ABRUPTO |
correio para
jppereira@gmail.com
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31.10.05
23:00
(JPP)
BIBLIOTECA
![]() Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 17
18:12
(JPP)
Actualizados os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO com a publica��o de todas as fotografias (in�ditas?) relativas aos fuzilamentos de Llerena e de outros eventos da guerra civil espanhola. Depois da publica��o, em Mar�o de 2005, da primeira vers�o desta nota, recebi v�rios pedidos vindos de Espanha e em particular da regi�o de Llerena, incluindo da Asociaci�n para la Recuperaci�n de la Memoria Hist�rica de Extremadura, que trabalha na identifica��o de cad�veres nas fossas comuns encontradas nos �ltimos anos. Da� a publica��o de toda a s�rie de fotografias, quinze no total, com algumas duplica��es, esperando que sirvam para identificar pessoas e eventos de uma das grandes trag�dias do s�culo XX.
15:39
(JPP)
TRISTE ![]() � triste ver o desespero de causa que leva M�rio Soares a levantar a quest�o da pens�o de Cavaco. � a mais desapropriada das quest�es, em particular, vinda de M�rio Soares que se pensava estar acima deste tipo de ataques rasteiros, que nele tem o precedente da campanha contra a situa��o conjugal de S� Carneiro. � exactamente o mesmo tipo de tiros desesperados, alimentando a nossa inveja socializada de pa�s pobre, que normalmente se voltam contra quem os dispara. O problema � que no caminho deixam lama por todo o lado, atingindo sempre mais quem mais pr�ximo est� dos defeitos t�picos do nosso sistema pol�tico e do seu cr�nico desprest�gio. E isso, queira-se ou n�o, seja injusto ou n�o, ser� sempre mais f�cil de cair em cima de um pol�tico como Soares do que de um pol�tico como Cavaco.
11:00
(JPP)
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA ![]() As paisagens de Edward Burtynsky no Washington Post.
10:06
(JPP)
VER A NOITE N�o foi bem assim, mas quase. L� estava ele, solit�rio e agressivo, espreitando sobre as nuvens, velho Deus da guerra, portador do tumulto, dizendo-nos: "n�o vos deixarei nunca".
![]()
09:58
(JPP)
COISAS COMPLICADAS
![]() Nan Goldin, Window
09:53
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 635 Al� pola ma�anci�a subo enriba dos outeiros lixeiri�a, lixeiri�a. Como unha craba lixeira, para oir das campani�as a batalada primeira. A primeira da alborada que me traen os airi�os por me ver m�is consolada. Por me ver menos chorosa, nas suas alas ma traen rebuldeira e queixumbrosa. Queixumbrosa e retembrando por antre verde espesura, por antre verde arborado. E pola verde pradeira, por riba da veiga llana, rebuldeira e rebuldeira. (Rosalia de Castro) * Bom dia, "enriba dos outeiros"! 30.10.05
10:03
(JPP)
COISAS SIMPLES / AR PURO
![]() Gustave Caillebotte
09:52
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 634 Cada estrela, o seu diamante; cada nube, branca pruma; triste a l�a marcha diante. Diante marcha crarexando veigas, prados, montes, r�os, onde o d�a vai faltando. Falta o d�a e noite escura baixa, baixa, pouco a pouco, por monta�as de verdura. De verdor e de follaxe, salpicada de fonti�as baixo a sombra do ramaxe. Do ramaxe donde cantan paxari�os piadores, que ca aurora se levantan. Que ca noite se adormecen para que canten os grilos que cas sombras aparecen. (Rosalia de Castro) * Bom dia!
00:36
(JPP)
Somem-se os nomes das Comiss�es de Honra de Soares e Cavaco, e d� mais de mil nomes, que s�o um retrato de quem manda em Portugal. Do establishment. Do "quem � quem". Somem-se mais meia d�zia de nomes, mais os militares no activo, ju�zes e embaixadores, alguns jornalistas, mais a hierarquia da Igreja, e est� toda a nossa elite. Quem manda. 29.10.05
18:49
(JPP)
BIBLIOTECA
![]() Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 16
12:54
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MONTE PILAR, PENAMAIOR (PA�OS DE FERREIRA) O vento outonal agitava a espa�os as folhas dos eucaliptos, alguns deles infelizmente despidos, pois assolados por queimadas que consumiram muito do pa�s este ver�o. Uma n�voa rasteira e leve encobria moment�neamente o sol e estendia-se pelos vales at� se perder pela linha do horizonte. Bem l� mais para a frente, para al�m dos vales, situa-se o Concelho da Maia e do Porto. Em dia de c�u limpo at� as chamin�s das refinarias se avistam. (V�tor Alexandre Leal)
11:58
(JPP)
OUVINDO MEREDITH MONK, VOLCANO SONGS
E A SUITE L�RICA DE ALBAN BERG PELO QUARTETO KRONOS E DAWN UPSHAW ![]()
11:25
(JPP)
COISAS DA S�BADO: OR�AMENTO E OPOSI��O ![]() O PSD ir� provavelmente votar contra este or�amento, mas n�o escapar� � dificuldade de justificar esse voto. Porque, estando as coisas como est�o, n�o h� muitas raz�es para o PSD votar contra um or�amento que contempla uma maioria de medidas que era suposto o PSD, se estivesse no governo, tentar realizar. O PSD pode dizer que o equil�brio or�amental � mais conseguido pelo aumento (virtual e imaginativo, nalguns casos) da receita do que pelos cortes na despesa. Mas duvido que, se o PSD estivesse no governo, fosse capaz de ir mais longe do que o PS nos cortes da despesa p�blica. Depois, h� mil e umas raz�es avulsas, todas reais, para criticar o or�amento, a insist�ncia nos �grandes investimentos� (ainda que adiada pela encomenda de mais estudos�), a teimosia de n�o fazer pagar as SCUTs pelos utentes, e outras op��es erradas. Mas n�o basta, porque s�o claramente pormenores. Ora eu penso que este or�amento devia ser recusado por toda uma outra s�rie de raz�es, o problema � que a oposi��o social-democrata n�o as assume como suas e por isso tem dificuldade em assumir uma alteridade que lhe permitisse estar � vontade na recusa do or�amento socialista. O adjectivo que escolhi ,�socialista�, n�o � meramente descritivo, � o socialismo em que vivemos impregnados, e que hoje se chama �estado-provid�ncia�, ou �modelo social europeu�, que nos condena � mediocridade e � gest�o no fio da navalha da cada vez menos riqueza produzida. O or�amento devia ser recusado porque precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade econ�mica, de mais esp�rito empresarial. Sem mais �crise� (das que falava Schumpeter) e sem mais �boa� inseguran�a, n�o somos capazes de mudar. O estado tudo faz para nos poupar a essa inseguran�a, e, como toda a Europa, afundamo-nos, pouco a pouco, na manuten��o, geracionalmente ego�sta, de um modelo social insustent�vel a prazo e que nos condena a definhar. � verdade que duvido que hoje algu�m consiga ganhar uma elei��o propondo o fim do conforto providencial, mas isso remete para a perda de margem de manobra democr�tica, face ao crescendo demag�gico. E nem sequer vale a pena apelar � racionalidade, porque ela, a n�o ser para meia d�zia de iluminados normalmente sem fome e com emprego certo, aconselha a ter a pomba na m�o a troca-la pelas duas que est�o a voar. Estamos de facto, um pouco tramados, mas se calhar foi sempre assim na hist�ria.
10:47
(JPP)
COISAS SIMPLES / COISAS COMPLICADAS
![]() William Eggleston, Untitled (Cloud in Sky, California)
10:33
(JPP)
October (section I) Is it winter again, is it cold again, didn't Frank just slip on the ice, didn't he heal, weren't the spring seeds planted didn't the night end, didn't the melting ice flood the narrow gutters wasn't my body rescued, wasn't it safe didn't the scar form, invisible above the injury terror and cold, didn't they just end, wasn't the back garden harrowed and planted-- I remember how the earth felt, red and dense, in stiff rows, weren't the seeds planted, didn't vines climb the south wall I can't hear your voice for the wind's cries, whistling over the bare ground I no longer care what sound it makes when was I silenced, when did it first seem pointless to describe that sound what it sounds like can't change what it is-- didn't the night end, wasn't the earth safe when it was planted didn't we plant the seeds, weren't we necessary to the earth, the vines, were they harvested? (Louise Gl�ck) * Bom dia! Adeus Outubro!
00:39
(JPP)
BIBLIOTECA
Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 15 28.10.05
23:00
(JPP)
PARA A HIST�RIA DA PROPAGANDA NEGRA E CINZENTA E DA DESINFORMA��O EM PORTUGAL ![]() O facto de ter sido produzido, num papel de qualidade, bastante espesso e com cuidadoso trabalho de montagem na utiliza��o falsa dos s�mbolos da candidatura de Carmona Rodrigues, mostra que n�o foi obra de amadores. A amplitude da sua distribui��o tamb�m revela ser fruto de uma actividade minimamente organizada. Nas �ltimas elei��es n�o foi um caso �nico. Na �rea metropolitana de Lisboa, deu-se um outro caso, em Oeiras, com um papel an�nimo contra Teresa Zambujo. � prov�vel que outros casos tenham existido por todo o pa�s. Nas �ltimas legislativas, para al�m da hist�ria contra S�crates, publicada num obscuro jornal brasileiro, oportunamente lido pelo Crime que a reproduziu na capa, houve tamb�m uma campanha de grafitis nos cartazes do PS, que tamb�m s� poderia ter sido organizada, de t�o sistem�tica que era. Ningu�m individualmente anda pela cidade toda e, numa ou duas noites, escreve em v�rias dezenas de cartazes. Houve tamb�m a bola vermelha de palha�o nos narizes dos candidatos, - ali�s n�o de todos -, mas esta iniciativa parece de outra natureza. Todos estes casos revelam que h� gente capaz de tudo para beneficiar os seus candidatos, atacando os seus advers�rios, e que se move na sombra, mesmo nos partidos. Para al�m de me parecer ser evidente que se trata de crimes, os quais ningu�m investiga que se saiba.
18:08
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MUITO, MUITO IMPORTANTE... ![]() � acompanhar a acusa��o de I. Lewis Libby, n� 3 da Administra��o Bush (assessor de Dick Cheney), por perj�rio e presta��o de falsos testemunhos. � um com certo prazer que se v� o Estado de Direito a funcionar, e com amargura que observamos a incompet�ncia (...) do nosso Minist�rio P�blico. Acompanhar este caso � aprender com os melhores. E para quem, como eu, apoio a interven��o no Iraque, saber at� que ponto as informa��es foram manipuladas. S� mais uma coisa, Lewis Libby � suspeito de ter praticado um crime muito mais grave (divulgar o nome de uma agente secreta da CIA), mas os procuradores preferiram ir para o simples perj�rio porque � muito mais f�cil de provar e l�, nesses b�rbaros pa�ses anglo-sax�nicos, mentir sob juramento � mesmo uma coisa s�ria. (Jo�o Lopes)
16:54
(JPP)
DESLEIXO ![]() O af� do Ministro das Obras P�blicas e do Primeiro-Ministro em anunciar com tanta anteced�ncia (normalmente a informa��o p�blica de qualquer outro an�ncio governamental � feita apenas um ou dois dias antes) que, pela en�sima vez, se vai "fazer a OTA e o TGV", mostra que qualquer coisa n�o est� bem. Aqui, nos blogues, sabemos bem o qu�: uma exig�ncia a que se tentou fazer orelhas moucas (a divulga��o em linha dos estudos realizados para suportar a decis�o governamental), acabou por ter que ser respondida � for�a. O Ministro das Obras P�blicas, notoriamente irritado por ter que dar explica��es, e por desvendar uma pequena ponta do v�u sobre uma decis�o estritamente pol�tica e com pouca sustenta��o actualizada, acabou por dizer que, em Outubro, divulgaria os estudos existentes, setenta, pelos vistos. Depois seguiu-se o sil�ncio, e agora, mais uma vez, o governo d� o p�ssimo exemplo de desleixo ao n�o cumprir um prazo que ele pr�prio estabeleceu. � que o governo j� percebeu v�rias coisas que o incomodam: uma, � que se abriu um precedente para a exig�ncia de divulga��o dos estudos t�cnicos associados a uma decis�o pol�tica, que vai valer para outros casos; outra, � que se v�o ver as fragilidades e a neglig�ncia com que se decidiu primeiro e se vai estudar depois. O governo, depois de dizer que tinha tudo estudado, que j� viera tudo estudado dos outros governos, e que n�o era necess�rio actualizar os estudos, est� agora a faz�-los � press�o, n�o para dizer "sim" ou "n�o", porque j� n�o tem essa liberdade, mas para serem usados para propaganda do "sim" e para serem ocultados, caso apontem para o "n�o". �, a democracia tem destas complica��es. Ainda bem. Esperemos agora pela nova data do desleixo.
16:14
(JPP)
BIBLIOTECA
![]() Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 14
10:36
(JPP)
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA ![]() Excelente not�cia no P�blico: "O Parlamento da Galiza aprovou, por unanimidade, uma declara��o institucional de apoio � candidatura das tradi��es orais galaico-portuguesas a Patrim�nio Imaterial da UNESCO." Eu sou pouco regionalista, mesmo nada, mas esta � a �nica "regi�o" a que me sinto pertencer. N�o me esque�o da emo��o com que ouvi pela primeira vez, h� muitos anos, falar galego, o nosso portugu�s do Norte, numa passagem clandestina da fronteira. Era a palavra certa, na l�ngua certa, no momento certo. Na l�ngua de Rosalia. * Interessante, muito interessante. No Di�rio de Not�cias, uma not�cia para ilustrar o prov�rbio de que "mais depressa se apanha um mentiroso ..." : "A possibilidade de Paulo Portas se perfilar como candidato � Presid�ncia da Rep�blica foi levada muito a s�rio por alguns dos nomes que mais de perto o acompanharam na anterior direc��o do CDS/PP. Prova disso foi a realiza��o de uma sondagem sobre elei��es presidenciais, que inclu�a o nome do ex-l�der centrista. O estudo, feito pela empresa Eurosondagem e depositado na Alta Autoridade para a Comunica��o Social, foi pedido em nome de ex-secret�rios-gerais do CDS - referindo os nomes dos actuais deputados Pedro Mota Soares e Jo�o Rebelo -, mas o DN apurou que a iniciativa partiu de um universo mais abrangente de nomes pr�ximos de Portas." * N�o se percebe por que � que no Di�rio de Not�cias em linha alguns artigos de opini�o aparecem na sec��o "Editorial" e n�o na "Opini�o". � um erro que deve ser corrigido, porque sen�o um dos editoriais de hoje � escrito por Jorge Coelho e ainda n�o chegamos l�. * No bloc mais franc�s que a Fran�a, La Republique des Livres de Assouline, novidades sobre o Divino Marqu�s. Um apontamento de Sade l� citado: "1. Il y avait � Ath�nes une loi qui s�parait l'homme de l'opinion qu'il annon�ait, et l'auteur de l'ouvrage qu'il publiait. 2. Galil�e fut pers�cut� pour avoir d�couvert les secrets du ciel; des ignorants furent ses bourreaux. Je le suis pour avoir r�v�l� les myst�res de la conscience des hommes; et des sots me tyrannisent. L'esprit, la science et l'imagination seront toujours le d�sespoir des gens stupides."
10:19
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() Duane Michals, Cavafy Cheats Playing Strip Poker
09:41
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 632 Now Winter Nights Enlarge Now winter nights enlarge The number of their houres ; And clouds their stormes discharge Upon the ayrie towres. Let now the chimneys blaze And cups o'erflow with wine, Let well-tun'd words amaze With harmonie diuine. Now yellow waxen lights Shall waite on hunny Loue While youthfull Revels, Masks, and Courtly sights, Sleepes leaden spels remove. This time doth well dispence With louers long discourse ; Much speech hath some defence, Though beauty no remorse. All doe not all things well ; Some measures comely tread ; Some knotted Ridles tell ; Some Poems smoothly read. The Summer hath his ioyes, And Winter his delights ; Though Love and all his pleasures are but toyes, They shorten tedious nights (Thomas Campion) * Bom dia, Inverno!
00:13
(JPP)
BIBLIOTECA
Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 13 27.10.05
23:58
(JPP)
TEMAS PRESIDENCIAIS ENTRE SOARES E CAVACO (No P�blico de 27/10/2005) ![]() Discursos presidenciais � S�o todos muito pobres porque s�o modelados pela enuncia��o de �prop�sitos�, �des�gnios�, �ideias para Portugal�, t�o vagos, gen�ricos e ret�ricos como os slogans de campanha. � preciso conhecer muito bem os candidatos e perceber as nuances, saber quais s�o os n�o-ditos, para entender a l�gica das candidaturas. Hoje a ret�rica est� t�o estabelecida no discurso pol�tico, que � cada vez maior o seu efeito de oculta��o. O que salva estas elei��es do vazio discursivo, � que os candidatos principais s�o bem conhecidos do eleitorado, e por isso s�o mais facilmente �lidos� nas suas efectivas inten��es. �O que nos distingue? Estilo e conte�do� - Disse M�rio Soares e � verdade. S� que quer o estilo, quer o conte�do, j� l� estavam antes da campanha. Esta � t�o dominada por conven��es, que � preciso escavar mais fundo para perceber as diferen�as. A pose e encena��o valem hoje mais do que os discursos, fazem �falar� a coreografia dos actos de apresenta��o. S�o eles que temos que analisar para ir mais longe. Encena��es - Em nenhum momento da campanha houve uma pura encena��o aut�noma, e quer Soares, quer Cavaco, cada um j� se constr�i face ao outro: um tem apoiantes na sala, o outro s� os mandat�rios, um entrega o cart�o, o outro s� entrega depois de ganhar as elei��es, um aceita perguntas � cabe�a, outro recusa-as, para depois as aceitar quando verifica que o advers�rio o faz, um intitula-se de �pol�tico profissional�, o outro recusa o ep�teto, um afirma-se independente dos partidos, o outro nega a condi��o de �suprapartid�rio�. H� todo um di�logo coreogr�fico, como se ambos �falassem� por estes gestos quer entre si, quer connosco. E � aqui que est�o efectivamente a falar. Pose � Toda a pose � uma met�fora program�tica e de poder. Cada um coloca-se diante de um Portugal imagin�rio, feito de densidade significativa, escolhendo lugares, posturas, sil�ncios e falas. A solid�o desejada de Cavaco, a sua pose ritualistica, a sua rela��o com os s�mbolos do poder, as bandeiras alinhadas, a perfei��o do cen�rio, o controlo do espa�o � sua volta, onde s� entra a esposa, pretendem acentuar a ruptura do exerc�cio do poder com os actos quotidianos, valorizar o sentido de estado da fun��o presidencial. Soares, pelo contr�rio, chega normalmente a uma porta de hotel, conversa, acelera e recua, olha para tr�s, acompanha um jornalista com quem conversa, passeia mais do que anda. Soares � mais terra � terra, mais natural, menos convencional, domina melhor o espa�o � sua volta, por isso sente menos necessidade de o organizar. Onde Cavaco est� contido e tenso, Soares est� � vontade, � mais corporal nos gestos, a qualquer momento espera-se que d� o bra�o a um amigo. Nesta diferen�a ambos s�o naturais, embora depois a encena��o acentue artificialmente o que os separa. Soares, a quem Cavaco irrita, tende a ainda mais acentuar a sua liberdade corporal, a dizer o que lhe apetece, a fazer o que lhe apetece. Cavaco n�o se pode dar a esse luxo, nem se sentiria bem nele. Soares � um t�pico membro de uma elite, preparado por toda a sua vida a estar naturalmente pr�ximo do poder, mesmo quando, antes do 25 de Abril, era perseguido. Cavaco for�ou a sua entrada numa elite que n�o o reconhece como um dos deles, que o ver� sempre, como Soares o faz, como um parvenu. S� que, quando Cavaco tem poder, tem mais poder e quando Soares o tem, tem menos. Palavras contidas, palavras distra�das � Cavaco falou pouco, Soares falou muito mais e falou de mais. O valor da palavra � ali�s diferente em ambos. Cavaco valoriza mais o gesto, a postura, a locu��o severa e escassa. Sente-se menos � vontade do que Soares na fala, o que o leva acentuar a sua caracter�stica de ac��o. No actual sistema pol�tico isso tem vantagens e inconvenientes. Por um lado, valoriza na sua imagem o papel de realizador, de �trabalho� (a frase �deixem-nos trabalhar�, ou a met�fora do �bom aluno� s� podiam ter vindo de Cavaco e nunca de Soares), por outro torna mais importante a autoridade do que diz. Falando pouco e escrevendo pouco, obt�m maior efeito das suas palavras, e os seus escritos pesam mais (Soares escreve muito mais do que Cavaco, mas os seus artigos raramente tem impacto). O que faz Cavaco � um procedimento adequado em per�odos longos, em que a raridade das interven��es torna-as escutadas e influentes. Mas numa campanha eleitoral, com muitas situa��es em que o controlo da palavra n�o existe ou � partilhado, como nos debates, � um inconveniente. Com Soares � o contr�rio. Soares � um grande conversador nato, um mestre da conversa mais do que do discurso, por isso prefere como terreno o maior n�mero poss�vel de debates. Ter� para eles uma s� condi��o, evitar que sejam demasiado espec�ficos ou t�cnicos, dado que Soares evitar� o confronto entre saberes espec�ficos, como seja a economia, que, quer se queira quer n�o, entrar� sempre nos debates como quest�o global. Soares insistir� por isso em debates colectivos que o resguardam mais. Linha de ataque � Uma linha de ataque vinda da candidatura de Soares � o combate ao pretendido �presidencialismo� da candidatura de Cavaco. Duvido que resulte, at� porque n�o tem objecto. Cavaco nunca se revelou �presidencialista�, e a maioria dos seus apoiantes nunca defendeu com a sua candidatura qualquer refor�o dos poderes presidenciais. As excep��es s�o excep��es ou s�o exerc�cios de m� f� destinados a comprometer o candidato. Quando Soares ataca uma direita �batida nas urnas�, com um � messianismo revanchista� que pretende uma �subvers�o do sistema presidencial� � as palavras mais duras e politizadas da sua interven��o program�tica - pretende conjurar um fantasma, mais do que o esconjurar. Linha de ataque 2 � Uma outra linha de ataque de Soares a Cavaco � antiga: Cavaco n�o teria passado de luta contra a ditadura. Foi avan�ada por Ant�nio Tabucchi, em resposta a um artigo que escrevi no P�blico , e foi retomada esta semana por Medeiros Ferreira no Di�rio de Not�cias: �Com efeito, o professor, embora n�o tenha sido um fura-greves como estudante, nos anos 60, resignou-se perante a ditadura, e n�o se conhecem atitudes suas contra o regime salazarista e marcelista. (�) N�o foi um bom come�o para quem quer ser presidente da Rep�blica em democracia, (�) al�m de demonstrar fraco entendimento sobre os decisivos momentos hist�ricos do seu pa�s. � Tamb�m me parece que a candidatura de Soares n�o ir� longe por aqui. Caso tom�ssemos a s�rio este crit�rio de exclus�o, Ant�nio Guterres, que tamb�m n�o tem qualquer passado de luta contra o regime n�o podia ter sido Primeiro-Ministro, e o mesmo acontecia com Maria de Lourdes Pintasilgo. E, tomando � letra este �argumento�, por maioria de raz�o, estariam banidos da vida p�blica portuguesa muitos pol�ticos como o socialista Veiga Sim�o ou o centrista Adriano Moreira, que foram ministros de Salazar e Marcelo. (Continua para a semana, falando-se de partidos e candidatos anti-partidos, independentes e �dependentes�, Soares e o PS, Cavaco e o PSD, a comunica��o social, Europa, outras linhas de ataque, e outras coisas mais).
