ABRUPTO |
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28.2.06
09:10
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (28 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ Novos descobrimentos: na noite, Mimas passa em frente de Saturno. Percebe-se o frio. ![]() * No Guardian as guerras de livros e autores � beira dos pr�mios. * Bom retrato de S�crates feito por Valupi no Aspirina B: "S�crates � muito irritante. Tem uma pose sempre no limite da arrog�ncia possid�nia, tend�ncia que se tem agravado com a idade e os pap�is do poder. Mas S�crates torna-se simp�tico quando se irrita; o que lhe acontece com facilidade, de resto. A�, o seu temperamento sangu�neo tem uma genuinidade que se distingue dos artificialismos da circundante pandilha. Sente-se-lhe o gosto em passar responsos paternalistas, exerc�cio que atinge o auge quando a v�tima � Marques Mendes. A sua voz tamb�m se modula de acordo com a bancada do interlocutor: o CDS � tratado com indiferen�a fria, o PSD com agressividade c�mplice, o PCP com petul�ncia agastada e o Bloco com bonomia agreste. * O que Valupi diz de S�crates � apenas a confirma��o do que diz o nosso cl�ssico Vieira: "Se olharmos para as coisas com simpatia, at� um cisne preto nos parece branco; se olharmos, com antipatia, at� uma rato branco nos parece preto."
08:56
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 730 Henri quatre Henri quatre Voulait se battre Henri trois Ne voulait pas Henri deux Se moquait d'eux Henri un Ne disait rien. ("Comptine" an�nima) * Bom dia! 27.2.06
17:55
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NOS OLIVAIS - LISBOA, PORTUGAL Envio-lhe uma foto do trabalho duro de dois imigrantes de leste de S�bado � tarde, dia 25 de Fevereiro de 2006, enquanto a maioria da popula��o de Lisboa se fazia � estrada para comemorar o Entrudo ou andava em roda viva para comprar os fatos de Carnaval a pre�os chorudos em centros comercais. Chovia torrencialmente a rua estava deserta e esses dois homens colocavam pedra a pedra a cal�ada da minha rua um. Um deles n�o tinha mesmo imperme�vel e estava encharcado. Envio-lhe a foto para que seja um pequeno tributo aos imigrantes que ajudam a desenvolver o meu pa�s com trabalho muito duro e em condi��es muito dif�ceis. O grau de desenvolvimento de um pa�s tamb�m se v� na forma como reconhece e integra aqueles que por aqui quiseram procurar uma vida melhor. (Renato Gon�alves)
08:53
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 729 Coccinelle vole Coccinelle vole Va-t'en � l'�cole Prends donc tes matines Va � la doctrine. ("Comptine" an�nima) * Bom dia! 26.2.06
19:20
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM TIMOR-LESTE Um grupo de alunas da Universidade Nacional de Timor-Leste depois de uma aula, falando sobre o futuro de Timor. No quadro negro pode ver-se uma frase com que eu havia intrigado os alunos, solicitando-lhes que descobrissem o que queria dizer em portugu�s. Quando descobriram, fizeram quest�o de a escrever naquele quadro que estava na minha sala de trabalho, gabinete frequentado pelos estudantes, onde t�nhamos grandes conversas sobre as suas ![]() (�ngelo Eduardo Ferreira)
12:20
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO SUL DE PORTUGAL
Obras. (Ant�nio Filipe Meira)
12:09
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LI��O DE POPULISMO ![]() No dia do primeiro anivers�rio da vit�ria com maioria absoluta pelo PS (20.02.2006) assistimos nas televis�es a uma exibi��o de populismo de c�tedra pelo Eng.� Jos� S�crates e governantes da educa��o: 1) Anunciou o primeiro-ministro o alargamento das aulas de substitui��o ao ensino secund�rio (10�-12� anos) num dia em que se iniciava uma semana greve de professores �s mesmas, depois de numa greve anterior (18.11.2005) a ministra da educa��o ter publicado um texto �coincidente� com a data no P�BLICO e no DI�RIO DE NOT�CIAS ser levantada, tamb�m nesse dia �oportuno�, a quest�o das faltas dos professores. Come�a a ser uma estrat�gia doentia ou ent�o s�o coincid�ncias a mais. N�o vejo diferen�as de fundo entre isso e a interven��o do primeiro-ministro sobreposta � de um candidato na noite eleitoral das presidenciais. No �ltimo caso admito que pode ter sido acidental, mas tamb�m n�o se podem deixar de assinalar outras atitudes compar�veis que revelam a estrat�gia de afirma��o de um governo do qual o Eng.� Jos� S�crates � o primeiro respons�vel. Nada de novo nesta forma de atropelar a dignidade dos outros. Em democracia os processos valem tanto quanto os resultados. N�o sou sindicalizado, concordo com as aulas de substitui��o, dou com prazer aulas de substitui��o, n�o fiz greve e, no entanto, n�o compreendo certas pr�ticas. 2) Anunciam-se avan�os sem se fazer uma pondera��o minimamente s�ria de como decorrem as aulas de substitui��o no b�sico. Isso tem uma designa��o: fuga em frente, um v�cio de longa dura��o nas pol�ticas educativas. Qualquer correla��o entre melhorias substantivas na qualidade do ensino e a generalidade das medidas que o governo tem implementado, em especial as aulas de substitui��o, s� mesmo se and�ssemos distra�dos. A n�o ser que se considere que o problema do ensino � essencialmente or�amental. Mas se assim for preferiria viver numa rep�blica de contabilistas-governantes. Enquanto o centro da quest�o, a sala de aula, se mantiver como est� (e n�o se prev� que mude com o rumo que as pol�ticas tomaram), o que se �reformar� ter� efeitos meramente laterais ou circunstanciais. C� estarei daqui a meia d�zia de anos, se estiver vivo, para tentar explicar porque, uma vez mais, se falhou. 