ABRUPTO |
correio para
jppereira@gmail.com
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29.4.06
18:50
(JPP)
JUDEU ERRANTE
![]() Mais uma corrida, mais uma viagem.
18:47
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM RUIV�ES - VIEIRA DO MINHO , PORTUGAL Esta fotografia foi tirada hoje durante a tarde junto � Ponte da Misarela no lugar de Frades, freguesia de Ruiv�es, concelho de Vieira do Minho. Estes dois homens estavam a cortar o mato para o transportar para as cortes do gado. Quando lhes perguntava se podia tirar esta fotografia, dizia-me um deles que os Portugueses s� se sabem queixar, mas que verdadeiramente n�o querem � trabalhar; eles ao contr�rio, estavam ali a trabalhar debaixo daquele sol (quase) abrasador. (Paulo Miranda)
18:08
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
Trabalhos na barra do Douro. (Gil Coelho)
13:21
(JPP)
Salazar aos legion�rios em 1956 sobre a "guerra das civiliza��es": �H� vinte anos foi n�tido para n�s - mas n�o o foi para muitos - em face do caso espanhol, que o que essencialmente se desenrolava no Mundo eram conflitos de civiliza��o; ou mais precisamente que a civiliza��o ocidental estava sendo desmantelada ate aos alicerces e batida nos seus princ�pios fundamentais e nas suas cria��es por outros conceitos filos�ficos, outras maneiras de encarar o homem e a vida, novas medidas de valor para as realiza��es do esp�rito.�
10:43
(JPP)
Pelas estradas do interior, dez quil�metros s�o cinquenta. Terra, sobre terra, sobre terra. Nomes antigos, nomes b�rbaros, consoantes fortes. B�s e gu�s, erres. De dia, parece estar tudo em cima de tudo, vinhas e terrenos, casas e igrejas. De noite, at� parece que h� bosques, lugares de escurid�o antiga, com casas isoladas, janelas vagamente amarelas ao longe. As igrejas, no cimo das colinas, iluminadas. No iPod, Joan Didion fala de mortes na fam�lia, funerais, do seu livro The Year of Magical Thinking. Numa curva, em Roriz, pergunto-me se alguma vez a voz de Didion se ouviu no Minho. Passou-me Camilo � frente, pelos olhos. N�o � verdadeiramente nada de importante. Adiante. 28.4.06
11:26
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA MAURIT�NIA Esta fotografia foi tirada no decorrer da semana passada algures entre a pista de praia que liga as localidades de Nouakchott a Nouadibou. Esta liga��o/pista � utilizada n�o s� por pescadores mas tamb�m por todos os que se deslocam a este local com o objectivo de apreciarem o encanto da conjuga��o do deserto com o mar. (...) Ao longo da praia s�o in�meras as comunidades de pescadores. (Frederico Moreira Rodrigues)
09:55
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (28 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Uma muito interessante vantagem nas "antecipa��es" jornal�sticas (sobre as quais tenho as maiores das reservas) � o de obter uma divulga��o quase que inteiramente controlada pela fonte da "antecipa��o". Consegue-se assim "passar" uma mensagem limpa de ru�do, do ru�do que inevitavelmente existe quando a "antecipa��o" se torna um facto (e do meu ponto de vista se torna not�cia). Um discurso parlamentar pode ser assim divulgado sem o aborrecimento do contradit�rio, e com os sublinhados que pretende o seu autor, que "passa" preferencialmente a mensagem que lhe conv�m e n�o a integralidade do que vai fazer. Consegue-se ainda mais: a de fazer o jornalista incorporar no texto da not�cia a argumenta��o da fonte como sendo do jornalista, logo oferecendo uma mensagem que parece mais legitimada e incontroversa a quem a recebe. Um caso t�pico ocorreu nos �ltimos dias, com a not�cia em primeira-m�o dada � SIC sobre as altera��es nos c�lculos da reforma. A SIC e a SICN passaram em v�rios notici�rios n�o s� a informa��o do essencial do que o Primeiro-ministro ia dizer no dia seguinte (o que � relevante em termos jornal�sticos) como a argumenta��o governamental sobre a inevitabilidade de tal medida tendo como sujeito o jornalista que a escreveu ou o pivot que a leu. Ora, independentemente do ju�zo que se possa fazer sobre a virtude das medidas governamentais, elas s�o escolhas politicas definidas, escolhas entre escolhas, e n�o cabe ao jornalista valida-las como solu��es inevit�veis dos problemas da seguran�a social.
* O New York Times n�o faz parte daqueles que acham que os blogues n�o s�o importantes. � assim que, num e-mail aos assinantes, introduzem uma categoria nova, a de "most blogged": "Most Popular: See what your fellow Times readers are buzzing about. Refer to the constantly updated lists: Most E-Mailed, Most Blogged, Most Searched and Most Popular Movies."
09:50
(JPP)
EARLY MORNING PICTURES Movimento matinal de hoje no Tejo: veleiros, navios de guerra e paquetes. Hoje o Colombo vai estar cheio de marujos. Mas os marujos j� n�o s�o o que eram, as sopeiras j� desapareceram, e temos todos telem�veis. (J.)
09:33
(JPP)
Insomnia Now you hear what the house has to say. Pipes clanking, water running in the dark, the mortgaged walls shifting in discomfort, and voices mounting in an endless drone of small complaints like the sounds of a family that year by year you've learned how to ignore. But now you must listen to the things you own, all that you've worked for these past years, the murmur of property, of things in disrepair, the moving parts about to come undone, and twisting in the sheets remember all the faces you could not bring yourself to love. How many voices have escaped you until now, the venting furnace, the floorboards underfoot, the steady accusations of the clock numbering the minutes no one will mark. The terrible clarity this moment brings, the useless insight, the unbroken dark. ( Dana Gioia) * Bom dia! 27.4.06
19:20
(JPP)
QUEM PAGA A CRISE? ![]() No fim de um ano de aumento de impostos, de excepcional recolha fiscal e do arranque de v�rias medidas de conten��o, o Governo conseguiu ter um d�fice superior ao previsto no �ltimo or�amento de Santana Lopes / Bag�o F�lix, descontadas as receitas extraordin�rias. Nunca saberemos se o previsto se iria realizar, como nunca saberemos se os 6,8% calculados pelo Banco de Portugal n�o seriam contrariados por medidas do Governo. O que sabemos � que os resultados s�o maus. Os relat�rios da �ltima semana da OCDE e do BM apenas acentuaram a impress�o de que nada vai bem, e as medidas do Governo s� tocam na superf�cie dos problemas, na �epiderme� como diz Medina Carreira. Tudo isto num contexto excepcional quanto �s condi��es pol�ticas, com um governo de maioria absoluta e com uma oposi��o muito fragilizada, e com consider�vel apoio da opini�o p�blica. Torna-se evidente que os dilemas que j� existiam em 2005 est�o hoje mais acentuados e a margem de manobra, com a passagem do tempo, � j� bastante menor. Vamos pois a caminho de tempos muito dif�ceis, agravados pela conjuntura internacional, mas n�o explic�veis nem exclusiva, nem principalmente por ela. Agora que realmente tudo vai come�ar a apertar, e j� sem a sombra nem a desculpa legitimadora do governo Santana Lopes, as op��es erradas de S�crates, do Governo e do PS come�am a perceber-se com maior clareza. Deixo de lado, que havia uma maneira alternativa de actuar, uma pol�tica genuinamente liberal, que no entanto n�o corresponde �s op��es pol�ticas e ideol�gicas do Governo socialista. Como nas hist�rias infantis, tudo come�ou no princ�pio, �naquele tempo�. No balan�o da actua��o de S�crates esquece-se v�rias coisas: uma � que o discurso com que o PS ganhou as elei��es n�o era um discurso de crise, bem pelo contr�rio, era o da sua nega��o. N�o se chegava ao ponto de anunciar a �retoma�, mas o discurso socialista era o de que havia �vida para l� do d�fice�. � uma hist�ria da carochinha da propaganda acreditar que S�crates s� se apercebeu da situa��o real depois do relat�rio Const�ncio, porque tal era imposs�vel. � verdade que S�crates corrigiu o discurso logo que ganhou as elei��es e fez bem, mas uma coisa � corrigir um erro outra � compreender totalmente a necessidade de uma viragem de fundo. Depois de um ano a ser saudado com justi�a pela sua coragem nas medidas dif�ceis, pouca gente se apercebeu que os problemas de fundo do nosso desequil�brio financeiro se mant�m, em particular com o estado a gastar sempre mais e a �comer� n�o s� o que tinha, mas tamb�m o que estava a entrar de novo. Apresentar como resultado um d�fice maior do que o governo anterior n�o tem volta que se lhe d� � � andar para tr�s. Porque � que � hoje mais dif�cil passar de 6% para 4,8% do que seria um ano antes? Primeiro, porque � (foi) um erro grav�ssimo, ter cedido ao populismo no pior momento para o fazer. O Governo podia muito bem ter pedido todos os sacrif�cios e ter anunciado todas as medidas dif�ceis com um �nico argumento: eram necess�rias para o pa�s, eram uma quest�o de �salva��o nacional�. Ponto final. Mas o Governo cedeu � tenta��o de dizer que o que estava a fazer era uma luta contra os �privil�gios � de muitas classes profissionais e com isso deslegitimou-os na sua respeitabilidade social. Hoje sabemos o efeito dessa t�ctica comunicacional: deixou cada grupo profissional de per si, socialmente isolado, face a uma opini�o p�blica hostil, mas azedou irremediavelmente o ambiente dentro de cada corpora��o e grupo entrincheirados contra o Governo. Fez as corpora��es e os grupos profissionais fracos por fora e fortes por dentro. Uma segunda vaga ainda mais dura de medidas de austeridade e conten��o vai dar origem a conflitos sociais mais tenazes. Os comportamentos desesperados v�o ser mais comuns, a resist�ncia maior. Isto significa que muito do tempo psicol�gico para uma pol�tica de efectiva dificuldade, j� se perdeu, no exacto momento em que � preciso ir muito mais longe e come�ar a perceber quem ganha e quem perde com a crise que atravessamos e o modo como o governo a defronta. Segundo, porque o Governo apenas esbo�ou as pol�ticas necess�rias, excluindo muitas medidas que lhe foram sugeridas e que melhor traduziam a gravidade da situa��o. Claro que o problema � tamb�m pol�tico-ideol�gico, em particular na intocabilidade do �estado social� universal, em que nunca ousou mexer, apesar de ser um caminho que garantia melhor justi�a social. S�crates diminuiu regalias sociais, mas manteve esquemas de universalidade, em particular na seguran�a social e no sistema de sa�de, o que torna muitas medidas mais duras para os mais pobres e irrelevantes para os mais ricos. Na verdade, as medidas de S�crates acabam por atingir essencialmente os sectores mais desfavorecidos da sociedade, mais dependentes da infla��o, do aumento das taxas de juro, dos despedimentos, da eros�o das reformas e menos a classe m�dia. Dos ricos nem falo, porque esses podem sempre bem com as crises. O que o discurso de Cavaco Silva no 25 de Abril traz de novo para a an�lise desta quest�o � chamar a aten��o para que, se nada mais se fizer, a crise ser� �paga� pelos mais pobres e agravar� a exclus�o. A �nfase que �surpreendeu� muita gente, s� � surpresa porque se tem ignorado que essas dificuldades n�o s�o igualmente distribu�das e que o �pagamento da crise�, deixando-se estar as coisas como est�o, ir� para baixo e n�o para o meio. Insisto que, em cima, nada verdadeiramente conta no plano �social�. A classe m�dia, at� agora s� tem sido tocada ao de leve. Os padr�es de consumo n�o revelam significativas restri��es nos h�bitos t�picos desse sector social (f�rias, viagens nas �pontes�, por exemplo) e, no essencial, o efeito da crise tem sido superficial, em detrimento das muito maiores dificuldades escondidas e que raras vezes chegam � comunica��o social, no baixo funcionalismo, no mundo do trabalho industrial, nos jovens com trabalho prec�rio, na pequena burguesia urbana dos servi�os, muito endividada. O agravamento da crise aprofundar� este fosso de degrada��o de qualidade de vida. O problema da justi�a social nesta crise n�o est� apenas, bem longe disso, na assist�ncia aos casos extremos de mis�ria e exclus�o, aos marginais e aos velhos desprotegidos, que j� era exigida pela nossa pobreza h� muito tempo. A quest�o est� em se compreender que esta forma de atacar a crise atirar� com os seus custos para os grupos sociais que menos defesa t�m e, como o que aconteceu at� agora � apenas um ligeiro assomar de dificuldades que a� v�m, conv�m prevenir n�o contra a austeridade, nem o contra o combate ao descalabro financeiro, mas contra um injusto �pagamento da crise�. E n�o � o PCP quem o diz. (No P�blico de hoje.)
12:29
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (27 de Abril de 2006) ![]() __________________________ ![]() ![]() * Sobre as querelas da Academia a prop�sito dos dicion�rios, leia-se esta nota do Da Literatura. * O Canhoto merece ser lido de forma ambidextra. * Bem-vindo seja o novo blogue russo do P�blico, de autoria do nosso bom mujique Jos� Milhazes. H� uma raz�o especial para estar atento � R�ssia: tudo o que l� acontece, mesmo quando parece velho e semelhante, � novo. A "transi��o para o capitalismo" � um fen�meno sem precedente hist�rico, como foi em 1917 a Revolu��o Russa.
10:59
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL
( o trabalho industrial est� mal representado) ( a f�brica fechou) (Ant�nio Carvalho)
09:43
(JPP)
Chanson Innocente, I in Just- spring when the world is mud- luscious the little lame balloonman whistles far and wee and eddieandbill come running from marbles and piracies and it's spring when the world is puddle-wonderful the queer old balloonman whistles far and wee and bettyandisbel come dancing from hop-scotch and jump-rope and it's spring and the goat-footed balloonMan whistles far and wee (e.e.cummings) * Bom dia! 26.4.06
20:00
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO 140 retratos do trabalho j� foram publicados no Abrupto, com a colabora��o de cerca de cem leitores em Portugal e fora. Muitos outros retratos foram recebidos e ser�o publicados a seu tempo. Em breve, se far� uma an�lise dessas fotografias, do olhar sobre o trabalho que revelam, das profiss�es que faltam ( o trabalho industrial est� mal representado) e das que s�o mais populares, ou mais vis�veis. * Em rela��o � quest�o da pouca representatividade do "trabalho industrial" na sua s�rie "Retratos do Trabalho em Portugal", eu aventaria uma raz�o bastante prosaica. A maior parte das fotografias que lhe chegaram s�o de fot�grafos amadores, que as captam em momentos de lazer (essencialmente fins de semana e f�rias), pelo que � compreens�vel que nesses momentos se captem fotografias de "exterior".
