ABRUPTO |
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jppereira@gmail.com
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31.3.06
23:14
(JPP)
Se quiser juntar ao acervo de argumentos contra a exist�ncia de meios de comunica��o do Estado mais um, e constatar ainda outra vez o vazio do conceito de "servi�o p�blico" nesta �rea, deite uma espreitadela � not�vel mini-s�rie que a RTP exibe desde 4� feira... � 1 da madrugada, "To the end of the earth", baseada nos livros de William Golding (concluiu hoje 6�). Os jogos de poder e rom�nticos, a exigente conten��o geral da realiza��o, os matizes e flutua��es dos personagens, a constru��o da hist�ria e das rela��es, s�o, todas elas, absolutamente raras e superiores. Mas a grosseria da programa��o do tal "servi�o p�blico" expele a s�rie para as madrugadas de um dia de semana. (Jos� Cruz)
23:13
(JPP)
Actualizadas as notas GRIPE, LIVROS, TELEVIS�O E O CANAL DA FOX e A CRISE DA IMPRENSA ESCRITA URBI ET ORBI.
23:12
(JPP)
N�o sei se os portugueses em geral e os jornalistas em especial j� repararam no seguinte: o SIMPLEX 2006 prev� um conjunto concreto de medidas e especifica as entidades respons�veis pela implementa��o dessas medidas; passadas horas da apresenta��o desse programa, � apresentado o PRACE onde se prev� que a maior parte desses mesmos organismos � extinta (leis org�nicas aprovadas at� Junho de 2006). Mas algo n�o bate certo - por exemplo, as medidas do SIMPLEX 152/ 153/ 154/ 155/ 156/ 157/ 158/ 160/ 161/ 162/ 163/ 164/ 165/ 166/167/169/170/168/149/151/159 e 150 (isto �, 22 medidas s� deste exemplo!) s�o medidas a serem concretizadas pela Direc��o-Geral de Via��o a partir de Junho de 2006, organismo esse que, pasme-se, de acordo com o PRACE (e respectivo relat�rio de suporte) ser� extinto em Junho de 2006. Pergunta: n�o estar� o governo a condenar o Simplex ao insucesso? Como cumprir as metas do programa sabendo os organismos que v�o ser simplesmente extintos? P.S. � apenas um exemplo - temo (como contribuinte) que aconte�a o mesmo com as restantes medidas... (Rui Medeiros)
23:00
(JPP)
No DN, Francisco Sarsfield Cabral escreve: "Para que servem, ent�o, as auto-estradas, incluindo as que n�o t�m portagem e supostamente deveriam estimular o desenvolvimento do interior? Servem sobretudo para as pessoas que vivem no litoral, numa faixa entre Viana do Castelo e Set�bal, irem passar fins-de-semana e f�rias "� terra" ou �s resid�ncias secund�rias que entretanto adquiriram. A vida no interior do Pa�s � cada vez mais sazonal." Isto absolutamente insultuoso. As auto-estradas e n�o s� (as IP tamb�m) permitiram que n�s que c� estejamos n�o estejamos num buraco. H� necessidade de algo que n�o existe? Vai-se numa manh� ao Porto, vai-se reunir com uma empresa, assistir a um congresso, ter uma reuni�o. Dantes? 4 horas para ir de Vila Real ao Porto (100 km)? Ia-se para passar o dia, talvez dormir, caso a reuni�o fosse tarde. Era prefer�vel n�o trabalhar com o Porto, muitas vezes. A economia ficava retida numa ilha de terra no interior do pa�s. � verdade que o interior ainda n�o se desenvolveu suficientemente. Mas muito mudou para quem c� vive. H� op��es, h� qualidade de vida efectiva. Em 1997, ano em que me mudei para Vila Real, n�o consegui fazer c� compras de Natal: s� havia lojas car�ssimas ou lojas paradas no tempo. Hoje? Nem me lembro de quando fui fazer compras ao Porto. Vou l�, sim, para trabalhar, sem qualquer problema, pois demoro apenas uma hora de carro e hora e meia de autocarro. E desde este ano, estou a menos de uma hora de Viseu, n�o duas horas ou mais por estradas horr�veis. Ser� assim t�o dif�cil ver o que isto implica no aumento do mercado potencial para as empresas locais? No aumento de oportunidades de emprego, por amplia��o da �rea de ac��o das pr�prias fam�lias? A vis�o do interior dada por FSC �, no m�nimo, ignor�ncia crassa. No m�ximo, um conluio para o abandono total de parte do pa�s. (Leonel Morgado) * Discordo do Senhor Leonel Morgado, quando diz que �A vis�o dado por FSC [Francisco Sarsfield Cabral] �, no m�nimo, ignor�ncia crassa�.
22:44
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ANGOLA
(Luis Pereira)
11:49
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM BUENOS AIRES, ARGENTINA (...) trata-se de um vendedor ambulante de flores, a quem nas ruas do bairro de "Villa del Parque" pedi autoriza��o para retratar. Disse-me: sim, mas... r�pido "que puede venir la cana (pol�cia)". (Francisco F. Teixeira)
10:16
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (31 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ Ruas: manifesta��o dos partid�rios do grupo religioso Falun Dafa em Nova Iorque. * Inteiramente de acordo com Jo�o Miranda no Blasf�mias: "A inspec��o selectiva de restaurantes pelo simples facto de os respectivos propriet�rios serem chineses, feita por uma entidade p�blica com dever de imparcialidade, com a presen�a das c�maras da SIC que n�o se coibiram de filmar pessoas e nomes de restaurantes, s� tem um nome: xenofobia. Discordo parcialmente de si. O facto de se tratar dos restaurantes chineses nada tem de xen�fobo, antes consistindo na verifica��o de uma realidade que todos n�s sabemos ser verdadeira (ali�s, h� muito tempo e at�, muitas das vezes, mais por motivos culturais do que de falta "propositada" de higiene). * T�tulo um pouco estranho (na vers�o em linha n�o tem aspas, ser� que tem em papel?): "Lu�s Represas em comunh�o passional no Coliseu do Porto" no P�blico. Em "comunh�o passional"?
09:47
(JPP)
Trees in the Garden Ah in the thunder air how still the trees are! And the lime-tree, lovely and tall, every leaf silent hardly looses even a last breath of perfume. And the ghostly, creamy coloured little tree of leaves white, ivory white among the rambling greens how evanescent, variegated elder, she hesitates on the green grass as if, in another moment, she would disappear with all her grace of foam! And the larch that is only a column, it goes up too tall to see: and the balsam-pines that are blue with the grey-blue blueness of things from the sea, and the young copper beech, its leaves red-rosy at the ends how still they are together, they stand so still in the thunder air, all strangers to one another as the green grass glows upwards, strangers in the silent garden. (D.H. Lawrence) * Bom dia! 30.3.06
18:15
(JPP)
A CRISE DA IMPRENSA ESCRITA URBI ET ORBI Os �ltimos indicadores publicados em Portugal revelam uma crise da imprensa escrita, como de costume com excep��es, mas mostrando uma tend�ncia que n�o � distinta do que acontece a n�vel mundial. Mesmo nos pa�ses em que h� elevados �ndices de leitura de jornais, existe uma usura crescente das suas tiragens, em particular da chamada imprensa de refer�ncia. A classifica��o de "imprensa de refer�ncia" � parcialmente ilus�ria, porque a tend�ncia para a tabloidiza��o n�o � inteiramente contradit�ria com a "refer�ncia", e tamb�m nos tabl�ides h� trabalho jornal�stico. O mesmo separar de �guas pode tamb�m ser enganador com a imprensa gratuita. O que digo genericamente � para a imprensa escrita, jornais e revistas no seu conjunto que, globalmente, mostram sinais da mesma doen�a.![]() Conhecidos mais n�meros para ilustrar esta tend�ncia em Portugal, imediatamente a discuss�o virou-se para as receitas, para o que se pode fazer para que se leiam mais jornais e revistas. Falou-se das dificuldades, de literacias, das mudan�as que s�o necess�rias nos �rg�os de comunica��o social, da necessidade de inova��o editorial, etc., mas esta discuss�o parece-me ser ao lado, porque penso que este tipo de crise da imprensa escrita veio para ficar. O que acontece � que a imprensa escrita continua a oferecer um produto �nico e imprescind�vel, no conjunto das suas diferentes varia��es, mas cuja centralidade � hoje bastante menor em rela��o ao todo do sistema comunicacional. H� coisas que a imprensa escrita faz melhor do que ningu�m - em particular a media��o editorial das not�cias e a produ��o de opini�o, quer no �mbito exclusivamente jornal�stico, quer no do coment�rio de diferente teor -, mas j� h� muitas outras coisas que faz menos bem, e n�o vai voltar a faz�-lo. Tamb�m aqui se repete a hist�ria do cinema e da lanterna m�gica - depois do cinema n�o se volta aos tempos da lanterna m�gica. A reac��o de muitos respons�veis pela imprensa, de jornalistas a propriet�rios, � repensar muitos aspectos da forma como a imprensa escrita se apresenta e o tipo de cobertura jornal�stica que faz. As inova��es gr�ficas, a qualifica��o do tratamento noticioso, em detrimento da not�cia pura e dura, e as tend�ncias para v�rios tipos de jornalismo, em particular os tabl�ides, ou o especializado, s�o algumas dessas respostas. Olhando para o Di�rio de Not�cias e o P�blico, muitas dessas tentativas de resposta est�o � vista: suplemento econ�mico do Di�rio de Not�cias, revistas tem�ticas no P�blico, maior papel na primeira p�gina de temas como futebol, aproxima��o dos temas "s�rios" aos tabl�ides, utiliza��o de cor, diminui��o do tamanho dos artigos, ofertas de discos, livros e filmes, etc. Mas penso que o problema � mais profundo e, qualquer que seja a volta que se lhe d�, o papel da imprensa escrita, continuando a ser �nico e imprescind�vel no sistema comunicacional, � hoje menor e apresenta um maior grau de complementaridade com outras formas de media, que ocupam efectivamente uma parte do espa�o que pertencia no passado em exclusivo aos jornais e revistas. Ao mesmo tempo, num processo que caminha num sentido id�ntico, a palavra escrita perde terreno, da escola � publicidade, da vida social � oralidade, substitu�da cada vez mais por meios mais intensos e afectivos assentes na imagem e na imagem em movimento. Numa sociedade em que o logos perde terreno, o pathos desenvolve-se exponencialmente na cultura de massas. As televis�es "educam" mais do que a escola, ou a fam�lia, e educam na imagem e na rapidez, em detrimento do argumento e da racionalidade. N�o admira que na economia da vida a palavra escrita perca valor simb�lico para as massas que acederam ao conforto, explicitude e comodidade das imagens. ![]() Pode-se argumentar que os jornais o fazem com perspectiva, e com distancia��o, mas este � um argumento j� defensivo, porque a informa��o em tempo pr�ximo do real, com todos os defeitos na sua editorializa��o, n�o deixa de ter vantagens. A dificuldade editorial dos "directos" n�o significa impossibilidade editorial, porque uma boa esta��o de r�dio ou televis�o com equipas de rep�rteres e jornalistas experimentados pode perfeitamente faz�-lo, sem p�r em causa a fluidez da not�cia. Ora, no passado, os jornais tamb�m cumpriam esta fun��o, por exemplo, produzindo edi��es especiais, imediatamente distribu�das na rua, o que hoje s� muito raramente acontece. Como estamos melhor informados sobre eventos, em particular os que t�m maior espectacularidade, e por isso "valor" televisivo, os jornais n�o podem competir nesse aspecto noticioso. A CNN, com transmiss�es como a que fez do golpe contra Gorbatchov, nos �ltimos dias da URSS, forneceu um paradigma da cobertura em directo, que � um aperfei�oamento, ou, se se quiser, um prolongamento de uma fun��o que pertencia aos jornais, migrou para a r�dio e para a televis�o e, ainda no seu in�cio, para a Internet. Como existem hoje, os quotidianos s�o lentos para o fluxo noticioso, embora tenham tecnologias a prazo que lhes ir�o permitir ser mais velozes. De algum modo, as sinergias entre os jornais em papel e os s�tios noticiosos que os jornais mant�m na Internet, e mesmo, nalguns casos, blogues de jornalistas que se encontram in situ, novas formas de distribui��o mais r�pida dos jornais, inclusive por meio de "papel" electr�nico, podem acelerar, mas n�o podem competir em absoluto. Depois h� todo um aspecto de cobertura entre o especializado e o generalista, de assuntos e temas particulares, em que tamb�m a competi��o entre os jornais e a Internet, s�tios e blogues monotem�ticos, se faz em preju�zo dos jornais. A cr�tica especializada, de culin�ria, de gadgets, de vinhos, de viagens, espect�culos, de livros, de filmes, ainda continua a ser um dom�nio em que a imprensa escrita, que tenha cr�ticos com independ�ncia e qualidade, conhecimento das mat�rias e estilo pr�prio de escrita, tem vantagem. Mas, cada vez mais, essa vantagem � residual, � medida que se vai alargando um espa�o cr�tico na Internet, que corresponda aos crit�rios de isen��o e qualidade que at� agora apenas se encontravam na imprensa escrita. Com a profissionaliza��o, por exemplo dos blogues, estes poder�o fornecer an�lises de qualidade e alargar o espa�o cr�tico com maior pluralismo. Os sinais de tens�o e fric��o traduzidos em mecanismos de influ�ncia competitivos j� s�o evidentes. Estes e outros exemplos apontam todos no mesmo sentido - a imprensa escrita ganha em inserir-se melhor no sistema de sinergias comunicacionais com a r�dio, televis�o e Internet (s�tios noticiosos e blogues) e utilizar as potencialidades de cada meio para fazer aquilo que cada um faz melhor. N�o pode resistir sozinha com uma inova��o puramente interior, tem que se inovar tecnologicamente e isso significa n�o ser apenas escrita em papel. ( No P�blico de hoje, acrescentado de algumas das vantagens da vers�o electr�nica sobre o papel, menos uma: l�-se melhor no papel. Para j�.) * N�o ser� uma crise inevit�vel, devido ao curso da evolu��o da tecnologia...
