ABRUPTO |
correio para
jppereira@gmail.com
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30.6.06
18:39
(JPP)
INTEND�NCIA ![]() Parece, sublinho, parece, que os problemas de migra��o dos computadores v�o ser resolvidos, sem qualquer recurso � ajuda e assist�ncia da HP. A solu��o veio-me dos leitores do Abrupto que j� tinham tido que resolver problemas id�nticos, tamb�m sem qualquer ajuda da HP, revelando s�rias incompatibilidades da instala��o original do software feita pelo fabricante. � uma solu��o trabalhosa e com outro tipo de dificuldades, mas que me parecem (talvez) mais f�ceis de resolver. Seja como for, se acabar por ficar com o computador, este ser� o �ltimo HP que compro. Em breve darei pormenores.
10:11
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 806 -"I bear a burden that might well try / Men that do all by rule" Two Songs Of A Fool (I) A speckled cat and a tame hare Eat at my hearthstone And sleep there; And both look up to me alone For learning and defence As I look up to Providence. I start out of my sleep to think Some day I may forget Their food and drink; Or, the house door left unshut, The hare may run till it's found The horn's sweet note and the tooth of the hound. I bear a burden that might well try Men that do all by rule, And what can I That am a wandering-witted fool But pray to God that He ease My great responsibilities? (William Butler Yeats) * Bom dia! 29.6.06
21:16
(JPP)
A �NICA OPOSI��O POSS�VEL � A LIBERAL ![]() Estamos num desses momentos em que mais � necess�ria pol�tica no espa�o p�blico, e o que acontece � o contr�rio, ela praticamente n�o existe, obscurecida por uma mistura anestesiante de circo, de conveni�ncias, falsos consensos e maus h�bitos do poder. N�o havendo cr�tica nem altern�ncia, gera-se um feito de obscuridade, n�o havendo �nimo cr�tico, o espa�o p�blico mirra. Os tempos que vivemos recordam-me, e a mem�ria � uma maldi��o, de outro tempo recente muito semelhante: os primeiros anos do engenheiro Guterres. Nesses anos de gl�ria, quando o engenheiro apesar de n�o ter maioria absoluta governava como se a tivesse, era um esc�ndalo suscitar d�vidas, interroga��es, cr�ticas ao seu magn�fico desempenho. Lembro-me de ter escrito ent�o que me sentia uma esp�cie de ET quando mesmo os meus mais pr�ximos me diziam que era imposs�vel criticar Guterres. Havia dinheiro por todo o lado, a bolsa dava, a cada pequena esquina uma pequena fortuna, todos estavam felizes. Hoje sabemos que muitos dos erros tr�gicos, que se est�o a pagar caro uma d�cada depois, foram cometidos nessa altura, quando uma excepcional conjuntura favor�vel nos dava a �ltima oportunidade de arrancar e a malbaratamos sem resultados. O governo de Guterres � hoje visto como a grande "oportunidade perdida", mas quem o percebeu e disse na altura? Contavam-se pelos dedos de uma s� m�o os cr�ticos do engenheiro, isolados e ignorados, pelo mesmo "consenso" que hoje considera o seu governo um desastre. � assim e continuar� a ser - em Portugal quando um consenso de rebanho, entre elites, pol�ticos e jornalistas, se instala, tem muita for�a, abafa quase tudo. Hoje passa-se o mesmo, com a grande diferen�a que estamos em tempo de vacas magras e o Governo, em vez de nos prometer abund�ncia, promete-nos dificuldades. � interessante verificar que � exactamente esta diferen�a que alicer�a o consenso de hoje, com a mesma for�a acr�tica do consenso do passado. O consenso assenta na ideia de que o pa�s est� mal e de que o Governo defronta esses males com coragem, pelo que merece o abater de todos os pend�es. Muito pouca gente se pergunta se n�o era poss�vel n�o apenas fazer melhor, mas fazer muito diferente e se essa diferen�a faz, afinal, toda a diferen�a. Banhados em milhares horas de circo e gladiadores, na anomia generalizada de todos a fazerem a sua vidinha como se nada fosse, e no escapismo, who cares? Como � que se chegou aqui? Pela combina��o da vit�ria de duas pessoas, Manuela Ferreira Leite e Jos� S�crates. Num certo sentido, Manuel Ferreira Leite � a grande vencedora pol�tica da actualidade. Com a ironia habitual da hist�ria, para se ver a sua raz�o, foi necess�ria a sua queda e a do governo que se preparava para a afastar do cargo, por pensar que queria mais vida para al�m do d�fice. Tamb�m o governo que se lhe seguiu queria dar mais folga aos portugueses e descobriu uma "retoma" que nunca houve. Ambos, Dur�o Barroso e Santana Lopes, com o PSD profundo �s palmas, queriam ver-se livre da "antip�tica" ministra que lhes dava cabo das sondagens. Mas Manuela Ferreira Leite tinha convencido os portugueses a aceitar sacrif�cios para p�r a casa em ordem e, como estes desconfiavam das facilidades e da compet�ncia que Santana Lopes lhes prometia, foi procurar no outro lado, no PS. S�crates apanhou a boleia desta ideia da necessidade de austeridade que o PS e ele pr�prio tanto tinham criticado. Ele come�ou a falar a linguagem apropriada ao sentimento da opini�o p�blica que Manuela Ferreira Leite lhe tinha deixado. Como se apercebeu de imediato, isso tinha sucesso e ele conseguiu um consenso legitimador que se estende muito para al�m do PS. Com condi��es pol�ticas excepcionais, maioria absoluta de um s� partido, fragilidade extrema da oposi��o e agora um Presidente "cooperador", aproveitou com perfei��o o "ar do tempo", revelando o seu estilo desde o primeiro minuto. O seu governo tem feito algumas coisas bem, mas n�o � o governo que serve para defrontar os problemas com que Portugal se defronta. Esta percep��o refor�a-se todos os dias e s� a acefalia actual do espa�o p�blico tem deixado sem discuss�o medidas sobre medidas, sempre apresentadas, inclusive pela comunica��o social, como inevit�veis. Eu, como j� vi muitas coisas "inevit�veis" serem evitadas, como por exemplo a Constitui��o europeia, pouco me conformo com este ambiente de inevitabilidade. Pode-se, sobre o governo S�crates, fazer dois tipos de cr�ticas: ou dizer que faz bem mas faz pouco (que � a linha que de alguma maneira a pr�pria Manuela Ferreira Leite sugeriu no congresso do PSD); ou entender que o que � necess�rio � fazer de outro modo, muito diferente. S� haver� verdadeira oposi��o quando se combinarem os dois termos, com preponder�ncia do segundo. Os n�o socialistas esquecem-se muitas vezes de que S�crates � socialista, ou seja, acredita no Estado como protector e corrector social, n�o concebe vida fora de um jacobinismo econ�mico, social e cultural deslavado e modernizado, que � o socialismo dos dias de hoje. Acrescenta a isso um remake de positivismo cientista, crendo com deslumbramento que as tecnologias mudam a sociedade e n�o vice-versa, como se percebe no chamado "choque tecnol�gico", investindo-se em tecnologias de ponta sem se cuidar das literacias necess�rias ao seu uso. O que S�crates tem feito � defrontar a crise do Estado-provid�ncia propondo rem�dios que atrasam o seu colapso. N�o o p�e em causa, nem contesta a sua forma, concorda com ele por raz�es ideol�gicas. V�rias vezes afirmou que essas medidas de austeridade t�m como objectivo �ltimo garantir a "seguran�a social" para os portugueses e, com uma oposi��o que n�o contesta o essencial da sua atitude, faz o mal e a caramunha, ou seja, governa como governaram Barroso e Lopes e, mesmo aos olhos de muitos opositores do PS, com a vantagem de o fazer melhor do que os seus imediatos antecessores sociais-democratas. Ora, que eu saiba, n�o foi Deus que fez o Estado-provid�ncia, nem a Hist�ria chegou ao fim com ele. Foram os homens, numa �poca, numa circunst�ncia, em determinadas partes do mundo. Resultou, como todas as coisas na sociedade, de uma complexa interac��o entre interesses e vontades, entre conflitos sociais e decis�es pol�ticas. Adequou-se �s sociedades europeias do p�s-guerra, geradas pelo Plano Marshall e pela integra��o europeia e beneficiando das circunst�ncias excepcionais de n�o terem de fazer avultadas despesas militares, porque estavam cobertas pelo guarda-chuva nuclear americano. S� que esse mundo acabou e acabou de vez e poucas d�vidas me sobram de que, mantendo os seus fundamentos iniciais e program�ticos, n�o se far� outra coisa do que gerir nas pr�ximas d�cadas o empobrecimento e as tens�es sociais em Portugal e na Europa, sempre presos nas mesmas pol�ticas de esticar at� ao limite o "modelo social", deixando para as gera��es futuras uma heran�a cada vez mais inger�vel. H� alternativas a esta pol�tica dos socialistas e elas podem ser socialmente muito mais justas do que as pol�ticas actuais. As medidas de austeridade que o Governo est� a tentar implementar, t�midas mas mesmo assim passos de gigante em rela��o aos governos anteriores, apenas adiam a crise estrutural do Estado-provid�ncia e t�m custos muito mais gravosos para os mais pobres do que para os ricos. Mais: a seguir-se esta pol�tica, a crise tornar-se-� end�mica e, com intervalos de pequenos surtos de prosperidade, continuar-se-� a ter de pedir novos sacrif�cios e o problema de fundo permanecer� na mesma. Por isso, a prazo, o Estado-provid�ncia est� condenado, pelas mesmas raz�es que lhe deram o sucesso. N�o sobreviver� nem � globaliza��o nem ao bem-estar adquirido, que n�o � reproduz�vel de gera��o para gera��o com a composi��o et�ria das sociedades ocidentais. Este � o custo de querer manter sistemas de seguran�a social universais que n�o t�m outra raz�o de ser que n�o seja a ideologia do "modelo social europeu", que os socialistas consideram ser o �ltimo reduto do seu "socialismo". A reconfigura��o do modelo do nosso Estado devia apenas garantir uma protec��o social m�nima para quem realmente a exige, limitar a esse m�nimo de solidariedade social b�sica o car�cter distributivo dos impostos, assim libertando para cada um a gest�o da parte da sua "seguran�a" que est� para al�m do m�nimo garantido e para a economia recursos de que o Estado tem vindo a apropriar-se numa espiral cada vez maior. O que significa que a �nica oposi��o poss�vel � a liberal. Sem este tipo de oposi��o, n�o h� oposi��o a n�o ser a comunista e a do BE, que � uma variante da comunista. S� uma oposi��o liberal reformista e moderada pode mudar este estado de coisas. O consenso ac�falo dos dias de hoje � favorecido pela inexist�ncia ou debilidade desta oposi��o. (No P�blico de hoje.)
19:02
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: ANUNCIA-SE, LEGISLA-SE, ...QUANDO SE PUDER FAZ-SE ![]() Hoje, o Di�rio da Rep�blica, presenteia-nos com mais um choque tecnol�gico: Portaria n.� 657-A/2006 de 29 de Junho - Aprova o Regulamento do Registo Comercial Pre�mbulo: �O Decreto-Lei n.� 76-A/2006, de 29 de Mar�o, procedeu a uma profunda altera��o do C�digo do Registo Comercial, designadamente com (�) a cria��o de condi��es para a plena utiliza��o dos sistemas inform�ticos e a reformula��o de actos e procedimentos internos. Simultaneamente, procedeu � revoga��o do Regulamento do Registo Comercial, pelo que se torna necess�rio aprovar uma nova regulamenta��o daquele C�digo, desenvolvendo as novas solu��es nele previstas. Artigo 2.� Disposi��es transit�rias 1 - Enquanto n�o se verificar a informatiza��o do servi�o de registo, s�o aplic�veis a este as disposi��es do Regulamento do Registo Comercial, aprovado pela Portaria n.� 883/89, de 13 de Outubro, que respeitem a livros, fichas e verbetes ou que pressuponham a sua exist�ncia.� Ou seja, a nova lei entrou em vigor, salvo nos seus aspectos principais, em que se aplica a legisla��o anterior. Continua-se a fazer tudo como dantes, porque n�o h� condi��es materiais para implementar a lei. Primeiro anuncia-se e legisla-se. Se e quando se puder, faz-se. Dito, mas n�o feito. (Estamos a criar condi��es, dizem no pre�mbulo �.) Valia a pena contabilizar os casos como este. Suspeito que �amos ter uma surpresa. (RM)
18:01
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM MONTREAL, CANAD�
(Ricardo Prata)
14:50
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 29 de Junho de 2006 Continuam as palavras a revelar as posi��es. No notici�rio da RTP1 sobre a manifesta��o da FRETILIN em Dili, v�rias interessantes distin��es entre "n�s" e "eles", inscritas na escolha das palavras. A favor de Xanana e contra o Governo s�o os "timorenses", a favor do Governo s�o "os apoiantes da FRETILIN". De um lado os "jovens", do outro os "manifestantes". Uns s�o contados para sugerir que s�o poucos e finitos; outros, nunca s�o contados para serem os "timorenses", a na��o, o povo.
10:19
(JPP)
INTEND�NCIA ![]() O caminho para a devolu��o � origem (a FNAC) do HP Pavilion Dual core continua a passo acelerado. Pelo meio, ficam muitas horas de trabalho perdidas. A assist�ncia da HP ap�s uma longa navega��o entre "prima 1 e "prima 2", remete-me para outro n�mero de telefone. No segundo n�mero, um t�cnico informa-me que � "normal" que n�o se possa instalar o Windows XP Professional, sobre o Home de origem, devido � configura��o especial do software feita na f�brica. Excelente! Depois quando lhe digo que o computador bloqueia sempre que acede � Internet em banda larga, apesar de fazer a liga��o, - que o seu irm�o HP mais velho ao lado faz na perfei��o -, diz que nunca soube da exist�ncia desse problema e que deve ser um problema com o modem da Telepac, o mesmo modem que deve existir em milhares de casas. Excelente! O computador liga, n�o liga? Liga, com alguma dificuldade depois dos bloqueios, mas liga. O software arranca normalmente, n�o arranca? Arranca, depois de ser reconfigurado de raiz n vezes. O computador liga � Internet n�o liga? Liga, e funciona entre trinta segundos e um minuto antes de bloquear exigindo ser desligado. Ent�o o problema n�o � com a HP. PS. - Agrade�o aos meus amigos leitores que me aconselham... a mudar para um Macintosh.
09:26
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 805 - "La vieille crut qu'on la m�prisait, et grommela quelques menaces entre ses dents." Il �tait une fois un Roi et une Reine, qui �taient si f�ch�s de n'avoir point d'enfants, si f�ch�s qu'on ne saurait dire. Ils all�rent � toutes les eaux du monde; voeux, p�lerinages, menues d�votions, tout fut mis en oeuvre, et rien n'y faisait. Enfin pourtant la Reine devint grosse, et accoucha d'une fille: on fit un beau Bapt�me; on donna pour Marraines � la petite Princesse toutes les F�es qu'on p�t trouver dans le Pays (il s'en trouva sept), afin que chacune d'elles lui faisant un don, comme c'�tait la coutume des F�es en ce temps-l�, la Princesse e�t par ce moyen toutes les perfections imaginables. Apr�s les c�r�monies du Bapt�me toute la compagnie revint au Palais du Roi, o� il y avait un grand festin pour les F�es. On mit devant chacune d'elles un couvert magnifique, avec un �tui d'or massif, o� il y avait une cuiller, une fourchette, et un couteau de fin or, garni de diamants et de rubis. Mais comme chacun prenait sa place � table, on vit entrer une vieille F�e qu'on n'avait point pri�e parce qu'il y avait plus de cinquante ans qu'elle n'�tait sortie d'une Tour et qu'on la croyait morte, ou enchant�e. Le Roi lui fit donner un couvert, mais il n'y eut pas moyen de lui donner un �tui d'or massif, comme aux autres, parce que l'on n'en avait fait faire que sept pour les sept F�es. La vieille crut qu'on la m�prisait, et grommela quelques menaces entre ses dents. (Charles Perrault, La belle au bois dormant) * Bom dia! 28.6.06
19:04
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() Jean-L�on G�r�me, Les pigeons
17:02
(JPP)
INTEND�NCIA ![]() Continuo enredado na tarefa, que devia ser simples e se torna cada vez mais complicada, de mudar de um computador para outro, ambos da mesma marca, HP. O meu primeiro encontro com a assist�ncia t�cnica da HP foi prometedor: tudo o que funciona mal �, pelos vistos, suposto funcionar mal e eu devo resignar-me a essa realidade. Para um computador de topo de gama, � meio caminho andado para ser devolvido � proced�ncia. Vamos ver se consigo evitar o outro meio do caminho, pelos meus meios. Darei not�cias para prevenir os incautos.
08:53
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 804 - IT SURE WAS PLEASANT TO SPEND A DAY IN THE COUNTRY Farm Implements and Rutabagas in a Landscape The first of the undecoded messages read: "Popeye sits in thunder, Unthought of. From that shoebox of an apartment, From livid curtain's hue, a tangram emerges: a country." Meanwhile the Sea Hag was relaxing on a green couch: "How pleasant To spend one's vacation en la casa de Popeye," she scratched Her cleft chin's solitary hair. She remembered spinach And was going to ask Wimpy if he had bought any spinach. "M'love," he intercepted, "the plains are decked out in thunder Today, and it shall be as you wish." He scratched The part of his head under his hat. The apartment Seemed to grow smaller. "But what if no pleasant Inspiration plunge us now to the stars? For this is my country." Suddenly they remembered how it was cheaper in the country. Wimpy was thoughtfully cutting open a number 2 can of spinach When the door opened and Swee'pea crept in. "How pleasant!" But Swee'pea looked morose. A note was pinned to his bib. "Thunder And tears are unavailing," it read. "Henceforth shall Popeye's apartment Be but remembered space, toxic or salubrious, whole or scratched." Olive came hurtling through the window; its geraniums scratched Her long thigh. "I have news!" she gasped. "Popeye, forced as you know to flee the country One musty gusty evening, by the schemes of his wizened, duplicate father, jealous of the apartment And all that it contains, myself and spinach In particular, heaves bolts of loving thunder At his own astonished becoming, rupturing the pleasant Arpeggio of our years. No more shall pleasant Rays of the sun refresh your sense of growing old, nor the scratched Tree-trunks and mossy foliage, only immaculate darkness and thunder." She grabbed Swee'pea. "I'm taking the brat to the country." "But you can't do that--he hasn't even finished his spinach," Urged the Sea Hag, looking fearfully around at the apartment. But Olive was already out of earshot. Now the apartment Succumbed to a strange new hush. "Actually it's quite pleasant Here," thought the Sea Hag. "If this is all we need fear from spinach Then I don't mind so much. Perhaps we could invite Alice the Goon over"--she scratched One dug pensively--"but Wimpy is such a country Bumpkin, always burping like that." Minute at first, the thunder Soon filled the apartment. It was domestic thunder, The color of spinach. Popeye chuckled and scratched His balls: it sure was pleasant to spend a day in the country. (John Ashbery) * Bom dia! 27.6.06
23:29
(JPP)
Uma mudan�a de computador, com as habituais complica��es, tem afectado o correio mais do que ele j� estava com um infinito e irrecuper�vel atraso nas respostas. As minhas desculpas.
23:16
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 27 de Junho de 2006 Os defensores do nosso omnipresente Estado devem estar contentes: conforme declara��es do Secret�rio de Estado do Desporto � TSF uma das coisas de que cuida com desvelo o nosso Governo � escolher (neste caso manter) o selecionador nacional do futebol. � certamente uma quest�o de Estado... 26.6.06
17:30
(JPP)
COISAS DA S�BADO: A FRAGMENTA��O DE ESPANHA ![]() ![]() ![]() Existe uma velha m�xima da nossa pol�tica externa que considera sempre positivas as dificuldades do poder central de Castela face �s suas periferias bascas, catal�s e galegas. Qualquer refor�o da unidade do estado espanhol � visto como perigoso para Portugal, a �nica �regi�o� que ficaria de fora da puls�o centralizadora de Madrid e do seu olhar capcioso para um Portugal independente. Desde 1640 agradecemos � Catalunha o puro facto desta existir e assim nos ajudar tamb�m a existir. De Espanha, como todos sabemos, n�o vem nem bom vento, nem bom casamento. Sei tudo isto e � no entanto, n�o deixo de ver com preocupa��o a tend�ncia para a fragmenta��o do estado espanhol que deu a semana passada outro passo com a aprova��o referend�ria do novo estatuto da Catalunha. � um caminho perigoso, trilhado por Zapatero tamb�m no Pa�s Basco, abrindo as portas � negocia��o com a ETA terrorista. � daquelas coisas que hoje parecem pac�ficas e benignas, mas que come�am a revelar um caminho sem retorno para a independ�ncia da Catalunha e do Pais Basco, sob o olhar apaziguador, mas bem pouco espanhol, de Zapatero. N�o ser� nos dias mais pr�ximos, mas l�ngua, impostos, pol�cias, �rg�os de comunica��o regionais e proximidades a outros lugares centrais que n�o Madrid, dar�o � Espanha dias quentes e isso n�o � bom para Portugal. * Lembro-me de ter lido no Abrupto, aquando duma visita a Budapeste,o seguinte coment�rio: "A descentra��o �tnica, lingu�stica, cultural e religiosa significa toda uma �hist�ria� por resolver (por exemplo, a importante popula��o que fala h�ngaro e que ficou na Rom�nia, como se v� no mapa [...])" (Abrupto, 15.5.06) Tenho dificuldade em compreender a posi��o do Abrupto: por um lado, a aprova��o referend�ria do novo estatuto da Catalunha � considerada "um caminho perigoso", por outro lado, os conflictos �tnicos latentes na long�nqua Transilvania representam "uma hist�ria por resolver". Tentar resolver essa hist�ria n�o seria um caminho perigoso ? Por qu� ? S� porque a Espanha est� mais perto ? S� porque eventuais "dias quentes" na Hungria e na Rom�nia n�o chegariam a ter influ�ncia em Portugal ?
