A Helena Matos cheia de raz�o no Blasf�mias: "� de anedot�rio o que se tem passado com as not�cias sobre estas elei��es no Brasil. Al�m de Lula sabem os leitores e telespectadores portugueses que existe a candidata Helo�sa Helena. Quantas vezes se falou daquele obscurantissimo senhor que vai � segunda volta? E note-se que segundo nos � dito o inc�gnito vai � segunda volta apenas porque os ricos votaram nele e tamb�m porque os companheiros de Lula se deixaram apanhar nuns esquemas de corrup��o (coisa confusa que nem vale a pena detalhar e que assim como assim � end�mica e generalizada no Brasil)" ![]() Exemplos: sil�ncios sobre o que se passa e � necess�rio fazer no Darfur, resultado de n�o se querer integrar o notici�rio sudan�s no contexto dos conflitos de origem isl�mica; indiferen�a perante atentados como o de Mombai, tamb�m descontextualizado; conflitos h�ngaros entre o primeiro-ministro e a "extrema-direita", forma de diminuir a reac��o contra um governante socialista; omiss�o do conte�do do documento dos servi�os secretos americanos publicado para mostrar como eram de m� f� as fugas parcelares realizadas, etc., etc. Fecho r�pido de assuntos, de tudo o que contraria as teses dominantes, ao mesmo tempo que se estica at� ao limite tudo o que as refor�a. � intencional? Muitas vezes nem sequer isso �. � como quem respira. Sempre o mesmo ar.
09:49
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS
![]() 879 - A Man Said To The Universe A man said to the universe: "Sir I exist!" "However," replied the universe, "The fact has not created in me A sense of obligation." (Stephen Crane) * Bom dia! 2.10.06
21:21
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM DUHRAM, REINO UNIDO
Diariamente este homem ajuda os alunos e pais de uma escola pr�xima a atravessar a rua numa passagem para pe�es. (Fernando Baiao Dias)
09:34
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 2 de Outubro de 2006 Novas paisagens. Esta nunca vi: um aerogerador incendiou-se. Est� neste momento a arder. * Da mesma maneira que critiquei o seu "fecho", louvo agora a abertura do P�blico em linha com muito mais conte�dos dispon�veis sem assinatura. N�o � tudo, mas � um avan�o. O jornal s� pode ganhar, n�s s� podemos ganhar. * Como nos fala a mem�ria? De um modo geral enganando-nos. Excelente iniciativa sobre os caminhos da mem�ria e da hist�ria no Passado / Presente.
09:27
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO LOBITO, ANGOLA
No mercado do Lobito encontra-se todo o tipo de servi�os. Neste caso, um �improvisado� sal�o de barbeiro. (Carlos Guerreiro)
09:13
(JPP)
A FAVOR DA TURQUIA ![]() No dia 1 de Janeiro de 2007, mais dois pa�ses, a Rom�nia e a Bulg�ria, v�o entrar na Uni�o Europeia. Ao mesmo tempo que confirmava esta data para o acesso dos dois pa�ses do Leste europeu, Dur�o Barroso adiou mais uma vez a esperan�a da Turquia de aceder em prazo razo�vel � Uni�o Europeia. As duas decis�es s�o completamente contradit�rias na sua l�gica, a primeira certa mas cheia de ambiguidades, a segunda clara mas completamente errada. Qualquer pessoa que conhe�a minimamente a Bulg�ria e a Rom�nia sabe de ci�ncia certa que nenhuma das duas, mais a Rom�nia do que a Bulg�ria, est� "preparada" para aceder � Uni�o Europeia, se os seus crit�rios de ades�o fossem tomados a s�rio. A verdade � que j� n�o o foram na �ltima vaga de ades�es, mas sim esticados at� limites puramente formais para que, procedendo a rearranjos formais, alguns pa�ses pudessem entrar. As quest�es complexas que traduzem a hist�ria turbulenta do Centro e Leste da Europa, assim como a heran�a do comunismo permanecem longe de ser resolvidas. Algumas dessas quest�es, envolvendo nacionalidades, direitos de minorias, fronteiras contestadas, direitos