ABRUPTO

30.11.04
 


VENHA A MOEDA BOA

Venha a boa moeda expulsar a m�. Nem Santana Lopes, nem S�crates s�o boas moedas. S�o as duas faces da mesma moeda m�. � no PSD que se pode encontrar a boa moeda. Cavaco seria a melhor e deveria ponderar as consequ�ncias do seu pr�prio artigo no Expresso. � mais preciso no governo do que na Presid�ncia da Rep�blica. Se quiser tem tudo e todos com ele.

O PSD tem que perceber que esta � a �nica possibilidade do oferecer ao pa�s a melhor alternativa, (a alternativa que Santana Lopes dar� ao pa�s � o PS e S�crates), poder ter uma maioria absoluta e fazer as reformas que o pa�s urgentemente necessita. N�o � messianismo, � realismo. � s� querer.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: AGORA, ALGO DE VERDADEIRAMENTE ESTRANHO



Antes havia uns desenhadores cient�ficos que ilustravam as cenas que n�o se podiam ver no espa�o, do g�nero: lagos de enxofre em Io, ou nascer do Sol em Tit�. Agora n�o � preciso, pelo menos para uma parte do sistema solar. Vejam esta imagem delicada de Outro Mundo: Mimas, um pequeno sat�lite de Saturno, passa junto do planeta, atrav�s da transpar�ncia dos an�is que se dissolvem na noite. � de noite nesta parte de Saturno. Tamb�m h� noite l�.

29.11.04
 


A INCUBADORA E O BEB� DAS ESTALADAS

Se o autismo n�o fosse uma coisa s�ria, dir-se-ia que o beb� se caracteriza pelas imensas estaladas que d� a si pr�prio, e pela vontade persistente de arrancar os tubos da incubadora. Ali�s sempre me irritou a palavra beb�, em particular para designar uma coisa como um governo, porque Beb� era um an�o franc�s , de nome Nicholas Ferry, bobo do Rei Estanislau da Pol�nia e de que os franceses, com uma crueldade imensa, passaram a usar a alcunha para traumatizar as crian�as.

*

Foi uma revela��o para mim a origem da palavra �beb�. Quanto � crueldade que esta origem revela sobre os franceses, gostaria de fazer notar que � o mesmo povo que designa por �poubelle� os baldes de lixo, pelo simples facto de o seu uso se ter tornado obrigat�rio em virtude de um decreto de 1884 da autoria do prefeito Eug�ne Poubelle...

(Jos� Carlos Santos)

*

Em Coimbra os recipientes do lixo eram, e se calhar contiunuam a ser, designados "Jac�", ao que parece por terem sido tornado obrigat�rios por um Presidente de C�mara, ou Governador Civil, senhor Jacob Qualquer Coisa...

(P. Barros Viseu)

*

N�o � isso que diz a nona edi��o do Dictionnaire de l'Acad�mie francaise... De qualquer maneira, si non e vero e bene trovatto.

B�B� n. m. XIXe si�cle. D'un radical onomatop�ique beb-, variante de bab- (voir Babiller, Babine), sous l'influence de l'anglais baby.
1. Enfant en bas �ge. Un b�b� joufflu. C'est un beau b�b�. Emmailloter, langer un b�b�. Elle attend un b�b�, elle est enceinte. Sans article. Une baignoire, des jouets de b�b�. Fam. Faire le b�b�, se conduire d'une mani�re pu�rile. Ne fais pas le b�b�, tu es trop grand. S'emploie parfois comme substitut affectueux du nom propre. Faire couler le bain de b�b�. Adjt. Ce gar�on est encore tr�s b�b�. Expr. fig. Jeter le b�b� avec l'eau du bain, voir Bain. Titre c�l�bre : On purge b�b�, de Georges Feydeau (1910). 2. Poup�e figurant un tout petit enfant. Un b�b� articul�. Un b�b� qui marche, qui rit. 3. Fam. Se dit parfois d'un tout jeune animal. Les b�b�s phoques.


(S�rgio Carneiro)

*

Parece que temos um problema. Fui pesquisar a etimologia de "beb�" e, embora a explica��o que d� no Abrupto esteja no Dicion�rio Etimol�gico de Jos� Pedro Machado, no Petit Robert "beb�" aparece como proveniente da palavra inglesa "baby". No Dicion�rio Etimol�gico da Oxford, "baby" ter� aparecido pela primeira vez no S�culo XIV (um pouco vago mas enfim) e � uma deriva��o de uma onomatopeia, neste caso a dos primeiros sons dos... beb�s. Ou seja, be-be-ba-bi etc.

Mas vejamos a coisa em pormenor: o dicion�rio franc�s diz que "beb�" vem do ingl�s "baby"; o dicion�rio ingl�s diz que vem da onomatopeia e o dicion�rio etimol�gico portugu�s confirma as duas vers�es: a do an�o e a da onomatopeia. Parece-me mesmo uma hist�ria repetida de Portugal na UE: um bocadinho daqui, um bocadinho dali...

(Carla)
 


A INCUBADORA E A FALTA DE SENTIDO DE ESTADO

Um Primeiro-ministro, no exerc�cio das suas fun��es oficiais, n�o pode fazer um discurso como o da "incubadora" naquele local e naquelas circunst�ncias. E se um dos bombeiros, que fazia a guarda de honra, pousasse a bandeira e sa�sse dizendo "como n�o sou dessa fam�lia n�o tenho que estar em formatura num com�cio partid�rio...", dava uma li��o bem merecida ao Primeiro-ministro e at� ao pa�s, que j� come�a a ficar habituado, mal habituado, a estas confus�es entre partido e governo.
 


AR IMPURO


K. Appel
 


EARLY MORNING BLOGS 373

From Milton: And did those feet


And did those feet in ancient time
Walk upon England's mountains green?
And was the holy Lamb of God
On England's pleasant pastures seen?

And did the Countenance Divine
Shine forth upon our clouded hills?
And was Jerusalem builded here,
Among these dark Satanic Mills?

Bring me my Bow of burning gold:
Bring me my Arrows of desire:
Bring me my Spear: O clouds unfold!
Bring me my Chariot of fire!

I will not cease from Mental Fight,
Nor shall my Sword sleep in my hand,
Till we have built Jerusalem
In England's green & pleasant Land.


(William Blake)

*

Bom dia!
 


LIMITE

Est� tudo a chegar ao limite, at� porque o limite sempre esteve muito perto do come�o. S� que a experi�ncia portuguesa mostra que tudo est� preparado para tornar o limite o lugar mais pastoso da terra e podemos ficar por l� ainda bastante tempo. A regra � a de Eliot

This is the way the world ends
Not with a bang but a whimper.


28.11.04
 


DESAGREGA��O

Porque � que nada disto me surpreende?
   


BARBAS BRANCAS

N�o sei porqu� mas tenho a impress�o que conhe�o aquelas "barbas brancas" que Jer�nimo de Sousa aconselhou a "cuidarem-se" e colocar de molho no seu discurso final do Congresso do PCP.
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 372

A M�QUINA DO MUNDO


E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no c�u de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escurid�o maior, vinda dos montes
e de meu pr�prio ser desenganado,

a m�quina do mundo se entreabriu
para quem de a romper j� se esquivava
e s� de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clar�o maior que o toler�vel

pelas pupilas gastas na inspe��o
cont�nua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a pr�pria imagem sua debuxada
no rosto do mist�rio, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intui��es restavam
a quem de os ter usado os j� perdera

e nem desejaria recobr�-los,
se em v�o e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes p�riplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto in�dito
da natureza m�tica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percuss�o
atestasse que algu�m, sobre a montanha,

a outro algu�m, noturno e miser�vel,
em col�quio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda p�rola, essa ci�ncia
sublime e formid�vel, mas herm�tica,

essa total explica��o da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois t�o esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... v�, contempla,
abre teu peito para agasalh�-lo.�

As mais soberbas pontes e edif�cios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

dist�ncia superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paix�es e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga at� nos animais
e chega �s plantas para se embeber

no sono rancoroso dos min�rios,
d� volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geom�trica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos � verdade:

e a mem�ria dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da exist�ncia mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido � vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a f� se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperan�a mais m�nima � esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas cren�as convocadas
presto e fremente n�o se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, n�o mais aquele
habitante de mim h� tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, j� de si vol�vel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio j� n�o fora
apetec�vel, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita j� pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a m�quina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de m�os pensas.


(Carlos Drummond de Andrade)

*

Bom dia!

27.11.04
 


INTEND�NCIA

Os ESTUDOS SOBRE COMUNISMO est�o a ser actualizados.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: "GORGEOUS DIONE...



... posa para a Cassini", escreve o entusiasmado escriba da NASA, ao ver a fotografia da deusa celeste que orbita Saturno. Dione, "a que brilha" diz-se na Il�ada, a Deusa do Carvalho, a quem Afrodite chamava M�e, porque era o nome feminino de Zeus. Quando, numa outra encarna��o, me deu para tentar fazer uma genealogia da mitologia grega, Dione perturbava tudo: era filha de Cronos e de Gaia? Ou de Oceanus e Tetis? Ou a m�e de Afrodite? Casada com Tantalo, e m�e de Niobe parece que era. Nem Hes�odo me salvava na confus�o. Mas agora que ela posa para a fotografia, bem se lhe podia perguntar pelos pais...
 


EARLY MORNING BLOGS 371

EL INFANTE ARNALDOS

�Quien hubiera tal ventura sobre las aguas del mar
como hubo el infante Arnaldos la ma�ana de San Juan!
Andando a buscar la caza para su falc�n cebar,
vio venir una galera que a tierra quiere llegar;
las velas trae de sedas, la ejarcia de oro terzal,
�ncoras tiene de plata, tablas de fino coral.
Marinero que la gu�a, diciendo viene un cantar,
que la mar pon�a en calma, los vientos hace amainar;
los peces que andan al hondo, arriba los hace andar;
las aves que van volando, al m�stil vienen posar.
All� hablo el infante Arnaldos, bien oir�is lo que dir�:
-Por tu vida, el marinero, d�gasme ora ese cantar.
Respondi�le el marinero, tal respuesta le fue a dar:
-Yo no canto mi canci�n sino a qui�n conmigo va.

*

Eu sei que j� aqui coloquei o romance. Mas � como se fosse um hino, n�o faz mal repeti-lo.

Bom dia!

26.11.04
 


PARVO�CE

A jornalista da TVI a perguntar aos delegados do Congresso do PCP se sabem "quem � uma santanete".
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 370

Hymne au Dragon couch�


Le Dragon couch� : le ciel vide, la terre lourde, les nu�es troubles ; soleil et lune �touffant leur lumi�re : le peuple porte le sceau d'un hiver qu'on n�explique pas.

Le Dragon bouge : le brouillard aussit�t cr�ve et le jour cro�t. Une ros�e nourrissante remplit la faim. On s'extasie comme � l'or�e d'un printemps inesp�rable.

Le Dragon s'�broue et prend son vol : � Lui l'horizon rouge, sa banni�re, le vent en avant-garde et la pluie drue pour escorte. Riez d'espoir sous la cr�pitation de son fouet lancinant : l'�clair.

o

H� ! Las ! h�, Dragon couch� ! Enspiral� ! H�ros paresseux qui sommeille en l'un de nous, inconnu, engourdi, irr�v�l�,

Voici des figues, voici du vin ti�de, voici du sang : mange et bois et flaire : nos manches agit�es t'appellent � grands coups d'ailes.

L�ve-toi, r�v�le-toi, c'est le temps. D'un seul bond saute hors de nous ; et pour affirmer ton �clat,

Cingle-nous du serpent de ta queue, fais-nous malades au clin de tes petits yeux, mais brille hors de nous, -- oh ! brille !


(Victor Segalen)

*

Bom dia!

24.11.04
 


AR PURO


Levitan
 


A ENTREVISTA - PL�STICO

Com o Primeiro-ministro tudo � pl�stico. Tudo pode ser ou n�o ser. Uma coisa corre mal, pode-se mudar, n�o h� problema nenhum. Aconteceu assim e esperava-se que acontecesse assado. N�o � muito importante. Fizemos isto. J� estava previsto que o fiz�ssemos. Tudo � desvalorizado, nada � cortado a direito. Amanh� torce-se a mem�ria de hoje e n�o fica nada.

Num certo sentido � o que o primeiro-ministro deseja, que fique apenas a imagem, o som, um certo adormecimento colectivo. Um canto, mon�tono � certo, mas um canto.

23.11.04
 


A ENTREVISTA - DIN�MICA

O que move o discurso do primeiro-ministro � apenas o que dizem os jornais. N�o h� nenhuma din�mica que tenha a ver com o pa�s, com os problemas dos portugueses, apenas sobre os jornais. A frase est� morta e s� se alumia quando h� um coment�rio ou not�cia jornal�stica a que quer responder ou ripostar.A� anima-se e tudo se torna flu�do. Viu-se em toda a entrevista.
 


A ENTREVISTA - SOLIDEZ DA COLIGA��O

� verdade que ningu�m contestou a manuten��o da coliga��o no Congresso do PSD. Mas a estabilidade da coliga��o n�o existe se o PP estiver convencido que vai sozinho �s elei��es. Ser� s� uma quest�o de tempo.