17:25
(JPP)
COISAS DA S�BADO: XADREZ Nestas alturas de futebolite aguda, volto ao xadrez. Ou�o os berros habituais ao longe, muito ao longe, com o �intelectualismo livresco� deste pobre autor que cometeu o crime de lesa-p�tria de n�o saber quem era o Quaresma� Pois eu respondo aos berros anti-livrescos com o xadrez, venham c� pedir me�as, num jogo onde nada se esconde, tudo se v� e n�o � poss�vel fazer batota. Em poucos jogos � mais evidente o car�cter, a psicologia do jogador, a sua agressividade ou calma, a sua racionalidade ou criatividade, a sua teimosia ou ousadia. Mas cuidado, porque o xadrez �, num certo sentido, o mais violento dos jogos. No tabuleiro, o que se passa � uma batalha e quem l� est� s�o soldados, cavaleiros, oficiais, fortalezas e uma tenebrosa rainha, O rei � o penhor da soberania mas, por si, pode pouco. Est� l� tudo, no sil�ncio, naquela aparente suspens�o do mundo que torna os jogadores de xadrez figuras m�ticas, travando uma batalha �pica, isolados no meio de um mundo que lhes passa ao lado. Introspectivo e sem a grande teatraliza��o do espect�culo moderno de massas, o xadrez � ainda um dos pin�culos das virtudes da intelig�ncia matem�tica, posicional, territorial, t�ctica e estrat�gica. Valia a pena haver mais xadrez e muito menos futebol. Por um �tomo do que est�o a gastar no futebol, estado e privados, podiam colocar centenas de escolas a jogar xadrez, milhares de jovens e crian�as a pensar com a cabe�a e n�o com os p�s. Fica o pa�s melhor? Fica, fica. N�o faz mal nenhum usar os neur�nios. * Sem colocar em causa o ponto capital do seu artigo "Xadrez", devo dizer que n�o concordo consigo quando defende que o desporto a que o mesmo se refere � "um jogo onde nada se esconde, tudo se v� e n�o � poss�vel fazer batota." De facto, j� no tempo da Uni�o Sovi�tica, Bobby Fisher - hist�rico jogador norte-americano - se queixava de que os sovi�ticos combinavam resultados entre si, de forma a terem maior disponibilidade mental para o derrotar. Tal facto levou-o mesmo a afirmar, em 1963, que n�o voltaria a participar em
12:51
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO
![]() P. S. Kroyer, Tr�s Pescadores
09:21
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 803 - THE BOND OF THE SEA The Nellie, a cruising yawl, swung to her anchor without a flutter of the sails, and was at rest. The flood had made, the wind was nearly calm, and being bound down the river, the only thing for it was to come to and wait for the turn of the tide. The sea-reach of the Thames stretched before us like the beginning of an interminable waterway. In the offing the sea and the sky were welded together without a joint, and in the luminous space the tanned sails of the barges drifting up with the tide seemed to stand still in red clusters of canvas sharply peaked, with gleams of varnished sprits. A haze rested on the low shores that ran out to sea in vanishing flatness. The air was dark above Gravesend, and farther back still seemed condensed into a mournful gloom, brooding motionless over the biggest, and the greatest, town on earth. The Director of Companies was our captain and our host. We four affectionately watched his back as he stood in the bows looking to seaward. On the whole river there was nothing that looked half so nautical. He resembled a pilot, which to a seaman is trustworthiness personified. It was difficult to realize his work was not out there in the luminous estuary, but behind him, within the brooding gloom. Between us there was, as I have already said somewhere, the bond of the sea. (Joseph Conrad, Heart of Darkness) * Bom dia! 25.6.06
13:31
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 25 de Junho de 2006 Solidariedade na Futebol�ndia: estamos sempre muito preocupados com Timor, muito solid�rios, mas � s� depois do futebol. Hoje, que h� not�cias importantes sobre Timor, em todos os notici�rios dos canais de televis�o, esperaram vinte minutos (na Sic a mais r�pida), para aparecer. Antes disso havia a n�o-not�cia: o espect�culo da bola antes da bola. � assim, prioridades. E a televis�o p�blica deu o exemplo, continuou com o futebol j� a SIC dava not�cias.
10:23
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 802 - "O HOMEM S� � SUPERIORMENTE FELIZ QUANDO � SUPERIORMENTE CIVILIZADO" Ora nesse tempo Jacinto concebera uma id�ia... Este Pr�ncipe concebera a id�ia de que o �homem s� � superiormente feliz quando � superiormente civilizado�. E p�r homem civilizado o meu camarada entendia aquele que, robustecendo a sua for�a pensante com todas as no��es adquiridas desde Arist�teles, e multiplicando a pot�ncia corporal dos seus �rg�os com todos os mecanismos inventados desde Ter�menes, criador da roda, se torna um magn�fico Ad�o, quase onipotente, quase onisciente, e apto portanto a recolher dentro duma sociedade, e nos limites do Progresso (tal) como ele se comportava em 1875) todos os gozos e todos os proveitos que resultam de Saber e Poder... Pelo menos assim Jacinto formulava copiosamente a sua id�ia, quando convers�vamos de fins e destinos humanos, sorvendo bocks poeirentos, sob o toldo das cervejarias filos�ficas, no Boulevard Saint-Michel. Este conceito de Jacinto impressionara os nossos camaradas de cen�culo, que tendo surgido para a vida intelectual, de 1866 a 1875, entre a batalha de Sadova e a batalha de Sedan e ouvindo constantemente, desde ent�o, aos t�cnicos e aos fil�sofos, que fora a Espingarda-de-agulha que vencera em Sadova e fora o Mestre-de-escola quem vencera em Sedan, estavam largamente preparados a acreditar que a felicidade dos indiv�duos, como a das na��es, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da Mec�nica e da erudi��o. Um desses mo�os mesmo, o nosso inventivo Jorge Carlande, reduzira a teoria de Jacinto, para lhe facilitar a circula��o e lhe condensar o brilho, a uma forma alg�brica: Suma ci�ncia X Suma pot�ncia= Suma felicidade E durante dias, do Odeon � Sorbona, foi louvada pela mocidade positiva a Equa��o Metaf�sica de Jacinto. Para Jacinto, por�m, o seu conceito n�o era meramente metaf�sico e lan�ado pelo gozo elegante de exercer a raz�o especulativa: - mas constitu�a uma regra, toda de realidade e de utilidade, determinando a conduta, modalizando a vida. E j� a esse tempo, em concord�ncia com o seu preceito � ele se surtira da Pequena Enciclop�dia dos Conhecimentos Universais em setenta e cinco volumes e instalara, sobre os telhados do 202, num mirante envidra�ado, um telesc�pio. Justamente com esse telesc�pio me tornou ele palp�vel a sua id�ia, numa noite de Agosto, de mole e dormente calor. Nos c�us remotos lampejavam rel�mpagos l�nguidos. Pela Avenida dos Campos El�sios, os fiacres rolavam para as frescuras do Bosque, lentos, abertos, cansados, transbordando de vestidos claros. - Aqui tens tu, Z� Fernandes (come�ou Jacinto, encostado � janela do mirante), a teoria que me governa, bem comprovada. (E�a de Queir�s) * Bom dia! 24.6.06
09:32
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 24 de Junho de 2006 O primeiro retrato, a nossa fragilidade na pedra, por uma m�o (ou duas, ou tr�s) com 27.000 anos. N�o mudamos nada. ![]() *
O S. Jo�o do Porto n�o se presta a passar na televis�o, � uma festa �nica, absoluta e democr�tica como nada neste pa�s. Na noite de S. Jo�o o Porto sai � rua, para estar na rua e andar na rua. Atr�s daquelas festas para a televis�o milhares e milhares de pessoas est�o pura e simplesmente a andar pelas ruas e a bater na cabe�a umas das outras com um alho-porro (cada vez menos) e com uns abomin�veis martelos de pl�stico, que cada vez parecem ser maiores. Em quase todas as casas, ricas e pobres, depois do jantar, as fam�lias juntas, ou os jovens para um lado e os mais velhos para outro, fecham a casa e v�m para a rua. No S. Jo�o do Porto n�o h� lugares centrais, n�o � uma festa dos bairros populares, � uma festa que se estende por toda a cidade, embora as Fonta�nhas e a Ribeira fossem p�los de atrac��o. Mas eram apenas s�tios onde havia alguma coisa mais do que a rua, nas Fontainhas uns carross�is e farturas e na Ribeira uns bailes. Na Ribeira havia um baile, que penso �nico nos anos da ditadura, em que homens dan�avam com homens e onde pontificava o c�lebre "Carlinhos da S�". Os populares da Ribeira impediam qualquer provoca��o ou incidente, considerando que aquela noite era de todos e da liberdade de todos. Era a noite em que se podia fazer tudo e n�o havia pol�cia nas ruas. (Antes do 25 de Abril era tamb�m uma noite aproveitada para distribuir panfletos, a que a PIDE estava cada vez mais vigilante embora evitasse dar nas vistas porque com a multid�o nada era seguro�). O ambiente democr�tico da rua, em que ningu�m se livrava de levar com o alho na cabe�a, e onde completos desconhecidos trocavam cumprimentos e piropos, revelava o car�cter muito especial da �nica cidade verdadeiramente �burguesa� do pa�s. Trabalhava duro durante o ano e depois tinha a sua Saturnalia, que tomava t�o a s�rio como o trabalho. No Porto, n�o havia (e n�o h�) essa coisa de �bairros populares� versus �avenidas novas�, nem nobres marialvas e fadistas que depois dos touros v�o para as �casas de tabuinhas� conviver com apaches e severas, isto para usar os nomes antigos e poupar os ouvidos sens�veis. No Porto todos, menos os �ingleses� que nunca se viam, estavam na rua. Ora isso n�o cabe na televis�o, s� num IMAX e mesmo assim transborda. J� h� uns anos que l� n�o estou no S. Jo�o. Espero que tudo continue assim. Espero.
09:10
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 801 - CALL ME ISHMAEL Call me Ishmael. Some years ago- never mind how long precisely- having little or no money in my purse, and nothing particular to interest me on shore, I thought I would sail about a little and see the watery part of the world. It is a way I have of driving off the spleen and regulating the circulation. Whenever I find myself growing grim about the mouth; whenever it is a damp, drizzly November in my soul; whenever I find myself involuntarily pausing before coffin warehouses, and bringing up the rear of every funeral I meet; and especially whenever my hypos get such an upper hand of me, that it requires a strong moral principle to prevent me from deliberately stepping into the street, and methodically knocking people's hats off- then, I account it high time to get to sea as soon as I can. This is my substitute for pistol and ball. With a philosophical flourish Cato throws himself upon his sword; I quietly take to the ship. There is nothing surprising in this. If they but knew it, almost all men in their degree, some time or other, cherish very nearly the same feelings towards the ocean with me. (Herman Melville) * Bom dia! 23.6.06
12:49
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 23 de Junho de 2006 (2� s�rie) Scary news: Confirmado primeiro caso de transmiss�o de gripe das aves entre seres humanos.
11:17
(JPP)
800 EARLY MORNING E OUTRAS EFEM�RIDES ![]() O primeiro da s�rie era assim: 4.7.03ou seja era o que � hoje o LENDO / VENDO / OUVINDO, uma revista de blogues. Depois tombou o "VALE A PENA" e ficou apenas o EARLY MORNING BLOGS, ambos sem negrito. A maioria dos blogues citados nos primeiros cinquenta EARLY MORNINGs j� desapareceram, embora nalguns casos os seus autores tenham aberto outros, fechados de novo e aberto uma terceira vaga. A blogosfera era ent�o muito diferente e estava a mudar muito depressa. O grande surto dos blogues era contempor�neo desta nota. Vinha de ser mais pequena, estava a democratizar-se. Era pol�mica, mas ainda era am�vel. Estava a tornar-se �cida t�o rapidamente quanto se estava a democratizar. Nos EARLY MORNING BLOGs tentou acompanhar-se essas mudan�as dando origem �quilo que se veio a chamar "metabloguismo". Recorde-se para a mem�ria que o meta-bloguismo foi recebido com muita hostilidade, em particular pelos autores de blogues pioneiros. Exemplos de metabloguismo nos primeiros cinquenta EARLY MORNING BLOGs: 5 de Julho de 2003: EARLY MORNING BLOGS 2: O mundo continua l� fora e quanto mais vozes se ouvirem melhor. Eu sou um liberal, acredito na lei dos grandes n�meros, na �m�o invis�vel�. H� virtudes na cacofonia, cada voz a menos empobrece.No dia 13 de Setembro, no EARLY MORNING BLUES 39, j� a negrito, publica-se o primeiro poema: Foram os �Early Morning Blues� que deram o nome aos �Early Morning Blogs�. H� v�rios e em v�rias vers�es. Aqui est� uma dos The Monkees:e a f�rmula foi-se consolidando. Ainda houve um EARLY MORNING BLOGS / BLUES 45, um EARLY MORNING BLOGS / BOOKS 47, um EARLY MORNING BLOGS / SONGS 48. S� bastante depois do cinquenta � que esta parte do Abrupto se tornou o que � hoje. "A poem a day keeps boredom at bay". (Devo a uma leitora de sempre a gentileza de ter feito uma antologia dos EARLY MORNINGS que me surpreendeu pelas diferen�as - de "tom" , como se diz no Miniscente, o que nunca se repete -, embora n�o com as continuidades, porque eu sou da escola teimosa em mat�ria do pensamento e opini�o.)
10:00
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 23 de Junho de 2006 ![]() ![]() * Muito, muito interessante a an�lise e os exemplos (via Frescos) com que o (ou a? � masculino ou feminino?) Slate examina as cr�ticas dos seus leitores e o problema de uma publica��o na Rede corrigir junto da nota original, uma vez esta colocada num arquivo. O modo como no texto em linha se circula entre os tempos do presente e do passado, particularmente quando o passado � tornado presente por novos dados e pelas rectifica��es dos erros, ainda n�o est� resolvido. Veja-se este exemplo de uma cr�tica de um leitor:
* Por falar em Timor, est� na altura de os �rg�os de comunica��o social come�arem a preparar outra ida e volta dos seus enviados. At� para se saber o que est� l� a fazer a GNR, e que timorenses mandam nela, Xanana ou o governo do pa�s. A n�o ser que tudo isso seja uma fic��o e sejam as autoridades portuguesas a decidir quais os timorenses que t�m legitimidade para dar ordens � GNR, ou seja, tomem partido. Ent�o, nesse caso, um governo democr�tico (o nosso) devia ir � Assembleia explicar as suas op��es, e uma oposi��o a s�rio devia exigi-las. A n�o ser assim temos que ler os jornais australianos para saber o papel de Portugal na crise de poder em Timor. * A doen�a dos t�tulos: "Timorenses solid�rios com Xanana". Todos? A maioria? A resposta certa � "alguns" que at� podem ser muitos, os que s�o trazidos "em cami�es e autocarros � capital timorense e juntaram-se �s cerca de 700 pessoas que passaram a noite diante do Pal�cio do Governo." Mais do que isto, o jornalista n�o sabe e provavelmente n�o pode saber.
09:35
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS
![]() 800 Soneto Acusam-me de m�goa e desalento, como se toda a pena dos meus versos n�o fosse carne vossa, homens dispersos, e a minha dor a tua, pensamento. Hei-de cantar-vos a beleza um dia, quando a luz que n�o nego abrir o escuro da noite que nos cerca como um muro, e chegares a teus reinos, alegria. Entretanto, deixai que me n�o cale: at� que o muro fenda, a treva estale, seja a tristeza o vinho da vingan�a. A minha voz de morte � a voz da luta: se quem confia a pr�pria dor perscruta, maior gl�ria tem em ter esperan�a. (Carlos de Oliveira) * Bom dia! 22.6.06
15:41
(JPP)
OS BLOGUES ANTES DOS BLOGUES "Tenho o fragmento no sangue." (Cioran) A escrita que se encontra hoje nos blogues � velha como o tempo, embora o tempo pregue partidas, transformando as coisas noutras muito diferentes. O tempo � aquilo a que hoje se chama os "suportes", no caso da escrita na Rede, a forma dos blogues. Repito, a tecnologia do software em que assentam os blogues tem um papel ao moldar a sua forma. Vimos no artigo anterior como ela valoriza o presente, presentificando a escrita, obrigando-a � actualidade. Agora podemos ver como ela acentua aspectos da escrita: favorece o texto contido, aquilo que na linguagem da blogosfera se chama o "post curto". O "post curto" gera uma tens�o sobre o espa�o das palavras, acentua a utiliza��o est�tica da frase, em combina��o com o t�tulo e com outros elementos gr�ficos. O facto de os blogues poderem usar simultaneamente texto e imagens, sons e v�deo est� a dar origem � primeira grande vaga de um novo tipo de textos, nascidos na Rede e para serem lidos na Rede. Os blogues revelam e geram novas normas de leitura na Rede que s�o distintas dos livros, acentuando a n�o-linearidade da leitura. Esta segue n�o apenas a frase, mas as liga��es, ganha em espessura ao deslocar-se entre as diferentes p�ginas associadas pelo hipertexto ( mais em Hypertext). Move-se n�o apenas no texto, mas tamb�m pelas imagens e sons ligados ao texto, em detrimento da leitura sequencial, habitual no livro e nos jornais. A leitura num ecr� raras vezes anda para tr�s, tende a andar para o lado antes de andar para a frente. A escrita nos blogues � moldada por estas caracter�sticas f�sicas do novo texto electr�nico e, no seu conjunto, est� a ensinar a uma gera��o um novo c�none de leitura e escrita que poucos exploram conscientemente, mas que molda a todos. Ora nem todo o tipo de texto, nem todos os conte�dos se prestam a esta nova forma que despeda�a legibilidades antigas a favor de novas. No "post curto" a escrita vai desde a mera frase com uma liga��o, ou seja, uma porta, um caminho que nos leva para longe daquela p�gina, daquele ecr� at� � entrada diar�stica, impressionista ou faceta, at� ao mini-ensaio, pouco mais do que o aforismo. � uma escrita que favorece, comunicando quer com os t�tulos de jornais, quer com o aforismo, a utiliza��o de mecanismos po�ticos, mas tamb�m humor�sticos e sarc�sticos. Nesse sentido os blogues caem sob a cr�tica que Luk�cs fazia aos textos de Nietzsche - a de serem, pela sua forma, naturalmente irracionalistas, valorizando a met�fora, a sedu��o est�tica, em detrimento da argumenta��o. Que textos t�m esta qualidade de serem protoblogues? Toda a escrita moldada pelo tempo, ou pela "constru��o" da personagem (ou da obra) pelo tempo. Os di�rios, ou uma forma muito francesa de di�rios, os "cadernos". Mas tamb�m alguma correspond�ncia e ensaios. Textos que colocados em blogues parecem ser escritos para blogues encontram-se no Para Al�m do Bem e do Mal de Nietzsche, em anota��es de Kafka,
![]() Muito significativamente, todo este tipo de material � favorito na actividade de "c�pia-colagem" que tamb�m a forma blogue e a Rede favorecem, apropriando-se cada um das cita��es, de textos e imagens que servem de refor�o da sua identidade em linha. Nalgumas experi�ncias com sucesso na blogosfera, di�rios foram colocados na Rede, como o de Samuel Pepys, que foi transformado num blogue, com o texto original e liga��es, dando uma nova legibilidade ao texto original do s�culo XVII. ![]() ![]() Valery passava o teste e os seus cadernos ganhariam muito com o uso de hipertexto e liga��es. Um aspecto fundamental, nos cadernos de Valery, � a sua utiliza��o como instrumento para a constru��o da obra, como meio de treinar o pensamento, mas tamb�m de o desenvolver, experimentar, testar, deixando-o aparecer sem a responsabilidade do ensaio final, do livro a publicar. Valery usava os seus cadernos, que escreveu ininterruptamente (no final eram cerca de 261 com 28.000 p�ginas), como um instrumento para pensar, fazendo uso n�o s� da escrita, mas tamb�m do desenho, e escrevendo sobre tudo: arte, filosofia, poesia, matem�tica. E escreveu sobre como o "eu", como o "seu cogito" "funcionava", mat�ria de blogues, como se sabe. ![]() Em todos os casos que referi, a legibilidade dos textos na actualidade ganharia com a forma blogue, pela representa��o mais perfeita do tempo que a Rede permite. Os cadernos de Camus s�o os que melhor se l�em, enquanto os de Valery e de Cioran s� s�o leg�veis, na sua forma livro, em antologias depuradas. O de Cioran tem centenas de p�ginas de um grosso volume e os de Valery estendem-se por dez volumes na edi��o da Gallimard. Mesmo em Portugal foram os �nicos divulgados numa edi��o barata e popular, de h� muito esgotada. Por tudo isto, valia a pena, e acabar� com certeza por ser feito, o teste pr�tico de colocar todas estas escritas na Rede usando modelos iguais ou pr�ximos dos blogues. A blogosfera ter� ent�o ao seu lado Nietzsche, Valery, Camus, Cioran e tantos outros, como autores de blogues. (No P�blico.)