3) O governo tem-se mexido muito (reorganiza��o da rede escolar, aulas de substitui��o, revis�o da progress�o nas carreiras, etc. � medidas que t�m de ser tomadas, sem d�vida), mas foge dos problemas estruturais: indisciplina (n�o se vislumbra que o problema tenha sido assumido, tal como se teve de assumir o d�fice p�blico, e que exista uma estrat�gia, boa ou m�, para enfrent�-lo e, se calhar, teremos de esperar largos anos para, outra vez, se actuar tarde e mal), facilitismo das avalia��es (enquanto o pa�s insiste na incapacidade de discutir de modo sustentado e plural a quest�o dos exames nacionais no b�sico e no secund�rio porque uns quantos �especialistas� os desvalorizam, o governo reproduz medidas de promo��o do facilitismo como o Despacho Normativo 50/2005), estruturas curriculares ineficazes (s� n�o v� quem n�o quer). 4) Tal qual os populistas que falam �por cima� e atropelam as elites alegando que os interesses do �povo� est�o em primeiro lugar, este governo insiste em falar �por cima� dos professores, encarnando a �vontade� dos alunos, dos encarregados de educa��o (com se n�o houvesse professores-progenitores-encarregados-de-educa��o nos mais de 100.000 profissionais) e da escola (cuidadosamente, ao menos, nessa palavra os governantes n�o ousam incluir os professores). Depois de marginalizados pelos discursos dos l�deres sindicais, os professores de sala de aula s�o confrontados com uma nova vers�o: um governo que refinou e monopolizou o autismo estrutural do sistema. Nunca dei por um verdadeiro pluralismo na educa��o. Ora uns, ora outros. 5) Directa ou indirectamente, este discurso governamental ao referir apenas �os sindicatos� (e mesmo esses convinha discrimin�-los) e ao omitir os professores, n�o estabelecendo uma distin��o entre uns e outros (talvez porque, honestamente, n�o sinta legitimidade para tal), permite que socialmente se instale uma percep��o p�blica que mete tudo no mesmo saco, numa �rea t�o complexa quanto a do ensino (veja-se o artigo prim�rio da autoria de Filomena Martins na S�BADO de 23.02.2006, p.67). Al�m disso, a nega��o sistem�tica e mesmo obsessiva do papel social dos sindicatos (concorde-se ou n�o com eles), representados no simplismo ret�rico do primeiro-ministro (e de alguma imprensa) como �os maus da fita�, em prol de um omni-representativo governo na �rea da educa��o, constitui uma �bvia deriva populista inimagin�vel num governo dito de esquerda se recu�ssemos um ano. A �burguesia, os ricos, os poderosos� foram finalmente descodificados: os sindicatos. J� nem sei se a esquerda que governa tem alguma coisa a ver com Marx. 6) Todavia, a sobranceria do primeiro-ministro e do governo tem muito a ver com uma oposi��o que, dia-a-dia, vai justificando o contr�rio daquilo para que existe: apesar de tudo, com esta oposi��o (n�o generalizo, mas refiro-me em concreto � �rea da educa��o), justifica-se a maioria absoluta do Eng.� S�crates e a ac��o �not�vel� da ministra da educa��o. (Gabriel Mith� Ribeiro) * Toda a gente ligada � educa��o sabe que a decis�o do Governo relativamente �s aulas de substitui��o est� ligada a um n�mero que recentemente surgiu nos media: o de que a taxa de abstencionismo dos professores do ensino b�sico or�a os 10%. Ora, sendo sobejamente evidentes os preju�zos que tal pr�tica acarreta sobre a educa��o das crian�as, das duas uma: ou o Governo, entidade abstracta que para o efeito teria de tomar a forma concreta de uma qualquer entidade inquisitorial e disciplinar, a puniria, ou criava mecanismos, similares aos j� institucionalizados pelo costume em muitas Universidades, para que sejam os pr�prios pares dos abstencionistas a criarem uma moral menos transigente para com esse relaxe. Fazendo-os ocupar os tempos lectivos que os colegas abstencionistas abandonam. No fundo, trata-se de afirmar uma coisa muito simples e just�ssima aos docentes: �faltem se quiserem, mas as crian�as n�o podem ficar abandonadas e algu�m tem de tomar o lugar dos faltosos�! * Por outro lado, quero fazer uma observa��o relativa ao excelente texto do seu leitor Gabriel Mith� Ribeiro, que faz refer�ncia �facilitismo das avalia��es�. Quero apenas acrescentar que uma das causas desse facilitismo consiste em querer-se diminuir o insucesso escolar. Mas se analisarmos o conceito subjacente de �insucesso�, o que se torna �bvio � que ter sucesso � passar de ano e n�o, como se poderia pensar, ter-se aprendido novos factos ou desenvolvido novas compet�ncias. Considero obscena esta no��o de sucesso. E se a aplic�ssemos a outras �reas? Vamos medir o sucesso de um pol�tico unicamente pelo n�mero de elei��es que ganha, independentemente do modo como o fez e de como exerceu o cargo para que foi eleito? Vamos medir o sucesso de um presidente de um clube de futebol unicamente pelo n�mero de campeonatos ganhos, sem pensar em eventuais subornos e outras falcatruas? J� agora, porque n�o medir o sucesso de um professor pelo n�mero de alunos que n�o reprova? Parece-me que faria perfeitamente sentido, pela mentalidade em vigor.
10:55
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA SERRRA DA ESTRELA, PORTUGAL
Pastores conduzindo um rebanho - Vila Soeiro / Guarda - regi�o da Serra da Estrela, 2006. (Ant�nio Ruivo)
10:41
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 728 The Limerick Packs Laughs Anatomical The limerick packs laughs anatomical Into space that is quite economical. But the good ones I�ve seen So seldom are clean And the clean ones so seldom are comical. (An�nimo) * Bom dia! 25.2.06
18:23
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (25 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ Mais um Google: o Google Page Creator. As cr�ticas t�m sido negativas, mas para um amador vale experimentar. * ![]() O problema � que n�o � isso de todo o que est� em causa neste caso. O que est� em causa s�o os mecanismos da exclus�o, e esses n�o s�o apenas a homossexualidade, mas tamb�m a mis�ria, a droga, a marginalidade, de onde vieram criminosos e a v�tima. A droga , por exemplo, n�o tem nenhum papel? Transformar este crime num instrumento para mais uma vez fazer legisla��o "politicamente correcta " sobre a "homofobia", � pol�tica, n�o � jornalismo.