18:05
(JPP)
BIBLIOFILIA: Trata-se de um Atlas min�sculo (reproduzido aqui quase em tamanho real), muito provavelmente um mostru�rio de mapas de parede para as escolas. O mapa pol�tico da Europa � do s�culo XIX, com a Pol�nia ainda integrada na R�ssia.NOS MONTES DE LIVROS E REVISTAS QUE NEM SEQUER OS ALFARRABISTAS SEPARAM ![]() ![]() ![]() Uma pilha da Tweentieth Century, uma velha revista inglesa fundada em 1877, com as melhores das colabora��es, pagas a 5 guin�us por 1000 palavras por volta de 1960. A outra, de que encontrei meia d�zia de n�meros, � Le Carillon Illustr�, publicada entre 1896 e os primeiros anos do s�culo XX. Tem um formato muito pequeno, pouco comum, e tem cr�ticas de teatro e contos.
10:24
(JPP)
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA ![]() No Village Voice, as primeiras comemora��es do anivers�rio do jornal. Norman Mailer sobre a Village (o bairro), escreve o mesmo que se podia dizer de alguma blogosfera: "Greenwich Village is one of the bitter provinces�it abounds in snobs and critics. That many of you are frustrated in your ambitions, and undernourished in your pleasures, only makes you more venomous. Quite rightly. If found myself in your position I would not be charitable either. Nevertheless, given your general animus to those more talented than yourselves, the only way I see myself becoming one of the cherished traditions of the Village is to be actively disliked each week."
09:49
(JPP)
AR PURO / AR LAVADO
![]() Feodor Vasilyev
09:25
(JPP)
Uns Uns, com os olhos postos no passado, V�em o que n�o v�em: outros, fitos Os mesmos olhos no futuro, v�em O que n�o pode ver-se. Por que t�o longe ir p�r o que est� perto � A seguran�a nossa? Este � o dia, Esta � a hora, este o momento, isto � quem somos, e � tudo. Perene flui a intermin�vel hora Que nos confessa nulos. No mesmo hausto Em que vivemos, morreremos. Colhe o dia, porque �s ele. (Ricardo Reis) * Bom dia! 25.10.05
22:22
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: Ainda sobre bibliotecas, ou melhor, sobre fotografias de bibliotecas, aqui vai uma montagem feita com fotografias tiradas na recentemente inaugurada (e bel�ssima) biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, na Rua dos Bragas. A montagem foi feita para ilustrar o post "A nossa biblioteca e outras bibliotecas", que inclui um excerto d' A Cidade e as Serras, no qual Z� Fernando se deslumbra com a biblioteca "do seu amigo Jacinto".MAIS BIBLIOTECAS (Maria Raquel Guimar�es) 1- Biblioteca P�blica, em Praga (Rep�blica Checa), Junho de 2000. 2- �rvore de Livros em Madrid (29/Dezembro/2003). As duas torres, em Praga e Madrid, impressionavam. Sobretudo pela quantidade de livros "armados". (Am�lcar Lopes Ant�nio)
22:17
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VOZES VINDAS DAS GREVES ![]() Sou um dos funcion�rios ( Auxiliar da PJ) que optou por fazer greve, tendo sido uma decis�o muito dificil para mim. Desde que come�aram as mudan�as na Adm. P�blica, que nunca foram explicadas internamente, sinto que estou perante um organismo que no relacionamento com os funcion�rios, � rig�do e sem di�logo. Por exemplo, o chefe do meu servi�o, vem � minha sala duas vezes por ano. Por vezes considero que esta necessidade de di�logo � um pecha socialista minha. O que interessa � seguir ordens mesmo que n�o sejam as melhores. Num trabalho intensivo que abarca �reas terr�veis da faceta humana, tento sempre que a minha parte seja feita de modo r�pido e eficaz, n�o apenas por brio; mas sei que as pessoas que constam dos processos, necessitam que a justi�a seja cumprida. Neste trabalho o tempo realmente conta para as pessoas , para as v�timas/ofendidos em especial. No P�blico de hoje refere-se que a Directoria Nacional indicou que 14 por cento dos funcion�rios de apoio fizeram greve. No meu local de trabalho a percentagem � muito maior. Os restantes tem as suas raz�es, tal como, terem nascido submissos com o gene do "Receio n�o se sabe do qu�", que � parte do DNA dos Portugueses; por esperarem uma promo��o que talvez nunca chegue,etc. (An�nimo identificado)
09:27
(JPP)
BIBLIOTECA
![]() Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 12
09:21
(JPP)
Death The Barber Of death the barber the barber talked to me cutting my life with sleep to trim my hair� It�s just a moment he said, we die every night� And of the newest ways to grow hair on bald death� I told him of the quartz lamp and of old men with third sets of teeth to the cue of an old man who said at the door� Sunshine today! for which death shaves him twice a week (William Carlos Williams) * Bom dia! 24.10.05
12:47
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "ISTO � TUDO POL�TICA!" ![]() Acerca da proibi��o do com�rcio de aves em mercados e feiras, passo a citar alguns excertos da entrevista de uma rep�rter da SIC Not�cias a uma senhora, esta manh�, na feira de Espinho, que sa�a em prol dos comerciantes de aves: (tom exaltado) �Se n�o concordo?!?!?! Claro que n�o concordo!!!! Olhe, sabe, isto � tudo pol�tica, s� pol�tica!! Quando foi das �bacas� loucas tamb�m diziam que vinha isto, e aquilo, eu sei l�, e foi o que se viu! Tamb�m diziam que vinha um v�rus nas meias e roupas dos �chinos� que nos matava a todos e andamos aqui, n�o nos aconteceu mal nenhum!� (tom ainda mais exaltado) (�) �e n�o tenho medo nenhum! E olhe, tenho mais de cem galinhas, l� em casa, e vou continuar a comer e a comprar! E se morrer das galinhas, olhe, n�o morro de outra coisa qualquer!� (Alexandre Cunha)
12:27
(JPP)
Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: BOATOS E DESINFORMA��O.
11:30
(JPP)
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA ![]() Com o Google na defesa do Google Print. Na Prospect a favor e contra Chomsky, o n�mero um dos intelectuais "p�blicos", a julgar por uma reveladora sondagem sobre o estado do "p�blico". No Super M�rio - que, diga-se de passagem, � at� hoje a iniciativa com maior sucesso da candidatura Soares, o que � dizer muito - uma leitora do Abrupto (Maria Baldinho) recenseou: "Admito erro de contagem, mas desde o dia 19 de Outubro, data em que foi iniciado, o blog Super M�rio tem 79 entradas da palavra "Cavaco" e apenas 39 de "Soares", isto sem contar com todo o rico vocabul�rio com origem em "Cavaco", como cavaquismo, cavacologia, cavaquiana e cavac�loga. E (...) at� tem uma fotografia de Cavaco Silva (!) e nenhuma do Super M�rio!" Ainda n�o se leu nos blogues, mas � medida que o m�s de Outubro vai chegando ao fim, vai-se com certeza voltar a ler a c�vica exig�ncia de divulga��o em linha dos estudos da OTA. Ser� que um minist�rio, ou melhor, dois, o das Obras P�blicas e do da Economia, n�o s�o capazes de cumprir um prazo que eles pr�prios estabeleceram para, com os seus gigantescos recursos, publicarem um conjunto de estudos que j� est�o (j� est�o, n�o est�o?) em formato electr�nico?
11:13
(JPP)
ROSTOS / RESTOS 5
(De uma pilha de fotografias � venda num alfarrabista) ![]() ![]() Fardas, medalhas, honras, cen�rios.
10:46
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "PELA PATRIALOTAR CONTRE AOS CANHOIS MARXAR MARXAR!" (De um leitor.) * A imagem publicada sob o t�tulo "PELA PATRIALOTAR CONTRE AOS CANHOIS MARXAR MARXAR!" circula h� anos pela internet. Tem todo o ar de ser ap�crifa. (Ant�nio Cardoso da Concei��o)
10:30
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LIVROS VOANDO Como tem andado h� algum tempo a versar o tema 'biblioteca' lembrei-me de lhe dar a conhecer uma instala��o ins�lita, que a biblioteca central da Univ da California, Berkeley se lembrou de patrocinar. Mando-lhe duas fotos em anexo tiradas com o telem�vel. Pode tambem encontrar aqui uma breve not�cia. (Rui Esteves)
09:57
(JPP)
AR PURO
![]() Feodor Vasilyev
09:37
(JPP)
Cando penso que te fuches, negra sombra que me asombras, � p� dos meus cabezales tornas fac�ndome mofa. Cando maxino que es ida, no mesmo sol te me amostras, i eres a estrela que brila, i eres o vento que zoa. Si cantan, es ti que cantas, si choran, es ti que choras, i es o marmurio do r�o i es a noite i es a aurora. En todo est�s e ti es todo, pra min i en min mesma moras, nin me abandonar�s nunca, sombra que sempre me asombras. (Rosalia de Castro) * Bom dia! 22.10.05
12:37
(JPP)
ROSTOS / RESTOS 4 (De uma pilha de fotografias � venda num alfarrabista) ![]() �dios. N�o � s� nos filmes: algu�m recortou esta fotografia, com esfor�o porque a cartolina onde est� colada � muito dura, eliminando pelo menos duas figuras, ambas masculinas. Amores, amizades quebradas, mortes que n�o se querem lembrar, infidelidades da mem�ria. Ficaram dois p�s de um ausente.
12:33
(JPP)
COISAS DA S�BADO: ESTAMOS VELHOS, MAIS VALE N�O DISFAR�AR ![]() Existe um blogue �n�o oficial de apoio � candidatura de M�rio Soares � Presid�ncia da Rep�blica� chamado Super M�rio . A coisa n�o deixa de ter gra�a e ser �infinitamente reveladora. � uma tentativa de reeditar o �Soares � fixe� de 1985, dando o ar primaveril e de juventude, que ningu�m � capaz de descortinar na candidatura. Suspeito at� que o candidato � o mais novo de todos eles, porque depois � tudo como aqueles �jovens� do Konsomol que, com quarenta anos, �representavam� as juventudes comunistas sovi�ticas. O boneco � muito juvenil, o lettering a imitar os jogos de consola, mas j� muito moderadamente porque o bom gosto grave impede de ir mais longe. Sugeria ali�s que fizessem o �Super M�rio� correr aos saltinhos numa tira por baixo, em vez de o colocar est�tico ao lado. A recolher bolinhas e a coleccionar estrelinhas, ou, porque n�o, votinhos e a gritar coisas de italiano de pizaria. E a pisar o nefando Alegre, amador de peixe grelhado e n�o de pizas, para no �ltimo dia, da �ltima hora, encontrar no Passeio da Avenida a incarna��o do mal, o seco Cavaco. Depois � tudo �oficial� a come�ar pelo �n�o oficial�. Fosse o blogue uma iniciativa de jovens, nunca lhes ocorreria o pomposo �n�o oficial� e fariam as maiores aleivosias � candidatura � divertindo-se. Mas n�o, � tudo gente s�ria e respeit�vel, que come�a logo por nos explicar: �no nome do blog h� uma ironia e uma homenagem. Uma ironia porque Soares n�o �, evidentemente, nenhum super-her�i�, com medo de parecer politicamente incorrecta. E n�o � que o imperialismo americano est� demasiado presente... No Blogspot? Sediado nos EUA, o Grande Sat�? Depois escrevem �blog� e n�o �bloc� como mandam os franceses, o pilar anti-americano da Europa, e nem sequer aportuguesam para �blogue�. E depois, h� l� alguma coisa mais culturalmente globalizadora do que os jogos da Sony, da Nintendo, da Playstation, da X-Box? V� l�, acertem ao menos no juvenil disfarce. Boa sorte, Super M�rio, cuidado com os al�ap�es!
10:07
(JPP)
ROSTOS / RESTOS 3
(De uma pilha de fotografias � venda num alfarrabista) ![]() ![]() Os de cima ![]() Os de baixo
10:06
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: BOATOS E DESINFORMA��O ![]() De onde surge o boato (chamo-o de boato precisamente por desconhecer a sua veracidade) que circula na internet, que indica o nome do candidato � presid�ncia M�rio Soares como propriet�rio dos terrenos na Ota onde, presumivelmente, se construir� o famoso aeroporto? O texto que circula indica a autoria de Miguel Sousa Tavares, o que � absolutamente falso. Sousa Tavares escreveu um artigo para o P�blico intitulado " Um crime na Ota", no qual n�o consta nenhuma "Hist�ria de dois aeroportos". Este � o t�tulo que tem passado de mail em mail e que cont�m a tal revela��o s�rdida sobre a perten�a dos terrenos da Ota. Como trabalho num ambiente em que todos os colegas t�m acesso � internet e onde h� espa�o para comentar informa��o, este tem sido um ponto de pol�mica. N�o faltam colegas prontos a acreditar em tudo o que le�m mas, como toda esta hist�ria me parece t�o perigosa e sinistra, resolvi apelar para quem tem a isen��o necess�ria (talvez n�o toda a informa��o, mas esta � apenas uma tentativa) para apontar alguma luz nesta direc��o. (Susana Cunha) * Como muitas vezes acontece, o m�dulo original � genu�no (o texto sobre os aeroportos, ver explica��o no Blasf�mias, a que depois se acrescenta o boato e a desinforma��o (a acusa��o a Soares, havendo variantes do mesmo texto envolvendo outros dirigentes pol�ticos). Este � um exemplo entre muitos de uma pr�tica comum na rede (mais nos e-mail do que nos blogues) e nas redac��es dos jornais, s� que, nestas �ltimas, o mecanismo da edi��o impede, por regra, a sua publica��o. Em per�odos de luta pol�tica, este tipo de boatos intensificam-se, e associam-se ao recrudescimento de intrigas com origem em fontes an�nimas. Aqui, jornalista prevenido vale por uma redac��o inteira, embora as intrigas �passem� bem na imprensa, e os boatos n�o. Do mal, o menos. Quanto aos boatos, h� v�rias escolas de pensamento sobre o modo de os defrontar. Penso que devem ser tratados caso a caso, como excep��es � regra de os ignorar. No caso de boatos sobre patrim�nio, como � este caso, um esclarecimento r�pido e incisivo pode ajudar a combater o boato. Mas, insisto, n�o h� regra estabelecida. * "Assim come�am os boatos: Faz-se um resumo do estudo apresentado por Rui Rodrigues em 21 de Mar�o de 2005, acrescenta-se "por Miguel Sousa Tavares" e termina com "dono dos terrenos da Ota... Pois �... (!) o Dr. M�rio Soares". Autoria do Miguel Sousa Tavares sobre este artigo, n�o existe, apenas do t�tulo. Se o Dr. M�rio Soares � dono, ou n�o? Tamb�m n�o vem mencionado em nenhum lado. A �nica verdade s�o os n�meros apresentados sobre os dois aeroportos e retirados do estudo apresentado com autoria de Rui Rodrigues."
09:19
(JPP)
BIBLIOTECA
![]() Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 11
09:18
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O DISCURSO DO PAI NATAL ![]() Que o actual comunismo chin�s viesse amea�ar de forma t�o assustadora o actual socialismo europeu � algo que quase ningu�m poderia imaginar. O "medo" da invas�o dos produtos chineses nos mercados europeus com o consequente fecho de muitas ind�strias, aumento do desemprego e instabilidade social (que agora se designa por precaridade no trabalho) � algo de muito presente nos discurso pol�tico da maioria dos nossos agentes econ�micos. Curiosamente (ou talvez n�o) estes mesmos agentes econ�micos viram-se para o Estado como o seu �ltimo recurso , exigindo medidas de protec��o contra o que designam como "concorr�ncia desleal" (os chineses est�o a escravizar as suas crian�inhas, etc.). O Estado, por sua vez, cumpre o seu dever: proteger os seus cidad�os (ou alguns dos seus cidad�os) das amea�as externas, particularmente desta terr�vel e nova amea�a chinesa. O nosso conforto socialista necessita de estabilidade e n�o de rupturas, de gradualismo para se adaptar, de tempo para se re-organizar, n�o podemos abrir as nossas fronteiras desta forma t�o descarada, principalmente a quem vai destruir o nosso simp�tico modo de vida. Embora o tempo das benesses esteja a chegar ao fim, pode sempre telefonar-se para Bruxelas e ver o que se pode arranjar.A oligarquia burocr�tica de Bruxelas faz o que pode quanto mais n�o seja para proteger os seus empregos. O que existe de curioso neste discurso � a sua imensa capacidade para o auto-engano, para a auto-ilus�o, � um pouco como o Natal e as crian�as: n�s , os adultos, j� n�o acreditamos no Pai Natal, mas para felicidade das crian�as fingimos que acreditamos e l� fazemos a festa. Por sua vez, as crian�as fingem que acreditam para n�o desiludirem os adultos de quem tanto gostam. Afinal de contas se eles se d�o a tanto trabalho porqu� estragar a sua felicidade. O amor � rec�proco e genu�no embora sejam ambos amores enganados. As crian�as v�o todas � escola: eles cedo descobrem que o Pai Natal n�o existe, n�o � real. O que � real, o que verdadeiramente existe, s�o as sapatilhas Nike com rodinhas, fabricadas na China. E � todo um mundo que desaba: � suposto as crian�as acreditarem no Pai Natal (para receberem presentes), � suposto n�o os desapontarmos nesta sua ingenuidade comovente (porque os amamos). E � sempre com imensa expectativa e alguma ansiedade que todos aguardamos a chegada do Pai Natal. Em Portugal o discurso pol�tico � o discurso do Pai Natal: o ritual perpetua-se na esperan�a da chegada dos presentes. (Jo�o Costa)
09:16
(JPP)
A las estrellas Esos rasgos de luz, esas centellas que cobran con amagos superiores alimentos del sol en resplandores, aquello viven, si se duelen dellas. Flores nocturnas son; aunque tan bellas, ef�meras padecen sus ardores; pues si un d�a es el siglo de las flores, una noche es la edad de las estrellas. De esa, pues, primavera fugitiva, ya nuestro mal, ya nuestro bien se infiere; registro es nuestro, o muera el sol o viva. �Qu� duraci�n habr� que el hombre espere, o qu� mudanza habr� que no reciba de astro que cada noche nace y muer (Pedro Calder�n de la Barca) * Bom dia! 21.10.05
23:29
(JPP)
ROSTOS / RESTOS 2
(De uma pilha de fotografias � venda num alfarrabista) ![]() Homens ![]() Mulheres
19:51
(JPP)
ROSTOS / RESTOS (De uma pilha de fotografias � venda num alfarrabista) ![]() Viol�ncia infantil. ![]() Vestidos maiores que a vida.
18:15
(JPP)
OS CAVALEIROS DO APOCALIPSE ![]() A hist�ria da humanidade � a hist�ria de tr�s dos quatro cavaleiros do Apocalipse: o da fome, o da peste e o da guerra. O bom cavaleiro, com o cavalo branco, esse n�o conta. No nosso confort�vel mundo europeu, 50 anos de paz fizeram-nos esquecer o cavaleiro da guerra, mas ele n�o se fez esquecer e, nos Balc�s e no C�ucaso, voltou a bater �s portas do nosso recanto. Tinha andado por �sia e �frica, mas 50 anos n�o � nada, n�s � que pens�vamos que era j� definitivo. O cavaleiro da fome tamb�m est� esquecido na Europa. Malthus amea�ou-nos com ele, mas a revolu��o industrial adiou as suas previs�es, e n�s, como de costume, pensamos que ele s� estaria para l� longe, em �frica, O da peste espreitou recentemente com a sida e fugiu de novo para a tenebrosa �frica, a terra de todos os males, pens�vamos tamb�m n�s, seguros da nossa poderosa medicina. Mas a nossa terra livre de cavaleiros do Apocalipse vai ter em breve a visita de um deles, o da peste, e, sabemos pela hist�ria, que qualquer um anuncia os outros, ou abre o caminho aos outros. "Peste" � uma palavra que passou a figura liter�ria, e s� nos recantos africanos e nos filmes de fic��o cient�fica permanecia no sentido original. � verdade que no "cora��o da escurid�o" v�rus demasiado mort�feros continuam a emergir, das margens do rio �bola, ou numa miss�o perdida, ou num s�tio onde se comem macacos. Mas essas "pestes" n�o s�o hist�rias de sucesso viral: o �bola, por exemplo, � um v�rus pouco eficaz, mata mais depressa do que viaja e por isso elimina t�o rapidamente o seu hospedeiro que nunca vai longe. � por isso f�cil de conter, contrastando a simples efic�cia da gripe. A gripe � o s�mbolo da doen�a benigna, da doen�a a que nos acostumamos sazonalmente. Toda a gente tem gripe uma vez por ano, e l� nos habituamos � ligeira febre, ao nariz tapado, �s dores de garganta, aos arrepios. Falta-se ao emprego um dia ou dois, as crian�as n�o v�o � escola com algum contentamento, os namorados insinuam amabilidades como "vou-te pegar a gripe", "pega, pega", os beijos sociais diminuem porque se est� constipado. Os hedonistas t�m um prazer especial em meter-se na cama, confortados com os seus 37,5�, voltando a uma inf�ncia perdida, mas cheia de cuidados maternais. Em suma, uma "fruta da �poca", como a chuva e o frio. Os m�dicos sabem que a gripe comum n�o � t�o benigna como isso e mesmo as estirpes mais pac�ficas matam milhares de velhos e doentes todos os anos. Mas, como as mortes do Ver�o t�rrido em Fran�a mostraram, � poss�vel morrer muita gente � nossa volta, que s� as estat�sticas mostram o incremento do trabalho da ceifeira. S� que desta vez pode n�o ser assim, tudo indica que n�o seja assim. Entramos agora no fino e imposs�vel equil�brio entre o p�nico inconsiderado e a leg�tima preocupa��o. Como � que devo escrever o que vou escrever? Talvez come�ando por dizer que h� muitas probabilidades de termos uma pandemia de gripe com uma variante viral muito agressiva. Embora o c�lculo dessas probabilidades seja muito dif�cil de fazer, pode-se considerar que, tudo ponderado, � mais prov�vel que haja do que n�o haja. Claro que tamb�m pode n�o acontecer nada, como quando do susto americano com a "gripe dos porcos" no tempo do Presidente Ford, que acabou por n�o se verificar. Mas agora tudo indica que se verificar�, n�o sabemos � daqui a quanto tempo, um ano, dez anos? Parece uma quest�o de tempo. Depois, tudo o resto s�o inc�gnitas e patamares que se podem subir ou descer. Voltamos pois � peste, ao quotidiano da peste. Como o terrorismo, a peste tamb�m se modernizou, por linhas de fragilidades muito semelhantes: a sociedade de massas urbanizada, global, d� imensas oportunidades novas � doen�a, ao mesmo tempo que pareceu eliminar as antigas. Pouco a pouco, � nossa volta, a biologia tumultuosa para os humanos e os seus bichos dom�sticos come�a a especializar-se. Sem a produ��o de carne e leite em s�rie, a doen�a das vacas loucas, ou a hecatombe de carneiros provocada pela febre aftosa n�o teriam levado �s imagens do "massacre dos inocentes" em que se converteram muitas quintas modelo da agricultura da PAC. Gra�as a Darwin, percebemos hoje muito bem como o sucesso dos v�rus se encavalita no nosso mundo urbanizado, na nossa agricultura industrial, nos nossos h�bitos de consumo, na sociedade de massas. Para um v�rus como o da "gripe das aves", o modo como vivemos � um nicho ecol�gico excepcional. O v�rus veio dessa enorme capoeira e pocilga colectiva que s�o os campos da prov�ncia chinesa de Guandong, um enorme pool de variabilidade gen�tica em que o salto entre os animais e os homens � facilitado pela promiscuidade entre esp�cies. Mas j� n�o precisa de fazer o caminho lento de um barco para a �ndia, de uma caravana para o Levante, de um outro barco para Veneza ou G�nova, pode voar com as aves selvagens at� aos avi�rios da Europa, ou voar na Cathay Pacific ou na Lufthansa. Depois de c� chegar, e j� c� chegou �s aves, poder� ou n�o demorar um pouco a encontrar outros hospedeiros, poder� ou n�o dar tempo a que haja vacina, poder� ser de uma estirpe mais ou menos agressiva, matar velhos ou jovens (como a "pneum�nica" de 1918), poder� encontrar-nos preparados (tanto quanto podemos em rela��o a estas eficazes m�quinas que s�o os v�rus) ou n�o. Prevenidos j� estamos, resta saber se estamos preparados e parece que n�o. Se olharmos para �frica, onde um v�rus que mata mais devagar como o da sida j� molda a sociedade, alterando padr�es demogr�ficos, enfraquecendo as burocracias de Estados, j� de si fr�geis, as for�as de pol�cia e seguran�a, aumentando a conflitualidade, podemos compreender melhor como ser� perturbador um v�rus que mata mais rapidamente, ferindo a sociedade profundamente. Os estudos mostram como uma pandemia de gripe levar� � "nacionaliza��o" dos stocks de medicamentos (dito de outro modo, ou um estado j� possui esse stock nos seus armaz�ns, ou, quando a gripe come�ar a matar, ningu�m lhe vai ceder o seu), � fragiliza��o de pol�cias e ex�rcitos, � paragem de escolas, casernas, concentra��es de multid�es (sim, os jogos de futebol tamb�m), por a� adiante. Por boas raz�es, por precau��o, e por m�s, pelo p�nico e crescimento da conflitualidade, as semanas que durar a gripe ser�o de tens�o sobre toda a estrutura do Estado "civilizado". Depois passar�, deixando os sobreviventes de uma gera��o imune, at� � pr�xima. Para a democracia, para a nossa civiliza��o, ser� um teste poderoso. (Do P�blico.) 19.10.05
21:25
(JPP)
BIBLIOFILIA: ANTIPASTI (4� s�rie) ![]() Ensaio de Simon Leys sobre caligrafia chinesa em Ensaios sobre a China, Lisboa, Livros Cotovia, 2005. Na caligrafia h� uma "escrita da erva", o nosso cursivo, com uma variante "louca", "uma esp�cie de estenografia fren�tica". Leys diz que para os chineses a caligrafia � uma arte suplementar, sem equivalente noutras civiliza��es.