19:56
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO CAIRO, EGIPTO
Nestes �ltimos meses em que tenho estado a viver/trabalhar no Egipto, tenho notado bastantes diferen�as na abordagem ao trabalho e � vida em geral, nem todas t�o evidentes como esta. (Nuno Alexandre Lopes Marques)
19:39
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DESTAQUE DE NOT�CIAS (...) hoje no Publico v�m duas noticias muito interessantes: 1) a Faculdade de Psicologia do Porto corre o risco de ficar fora do processo de Bolonha porque uma funcion�ria n�o pagou um excesso de peso no dia 27 de Mar�o. O prazo limite era 31, e os documentos s� seguiram no dia 3. O que � que se ter� passado nessa semana (de 27/3 a 3/4) � um mist�rio; como � que � poss�vel que o erro n�o tenha sido corrigido a tempo � outro mist�rio. Como se costuma dizer, a realidade ultrapassa a fic��o. Aguardemos pelas cenas dos pr�ximos capitulos. 2) vai haver uma exposi��o sobre a Cust�dia de Bel�m de Gil Vicente. Sa�da-se a iniciativa. O que � incr�vel � que quando se vai ao Museu de Arte Antiga, a Cust�dia passa despercebida. N�o h� (pelo menos n�o houve durante anos e n�o havia at� ao ano passado) um texto que evidencie a singularidade da obra, ou que explique quem � o autor. Apenas s�o prestadas as informa��es minimas usuais: data, nome e autor. Sem querer ser destrutivo de modo saloio, parece-me muito pouco. E parece-me revelador de duas coisas: - um modo elitista de ver a cultura (sup�e-se que as pessoas j� conhecem a obra) que resulta em Museus que s�o montras (e onde n�o se aprende nada / o conte�do did�ctico � pouco). - um modo muito "sub-desenvolvido" de nos valorizarmos e de preservarmos a nossa mem�ria colectiva. Estamos sempre a pensar que somos piores que os Europeus, mas Shakespeare, Rabelais, Montaigne ou Cervantes n�o eram ourives. Outro povo evidenciaria provavelmente mais essa fant�stica versatilidade de Gil Vicente. Tornar-nos realmente desenvolvidos vai passar por a�: cuidar da nossa hist�ria, dos nossos feitos. Essa versatilidade ali�s ainda existe. Um dos artigos base de uma das ultimas edi��es da Publica (se n�o me engano) era dedicado a essas pessoas. (Eduardo Tom�)
19:34
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UM DI�LOGO MATERNO-INFANTIL E AS NOVAS TECNOLOGIAS "M�e, j� foi a algum leil�o? J�, de livros. Na internet? N�o. Numa leiloeira. Acha que podiamos tentar vender o Jo�o no ebay? Acho. O que � que achas Jo�o? Acho que faziam para ai uns dois milh�es..." (M�e do Jo�o.) 25.4.06
18:58
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO DOURO, PORTUGAL
Podando oliveiras no Douro. (Abilio Tavares da Silva)
18:03
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: TERRORISMO EM DAHAB Esta vila � umas das p�rolas do Mar Vermelho, ainda pouco explorada turisticamente. Em Assalah, a zona sul da vila j� cresceram alguns 'resorts', no resto da vila uns quantos pequenos hot�is e um passeio mar�timo com restaurantes, lojas e esplanadas junto � �gua, onde se pode fumar shisha, comer um peixe grelhado fresqu�ssimo, n�o deve haver melhor no Egipto. As praias s�o calmas e o fundo do mar uma maravilha da natureza, onde os turistas se deleitam a fazer mergulho. Em suma um local muito agrad�vel, onde � possivel descontrair. E era isso mesmo isso que os turistas, em boa parte italianos, alem�es e russos e muitas fam�lias egipcias estavam a fazer, aproveitando os feriados desta semana.Ontem ao final da tarde com a explos�o de tr�s bombas, despoletadas � dist�ncia ou por suicidas, ainda n�o se sabe, se foram os mesmos terroristas beduinos que nos �ltimos dois anos foram respons�veis por ataques semelhantes com liga��es a redes terroristas internacionais ou alguma dessas redes internacionais tamb�m n�o se sabe. O que se sabe e se v� � o sangue derramado, o sofrimento, os destro�os e os estilha�os. O terrorismo � isto mesmo, � transformar a alegria, a vida, o sossego, os neg�cios em ang�stia, em morte, em medo e destro�os.
12:25
(JPP)
ONDE EST� A DIFEREN�A ![]() Se n�o tivessemos a obsess�o entre a "esquerda" e a "direita", perceb�amos o fosso potencial que existe entre o discurso do Presidente e o do Governo : a separa��o de �guas entre o discurso desenvolvimentista e tecnol�gico, muitas vezes deslumbrado, do Primeiro-ministro, e a observa��o do Portugal real, pobre, estragado, desigual, exclu�do que s� poder� agravar-se em per�odo de crise social e econ�mica. N�o s�o as reformas que os separa, mas o Portugal diferente para que olham na an�lise dos seus efeitos.
12:20
(JPP)
PALAVRAS QUE S�O MULETAS DO NOSSO JORNALISMO: ESQUERDA / DIREITA ![]() Ao "analisar" o discurso do Presidente da Rep�blica repetem n vezes a muleta da "esquerda" e da "direita" e nem sequer se apercebem de que o fazem para enunciar uma perplexidade, - o Presidente da "direita" fez um discurso de "esquerda" -, que talvez justificasse outro tipo de an�lise. S� que esta � simples e permite simplificar. O problema � que os factos s�o mais teimosos do que as palavras. * A prop�sito do discurso do Presidente da Rep�blica, e a sua observa��o, ou seja, sobre o estado da Na��o, n�o resisto a transcrever o que Jos� Daniel Rodrigues da Costa versejou, sobre o mesmo assunto em 1819, e sucessivas edi��es (1820, 1822 e 1829), h� 177 anos portanto, com o t�tulo infra, e onde transparece algum retrato de um Portugal que se vai parecendo a si mesmo, como se o tempo tivesse parado no tempo. 24.4.06
18:19
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 766 ![]() Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya N�o sei, meus filhos, que mundo ser� o vosso. � poss�vel, porque tudo � poss�vel, que ele seja aquele que eu desejo para v�s. Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que adv�m de nada haver que n�o seja simples e natural. Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por v�s. E � poss�vel que n�o seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. Tudo � poss�vel, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pare�a a liberdade e a justi�a, ou mais que qualquer delas uma fiel dedica��o � honra de estar vivo. Um dia sabereis que mais que a humanidade n�o tem conta o n�mero dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de �nico, de ins�lito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente � secular justi�a, para que os liquidasse �com suma piedade e sem efus�o de sangue.� Por serem fi�is a um deus, a um pensamento, a uma p�tria, uma esperan�a, ou muito apenas � fome irrespond�vel que lhes ro�a as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados t�o anonimamente quanto haviam vivido, ou suas cinzas dispersas para que delas n�o restasse mem�ria. �s vezes, por serem de uma ra�a, outras por serem de uma classe, expiaram todos os erros que n�o tinham cometido ou n�o tinham consci�ncia de haver cometido. Mas tamb�m aconteceu e acontece que n�o foram mortos. Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por �nvios caminhos quais se diz que s�o �nvios os de Deus. Estes fuzilamentos, este hero�smo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha h� mais de um s�culo e que por violenta e injusta ofendeu o cora��o de um pintor chamado Goya, que tinha um cora��o muito grande, cheio de f�ria e de amor. Mas isto nada �, meus filhos. Apenas um epis�dio, um epis�dio breve, nesta cadela de que sois um elo (ou n�o sereis) de ferro e de suor e sangue e algum s�men a caminho do mundo que vos sonho. Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ningu�m vale mais que uma vida ou a alegria de t�-1a. � isto o que mais importa - essa alegria. Acreditai que a dignidade em que h�o-de falar-vos tanto n�o � sen�o essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez algu�m est� menos vivo ou sofre ou morre para que um s� de v�s resista um pouco mais � morte que � de todos e vir�. Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ningu�m, sem terror, sem ambi��o, e sobretudo sem desapego ou indiferen�a, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta ang�stia, um dia - mesmo que o t�dio de um mundo feliz vos persiga - n�o h�o-de ser em v�o. Confesso que multas vezes, pensando no horror de tantos s�culos de opress�o e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsol�vel. Ser�o ou n�o em v�o? Mas, mesmo que o n�o sejam, quem ressuscita esses milh�es, quem restitui n�o s� a vida, mas tudo o que lhes foi tirado? Nenhum Ju�zo Final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que n�o viveram, aquele objecto que n�o fru�ram, aquele gesto de amor, que fariam �amanh�. E, por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre t�-lo com cuidado, como coisa que n�o � nossa, que nos � cedida para a guardarmos respeitosamente em mem�ria do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros n�o amaram porque lho roubaram. Lisboa, 25 de Junho de 1959 (Jorge de Sena)
17:30
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
![]() Calceteiros na Pra�a da Liberdade, no Porto. (�lvaro Mendon�a)
10:21
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (24 de Abril de 2006) ![]() __________________________ ![]() Acabei agora de ler a Vis�o com v�rios dias de atraso. Duas coisas interessantes: a caricatura do "Puro veneno" com um Bush a rasgar e a comer um tapete persa. A legenda � que � interessante: "N�o suporta nada que tenha a ver com o Ir�o!" diz uma voz off. No entender do caricaturista seria interessante saber o que � que hoje � "suport�vel" no Ir�o. ![]() A outra � uma explica��o de Freitas do Amaral sobre a sua ida ao Canad� que foi ignorada pela imprensa, certamente porque o assunto j� n�o est� na agenda medi�tica. Independentemente de se concordar ou n�o com o MNE, uma coisa tem que se elogiar: Freitas do Amaral desce muitas vezes da sua posi��o ministerial para se explicar, o que � um m�rito. * ![]() "Roth's characters inhabit a truly post-religious world, in which we do not have immortal souls, only sick, lively desire, and the dying of the animal. The title of this new, bleak tale is taken from a mediaeval morality play in which Everyman, the human soul, is called by Death to appear before God's judgement seat. He is deserted by his strength, discretion, beauty, knowledge and five wits, leaving only his Good Works to speak for him at the end."
09:56
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 765 ![]() Icebergs Icebergs, sans garde-fou, sans ceinture, o� de vieux cormorans abattus et les �mes des matelots morts r�cemment viennent s'accouder aux nuits enchanteresses de l`hyperbor�al. Icebergs, Icebergs, cath�drales sans religion de l'hiver �ternel, enrob�s dans la calotte glaciaire de la plan�te Terre. Combien hauts, combien purs sont tes bords enfant�s par le froid. Icebergs, Icebergs, dos du Nord-Atlantique, augustes Bouddhas gel�s sur des mers incontempl�es. Phares scintillants de la Mort sans issue, le cri �perdu du silence dure des si�cles. Icebergs, Icebergs, Solitaires sans besoin, des pays bouch�s, distants, et libres de vermine. Parents des �les, parents des sources, comme je vous vois, comme vous m'�tes familiers... (Henri Michaux) * Bom dia! 23.4.06
21:54
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SUSTO E PAVOR ![]() Na habitual linha editorial das nossas TVs de sinal aberto que est�o mais ao n�vel das "trash TVs" de 3� mundo, arrepia at� pensar no que vir� por a� em Junho 2006 com o inicio do mundial de futebol na Alemanha. O hor�rio nobre ser� tomado de assalto pela barb�rie da futebol�ndia com reportagens no inicio, no meio e no fim dos telejornais c� do burgo com noticias t�o relevantes como a les�o do avan�ado, o cart�o amarelo ou a cor do underware da selec��o portuguesa... � assim a nossa pequen�s, a nossa cultura saloia, a nossa prociss�o medi�tica profano - religiosa em que pululam express�es com o "sobretudo de Mourinho", "o regresso de Mantorras" ou "as escolhas de Felip�o" que fazem as primeiras p�ginas at� de jornais ditos de refer�ncia... Portugal � o paradigma de pequena p�tria ansiosa por her�is perenes que nada acrescentam de concreto ao verdadeiro desenvolvimento do pa�s... Portugal � uma p�tria exacerbada, uma esp�cie de "bonfire of vanities" � espera que her�is virtuais fa�am grandes milagres...e o pior ? O pior, � que at� as designadas elites que nos governam e desgovernam alinham no esquema... (Ant�nio Ruivo)
12:11
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (23 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Num pilar de acesso � Ponte 25 de Abril: "Dr. Salazar"? Se fosse s� "Salazar" percebia-se, o "Dr." � que � todo um programa em duas letras. Salazar era Professor, "Prof.", mais do que apenas "Dr.", mas na altura bastavam as duas letras para enunciar a distin��o. O autor da inscri��o sente essa distin��o tanto quanto a quer transmitir com a simplicidade de um nome que diz tudo. � uma pichagem ing�nua e por isso eficaz. Mas n�o h� diferen�a nenhuma entre este "Dr." e o "camarada" das pichagens sobre o "camarada Gonzalo". * (...) tanto quanto sei (e pouco mais sei que isso), "Dr. Salazar" � o nome de uma banda que, ali�s, chegou a actuar na Festa do Avante, h� uns anos atr�s. Essa inscri��o est� em in�meros outros s�tios. Parece-me que estes factos alteram o pr�ncipio (uma inscri��o isolada, num local espec�fico) de que parte para o seu racioc�nio e interpreta��o. "Ouvido" no Overheard in New York Does Psycho Killer Start with P?