18:15
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO ALENTEJO, PORTUGAL
Empilhamento da corti�a. (Jo�o Sobral)
18:00
(JPP)
RETRATOS DO N�O-TRABALHO NA FINL�NDIA Descri��o: Bar de uma faculdade nos arredores de Helsinki, depois das cinco da tarde. Apesar da faculdade estar aberta os funcion�rios do bar j� n�o trabalham a essas horas, o bar no entanto permanece aberto. Nestas circunst�ncias o funcionamento do mesmo � muito simples e da mesma forma um excelente exemplo de como as coisas em geral funcionam na Finl�ndia. O bar adopta um sistema de self-service em que o consumo � cobrado na base da confian�a, ou seja cada um serve-se (sejam caf�s bolos ou qualquer coisa ao dispor no balc�o), anota num caderno o que apanhou, e mete a moeda num porquinho de loi�a. E � j� aqui ao lado, na Nokialand. (Nelio Barros) * Este sistema de self-service baseado na confian�a � muito semelhante ao caso de uma empresa, descrito no excelente livro "Freakonomics", que coloca "bagels" em v�rios edif�cios de escrit�rios da mesma forma:
17:56
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL
Coloca��o de um equipamento de ar condicionado no topo de um hotel em Lisboa, no dia 1 de Maio de 2004 (dia do trabalhador!). (Andr� Fel�cio)
17:39
(JPP)
A FRAGILIDADE DOS PARTIDOS NACIONAIS
![]() Quando analisamos a capacidade pol�tica dos partidos portugueses, no seu duplo sentido de "produ��o" de discursos pol�ticos e de efic�cia eleitoral, verificamos que ela se mant�m a n�vel do poder local, e � quase inexistente na dimens�o das grandes cidades e a "n�vel nacional". Duas observa��es j� � cabe�a: uma � que o que se diz a seguir n�o se aplica ao PCP, que � um partido distinto dos outros, e ao BE, em que a componente de agit.prop se sobrep�e � organiza��o, mas apenas ao PSD e PS; a outra � que estamos a falar de partidos na oposi��o, em que a vertente governativa n�o potencia a ac��o partid�ria. Esta �ltima objec��o n�o � de fundo, visto que o poder derivado do acesso � governa��o n�o revela maior capacidade dos partidos a "n�vel nacional", mas oculta apenas as suas fragilidades. Resumindo e concluindo, o PS e o PSD s� existem hoje como partidos locais, a n�vel nacional a sua presen�a � t�nue e cada vez se torna mais d�bil. Mesmo nas grandes cidades como Lisboa e Porto, as estruturas distritais e federais s� existem como estruturas locais, agarradas �s juntas de freguesia e � verea��o das c�maras, irrelevantes enquanto organiza��es pol�ticas para a maioria dos habitantes urbanos, que n�o t�m com as suas autarquias qualquer rela��o de proximidade. Uma distrital de Lisboa do PSD ou uma federa��o do PS do Porto, dois exemplos de organiza��es que j� tiveram efectivo poder, n�o contam hoje em quase nada para a formula��o de pol�ticas partid�rias e s�o irrelevantes enquanto m�quinas eleitorais, a n�o ser em sentido negativo. As organiza��es partid�rias t�m conseguido sobreviver enquanto �rg�os de poder e decis�o apenas ao n�vel da pol�tica de proximidade, perdendo cada vez maior poder quando nos afastamos desse c�rculo mais estreito, para dimens�es em que os principais instrumentos de intermedia��o de influ�ncia pol�tica s�o os media modernos. Uma das consequ�ncias desta situa��o � a crescente transforma��o dos partidos em m�quinas do poder local e regional, com aumento da influ�ncia dos autarcas em toda a vida partid�ria, em detrimento da influ�ncia de outro tipo de inst�ncias mais perto do "n�vel nacional": deputados e �rg�os centrais do partido que det�m cada vez menor autonomia em rela��o ao partido local. O conglomerado poderoso de interesses que � hoje o poder local resulta mais eficaz do que o poder de qualquer direc��o nacional. Manuel Alegre, na sua campanha, quando falava do "medo", referia-se ao efeito deste poder local, dador de emprego, e estritamente controlado, sem alternativas e sem "ar", mais do que �s prepot�ncias do PS nacional contra a sua candidatura. Hoje, a pol�tica de proximidade deu uma nova dimens�o a formas modernas de caciquismo e clientelismo pol�tico mais sofisticadas do que as do passado, pois h� mais dinheiro, logo mais mecanismos de controlo. Neste contexto, as direc��es e lideran�as nacionais de um partido de oposi��o s�o muito mais fr�geis do que no passado, porque gastam uma parte importante do seu tempo a competir desigualmente com inst�ncias mais capazes de fidelizar o aparelho partid�rio e a ter que competir para o exterior num meio essencialmente mediatizado, para que n�o disp�em de instrumentos eficazes. Com quem conta e o que faz um l�der de um partido pol�tico na oposi��o? Voltamos aqui aos dilemas que defrontam Marques Mendes e Ribeiro e Castro. A mediatiza��o da pol�tica valorizou desmedidamente o papel individual da lideran�a, em detrimento de �rg�os colectivos. O l�der � suposto "passar" bem na televis�o e espera-se tudo dessa prova. �, desde logo, uma grande responsabilidade que recai sobre uma pessoa, alimentada pela espectacularidade e pelo populismo tendencial da sociedade medi�tica. Hoje isto considera-se quase como uma evid�ncia, mas reportando-nos a l�deres como S� Carneiro, Freitas do Amaral, �lvaro Cunhal e Ramalho Eanes, que conduziram grande parte da sua ac��o pol�tica em per�odos menos dominados pela televis�o, percebe-se que h� toda uma s�rie de elementos de lideran�a que pouco t�m que ver com "passar a imagem". A ascens�o de Santana Lopes representa o movimento a contr�rio, mais conforme com os tempos de domina��o medi�tica. A sua queda n�o contraria a tese geral. Acresce que os �rg�os pr�prios do topo dos partidos - comiss�o pol�tica, secretariado - foram normalmente eleitos em fun��o da correla��o das for�as partid�rias, como emana��o do aparelho "de baixo", a que se junta um pequeno grupo de pr�ximos do l�der, que lhe s�o pessoalmente leais, mas que n�o chegam a fornecer consist�ncia aos �rg�os de direc��o. Estes s�o cada vez mais federa��es de grupos e menos uma equipa coesa. Para al�m disso, s�o cada menos �teis como �rg�os de aconselhamento, visto que as fugas sistem�ticas de informa��o os torna inadequados a decis�es importantes. A tend�ncia � para as lideran�as dirigirem o partido na base da conjuga��o entre um grupo de pessoas leais, um grupo dentro de um grupo, e outro tipo de �rg�os informais destinados a dar o suplemento de "prest�gio" e capacidade a �rg�os formais que n�o os t�m. Da� a prolifera��o de task forces, interiores, com um poder que n�o � escrutinado pelos �rg�os partid�rios, e de "�rg�os de prest�gio" que n�o t�m um efectivo poder na condu��o da pol�tica partid�ria. S�o tudo solu��es de recurso e n�o resolvem o problema de fundo: dar aos �rg�os formais a capacidade pol�tica e o prest�gio p�blico que eles n�o t�m e faz�-los funcionar com discri��o e reserva nas decis�es delicadas e com influ�ncia enquanto "vozes p�blicas". Vamos admitir que um l�der deseje efectivamente unir o prest�gio e a influ�ncia p�blica de uma direc��o partid�ria com a sua legitima��o formal, e vamos admitir que consegue fazer a verdadeira revolu��o que � inverter o tipo de escolhas aparelh�sticas que s�o dominantes nos partidos. Encontrar� ent�o outro tipo de obst�culos: a completa falta de competitividade que t�m as carreiras pol�ticas, em todos os planos, a come�ar no simb�lico, com carreiras profissionais, e a resist�ncia mais que justificada a fazer pol�tica em democracia nos dias de hoje. N�o � f�cil convencer algu�m que pela sua qualifica��o profissional � um alto quadro num banco a ser porta-voz da pol�tica financeira de um partido de oposi��o. A administra��o do banco, mesmo que ele dela fa�a parte, lhe dir� que � inconveniente. N�o � f�cil convencer um grande advogado a ser porta-voz em quest�es de justi�a ou a dirigir um grupo de estudo sobre corrup��o, sem que os seus colegas lhe lembrem que isso prejudica o escrit�rio. Por a� adiante. A omnipresen�a do Estado, o seu car�cter ainda muito clientelar, a fragilidade da sociedade civil em oferecer espa�os alternativos, a m� fama da vida pol�tica e a degrada��o das condi��es do seu exerc�cio aparecem como um cont�nuo em rela��o � m� qualidade dos partidos. Pode-se sempre argumentar que � poss�vel come�ar de novo, formar gente nova e sem v�cios, mas n�o � uma solu��o exequ�vel a curto prazo e oferece as mesmas dificuldades. Estas dificuldades s�o reais e s� podem ser superadas atrav�s de uma requalifica��o da pol�tica, que passa n�o s� por profundas mudan�as nos partidos pol�ticos, como tamb�m na forma de a fazer. S�o precisos novos instrumentos e novas formas que permitam esta qualifica��o das direc��es "de cima", que s� podem ser levadas adiante e ganhar credibilidade quando se defronta a dupla resist�ncia da mediocridade e dos interesses instalados, coisas que os partidos deixaram crescer at� um n�vel cr�tico. Sem isso, nem por baixo, nem por cima, os partidos conseguir�o manter a influ�ncia c�vica na sociedade. (No P�blico de 24/2/2006)
10:46
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ARROIOLOS, PORTUGAL
Bordando tapetes. (Jo�o Antunes)
10:44
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 727 As A Beauty I�m Not A Great Star As a beauty I�m not a great star, There are others more handsome by far, But my face, I don�t mind it, Because I�m behind it, �Tis the folks in the front that I jar. (An�nimo) * Bom dia! 24.2.06
20:03
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO SUL DE PORTUGAL
Demoli��o. (Ant�nio Filipe Meira)
18:57
(JPP)
COISAS DA S�BADO: �NGELO DE SOUSA ![]() Nesta exposi��o percebe-se o que est� por detr�s de quase tudo que � �produto� nesta oficina: um trabalho de aten��o �s formas, minimal-repetitivo, risco a risco, folha a folha, tra�o a tra�o, cor a cor, lata a lata, pl�stico a pl�stico, n�on a n�on, para perceber o que est�, o que h�. A obra de �ngelo � uma daquelas que melhor corresponde � procura ideal da forma, uma ilustra��o da frase de Da Vinci da pintura como �coisa mental�. Quantas formas h�? Pergunta cada escultura. S� a minha? Um milh�o? Quantos materiais me fazem? S� este lat�o, este a�o, este pl�stico, este vidro? Um milh�o de materiais, um milh�o de formas? S�o infinitas? N�o sei. �ngelo enche o mundo de formas, como ali�s muita da arte contempor�nea, mas n�o procura a Forma, procura o Mundo. Ele sabe que n�o chega l�, mas esfor�a-se.
18:31
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
Calceteiro nos passeios do Porto. (Eduardo Moura)
11:59
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (24 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ A ler Formas de Censura em Portugal no P�s-25 de Abril no irreal TV. * Faz 40 anos que ouvimos esta frase sincopada "1,2,3,4,5 Minutos de Jazz", uma das melhores frases de abertura e t�tulo de um programa de r�dio em Portugal. Os "cinco minutos" de jazz come�avam logo no primeiro segundo em que Jos� Duarte dizia "um". 40 anos � obra num pa�s pouco persistente, em que tudo se gasta num instante, e nos media n�o dura um pico-instante.
11:57
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTO SEGURO, BRASIL
Vendedor ambulante em Arraial d�Ajuda (Porto Seguro) � Brasil, em Fevereiro deste ano. (Rui Negr�es)
09:24
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO ALENTEJO, PORTUGAL Tiragem de Corti�a. (Jo�o Sobral) (...) essa fotografia � uma imagem da minha inf�ncia passada num monte da serra algarvia e ainda agora parece que estou a ouvir a minha av� comentar com alegria, o descorti�amento dos sobreiros da nossa "fazenda". Dizia ela que eram as nossas ovelhas...
09:08
(JPP)
THE SECOND COMING Turning and turning in the widening gyre The falcon cannot hear the falconer; Things fall apart; the centre cannot hold; Mere anarchy is loosed upon the world, The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere The ceremony of innocence is drowned; The best lack all convictions, while the worst Are full of passionate intensity. (...) ( William Butler Yeats) * Bom dia!
00:52
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO DOM�STICO
Lavar a lou�a. (F.) 23.2.06
08:14
(JPP)
(Escrito em tr�nsito, depois ser� integrado no texto final) D�CIMA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA
22.2.06
00:06
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM CINF�ES, PORTUGAL
Lavrando a terra com uma junta de bois. (Jos� Rui Fernandes) 21.2.06
20:35
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL
Trabalhadores numa esta��o de caminho-de-ferro na linha Porto-Lisboa. (Eduardo Moura)
19:49
(JPP)
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: POEIRA DAS ESTRELAS
![]() Part�cula dum cometa trazida pela Stardust para a Terra.