14:15
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "QUANDO CHEGAR � ALTURA LOGO SE V�" ![]() Anteontem, num telejornal, e ao mesmo tempo que fic�vamos a saber que a gripe-das-aves n�o era alarmante, diziam-nos que era coisa para "11 a 14 mil mortes", s� em Portugal. Como dizia outro: "N�o foi nada, foi o nosso pai que morreu". Ontem, quando perguntaram a um respons�vel de um hospital se estavam preparados, ele respondeu: "Quando chegar a altura, logo se v�" - e mais n�o disse... nem era preciso. (C. Medina Ribeiro)
12:44
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: TRABALHOS DE CASA ![]() - Ent�o como correu a escola? - N�o foi l� muito boa, portei-me um bocadinho mal. - E o que � que est�s a fazer agora? - Um trabalho extra que trouxe da escola. - E o que �? - Escrever o verbo "obedecer". No presente, pret�rito perfeito, pret�rito imperfeito e futuro. Como � que isto se diz? V�s obecede.. ocebere ... o que � o pret�rito? - Passa para o futuro, diz o irm�o. E segue-se o verbo "trabalhar". No presente, pret�rito, perfeito e imperfeito, e futuro. (RM)
12:42
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: AS VOLTAS DE KONRAD LORENZ ![]() As alertas relacionadas com a gripe das aves n�o cessam de aparecer e o Ministro da Agriculatura n�o proibe a ca�a "porque os p�ssaros migrantes dos paises em quest�o n�o passam por c�". N�o sou bi�loga e o "bird watching" nunca foi o meu passatempo preferido, mas este argumento fazia Konrad Lorenz dar uma volta no t�mulo. Ser� que o "pressure group" dos senhores da espingarda � t�o influente? (Monika Kietzmann)
12:38
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: TUDO AO CONTR�RIO ![]() Bem sei que este pode ser considerado um problema menor ou at� um preciosismo de mentes menos ocupadas, mas n�o consigo deixar de ficar incomodado com a falta de cuidado com os pormenores revelada pela Comunica��o Social escrita e, neste caso concreto, pelas Ag�ncias de Publicidade. Refiro-me � �invers�o da realidade� presente em diversas fotografias de paisagens, de acontecimentos ou de figuras p�blicas, que leva a que vejamos o mundo consoante a vontade dos fot�grafos, ora como ele realmente �, ora como ele aparece ao espelho... Note-se que, se me limito a fazer refer�ncia �s figuras p�blicas, � porque nos restantes casos a �invers�o da realidade� substitui definitivamente a pr�pria realidade, despindo o an�nimo cidad�o da sua verdadeira apar�ncia e tapando-o com as vestes do reflexo. J� vi fotografias de Ant�nio Guterres com os seus caracter�sticos sinais faciais �pintados� no lado errado, militares briosos que passam por ignorantes em rela��o � m�o usada na contin�ncia e at�, imagine-se, uma fotografia do Porto onde a ponte D. Maria aparecia a jusante da ponte D. Lu�s. A tudo isto assisti com alguma serenidade, mas agora desanimei definitivamente. Se at� numa gigantesca campanha publicit�ria de um conhecido banco, o internacionalmente conhecido Jos� Mourinho aparece com a risca do cabelo no lado oposto, os bot�es da camisa no lugar das casas e as casas no lugar dos bot�es, bem podemos perder a esperan�a... na fotografia, qualquer semelhan�a com a realidade � pura coincid�ncia. (S.B.C.)
10:37
(JPP)
BIBLIOTECA
![]() Ant�nio Leal, Biblioteca da M. 10
08:56
(JPP)
Em Creta, a caminho da Terra Santa Partidos da aldeia, cheg�mos ao lugar aonde �amos quase a horas de v�spera, o qual est� junto a outra aldeia maior que a primeira, e nos afirmaram ali que havia sido das maiores e mais populosas da ilha. Sabendo os da aldeia a que �amos, nos trouxeram logo um homem, j� sobre os dias, o qual servia de piloto aos que queriam ver o labirinto, se lhe pagavam seu trabalho. Concertando-nos com ele, assent�mos que seria bom entrarmos logo aquela tarde, porque, quando sa�mos da nau, nos encomendou muito o patr�o que torn�ssemos com a poss�vel brevidade. Tanto que cheg�mos � porta do labirinto, o homem que nos havia de servir de piloto e guia, como a outros costumava servir, tirou das grandes pedras da boca por onde hav�amos de entrar, porque a entrada era � maneira de �a cova; e, entrando diante com um mancebo, seu companheiro, cada um com seu morr�o aceso na m�o. E, entrando n�s ap�s eles de p�s e m�os, que a entrada n�o sofria outra coisa; e, seguindo nossa guia, caminh�mos �a grande milha, sempre por debaixo de ab�bedas feitas da mesma rocha e n�o vimos em todo aquele caminho cousa de notar, salvo levar-nos aquele homem por diversas est�ncias muito intrincadas, 't� chegarmos a �a quadra muito grande, no muco da qual estava �a argola de bronze t�o grossa, que no que mostrava pesaria um quintal, pouco mais ou menos, na qual dizem haver estado preso o Minotauro. A verdade disto Deus a sabe; eu dou testemunho do que com meus olhos vi e escrevo a opini�o que tem os da terra. De haver labirinto em Creta muitos escritores gregos e antigos o afirmaram e escreveram; e, sem d�vida. se no mundo houve Minotauro e a hist�ria que dele contam n�o � fabulosa, em nenh�a parte devia ser sen�o naquela onde os ind�cios est�o t�o manifestos e claros. Por todas aquelas ab�bedas soava um grand�ssimo vento, sem vermos lugar por onde pudesse entrar; mas o nosso piloto, como experimentado naquela carreira, levava fuzil e todo o aviamento para se recuperar, se lhe morressem os morr�es, que com trabalho levava acesos. A �a parte daquela quadra nos mostrou o homem �a pequena porta, tamb�m � maneira de entrada de cova, dizendo-nos que por ali continuava o labirinto at� o mar da outra parte do arquip�lago, e nos incitava a ir por diante, o que n�o quisemos fazer, assi por ser mui tarde e virmos cansados, como por ser a jornada mui comprida e n�o haver cousa de notar nela. (Frei Pantale�o de Aveiro) * Bom dia! 18.10.05
17.10.05
17:42
(JPP)
BIBLIOFILIA QUIXOTESCA ![]()
09:45
(JPP)
09:41
(JPP)
Je ne suis qu'un viveur lunaire Qui fait des ronds dans les bassins, Et cela, sans autre dessein Que devenir un l�gendaire. Retroussant d'un air de d�fi Mes manches de mandarin p�le, J'arrondis ma bouche et - j'exhale Des conseils doux de Crucifix. Ah ! oui, devenir l�gendaire, Au seuil des si�cles charlatans ! Mais o� sont les Lunes d'antan ? Et que Dieu n'est-il � refaire ? (Jules Laforgue) * Bom dia! 16.10.05
10:23
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE O ENSINO DE INGL�S (2� s�rie) ![]() (Continua um debate iniciado a 14/10/20005) Voltando � discuss�o sobre o Ingl�s, diz o insustent�vel que � "preciso libertar a discuss�o de grilhetas sindicais ou de classe, para situ�-la no terreno da compet�ncia, da fixa��o de objectivos e avalia��o dos resultados." Indiscut�vel. O que j� merece discuss�o, no entanto, � precisamente a planifica��o program�tica e metodol�gica do ensino de l�nguas estrangeiras, nomeadamente no que respeita ao Ingl�s. Para in�cio de conversa, ser� bom separar �guas e n�o cair na tenta��o de comparar resultados obtidos em institutos de l�nguas com o que se passa na esmagadora maioria das escolas portuguesas. Porque os p�blicos s�o diferentes. Porque as condi��es de trabalho s�o diferentes. Porque s�o muito diferentes as culturas de ensino e aprendizagem. Deixando de lado, por ora, o excessivo n�mero de alunos por turma, a falta de recursos audio-visuais e, sobretudo, o ambiente de indisciplina e desinteresse em que decorrem demasiadas aulas em demasiadas escolas, que o assunto nos levaria a outros considerandos, ser� bom lembrar que as sucessivas inova��es introduzidas no ensino de l�nguas estrangeiras no sistema de ensino portugu�s t�m-se regido por um desejo de moderniza��o que raramente acautelou as condi��es necess�rias � implementa��o de modelos copiados de outros contextos. Algumas posi��es dogm�ticas contribuiram para uma radicaliza��o de op��es metodol�gicas alheias �s reais situa��es de ensino/aprendizagem a que devem ser adaptados quaisquer modelos. Nos �ltimos anos, tem imperado, nas escolas portuguesas, um certo ecletismo em tentativas v�rias de conjuga��o dos princ�pios da abordagem comunicativa, institu�dos oficialmente com a reforma curricular do in�cio dos anos 90, com outras pr�ticas pedag�gicas mais tradicionais ou ainda dominadas pelos m�todos estruturalistas e funcionais que tanto impacto tiveram no ensino de l�nguas estrangeiras em Portugal nas d�cadas de 1970 e 1980. A falta de estudos emp�ricos que permitam a avalia��o cient�fica de programas, metodologias, estrat�gias e materiais, e a surpreendente (ou talvez n�o) indiferen�a dos sucessivos governantes perante t�o grave omiss�o, deixa sem alternativa os modelos sucessivamente impostos e cuja efic�cia n�o chega nunca a ser questionada, apesar do conhecido insucesso que se tem vindo a agravar. Mais do que discutir o perfil de habilita��es ou alimentar a pol�mica de portugueses desempregados versus estrangeiros contratados, urge tra�ar de uma vez uma pol�tica de ensino p�blico que tenha em vista as necessidades do pa�s e os interesses das popula��es. E n�o s� no que se refere ao ensino do Ingl�s, como vai sendo gritantemente evidente. (Helena Rodrigues) * Em rela��o ao coment�rio de Monika Kietzmann: o facto de um bilingue dizer que uma das l�nguas � a "principal" n�o quer dizer que o facto de ser bilingue (desde muito novo) n�o o tenha ajudado em muitos aspectos. Na realidade, um ser humano consegue aprender duas l�nguas simultaneamente desde muito novo (quanto mais cedo melhor) e o facto de aprender duas l�nguas d�-lhe uma flexibilidade e agilidade mental que n�o teria noutra situa��o. Pensar que aprender uma l�ngua estrangeira pode prejudicar a aprendizagem da l�ngua-m�e � falacioso, embora seja uma cren�a comum. Aprender l�nguas � como nadar: quanto mais cedo, mais f�cil (e natural). Quando aprendemos outra l�ngua, a nossa capacidade de an�lise metalingu�stica aumenta prodigiosamente e, assim, conseguimos aprender melhor a nossa pr�pria l�ngua. (Isto quando as coisas s�o bem feitas, ou seja, quando ambas s�o bem ensinadas.) Quanto ao estado do ensino do ingl�s nos �ltimos 30 anos (cf. coment�rio de Rog�rio Paulo Matos), n�o quero discutir a qualidade dos nossos professores. Mas o que o Governo est� a fazer (atrav�s de escolas de l�nguas contratadas � press�o) � colocar engenheiros electrot�cnicos (ou outros) com um Certificate of Proficiency in English (qualquer licenciatura com componente de ingl�s tem um n�vel equivalente de ingl�s) a dar aulas a crian�as do 1.� Ciclo (um ensino que exige anos de prepara��o). Pensar que saber ingl�s perfeitamente (o que pode nem ser o caso) basta para ensin�-lo a crian�as de 8, 9 ou 10 anos � n�o saber em que consiste ensinar l�nguas. Longe de mim querer p�r em causa o dogma que "o ingl�s n�o se aprende na escola" (onde o fazem milhares de alunos) ou que "o ensino n�o presta, ponto final". Mas, apesar de tudo, as gera��es que foram educadas nos �ltimos 30 anos t�m um n�vel de ingl�s melhor do que o das anteriores. Tenhamos em conta que os professores de ingl�s come�aram quase do zero e, ainda hoje, enfrentam muitos alunos cujos pais acham que aprender ingl�s n�o serve de nada (acredite-se ou n�o, h� muita gente que insiste que os rios de "antigamente" eram mais �teis que o ingl�s de agora). Mas o problema � esse: se os professores, com quatro ou mais anos de forma��o e experi�ncia, n�o conseguiram os resultados desejados, muito menos o conseguir�o aqueles que n�o t�m a m�nima prepara��o. � o t�pico desenrascan�o � portuguesa: "Ora deixa ver se eu puser este engenheiro a ensinar ingl�s isto resulta... Pelo menos � mais barato!" (Marco Neves)
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Rem�moration d'amis belges � des heures et sans que tel souffle l'�meuve Toute la v�tust� presque couleur encens Comme furtive d'elle et visible je sens Que se d�v�t pli selon pli la pierre veuve Flotte ou semble par soi n'apporter une preuve Sinon d'�pandre pour baume antique le temps Nous imm�moriaux quelques-uns si contents Sur la soudainet� de notre amiti� neuve � tr�s chers rencontr�s en le jamais banal Bruges multipliant l'aube au d�funt canal Avec la promenade �parse de maint cygne Quand solennellement cette cit� m'apprit Lesquels entre ses fils un autre vol d�signe � prompte irradier ainsi qu'aile l'esprit. (St�phane Mallarm�) * Bom dia! 15.10.05
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Huye sin percibirse, lento, el d�a Arrepentimiento y l�grimasHuye sin percibirse, lento, el d�a, y la hora secreta y recatada con silencio se acerca, y despreciada, lleva tras s� la edad lozana m�a. La vida nueva, que en ni�ez ard�a, la juventud robusta y enga�ada, en el postrer invierno sepultada, yace entre negra sombra y nieve fr�a. No sent� resbalar mudos los a�os; hoy los lloro pasados, y los veo riendo de mis l�grimas y da�os. Mi penitencia deba a mi deseo, pues me deben la vida mis enga�os, y espero el mal que paso, y no le creo. (Francisco de Quevedo) * Bom dia!
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Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE O ENSINO DE INGL�S.