09:25
(JPP)
![]() VENDO OUVINDO �TOMOS E BITS de 22 de Junho de 2006 Eu bem sei que a vida est� dif�cil para os jornais, mas o que � que leva o P�blico a pensar que dedicar as suas primeiras dezassete p�ginas ao futebol, antes de come�ar o jornal propriamente dito, lhe acrescenta alguma coisa que os seus leitores n�o encontram noutro lado? Quem � que vai comprar o P�blico para ler sobre futebol? E quem � que vai deixar de comprar o P�blico porque ele n�o embarca (n�o embarcava) no reino da Futebol�ndia? * Sobre as teorias da conspira��o ver os "professores da paranoia".* V�rias dan�as com pares e trios e quartetos muito especiais. Um usa muitos an�is, outro � muito frio, outro faz pela vida no meio dos grandes, outro respira uma atmosfera muito especial.
08:59
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 799 Just Keep Quiet and Nobody Will Notice There is one thing that ought to be taught in all the colleges, Which is that people ought to be taught not to go around always making apologies. I don't mean the kind of apologies people make when they run over you or borrow five dollars or step on your feet, Because I think that is sort of sweet; No, I object to one kind of apology alone, Which is when people spend their time and yours apologizing for everything they own. You go to their house for a meal, And they apologize because the anchovies aren't caviar or the partridge is veal; They apologize privately for the crudeness of the other guests, And they apologzie publicly for their wife's housekeeping or their husband's jests; If they give you a book by Dickens they apologize because it isn't by Scott, And if they take you to the theater, they apologize for the acting and the dialogue and the plot; They contain more milk of human kindness than the most capacious dairy can, But if you are from out of town they apologize for everything local and if you are a foreigner they apologize for everything American. I dread these apologizers even as I am depicting them, I shudder as I think of the hours that must be spent in contradicting them, Because you are very rude if you let them emerge from an argument victorious, And when they say something of theirs is awful, it is your duty to convince them politely that it is magnificent and glorious, And what particularly bores me with them, Is that half the time you have to politely contradict them when you rudely agree with them, So I think there is one rule every host and hostess ought to keep with the comb and nail file and bicarbonate and aromatic spirits on a handy shelf, Which is don't spoil the denouement by telling the guests everything is terrible, but let them have the thrill of finding it out for themselves. (Ogden Nash) * Bom dia! 20.6.06
09:47
(JPP)
![]() LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (20 de Junho de 2006) "Ver" o P�lo Norte em tempo real: uma Web Cam num dos s�tios mais bizarros da terra. Na realidade, no meio do mar.
09:29
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 798 Enfin quelle apparence de pouvoir remplir tous les go�ts si diff�rents des hommes par un seul ouvrage de morale? Les uns cherchent des d�finitions, des divisions, des tables, et de la m�thode: ils veulent qu'on leur explique ce que c'est que la vertu en g�n�ral, et cette vertu en particulier; quelle diff�rence se trouve entre la valeur, la force et la magnanimit�; les vices extr�mes par le d�faut ou par l'exc�s entre lesquels chaque vertu se trouve plac�e, et duquel de ces deux extr�mes elle emprunte davantage; toute autre doctrine ne leur pla�t pas. Les autres, contents que l'on r�duise les moeurs aux passions et que l'on explique celles-ci par le mouvement du sang, par celui des fibres et des art�res, quittent un auteur de tout le reste. Il s'en trouve d'un troisi�me ordre qui, persuad�s que toute doctrine des moeurs doit tendre � les r�former, � discerner les bonnes d'avec les mauvaises, et � d�m�ler dans les hommes ce qu'il y a de vain, de faible et de ridicule, d'avec ce qu'ils peuvent avoir de bon, de sain et de louable, se plaisent infiniment dans la lecture des livres qui, supposant les principes physiques et moraux rebattus par les anciens et les modernes, se jettent d'abord dans leur application aux moeurs du temps, corrigent les hommes les uns par les autres, par ces images de choses qui leur sont si famili�res, et dont n�anmoins ils ne s'avisaient pas de tirer leur instruction. Tel est le trait� des Caract�res des moeurs que nous a laiss� Th�ophraste. (La Bruy�re, Les caract�res ou Les moeurs de ce si�cle ) * Bom dia! 19.6.06
06:23
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 797 Me voici donc seul sur la terre, n'ayant plus de fr�re, de prochain, d'ami, de soci�t� que moi-m�me. Le plus sociable et le plus aimant des humains en a �t� proscrit par un accord unanime. Ils ont cherch� dans les raffinements de leur haine quel tourment pouvait �tre le plus cruel � mon �me sensible, et ils ont bris� violemment tous les liens qui m'attachaient � eux. J'aurais aim� les hommes en d�pit d'eux-m�mes. Ils n'ont pu qu'en cessant de l'�tre se d�rober � mon affection. Les voil� donc �trangers, inconnus, nuls enfin pour moi puisqu'ils l'ont voulu. Mais moi, d�tach� d'eux et de tout, que suis-je moi-m�me? Voil� ce qui me reste � chercher. Malheureusement cette recherche doit �tre pr�c�d�e d'un coup d'oeil sur ma position. C'est une id�e par laquelle il faut n�cessairement que je passe pour arriver d'eux � moi. (Jean-Jacques Rousseau, Les r�veries du promeneur solitaire) * Bom dia! 18.6.06
19:27
(JPP)
![]() . . . .. . .H� coisas que Stephen King faz sempre bem: � um mestre da Surpresa. N�o h� suspense nos seus livros, mas sim pura Surpresa. Depois come�a sempre de uma maneira que, � segunda p�gina, j� n�o se larga o livro. L� para a frente, esmorece um pouco, escreve demais, repete-se, mas percebe-se sempre a capacidade de dom�nio sobre o leitor, fundamental em livros que usam o terror, o medo, como sedu��o. N�o � arte � of�cio, mas � excelente of�cio, profissional, capaz. N�o admira que venda mais do que qualquer outro autor popular.
10:40
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 796 ![]() Alice was beginning to get very tired of sitting by her sister on the bank, and of having nothing to do: once or twice she had peeped into the book her sister was reading, but it had no pictures or conversations in it, 'and what is the use of a book,' thought Alice 'without pictures or conversation?' So she was considering in her own mind (as well as she could, for the hot day made her feel very sleepy and stupid), whether the pleasure of making a daisy-chain would be worth the trouble of getting up and picking the daisies, when suddenly a White Rabbit with pink eyes ran close by her. There was nothing so very remarkable in that; nor did Alice think it so very much out of the way to hear the Rabbit say to itself, 'Oh dear! Oh dear! I shall be late!' (when she thought it over afterwards, it occurred to her that she ought to have wondered at this, but at the time it all seemed quite natural); but when the Rabbit actually took a watch out of its waistcoat-pocket, and looked at it, and then hurried on, Alice started to her feet, for it flashed across her mind that she had never before seen a rabbit with either a waistcoat-pocket, or a watch to take out of it, and burning with curiosity, she ran across the field after it, and fortunately was just in time to see it pop down a large rabbit-hole under the hedge. In another moment down went Alice after it, never once considering how in the world she was to get out again. (Lewis Carroll) * Bom dia! 17.6.06
21:56
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() (Marie Kroyer)
18:11
(JPP)
![]() . . . .. . .. . . . . . . O fim do mundo chega pelos telem�veis.
18:02
(JPP)
LUIS FILIPE CASTRO MENDES - PORTUGAL E O BRASIL : ATRIBULA��ES DE DUAS IDENTIDADES ![]() ![]() Como foi que temperaste, Portugal, meu av�zinho, Esse gosto misturado De saudade e de carinho? MANUEL BANDEIRA Numa terra radiosa vive um povo triste. Legaram-lhe essa melancolia os descobridores que a revelaram ao mundo e a povoaram. PAULO PRADO I DA INFELICIDADE DE SER IB�RICO� Um preconceito hist�rico, persistente no nosso universo cultural desde o S�culo das Luzes, enfatiza o atraso e a barb�rie dos desgra�ados povos ib�ricos, afastados pelo obscurantismo pol�tico e religioso das luzes da civiliza��o, um degrau apenas acima dos mouros e dos cafres, culpados de n�o serem protestantes, norte-europeus e, consequentemente, trabalhadores, individualistas e empreendedores. Durante os s�culos XVIII e XIX, Portugal e a Espanha s�o vistos pelo mundo civilizado (isto �, o mundo organizado conforme os interesses das pot�ncias dominantes) como qualquer coisa de interm�dio entre a civiliza��o e o exotismo, n�o t�o estranhos que coubessem nos estudos dos orientalistas, mas suficientemente bizarros para despertarem a ironia superior dos viajantes e o fasc�nio er�tico dos poetas e novelistas. Ironia da Hist�ria: esta unidade de destino entre portugueses e espanh�is decorre mais da rejei��o de que os dois pa�ses foram alvo por parte dos novos centros de poder mundial emergentes no limiar da modernidade, isto �, no fim da idade barroca, do que de uma real identidade de projectos hist�ricos. No s�culo XVI, portugueses e espanh�is, ciosos das suas soberanias e rivais na expans�o mar�tima, sentiam-se, n�o obstante, partilhar uma cultura comum. Mas esta identidade cultural ib�rica, bem vis�vel em Gil Vicente ou Cam�es, quebrou-se no s�culo XVII, com a tentativa filipina de unifica��o pol�tica sob hegemonia castelhana, que veio determinar um persistente div�rcio pol�tico e cultural entre os dois pa�ses, de que s� hoje come�amos, felizmente, a sair. Eduardo Louren�o, no seu ensaio N�s e a Europa ou as Duas Raz�es, contrap�e � raz�o cartesiana, que funda a nossa modernidade, uma outra raz�o, ib�rica, contra-reformista, barroca, de que o expoente seria Graci�n, o da Agudeza e Arte de Engenho. Nessa raz�o barroca participaram espanh�is e portugueses, mas tamb�m o que, a partir dos espanh�is e dos portugueses, se formava do outro lado do Atl�ntico: n�o s�o Sor Juana In�s de la Cruz e o Padre Ant�nio Vieira express�es maiores do barroco universal, como o vir� a ser, num genial anacronismo, a escultura do Aleijadinho? N�o foi a Ratio Studiorum dos jesu�tas uma matriz fundadora da cultura no Brasil? Mas a verdade � que esta rejei��o da cultura ib�rica foi assumida por um grande n�mero de historiadores brasileiros como a chave que explicaria todos os atrasos, injusti�as e opress�es sofridos pelo Brasil. A coloniza��o portuguesa seria o pecado original desta terra, o que lhe vedara o acesso ao para�so ou os caminhos da modernidade. Esta ideia encontra-se formulada exemplarmente na obra cl�ssica de S�rgio Buarque de Holanda Ra�zes do Brasil. Todos os obst�culos ao desenvolvimento do Brasil derivariam dos tra�os de car�cter herdados do colonizador portugu�s, reconstru�dos como um tipo-ideal, � maneira de Max Weber, e contrapostos (sempre seguindo a li��o de Weber) �queles que fundamentam o esp�rito moderno, essencialmente derivados da �tica do protestantismo. Da� o grande confronto, obsessivo na cultura brasileira, entre o Brasil e os Estados Unidos, encarados estes, mesmo quando demonizados, como o supremo paradigma. Bandeirantes e Pioneiros de Vianna Moog � a triste elegia a um Brasil que poderia ter sido, um Brasil que se poderia vir a identificar com os Estados Unidos. Conhecemos a grande obra de interpreta��o do Brasil antag�nica desta vis�o, que foi a de Gilberto Freyre. Para o autor de Casa Grande e Senzala foi da coloniza��o portuguesa e da escravid�o africana que provieram toda a originalidade e a inova��o da civiliza��o brasileira, atrav�s do processo de miscigena��o. Freyre n�o idealiza o processo colonizador, mas escreve de uma hist�ria olhada sem ressentimentos, com o amor fati nietzscheano e a permanente gula dos sentidos que o tornam o mais moderno de todos os seus contempor�neos. Com a not�vel excep��o de Vamireh Chacon, as correntes dominantes do pensamento social brasileiro de tend�ncias mais progressistas tenderam a identificar as teses de Gilberto Freyre com o conservadorismo e a nostalgia de uma sociedade patriarcal e pr�-moderna, colocando assim as ideias do mestre de Apicucos como mais um obst�culo ao progresso e � emancipa��o dos brasileiros. Uma rejei��o global que Jos� Guilherme Merquior, grande desmistificador, qualificou um dia de �suprema burrice�. Sem querer intervir neste debate (porque penso, como Alfredo Bosi, que � uma quest�o ociosa escolher agora quem teriam sido os melhores colonizadores), julgo necess�rio integorrarmo-nos em que medida as duas correntes de interpreta��o aqui demarcadas partilhariam um terreno comum, uma vis�o que da imagem constru�da do passado hist�rico deriva para um olhar intemporal sobre o Outro, o portugu�s, e em que medida n�s, os portugueses, nos confrontamos ainda e sempre com essa imagem intemporal que de n�s foram tecendo os brasileiros no processo de constru��o da sua pr�pria identidade (a piada de portugu�s � apenas a manifesta��o mais superficial e inocente dessa imagem estereotipada). II �� DESGRA�A DE SER PORTUGU�S O facto � que Portugal hoje aparece no Brasil, de forma in�dita, e para surpresa e desconcerto de alguns brasileiros, como um pa�s exportador de investimentos produtivos, alguns em sectores de elevada tecnologia, e n�o mais como um mero exportador de m�o-de-obra pouco qualificada para pequenas empresas de com�rcio e servi�os. Esta mudan�a da base material da presen�a portuguesa no Brasil, embora custe muito a ser digerida por alguns (para o historiador Lu�s Felipe de Alencastro, por exemplo, o investimento portugu�s seria apenas um bra�o subordinado do capital espanhol, esse sim o verdadeiro actor da Hist�ria), n�o deixou de trazer mudan�as sens�veis � percep��o de Portugal do outro lado do Atl�ntico. Acresce que a imagem de Portugal como persist�ncia de uma sociedade de Antigo Regime encravada na modernidade europeia, t�o cultivada tamb�m pela intelectualidade brasileira, mesmo quando solidariamente a denunciava, dificilmente se sustenta face � realidade actual de um pa�s democr�tico, moderno e integrado na Uni�o Europeia. Conv�m n�o esquecer que a imagem de Portugal para os brasileiros foi durante muito tempo a de um pa�s atrasado, arcaico, imune � mudan�a, ancorado no tempo como uma nau de pedra silenciosa. Para os conservadores aut�ntico guardi�o das tradi��es de que nasceu o Brasil, para os progressistas resumo de tudo o que o Brasil deveria destruir dentro de si para ser verdadeiramente moderno e autenticamente justo, Portugal s� era tratado pelos brasileiros como um antepassado. A recente comemora��o dos 500 anos do �descobrimento� ou �achamento� ou �encontro� dividiu o Brasil. De um lado os que aceitam a heran�a portuguesa como uma matriz fundadora da identidade brasileira; do outro aqueles que, n�o podendo negar essa realidade, n�o se conformam com ela, porque pensam sinceramente que todos os atrasos e as injusti�as do Brasil derivaram em linha directa da coloniza��o portuguesa. Para dar um exemplo, entre os mais not�veis, um livro como Os Donos do Poder de Raymundo Faoro, na sua vis�o fixista da sociedade brasileira (tudo se joga na sociedade estamental herdada da coloniza��o portuguesa, que se mant�m metafisicamente incorrupta atrav�s dos s�culos), vem tornar mais compreens�vel a dificuldade que os brasileiros sentem em reconhecer no antigo pa�s colonizador mudan�as que muitas vezes n�o conseguem ver no seu pr�prio pa�s. � que o Brasil nunca ser� �um imenso Portugal�, como cantava Chico Buarque, pela simples raz�o de que h� quase 200 anos que vivemos separados. Na verdade, para um portugu�s � mais claro e mais saud�vel este sentimento de separa��o do Brasil do que para um brasileiro. Para n�s, o colonialismo portugu�s jogou-se no nosso tempo nos dramas de �frica e h� muito j� que reconhecemos o Brasil como uma outra na��o. N�o assim no Brasil, que, de um certo modo, introjectou Portugal, incorporou-o a si mesmo (antropofagicamente, como diriam os modernistas de 1922), olhando-o quase como um cap�tulo do seu passado, como uma refer�ncia incontorn�vel (para o bem e para o mal) da afirma��o da sua pr�pria identidade, mas que, por isso mesmo, se tornou estranhamente invis�vel aos brasileiros enquanto realidade existente e pa�s actual, como diagnosticava Eduardo Louren�o na sua l�cida Nau de �caro. Como se para os brasileiros o �nico sentido de ser portugu�s fosse vir a tornar-se brasileiro� Acresce que � escala mundial vivemos hoje tempos de uma curiosa ofensiva ideol�gica anti-europeia, fomentada por algum pensamento �politicamente correcto�. Atrav�s do conceito de �p�s-colonial�, concebe-se por vezes uma estranha frente entre os Estados Unidos, o antigamente chamado Terceiro Mundo e os pa�ses industrializados exteriores � Europa (Jap�o, Canad�, Austr�lia), opostos em bloco aos europeus por esta nova constru��o ideol�gica, que foi denunciada, entre outros, pelo marxista Perry Anderson. Toda a ideia (j� veiculada em 1992, quando do quinto centen�rio da viagem de Crist�v�o Colombo) de que �comemorar os 500 anos � comemorar a viol�ncia e a rapina do colonialismo� vem hoje dessa matriz ideol�gica �p�s-colonial�, bem mais do que do velho marxismo, que sempre soube que a viol�ncia � parteira da Hist�ria e nunca simpatizou excessivamente com etnias e sociedades tradicionais. E vem tamb�m muitas vezes (e particularmente no caso que nos ocupa) daqueles que, na esteira de certas leituras de Max Weber, atribuem todas as virtudes civilizat�rias aos Estados Unidos e aos colonizadores brancos, anglo-sax�es e protestantes e todos os estigmas aos colonizadores ib�ricos, por acreditarem ingenuamente nas hist�rias piedosas que os norte-americanos contam sobre si pr�prios. Assim, se por um lado os preconceitos anti-portugueses est�o conhecendo hoje no Brasil um evidente recuo, registando-se da parte dos intelectuais e dos jovens brasileiros uma nova curiosidade pela nossa cultura, hoje reconhecida nas manifesta��es da sua novidade e n�o mais como expoente de manifesta��es arcaizantes, n�o deixou algum velho anti-lusitanismo de ressurgir por ocasi�o das comemora��es dos 500 anos, como por exemplo quando o insigne brasilianista ingl�s Leslie Bethell veio escrever que foi a meu ver um grande erro do Brasil permitir que os portugueses praticamente sequestrassem a celebra��o do 500 anivers�rio do Brasil com a �nfase dada ao descobrimento pelos portugueses. A virtude anglo-sax�nica vela sobre o Brasil� Contudo, se atentarmos na mais recente gera��o brasileira de estudos hist�ricos, sociol�gicos e at� est�ticos e liter�rios, n�o poderemos deixar de ficar impressionados por uma nova ideia de Portugal por eles trazida, bem mais objectiva, cr�tica e isenta das grandes vis�es de �tipo-ideal� que os famosos �int�rpretes do Brasil� quiseram introduzir afinal como �ideologias do Brasil�. A investiga��o fez-se menos sequiosa de grandes s�nteses de interpreta��o do destino nacional e mais atenta � rigorosa impiedade dos factos. Face a este quadro, parece-nos evidente que uma pol�tica cultural externa portuguesa para o Brasil deveria ousar trazer a este pa�s as manifesta��es mais vivas e actuais da nossa cultura e n�o continuar a responder � sede de tradi��es conhecidas e requentadas, que apenas confirmam no brasileiro a imagem de um Portugal instalado para sempre nas brumas do passado. Este � o desafio da nossa gera��o. Mais do que continuar a mostrar como soub�mos bem navegar no s�culo XVI, h� que demonstrar como sabemos hoje dominar e praticar as linguagens e as tecnologias do nosso tempo. III � TEMOS TODOS A MESMA IDADE Mas afinal a Hist�ria foi sempre feita de paix�o e de viol�ncia, de sonho e de furor. Quem se lembra de negar o que �, porque a sua origem n�o � a que desejaria, � como a bela alma hegeliana, incapaz de se inserir no curso da Hist�ria: um anjo torto. Porque envergonhar-se da pr�pria origem � a atitude t�pica do homem do ressentimento, manifesta��o daquilo a que Freud chama romance familiar, o desejo frustrado de ter pais mais ricos e poderosos. A Am�rica foi um sonho dos europeus. Os portugueses sonharam tanto com o Brasil como todos os outros europeus sonharam com a Am�rica. Por isso do que deix�mos podemos orgulhar-nos, sem ilus�es id�licas nem remorsos tardios (ter remorsos, dizia Espinoza, � pecar segunda vez), porque a viol�ncia da Hist�ria foi para n�s, como para todos, o quinh�o da mesma humanidade. E Portugal s�o os portugueses e as portuguesas de hoje, n�o esse pa�s obscuro e de antanho, convidado de pedra no tempo e na mem�ria, que tantas vezes os brasileiros identificam com Portugal, projectando em n�s a imagem do seu pr�prio passado. Desse passado vimos, mas tamb�m contra esse passado nos fiz�mos no que somos hoje, para o bem e para o mal. Desmentindo o belo poema de Manuel Bandeira, os portugueses n�o podem ser os av�zinhos dos brasileiros, pelas simples raz�o de que n�s, as gera��es de hoje, temos afinal a mesma idade.