Como � que o PP concorre �s elei��es sozinho em 2006? Onde � que vai buscar os votos numa campanha que vai ser fortemente polarizada entre o PSD e o PS? Como � que se desenvolve um discurso eleitoral, que encontre votos, sem demarca��o com o PSD e com o governo? Como � que se espera que o PP aceite concorrer �s elei��es nestas condi��es, sabendo que o seu peso numa qualquer negocia��o futura ser� muito menor do que tem hoje?

A hip�tese � absurda. Sem garantias, p�blicas ou privadas, de listas conjuntas n�o h� estabilidade governativa. Como se v�.
 


A ENTREVISTA - O RECADO

O Primeiro-ministro deu o recado clar�ssimo a todos os respons�veis por �rg�os p�blicos e privados: substituam o coment�rio pol�tico pelos debates entre os partidos. Vamos ver como evolui a situa��o nos �rg�os de comunica��o social do estado, em particular a RTP que praticamente j� n�o tem coment�rio pol�tico.

A primeira parte da entrevista � o retrato de um pol�tico acossado, convencido que � v�tima de uma conspira��o generalizada e de que � capaz, pelo seu verbo, de inverter a situa��o. Tudo o que ele diz reflecte duas posturas complementares: quer menos coment�rio, porque o coment�rio � pela sua pr�pria natureza hostil (o coment�rio � �deles�, o Outro que o persegue e que se percebe que n�o � o eng. S�crates) e quer ter mais tempo de antena.
 


INTEND�NCIA

Colocado no VERITAS FILIA TEMPORIS, um contributo para o pensamento europeu do Dr. Portas, O DI�LOGO DA BATATA LUSA COM A BATATA CASTELHANA (Setembro 1999).
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: PARVOS E TOMADOS POR PARVOS

"Parece-me que, salvo melhor opini�o, quanto a esta mat�ria os portugueses podem ser divididos em quatro grupos:

� O primeiro, constitu�do por partid�rios convictos do SIM ao referendo nestes moldes, � o daqueles que gostam de fazer os outros de parvos (do latim parv�lu-, �insignificante�);

� O segundo, constitu�do por aqueles que se v�o estar nas tintas para responder ao referendo, � o dos que n�o se importam de ser tomados por parvos;

� O terceiro, que desejo que seja o de menor express�o, ser� constitu�do pelos que n�o chegam a perceber a pergunta nem nenhuma das suas implica��es e que, por isso, n�o ir�o aparecer no referendo ou, caso o fa�am, dividir-se-�o pelo SIM e pelo N�O, consoante a opini�o de quem sobre eles exer�a influ�ncia;

� O quarto e �ltimo, constitu�do por todos os que ir�o votar conscientemente N�O, � o dos que n�o gostam, em nenhuma circunst�ncia, de serem chamados ou tomados por parvos.

Esperemos que, em mat�ria t�o decisiva, estes �ltimos n�o sejam uma pequena minoria, mas representem antes um largo movimento da opini�o p�blica portuguesa que, lutando pelo terceiro e por si pr�prios, fa�a corar o segundo e ponha um trav�o �s vergonhosas manipula��es do primeiro grupo."


(Jo�o Galv�o Teles)
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: OS PEQUENINOS OBEDECEM AOS GRANDES



Tetis passa junto do polo sul de Saturno, perturbado por tempestades maiores do que o sat�lite viajante. Aqui n�o h� luta de classes que valha: os pequeninos obedecem aos grandes. Ponto.
 


APRENDENDO COM BRUTUS 1 SOBRE A VAIDADE HUMANA

"Dave Striver loved the university. He loved its ivy-covered clocktowers, its ancient and sturdy brick, and its sun-splashed verdant greens and eager youth. He also loved the fact that the university is free of the stark unforgiving trials of the business world -- only this isn't a fact: academia has its own tests, and some are as merciless as any in the marketplace. A prime example is the dissertation defense: to earn the PhD, to become a doctor, one must pass an oral examination on one's dissertation.

Dave wanted desperately to be a doctor. But he needed the signatures of three people on the first page of his dissertation, the priceless inscriptions which, together, would certify that he had passed his defense. One of the signatures had to come from Professor Hart.

Well before the defense, Striver gave Hart a penultimate copy of his thesis. Hart read it and told Striver that it was absolutely first-rate, and that he would gladly sign it at the defense. They even shook hands in Hart's book-lined office. Dave noticed that Hart's eyes were bright and trustful, and his bearing paternal.

At the defense, Dave thought that he eloquently summarized Chapter 3 of his dissertation. There were two questions, one from Professor Rodman and one from Dr. Teer; Dave answered both, apparently to everyone's satisfaction. There were no further objections.

Professor Rodman signed. He slid the tome to Teer; she too signed, and then slid it in front of Hart. Hart didn't move.

``Ed?" Rodman said.

Hart still sat motionless. Dave felt slightly dizzy.

``Edward, are you going to sign?"

Later, Hart sat alone in his office, in his big leather chair, underneath his framed PhD diploma."


Este texto n�o foi escrito por um humano, mas sim por uma m�quina, um computador do projecto Brutus 1. O tema foi a "trai��o". Os seus autores consideram que "AI is moving us toward a real-life version of the movie Blade Runner, in which, behaviorally speaking, humans and androids are pretty much indistinguishable."

Sobre o Brutus 1 aqui.

Sobre o problema da computa��o do "comportamento" este artigo complexo, dif�cil e com uma matem�tica acima dos meus conhecimentos, mas, mesmo assim, muito, muito interessante.
 


LINHA DE DIVIS�O, ESCOLHA E PROMO��O

Os crit�rios de escolha e de promo��o nos �rg�os de comunica��o social do estado ou nacionalizados (os da PT) s�o simples: h� uma linha de demarca��o entre os que acham que o governo quer controlar a comunica��o social e os que n�o acham. Essa linha manifesta-se nos coment�rios ao �caso Marcelo�, �s declara��es de Morais Sarmento, �s conclus�es da AACS, � �central�. Os que n�o acham s�o escolhidos e promovidos, os que acham caminham para o limbo.

Os que n�o acham podem achar tudo mais: que o Ministro das Assuntos Parlamentares devia ter ficado calado, que o governo s� faz asneiras nesta �rea, que tem havido incompet�ncia, podem achar tudo o que quiserem desde que considerem que isso n�o � o essencial, � o acess�rio. O essencial � que o governo deve governar, tem direito a �estado de gra�a�, e merece uma �oportunidade�. � uma opini�o, legitima como todas. S� que hoje na comunica��o social do estado � o caminho mais certo e seguro para uma promo��o. E tantos lugares est�o a mudar de m�os�
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 369

The Sycophantic Fox and the Gullible Raven


A raven sat upon a tree,
And not a word he spoke, for
His beak contained a piece of Brie.
Or, maybe it was Roquefort.
We'll make it any kind you please --
At all events it was a cheese.

Beneath the tree's umbrageous limb
A hungry fox sat smiling;
He saw the raven watching him,
And spoke in words beguiling:
"J'admire," said he, "ton beau plumage!"
(The which was simply persiflage.)

Two things there are, no doubt you know,
To which a fox is used:
A rooster that is bound to crow,
A crow that's bound to roost;
And whichsoever he espies
He tells the most unblushing lies.

"Sweet fowl," he said, "I understand
You're more than merely natty;
I hear you sing to beat the band
And Adelina Patti.
Pray render with your liquid tongue
A bit from Gotterdammerung."

This subtle speech was aimed to please
The crow, and it succeeded;
He thought no bird in all the trees
Could sing as well as he did.
In flattery completely doused,
He gave the "Jewel Song" from Faust.

But gravitation's law, of course,
As Isaac Newton showed it,
Exerted on the cheese its force,
And elsewhere soon bestowed it.
In fact, there is no need to tell
What happened when to earth it fell.

I blush to add that when the bird
Took in the situation
He said one brief, emphatic word,
Unfit for publication.
The fox was greatly startled, but
He only sighed and answered, "Tut."

The Moral is: A fox is bound
To be a shameless sinner.
And also: When the cheese comes round
You know it's after dinner.
But (what is only known to few)
The fox is after dinner, too.


(Guy Wetmore Carryl)

*

Bom dia!


22.11.04
 


A LER

Sobre o Tempo que Passa na Europa.

As "perguntas" de Jo�o Miranda no Blasf�mias , como esta: "Lembra-se de ter votado em referendo em todas as disposi��es da Constitu���o Europeia que agora nos dizem que j� h� muito est�o em funcionamento?"
 


BIBLIOFILIA



Mais livros "livres" da destrui��o. Um Gide numa edi��o brasileira, com uma capa que parece de um romance policial. Uma publica��o anticomunista de Chang Kai Chek. E um Stefan Zweig, um apenas entre muitos. Aqui est� um autor que foi imensamente popular e agora quase esquecido. A Ant�gona vai agora republicar um t�tulo O Combate com o Dem�nio, mas os bons dias de Zweig j� passaram. Por isso, como sempre, ver uma antiga biblioteca � um passeio pelo tempo. Ido.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: DA ESPERAN�A COMO UM TIRO PARA OS C�US



Lan�amento do sat�lite Swift para investigar pontos de origem de raios gama. Um pequeno tiro nos c�us � procura de grandes explos�es.
 


SE N�O PERCEBES A PERGUNTA, VOTA N�O (2)

Queixam-se os defensores do �sim� � Constitui��o Europeia que o debate corre o risco de acabar por ser sobre a pergunta e n�o sobre a Constitui��o. Ainda bem, porque a pergunta �diz� mais sobre as raz�es porque se deve votar �n�o� do que tudo o resto. Ela exemplifica, na sua matriz anti-democr�tica (esta pergunta n�o tem nem um �tomo de respeito pelos portugueses), o que est� mal no actual momento da constru��o europeia: d�fice democr�tico, elitismo iluminado, truques de uma burocracia long�nqua e pouco escrutinada, que encontram eco nos grupos dirigentes partid�rios locais que n�o se importam, ao mesmo tempo que enchem a boca com a palavra �Portugal�, em ceder poderes nacionais que ningu�m em Portugal acabar� por controlar, muito menos o parlamento portugu�s. �, a pergunta � um retrato feio, n�o deixemos de a discutir.
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 368

Miroirs

Ts'ai-yu se mire dans l'argent poli afin d'ajuster ses bandeaux noirs et les perles sur ses bandeaux.

Ou si le rouge est trop p�le aux yeux, ou l'huile blanche trop luisante aux joues, le miroir, avec un sourire, l'avertit.

Le Conseiller s'admire dans l'histoire, vase lucide o� tout vient s'�clairer : marches des arm�es, paroles des Sages, troubles des constellations.

Le reflet qu'il en re�oit ordonne sa conduite.

o

Je n'ai point de bandeaux ni perles, et pas d'exploits � accomplir. Pour r�gler ma vie singuli�re, je me contemple seul en mon ami quotidien.

Son visage, -- mieux qu'argent ou r�cits antiques, -- m'apprend ma vertu d'aujourd'hui.

(Victor Segalen)

*

Bom dia

21.11.04
 


BIBLIOFILIA



Livros salvos de uma biblioteca que ia ser destru�da. Mais: livros da minha vida, porque foram os primeiros que pedi para me comprarem, livros com o entusiasmo da curiosidade. Aprendi l� mil e uma coisas que nunca esqueci, imagens que me ensinaram pequenas coisas: que a televis�o � mais um olho do que um ecr� e a persist�ncia de Madame Curie (nunca Maria Curie, nunca senhora Curie, mas sim sempre Madame Curie) a trabalhar no seu frio laborat�rio, at� que o r�dio brilhou no escuro.
 


QUEM N�O TEM VERGONHA, TODO O MUNDO � SEU

� o prov�rbio mais adaptado aos tempos que correm.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES / ANTOLOGIA DA PEDRA (4� s�rie)


1. ROCHAS DE ACHILL



(Enviadas da Irlanda por Mariana Magalh�es)

2. "THERE ARE PLENTY OF RUINED BUILDINGS IN THE WORLD BUT NO RUINED STONES"

All is lithogenesis � or lochia,
Carpolite fruit of the forbidden tree,
Stones blacker than any in the Caaba,
Cream-coloured caen-stone, chatoyant pieces,
Celadon and corbeau, bistre and beige,
Glaucous, hoar, enfouldered, cyathiform,
Making mere faculae of the sun and moon
I study you glout and gloss, but have
No cadrans to adjust you with, and turn again
From optik to haptik and like a blind man run
My fingers over you, arris by arris, burr by burr,
Slickensides, truit�, rugas, foveoles,
Bringing my aesthesis in vain to bear,
An angle-titch to all your corrugations and coigns,
Hatched foraminous cavo-rilievo of the world,
Deictic, fiducial stones. Chiliad by chiliad
What bricole piled you here, stupendous cairn?
What artist poses the Earth �corch� thus,
Pillar of creation engouled in me?
What eburnation augments you with men�s bones,
Every energumen an Endymion yet?
All the other stones are in this haecceity it seems,
But where is the Christophanic rock that moved?
What Cabirian song from this catasta comes?