16:44
(JPP)
�CONES DO ABRUPTO ![]() ![]() ![]() ![]() O primeiro para as f�rias (de Roy Lichtenstein); o segundo para as cr�ticas (de Jim Dine); o terceiro para a coisa c�vica (de Norman Rockwell) e o quarto para o LENDO /VENDO. Em breve haver� mais para os elogios e para a Bibliofilia.
16:27
(JPP)
UMA DEGRADA��O DA DEMOCRACIA ![]() Com a chamada Lei da Paridade que o PS apresenta hoje na Assembleia, e que deve ter a passagem garantida, embora n�o seja l�quida a sua constitucionalidade, acaba uma certa forma de democracia como n�s a conhecemos. At� agora era simples: um homem (uma mulher), um voto. Escolhia-se quem se propunha (em v�rias elei��es, aut�rquicas e presidenciais) ou quem os partidos propunham (elei��es legislativas e europeias). As listas podem ter e t�m todos os defeitos e est�o longe de serem feitas por qualquer crit�rio de m�rito. N�o � isso que est� em causa. As listas s�o o retrato do que h�, e das media��es pol�ticas que existem. Nada de brilhante, mas a democracia � um sistema potencialmente aberto. Pelo contr�rio, a sociedade n�o � um sistema aberto, tem desigualdades, inconsist�ncias, vantagens e exclus�es. Homens e mulheres n�o est�o numa situa��o de igualdade na sociedade, � verdade. Mas est�o numa situa��o de igualdade na pol�tica, igualdade virtual, mas igualdade. A partir de agora deixam de estar nessa situa��o, passam a ser desiguais, descriminados positivamente uns e negativamente outros. As elei��es, a partir de agora, n�o s�o inteiramente de livre escolha, s�o como um puzzle: passa a haver caixinhas percentuais para cidad�os que s�o mais iguais, num sentido orwelliano, do que outros. Come�ou com as mulheres, mas n�o h� raz�o para que, a prazo, outras quotas n�o se venham a impor, por cor da pele, religi�o, orienta��o sexual, regi�o ou classe social de origem. Para quem tenha uma concep��o liberal da pol�tica, na velha tradi��o da liberdade, h� uma perda de qualidade da naturalidade democr�tica a favor do artificialismo, da engenharia ut�pica da sociedade. � um caminho p�ssimo e esta lei n�o � um exerc�cio �fracturante� menor. Atinge o cora��o da ideia da democracia e da liberdade.
12:11
(JPP)
UM ANJO CANTA / UM DEM�NIO ESPERA
numa esta��o de metro de Nova Iorque / no Grand Central Terminal.
11:48
(JPP)
Henry Hitchings, Defining the World (The Extraordinary Story of Dr. Johnson's Dictionary) ![]() Quando comecei a trabalhar sobre hist�ria, cometi o mesmo erro. Anotava de forma corrida, nuns cadernos, apontamentos, cita��es, refer�ncias bibliogr�ficas, notas de leitura. Quando tinha que escrever estava sempre a ter que ler tudo e nunca tinha a certeza que n�o perdia informa��o. Anos mais tarde, peguei nestes cadernos, em que, felizmente, em cada folha tinha escrito s� num lado, recortei-os � tesoura e coloquei os fragmentos em fichas, a partir de uma ordem que ainda hoje mantenho nas bases de dados electr�nicas: biografias, fichas bibliogr�ficas, tem�ticas, por organiza��o, iconogr�ficas. Devia ter lido em tempo a hist�ria das atribula��es do Dr. Johnson.
11:36
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ALCOCHETE, PORTUGAL
Mulheres na apanha de am�ijoas, Hortas, Alcochete, Mar�o 2006 (Ant�nio Ferreira de Sousa)
09:53
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (30 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ A ler em papel, ou na rede pagando, no P�blico, o artigo de Augusto M. Seabra, "A judicializa��o da cr�tica". Levanta duas quest�es associadas: "O paradoxo da situa��o presente � o de o regime geral de mediatiza��o das sociedades, e de mercantiliza��o da informa��o, fazer com que espa�os propriamente de media��o cr�tica, com o que isso sup�e de reflex�o consistente e prosseguida, tendam a dissipar-se na pr�pria imprensa escrita que teve a sua origem hist�rica em �rg�os de "cr�tica", substitu�dos por uma mera intermedia��o, com apresenta��o dos novos "produtos" colocados no mercado � disposi��o do leitor-"consumidor". * Outras agendas dos �ltimos dias: no Economist uma excelente reportagem sobre o Iraque ("Murder is certain"), mostrando a complexidade da situa��o, contrariando o estilo habitual de enunciar a simplicidade da invas�o; penoso adeus a um dos regimentos mais c�lebres da hist�ria militar inglesa, os Black Watch, agora integrados no Royal Regiment of Scotland (Times); a HBO dedica uma s�rie, Big Love, a uma fam�lia polig�mica (New York Times); um conjunto vasto de artigos, entre o apocal�ptico e o "� grave, mas control�vel", sobre a gripe das aves ("How serious is the Risk?" no New York Times); obitu�rios, com a habitual qualidade, de Stanislaw Lem (no New York Times), entre outras coisas autor de Solaris; um artigo sobre "Gregory House" / Hugh Laurie, "polite - with a bite" no USA Today; as fontes do financiamento da Autoridade Palestiniana no Wall Street Journal; "Love and Money - Nine questions partners should ask each other before getting married", no Wall Street Journal. E � s� uma muito pequena parte, do que a imprensa escrita tem para nos dar.
09:46
(JPP)
New York Notes 1. Caught on a side street in heavy traffic, I said to the cabbie, I should have walked. He replied, I should have been a doctor. 2. When can I get on the 11:33 I ask the guy in the information booth at the Atlantic Avenue Station. When they open the doors, he says. I am home among my people. (Harvey Shapiro) * Bom dia! 29.3.06
18:29
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (29 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ Cartazes nas ruas de Nova Iorque:
15:31
(JPP)
GRIPE, LIVROS, TELEVIS�O E O CANAL DA FOX N�o h� nada como a apari��o sazonal do v�rus da gripe, felizmente de uma forma ainda tradicional e dom�vel, longe da amea�a cada vez mais perto da Grande Gripe das Aves, para remeter a vida de cada um a um infantil conforto da doen�a, que deve vir dos dias em que n�o se ia � escola, se ficava na cama, quente e confort�vel, servido por todos, centro de muito especiais atrac�es. A gripe j� n�o � o que era, e quase s� o frasco azul-escuro e esverdeado do Vicks VapoRub faz essa ponte long�nqua com a inf�ncia, com o seu cheiro agrad�vel �s coisas que n�o mudam, mas mudam. O frasco era de vidro e agora � de pl�stico. Mas as minhas gripes s�o sempre grandes momentos de leitura e televis�o, o que une o agrad�vel ao agrad�vel, e me afasta do mundo obcecado das not�cias dos jornais e da agenda pol�tica em grande parte artificial. Ao longe v�-se passar a posse presidencial, uma mesinha de ch� disfar�ada de mesa de trabalho, a agita��o de um Congresso, os tumultos franceses e, verdadeiramente numa manifesta��o de ego�smo, o que nos interessa � a pilha de livros a dizerem-me �l�-me�, e o pequeno ecr� que n�o precisa sequer de dizer �v�-me�. Eu vejo, eu vejo. O que eu vi reconciliou-me com a televis�o, o que � um lugar comum porque nunca estive zangado com um meio que particularmente estimo. Digo de outra maneira reconciliou-me com as s�ries televisivas, o que j� � mais exacto, para um �rf�o dos Sopranos, que, depois da �ltima s�rie, deixou de encontrar alguma coisa que me prendesse t�o regularmente ao ecr� maligno. At� agora e num canal a que nunca tinha dado muita aten��o e que aceitei ter (� pago � parte), porque uma menina me telefonou a perguntar se queria um pacote qualquer com o nome de �familiar� e eu, torcendo o nariz ao nome do pacote que me parecia uma promessa de aborrecimento, aceitei porque a mera ideia de n�o ter os canais todos me fere a sensibilidade. E vieram os canais da Fox e com um deles, mais uma s�rie de epis�dios magn�ficos. ![]() No canal da Fox passam v�rias s�ries que j� conhecia e que nunca me suscitaram grande interesse como � o caso dos �Ficheiros Secretos�, que tinha tudo para ser uma s�rie que me agradasse, gosto de fic��o cientifica e de horror, mas aqueles agentes do FBI s�o t�o r�gidos e self-righteous que nem os monstros e os mist�rios ocasionais os conseguem levantar de um torpor absoluto. Depois havia umas coisas ligeiras, vis�veis mas n�o entusiasmantes, passadas num Casino em Las Vegas, onde o mundo higi�nico da Am�rica se manifesta numas damas de peito farto e nuns cavalheiros atl�ticos da seguran�a, sem grande imagina��o e nenhuma verdadeira personagem. A personagem � o Casino, mas s� mesmo l� estando � que se sente a coisa. O mesmo, em mais pesado, acontecia numa ilha do Pac�fico onde uns �perdidos� de um acidente de avi�o bizarro aterram em cima duma ilha misteriosa onde ningu�m faz o que o bom senso exige e todos parecem ser h�bridos entre as terr�veis crian�as do Senhor das Moscas e a Ilha Misteriosa de J�lio Verne. Depois h� umas �Donas de Casa Desesperadas� que nunca percebi a fama que tinham porque � aborrecido e estereotipado, embora nos devolva um mundo que n�o temos na Europa que � o da �vizinhan�a�. Compreendo que na Am�rica deve ser um sucesso entre as ditas donas de casa, que devem sonhar com maldades mim�ticas, mas aquelas vidas liofilizadas s�o t�o artificiais como o Casino de Las Vegas e a ilha dos �perdidos�. Depois h� os Simpsons que s�o excelentes. Ponto. E duas magn�ficas surpresas, que animaram os meus dias: �House� e �Deadwood�. ![]() �Deadwood�, da produtora dos Sopranos HBO, � uma hist�ria do Oeste americano, da fronteira violenta e turbulenta. � uma s�rie, como os Sopranos, que s� passa na Am�rica no cabo, com a sua linguagem obscena, as cenas de bordel sem idealiza��o, a brutalidade sempre � flor da pele de todas as personagens quer reais, quer ficcionais. � que existe uma Deadwood real no Dakota do Sul, e de facto por l� passaram v�rias das personagens da s�rie televisiva, como Calamity Jane e Wild Bill Hickok, o dono do bordel, os donos de lojas, etc. No cemit�rio de Deadwood est�o muitas das personagens reais da s�rie, havendo outras ficcionais para dar consist�ncia narrativa e dram�tica � hist�ria. No seu conjunto, todas as qualidades de encena��o da televis�o americana, a sua constru��o de personagens, o trabalho do gui�o, a precis�o dos cen�rios, uma ilumina��o excelente para dar o efeito da escurid�o das ruas e das casas apenas iluminadas por candeeiros, tudo se combina para uma excelente s�rie televisiva. A s�rie � tudo menos �familiar�, mas vale por si s� o canal da Fox onde passa. ![]() Depois h� um b�nus suplementar, a s�rie da Fox �House� centrada numa situa��o cl�ssica de muita televis�o americana, o hospital. Mais do que em �Deadwood�, que � um retrato de grupo, o retrato de uma cidade, �House� � dependente de uma personagem, o m�dico Gregory House representado pelo actor ingl�s Hugh Laurie. House � uma personagem ideal de televis�o, excessiva, enchendo o ecr� com a sua mera apari��o, um g�nio do diagn�stico diferencial (que cita o Jornal do Instituto de Medicina e Higiene Tropical em portugu�s para um caso rar�ssimo de transmiss�o sexual de �doen�a do sono�), absolutamente insuport�vel de feitio, agressivo, c�nico e solit�rio. House sofre dores violentas devido a uma doen�a numa perna, que arrasta com a sua bengala pelo ecr� coxeando e tomando Vicodin �s m�os cheias. O New York Times, referindo-se a esta s�rie, escreveu: �T�o aditiva como Vicodin�� O hospital onde House trabalha � completamente artificial, demasiado perfeito para ser verdadeiro. Nada est� sujo, todos os mais complexos meios de diagn�stico existem, n�o faltam quartos, nem pessoal, nem rem�dios, por sofisticados e raros que eles sejam. Se n�o houvesse Gregory House, a demonstra��o da imperfei��o genial, a s�rie seria an�dina. Mas, diferentemente das s�ries de hospital e de m�dicos, �House� passa quase sempre por cima do aspecto melodram�tico da doen�a, para se centrar no exerc�cio intelectual de descobrir a causa, e sobre esse ponto de vista o grau de complexidade dos diagn�sticos, e a sua metodologia diferencial s�o uma parte fundamental da estrutura narrativa. � narra��o acrescenta-se a dan�a subjectiva da sua equipa de colaboradores, que trata abaixo de c�o, e dos administradores do hospital, afectados pela viol�ncia verbal de House e as suas atitudes n�o convencionais. A �nica personagem que trata House de igual para igual � o seu colega oncologista Wilson, e os di�logos entre os dois s�o um dos bons retratos ficcionais da amizade de qualquer s�rie televisiva. �House� e �Deadwood� reconciliaram-me com o mundo das s�ries televisivas, que a televis�o portuguesa agora afasta cuidadosamente do hor�rio nobre, onde n�o entra nada que n�o seja em portugu�s. H� mais mundo para al�m do infantilismo dos concursos, telenovelas e reality shows. Num canal perto de si. Pago, mas como n�o h� almo�os gr�tis, n�o me queixo. O almo�o � bom, mesmo com gripe. (No P�blico.) * Acabei de ler o seu post em que falava da s�rie House. 27.3.06
15:34
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (27 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ Agenda do New York Times do fim de semana, o que pesa muitos quilos mas n�o vem num saco: para al�m do �bvio e da pol�tica muito interna, h� artigos sobre os programas de "retraining" destinados a assegurar novos empregos a quem tenha sido despedido (artigo quase de tres p�ginas completas e muito cr�tico dos programas); uma extensa pe�a sobre a Al Jazeera; not�cias sobre a coloca��o no iTunes dos concertos de h� uma semana, quinze dias, para serem descarregados para iPod, a pre�os por volta de $10; papel das fotografias na hist�ria; o centen�rio de Beckett; aspectos negativos do Google na promo��o de "information iliteracy": o papel da cultura na condi��o dos jovens negros, etc., etc. Todos os artigos s�o originais, e traduzem uma agenda escolhida pelo jornal, e, embora haja muito "pack journalism" na parte da pol�tica interna e externa (Iraque, por exemplo), os jornais s�o muito distintos uns dos outros. 26.3.06
23:58
(JPP)
Enquanto em Portugal se vai vivendo um daqueles tempos de acalmia medi�tica recorrente (aquele espa�o de respira��o at� ao pr�ximo assunto explorado at� � exaust�o e depois esquecido por todos), podia-se aproveitar o momento para o telejornais mostrarem ao grande p�blico o genoc�dio que continua no Darfur, patrocinado pela nossa "apatia" ocidental. Daqui a alguns meses ou anos l� vir�o as reportagens e os document�rios sangrentos e os jornalistas perguntando inocentemente: "como foi poss�vel?!". Pois bem, aqui fica o testemunho em tempo real: a televis�o passa reportagens sem qualquer interesse p�blico relevante, as revistas ocupam espa�o a falar de OPAs e dos indicadores econ�micos e os jornais falam da guerra do Iraque ou dos dist�rbios em Fran�a. E j� agora, o que anda a "Esquerda" a fazer? Na semana passada vimos (?) manifesta��es contra a guerra no Iraque e express�es de solidariedade com os estudantes mimados franceses. Ser� que a trag�dia que acontece no Darfur n�o � uma quest�o fracturante suficiente para a esquerda? Como � que � este sil�ncio, esta aus�ncia de opini�o ou cr�tica? Como � que n�o se v� nenhum com�cio, nenhuma manifesta��o, nenhuma interven��o parlamentar com relevo? Como � que � poss�vel chamar a isto "uma pol�tica de causas"? (a mesma cr�tica, claro, vale para a direita; mas essa n�o anda a fazer manifesta��es pela "paz", com a aquele tom de moralidade superior). E por �ltimo, o Darfur � s� mais um exemplo de como actualmente n�o h� not�cias sem imagens. O genoc�dio apenas se l� e para a maioria das pessoas as simples palavras escritas j� n�o despertam qualquer sentimento. Tamb�m isso � uma trag�dia e ser� ainda mais no futuro. � um dever lembrar o que se est� a passar no Darfur, pelo menos isso. Para que depois n�o se pergunte, vale a pena dizer hoje: "sim n�s sab�amos o que se passava mas n�o nos interess�mos por isso". (Jo�o Lopes)
16:30
(JPP)
O primeiro livro que vi e de que n�o sabia nada (a Amazon e a New York Review of Books tem essa desvantagem de n�o haver surpresas), foi o �ltimo David Horowitz, Professors. The 101 Most Dangerous Academics in America. � um livro que logo de imediato me suscitou "mixed feelings". Vou avan�ar um pouco mais na leitura, mas duvido que me desapare�a a sensa��o, por um lado o livro � uma denuncia das absurdas patetices que se dizem e defendem nas universidades americanas, por parte de uma intelectualidade muito mais esquerdista do que qualquer paralelo europeu. Os exemplos de Horowitz s�o gritantes. Por outro lado, na organiza��o do livro, h� qualquer coisa das "listas" do Senador McCarthy, qualquer coisa de den�ncia �s autoridades que me desagrada. Voltarei ao livro.