17:35
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS ESCOLAS (6� s�rie e final) ![]() N�o podia estar mais de acordo com a sua cr�tica sobre a Futebul�ndia e os excessos dos v�rios canais televisivos no tempo que a este tema dedicam. Perdoe-me a franqueza, mas o mesmo n�o se passa com o Abrupto e o Professul�ndia ? Como antigo leitor, n�o me reconhe�o num Abrupto a dar abrigo ao discurso da compaix�o. Que n�o tem nada de mal em si mesmo e � uma decis�o pessoal e soberana. Mas a sua repeti��o torna o tema trivial, transforma o objecto de amor numa m� imagem. Retornamos ao escapismo meu caro Abrupto: como escapar ao escapismo ?? Ou�amos Barthes: A-Realidade. Sentimento de aus�ncia,fuga da realidade pelo sujeito apaixonado face ao mundo. Para me salvar da a-realidade - para retardar a sua chegada - , tento ligar-me ao mundo pelo mau humor. Sustento o discurso contra qualquer coisa (...) - Fragmentos de um Discurso Amoroso, Edi��es 70, s.d. ,tradu��o Isabel Gon�alves (Jo�o Costa) * Pergunto-me se vozes vindas das escolas pertencem sempre aos professores. Eu sou aluno do �ltimo ano do secund�rio numa escola norueguesa � uma experi�ncia de um ano, ap�s 11 anos de escola em Portugal � e sou filho de uma professora de matem�tica do 2� ciclo que sente a sua profiss�o a 100% e a traz muitas vezes para casa, discutindo as novas reformas e as que est�o por fazer, os casos pessoais de alunos que precisam de ajuda, procurando sempre novas ideias para p�r em pr�tica e para tentar catalisar os interesses dos estudantes para a matem�tica � utilizando, para al�m dos livros, de jogos, truques de magia, representac�es teatrais, etc. Considero que tenho assim uma perspectiva singular sobre a educa��o em Portugal, especialmente em compara��o com a Noruega (que �, afinal, o 1� pa�s do ranking da ONU), e � por isso que escrevo � e porque sou tamb�m uma voz dentro da escola. J� li a� que a obrigatoriedade do ensino faz com que alunos "incorrig�veis" tenham que permanecer na escola at� aos 16 anos; mas eles n�o s�o "incorrig�veis". Uma diferen�a substancial entre Portugal e a Noruega, � verdade, � que aqui 98% da popula��o pertence � classe m�dia, o que significa geralmente que tem boas condi��es de estudo em casa. As condi��es em que o estudante vive, os pais, o ambiente familiar, s�o extremamente importantes para a educa��o de um aluno - a educa ��o n�o passa simplesmente pelos programas educativos e pelos professores, mas por um desenvolvimento social a todos os n�veis. Ainda assim � mais que prov�vel que Saramago tenha raz�o quando diz que ler e gostar n�o � para todos. E gostar de matem�tica tamb�m n�o � para todos. E � dif�cil mudar alunos que, por uma raz�o ou outra, foram "desviados". Mas � poss�vel, e � dever de todo o professor acreditar nisso. Toda a crian�a e adolescente tem ou deve ter o direito de estudar e de ter professores que acreditem nele, custe o que custar. Nem tudo � perfeito na Noruega. Durante os primeiros 10 anos de escolaridade, todos os alunos passam, independentemente das notas. � fonte de uma certa pregui�a � aos 14 anos eu estudava muito mais que o meu irm�o de acolhimento que tem precisamente essa idade, que apesar de tudo tem boas notas. Toda a gente da minha turma estudava muito mais. Mas apesar de tudo n�o se ouvem muitas cr�ticas por aqui. � assim que �. E essa � uma diferen�a fundamental entre os dois sistemas de ensino: em Portugal as reformas, aqui ou ali, chegam demasiadas vezes. Imaginem o dinheiro que se pouparia em manuais escolares se ainda p�dessemos usufruir dos de h� dez, quinze anos anos atr�s (por exemplo, os alunos podiam vender os livros mais baratos em segunda m�o, como aqui na Noruega) � mas n�o, os programas est�o sempre a mudar, recuam e depois voltam a ter o mesmo conte�do. Aparecem provas de aferic�o de que os alunos ignoram o objectivo, exames para o 9� e 6� anos, os tempos escolares passam de 50 para 45 minutos, mas os blocos de 90 minutos n�o t�m intervalos no meio, os programas s�o completamente modificados � eu faco parte de um ano de transic�o em que t�nhamos o hor�rio do ano anterior mas o programa do ano seguinte. Em Portugal tudo est� em perfeita muta��o. N�o existem, pelo mundo fora, sistemas de educa��o perfeitos. Existem sistemas de educa��o que d�o os seus frutos ap�s algum tempo, que precisam de aprender com os erros e que se v�o refinando. Eu senti-me, muitas vezes, genuinamente confuso com estas mudancas abruptas na educac�o em Portugal. Por fim, real�o outro pormenor: na Noruega as escolas t�m muito mais independ�ncia em rela��o ao Estado, por exemplo no que respeita � capacidade de decidir sobre o pessoal docente. De despedir e contratar. Em Portugal os professores s�o colocados. Nos milhares de professores desempregados existem muitos com mais qualidade dos que est�o colocados. N�o existe um sistema de avalia��o eficaz dos professores; eles entram com a ajuda da nota do est�gio, por exemplo, que depende muito do supervisor que arranjaram. E o outro factor que conta � a idade e o tempo de ensino. O que deixa os jovens no desemprego. Esse n�o � o maior problema para os estudantes � o mais problem�tico � que alguns deles s�o melhores dos que os que est�o na escola. Porque na escola existem muitos professores "piores do que estudantes", que muitas vezes faltam �s aulas e que fazem pouco mais do que recitar a mat�ria. Mas tamb�m existem muitos que gostam do que fazem, e que se esforcam pelos seus alunos � e esses, acredito, querem ser avaliados, querem a sua pr�pria avaliac�o. Podia escrever mais, mas talvez j� tenha dito demais, por isso concluo apenas que ser professor n�o � f�cil, e n�o � aceitar apenas ter alunos que estudam muito e n�o t�m problemas, mas aceit�-los a todos. (Andr� Carvalho) * Todos sabemos que a escola n�o vai bem. Os alunos abandonam a escola muito cedo, com n�veis muito baixos de escolaridade, n�o conseguindo adquirir compet�ncias m�nimas, indispens�veis para um mundo de trabalho globalizado e cada vez mais exigente. A falta de qualifica��o, quer dos jovens, quer dos adultos, torna a nossa economia menos competitiva e, desta forma, irremediavelmente afastada dos �ndices de desenvolvimento que ambicionamos. Por outro lado, na �ltima d�cada, Portugal tem feito um enorme investimento p�blico em educa��o. � conta disso, Portugal � o pa�s da OCDE que maior percentagem da despesa corrente gasta em sal�rios de professores, e onde os r�cios de aluno por professor s�o os mais favor�veis da Uni�o Europeia. Por isso, seria de esperar que a escola apresentasse melhores resultados. Se isso n�o acontece � porque o problema � muito mais do que uma quest�o de meios. H� muito que o problema deixou de ser o dinheiro. Essa desculpa, usada por sucessivos governos para fugirem � responsabilidade de fazer o que deveria ser feito, j� n�o serve. Pelo contr�rio, num pa�s onde o estado gasta mais do que tem, seria injusto, numa altura em que o estado tem obrigatoriamente de cortar na despesa p�blica, que na �rea de educa��o se deixasse tudo como est�, isto �, que se continuasse a por dinheiro na escola sem dela se exigir resultados e uma melhor gest�o, racionaliza��o e optimiza��o de meios e recursos. Serve tudo o que acima foi dito para enquadrar a proposta do minist�rio de revis�o do Estatuto de Carreira Docente. Porque, como � �bvio, os professores n�o se podem colocar � parte destes problemas, muito menos fazendo-se de v�timas. Para al�m da espuma que tem ressaltado da comunica��o social, nomeadamente na quest�o da avalia��o dos professores pelos pais e noutras quest�es t�cnicas pass�veis de altera��o mediante negocia��o com os sindicatos, interessa-me discutir a quest�o do princ�pio de avalia��o dos professores. Devem ou n�o os professores ser avaliados? Devem ou n�o ser distinguidos os bons dos maus professores? Deve ou n�o haver consequ�ncias de uma avalia��o? N�o querendo gastar muitas mais linhas a retratar a situa��o actual, parece-me evidente que o actual Estatuto de Carreira Docente n�o serve. Em primeiro lugar porque � injusto para os professores, tornando os bons e os maus todos iguais, ao premiar todos. Em segundo lugar porque n�o assenta em nenhuma l�gica de resultados e de objectivos, n�o estimula os que mais se empenham, torna o sistema ineficiente. Em terceiro porque � economicamente incompreens�vel, permitindo que, indiscriminadamente, todos cheguem, de uma forma autom�tica, ao topo da carreira. Para existir qualidade no ensino tem de haver uma boa avalia��o dos seus intervenientes. � assim com os alunos. Deve ser assim com os professores. A qualidade tem de ser premiada e tem de haver uma clara discrimina��o entre os bons e os maus professores. Actualmente, a profiss�o de professor proporciona in�meras situa��es de n�o ser exercida. Depois de entrar na carreira � um descanso. Para alguns, a seguran�a de um emprego para a vida e a certeza de uma promo��o autom�tica, s�o as �nicas coisas que os prendem � profiss�o. Muitos caem na rotina, no comodismo e no facilitismo que a carreira oferece. At� os bons professores se desmotivam e acabam por entrar nesta cultura descentrada do seu objectivo principal: o sucesso dos alunos. Por isso que, para bem dos alunos e dos bons professores, � urgente mudar. A escola precisa de voltar a ser cred�vel e isso s� � compat�vel com uma cultura de qualidade e exig�ncia para todos, inclusive para os professores. Porque a escola p�blica existe por causa dos alunos, � neles que devemos centrar as nossas aten��es, ainda que isso possa resultar na perda de direitos de alguns maus professores. Por muito que custe. Jo�o Filipe Marques Narciso (Professor contratado / Set�bal)
11:01
(JPP)
![]() LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (17 de Junho de 2006) Os nossos homens no espa�o. A Esta��o Espacial vista da terra: ![]() * Mais uma contribui��o para a irrelev�ncia da UE, ou, visto de outra maneira, mais uma demonstra��o do mesmo curso suicid�rio: "Os l�deres europeus decidiram ontem que uma parte substancial dos debates entre os ministros dos 25 Estados-membros passar�o a ser abertos �s c�maras de televis�o, depois de o assunto andar a ser discutido h� anos. "Queremos que entre ar fresco na casa da Uni�o Europeia", explicou o chanceler austr�aco, Wolfgang Sch�ssel, que preside � UE at� ao pr�ximo dia 1 de Julho. Assim, "todas as delibera��es do Conselho Europeu sobre os actos legislativos a adoptar em conjunto com o Parlamento ser�o abertos ao p�blico, tal como as explica��es de voto dos membros do Conselho", afirma o documento com as conclus�es da cimeira dedicada � "pol�tica da transpar�ncia", noticiou a AFP."Os ingleses foram dos poucos a protestar porque sabem melhor do que os seus cong�neres europeus o que � governar e decidir e a necessidade de o fazer de forma discreta, com a liberdade de debate e franqueza de opini�es, pouco compat�veis com a exposi��o p�blica dos locais de decis�o. Foi o que fez a ministra brit�nica dos Neg�cios Estrangeiros, Margaret Beckett. Esta variante do populismo medi�tico assenta na cren�a absurda de que este tipo de escrut�nio em tempo real melhora a democracia, mas ter� os efeitos exactamente contr�rios. Ao se parlamentarizarem os conselhos de ministros da UE, a pol�tica real, pura e dura, envolvendo interesses nacionais e dinheiro, tender� a emigrar para locais informais onde n�o h� qualquer escrut�nio e responsabiliza��o. L�bis, funcion�rios, pessoal dos gabinetes, consultores, agradecem. Os conselhos de ministros europeus ficar�o para a conversa pol�ticamente correcta ou para as tiradas destinadas a serem publicitadas para efeito eleitoral interno. Os conselhos tornar-se-�o uma sucursal do Parlamento Europeu.
10:58
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 795 Uma Ap�s Uma![]() Uma ap�s uma as ondas apressadas Enrolam o seu verde movimento E chiam a alva 'spuma No moreno das praias. Uma ap�s uma as nuvens vagarosas Rasgam o seu redondo movimento E o sol aquece o 'spa�o Do ar entre as nuvens 'scassas. Indiferente a mim e eu a ela, A natureza deste dia calmo Furta pouco ao meu senso De se esvair o tempo. S� uma vaga pena inconsequente Para um momento � porta da minha alma E ap�s fitar-me um pouco Passa, a sorrir de nada. (Ricardo Reis) * Bom dia!
02:58
(JPP)
![]() Actualizada a nota NUNCA � TARDE PARA APRENDER: PORTUGAL NUM LIVRO BRASILEIRO com colabora��es muito interessantes dos leitores. Em breve, colocarei em linha fragmentos de um artigo que Luis Filipe Castro Mendes gentilmente me enviou, sobre as "atribula��es" das identidades portuguesa e brasileira , que foi publicado h� tr�s anos na revista do MNE em Portugal, e na revista do Real Gabinete de Leitura no Brasil. Em breve, a 6� e, em pr�ncipio, a �ltima s�rie de O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS ESCOLAS. 16.6.06
21:46
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA ARGENTINA Maquinista da linha San Martin, dos caminhos de ferro argentinos, na esta��o de Villa del Parque, esperando o sinal de partida.
(Francisco F. Teixeira)
13:06
(JPP)
BLOGUES: A APOTEOSE DO PRESENTE Os blogues continuam a ser criados a uma velocidade de cruzeiro numa verdadeira revolu��o mundial de novas formas de "fala" dos indiv�duos e dos grupos, o que � um dos reveladores da profunda interliga��o entre "estados" sociais preexistentes e tecnologias que os exprimem e potenciam. O �ltimo balan�o do "estado da blogosfera" refere a exist�ncia de cerca de 35 milh�es de blogues seguidos pela Technorati, uma empresa de refer�ncia no estudo dos blogues, duplicando o seu n�mero cada seis meses. Nos �ltimos tr�s anos, o tamanho da blogosfera cresceu 60 vezes, e o n�mero de blogues criados por dia aproxima-se de 75 mil, o que significa que desde que o leitor come�ou a ler este artigo quase vinte novos blogues (um por segundo) foram criados em todo o mundo.(1) Claro que sabemos que "criar" e "manter" n�o � a mesma coisa, e que muitos dos blogues nascentes n�o passam do acto da cria��o, mas mesmo assim s� um cego (e ainda h� muitos cegos que n�o querem ver) � que n�o percebe que se est� perante um fen�meno que marcar� a nossa �poca, de um antes e de um depois. N�o se trata aqui de avaliar os efeitos da blogosfera nas �reas que lhe s�o adjacentes, que todas est�o a mudar por processos que tanto empurram os blogues, como as mudan�as nos h�bitos de leitura, de procura, de saber, de "ver", que est�o associados � conjuga��o de novas tecnologias com muta��es sociais nas sociedades industriais e democr�ticas a que chamamos "ocidentais". O movimento que gera o surto de blogues � muito mais profundo do que os pr�prios blogues, tornando-os ao mesmo tempo causa e efeito, agente de mudan�as e revelador de mudan�as.Duas coisas n�o podem por�m ser esquecidas, e muitas vezes s�o-no, na an�lise da blogosfera: a primeira � que os blogues suportam-se numa forma tecnol�gica que valoriza determinados aspectos da "fala" que eles cont�m e minimiza outros; a segunda � que a "fala" que se encontra nos blogues n�o � nova, tem precedentes e hist�ria. S�o estes dois aspectos de que falarei, valorizando o aspecto "liter�rio" e criativo dos blogues, em detrimento de outras fun��es que os blogues tamb�m t�m em particular no sistema da comunica��o social. Comecemos pelo primeiro aspecto, o modo como a tecnologia, o software, as plataformas de suporte, moldam a forma do blogue, condicionando o produto final. Os blogues evolu�ram das p�ginas pessoais na Rede, num momento de expans�o e democratiza��o da Internet, mas n�o s�o uma nova forma de p�ginas pessoais. O que em todas as plataformas populares, a come�ar pelo pioneiro e mais usado Blogger, se valoriza n�o � a apresenta��o de um indiv�duo, dos seus interesses, das suas opini�es, do seu "universo" pessoal, mas sim tudo isto situado no tempo. ![]() Nos blogues h� uma apoteose do presente, uma menoriza��o do passado e uma inexist�ncia do futuro que condicionam o tipo de escrita e o seu sucesso comunicacional. Este desequil�brio dos tempos � coerente com alguns dos efeitos da passagem do mundo comunicacional tradicional, da leitura, do sil�ncio, da lentid�o, da mem�ria, para a velocidade do que � "moderno", para um mundo constitu�do por imagens r�pidas, prazer instant�neo e ilus�o de simultaneidade. � o mundo dos directos televisivos, do em linha permanente, do mundo que testemunha tudo em tempo real, da aldeia na "aldeia global", da superf�cie, da pele das coisas do marketing e da publicidade. Os blogues trazem para a "fala" essa mesma velocidade e ilus�o de instantaneidade de um mundo sem "edi��o", ou seja, sem media��o. O dom�nio do presente nos blogues molda a "fala", valorizando o coment�rio, a opini�o, a impress�o quase em tempo real sobre o presente a acontecer, mais do que sobre o acontecido e por isso comunica historicamente com a voz dos directos da r�dio e da imagem da televis�o. O sucesso dos blogues chamados "pol�ticos" em Portugal, como ali�s noutros pa�ses, n�o se deve a qualquer deforma��o da blogosfera, que continua a ser maioritariamente constitu�da por blogues de outra natureza mas com menos audi�ncia, mas sim � natureza dos "assuntos correntes" que eles tratam de forma ainda mais "corrente" do que os media tradicionais. A competi��o-tens�o entre blogues e os media tradicionais vem desse campo de actualidade que a forma blogue potencia e acelera. Esta rela��o pesada com o presente fez os blogues superar as p�ginas pessoais e, mesmo instrumentos f�ceis e gr�tis que surgiram no �ltimo ano para cria��o de p�ginas pessoais (como o Google Page Creator), est�o longe de competir com o interesse pelos blogues. No entanto, a forma blogue � t�o perec�vel como todas as outras e evoluir� com rapidez para outras formas de comunica��o, que por sua vez gerar�o novos efeitos da "fala". Algum software j� dispon�vel introduz novas funcionalidades que combinam as vantagens da presentifica��o do blogue com um maior papel para modelos em que a "fala" ganha um novo volume, uma nova densidade temporal. Este caminho ser� facilitado tamb�m pelo aumento exponencial da capacidade de armazenamento dos computadores, aproximando-se da possibilidade de nos "meter" dentro de um disco: mem�rias, estados de alma, vis�es, sonhos, sons, leituras, imagens, falas, cheiros, afectos, gestos, saberes. Os estudos sobre o c�rebro, a mem�ria, a realidade virtual, teorias sobre os "meme" e projectos como o MyLifeBits, podem mostrar-nos como evoluir� o software do imediato futuro, dispon�vel para que cada um "fale", em teoria para um mundo inteiro que o pode ouvir. Tudo isto acompanhar� aquilo que tenho chamado a "biologiza��o dos devices", a sua colagem ao nosso corpo, � nossa casa, a diminui��o da dist�ncia f�sica entre n�s e as vozes que nos chegam de fora. N�o custa compreender as enormes mudan�as que est�o em curso, todas diminuindo a distin��o entre a realidade e a virtualidade, alterando as literacias necess�rias para compreender e agir no mundo real, podendo, conforme a "riqueza" da cada um, ser mais inclusivas ou exclusivas socialmente. A an�lise deste processo ganha em ser compreendida tamb�m pelo passado da "fala" que perpassa nos blogues e dos seus precedentes. No pr�ximo artigo analisarei os di�rios como protoblogues, escolhendo exemplos em franc�s, os di�rios-cadernos de Valery, Camus, Paul Morand e Cioran e as semelhan�as e diferen�as de uma escrita presa � sua circunst�ncia vivida no tempo. (1) Utilizei como fonte State of the Blogosphere do Sifry's Alert com dados de Fevereiro de 2006 porque me interessava partir de um conjunto de dados coerentes que tinha analisado em conjunto. A revis�o do P�blico corrigiu-os com os elementos mais recentes, de Abril-Maio, actualizando o n�mero global de blogues para 35 milh�es. O crescimento � t�o r�pido que quando a segunda parte do mesmo estudo foi publicada o n�mero j� tinha atingido 37 milh�es. O n�mero referido no Jornalismo e Comunica��o � o actual (de ontem) de cerca de 45 milh�es. O crescimento exponencial da blogosfera explica estas r�pidas mudan�as de n�meros. (No P�blico de 15/6/2006)
10:17
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (16 de Junho de 2006) ![]() __________________________ No P�blico de hoje, um grupo de artigos sobre as "utopias" da Internet como comunismo primitivo, ou, conforme os gostos, comunitarismo crist�o igualmente primitivo, ou a "civiliza��o da gratuitidade, profetizada por Agostinho da Silva". Vai dar ao mesmo. Estas nem sempre ben�volas utopias s�o a milion�sima encarna��o do rep�dio pela propriedade, t�o antigo como a exist�ncia da dita, t�o populares e t�o "primitivas" como as sociedades de ca�adores-recolectores. Elas cont�m em si, para al�m de um utopismo pol�tico que tem sempre dado p�ssimos resultados porque se traduz sem excep��o em engenharia social "primitiva", ou seja � for�a, uma confus�o sobre as ra�zes da mis�ria e da exclus�o. No caso da Internet pode ser tudo de gra�a, pode acabar o direito de autor, pode o mundo dos bits ser "gratuito" (como se lembra num artigo ainda "continua a ser imposs�vel fazer download de bifes, sapatos e casas para habitar ", ou seja, os �tomos resistem aos bits), que a fronteira da exclus�o/inclus�o centrar-se-� nas literacias. E as literacias est�o muito desigualmente distribu�das e n�o � imposs�vel que as mesmas tecnologias, que parecem favorecer a "civiliza��o da gratuitidade", acrescentem ainda mais um fosso aos que j� existem. � que n�o s�o as tecnologias, nem os efeitos tecnol�gicos, que mudam a sociedade. � a sociedade que muda a sociedade. Est� tudo explicado na obra de um alem�o chamado Karl Marx, que tinha que p�r na ordem um seu amigo, Engels que era industrial e acreditava demais no progresso. Marx tamb�m acreditava, mas tinha na cabe�a um outro ratinho a roer-lhe os optimismos positivistas: a luta de classes. Ah! j� me esquecia , o P�blico n�o faz parte da "civiliza��o da gratuitidade" e por isso h� que comprar o jornal, ou usar uma t�cnica da "acumula��o socialista primitiva", ou seja, o roubo, para o colocar gratuito em linha. * Parab�ns, Astronomy Picture of the Day.