09:59
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 764 La G�nisse, la Ch�vre, et la Brebis, en soci�t� avec le Lion La G�nisse, la Ch�vre, et leur soeur la Brebis, Avec un fier Lion, seigneur du voisinage, Firent soci�t�, dit-on, au temps jadis, Et mirent en commun le gain et le dommage. Dans les lacs de la Ch�vre un Cerf se trouva pris. Vers ses associ�s aussit�t elle envoie. Eux venus, le Lion par ses ongles compta, Et dit : "Nous sommes quatre � partager la proie. " Puis en autant de parts le Cerf il d�pe�a ; Prit pour lui la premi�re en qualit� de Sire : "Elle doit �tre � moi, dit-il ; et la raison, C'est que je m'appelle Lion : A cela l'on n'a rien � dire. La seconde, par droit, me doit �choir encor : Ce droit, vous le savez, c'est le droit du plus fort Comme le plus vaillant, je pr�tends la troisi�me. Si quelqu'une de vous touche � la quatri�me, Je l'�tranglerai tout d'abord. " (La Fontaine) * Bom dia! 22.4.06
23:42
(JPP)
VER A NOITE
Agora mesmo, numa terra sem luz p�blica, imersa numa escurid�o quase total. * Outra mudan�a, mais subtil, a da geografia interior da casa. Sem a luz que entra de fora, da lua (que n�o h�), dos candeeiros, que est�o apagados, os contornos da casa perdem-se por dentro. As janelas abrem-se para um escuro que fecha a casa em si mesma. � dif�cil atravess�-la sem abrir todas as luzes, falta um reflexo de uma clarab�ia, um tra�o amarelo que vem da rua, um rastro de n�on ou de magn�sio, mesmo de longe, do mundo exterior.
14:39
(JPP)
COISAS DA S�BADO: OS TELEJORNAIS DOENTES COM TANTA DOEN�A Hoje n�o h� telejornal sem doen�as. Ou s�o congressos sobre doen�as, com reportagens sobre os doentes, ou s�o campanhas contra esta ou aquela doen�a, mais reportagens sobre os doentes; ou s�o casos raros, abstrusos, excepcionais, sobre uma doen�a que ataca meia d�zia de pessoas, mais reportagens sobre os doentes da rara doen�a. N�o � poss�vel chegar ao fim do longo tempo de notici�rio sem a dan�a intercalada entre o futebol e as doen�as. Nos per�odos de �opera��es� da GNR para controlar o tr�nsito das pontes, minif�rias idas e vindas de feriados e f�rias pequenas, m�dias e grandes, como se sabe uma actividade constante entre os portugueses, temos o menu intercalado entre futebol, doen�as, acidentes e filas de tr�nsito. Infeliz pa�s o nosso, que s� tem doen�as. Feliz pa�s o nosso, em que n�o h� not�cias.
14:30
(JPP)
COISAS DA S�BADO: O FINANCIAMENTO DO HAMAS ![]()
11:32
(JPP)
ARQUIVO: OUTRAS M�SICAS
![]() ![]() ![]() ![]() Velhos discos de 45 RPM, directa ou indirectamente relacionados com a vida pol�tica.
10:36
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM SANTIAGO DE COMPOSTELA, ESPANHA
Abastecimento matinal (08H00 da manh�, 07H00 na rep�blica portuguesa). (Jos� Pedro Oliveira S.)
10:21
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 763 Today and Two Thousand Years from Now The job is over. We stand under the trees waiting to be told what to do, but the job is over. The darkness pours between the branches above, but the moon's not yet on its walk through the night sky trailed by stars. Suddenly a match flares, I see there are only us two, you and me, alone together in the great room of the night world, two laborers with nothing to do, so I lean to the little flame and light my Lucky and thank you, comrade, and again we are in the dark. Let me now predict the future. Two thousand years from now we two will be older, wiser, having escaped the fleeting incarnations of workingmen. We will have risen from the earth of southern Michigan through the tangled roots of Chinese elms or ancient rosebushes to take the tainted air into our leaves and send it back, purified, down the same trail we took to escape the dark. Two thousand years passed in a flash to shed no more light than a wooden match gave under the trees when you and I were lost kids, more scared than now, but warm, useless, with names and different faces. (Philip Levine) * Bom dia! 21.4.06
22:12
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM SORGA�OSA, SERRA DO A�OR - ARGANIL, PORTUGAL
Carregando um tronco de pinheiro para fazer cavacas destinadas � fogueira. (Ant�nio Lopes Pedro)
11:54
(JPP)
Actualizadas as notas NUNCA � TARDE PARA APRENDER: "A ILHA HER�ICA" (MALTA STORY) e A FAUNA DAS CAIXAS DOS COMENT�RIOS.
09:52
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (21 de Abril de 2006) ![]() __________________________ N�s temos o nacionalismo t�pico dos pobrezinhos: o astronauta brasileiro foi quase sempre designado no Telejornal das 12 horas da RTP1 como "lus�fono", e o ter-se falado portugu�s no espa�o como o evento principal da viagem. Como se Portugal tivesse algum m�rito, algum papel, na ida para o espa�o do nosso estimado brasileiro. * Ao ler o seu post lembrei-me que no passado j� tinha sentido o mesmo, nas �ltimas elei��es americanas com a senhora Teresa Heinz Kerry e a possiblidade da primeira dama americana falar portugu�s. * Dilemas dos acad�micos na televis�o: sound bites ou argumentos? * Sartre e Beauvoir, o casal insuport�vel, come�a a ter boa imprensa. N�o h� nada que, deixando passar o tempo e as f�rias, n�o tenha boa imprensa. Ele dizia " Je suis �crivain, j'ai besoin d'amours contingentes !", ela era menorizada como La Grande Sartreuse. Agora um telefilme Amants du Flore retoma a hist�ria do casal e Assouline conclui: "Mais des deux, le g�nie, c'est elle. Rien dans l'oeuvre de Sartre n'arrivera � la capacit� d'influence et de bouleversement des mentalit�s du Deuxi�me sexe. Sur la dur�e et dans la profondeur, c'est Beauvoir qui restera -et qui reste d�j�, n'en d�plaise � la secte des gardiens du temple sartrien, qui d'ordinaire assimile la moindre r�serve � une insulte." * Algumas perguntas e afirma��es certeiras de Jo�o Adelino Faria no Di�rio de Not�cias: "H� quanto tempo n�o damos not�cias? H� quanto tempo n�s, jornalistas, corremos quase obsessivamente, todos os dias, para escutar mais uma reac��o sobre uma declara��o feita por um ministro, pol�tico, advogado, juiz ou procurador? (...) Porque andamos todos atr�s uns dos outros? Um jornal avan�a com um tema, a r�dio segue, a televis�o completa, ou vice- -versa - a ordem pouco importa. � uma tarefa quase ingl�ria descobrir algo diferente nos jornais, na r�dio e na televis�o. Estamos todos quase sempre � volta do mesmo.(...)
09:50
(JPP)
International Incidents 1. Wang Ping asks if we went to a seder last night She did, in Minneapolis No, I say, we�re not observant as though we constantly overlook details 2. The teachers in the lounge crowd around the Swedish visitor You must be very proud one of them beams to be Swedish She has no idea what that means She says, I don�t dislike being Swedish 3. Who�s ever met a Bulgarian? he would shout in the bar Then one night two homely blond sisters smiled and said We are Bulgarians! They smiled for two weeks then went away forever (Robert Hershon) * Bom dia! 20.4.06
23:52
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM CORUCHE, PORTUGAL
Lavrando, Coruche, Vale do Sorraia, Abril 2006. (Ant�nio Ferreira de Sousa)
19:42
(JPP)
A FAUNA DAS CAIXAS DOS COMENT�RIOS ![]() A Rede est� a mudar tudo, a criar coisas novas, a realizar outras muito antigas que as tecnologias at� agora existentes ainda n�o permitiam e a dar efic�cia a velhos, e muitas vezes maus, h�bitos que existiam no mundo exterior e agora passam para o mundo interior da Internet. Alguns casos recentes voltaram de novo a mostrar a Internet sob uma luz pouco am�vel, bem preconceituosa ali�s, porque nada do que l� se faz se deixou de fazer c� fora. O que h� � um upgrade tecnol�gico no crime, que a Rede melhora e nalguns casos favorece pela sua acessibilidade e universalidade. S�o estes os m�ltiplos exemplos da chamada �fraude nigeriana�, ou os casos de Phishing que leva os incautos a fornecerem palavras-passe de acesso a contas banc�rias; os casos de �cyberstalkers�, pessoas que perseguem outras cujo nome e morada aparece na Internet. Isto tudo depois da pedofilia, e de outras utiliza��es criminosas da Rede. O que � novo na Rede, quer na �normal� quer na criminosa, s�o as caracter�sticas psicol�gicas especificas do mundo em linha, em especial a explora��o da fronteira, mais t�nue do que parece, entre a realidade e a virtualidade. E isso traz elementos novos como se v� se analisarmos para al�m do crime em si. Um caso actual � o do assassinato de uma menina de 10 anos, por um autor do blogue chamado �Strange Things are Afoot at the Circle K.� , que tinha feito pouco antes um coment�rio sobre canibalismo, O que h� de novo neste caso e no interesse medi�tico sobre ele, � que em vez de um di�rio em papel, ou escritos mais ou menos dementes ou geniais, como era o caso pr�-Internet do Unabomber, agora, quase de imediato, todos se voltam para o blogue, para o perfil do blogue, para o rastro na Rede do putativo criminoso. A Rede fica indissoci�vel da nova identidade das coisas, como se entre o mundo virtual e o real a teia fosse completa. E, se calhar, �. Mas n�o � este apenas o �nico aspecto interessante, h� outro para que n�o se tem chamado a aten��o: o mundo muito pr�prio dos que escrevem sobre textos alheios nas caixas de coment�rios dos blogues ou de �rg�os de comunica��o em linha. O Strange Things are Afoot at the Circle K. continua em linha e tem, � data em que escrevo, 644 coment�rios na �ltima nota escrita pelo seu autor, todos eles posteriores ao conhecimento do crime. O blogue continua vivo mesmo depois da pris�o do seu autor. Mas os 644 coment�rios empalidecem face aos portugueses 1321 coment�rios do Semiramis cuja an�nima autora teria morrido de morte s�bita, suscitando as mais contradit�rias vers�es na pr�pria caixa de coment�rios do blogue. Deixando de parte a pol�mica sobre as caixas de coment�rios abertas ou moderadas, ou sobre a sua pr�pria utilidade e valor, deixando de lado tamb�m a hist�ria pessoal inverific�vel do que aconteceu � sua autora (ou autor?) an�nimo, o interessante � registar que o que h� nesse blogue � uma comunidade que aproveita o �lugar� para se encontrar. A caixa de coment�rios tornou-se numa esp�cie de chat, que parasita a notoriedade do blogue, como j� acontecera no Espectro com os seus finais 494 coment�rios, onde as pessoas se encontram numa pequen�ssima �aldeia global�, que tomam como sua. O comportamento destas pessoas-em-linha � compulsivo, eles �habitam� nas caixas de coment�rios que s�o a sua casa. Deslocam-se de caixa para caixa de coment�rio, deixando centenas de frases, nos s�tios mais d�spares, revelando nalguns casos uma disponibilidade quase total para comentar, contra-comentar, atacar, responder, mantendo s�ries enormes que obedecem � regra de muitos frequentadores desta �rea da Rede: hor�rio laboral na maioria dos casos, quebra no fim-de-semana e nos feriados. S�o pessoas que est�o a escrever do seu local de trabalho ou de estudo, de empresas ou de escolas, onde tem acesso � Internet. H� no entanto, alguns casos de comentadores caseiros e noct�vagos, que s� podem estar a escrever noite dentro, como era o caso nos primeiros anos da blogosfera portuguesa, antes de se democratizar. � um fen�meno aparentado com muitas outras experi�ncias comunit�rias na Rede, mas est� longe de ser o mundo adolescente dos frequentadores do MySpace ou dos �salas� de conversa virtual. No caso portugu�s, os comentadores n�o parecem ser muitos, embora a profus�o de pseud�nimos e nick names, d� uma imagem de multiplicidade. S�o, na sua esmagadora maioria, an�nimos, mas o sistema de nick names permite o reconhecimento m�tuo de blogue para blogue. Est�o a meio caminho entre um nome que n�o desejam revelar e uma identidade pela qual desejam ser identificados. Querem e n�o querem ser reconhecidos. � o caso da �Zazie�, do �Euroliberal�, do �Sniper�, do �Piscoiso�, �Maloud�, �Bajoulo� �Xatoo�, �Atento�, Dasanta�, �Jos�, �e-konoklasta�, �Cris�, �Sabine�, �Jos� Sarney�, �anti-comuna�, etc,, etc, Trocam entre si sinais de reconhecimento, cumprimentam-se, desejam-se boas f�rias, e formam mini-comunidades que duram o tempo de uma caixa de coment�rios aberta e activa, o que normalmente dura pouco. Depois migram para outra, sempre numa tempestade de frases, expressando acordos e desacordos, simpatias e antipatias, quase sempre centrados na actividade de dizer mal de tudo e de todos. Imaginam-se como uma esp�cie de proletariado da Rede, garantes da total liberdade de express�o, igualit�rios absolutos, que consideram que as suas opini�es representam o �povo�, os �que n�o tem voz� os deserdados da opini�o, oprimidos pelos conhecidos, pelos c�lebres, pelos �sempre os mesmos�. S�o eles que dizem as �verdades�. Mas n�o h� s� o reflexo do populismo e da sua vis�o invejosa e mesquinha da sociedade e do poder, h� tamb�m uma procura de aten��o, uma puls�o psicol�gica para existir que se revela na parasita��o dos blogues alheios. Muitos destes comentadores t�m blogues pr�prios completamente desconhecidos, que tentam publicitar, e encontram nas caixas de coment�rios dos blogues mais conhecidos uma plataforma que lhes d� uma audi�ncia que n�o conseguem ter. N�o s�o bem �Trolls�, sabotadores intencionais, mas tem muitas das suas formas perturbadoras de comportamento. A sua chegada significa quase sempre uma profus�o de coment�rios insultuosos e ofensivos que afastam da discuss�o todos os que ingenuamente pensam que a podem ter numa caixa de coment�rios aberta e sem modera��o. Quando h� um embri�o de discuss�o, rapidamente morto pela chegada dos comentadores compulsivos, ela � quase sempre rudimentar, a preto e branco, fortemente personalizada e moralista: de um lado, os bons, os honestos, os dignos, do outra a ral� moral, os ladr�es, os pregui�osos que vivem do trabalho alheio, e dos impostos dos comentadores compulsivos presume-se. O que l� se passa � o Far West da Rede: insultos, ataques pessoais, insinua��es, inj�rias, boatos, cita��es falsas e truncadas, den�ncias, tudo constitui um caldo cultural que, em si , n�o � novo, porque assenta na tradi��o nacional de maledic�ncia, tinha e tem assento nas mesas de caf�, mas a que a Rede d� a impunidade do anonimato e uma dimens�o e amplifica��o universal. O que � que gera esta gente, em que mundo perverso, �cido, infeliz, ressentido, vivem? O mesmo que alimenta a enorme inveja social em que assentam as nossas sociedades desiguais (por todo o lado existe este tipo de comentadores), agravada pela escassez particular da nossa. Essa escassez n�o � principalmente material, embora tamb�m seja o resultado de muitas expectativas frustradas de vida, mas � acima de tudo simb�lica. Numa sociedade que produz uma puls�o para a mediatiza��o de tudo, para a espectaculariza��o da identidade, para os �quinze minutos de fama� e depois deixa no anonimato e na sombra os prolet�rios da fama e da influ�ncia, os g�nios incompreendidos, os justiceiros an�nimos, o �povo� das caixas de coment�rios, n�o � de admirar que se esteja em plena luta de classes. (No P�blico de hoje.) * Quanto ao assunto das caixas de coment�rios, h� caixas e caixas. Como h� sempre comentadores de todos os estilos e para todos os gostos, o resultado depende em grande parte da forma como � gerida (ou n�o) a aceita��o de coment�rios. Veja por exemplo o bom caso d'A Baixa do Porto , em que a "caixa de coment�rios" _�_ a pr�pria p�gina principal do blog.