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DIOGO VASCONCELOS - VOTO ELECTR�NICO: UMA FORMA NATURAL DE VOTAR NUMA SOCIEDADE EM REDE ![]() � fundamental perceber que n�o existe um modelo de Voto Electr�nico, mas variad�ssimos modelos, e na maioria dos posts que tenho visto aqui, misturam-se indiscriminadamente os aspectos negativos de todos eles, seja voto electr�nico n�o presencial, seja voto electr�nico presencial ou voto electr�nico presencial em mobilidade. Este debate � fundamental e vou tentar dar o meu contributo. O modelo que tem vindo a ser testado em Portugal, e o qual espero sinceramente que seja implementado, � o de Voto Electr�nico presencial em mobilidade, que permitir� que os eleitores possam votam em qualquer assembleia ou posto de vota��o, sendo o seu voto contabilizado na freguesia onde reside. Uma ambi��o facilitada pois, em Outubro de 2004, iniciou-se a liga��o em banda larga de todas as escolas do ensino b�sico e secund�rio, onde funcionam grande parte das assembleias eleitorais (estando ligadas j� 60% das nove mil escolas). Para a maioria dos Portugueses, a mobilidade, o digital, as redes de dados s�o realidades familiares, daquelas que fazem parte do quotidiano. S�o, podemos dizer, pr�ticas naturais. Ora, a grande raz�o do sucesso desta penetra��o do Digital reside no valor acrescentado que traz � vida das pessoas, expresso numa imensa conveni�ncia, de que ningu�m quer prescindir. O cidad�o moderno ter� ganho novos h�bitos de um certo "comodismo" e esta tend�ncia atravessa m�ltiplas dimens�es da sua vida individual e em sociedade. Vale a pena reflectir sobre os actos eleitorais tamb�m a partir deste �ngulo. N�o far� sentido p�r sobre a mesa a hip�tese de que o fen�meno da absten��o tenha, tamb�m, a ver com este tema da conveni�ncia? No voto presencial com mobilidade, a sacralidade e solenidade do voto mant�m-se, mas cada um escolhe a assembleia de voto onde � mais conveniente, naquele dia, o exercicio desse direito. Quantos milhares de eleitores est�o recenseados longe da sua actual resid�ncia? Quantos desses eleitores se d�o ao trabalho de ir votar, percorrendo dezenas ou centenas de kilometros? As vantagens do Voto Electr�nico presencial em mobilidade parecem-me obvias, uma vez que, sem abdicar da identifica��o do eleitor por uma mesa multipartid�ria, p�e � disposi��o do cidad�o 11.000 a 13.000 mesas, dependendo da elei��o. Parece-me igualmente importante referir que este voto electr�nico impede definitivamente a pequena fraude, � qual estranhamente n�o vi nenhuma refer�ncia, levando assim a crer na ingenuidade geral que pressup�e que o actual sistema � 100% seguro, quer na vota��o presencial nem na vota��o por correspond�ncia (comunidades portuguesas). Ali�s, impedir a fraude foi um dos motivos da plena adop��o do Voto Electr�nico num pa�s de dimens�es continentais como o Brasil Quando � seguran�a deste modelo de voto, � importante esclarecer que as m�quinas de vota��o est�o desligadas durante todo o acto eleitoral, sendo apenas ligadas durante minutos para remeter os votos para uma central nacional de apuramento, diminuindo assim o risco de ataques ao sistema. Por outro lado, uma das novidades da experi�ncia realizada nas �ltimas Legislativas foi precisamente a utiliza��o de urnas com registo em papel, o qual serve como solu��o "redundante", para eventuais recontagens. Importa ainda salientar que o Voto Electr�nico permite ainda a participa��o plena e aut�noma dos cidad�os com necessidades especiais no processo eleitoral. De facto, em 30 anos de Democracia, muitos s�o aqueles que ainda n�o t�m acesso ao acto de votar, de exercer o seu "(...) poder pol�tico atrav�s do sufr�gio universal, igual, directo, secreto (�) " (art. 10.�, n� 1 da Constitui��o), exercendo o seu direito de voto acompanhadas por outro eleitor. Ora, na experi�ncia das Legislativas, nas freguesias em que foram usadas "urna falante", o eleitor p�de usar a audi��o para exercer o seu direito de voto. Para o efeito, precisou apenas de usar dois bot�es, que lhe permitiram percorrer o caminho at� ao boletim, seleccionar e validar a sua op��o. A informa��o foi fornecida ao eleitor atrav�s dos auscultadores, garantindo-lhe o exerc�cio de voto de forma totalmente aut�noma e secreta. Puderam, assim, votar, com total liberdade e autonomia, pessoas cegas ou com baixa vis�o. O grau de satisfa��o foi naturalmente elevado. Quanto � seguran�a do software a utilizar, obviamente que este seria analisado pelas entidades competentes e pelos partidos, como aconteceu alias durante a experi�ncia de voto electr�nico em 2005, em que o c�digo fonte da plataforma de vota��o foi entregue � Comiss�o Nacional de Protec��o de Dados e verificado pelos t�cnicos da mesma. Existe um movimento um pouco por todo o mundo democr�tico para modernizar os processos eleitorais, seja por quest�es de seguran�a (Brasil, �ndia, Africa do Sul) ou por raz�es de aumento de conveni�ncia do eleitor de forma a aumentar a participa��o (Espanha, Fran�a, Sui�a, U.K, Est�nia etc). E h� cada vez mais conhecimento sobre o tema. Portugal deve acompanhar este movimento, tanto mais que todos os estudos mostram a grande receptividade por parte de quem experimentou votar desta forma e num contexto n�o vinculativo - cerca de 19 mil portugueses nas duas experi�ncias de voto presencial (Europeias e Legislativas) e 5 mil emigrantes na experi�ncia de voto n�o presencial, por internet (Legislativas). Num e noutro caso, o grau de satisfa��o ultrapassou os 90% A quest�o � esta: porque � que n�o podemos votar em qualquer uma das mesas de voto? Porque � que a comunidade emigrante n�o vota connosco, no mesmo dia? N�o h� hoje obst�culos tecnol�gicos instranspon�veis a estas evolu��es. Haver� motivos de ordem mais s�ria para o fen�meno da absten��o, por certo. Mas, ent�o, temos a obriga��o de n�o acrescentar outra camada de problemas � a da inconveni�ncia � numa altura em que existem bons meios para a obviar, no contexto duma sociedade em rede. O Voto Electr�nico n�o � um mero tema tecnol�gico, � sobretudo uma quest�o de (mais) Cidadania. Da� a realiza��o de m�ltiplas experi�ncias, presenciais e n�o presenciais, vinculativas e n�o vinculativas, em numerosos pa�ses democr�ticos. Da� a import�ncia deste debate. (Diogo Vasconcelos) 14.10.05
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(JPP)
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA 4 ![]() Vale a pena ler o texto de Gordon Brown, Global Europe: full-employment Europe. * Sobre o sil�ncio a prop�sito do terramoto paquistan�s, esta mais que pertinente carta: Eu sei que este fim-de-semana aconteceram elei��es, que a selec��o foi apurada e que isso interessa aos portugueses. No entretanto houve um terramoto na �sia. A estimativa aponta para 30 000 mortos. Aconteceui um aluimento de terras na Guatemala que engoliu uma cidade inteira. 1400 mortos O tratamento jornal�stico em todos os media portugueses (jornais, r�dio, televis�o) foi pouco mais que insignificante. Ao contr�rio a CNN, a SKYNEWS, a BBC enviaram rep�rteres e ocuparam largu�ssimos tempos de antena noticiando a desgra�a. Ser� que em Portugal as desgra�as s� existem e t�m relev�ncia quando tocam aos ocidentais, leia-se Europa e Estados Unidos. Ser� que as desgra�as embora da mesma dimens�o t�m import�ncia conforme o s�tio onde ocorrem? Comparemos com o amplo notici�rio sobre o Katrina. Eu sei que New Orleans era um s�mbolo, sobretudo para os que gostam de jazz como eu (infelizmente j� n�o vou poder ir �houver� jazz na �Big Easy� em Bourbon Street durante o Carnaval), mas afinal �s� morreram 900. Ser� que o amplo notici�rio sobre o tsunami aconteceu apenas porque havia muitos turistas ocidentais envolvidos? Ser� que as vidas de indianos, paquistaneses, afeg�os e guatemaltecos s�o dispens�veis ou pelo menos n�o t�m o mesmo valor que as dos �ocidentais�? Ser� que nos habituamos a que as trag�dias causadas por fen�menos naturais s� acontecem l� longe onde tudo nos passa ao lado? Ser� que estamos a ficar insens�veis aquilo que se passa na casa dos vizinhos e porque n�o amigos? (Fernando Fraz�o)
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(JPP)
Tenho ouvido por a� que "antes de aprender ingl�s, dev�amos aprender a falar bem portugu�s". � pena que se usem argumentos destes para atacar o Governo (h�-os bem melhores). Sabe-se h� muito que aprender l�nguas estrangeiras ajuda a aprender a l�ngua materna e sabe-se tamb�m que quanto mais cedo as aprendermos, melhor (a parte do c�rebro que aprende l�nguas de forma mais f�cil "fecha" aos 13 anos, a idade em que se come�a a aprend�-las em Portugal). Por isso, ensinar Ingl�s no 1.� Ciclo � boa ideia. � pena, portanto, que o Governo desbarate a ideia, deixando que pessoas sem qualquer forma��o pedag�gica (apenas com um certificado de flu�ncia em ingl�s) ensinem a l�ngua (s� porque se pensa que � mais barato, provavelmente), quando h� tantos professores de ingl�s desempregados e que fariam o trabalho com todo o gosto e pelo mesmo pre�o (muitos deles est�o a faz�-lo, ali�s). Al�m disso, ensinar Ingl�s sem que esse ensino seja considerado no 2.� Ciclo (onde se come�a tudo de novo, para aborrecimento infinito dos alunos) � estragar a ideia. Como em tudo, um pouco de p�s e cabe�a era �ptimo. (Isto tudo para n�o falar da ideia peregrina do Presidente da Rep�blica de invectivar contra a l�ngua inglesa�). (Marco Neves) * Falta na argumenta��o um dado importante. Uma lingua estrangeira s� � aprendida eficazmente e sem preju�zo se a l�ngua materna est� j� dominada, o que acontece normalmente a partir dos 10 anos. A sobreposi��o de um novo sistema lingu�stico a um sistema ainda n�o consolidado n�o favorece nem o primeiro e certamente n�o o segundo. Mesmo as pessoas que crescem num anbiente bilingue genu�no deste o seu nascimento afirmam que uma destas l�nguas � a verdadeira "l�ngua m�e". H� a teoria que seja esta na qual a falante faz contas de cabe�a. (Monika Kietzmann) * No dia 09 de Setembro publiquei um post no �insustent�vel� , que penso ainda ter acuidade. A quest�o dos professores de ingl�s n�o � pac�fica. Se todos gostar�amos que os nossos professores de ingl�s no desemprego pudessem ser aproveitados pela nova demanda originada pelo 1� ciclo, tamb�m sem d�vida nos agradaria que os resultados fossem bastante superiores aos que t�m vindo a ser conseguidos desde h� 30 anos, nos outros ciclos de ensino. Se perguntarmos a todos aqueles que hoje em idade adulta l�m e falam fluentemente a l�ngua inglesa onde adquiriram tal capacidade (apesar de muitos terem 7 anos de ensino de ingl�s no ensino regular), compreender-se-� onde quero chegar. (Rog�rio Paulo Matos)
10:00
(JPP)
![]() Na continuidade do texto de Diogo de Vasconcelos de 11/10/20005, publicado em O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DIOGO VASCONCELOS SOBRE O VOTO ELECTR�NICO Quando � que aprenderemos a definir prioridades? O voto electr�nico contribui para a competitividade do pa�s? N�o seria prefer�vel desviar o esfor�o do Estado para, antes disso, melhorar drasticamente o modo como a inform�tica � utilizada nos meios judiciais? Isso sim, aumentaria de forma imediata a qualidade de vida em Portugal e a nossa capacidade de fazer frente � concorr�ncia internacional. (Tiago Fernandes) * " - Banca electr�nica - Portugal: entrega de IRS por via electr�nica (algu�m se queixa de erros??) " Mas, se existir algum erro, ele ser� facilmente descoberto e corrigivel (afinal, se eu fizer alguma opera��o banc�ria ou declara��o de IRS e depois aparecerem valores diferentes descobre-se que aquilo n�o est� a funcionar) Em compensa��o, no voto electr�nico, nem sequer h� maneira de saber se o sistema funciona efectivamente bem. (Miguel Madeira) * Edison e o voto electr�nico 1 - Edison dizia que s� perdia tempo com inven��es que estavam antecipadamente vendidas. Ali�s, parece que a �nica inven��o que n�o conseguiu vender foi, precisamente, uma �m�quina de contar votos�! 2 - Tanto quanto sei, o grande problema que houve nas elei��es americanas n�o teve a ver com o software dos computadores (nem com eventual manipula��o de resultados por essa via) mas sim com os boletins e respectiva leitura (pap�is a perfurar - e coisas assim). 3 - No cerne disto tudo, est�o, quanto a mim, o grande e ancestral �medo-do-novo� e o t�o portugu�s �receio do saloio de ser enganado�. Conheci v�rias pessoas que faziam contas num computador e as verificavam com m�quina de calcular, e ainda um caso fabuloso de um velho comerciante de aldeia a quem eu ofereci uma pequena m�quina-de-calcular e que confirmava os resultados com papel e l�pis. 4 - Quando, milh�es de vezes por m�s, os portugueses pagam os seus impostos ou fazem simples transfer�ncias banc�rias (por home-banking, pelos CTT ou por MB), movimentando milh�es de euros atrav�s de computadores (que, em geral, nem sequer sabem onde est�o!), algum imagina, seriamente que o seu dinheiro possa ser desviado e vir parar � minha conta? Bem, e nestes casos h� o papelinho, mas que o Voto Electr�nico tamb�m pode oferecer. 5 - Contudo, no caso em quest�o, o esc�ndalo maior � o sil�ncio sepulcral do nosso Tecnol�gico Governo. 6 - Conclus�o: o assunto n�o � muito preocupante porque, mais cedo ou mais tarde, se vai resolver: quando TODOS os outros pa�ses do mundo estiverem a usar o Voto Electr�nico, Portugal nomear� uma comiss�o para escolher um grupo de estudo para... (etc., at� � n�usea). (C. Medina Ribeiro)
09:46
(JPP)
PSD 1. O PSD ganhou as elei��es, de forma inequ�voca. Ter tido este resultado, meses depois da derrota estrondosa de Fevereiro, tem significado nacional. N�o h� volta a dar a este facto. 2. Para a noite das elei��es aut�rquicas estava prevista uma ofensiva contra Marques Mendes. N�o era segredo para ningu�m e tinha sido antecipada por Valentim, Isaltino, Menezes, Lopes e alguns outros que andam �por a�. Apesar do PSD ter perdido em Oeiras e Gondomar, duas autarquias importantes, o apoio da opini�o p�blica ao corte com esses autarcas, e o sucesso no resto do pa�s, travou esses �mpetos. Com as presidenciais � vista n�o se v� que t�o cedo haja condi��es para essa contesta��o activa. 3. Mas a lideran�a de Marques Mendes tem muitas fragilidades, umas pr�prias e outras que reflectem a situa��o calamitosa em que o partido se encontrava depois de Lopes. O que Marques Mendes conseguiu, deveu-se a um combate pela credibilidade que tem duas vertentes: a ruptura do partido com alguns casos flagrantes de m� fama publica dos seus pol�ticos, e a tentativa de um estilo diferente de oposi��o. � um bom princ�pio, mas � preciso ir muito mais longe, porque o PSD (como o PS) est� muito corro�do por dentro e seria um erro tr�gico pensar que j� se fez o bastante. Se se quer mudar mesmo, tudo no partido precisa, em linguagem inform�tica, de um upgrade. 4. Espanta-me que n�o se note, com o devido valor, que o PSD, tem tido um registo de oposi��o bem mais s�rio e respons�vel do que alguma vez teve no passado o PS e o pr�prio PSD. O estilo prepotente e clientelar do governo do PS traduz mais continuidade nos erros, do que o da oposi��o. � verdade que, num ou noutro caso, Marques Mendes tem hesitado e feito cr�ticas demag�gicas, mas elas s�o mais a excep��o do que a regra. Diferentemente da oposi��o feita pelo PS, a oposi��o do PSD n�o se colocou ao lado dos grevistas e manifestantes, apoiou o governo na sua posi��o face a militares e ju�zes, n�o fez demagogia com os inc�ndios, elogiou medidas na educa��o sem qualquer �mas�, e excluiu qualquer leitura nacional dos resultados aut�rquicos. Tudo exactamente o contr�rio do que fez o PS, basta ir aos relatos das sess�es da Assembleia. Leitura nacional queria o PS fazer se elas tivessem corrido bem, como se viu pelas declara��es de Jorge Coelho, e como o PS fez nas �ltimas europeias. Isto � muito positivo, porque retira da l�gica redutora situa��o / oposi��o a avalia��o do governo, e d� mais for�a �s cr�ticas. Tem, no entanto, dois problemas: na nossa cultura pol�tica e comunicacional parece uma oposi��o �frouxa�, e � como o tango, precisa de dois protagonistas para poder ser dan�ado. Ora essa viragem, o PS e o governo n�o a deram, bem pelo contr�rio. Continuam com o estilo antigo. PS A n�vel nacional o PS perdeu bastante mais do que pensa. As medidas dif�ceis do PS, em particular aquelas que atingem interesses corporativos, s�o nacionalmente mais populares do que impopulares. A condena��o da opini�o p�blica em rela��o �s greves sectoriais, seja dos professores, dos militares, dos pol�cias, dos ju�zes, dos funcion�rios p�blicos, tem sido generalizada. N�o penso que s�o as medidas dif�ceis, que mais pesaram na avalia��o negativa do governo que facilitaram estes resultados aut�rquicos. Bem pelo contr�rio, parece-me desculpat�rio do governo pensar assim. Foram outras coisas que pesaram: a mentira sobre os impostos, o estilo prepotente e autista do Primeiro-ministro, as sucessivas nomea��es partid�rias tidas como incompetentes, o Ver�o de aus�ncia quando o pa�s ardia, a queda do Ministro das Finan�as, as trapalhadas com a OTA e o TGV, a err�tica pol�tica econ�mica. E tamb�m a escolha de M�rio Soares como candidato presidencial, a sucessiva ocupa��o de todo o estado pelos socialistas, um sinal p�ssimo para os mecanismos de equil�brio da democracia. Tudo junto se resume numa s� coisa: dotados de condi��es excepcionais pelo voto dos portugueses, o PS revela-se incapaz de gerar confian�a e credibilidade. Chega para perder elei��es. POPULISMOS O populismo reinou nesta campanha, com duas excep��es importantes, Lisboa e Porto, onde parece ainda haver uma massa cr�tica eleitoral que o trava nas suas manifesta��es mais extremas. Mas, mesmo assim, conv�m ser prudente, porque o populismo continua a ser o mecanismo mais f�cil para fazer campanhas de sucesso garantido, pela simbiose entre o populismo moderno e os meios de comunica��o de massas, em particular a televis�o. Felgueiras, Valentim, a n�vel local, e Lou�� a n�vel nacional, foram os pol�ticos que fundaram a sua campanha quase que exclusivamente num apelo populista sem freios. A eles se deve somar Pinto da Costa, na conturbada campanha do Porto. POPULISMO REGIONALISTA �Quem manda em Gondomar s�o os gondomarenses�, �Felgueiras para os felgueirenses�, foram uma de muitas formas deste populismo. �Para al�m do Mar�o mandam os que l� est�o�, dizem os transmontanos. S� que o Mar�o � uma montanha e como todos sabem, n�o � verdade o que diz a frase. Jardim, que diz o mesmo da Madeira, tamb�m ilude os que o ouvem. Tudo isto � errado, como � �bvio, em democracia. Em Gondomar e Felgueiras quem mandam s�o os portugueses, as leis portuguesas, o governo portugu�s, o parlamento portugu�s, os tribunais portugueses, e, no �mbito das suas compet�ncias, os autarcas eleitos. ISOLAMENTO, REGRESS�O � o que podem esperar terras como Gondomar e Felgueiras. Os seus resultados eleitorais podem traduzir uma reac��o bairrista, mas, nas suas livres op��es eleitorais, os seus mun�cipes fizeram mal �s terras: condenaram-nas a uma marginaliza��o, a que cada passo das rela��es entre o poder local e nacional seja escrutinado sem complac�ncia. Se os processos judiciais transformarem inoc�ncias (actuais) em culpas, Felgueiras e Gondomar conhecer�o crises pol�ticas e ser�o vistas como locais de m� fama. Os eleitores s�o, no acto de votar, t�o politicamente respons�veis como aqueles que elegem. COMUNICA��O SOCIAL I N�o gostava de Rio, nem de Carrilho e fez a vida negra aos dois. S�o casos em que uma antipatia corporativa, tornada colectiva pelo �pack journalism� que temos, se manifestou dando o car�cter de �causa� � cobertura comunicacional. H� diferen�as nos dois casos. Ainda Rio n�o tinha come�ado a sua presid�ncia j� era sujeito a uma campanha de ataque vinda dos jornalistas do Porto, que nunca esmoreceu um segundo at� � sua reelei��o. O �sistema�, para usar uma express�o futebol�stica, criado pelo PS de Fernando Gomes no Porto, englobava todos os agentes comunicacionais, jornalistas, �artistas�, meios da cultura subsidiada, intelectuais, institui��es. Quem hoje v� a imagem de Gomes, esquece-se at� que ponto ele foi intoc�vel enquanto presidente da C�mara do Porto, de bra�o dado com todas as �for�as vivas� da cidade, do futebol � anima��o cultural. Todas essas pessoas deserdadas fizeram uma guerra sem tr�guas a Rio e, fosse este mais pusil�nime, bem o podiam ter corrido do lugar. Em consequ�ncia, Rio era tratado de forma mais equilibrada nos jornais lisboetas, na propor��o directa do afastamento destes dos lobis portuenses. Carrilho, por seu lado, nunca percebeu que se quer ter m�os livres para criticar a comunica��o social n�o se pode pretender nuns dias fazer uma campanha eleitoral � americana, com esposa c�lebre e filho, noutras como Lang moderna�o, �rbitro do gosto p�s-moderno, superior ao vulgo ignaro que v�, mais do que l�, a Caras. N�o cola, n�o colou. A comunica��o social tomou-o de ponta nem sempre por boas raz�es, mas n�o foi por criticar a comunica��o social que Carrilho perdeu (Rio f�-lo e ganhou). Foi porque ningu�m sentia a menor vontade de lhe acudir e todos de lhe bater. COMUNICA��O SOCIAL II J� escrevi isto a prop�sito de outras campanhas do passado, porque n�o � uma pecha recente, mas tem que ser repetido: a comunica��o social descreveu esta campanha como um nojo, uma abjec��o cont�nua, uma luta mesquinha e sem grandeza. Se formos a ver, j� h� muito tempo que descreve assim todas as campanhas eleitorais, sejam elas quais forem. Abriu uma excep��o: elogiou Maria Jos� Nogueira Pinto, mas f�-lo de forma utilit�ria para servir de contraste para atacar Carmona e Carrilho, Esquece-se de uma coisa b�sica: que diferen�a fez em rela��o a candidatos que se esfor�avam para ser diferentes e que, por n�o serem um �nojo�, n�o interessavam nem ao menino Jesus? Ignorou-os e ajudou a que eles perdessem. Quantas pessoas, quantos candidatos, em muitos s�tios se esfor�aram por fazer diferente? Nem um? Duvido, isto n�o � Sodoma e Gomorra. Quanta gente s�ria e esfor�ada foi pura e simplesmente ignorada para se correr atr�s do lixo, que tanto critica para, no fundo, o promover �s luzes da ribalta. � que, meus caros amigos, a ecologia de visibilidade da campanha, s� tem uns mediadores em democracia, os meios de comunica��o social. E esses, de h� muito, escolhem mostrarem apenas o que vende e o que lhes conv�m para moralizar os costumes. Como se dizia da Internet: mete-se lixo, sai lixo. J� � assim h� muito tempo, fazem o mal e a caramunha. (Do P�blico) * Comentando o �ltimo artigo de J. Pacheco Pereira no P�BLICO, sem d�vida que estou de acordo quando � ideia geral de o PSD estar a ter �um registo de oposi��o bem mais s�rio e respons�vel do que alguma vez teve no passado o PS�. Simplesmente um apoio ing�nuo do PSD na �rea da educa��o �sem qualquer �mas�� � um �remake� do que conduziu o ensino ao estado desastroso a que chegou, ou seja, ontem como hoje o PSD n�o conseguiu e n�o consegue definir uma pol�tica aut�noma sobre o ensino/educa��o. Se n�o existem vis�es pluralistas para o sector com peso efectivo no espa�o p�blico, dando voz a diferentes segmentos de opini�o como devem fazer as democracias, � porque os partidos n�o t�m feito por isso. S�o, nessas mat�rias, �marias-v�o-com-as-outras�. A� o PSD tem graves responsabilidades. Poderei estar de acordo com algumas medidas do actual governo (pelo menos com regresso �s escolas de muitos professores ou com as aulas de substitui��o), mesmo se feitas na base de um populismo inconsequente. Mas a verdade � que as quest�es estruturais continuam na mesma: gest�o das escolas, indisciplina, n�mero de alunos por turma (continuamos na casa aberrante dos 28), sistema de avalia��o (onde se tem de discutir de modo consequente a quest�o dos exames nacionais em final de ciclo e repensar a escala de avalia��o de 1 a 5), quest�es curriculares (disciplinas como ��rea de Projecto�, �Forma��o C�vica� e �Estudo Acompanhado� reproduzem uma perspectiva revolucion�ria de criar o �homem novo� atrav�s de um �novo aluno�, precisamente � custa da desvaloriza��o dos saberes cient�ficos e estruturados e atentam contra a pr�pria dignidade exig�vel a um espa�o simb�lico como a sala de aula, sendo que elas t�m outros efeitos gravemente perniciosos que me dispenso de enumerar e foram introduzidas por vision�rios sem qualquer debate p�blico minimamente s�rio) e, � claro, a ideologia chamada �ci�ncias da educa��o�. Esses e outros assuntos deveriam ser tratados em conjunto e as reformas apresentadas como um projecto s�lido. Reformar a conta-gotas e mexer no que � secund�rio s� revela que n�o se sabe ao certo o que se quer (porque n�o se conhece o terreno e nisso governantes e sindicalistas s�o irm�os g�meos) e faz�-lo desse modo leva a que os agentes no terreno n�o entendam para onde se quer caminhar. Assim, medidas positivas, sendo pontuais, s�o rapidamente anuladas por tudo o que de negativo anda � sua volta, at� pela forma sobranceira com que se tratam os profissionais, mesmo aqueles que, eventualmente, poderiam estar dispon�veis para a mudan�a. Assim o que se consegue � que quem est� dentro do sistema e � decisivo para as reformas tende a estar contra e os que apoiam est�o fora e s� com o tempo entender�o (se � que chegar�o a isso) como as resist�ncias silenciosas s�o, de todas, as mais perniciosas e nefastas. Se partidos como o PSD n�o acordarem para democratizar as ideologias e pol�ticas de ensino, daqui a uma d�cada provavelmente c� estarei para confirmar que tudo estar� quase na mesma, como venho escrevendo desde 1998. Portanto, o Dr. Marques Mendes e o PSD dever�o apoiar o que acham que devem apoiar, mas isso � quase nada. Mais importar � explicar as raz�es dessas tomadas de posi��o num contexto de um projecto estruturado que tenham para o sector. Ali�s, por muita raz�o que este ou futuros governos tenham no que fazem, vivemos numa democracia que n�o vive de cheques em branco. � preciso que os partidos cheguem �s elei��es com programas estruturados para a educa��o para, depois, n�o perderem a legitimidade aquando da sua aplica��o. Veja-se a nulidade que eram os programas eleitorais de todos os partidos para a educa��o. Simplesmente lament�veis. Ir� o PSD repetir isso no final desta legislatura? (Gabriel Mith� Ribeiro) * Essa dicotomia entre comunica��o social do Porto (m�) e comunica��o social de Lisboa (boa) parece no m�nimo enviesada. Poder�amos fazer outras dicotomias sobre a comunica��o social mais f�ceis de compreender: Informada sobre a cidade (Porto) vs desinformada sobre a cidade (Lisboa); "Supportive" da cidade (Porto) vs "Desconfiada" da cidade - para n�o dizer "opponent" - (Lisboa) ou ainda, porque ningu�m deixa de ter os seus interesses: benefici�ria dos "lobbies" da cidade (Porto) vs benefici�ria dos "lobbies" de fora da cidade (Lisboa) (sejam eles econ�micos, pol�ticos, futebol�sticos ou outros) - A comunica��o social do Porto, tal como eu eleitor, n�o apoiava Rui Rio porque n�o via qualquer din�mica de desenvolvimento e afirma��o da cidade e n�o aceita como � que o Presidente da C�mara do Porto n�o quer ter um papel (que politicamente n�o existe) de lideran�a para al�m da CMP, tendo uma vis�o reducionista do seu cargo. Por outro lado, a comunica��o de Lisboa apoiava Rui Rio porque via nele um contraponto a algu�m que � por eles detestado (Pinto da Costa) e algu�m com um perfil n�o reivindicativo de uma maior distribui��o de fundos p�blicos ou de capital pol�tico (t�o necess�rio em casos como a Petrocer, a venda da Portucel � Sonae a constru��o da OTA, entre outros casos). Tanto uns interesses como outros s�o leg�timos s� que uns beneficiam a cidade e os seus cidad�os e outros n�o. A vit�ria de Rui Rio deve-se principalmente ao castigo nacional dado ao PS, � influ�ncia da comunica��o social de Lisboa ("nacional"), que � incomparavelmente mais forte de que a meia d�zia de jornalistas do Porto, e � incapacidade de, no tempo de dura��o da campanha, sobressair um candidato alternativo. A vit�ria, n�o se deve a qualquer convic��o da cidade que Rui Rio � o Presidente que vai ter um papel na melhoria das suas condi��es de vida (sejam elas econ�micas, afectivas ou de bem-estar). Ali�s, comparando a dimens�o da vit�ria de Rio (presidente re-eleito) com Carmona, fica clara a desconfian�a que continua a existir relativamente a Rui Rio Se fosse o Dr. Rui Rio Presidente da C�mara h� 15 anos, n�o haveria Metro, Serralves, Casa da M�sica ou Rivoli e n�o haver� (tal como hoje, diga-se) o dinamismo econ�mico necess�rio ao desenvolvimento da cidade. Este � o meu grande temor: que a sua vit�ria n�o se traduza em nada de positivo para a cidade. (Hugo Enes)
09:41
(JPP)
Sonnet Moi, je vis la vie � c�t�, Pleurant alors que c'est la f�te. Les gens disent : � Comme il est b�te ! � En somme, je suis mal cot�. J'allume du feu dans l'�t�, Dans l'usine je suis po�te ; Pour les pitres je fais la qu�te. Qu'importe ! J'aime la beaut�. Beaut� des pays et des femmes, Beaut� des vers, beaut� des flammes, Beaut� du bien, beaut� du mal. J'ai trop �tudi� les choses ; Le temps marche d'un pas normal ; Des roses, des roses, des roses ! (Charles Cros ) * Bom dia! 13.10.05
15:59
(JPP)
Actualizada a nota LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA 3 Actualizado o EARLY MORNING BLOGS 622 com uma tradu��o. Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE AS NOTAS TRANSMONTANAS - "A� AINDA REFUNSFEGAS?!" Actualizada a nota F�RIA, F�RIA �PICA. Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DIOGO VASCONCELOS SOBRE O VOTO ELECTR�NICO, onde h� uma animada discuss�o sobre o voto electr�nico.