18:21
(JPP)
DEZ LEIS DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA (Vers�o 1.1) NOTA INICIAL: As Leis aqui transcritas n�o s�o nem Mandamentos, nem Regras, nem Instru��es Morais, nem Ordens de Servi�o, s�o Constata��es, descrevem o modo como os debates na blogosfera se desenrolam. S�o gen�ricas e universais. Como todas as Leis d�o origem a Excep��es, que s�o elas pr�prias outras Leis que regulam as Excep��es. Todas as Leis da blogosfera, dada a natureza do meio, s� podem ser formuladas de forma ir�nica, ou seja, absolutamente verdadeira. PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO : Evitar discutir a Posi��o, procurar atacar a Contradi��o. NOTA 1 : Ao se passar da Posi��o � Contradi��o o debate ganha uma dimens�o ad hominem. A maioria dos debates na blogosfera s�o ad hominem, na tradi��o da pol�mica � portuguesa. NOTA 2: A Contradi��o � sempre apresentada como uma fraqueza moral. NOTA3: Se houvesse s� Posi��es na blogosfera esta tinha um tamanho diminuto. A exposi��o das Contradi��es � o grosso da actividade da blogosfera. Os Insultos s�o outra parte importante. NOTA 4: O n�mero de coment�rios num blogue t�m rela��o directa com a natureza da nota se esta for sobre uma Contradi��o (ad hominem) e inversa se for uma Posi��o. Num mesmo blogue, as notas que n�o atacam ningu�m n�o tem coment�rios e as que atacam algu�m est�o cheias. SEGUNDA LEI DO ABRUPTO : A blogosfera � um lugar de fronteira, onde impera a "lei da selva" e o darwinismo social, logo a intensidade da zanga e da irrita��o na blogosfera � muito superior � da atmosfera. NOTA 1: A blogosfera n�o � um local apraz�vel para os esp�ritos am�veis. NOTA 2: A ferocidade dos coment�rios est� em rela��o directa com o seu anonimato mais o n�mero de coment�rios produzidos por metro quadrado de ecr� / dia. NOTA 3: Os comentadores an�nimos na blogosfera s�o na sua maioria Trolls, na sua minoria Curiosos-s�rios. A maioria dentro da maioria s�o Trolls com nick name, profissionais das caixas de coment�rios. NOTA 4: O genu�no comentador an�nimo da blogosfera desejaria n�o ser an�nimo, mas muito conhecido. No entanto, tem medo de p�r o nome e, se o assinasse com ele, n�o teria coragem de escrever o que habitualmente escreve. O nick name � a solu��o para ter nome n�o o tendo. O comentador com nick name, deseja ao mesmo tempo ser an�nimo e ter uma identidade como comentador, reconhecida inter-pares nas caixas de coment�rios. NOTA 5: O comentador an�nimo com nick name escreve compulsivamente em todas as caixas de coment�rios abertas que encontra, escolhendo de prefer�ncia as dos blogues com mais leitores. NOTA 6: Os comentadores an�nimos seguem em absoluto a PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO. NOTA 7: Os Trolls nas suas v�rias incarna��es s�o o proletariado da blogosfera e os principais garantes da QUINTA LEI DO ABRUPTO. NOTA 7: Os comentadores Curiosos-s�rios t�m uma vida curt�ssima na blogosfera. S�o os "inocentes-ut�is". Se continuarem inocentes acabam por fugir a sete p�s. Os que n�o fogem perdem a inoc�ncia e ou abrem blogues ou tornam-se Trolls por impregna��o do meio . TERCEIRA LEI DO ABRUPTO : A esmagadora maioria dos temas, coment�rios, reac��es, alinhamentos, posi��es � absolutamente previs�vel. NOTA 1: Na blogosfera n�o h� surpresas. NOTA 2: A falta de previsibilidade � punida na blogosfera como Contradi��o (ver PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO), ou como "deslealdade org�nica". QUARTA LEI DO ABRUPTO : A blogosfera tem horror ao vazio. NOTA 1: Na blogosfera est� sempre a maior parte de cada um, o seu ego, que costuma ocupar um grande espa�o. Ainda cabe o Super Ego e o Id. Logo, n�o h� espa�o para mais nada. NOTA 2: A blogosfera � compulsiva. A blogosfera � obsessiva. Pode-se ficar doente de uma longa exposi��o � blogosfera NOTA 3: Os blogues colectivos morrem por implos�o, os individuais por cansa�o. NOTA 4: A nota anterior � enganadora. Os blogues nunca morrem, s�o fechados e abertos logo a seguir com outro nome. Um lugar de um blogue � sempre preenchido por outro do mesmo autor, quando � individual, ou do mesmo tipo quando � colectivo. NOTA 5: Quando um blogue deixou de ter sucesso na opini�o do seu autor, � morto por ele e aberto outro logo a seguir. O objectivo da morte anunciada � dar oportunidade ao seu autor de ler as necrologias em vida e saber a falta que faz. As necrologias em vida funcionam como massagem do ego. QUINTA LEI DO ABRUPTO : A blogosfera � a Aldeia dentro da Aldeia Global, todos s�o vizinhos, todos sabem tudo de todos, todos zelam activamente para que se cumpra a regra principal da Aldeia: o igualitarismo tem que ser absoluto. NOTA 1: Se eu fa�o tamb�m tu tens que fazer. Se tenho coment�rios tamb�m tu tens que ter. Se fa�o muitas liga��es, tamb�m tu tens que fazer. Se eu tenho contadores tamb�m tu tens que os ter. NOTA 2: A patrulha da igualdade � uma das actividades mais generalizadas na blogosfera. NOTA 3: Na blogosfera h� luta de classes. SEXTA LEI DO ABRUPTO : Na blogosfera o lixo atrai o lixo. S�TIMA LEI DO ABRUPTO : O tribalismo � a doen�a infantil da blogosfera. NOTA 1: Os blogues s�o grupais, precisam imenso de companhia. NOTA 2: A blogosfera tem evolu�do do amiguismo para o grupismo e deste para o tribalismo. Permanecem, no entanto, leis de desenvolvimento desigual. NOTA 3: Os blogues atacam em grupo. NOTA 4: As afinidades s�o muito fr�geis na blogosfera devido ao ambiente �cido que corr�i os elos normalmente muito d�beis entre blogues e dentro dos blogues colectivos entre os seus autores. OITAVA LEI DO ABRUPTO : O que vale na blogosfera tem que valer na atmosfera. NOTA 1: N�o basta ser capaz de respirar - no ciclo completo da respira��o (inala��o e exala��o) - �cido, � preciso ser capaz de respirar ar. NONA LEI DO ABRUPTO : O car�cter l�dico dos blogues diminui � medida que a import�ncia da blogosfera aumenta na atmosfera. NOTA 1: O car�cter l�dico dos blogues � cada vez mais afectado pela imposi��o de etiquetas e por uma crescente normatividade na blogosfera. NOTA 2: Os blogues colectivos s�o mais propensos � normatividade do que os individuais, pela necessidade de se auto-gerirem. NOTA 3: O car�cter l�dico dos blogues diminui � medida que as agendas medi�ticas se tornam dominantes. Na formula��o dessas agendas h� hoje um cont�nuo blogosfera-atmosfera. (Continua)