14:47
(JPP)
![]() O que � interessante: a rara oportunidade de ouvir falar malt�s, a Ave Maria em malt�s; a cidade de Valleta, um posto fronteiri�o �nico do Ocidente com toda a hist�ria turbulenta feita pedra, muralhas, subterr�neos, fortalezas, que aparece aqui em filmes verdadeiros dos bombardeamentos; e tudo o que s�o imagens reais da guerra. * A minha fam�lia � de origem maltesa. Os meus trisav�s nasceram em La Valetta e como a fam�lia tinha neg�cios na Pen�nsula Ib�rica o meu bisav� e av� acabaram por se fixar por aqui, depois de terem vivido em Espanha (onde o meu pai nasceu) e do meu av� ter casado com uma francesa do sul, de Cassis. No s�culo XVII, ali�s, os meus antepassados Francesco e Nicola C�lia foram os "senhores" do feudo (fief) de Budaq. Daqui a minha curiosidade e interesse sempre que aparecem refer�ncias a Malta, o que � raro apesar de ser um Estado-Membro da UE. Existem mais fam�lias de origem maltesa em Portugal (Zammit, por exemplo, ligados, salvo erro, ao Vinho do Porto) e � sempre f�cil, pelo menos para n�s, identific�-los pelos apelidos onde quer que estejam. Tamb�m Teresa Heinz-Kerry � uma portuguesa de origem maltesa, por parte da m�e. N�o falo Malt�s, mas sei, por exemplo, que � a �nica l�ngua de origem semita da UE e a tamb�m a �nica que se escreve com alfabeto latino. Penso que a l�ngua � de origem �rabe, embora, hoje em dia, tenha adoptado muitas palavras inglesas (Malta foi col�nia inglesa at� aos anos 60) e italianas. De acrescentar que a George Cross inclu�da na bandeira de Malta foi-lhe atribu�da pela coragem e bravura demonstradas pelo seu povo durante a II Guerra Mundial.
09:54
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (20 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Uma nuvem em todo o seu esplendor no Astronomy Picture of the Day. * Uma cadeira de design italiano com livros para quem n�o gosta de livros, vista no Gizmodo. * Que mundo se v� por um buraco de uma agulha? Processos e imagens da fotografia estenopeica, vulgo pinhole.. * Com um grafismo melhorado a apoiar um coment�rio s�rio e calmo, o Bloguitica continua a detectar o spin. Escapou-lhe um bom exemplo de "not�cia" que todos os ministros desejam e alguns n�o conseguem ter: as tr�s p�ginas do Di�rio de Not�cias, de ter�a-feira, 18 de Abril, incluindo a capa e toda a parte nobre do jornal, sobre o "passaporte electr�nico" a emitir a partir de Setembro.
09:47
(JPP)
How Much of That Is Left in Me? Yearning inside the rejoicing. The heart's famine within the spirit's joy. Waking up happy and practicing discontent. Seeing the poverty in the perfection, but still hungering for its strictness. Thinking of a Greek farmer in the orchard, the white almond blossoms falling and falling on him as he struggled with his wooden plow. I remember the stark and precious winters in Paris. Just after the war when everyone was poor and cold. I walked hungry through the vacant streets at night with the snow falling wordlessly in the dark like petals on the last of the nineteenth century. Substantiality seemed so near in the grand empty boulevards, while the famous bronze bells told of time. Stripping everything down until being was visible. The ancient buildings and the Seine, small stone bridges and regal fountains flourishing in the emptiness. What fine provender in the want. What freshness in me amid the loneliness. (Jack Gilbert) * Bom dia! 19.4.06
19:34
(JPP)
Actualizadas as notas MIS�RIA HUMANA e TERRAS DE PORTUGAL ONDE N�O H� ESTADO: RIBEIRA DOS MILAGRES (LEIRIA).
19:30
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ALF�NDEGA DA F�, PORTUGAL
Apanhando giesta. (Lourdes Sendas)
01:04
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM SAKHALIN, FEDERA��O RUSSA Montagem de "pipeline" em Sakhalin, R�ssia, onde trabalha pelo menos um portugu�s, de �gueda, chamado Renato da Costa (autor da fotografia), que � "Spread Superintendent" do projecto de "pipeline" mais caro at� hoje. Quando esta imagem foi feita estavam 30 graus negativos, condi��es dif�ceis, mas nem por isso o trabalho p�ra. (�ngelo E. Ferreira) 18.4.06
22:45
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA FONTE DA TELHA, PORTUGAL
Recolha das redes. (Jo�o Caetano Dias)
17:13
(JPP)
MIS�RIA HUMANA ![]() Poucas coisas revelam melhor a mis�ria humana, em todos os sentidos, do que a explora��o da morte tr�gica de um actor de telenovela pela TVI. Est� a transmitir o funeral em directo, como um grande acontecimento nacional, com coment�rios a preceito, explorada a morte at� � obscenidade. Com a colabora��o do "bom povo portugu�s". * No seu breve coment�rio acerca da morte de um actor de uma telenovela da TVI, considerou a explora��o daquela como reveladora da mis�ria humana. O que a mim me parece � que �explora��o� e �mis�ria� n�o s�o os dois conceitos mais apropriados para avaliar a decis�o da TVI, se a avalia��o e a an�lise desta decis�o se basear nos pressupostos te�ricos do liberalismo. S�o dois conceitos que remetem mais depressa para uma an�lise marxista, que v� neles uma express�o da aliena��o dos homens.
14:03
(JPP)
TERRAS DE PORTUGAL ONDE N�O H� ESTADO: RIBEIRA DOS MILAGRES (LEIRIA) ![]() Pela en�sima vez, uma descarga de suinicultura, empestou a Ribeira dos Milagres. Est� � vista de todos, foi l� a GNR cobrir a ocorr�ncia, e as televis�es filmaram a porcaria da Ribeira. Talvez se o cheiro se filmasse, e o odor muito peculiar, �cido, intenso, que se cola a tudo, entrasse pelas casas dentro, o Estado fizesse o favor de chegar � Ribeira dos Milagres. Mais uma vez todas as autoridades, que mais uma vez nada de consequente v�o fazer, devem estar a cruzar os dedos, esperar que a not�cia, de t�o repetida, caia no esquecimento, para tudo continuar na mesma neste Portugal que n�o vem em nenhuma "estrat�gia de Lisboa", nem em nenhum Plano Tecnol�gico. * Porque nada mais resulta, e n�o me sinto tecnicamente habilitada para falar aprofundadamente de assuntos tecnol�gicos, eu sugeria que lhe mudassem o nome. � Ribeira dos Milagres. Pode ser que assim se consiga alguma coisa! Parece estar a funcionar com a incinera��o, que agora se chama co-incinera��o, n�o �? Al�m disso, neste pa�s certos nomes atraem a desgra�a, como aqui h� tempos aconteceu com a povoa��o de Nossa Senhora de F�tima, para onde esteve prevista uma incineradora, durante o governo PSD/PP. Quanto � tal ribeira: n�o sou t�cnica, mas n�o me parece nada imposs�vel (nem milagroso) resolver o problema desses res�duos, em primeiro lugar comendo menos carne de porco (at� faz bem), e em segundo lugar fazendo a compostagem e digest�o anaer�bia. E disse-o eu pr�pria certa vez, j� l� v�o uns anitos, aos microfones da Antena 1. Pelos vistos, esse gesto meu n�o foi t�o �milagroso� como se pela minha voz tivesse falado uma couve (embora me pare�a hoje, a julgar pelos resultados, que fiz de facto tal figura...)
10:01
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ESTRASBURGO, FRAN�A
Pol�cia bloqueia uma rua, 15 de Abril de 2006. (Daniel Rodrigues)
09:28
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 760 En l'honneur d'un Sage solitaire ![]() Moi l'Empereur je suis venu. Je salue le Sage qui, soixante-dix ann�es, a retourn� et labour� nos Mutations anciennes et lev� des savoirs nouveaux.
J'attends du Vieux P�re la le�on : et d'abord, s'il a trouv� la Panac�e des Immortels ? Comment on prend place au milieu des g�nies ? o Le Sage dit : Faire monter au Ciel le Prince que voici serait un malheur pour l'Empire terrestre. o Moi l'Empereur interroge le Solitaire : a-t-il re�u dans sa caverne la visite des trente-six mille Esprits ou seulement de quelques-uns de ces Tr�s-Hauts ? o Moi le Solitaire n'aime pas les visiteurs importuns. o Moi l'Empereur implore enfin le Sage le pouvoir d'�tre utile aux hommes : quelque chose pour le bien des hommes ! o Le Sage dit : �tant sage, je ne me suis jamais occup� des hommes. (Victor Segalen) * Bom dia! 17.4.06
23:08
(JPP)
Nunca vi falar ingl�s assim numa s�rie de televis�o americana. Novas palavras que nem sequer sabia que existiam: "faro", um jogo de cartas popular no s�culo XIX; "heathen", os infi�is, usado para os Sioux e os chineses; e muitas mais. O cal�o, pelo contr�rio, permanece reconhec�vel, ontem como hoje, a julgar pelo seu uso hom�rico pelas personagens "de baixo", jogadores, prostitutas, rufias, prospectores de ouro, a rua de Deadwood e o com�rcio pioneiro que pratica a acumula��o primitiva, ou seja, o roubo. Quando o roubo se torna em propriedade inicia-se a civiliza��o.
22:57
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA REGI�O DE ANTALYA NA TURQUIA Montanhas no sul da Turquia, a poucos quil�metros do Mediterr�neo e de Antalya. Mostra mulheres, a fazer p�es , enchidos com queijo, manteiga ou espinafres.
(Jo�o Mour�o)
19:13
(JPP)
COISAS DA S�BADO : A RAPOSETA, PINTALEGRETA, SENHORA DE MUITA TRETA ![]() H� v�rios dias que o retrato verbal magn�fico que Aquilino fez da sua raposa me vinha � mente quando observava as sucessivas habilidades com que o nosso Primeiro-ministro nos mant�m distra�dos e muito mais complacentes com a governa��o do que o que dev�amos estar. Ali havia raposeta �senhora de muita treta� e n�s levados pela �treta�, diminu�amos o sentido cr�tico e a vigil�ncia face aos actos do governo. Mea culpa fa�o tamb�m eu. Comentando as medidas para equilibrar o or�amento, os sucessivos an�ncios de investimentos estrangeiros, os planos tecnol�gicos e outros, o PRACE, o SIMPLEX e outros que todas as semanas nos anunciam, fui pelas inten��es. A imediaticidade do coment�rio tem este defeito, quando se volta aos documentos, quando se conhecem os resultados, a concretiza��o efectiva das medidas, as que ficaram pelo caminho, v�-se melhor a dimens�o da propaganda. As inten��es s�o as melhores do mundo, as medidas propagandeadas parecem reformas e, como suscitam as devidas reac��es corporativas e s�o feitas num clima de depress�o econ�mica, parecem a doer e doem pelo menos a uma parte dos portugueses, tendemos a pensar que desta vez � a s�rio. A habilidade do governo em integrar as suas medidas no programa do Outro � menos estado, melhor estado, desburocratiza��o, prioridade ao controlo do d�fice, reforma da administra��o p�blica - merece a devida concord�ncia do Outro, ou pelo menos, a sua aceita��o incomodada. O problema � depois. Mas depois j� o efeito de propaganda se verificou. Vai-se apenas � epiderme, como dizia Medina Carreira, ou vai-se mais ao fundo, � carne? E a resposta come�a a ser cada vez mais: epiderme, epiderme, epiderme. Os n�meros do d�fice previsto para este ano, de 6%, s�o o primeiro sinal muito s�rio que n�o s� se est� na epiderme, como ainda se est� a engrossar a epiderme. De novo o princ�pio da raposeta, a �treta�, foi posto a funcionar para o governo se vangloriar daquilo que � um sinal muito preocupante do falhan�o da sua pol�tica. Isto porque o n�mero de 6%, superior ali�s ao d�fice previsto do governo Lopes sem receitas extraordin�rias, s� parece razo�vel comparado com o exerc�cio a que se prestou o Banco de Portugal, ao calcular um d�fice final fict�cio para o or�amento anterior. A falta de prud�ncia do Banco de Portugal fornecendo um n�mero tendencial � propaganda governamental, partindo do principio que Bag�o Felix nada faria para controlar as contas p�blicas caso derrapassem dessa forma flagrante, serviu �s mil maravilhas para que 6% parecesse um bom resultado num ano em que houve receitas fiscais consider�veis, e um aumento dos impostos excepcional. Mas n�o �, � p�ssimo. A raposeta continua no seu jogging, deslumbrado pela governa��o por actos e sess�es de rela��es p�blicas, mas o reino animal � demasiado complicado para a �treta� esconder certas garras, e certos dentes. * O seu �ltimo coment�rio sobre a diferen�a entre a propaganda do governo e os resultados da governa��o parece-me muito pouco consistente. Qual � a surpresa pelo facto de o d�fice de 2005 ser de 6%? N�o era isso que estava previsto no or�amento rectificativo? Pode-se criticar o or�amento rectificativo, mas apontar o seu cumprimento como exemplo de incumprimento das expectativas criadas n�o faz qualquer sentido. Uma vez que o governo - baseando-se no relat�rio Const�ncio - justificou o aumento da despesa como decorrente do or�amento do governo PSD/CDS, seria preciso indicar exemplos concretos de despesas que o governo aumentou desnecessariamente. O gabinete de estudos do PSD poderia facilmente produzir um documento com este tipo de informa��o detalhada.