Deep conviction or preference can seldom
Find direct terms in which to express itself.
Today on this shingle shelf
I understand this pensive reluctance so well,
This is not discommendable obstinacy,
These contrivances of an inexpressive critical feeling,
These stones with their resolve that Creation shall not be
Injured by iconoclasts and quacks. Nothing has stirred
Since I lay down this morning an eternity ago
But one bird. The widest open door is the least liable to intrusion,
Ubiquitious as the sunlight, unfrequented as the sun.
The inward gates of a bird are always open.
It does not know how to shut them.
That is the secret of its song,
But whether any man�s are ajar is doubtful.
I look at these stones and know little about them,
But I know their gates are open too,
Always open, far longer open, than any bird�s can be,
That every one of them has had its gates wide open far longer
Than all birds put together, let alone humanity,
Though through them no man can see,
No man nor anything more recently born than themselves
And that is everything else on Earth.
I too lying here have dismissed all else.
Bread from stones is my sole and desperate dearth,
From stones, which are to Earth as to the sunlight
Is the naked sun which is for no man�s sight.
I would scorn to cry to any easier audience
Or, having cried, to lack patience to await the response.
I m no more indifferent or ill-disposed to life than death is;
I would fain accept it all completely as the soil does;
Already I feel all that can perish perishing in me
As so much has perished and all will yet perish in these stones.
I must begin with these stones as the world began.

[...]


We must be humble. We are so easily baffled by appearances
And do not realise that these stones are one with the stars.
It makes no difference to them whether they are high or low,
Mountain peak or ocean floor, palace, or pigsty.
There are plenty of ruined buildings in the world but no ruined stones.

[...]



Hugh MacDiarmid, �On a Raised Beach�, Stony Limits, and other Poems (London: Gollancz, 1934), enviado por Daniela Kato.
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 367

HAGAMOS UN TRATO


Cuando sientas tu herida sangrar
cuando sientas tu voz sollozar
cuenta conmigo

(de una canci�n de CARLOS PUEBLA)

Compa�era
usted sabe
puede contar
conmigo
no hasta dos
o hasta diez
sino contar
conmigo

si alguna vez
advierte
que la miro a los ojos
y una veta de amor
reconoce en los m�os
no alerte sus fusiles
ni piense qu� delirio
a pesar de la veta
o tal vez porque existe
usted puede contar
conmigo

si otras veces
me encuentra
hura�o sin motivo
no piense qu� flojera
igual puede contar
conmigo

pero hagamos un trato
yo quisiera contar
con usted
es tan lindo
saber que usted existe
uno se siente vivo
y cuando digo esto
quiero decir contar
aunque sea hasta dos
aunque sea hasta cinco
no ya para que acuda
presurosa en mi auxilio
sino para saber
a ciencia cierta
que usted sabe que puede
contar conmigo.


(Mario Benedetti)

*

Bom dia!
 


SE N�O PERCEBES A PERGUNTA VOTA N�O

A f�rmula mais eficaz de fazer campanha caso a actual pergunta absurda, cozinhada pelo PS-PSD-PP para induzir ao sim e � absten��o no referendo sobre a Constitui��o Europeia, seja a escolhida, �: �se n�o percebes a pergunta vota n�o�.

Tem sentido? Tem todo o sentido porque os partid�rios do �sim� nas direc��es do PS-PSD-PP est�o a tentar manipular o referendo com uma pergunta deliberadamente complicada, amalgamando mat�rias distintas e ocultando outras, pretendendo tornar desigual o �sim� e o �n�o� na resposta. A pergunta pura e simplesmente n�o � honesta, trata os portugueses de forma indigna, mancha a democracia com a sua �bvia manipula��o.

Ora basta isto para responder �n�o�, nem que seja para obrigar a fazer novo referendo, com nova pergunta clara, daqui a uns bons anos.

20.11.04
 


BIBLIOFILIA



Duas "novelas" publicadas por uma editora oper�ria, ligada aos sindicalistas da Batalha. Manuel Ribeiro foi um dos primeiros comunistas portugueses, antes de se converter aos cristianismo. Mais mundo do passado morto.
 


ANTOLOGIA DA PEDRA (3� s�rie)

1. JARDIM KARESANSUI



2. LITTLE STONE

How happy is the little Stone
That rambles in the Road alone,
And doesn't care about Careers
And Exigencies never fears --
Whose Coat of elemental Brown
A passing Universe put on,
And independent as the Sun
Associates or glows alone,
Fulfilling absolute Decree
In casual simplicity --


(Emily Dickinson)
 


OUVINDO



O Concerto para Piano n� 2 de Chostakovitch interpretado por Bernstein, com alguma surpresa pelo lirismo da pe�a. N�o o recordava assim. Uma coisa � certa: s� um russo o podia ter escrito. Porqu�? Sei l�. Sei que sei.



Um muito jovem Schumann, as Varia��es Abegg, um Opus 1, que parece que voa e se entre-voa (a palavra n�o existe mas serve) nas m�os de Lang Lang no DVD do concerto no Carnegie Hall.
 


ANTOLOGIA DA PEDRA (2� s�rie)

1. ROCHAS



da ilha de Achill, na Irlanda. Aqui Graham Greene esteve por v�rias vezes, uma das quais com Catherine Walston, e na ilha trabalhou no The Heart of the Matter. Greene chegou a pensar casar com Catherine, deixar de escrever e dedicar-se a gerir um pequeno hotel. Aqui est� uma ilha poderosa.

2.PIEDRITAS

Piedritas en la Ventana

De vez en cuando la alegria
tira piedritas contra mi ventana
quiere avisarme que esta ahi
esperando pero me siento calmo
casi dir�a ecuanime voy a guardar
la angustia en un escondite
y luego a tenderme la cara al techo
que es una posicion gallarda y comoda
para filtrar noticias y creerlas quien
sabe donde quedan mis proximas huellas
ni cuando mi historia va a ser computada
quien sabe que consejos voy a inventar
aun y que atajo hallare para no seguirlos
esta bien no jugare al desahucio no
tatuare el recuerdo con olvidos mucho
queda por decir y callar y tambien
quedan uvas para llenar la boca esta
bien me doy por persuadido que la alegria
no tire mas piedras abrire la ventana.


(Mario Benedetti)

3. SAL



4.FUCKING A ROCK

Unnatural Selections: A Meditation upon Witnessing a Bullfrog Fucking a Rock


Amalgam of electric jelly,
constellated neural knots
in the briny binary soup,
as surely as stimulus prods response
brains are made to choose.
And through a major error in pattern recognition
or a significant cognitive fault,
the bullfrogs brain has selected
a two-pound rock
as the object of his rampant affection,
a rock (to my admittedly mammalian eye)
that neither resembles
nor even vaguely suggests
the female of his species.

He does seem to be enjoying himself
in a blunted sort of way,
but since the rock so obviously remains unmoved
one suspects it's not the blending of sweet oblivions
that fuels his persistence,
but a serious kink in a feedback loop--
or perhaps just kinkiness in general.
The less compassionate might even call him
the quintessentially insensitive male.

Assuming a pan-species gender bond
and a common fret,
I advise my amphibious pal,
"Hey, I don't think she's playing hard to get.
That's the literal case you're up against, Jack--
true story, buddy; stone fact.
And I'd be fraternally remiss if I didn't share
my deep and eminently reasonable doubt
that she'll be worn down
however long and spectacular the ardor."

Ignoring my counsel
as completely as he has my presence,
the bullfrog continues his fruitless assault
with that brain-locked commitment to folly
which invariably accompanies
dumb, bug-eyed lust.

But, in fairness,
whose brain hasn't shorted out in a slosh of hormones
or, igniting like a shattered jug of gas,
fireballed into a howling maelstrom
where a rock indeed might seem a port?
One can only conclude
that such impelling concupiscence
serves as a species' life-insurance,
sort of a procreative override
of any decision requiring thought,
thought being notoriously prey to thinking,
and the more one thinks about thinking
the thinkier it gets.
Therefore, though the brain is made to choose,
its very existence ultimately depends
on the generative supremacy of brainless desire--
for with all respect to Monsieur Descartes
you am before you can think you are.
Dirt-drive compulsions riding powerful desires
render any choice moot, along with
reason, morality, taste, manners,
and all those other jars of glitter
we pour on the sticky and raw.

The hard truth is we never chose to choose:
not the brains we use to pick
between competing explanations for our sexual mess
nor these hearts we've burdened with our blunders
in the name of love.
Do whatever we decide we will,
the choice isn't free;
we live at the mercy of more pressing needs.

Thus, urges urgently surging,
we mount a few rocks by mistake.
A bit more embarrassing than most of our foolishness, true--
but so what?
The power of the imperative
coupled with the law of averages
virtually guarantees enough will get it right
to make more brains to be made up
about exactly what steps to take
toward what we think we need to do
on this stony journey between delusion and mirage--
when to move, where to hide our dreams--
a journey where we finally learn
freedom is not a choice
a brain is free to choose.

Fortunately, my warty friend,
the soul is built to cruise.


(Jim Dodge)
 


APRENDENDO COM O PADRE ANT�NIO VIEIRA SOBRE O AMOR

Poucos dias antes de Cristo mandar aos ap�stolos a pregar pelo mundo, fez esta pergunta a S. Pedro: Simon Joannis, diligis me plus his (Jo. 21,15)? Pedro, amas-me mais que todos estes? Respondeu o santo: Etiam, Domine, tu scis quia amo te: Senhor, bem sabeis v�s que vos amo. Ouvida a resposta, torna Cristo a fazer segunda vez a mesma pergunta: Simon Joannis, diligis me plus his? Pedro, amas-me mais que todos estes? Respondeu S. Pedro, com a mesma submiss�o e encolhimento, que bem sabia o Senhor, que o amava: Tu scis quia amo te. Ouvida a mesma resposta segunda vez, torna Cristo terceira vez a repetir a mesma pergunta, e diz o texto que se entristeceu S�o Pedro: Contristatus est Petrus, quia dixit ei tertio, amas me? Entristeceu-se Pedro, porque Cristo lhe perguntou a terceira vez se o amava. � E verdadeiramente que a mat�ria e a inst�ncia era muito para dar cuidado. Quando eu li estas palavras a primeira vez, pareceu-me que seria este exame de amor t�o repetido, para Cristo mandar a S. Pedro que fosse a Jerusal�m, que entrasse pelo pal�cio de Caif�s, e que, no mesmo lugar onde o tinha negado, se desdissesse publicamente, e confessasse a vozes que seu Mestre era o verdadeiro Messias e Filho de Deus verdadeiro, e, que se por isso o quisessem matar e queimar, que se deixasse tirar a vida e fazer em cinza. Para isto cuidava eu que eram estas perguntas e estes exames t�o repetidos do amor de S. Pedro. Mas depois que o santo respondeu na mesma forma a terceira vez, que amava, o que o Senhor lhe disse foi: Pasce oves meas (Jo. 21,17): Pois, Pedro, j� que me amas tanto, mostra-o em apascentar as minhas ovelhas. -Agora me admiro eu deveras. Pois, para apascentar as ovelhas de Cristo tanto aparato de exames de amor de Deus? Uma vez, se me amas, e outra vez, se me amas, e terceira vez, se me amas? E n�o s�, se me amas, sen�o, se me amas mais que todos? Sim.
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 366

Circe's Power


I never turned anyone into a pig.
Some people are pigs; I make them
Look like pigs.

I'm sick of your world
That lets the outside disguise the inside. Your men weren't bad men;
Undisciplined life
Did that to them. As pigs,

Under the care of
Me and my ladies, they
Sweetened right up.

Then I reversed the spell, showing you my goodness
As well as my power. I saw

We could be happy here,
As men and women are
When their needs are simple. In the same breath,

I foresaw your departure,
Your men with my help braving
The crying and pounding sea. You think

A few tears upset me? My friend,
Every sorceress is
A pragmatist at heart; nobody sees essence who can't
Face limitation. If I wanted only to hold you

I could hold you prisoner.


(Louise Gl�ck)

*

Bom dia!

19.11.04
 


AFINADOR DE M�QUINAS

S�o t�o est�pidas as cr�ticas, as insinua��es, a goza��o a Jer�nimo de Sousa por ser (ou por ter sido) oper�rio, como se essa condi��o fosse um impeditivo ou uma menor valia para o exerc�cio do cargo de dirigente de um dos principais partidos portugueses. O que � interessante � que t�m origem ou nos aduladores do demagogo do �para o av� e para o beb�, ou nos bloquistas que revelam aqui a sua indisfar��vel marca de classe social.
 


INTEND�NCIA

Colocados no VERITAS FILIA TEMPORIS v�rios textos sobre a Europa:

DISCURSO DE ACEITA��O DA CANDIDATURA AO PARLAMENTO EUROPEU (Abril 1999).

OS QUE MANDAM E OS QUE OBEDECEM (Janeiro 2003)

A LAGARTIXA E O JACAR� 11, sobre a Constitui��o Europeia.
 


ANTOLOGIA DA PEDRA

1. PEDRO


"Pois tamb�m eu te digo que tu �s Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno n�o prevalecer�o contra ela. " (Mateus 16,18)

2.A PEDRA DO MEDO


Phobus

3. A EDUCA��O PELA PEDRA

Uma educa��o pela pedra: por li��es;
para aprender da pedra, freq�ent�-la;
captar sua voz inenf�tica, impessoal
(pela de dic��o ela come�a as aulas).
A li��o de moral, sua resist�ncia fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de economia, seu adensar-se compacta:
li��es de pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletr�-la.
Outra educa��o pela pedra: no Sert�o
(de dentro para fora, e pr�-did�tica).
No Sert�o a pedra n�o sabe lecionar,
e se lecionasse n�o ensinaria nada;
l� n�o se aprende a pedra: l� a pedra,
uma pedra de nascen�a, entranha a alma.