16:06
(JPP)
La mia canzone al vento Sussura il vento come quella sera Vento d'Aprile di primavera Il volto le sfiorava in un sospiro Mentre il suo labbro ripeteva giuro Ma pur l'amore � un vento di follia Che fugge come sei fuggita tu Vento vento portami via con te Raggiungeremo insieme il firmamento Dove le stelle brilleranno a cento E senza alcun rimpianto Voglio scordarmi un tradimento Vento vento portami via con te Tu passi lieve come una chimera Vento d'aprile di primavera Tu che lontano puoi sfiorarla ancora Dille che l'amo e il cuor mio l'implora Dille che io fremo dalla gelosia Solo al pensiero che la baci tu Vento vento portami via con te Tu che conosci le mie pene Dille che ancora le voglio tanto bene Sotto le stelle chiare Forse ritorner� la voce Vento vento portami via con te Sotto le stelle chiare Forse ritorner� la voce Vento vento portami via con te Sussurra il vento come quella sera Perch� non torni E primavera (C.A. Bixio) * Bem sei que pelas horas portuguesas n�o parece ser "early morning", mas �. Ouvido muito cedo na WBAI, 99.5, cantada por Pavarotti ainda com a voz muito fresca. 25.3.06
23:53
(JPP)
Henry Hitchings, Defining the World (The Extraordinary Story of Dr. Johnson's Dictionary) Johnson iniciou o seu dicion�rio empregando seis ajudantes, e enchendo a sua casa de mesas onde come�ou a colocar pap�is e livros. Canibalizou v�rios dicion�rios existentes para fazer listas de palavras, mas o grosso do trabalho foi feito ao contr�rio: dos textos para as defini��es e cita��es. Johnson come�ou a anotar livros e mesmo a rasgar-lhes partes. Os seus amigos que lhe emprestaram v�rias edi��es raras arrependeram-se de o fazer tal o estado em que os livros eram devolvidos. Estragados e com notas manuscritas de Johnson. * Isto fez-me lembrar uma anedota. Havia um indiv�duo que estava sempre a ma�ar os amigos com hist�rias sobre livros. Um dia, os amigos prepararam-lhe uma partida, para a qual arranjaram um actor como c�mplice. Da vez seguinte em que se reuniram todos, o bibli�filo contou mais algumas das suas hist�rias sobre livros e ent�o o actor disse, falando com um ligeiro sotaque alem�o: �Isso faz-me lembrar uma b�blia de uma tia minha da Alemanha. Tem um ar muito antigo e foi feita por um tipo chamado Gu..., Guten...� O bibli�filo deu um pulo e perguntou-lhe �Gutenberg? A sua tia tem uma b�blia de Gutenberg? Eu estou disposto a ir consigo visitar a sua tia, com a viagem paga por mim, para ver se a conven�o a vender-ma!� O actor deu tamb�m um pulo da cadeira, mas voltou a sentar-se e comentou: �N�o vale a pena! Aquilo est� em muito mau estado. Um gajo chamado Martinho Lutero encheu-a de sarrabiscos.�
14:12
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (25 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ Discute-se (USA Today) o iPod - � um "work enhancer" ou um obst�culo para o trabalho? No mesmo USA Today, um jornal mais popular do que os chamados de "refer�ncia", mas muito inovador graficamente, discutem-se coisas s�rias e trivialidades, embora, observando com mais aten��o, se veja que aquilo que nos parece trivial tem sentido para um pa�s como os EUA. Exemplos de artigos "s�rios": casamento de homossexuais e diferentes crit�rios de legalidade, aumento da participa��o pol�tica dos mu�ulmanos americanos depois do 11 de Setembro. Nos triviais, o que � que faz um "perfeito aeroporto": m�sica ao vivo, "rocking chairs", galerias de arte, carregadores para "laptops", lojas de conveni�ncia. Del�rios dos ricos? Numa na��o em que se voa com muita frequ�ncia e em que tomar avi�es em aeroportos � habitual, aeroportos onde se passa cada vez mais tempo devido �s medidas de seguran�a, o artigo tem sentido e apela a uma sociedade de consumo, a favor dos seus consumidores. Tamb�m quero aeroportos assim. (Obrigado a a. pelos acentos.) 24.3.06
13:53
(JPP)
Henry Hitchings, Defining the World (The Extraordinary Story of Dr. Johnson's Dictionary) Antes de receber a encomenda para o seu Dicion�rio, o Dr. Jonhson arranjou trabalho a catalogar uma biblioteca que um livreiro tinha comprado, com cerca de 50000 volumes. Parece que Johnson gastou mais tempo a ler os livros do que a catalog�-los, mas a necessidade de �dar ordem� ajudou-o a pensar nas �tecnologias de informa��o� que usou no seu dicion�rio. Um dos aspectos mais interessantes do seculo XVIII � que a obsess�o pela ordem do mundo, das coisas, n�o tinha origem num ponto de vista conservador e tradicional, e, bem pelo contr�rio, gerava-se numa vontade de encontrar e perceber uma ordem nao metaf�sica do real. Nessa puls�o, livreiros, coleccionadores e bibli�filos, ao impulsionarem uma�ordem� para os livros (e com Johnson uma �ordem� para as palavras) constru�am um microcosmos do mundo. A Biblioteca, como Borges a descreveu. (Numa terra sem acentos, com ajuda de Jose' Carlos Santos para os acentos...)
13:46
(JPP)
Nos jornais e nas televisoes assiste-se a uma das mais absurdas pole'micas que ja' vi: devem os executivos das empresas reunir-se nos clubes de strip ou nao? Como de costume na Ame'rica, houve mulheres que se queixaram de que se sentiam "incomodadas" nos ditos clubes, o que me parece razoa'vel. Mas na pole'mica aparecem os mais fabulosos argumentos: que ir a um club de strip com os clientes e' a mesma coisa que ir a um jogo de basebol, que tambe'm ha' clubes de strip para mulheres, etc., etc. Como o "debate" esta' em pleno vapor, vai-se ver como evolui. (Numa terra sem acentos...)
13:40
(JPP)
Sem som e correndo dezenas e dezenas de canais nao e dificil distinguir os que sao em ingles dos espanhois: nos canais hispanicos, as apresentadoras, as entrevistadas, toda a gente do sexo feminino tem menos roupa. E nao e por causa do tempo, porque os canais sao regionalizados, mesmo sitio, temperaturas de 0 a 5 graus, mas menos roupa. Nao deve ser nostalgia do sol. (Numa terra sem acentos...) 23.3.06
19:49
(JPP)
![]() abro a televisao e aparece-me o inevitavel Geraldo Rivera. A explicar que a General Motors se estava a afundar talvez definitivamente. (Numa terra sem acentos...)
19:39
(JPP)
dar uma pequena entrevista a uma radio portuguesa, que me pergunta sobre o "modelo social europeu", num Starbucks Cafe, rodeado de jovens coreanos a trabalhar. Certamente no primeiro emprego, certamente num emprego precario, certamente tudo. Mas a ganhar dinheiro, certamente pouco, mas algum. (Numa terra sem acentos...)
14:37
(JPP)
o melhor guia e sempre o Fodors. Nunca me enganou. (Mesmo numa terra sem acentos...)
14:23
(JPP)
uma longa viagem com um iPod video. Vi varios episodios do Rocketboom, e alguns desenhos animados das Merrie Melodies (entre os quais o classico "The early bird catches the worm"), ouvi Verdi e Mozart. As viagens de aviao mudaram. (Numa terra sem acentos...) 21.3.06
10:51
(JPP)
JUDEU ERRANTE
![]() Mais uma corrida, mais uma viagem.
10:50
(JPP)
CORREIO Para que n�o se perca correio, pedia-vos que usassem apenas o endere�o do Gmail que est� no Abrupto.
10:40
(JPP)
Possessions are Nine Points of Conversation Some people, and it doesn't matter whether they are paupers or millionaires, Think that anything they have is the best in the world just because it is theirs. If they happen to own a 1921 jalopy, They look at their neighbor's new de luxe convertible like the wearer of a 57th Street gown at a 14th Street copy. If their seventeen-year-old child is still in the third grade they sneer at the graduation of the seventeen-year-old children of their friends, Claiming that prodigies always come to bad ends, And if their roof leaks, It's because the shingles are antiques. Other people, and if doesn't matter if they are Scandinavians or Celts, Think that anything is better than theirs just because it belongs to somebody else. If you congratulate them when their blue-blooded Doberman pinscher wins the obedience championship, they look at you like a martyr, And say that the garbage man's little Rover is really infinitely smarter; And if they smoke fifteen-cent cigars they are sure somebody else gets better cigars for a dime. And if they take a trip to Paris they are sure their friends who went to Old Orchard had a better time. Yes, they look on their neighbor's ox and ass with covetousness and their own ox and ass with abhorrence, And if they are wives they want their husband to be like Florence's Freddie, and if they are husbands they want their wives to be like Freddie's Florence. I think that comparisons are truly odious, I do not approve of this constant proud or envious to-do; And furthermore, dear friends, I think that you and yours are delightful and I also think that me and mine are delightful too. (Ogden Nash) * Bom dia! 20.3.06
12:25
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (20 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ De Tiago Viana: "(...) decidi relatar-lhe um caso que ouvi pela segunda vez ontem no "Jornal da Tarde". Dizia o rep�rter que "devido ao problema do aquecimento global, corremos o risco de ficar sem P�lo Norte". � pena ningu�m informar este senhor que o p�lo norte � um ponto a partir do qual se definem as coordenadas de latitude e longitude e n�o pode, portanto, "desaparecer". Pode o gelo desaparecer, pode acontecer tudo e mais qualquer coisa mas o p�lo norte esse perdurar�." * No Village Voice, The Irresistible Banality of Same-Sex Marriage. * A arte da conversa e a sua evolu��o: Are We Having a Conversation Yet? An Art Form Evolves no New York Times.