09:43
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (17 de Abril de 2006) ![]() __________________________ A rede que nos enreda: a hist�ria verdadeira do autor do blogue Strange Things are Afoot at the Circle K., acusado de ter morto uma crian�a de 10 anos e de se preparar para a comer, depois de ter escrito no seu blogue sobre canibalismo. O blogue continua em linha e recolhe coment�rios, cerca de quinhentos, o que n�o � muito pelos crit�rios portugueses com os seus cinco ou seis comentadores compulsivos por tudo quanto � caixa aberta. Outros tra�os de Kevin Ray Underwood na Rede foram apagados, por exemplo a sua lista de preferidos na Amazon, os seus coment�rios no MySpace. Kevin est� preso, mas o blogue est� solto. * A ler: "P�scoa" de Eduardo Pitta no Da Literatura. * Tempos modernos: "Os criadores de "South park" foram impedidos de desenvolver um epis�dio mostrando imagens do profeta Maom�. Em vez disso, o epis�dio mais recente da s�rie mostrou Jesus Cristo defecando no presidente George W. Bush e na bandeira americana.(no Jornal de Not�cias).
09:33
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM TAVIRA, PORTUGAL
Repara��o das redes. (Jo�o Caetano Dias)
09:28
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LAGOS, PORTUGAL Um trabalho t�pico do Algarve - fazer os bolinhos de am�ndoa e gila, conhecidos por morgadinhos. Tirei esta foto numa f�brica que existe � sa�da de Lagos na direc��o de Sagres, do lado esquerdo, na estrada 125. Fazem os morgadinhos, os D. Rodrigos, umas tortas de am�ndoas fabulosas, etc. Podemos v�-los � venda nas grandes superf�cies de Lisboa, mas tamb�m os podemos comprar l� directamente, que s�o muito melhores. (Acilina Caneco)
09:22
(JPP)
A Noiseless Patient Spider A noiseless patient spider, I marked where on a promontory it stood isolated, Marked how to explore the vacant vast surrounding, It launched forth filament, filament, filament, out of itself, Ever unreeling them, ever tirelessly speeding them. And you O my soul where you stand, Surrounded, detached, in measureless oceans of space, Ceaselessly musing, venturing, throwing, seeking the spheres to connect them, Till the bridge you will need be formed, till the ductile anchor hold, Till the gossamer thread you fling catch somwhere, O my soul. (Walt Whitman) * Bom dia! 16.4.06
10:26
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (16 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Ruas em tempo real: o "compasso"' na rua de S.Jo�o de Brito no Porto e em Braga. (Fotos de Gil Coelho) * Falta selectiva de mem�ria ou duplicidade? � t�o interessante ver artigos retrospectivos sobre as faltas dos deputados como o de hoje no Di�rio de Not�cias e n�o encontrar nenhuma refer�ncia a uma quest�o ultra-pol�mica do passado, as multas aos deputados faltosos aplicadas no Grupo parlamentar do PSD. Talvez porque, nessa altura, toda a comunica��o social era veementemente hostil a essas multas, tratando os deputados faltosos (fora da invoca��o de raz�es de consci�ncia) como her�is contra a disciplina "autorit�ria" da bancada... Era Cavaco o Primeiro-ministro. Ah! como os tempos mudam! PS: outra asneira repetida � dizer que a falta de quorum nunca se deu no passado. Aconteceu v�rias vezes, aconteceu at� haver vota��es a favor da oposi��o por falta de deputados da maioria. Tanta ligeireza jornal�stica n�o se admite.
10:20
(JPP)
O amor de Arthur Rimbaud o mestre do sil�ncio Nas montanhas onde moram as estrelas bosques que existem h� mil anos de cabelos negros como o luar e a brisa da tarde quando entra branda entre as p�talas das flores que se inclinam sobre o morto que dorme e misteriosamente repete: �Sur l'onde calme et noire o� dorment les �toiles Un chant myst�rieux tombe des astres d'or� semi-sa�do da terra com um olho infinito aberto morto h� um ano ao nascer da lua morto h� um dia ao nascer da rosa morto h� um sonho, morto h� um gesto frente ao sopro das �rvores da noite tocou o seio infante numa primavera e misteriosamente repete: �� p�le Oph�lia! belle como la neige! Ciel! Amour! Libert�! Quel r�ve, � pauvre Folle!� transparente sobre a terra mole de lava de estrela sobre cabelos id�nticos aos dos mortos desolados morto h� mil anos repete: �La blanche Oph�lia flotte comme un grand lys� o morto misteriosamente diz: �Il y a une horloge qui ne sonne pas� (Ant�nio Maria Lisboa) * Bom dia! 15.4.06
19:19
(JPP)
NUNCA � TARDE PARA APRENDER: AMERICANOS, MERCADO NEGRO, GASOLINA, PARADAS MILITARES
Antony Beevor, Paris After the Liberation, 1944-1949 ![]()
10:39
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (15 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Paredes das Caldas da Rainha:
10:37
(JPP)
COISAS DA S�BADO: MEM�RIA E RESPEITO ![]() O Primeiro-ministro Jos� S�crates visita a Fran�a por estes dias, numa viagem que coincide com a data do 9 de Abril que certamente n�o lhe dir� nada, nem a ele, nem aos seus assessores. Mas seria inconceb�vel um governante de qualquer pa�s aliado, nas duas guerras mundiais do s�culo XX, visitar a Fran�a no dia simb�lico mais importante para honrar os seus mortos em combate, e n�o se dirigir a um dos gigantescos cemit�rios que polvilham os antigos campos de batalha franceses. A 9 de Abril de 1918, na batalha conhecida como de La Lys, o Corpo Expedicion�rio Portugu�s foi massacrado pelos alem�es, tendo sofrido quase 8000 baixas. Muitos dos que morreram est�o sepultados em cemit�rios militares na Fran�a, esquecidos dos portugueses. O Eng. S�crates � um bom exemplo dessas gera��es mais novas, sem mem�ria e portanto sem respeito. * Talvez a raz�o porque se fala e escreve t�o pouco sobre a participa��o portuguesa na frente europeia da I Grande Guerra se relacione com o desconforto que uma an�lise imparcial dessa participa��o causaria em muitos de n�s. Relatos insuspeitos falam de casos de grande dignidade e at� de hero�smo, mas falam tamb�m de militares ingleses a obrigarem - � chapada - oficiais e soldados portugueses a n�o fugirem sem deixarem para tr�s os seus feridos.
10:35
(JPP)
A Palidez do Dia A palidez do dia � levemente dourada. O sol de inverno faz luzir como orvalho as curvas Dos troncos de ramos Secos. O frio leve treme. Desterrado da p�tria antiq��ssima da minha Cren�a, consolado s� por pensar nos deuses, Aque�o-me tr�mulo A outro sol do que este. O sol que havia sobre o Part�non e a Acr�pole O que alumiava os passos lentos e graves De Arist�teles falando. Mas Epicuro melhor Me fala, com a sua cariciosa voz terrestre Tendo para os deuses uma atitude tamb�m de deus, Sereno e vendo a vida � dist�ncia a que est�. (Ricardo Reis) * Bom dia! 14.4.06
11:22
(JPP)
COISAS DA S�BADO : FUTEBOL�NDIA ![]() Num debate organizado pelo Clube dos Jornalistas na 2 com os correspondentes estrangeiros em Portugal, para compara��o das agendas dos �rg�os de comunica��o social nacionais e internacionais, todos eles se referiram � perplexidade que lhes causa o papel absurdo que o futebol tem em Portugal. Seria impens�vel, dizia um deles, que as elei��es para a direc��o de um clube desportivo, abrissem um telejornal, e um caso como o do �apito dourado� dificilmente teria a politiza��o que c� tem e a correspondente cobertura comunicacional. � mesmo impens�vel que no Reino Unido, t�o apaixonado pelo futebol, existissem di�rios desportivos como em Portugal (n�o h� nenhum, est� em cria��o um). Numa semana em que, mais uma vez, Portugal foi a Futebol�ndia, com horas obsessivas diante dos ecr�s todos, com uma m�dia de quatro telejornais a abrirem com cada jogo individual, antes e depois do jogo, n�o contando as in�meras vezes em que o mesmo jogo volta no interior do mesmo notici�rio. A Futebol�ndia � um dos melhores retratos do nosso subdesenvolvimento. * Concordo com o que diz acerca da import�ncia do futebol em Portugal, mas por vezes essas coisas impens�veis acontecem noutros pa�ses. Talvez tenha passado despercebida em Portugal toda a pol�mica na Alemanha ap�s a derrota por 4-1 frente � It�lia, com v�rios deputados a exigir a presen�a do seleccionador Klinsmann perante uma comiss�o parlamentar, e a audi�ncia tocante com Angela Merkel, que compreende a situa��o do treinador porque � parecida com a sua.
10:50
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM TAVIRA, PORTUGAL
Salinas de Tavira. (Jo�o Caetano Dias)
10:47
(JPP)
![]() H� 2 anos e meio ,uma paisagem verde foi devastada na zona do pinhal no distrito de Castelo Branco. Da casa onde passo alguns fins de semanas, e alguns dias de f�rias durante o ano, apenas via o verde e ouvia o vento por entre os pinheiros .Hoje s� vejo gigantescas ventoinhas e�licas e um conjunto de serras carecas. As popula��es que vivem na povoa��o junto ao �parque e�lico�, n�o conseguem descansar de tanto � o zumbido das p�s das ditas ventoinhas. Felizmente disso n�o tenho de suportar�apenas uma paisagens lunar, des�rtica e escaldante alguns dias no ano. Da madeira n�o h� j� nada, refloresta��o � mentira ( se calhar est� � espera daqueles pacotes businessfreeenvironment, t�o sui-generis, do estilo do nosso primeiro ministro , the one and only best dress socialist-capitalist lover�e destinados n�o aos propriet�rios�esses malandros absentistas�mas a algum senhor da pasta de papel..pois ).Desta ecologia amea�ada n�o se v� queixa. Portugal est� a ficar careca �e sem tratamento. (...) Para que conste, e por ser verdade, o concelho � o de Proen�a-a-Nova , a povoa��o � a aldeia de Vale d�Urso. (Ant�nio Carrilho)
10:41
(JPP)
Acabei de dar os bons dias e recebo um e-mail que dizia "bonjour" por parte do Administrateur Ex�cutif du Comit� d'Attribution des March�s et Contrats Corporation Nationale P�troli�re CI, da Costa do Marfim, um nome que � j� todo um tratado de sociologia pol�tica: Bonjour,O resto todos sabem o que �.
10:39
(JPP)
EARLY MORNING PICTURE
Sexta feira santa. (Gil Coelho)
10:29
(JPP)
Permanently One day the Nouns were clustered in the street. An Adjective walked by, with her dark beauty. The Nouns were struck, moved, changed. The next day a Verb drove up, and created the Sentence. Each Sentence says one thing�for example, "Although it was a dark rainy day when the Adjective walked by, I shall remember the pure and sweet expression on her face until the day I perish from the green, effective earth." Or, "Will you please close the window, Andrew?" Or, for example, "Thank you, the pink pot of flowers on the window sill has changed color recently to a light yellow, due to the heat from the boiler factory which exists nearby." In the springtime the Sentences and the Nouns lay silently on the grass. A lonely Conjunction here and there would call, "And! But!" But the Adjective did not emerge. As the Adjective is lost in the sentence, So I am lost in your eyes, ears, nose, and throat� You have enchanted me with a single kiss Which can never be undone Until the destruction of language. (Kenneth Koch) * Bom dia, Nomes! 13.4.06
23:14
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A P�SCOA NO PA�S REAL ![]() Vou passar a P�scoa numa aldeia da Beira-Baixa que tem uma centena de habitantes com uma m�dia de idades superior a 70 anos e onde o �nico computador existente � o meu port�til - e s� quando l� estou. Telefones, h� dois ou tr�s; Internet, s� existe em dois lugares, a meia-d�zia de quil�metros de l� (na vila), e nem sempre est� a funcionar - e muito menos aos fins-de-semana. (Havia um Net-post nos CTT, mas foi retirado). As outras possibilidades (eventuais, pois n�o sei sequer se existem) s�o a 25 km, em Castelo Branco. E � num pa�s assim que uns citadinos lun�ticos querem que se pague o selo do carro s� atrav�s da Internet - e outras coisas igualmente sem p�s nem cabe�a. (C. Medina Ribeiro) * A possibilidade do �selo do carro� poder vir a ser pago exclusivamente pela Internet motivou um coro de protestos e um sobressalto que atravessou o pa�s de l�s a l�s. Porque muita gente n�o tem condi��es para ter Internet em casa, porque � um acto de liberdade prescindir da liga��o � Internet mesmo que se tenham condi��es, porque um grande n�mero de portugueses n�o sabe navegar no ciberespa�o� Esta � qui�� uma argumenta��o v�lida, mas pouco reflectida, pois considero a medida positiva, com exequibilidade e pode significar um avan�o civilizacional. Passo a explicar.