(Jo�o Cabral de Melo Neto)

(Continua)
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 365

Delight's Despair at setting


Delight's Despair at setting
Is that Delight is less
Than the sufficing Longing
That so impoverish.

Enchantment's Perihelion
Mistaken oft has been
For the Authentic orbit
Of its Anterior Sun.


(Emily Dickinson)

*

Bom dia!
 


F�RIA

Ainda bem que n�o perdi a capacidade de ficar furioso, � a palavra certa, furioso, com determinados actos pol�ticos. A pergunta aprovada por PSD-PP-PS para o referendo europeu � um insulto a todos os portugueses, e mostra, melhor do que nenhuma outra coisa, o desprezo que quem a aprovou tem pelo povo, por Portugal, palavra com que enchem a boca na raz�o directa do mau trato que d�o ao pa�s onde nasceram e a todos n�s.

Voltarei ao assunto, mas penso que � importante discutir j� se, em vez de uma campanha para votar "n�o", se devia organizar um movimento c�vico de recusa deste falso referendo e de contesta��o da sua legitimidade.

(S� depois de ter escrito esta nota comecei a ler o que se diz no mesmo sentido em v�rios blogues. N�o s�o muito importantes aqui as autorias, mas o protesto colectivo e a exig�ncia que esse protesto tenha meios de se expressar nos grandes meios de comunica��o social com a mesma relev�ncia dos defensores do "sim" que votaram esta pergunta manipuladora.)

*

A "pergunta" : "Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das vota��es por maioria qualificada e o novo quadro institucional da Uni�o Europeia, nos termos constantes da Constitui��o para a Europa?"

18.11.04
 


ANTES DE PARTIR

Haver� livros novos? J� est� o Natal em for�a? Entre as importa��es, que nos d�o cabo da balan�a, haver� alguns livrinhos ou s� autom�veis? As editoras cumprem o seu dever de empresas capitalistas e preparam os seus produtos da "esta��o" para obter chorudos lucros e nos dar prazer? Vamos ver.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: NUVENS, NUVENS, EM TODO O LADO





Nuvens em Marte, nuvens em Urano. Em Marte, puff...Em Urano, sim Urano, tamb�m l� est� nos c�us, uma tempestade no hemisf�rio norte, move-se sobre o azul perfeito.
 


AR PURO


Levitan, Outono dourado
 


EARLY MORNING BLOGS 364

Salome's Dancing-Lesson


She that begs a little boon
(Heel and toe! Heel and toe!)
Little gets- and nothing, soon.
(No, no, no! No, no, no!)
She that calls for costly things
Priceless finds her offerings-
What's impossible to kings?
(Heel and toe! Heel and toe!)

Kings are shaped as other men.
(Step and turn! Step and turn!)
Ask what none may ask again.
(Will you learn? Will you learn?)
Lovers whine, and kisses pall,
Jewels tarnish, kingdoms fall-
Death's the rarest prize of all!
(Step and turn! Step and turn!)

Veils are woven to be dropped.
(One, two, three! One, two, three!)
Aging eyes are slowest stopped.
(Quietly! Quietly!)
She whose body's young and cool
Has no need of dancing-school-
Scratch a king and find a fool!
(One, two, three! One, two, three!)


(Dorothy Parker)

*

Bom dia!

17.11.04
 


CHUVA DE FOGO









Estamos em plena chuva de fogo nocturna, os meteoritos conhecidos como �Le�nidas�. O c�u est� prop�cio, com este frio alto e sem nuvens e uma lua turca. Em vez de andarmos o dia todo inebriados(as) pelo sol de Inverno, e a fazermos as asneiras que tanta beleza solar costuma favorecer, vale a pena embrulharmo-nos num cobertor e olhar para cima. Ningu�m pode impedir os desejos por cada tra�o de fogo, mas os meteoritos s�o muitos, pelo que � necess�ria alguma prud�ncia.
 


ISAAK LEVITAN 2



Levitan, na Estrada Vladimirka, pinta o caminho que os exilados usavam para irem para a Sib�ria. A R�ssia, o imenso espa�o sem limites, um forte sentido de destino, de sentido, o sofrimento inscrito invisivelmente na paisagem, encontra aqui um retrato perfeito. Nada inquieta nesta estrada, est� bom tempo, os campos est�o verdes, h� sinais da presen�a humana, mas quem nela caminhava sabia que, no fim, o mundo era outro.
 


ISAAK LEVITAN

Um dos efeitos catastr�ficos da Revolu��o Russa foi isolar a grande cultura russa do s�culo XIX e do princ�pio do s�culo XX das correntes art�sticas da Europa e dos EUA. A pintura sofreu mais do que a literatura, com os pintores russos relegados para o esquecimento de museus estatais mal cuidados, em Moscovo e na prov�ncia, sem edi��es de qualidade, e sem a possibilidade de os amadores de arte e outros artistas poderem ver o que estava em museus de t�o dif�cil acesso como os da Arm�nia, ou do interior siberiano. Muitas colec��es privadas foram nacionalizadas ou desmembradas com a fuga para o estrangeiro dos seus donos, ou a venda, em condi��es p�ssimas, dos seus bens. Isaak Levitan, nos seus parcos quarenta anos de vida (1860-1900), foi um extraordin�rio paisagista, interpretando a terra russa na sua vastid�o como ningu�m, pintando a noite como noite, algo muito dif�cil de fazer. Como muitos intelectuais russos do seu tempo preocupava-se com a democratiza��o da arte e era um dos �itinerantes� (Peredvizhniky) cujas obras circulavam pelo interior da R�ssia, para que um maior n�mero de pessoas as pudessem ver.
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 363

Story


Tired of a landscape known too well when young:
The deliberate shallow hills, the boring birds
Flying past rocks; tired of remembering
The village children and their naughty words,
He abandoned his small holding and went South,
Recognised at once his wished-for lie
In the inhabitants' attractive mouth,
The church beside the marsh, the hot blue sky.

Settled. And in this mirage lived his dreams,
The friendly bully, saint, or lovely chum
According to his moods. Yet he at times
Would think about his village, and would wonder
If the children and the rocks were still the same.

But he forgot all this as he grew older.


(Philip Larkin)

*

Um pouco tarde, bom dia!

16.11.04
 


O �LTIMO DOS MOICANOS

H� o �ltimo dos moicanos e o �ltimo dos cavaquistas, lugar a que me candidato humildemente. Eu apoiarei Cavaco Silva como candidato presidencial, mas o que verdadeiramente eu quero � Cavaco Silva como candidato a Primeiro-ministro de Portugal. O que faz toda a diferen�a. Assim seja.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS / UM VULC�O QUE CUMPRE O SEU DEVER



A fotografia, (bom, n�o � bem uma fotografia, � uma fotografia com cores que n�s n�o vemos), no seu grande esplendor, est� aqui.O vulc�o � o Monte de S. Helena e a tecnologia usada para ver outros planetas revela no nosso, o vulc�o quente dentro do vulc�o frio.
 


APRENDENDO COM EUGENIO MONTALE SOBRE AS VIAGENS

PRIMA DEL VIAGGIO

Prima del viaggio si scrutano gli orari,
le coincidenze, le soste, le pernottazioni
e o doccia, a un letto o due o addirittura un flat ):
si consultano
le guide Hacchette e quelle dei musei,
si cambiano valute, si dividono
franchi da escudos, rubli da copechi:
prima del viaggio si informa
qualche amico o parente: si controllano
valige e passaporti, si completa
il corredo, si acquista un supplemento
di lamette da barba, eventualmente
si d� un'occhiata al testamento, pura
scaramanzia perch� i dasastri aerei
in percentuale sono nulla:
prima
del viaggio si � tranquilli ma si sospetta che
il saggio non si muova e che il piacere
di ritornare costi uno sproposito.
E poi si parte e tutto � O.K. e tutto
� per il meglio e inutile.
E ora che ne sar�
del mio viaggio?
Troppo accuratamente l'ho studiato
senza saperne nulla. Un imprevisto
� la sola speranza . Ma mi ddicono
ch� una stoltezza dirselo.

(enviado por Sofia P.)

 


CRIAR UM NOVO PARTIDO

Pedro Santana Lopes est� a fazer ao PSD o que Paulo Portas fez ao CDS: criar dentro de um partido, um novo partido o PP. � mais dif�cil faz�-lo no PSD, que tem um lastro muito especial e � um partido de grande dimens�o, menos pl�stico a �refunda��es�, mas, se lhe for dado tempo e oportunidade, � o que ele tentar� fazer. N�o � ali�s um projecto novo, j� tem hist�ria no muito esquecido projecto de um �partido social-liberal�, pensado por Lopes e anunciado pelo Independente de Portas.

Os sinais est�o bem � vista: a tend�ncia para o partido unipessoal, � PP de Portas, com o culto de personalidade assente na �subjectividade� do l�der, a interpreta��o messi�nica do destino manifesto, a �nfase na �gera��o� como mecanismo de exclus�o, a identidade nacionalista entre �Portugal� e o l�der, a acentua��o de um princ�pio de comando (�eu� foi a palavra mais forte do Congresso), a tenta��o populista do contacto directo entre o l�der e o �povo� atrav�s daquilo que, com ignor�ncia do significado das palavras, os f�s chamam, ou �intelig�ncia emocional� ou �carisma�, e o exerc�cio brutal do poder de estado ao servi�o n�o de causas, mas de pessoas. A complac�ncia com alguns pol�ticos pouco honestos que passeavam pela sala, sempre sem m�cula partid�ria, fa�am o que fizerem, a contrastar com a viol�ncia verbal contra os cr�ticos. A perigosa enfatua��o da palavra �l�der�.

Esta semana escreverei sobre tudo isto, at� que a voz me doa. O que � dif�cil de acontecer.
 


A LER

Versi scritti per tenere allegro Montale em Cura di S�

Ele h� pequenas not�cias que explicam muita coisa, O Guterres de Gaia no Jaquinzinhos.
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 362

Soneto (do Parnaso Espa�ol)


Ense�a a morir antes y que la mayor parte de la muerte es la vida y esta no se siente, y la menor, que es el �ltimo suspiro, es la que da pena.

Se�or don Juan, pues con la fiebre apenas
se calienta la sangre desmayada,
y por la mucha edad, desabrigada,
tiembla, no pulsa, entre la arteria y venas;

pues que de nieve est�n las cumbres llenas,
la boca, de los a�os saqueada,
la vista, enferma, en noche sepultada,
y las potencias, de ejercicio ajenas,

salid a recibir la sepoltura,
acariciad la tumba y monumento;
que morir vivo es �ltima cordura.

La mayor parte de la muerte siento
que se pasa en contentos y locura,
y a la menor se guarda el sentimiento.


(Francisco de Quevedo)

*

Bom dia!

15.11.04
 


A PEDRA

No Porto a pedra est� omnipresente. H� uma solidez absoluta na cidade, que se faz lembrar a todos pela dureza do granito. A cidade n�o tem cen�rios. Se quis�ssemos dizer, como naquelas descri��es estereotipadas, �vemos daqui o cen�rio da cidade�, como se fossem trapos pintados, ou estuque, ou cart�o, ou umas bandeiras ao vento, � porque n�o � o Porto. Esta cidade d� � for�a da gravidade o seu verdadeiro nome.

No centro da cidade, mesmo no centro da cidade, h� duas pedreiras eternas que ningu�m parece ser capaz de eliminar. � um pouco absurdo que um s�culo de urbanismo e de �mobili�rio urbano� n�o tenham conseguido eliminar essa estranheza de ter pedreiras nos equivalentes portuenses do Rossio e do Terreiro do Pa�o. Uma, � entrada da Ponte D. Lu�s, outra, na Trindade, ao lado da Igreja e da Ordem, coberta hoje por um dos edif�cios mais feios, sujos e escalavrados que se possa imaginar. Ambas as pedreiras resistem a desaparecer, como se fizessem parte da pele da cidade. J� as vi pintadas, com pichagens, cobertas de tapumes, de toda a maneira. A da Trindade deve recusar o seu edif�cio como um corpo rejeita um transplante. Mas continuam l�.

Pedra. Passando pela R. de D.Hugo, no absoluto sil�ncio de uma manh� de domingo. Pedra � volta nas casas, pedras, grandes lajes no ch�o, apenas perturbadas pelos furos da drenagem. O pequeno jardim quase veneziano, com o seu po�o de pedra, da Casa Museu Guerra Junqueiro. O ferro forjado dos port�es. A capela ao fundo, quando a rua se bifurca e descem as escadas para o rio e brilha de novo o sol sobre o muro em frente do Pa�o Episcopal. N�o h� sol na R. de D. Hugo.
 