13:43
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM NISA, PORTUGAL
Bordadeiras. (Jo�o Antunes)
11:25
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (21 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ Novas no caso do 24 Horas que n�o deve ficar esquecido ou "normalizado": um artigo de Medeiros Ferreira ("At� prova em contr�rio, n�o gostei nada da rusga num jornal. Agora, ou se sabe tudo sobre a fuga de informa��o em causa, e sobre a seguran�a das escutas telef�nicas, ou ficar� disto o travo forte de uma intima��o intimidante."), uma nota de JPH no Gl�ria F�cil e a not�cia do pedido de nulidade da busca feito pelos advogados do jornal. * A injusti�a gen�tica da beleza, o proletariado da fealdade e a propens�o para o crime no Washington Post. * No Overheard in New York: "Its Existence Preceded Its Essence
10:54
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
Recolha do lixo no Porto. (Eduardo Moura)
09:58
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LANZAROTE - ILHAS CAN�RIAS, ESPANHA
Bi�logos portugues e espanh�is em Lanzarote, em trabalho de campo nas zonas intertidais. (G. Carreira)
09:55
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 725 Prince des joies d�fendues ![]() Prince, � Prince des joies d�fendues entendez-vous pas ce qu'on chante autour de vous ? � Les quatre coursiers trottent, les r�nes flottent : quitter le mal pour le bien serait un nouveau d�lice ! � Prince, � Prince, votre perte est d�nonc�e. Songez � l'Empire ! Songez � vous ! o Le Prince dit : Assez. Mauvais augures ! Je suis � l'Empire ce que le Soleil est au Ciel. Et qui donc s'en irait le d�pendre ? Quand il tombera, moi aussi. Mon tr�ne est plus lourd que les Cinq Monts gardiens : il est couch� sur les cinq plaisirs et le sixi�me. Viennent les hordes : on les r�jouira. L�Empire des joies d�fendues n'a pas de d�clin. (Victor Segalen) * Bom dia! 20.2.06
17:17
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ALG�S, PORTUGAL
Amola-tesouras num s�bado de manh� em Alg�s. (Ant�nio Maltezinho)
14:54
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM SABROSA - VILA REAL, PORTUGAL Abrindo uma vala. (Leonel Morgado) � mesmo um retrato do trabalho em Portugal... ningu�m usa capacete, o risco de derrocada e soterramento do oper�rio na vala est� presente, a m�o de obra barata exclui a necessidade de automatizar pr�ticas de trabalho.
11:14
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (20 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ Um artigo do Financial Times muito hostil aos blogues , mas que vale a pena ser lido: "No Modern Library edition of the great polemicists of the blogosphere to yellow on the shelf; nothing but a virtual tomb for a billion posts - a choric song of the word-weary bloggers, forlorn mariners forever posting on the slumberless seas of news." * Admir�vel mundo novo. Cito do Blogouve-se estas declara��es sobre a TV Mais: "Se aparecem na televis�o e s�o reconhecidos pelos leitores, ent�o tamb�m n�s vamos falar deles, das suas vidas", resume Carlos Maciel, considerando que estas ser�o, a partir de agora, duas condi��es essenciais para que as "estrelas" figurem nas p�ginas da revista. A informa��o televisiva propriamente dita fica relegada para segundo plano, abrindo antes as p�ginas aos rumores semanais sobre casamentos (des)feitos, opera��es de beleza, paix�es e desaven�as dos mais glamourosos do Pa�s e do mundo (...)� * Boa ideia (ou aplica��o de uma ideia) do Atrium: uma semana numa imagem. E que semana!
10:06
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO DOURO, PORTUGAL
Novas vindimas no Douro. (M�rio Negreiros)
09:53
(JPP)
Human Abstract Pity would be no more, If we did not make somebody Poor; And Mercy no more could be, If all were as happy as we; And mutual fear brings peace, Till the selfish loves increase; Then Cruelty knits a snare, And spreads his baits with care. He sits down with holy fears, And waters the ground with tears; Then Humility takes its root Underneath his foot. Soon spreads the dismal shade Of Mystery over his head; And the Caterpillar and Fly Feed on the Mystery. And it bears the fruit of Deceit, Ruddy and sweet to eat; And the Raven his nest has made In its thickest shade. The Gods of the earth and sea, Sought through Nature to find this Tree, But their search was all in vain; There grows one in the Human Brain. (William Blake) * Bom dia! 19.2.06
19:58
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL
Apanhando isco num s�bado de manh� no Parque das Na��es. (Ant�nio Maltezinho)
19:46
(JPP)
DEZ LEIS DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA
Nova vers�o em breve.
18:34
(JPP)
QUANDO CADA NUVEM TEM ALGUMA COISA A DIZER D� nisto: as laranjas caem todas das �rvores. Os lim�es aguentam melhor. Deve ser da acidez.
![]()
18:32
(JPP)
QUANDO CADA NUVEM TEM ALGUMA COISA A DIZER ![]() D� nisto: aguaceiros muito r�pidos, violentos e curtos.