18:48
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LAGOS , PORTUGAL
Escolhendo o peixe na lota de Lagos (Agosto 2005). (Jos� Fernandes Santos)
18:35
(JPP)
POL�TICAS PARA FAZER OPOSI��O ![]() Deslocou-se o PS para o "centro", onde tradicionalmente habitava o PSD, ocupando um espa�o pol�tico que o asfixia? Como se pode fazer oposi��o contra um governo que parece realizar com mais determina��o as reformas que sempre foram defendidas pelo PSD? N�o � poss�vel, ou � dif�cil, tomar uma posi��o distinta, que demarque o PSD do PS? Todos os dias � poss�vel encontrar este tipo de afirma��es, que me levam a uma reac��o do g�nero: tretas, bullshit. Quisesse o PSD e todos os dias se perceberiam claras e distintas as diferen�as, onde h� diferen�as. O problema, tamb�m t�o claro e distinto, est� no "quisesse". Exemplos? N�o faltam, embora exijam coragem e nalguns casos rupturas com o passado, mais com as atitudes tomadas do que com posi��es program�ticas. E n�o faltam exemplos, porque o PS pode andar na dan�a das cadeiras entre os lados da sala, mas verdadeiramente n�o se senta em nenhuma, a n�o ser naquela em que j� est� sentado, uma cadeira onde os p�s s�o os impostos, e as costas e bra�os o Estado. O primeiro-ministro quer fazer dessa cadeira um m�vel de design, inteligente e com luzes a brilhar, mas � mais deslumbramento do que subst�ncia. Vamos aos exemplos. Deixo de lado todo o terreno habitualmente mais debatido da configura��o do Estado e do seu papel na economia. N�o porque n�o seja decisivo, mas sim porque me parece a� evidente que o que falta � oposi��o � assumir uma pol�tica liberal consistente, menos presa � vulgata do liberalismo te�rico e mais concentrada num esfor�o continuado para diminuir sempre o Estado onde ele n�o � preciso, encontrar sempre solu��es do lado da sociedade, privilegiar a iniciativa da liberdade individual e n�o a da engenharia social. A�, as distin��es poss�veis, n�o as que existem hoje, mas as que deveriam existir, s�o t�o flagrantes que n�o vale a pena estar a arrombar portas abertas: o pa�s precisa de mais liberdade e de mais liberalismo. Deixemos tamb�m de lado as chamadas "quest�es fracturantes" que, ou s�o folclore radical que chegou ao mainstream pela m�quina destiladora do "politicamente correcto", ou ent�o s�o mat�ria de consci�ncia e de vida privada, em que o Estado n�o devia meter-se. � um sinal da degrada��o da nossa vida p�blica e do esvaziamento pol�tico dos principais partidos portugueses que essas "fracturas" tenham tido a dimens�o que tiveram, se tornassem, e regularmente se tornem, quest�es centrais da agenda pol�tica. O m�ximo resultado que d�o � produzirem mais legisla��o de engenharia social, que manter� a sociedade exactamente como estava antes. Exemplos de zonas de oposi��o? Comecemos por uma, t�o crucial quanto ignorada e reprimida: a pol�tica externa, a vis�o global de uma pol�tica externa no mundo tal como � hoje. Defrontando quest�es como o Iraque, a B�snia, as rela��es transatl�nticas, a constru��o europeia (que ainda � uma quest�o de pol�tica externa), as rela��es com os PALOP, onde n�o existe hoje um corpo de pensamento, mas apenas continuidades que passam por ser "pol�tica de Estado", ou meras posi��es oscilantes ao sabor da decis�o de outros. Um pa�s que tem tropas na B�snia, que participa nominalmente no esfor�o de reconstru��o do Iraque, que alterou a sua Constitui��o para aprovar um Tratado Constitucional, que tem um problema simb�lico de identidade com Espanha, que tem uma larga comunidade emigrante pelos cinco continentes, que partilha uma das l�nguas mais faladas no mundo, pensa muito pouco no que se est� a passar � sua volta. Comecemos com Espanha. N�o � preciso ir mais longe - Espanha est� a mudar muito devido � crescente for�a das suas autonomias, que os entendimentos com a ETA v�o fortalecer. O desenho pol�tico do Estado espanhol est� muito mais fragmentado, e se � f�cil aos portugueses encontrar uma Espanha unit�ria na economia, j� � cada vez mais dif�cil encontr�-la na pol�tica externa, em que Zapatero causou perplexidades e estragos a um caminho de "grande pot�ncia" que Aznar seguia. Que implica��es tudo isto tem para n�s? N�o estudamos, n�o conhecemos, n�o sabemos e por isso o "Espanha, Espanha, Espanha" do primeiro-ministro � t�o vazio como o pragmatismo sem princ�pios que passeou por Angola. Em todas estas mat�rias n�o h� hoje doutrina, mas uma sucess�o de posi��es ao sabor da opini�o p�blica. Passemos para a quest�o do terrorismo apocal�ptico dos nossos dias, associado a todos os problemas confrontacionais de car�cter cultural e civilizacional com o fundamentalismo mu�ulmano, envolvendo a quest�o israelo-palestiniana, a situa��o no Iraque, e, no limite, o fosso entre parte da Uni�o Europeia e os EUA. Aqui sei mais o que pensa o PS de S�crates (que n�o � o mesmo do PS de Gama), do que sei o que pensa o PSD, porque este deixou degradar o seu pensamento com medo da impopularidade de algumas posi��es que nunca defendeu como devia - como seja a participa��o de Portugal na cimeira dos A�ores. Mas tamb�m sei que em todas estas mat�rias se exige uma ideia estrat�gica. E a haver um esfor�o de clarifica��o, perceber-se-� como � fundamental alicer�ar uma oposi��o � pol�tica externa socialista, que encontra em Freitas do Amaral um dos seus expoentes mais radicais. Que melhor terreno para os partidos de oposi��o para fazer oposi��o, onde ela faz falta, numa mat�ria como a pol�tica externa, onde a tradi��o de consenso � hoje em grande parte feita de ambiguidades? Querem outro exemplo de diferen�a numa �rea crucial para o futuro e qualidade da nossa democracia e do espa�o p�blico? A defesa da privatiza��o total dos �rg�os de comunica��o social do Estado. Aqui o PSD j� teve posi��es muito distintas, tendo j� defendido na lideran�a de Marcelo Rebelo de Sousa essa privatiza��o total, depois, com Barroso, recuou. O historial pr�tico n�o � brilhante: enquanto governo foi t�o estatista como o PS, controlou a comunica��o social p�blica como o PS, mas tem a seu favor nesta �rea a privatiza��o de uma parte da comunica��o social p�blica e a abertura do espa�o audiovisual ao sector privado. H� muitas raz�es de fundo para olhar para o sector da comunica��o social p�blica de modo inteiramente distinto daquele que � habitual hoje. H� raz�es pol�ticas, culturais, econ�micas e tecnol�gicas, para se fazer essa mudan�a, que �, ali�s, inevit�vel por causa da revolu��o na produ��o, gest�o e divulga��o da informa��o e do entretenimento. Muitos outros exemplos de diferen�as em que se podem alicer�ar pol�ticas de oposi��o necess�rias apareceriam se olh�ssemos para o nosso pa�s tal como ele �: um tecido desigual de muito arca�smo e pouca modernidade, com tend�ncia para que a modernidade seja moldada pelo arca�smo, um misto de pr�ticas subdesenvolvidas, com muito escassas "boas pr�ticas", com pequeno enraizamento social. O Governo PS mostra pouca sensibilidade com esta realidade, deslumbrado que est� pelo brilho tecnol�gico de receitas sem qualquer correspond�ncia com a nossa realidade social. Aqui h� uma verdadeira cornuc�pia de linhas de actua��o alternativas: desde a afirma��o crucial do papel da mentalidade empresarial, que para se gerar da escola para o trabalho, implicaria mudar, e muito, as velhas universidades e p�r em causa os seus poderes corporativos; at� � formula��o de uma nova pol�tica agr�cola, que tamb�m se tornou terreno apenas de pr�ticas de resist�ncia ou de adapta��o aos subs�dios europeus e que precisa mais do que nunca de uma vis�o de conjunto. O mesmo se pode dizer da necessidade de, de uma vez por todas, mudar o centro da pol�tica de "cultura" estatal, baseada na subsidia��o, a favor de uma distin��o entre pol�ticas patrimoniais e pol�ticas de anima��o e educa��o, que ganham em ser realizadas por outro tipo de minist�rios, como o da Economia e da Educa��o. O pa�s est� a entrar num novo desenvolvimentismo ecol�gico, ou seja a utilizar argumentos que eram cl�ssicos dos grupos ecol�gicos, como seja a cr�tica �s energias n�o renov�veis, para criar �reas de neg�cios "verdes" que trazem consigo novos riscos e press�es ambientais que ningu�m quer tratar como tal. � o caso da desapari��o progressiva da paisagem natural com a instala��o maci�a de parques e�licos. Esta nova economia "ecol�gica" far� tantos estragos como a antiga se n�o se travar a corrida para o lucro predador que j� est� em curso, e n�o ser� do PS que vir� essa preocupa��o. Depois, a agenda da economia, no sentido lato de "economia pol�tica", n�o � a dos jornais econ�micos, como pensam os yuppies socialistas e sociais-democratas. Falta nessa agenda muita coisa que n�o pode ser ignorada na ac��o pol�tica: o mundo do trabalho, o mundo das micro-empresas, a agricultura, o novo tecido social gerado pelas mudan�as econ�micas, desde o impacte do desemprego nas expectativas de vida, as novas formas de conflitualidade social, at� aos problemas gerados pela emigra��o, a que fechamos muitas vezes os olhos. N�o faltam, como vimos, muitas �reas em que se sabe o que o PS, os seus Governo e primeiro-ministro pensam, fazem ou n�o fazem e at� onde v�o. Ora, toda uma outra vis�o de Portugal existe e faz diferen�a. Esse Portugal precisa de oposi��o, precisa de alternativas. � verdade que muitos dos exemplos que dei s�o pol�micos na oposi��o, porque escapam ao terreno comum em que PS e PSD t�m gerido, muitas vezes em continuidade, o Estado. Mas se n�o se quer mesmo morrer asfixiado e dar raz�o aos te�ricos da ocupa��o do "espa�o pol�tico" tem que se fazer uma revis�o profunda em todas as �reas fundamentais da pol�tica. Uma revis�o do que se fez, das posi��es tradicionais tidas no passado, e dos problemas do presente. Se tal for feito, ver-se-� como h� mais raz�es, hist�ricas, program�ticas e ideol�gicas, para defender estas alternativas do que para andar a mexer por turnos o mesmo caldeir�o. ( No P�blico.)