12:12
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: GRIPE DAS AVES ![]() Nunca percebi porque � que o Governo n�o faz uso dos meios que tem ao seu dispor, nomeadamente em alturas devidas e como forma de prevenir certos males. Por exemplo, agora, perante a amea�a da gripe das aves - a qual, mais cedo ou mais tarde, chegar� a Portugal - porque � que n�o se divulgam em "prime time" os sintomas da doen�a entre os animais, assim como, num segundo momento, entre as pessoas? Motivou-me esta pergunta o facto de ter lido num jornal que a entidade competente na mat�ria come�ou a receber telefonemas por tudo e por nada, demonstrando que as pessoas n�o sabem o que a� vem nem como se manifesta. Ora, parte fundamental dos mecanismos de preven��o (e organiza��o da pr�pria sociedade, numa fase posterior de instala��o da prov�vel pandemia) � o conhecimento que a popula��o tem do fen�meno. Para al�m de c�lulas de crise e afins, o Governo devia, pois, transmitir informa��o � popula��o, de forma simples e directa, que ajudasse a mesma a saber lidar com o problema. Essa � parte da sua miss�o num pa�s civilizado. (Rui Esperan�a)
11:16
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM TIMOR-LESTE Metido no p�ntano at� aos sovacos, este homem todos os dias apanha �canco� (uma planta que vive na �gua estagnada com a qual se faz salada) aqui em Caic�li, D�li. Depois vai vend�-lo no mercado aos molhinhos a cinco centavos (5 c�ntimos de d�lar) cada um. Se aparecer um comprador malai (estrangeiro) o homem poder� tentar vender o mesmo molhinho por 25 centavos (uma moeda de � de d�lar), o que motivar� protestos indignados do malai. Mais tarde, sentado no ar condicionado do bar do Hotel Timor, enquanto bebe um ch� que custa 2 d�lares, o mesmo malai comentar� com os colegas como os timorenses s�o �uns trafulhas que querem � enganar os malais�. Entretanto, o timorense continua no p�ntano. (Jo�o Paulo T. Esperan�a)
10:01
(JPP)
Gato Que fazes por aqui, � gato? Que ambiguidade vens explorar? Senhor de ti, avan�as, cauto, meio agastado e sempre a disfar�ar o que afinal n�o tens e eu te empresto, � gato, pesadelo lento e lesto, fofo no p�lo, frio no olhar! De que obscura for�a �s a morada? Qual o crime de que foste testemunha? Que deus te deu a repentina unha que rubrica esta m�o, aquela cara? Gato, c�mplice de um medo ainda sem palavras, sem enredos, quem somos n�s, teus donos ou teus servos? (Alexandre O'Neill) * Bom dia! 19.3.06
23:25
(JPP)
![]() "... nec iam sustineant onus silvae laborantes geluque fluminaque constiterint acuto. Dissolve frigus ligna super foco large reponens atque benignius deprome quadrimium Sabina, o Thaliarche, merum diota." O homem que completara o poema era Patrick Leigh Fermor, um dos comandantes operacionais brit�nicos do SOE que chefiava as opera��es militares na ilha, habitualmente vestido de pastor. Este mundo j� acabou. * A prop�sito desta hist�ria, n�o sei se j� leu o relato dela feito pelo companheiro ingl�s (os outros eram guerrilheiros cretenses) de Patrick Leigh-Fermor na opera��o, W. Stanley Moss. O livro chama-se Ill Met by Moonlight e l�-se como um romance (h� tamb�m um filme, com Dirk Bogarde, mas nunca o vi). Num registo completamente diferente, vale a pena ler um livro do pr�prio Patrick Leigh-Fermor, chamado A Time of Gifts, que � o relato da sua viagem a p�, aos 17 anos (dezassete!), desde a Holanda a Constantinopla. (O extraordin�rio n�o � especialmente um mi�do de 17 anos p�r-se � estrada sozinho numa viagem daquelas; s�o as raz�es que, aos 17 anos, o levaram a faz�-lo, e a subtileza e a erudi��o do que escreveu depois). Se � verdade que este mundo j� acabou, gente desta nem se fala.
23:03
(JPP)
BIBLIOFILIA: MAIS LIVROS ENTRADOS ![]() ![]() ![]() Michael Cart, In the Stacks: Short Stories about Libraries and Librarians
Gore Vidal, Sexually Speaking: Collected Sex Writings Henry Hitchings, Defining the World (The Extraordinary Story of Dr. Johnson's Dictionary)
10:35
(JPP)
PORTO HOJE "NA BOA"
H� minutos, no Porto. Tempos cinzentos, mas sempre �na boa'. (Gil Passos Coelho)
09:32
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (19 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ Um filme hist�rico de 1972 sobre os primeiros passos dos "networking computers", � ARPAnet e � Internet.
09:18
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 740 TO THE THAWING WIND Come with rain, O loud Southwester! Bring the singer, bring the nester; Give the buried flower a dream; Make the settled snowbank steam; Find the brown beneath the white; But whate'er you do tonight, Bathe my window, make it flow, Melt it as the ice will go; Melt the glass and leave the sticks Like a hermit's crucifix; Burst into my narrow stall; Swing the picture on the wall; Run the rattling pages o'er; Scatter poems on the floor; Turn the poet out of door. (Robert Frost) * Bom dia! 18.3.06
21:13
(JPP)
PORTO HOJE, � ESPERA DE CHUVA
Vem chuva. (O Porto-agora mesmo). (Gil Passos Coelho)
11:51
(JPP)
![]()
11:31
(JPP)
COISAS DA S�BADO: MILOSEVIC Milosevic morreu numa cela limpa e confort�vel, espartana � certo, como � suposto ser uma cela, mas aquecida e dotada do m�nimo indispens�vel para se viver e trabalhar intelectualmente. Na cela, predominava o a�o e o bet�o, os sinais da dureza da pris�o, da sua solidez impessoal para que os que entram n�o possam sair.![]() Esta realidade da cela holandesa dificilmente poderia ter maior contraste com o mundo de Milosevic. No seu apogeu do poder, ele conheceu o brilho j� um pouco degradado do fausto de Tito, que gostava de dourados e luxos, e que transformou os lugares do poder, muitos herdados da nobreza da periferia do imp�rio austro-h�ngaro, em pal�cios para a nomenklatura comunista. Milosevic, na sua dedicada carreira de funcion�rio, conhecia tamb�m o outro lado da paisagem do comunismo, a p�ssima qualidade das habita��es, a m� manuten��o de tudo, as paredes escalavradas, as cortinas escurecidas, o cheiro a carv�o e gasolina, o desleixo quase institucionalizado de tudo que n�o fosse bem de consumo. Esta era a sua paisagem natural, n�o a solidez capitalista da cela de Haia. Milosevic fez o trajecto do Partido Comunista para o nacionalismo, como muitos outros antigos dirigentes comunistas, mas uma coisa � ser-se nacionalista na �sia Central, outra nos Balc�s. Nos Balc�s todas as misturas explosivas da hist�ria europeia est�o presentes, e a mem�ria dos homens � mais longa. Os s�rvios, mais do que qualquer outro dos �povos� dos Balc�s, sentem-se v�timas de uma conspira��o internacional, que os aponta sempre como os principais culpados de tudo o que aconteceu desde o desmembramento da Jugosl�via. Tem mais raz�o do que se pensa; porque motivo o croata Tudjman ou o b�snio mu�ulmano Itzebegovic, t�o ferozes no seu nacionalismo, nunca foram perseguidos? A maior limpeza ��tnica� durante a guerra atingiu os pr�prios s�rvios, expulsos da Krajina pelos croatas, mas s� se ouve falar dos b�snios e dos albaneses do Kossovo. Duplicidades. Por tudo isto, o corpo de Milosevic pode ser agora atirado para uma terra alheia (*) � embora Moscovo n�o seja terra hostil � mas acabar�, como dizia uma velha que colocava uma ortodoxa vela num memorial de Belgrado, por regressar � sua S�rvia como um her�i nacional. (*) Posteriormente a esta nota ter sido escrita, o corpo foi autorizado a ser enterrado na S�rvia.
09:47
(JPP)
COISAS COMPLICADAS
![]() Mario Giacomelli
09:22
(JPP)
M. Degas Teaches Art & Science At Durfee Intermediate School--Detroit, 1942 He made a line on the blackboard, one bold stroke from right to left diagonally downward and stood back to ask, looking as always at no one in particular, "What have I done?" From the back of the room Freddie shouted, "You've broken a piece of chalk." M. Degas did not smile. "What have I done?" he repeated. The most intellectual students looked down to study their desks except for Gertrude Bimmler, who raised her hand before she spoke. "M. Degas, you have created the hypotenuse of an isosceles triangle." Degas mused. Everyone knew that Gertrude could not be incorrect. "It is possible," Louis Warshowsky added precisely, "that you have begun to represent the roof of a barn." I remember that it was exactly twenty minutes past eleven, and I thought at worst this would go on another forty minutes. It was early April, the snow had all but melted on the playgrounds, the elms and maples bordering the cracked walks shivered in the new winds, and I believed that before I knew it I'd be swaggering to the candy store for a Milky Way. M. Degas pursed his lips, and the room stilled until the long hand of the clock moved to twenty one as though in complicity with Gertrude, who added confidently, "You've begun to separate the dark from the dark." I looked back for help, but now the trees bucked and quaked, and I knew this could go on forever. (Philip Levine) * Bom dia! 17.3.06
17:15
(JPP)
VALE A PENA? ![]() (Actualizado) Vale a pena corrigir o jornalismo p�ssimo que se faz em Portugal? Verdadeiramente acho que n�o vale a pena. Ent�o em v�speras de um Congresso do PSD em que os jornais, r�dios e televis�es, precisam de afirma��es bomb�sticas, tudo serve. Soube agora pelo notici�rio da SIC Not�cias, que pedi a "demiss�o de Marques Mendes". Nem mais, nem menos. De facto, n�o adianta: nunca defendi tal coisa. O que disse na Quadratura do C�rculo, e apenas a�, foi que, se as propostas de revis�o estatut�rias de Mendes n�o fossem aprovadas, ele ficaria numa posi��o t�o fr�gil que mais valia demitir-se. Na maneira como as coisas est�o h�-de aparecer sempre algum jornalista a dizer que � a mesma coisa, quando n�o �. N�o, n�o vale a pena. * sen�o n�o fazia mais nada... * Quando a �deixa� sem coment�rio de enquadramento apareceu posteriormente, percebi logo que seria o trampolim para o que efectivamente aconteceu : desvirtuar a verdade para ter a �cacha do dia�. N�o come�ou hoje nem vai acabar amanh�. Ter ou n�o ter honestidade intelectual n�o faz parte das preocupa��es de muitos � ansiosos prim�rios� de diferentes sectores da nossa sociedade, incluindo o jornalismo. N�o s�o a maioria, ou antes, n�o subsistem enquanto discurso dominante a longo prazo, mas no jornalismo s�o mais not�rios porque em p�blico exercem a que deveria ser a sua profiss�o. Analisando friamente, muitos �transmissores de not�cias� do nosso pa�s n�o t�m como objectivo ser jornalistas, mas sim ser �paparazzis� do quotidiano, procurando notoriedade ef�mera a qualquer custo, (en)cobertos pela responsabilidade de editores que, numa vis�o prosaica, quando os �mandam� reportar, efectivamente os mandam ladrar e morder para que a not�cia n�o seja o que a pessoa diz mas sim a marca da mordidela na canela.
14:28
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL Arruma��o de uma sala do Museu Nacional de Hist�ria Natural (MNHN) da Universidade de Lisboa (antiga Faculdade de Ci�ncias). Depois do inc�ndio de 1978, os antigos espa�os da Faculdade de Ci�ncias t�m vindo a ser recuperados e transformados em salas de exposi��o dedicadas �s ci�ncias naturais. Este tem sido um esfor�o continuado no tempo dadas as dificuldades em obter financiamentos. Esta fotografia retrata a dif�cil tarefa de transportar pesados arm�rios met�licos num edif�cio antigo sem elevadores. (Jo�o Cascalho)
10:24
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (17 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ No New York Times, In the Age of the Overamplified, a Resurgence for the Humble Lecture. * ![]() * No s�tio do Dicion�rio de Oxford h� uma sec��o chamada Ask the experts onde os especialistas respondem a perguntas t�cnicas ou simplesmente curiosas. Por exemplo, qual a palavra inglesa mais longa? Pneumonoultramicroscopicsilicovolcanoconiosis, uma doen�a pulmonar. A este s�tio aplica-se bem um dos motes do Dicion�rio, "passionate about language".