16:39
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM NOVA DELI, �NDIA A m�quina, instalada no meu campus universit�rio, tem um assistente a tempo inteiro, 24 horas por dia, 365 dias por ano, fa�a frio g�lido ou calor t�rrido em Nova Deli. S�o dois funcion�rios que se revezam, sendo que � noite estendem uma pequena colcha para dormirem em frente � m�quina. H� diversas raz�es que explicam este factor humano. Primeiro, h� repetidas e cont�nuas avarias, especialmente devido ao clima, for�ando a utiliza��o manual (o empregado tem a chave de acesso no bolso). Segundo, � raro algu�m ter consigo troco exacto para pagar em moedas os produtos expostos (devido � infla��o dos pre�os). Terceiro, embora numa zona universit�ria, muitos dos utentes n�o s�o suficientemente literados ou simplesmente n�o t�m paci�ncia para seguir as instru��es. Finalmente, ao receberem o dinheiro em m�os, em vez de este ser colocado na ranhura, os empregados t�m uma fonte de rendimento adicional, desviando uma percentagem para um copinho de papel que se encontra escondido dentro da m�quina de caf� branca (ao meio), sem conhecimento da empresa gerente. Utilizei esta "vending-machine" por v�rias dezenas de vezes ao longo dos �ltimos meses, mas at� hoje n�o me foi poss�vel uma �nica vez efectuar uma transac��o com sucesso sem interfer�ncia do empregado, pelas raz�es acima expostas, ou variantes similares. (Constantino Hermanns Xavier)
13:46
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (19 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ N�o � novidade mas continua a ser bizarro que todos os canais televisivos transmitam em directo uma cerim�nia religiosa, respeit�vel por certo, mas cuja ocupa��o do espa�o televisivo � excessiva em rela��o ao seu interesse p�blico. Interesse p�blico que tem como not�cia, mas injustific�vel em horas e horas de directo simult�neo. * J� agora duas perguntas por curiosidade, e que os leitores n�o ter�o dificuldade em responder: - nas actuais condi��es atmosf�ricas de vento muito forte, os helic�pteros est�o a actuar em condi��es de seguran�a? (Admito que sim, mas gostaria de saber mais.) - lembrando-me eu da Morgadinha dos Canaviais e dos conflitos provocados pela proibi��o de sepulturas nas igrejas, que legisla��o permite o caso da Irm� L�cia? * Mais um amigo do 24 Horas - Ant�nio Barreto no P�blico: "O ataque ao jornal 24 Horas � um exemplo flagrante. Protegidos pela lei, pois claro, um juiz, v�rios procuradores, a PJ, a PSP e a GNR assaltaram a redac��o do jornal, confiscaram computadores e discos inform�ticos e entregaram notifica��es a v�rios jornalistas entretanto acusados de crime e constitu�dos arguidos. Como n�o se trata de um jornal benquisto pelas elites, o caso passou relativamente � margem dos grandes esc�ndalos. Mas � um caso muito s�rio e grave.Assino por baixo. J� est�o a ficar muitos os que se preocupam com o que se est� a passar com este "inqu�rito" da PGR. Com o caso "24 Horas", criou-se um precedente perigos�ssimo. O facto de se tratar de um tabl�ide - de que, de resto, n�o sou leitor - � irrelevante. De agora em diante, nenhum dos media poder� considerar-se a salvo de opera��o semelhante. Ora, o direito de informar (indissoci�vel do direito � protec��o das fontes) pertence ao cora��o da democracia. Subscrevo consigo, portanto, o texto de Ant�nio Barreto.
11:36
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
Trabalhando nas obras municipais no Porto. (Adolfo Fundo)
10:43
(JPP)
THE WEATHER IN VERSE. The undersigned desires, in a modest sort of way, To make the observation, which properly he may, To wit: That writing verses on the several solar seasons Is most uncertain business, and for these conclusive reasons : In the middle of the Autumn the subscriber did compose A sonnet on November, showing how the spirit grows Unhappy and despondent at the season of the year When the skies are dull and leaden, and the days are chill and drear. Perhaps you may recall to mind that, when November came, No leaden skies nor chilly days accompanied the same ; But the weather was as balmy as in Florida you'd find, And that sonnet on November was respectfully declined ! With laudable ambition to prepare a worthy rhyme, The writer wrote a Christmas song three weeks ahead of time ; And there was frequent reference to the shap and piercing air, And likewise to the cold white snow that covered earth so fair. I scarcely need remind you that the Christmas did not bring The piercing air and cold white snow of which I chose to sing : 'T was all ethereal mildness while for icicles I yearned, And of course my frigid verses were with cordial warmth returned. This very Spring I set to work � 't was on an April day, And warm as June � I set to work and wrote an ode on May ; The inspiration may have come in part from what I owed, But while I sang of gentle Spring I swear it up and snowed ! And once, when dew inspired me a pastoral to spin, It happened, when the poem was done, a dreadful drought set in ; There was no moisture in the earth, which dry and dryer grew, And the piece on dew came back to me with six cents postage due ! And for these conclusive reasons it is obviously plain That verses on the weather are precarious and vain ; And the undersigned would only add, so far as he can see, The trouble's not the metre, but the meteorology ! (Marc Cook) * Bom dia! 18.2.06
12:32
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO NA ERICEIRA, PORTUGAL
Trabalhos nas arribas da Ericeira. (Helena Monteiro)
12:30
(JPP)
A s�rie de fotografias sobre o trabalho que aqui se tem publicado, contraria a muito pequena representa��o que tem o trabalho nos blogues. O mundo do trabalho, a n�o ser em determinadas fun��es profissionais do jornalismo ou da academia, ou nalguns blogues de mulheres, com o trabalho feminino dom�stico, praticamente n�o aparece na blogosfera. Isso tem a ver muito com a composi��o social da blogosfera, traduzida tamb�m no mundo simb�lico dos autores de blogues. � como no cinema, parece que ningu�m trabalha. Essas fotografias (quase todas dos leitores do Abrupto) valem pela representa��o do trabalho, na sua normalidade e na sua trivialidade, no quotidiano da esmagadora maioria das pessoas. Elas revelam tamb�m o olhar dos seus autores, muito n�tido nalgumas fotografias tur�sticas, que mostram o Outro trabalho do resto do Outro mundo, como sendo uma curiosidade ex�tica. � tamb�m uma maneira de ver. Muitas, por�m (como a dos jardineiros de Odivelas) revelam esse ritmo quotidiano quase invis�vel de milh�es de pessoas. Aqui faz-se por ver.