10:16
(JPP)
The Rose Of Peace If Michael, leader of God's host When Heaven and Hell are met, Looked down on you from Heaven's door-post He would his deeds forget. Brooding no more upon God's wars In his divine homestead, He would go weave out of the stars A chaplet for your head. And all folk seeing him bow down, And white stars tell your praise, Would come at last to God's great town, Led on by gentle ways; And God would bid His warfare cease, Saying all things were well; And softly make a rosy peace, A peace of Heaven with Hell. (William Butler Yeats) * Bom dia! 15.6.06
11:04
(JPP)
![]() Noutra altura irei ao livro propriamente dito, mas, para ilustra��o do nosso ego nacional fict�cio (agora empolado pela mudan�a do pa�s para a Futebol�ndia), aqui v�o as refer�ncias avulsas a Portugal e aos portugueses, num livro de mem�rias escrito por um jornalista e escritor brasileiro. As refer�ncias s�o interessantes porque s�o avulsas, a inten��o do livro � autobiogr�fica e memorial�stica, mas igualmente reflexiva sobre o Brasil e os brasileiros a pretexto do golpe militar de 1964. Portugal aparece muito de relance, o que � a primeira conclus�o: Portugal conta pouco para se poder falar do Brasil. E, quando conta, � assim: * O livro de Paulo Francis � uma brilhante reflex�o sobre a sociedade brasileira. Li-o durante uma semana de f�rias no Rio de Janeiro. N�o consegui sair do quarto do hotel at� o terminar, tal � a clareza de ideias e sentido autocr�tico do autor. Impressiona que o livro tenha sido escrito em 1994 e esteja t�o atual, num pa�s que mudou tanto desde ent�o. Se as refer�ncias a Portugal s�o �cidas e escassas, a cr�tica ao Brasil � demolidora e assusta de t�o l�cida. � preciso coragem para ler este livro e continuar a acreditar no pa�s. Reduzi-lo �s impress�es sobre Portugal � um equ�voco. Realmente, a elite brasileira, ademais um conceito bastante vago, n�o tem Portugal como refer�ncia. Seria estranho que assim fosse, uma vez que a elite portuguesa se divide entre refer�ncias intelectuais estrangeiras, precisamente as mesmas que servem de modelo ao Brasil. Al�m disso, qualquer pessoa que conhece o Brasil, n�o apenas o pa�s das f�rias tropicais, sabe que as �nicas regi�es do pa�s que conseguiram desenvolver sociedades mais ou menos pr�peras e institui��es t�picas de pa�ses desenvolvidos, foram aquelas onde a coloniza��o portuguesa � pouco importante. Recomendo a leitura de um livro muito bom, publicado recentemente em Portugal, chamado "O Imp�rio � Deriva". � sobre o reinado de D. Jo�o no Brasil. Ajuda a entender o Rio de hoje e, melhor ainda, o Portugal de sempre. Se a imagem que o Brasil faz hoje de Portugal n�o � aquela que o nosso ego gostaria, � todavia melhor do que aquela que temos de n�s pr�prios, pelo menos em tempo de depress�o nacional. Basta ler as colunas de opini�o do P�blico. Apenas um coment�rio final: � muito mais f�cil ser Portugu�s aqui do que Brasileiro em Portugal. N�o se deixem enganar pelas apar�ncias. At� porque no Brasil as coisas nunca s�o exatamente o que parecem. (Vitor Salvador Pic�o Gon�alves, Portuense, Professor da Universidade de Bras�lia) * N�o h� uma �nica ex-col�nia francesa, holandesa, alem� ou espanhola que apresente razo�veis desenvolvida. N�o h� sequer uma que seja mais desenvolvida do que o Brasil - talvez a Costa Rica..... e a sua meia d�zia de habitantes.... Quanto �s ex-col�nias s� temos quatro mais desenvolvidas do que o Brasil, a Nova Zel�ndia, a Austr�lia, os EUA e o Canad�. Todos pa�ses em que as zonas desenvolvidas s�o de clima temperado tipo europeu, e onde foi bastante f�cil transferir tecnologia agricola da Europa para as col�nias - desde sementes at� ao gado - ou tente um ingl�s levar gado e as culturas do seu clima para o Brasil para ver a produtividade que obtem... Est� at� o Brasil � frente da �frica do Sul...pa�s onde a emigra��o "wasp" teve o poder at� h� uma d�cada. O exemplo de desenvolvimento das restantes col�nias mostra que os portugueses foram o povo que melhor interiorizou os custos de adapta��o dos seus processos, metodologias e culturas a climas tropicais. Essa conversa de brasileiro s� mostra uma enorme ignor�ncia sobre o mundo e sobre ele pr�prio, porque sejamos francos, j� s�o independentes h� 184 anos.....e perante tanta estupidez s� mesmo o desprezo de quem tem um passaporte europeu - que � o que as elites brasileiros mais pena t�m de n�o ter. (Jo�o) * H� um enorme vazio de estudos sistem�ticos das representa��es que persistem na actualidade sobre a presen�a colonial portuguesa nos diferentes espa�os. Em �frica, por exemplo, estudos/pesquisas que versem sobre o pensamento social, sobretudo numa perspectiva de psicologia social e que fujam, de algum modo, aos modelos anal�ticos normalmente usados no estudo das sociedades �tradicionais� pelos antrop�logos (nada tenho contra os antrop�logos, pelo contr�rio), s�o praticamente inexistentes. Reduzir as representa��es sobre a presen�a colonial portuguesa a amor/�dio; as �elites� e os outros; etc. sabe a pouco, pelo menos naquilo que a �frica diz respeito. Quanto ao �portuga� do Brasil, acrescento que n�o se detecta nada de semelhante em Mo�ambique onde tenho feito trabalho de campo (qui�� em �frica). A rela��o � representada como que num patamar de amor/�dio, mas sem a desvaloriza��o cultural do �outro� (ex-colono). Outra nota � a de que no caso de alguns espa�os em Mo�ambique, como Tete, quando se fala do colono portugu�s surge sistematicamente em contraponto ao ingl�s e isso n�o se reduz ao �mau� versus o �bom�. Parece-me tamb�m que a exorciza��o dos fantasmas da coloniza��o est� melhor consolidada nos ex-colonizados do que nos ex-colonos. Envio excertos de entrevistas realizadas em 1998 com cidad�os comuns das prov�ncias de Maputo, Nampula e Tete (espa�os urbanos e rurais) e que podem ajudar a pensar. Os entrevistados foram no geral homens adultos. � um trabalho que ainda est� em andamento numa nova vers�o, pelo que se disp�em de outros dados. Disponibilizar o que se segue �a cru� pode originar acusa��es imediatas de �neo-colonialismo�, �saudosismo� ou o que seja. Mas arrisco: �Servi�os for�ados. Fizeram isso. Mas estavam-nos a ensinar (...). Para termos uma no��o direita.�; �O branco, at� agora branco, muita gente que vivia nesse tempo est� a chamar do branco, porque o branco ele batia, mas dava qualquer coisa a voc� saberes.�; �Nessa altura (...) havia algum sofrimento porque aquele que fosse trabalhar, quando faltasse um dia, era apanhado, era dado porrada. E... sabendo que o benef�cio era para ele mais tarde, mas tinha que disciplinar a pessoa.�; �Eles [os mais velhos] sempre falam, dizer que os colonos sempre nos educaram para andarmos asseados. Alguns... os nossos bisav�s para p�r sapato era preciso ser obrigado.�; �Havia coordena��o [entre n�s e os portugueses]. (...) Davam palmat�ria para educar. Isso da escola era educa��o que hoje estamos a gostar. (...) Levei [muitas reguadas]! (...) Era para o meu benef�cio. Hoje j� estou melhor. J� estou a receber. J� estou a ganhar o p�o.�; �Para mim n�o abusou [o portugu�s].�; �(...) o colono proibia fazer aguardente aqui, tradicional (...) em parte cheguei de compreender hoje que estava a fazer bem porque as pessoas morriam com aquela aguardente porque o �cido era mais exagerado, n�o tinha limite.�; �(...) naquele tempo tinha quarta classe. Era limite do... do ind�gena. (...) era tempo de boas coisas tamb�m para n�s, porque n�o sabia os estudos.�; �Eu gostei [do tempo colonial]. (...) Os mais novos s�o sempre... como at� hoje nos livros s� fala escravatura, escravatura, escravatura (...) e n�o souberam como viveram com... com os portugueses. Houve escravatura sim (...). Para construir um pa�s tem de haver sacrif�cio de n�s todos.�; �Gostei [de viver com os portugueses] porque tinha acostumado tamb�m aqueles ali. Tinham raz�o.�; �Gostei muito de viver com os portugueses naquele tempo.�; �(...) tudo era bom para mim, por causa, quando estavam aqui os portugueses n�s - ah! - era satisfeito.�; �Mas o... para mim o tempo colonial foi muito bom porque aquilo que voc� precisava na altura, apanhava com dinheiro.�; �Pela minha parte foi bom [o tempo colonial] porque (...) eu era consciente. N�o mexe (...) n�o era ladr�o (...). � por isso que eu acho que portugu�s, pela minha parte, era bom.�; �Eu tenho muita saudade. At� aquele tempo era muito lindo.�; - �Isso sim! Isso acontecia [o negro ser penalizado por discutir com um branco]. (...) Era uma injusti�a, sim.�; �H� o colono que sempre... n�o queria... dar o negro como pessoa. S� dar o negro como... como animal.�; �(...) s� vi os meus pais serem carregados, serem amarrados para ir trabalhar for�ado (...) a outra coisa foi a cultura de algod�o, de arroz, tamb�m foi muito rigoroso.�; �Mas mesmo assim, aquilo tudo j� passou. Aquilo tudo j� passou.�; �N�o h� problemas para dar. Hum. J� encerr�mos tudo aquilo que ent�o se deu. Aquela ferida que algu�m me cortou. J� a ferida, j� est�... est� j� encerrado.�; �Outros gente dizem que tempo daquele [colonial] at� �s vezes alguns, nossos bisav�s, carregavam as pessoas nos ombros.�; �Abria estradas assim com as m�os. (...) N�o havia coisas boas. (...) �ramos tratados como escravos n�o sei de onde.�; �Era mal... era mal por causa que tinha chibalo, trabalho nas linhas f�rreas e nas planta��es. (...) Aprendi isso na escola.�; �Iam � for�a [para o chibalo, contratados]. (...) N�o recebiam! (...) Quando sa�am daqui, iam para a Beira. Depois, quando acabarem aquilo na Beira, doze meses, vinham para aqui. Chegavam na administra��o e diziam-lhes �Olha l�: toma l� a sua guia de imposto do seu dinheiro que trabalhou na Beira!��; �Realmente isto [racismo] senti bastante. (...) E o negro nada tinha que atribuir. (...) numa pequena falha aparecia o branco e batia. (...) Portanto, um africano perante um branco n�o podia agir.� (Gabriel Mith� Ribeiro) * Embora o ponto de vista sobre a pequenez de Portugal visto do Brasil seja interessante, talvez n�o seja in�til frisar alguns aspectos que s�o bem conhecidos das pessoas mais familiarizadas com a vida cultural e medi�tica do Brasil: 1 - O clube de f�s de Maur�cio de Nassau � bastante grande entre as pessoas mais ou menos letradas do Brasil. N�o � caso para menos, j� que a casa de Nassau trouxe para o Norte do Brasil alguns ind�cios de modernidade, que contrastava com a decad�ncia e o atraso que se tinham tornado caracter�sticos da Coroa portuguesa. Os mesmos motivos levaram grande parte da elite portuguesa de ent�o (excepto a que morreu em Alc�cer-Quibir) a saudar Filipe II de Espanha como rei de Portugal. 2 - A "xinga��o" brasileira com a figura do Portugu�s n�o � muito diferente da de muitos portugueses com o Alentejano, o Galego, o Preto, etc. Trata-se sempre de achincalhar um arqu�tipo de pessoa pobre, esfor�ada e mais ou menos desadaptada da realidade circundante. 3 - Quanto � �ilustra��o do nosso ego nacional fict�cio (agora empolado pela mudan�a do pa�s para a Futebol�ndia)�, o Brasil n�o tem de pedir-nos li��es nessa mat�ria. O Brasil oscila sempre, aos olhos dos seus, entre o para�so na Terra (�Deus � brasileiro�, etc.) e o pior dos pa�ses (�o Brasil � uma merda�, etc.). 4 - S� queria sublinhar como algumas das piores caracter�sticas da nossa �identidade� (irrealismo, sebastianismo, infantiliza��o perante o Estado, aus�ncia de �tica de trabalho) existem muito parecidas no Brasil. Penso que era o Agostinho da Silva que dizia que �o Brasil � Portugal � solta�. Para concluir, n�o me incomoda nada que o nosso pequeno rect�ngulo europeu,cuja �nica grandeza geogr�fica reside nas �guas territoriais, seja visto do Brasil como uma na��o de pouca monta. O que me incomoda � que n�o saibamos ser mais eficazes, mais realistas, mais �virtuosos� nas nossas rela��es com o Brasil, pois haver no mundo um pa�s daquela dimens�o de l�ngua oficial portuguesa n�o � uma quest�o de somenos import�ncia para o nosso futuro enquanto pa�s. Nada disto me impede, com � �bvio, de �torcer� por Portugal em primeiro lugar e pelo Brasil, quando n�s n�o estamos presentes. (Miguel Magalh�es) * Irritam-me solenemente estes brasileiros que culpam o atraso, o fracasso, a corrup��o deles e todos os seus defeitos em Portugal. Sinceramente, considero estes brasileiros ressabiados pseudo-intelectuais de retrete uns adolescentes malcriados que culpam tudo o que existe de mal nas gera��es anteriores e que nada fazem para melhorar o seu presente estado, sen�o parar no caf�, fumar ganza e mandar bocas. Se calhar as col�nias espanholas est�o muito melhor? E as colonias inglesas, holandesas e de outros pa�ses europeus completamente exploradas, tanto a n�vel econ�mico e humano n�o contam? V�o ser tapadinhos l� fora! Podemos der atrasadinhos mas se eles andam na mis�ria � porque nada fazem para sair dela. Se calhar o Brasil saiu ao Pai. (Jo�o) * Talvez ache esta pertunta muito est�pida, mas acha possivel que pessoas habituadas a climas frios e chuvosos como os holandeses se tivessem conseguido habituar ao tropical Brasil ? O mesmo vale seguramente para os ingleses e menos para os franceses... (Eduardo Tom�) * H� muitos anos que eu sei que os nossos ex-colonizados n�o gostam de n�s. Descobri-o relativamente aos brasileiros h� uns 22 anos, quando estava a doutorar-me, frequentava os laborat�rios de �Autom�tica� de Toulouse, e convivia com os muitos bolseiros brasileiros que por l� havia. Em Timor descobriu-o o meu pai, aos 80 anos, que como velho colono nunca alimentou nenhuma estima especial pelo pa�s donde partiu h� mais de meio s�culo, e que por l� andou h� pouco a fazer levantamentos hidroel�ctricos prospectivos, por conta da ONU. Veio de l� a dizer ser �bvio que as poucas estradas e outras infra-estruturas existentes foram feitas sob a ocupa��o indon�sia e que os jovens nem sabiam falar portugu�s... E descobri-lo com os africanos n�o requer mais do que acompanhar os media. Esta �, ali�s, uma das raz�es por que, por muito tempo, achei uma quimera v� a nostalgia frequente que v� no �espa�o lus�fono� uma aposta estrat�gica para o nosso desenvolvimento econ�mico. Sempre achei a ideia com muita da ilus�o salazarista. Mas com o tempo mudei um bocado de opini�o. Quem na realidade n�o gosta de n�s, nesses pa�ses, s�o as �lites. No Brasil, quase sempre os intelectuais, especialmente os de esquerda. Em �frica, os detentores de cargos pol�ticos que os herdaram da Administra��o colonial. E em Timor, acho que todos gostam de n�s. Por�m, o que tenho visto � que a n�vel de povo, quer em turismo, quer em neg�cios, � diferente. A�, descobre-se de facto que o imp�rio deixou marcas e afectos m�tos. Talvez voc� precise de uma �descida ao povo� desse tipo para o descobrir, Pacheco Pereira. Deixe l� a leitura dos intelectuais e v� l� comprar ou vender qualquer coisa, ou descansar em Macei�, ou instalar um neg�cio, e vai ver... Jos� Lu�s Pinto de S� * Um romance brasileiro onde os portugueses (ou, melhor dizendo, um portugu�s) s�o encarados de um ponto de vista claramente mais positivo do que no de Paulo Francis � �O meu p� de laranja lima�, de Jos� Mauro de Vasconcelos. Jos� Carlos Santos
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EARLY MORNING BLOGS 793 �pigraphe pour un livre condamn� Lecteur paisible et bucolique, Sobre et na�f homme de bien, Jette ce livre saturnien, Orgiaque et m�lancolique. Si tu n'as fait ta rh�torique Chez Satan, le rus� doyen, Jette ! tu n'y comprendrais rien, Ou tu me croirais hyst�rique. Mais si, sans se laisser charmer, Ton oeil sait plonger dans les gouffres, Lis-moi, pour apprendre � m'aimer ; Ame curieuse qui souffres Et vas cherchant ton paradis, Plains-moi !... sinon, je te maudis ! (Charles Baudelaire) * Bom dia!