09:38
(JPP)
AR PURO
![]() Feodor Vasilyev
09:32
(JPP)
(Me up at does) Me up at does out of the floor quietly Stare a poisoned mouse still who alive is asking What have i done that You wouldn't have (e.e. cummings) * Bom dia! 16.3.06
21:03
(JPP)
David Kline and Dan Burstein, Blog! How the Newest Media Revolution is Changing Politics, Business and Culture Simon Schama,The Embarrassment of Riches: An Interpretation of Dutch Culture in the Golden Age Darren Harris-Fain, Understanding Contemporary American Science Fiction: The Age Of Maturity, 1970-2000 (Understanding Contemporary American Literature), University of South Carolina Press
16:50
(JPP)
CONGRESSO DO PSD: DILEMAS E PERPLEXIDADES ![]() A poucos dias da sua realiza��o, o congresso do PSD suscita uma escassa aten��o. Os jornalistas nas redac��es preparam as suas malas e bagagens porque sabem que qualquer congresso do PSD tem elementos de psicodrama excelentes na televis�o e que servem para preencher a pasmaceira em que o pa�s parece envolvido ap�s a inquieta��o eleitoral. Mas a opini�o p�blica, as pessoas que t�m um interesse c�vico sobre a vida pol�tico-partid�ria, olha com indiferen�a para o PSD e com comisera��o para aquela pequena efervesc�ncia dos habituais que t�m sempre, em v�speras do congresso, uma rara oportunidade para ser entrevistados. Este � um sinal muito preocupante do estado do partido. Pode sempre argumentar-se que tal � natural para um partido de oposi��o, que veio de uma importante derrota nas legislativas e que est� frente a tr�s anos de oposi��o desertificadora, com uma lideran�a contestada, que muitos consideram fr�gil, e pouco entusiasmante. Num pa�s em que quem est� na m� de baixo leva sempre em triplicado, a comunica��o social ajuda � festa, tratando com severidade o PSD, enquanto fecha aos olhos a muitas aleivosias do PS e do Governo. Tudo isso pode ser verdade, mas conv�m tamb�m lembrar que o PSD h� pouco mais de um ano ainda estava no governo e, j� com a actual lideran�a, ganhou duas elei��es (aut�rquicas e presidenciais) e que foi do seu seio que sa�ram o actual presidente da Comiss�o Europeia e o Presidente da Rep�blica. A especial conjuntura em que se encontra o PSD mostra o pre�o alt�ssimo que se pode pagar quando se deixa levar a institui��o-partido a degradar-se at� ao limite. No PSD, o processo come�ou com Cavaco Silva, mas manteve-se ininterrupto desde ent�o, com a honrosa excep��o das tentativas Marcelo-Rio da "refilia��o", ali�s prontamente goradas. A tese que se tornou prevalecente, quase um tru�smo, � a de que o partido n�o interessa para nada, as pol�ticas fazem-se a partir de lideran�as fortes ou a partir da distribui��o de lugares com origem na governa��o e que o resto � quase uma perturba��o que se pretende sempre bem longe, nos fundos da casa, na cave, de prefer�ncia. De vez em quando l� vinha do alto algu�m p�r ordem, mas a cave era deixada em autogest�o. O problema foi quando os andares superiores ficaram vazios e os habitantes da cave come�aram a subir os andares todos e a torn�-los desconfort�veis para os poucos que ainda os habitavam. Esta vis�o ignorou duas coisas que hoje, pela vantagem de podermos olhar para tr�s, percebemos. Uma, a que deixando os mecanismos do partido apenas a funcionar para o poder local, "autarciza-se" o partido, que fica dependente de mecanismos em que o caciquismo se acentua cada vez mais. Cavaco Silva, centrando no Governo a orienta��o pol�tica geral, cortou a rela��o com os �rg�os superiores do partido que perderam papel na condu��o do processo pol�tico. � verdade que esta tend�ncia se foi agravando � medida que as fugas de informa��o tornavam os �rg�os colegiais menos seguros para decis�es delicadas. Depois, � cada vez mais forte dentro do partido a mec�nica da carreira e do emprego, moldando-se as estruturas �s expectativas dos cargos dispon�veis quer por elei��o, quer por nomea��o. O partido perdeu cada vez mais a sua rela��o com a sociedade civil, fechou-se aos melhores, promoveu pelo sindicato de voto e n�o pelo m�rito. J� v�rias vezes insisti no facto de que, entregando o nosso sistema constitucional um n�mero significativo de poderes aos partidos pol�ticos e o monop�lio da representa��o parlamentar, n�o se pode ser indiferente � qualidade da democracia interna desses partidos, aos seus mecanismos de promo��o e carreira, aos efeitos perversos da corrup��o, e a todas as manifesta��es olig�rquicas do seu funcionamento. O menosprezo pelo partido paga-se ainda mais caro quando se est� na oposi��o, quando n�o h� as prebendas, as benesses e o poder da governa��o. Nessa altura percebe-se melhor a inadequa��o do instrumento � fun��o. Se um desses instrumentos fundamentais de fazer pol�tica, o grupo parlamentar, j� for ele pr�prio um retrato da degrada��o partid�ria, com o incremento de intriga que parece povoar os Passos Perdidos como uma maldi��o antiga, ent�o n�o se tem quase nada. Penso que Marques Mendes tem aguda consci�ncia desta situa��o, mas tamb�m poucos instrumentos para a mudar. Por�m, poucos n�o significam nenhuns. No congresso, ele pode obter a chave para um r�pido refor�o da sua legitimidade interna concorrendo a directas a muito curto prazo (seria um erro adi�-las, devia at� prever-se faz�-las o mais breve poss�vel), e nessas elei��es apresentar uma comiss�o pol�tica que possa n�o s� aconselhar com qualidade, mas servir como interlocutor para fora e n�o para dentro. A oportunidade, caso passe a sua proposta, de eleger o l�der e a comiss�o pol�tica num s� acto, acabando com as tend�ncias federativas que querem diluir o poder e a homogeneidade dos �rg�os de direc��o, obriga-o a escolher fora do seu c�rculo de amigos e fora de negocia��es eleitorais. A institucionaliza��o de �rg�os mais especializados, como � o caso do conselho estrat�gico, existente nas suas propostas, permite-lhe tamb�m dar uma outra legitimidade partid�ria a eventuais porta-vozes de pol�ticas sectoriais, com credibilidade na sociedade. Tudo isto pode ser conseguido, mas exige de Marques Mendes um quase permanente tudo ou nada, uma actua��o no fio da navalha, a �nica que d� poder em vez de o tirar. A n�o ser assim, n�o � dif�cil antever dois caminhos contradit�rios para o congresso do PSD, nenhum muito entusiasmante. Um, um congresso sem dramas, relativamente pac�fico (tem mesmo de ser relativamente...), com aprova��o das propostas sem grandes sobressaltos, o que s� ser� poss�vel por omiss�o e reserva mental. O segundo, bastante mais prov�vel, � um congresso tumultuoso, cheio de voltas e reviravoltas, de declara��es c�nicas e inuendos, mas centrado em querelas procedimentais. Como para mudan�as estatut�rias � necess�ria uma maioria qualificada, a probabilidade de sa�rem do congresso solu��es h�bridas gerando a ingovernabilidade do partido � consider�vel. Quanto ao lugar de Marques Mendes, ningu�m quer o lugar dele... para j�. Talvez aqui a honrosa excep��o seja Menezes, que deve querer tudo e j�, e pelo menos n�o tem hipocrisia nesse objectivo, nem reserva mental. Fora disso, todos querem que ele l� fique, mas enfraquecido o bastante para n�o se afirmar, mantendo a institui��o em grande parte em autogest�o pelas distritais e pelos autarcas, sem lideran�a pol�tica, nem mudan�as nas primeiras linhas que criem a tens�o do m�rito. Tenho para mim que este congresso s� vale alguma coisa se Marques Mendes actuar com intransig�ncia, tentando mudar at� ao limite do poss�vel. Ele nada tem a perder. (No P�blico de hoje.)
14:36
(JPP)
![]() Uma not�ria excep��o foi o combate em Creta, a in�dita invas�o por tropas aerotransportadas, iniciada pelo maior ataque de paraquedistas da hist�ria, contra a ilha onde se tinham refugiado os sobreviventes da for�a expedicion�ria brit�nica que viera da Gr�cia. Os soldados e oficiais ingleses, neo-zelandeses, australianos, maoris, que constituiam o grosso das tropas em Creta, mataram paraquedistas que se rendiam, mataram feridos, executaram oficiais e soldados. No mar, os barcos ingleses afundaram pequenos barcos com tropas que tinham hasteado a bandeira branca e teriam (o �nico facto controverso, os outros n�o s�o) deitado cargas de profundidade para matar por concuss�o os soldados que estavam na �gua. Os pilotos alem�es responderam � letra metralhando homens na �gua e um navio hospital, mas foi do lado dos aliados que se deram as maiores viola��es �s leis da guerra.
13:06
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL
(R.)
10:31
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (16 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ Grande Google! Mais um e extra-terrestre: o Google Mars. * ![]() "Ordinarily, people don't talk about death. Yet it's very much a part of our lives. I'm in a hospice and seem to have a lot of time to talk about it."...
09:42
(JPP)
DESPERTAR
Porto de hoje �s 8:00. (Gil MD Passos Coelho)
09:41
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 737 185 "Faith" is a fine invention When Gentlemen can see� But Microscopes are prudent In an Emergency. (Emily Dickinson) * Bom dia! 15.3.06
17:02
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: Aquela mensagem de Helder Machado sobre o acordo com o MIT s� traz estranheza a quem se limitou a seguir a assinatura do protocolo pelos media e acabou, como de costume, a receber a not�cia que os jornalistas gostariam de transmitir em lugar do facto que de facto ocorreu. Para quem esteve no CCB n�o h� ali nenhum facto estranho. O que al� foi assinado, e ficou bem claro no discurso do respons�vel do MIT, Philip Clay, foi um protocolo que preve que um grupo de pessoas do MIT fa�am um levantamento de possibilidades de coopera��o em �reas previamente definidas (estas vieram correctamente descritas pelo menos no P�blico) com institui��es ou pessoas durante os pr�ximos 5 meses. Se se verificar haver interesse m�tuo a coopera��o desenvolver-se-�, caso contr�rio ficar� tudo como dantes... Identica informa��o � disponibilizada na nota de imprensa do MCTES.HOUVE OU N�O HOUVE ACORDO COM O MIT E QUE ACORDO? ![]() A montanha pariu um rato? Resta saber quem andou a construir a montanha durante umas quantas semanas, entre casos e quez�lias, criando a ideiade que o protocolo seria algo de completamente diferente e no final n�o foi capaz de dizer que se tinha enganado, antes continuou a enganar toda a gente mantendo a ilus�o de que o que foi assinado foi algo de muito diferente do que na realidade foi... E n�o falo no PM ou no Mariana Gago mas sim nos jornalistas presentes... A menos que o problema tenha sido o discurso do Prof Clay ter sido proferido em ingl�s... Ali�s a deixar claro como isto do MIT foi artificialmente empolado pelos media basta ver como um protocolo semelhante com a Universidade de Carnegie Mellon assinado esta sexta feira aqui em Aveiro passou quase inteiramente despercebido. (Jo�o AP Coutinho)
16:42
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "VOU-LHE DAR UMA PICTURE DA SITUA��O" ![]() Defronto-me diariamente com a utiliza��o ( crescente ) da l�ngua inglesa nas coisas mais rid�culas do dia a dia. Geralmente para substituir voc�bulos Portugueses perfeitamente eficazes para o efeito que se pretende. Ora, eu entendo que a l�ngua Portuguesa � um dos nossos maiores patrim�nios, capaz de gerar riqueza e postos de trabalho e gostaria de dar algum contributo para contrariar esta tend�ncia. H� dias em reuni�o, pedi a um cavalheiro que me apresentasse um problema e a resposta foi: �vou-lhe dar uma picture da situa��o�. (Manuel Pinheiro) * Embora concordando com o teor da mensagem "VOU-LHE DAR UMA PICTURE DA SITUA��O", n�o posso deixar de assinalar que o seu autor, Manuel Pinheiro, parece sofrer do mal que critica. Por que motivo escreve ele o adjectivo "portugu�s" com mai�scula? (Exemplos: "voc�bulos Portugueses"; "l�ngua Portuguesa") Trata-se duma regra da l�ngua inglesa, que n�o faz qualquer sentido em portugu�s. Infelizmente, � um erro bastante comum, muito frequente, por exemplo, com o adjectivo "europeu".
16:31
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: CAVACO SILVA E A CAMISARIA PITTA Ainda em rela��o ao post de ontem sobre a "Camisaria Pitta" e An�bal Cavaco Silva, fui descobrir h� minutos, ali na estante, um livro - edi��o do Jornal "Expresso" com coordena��o do seu jornalista Alexandre Coutinho - intitulado "50 Lojas com Hist�rias", onde a "Camisaria Pitta" est�, n�o por acaso, inclu�da (sabia que tinha o livro mas, sinceramente, n�o me lembrava se nele se inclu�a a loja). Passo a transcrever alguns excertos do texto assinado por por Concei��o Antunes, tamb�m ela jornalista do "Expresso": "Abriu as portas em 1885 na Rua de S. Juli�o... mas decorridos quatro anos a elegante camisaria mudaria para a Rua Augusta. Celebrizado pelos seus dotes de camiseiro, o fundador, A. M. Pitta, atraiu desde cedo para o estabelecimento uma clientela seleccionada, formada pela nobreza e a alta sociedade da �poca, acabando por tornar-se fornecedor da Casa Real. Entre esta ilustre clientela, contava-se a fam�lia dos Duques de Bragan�a, o rei D. Carlos e o seu filho D. Luis" ( aka D. Luis Filipe, acrescento eu). Diz, mais adiante, o actual gerente: "� a camisaria mais antiga da Pen�nsula Ib�rica, com estas caracter�sticas de confeccionar camisas � "m�o". Continua o texto: "a camisaria manteve-se na fam�lia do seu fundador at� 1977, altura em que, no rescaldo do 25 de Abril, passava tempos particularmente dif�ceis"... "as camisas continuam a ser inteiramente confeccionadas � m�o, desde as casas dos bot�es aos monogramas bordados. S� s�o utilizados materiais naturais, como bot�es de madrep�rola e linhas cem por cento em algod�o". E por a� fora... Em Londres, ostentaria pois, orgulhosamente, um, dois ou tr�s royal warrants, mas em Portugal n�o conhecemos, nem sabemos cuidar do nosso patrim�nio. Que diria o Senhor D. Carlos? (Jo�o C�lia)
13:03
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA ANGOLA COLONIAL
Oficinas de repara��o da maquinaria pesada das minas de diamantes, tirada h� uns 40 anos (?) (Jos� Lu�s Pinto de S�)
10:56
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 736 �loge et pouvoir de l'absence ![]() Je ne pr�tends point �tre l�, ni survenir � l'improviste, ni para�tre en habits et chair, ni gouverner par le poids visible de ma personne, Ni r�pondre aux censeurs, de ma voix ; aux rebelles, d'un oeil implacable ; aux ministres fautifs, d'un geste qui suspendrait les t�tes � mes ongles. Je r�gne par l'�tonnant pouvoir de l'absence. Mes deux cent soixante-dix palais tram�s entre eux de galeries opaques s'emplissent seulement de mes traces altern�es. Et des musiques jouent en l'honneur de mon ombre ; des officiers saluent mon si�ge vide ; mes femmes appr�cient mieux l'honneur des nuits o� je ne daigne pas. �gal aux G�nies qu'on ne peut r�cuser puisqu'invisibles, � nulle arme ni poison ne saura venir o� m'atteindre. (Victor Segalen) * Bom dia! 14.3.06
16:49
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A IMPORT�NCIA DA CAMISARIA PITTA (Um reparo a prop�sito do post da blogu�tica citado no Abrupto) Aten��o! A camisaria Pitta foi, durante muitos anos e em conjunto com a "Camisa de Ouro", do Largo do Rato, o nec plus ultra das camisas "por medida", em Lisboa, quando as camisas compradas feitas n�o eram consideradas de "bom tom". Os clientes passavam de gera��o em gera��o, na mesma fam�lia, at� h� relativamente pouco tempo. "Quem era quem" era cliente e at� se dizia que era condi��o necess�ria (mas n�o suficiente) para se chegar a ministro (quando ministro tinha outro peso, seja, na "ditadura"). Para o resto do vestu�rio n�o seria "tanto assim", mas aqui fica o reparo no que diz respeito �s camisas. (Jo�o C�lia)
10:33
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() Andr� Kert�sz
09:57
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 735 L'Homme et l'Idole de bois Certain Pa�en chez lui gardait un Dieu de bois, De ces Dieux qui sont sourds, bien qu'ayants des oreilles. Le pa�en cependant s'en promettait merveilles. Il lui co�tait autant que trois. Ce n'�taient que voeux et qu'offrandes, Sacrifices de boeufs couronn�s de guirlandes. Jamais Idole, quel qu'il f�t, N'avait eu cuisine si grasse, Sans que pour tout ce culte � son h�te il �ch�t Succession, tr�sor, gain au jeu, nulle gr�ce. Bien plus, si pour un sou d'orage en quelque endroit S'amassait d'une ou d'autre sorte, L'homme en avait sa part, et sa bourse en souffrait. La pitance du Dieu n'en �tait pas moins forte. A la fin, se f�chant de n'en obtenir rien, Il vous prend un levier, met en pi�ces l'Idole, Le trouve rempli d'or : Quand je t'ai fait du bien, M'as-tu valu, dit-il, seulement une obole ? Va, sors de mon logis : cherche d'autres autels. Tu ressembles aux naturels Malheureux, grossiers et stupides : On n'en peut rien tirer qu'avecque le b�ton. Plus je te remplissais, plus mes mains �taient vides : J'ai bien fait de changer de ton. (La Fontaine) * Bom dia! 13.3.06
21:40
(JPP)
![]() Embora a dist�ncia entre o grego cl�ssico e o moderno seja maior, era o equivalente a aparecerem-nos uns paisanos estrangeiros a falar o portugu�s das cantigas de esc�rnio e mal-dizer. * Li em tempos, salvo erro num n�mero muito antigo das "Selec��es do Reader's Digest", que num desses di�logos um dos tais acad�micos, pretendendo inteirar-se da hora de partida de um barco que fazia a liga��o com uma das ilhas, ter-se-� dirigido a uns marinheiros no porto, em termos que, traduzidos, dariam mais ou menos isto:
18:51
(JPP)
BIBLIOTECAS ![]() A biblioteca da Esnoga, a sinagoga portuguesa de Amsterdam, chamada Ets Haim (A �rvore da Vida) foi obra desta muito especial comunidade de portugueses que Portugal expulsou. A fotografia retrata em 1916 dois dos seus bibliotec�rios a trabalhar, David Montezinos e Jacob da Silva Rosa. Este �ltimo, um estudioso da cultura judaico-portuguesa, morreu em 1943 num campo de concentra��o nazi. Os nazis roubaram tamb�m a biblioteca para fazer parte do esp�lio do Instituto Alfred Rosemberg, mas foi recuperada depois da guerra. * Na verdade, os nazis levaram a totalidade dos livros da biblioteca para eventualmente fazerem parte do esp�lio do Instituto Alfred Rosemberg. Os livros foram levados para uma esta��o de comboio na Alemanha, onde ficaram armazenados durante o resto do per�do da guerra. At� � chegada das tropas norte-americanas quando se aperceberam do conte�do do armaz�m e decidiram reenvi�-los de volta a Amesterd�o. N�o sem que antes disso alguns militares alem�es (por certo, os mais cultos que l� estavam) tivessem metido ao bolso algumas das obras liter�rias mais importantes, como meio de assegurarem a sua sobreviv�ncia nos tempos mais pr�ximos. Alguns desses livros apareceram em leil�es da Christie's nos anos '50, outros foram vendidos a pre�os modestos em alfarrabistas de Madrid. Felizmente, n�o os levaram todos. E por isso podemos apreciar a produ��o liter�ria e filos�fica da Na��o Portugueza, sobretudo de Miguel de Barrios. E meditar sobre os debates das suas Academias (de los Floridos, de los Sitibundos).