individuais, independ�ncia do sistema judicial, sobreviv�ncias de mecanismos totalit�rios de governo, menoriza��o das oposi��es, desigual acesso aos meios do Estado, corrup��o institucionalizada, com maior ou menor grau, existem em muitos pa�ses da antiga cortina de ferro. O que � que aconteceu � importante minoria russa na Let�nia cujos direitos eram violados pela legisla��o sobre a l�ngua e o emprego do Estado, discriminat�ria a favor dos falantes em let�o? Este � apenas um exemplo dos muitos problemas a que se deu uma solu��o formal, para garantir a ades�o, mas que efectivamente se varreram para debaixo do tapete. A Rom�nia e a Bulg�ria tem muitos destes problemas e mais alguns oriundos da maior pobreza relativa. Apesar disto tudo, � positivo que a Uni�o Europeia inclua estes pa�ses no seu seio, dando-lhe mais oportunidades para prosperarem economicamente e funcionando como uma poderosa for�a de press�o para impedir os desmandos a que a heran�a do comunismo e os processos de transi��o, ou apenas o retornar de hist�rias nacionais antigas, poderiam levar. S� que me parece bem que se tenha consci�ncia de que s� entram, mesmo sem as condi��es cumpridas e ainda com um longo caminho pela frente, por puras raz�es geopol�ticas. Ao mesmo tempo conv�m abandonar a ilus�o de que a sua entrada favorece a "integra��o" europeia, que de h� muito est� emperrada, em parte porque n�o se soube lidar com a realidade posterior � queda do muro de Berlim. Eu, do mal o menos: prefiro uma Europa m�nima assente numa geopol�tica da paz, que por sua vez assenta numa comunidade de bem-estar econ�mico, do que Europa nenhuma. Ou seja, caminha-se para "unificar" a Europa e n�o para a "integrar". Tamb�m penso que valia a pena aos pa�ses fundadores da Uni�o, e que foram os seus motores, perceberem que a Europa que existe de facto � bem diferente da que se come�ou a fazer at� Maastricht. Essa, a sua ret�rica vanguardista deitou-a a perder nos �ltimos dez anos e n�o volta t�o cedo. E ou aceitam o que h�, e trabalham a partir do que h�, ou acabam por perder tudo. Numa Europa m�nima tem todo o sentido fazer entrar a Rom�nia e a Bulg�ria, mas se a Europa fosse "m�xima", tivesse a unidade pol�tica, econ�mica e social integrada que a utopia constitucional desejava, n�o teria. Quando se aceitou o alargamento apressado que culminou em 2004, decidiu-se por meras raz�es geopol�ticas impedir que o Centro e Leste da Europa ficasse uma terra de ningu�m entregue � pobreza, aos seus fantasmas do passado e � vizinhan�a perigosa de uma R�ssia que Putin cada vez mais aproxima da pol�tica externa que foi a dos czares e a dos comunistas. E decidiu-se por essas raz�es porque j� nessa altura se tornava evidente que a Uni�o Europeia n�o estava disposta a pagar o elevado pre�o de um processo de ades�o a s�rio, mais lento, testado e caro, e isso se devia a que o impulso para um upgrade pol�tico era demasiado superficial, voluntarista e pouco adequado �s realidades das pol�ticas nacionais. Depois, a um erro somaram-se muitos outros: a fuga em frente da Constitui��o europeia, a ret�rica da PESC, o gaban�o de uma Europa mais economicamente desenvolvida que os EUA em 2010. E a assun��o de uma pol�tica gaullista da Europa como superpot�ncia destinada a contestar o palco mundial dos EUA. Tudo pol�ticas profundamente erradas, que deixaram tornar o chamado "modelo social europeu" num mecanismo de bloqueio econ�mico e social que gerou proteccionismo, que fracturaram o eixo transatl�ntico e que produziram uma pol�tica externa t�o politicamente correcta como ineficaz. Hoje continuamos a n�o entender que a �nica Europa que funciona � a m�nima e essa devia ser preservada antes que se estrague e que a "m�xima" s� traz caos e tens�es, e nem sequer � hoje