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(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS ESCOLAS (5� s�rie) ![]() Como professor: uma grande parte de n�s concordam com muito do que a Sra. ministra est� a tentar alterar. No entanto, achamos que n�o era por a� que come��vamos. Conclui-se rapidamente que nem o Minist�rio nem os sindicatos fazem ideia do que � a vida na sala de aula e na escola. Qualquer professor do activo sabe o que o minist�rio, em primeiro lugar devia alterar (pequenas medidas sem implica��es financeiras) para que a escola fosse um local melhor e com resultados imediatos (perdoe-me a presun��o). Por exemplo: sou director de turma h� v�rios anos e, apesar dos esfor�os constantes, verifico que os pais, como muitos t�m dito, nunca foram � escola (60 a 70%), e os que aparecem s�o dos alunos com melhores presta��es..... Se todas as presta��es sociais (abono de fam�lia, subsidio de desemprego e todos os outros) dependessem de uma informa��o do DT , concerteza que ter�amos os pais na escola e isso era decisivo. (Ant�nio Barreira) * A professora Ana Teresa Mendes da Silva come�a por assumir que h� professores bons (que gostariam de ser avaliados) e maus (os tais que ganham o mesmo que os outros a troco de muito pouco), mas depois desata a dizer que os professores (num todo) � que preenchem uma s�rie de necessidades dos alunos que os seus pais (que considera tamb�m num todo) supostamente n�o satisfazem. Gostaria que tivesse a ideia que os pais dos alunos sabem perfeitamente que h� uns professores e os outros, assim como tamb�m eles pr�prios podem ser cuidadosos e esmerados ou desleixados e incompetentes. Gostaria de lhe descrever um professor que conhe�o por ser o de um filho meu: perto do topo da sua carreira e com fama de ser um bom professor, em dois anos n�o fez uma visita de estudo sequer; vai repetidamente ao m�dico e ao dentista (digamos semana sim, semana n�o, dentro do seu hor�rio lectivo) e, al�m de faltar com frequ�ncia �s 6� feiras, s� neste ano lectivo faltou ainda 2 per�odos de 15 dias. Como tarefas n�o lectivas, e uma vez que a escola, por falta de instala��es n�o disp�e de prolongamento de hor�rio, foi incumbido de periodicamente colaborar no apoio ao refeit�rio da escola (1� ciclo) mas n�o o faz alegadamente porque o cheiro da comida lhe ficava nos cabelos. Chega a dizer aos alunos que est� farto deles. Claro que este professor s� pode ter medo de ser avaliado n�o s� pelos pais dos alunos como tamb�m pela sua assiduidade e pelo seu projecto de trabalho. H� dias li no P�blico um jornalista a indignar-se com a ideia de os pais participarem na avalia��o dos professores, alegando que seria bonito por exemplo as fam�lias dos doentes avaliarem os m�dicos. Acontece que essa pr�tica por acaso est� prevista e come�a a ser usada em algumas institui��es de sa�de. A avalia��o da satisfa��o dos utilizadores dos servi�os (que em Medicina n�o s�o s� os doentes mas tamb�m os seus cuidadores) � uma componente essencial da avalia��o da qualidade dos servi�os, de sa�de e n�o s�. N�o cabe na cabe�a de ningu�m que um m�dico (ou um professor) seja muito bom mas afinal a maioria dos utentes (ou dos pais dos alunos) n�o goste dele. Ainda quanto �s queixas de as promo��es at� ao topo da carreira n�o serem para todos, essa � a ordem natural das coisas: quantos funcion�rios de uma empresa chegam aos seus quadros superiores? Mesmo na fun��o p�blica e na �rea em que estou, para um m�dico chegar ao grau de chefe de servi�o tem de concorrer a um concurso com vagas limitadas que podem inclusive n�o ser ocupadas se os m�dicos candidatos n�o atingirem o n�vel desejado. S�o provas duras a que muitos nem sequer se submetem e, de entre os que se submetem, alguns ficam for�osamente pelo caminho. As reac��es em bloco desprestigiam os bons professores que se deviam querer distinguir dos outros. Sabemos que frequentemente trabalham em condi��es muito desfavor�veis prosseguindo por vezes objectivos mais ambiciosos que os que lhe seriam estritamente exig�veis. Todos tivemos professores desses e sabemos reconhec�-los. O que n�o � admiss�vel � que as m�s condi��es de trabalho sirvam como desculpa para os que n�o cumprem, n�o se esfor�am ou, simplesmente, n�o t�m capacidade para mais mas querem, de qualquer forma, chegar t�o longe como os outros. (M�nica G.) * Sem o brado medi�tico do encerramento de qualquer f�brica no litoral, uma verdadeira revolu��o est� a ser operada no mundo rural. O distrito de Bragan�a vai perder este m�s 225 escolas. Retirada qualquer tentativa de problematizar o tema, duas simples conclus�es, as aldeias nunca mais v�o ser as mesmas e encerra tamb�m uma das �ltimas esperan�as para o mundo rural! (Jos� Alegre Mesquita) * Ao longo da vida tenho deparado resultados semelhantes aos observados em rela��o aos professores. Ser� que tudo se pode resumir na frase: o sindicalismo de reivindica��o salarial (ou equivalente) teve demasiado sucesso? Ser� que se pode dizer que � justamente o sucesso do sindicalismo que matas as �conquistas alcan�adas�. Ou ser� que os alvos em que o sindicalismo se centra s�o inapropriados? Ou, ainda, ser� que o sindicalismo, no que respeita aos professores, j� deu o que tinha a dar? Ser� de se passar a algum tipo de nova fase? Os professores n�o devem ser mercen�rios do ensino: se receberem, ensinam, n�o importa o qu� ou como, ou em que condi��es (excluindo as salariais). Diria que falta ainda uma discuss�o � volta da dicotomia autoridade/formas de a exercer para a tornar efectiva � ou andamos todos a cuspir para o ar. De forma mais prosaica diria: desculpem l�, meus amigos, mas em mat�ria de disciplina o professor tem sempre raz�o � o pouco que sobra s�o excep��es que confirmam a regra. (Henrique Martins) * Hoje na vers�o em papel do P�blico o Minist�rio da Educa��o publica aquilo a que chama de edital. Este edital publicita o "Enriquecimento Curricular para o 1� ciclo" e o "plano da matem�tica para os 2� e 3� ciclos". Normalmente s�o publicados na "zona" dos classificados, mas esta � uma publicidade paga. N�o seria a primeira vez � certo mas o que me pasma � o facto de o edital interessar apenas �s escolas p�blicas. Ao que sei o ME possui hoje mais do que nunca de linhas pr�prias de comunica��o com as escolas e mesmo com os executivos. Qual a necessidade de publicitar uma medida destas? Uma simples circular como tantas outras (com ordens vinculativas) n�o seria suficiente? � apenas publicidade e enganosa. � apenas mais uma evidencia da forma como o ME usa a comunica��o social. Usa-a para vincular uma imagem distorcida das suas politicas educativas. Hoje como nunca o assunto "professores" vende mais que o assunto "escola" os senhores professores est�o na capa do Expresso, nos jornais di�rios e pasme-se at� nas revistas cor-de-rosa. Pena � que todos falam de bancada e sem grande pondera��o. Apenas e s� por terem andado na escola e recordarem este ou aquele docente acham que sabem como corrigir o sistema. Ser� demasiado tarde quando se perceber que estas politicas n�o ajudam os professores a serem melhores, pelo contr�rio. Que n�o melhoram o sistema, pelo contr�rio. Na verdade n�o existe uma verdadeira politica educativa ou existindo est� orientadada claramente pelas necessidades de conter a evolu��o da massa salarial e o seu peso no or�amento. As politicas educativas deste governo explicam-se em poucas linhas: N�o h� dinheiro no mealheiro (facto) A carreira dos docentes implica um aumento da massa salarial exponencial tendo em conta a actual carreira baseada na experi�ncia (ou como dizem antiguidade); O actual peso da massa salarial no or�amento da educa��o � de cerca 93% ( dados da OCDE j� que o ME nunca mencionou os seus pr�prios n�meros) e cerca de 58% das despesas fixas do estado. Melhorar os �ndices de escolaridade (ainda que artificialmente) de modo a tornar mais atractivo o investimento no nosso pa�s. Para qualquer individuo que acompanhe a actualidade compreende que este � um "Estado � Rasca" (n�o rasca - embora tamb�m) e que a forma mais r�pida e eficaz de alcan�ar o equil�brio financeiro ser� actuar onde as medidas surtam maior efeito neste balan�o. Estamos assim perante uma necessidade isto eu compreendo embora como professor n�o me agrade. Qualquer um compreende desde que lhe expliquem. O que eu n�o entendo � que se vire toda uma sociedade contra os professores e se procure encapotar medidas econ�micas como educativas. Nenhuma das medidas at� agora tomadas ir�o melhorar os resultados dos alunos e t�m contribu�do para a degrada��o das condi��es de trabalho dos professores e isto tem consequ�ncias. O que agrava a situa��o � justamente o facto de as condi��es de trabalho dos docentes se virem a degradar de alguns anos a esta parte. Os sindicatos devem exigir do ME condi��es de trabalho para os docentes e sa�rem do caminho relativamente �s politicas educativas de modo a n�o serem responsabilizados pelas mesmas como hoje acontece. Devem exigir, por exemplo, que todo o tempo passado na escola seja contabilizado ou como componente lectiva ou como componente n�o lectivas (actualmente um professor passa cerca de duas horas na escola que n�o s�o contabilizadas - s�o os chamados intervalos cuja necessidade n�o pode ser colocada em causa), para al�m de uma generalizada m� gest�o de recursos evidente nas escolas. Pode parecer mesquinho mas o ME cortou em 5min as aulas e p�s os professores a trabalhar mais dois tempos (outras duas horas) de borla. O tempo � um aspecto importante nesta profiss�o. Os professores devem exigir condi��es de trabalho de modo a concretizarem as medidas do minist�rio e n�o passar a vida a contestar essas mesmas politicas.Eu sou professor e fa�o o que me mandam apenas quero condi��es para o fazer. A responsabiliza��o dos alunos com consequ�ncias claras devem tamb�m ser implementadas. N�o faz sentido nenhum n�o partilhar responsabilidades. As escolas n�o podem continuar a ser mais um bra�o do polvo do Estado Social(ista). A escola deve afirmar-se e ter � sua volta os meios e recursos para tal e n�o o contrario ao estar ao servi�o de politicas sociais. Como cidad�o estou preocupado com o rumo da educa��o (p�blica) e a forma leviana como este assunto tem sido tratado pela comunica��o social e por muitos dos fazedores de opini�es. Adivinha-se o crescimento do ensino privado mas sobretudo o aparecimento de Escolas sem parelismo pedag�gico com o ensino oficial mas que se afirmar�o pela excel�ncia das metodologias (e da capacidade de financiamento dos pap�s). (Carlos Br�s) * Por causa das trapalhadas que o leitor B�rtolo descreve, na defini��o das qualifica��es para o ensino especial, a minha mulher, que se dedica a esse tipo de ensino h� muitos anos, que acaba de ganhar um concurso municipal por um projecto que apresentou para a recupera��o de crian�as com dificuldades especiais na sua �rea de escola, que tem um mestrado em Ci�ncias de Educa��o e tamb�m uma dessas p�s-gradua��es �r�pidas� em ensino especial, que tem j� um total de 23 anos de servi�o, a minha mulher baralhou-se no preenchimento das suas qualifica��es no boletim de concurso e foi exclu�da...!!! Para o n�o � bem poss�vel que fique no desemprego! (Jos� Lu�s Pinto de S�) 13.6.06
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(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() (John Frederick Peto)
10:14
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (13 de Junho de 2006) ![]() __________________________ Nuvens como nunca as tinhamos visto: a Tempestade Tropical "Alberto" vista pelo novo sat�lite Cloudsat da NASA. Os "olhos" da meteorologia nunca mais v�o ser os mesmos. ![]()
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(JPP)
1er janvier Enfant, on vous dira plus tard que le grand-p�re Vous adorait ; qu'il fit de son mieux sur la terre, Qu'il eut fort peu de joie et beaucoup d'envieux, Qu'au temps o� vous �tiez petits il �tait vieux, Qu'il n'avait pas de mots bourrus ni d'airs moroses, Et qu'il vous a quitt�s dans la saison des roses ; Qu'il est mort, que c'�tait un bonhomme cl�ment ; Que, dans l'hiver fameux du grand bombardement, Il traversait Paris tragique et plein d'�p�es, Pour vous porter des tas de jouets, des poup�es, Et des pantins faisant mille gestes bouffons ; Et vous serez pensifs sous les arbres profonds. (Victor Hugo) * Bom dia! 12.6.06
22:52
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS ESCOLAS (4� s�rie) ![]() (...) Perguntem a qualquer professor digno desse nome se ele quer ser avaliado. E a resposta � SIM! Claro que sim! Mas qual � o bom profissional que investe na carreira e que quer ter o mesmo Satisfaz autom�tico num relat�rio para progress�o na carreira que aquele que v� o ensino como uma forma de ganhar dinheiro "para os alfinetes"? Qual � o bom profissional que investe muito do seu tempo e da sua energia para querer depois ser "metido no mesmo saco" daquele que pouco ou nada faz??? Qual � o professor digno desse nome que gosta de ganhar o mesmo (ou ainda menos, se estiver num escal�o inferior) do que aquele que � bem pior profissional do que ele? Ser� este pa�s t�o est�pido e t�o cegamente arrogante para achar que pode existir sem professores? Ser� este pa�s t�o est�pido para achar que a forma de limpar o ensino dos maus profissionais (que existem, claro que sim! E n�o contem comigo para ser corporativista...) � atacar todos os professores, atribuir-lhes as causas de todos os males da sociedade, desde os meninos que se drogam porque os professores faltam (ouvi isto da boca do senhor Albino, da Confedera��o de Pais) at� aos de falta de produtividade do pa�s? Ser� este pa�s t�o est�pido e t�o arrogante que entenda poder n�o reconhecer as horas que os professores dedicam a preparar as aulas, a pensar em como �agarrar� aquele aluno que anda meio perdido, a telefonar vezes sem conta para os pais do outro mi�do que anda completamente desorientado, a gastar dinheiro do seu bolso em materiais de apoio, a lev�-los em visitas de estudo a ver museus, teatros, exposi��es, conhecer coisas que muitos pais, confort�veis nos seus fins de semana de centro comercial, n�o est�o para fazer? J� agora, para os que dizem que os professores s� querem passear, pensem que o podemos fazer com os nossos filhos e amigos, sem ter que passar 12 horas fora de casa de um dia que, passado na escola, seria de muitas menos e sem a responsabilidade de tomar conta dos filhos dos outros. Ser� este pa�s t�o est�pido e t�o arrogante que esque�a que s�o os professores, como �, obviamente, sua fun��o e responsabilidade, a dar a todos os alunos o melhor das ferramentas de que disp�em, sejam elas cient�ficas, intelectuais, sociais, de cidadania e de tudo o mais que possam imaginar e entender necess�rias? Ser� este pa�s t�o est�pido e t�o cegamente arrogante que n�o perceba que sem os professores que tentam tirar os mi�dos do miserabilismo intelectual em que muitos vivem (independentemente da classe social) teremos cada vez mais uma escola de pobrezinhos onde, para n�o haver insucesso, devo partir daquilo que "a crian�a" � e sabe, descer ao encontro dos seus interesses, por causa do insucesso, etc,etc,etc... (como isto d� jeito aos donos dos col�gios...)? Assim, ajudamos os �pobrezinhos� a cumprirem o seu (pr�)des�gnio na vida... Ser� este pa�s t�o est�pido que n�o perceba que sem os professores que se est�o a borrifar para estes determinismos sociais e que tanto trabalham, se for essa a vontade do aluno, para ser m�dico o filho do cozinheiro como o do deputado, teremos cada vez mais o pa�s da elite, a quem tudo � poss�vel, e o dos outros, fechados e condenados ao atraso e a perpetuarem o meio onde tiveram o azar de nascer? Ser� este pa�s de "professores de bancada" (pois, tal como no futebol, todos parecem saber mais do que � ser professor do que n�s, pelos vistos os mais incompetentes de todos os profissionais deste pa�s!) capaz de parar de gastar o tempo (tempo este em que muitos se poderiam dedicar, digamos, a educar os pr�prios filhos, a ir � escola saber deles, a dedicar-lhes uns minutos, sei l�...!) a fazer analogias entre as empresas privadas e os professores? Ser� este pa�s t�o est�pido e t�o cego que n�o veja, nas empresas, as pol�ticas de incentivo, os pr�mios de produtividade, os semin�rios de motiva��o, os telem�veis de servi�o, os computadores da empresa para trabalhar em casa e, sem ir ao mais �bvio, os ordenados? Ser� este pa�s t�o est�pido que n�o entenda que os professores s�o profissionais qualificados, n�o t�m o 9� ano nem t�o s� o 12�? Portanto, sejam pelos menos honestos (se n�o conseguirem ser inteligentes!) nas compara��es. Ser� este pa�s t�o est�pido e t�o cegamente arrogante? Quantos de v�s n�o devem muito do que s�o a professores que tiveram? Ou os vossos filhos? Ser� o meu pa�s t�o cego e t�o arrogante??? Assim, perguntem a qualquer professor digno desse nome se ele que ser avaliado... E ele responde-vos que SIM! O que n�o queremos mais � ser constantemente humilhados, culpabilizados, achincalhados, denegridos, tratados sem a considera��o, o respeito e a intelig�ncia que a minha profiss�o e o meu profissionalismo me concedem o direito de exigir! E, citando Almada Negreiros: UMA GERA��O, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS � UMA GERA��O QUE NUNCA O FOI! � UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! � UMA R�SMA DE CHARLAT�ES E DE VENDIDOS, E S� PODE PARIR ABAIXO DE ZERO! ... cada gera��o tem o Dantas que merece! Mas tamb�m tem nas suas m�os o poder de o reduzir � sua insignific�ncia... At� porque do Dantas, o verdadeiro, o J�lio, n�o fora o testemunho/desabafo do Almada Negreiros, e j� se teria dissolvido na poeira dos tempos... 5 de Junho de 2006 (Ana Cristina Mendes da Silva, professora do departamento de L�ngua Portuguesa do quadro de nomea��o definitiva da Escola Secund�ria da Amadora) * Sou professor do ensino prim�rio (do 1� ciclo na terminologia actual), tenho 49 anos de idade e cerca de 28 de servi�o (20 dos quais na educa��o especial). Ao longa da minha vida profissional sempre tentei estudar e aprender. Antes da "forma��o em servi�o" fornecida pelo minist�rio paguei do meu, na altura, magro sal�rio muitas inscri��es em cursos e semin�rios. Em 1988 tive a oportunidade ir estudar a tempo inteiro durante 2 anos (DESE em Educa��o Especial na ESE do Porto) e em 1998 fiz um mestrado em educa��o na Universidade do Minho. Sempre defendi a avalia��o das escolas e dos professores. Mas, neste momento, sinto-me ofendido pela ministra.(...) � muito mais f�cil avaliar os professores do que avaliar as escolas. Mas, uma boa avalia��o das escolas, com medidas de acompanhamento para as escolas com problemas, como fazem os ingleses, permitiria melhorias na qualidade da escola. Temo bem que avaliando-se apenas os professores o �nico resultado que se conseguir� �, no curto prazo, travar as progress�es autom�ticas e contribuir para a redu��o do d�fice. Devo dizer que n�o sou simpatizante do PSD, concordei com algumas das medidas do Dr. David Justino e discordei de outras, mas tenho de reconhecer as medidas eram articuladas e tinham uma l�gica. Voltando � actual ministra continuo sem perceber a atitude dos sindicatos (talvez seja por isso que deixei de ser s�cio h� mais de 10 anos). Esta equipa ministerial tem mostrado uma incompet�ncia escandalosa na implementa��o de algumas medidas e, sobre isso, os sindicatos nada dizem. Passo a citar apenas alguns exemplos: - Foi criado um quadro de professores de educa��o especial. At� agora estes professores eram colocados de acordo com o n�vel de ensino correspondente � sua forma��o inicial. No novo quadro s�o criados 3 grupos de doc�ncia correspondentes a diferentes tipos de defici�ncia dos alunos. A estes lugares podem concorrer professores de qualquer grau de ensino (desde o jardim de inf�ncia ao secund�rio), desde que sejam especializados. Esta especializa��o � conferida pela frequ�ncia de uma p�s gradua��o de cerca de 300 horas. Ou seja, como n�o se diferenciaram as vagas por n�veis de ensino, pode acontecer que num agrupamento sejam colocadas apenas educadoras de inf�ncia que ter�o de apoiar alunos at� ao 3� ciclo. Noutro podem ter sido colocados s� professores de 3� ciclo, que ter�o de apoiar todos os alunos, incluindo crian�as de jardim de inf�ncia e, eventualmente, at� beb�s. Devo esclarecer que n�o estou minimamente preocupado com os professores. Estou preocupado com as crian�as, sobretudo as mais pequenas porque esses anos s�o fundamentais para o seu desenvolvimento. Na educa��o especial quanto mais cedo come�a uma interven��o de qualidade mais hip�teses h� de minorar os problemas da crian�a. - Neste "famoso" concurso os professores s� poderiam concorrer se tivessem a especializa��o, mas a nota dessa especializa��o n�o contava para a sua gradua��o profissional. A experi�ncia profissional em educa��o especial tamb�m n�o. Aos professores era perguntado se possu�am pelo menos 365 dias de servi�o na educa��o especial. Assim, um professor com 20 anos de servi�o total que tem apenas um ano de experi�ncia em educa��o especial fica � frente de outro com 19 anos e 364 dias de servi�o total que tem 12 anos de experi�ncia em educa��o especial. - Para "completar o ramalhete" o despacho que regulamentava as habilita��es foi acrescentado 3 vezes, duas delas durante o pr�prio concurso! - No final do ano lectivo anterior foi alterado � pressa o despacho 105 (n�o sei o ano), que regulamentava a educa��o especial, e foi substitu�do pelo Despacho n.� 10856/2005 que poucas altera��es introduziu. Uma dessas altera��es passou a ser a obrigatoriedade de os professores realizarem, em Maio, um relat�rio individual sobre cada aluno. Esse relat�rio seria validado pelas Equipas de Coordena��o (ECAE) e enviado �s direc��es regionais que, por sua vez, o enviariam para o minist�rio. Foi definido um modelo de relat�rio e criado um formul�rio em Microsoft Word para o seu preenchimento. Pelo menos tomaram uma decis�o sensata: o relat�rio seria enviado em formato electr�nico. - No presente ano lectivo comecei, em devido tempo, a perguntar se haveria altera��es ao modelo do relat�rio. Foi-me dito que aguardasse. H� cerca de duas semanas finalmente chegou o novo modelo. Agora � feito on-line (� o choque tecnol�gico). At� aqui tudo bem, o problema � que atribu�ram a mesma password aos professores de dois concelhos (abrangido pela mesma ECAE) e o nome de utilizador � o da ECAE. Ou seja, qualquer professor destes concelhos, ao aceder ao sistema tem acesso n�o s� ao nome completo das crian�as, como tamb�m ao que os colegas escreveram. Estou com um problema de consci�ncia grave: tenho de fazer os relat�rios mas, simultaneamente, queria proteger os meus alunos e as suas fam�lias. Os pais e as crian�as com problemas n�o t�m direitos? Podia continuar a citar um conjunto de incidentes em que h� ordens e contra ordens. A ministra ou um dos seus secret�rios de estado re�nem com os conselhos executivos e d�o uma ordem. As coisas funcionam mal no terreno, h� contra ordem. Desde h� muitos anos que n�o se sentia uma t�o grande instabilidade nas escolas. Felizmente decidi deixar a educa��o especial e voltar ao ensino regular, e digo felizmente apesar de ir ganhar menos e ter mais 5 horas de aulas por semana. A prop�sito de hor�rios, a ministra voltou � ideia de, "nos agrupamentos em que n�o haja outros meios", nos p�r a servir de babysiter aos meninos ap�s as 5 horas di�rias de aulas. Quando � que preparo aulas e corrijo trabalhos? Nunca me preocupei se excedia as 35 horas semanais mas, este ano, se me transformarem em babysiter passarei a ter cuidado para n�o as exceder. (V�tor B�rtolo)
16:50
(JPP)
COISAS DA S�BADO: UMA DIVERTIDA E A SEU MODO FABULOSA REPORTAGEM DA VELHINHA QUE TINHA UMA ESTUFA DE CANABIS EM CAVEZ ![]()
13:34
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (12 de Junho de 2006) ![]() __________________________ A P�tria com que estamos sempre a encher a boca, mas que n�o usamos. Montra de um alfarrabista do Porto, hoje: (Gil Coelho) * Estranha no��o de servi�o p�blico: a RTP1, no telejornal da uma, demorou vinte e um minutos a perceber que um notici�rio � suposto ser para dar not�cias e n�o transmitir uns cidad�os aos saltos vestidos de vermelho e verde. Depois, despachou dez minutos de not�cias � pressa e voltou aos cidad�os no seu exerc�cio nobre de gritar. Os defensores da televis�o estatal est�o sempre a encher a boca com a diferen�a do servi�o p�blico face aos ignaros dos privados. V�-se. * E n�o � que todos os comentadores se tornaram comentadores desportivos! A Futebol�ndia j� tem "pensamento �nico", que escorre da televis�o, dos jornais, dos blogues, das cabe�as como se viesse da Cornuc�pia da Abund�ncia. Estamos em plena "felicidade" pelo Esf�rico. Saltem muito, � o que vos desejo. A s�rio, saltem, saltem, pode vir da� uma desorganiza��o das ideias que seja salutar � P�tria. Duvido, mas n�o excluo nenhum milagre.