17:32
(JPP)
LIVRARIAS
Um saco de pl�stico da Waterstone's.
10:27
(JPP)
![]() Se os meninos chegam de Paris numa cegonha, a sociedade de consumo chegou da Am�rica em duzentas cegonhas. Esta lista comentada de 200 produtos "made in America" mostra a fabulosa criatividade e g�nio de engenharia, de design industrial e talento comercial dos EUA. Muitos dos produtos nunca sa�ram da Am�rica, tornando-se �cones nacionais, como os autocarros Greyhound, autom�veis, canas de pesca, barcos, bicicletas, ra��es de combate, armas, ferramentas e Mr. Potato Head. Mas a maioria est� por todo o lado, nas nossas casas, nas nossas ruas, nas nossas cabe�as (Hollywwood). � o caso da Alka-Seltzer, do iPod, das l�mpadas do senhor Edison, dos frigor�ficos filhos do Frigidaire, dos aspiradores filhos do Hoover, do Monop�lio, da Barbie, do Google, das notas Post-It, da Coca-Cola, dos carrinhos de supermercado, do ketchup,dos �culos Ray-Ban, das roupas Ralph Lauren e Clavin Klein, do Windows, da fita adesiva, etc., etc. Duas caracter�sticas s�o fundamentais nesta lista: muitos dos produtos come�aram em pequenas empresas e subiram a pulso (as excep��es, como as meias de nylon, vieram de grandes empresas qu�micas como a DuPont); e a maioria melhora as nossas condi��es de vida e de trabalho.
08:51
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (13 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ No Harvard Magazine uma an�lise sobre a perda de import�ncia das "humanidades": "The only thing most teachers and students of the humanities agree on, it often seems, is that these are troubled times for their field. For a whole variety of reasons�social, intellectual, and technological�the humanities have been losing their confident position at the core of the university�s mission. This represents an important turning-point, not just for education, but for our culture as a whole. Ever since the Renaissance, the humanities have defined what it means to be an educated person. The very word comes from the Latin name of the first modern, secular curriculum, the studia humanitatis, invented in fourteenth-century Italy as a rival to traditional university subjects like theology, medicine, and law." * Fukuyama e Bernard-Henri L�vy discutem Las Vegas no The American Interest. * No Bloguitica:"A �classe m�dia�, oriunda de Boliqueime, teve a ousadia de ascender a Bel�m. Ontem, hoje e amanh�, a afronta nunca ser� perdoada. Como � que An�bal Cavaco Silva ousa continuar a vestir-se na Camisaria Pitta, na Rua Augusta? E Maria Cavaco Silva n�o sabe que, para ser �aceite�, tem de arranjar um estilista que seja conhecido em Lisboa e no Porto?" * No Abrigo da Pastora: "At� que ponto n�o se l� apenas o que se quer ler? Que espa�o se d� � surpresa na leitura? Que hip�teses � corros�o de estere�tipos? Ser� uma quest�o de tempo ou dinheiro o que provoca a compartimenta��o das ideias a que hoje se assiste? A rejei��o da empatia pelos pontos de vista que s�o os do outro? E ser� esta uma vantagem competitiva?"
08:34
(JPP)
"No tempo de No� sucedeu o dil�vio que cobriu e alagou o Mundo, e de todos os animais quais livraram melhor? Dos le�es escaparam dois, le�o e leoa, e assim dos outros animais da terra; das �guias escaparam duas, f�mea e macho, e assim das outras aves. E dos peixes? Todos escaparam, antes n�o s� escaparam todos, mas ficaram muito mais largos que dantes, porque a terra e o mar tudo era mar. Pois se morreram naquele universal castigo todos os animais da terra e todas as aves, porque m�o morreram tamb�m os peixes? Sabeis porqu�? Diz Santo Ambr�sio: porque os outros animais, como mais dom�sticos ou mais vizinhos, tinham mais comunica��o com os homens, os peixes viviam longe e retirados deles. Facilmente pudera Deus fazer que as �guas fossem venenosas e matassem todos os peixes, assim como afogaram todos os outros animais. Bem o experimentais na for�a daquelas ervas com que, infeccionados os po�os e lagos, a mesma �gua vos mata; mas como o dil�vio era um castigo universal que Deus dava aos homens por seus pecados, e ao Mundo pelos pecados dos homens, foi alt�ssima provid�ncia da divina Justi�a que nele houvesse esta diversidade ou distin��o, para que o mesmo Mundo visse que da companhia dos homens lhe viera todo o mal; e que por isso os animais que viviam mais perto deles, foram tamb�m castigados e os que andavam longe ficaram livres." (Padre Ant�nio Vieira) * Bom dia! 12.3.06
16:34
(JPP)
A SAGRA��O DA PRIMAVERA
Hoje, agora, h� instantes. Num damasqueiro, perto de mim.
09:35
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (12 de Mar�o de 2006) ![]() __________________________ Muito do que se escreve nos jornais sobre Milosevic � feito a partir da l�gica do vencedor e do medo que t�m os europeus quanto ao recrudescimento do nacionalismo, que a queda do Muro de Berlim trouxe para dentro das suas fronteiras. Se se tratasse apenas de condenar as viola��es de direitos humanos, Putin devia estar no Tribunal Internacional de Haia, pelo que fez na Chech�nia. A hist�ria ser� mais benevolente com Milosevic, pelo menos a da S�rvia. * Comentando as roupas da fam�lia Cavaco no P�blico, diz Paula Bobone: "A concep��o da imagem n�o � XPTO, mas achei bem." Eu sempre pensei que as pessoas finas n�o diziam XPTO. * Eduardo Cintra Torres no P�blico: "Um ou mais canais disseram que os discursos na cerim�nia de posse eram "chatos". A linguagem televisiva j� n�o se coaduna com a transmiss�o integral de discursos. Como a TV controla a sua emiss�o, n�o h� discursos transmitidos na �ntegra, se esquecermos o epis�dio inenarr�vel de Gilberto Madail em directo �s oito horas.
09:21
(JPP)
J� temos tamb�m uma F�tima Let�cia, um pobre beb� maltratado, mas com um nome da realeza e do jet-set. Segundo as autoridades que decidiram a retirada da crian�a aos pais e av�s, "n�o se reconhece nem aos pais biol�gicos nem aos av�s maternos compet�ncias e idoneidade suficientes para desempenharem de forma respons�vel, ajustada e protectora os cuidados parentais para com esta menor." Est� tudo no nome.
08:54
(JPP)
![]() Retrato de um ex�rcito antigo. Durante mil�nios era uma verdade universal que n�o se brincava com os ex�rcitos. Agora, na Europa, com excep��o do Reino Unido, parece que nos esquecemos. No campo de batalha estava-se diante da morte, mas, atr�s do campo de batalha, da vit�ria ou da derrota, dependia tudo, destrui��es, viola��es, tortura, escravid�o. Os antigos sabiam isto muito bem. Neste estudo sobre o ex�rcito de Alexandre, v�rias coisas surpreendem o leitor actual. Primeiro, o grau de organiza��o do pr�prio ex�rcito, compreendendo v�rios tipos de infantaria, de cavalaria ligeira e pesada, de unidades de reconhecimento, e a sua maleabilidade organizacional. Alexandre v�rias vezes o reorganizou em fun��o do seu comportamento em combate e do tipo de refor�os que o iam incorporando. Como todos os grandes generais, como Napole�o, Alexandre promovia os seus oficiais por m�rito
08:50
(JPP)
"Peixes! Quanto mais longe dos homens, tanto melhor; trato e familiaridade com eles, Deus vos livre! Se os animais da terra e do ar querem ser seus familiares, fa�am-no muito embora, que com suas pens�es o fazem. Cante-lhes aos homens o rouxinol, mas na sua gaiola; diga-lhes ditos o papagaio, mas na sua cadeia; v� com eles � ca�a o a�or, mas nas suas piozes; fa�a-lhes bufonarias o bugio, mas no seu cepo; contente-se o c�o de lhes roer um osso, mas levado onde n�o quer pela trela; preze-se o boi de lhe chamarem formoso ou fidalgo, mas com o jugo sobre a cerviz, puxando pelo arado e pelo carro; glorie-se o cavalo de mastigar freios dourados, mas debaixo da vara e da espora; e se os tigres e os le�es lhe comem a ra��o da carne que n�o ca�aram no bosque, sejam presos e encerrados com grades de ferro. E entretanto v�s, peixes, longe dos homens e fora dessas cortesanias, vivereis s� convosco, sim, mas como peixe na �gua. De casa e das portas a dentro tendes o exemplo de toda esta verdade, o qual vos quero lembrar, porque h� fil�sofos que dizem que n�o tendes mem�ria." (Padre Ant�nio Vieira) * Bom dia! 10.3.06
17:21
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO MINHO, PORTUGAL
Uma mulher do campo que transporta o milho � cabe�a. (Isaac Carr�lo)
17:09
(JPP)
COISAS DA S�BADO ![]() OS QUE ANDAM POR A� Um dos que "andam por a�", Paulo Portas, "regressa" �s lides pol�ticas mais activas, porque em bom rigor nunca de l� saiu. Portas � mais frio e calculista do que Santana Lopes, e bastante mais inteligente na gest�o da sua carreira, e por isso n�o cometeu o erro de, de cinco em cinco minutos, chamar a aten��o sobre si pr�prio para dar uma prova de vida. Tem tamb�m outras vantagens comparativas, como a de ter um grupo ideol�gico � sua volta, pessoalmente fiel. O seu regresso n�o � evidentemente ao coment�rio pol�tico, mas sim � pol�tica pura e dura, tendo anunciado, como anunciou, um programa ideol�gico e pol�tico para o seu espa�o na SIC. Uma coisa � ter uma agenda pol�tica, como Marcelo tem, outra � ter um programa pr�-estabelecido de actua��o que condiciona a liberdade anal�tica e o colocar� sempre entre o dilema de ser um enfant terrible, e subir as audi�ncias, ou de ter que assumir uma "pose de estado" e baix�-las. OS PROBLEMAS QUE PORTAS N�O TEM CONSEGUIDO RESOLVER Portas tem s�rios problemas que, de h� muito tempo, o afligem e que nunca soube resolver. Um � pessoal, e tem a ver com o desgaste irrevers�vel que causou a si pr�prio com a perda da virgindade entre as proclama��es moralistas com que fez a sua carreira justicialista e a sua pr�pria pr�tica pessoal e pol�tica. Dificilmente poder� voltar � linguagem da arrog�ncia moral que o "fez", sem continuamente chamar a aten��o sobre si pr�prio e suscitar rep�dio generalizado. Esse rep�dio, que os seus simpatizantes gostam de dizer que se deve �s suas posi��es clarificadoras de direita, tem muito mais a ver com o facto de ele ter exigido agressivamente aos outros comportamentos que ele pr�prio nunca praticou. O segundo problema � que Portas, que � apoiado por um grupo que se proclama do liberalismo radical, foi um ministro estatista e proteccionista, anti-liberal como poucos na governa��o e como ainda h� dias o revelou de novo nos seus coment�rios nos estaleiros de Viana do Castelo. As for�as de que Portas disp�e centram-se em primeiro lugar no grupo parlamentar do PP na Assembleia, que � muito hostil � lideran�a de Ribeiro e Castro, e depois no grupo que anima o blogue Acidental e a revista Atl�ntico, que com o afastamento de Helena Matos, se assume como uma esp�cie de prolongamento do Caderno 3 do Independente. Todos estes sectores se proclamam de uma esp�cie ideol�gica muito pr�pria do liberalismo, e que ali�s pouco tem a ver com a tradi��o liberal e muito mais com um radicalismo cultural de direita. A utiliza��o do liberalismo como legitima��o ideol�gica entra aqui em choque com o proteccionismo nacionalista, e com o estatismo interventor que presidiu � ac��o governativa de Portas. Este choque que sempre deu origem a um sil�ncio incomodado dos seus seguidores, que, cr�ticos do intervencionismo do estado nas empresas, fechavam os olhos ao que Portas fez na �rea da defesa, naturalmente saudado por socialistas t�o execrados como Jorge Sampaio. FAZER UM NOVO PARTIDO? O terceiro problema � estritamente pol�tico e Portas tamb�m nunca o pode resolver: � que ele n�o quer ser l�der de um pequeno grupo, mas sim de um bloco (ou idealmente de um grande partido da direita) em Portugal e, sem enfraquecer e dividir o PSD, e na actualidade minar o prest�gio do Presidente Cavaco, nunca o conseguir�. Portas tentou sempre esse objectivo, usando o Independente, como fundador de um PP agrafado ao CDS, no combate a Cavaco e Dur�o Barroso e na aproxima��o a Santana Lopes. Os resultados eleitorais de Fevereiro de 2005 remeteram-no outra vez � condi��o de l�der de um pequeno grupo, com a agravante que a sua margem de manobra no PSD � muito escassa. O �nico caminho de sa�da para esta situa��o era Portas romper com a fic��o de um CDS/PP, e caminhar para criar um partido pr�prio. O momento ideal seria este, porque podia levar consigo um grupo parlamentar pr�prio, e usar os tr�s anos que sobram at� �s elei��es para se impor. A fragilidade no grupo parlamentar do PSD poderiam tamb�m dividi-lo, o que levaria a uma pequena revolu��o parlamentar, a quase extinguir o CDS fiel a Ribeiro e Castro e a criar uma situa��o muito dif�cil ao PSD, mas clarificadora das ambiguidades que resultaram da forma faccional como foram constitu�dos os grupos parlamentares. � ali�s destes grupos parlamentares que v�m os maiores riscos, a prazo, para as lideran�as partid�rias do CDS e do PSD. Duvido que os coment�rios pol�ticos na televis�o resolvam estes problemas. � at� previs�vel que, passada a agita��o inicial da novidade, os agravem.