minimamente fact�vel. � por tudo isto que � um erro grav�ssimo estar a criar dificuldades � ades�o da Turquia nesta Europa m�nima, a �nica que existe e funciona. A ades�o da Turquia tem a mesma l�gica da que vai aproximando a UE das fronteiras do continente, fazendo-a parar na Federa��o Russa, com a vantagem de a levar a outras fronteiras cuja instabilidade tamb�m afecta a Europa, as do M�dio Oriente. � verdade que a Turquia tem graves problemas, alguns dos quais semelhantes aos de outros pa�ses no Leste europeu e outros que s�o uma sobreviv�ncia da complexidade da sua hist�ria do s�culo XX, em particular graves quest�es de direitos humanos relacionados com a quest�o curda. Mesmo para essa entrada numa Europa m�nima, estes abusos devem ser controlados e eliminados, mas n�o se conhece outro dissuasor do que a manuten��o da esperan�a da ades�o na UE. Depois h� a vexata quest�o, a de ser um pa�s maioritariamente mu�ulmano. � verdade, mas tamb�m � o �nico grande pa�s mu�ulmano no mundo (em parte a Indon�sia tamb�m) em que existe separa��o entre a religi�o e o Estado e este � laico, nalguns aspectos agressivamente laico. O nosso problema com a Turquia � que aquilo de que gostamos na Turquia, o Estado laico, assenta naquilo de que n�o gostamos, o papel constitucional do ex�rcito, heran�a das simpatias de Ataturk pelo nacionalismo de g�nese europeia e os totalitarismos dos anos 30. Uma revolu��o imposta a pulso de ferro, mas que criou um sistema de equil�brios �nico. Resolvidos esses problemas, h� que lidar com a dimens�o da Turquia de forma positiva, como ben�fica para a paz da Europa. A Turquia n�o � um pequeno pa�s, � uma pot�ncia regional, com uma �rea de influ�ncia que se estende das rep�blicas centro-asi�ticas at� � China. E, para al�m disso, entra para a UE um dos poucos ex�rcitos cred�veis existentes na Europa. Tamb�m pode fazer diferen�a. Para a estabilidade da Europa, precisamos da Turquia e da Turquia do nosso lado. Pode ser at� que a sua entrada na UE gere uma din�mica mais favor�vel a uma retomada de um caminho pol�tico, mais lento, prudente e seguro. Exige-se senso e olhar grande sobre a geografia, a hist�ria e a pol�tica. Sen�o, damos por nossa iniciativa um eficaz passo para a "guerra de civiliza��es" que todos esconjuram, mas n�o praticam. (No P�blico de 28 de Setembro de 2006)
09:10
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 878 - Spring Comes to Murray Hill I sit in an office at 244 Madison Avenue And say to myself You have a responsible job havenue? Why then do you fritter away your time on this doggerel? If you have a sore throat you can cure it by using a good goggeral, If you have a sore foot you can get it fixed by a chiropodist, And you can get your original sin removed by St. John the Bopodist, Why then should this flocculent lassitude be incurable? Kansas City, Kansas, proves that even Kansas City needn't always be Missourible. Up up my soul! This inaction is abominable. Perhaps it is the result of disturbances abdominable. The pilgrims settled Massachusetts in 1620 when they landed on a stone hummock. Maybe if they were here now they would settle my stomach. Oh, if I only had the wings of a bird Instead of being confined on Madison Avenue I could soar in a jiffy to Second or Third. (Ogden Nash) * Bom dia! 1.10.06
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(JPP)
Actualizada a nota LENDO / VENDO / OUVINDO �TOMOS E BITS de 28 de Setembro de 2006.
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(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LOBITO, ANGOLA
CUPAPATA � um servi�o de t�xis muito comum no sul de Angola. N�o se encontra em Luanda. (Carlos Guerreiro)
� Jos� Pacheco Pereira
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