12:33
(JPP)
COISAS DA S�BADO: OS INTELECTUAIS Mas, uma vez intelectual, sempre intelectual: entre as conversa��es secretas desclassificadas h� uma em que Kissinger coloca objec��es ao processo de democratiza��o de Espanha, manifestando-se contra a legaliza��o do Partido Comunista. �s tantas comentou naquilo que pretendia ser um elogio, ainda sob reserva, ao Rei de Espanha: �o Rei ainda n�o mostrou a capacidade que t�m os Bourbons para a auto-destrui��o�. Sabia muito, o hoje velho Kissinger. E de facto Rei n�o mostrou mesmo essa capacidade suicid�ria dos Bourbons: contrariou Kissinger, legalizou o PCE, e foi fundamental para vencer o golpe dos saudosistas de Franco. Como Bourbon n�o est� mal.
09:37
(JPP)
Rough Country Give me a landscape made of obstacles, of steep hills and jutting glacial rock, where the low-running streams are quick to flood the grassy fields and bottomlands. . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . A place no engineers can master�where the roads must twist like tendrils up the mountainside on narrow cliffs where boulders block the way. Where tall black trunks of lightning-scalded pine push through the tangled woods to make a roost for hawks and swarming crows. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . , And sharp inclines where twisting through the thorn-thick underbrush, scratched and exhausted, one turns suddenly to find an unexpected waterfall, not half a mile from the nearest road, a spot so hard to reach that no one comes� a hiding place, a shrine for dragonflies and nesting jays, a sign that there is still one piece of property that won't be owned. (Dana Gioia) * Bom dia! 11.6.06
16:20
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA RIA DE AVEIRO, PORTUGAL
Hoje, domingo. (Gil Coelho)
12:29
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (11 de Junho de 2006) ![]() __________________________ A actividade relacionada com os blogues - leitores, autores, colaboradores, correspondentes - � um indicador excelente e rigoroso dos ciclos de actividade/descanso daquilo que no marketing se chama o horroroso nome ( e se calhar verdadeiro) de "classe m�dia baixa". Deve estar tudo a banhos.
11:36
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS ESCOLAS (3� s�rie) ![]() Causa-me alguma perplexidade verificar que "as vozes que v�m da escola" se focalizam em quest�es t�cnico-pedag�gicas e de �ndole corporativa e evitam as refer�ncias ao que, se bem aju�zo, � essencial e lhes � pr�vio: a quest�o da autoridade nas escolas e do que � necess�rio fazer para a repor. De facto, a escola teve, tem e ter� de assegurar duas fun��es: a instru��o e, pelo menos complementar e supletivamente a outras institui��es sociais, a educa��o, entendida como o desenvolvimento de atitudes e comportamentos socialmente desejaveis. o problema � que essas atitudes e comportamentos n�o s�o ideologicamente neutros pelo que, nas r�plicas do Maio, n�o admira que a fun��o educativa da escola tenha sido violentemente posta em causa: a escola era "burguesa" e visava "a reprodu��o/manuten��o das estruturas sociais burguesas" e da "ideologia dominante" ou, dito dum modo metaf�rico embora in�cuo dado o meio, a coloca��o de "another brick in the wall" o que justificava a ordem, irada, "hey, teachers, leave the kids alone". Ora, n�o � poss�vel instruir sem previamente educar e n�o � poss�vel educar sem o criterioso recurso a mecanismos de puni��o/recompensa que pressup�em a autoridade para os aplicar. E foi essa autoridade que os professores foram paulatinamente perdendo: de ced�ncia em ced�ncia, a escola foi-se transformando num mero local an�rquico, violento, onde, sem custos, os progenitores depositam os rebentos enquanto fazem pela vida esperando que, sem sobressaltos nem canseiras, atinjam a idade em que n�o s�o obrigados a frequent�-la e, nalguns casos, transitem para a universidade. Este estado calamitoso a que a escola chegou requer a reposi��o da autoridade do professor na sala de aula e da do (inexistente!) director na escola bem como a credibilidade/efectividade das san��es que lhe s�o inerentes o que obriga, por muito incorrecto que seja, a questionar dois tabus : a obrigatoriedade da ferqu�ncia das escolas at� aos 16 anos que, para todos os efeitos, impede a expuls�o do sistema de todos aqueles que apresentarem incorrigiveis comportamentos desviantes; a gratuitidade do ensino: as pessoas tendem a desvalorizar e a desperdi�ar tudo aquilo que lhes n�o custa nada. (Jos� Fonseca) * Para quem se interessa por Educa��o, o texto de Lafforgue sobre a Educa��o na URSS e na R�ssia de hoje � interessant�ssimo. Como o nosso caos educativo tem, segundo opini�es muito consensuais, origem na �ditadura� das direc��es sindicais e do staff do Minist�rio, que s�o identificados com a Esquerda e de facto muito apoiados pela Esquerda pol�tica, � curioso ver que a cultura educativa e escolar sovi�tica e hoje russa � considerada, pelos seus resultados, um sucesso consolidado de muitas d�cadas � apresenta tudo que viola a �cartilha� da esquerda educativa � disciplina, competi��o entre escolas, autonomia de decis�o, diferencia��o, apoio � progress�o dos melhores alunos, etc., etc. Lafforgue � um grande matem�tico franc�s que se demitiu de uma comiss�o nomeada para rever o ensino franc�s, quando l� encontrou todos os respons�veis pelo seu descalabro. O site que criou para divulgar o caso. Para acesso directo ao pdf sobre o ensino russo, antes sovi�tico. (Eduardo Pedrozo) * Tenho lido um coro de protestos acerca da Ministra da Educa��o no seu blog, por causa da revis�o do ECD. A minha opini�o � que pela primeira vez em muitos anos estamos perante um verdadeiro caso de sucesso na Governa��o. E a oposi��o neste aspecto devia ter a coragem de o dizer. O t�o propalado facto de os professores passarem a ser avaliados pelos pais � uma atoarda lan�ada para a comunica��o social e que os jornalistas, que n�o fazem o trabalho de casa comeram. Os pais apenas t�m que se pronunciar num item acerca dos professores e n�o ir� ser isso que ser� determinante na sua avalia��o. O que est� verdadeiramente em causa � que ningu�m quer ser avaliado. O ponto mais controverso da revis�o do ECD � o facto de se permitir a exist�ncia de dois tipos de professores numa escola. Os titulares que t�m acesso ao 9� e 10� escal�o e os outros. Aqui � que poder�o eventualmente vir a criar-se injusti�as j� que o novo ECD estabelece cotas para os professores titulares, que n�o poder�o ser superiores a determinado n�mero em cada escola. Ora se esse n�mero j� estiver preenchido hoje vai ser necess�rio ou que os professores titulares j� no 9� e 10� escal�o mudem de escola, se reformem ou morram para que os outros por mais competentes que sejam, possam ter esse privil�gio. O que est� mal j�, que ainda predomina muito o laxismo. Por isso os titulares por muito incompetentes que sejam, nunca ningu�m vai ter coragem de os denunciar para os mais aptos ocuparem esses lugares. J� se sabe que se um professor estiver � beira da reforma mesmo que n�o fa�a nada todos os outros se v�o calar. Isto segundo o princ�pio bem portugu�s, hoje �s tu amanh� posso ser eu, ou seja cobardia. Mas por outro lado � sabido que existe um problema de fundo na Fun��o P�blica. Os quadros que entram e os quadros que est�o no topo da carreira ou dirigentes ganham pouco e os quadros interm�dios ganham demais. Para isto mudar � preciso coragem. E a coragem tamb�m passa pela avalia��o que a Ministra quer implementar. S� gostava era de saber onde andam as palmas da oposi��o. Ao n�o aplaudir s� est� a demonstrar que tamb�m est� amarrada e ir a reboque dos sindicatos. H�-de chegar o dia em que os sindicatos v�o aplaudir (j� esteve mais longe) e depois vamos ver o PSD e o PP ao lado de quem? (Paulo Lopes da Silva)
11:17
(JPP)
Pri�re du soir Dans l'espais des ombres funebres, Parmi l'obscure nuit, image de la mort, Astre de nos esprits, sois l'estoile du Nort, Flambeau de nos tenebres. Delivre nous des vains mensonges, Et des illusions des foibles en la foi: Que le corps dorme en paix, que l'esprit veille � toi, Pour ne veiller � songes. Le coeur repose en patience, Dorme la froide crainte et le pressant ennui: Si l'oeil est clos en paix, soit clos ainsi que lui L'oeil de la conscience. Ne souffre pas en nos poictrines Les sursauts des meschants sommeillans en frayeur, Qui sont couverts de plomb, et se courbent en peur Sur un chevet d'espines. A ceux qui chantent tes lo�anges Ton visage est leur ciel, leur chevet ton giron, Abriez de tes mains, les rideaux d'environ Sont le camp de tes Anges. (Th�odore Agrippa d'Aubign�) * Bom dia! 10.6.06
22:06
(JPP)
ARRAST�O E CONTRA-ARRAST�O ![]() Desde o primeiro minuto que o arrast�o me pareceu implaus�vel, pelo menos como era relatado na comunica��o social. Escrevi-o muito antes do filme da Diana ter feito passar o arrast�o a contra-arrast�o. Estou por isso muito � vontade. Mas o contra-arrast�o a que se assiste nos dias de hoje, n�o � uma mera verifica��o dos erros da comunica��o social, que toca apenas ao de leve e sem respons�veis (parece que a culpa toda foi do dono de um bar...). O contra-arrast�o � um produto ideol�gico puro, t�o afastado da realidade como o arrast�o, t�o falso no plano factual como ele, tentando tornar imposs�vel, culpabilizadora e racista qualquer cr�tica � viol�ncia suburbana, oriunda de jovens negros da segunda gera��o, que implicitamente nega como problema de criminalidade apenas para afirmar como quest�o "social" e de exclus�o. 9.6.06
12:27
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES DE TIMOR E VOZES SOBRE TIMOR ![]() JPP dixit: ADENDA: Por exemplo, ningu�m se pergunta sobre o significado de "acantonar" a GNR num �nico bairro em Timor e o que isto significa de entradas de le�o e sa�das de sendeiro. Queria s� dar-lhe conta de que quando vi esta not�cia o que me passou pela frente (embora nunca possa certamente vir a ter t�o desgra�ado e infeliz desfecho) foi a imagem dos nossos bravos do Corpo Expedicion�rio Portugu�s, enviados para as piores localiza��es e, em muitos casos, para a morte, para algo que duvido muito que tenha tido � em termos estritamente pol�ticos � justo destaque na altura. Claro que nada de semelhante se passar� agora, mas parece-me patente a inten��o de nos dar algo para tratarmos que ser� certamente sempre complicado e, por outro lado, sempre pequeno. A fama da GNR em Timor � muita, a capacidade ser� tamb�m certamente muita, mas haver� todo o interesse em que n�o brilhe� (Ant�nio Delicado) * N�o sa� de Timor-Leste. E c� estarei apesar desta guerra de nervos. Todos os dias somos bombardeados por uma campanha sistem�tica que tem como �nico objectivo derrubar o primeiro-ministro. Para n�s, portugueses, praticamente que o nosso dia-a-dia � o mesmo. Mas as trag�dias pessoais das fam�lias timorenses s�o assustadoras. Vale tudo. Os boatos iniciais que resultaram no p�nico colectivo da popula��o, e que a levou a abandonar a capital, tentando parar todas as institui��es; �s declara��es di�rias do Ramos-Horta a manifestar a sua disponibilidade de ser Califa no lugar do Califa, vendendo o seu pa�s aos invasores; os ataques dos governantes australianos ao governo; as manobras de certo corpo diplom�tico; as tentativas de virar os org�os de soberania uns contra os outros; o apoio e a passividade das tropas australianas com os desertores e afins; os t�tulos da imprensa australiana; e as recentes provoca��es � Fretilin para que isto se transforme numa guerra civil. Enfim, vale tudo para desestabilizar e dar ao mundo uma imagem da necessidade de derrubar um governo que enfrenta os objectivos da Austr�lia na regi�o. Mas uma coisa � certa. A �nica pedra no sapato, o �nico obst�culo entre a ocupa��o de Timor-Leste pela Austr�lia, tem sido a imprensa portuguesa e o Governo portugu�s. Patriotismos exarcebados ou n�o, � aqui que se tem feito resist�ncia a um invasor arrogante e sem escr�pulos.. Fora de D�li, excepto nas vilas onde est�o os ex-militares sustentados pelos militares australianos, as institui��es funcionam, a pol�cia existe e a vida parece a mesma como h� dois meses atr�s. Assisti � tentativa da miss�o da UN em evacuar todos os internacionais que apoiam os org�os de soberania de forma a parar o pa�s. Assisti ao Ramos-Horta a ajudar os objectivos australianos numa campanha de auto-promo��o rid�cula, esperando eu ainda, que o esteja a fazer acreditando que � o melhor para o pa�s. Assisti incr�dula � passividade das tropas australianas ao lado de jovens que incendiavam e que disparavam, assisti aos apelos desesperados de outros para os defenderem. Assisti ao alegre conv�vio entre militares americanos e australianos, e os desertores. Assisti aos pedidos de governantes ao comando australiano para que parasse a viol�ncia e defendesse a popula��o sem qualquer efeito. Assisti � tentativa do comando australiano em neutralizar capacidade que a GNR tem de acabar com os dist�rbios nas ruas de D�li. Assisti a muitos timorenses corajosos ficarem nos seus postos, onde agora vivem, por lhes terem sido destru�das as casa e tudo o que tinham. Mas tamb�m assisti � resist�ncia de muitos funcion�rios da UN e de outras institui��es, na maior parte portugueses e brasileiros, que ficaram mesmo amea�ados que os seus contratos acabassem. Assisti a muitos portugueses que no meio dos confrontos foram buscar amigos timorenses e os seus familiares, debaixo de fogo, j� com uma presen�a de mais de 1.500 militares australianos que nada, nada fazem para evitar a viol�ncia. Assisti a outros que tudo fizeram para mostrar ao mundo que est�vamos � beira de um golpe de estado. Outros que conseguiram travar a intriga entre o PR e o PM e que ajudaram a que se entendessem. Assisti tamb�m, aos esfor�os de dirigentes da Fretilin em travar militantes desesperados que queriam vir defender o PM, que quer queiram quer quer n�o, foi eleito com larga maioria, e cujo partido h� poucos meses, nas elei��es locais, voltou a demonstrar que representa a maioria dos eleitores, com larga margem. E assisto todos os dias ao empenho de muitos timorenses, portugueses e brasileiros, para que os org�os de soberania, n�o deixem de funcionar como seria tanto do agrado do governo australiano que levou o pa�s ao caos, sustentando e manipulando todos os grupos insatisfeitos que encontraram. Exaustos, uns dias mais dif�ceis, outros com mais esperan�a. Fazemos tudo o que est� ao nosso alcance para que a situa��o volte ao normal e que o pa�s funcione. Como sabe n�o votei no partido do Governo que elegeu o primeiro-ministro de Portugal. Nem alguma vez simpatizei politicamente com o nosso MNE. Mas, aqui em Timor-Leste, em Camberra e em Nova Iorque, fez a diferen�a. Houve algu�m no Pal�cio das Necessidades que se deu ao trabalho de reagir a tempo. Que nos ouviu. Que fez o que tinha que fazer. E que n�o escolheu o caminho mais f�cil que seria o de abandonar os nossos aliados. Como sabe, tanto se me d� o nome do pa�s que consta no meu passaporte, n�o ponho bandeiras de Portugal � janela e nem sequer a� vou passar f�rias. Mas o governo do meu pa�s tomou a decis�o correcta e est� a ter sucesso. E se algu�m n�o compreende que, apesar de estrangeiros, nos sentimos em casa e que adoramos viver neste pa�s, I could't care less. Os timorenses compreendem. Ao lado deles resistimos, mesmo que algu�m n�o nos considere politicamente correctos. (M.) * Infelizmente mais uma situa��o que em nada dignificou o nosso pa�s, com custos para a imagem da GNR em Timor-Leste. Situa��o criada pela falta de prepara��o e insufici�ncia no campo das informa��es. As Australian Defense Forces (ADF) seguem a doutrina NATO no que concerne ao emprego das suas for�as. Isto � sabido pelos estados-maiores do nosso Ex�rcito e For�a A�rea, pelo menos. A doutrina NATO coloca grande �nfase na problem�tica do fratric�dio, designado em linguagem NATO por �blue on blue�, express�o que ficou dos exerc�cios no tempo da guerra fria, em que o oponente era sempre �red� e as nossas for�as �blue�. Esta mesma doutrina foi aplicada durante a UNTAET e depois na UNMISET. Para evitar coordena��es demoradas, complicadas e nem sempre seguras at� pela diversidade de l�nguas dos diversos contingentes militares, o territ�rio de Timor-Leste foi dividido em Sectores. O Ocidental era comandado pela Austr�lia, o Central por Portugal e o Oriental pela Coreia do Sul. Mesmo dentro dos Sectores, cada escal�o tinha �reas de responsabilidade definidas, de forma a poderem conduzir opera��es sem correrem o risco de abrirem fogo sobre tropas amigas. Para uma viatura militar de um Sector se deslocar a outro, tinha que preencher um �Road Space Request� definindo o itiner�rio, as horas, o prop�sito, os ocupantes da viatura, etc... Na cidade de D�li esta situa��o n�o se punha porquanto a seguran�a cabia � pol�cia civil das Na��es Unidas (CIVPOL), onde se integrava a Unidade de Reac��o R�pida da GNR. Que na realidade era quem avan�ava sempre que havia confus�o. O batalh�o portugu�s cujo comando estava sedeado em B�cora suplementaria a GNR em caso de necessidade e a pedido desta. Ora a situa��o presente � inversa. As ADF est�o a fazer o policiamento da cidade e a GNR entra depois. E entrou logo em opera��o sem haver estabelecido o sistema de coordena��o previamente. � do senso comum que n�o pode haver duas for�as com armas a actuar na mesma �rea de opera��es sem a devida coordena��o, ou ent�o t�m �reas de responsabilidade distintas. Hoje em dia n�o � aceit�vel enviar gente para casa em saco de pl�stico porque foi atingido por fogo �amigo�. A opini�o p�blica n�o aceitaria tal. E � esse o argumento do comandante da For�a Australiana para os tristes �equ�vocos�. Bem sabemos (ou dev�amos saber) que as ADF n�o iriam facilitar a vida � GNR. J� n�o o faziam em rela��o ao ex�rcito portugu�s durante a UNTAET e UNMISET, porque haviam de o fazer agora? A posi��o de princ�pio n�o mudou. E o que a precipita��o fez, foi dar �s ADF raz�es para agirem como agiram. E o governo l� teve que �s pressas encontrar forma de salvar a face sem deitar tudo a perder. Mais uma vez a humilha��o ficou para os homens da GNR. E agora vamos ver quanto tempo vai levar, se acontecer, para as ADF se retirarem de D�li e deixarem campo livre � GNR e � Pol�cia da Mal�sia. Como a Mal�sia vai ter mais pol�cias que a GNR, o comando unificado de pol�cia vai caber a......... Mal�sia, pois claro. E as ADF s� retirar�o das fun��es de policiamento de D�li quando a Mal�sia tiver todo o seu equipamento e puder efectivamente comandar toda a ac��o policial. At� existir uma for�a policial das Na��es Unidas. Porque a�, a Austr�lia vai querer ter tamb�m o Comando da for�a policial. Como ali�s prev� o acordo D�li-Camberra. Resta-nos a confian�a no brio e prepara��o dos homens da GNR para conseguirem levar a cabo com honra e dignidade a sua miss�o. � aqui que a imprepara��o (ignor�ncia) dos nossos jornalistas vem ao de cima. N�o sabem fazer as perguntas certas aos respons�veis pol�ticos. O mesmo jornalista tanto pode cobrir o funeral de Raul Indipwo, como o fogo florestal de Barcelos, como a seguir cobrir esta triste confer�ncia de imprensa. E as perguntas pertinentes ficam por fazer. (Jo�o Tavares) * Ouvi na TSF uma noticia sobre os deslocados Timorenses... Porque n�o usar a palavra habitual: refugiados? N�o entendo a relut�ncia de certa imprensa em motrar que os timorenses s�o um povo como outro qualquer: capaz do melhor e do pior. Porque carga de �gua s�o deslocados e n�o refugiados? Se at� o ACNUR j� est� a ajudar. (Alberto Mendes)
10:26
(JPP)
PALAVRAS, ESSE INFINITO PODER
Exposi��o de Bia Lessa sobre o Grande Sert�o: Veredas de Guimar�es Rosa. (Museu de L�ngua Portuguesa, S�o Paulo, Brasil.)