11:21
(JPP)
BIBLIOFILIA: NOVOS LIVROS
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11:00
(JPP)
Parlez-Vous Fran�ais? Caesar, the amplifier voice, announces Crime and reparation. In the barber shop Recumbent men attend, while absently The barber doffs the naked face with cream. Caesar proposes, Caesar promises Pride, justice, and the sun Brilliant and strong on everyone, Speeding one hundred miles an hour across the land: Caesar declares the will. The barber firmly Planes the stubble with a steady hand, While all in barber chairs reclining, In wet white faces, fully understand Good and evil, who is Gentile, weakness and command. And now who enters quietly? Who is this one Shy, pale, and quite abstracted? Who is he? It is the writer merely, with a three-day beard, His tiredness not evident. He wears no tie. And now he hears his enemy and trembles, Resolving, speaks: "Ecoutez! La plupart des hommes Vivent des vies de desespoir silenciuex, Victimes des intentions innombrables. Et ca Cet homme sait bien. Les mots de cette voix sont Des songes et des mensonges. Il prend choix, Il prend la volonte, il porte la fin d'ete. La guerre. Ecoutez-moi! Il porte la mort." He stands there speaking and they laugh to hear Rage and excitement from the foreigner. (Delmore Schwartz ) * Bom dia! 9.3.06
21:57
(JPP)
DOIS ESTILOS MUITO DIFERENTES: A WATERSTONE'S VERSUS AMERICAN BOOK CENTER Indica��es das sec��es por andar: uma, provis�ria, papel impresso em computador plastificado, outra em acr�lico negro.
19:21
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO MINHO, PORTUGAL
As escadas e os baldes aguardam o inicio de mais uma vindima. (Isaac Carr�lo)
19:04
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: H� QUALQUER COISA DE ESTRANHO NESTA HIST�RIA... Collaboration With Portugal Considered Reuters Article ...Misleading... and Premature By Curt Fischer STAFF REPORTER MIT is considering entering into science and technology cooperation with the nation of Portugal, but has not made any final decisions regarding the issue, said Chancellor Phillip L. Clay PhD �75. Clay�s stance contrasted with a Reuters report Saturday that said an accord had been signed. �The report is misleading,� Clay said. �There is not an accord,� and the Reuters announcement was premature, he said. Over the next four to five months, MIT faculty will study the possibility of the collaboration before reaching a final decision. Clay emphasized that currently, MIT and Portugal share only mutual interest in exploring possibilities for collaboration. The level of consideration MIT is giving to the pairing with Portugal is not unusual. �We get invitations [for collaborations] every week,� Clay said. MIT first assesses possible areas where collaboration could be mutually beneficial. If sufficient interest arises from the faculty, typically a small team of professors would then meet officials from the foreign entity to flesh out the scope and nature of the collaboration. Professor Daniel Roos �61 of the Engineering Systems Division will lead MIT�s assessment of possible collaborations with Portugal, Clay said. (Enviado por Helder Machado.)
18:57
(JPP)
UMA LIVRARIA AMERICANA: QUATRO ANDARES DE IDEIAS
Conhecimento controverso... Cozinhar, ao lado de uma estante de produtos alimentares. Isl�o e outras religi�es, incluindo uma "africana". Manga. New Age, magia, oculto. Investimentos.
16:21
(JPP)
![]() Este � um dos casos em que uma pessoa individual conta. Staline, ele pr�prio, recusava-se a aceitar qualquer informa��o que o contrariava, e perseguia quem o fazia, desconfiava dos seus servi�os ao ponto de n�o querer receber an�lises mas apenas os relat�rios originais dos agentes, e envolveu-se numa correspond�ncia pessoal com Hitler, em cuja palavra confiava. As suas idiossincrasias e o terror que inspirava s�o mais uma li��o contra a falta de efic�cia que o medo, como sistema de governo, tem nos seus limites mais absurdos. Mas, por evidente e inequ�voca que seja a documenta��o dispon�vel, ainda hoje na R�ssia o sistema pol�tico e o sistema de poder defendem Staline, impedindo uma atribui��o de responsabilidades a ele e aos seus homens de m�o, pela enorme trag�dia de 1941. Com um antigo membro do KGB no poder, que coloca muitos dos seus colegas em fun��es no aparelho de estado, a tend�ncia dominante dos servi�os de seguran�a e informa��o russos � acantonar-se numa linha de menor responsabiliza��o, a bloquear a hist�ria e a fechar os arquivos. Isto torna este livro um excelente livro tamb�m para compreender a R�ssia de Putin.
12:44
(JPP)
exig�vel, absoluto, necess�rio - que qualquer canal da televis�o portuguesa transmita a edi��o especial do programa Le Droit de Savoir, passado na ter�a-feira no canal franc�s TF1, dedicado ao "caso Outreau", a hist�ria de pedofilia francesa que resultou em absolvi��es para todos os acusados e num esc�ndalo sobre o funcionamento da justi�a. Documental, rigoroso, testemunhal, dram�tico, questionando tudo e quase todos, e levantando com uma clareza �mpar problemas que tamb�m s�o nossos. Pelo menos, para j�, foram-no para Paulo Pedroso. 6.3.06
17:46
(JPP)
PONG E sem caixa do correio habitual, completamente cheia. Por favor usem jppereira@gmail.com, visto que o imperialismo americano d�-me uma caixa de correio maior do que a pt. 5.3.06
16:55
(JPP)
EM BREVE
Rembrandt encontra Caravaggio. EM BREVE Waterstone's versus The American Book Center. MAS ANTES DISSO continuo de judeu errante.
16:49
(JPP)
(Escritos numa terra sem acentos.) SOLIDEZ O nosso lugar no fundo das estat�sticas europeias v�-se muito bem. Est� na cara de tudo. Est� na solidez de tudo.
16:43
(JPP)
(Escritos numa terra sem acentos.) NEVE Uma neve em gr�os, meio granizo , meio neve. N�o � "fofa" (onde � que li que h� neve assim?), mas granulada, n�o se desvia muito com o vento. Um sulista observa sempre a neve de forma provinciana. 4.3.06
16:56
(JPP)
(Escritos numa terra sem acentos.) DIFEREN�AS Mais mesquitas, mais mesquitas em constru��o.
16:48
(JPP)
(Escritos numa terra sem acentos.) AO LONGO DE TUDO Quil�metros de grafiti, ao longo de tudo. Quantas m�os os escrevem, quem passeia por estes locais de dif�cil acesso, estaleiros, fabricas abandonadas, veda��es a cair, locais de lama, aguas suspeitas, bid�es amassados. traseiras de tudo, para vir aqui pintar este cont�nuo de cor, de palavras sem sentido, de desenhos sem curvas, s� feitos de �ngulos?
16:38
(JPP)
(Escrito numa terra sem acentos.) A CAMINHO
Neve, corvos, frio, fios, linhas. Campos de neve, n�voa, comboios. 2.3.06
16:28
(JPP)
O "HOMEM SECRETO" QUE TINHA UMA "GARGANTA FUNDA" ![]() A hist�ria encerrou-se como not�cia em 2005 quando se soube, trinta e tr�s anos depois, quem era a "Garganta Funda". O livro de Bob Woodward The Secret Man, de que est� anunciada uma tradu��o para portugu�s, faz um balan�o das rela��es atribuladas do jornalista com a fonte que lhe deu prest�gio e gl�ria, e � um interessante relato para compreender a muito especial rela��o que est� no centro de muito jornalismo pol�tico. O "Garganta Funda" era Mark Felt, � data o n�mero dois do FBI, e era dif�cil encontrar no contexto da �poca quem estivesse melhor colocado para saber o que se estava a passar na investiga��o sobre o grupo que fora apanhado a espiar o comit� de campanha dos Democratas por conta da Casa Branca de Nixon. Tudo indica que os motivos de Felt para as suas inconfid�ncias jornal�sticas eram tudo menos nobres: descontentamento com a sua carreira no FBI, conflitos com o chefe que foi colocado no lugar que entendia ser seu por direito pr�prio e dificuldade de adapta��o � evolu��o do FBI. Felt � uma personagem antip�tica, que come�a por manter uma rela��o com Woodward t�pica de um espi�o clandestino seguindo as famosas "regras de Moscovo" dos livros de Le Carr�, incluindo os c�lebres encontros nocturnos numa garagem deserta. Woodward, que n�o percebe nem v� necessidade em tais cuidados, comporta-se como um amador, notando com raz�o que se sentia como mais um agente de Felt. Este acabou enredado num processo t�pico do p�s-Vietname e do p�s-Watergate, que ia levando o alto quadro do FBI � pris�o. Felt foi acusado e condenado por ter feito buscas ilegais a cidad�os americanos, no �mbito da investiga��o do grupo terrorista conhecido como os Weatherman, e s� foi salvo in extremis pela evolu��o pol�tica conservadora na Presid�ncia, sendo perdoado por Reagan. O livro revela v�rios pormenores interessantes para corrigir alguns mitos correntes. Primeiro, como j� se tinha percebido nas an�lises ao conte�do das not�cias, "Garganta Funda" poucas informa��es prim�rias forneceu, apenas indicou pistas para a investiga��o. Woodward quebrou v�rias regras tradicionais do jornalismo indo mais longe do que aquilo que sabia de forma fundamentada ou que lhe tinha sido sugerido. � verdade que as indica��es de Felt, algumas erradas, acabavam por ser elas pr�prias informa��es relevantes dada a credibilidade da sua origem, mas Woodward e Bernstein foram "criativos" com aquilo que sabiam e que n�o sabiam. Segundo, mais gente do que se pensava conhecia a identidade da fonte, a come�ar pelo pr�prio Nixon e os seus co-conspiradores no caso Watergate, que tinham a certeza de que era Felt que passava informa��es, e que inclusive tinham eles pr�prios uma "Garganta Funda" no Washington Post. As grava��es secretas que vieram a ser conhecidas das conversas na Casa Branca s�o conclusivas quanto � identifica��o de Felt e � impot�ncia que Nixon e os seus sentiam. Eles achavam que fazer qualquer coisa contra Felt poderia provocar uma avalanche de revela��es ainda mais perigosa, embora as fugas pudessem ser um crime em si mesmas. Por outro lado, v�rios artigos, durante os mais de 30 anos de segredo, tinham indicado Felt como sendo o "Garganta Funda", alguns baseados em inconfid�ncias do pequeno n�cleo de pessoas que tinham tido acesso � informa��o genu�na (um deles um filho de Bernstein). O pr�prio Felt jogava um jogo perigoso, sugerindo e negando o seu papel nas fugas. A identidade da "Garganta Funda" s� n�o foi conhecida mais cedo porque a dupla nega��o de Woodward e Felt fazia hesitar os autores de teorias sobre a identidade do informador do jornal, que quando publicavam se ficavam por generalidades, mesmo quando estavam perto da verdade. A revela��o da identidade da "Garganta Funda" tamb�m n�o � uma hist�ria desprovida de ambiguidades. Tudo indica que a uma dada altura Woodward queria encontrar um pretexto para que Felt o autorizasse a revelar quem era "Garganta Funda", mas as suas rela��es com ele tinham azedado pela cobertura hostil que o Washington Post fizera ao processo das buscas ilegais no caso dos terroristas dos Weatherman. Quando se encontraram de novo, Felt, nos seus oitenta e muitos anos, tinha dem�ncia senil e mostrava-se incapaz de dar o seu consentimento para acabar com o segredo. O relato das conversas entre ambos mostra que Felt n�o tinha verdadeira consci�ncia do que se passava e Woodward hesitou sobre se o facto "de este ser outro homem" justificava a quebra do acordo de manter a sua identidade escondida at� � morte. � not�rio que apesar de o jornalista querer revelar a sua fonte, acabou por ser ultrapassado pela Vanity Fair, que obteve uma confirma��o da fam�lia e do advogado da fam�lia. Este livro � o resultado de uma corrida contra o tempo para Woodward "agarrar" de novo uma "hist�ria" de que tinha acabado por perder o controlo final. A revela��o do nome da "Garganta Funda" acabou por ser feita sem o consentimento expl�cito de Felt, incapacitado de o dar com plena consci�ncia, e com Woodward e Bernstein como personagens secund�rias enquanto jornalistas da sua pr�pria hist�ria. Mao Zedong dizia num texto que, numa guerra civil, pouco importava saber os motivos por que um homem estava numa barricada desde que disparasse para o lado certo. Podia ser por amores n�o correspondidos, por ser suicida, por ser louco ou por ser um revolucion�rio dedicado, pouco importava. A ideia com que vamos ficar da "Garganta Funda" � parecida com a deste pragmatismo brutal de Mao: ele disparou para o lado certo e ajudou a acabar com uma presid�ncia que n�o hesitava em cometer as mais flagrantes ilegalidades para sobreviver, n�o sendo os seus motivos relevantes para avaliar o resultado. Mas n�s sabemos que, na rela��o amb�gua entre fontes e jornalistas, os motivos s�o mesmo importantes e mant�m-se intactos na utiliza��o dada pelo jornalista - ou seja, falar aos jornalistas compensa para quem fala. E, sobre todo este processo, sabemos outra coisa que nos mostra a ironia da hist�ria: a presid�ncia Nixon � hoje considerada uma das melhores da hist�ria americana recente... ( No P�blico de hoje)