AR PURO


Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 361

Very Like A Whale


One thing that literature would be greatly the better for
Would be a more restricted employment by authors of simile and metaphor.
Authors of all races, be they Greeks, Romans, Teutons or Celts,
Can'ts seem just to say that anything is the thing it is but have
to go out
of their way to say that it is like something else.
What foes it mean when we are told
That the Assyrian came down like a wolf on the fold?
In the first place, George Gordon Byron had had enough experience
To know that it probably wasn't just one Assyrian, it was a lot
of Assyrians.
However, as too many arguments are apt to induce apoplexy and thus
hinder longevity,
We'll let it pass as one Assyrian for the sake of brevity.
Now then, this particular Assyrian, the one whose cohorts were gleaming
in purple and gold,
Just what does the poet mean when he says he came down like a wolf
on
the fold?
In heaven and earth more than is dreamed of in our philosophy there
are
a great many things,
But i don't imagine that among then there is a wolf with purple
and gold
cohorts or purple and gold anythings.
No, no, Lord Byron, before I'll believe that this Assyrian was actually
like a wolf I must have some kind of proof;
Did he run on all fours and did he have a hairy tail and a big red
mouth and
big white teeth and did he say Woof woof?
Frankly I think it very unlikely, and all you were entitled to say,
at the
very most,
Was that the Assyrian cohorts came down like a lot of Assyrian cohorts
about to destroy the Hebrew host.
But that wasn't fancy enough for Lord Byron, oh dear me no, he had
to
invent a lot of figures of speech and then interpolate
them,
With the result that whenever you mention Old Testament soldiers
to
people they say Oh yes, they're the ones that a lot
of wolves dressed
up in gold and purple ate them.
That's the kind of thing that's being done all the time by poets,
from Homer
to Tennyson;
They're always comparing ladies to lilies and veal to venison,
And they always say things like that the snow is a white blanket
after a
winter storm.
Oh it is, is it, all right then, you sleep under a six-inch blanket
of snow and
I'll sleep under a half-inch blanket of unpoetical
blanket material and
we'll see which one keeps warm,
And after that maybe you'll begin to comprehend dimly,
What I mean by too much metaphor and simile.


(Ogden Nash)

*

Bom dia!


14.11.04
 


SEMPRE O PORTO

Hoje as gaivotas voltaram ao centro da cidade, porque o Porto n�o � uma cidade fluvial, mas mar�tima. A luz brilhante dos dias frios mostrava a enorme dignidade do granito. Havia sil�ncio.

13.11.04
 


EARLY MORNING BLOGS 360

"Star Light, Star Bright--"


Star, that gives a gracious dole,
What am I to choose?
Oh, will it be a shriven soul,
Or little buckled shoes?

Shall I wish a wedding-ring,
Bright and thin and round,
Or plead you send me covering-
A newly spaded mound?

Gentle beam, shall I implore
Gold, or sailing-ships,
Or beg I hate forevermore
A pair of lying lips?

Swing you low or high away,
Burn you hot or dim;
My only wish I dare not say-
Lest you should grant me him.


(Dorothy Parker)

*

Bom dia!

12.11.04
 


A LER

No Homem a Dias Muqata, banana e cola e, como coment�rio acertado, no Blasf�mias O fen�meno Timor-Lorosae revisitado. Tanta palermice sobre Arafat que se tem ouvido, de todos, desde as "altas autoridades" aos jornalistas excitados, que ao mais pequeno pretexto ideol�gico se revelam prontos a morrer como profissionais (simbolicamente claro) pela causa. Falta tudo: pudor, crit�rios, vergonha, conhecimento, ju�zo.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: O NOT�CIAS DO UNIVERSO



Pouco a pouco, as not�cias s�o do Universo, embora o suplemento mais activo seja hoje do Sistema Solar. A sonda Opportunity desiste de subir pela parede da cratera (foto). Ondas atravessam os an�is de Saturno. � Plut�o um verdadeiro planeta? J� viram o retrato em raio X da Pr�xima Centauri? Problemas com as rodas da frente do Spirit. Correm bem os preparativos para lan�ar um barco � vela muito especial, movido pelo vento solar. Nova fotografia de Tetis e das suas crateras. Pouco a pouco.
 


AR PURO


Carl Agricola
 


EARLY MORNING BLOGS 359

La dulce boca


La dulce boca que a gustar convida
un humor entre perlas destilado,
y a no invidiar aquel licor sagrado
que a J�piter ministra el garz�n de Ida,

�amantes! no toqu�is si quer�is vida:
porque entre un labio y otro colorado
Amor est� de su veneno armado,
cual entre flor y flor sierpe escondida.

No os enga�en las rosas que al Aurora
dir�is que aljofaradas y olorosas
se le cayeron del purp�reo seno.

Manzanas son de T�ntalo y no rosas,
que despu�s huyen d�l que incitan ahora
y s�lo del Amor queda el veneno.


(Luis de G�ngora)

*

Bom dia!

11.11.04
 


EM VEZ DO ESTADO A PAR�QUIA

Os Conselhos de Ministros fora de Lisboa n�o s�o novidade. O actual governo tem-se especializado nesse tipo de reuni�es, mas seria injusto atribuir-lhe apenas este tipo de pr�ticas. A percursora foi a eng. Pintasilgo, mas muitos outros governos do PS e PSD tamb�m andaram em passeio pelo "interior". � uma maneira f�cil de parecer que se faz alguma coisa sobre a parte mais deprimida do pa�s e, face � indiferen�a da comunica��o social nacional, sempre se pode obter algum interesse da regional. Em v�spera de elei��es aut�rquicas, tem tamb�m alguma utilidade.

S� que h� mais outra coisa. Nota-se outra coisa: a dificuldade que tem o Primeiro-ministro em entender a governa��o acima do n�vel das autarquias, ao n�vel do Estado. Ele tem tend�ncia para governar o pa�s como se fosse o Presidente da C�mara de Portugal. Tem pouco interesse e conhecimento das mat�rias exclusivas do Estado, Neg�cios Estrangeiros, Defesa, Administra��o Interna, que deixa praticamente em autogest�o aos respectivos ministros. Na macro-economia n�o se mete, o que faz bem. Na micro j� n�o estou certo, porque a politiza��o dos nossos neg�cios � enorme.

Sobra o que sobra: a gest�o pol�tico-partid�ria a partir do estado, a propaganda, chamada �imagem�, mat�rias a que sabemos dedica grande aten��o. E depois sobra aquele misto de governo paternalista, envolvendo clientelas e patrocinato, proximidade e festa popular, banda, majoretes e desfile dos bombeiros, inaugura��es e foguetes, boletim com cem fotografias e cartazes de promessas, not�veis agradecidos e �sess�es solenes�, que � t�o t�pico da forma paroquial como s�o geridas as autarquias.
 


INTEND�NCIA

Actualizadas as notas A FELICIDADE, IDEIA NOVA NA EUROPA 2, e APRENDENDO COM O PADRE ANT�NIO VIEIRA.

Em actualiza��o os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.
 


OU�AM COMO SE ESCREVIA

numa vulgar revista popular, h� meio s�culo, quando o povo ainda estava "l� na sua":

(...) � no dia 11 de Novembo, dia de S.Martinho, ditoso Bispo de Tours, nascido na Hungria e discipulo do papa Santo Hil�rio � que o culto da castanha se unifica com Baco, sacrificador de quantos ton�is virgens escaparam � gula de cat�licos e pag�os. Talvez por isso, a sabedoria popular esceveu um axioma inviol�vel e usureiro:

No dia de S. Martinho
Mata o porquinho
Abre o pipinho
Rebusca o soitinho
E p�e-te de mal com o teu vizinho.

L� na sua, o povo quer dizer que, em familia, se devem saborear os �ltimos bocados gostosos do ano: as febras do porco, o vinho novo e as derradeiras castanhas achadas ao rebusco.


(da revista Ver Para Crer, n� 19, Novembro de 1946, enviada por R.)

 


UM VULC�O QUE CUMPRE O SEU DEVER

 


EARLY MORNING BLOGS 358

Rhetorical Questions

How do you think I feel
when you make me talk to you
and won't let me stop
till the words turn into a moan?
Do you think I mind
when you put your hand over my mouth
and tell me not to move
so you can "hear" it happening?


And how do you think I like it
when you tell me what to do
and your mouth opens
and you look straight through me?
Do you think I mind
when the blank expression comes
and you set off alone
down the hall of collapsing columns?


(Hugo Williams)

*

Bom dia!

10.11.04
 


BIBLIOFILIA 2



Folha de um cat�logo de tatuagens com os pre�os manuscritos.
 


APRENDENDO COM O PADRE ANT�NIO VIEIRA: AS DUAS CHAVES

"N�o sei se reparais em que deu Cristo a S. Pedro n�o s� chave, sen�o chaves: Jibi dabo claves. Para abrir as portas do c�u bastava uma s� chave: pois, por que lhe d� Cristo duas? Porque assim como h� caminhos contra caminhos, assim h� portas contra portas: Portae inferi non praevalebunt adversus eram. H� caminhos contra caminhos, porque um caminho leva a Cristo, e outro pode levar a Herodes; e h� portas, contra portas porque umas s�o as portas do c�u, e outras as portas do inferno, que o encontram. Por isso, � necess�rio que as chaves sejam duas, e que ambas estejam na mesma m�o. Uma com que Pedro possa abrir as portas do c�u, e outra com que possa aferrolhar as portas do inferno; uma com que possa levar os gentios a Cristo, e outra com que os possa defender do dem�nio, e seus ministros. E toda a teima do mesmo dem�nio e do mesmo inferno, � que estas chaves e estes poderes se dividam, e que estejam em diferentes m�os."

*

"Essa do �Aprendendo com o Padre Ant�nio Vieira� � um mist�rio, pois nunca percebi o que � suposto aprender! Que � um del�rio l�-lo, � sim. Que ainda � mais delirante l�-lo citando Jesus Cristo e em latim (dois factos s� por si do dom�nio do virtual), � sim. Mas aprender aprender, s� se for algo sobre a prosa barroca portuguesa. "

(J.)

*

"O que eu aprendi com o Padre Ant�nio Vieira no Abrupto:

Duas Chaves

H� caminhos contra caminhos, porque um caminho leva a Cristo, e outro pode levar a Herodes; e h� portas, contra portas porque umas s�o as portas do c�u, e outras as portas do inferno, que o encontram. Por isso, � necess�rio que as chaves sejam duas, e que ambas estejam na mesma m�o.

Breu da barca

Mas eu n�o me posso persuadir que, quando S. Pedro acabava de honrar a Cristo por seu Pai, com o nome de Filho de Deus vivo, o Senhor lhe respondesse com o que tanto lhe tocava no vivo, como ouvir em p�blico a indignidade do seu.

Como se dissera o divino Mestre com resposta muito digna da sua grandeza: �Tu, Pedro, dizes que eu sou Filho do Eterno Padre? Pois eu te digo que tu �s filho do Esp�rito Santo�."

O �

A figura mais perfeita e mais capaz de quantas inventou a natureza e conhece a geometria � o c�rculo.

As l�nguas falam, o fogo alumia

Para converter almas, n�o bastam s� palavras: s�o necess�rias palavras e luz.

Uns aprendem, outros n�o

O mestre na cadeira diz para todos, mas n�o ensina a todos. Diz para todos, porque todos ouvem; mas n�o ensina a todos, porque uns aprendem, outros n�o.

Acho que basta, por ora."

(R.M.)
 


BIBLIOFILIA



Uma volta pelos alfarrabistas revelou coisas curiosas: um cartaz anti-alco�lico dos anos cinquenta do Congo Belga, e um livro anticomunista sobre Lenine, traduzido para portugu�s, e publicado nos anos trinta.
 


A FELICIDADE, IDEIA NOVA NA EUROPA 2

"� muito reveladora a quest�o da felicidade e da alegria e paz, assim como a forma como as palavras s�o utilizadas ao longo dos tempos.
Mas o que importa � que o latim era uma l�ngua composta, essencialmente, por voc�bulos concretos e, principalmente, ligados �s actividades dos homens. Assim FELIX, ICIS significava fecundo, f�rtil, s� mais tarde passou a adquirir o significado que lhe damos hoje. Enquanto a palavra alegre, do latim ALACER, ALACRIS,(-IS, -E) significava vivo, esperto, alegre. Da� provavelmente, as palavras alegria e paz serem as que aparecem na B�blia.
Quanto a Bonheur (bon heur>> sendo a combina��o de bon(bonus,a,um) e heur que ainda existe em fran��s e significa sorte, logo o significado de bonheur � mais pr�ximo de boa sorte, i.e., algo aleat�rio, algo n�o control�vel, algo deixado ao acaso... e a sorte de Saint Just acabou como a de Robespierre."

(Ana da Palma)

*

"Penso que n�o se dever� esquecer o termo "bem-aventurados", muito repetido no serm�o das bem-aventuran�as, que significar� o mesmo que "felizes". Quando Jesus Cristo afirma �bem-aventurados os que sofrem�, no fundo, julgo, quer dizer �felizes os que sofrem�, ou melhor, �alcan�ar�o felicidade os que sofrem�; a felicidade aqui entendida como a �gl�ria celestial�. "

(M�rio Azevedo)


*

"Entretanto, e a prop�sito do luminoso esclarecimento do leitor �cerca da �bem-aventuran�a� � e que me parece de facto cabal � ocorrem-me outras afirma��es b�blicas que me parecem de maior valor existencial que a frase de Cristo que o leitor cita. Nomeadamente, a afirma��o: �bem-aventurados os pobres de esp�rito porque ser� deles o reino dos c�us�.

Se associar isto � par�bola sobre os �l�rios do campo�, julgo que fica bem expressa a ideia de que a felicidade requer conformismo com o curso essencial da vida (da nossa e da dos outros em geral). O que obviamente est� nos ant�podas da vis�o comunista sobre a capacidade do Homem se transformar a si pr�prio (e aos outros) pela for�a da vontade. Vis�o, de resto, comum ao fascismo militante e aos fundamentalismos religiosos."