12:25
(JPP)
![]() Grande NASA que sendo s�ria, est� demasiado contente com o que v�, para se tomar a s�rio! H� um gosto, um entusiasmo, que � contagiante. Veja-se como � sisudo o s�tio da European Space Agency (ESA). Depois n�o se queixem dos americanos. Ah!, as duas luas do tango s�o Dione e Rhea, dan�ando diante de Saturno. *
11:51
(JPP)
Da terra do calipso, soube desta: Em certo povo de origem judia perto de Argozelo, houvera um crente que fez promessa ao seu Santo. Passados tempos o Santo n�o lhe correspondeu ao pedido. O crente, furioso, dirigiu-se � capela por forma a ajustar contas com o dito, pelo que agarrou nele, feito de pau carunchoso, e atirou-o � ribeira praguejando... Quando nisto o Santo se come�a a afundar, borbulhando... At�nito, exclama o homem: "Ai ainda refunsfegas ?!?!?!"... (Luis Vaz de Carvalho) * Correndo o risco de a mem�ria me atraicoar, descontando os �bvios erros gramaticais no Mirand�s, e fazendo j�s � tradic�o oral do grande Planalto para l� do Sabor, acrescento a informac�o seguinte sobre esta hist�ria (um livro do Secund�rio que de repente me v�m � mem�ria diria que esta � uma "est�ria"). Conto-a como a ouvi, sendo que as distorc�es devem ser aceites como parte da riqueza cultural destas terras. Ou melhor, queria apenas acrescentar um dado da hist�ria que me contaram: O homem ter� dito (e na minha hist�ria, era uma santa, e n�o um santo), "Ainda refunsfegas, caramonica mil ojos?" "Caramonica mil ojos", explicava a minha tia, significava "Santa de Pau Carunchoso". E o "refunsfegas" significaria "respirar". Ya dixe! (Daniel Filipe Rocha da Cunha Rodrigues)
10:13
(JPP)
![]() Vendo a Quadratura do C�rculo... onde um dos participantes (Pacheco Pereira) afirmou que outro (Jorge Coelho) tinha pedido um "cart�o vermelho" para a oposi��o nas recentes elei��es aut�rquicas, e, tendo este �ltimo negado que alguma vez tivesse usado essa linguagem futebolista, uma leitora do Abrupto (In�s Chaves) enviou-me este fragmento da mem�ria colectiva que nos persegue: "O coordenador aut�rquico do PS, Jorge Coelho, disse hoje que os portugueses devem "mostrar novo cart�o amarelo" ao governo nas elei��es aut�rquicas, cabendo ao PS criar condi��es para se constituir como alternativa s�lida e cred�vel". Isto foi dito antes das elei��es, em Novembro de 2004, e n�o foi correctamente citado, mas � relevante quando se discute se h� (ou deve haver) interpreta��o nacional dos resultados das aut�rquicas. Pelo menos no PS entende-se que sim. * A prop�sito da minha cr�tica ao facto de as esta��es televisivas n�o citarem informa��es (neste caso resultados de sondagens) dos outros canais (a que agora se chama redutoramente " concorr�ncia"), Miguel Torres lembra que "a RTP em determinado momento da noite referiu, e mostrou previs�es da TVI relativas a Santar�m e Leiria, o que naquele momento serviu para renovar / refrescar o debate." * J� v�rias vezes elogiei a iniciativa do Clube dos Jornalistas na 2: , em que , pela primeira vez, jornalistas discutem o seu trabalho como mat�ria de debate p�blico. Sei que � dif�cil e encontra muitas resist�ncias de um grupo profissional que, como todos, v� no escrut�nio p�blico uma perda de poder e de autoridade corporativa. Mas ontem, se foi �til saber alguma coisa sobre os crit�rios editoriais da cobertura das aut�rquicas, a falta de contradit�rio prejudicou o programa principalmente na quest�o do tratamento dado pelas televis�es aos casos de Felgueiras e Gondomar. * A ler o coment�rio de Lu�s Carmelo no Miniscente ao que aqui escrevi sobre a renit�ncia dos jornalistas em aceitar a diversifica��o das fontes de informa��o, em particular, usando os blogues quando � nestes que est� a informa��o relevante, como me parecia o caso da oposi��o interna no CDS. Foi s� isto que pretendi dizer e n�o que os jornalistas se tornassem numa esp�cie de autores de blogues de outro tipo. No entanto, penso que mais cedo do que tarde, todo o jornalismo, - melhor, todo o debate p�blico, - ganhar� novas dimens�es de interactividade e de texto-hipertexto, de uso crescente da mem�ria colectiva, da dimens�o criativa da escrita, de formas mais din�micas de utiliza��o do som, v�deo e texto, e que este processo j� em curso, mudar� muito a forma da cidadania, que � o que me interessa. * A prop�sito do programa �Clube de Jornalistas� do Canal 2 e da influ�ncia das televis�es �influenciarem o sentido dos votos�, discordo totalmente de Ricardo Costa, pelo menos no que toca a Felgueiras.As televis�es (essencialmente mas n�o unicamente) influenciaram decisivamente as elei��es em Felgueiras. Um �nico exemplo (h� muitos). Na noite do regresso de FF, estava j� programado um debate na SIC-Not�cias entre os candidatos de Felgueiras. Exactamente na hora do no in�cio do debate, FF d� uma confer�ncia de imprensa, onde �explica� os dezassete pontos do programa eleitoral dela, falando cerca de 15 minutos seguidos sobre a sua candidatura, enquanto os candidatos do PS e PSD aguardavam no est�dio para o qual tinham sido convidados que a senhora decidisse parar. Claro que n�o tiveram tempo para explicar o seu pr�prio programa, porque a jornalista �sugou� todos os assuntos com a quest�o jur�dica, que apenas diz respeito a FF, n�o deixando espa�o para os reais problemas desta popula��o. (S�rgio Martins)
09:58
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() Berenice Abbott
09:38
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 622 H�tels La chambre est veuve Chacun pour soi Pr�sence neuve On paye au mois Le patron doute Payera-t-on Je tourne en route Comme un toton Le bruit des fiacres Mon voisin laid Qui fume un �cre Tabac anglais � La Valli�re Qui boite et rit De mes pri�res Table de nuit Et tous ensemble Dans cet h�tel Savons la langue Comme � Babel Fermons nos Portes � double tour Chacun apporte Son seul amour (Guillaume Apollinaire) * Bom dia! * Lendo seu 'post' das 9:38 de hoje, ensaiei esta tradu��o amadora, esp�cie de sudoku liter�rio, digamos. (Jos� Manuel) Hot�is (Guillaume Apollinaire, 'Alcools') O quarto enviuva Solit�rio de fregu�s Presen�a nova Paga-se ao m�s O dono duvida Ser� que pagar�o Vou � minha vida Feito um pi�o O rodar do fiacre Meu vizinho malt�s Fumando um acre Tabaco ingl�s Oh a Valli�re Que trope�a faceira De minhas ora��es Mesa de cabeceira E juntos estamos Aqui neste hotel A l�ngua saibamos Como em Babel Fechemos nossa porta � chave com fervor Cada um aporta Seu �nico amor 11.10.05
13:00
(JPP)
Nos tempos idos de seiscentos, Tom� Pinheiro da Veiga, entrando em Portugal, escreveu num tom que um visitante que entrasse em certos dias na blogosfera reconheceria: "Em descobrindo o Portugalete, se nos mostrou com uma cara de vil�ozinho, encarquilhada, muito trefo, tudo penedos escabrosos e montes, sem nenhuma lhaneza, muita silveira e a terra partida aos palmos com suas paredinhas, como quem diz: isto � meu, n�o � teu, n�o me furtes as minhas uvas."
12:48
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DIOGO VASCONCELOS SOBRE O VOTO ELECTR�NICO ![]() O Voto Electr�nico � hoje uma tem�tica incontorn�vel na maioria das Democracias, enquanto forma de aumentar a participa��o dos eleitores e tornar mais r�pido e eficaz o processo eleitoral. Para al�m dos benef�cios tradicionalmente associados, como a possibilidade de votar em mobilidade a partir de qualquer assembleia de voto , a redu��o dr�stica da utiliza��o de recursos naturais como o papel, a maior facilidade, fiabilidade e rapidez do processo de vota��o, o Voto Electr�nico permite ainda a participa��o plena e aut�noma dos cidad�os com necessidades especiais no processo eleitoral. O Voto Electr�nico �, assim, fundamental para combater absten��o e para facilitar a universalidade do voto. Em 2004 e 2005, foi feito pela UMIC um trabalho sistem�tico , de desenvolvimento e teste de diferentes solu��es de Voto Electr�nico, uma das iniciativas enunciadas no Plano de Ac��o para a Sociedade da Informa��o. Nas Elei��es Europeias de 2004 � introduzido o tema, feita a parceria com o STAPE, e o projecto � apresentado e aprovado pela Comiss�o Nacional de Elei��es e pela Comiss�o Nacional de Protec��o de Dados, as quais acompanharam de perto a sua execu��o. Envolveram-se ainda as universidades em auditorias de seguran�a e os presidentes de juntas de freguesia (de meios urbanos e rurais), na forma��o dos agentes eleitorais. Nas Elei��es Legislativas fomos mais longe, na sequ�ncia das recomenda��es dos auditores: os l�deres partid�rios puderam, eles pr�prios, testar urnas electr�nicas, testou-se pela primeira vez uma solu��o de identifica��o central dos eleitores, plataforma fundamental para possibilitar o voto em mobilidade, concebeu-se de in�cio uma plataforma de voto n�o presencial para os emigrantes, usaram-se, pela primeira vez, urnas com "paper trail" e urnas falantes para deficientes, etc). Em ambos os casos, houve uma preocupa��o de motivar, sensibilizar e envolver a popula��o, cuja receptividade foi, ali�s, extraordin�ria. Estas experi�ncias foram indispens�veis para introduzir o tema na agenda, gerar conhecimento nas institui��es e servi�os p�blicos envolvidos e criar confian�a na popula��o - elementos indispens�veis para se passar para a fase vinculativa. Numa l�gica de "accountability", a UMIC lan�ou em 2004 o portal Voto Electr�nico que d� acesso detalhado ao trabalho desenvolvido neste dominio, aos relatorios das auditorias de seguran�a feitas pelas universidades (as quais foram tidas em conta para a experi�ncia das �ltimas elei��es legislativas) , aos estudos de opini�o sobre as experi�ncias-piloto nas Europeias 2004 e nas Legislativas 2005, bem como a descri��o exaustiva das experi�ncias internacionais. Cont�m ainda um reposit�rio de estudos e documentos de refer�ncia sobre o tema. * A implementa��o de sistemas de voto electronico como se vai vendo, n�o passa de uma forma de deslumbramento,e de cria��o de unidades de estudo sem grande efic�cia.Pretende-se o que ? Levar as pessoas a votar em casa ? Colocar umas urnas electr�nicas nas sec��es de voto ?.O exercicio de votar � um direito de cidadania, n�o � pedir pizzas por e-mail.A relativiza��o da vida em sociedade, enclausuradas que v�o estando as pessoas com web, e-mail,chat`s � manifestamente incivilizicional.E isto n�o � ludismo.Continuamos a ver o exercicio do voto ... em todo o lado...como um acto da democracia e do espa�o publico, e n�o uma ma�ada a que h� que dar toda as oportunidades para tornar corriqueira e trivial. (Antonio Carrilho) * O voto electr�nico � s� o mais aldrab�vel dos votos. N�o h� sistema de seguran�a que lhe valha, muito menos em termos de grandes n�meros. S� num futuro relativamente bem distante me parece que possa ser minimamente seguro. (Nuno Magalh�es) * O meu amigo Diogo Vasconcelos tem defendido a adop��o de solu��es de voto electr�nico. Compreendendo embora as boas raz�es que o movem, entendo que � um projecto que merece a mais viva oposi��o. Tr�s raz�es: - No actual sistema de voto presencial em papel, qualquer cidad�o com habilita��es b�sicas � capaz de comprovar a integridade dos procedimentos utilizados; embora trabalhosos, todos os procedimentos envolvidos no processo eleitoral actual s�o simples e de f�cil verifica��o; num sistema de voto electr�nico, s� um grupo muito reduzido de especialistas com acesso a meios sofisticados podem comprovar essa integridade; para mim, esta � raz�o suficiente para rejeitar a mudan�a; - Por mais auditorias de especialistas � seguran�a do sistema que se fa�am, num sistema de voto electr�nico n�o h� qualquer forma de o votante comum ter a certeza que o que �entra na urna� electr�nica corresponde aquilo em que desejou votar; pelo contr�rio, no sistema actual, desde que o presidente da mesa n�o seja o Lu�s de Matos, eu sei que o boletim que preenchi � o que entra na urna e os observadores do processo eleitoral, mesmo que semi-analfabetos, podem verificar que o que de l� sai � o que l� estava dentro; - Todos os sistemas falham: o space shuttle explode, os computadores da Microsoft s�o atacados e, pois, os computadores do STAPE cansam-se; Um sistema de voto em papel, como o actual, n�o � invulner�vel a falhas, bem pelo contr�rio; mas, sendo um sistema descentralizado, um problema local dificilmente tem consequ�ncias globais significativas; uma fraude numa mesa de voto em particular (ou em dez ou em 20) dificilmente tem um impacto relevante nos resultados globais da elei��o (uma vez que em Portugal a regra n�o � winner-takes-all, o hipot�tico exemplo em contr�rio da Florida n�o � relevante); pelo contr�rio, num sistema centralizado, como tenderia a ser um sistema de voto electr�nico, qualquer pequeno bug, acidental ou deliberado, no software que controla o processo pode desvirtuar o resultado da elei��o. Mesmo que estas n�o fossem raz�es suficientes, resta-me uma �ltima, talvez mais importante: para a maioria dos portugueses, a desloca��o � mesa de voto � provavelmente a �nica experi�ncia relevante de participa��o c�vica que lhes resta; � verdade que d� trabalho e que isso aumenta a absten��o; mas n�o tenho a certeza que substitu�-la por um acesso ao computador no intervalo da telenovela seja prestar grande servi�o ao pa�s. (Vasco Rodrigues) * Note-se que a vers�o portuguesa do v.e. (entretanto deixada cair pelos nossos s�bios) n�o ia t�o longe: o voto era electr�nico, sim, mas numa Assembleia de Voto "normal". A Est�nia vai faz�-lo pela Internet: l'Estonie est le premier pays � pratiquer le vote �lectronique par Internet � une �chelle nationale", affirme Ivar Tallo, chef de l'acad�mie du e-gouvernement, un groupe de recherche estonien sur l'administration �lectronique. En effet, l'Estonie, souvent � la pointe en Europe en mati�re des technologies de l'information, a innov� cette semaine en lan�ant le vote par Internet pour tous, � l'occasion des �lections municipales. De lundi � mercredi, les �lecteurs ont la possibilit� de voter dans tout le pays avec leur ordinateur, de chez eux ou bien de leur bureau. Ceux qui pr�f�rent d�poser un bulletin papier dans l'urne se d�placeront dimanche 16 octobre. (...) (C. Medina Ribeiro) * Quero esclarecer que sou "inform�tico" de forma��o, antes de tecer os seguintes coment�rios. O voto electr�nico em local espec�fico (onde seja obrigat�rio os eleitores deslocarem-se) � de louvar. Mas o voto electr�nico n�o-presencial (voto pela Internet, por exemplo) � perigos�ssimo, absolutamente de evitar. Quanto ao primeiro, atente-se no exemplo brasileiro, onde a urna electr�nica produz um documento em papel, que � conferido pelo votante e, ap�s confirma��o do votante, � ent�o depositado em urna. Al�m de haver um resultado electr�nico imediato, pode-se sempre recorrer aos boletins em papel para conferir a validade de um resultado. Ou, para garantir que mesmo o cidad�o mais simples possa confiar no sistema, basta que o resultado OFICIAL seja o da contagem dos votos em papel, servido o apuramento electr�nico apenas para produzir um resultado OFICIOSO, imediato. Quanto ao voto n�o presencial, electr�nico ou n�o, � facilmente aldrab�vel. Hoje em dia, dadas as restri��es que existem a respeito dele, a aldrabice compensa pouco, porque demora muito tempo e grandes meios log�sticos (al�m de chamar aten��o e causar suspei��o, para ser feita em grande n�mero). Mas imagine-se um bairro dominado por uma associa��o criminosa: facilmente esta poderia impor aos residentes a obriga��o do voto "secreto" � dist�ncia, de prefer�ncia na presen�a de um membro da quadrilha ou, para simplificar a log�stica, na sede da mesma quadrilha... Ai de quem ousasse ir votar a outro local ou realmente em privado. Se isto � dif�cil de conceber ao n�vel do estado, � muito mais simples de imaginar - e de impor - a n�vel local. Basta ver como em tantos concelhos e freguesias do pa�s as elei��es de decidem por punhados de votos para constatar como este perigo seria verdadeiramente real. Nem era preciso estar-se a lidar com criminosos: basta recordar que nos pequenos concelhos as c�maras municais s�o os principais empregadores, e quando n�o s�o basta juntar mais duas, tr�s empresas ou associa��es misericordiosas para reunir mais de metade dos empregos dispon�veis... Se o "voto � dist�ncia" for feito na presen�a de quem nos emprega, ou aos nossos filhos, sobrinhos, netos... � f�cil imaginar o ambiente de falta de isen��o que se pode gerar: imagine-se, por exemplo, que o dirigente de uma "Santa Casa da Miseric�rdia de X", instala um computador em todos os lares de 3� idade do concelhos, por ele administrados, para que os idosos, "coitadinhos", n�o tenham de se dirigir �s assembleias de voto... (Leonel Morgado) * Em resposta � minha afirma��o �Note-se que a vers�o portuguesa do v.e. (...) n�o ia t�o longe: o voto era electr�nico, sim, mas numa Assembleia de Voto "normal"�, que o ABRUPTO transcreveu, Diogo Vasconcelos escreveu-me a esclarecer que a UMIC tamb�m estudou e prop�s o chamado �Voto n�o presencial�, pela Internet. Enquanto os paladinos do Choque-Tecnol�gico n�o falam de um nem do outro, o meu filho l� fez 2 vezes 320 km para votar... (C. Medina Ribeiro) * 1 - O voto electr�nico pode fazer sentido, mas desde que deixe um "rasto" em papel que possa ser usado para conferencia: i.e., o sistema em que o eleitor clica no bot�o do partido A, o computador imprime um boletim com o voto no partido A, e o eleitor p�e esse voto na urna (que fica guardada e s� se abre se algu�m duvidar dos resultados do voto electr�nico). Claro que isso anula a tal poupan�a em papel... 2 - Quanto ao voto em casa � perigosiss�mo, j� que abre caminho ao fim do voto secreto. Para n�s pode parecer que estou a levantar fantasmas, mas lembremo-nos dos imigrantes de pa�ses mu�ulmanos (poucos em Portugal, � certo), em que muitos pais/maridos poderiam querer votar pelas filhas/mulheres. Ou da Sicilia, aonde h� uns anos foi necess�rio mudar a lei eleitoral para a Mafia n�o controlar os votos. (Miguel Madeira) * Quanto ao debate sobre o voto electr�nico posiciono-me no �n�o tanto ao mar nem tanto � terra�. Genericamente votar � simples e nem demora muito tempo. Concordo que em tal acto de cidadania n�o s�o os minutos gastos na desloca��o � mesa de voto real que fazem aumentar a absten��o. E concordo com todos os riscos apontados por diversas pessoas no Abrupto. No entanto defendo a sua aplica��o limitada a situa��es especiais, como ser� o caso das pessoas que por motivos de sa�de n�o podem de todo deslocar-se a uma mesa de voto real ou essa desloca��o seja demasiado penosa ou custosa (necessidade de viatura especial, risco para sa�de por sair de ambiente protegido, etc.). Penso que uma aplica��o real do voto virtual a estes casos seria um bom teste ao sistema e promoveria a redu��o da absten��o daqueles que querem mesmo votar, mas a sua situa��o f�sica limita o exerc�cio desse direito. Al�m disso os impactos dos eventuais erros ou fraudes do voto virtual seriam limitados, dado que o peso de tal popula��o no resultado da maioria das elei��es seria reduzido, o que em nada reduz ou limita que fa�amos tudo para proporcionar a essa popula��o a possibilidade de exercer esse direito c�vico. (Miguel Sebasti�o) * Sou um adepto quase incondicional das novas tecnologias e da sua aplica��o nos mais variados campos. Contudo sou contra o voto electr�nico pela seguinte raz�o: a desmaterializa��o do voto facilita obviamente a possibilidade de fraude em larga escala. Eu sei que cada vez mais se caminha para a desmaterializa��o de muitos elementos importantes do nosso quotidiano mas normalmente diferem do voto numa quest�o essencial: apesar de desmaterializados, existe sempre algu�m, normalmente com interesse directo na quest�o, que tem a possibilidade de detectar a exist�ncia de um erro ou fraude. Por exemplo, o registo dos bens, nomeadamente financeiros (conta banc�ria, ac��es, etc.), pode estar desmaterializado mas, se algu�m os alterar indevidamente, o lesado tem a possibilidade de detectar essa altera��o. No caso do voto n�o existe qualquer possibilidade de verificar � posteriori se ele est� devidamente registado dado o car�cter secreto do mesmo. E, assim sendo, n�o existe forma de o controlar, raz�o pela qual considero que o m�todo de recolha deve manter-se o mais artesanal poss�vel. (Alexandre Feio) * No voto electr�nico, por se tratar de inform�tica, e de seres humanos a conceber tal sistema, nem tudo s�o virtudes conforme faz parecer o texto, de Diogo Vasconcelos, que hoje publica no seu blogue. A este prop�sito, leia-se o que diz um dos mais reputados especialistas em seguran�a inform�tica da actualidade, Bruce Schneier (www.schneier.com), no artigo: "The Problem with Electronic Voting Machines" (November 10, 2004) "In the aftermath of the U.S.