09:07
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO Novos descobrimentos: mais Marte.(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (18 de Fevereiro de 2006) ![]() ___________________________ ![]() * O fim do Moby Dick esteve para ser diferente e a baleia para ser morta. Como � que seria o nosso mundo se o capit�o Ahab sobrevivesse? * Assouline na La R�publique des Livres transcreve uma entrevista de Ballard em que este fala das previs�es falhadas da fic��o cient�fica. N�o concordo com este julgamento de Ballard sobre Orwell (porque o 1984 � tanto sobre o estalinismo como sobre os media, e aqui Orwell percebeu muita coisa antes de tempo sobre a nossa "sociedade medi�tica"), mas vale a pena fazer este balan�o: "J'ai �t� influenc� par Wells,Huxley et Orwell.Les pr�dictions faites par Huxley dans "Le Meilleur des mondes" et "Les portes de la perception" se sont r�v�l�es beaucoup plus justes que celles d'Orwell, dont "1984" brossait avant tout un tableau du stalinisme. En bon socialiste, il craignait que ce d�voiement du socialisme ne contamine l'Europe occidentale. Mais Huxley a su pr�dire des soci�t�s fond�es sur l'uniformisation, l'�vasion dans la drogue, le clonage, ainsi que l'id�e d'exploiter le potentiel c�r�bral par l'usage d'hallucinog�nes -une intuition proph�tique. Pourquoi la Grande-Bretagne a-t-elle produit ces trois auteurs ? Sans doute parce qu'elle r�siste au changement, et que ces �crivains se sont r�volt�s contre tant d'immobilisme". * Entre as ofertas � "f�brica" dos �ltimos tempos, destaco uma colec��o magn�fica de caixas de f�sforos sovi�ticas, um excelente exemplo da iconografia comunista. O seu desenho � muito parecido com o dos selos da mesma �poca. Aqui vai um exemplo de uma s�rie sobre monumentos, est�tuas, o c�lebre tanque, as "casas da cultura" e os hot�is da Inturist: ![]() * � imposs�vel deixar de pensar que h� um elemento retaliat�rio na busca no 24 de Horas (ser� que dizer isto � crime?). Se � um crime o que o jornal fez, n�o foi um crime enviar as informa��es indevidas para o processo? Se � um crime o que o jornal fez, n�o t�m os jornais e as televis�es cometido o mesmo crime dezenas e dezenas de vezes, pelo menos desde que come�ou o processo Casa Pia? Pode-se sempre dizer que alguma vez a "justi�a" deveria "funcionar", s� que � um pouco estranho que s� o fa�a contra um jornal que denunciou o que, para n�o sugerir outra coisa, foi uma neglig�ncia grave do Minist�rio P�blico. Por isso diz bem Eduardo Pitta no Da Literatura: "Hoje levantei-me cedo. Fui ler os jornais e os blogues do costume. � distrac��o minha, ou n�o est�o convocadas manifesta��es de solidariedade em frente ao 24 Horas? No momento em que, pela primeira vez em trinta anos de democracia, um jornal portugu�s � alvo de rusga policial, onde p�ram os estr�nuos defensores da liberdade de express�o? Acaso sup�em que ela � indissoci�vel de uma imprensa livre? Que � feito dos blogues de causas? E da indigna��o bem-pensante? Eu percebo. O 24 Horas n�o � dos �nossos�. N�s somos todos muito finos para nos preocuparmos com jornalismo marron. Mas e o senhor Presidente da Rep�blica? Desta vez n�o considera que estejam em causa direitos fundamentais?" * Novos tempos (do New York Times): "For the first time, a major publisher is offering a book online at no cost to readers, supported by advertising. HarperCollins is selling the book, "Go It Alone! The Secret to Building a Successful Business on Your Own" by Bruce Judson, through Mr. Judson's site, brucejudson.com. "
09:01
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() Andr� Kert�sz, Nature morte II
07:55
(JPP)
The world is too much with us; late and soon, Getting and spending, we lay waste our powers: Little we see in nature that is ours; We have given our hearts away, a sordid boon! This Sea that bares her bosom to the moon; The Winds that will be howling at all hours And are up-gathered now like sleeping flowers; For this, for every thing, we are out of tune; It moves us not�Great God! I'd rather be A Pagan suckled in a creed outworn; So might I, standing on this pleasant lea, Have glimpses that would make me less forlorn Have sight of Proteus coming from the sea, Or hear old Triton blow his wreathed horn. (William Wordsworth) * Bom dia! 17.2.06
22:55
(JPP)
RETRATOS DO TRABALHO EM ODIVELAS, PORTUGAL
Jardineiros. (Pedro Oliveira)
21:48
(JPP)
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: EQUIL�BRIO
![]() Dione, Prometeu e Epimeteu alinhados pelos an�is de Saturno. Luxo, calma e voluptuosidade.
11:21
(JPP)
(Escrito em tr�nsito, em m�s condi��es, para ser integrado no texto final da vers�o 2.0)
DEZ LEIS DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA Vers�o 1.0 NOTA INICIAL: As Leis aqui transcritas n�o s�o nem Mandamentos, nem Regras, nem Instru��es Morais, s�o Constata��es, descrevem o modo como os debates na blogosfera se desenrolam. S�o gen�ricas e universais. Como todas as Leis d�o origem a excep��es, que s�o elas pr�prias outras Leis. Todas as Leis da blogosfera, dada a natureza do meio, s� podem ser formuladas de forma ir�nica, ou seja, absolutamente verdadeira. S�TIMA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA O que vale na blogosfera tem que valer na atmosfera. NOTA: N�o basta ser capaz de respirar - no ciclo completo da respira��o (inala��o e exala��o) - �cido, � preciso ser capaz de respirar ar. OITAVA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA Na blogosfera o lixo atrai o lixo, n�o sendo a inversa verdadeira. 16.2.06
11:11
(JPP)
LENDO / VENDO /OUVINDO(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES) (16 de Fevereiro de 2006) ___________________________ Tudo isto vai escrito em p�ssimas condi��es por causa de "mais uma corrida, mais uma viagem". Mas os tempos est�o complicados e exigem escrita. 15.2.06
09:00
(JPP)
Te Deum Not because of victories I sing, having none, but for the common sunshine, the breeze, the largess of the spring. Not for victory but for the day's work done as well as I was able; not for a seat upon the dais but at the common table. (Charles Reznikoff) * Bom dia!
01:00
(JPP)
DEZ LEIS DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA Vers�o 1.0 PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA Evitar discutir a Posi��o, procurar atacar a Contradi��o. NOTA 1 : Ao se passar da Posi��o � Contradi��o o debate ganha uma dimens�o ad hominem. A maioria dos debates na blogosfera s�o ad hominem, na tradi��o da pol�mica � portuguesa. SEGUNDA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA A ferocidade dos coment�rios est� em rela��o directa com o seu anonimato mais o n�mero de coment�rios produzidos por metro quadrado de ecr� / dia. NOTA 1: O genu�no comentador an�nimo da blogosfera tem um nick name, deseja ao mesmo tempo ser an�nimo e ter uma identidade como comentador, reconhecida nas caixas de coment�rios. TERCEIRA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA A esmagadora maioria dos temas, coment�rios, reac��es, alinhamentos, posi��es � absolutamente previs�vel. NOTA 1: A falta de previsibilidade � punida na blogosfera como Contradi��o (ver PRIMEIRA LEI DO ABRUPTO), ou como "deslealdade org�nica". QUARTA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA A blogosfera tem horror ao vazio. NOTA 1: Um lugar de um blogue � sempre preenchido por outro do mesmo tipo. QUINTA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA O car�cter l�dico dos blogues diminui � medida que a import�ncia da blogosfera aumenta na atmosfera. NOTA 1: O car�cter l�dico dos blogues � cada vez mais afectado pela imposi��o de etiquetas e por uma crescente normatividade na blogosfera. SEXTA LEI DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA O tribalismo � a doen�a infantil da blogosfera. |