(Jos� Lu�s Pinto de S�)
 


COISAS SIMPLES


Karel Appel, Nu couch�
 


EARLY MORNING BLOGS 357

Catch a Little Rhyme


Once upon a time
I caught a little rhyme

I set it on the floor
but it ran right out the door

I chased it on my bicycle
but it melted to an icicle

I scooped it up in my hat
but it turned into a cat

I caught it by the tail
but it stretched into a whale

I followed it in a boat
but it changed into a goat

When I fed it tin and paper
it became a tall skyscraper

Then it grew into a kite
and flew far out of sight...


(Eve Merriam)

*

Bom dia!
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: ONDAS



nos an�is de Saturno. Ondas, sinais, perturba��es no meio, flutua��es. Aug�rios. Os planetas falam.
 


APRENDENDO COM ROSALIA DE CASTRO SOBRE A "VENTURA"

A VENTURA � TRAIDORA


Tembra a que unha inmensa dicha
neste mundo te sorprenda;
grorias, aqui, sobrehumanas
tr�n desventuras supremas
Nin maxines que pasan os dores
como pasan os gustos na terra;
hai inferno na mem�ria,
cando n�os hai na concencia!


Cal arraigan as hedras nos muros,
Nalguns eitos arraigan as penas,
e unhas van minando a vida
cal minan �utralas pedras.
Si; tembra cando no mundo
sintas una dicha inmensa:
val m�is que a t�a vida corra
Cal corre a iagua serena.


(Enviado por R.M.)
 


INTEND�NCIA

Actualizado A FELICIDADE, IDEIA NOVA NA EUROPA.

9.11.04
 


COISAS SIMPLES


Helen Allingham, Thomas Carlyle
 


A FELICIDADE, IDEIA NOVA NA EUROPA

Numa confer�ncia citei a frase de Saint Just, no dia 3 de Mar�o de 1794, na Conven��o : � Le bonheur est une id�e neuve en Europe. �. Numa conversa a seguir, O.A. disse-me: �Na B�blia nunca se usa a palavra felicidade, s� se fala de alegria e paz�, o que tornava a frase de Saint Just ainda mais interessante e certeira. Fui verificar e encontrei a palavra �felicidade� apenas duas vezes na B�blia e num contexto que s� confirma a raz�o de Saint Just com a �novidade� da ideia. Uma, em Job 30,15, �como nuvem passou a minha felicidade�, e outra em Lamenta��es 3, 17, �esqueci-me do que seja a felicidade�. Em ambos os casos a �felicidade� � um estado passado e nunca um objectivo.

*

A S. fez uma procura suplementar com a palavra "feliz" e encontrou dezoito resultados. Embora "feliz" e "felicidade" n�o sejam a mesma coisa, a an�lise dos resultados s� confirma o que se diz antes. Por exemplo:

"Feliz � o homem que me d� ouvidos, velando cada dia �s minhas entradas, esperando junto �s ombreiras da minha porta." [Prov�rbios 8,34]

"O que despreza ao seu vizinho peca; mas feliz � aquele que se compadece dos pobres." [Prov�rbios 14,21]

"O que atenta prudentemente para a palavra prosperar�; e feliz � aquele que confia no Senhor." [Prov�rbios 16,20]

"Tenho-me por feliz, � rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus" [Actos dos Ap�stolos 26,2]

"Ser�, por�m, mais feliz se permanecer como est�, segundo o meu parecer, e eu penso que tamb�m tenho o Esp�rito de Deus." [I Cor�ntios 7,40]

*

"Como alem� e protestante, posso lhe garantir, que Lutero na sua tradu��o da B�blia somente uma �nica vez utiliza a palavra "Gl�ck" nos exemplos citados (Prov�rbios, 16,20). N�o quero entrar em pormenores, mas o contexto em Prov�rbios 8,34 � de tal forma, que a tradu��o "feliz" deturpa a mensagem. Este pormenor lembra-me, antes de mais, as defini��es e distin��es que Hannah Ahrendt faz relativamente �s culturas europeias que conheceram ou n�o a Reforma."

(Monika Kietzmann Lopes)

*

"Assim n�o vale! Ent�o os tempos presente (muitas vezes com sentido de futuro prometido) e futuro confirmam que "a 'felicidade' � um estado passado e nunca um objectivo"? :)
Mais felicidade b�blica (outra tradu��o) aqui e aqui".

(S.)

*

"� uma discuss�o interessante porque h� tamb�m ainda �restos� da ideia contr�ria imputada ao catolicismo, que se est� na vida para sofrer e que esse sofrimento � que nos leva ao c�u, ou � vida eterna. Claro que a felicidade e o sofrimento longe de serem ideias opostas s�o meramente reversos de uma mesma medalha, pois o sofrimento, neste caso, vale como a n�o-aceita��o da felicidade enquanto objectivo a perseguir, por ser t�o indigna, t�o pag�? � tamb�m interessante porque nos obriga a pensar e procurar o que movia as pessoas antes dessa busca da felicidade, e ver o que realmente mudou na forma de pensar de estar na vida. E finalmente fica a quest�o de se no mundo n�o ocidental essa busca � tamb�m o cerne da vida dos homens e das mulheres ou se ela vem com o �package� da ocidentaliza��o e do �americam way of life� a que se aspira."

(J.)

*

"� preciso ver o latim da Vulgata e o grego dos Setenta. Ora nos vers�culos dos Prov�rbios que foram referidos o termo � sempre beatus. E sobre a beatitude futura h� na Escritura mais de uma centena de ocorr�ncias. Que Lutero fugia da felicidade � coisa sabida (Calvino ainda mais�), mas ser� que o mesmo se pode dizer do Novo Testamento? Entre tantos passos escolhidos estranho que ningu�m se tenha lembrado da Magna Carta da felicidade, o bem conhecido Serm�o da Montanha, Mt 5, 1-12 (ou Lc 6, 20-35). (em boa verdade n�o estranho nada) Claro que aqui n�o se trata da 'felicidade' revolucion�ria que matou milh�es de infelizes (na guilhotina, a tiro ou � baioneta: Paris, Vendeia, guerras napole�nicas, etc.), nem da 'felicidadezinha' do bem-estar (curiosa esta substitui��o do ser pelo estar), mas simplesmente da real bem aventuran�a que se experimenta j� e ainda n�o�"

(fbp)
 


LER, ESCREVER, CONTAR E VER TELEVIS�O

O que a escola deve ensinar hoje.

(Contradit�rio: que a escola n�o pode ensinar-nos hoje, porque a escola mais eficaz j� � a televis�o, e a televis�o n�o tem espessura para se ver a si pr�pria.)

Ou, mais exactamente, ler, escrever, contar e saber ler/ver o fluxo digital que nos chega por v�rios m�dia (televis�o, CDs, r�dio, Internet) e que no futuro nos chegar� de forma integrada numa nova forma de Internet, que ter� tudo: m�sica, imagem, televis�o, interactividade, jogos.

E que estar� perto de n�s. Que estar� muito perto de n�s: nas paredes da casa, na roupa, no corpo.

8.11.04
 


A VER

Uma bela Astronomy Picture of Today, tirada na terra dos turcos.
 



Helena Almeida
 


EARLY MORNING BLOGS 356

D�part



Ici, l'Empire au centre du monde. La terre ouverte au labeur des vivants. Le continent milieu des Quatre-mers. La vie enclose, propice au juste, au bonheur, � la conformit�.
O� les hommes se l�vent, se courbent, se saluent � la mesure de leurs rangs. O� les fr�res connaissent leurs cat�gories : et tout s'ordonne sous l'influx clarificateur du Ciel.
o
L�, l'Occident miraculeux, plein de montagnes au-dessus des nuages ; avec ses palais volants, ses temples l�gers, ses tours que le vent prom�ne.
Tout est prodige et tout inattendu : le confus s'agite : la Reine aux d�sirs changeants tient sa cour. Nul �tre de raison jamais ne s'y aventure.
o
Son �me, c'est vers L� que, par magie, Mou-wang l'a projet�e en r�ve. C'est vers l� qu'il veut porter ses pas.
Avant que de quitter l'Empire pour rejoindre son �me, il en a fix�, d'Ici, le d�part.

(Victor Segalen)

*

Bom dia!

7.11.04
 


POEIRA DE 7 DE NOVEMBRO (2)

Hoje, h� oitenta e sete anos, em Petrogrado, um pequeno partido socialista radical que n�o queria aceitar os resultados das elei��es, organizou uns grupos armados que tomaram as sedes do governo na cidade. Praticamente n�o houve resist�ncia, e, no Pal�cio de Inverno, s� meia d�zia de mulheres soldados renderam-se sem combate. O que aconteceu neste dia mudou totalmente o s�culo XX. Quem se lembra?
 


POEIRA DE 7 DE NOVEMBRO

Entre ontem e hoje, h� sessenta e seis anos, Cesare Pavese descreveu assim o seu dia (noite): "Passei toda a noite sentado diante de um espelho para fazer companhia a mim pr�prio". No limite, h� quem acabe assim, com o espelho por companhia. N�o me parece brilhante, at� porque acho que falam os dois do mesmo.
 


APRENDENDO COM O PADRE ANT�NIO VIEIRA: O BREU DA BARCA

"Quando S. Pedro acabou de fazer a sua confiss�o, disse-lhe o mesmo Cristo assim exaltado: Beatus es, Simon Barjona: Bem-aventurado �s, Sim�o Barjona. Era este o apelido humilde de Pedro, e que cheirava ainda ao breu da barca; e t�m para si alguns expositores, quis o Senhor lembrar-lhe nesta ocasi�o a baixeza do seu nascimento, para que a dignidade, a que logo o havia de levantar, o n�o desvanecesse. Mas eu n�o me posso persuadir que, quando S. Pedro acabava de honrar a Cristo por seu Pai, com o nome de Filho de Deus vivo, o Senhor lhe respondesse com o que tanto lhe tocava no vivo, como ouvir em p�blico a indignidade do seu. E o que em tal caso n�o faria nenhum homem de bem, n�o havemos de crer que o fizesse o bem dos homens. Qual foi logo a raz�o daquele nome ou sobrenome, e em resposta do que Pedro tinha dito? Barjona na l�ngua hebr�ia ou sir�aca que naquele tempo era a vulgar, significa filius columb�, filho da pomba; e dizem comumente os Santos Padres que aludiu o Senhor � pomba, em cuja figura desceu o Esp�rito Santo no baptismo sobre o mesmo Cristo. Como se dissera o divino Mestre com resposta muito digna da sua grandeza:__ �Tu, Pedro, dizes que eu sou Filho do Eterno Padre? Pois eu te digo que tu �s filho do Esp�rito Santo�."
 


INTEND�NCIA

Em actualiza��o os ESTUDOS SOBRE COMUNISMO.

Colocados os textos O ASSALTO AO INDIV�DUO e o TORR�OZINHO DE A��CAR, ambos de Novembro 2000, no VERITAS FILIA TEMPORIS.
 


AR PURO


Levitan, Sombras. Noite de Luar
 


EARLY MORNING BLOGS 355

Cold Morning

Through an accidental crack in the curtain
I can see the eight o'clock light change from
charcoal to a faint gassy blue, inventing things

in the morning that has a thick skin of ice on it
as the water tank has, so nothing flows, all is bone,
telling its tale of how hard the night had to be

for any heart caught out in it, just flesh and blood
no match for the mindless chill that's settled in,
a great stone bird, its wings stretched stiff

from the tip of Letter Hill to the cobbled bay, its gaze
glacial, its hook-and-scrabble claws fast clamped
on every window, its petrifying breath a cage

in which all the warmth we were is shivering.


(Eamon Grennan)

*

Bom dia!

6.11.04
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: OS C�RCULOS

"Escreve-se hoje no Abrupto:
"Tenho repetido � saciedade que existe um efeito de Big Brother nas pol�ticas em democracia: tudo o que � importante n�o se v�, ao mesmo tempo que as pessoas t�m a ilus�o que sabem de tudo, em directo e a cores".
Concordo plenamente com o facto e sobretudo com as ila��es. Mas (...) dentro da compuls�o quase natural do sistema pol�tico essas coisas n�o se podem dizer, pelo menos desse modo, pois n�o? Existe uma margem de reflex�o que escapa, ou que se cont�m irremediavelmente, quando o exerc�cio do poder atravessa a enuncia��o dos mundos de quem escreve. Existe, de facto, um estar fora do c�rculo e um estar por dentro desse mesmo c�rculo. Que � o do poder, directo, real, exercido. O poder n�o � uma ferramenta pejorativa ou artificiosa, mas acaba sempre por ditar ou condicionar a medida e o momento em que a palavra � materializada em discurso.(...) . A dissimula��o entretece o dizer da pol�tica, enquanto a discri��o - e t�o-s� a discri��o - entretece o poder aut�nomo e corrosivamente livre da palavra."