10:53
(JPP)
DEZ LEIS DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA (Vers�o 2.0) NOTA INICIAL: As Leis aqui transcritas n�o s�o nem Mandamentos, nem Regras, nem Instru��es Morais, nem Ordens de Servi�o, s�o Constata��es, descrevem o modo como os debates na blogosfera se desenrolam. S�o gen�ricas e universais. Como todas as Leis d�o origem a Excep��es, que s�o elas pr�prias outras Leis que regulam as Excep��es. NOTA 1 : Ao se passar da Posi��o � Contradi��o o debate ganha uma dimens�o ad hominem. A maioria dos debates na blogosfera s�o ad hominem, na tradi��o da pol�mica � portuguesa. NOTA 2: A Contradi��o � sempre apresentada como uma fraqueza moral. A Contradi��o � sempre do outro. NOTA3: Se houvesse s� Posi��es na blogosfera esta tinha um tamanho diminuto. A exposi��o das Contradi��es � o grosso da actividade da blogosfera. Os Insultos s�o outra parte importante. Sem Contradi��es e sem Insultos quase n�o haveria coment�rios. NOTA 4: O n�mero de coment�rios num blogue t�m rela��o directa com a natureza da nota se esta for sobre uma Contradi��o (ad hominem) e inversa se for uma Posi��o. Num mesmo blogue, as notas que n�o atacam ningu�m n�o t�m coment�rios e as que atacam algu�m est�o cheias. NOTA 5: Os �dios de Estima��o t�m grande representa��o na blogosfera. SEGUNDA LEI DO ABRUPTO : A blogosfera � um lugar de fronteira, onde impera a "lei da selva" e o darwinismo social, logo a intensidade da zanga e da irrita��o na blogosfera � muito superior � da atmosfera. NOTA 1: A blogosfera n�o � um local apraz�vel para os esp�ritos am�veis. NOTA 2: A ferocidade dos coment�rios est� em rela��o directa com o seu anonimato mais o n�mero de coment�rios produzidos por metro quadrado de ecr� / dia. NOTA 3: Os comentadores an�nimos na blogosfera s�o na sua maioria Trolls, na sua minoria Curiosos-s�rios. A maioria dentro da maioria s�o Trolls com nick name, profissionais das caixas de coment�rios. O equil�brio na blogosfera � mantido pelo n�mero de Trolls que entram e dos Curiosos-s�rios que se v�o embora, e aproxima-se do �cido das baterias. Todos os blogues podem ser classificados pela escala do pH. NOTA 4: O genu�no comentador an�nimo da blogosfera desejaria n�o ser an�nimo, mas muito conhecido. No entanto, tem medo de p�r o nome e, se o assinasse com ele, n�o teria coragem de escrever o que habitualmente escreve. O nick name � a solu��o para ter nome n�o o tendo. O comentador com nick name, deseja ao mesmo tempo ser an�nimo e ter uma identidade como comentador, reconhecida inter-pares nas caixas de coment�rios. NOTA 5: O comentador an�nimo com nick name escreve compulsivamente em todas as caixas de coment�rios abertas que encontra, escolhendo de prefer�ncia as dos blogues com mais leitores. A actividade do comentador an�nimo nas caixas de blogues com mais leitores � id�ntica � das r�moras. NOTA 6: Os comentadores an�nimos seguem em absoluto a PRIMEIRA e a SEXTA LEI DO ABRUPTO . NOTA 7: Os Trolls nas suas v�rias incarna��es s�o o proletariado da blogosfera e os principais garantes da QUINTA LEI DO ABRUPTO. NOTA 8: Os comentadores Curiosos-s�rios t�m uma vida curt�ssima na blogosfera. S�o os "inocentes-ut�is". Se continuarem inocentes acabam por fugir a sete p�s. Os que n�o fogem perdem a inoc�ncia e ou abrem blogues ou tornam-se Trolls por impregna��o do meio . NOTA 1: Na blogosfera n�o h� surpresas. NOTA 2: A falta de previsibilidade � punida na blogosfera como Contradi��o (ver PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO), ou como "deslealdade org�nica". QUARTA LEI DO ABRUPTO : A blogosfera tem horror ao vazio. NOTA 1: Na blogosfera est� sempre a maior parte de cada um, o seu ego, que costuma ocupar um grande espa�o. Ainda cabe o Super Ego e o Id. Logo, n�o h� espa�o para mais nada. NOTA 2: A blogosfera � compulsiva. A blogosfera � obsessiva. Pode-se ficar doente de uma longa exposi��o � blogosfera. NOTA 3: Os blogues colectivos morrem por implos�o, os individuais por cansa�o. NOTA 4: A nota anterior � enganadora. Os blogues nunca morrem, s�o fechados e abertos logo a seguir com outro nome. Um lugar de um blogue � sempre preenchido por outro do mesmo autor, quando � individual, ou do mesmo tipo quando � colectivo. NOTA 5: Quando um blogue deixou de ter sucesso na opini�o do seu autor, � morto por ele e aberto outro logo a seguir. O objectivo da morte anunciada � dar oportunidade ao seu autor de ler as necrologias em vida e saber a falta que faz. As necrologias em vida funcionam como massagem do ego. NOTA 6: Separa��es, zangas, div�rcios, sa�das intempestivas, infidelidades, trai��es, viola��es da "lealdade org�nica", seguem nos blogues as mesmas regras das bandas de m�sica rock. Faz-se fama em conjunto, quer-se logo fazer um disco a solo. QUINTA LEI DO ABRUPTO : A blogosfera � a Aldeia dentro da Aldeia Global, todos s�o vizinhos, todos sabem tudo de todos, todos zelam activamente o cumprimento da regra principal da Aldeia: o igualitarismo tem que ser absoluto. NOTA 1: Se eu fa�o tamb�m tu tens que fazer. Se tenho coment�rios tamb�m tu tens que ter. Se fa�o muitas liga��es, tamb�m tu tens que fazer. Se eu tenho contadores tamb�m tu tens que os ter. NOTA 2: A patrulha da igualdade � uma das actividades mais generalizadas na blogosfera. NOTA 3: Na blogosfera h� luta de classes. NOTA 4: Os contadores s�o um instrumento da luta de classes. Uns s�o colocados em cima, outros no meio, outros no fim. H� mil e um truques dispon�veis para quem sabe, e todos s�o usados. NOTA 5: O mundo ideal seria estar no Blogger.com e ter o contador do Weblog.pt. SEXTA LEI DO ABRUPTO : Na blogosfera o lixo atrai o lixo. S�TIMA LEI DO ABRUPTO : O tribalismo � a doen�a infantil da blogosfera. NOTA 1: Os blogues s�o grupais, precisam imenso de companhia. NOTA 2: A blogosfera tem evolu�do do amiguismo para o grupismo e deste para o tribalismo. Permanecem, no entanto, leis de desenvolvimento desigual. NOTA 3: Os blogues atacam em grupo. NOTA 4: As afinidades s�o muito fr�geis na blogosfera devido ao ambiente �cido que corr�i os elos normalmente muito d�beis entre blogues e dentro dos blogues colectivos entre os seus autores. (Veja-se a NOTA 6 � QUARTA LEI DO ABRUPTO) OITAVA LEI DO ABRUPTO : O que vale na blogosfera tem que valer na atmosfera. NOTA 1: N�o basta ser capaz de respirar - no ciclo completo da respira��o (inala��o e exala��o) - �cido, � preciso ser capaz de respirar ar. NOTA 2: Na atmosfera a parte que mais se parece com a composi��o qu�mica do ar da blogosfera � o jornalismo. A maioria da comunica��o entre a blogosfera e a atmosfera faz-se por esse micro-clima. NOTA 3: No corredor que une a blogosfera � atmosfera h�, em ambos os lados das portas, Guardi�es. Os Guardi�es combatem com textos, notas e artigos e o ocasional inqu�rito. NOTA 4: Uma vez por m�s, pelo menos, um dos Guardi�es do lado do jornalismo publica um artigo explicando por que raz�o a blogosfera n�o tem import�ncia nenhuma para ningu�m. NOTA 5: Os Guardi�es do lado da blogosfera afirmam que esta � o centro do mundo civilizado, em rela��o directa com o n�mero de vezes que o seu blogue � citado na atmosfera. NOTA 6: H� um pequeno grupo de Guardi�es Insatisfeitos que acham que a atmosfera s� d� import�ncia aos blogues seus "inimigos" (veja-se NOTA 5 da PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO), e por isso passam-se para o outro lado e tamb�m escrevem, pelo menos uma vez por m�s, que a blogosfera � irrelevante. A SEXTA LEI DO ABRUPTO explica as sinergias. NONA LEI DO ABRUPTO : O car�cter l�dico dos blogues diminui � medida que a import�ncia da blogosfera aumenta na atmosfera. NOTA 1: O car�cter l�dico dos blogues � cada vez mais afectado pela imposi��o de etiquetas e por uma crescente normatividade na blogosfera. NOTA 2: Os blogues colectivos s�o mais propensos � normatividade do que os individuais, pela necessidade de se auto-gerirem. NOTA 3: O car�cter l�dico dos blogues diminui � medida que as agendas medi�ticas se tornam dominantes. Na formula��o dessas agendas h� hoje um cont�nuo blogosfera-atmosfera. D�CIMA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA: A blogosfera n�o se consegue ver ao espelho. OUTRA FORMULA��O: A blogosfera tem em comum com os vampiros n�o se conseguir ver ao espelho.
10:17
(JPP)
![]() ![]() (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (2 de Mar�o de 2006) ![]() ___________________________ Artigo do Guardian sobre as faces de Rembrandt, sobre Rembrandt como "topographer of the human clay". * Para a hist�ria dos sempre presentes fantasmas da cultura francesa, �s contas com o seu passado "colaboracionista", esta nota "Corneille en chemise noire" de Assouline no La R�publique des Livres: "Je ne suis pas de ceux qui jettent un voile pr�tendument pudique sur l'oeuvre litt�raire (Drieu La Rochelle) ou historique (Jacques Benoist-M�chin) des collaborateurs de l'occupant, livres que je n'ai jamais cess� de lire et de relire -dans leur �dition d'origine si possible afin d'�viter tout trucage pauvertien. La d�gueullasserie de ses D�combres ne m'a jamais emp�ch� d'appr�cier le Rebatet des Deux �tendards ou de l'Histoire de la musique ; l'ignominie de certains textes de Brasillach ne m'a pas �cart� de Notre avant-guerre, non plus que de son Histoire du cin�ma �crite avec Maurice Bard�che ; pour ne rien dire de l'oeuvre de C�line que je place au plus haut malgr� C�line ; que ceux que cela int�resse se reportent au Fleuve Combelle, petit livre �crit autrefois pour tenter d'y voir clair en moi � ce sujet, ou � L'�puration des intellectuels. Mais quelle urgence absolue, quelle n�cessit� imp�rieuse, ont-elles command� de r��diter en 2006 ce Corneille tr�s dat�, au moment m�me o� l'on publie, de surcro�t sous la m�me marque, une biographie compl�te s'appuyant sur les travaux les plus r�cents ?"
10:07
(JPP)
SCRITTI VENETI
![]() Canaletto, O Grande Canal visto do Palazzo Balbi
09:43
(JPP)
XXV Quantos em ti lagos e rios Quantos em ti os oceanos �gua vermelha que aos ouvidos traz o aviso de nenhuns campos � bom sondarmos os abismos que nunca v�o cicatrizando E ao som da �gua pressentirmos de onde provimos aonde vamos (David Mour�o Ferreira) * Bom dia! 1.3.06
22:56
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO M�XICO A foto que lhe envio foi efectuada no ultimo domingo ao fazer um passeio a umas Lagoas situadas a 25 Km a Sul de Tulum-M�xico, o "Don Vicente" trabalha como guia, toda a vida trabalhou na Selva, guiando turistas aos lugares mais escondidos da selva mostrando Cenotes que sao cavernas de �gua doce onde o Povo Maya efectuava rituais e sacrificios, desde h� 5 anos para c� conseguiu que o governo lhe desse uma licen�a oficial para guiar o seu pequeno barco e fazer passeios turisticos pelas lagoas junto � Selva onde nos conta um pouco da hist�ria do Povo Maya. Durante todo o passeio fotografei-o v�rias vezes, claro que com o seu consentimento, mas em nenhumas das v�rias fotos ele olhou directamente para mim, talvez seja uma defesa de n�s os "turistas". (Miguel Lopes)
� Jos� Pacheco Pereira
In�cio |