15:16
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: TEMPESTADES COIMBR�S ![]() Para descentrar um pouco o debate, uma cita��o de Fernando Pessoa sobre "o provincianismo portugu�s": �Se, por um daqueles artif�cios c�modos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num sindroma o mal superior portugu�s, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto � triste, mas n�o nos � peculiar. De igual doen�a enfermam muitos outros pa�ses, que se consideram civilizantes com orgulho e erro. O provincianismo consiste em pertencer a uma civiliza��o sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordina��o inconsciente e feliz. O sindroma provinciano compreende, pelo menos, tr�s sintomas flagrantes: o entusiasmo e admira��o pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admira��o pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.� Recomendo o texto completo. (Jo�o Filipe Queir�) * Viva (de novo uma reac��o ao Abrupto, de Pacheco Pereira, que pelo menos veio at� Coimbra, provavelmente n�o para ouvir o ministro do ambiente, de cuja vinda eu pr�pria s� soube hoje, depois do debate na Assembleia da Rep�blica...), Susto e pavor, diz ele, a prop�sito das mulheres que em Coimbra viu! E talvez com alguma raz�o, mas n�o andar�o elas um pouco por todo o lado, incluindo em Lisboa? Muito compostinhas e bem comportadas, intervieram hoje � tarde no debate da Assembleia da Rep�blica deputadas de todos os partidos, em termos ideol�gicos de forma praticamente indistinta, a respeito do projecto de lei de apoio �s v�timas de viol�ncia transfronteiri�a. Mas moita a respeito de outro assunto em debate! (Refiro-me a um de que j� aqui tenho falado v�rias vezes). Bem poder�o come�ar a tirar uma especializa��o em enfermagem, as mulheres de Portugal. � pelos vistos nesse papel que gostam mais de se ver, e � esse seguramente o papel (n�o remunerado) que mais tarde ou mais cedo lhes ir� caber, pelo menos �s de Coimbra. Ou ent�o sentem-se bem no papel de secret�rias e de empregadas dom�sticas. Para al�m de no de donas ou empregadas de boutiques... Tudo fruto de um destino (ou �des�gnio� inter)nacional. Porque, nestas condi��es, quem deseja verdadeiramente ser m�e? Ou ler um livro, para adquirir a consci�ncia (inc�moda) da dimens�o a que a explora��o chegou? As estat�sticas da natalidade confirmam-no. Um certo (en)fado, seguramente, transforma-as em fadas. Ainda havemos de as ver (�s deputadas no parlamento) a limparem o suor da testa aos seus comparsas homens, entretidos nas suas engalfinha��es ret�ricas e por vezes quase versejantes (salvo raras excep��es: Carloto Marques foi hoje essa excep��o, porque disse ao que vinha com autenticidade - a voz tremia-lhe um pouco - e sem encena��es machistas). J� vejo uma aura de ouro redondinha a nascer � volta da cabe�a de muitas mulheres portuguesas, deputadas ou n�o, como nas representa��es medievais dos santos. O pior � que, antes de o c�rculo dourado da aur�ola se fechar, os dois semi-c�rculos que o formam, surgindo lentamente a partir de baixo, fazem com que a dada altura aquilo se pare�a com uma meia-lua, equipar�vel a dois cornos de vaca. � dessa imagem da mulher que se alimenta boa parte da economia que nos afecta. N�o h� destino que n�o possa por vezes dar em desatino... Quase nenhuma mulher em Portugal questiona as mat�rias duras da economia, salvo honrosas excep��es (Helo�sa Apol�nia foi hoje uma dessas excep��es, mas cingiu-se demasiado � tem�tica do ambiente, que possui contornos por vezes demasiado angelicais). Berardo p�e mulheres nuas arqueando o corpo no Centro Cultural de Bel�m, sem garantias de o Estado n�o sair financeiramente lesado, e a Cultura em Portugal (h� uma mulher � frente desse minist�rio, por sinal...) fez o favor de aceitar a desfeita. Pacheco Pereira queixa-se das livrarias de Coimbra. N�o ser� por acaso que isso acontece... � que em Coimbra � inaugurada em breve mais uma Fnac, na margem esquerda do Rio, num centro comercial megal�meno que abre dentro de dias (depois de h� um ano ter sido inaugurado outro, deixando os restantes �s moscas...). Quando se desce a Avenida S� da Bandeira v�-se agora, por cima da silhueta daquilo que em tempos foi o agradabil�ssimo mercado municipal de Coimbra, semi ao ar livre, a torre colorida de um espampanante e por sinal gigantesco centro comercial. Obviamente que n�o foi inocente a escolha do local, ali�s no s�tio onde antes se localizava uma f�brica t�xtil entretanto falida. A� trabalhavam sobretudo mulheres. Talvez algumas tenham agora uma lojeca de trapos ou de colares de madeira com �cora��ezinhos�. Ora, no folheto de apresenta��o da Fnac, que bem poderia situar-se no P�lo 1 da Universidade, nem um livro vemos: apenas aparecem promo��es de equipamento electr�nico, desde computadores port�teis a c�maras de filmar, e o fado - sempre o fado - como chamariz, pois ent�o. Ah, que saudades da minha biblioteca poeirenta e desarrumada, sem estilo nem design! Apetecia-me sentar-me l� num fim de tarde, com um livro bem velhinho e uma boa ch�vena de chocolate quente. Ouvindo o Requiem de Mozart. N�o me excluo da culpa por as coisas serem assim e por o conceito de cultura ser hoje t�o restritivo e espumoso, sobretudo para as mulheres portuguesas. Mas - independentemente das defini��es que circulam - n�o deixo tamb�m de me sentir v�tima dessa mesma cultura opressiva e at� violenta, porque ela no fundo nos humilha. De qualquer modo, se elas, as mulheres, n�o assumirem esse papel de fadas benfazejas, eles alguma vez o assumiriam? � aqui que est� (eternamente?) o cerne do problema da nossa incultura. Bem hajam aqueles (poucos) homens que s�o capazes de dar um passo em frente na mudan�a que urge fazer contra esta quantidade imensa de sorrisos amarelos na pol�tica portuguesa. E que n�o o fazem apenas para depois se contemplarem ao espelho, extasiados com o �estatuto� alcan�ado. (Adelaide) * Surpreendente � para mim o sonho do leitor Paulo Agostinho. Sonha com uma Fnac, o antro do consumismo, dos jogos de computador, televisores de plasma e "gadgeteria" diversa, onde tamb�m h� alguns livros e uns comes e bebes. Afinal ainda vai ser a "culture fran�aise" que vai inundar da "modernidade" as nossas tristes e ba�as cidades. Na passada, liberalize-se o pre�o do livro e rapidamente, nem livrarias "inimagin�veis de provincianas, escuras, mal abastecidas" existir�o. Os homens sonham com uma Fnac ao p� da porta, onde se deslocar�o de autom�vel, como em tempos as donas de casa sonharam com um hipermercado. Eu sonho com mercearias e livrarias de refer�ncia. Dispenso essa alegre "modernidade", sou um aut�ntico selvagem. (Jos� Rui Fernandes) * A baixa e a alta de Coimbra, a esta��o de comboios Coimbra B, pararam no tempo. Coimbra parou no tempo. Mas � por isso mesmo que se torna t�o enternecedora. Os gatos errantes nos becos, as cal�adas �ngremes, aqui e ali um grupo alegre de matriculados na Universidade (quais estudantes!), descontra�dos e com olheiras, as velhas r�publicas, as lojas de moda completamente demod�s, os restaurantes �s moscas, a Queima � porta, a festa da Rainha Santa como h� 40 anos, o ar leve da Primavera e aquela tranquilidade t�pica da irracionalidade e do provincionalismo puros (nos resultados do ano lectivo, dos lucros do com�rcio, na necessidade da cidade se modernizar�). Coimbra � uma can��o, de sonho e tradi��o. A lua a faculdade. Ai, Saudade. Adoro a minha cidade! (Helena Oliveira) * Tamb�m leio o �Le Monde Diplomatique�, mas nunca o li nem junto ao Mondego nem ao lado do �Bas�fias�. Quest�o de gosto, � claro. Aqui vivo h� 50 anos. Nunca deixei de comprar um livro que desejasse. A melhor colec��o de Jornalismo, por exemplo, � editada aqui; s�o os livros que me interessam particularmente. � mais f�cil encontr�-los em Coimbra do que noutro lado qualquer. Os de Direito, confesso, passam-me ao lado. Mas se tamb�m os h�, e bons, tanto melhor. E se n�o h� algo que me interessa e c� n�o h�, como vou por vezes a Lisboa e ao Porto, as FNAC s�o pontos de passagem obrigat�rios. Outras vezes, navego pelas �ciber-livrarias�. � f�cil, acredite; e muito mais seguro desde que inventaram o Mbnet. Quanto a Coimbra-prov�ncia pura, deixe-me dizer-lhe que fico feliz pela avalia��o. Esse � o objectivo de quem c� est�, acredite. Coimbra � uma aldeia; somos 120 mil e conhecemo-nos quase todos uns aos outros. Vive-se bem, acredite. PS � Quando conclu�ram a auto-estrada Lisboa-Porto muitos disseram que Coimbra iria morrer. Enganaram-se: melhorou (e muito!) a nossa qualidade de vida. Continuamos provincianos, cidad�os do mundo. (M�rio Martins, Coimbra) * N�o deixa de ser engra�ado como continuamos a achar que tudo vemos sabemos a partir de uma mera observa��o. De facto, o que vemos vem dos nossos pressupostos, mais do que das observa��es. Os elefantezinhos e companhia em nada perdem para as folcl�ricas tias do Herman e as suas correspondentes reais - h�-as em todo o pa�s, ainda que sem a pron�ncia da Linha. Quanto ao andar "vestido � padre", n�o vejo que mal tenha isso, da mesma maneira que n�o vejo que mal tenha andar de fato e gravata ou andar vestido � punk. S�o linhas conformistas - mesmo as supostamente mais anti-conformistas, por vezes indicadoras de falta de autonomia para decidir. Acho � estranho o adjectivo "poeirentos". Talvez onde estava, sem d�vida: � piso de terra - seco, presumo - � natural que as capas levantem algum p�. Mas � de facto algo que deixa um sorriso, n�o propriamente um inc�modo, quando se passou pela cidade. A vida acad�mica � bem mais rica do que noutras que conheci - e n�o me refiro ao folclore: h� um contacto rico entre colegas de todas as �reas acad�micas, em actividades muito diversas, n�o apenas nos colegas do "grupo" ou "da faculdade". H� debate intelectual (e parvo�ce comum, claro), h� contacto com outras realidades - muito forte. As livrarias s�o um aspecto cada vez menos importante neste particular, especialmente nas �reas t�cnicas: h� acesso a informa��o actualizada via Web, h� acesso ao invent�rio de quase todos os livros do mundo via Web, em vez de cingido �s exist�ncias de uma livraria; h� acesso barato a esses mesmos livros, quando decidimos compr�-los. O papel (nos dois sentidos) da livraria f�sica continua v�lido, mas muito menos importante. Sim, as lojas da baixa est�o decadentes - por culpa pr�pria, pois impedindo a concorr�ncia "moderna" dos centros comerciais at� recentemente, era mais f�cil subsistir. Quanto �s capas, usadas por muitos por apego e gosto pela tradi��o, s�o algo a louvar, pois � um uso mais aut�ntico do que t�-las meramente para efeitos administrativos de formatura ou cerim�nia. E tanto jeito d� poder passar uns tempos s� a ter de ter limpas e lavadas as camisas brancas e cal�as pretas, desde que n�o se suje a batina nem a capa... Que jeito d� ter uma capa para a noite fria, para por em cima da relva, para objecto ou fetiche de companhia... Enfim, compreendo a exist�ncia do seu ponto de vista, mas passa-me ao lado. (Leonel Morgado) * Serei breve, mais pelo piscar de olho � amiga que mandou o Blog (n�o sou grande leitor do g�nero, mas em cidades pequenas as not�cias correm depressa�), do que para expiar a gravidade da ofensa ou o orgulho ferido� longe de mim, quero mesmo supor que todos t�m raz�o, simplesmente quando J. fala de P., fica-se a saber mais de J. do que de P.� Neste c�mputo, o choupal serviria t�o bem ao desfecho, como o novo est�dio municipal... Mas vamos �s livrarias. Tudo uma quest�o de perspectiva, diria eu, e as cidades prestam-se muitos bem a todos os enganos. Cresci sempre com a impress�o de que Coimbra era uma cidade boa apenas para se nascer. A abertura de uma livraria a meias com amigos, foi a �nica raz�o suficiente para me fazer ficar uns anos mais. A ideia era nova e desempoeirada: uma esp�cie de extens�o mais bem composta da estante l� de casa, num s�tio apraz�vel, central e moribundo como conv�m, a uns metros do largo onde o Nozolino fez o retrato perfeito de uma cidade. A coisa tinha bom ar, embora fosse pintada a tinta barata. Uma �nica �rea disciplinar (a que conhec�amos melhor), bastante entrecruzada para n�o parecermos obsessivos e porque �ramos jovens e atentos. Os livros nacionais ficavam de resto em desvantagem com os estrangeiros, apenas e s� porque a produ��o local ser� sempre diminuta em rela��o a tudo o que se produz. A livraria durou o que durou, o tempo que a cidade quis e nem um pingo de nostalgia ou de rancor, tempo suficiente para ouvir o elogio de quem garantia ser uma das mais raras livrarias de arquitectura existentes no mundo. OK. Tanto faz. Finis laus Deo. (abro par�nteses apenas para reparar uma meia-verdade: a livraria n�o fechou, continua aberta � fechada apenas, como as cidades, para quem n�o se der ao trabalho de dar por elas.) (vasco pinto, Coimbra) * A descri��o que faz de Coimbra � a do turista acidental que encalha num s�tio que dizem ser o "centro da cidade" e que visto o centro viu tudo. De facto o bas�fias e companhia s�o deprimentes. Mas h� mais cidade! Ouvi dizer que o Sena propunha como as duas mais importantes medidas p�s queda do regime a extin��o da PIDE-DGS e da Universidade de Coimbra! Provavelmente nunca disse nada disso mas a id�ia tinha boas ra�zes. O problema � que o mundo mudou e as cidades com o mundo. Com certeza o que procura n�o est� onde procura e o que lhe � devolvido na procura n�o � Coimbra � Portugal! 1. Livrarias N�o vejo grande diferen�a entre Coimbra e Lisboa ( n�o estou a falar de alfarrabistas). O panorama � de uma mediocridade confrangedora. Com a FNAC prevista para abrir a 26 deste m�s menor a dist�ncia. 2. Universidade Tem centros de excel�ncia reconhecidos por avaliadores internacionais. Tem maus cursos e bons cursos. � demasiado grande e diversificada para ser boa ou m�. Est� � nossa medida. Entretanto o Salazar j� morreu. 3. Vida cultural Med�ocre. Qualquer cidade francesa com o mesmo n�mero de habitantes produz 10 vezes mais cultura que Coimbra. Assim como qualquer capital europeia que se preze produz 10 vezes mais cultura que Lisboa. Sobre a chamada �rea metropolitana do Porto n�o conv�m falar. Obviamente o 10 � um n�mero como outro qualquer e o conceito de produ��o cultural � aquele que se quiser. 4. Iniciativas da sociedade civil: clubes; ongs; centros de conv�vio. Tudo muito mau. O costume em Portugal. Existe a televis�o. 5. Capas e batinas. Teve sorte em v�-las. Vivo c� e s� as lobrigo nas festas acad�micas. A pavarosa Queima, a rid�cula Latada, etc. Trata-se de folclore cretino. Existe em muitas cidades do mundo dito civilizado. (Alberto Costa) * N�o querendo abusar da sua paci�ncia, e mesmo sabendo que n�o querer� transformar o assunto num di�logo entre os seus leitores, n�o queria deixar de informar, com refer�ncia ao coment�rio do senhor Paulo Agostinho, que pelo menos numa das tr�s livrarias da Bertrand em Coimbra (uma delas, a maior do pais, segundo penso), encontrar� concerteza o Evelyn Waugh, o Goethe e o Dickens, alguns deles em edi��es estrangeiras, n�o s� da Penguin. Isto, supondo, razoavelmente, que os livros indicados no site da pr�pria Bertrand tamb�m se vendem nas suas lojas de Coimbra. Mas posso estar enganado e numa pr�xima oportunidade irei confirmar. (Ant�nio Ma�arico, Coimbra) * Uma nota que seria injusto n�o fazer. Coimbra possui uma excelente livraria especializada em Banda Desenhada, que est� a entrar no mundo virtual e da venda online . Chama-se Dr Kartoon e a� encontram-se muitas publica��es estrangeiras (inevitavelmente, j� que pouco se deve publicar em portugu�s no campo da BD). Paulo Agostinho
14:59
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (13 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Excelente ideia do Kontratempos: sugest�es para desburocratizar a partir de casos reais. Por exemplo, a obten��o do ISSN. * M�rio Bettencourt Resendes, "Tempo de ressurrei��o" , no Di�rio de Not�cias sobre uma pr�tica que falta na nossa imprensa: os obit�rios de qualidade.
12:44
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA NAZAR�, PORTUGAL
Vendendo amendoins no S�tio, Nazar�, Abril 2006. (Ant�nio Ferreira de Sousa)
09:55
(JPP)
a animada discuss�o dos leitores do Abrupto sobre Coimbra, suscitada pela nota LENDO O LE MONDE DIPLOMATIQUE, JUNTO AO MONDEGO, NUM DIA CINZENTO, AO LADO DO BARCO "BAS�FIAS", continuar� aqui em cima.