(Luis Carmelo)
 


INTEND�NCIA

Colocado no VERITAS FILIA TEMPORIS a LAGARTIXA E O JACAR� 10 sobre porque raz�o a oposi��o do PS � d�bil, o "mar c�o" que mata, o ru�do e Weber e a selvajaria do futebol.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: NADA DE NOVO SOBRE A TERRA, TUDO DE NOVO NOS C�US






Ch�o de Tit�, em falsas cores. Ch�o de Marte, a preto e branco, como os fot�grafos gostam. Ch�o novo, onde se olha pela primeira vez, com a mesma frescura, curiosidade, emo��o e algum medo, com que os nossos portuguesinhos de antigamente chegavam a novas terras. Ser� que haver� ali unic�rnios, homens de duas cabe�as, monstros de rabo de peixe, a borda do mundo? Adamastores haver� certamente, nalguma esquina do espa�o, perto de n�s. Riquezas tamb�m. Saberes, muitos.
 


AGIR COMO MILITANTES, RECEBER COMO PROFISSIONAIS

(Nota breve: tudo o que se diz abaixo aplica-se ao PSD e ao PS.)

O texto do P�blico de hoje, assim como uma reportagem da S�bado sobre as �ag�ncias de comunica��o�, s�o leitura obrigat�ria para perceber a linha para onde hoje o poder se recolhe, para fugir � falsa transpar�ncia do escrut�nio em tempo real. Tenho repetido � saciedade que existe um efeito de Big Brother nas pol�ticas em democracia: tudo o que � importante n�o se v�, ao mesmo tempo que as pessoas t�m a ilus�o que sabem de tudo, em directo e a cores. O que � importante est� do lado de tr�s da c�mara ( a c�lebre �produ��o" do Big Brother, os vidros negros e os espelhos que ocultavam as filmagens) ao mesmo tempo que as personagens est�o a nu para o �voto� dos �portugueses�. Falsa transpar�ncia, real obscuridade.

Uma parte do mundo de �neg�cios� que circula ao lado e dentro dos partidos � constitu�da por empresas que vivem das encomendas dos partidos (nas campanhas eleitorais) e dos governos. Muitas dessas empresas s�o formadas por antigos militantes e, nalguns casos, funcion�rios partid�rios, que come�aram por prestar voluntariamente ou profissionalmente, dentro dos partidos, os servi�os que agora vendem. S�o empresas de todo o tipo de dimens�o, que existem a n�vel local, regional e nacional (neste caso quase s� lisboeta), ligadas quer aos aparelhos dos partidos, quer das juventudes. T�m todas em comum serem constitu�das por �pessoas de confian�a� pol�tica, baseadas em amizades pessoais e pol�ticas e conhecedoras dos mecanismos de decis�o interna partid�ria. Fornecem tudo, desde servi�os de tipografia, canetas made in China, constru��o de sites na Internet, �brindes�, marketing, �rela��es p�blicas� e �comunica��o�. S�o uma das raz�es porque as campanhas eleitorais t�m muita dificuldade em escapar aos modelos tradicionais, baseados em elevad�ssimas despesas de propaganda, que s�o um excelente neg�cio que ningu�m quer perder.

Nos partidos, h� toda uma s�rie de intermedi�rios para este tipo de servi�os e de �neg�cios� e existe uma competi��o entre os fornecedores de servi�os, que passa tamb�m pelos conflitos internos dentro dos partidos. A promiscuidade � total e uma parte do que se chama habitualmente �aparelho� � exterior �s estruturas partid�rias. Como em todas as coisas h� aqui diferen�as significativas de dimens�o e sofistica��o entre as �encomendas� de uma campanha aut�rquica no interior e as �encomendas� nacionais, envolvendo fundos muito significativos. A� o que est� em jogo � muito importante, e as paradas s�o muito altas.

Com a sua obsess�o pela propaganda, o marketing, a publicidade, e a �imagem� , o grupo � volta do actual Primeiro-ministro tem profundas rela��es com estes meios, com jornalistas, profissionais de �rela��es p�blicas� e de �comunica��o�. Este � o outro lado complementar da tentativa directa de controlo da comunica��o, ou seja, parte do mesmo processo. Em todos os s�tios por onde passou, as despesas deste tipo elevaram-se exponencialmente, dando emprego e �neg�cios� a toda uma s�rie de pr�ximos que lhe manifestam, como � de esperar, fortes fidelidades pessoais e de grupo.

Acontece que este grupo n�o � constitu�do por necessariamente as mesmas pessoas e empresas que �j� l� estavam� com os anteriores dirigentes do partido, portanto h� toda uma partilha a fazer, com gente a ganhar e outra a perder. Isto ajuda a explicar o significado da den�ncia do antigo director do Di�rio de Not�cias, que levanta o v�u sobre uma realidade pol�tica, insisto pol�tica, que at� agora n�o tinha sido realmente escrutinada, porque est� por detr�s das paredes da casa do Big Brother.

(Continua)
 


EARLY MORNING BLOGS 354

Eros e Psique



... E assim vedes, meu Irm�o,
que as verdades que nos foram
dadas no Grau de Ne�fito, e aquelas
que vos foram dadas no Grau de
Adepto Menor, s�o, ainda que opos-
tas, a mesma verdade.

DO RITUAL DO GRAU DE
MESTRE DO �TRIO NA ORDEM
TEMPL�RIA DE PORTUGAL.

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem s� despertaria
Um Infante, que viria
De al�m do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, j� libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que � Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida.
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esfor�ado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela � ignorado.
Ela para ele � ningu�m.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, ainda tonto do que houvera,
� cabe�a, em maresia,
Ergue a m�o, e encontra hera,
E v� que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


(Fernando Pessoa)

*

Bom dia!

5.11.04
 


COISAS SIMPLES

 


EARLY MORNING BLOGS 353

silence...


silence

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a
looking

bird:the

turn
ing;edge,of
life

(inquiry before snow


(e.e. cummings)

*

Bom dia!

4.11.04
 


MAIS DO MESMO - TR�S NOTAS SOBRE COMUNICA��O SOCIAL



1.S�crates disse que nunca passou pela cabe�a de ningu�m que a compra da Lusomundo pela PT poderia levar � instrumentaliza��o dos �rg�os de informa��o do grupo. Tretas. Passou, pelo menos, pela minha cabe�a. Escrevi isto em Dezembro de 2000, imediatamente a seguir � opera��o:

"A compra da Lusomundo pela PT e a hip�tese de se concretizar id�ntica compra da Media Capital, junta na PT um dos grupos mais poderosos de comunica��o social em Portugal. Com um mesmo dono ficar�o entre outros o Di�rio de Not�cias, o Jornal de Not�cias, a TSF, portais do Internet e eventualmente a TVI, o Di�rio Econ�mico, e v�rios outros jornais regionais e r�dios. A justifica��o oficial dessa compra est� na necessidade de unir "conte�dos" com plataformas de telecomunica��es, uma tend�ncia caracter�stica dos "neg�cios" na �rea estrat�gica da nova economia. Tudo isto parece id�ntico ao que se passa nos outros pa�ses e o "neg�cio" fundamentado em tend�ncias correntes da economia. Mas esta inocente an�lise, t�o conveniente ao poder, esconde uma perigosa consequ�ncia para a qualidade da nossa democracia.
O que se passa na realidade � a re nacionaliza��o da comunica��o social em Portugal pelo estado, feita por um governo socialista que tem uma longa tradi��o de defender uma comunica��o social do estado, e com id�ntico historial de se opor � privatiza��o. Nenhuma privatiza��o de qualquer �rg�o de comunica��o social do estado foi de iniciativa do PS, (�) Hoje tal desejo estatizante foi conseguido por detr�s da capa dos novos "neg�cios" e ser� provavelmente esta a via que condicionar� a evolu��o da RTP, que ser� parcialmente (e falsamente) "privatizada", colocando nas m�os disfar�adas do Governo, atrav�s das m�os descobertas dos gestores por ele escolhidos, decis�es fundamentais para a liberdade de express�o e o debate contradit�rio em Portugal. Todo este processo est� a desenvolver se no meio da habitual indiferen�a da opini�o p�blica e incompreens�veis hesita��es da oposi��o.
Alguns directores de �rg�os de comunica��o social do grupo Lusomundo, entenderam escrever editoriais ou dizerem que o "neg�cio" n�o impedia a liberdade editorial que eles pr�prios garantiam nos �rg�os de comunica��o. N�o contesto a genuinidade das suas convic��es de que assim seja, mas acho que, est�o a ser pouco cautelosos e a desprevenir os seus leitores e ouvintes, e em geral os portugueses quanto �s consequ�ncias do que se est� a passar. De facto, como jornalistas, com responsabilidades de direc��o, eles devem ser os primeiros a saber que justificar o que se passou como se fosse "apenas" um "bom neg�cio" nestes tempos de nova economia ilude o essencial: o papel do governo no "neg�cio" e a depend�ncia do governo da PT atrav�s da chamada "golden share". Eles vieram garantir com grande ingenuidade, que nenhum comando pol�tico ser� poss�vel, visto que as op��es do "neg�cio" n�o ter�o reflexos editoriais e, que se tratava por parte da PT, apenas de comprar "conte�dos", para potenciar a sua plataforma de distribui��o. A pr�pria justifica��o deste "neg�cio", feita desta forma acr�tica, � j� preocupante.
O que se passa � que nesta aquisi��o da PT h� quest�es pol�ticas incontorn�veis e que devem ser descritas com toda a clareza para se perceber bem: quem manda na PT � o governo, e dificilmente algu�m imagina a decis�o da compra da Lusomundo (e eventualmente de outras compras a haver) sem que tal passasse por uma decis�o do governo. Tem sido pol�tica do tandem, Primeiro Ministro Guterres, Ministro Pina Moura, privatizar na apar�ncia, e refor�ar o controle do governo atrav�s de golden shares, do exerc�cio da tutela e da nomea��o de gestores de confian�a pol�tica, e da interfer�ncia directa do governo em actos normais de gest�o. Isto coloca a decis�o da PT numa luz diversa da de um mero "neg�cio". A PT n�o � uma empresa privada qualquer � um instrumento "estrat�gico" do governo e do poder socialista e j� n�o � de agora que � assim.
Dito com a brutalidade das grandes verdades, a cadeia de comando vai do Ministro Jorge Coelho, para o Presidente do Conselho de Administra��o Murteira Nabo e, quer um quer outro, n�o s�o pessoas vulgares mas socialistas com fun��es politizadas: o Ministro Coelho � o que se sabe e o Eng. Murteira Nabo s� n�o foi ministro, pela raz�o que tamb�m se sabe. Com a golden share do estado, as decis�es �ltimas sobre qualquer grande neg�cio da PT v�o a Conselho de Ministros, formal ou informal, e � por isso que quando eles est�o a mexer nos "conte�dos", mesmo que em nome dos "neg�cios", se possa suscitar necessariamente uma quest�o pol�tica s�ria de liberdade e pluralismo. E se n�o se suscita, ent�o a coisa � ainda mais s�ria, porque se est� a jogar ou no amorfismo ou, pior ainda, em obscuros compromissos de que muitas vezes a pr�pria oposi��o n�o est� isenta, em empresas geridas pelo m�todo do "bloco central".
Na verdade, o que se est� a passar � que sob a autoridade �ltima do governo socialista, se encontra hoje o mais poderoso grupo da comunica��o social existente em Portugal e a acrescer exponencialmente, somando se aos canais da televis�o e da r�dio p�blica eles tamb�m cada vez mais governamentalizados. Este grupo, que tem ali�s todos os tiques de um monop�lio de estado, agora possui "conte�dos". A palavra "conte�dos", � um eufemismo enganador, que tamb�m tem sido usado com uma displic�ncia inadmiss�vel pelos defensores do "neg�cio". Esses "conte�dos" s�o o jornal que n�s lemos, a televis�o que vemos, a r�dio que ouvimos. Antes era jornalismo, agora � um "conte�do".
J� ningu�m � suficientemente ing�nuo para pensar que a interfer�ncia do governo na comunica��o social se faz por telefonemas directos dos ministros, embora ainda os haja. As formas s�o mais sofisticadas, uma das quais s�o as "reestrutura��es" em nome da efic�cia dos "neg�cios" que condicionam carreiras, postos, compromissos e o destino de jornais e r�dios. Tamb�m a� h� algu�m a premiar quem se porta bem e quem se porta mal e esse algu�m est� no governo, ou depende do governo."


A verdade � que na altura, PS, PSD, PP e PCP, e os jornalistas n�o ligaram nada ao que estava acontecer.

2. As declara��es de Fernando Lima na AACS s�o das mais importantes l� proferidas, porque acrescentaram factos (sobre a sua demiss�o) e uma interpreta��o que chama a aten��o para um aspecto que tem permanecido obscuro em todo este processo: o papel das empresas de comunica��o e rela��es p�blicas, constitu�das por jornalistas, e que competem entre si pelos neg�cios que a �central de informa��o�, muitos minist�rios e gabinetes se preparam para fazer (ou j� fizeram). � uma �rea obscura onde promiscuidades de todo o tipo abundam.

3. Os notici�rios da TVI com Manuela Moura Guedes s�o um insuport�vel com�cio pessoal, ao melhor estilo do ressentimento de caf� e do populismo invejoso, a perfeita sobreviv�ncia p�blica do estilo do PP de Monteiro-Portas, de que a locutora foi (e �?) membro. O mundo � simples: Manuela Moura Guedes � um po�o de virtudes, e, a partir de um metro da sua figura, s�o todos ladr�es, cr�pulas, corruptos e incompetentes.
 