�s 2004 election, electronic voting machines are again in the news. Computerized machines lost votes, subtracted votes instead of adding them, and doubled votes. Because many of these machines have no paper audit trails, a large number of votes will never be counted." A come�ar por algum lado, talvez fosse mais interessante come�ar por alterar o sistema eleitoral, de Plural para algo matematicamente mais veross�mil, como, por exemplo, o sistema Por Aprova��o ou, porque n�o, uma Contagem de Borda. A respeito dos sistemas eleitorais, veja-se o seguinte artigo de introdu��o ao assunto do Prof. Jorge Buesscu: "Viva o Festival da Can��o", de Jorge Buescu (Revista Ingenium, Outubro/1999) (e ainda aqui.) (Ricardo Carvalho) * Creio que o problema que Ricardo Carvalho aponta para o "voto plural" s� � seriamente relevante para elei�oes maiorit�rias a 1 volta. Para elei��es proporcionais (ou mesmo maiorit�rias a 2 voltas) tais casos ser�o mais curiosidades matem�ticas do que outra coisa. Se pegarmos no exemplo de Jorge Buescu, com um sistema a 2 voltas, n�o h� paradoxo nenhum - com os 3 candidatos, B ganha por 58% na segunda volta. Se B n�o se candidata, ganha C (logo � primeira). [Isto j� � um bocado marginal ao tema da discuss�o, mas enfim...] (Miguel Madeira) * Em rela��o ao voto presencial/n�o presencial seja ele electr�nico ou n�o, a maioria das posi��es que aqui leio e ou�o no dia-a-dia s�o por demais demonstrativas do nosso atraso enquanto povo. Vejamos alguns exemplos: - Alemanha: voto por correio para cidad�os residentes no Pa�s ou estrageiro (n�o consta que haja fraudes) - Banca electr�nica - Portugal: entrega de IRS por via electr�nica (algu�m se queixa de erros??) E poderia citar muitos outros!!! Do ponto de vista tecnol�gico, se bem que haja necessidade de algumas melhorias e verifica��es de seguran�a, n�o haver� grandes inconvenientes. Do ponto de vista de mentalidades � que a coisa � mais dif�cil... cada portugu�s aprende(u) a ver os outros como aldrab�es da pior esp�cie e que apenas vivem com o intuito de nos aldrabar. N�o h� Pa�s que resista a este tipo de "cidadania"!!! A introdu��o do voto electr�nico e n�o presencial, de forma progressiva, s� traria benef�cios - quem preferisse votar em papel poderia faz�-lo... Para qu� um cart�o de eleitor??? Nunca percebi que um sistema como o do nosso Bilhete de Identidade n�o sirva para nada!!! � com base na informa��o que nele consta que o Cart�o de Eleitor � emitido... nada � confirmado. O MJusti�a e MAI n�o t�m os ficheiros organizados por Freguesias de resid�ncia??? Ent�o por que n�o utilizar o BI como documento �nico?? N�o � preciso reinventar a roda (por exemplo: o n�mero de Seguran�a Social e de Contribuinte poderia ser o n�mero do Bilhete de Identidade que seria o mesmo da C�dula pessoal... n�o � inven��o nem fic��o cient�fica, para tal veja-se o que sucede no UK e na Noruega...) O Nosso atraso mede-se por este dificultar de mudan�a e reinven��o da roda... (Pedro V Baptista)
12:15
(JPP)
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA 2 ![]() Estas dificuldades em actuarem em rede e interactivamente dos media cl�ssicos, s�o muito vis�veis, por exemplo, na noite eleitoral quando uma esta��o televisiva n�o cita as sondagens realizadas pelas outras esta��es como not�cias que s�o e devem ser dadas e permanece presa no �seu� produto. H� que perceber que cada sondagem se esgota no momento em que � dada, e s� tornaria a ser not�cia por m�s raz�es, se falhasse. Esta "pris�o" no "seu" produto, explica-se pela competi��o pelas audi�ncias, mas acaba por ser contraproducente para essas mesmas audi�ncias. Numa noite que vive do cont�nuo da informa��o, a riqueza plural dessa informa��o � o grande elemento de escolha de quem acompanha a emiss�o. Tive essa percep��o na SIC e j� n�o � de agora, e penso que isso prejudica a cobertura da esta��o, que perde flexibilidade e interesse, nem dando as informa��es que deve, nem permitindo uma discuss�o menos previs�vel. As op��es pelos locais onde foram feitas sondagens, onde h� correspondentes da esta��o preparados para entrar no ar, s�o op��es editoriais, mas n�o podem fixar rigidamente um canal televisivo numa realidade noticiosa que muda rapidamente no seu interesse durante a noite. As op��es editoriais foram feitas antes, a realidade do que acontece � de agora e n�o de antes. O que estava a acontecer em Santar�m, Faro, Aveiro, Barreiro, ou o que esteve para acontecer em Braga, Leiria, Guarda, devia ter tido um acompanhamento mais din�mico. Declara��es politicamente significativas de actores menores da noite eleitoral, como Menezes, que tinha ambi��es de se recolocar nessa noite na competi��o pela lideran�a do PSD, foram ignoradas. Que eu saiba ningu�m procurou falar com Santana Lopes, Pinto da Costa, o candidato ganhador do PS em Amarante, M�rio Soares, Alegre, o candidato perdedor do PS em Felgueiras, etc., etc, numa pan�plia mais larga da informa��o eleitoral. O CDS foi ignorado, o PCP quase. O BE benignamente esquecido. As r�dios mostraram-se muito mais flex�veis, com os seus meios simples e econ�micos, do que as televis�es, dando informa��es muito mais cedo e incorporando-as na discuss�o. O encravamento do STAPE foi um factor, mas bastava telefonar para os amigos residentes nos locais, para saber com seguran�a o que estava a acontecer em muitas capitais de distrito e sair do dom�nio claustrof�bico da sondagem. N�o h� imagens? � verdade, mas nem sempre a informa��o precisa de imagens, pode usar grafismos, sobrepor a voz dos telefonemas, correr t�o r�pido como as not�cias. * N�o gostei das televis�es na noite das elei��es, para al�m de que n�s, espectadores, vivemos em esquizofrenia em que deixamos uma frase de algu�m a meio para ir para uma sede, ou um discurso a meio para ir para declara��es, e em que mudamos de um canal para o outro cada vez que d� algo �chato�. Este formato, para mim, est� esgotado. Muita histeria e pouco sumo. Acho que as televis�es deveriam pensar noutro formato mais tranquilo de ver resultados e ouvir coment�rios sem tanto stress. A SIC, e a RTP com os seus canais de not�cias poderiam fazer uma alternativa tranquila em que a informa��o fosse coada antes de nos ser dada �em bruto�. Eu n�o estou propriamente interessada em ver o Carmona aos beijos e abra�os (5 segundos bastam) e em seguir os passos de Teixeira Lopes para fazer declara��es (30 segundos das suas declara��es bastam).
10:56
(JPP)
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�O E OUTROS MEDIA ![]() Nas IND�STRIAS CULTURAIS uma an�lise das primeiras p�ginas dos jornais p�s-aut�rquicas: AS CAPAS DE JORNAIS DE HOJE. Tamb�m me pareceu bizarra, para n�o dizer outra coisa, a capa do P�blico, do "Rosa Choque". Os blogues, fonte de not�cias. � pelos blogues (no Acidental, por exemplo) que se segue melhor a oposi��o do sector "portista" � lideran�a do CDS e � candidatura de Cavaco Silva. J� n�o � de agora, � praticamente desde o dia em que Ribeiro e Castro ganhou no Congresso. Este � um caso em que , por n�o querer citar blogues, a comunica��o social tradicional n�o d� a informa��o que deve e � relevante. Certos sectores pol�ticos ou por marginalidade, ou porque os seus activistas privilegiam uma outra ecologia comunicacional, como os blogues ou a rede, s�o a� mais interessantes do que fora, no mundo dos �tomos. N�o percebo por que raz�o os media tradicionais n�o usam essas fontes sem preconceitos, tanto mais que est�o assinadas e identificadas. Um exemplo disso � a not�cia do P�blico de hoje intitulada "Cr�ticos de Ribeiro e Castro no CDS-PP defendem apoio a Cavaco Silva sob condi��es" que usa s� contactos do pr�prio jornal e n�o enquadra a informa��o obtida com posi��es muito mais expl�citas e compreensivas dispon�veis na rede e que , neste caso, ainda n�o passaram para os media cl�ssicos. * Vale a pena toda a excelente discuss�o das sondagens no Margens de Erro.
10:10
(JPP)
10:05
(JPP)
King and no King �Would it were anything but merely voice!� The No King cried who after that was King, Because he had not heard of anything That balanced with a word is more than noise; Yet Old Romance being kind, let him prevail Somewhere or somehow that I have forgot, Though he'd but cannon - Whereas we that had thought To have lit upon as clean and sweet a tale Have been defeated by that pledge you gave In momentary anger long ago; And I that have not your faith, how shall I know That in the blinding light beyond the grave We'll find so good a thing as that we have lost? The hourly kindness, the day's common speech, The habitual content of each with each When neither soul nor body has been crossed. (Yeats) * Bom dia! 10.10.05
20:57
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: RESTOS DA NOITE DAS AUT�RQUICAS ![]() Estranho n�o ver ningu�m comentar o uso da C�mara Municipal de Felgueiras para os festejos da candidata fujona. Parece-me ser uma estreia absoluta neste pa�s. (Nuno Salgado) * Est� bem, as coisas correram mal ontem... Estando em Bruxelas, n�o conhe�o exactamente as causas do problema e � evidente que elas devem ser investigadas. Mas parece-me exagero fazer do STAPE o bode expiat�rio de todos os males nacionais quando a verdade � que, em todos os anteriores actos eleitorais, pelo menos aqueles de que me lembro, as coisas correram, pelo contr�rio, bastante bem. Dizer que erraram e saber porqu�- muito bem! Mas n�o � necess�rio crucific�-los. E incomoda-me ouvir tanta gente a dizer, encolhendo os ombros �Mas este � o pa�s que temos!� N�o �; ou se �, n�o � por estas raz�es mas, tantas vezes, pelos coment�rios politicamente correctos e fastidiosamente previs�veis dos que criticam situa��es excepcionais e se esquecem de criticar outras em que a incompet�ncia �, n�o a excep��o, mas a regra geral quotidianamente aplicada! (Jos� Pedro Pessoa e Costa) * Pergunta-me o meu filho, na sua ingenuidade tecnol�gica, porque em Portugal n�o se vota electronicamente? Depois do que se passou hoje, n�o sei se lhe envio este e-mail, ou se lhe envio uma carta. (AM) * (...) gostaria de ver discutido o crit�rio que permitiu que na hierarquia dos temas a tratar durante a emiss�o de cobertura das elei��es aut�rquicas todos os energ�menos, mesmo os concorrentes a c�maras com n�mero de eleitores despiciendo, tenham surgido como �cabe�as de cartaz�, o que levou, por exemplo, a que tenhamos tido not�cias de Felgueiras antes das de Coimbra, Braga e muitas outras, quase todas !, capitais de distrito. (L�cia Maria) * Est�o todos os jornalistas a perguntar o porqu� dos �IND� obterem os resultados vitoriosos na noite de elei��es. � simples a resposta.. S� eles sabem a cobertura que lhes deram, o protagonismo, o tempo de antena, etc.., e n�o � de estranhar que dos quatro, apenas Ferreira Torres tenha perdido. Se tivessemos um contador para somar o tempo em que apareceram nos notici�rios os quatro candidatos �IND� na campanha eleitoral, viamos que foi Ferreira Torres que teve menos tempo com c�maras apontadas. Tamb�m � f�cil perceber que os candidatos �IND� ganharam notoriedade ao longo dos anos atrav�s dos respectivos partidos. E em elei��es aut�rquicas, � bom dizer que na verdade olhamos mais para o trabalho do Presidente(caso j� l� esteja h� algum tempo), do que para o partido que representa. Mas aqui o caso era simples. Esses �IND� s�o arguidos em processos e a RTP, pelo menos essa, devia ter dado menos aten��o a eles. Pires de Lima h� pouco na RTP teve muito bem ao dizer que Cascais n�o teve cobertura nenhuma, caso estranho visto ser o sexto Concelho do pa�s. Ganhou o sensacionalismo contra o respeito pela informa��o aos eleitores. (Bruno Marques Teixeira) * O pa�s que se v� H� semanas atr�s, durante a �poca de inc�ndios que devastaram grande parte da flora e fauna nacional, foi detida pela pol�cia uma senhora dos seus setenta e tal anos entre uma das dezenas de pessoas acusadas de incendi�rias. Sob a pergunta feita pelos jornalistas sobre o porqu� de tal ac��o, a resposta foi t�o simples como inesperada: �A minha aldeia nunca saiu na televis�o e gostava de a ver�. Dado o interesse dos meios de comunica��o social no drama dos fogos e a forma dram�tica muitas vezes quase teatrais que os seus mediadores infundiam � frente das c�maras, o incessante percorrer terras e aldeias na procura de fogos que satisfizesse a morbilidade doentia dos telespectadores, foi o detonante de um novo drama com a �nica finalidade de �aparecer� na televis�o. Assim foi cumprido um objectivo. Queimo e apare�o. Apare�o eu e os meus vizinhos. Um vizinho for�ando a cabe�a atr�s do locutor que relata a trag�dia, com um telem�vel no ouvido e ligado a um familiar ou amigo que lhe diz que o v� perfeitamente ou que se chegue mais para o lado. Este epis�dio passou-me como um d�j�-vu nas �ltimas elei��es aut�rquicas com alguns dos candidatos elegidos pelo povo e rejeitados pelos seus pr�prios partidos. Falo, sobre tudo, de Felgueiras. O tratamento dado pelos media a Felgueiras ultrapassa Concelhos e at� Distritos com uma import�ncia populacional muit�ssimo maior. Posso dar como exemplo Braga ou Viana do Castelo por me serem mais pr�ximos e sobre os quais quase nada ouvi, mas poderia falar de Coimbra, Faro ou todos os Distritos ou Concelhos do interior deste pa�s. E os votantes felgueirenses agradecem a visibilidade e agradecem, sobretudo, � sua respons�vel, o seu inc�ndio particular que movimenta as esta��es de r�dio e televis�o na sua vila, na sua aldeia. E ela aparece. Talvez se consiga vislumbrar a janela, a varanda, �meu Deus! at� a porta l� de casa!�. O prop�sito est� conseguido. Todo o pa�s conhece Felgueiras, Oeiras, Amarante e Gondomar. E o povo, o seu povo agradece a publicidade. Boa ou m�, n�o interessa. Outros deram visibilidade � sua terra de uma forma ou outra (Campelo em Ponte de Lima por exemplo) e os seus eleitores agradeceram. E continuar�o a agradecer. E os meios de comunica��o continuar�o a acompanhar os acontecimentos que talvez provoquem outros ou novos inc�ndios (Fernando Igreja) * Hoje, enquanto esperava para votar em Rio Tinto, Gondomar, obvervei uma situa��o bizarra: o candidato Valentim Loureiro passeava-se olimpicamente pelas assembleias de voto inquirindo como estava a decorrer o acto eleitoral, a conversar com as meninas das sondagens da RTP, cumprimentando as velhinas que faziam fila, etc. Informei-me e, de facto, � legal algu�m que seja reconhecido como lider partid�rio ou candidato visitar as assembleias de voto, mas eu pergunto: � leg�timo? N�o deveriam estas situa��es estarem acauteladas? (Nuno) * Perplexidade. N�o compreendo a raz�o pela qual tenho de entregar o meu boletim de voto ao presidente da mesa n�o podendo eu introduzi-lo na urna. Ser� que s� sou considerada Para votar? Ser� que o presidente da mesa � considerado uma pessoa �ntegra e eu n�o? Ent�o para que querem o meu voto? (Irene Correia)
18:32
(JPP)
BIBLIOFILIA: ANTIPASTI (3� s�rie) ![]() Os dois textos do Vasco s�o mais interessantes do que os de Cardoso Pires, que se repete no ef�mero dos artigos de jornal, embora algumas observa��es autobiogr�ficas de Pires retratem muito bem o "tempo" da sua leitura de Aquilino. Ambos se perguntam sobre o dilema de uma obra reconhecida por todos, mas pouco estudada e aparentemente s� comunicando com literatura regionalista menor. Vasco analisa bem o �mundo� social que Aquilino conhecia, onde se movia como ningu�m e como � cada vez menos leg�vel nos nossos dias o �festival da l�ngua portuguesa� que � A Casa Grande de Romarig�es. Eu, que sou amador de cita��es, registo uma de Aquilino, apropriada para os tempos de hoje, onde, em vez de Minho, se pode colocar o nome da Divis�o Maior onde vivemos: "A gente desta Casa, at� a altura em que chegaram os do meu sangue, tem as virtudes e os defeitos em inho, honradinho, bonzinho, marotinho, ladr�ozinho. � um c�vado especial para esta prov�ncia, cujo nome precisamente parece mesmo o eco de tais dimens�es." * Cardoso Pires explica porque raz�o nunca usava este t�tulo quando se dirigia a Aquilino: "Por pudor, nunca a tratei em vida por Mestre. Era um lugar-comum dos cavalheiros das letras cumprimentarem-no dessa maneira e eu n�o queria, nem quero, misturar-me com esses perus. Ele, que tinha sete sentidos e mais um, tamb�m n�o alinhava no mote e l� tinha as suas raz�es. Mestre. Poucos, rar�ssimos escritores foram t�o enaltecidos como Aquilino pelo lado f�cil da leitura ou pelo oportunismo insidioso. Salazar, que era de letras can�nicas e carn�voras, louvou-o (n�o sei se se lembram) pelas sedu��es cl�ssicas e rurais e passou palavra a alguns ministros que logo disseram que sim: no fundo, tratava-se dum republicano beir�o e de boa sintaxe, julgavam eles, nada a temer: imprimatur e siga a barco. Quanta a velhada conservadora, Aquilino era o Arcanjo Negro que tra�ava a pena de ouro o Portugal desmantelado pela mis�ria dos talassas e pelas orat�rias parlamentares: tratava-o como um S�o Malhadinhas de p�r na estante ao lado do seu Anatole e lia-o em caricatura de ca�ador da Serra da Nave, arma � bandoleira e l�bia grosso, s� instinto. Da malta nova nem vale a pena falar, pegava-lhe, se lhe pegava, a correr e com preconceito: Aquilino era prosa tel�rica e serrana. Um matagal." (Apoiando a tese do Vasco, sobre a nossa r�pida diminui��o do patrim�nio das palavras, o corrector ortogr�fico fica mais que perplexo com o vocabul�rio dos tr�s: Aquilino, Cardoso Pires e Vasco Gra�a Moura.)
17:47
(JPP)
BIBLIOFILIA: ANTIPASTI (2� s�rie) Em 1921, fazia um excelente blogue er�tico-umbiguista chamado Leviana. Aqui v�o (n�o tem liga��o) algumas notas, a que se chamam posts. Que te importa que eu olhe para eles com os olhos, se eu olho para ti com a boca?..
* Porque me decoto assim? Para te poupar trabalho... * Sabes? Quando descal�o as meias, parece-me que dispo a pele, que fico em carne viva... * N�o gosto que me beijes tanto. Fico toda picada... * Quando me visto para sair tenho a impress�o de que me dispo para me meter na cama... * Os sinais do meu corpo s�o como os sinais dos livros: servem para marcar a leitura. * Tenho a cabe�a leve? Porque a seguras nesse caso, com as duas m�os? * Se os teus dedos fossem l�pis, tinha o peito, a estas horas, garatujado de obscenidades - como uma parede de rua suja... * Gosto de olhar para todos, e que todos me vejam... Os meus sorrisos s�o prospectos que distribuo... * Est�s ent�o desejoso de dar o la�o? Olha... Ata-me a� a fita do sapato...
16:38
(JPP)
F�RIA, F�RIA �PICA ![]() J� n�o pode ser como as de Aquiles, mas � o que apetecia. F�ria � o sentimento que tenho com a EDP que, �s primeiras chuvas, � primeira trovoada, me deu cabo a mim e a muita gente de um dia �til de trabalho, demorando seis horas e meia a corrigir uma avaria da electricidade, t�o evidente, t�o previs�vel, - "l� vai faltar a luz outra vez", dito e feito -, t�o evit�vel... Num mundo ideal eu chegaria a um contador e carregaria num bot�o desligando a in�til EDP e ligando � �til ZDP, ou XDP, ou GDP, ou fosse l� o que fosse, se n�o houvesse este triste monop�lio de mau servi�o. Tivessem eles que pagar indemniza��es, ou descontar na assinatura e j� n�o demoravam seis horas e meia. E se virem o Abrupto calar-se outra vez, n�o � f�ria, � falta de luz. * Sugiro-lhe que aplaque os seus sentimentos porque: * Respire fundo... * Obrigado Ver�nica, muito devagar...
09:32
(JPP)
09:29
(JPP)
Se perguntarem: das artes do mundo? Se perguntarem: das artes do mundo? Das artes do mundo escolho a de ver cometas despenharem-se nas grandes massas de �gua: depois, as brasas pelos recantos, charcos entre elas. Quero na escurid�o revolvida pelas luzes ganhar baptismo, of�cio. Queimado nas orlas de fogo das po�as. O meu nome � esse. E os dias atravessam as noites at� aos outros dias, as noites caem dentro dos dias - e eu estudo astros desmoronados, mananciais, o segredo. (Herberto Helder) * Bom dia!