09:52
(JPP)
COISAS DA S�BADO : OS PR�XIMOS TR�S ANOS: TEMPESTADE OU BONAN�A? Olhando para os pr�ximos tr�s anos a primeira impress�o de uma pessoa que viva dentro daquilo que se chama agenda medi�tica � a de uma acalmia anormal no plano pol�tico. O governo est� confort�vel na sua maioria absoluta e o estilo autorit�rio do Primeiro-ministro d� o quanto de confian�a necess�rio, fazendo a propaganda o resto; o Presidente est� l�, s�lido e previs�vel, garantindo um m�dico de equil�brio para o sistema e impedindo abusos; a oposi��o est� confinada ao seu deserto �rido, com lideran�as que todos consideram a prazo, mas que ningu�m quer substituir por reserva e m� f�. Tudo explodir� um pouco, ou talvez quase nada, daqui a dois � tr�s anos na febre das novas elei��es, n�o faltando quem ache que essas elei��es manter�o tudo como est�.![]() Este olhar � comum naquelas pessoas que s�o politizadas, acompanham a vida p�blica com aten��o, l�em o Expresso no fim-de-semana, discutem pol�tica, s�o da classe m�dia na maioria dos casos e de meia-idade. Este � o pa�s a que pertence a maioria dos produtores e consumidores activos de informa��o em Portugal. E no entanto� No entanto, a aparente acalmia pol�tica s� pode ser aparente, a n�o ser que o mundo de palavras, inten��es e an�ncios a que assistimos seja puramente fantasm�tico, o que tamb�m � s� por si uma receita para a perturba��o. Tomemos ou n�o o governo a s�rio, os resultados sociais s� podem ser os mesmos: os pr�ximos tr�s anos s� podem ser anos de grande conflitualidade, e � imposs�vel que essa conflitualidade n�o passe para a pol�tica. Tomemos as reformas que o governo anuncia pelo seu valor facial. Elas significam desemprego, despedimentos e desqualifica��es na fun��o p�blica, racionaliza��o de servi�os, encerramento de institui��es regionalizadas, aumento do custo de vida, mais impostos, menos sal�rios, mais precariedade, pobreza e mediania, onde j� n�o h� pobreza absoluta. As expectativas que j� s�o baixas ir�o ser ainda mais baixas. Se as reformas s�o para ser reformas, s�o para equilibrar o or�amento, diminuir as despesas, aumentar as receitas, racionalizar o estado, s� podem ter este caminho no t�nel, para haver luz no fim de um t�nel que n�o se sabe bem que tamanho tem. Se nada disto acontecer, a crise continuar� a agravar-se e fora dos sectores privilegiados pelo estado, os mesmos efeitos se far�o sentir. Por isso conv�m n�o tomar como adquirida a paz p�blica e o sossego pol�tico. A n�o ser se j� estivermos todos mortos sem dar por isso, o que tamb�m n�o � imposs�vel de acontecer.
09:35
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM BANGKOK, TAIL�NDIA
Vendendo amendoins em Bangkok (2004). (Jos� Fernandes Santos)
09:15
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 755 QUASI UN MADRIGALE Il girasole piega a occidente e gi� precipita il giorno nel suo occhio in rovina e l'aria dell'estate s'addensa e gi� curva le foglie e il fumo dei cantieri. S'allontana con scorrere secco di nubi e stridere di fulmini quest'ultimo gioco del cielo. Ancora, e da anni, cara, ci ferma il mutarsi degli alberi stretti dentro la cerchia dei Navigli. Ma � sempre il nostro giorno e sempre quel sole che se ne va con il filo del suo raggio affettuoso. Non ho pi� ricordi, non voglio ricordare; la memoria risale dalla morte, la vita � senza fine. Ogni giorno � nostro. Uno si fermer� per sempre, e tu con me, quando ci sembri tardi. Qui sull'argine del canale, i piedi in altalena, come di fanciulli, guardiamo l'acqua, i primi rami dentro il suo colore verde che s'oscura. E l'uomo che in silenzio s'avvicina non nasconde un coltello fra le mani, ma un fiore di geranio. (Salvatore Quasimodo) * Bom dia! 12.4.06
07:24
(JPP)
Trees They stand in parks and graveyards and gardens. Some of them are taller than department stores, yet they do not draw attention to themselves. You will be fitting a heated towel rail one day and see, through the louvre window, a shoal of olive-green fish changing direction in the air that swims above the little gardens. Or you will wake at your aunt's cottage, your sleep broken by a coal train on the empty hill as the oaks roar in the wind off the channel. Your kindness to animals, your skill at the clarinet, these are accidental things. We lost this game a long way back. Look at you. You're reading poetry. Outside the spring air is thick with the seeds of their children. (Mark Haddon) * Bom dia! 11.4.06
20:03
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ILHA GRANDE, BRASIL
Trabalho em Ilha Grande (Brasil), Mar�o de 2006 (Ana Mouta)
11:54
(JPP)
Actualizada a nota LENDO O LE MONDE DIPLOMATIQUE, JUNTO AO MONDEGO, NUM DIA CINZENTO, AO LADO DO BARCO "BAS�FIAS".
11:51
(JPP)
BIBLIOFILIA: MAIS LIVROS, MENOS TEMPO ![]() ![]() ![]() Nancy Milford, Savage Beauty: The Life of Edna St. Vincent Millay Carol Mavor, Pleasures Taken: Performances of Sexuality and Loss in Victorian Photographs Patrick Leigh Fermor, On Foot to Constantinople: From the Hook of Holland to the Middle Danube
11:41
(JPP)
Ouvido algures no Ribatejo: "-Entao eles j� andam a pedir para declarar a cria�ao? -Andem, andem... -E vais declarar? -Eu nao. Para qu�? A minha cria�ao t� toda fechada." �s vezes lembro-me do filme "Il Gattopardo" a prop�sito de n�s, portugueses. Lembro-me sobretudo da cena em que o conde de Salina explica os sicilianos a um emiss�rio de Roma. Recorda uma visita de soldados ingleses � ilha que, embora admirados com a sua beleza, ficaram pasmados com a mis�ria end�mica. O conde ter-lhes-� respondido que os sicilianos nao se preocupavam com o seu estado - os sicilianos eram deuses, tao simplesmente. �s vezes creio tamb�m que n�s, portugueses, somos deuses, alheios a esses ingleses, de que lemos no jornal e at� elogiamos, mas que secretamente desprezamos. (Pedro Oliveira)
10:14
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (11 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Poucas coisas fazem tanto sentido como a de se ser americano e manifestar-se a favor da legaliza��o dos emigrantes. Not�cias nos blogues das grandes manifesta��es a favor dos emigrantes nos EUA. * Em vez das absurdas queixas contra o imperialismo anglo-sax�nico, a boa maneira dos franceses responderem ao Google: um motor de busca que analisa o conjunto da obra do fil�sofo L�vinas, incluindo os textos ainda protegidos pelo direito de autor. Na p�gina do Institut d'�tudes l�vinassiennes. * Um cr�tico, neste caso uma cr�tica, Michiko Kakutani, do New York Times, analisada por um cr�tico, Ben Yagoda no Slate. E Yagoda n�o � nada meigo: "The voice this reader would really like to hear in Michiko Kakutani's reviews is not a mock-Holly Golightly voice or the enervated (or prissy) voice of an enshrined critic, but Kakutani's own. Here's a modest suggestion on how to start: Just once, instead of describing what "the reader" expects, thinks, or does, she might try using the word "I."
09:49
(JPP)
EARLY MORNING PICTURE
Guimar�es pela manh�. (Gil Coelho)
09:46
(JPP)
Lam�ntase Manzanares de tener tan gran puente Habla el r�o �Qu�tenme aquesta puente que me mata, se�ores regidores de la villa; miren que me ha quebrado una costilla; que aunque me viene grande me maltrata! De bola en bola tanto se dilata, que no la alcanza a ver mi verde orilla; mejor es que la lleven a Sevilla, si cabe en el camino de la Plata. Pereciendo de sed en el est�o, es falsa la causal y el argumento de que en las tempestades tengo br�o. Pues yo con la mitad estoy contento, tr�iganle sus mercedes otro r�o que le sirva de hu�sped de aposento. (Lope de Vega) * Bom dia! 10.4.06
20:32
(JPP)
TEMPOS COMUNICACIONAIS E PROPAGANDA - DEMONSTRA��ES ![]() J� se viu muita coisa, mas uma tomada de posse da direc��o da Pol�cia Judici�ria marcada para coincidir com os telejornais das 8, devidamente transmitida em directo pela RTP, ainda n�o tinha acontecido.
18:04
(JPP)
TEMPOS COMUNICACIONAIS E PROPAGANDA ![]() O intervalo que passa entre o an�ncio das medidas do governo e a sua execu��o efectiva e impacto real, favorece o efeito propagand�stico. O que �passa� nas sess�es de an�ncio, cuidadosamente preparadas por especialistas de rela��es p�blicas e assessores de comunica��o, onde toda a mensagem � controlada sem contradit�rio e sem ru�do, s�o as inten��es, e as �inten��es� s�o muitas vezes consensuais e de aplaudir, pelo que o efeito � positivo. Este tempo comunicacional dos an�ncios � prime time, tempo nobre. Quando se come�a a perceber a diferen�a entre as �inten��es� e a realidade, o tempo comunicacional � j� bem mais pobre do o do seu an�ncio e a mensagem muito menos eficaz at� porque muitas vezes j� nem sequer est� no centro da agenda pol�tica. Se se quiser agora e reler, � luz do que j� se sabe, e que j� se p�de estudar o SIMPLEX ou o PRACE, e se come�a a perceber quais os investimentos que v�o ser concretizados, ou a realidade do Plano Tecnol�gico, ou analisar o primeiro resultado de 6% na pol�tica or�amental � luz do relat�rio Const�ncio sobre o d�fice, quem achar� que a agenda medi�tica actual comporta essas quest�es? Ningu�m, porque as quest�es j� s�o �velhas�. O governo est� a usar e a abusar deste efeito, mas talvez deva dizer-se que ele s� � eficaz pela combina��o de dois processos: um, a oposi��o passar a ser cred�vel, logo a fazer-se ouvir em tempo �til (o que n�o mudar� de um dia para o outro) refor�ando a vigil�ncia parlamentar; e outro, a comunica��o social deixar de simplesmente incorporar os termos das sess�es de an�ncio, fazendo uma cobertura �transparente�, que mant�m intacta a inten��o propagand�stica. Est� mais do que na altura de come�ar a haver mais distancia��o cr�tica, at� para que se perceba o que o governo faz bem e o que n�o faz e � s� propaganda.
16:25
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM MUMBAI, �NDIA
Lavandaria manual a c�u aberto em Mumbai. (Jos� Santos)
15:05
(JPP)
LENDO O LE MONDE DIPLOMATIQUE, JUNTO AO MONDEGO, NUM DIA CINZENTO, AO LADO DO BARCO "BAS�FIAS" Tudo isto me parece um pouco sinistro, mas encaixa muito bem. Os artigos sobre a defunta lei do CPE, a come�ar pelo editorial de Ramonet, d�o o tom �s aguas. � minha volta fala-se brasileiro, l�ngua dos empregados de restaurante em Portugal, produto da globaliza��o. � minha frente, umas jovens senhoras, de grandes an�is de casadas, uma das quais � dona de uma boutique, mostram umas �s outras um produto novo: uns colares gigantescos de madeira, iguais a milhares de outros, mas com uns "elefantezinhos" e uns "cora��ezinhos" dependurados (elas falam em diminutivos). "S�o bons para a tua loja". Susto e pavor. Ramonet fala em aumentativos. Ele acha que a Fran�a, sua sociedade, sua economia, e sua cultura s�o gloriosas e que agora a "direita" e o "liberalismo" a rebaixam no seu valor. Toda esta conversa de "decl�nio" e "crise" da Fran�a � uma ced�ncia ao "inimigo", diz Ramonet, ou seja ao imperialismo americano e o liberalismo econ�mico anglo-sax�nico. Pobre Villepin, que eu conheci Ministro dos Neg�cios Estrangeiros, sempre com o mesmo ar enfadado, com a arrog�ncia da pequena nobreza rural perante um mundo que n�o fosse galo-franco-franc�s, agora passado para o "inimigo", que ele mais que tudo desprezava. Apanhado na sua pr�pria medicina, com a esquerda alter-mundialista do Le Monde Deplomatique a agitar a tricolor. Coimbra por tr�s. Sempre achei que devia haver algo de muito errado numa cidade em que os estudantes gostam de andar vestidos � padre. Passam alguns, negros e poeirentos. Uma cidade cujas livrarias na baixa s�o inimagin�veis de provincianas, escuras, mal abastecidas, quase sem livros estrangeiros. Apenas o Direito � rei e senhor, tudo o resto leva � pergunta: como pode uma cidade universit�ria ter livrarias assim? Tudo triste, ba�o, esquecido da "modernidade" como agora se diz. Mal por mal, prefiro ver as not�cias necrol�gicas ainda coladas nas paredes como nas aldeias e vilas do Norte. � certo que me parecem ser feitas j� em computador e impressas a laser ou jacto de tinta, e depois prosaicamente copiadas. Algures ainda devem ser feitas em tipo de chumbo, apertado nas caixas a cordel, e com os filetes para ocupar espa�o. Prov�ncia pura, o que em si n�o � mal nenhum, n�o fosse ser esta a terra da "Lusa Atenas". * O "Sempre achei" demonstra o preconceito, claro. Imagino o projecto matinal: "Deixa-me c� ver e ouvir algo que ilustre o que eu � partida j� decidi escrever."
09:54
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (10 de Abril de 2006) ![]() __________________________ Certeiro e dur�ssimo, o artigo "Med�ocre, mesmo mau!" de Gra�a Franco no P�blico (sem liga��o) de hoje, contra a pol�tica or�amental do governo.Uma contribui��o para a diminui��o da "treta", que cada vez mais abunda no engolir indiscriminado da propaganda governamental: "Vamos falar verdade: o d�fice de 6 por cento conseguido pelo actual Governo em 2005 n�o � um bom resultado. �, na melhor das hip�teses, um resultado med�ocre que, conjugado com o escandaloso agravamento do r�cio da d�vida p�blica em mais de cinco pontos percentuais num �nico ano (passando de um limiar abaixo de 60 por cento em 2004 para uma previs�o de quase 69 por cento este ano), s� pode ser entendido como um mau resultado. O efeito do galopar da d�vida est� j� � vista: em 2006, de acordo com os n�meros enviados a Bruxelas na semana passada, o Governo espera gastar, em juros, tanto quanto em investimento, perto de 4,4 mil milh�es de euros. Em rigor, os n�meros de 2005 s� n�o s�o p�ssimos porque o nosso desejo de que "resulte" o trabalho desta equipa para bem do pa�s � t�o grande que risca o pessimismo da an�lise econ�mica." * Mais uma raz�o para contestar as quotas, erradamente chamadas da "paridade", e mais uma raz�o para contestar a hegemonia masculina na pol�tica: os g�neros l�em diferente. Os homens s�o escapistas, as mulheres apaixonadas, diz um inqu�rito do Guardian, sobre os livros preferidos por sexo: |