10:11
(JPP)
Tecendo a Manh� 1 Um galo sozinho n�o tece uma manh�: ele precisar� sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manh�, desde uma teia t�nue, se v� tecendo, entre todos os galos. 2 E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manh�) que plana livre de arma��o. A manh�, toldo de um tecido t�o a�reo que, tecido, se eleva por si: luz bal�o. (Jo�o Cabral de Melo Neto) * Bom dia! 8.6.06
13:52
(JPP)
PALAVRAS, ESSE INFINITO PODER
![]() Numa parede do Museu de L�ngua Portuguesa, em S�o Paulo, Brasil, um mulato dan�a com uma garrafa equilibrada na cabe�a. Com aquele brilho inventivo muito especial do portugu�s brasileiro, aparece no ecr� "�gua-que-passarinho-n�o bebe". Cacha�a. Mas parece que passarinho bebe mesmo...
13:05
(JPP)
GOVERNAMENTALIZA��O, O QUE �? ![]()
12:24
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: FOGO, DE NOVO Correndo o risco de ser considerado (...) um acto de "voyeurismo" da minha parte, n�o resisti a enviar-lhe uma fotografia do fogo que lavrou ontem n�o longe da minha resid�ncia. O meu objectivo n�o � outro mais do que o de querer alertar novamente para o drama destas situa��es. Penso, de forma muito sincera, que todas as discuss�es p�blicas que possam ser feitas em torno destes dramas ser�o muito �teis. Hoje o dia tem estado cor de laranja porque a luz do sol tem dificuldades em atravessar a cortina de fumo. A imagem � do fogo que lavrou ontem na Freguesia de Fragoso, concelho de Barcelos. (S�rgio Ribeiro, Forj�es)
11:51
(JPP)
PALAVRAS, ESSE INFINITO PODER
Exposi��o de Bia Lessa sobre o Grande Sert�o: Veredas de Guimar�es Rosa. (Museu de L�ngua Portuguesa, S�o Paulo, Brasil.)
11:43
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NAS TWIN TOWERS EM LISBOA, PORTUGAL Um dos aspectos que mais me fascina nas gera��es mais jovens � a capacidade para desenvolver trabalho no meio do mais confuso dos caf�s ou do mais barulhento "food court" de um qualquer centro comercial. Estas novas gera��es t�m, de facto, capacidades acima do normal. No meu tempo, um trabalho em grupo consistia em dividir tarefas, executar as tarefas separadamente cada um em seu canto e depois reunir para juntar as pe�as do puzzle. Hoje em dia, aparentemente, as reuni�es s�o permanentes e a criatividade est� sempre em ac��o. Tudo isto, repito-o, no mais barulhento centro comercial ou caf� da nossa pra�a. E depois dizem que n�o h� produtividade... (Rui Silva)
10:49
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS ESCOLAS (2� s�rie) ![]() (...) � o pr�prio Minist�rio da Educa��o quem ajuda a confundir dom�nios que devem ser discriminados, dado que o texto � marcado por um problema estrutural de organiza��o tem�tica. Era importante que um novo ECD distinguisse com clareza � seja por cap�tulos; seja por princ�pios orientadores expl�citos; seja por qualquer outro processo; seja por v�rios factores em conjunto � aquilo que � mat�ria propriamente laboral (ou de cariz sindical) daquilo que � mat�ria deontol�gica (ou pedag�gica e �tica) da profiss�o docente. Mesmo que se continue a evitar a quest�o da constitui��o de uma Ordem de Professores (constitui��o que na actual conjuntura n�o parece essencial, at� porque provavelmente uma Ordem ficaria mais pr�xima de reproduzir a fragmenta��o sindical do que de traduzir uma voz coesa de um corpo profissional demasiado heterog�neo), reformar o ensino sem a preocupa��o de estabelecer de g�nese a distin��o referida � curto, precisamente porque ser� continuar a p�r no colo dos sindicatos aquilo que �, misturado com aquilo que pura e simplesmente n�o deve ser da sua compet�ncia. Reside aqui uma incongru�ncia elementar de quem, de peito aberto, est�, bem ou mal, a combater o poder de uma elite de representantes sindicais, mas que depois, por culpa do seu mau tpc, v�-se obrigado a conceder a essa mesma elite o monop�lio da representatividade de um complexo, contradit�rio e multifacetado corpo docente. A fuga em frente resultante desse mau trabalho pr�vio tem sido o folclore agravante de envolver na vida interna das escolas os pais, as associa��es, o poder local e outros, invadindo o dom�nio estrito da fun��o docente, com preju�zo generalizado cuja factura normalmente demora a chegar mas ser� invariavelmente pesada. O documento proposto carece, de facto, de muita e muita reflex�o e clarifica��o. Se calhar at� de ser reelaborado de raiz. �Despach�-lo� em poucos meses � brincar com aspectos essenciais de todo um projecto de sociedade. Ao menos nisso estou de acordo com a Fenprof. Juristas, intelectuais, pol�ticos, jornalistas e demais pensadores seniores n�o podem colocar o corpo de fora deste tipo de discuss�o concreta, como t�m feito, nem perderem-se em generalidades mais ou menos especulativas (basta ler a imprensa), para que mais tarde n�o venham, uma vez mais, ditar senten�as de c�tedra depois de mais um desaire do sistema educativo que n�o � dif�cil prever desde j�. Ali�s, o Partido Socialista nesta fase dever-se-ia centrar nas quest�es contratuais ou laborais e deixar de brincar �s tipologias do bom professor � moda das �ci�ncias da educa��o�. Mas para isso era necess�ria sensibilidade pol�tica e tratar os grupos profissionais com a dignidade que merecem. Parece-me que o tempo pol�tico da Ministra da Educa��o esgotou-se. Pau que nasce torto... (Gabriel Mith� Ribeiro) * No P�blico de hoje, a ministra da Educa��o d� a cara por uma proposta cerca de uma semana depois de ela ter sido apresentada. Ter aparecido com a entrevista de hoje h� uma semana atr�s, poderia nada ter resolvido mas evitava a imagem de estar a reagir aos cr�ticos. Mas h� muito nos habitu�mos a que este minist�rio ateie pequenos fogos e depois surja a apagar os mesmos. Infelizmente tamb�m nos habitu�mos � reac��o extempor�nea de uma classe corporativista e de uns sindicatos que de pedagogia pouco mostram saber. Para tal basta ver muitos dos coment�rios feitos neste blog. � o caso dos "29" itens que definem a fun��o de professor e que pouco ou nada acrescentam ao que j� era suposto serem fun��es dos docentes, mas que alguns cr�ticos parecem desconhecer. Tamb�m a reac��o de alguns � avalia��o � ir�nica se tivermos que vem de profissionais que fazem da avalia��o um instrumento � avaliar sem ser avaliado? � e as leituras em diagonal que muitos fazem desconfiar da prepara��o e leitura efectiva que atribuir�o a documentos de trabalho. Estamos perante uma proposta, n�o seria interessante discutir a mesma de forma inteligente? Quando uma carreira de 10 escal�es se reduz a 6, n�o seria leg�timo pedir a tabela de equival�ncias para a convers�o de tempo de servi�o e de sal�rio? S�o muitas as classes de licenciados em que o acesso � carreira s� � feito ap�s prova, ser�o os docentes diferentes? Creio que n�o e basta ver a falta de cultura e conhecimentos b�sicos de muitos professores. Quanto � avalia��o dos pais, confesso que n�o me choca e noto que � mais bem recebida por docentes que s�o pais do que por docentes solteiros. Ou�o os sindicatos falar em "habilita��es pedag�gicas", mas onde est� isso referido? Em algum s�tio se estipula em que medida os pais v�o efectuar a avalia��o? Os Encarregados de Educa��o podem n�o saber nada de disciplinas, mas certamente saber�o melhor que ningu�m quando um professor falta, ou quando ocupa a aula a discutir a sua vida pessoal em lugar de leccionar, ou se atrasa na correc��o de testes para l� do desej�vel. N�o ser�o estes itens suficientes para distinguir o bom do mau docente? Talvez os sindicatos fizessem melhor em discutir estes temas que em marcar greves para dias a seguir a feriados e assim ter�amos um minist�rio a ter de dar a cara pelas suas pol�ticas e a saber que n�o bastava anunciar as mesmas e que as teria de realmente fundamentar. No momento actual acabam os sindicatos e os docentes exaltados a ser o melhor justificativo das pol�ticas ministeriais (Emanuel Ferreira, docente do 3� Ciclo) * A Ministra foi populista e fez eco da cr�tica comum de que os professores s�o os respons�veis pela calamidade educativa portuguesa. N�o apresenta evid�ncias de que assim seja. Mas por que raz�o a Ministra da Educa��o e outros agentes das esferas do poder se d�o ao luxo de falar assim desta classe profissional? Na realidade, os professores s�o respons�veis, n�o propriamente pelo facto de ensinarem mal ou de serem intrinsecamente maus professores. A responsabilidade � mais funda. � que desde h� algumas d�cadas os professores abdicaram da sua voca��o intelectual, ou mantiveram-na s� para aquilo que interessa em cada conjuntura ou momento, aceitando em troca incluir-se na bolsa de sustenta��o do poder pol�tico e econ�mico. O poder, � sabido, precisa destas bolsas de sustenta��o, e um grupo como os professores � fundamental que seja "capturado" para o pleno exerc�cio do poder actual. Fala-se em "democratiza��o" do ensino, mas isso � um eufemismo. Com certeza algo corresponder� a isso, mas na ess�ncia o que se deu foi um fen�meno de "massifica��o do ensino", o que n�o � exactamente a mesma coisa. Nesse processo, foi preciso apresentar taxas de sucesso, n�veis de ensino em grande escala, impedir o abandono escolar, etc. Ou seja, o aparelho educativo esteve ao servi�o de objectivos sociais, econ�micos e pol�ticos que pouco t�m a ver com o verdadeiro ensino. E em troca de favores profissionais e de um certo teor de vida, entre outras vantagens, a "classe profissional" dos profs. alimentou estes objectivos extra-educativos. Numa palavra, vendeu-se ao poder. Evidentemente, o n�vel de forma��o e de conhecimentos dos alunos tem-se ressentido drasticamente. Mas os professores t�m estado sempre cegos, surdos e mudos. Sempre muito mais preocupados com os seus interesses profissionais e com a sua carreira, enfim, com a sua vidinha. N�o se importaram, portanto, durante estes anos, de se submeterem a um processo de proletariza��o que lhes retirou muita da credibilidade que possuiam, sendo natural que agora o poder os trate como p�rias e n�o nutra por eles o m�nimo respeito. E os restantes actores tamb�m n�o, designadamente, os pais dos alunos, que n�o v�m com bons olhos os resultados obtidos. Que pretendem agora os professores? J� nada podem fazer. Podem fazer greves e manifesta��es. Mas n�o t�m mais cr�dito que qualquer outro grupo social. E perderam o apoio da sociedade, e agora falam sozinhos no deserto. Isto � uma an�lise general�ssima. N�o se pretende p�r em causa os muitos professores que ensinam bem e que fazem das tripas cora��o para que os alunos passem e se formem, etc. Mas isso n�o p�e em causa a minha tese central: os professores, enquanto classe, prostituiram-se ao poder e agora s�o tratados como rameiras do sistema. E se querem ter emprego e fruir ainda de algumas migalhas do poder t�m que aceitar a "grelha" que lhes � imposta e conformar-se. O servilismo e a apatia de anos v�o sendo agora cada vez mais evidenciados, e pelo pr�prio poder, o que n�o � surpreendente. Ainda me recordo quando aqui h� uns anos se negociou o Estatuto da Carreira Docente (penso que em 1997), e estava em causa a sa�da do ensino de centenas de professores provis�rios que durante anos foram os colegas de segunda, mas muitos deles com provas de dadas de qualidade e dedica��o, que ficavam sempre com as piores turmas e at� ganhavam menos. Estava em causa na mesma altura, atrav�s da uma reforma do ensino secund�rio, o desparecimento de disciplinas como Introdu��o � Antropologia ou Jornalismo. A "classe" dos professores e os sindicatos nada fizeram caso disso, e negociaram o Estatuto e a reforma sem o m�nimo de solidariedade por esses colegas, muitos com fam�lia, que ficaram sem trabalho, e muitos continuam no desemprego porque estiveram 10, 15, 20 anos nessa situa��o provis�ria e agora n�o t�m onde se agarrar... E quando estes fizeram manifs. � porta do Minist�rio estavam sozinhos, porque a "nobre" classe dos profs. esteve a marimbar-se para estes colegas... E quanto ao desaparecimento das disciplinas? Algu�m se interrogou sobre a validade destas mat�rias, qual o seu papel na forma��o integral dos jovens? Algu�m ainda se lembra de Educa��o Visual?... Orlando de Carvalho (...n�o sou professor) * (...) desejo fazer uma confiss�o solene. � verdade, tamb�m eu sou culpado. Sim, incluo-me no grupo dos r�us respons�veis pelo �estado a que �isto� chegou�, independentemente do conceito que possa atribuir-se ao termo �isto�. Resumindo, tamb�m eu sou professor. Do 1� ciclo por reforma imposta pelo �eduqu�s�, prim�rio, por op��o de h� trinta anos, consubstanciada nos ideais que o republicanismo projectava na instru��o popular. Publicitado o meu crime, ouso, humildemente, questionar o leitor identificado como Leonel sobre algumas das suas afirma��es, face � minha incapacidade de as tornar intelig�veis. (Confesso, no entanto, que apesar desta minha dificuldade, sou moreno e nada tenho de louro. Nem um simples cabelinho). Para evitar que alguma das aves negras e palradoras que, usualmente, costumam enovelar-se por entre o texto escrito subverta o meu discurso, vou recorrer ao mui tecnol�gico �copy past�. Ent�o vejamos: Afirma o comentador Leonel: �Falam-se em "parasitas" das educa��o, apontando Escolas Superiores, Faculdades, Docentes, Editores.� �Aprende-se melhor a nadar na �gua dentro dela, n�o a ter aulas te�ricas sobre nata��o, � o que se tenta explicar muitas vezes.� � As ci�ncias da educa��o, como em qualquer outra �rea cient�fica emergente, cont�m grande valor e grande quantidade de irrelev�ncia ou desinforma��o.� � fa�a-se como sempre que se fez, n�o tenho de pensar tanto� (Sic) Como disse? Ora, meu caro Leonel, n�o me diga que necessita de uma licenciatura em ci�ncias de educa��o para escrever esta prosa brilhante? Mas que digo eu? Uma licenciatura? N�o pode ser. �s ci�ncias de educa��o deve corresponder uma licenciatura por ci�ncia� Ali�s, meu caro, saber� quantas s�o essas ditas ci�ncias? T�-las-� contado? Deveras? Quanto mais descansado eu ficaria sobre as qualidades dos cientistas que tanto velam pela nossa educa��o, se pudesse esclarecer-me esta d�vida. Tr�s, eu sei, de fonte certa, que integram o elenco, �no��es de psicologia, de sociologia, de m�todos de avalia��o�. Mas o Portugu�s, sim esta l�ngua banal em que nos expressamos, tamb�m faz parte da lista, ou t�-la-� V. Ex� esquecido enquanto tanto se empenhou, durante sete anos, �a procurar mais informa��o sobre todos estes elementos, n�o apenas sobre as "t�cnicas pedag�gicas"�? (...) (Ant�nio Vicente)
10:06
(JPP)
PALAVRAS, ESSE INFINITO PODER
Exposi��o de Bia Lessa sobre o Grande Sert�o: Veredas de Guimar�es Rosa. (Museu de L�ngua Portuguesa, S�o Paulo, Brasil.)
10:03
(JPP)
A prop�sito da "lei das "quotas" gostaria de saber a opini�o do PS para a hip�tese de haver um partido exclusivamente feminino. Aceitaria de bom grado ou propunha uma nova lei para homens? (A. Lamas)
09:42
(JPP)
TEMOS POL�TICA EXTERNA OU � S� EGOS, BRAVADO, BANDEIRA ENROLADA � CINTURA E AMADORISMO? ![]() Repito-me, n�o para exibir qualquer raz�o antes do tempo, mas para mostrar que as evid�ncias eram t�o gritantes que n�o se percebe por que raz�o o Governo (Primeiro-ministro, MNE e MAI na linha da primeira responsabilidade e por esta ordem) mostraram t�o grande incompet�ncia e a oposi��o t�o grande sil�ncio perante uma quest�o desta gravidade. No dia 29 de Maio escrevi: "Quem manda em �ltima inst�ncia nas ruas, o governo de Timor ou a Austr�lia? E se mandar a Austr�lia, e manda quem pode e tem a for�a, mandam tamb�m os comandos australianos na GNR? Se os australianos entenderem que a rua X est� interdita, a GNR tem que negociar ou pedir licen�a para l� passar? Qual � a cadeia de comando em Dili? Estas e mais mil e uma perguntas deviam estar a ser feitas e a ter respostas claras. Mas nem se pergunta, nem se responde."No dia 3 de Junho escrevi: "Ficou claro que o comando � da GNR" - "Comando" de qu�? Das tropas da GNR? Qual � a exacta cadeia de comando no terreno? Fica por saber. O que se sabe � que num territ�rio numa situa��o de caos, a exist�ncia de v�rios "comandos" operacionais s� pode dar confus�o e risco. � perigoso: se houver um incidente e forem chamados ao mesmo tempo (pelos populares, por uma fam�lia portuguesa, seja por quem for) a GNR e os australianos, como � que se resolve? E sem comunica��es claras a probabilidade de fogo "amigo" � grande, porque ningu�m est� a ver em plena ac��o as for�as a discutirem compet�ncias e comandos."O que se est� a passar com a GNR em Timor � de uma enorme irresponsabilidade e � perigoso, primeiro para os nosssos homens, depois para a nossa pol�tica externa em rela��o a Timor. A n�o ser que a GNR esteja l�, como antigamente se dizia , em "miss�o de soberania", e ent�o tem que varrer os comandos australianos a tiro, quando estes lhe impe�am o caminho... , ou ent�o � para "ajudar" Timor, e ningu�m sensato pode achar que andarem no terreno for�as sem comando �nico n�o � um risco acrescido para todos. * Quando h� dias antes do envio das for�as da GNR, ouvi a explica��o do Ministro dos Neg�cios Estrangeiros sobre a quest�o do respectivo comando, se integradas nas for�as da Austr�lia se aut�nomas, pareceu-me estar a ouvir uma explica��o da Rep�blica Francesa, com laivos nacionalistas e com eterno complexo de inferioridade, quando se refere ao pais do Tio Sam. * Agora que a "quest�o timorense" parece ter voltado �s primeiras p�ginas dos jornais, talvez seja bom vermos "para al�m da �rvore"...Aos leitores do "Abrupto", aconselho a consulta do (recentemente) criado "blogue", onde podemos ler coisas que, nem sempre, a comunica��o social portuguesa transmite. |