01:21
(JPP)
a seguir foi abaixo. As minhas desculpas a quem escreveu para o Abrupto e quem esperou em v�o. E foram muitos. 9.10.05
21:54
(JPP)
� como eu me sinto nestes momentos. Estou aqui numa bolha, a ver o mundo passar.
21:52
(JPP)
Quanto � vit�ria de Rui Rio, � preciso tamb�m levar em conta que ele teve sempre contra si os comentadores do Jornal de Not�cias e do P�blico. Por outro lado, teve um advers�rio de grande valor, que s� cometeu o erro (grave, do meu ponto de vista) de ir pedinchar o apoio de Pinto da Costa. Como portuense, fico muito satisfeito quer em ter Rui Rio como presidente da c�mara quer em ter Francisco Assis como vereador. (Jos� Carlos Santos)
21:44
(JPP)
� espantoso como os departamentos de inform�tica do STAPE n�o acautelam o previs�vel acr�scimo de acessos aos servidores numa noite destas. A somar a outras vergonhas, a digitaliza��o do pa�s � a grande derrotada desta noite. O resto era mais ou menos de prever, � excep��o da luz m�gica do progresso que chegou finalmente, e de uma s� vez, a Amarante e a Marco de Canavezes. (Vasco G.)
21:34
(JPP)
� pura e simplesmente insuport�vel. Esta mulher far� todo o mal que puder aos felgueirenses, com a colabora��o deles. Vai-se ver.
21:25
(JPP)
Pinto da Costa falhou. No balan�o do populismo em Lisboa e no Porto, houve derrotas significativas.
21:21
(JPP)
para Rio ter Assis como primeiro vereador do PS no Porto. Para quem conhe�a quem l� estava � uma diferen�a abissal.
21:07
(JPP)
que se registem algumas diferen�as: o PSD n�o fez o mesmo que o PS fez quando das elei��es europeias, sobre o significado em termos nacionais dos resultados. Isso n�o quer dizer que n�o haja esse significado...
21:03
(JPP)
Dizer que estes resultados eleitorais s�o uma manifesta��o da sabedoria popular, em alguns casos (Oeiras, Felgueiras, Gondomar) soa a ironia e ro�a o insulto. Ou ser� que nem s� de sabedoria se fazem as li��es do povo? (RM)
20:54
(JPP)
(...) em termos da inform�tica a noite corre mal. Nenhum site funciona. A sorte � que l� fora caem uns pingos. Ser� desta que a seca vai embora? (Henrique)
20:37
(JPP)
Que o PS perdeu em toda a linha n�o h� a menor d�vida: perdeu Lisboa, Porto e Sintra que eram as suas grandes apostas. Pelos vistos tamb�m perdeu o Barreiro, talvez Aveiro e o que mais se ver� pela noite fora. J� o PSD, mantendo Lisboa, Porto, Coimbra e Sintra, para al�m da presid�ncia da ANM, teria aparentemente ganho, mas o facto de ter perdido Oeiras para Isaltino, Gondomar para Valentim e Leiria com Damasceno, fora outros "desastres" menos medi�ticos, significa que tamb�m tem que se juntar ao clube dos perdedores. Ent�o quem ganhou afinal? Se o centr�o perdeu e se essa derrota tiver servido para que a pol�tica volte a ser o servi�o da "r�s p�bilca", ent�o ter� ganho o povo portugu�s, mesmo quando aparentemente escolheu mal, ao eleger os "candidatos proscritos". Mas a verdade � que o saber popular � muito maior do que lhes � reconhecido pelos pol�ticos que se legitimam com o voto desse povo: ao que parece o povo soube distinguir entre Felgueiras e F.Torres, tal como distinguiu entre I.Morais e I.Damasceno. Quem n�o soube ver as diferen�as foram as direc��es partid�rias e os midia que tudo fizeram para meter todos no mesmo saco. Resta saber se esta li��o popular que foi a elei��o de "alguns candidatos bandidos" (como lhes chamou o �justicialista Lou��) e a rejei��o de outros, � percebida pelos direct�rios partid�rios, ou se vamos continuando alegremente para a instaura��o da IV Rep�blica. (Francisco Santos)
20:03
(JPP)
Presente nas campanhas de Valentim Loureiro (total), Isaltino (em menor grau), F�tima Felgueiras (total), Francisco Lou�� (total). H� outras de certeza, mas estas foram as mais evidentes.
19:42
(JPP)
a fazer a an�lise mais sect�ria de todos os representantes partid�rios. Criticar o PSD por ter perdido Oeiras e Gondomar, vindo de algu�m do BE, � politicamente pouco aceit�vel. Vou dizer-lhe no intervalo.
19:15
(JPP)
As primeiras projec��es indicam uma diminui��o da absten��o em rela��o �s �ltimas elei��es aut�rquicas. Eu pr�prio fui votar mas fui com um n� na garganta: o an�ncio da Comiss�o Nacional de Elei��es em que me era dito par "por na minha cabe�a" que hoje era dia de elei��es dava-me vontade de o n�o fazer. A arrog�ncia manifestada pela CNE em todas as elei��es tratando os abstencionistas como uns pregui�osos ou desertores dos seus "deveres c�vicos" leva-me a ter vontade de n�o votar. Nunca gostei de ser pressionado e acho que a liberdade serve tamb�m para me manifestar contra a classe pol�tica atrav�s da absten��o. J� me abstive em v�rias elei��es e tenho o direito de n�o ser considerado um cidad�o de segunda. � tempo de os pol�ticos entenderem que a absten��o pode significar uma rejei��o a toda uma classe cada vez mais dissociada da sociedade onde se insere. Acresce que o baixo n�vel apresentado por alguns candidatos durante a campanha e os casos de F�tima Felgueiras, Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres e Valentim Loureiro n�o abonam nada a favor da valoriza��o dos pol�ticos. � tempo de a CNE perceber que s� vota quem quer, que quem n�o quer n�o se diminui por causa disso e que a CNE pode por os seus an�ncios onde bem entender. (Jorge Fernandes)
19:03
(JPP)
H� dois aspectos a destacar destes resultados: -Nas grandes cidades a direita � maiorit�ria, Em Lisboa especialmente esta viragem � importante. -Nos concelhos "medi�ticos", as pessoas n�o votam nos partidos, votam nas cliques e nos interesses instalados. Num certo sentido a vit�ria duma F�tima Felgueiras ou dum Valentim Loureiro n�o passa dum manifesto do tipo "para l� do Mar�o mandam os que l� est�o" que exprime um desprezo tradicional pelo governo central com poder centralizado nas grandes cidades (leia-se Lisboa). Nada disto � novo, j� anda por a� desde o sec. XIX pelo menos. (Rui Silva)
18:47
(JPP)
(...) o que deve estar atafulhado em informa��o, em mensagens, em an�lises. gostaria, apenas, que questionasse as pessoas, os jornalistas, que o rodeiam por que � que Braga -n�o � por ser a terceira cidade do pa�s � por isso e muito mais, � por ser a terceira cidade do pa�s- passa t�o despercebida? N�o, n�o � querer as c�maras de tv. N�o, n�o � isso. Isso seria muito redutor. Porqu�? Logo este ano que pode acontecer algo de novo, � semelhan�a do que aconteceu no Porto h� cinco anos. (Luis Miguel Dias)
18:44
(JPP)
V�rios temas tem dominado a campanha eleitoral. Em todo o caso, limitar a realidade portuguesa a Felgueiras, Oeiras, Gondomar... � uma vis�o m�ope dos Org�os de Comunica��o Social... Pelo menos, uma vantagem... demonstrou aos �urbanos� que Portugal n�o se resume a Lisboa e Porto. Mas, quais as verdadeiras consequ�ncias destes casos ? Os resultados eleitorais nestas cidades dar�o as respostas ? (Miguel Oliveira)
18:37
(JPP)
�s cidades de que se tem falado pouco: Santar�m, Braga, Leiria, Barreiro, Vila do Conde, Aveiro, etc.
18:35
(JPP)
As sondagens n�o s�o pura virtualidade, nem s�o a realidade. Quando se tem que comentar sondagens como se fossem resultados, h� demasiados perigos. Vamos ver como corre.
18:28
(JPP)
directamente dos est�dios da SIC. N�o sei se consigo, se resulta, se pode ser cuidado. Vamos ver. Coment�rios enviados para o correio do Abrupto entrar�o em linha em tempo pr�ximo do real.
14:35
(JPP)
BIBLIOFILIA: ANTIPASTI A gente (�a gente�, maravilhosa express�o a que muito me afei�oei, frase que j� n�o se usa), a gente, de vez em quando, abre uns livros que parecem todos de circunst�ncia. Ou para n�o ser lidos, ou para arrumar, ou para ver se s�o repetidos. As tradu��es s�o m�s, as edi��es s�o p�ssimas, as capas sinistras, o conte�do n�o parece muito atractivo. Mas livros s�o livros, trazem uns ganchinhos como os �tomos eram representados antigamente, prendidos uns aos outros por ganchinhos, oxig�nio ligado por dois ganchinhos a dois �tomos de hidrog�nio e vice-versa. Eu, que detesto diminutivos, aqui n�o lhe consigo chamar ganchos. Pois �, os livros s�o assim e n�o consigo de deixar de folhe�-los, antes da sua entrada na ordeira estante. Como se fossem fragmentos de antipasti, n�o h� nenhum que n�o deixe um rasto, um ganchinho. Alguns antipasti desta manh� c�vica: ![]() ![]() Cristo ainda por c� anda, mas j� n�o h� exemplos nem do cura nem do estalinista. Este mundo acabou, e j� n�o se l� Guareschi. O dr. Portas j� n�o deve ter lido nenhum deles, nem que fosse em mem�ria da democracia-crist�, que padres como D. Camilo fizeram em It�lia. J� n�o estou certo que Cunhal (ou at� Jer�nimo de Sousa) n�o tenham lido um dos livrinhos da saga, que acabavam por ser mais �teis aos comunistas, desdramatizando-os, do que aos padres, bem mais antigos na terra. Mas o meu antipasti matinal foi o pref�cio de Guareschi intitulado �Duas palavras a explicar a pequenez do �Pequeno Mundo�, e que come�a assim: �Quando era rapaz novo escrevia cr�nicas num jornal e todo o dia girava, de bicicleta, � procura de factos reais para narrar. Depois conheci uma rapariga; e como passava os dias a imaginar o que ela faria se eu me tornasse imperador do M�xico ou se morresse, � noite, para encher a minha p�gina, tinha de inventar o assunto da cr�nica; mas afinal, os factos inventados agradavam imenso ao p�blico, por serem ainda mais veros�meis que os verdadeiros�. Come�a bem, no �mago do jornalismo moderno. Depois continua: �No meu vocabul�rio devo ter hoje, mais ou menos, umas duzentas palavras: s�o precisamente as mesmas com que ent�o contava a aventura do velhote atropelado pelo ciclista ou daquela dona de casa que ficou sem meio dedo ao descascar batatas�� A seguir entra no �mondo piccolo�. As suas hist�rias pretendiam traduzir o mundo pol�tico italiano entre Dezembro de 1946 e Dezembro de 1947. Ele n�o o diz, mas os italianos tinham vindo de uma cruel guerra civil, fascistas e comunistas tinham-se morto nos �ltimos anos com grande convic��o e viol�ncia. No ano das suas hist�rias, essa guerra civil ainda continuava de forma larvar no continente e aberta na Sic�lia. As comunidades estavam feridas pelo conflito fratricida, da� o sucesso italiano do par do �mondo piccolo�, o padre e o comunista. Mas Guareschi neste texto, escrito anos depois, volta-se para a terra, a sua terra, e aqui um leitor dos dias de hoje compreende um pouco mais aquilo que nos parece um del�rio de Bossi, a Pad�nia. Guareschi faz um paneg�rico sentimental da plan�cie paduana e do seu rio P�. O P�, o ��nico rio respeit�vel que existe em It�lia. Todos os rios que se respeitam se alargam em plan�cie, pois a �gua fez-se para se manter horizontal, e s� quando assim se mant�m conserva integralmente a sua dignidade.� Eu sou de outra escola de rios, personificada pelo Douro, que rasga desde Espanha tudo por onde passa e, mesmo meio domado por barragens, chega � Foz suficientemente perigoso para se impor ao respeito. Rio �digno�, mais do que o Tejo, o nosso P�, que acaba num mar �de palha�. Est� bem... no esp�rito de Peppone e D. Camilo, n�o vou agora discutir "dignidades" dos rios. (Continua)
10:13
(JPP)
ESTA��ES (ESPERO�) ![]() O c�u est� todo uma �nica nuvem cinzenta. Parece que vai chover, finalmente. Guardo as cadeiras de lona do jardim, desligo a rega autom�tica, desato os n�s das almofadas, verifico se os furos de escoamento das janelas est�o desimpedidos, varro as folhas dos loureiros, olho para os telhados onde uma tardia flor violeta continua persistente, fora da esta��o, Ficar�, como mem�ria. Aquele algeroz ser� suspeito de n�o se comportar � altura. Quando a �gua cair, ter� os seus caminhos, ter� os meus caminhos. Duvido que os siga.
10:01
(JPP)
COISAS COMPLICADAS ![]() Paul Gauguin, Flores diante de uma janela aberta sobre o mar pintado nas costas de ![]()
09:52
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS 619: "N�O QUERO A NAU CATRINETA / QUE A N�O SEI GOVERNAR" Nau Catrineta L� vem a Nau Catrineta Que tem muito que contar! Ouvide agora, senhores, Uma hist�ria de pasmar. Passava mais de ano e dia Que iam na volta do mar, J� n�o tinham que comer, J� n�o tinham que manjar. Deitaram sola de molho Para o outro dia jantar; Mas a sola era t�o rija, Que a n�o puderam tragar. Deitaram sortes � ventura Qual se havia de matar; Logo foi cair a sorte No capit�o general. - "Sobe, sobe, marujinho, �quele mastro real, V� se v�s terras de Espanha, As praias de Portugal!" - "N�o vejo terras de Espanha, Nem praias de Portugal; Vejo sete espadas nuas Que est�o para te matar." - "Acima, acima, gageiro, Acima ao tope real! Olha se enxergas Espanha, Areias de Portugal!" - "Alv�ssaras, capit�o, Meu capit�o general! J� vejo terras de Espanha, Areias de Portugal!" Mais enxergo tr�s meninas, Debaixo de um laranjal: Uma sentada a coser, Outra na roca a fiar, A mais formosa de todas Est� no meio a chorar." - "Todas tr�s s�o minhas filhas, Oh! quem mas dera abra�ar! A mais formosa de todas Contigo a hei-se casar." - "A vossa filha n�o quero, Que vos custou a criar." - "Dar-te-ei tanto dinheiro Que o n�o possas contar." - "N�o quero o vosso dinheiro Pois vos custou a ganhar." - "Dou-te o meu cavalo branco, Que nunca houve outro igual." - "Guardai o vosso cavalo, Que vos custou a ensinar." - "Dar-te-ei a Catrineta, Para nela navegar." - "N�o quero a Nau Catrineta, Que a n�o sei governar." - "Que queres tu, meu gageiro, Que alv�ssaras te hei-de dar?" - "Capit�o, quero a tua alma, Para comigo a levar!" - "Renego de ti, dem�nio, Que me estavas a tentar! A minha alma � s� de Deus; O corpo dou eu ao mar." Tomou-o um anjo nos bra�os, N�o no deixou afogar. Deu um estouro o dem�nio, Acalmaram vento e mar; E � noite a Nau Catrineta Estava em terra a varar. (Almeida Garrett, Romanceiro) * Bom dia! 8.10.05
12:10
(JPP)
da "casa de Anselmo Braancamp" e de todos que a habitavam. Soma mais uma sombra a essa mem�ria, ou, se calhar, uma luz.
11:19
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() William Eggleston, Untitled (Greenwood, Mississippi)
11:12
(JPP)
Tattoo The light is like a spider. It crawls over the water. It crawls over the edges of the snow. It crawls under your eyelids And spreads its webs there� Its two webs. The webs of your eyes Are fastened To the flesh and bones of you As to rafters or grass. There are filaments of your eyes On the surface of the water And in the edges of the snow. (Wallace Stevens) * Bom dia! 7.10.05
12:15
(JPP)
SOBRE AS MICRO-CAUSAS NOS BLOGUES ![]() H� uma coisa que a comunica��o social fora da rede ainda n�o percebeu, ou n�o quer perceber. � que n�o vale a pena fazer de conta que certas quest�es levantadas pelos blogues, quando s�o sensatas, favorecem o espa�o p�blico, e implicam uma exig�ncia leg�tima de esclarecimento, desaparecem por si. � completamente contraproducente, e s� amplia o significado da causa, por micro que seja, ignor�-las. Podem dizer que s� uma pequena minoria das pessoas que l� jornais, l� os blogues. � verdade. Mas as pessoas que os l�em est�o no centro da opini�o que conta e s�o multiplicadores naturais. Uma micro-causa com sentido funciona como um v�rus, e, ou h� rem�dio e o v�rus morre, ou a infec��o gera um novo estado de coisas, um novo pool gen�tico, por elimina��o. A comunica��o social tradicional j� n�o controla sozinha o debate p�blico, cada vez mais � a simbiose entre os diferentes modos de comunicar (incluindo os blogues, mas n�o s�) que conta. Viu-se com a OTA (e se calhar ainda se vai ver mais se o governo n�o cumprir a promessa, ou a montanha parir o "rid�culo ratinho" da f�bula) e v�-se com a exig�ncia de esclarecimento ao P�blico. Meus caros jornalistas, sejam bem-vindos ao admir�vel mundo novo do alargamento do espa�o p�blico. Apesar de todos os seus defeitos, os pol�ticos j� l� estavam. Contra a sua vontade, mas � assim que as coisas mudam. Para todos.
10:42
(JPP)
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: CONVERSA DE PROMETEU COM OS AN�IS ![]() Prometeu, passando pelos an�is, deixando marcas. Os an�is dizem: tu rasgas-nos de todas as vezes que passas. Prometeu responde: s� se for com as minhas correntes, porque estou preso � vossa poeira. Os an�is: n�s mudamos, todas as vezes que passas por n�s. Prometeu: e eu n�o fico na mesma. Saturno: o Tempo, meu pai, o dir�. Dir�?
09:56
(JPP)
O POPULISMO JUSTICIALISTA ![]() Passou em Portugal do PRD, para Manuel S�rgio, deste para Paulo Portas, e veio desaguar em Lou��. Nenhuma campanha foi mais claramente populista e justicialista do que a de Lou�a no BE nestas elei��es. As suas interven��es s�o t�o parecidas com as do Portas pr�-Moderna, que, se fossem sobrepostas, o �som� era o mesmo. Portas (antes) e Lou�� (agora) sabem que o papel que representam rende votos, e � por isso que estes dois partid�rios do cinismo em pol�tica o usam. Ao lado deles, Santana Lopes era um populista muito mais saud�vel, porque se sabia pecador e n�o era t�o c�nico. Portas e Lou�� sabem tamb�m que poucas coisas bloqueiam mais a mudan�a e a sa�da de Portugal do seu atraso, do que este discurso. Por isso, a campanha do BE, personalizada em Lou��, deveria ter provocado a maior das urtic�rias se houvesse uma esquerda ideologicamente s�lida em Portugal. Como n�o h�, continua tudo alegre e contente. H�, ainda h� outra coisa que deveriam saber, mas como s�o arrogantes, fazem de conta que n�o � com eles. � que este populismo justicialista cai sempre em cima da cabe�a dos seus autores.
09:32
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() Sylvie Fleury, Naughty but nice
09:23
(JPP)
El Hombre It�s a strange courage you give me ancient star: Shine alone in the sunrise toward which you lend no part! (William Carlos Williams) * Bom dia! 6.10.05
17:47
(JPP)
COISAS DA S�BADO: TEXTOS ESQUECIDOS ![]() � o caso destas mem�rias alem�s do Visconde do Porto da Cruz, um adepto do Nacional-Socialismo, palestrante aos microfones da R�dio Berlim, admirador do povo alem�o, anti-semita, que assistiu em Berlim e em Munique aos �ltimos dias do Reich e aos primeiros meses de ocupa��o, e nos d� um testemunho em que se misturam recorda��es pessoais, boatos, opini�es, anedotas e incidentes. O Visconde publicou o seu livro logo a seguir, em 1946, com elogios � heroicidade de Goebbels, manifestada entre outras coisas no seu suic�dio e da mulher, matando os cinco filhos, na Chancelaria, na solu��o soft do �problema judeu� com o envio dos judeus para Madag�scar, a "limpeza" de Berlim dos comunistas feita por Goebbels e a reconstitui��o do PC Alem�o com antigos nacionais-socialistas. O Visconde tamb�m relata alguns epis�dios retratando as vicissitudes de um n�o-ariano, um portugu�s, na Alemanha nazi dos �ltimos dias.
12:33
(JPP)
MUITO, MUITO PREOCUPANTE 2 ![]() A invers�o do �nus da prova conduziria, num pa�s como Portugal onde a administra��o p�blica, incluindo a m�quina fiscal e as pol�cias, est�o muito politizadas, � discricionariedade dessa exig�ncia de prova, tornando-a numa arma pol�tica que nenhum governo deixaria de usar. Basta s� parar para pensar no que j� acontece, para se poder antever com elevado grau de certeza a poderosa arma que vai ser colocada ao servi�o do abuso dos governos. � muito, muito preocupante. * As vezes penso que JPP exagera nas suas preocupa��es regulares sobre os danos que o Estado e a organiza��o da sociedade moderna causam na privacidade.Esta proposta do Presidente da Rep�blica, se transformada em lei, seria tr�gica. N�o � s� por poder ser usada como instrumento pol�tico. � que n�s n�o temos um sistema judicial que, em tempo �til, elimine as injusti�as e determine a indemniza��o dos danos. Eu aceito o Estado fiscal, o Estado em que a igualdade fiscal � um dogma infrang�vel, em que h� fiscaliza��o e penas pesadas para os que n�o cumprem, atentando assim contra a igualdade e a subsist�ncia do pr�prio Estado social. Mas aceito-o apenas porque tenho bons e eficazes instrumentos para me defender. Num Pa�s onde a pend�ncia m�dia das impugna��es e execu��es � de 7 a 10 anos, onde a Administra��o demora mais de dois anos em m�dia a responder �s reclama��es dos contribuintes, a sugest�o do PR s� criaria arb�trio e preju�zo para os mais fracos. * Em conversa com colegas de trabalho, a resposta que me deram quando disse n�o concordar com a invers�o do onus da prova foi: "Quem n�o deve n�o teme!!!" * Concordo com a exposi��o feita no Abrupto relativamente � invers�o do �nus da prova sugerida pelo Presidente da Rep�blica, mas n�o foi esta a �nica fonte de preocupa��o que encontrei. A forma redutora como s�o encarados os direitos de cidadania, a rela��o entre cidad�os e Estado e o pr�prio papel dos partidos pol�ticos, aparentemente � aceite como uma inevitabilidade, uma esp�cie de destino fatal que ocasionalmente se recorda sem nunca contrariar. * A medida de combate � corrup��o e fraude fiscal proposta pelo Presidente, precisamente no dia 5 de Outubro, � a ginja em cima do bolo passado de prazo que foi todo o seu segundo mandato. Ningu�m o diz, mas a crise do sistema democr�tico de que todos se queixam, passa tamb�m pelo exerc�cio do seu "magist�rio de influ�ncia", em especial nos �ltimos 5 anos, onde desde falar por recados nos jornais at� dissolver parlamentos em c�mara lenta para que aprovasssem or�amentos "falsos", tudo valeu, sem que, de tal, resultasse qualquer m�cula no prest�gio presidencial. * Cumpre � Administra��o, que representa o Estado. nas suas diferentes vertentes, no que diz respeito a eventuais anomalias no comportamento do cidad�o, detectar, analisar e actuar, propondo correc��es �s anomalias detectadas do cidad�o perante o Estado e, sempre bem fundamentadas.
10:08
(JPP)
Actualizadaa as notas MUITO, MUITO PREOCUPANTE e O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VENTO, VENTO, VENTO. * Sobre a mesma mat�ria reproduzo uma nota que escrevi h� semanas na S�bado: A MELHOR MANEIRA DE FAZER PASSAR MEDIDAS INTRUSIVAS DA NOSSA PRIVACIDADE A melhor maneira de fazer passar medidas intrusivas da nossa privacidade ou mesmo dos nossos direitos � nunca as associar � luta antiterrorista. Se tal for feito � certo e sabido que h� um verdadeiro levantamento c�vico explicando-nos que ao tom�-las estamos a deixar os terroristas ganhar a guerra. N�o. A melhor maneira � outra, � associ�-las � maior efic�cia do estado, a uma �racionaliza��o� qualquer do funcionamento da burocracia, como seja este chip que � suposto terem os autom�veis, ou o cart�o �nico, que serve de Bilhete de identidade, n�mero de contribuinte, e da seguran�a social, etc. Mas h� uma maneira ainda mais perfeita, absolutamente perfeita de fazer passar medidas mesmo no limite dos nossos direitos, com o aplauso de toda a esquerda tradicional e radical, que ai aceita tudo, toda a espionagem da vida privada: � associar essas medidas ao fisco, com o pretexto do combate � fraude fiscal. A� aceita-se tudo. Um governo que queira tomar algumas medidas de vigil�ncia sobre os seus cidad�os, por boas ou m�s raz�es, tem a� a receita milagrosa - apresenta-as como medidas de combate � fraude fiscal. Ser�o aplaudidas. Ningu�m ter� a coragem de gritar pelos seus direitos ofendidos, sem ser linchado como um enganador do fisco.
08:48
(JPP)
COISAS SIMPLES
![]() Norman Rockwell, The Right to Know
08:35
(JPP)
Os para�sos artificiais Na minha terra, n�o h� terra, h� ruas; mesmo as colinas s�o de pr�dios altos com renda muito mais alta. Na minha terra, n�o h� �rvores nem flores. As flores, t�o escassas, dos jardins mudam ao m�s, e a C�mara tem m�quinas especial�ssimas para desenraizar as �rvores. O c�ntico das aves � n�o h� c�nticos, mas s� can�rios de 3� andar e papagaios de 5�. E a m�sica do vento � frio nos pardieiros. Na minha terra, por�m, n�o h� pardieiros, que s�o todos na P�rsia ou na China, ou em pa�ses inef�veis. A minha terra n�o � inef�vel. A vida na minha terra � que � inef�vel. Inef�vel � o que n�o pode ser dito. (Jorge de Sena) * Bom dia!
00:12
(JPP)
MUITO, MUITO PREOCUPANTE ![]() � a eros�o de direitos fundamentais que se est� a dar a pretexto da luta contra a corrup��o e a evas�o fiscal, contida em propostas como a que o Presidente da Rep�blica fez hoje sobre a invers�o do �nus da prova. Empurrado pelo populismo, pela vis�o jacobina e socializante, procura-se, com a diminui��o de direitos fundamentais, esconder a incapacidade de ter um sistema eficaz de combate � criminalidade e � evas�o fiscal. Muito, muito preocupante. PS. - Passou tamb�m sem grande pol�mica a possibilidade da pol�cia de tr�nsito utilizar as c�maras da Brisa para vigiar os automobilistas... * (...) no Canad� n�o foi permitido ao governo colocar c�maras nas auto estradas. * Jos� Pacheco Pereira tem sido dos poucos que tem alertado para vaga de intromiss�es do Estado na vida privada baseadas nos argumentos da "seguran�a rodovi�ria", do "crime econ�mico e da corrup��o" e sobretudo do "combate � evas�o fiscal". 5.10.05
22:04
(JPP)
De salientar em primeiro lugar que em Portugal os "parques e�licos" n�o s�o parques, no sentido que se d� � express�o noutros pa�ses europeus. S�o moinhos mais ou menos isolados, espalhados pela paisagem, inevitavelmente nos pontos mais altos e mais vis�veis, pois s�o os lugares com mais vento. Se as verdadeiras florestas de moinhos que se v�em noutros pa�ses s�o mais ou menos feias do que estes nossos moinhos, n�o sei dizer. Devo confessar que eu gosto dos moinhos, sejam eles antigos ou modernos. Se h� quinhentos ou seiscentos anos existissem blogs, provavelmente algu�m teria protestado contra o elevado n�mero de moinhos de vento na peninsula ib�rica, e (se os protestos tivessem �xito) o heroi de Cervantes teria que arranjar outros inimigos. Acho que daqui a cem ou duzentos anos estas "e�licas" ser�o consideradas muito rom�nticas, e (quem sabe?) algu�m entre n�s j� est� a escrever um romance em que as "e�licas" t�m um papel fulcral ... N�o lhe apaguem o assunto da paisagem, por favor ! (Cristian Barbarosie) * Num dos seus �ltimos blogues (j� anteriormente se tinha referido ao assunto), lamenta a polui��o paisag�stica provocada pela instala��o dos geradores e�licos. Referiu, a prop�sito, o gerador colocado ao lado dos "cornos do Barroso". A localiza��o do gerador tamb�m me chocou pois, embora lisboeta, desde adolescente que conhe�o (e percorri a p�) algumas das aldeias do Barroso, pelo que fiquei sentimentalmente ligado �quela regi�o e a Tr�s-os-Montes em geral. Por�m, n�o me parece exacto que n�o haja ambientalistas a protestar contra a desfigura��o da paisagem pelas centrais e�licas. J� li prorestos desses (n�o ultimamente, embora) e em que se referiam � perturba��o causada pelo ruido e ao mortic�nio das aves apanhadas pelas p�s. Bom, se estivermos dentro de um autom�vel com os vidros fechados, n�o se houve nada. Al�m disso, ningu�m vive no alto dos montes para que possa ouvir o o ruido. E que dizer das instala��es sonoras que t�m sido instaladas em quase todas as igrejas das nossas aldeias (n�o s�o os sinos!) e que em altos gritos espalham ruido por montes e vales? Quanto � morte das avezinhas, seria de esperar montes de cad�veres e de penas de aves por baixo dos geradores. Nem v�-los. Poder� pensar que sou um incondicional defensor do e�lico. N�o sou (no presente enquadramento econ�mico). O que se passa � que o pre�o pelo qual � vendida a energia el�ctrica produzida � fixado administrativamente (por decreto) e n�o decorrente dos jogos de mercado, em competi��o com outras formas de produ��o. Dado que o pre�o fixado � altamente vantajoso, toda a gente quer instalar e�licas, mesmo em zonas em que a produtibilidade n�o � grande coisa. Este neg�cio chorudo e sem riscos tamb�m interessa �s autarquias que cobram uma percentagem. Mas a hist�ria n�o fica por aqui. Quando n�o h� vento, as e�licas n�o produzem nada, e com vento fraco produzem bastante abaixo da sua pot�ncia nominal. O que significa que ter� que haver outras centrais el�ctricas que produzam o que as e�licas n�o conseguem produzir por n�o haver vento. Essas outras centrais, se forem t�rmicas, ter�o que estar sempre "quentes" para que possam arrancar suficientemente depressa e compensar o abaixamento de pot�ncia das e�licas, o que significa consumo de combust�veis (e respectivos custos e polui��o). As centrais de compensa��o adequadas s�o as h�dricas de albufeira cuja tomada de carga � r�pida e n�o consomem combust�veis. Mas, quer umas quer outras, exigem investimentos, que s�o s�o justific�veis de per si mas como necessidade da instala��o das e�licas. Logicamente, esses custos de investimento adicionais dever�o ser tidos em conta quando se fala da energia e�lica. Tudo isto significa que a economia da produ��o de energia el�ctrica tem que ser analisada tendo em conta o conjunto de todas as centrais produtoras e n�o cada uma isoladamente. A satisfa��o do consumo de energia tamb�m � uma responsabilidade global. Quanto � defesa do ambiente (e, sobretudo, � redu��o da nossa depend�ncia energ�tica) � obviamente �til aproveitar todas as fontes de energia nacionais e, particularmente, as renov�veis e n�o poluentes. Mas, e aqui v�m os ambientalistas, continuam estes a protestar energicamente contra as centrais de albufeira (Foz C�a, Baixo Sabor, etc), como se n�o se tratasse de uma energia n�o poluente e renov�vel. Os efeitos para a paisagem ser�o sempre de contrapor ao efeito que a queima de combust�veis produz. Se a produ��o de CO2 agravar significativamente o aquecimento da Terra, aquilo que n�o se perder por n�o se construirem centrais h�dricas ou e�licas, acabar� por se perder devido � seca. Mas n�o se use o argumento ambiental para justificar negociatas. (Ant�nio Tavares Pires) * Como refere e bem no seu �post� os parques e�licos proliferam hoje como cogumelos em Portugal, aparecendo em todos os cabe�os de todas as serras. Esta � uma realidade que n�o acontece pela bondade ecol�gica dos investidores, mas �nica e exclusivamente pelas contrapartidas financeiras existentes para todos os intervenientes: para as empresas que para al�m de beneficiarem de apoios � constru��o das infra-estruturas, recebem tamb�m um subs�dio pela produ��o da �energia verde�; para os propriet�rios dos terrenos, quer sejam eles privados quer sejam comiss�es de baldios, que assim recebem uma renda, muitas vezes elevada pelo arrendamento de terrenos que de outra forma n�o gerariam qualquer valia; para as autarquias que muitas vezes entram no neg�cio integrando as sociedades de explora��o criadas. Em territ�rios deprimidos, carenciados, esta nova realidade � uma esp�cie de �el dorado�, uma fonte de riqueza que ningu�m negligencia ou desperdi�a. As altera��es profundas que estas infra-estruturas geram na paisagem (e n�o s�o s� os aero-geradores, s�o tamb�m os acessos que s�o rasgados e as linhas de transporte de energia que s�o constru�das), n�o s�o tidas em conta nem por decisores, nem pelas popula��es. S�o at� muitas vezes aplaudidas! A paisagem n�o � por enquanto (e n�o sei se algum dia o ser�) um recurso a preservar. � um bem intang�vel, analis�vel subjectivamente, que no nosso pa�s ainda n�o � valorizado nem intr�nseca nem extrinsecamente. Se perguntar a qualquer autarca do interior do pa�s quais s�o as �reas de neg�cio que ele entende serem as alavancas para o desenvolvimento do seu concelho, ter� respostas diversas, mas com toda a certeza o �turismo� ser� uma delas. Esquecem-se contudo que o turismo tamb�m se desenvolve em torno do �produto paisagem�, e n�o apenas em torno da gastronomia, do patrim�nio constru�do, etc. Mas se a esse mesmo autarca for proposta a constru��o dum parque e�lico, n�o haver� hesita��es, ser� aprovada, com o aplauso dos seus mun�cipes. Incongru�ncia de um pa�s que apesar de tudo o que se diz e faz tem recursos para competir internacionalmente com outros pa�ses, por exemplo no sector tur�stico, mas que n�o tem depois os habitantes que o permitam. (Ant�nio de Campos) * Embora concorde que a instala��o dos equipamentos de capta��o de energia e�lica deveria ser objecto de estudos de impacte ambiental e de projectos paisag�sticos, � imagem do que j� vi acontecer noutros locais, atrav�s da promo��o de concursos de arquitectura paisagista, por exemplo, sei tamb�m que o mundo real, em especial o portugu�s, est� muito longe da perfei��o e que, provavelmente, se houvesse lugar a esses estudos e projectos (que, mais uma vez, defendo) eles seriam sempre "adaptados" �s conveni�ncias do "lobby" em quest�o e serviriam apenas para mais alguns "pr�ximos" do "lobby" ou, pior, dos "pr�ximos" dos "poderes instalados", beneficiarem com o "neg�cio". Portanto, entre as op��es "mal e depressa" e "um dia, quem sabe..." (depois de estudos e contra-estudos e de concursos e concursos contestados e impugnados), talvez a primeira op��o seja a mais v�lida, infelizmente. J� para n�o questionar a adop��o de pol�ticas que favorecem a solu��o e�lica em detrimento da solar, num pa�s quase sem vento (quando comparado com o resto da Europa) mas, em compensa��o, com muitas mais horas de sol por ano (quando comparado com o resto da Europa). Como disse uma antigo Ministro da Energia, do tempo de Cavaco, �s pessoas ligadas aos sistemas solares: "Meus amigos, organizem-se!". Isto sim, � polui��o visual. E dinheiro deitado � rua. O nosso dinheiro. PC * Ouvi recentemente dizer ao administrador de uma das empresas que produzem energia e�lica o seguinte: "alinhados, os aerogeradores que ainda falta construir em Portugal, seriam uma linha com 600km de comprimento". Em Janeiro vai a concurso o triplicar da situa��o actual (da pot�ncia actual ainda n�o se construiram todos os parques), imagine-se ent�o que cumeadas de serra com altitude acima de 700m ficar�o livres. Uma preocupa��o: porque n�o desenhou o Administra��o P�blica o mapa da localiza��o dos parques e�licos? N�o seria sua compet�ncia faz�-lo? Minist�rios do Ambiente reaccion�rios (de s� agirem em reac��o aos problemas) s�o muito ineficazes e n�o nos evitam algumas asneiras. As condicionantes � localiza��o at� s�o simples: disponibilidade de pontos de entrega da electricidade na rede, vento, inexist�ncia de outras condicionantes do ordenamento do territ�rio... Uma curiosidade (que julgo n�o ser falsa e, se bem me lembro, � dita nos Guias de Portugal do Raul Proen�a): A Regi�o do Oeste apresenta a maior densidade de moinhos da Europa (do Mundo?). Quem conhece a estrada de Madrid a Sarago�a sabe que, a�, o recorde do Oeste foi amplamente batido... As tecnologias da EE eram h� pouco tempo muito mais impactantes na paisagem, hoje faz-se mais electricidade/moinho, e, dentro de 30 anos, parece que os moinhos ser�o removidos. Trata-se de uma solu��o de recurso para as nossas necessidades energ�ticas. Interessou-me a ideia (ouvi-a tamb�m aquele administrador) de ser poss�vel construir um megaMEGA parque e�lico no Mar do Norte, uma esp�cie de seara de moinhos, com o objectivo de dotar toda a Europa de energia el�ctrica...N�o se justificar� o medo de ver a Terra sair de �rbita por for�a de tanta h�lice a rodar. (A. Carvalho) 4.10.05
11:41
(JPP)
NOTAS TRANSMONTANAS: A CAMINHO DO "CALIPSO" 1. A caminho do �calipso�, como ouvi chamar ao eclipse. �Vai ver o calipso?� Vou, vou. 2. Fique j� esclarecido que nada me move contra as energias renov�veis, cujos m�ritos s�o imensos. Compreendo que algum sacrif�cio se paga sempre, e que n�o h�, tamb�m aqui, almo�os gr�tis. Mas basta andar pelo pa�s para se perceber que estamos no limiar de o estragar ainda mais do que j� est�. Muito mais, mesmo muito mais, enchendo-o de e�licas, por todo o lado. Se as que j� est�o colocadas s�o, como se sabe, uma �nfima parte das que se prev�em, vamos ter um problema s�rio. Surpreendentemente, ou talvez n�o, pouco se l� sobre isto nos jornais e quase nada se ouve dos nossos ecologistas quanto a mais este sinal de desorganiza��o da nossa paisagem. O Mar�o est� cheio delas, e a vista l�mpida das serras transmontanas acabou j� como paisagem natural. 3. Era mesmo preciso colocar uma solit�ria e�lica em cima de um dos Cornos do Barroso, um dos lugares simb�licos da serra, vis�vel a muitos quil�metros de dist�ncia? Era mesmo necess�rio colocar uma ventoinha num dos Cornos, tornando tudo aquilo rid�culo de se ver, como se algu�m enfiasse um bon� daqueles com uma vira-vento em cima na montanha? Ao menos coloquem j� uma outra ventoinha no outro Corno para ficar completamente rid�culo e a gente se esquecer de vez do Barroso, dos seus bois, da sua cultura pastoril, do seu relevo ondulado e manso� 4. Inc�ndios, inc�ndios por todo o lado. 5. (Continua) * O que vamos fazer ao pa�s com os parques e�licos � o mesmo que fizemos com o turismo no Algarve e com a floresta no centro e norte do pa�s: a utiliza��o dos recursos naturais do pa�s sem regras nem crit�rios para al�m da habitual cegueira do dinheiro f�cil. Depois, daqui a 20 ou 30 anos, h�-de haver os mesmos debates e indigna��es a que agora nos dedicamos afincadamente a pretexto dos erros que cometemos nos �ltimos 20 ou 30 anos. * Sabe o que me aborrece mais nas rotundas? N�o � o dinheiro que custaram, a tacanhez que muitas vezes representam, a est�tua pind�rica l� em cima. � que na relva e florzinhas das rotundas, naqueles jardins de anedota, esgota-se o or�amento municipal para espa�os verdes. Depois os mi�dos jogam futebol nas playstation , os �sh�pingues� servem para passeio de domingo e o autarca moderno, regressado de mais uma viagem de confraterniza��o com a cidade �germinada�, promete construir o grande parque como viu l� fora quando os da cor chegarem ao governo e libertarem aquela verbazinha... (Teresa)
11:06
(JPP)
A PERGUNTA ![]() do Bloguitica tem toda a raz�o de ser: "PODE O P�BLICO SFF ESCLARECER COM QUEM � QUE F�TIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO � QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM � QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTA��O DE F�TIMA FELGUEIRAS?". � uma quest�o demasiado s�ria para ficar assim no ar. J� agora, que estamos em Outubro, espera-se a prometida divulga��o na rede dos estudos sobre a OTA, todos, conforme o Ministro prometeu. Ningu�m se vai esquecer. Com datas, autorias, conclus�es, etc.. Governo a governo, ministro a ministro.
10:10
(JPP)
AR PURO
![]() Albert Bierstadt, Mountain Lake
09:45
(JPP)
Sem data Esta voz com que gritei �s vezes N�o me consola de s� ter gritado �s vezes. Est� dentro de mim como um remorso, ou�o-a Chiar sempre que lembro a paz de seguran�a estulta Sob mais uma pedra tumular sem data verdadeira. Quando acabava uma soma de sil�ncios, Gritava o resultado, n�o gritava um grito. Esta voz, enquanto um ar de torre � beira-mar Circula entre folhas paradas, Conduz a agonia f�sica de recordar a ingenuidade. Apetece-me explicar, agora, as asas dos anjos. (Jorge de Sena) * Bom dia!
09:04
(JPP)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: ECLIPSES V�RIOS � boleia da sua nota "Um eclipse a ver" na revista S�bado, e da ideia que aproveitou Herg� para safar o seu her�i de apuros, n�o resisto a dizer que talvez esse ardil do Tintin n�o fosse muito original. Ou melhor, n�o resisto a recomendar um livro delicioso de um fabuloso mestre da literatura, Mark Twain. O livro intitula-se " Um americano na corte do Rei Artur" e conta as aventuras de um cavalheiro de ind�stria de Hartford, Connecticut, que tendo sofrido um forte safan�o de um dos seus oper�rios em finais do s�culo XIX, acorda em ...Camelot. O desorientado sujeito ao recuperar a consci�ncia � intimado, nem mais nem menos que por Sir Kay, Senescal da Corte, a justar, que � como quem diz a travar uma lide de armas por terras ou dama ou honra. Indeciso entre as hip�teses de se encontrar num manic�mio ou num circo, � imediatamente recrutado como prisioneiro do senescal para "no devido tempo, segundo o costume, ser encerrado numa masmorra e abandonado ali com escassas provis�es, at� que os amigos o resgatassem, a menos que apodrecesse antes". Isto n�o sem antes ser exibido ao rei e distinta corte para g�udio dos valentes nobres e fr�geis damas e ilustrar as extraordin�rias fa�anhas do cavaleiro que teve a boa dita de o aprisionar. Condenado a morrer na fogueira, o infeliz e perplexo her�i, ao descobrir que ser� queimado a 21 de Junho de 528, lembra-se de que nessa data ocorreu um eclipse e come�a a vislumbrar uma escapat�ria para a sua delicada situa��o. E mais n�o conto. � mais uma magistral s�tira de Mark Twain, desta vez ao esp�rito cavalheiresco da nobreza medieval. N�o sei se ser� f�cil encontrar este livro em portugu�s (o meu � uma edi��o da Portug�lia n�o sei de que ano, oferecido pelo meu av� e muito estimadinho), mas quem quiser pode encontr�-lo na vers�o original no site The Great Books. Vale a pena o livro e vale a pena o portal. (Micaela Apar�cio) * Aquele truque de invoca��o do eclipse n�o � original do Tintin. J� vem nas Minas de Salom�o do Rider Haggard, que o E�a traduziu... (*) (Vasco G. M.) * Nem de prop�sito o come�o do seu "post" para ver o anel que a Lua vai enfiar no Sol Tendo a nossa imprensa escrita e falada divulgado at� � exaust�o o eclipse solar anular e n�o tendo, tanto quanto tenha lido ou ouvido, alguma alma caridosa tomado a inicitiva de emendar a alarvidade dos "pind�ricos jornalistas" aqui v�o dois links ( UM,DOIS) que comprovam que o eclipse � anelar e n�o anular, podendo ainda ser total ou parcial. (Fernando Fraz�o) * ... quanto ao nome do eclipse, basta ver no dicion�rio em linha da Texto que as duas formas anelar e anular s�o sin�nimas, e que quem usa anular s�o jornalistas mas tamb�m astr�nomos. (S.) * (*) E numa hist�ria que o filho de Colombo conta sobre o pai, acrescento eu... * A sua observa��o �E numa hist�ria que o filho de Colombo conta sobre o pai, acrescento eu...� n�o est� correcta; o eclipse em quest�o foi lunar e n�o solar. N�o havia no tempo de Colombo conhecimentos suficientes para prever um eclipse solar com o grau de precis�o que a hist�ria exige, pois ele n�o sabia a que longitude se encontrava. Em contrapartida, � muito mais f�cil saber-se que vai ocorrer um eclipse lunar numa dada regi�o mesmo sem se saber exactamente onde se est�, pois o tempo durante o qual a Lua est� no cone de sombra � de v�rias horas. (Jos� Carlos Santos) 3.10.05
20:38
(JPP)
Argozelo, hoje. C�rculos, semi-luas no ch�o. O Sol duas vezes
� Jos� Pacheco Pereira
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