APRENDENDO COM PHILIP ROTH

"You fight your superficiality, your shallowness, so as to try to come at people without unreal expectations, without an overload of bias or hope or arrogance, as untanklinke as you can be, sans cannon and machine guns and steel plating half a foot thick; you come at them unmenacingly on your own ten toes instead of tearing up the turf with your caterpillar treads, take them on with an open mind, as equals, man to man, as we used to say, and yet you never fail to get them wrong. You might as well have the brain of a tank. You get them wrong before you meet them, while you're anticipating meeting them; you get them wrong while you're with them; and then you go home to tell somebody else about the meeting and you get them all wrong again. Since the same generally goes for them with you, the whole thing is really a dazzling illusion empty of all perception, an astonishing farce of misperception. And yet what are we to do about this terribly significant business of other people, which gets bled of the significance we think it has and takes on instead a significance that is ludicrous, so ill-equipped are we all to envision one another's interior workings and invisible aims? Is everyone to go off and lock the door and sit secluded like the lonely writers do, in a soundproof cell, summoning people out of words and then proposing that these word people are closer to the real thing than the real people that we mangle with our ignorance every day? The fact remains that getting people right is not what living is all about anyway. It's getting them wrong that is living, getting them wrong and wrong and wrong and then, on careful reconsideration, getting them wrong again. That's how we know we're alive: we're wrong. Maybe the best thing would be to forget being right or wrong about people and just go along for the ride.
But if you can do that - well, lucky you.
"

(Philip Roth, American Pastoral)
 


COISAS SIMPLES


William Gillies
 


EARLY MORNING BLOGS 352

)when what hugs stopping earth than silent is... (16)


)when what hugs stopping earth than silent is
more silent than more than much more is or
total sun oceaning than any this
tear jumping from each most least eye of star

and without was if minus and shall be
immeasurable happenless unnow
shuts more than open could that every tree
or than all life more death begins to grow

end's ending then these dolls of joy and grief
these recent memories of future dream
these perhaps who have lost their shadows if
which did not do the losing spectres mime

until out of merely not nothing comes
only one snowflake(and we speak our names


(e.e. cummings)

*

Bom dia!

2.11.04
 


DO DI�RIO DE NOT�CIAS PARA OS BLOGUES

Jos� Ant�nio Barreiros iniciou hoje A Revolta das Palavras.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: QUANDO N�S SOMOS OS OUTROS 3

"A prop�sito das entradas recentes "Quando n�s somos os outros", � curioso observar como os discursos orientalistas se constituiram tantas vezes como uma esp�cie de galeria de espelhos, onde, munidos de toda a esp�cie de essencializa��es culturais, procuramos e encontramos imagens distorcidas de n�s pr�prios e dos "outros". E os "outros", por seu turno, fazem o mesmo... O orientalista - e o ocidentalista - um eterno Narciso ? Ou estaremos antes perante um encontro de Narcisos? Discut�vel, sem d�vida, mas Ernest Fenollosa parece n�o ter tido grandes d�vidas quando, em 1892, escreveu os versos:


Let us forget like a chanted tune
Shadowy types of the dying races.
History nods to her ancient rune.
Ages lapse with their tidal traces,
Blend in the vision of future faces.

Fold like the wing of a new-born creature,
East and West in a Janus trance!
Tear off the mask of the twofold feature;
Kiss in the mirror with eyes askance,
Love, Narcissus, thine own sweet glance.



Ernest Fenollosa, East and West (Upper Saddle River, N.J.: Literature House, 1970)"

(Daniela Kato)
 


PORQUE � QUE O DI�RIO DE NOT�CIAS TEM UM PROBLEMA DE CREDIBILIDADE?

Por coisas como estas. Acabou esta semana de colaborar no jornal Jos� Ant�nio Barreiros escrevendo isto:
"Circunst�ncias de alinhamento gr�fico fazem com que eu compartilhe esta p�gina com dois membros da Administra��o deste jornal.

Ambos convergiram numa decis�o: afastar o director. Um deles anunciou-o ao Pa�s atrav�s de uma televis�o, da qual � comentador.

Entretanto, uma senhora que, afinal, eles j� haviam convidado para ser a pr�xima directora, veio publicamente dizer que n�o existiam condi��es para fazer deste jornal um di�rio �de refer�ncia, isen��o e aceita��o p�blica. Chegadas as coisas a este ponto, compreendam os leitores que eu saia deste lugar.

� patente o que est� actualmente em causa na comunica��o social portuguesa: o dom�nio dos media pelo grande capital, a entente cordiale entre esse grande capital e o actual Governo.�

Desapareceu Barreiros, apareceu Jos� Francisco Gandarez, que uma pesquisa no Google revela ser �advogado� da �Rui Gomes da Silva e Associados � Sociedade de Advogados�, e cujos artigos, de pura propaganda do governo, nenhum jornal que se tomasse a s�rio aceitaria. N�o � pelo conte�do - � perfeitamente leg�timo ser a favor do governo; � por n�o terem qualquer qualidade como artigos de opini�o e serem apenas propaganda. Completamente ineficaz, diga-se de passagem.
 


PARA QUE FIQUE CLARO

Se fosse americano, votaria Bush. Fica dito, at� porque � muito poss�vel que ganhe Kerry. N�o vale a pena somar muitas explica��es ao que tenho vindo a dizer nos �ltimos anos. Kerry trar� confus�o e hesita��o numa pol�tica de guerra que n�o sobrevive sem determina��o. No dia seguinte, os assassinos da Al Qaida e do Baas come�ar�o a retirar as li��es e a jogar tudo por tudo no terror. Bush trar� excessos e erros, como no passado, mas manter� o rumo numa pol�tica que � a �nica que hoje defronta o terrorismo apocal�ptico na sua ess�ncia.
 


COISAS COMPLICADAS: S. JORGE COMBATENDO O DRAG�O


Albrecht Altdorfer
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: QUANDO N�S SOMOS OS OUTROS 2

"N�s e os outros:
CHAPITRE XIV- De certaines choses diverses et extraordinaires qu'on ne peut r�duire aux chapitres pr�c�dents.

1. Nous tenons la pierre � feu dans la main gauche et la frappons pour allumer de la main droite; eux font le contraire.
2. Nous montrons notre �motion devant la perte de nos biens ou l'incendie de notre maison; les Japonais semblent consid�rer tout cela avec beaucoup de l�g�ret�.
13. Chez nous, hommes, femmes et enfants ont peur de la nuit; au Japon, au contraire, ni les grands ni les petits n'en ont la moindre crainte.
21. Nous mettons l'honneur dans les substantifs; les Japonais dans les verbes.
27. Pour nous, offrir plusieurs choses est un signe d'affection; au Japon, moins elles sont nombreuses, plus l'hommage est grand.
56. Par amiti�, en Europe, nous offrons un bouquet de roses; les Japonais offrent seulement une rose ou um oeillet
58. Nous succombons souvent � la col�re et ne dominons que rarement notre impatience; eux, de mani�re �trange, restent toujours en cela tr�s mod�r�s et r�serv�s.
Trait� de Lu�s Fr�is, S.J. (1585) sur les contradictions de moeurs entre Europ�ens et Japonais, Paris, �ditions Chandeigne, 1994, p.111"


(Ana da Palma)
 


A LER

Muito atentamente este artigo, porque o problema que Sarsfield Cabral levanta, o da �carteliza��o� do PSD, � nos nossos dias bem mais importante do que a puls�o psic�tica pela popularidade, que lhe serve apenas de instrumento. N�o � por acaso que Marcelo lembrou, h� dias, o seu artigo antigo contra os partidos-cartel, publicado no Expresso. Aparentemente foi um estranho artigo para ser escrito por um dirigente partid�rio, mas cujas circunst�ncias conhe�o bem, bem demais. Quando foi escrito, Marcelo sabia o tipo de press�es de dentro e de fora que estavam a ser feitas sobre o PSD, e as dificuldades que encontrou, numa altura em que o �mundo dos neg�cios� (um eufemismo) namorava Guterres e n�o admitia que, na oposi��o a este, fossem contestadas as suas amizades e acordos com o poder socialista. Como os �neg�cios� s�o pela sua natureza do �bloco central�, eles admitem tudo no plano da pol�tica, todas as altern�ncias, menos a ruptura dos interesses instalados.

� tamb�m porque altos interesses se levantam e encontram f�cil caminho na acefalia populista, que h� uma enorme radicaliza��o contra os opositores do actual governo, antes de tudo no PSD porque, como se v�, o PS aqui n�o faz oposi��o. Marcelo pagou o pre�o com a expuls�o da TVI. Outros pagar�o se falarem, porque vale tudo neste jogo, bem mais perigoso e a s�rio que tudo o resto. A comunica��o social ter� nesse jogo um papel central, da� as grandes manobras posicionais.
 


EARLY MORNING BLOGS 351

Tattoo


The light is like a spider.
It crawls over the water.
It crawls over the edges of the snow.
It crawls under your eyelids
And spreads its webs there--
Its two webs.

The webs of your eyes
Are fastened
To the flesh and bones of you
As to rafters or grass.

There are filaments of your eyes
On the surface of the water
And in the edges of the snow.


(Wallace Stevens)

*

Bom dia!
 


VER O DIA

Onde � que est� o dia? Uma muralha de cinzento � minha frente, entrecortada por um loureiro, com a dignidade que t�m os loureiros, em que cada folha brilha da humidade.

1.11.04
 


COISAS SIMPLES


M�rio Augusto
 


APRENDENDO SOBRE A MENTIRA NUM POEMA DE PEG BOYERS

(O poema � longo, tirado do livro Hard Bread, e a voz ficcional � a de Natalia Ginzburg, a escritora italiana morta em 1991.)

Coat

At eleven I learned to lie.
Disobedience and its partner,
deception, became my constant companions.

How enormous then that first transgression,
against Father's command, a sin damning as Adam's:
walking to school alone.

We all lied, mother explained,
it was. . .necessario.
How else to survive

Father's rages,
his sweeping interdicts
and condemning opinions?

Oh sweet allegiance of lies:
siblings and mother bound
together in a cozy tie!

My brothers' lies
were manly,
obdurate, built to last.

Mother's were infirm little things,
infected from birth by her obstinate grace,
fated to die as soon as they hit the air.

But this lie, the lie about me, was sturdy,
knit, as it was, from the fiber of maternal love
and a wife's defiance.

Go ahead; it's right.
Walk alone. Grow up.
Each assurance a coercion, each coercion a shame.

The lie was a coat of mail
I'd don each day, threading my arms
through its leaden sleeves,

pulling its weight over my head,
steeling myself
for my father's wrath.

In it I was strong and getting stronger,
but tired, always tired.
Oh to rest, shuck the lie and confess!

Father forgive me, I knew not what I did!
At night I'd rehearse the lines
and pray for his cleansing fury.

In the morning I'd meet him in the hall,
already crabby in his gray lab coat,
barking his harsh observations

about my robe (pink: ridiculous)
about my face (vacant)
about my voice (inaudible).

Mother, how did we produce such an insect!

I was used to this.

Exasperated, he would stuff his red frizz into a beret,
hurl himself into his loden cape
and bolt out the gate--too rushed for truths.

Silenced again, I would resume my solitary mission,
lugging my books, wearing my lie to school
and back again, through the maze of city streets.

One day the mist briefly lifted and I saw
the winter sun pulsing silver and pale
through a hole in the sky--a quiet disk

hopeful as the moon.
A face emerged, white whiskers smiling,
familiar, professorial--an angel perhaps,

or a friend of the family--
here to guide me safely
across the river to school.

He took my bag and my arm,
allaying my fears with talk
calculated to soothe, flatter, amuse.

Gentile, cos� gentile.
Ever faithful, he met me at my gate
morning after sweet morning.

We chatted carelessly the whole way,
intimate as lovers,
never a snag

or worry to hold us up--
I, grateful and happy,
he gently leading the way.

My trust deepened daily with his purpose
and burrowed
in the snug darkness of short days

where the new lie took root.
From deep in the loam, the probing
stem pushed to the surface.

Meanwhile, the first lie grew light with practice.
And my coat assumed
the comfort of a uniform.

His purpose, obscured from the start by fear,
suppressed tenaciously
by innocence--canny innocence--

flared up in a question,
betraying an ignorance
both clear and obscene:

"Little Girl, would you touch me--here?"

Suddenly my hand, sweetly warming
in his flannel pocket, was pushed
to the hard, oozing center.

My hand recoiled.
But the ooze stuck.
In that minute my childhood ended.

I ran home as fast as my legs would carry me
to hide my shame in the place
where secrets were made and kept,

willful little liar, disobedient
sinner trying to find my way alone
through fog, through lies.

My life was filling up with secrets
and deceit's secretions,
loneliness and melancholy.

I hugged my coat tight against my body
so that the lies and I were one.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: QUANDO N�S SOMOS OS OUTROS

"Em Londres , Encounters: The meeting of Asia and Europe, 1500-1800, no Victoria & Albert Museum at� 5 de Dezembro

O link � este.

No International Herald Tribune de 30-31 Outubro pode ler-se, a prop�sito desta exposi��o:

" In the Far East, the search for exoticism took an outright turn toward the burlesque. In her essay "Visual Responses:Depicting Europeans in East Asia", Jackson quotes some lines written in 1639 by an anonymous Japanese wag:

A southern Barbarian trading vessel came to our shores. From this ship emerged an unnamable creature, somewhat similar in shape to a human creature but looking more like a long-nosed goblin

Japanese artists transcribed with alacrity this vision of long-nosed goblins. On a 17th century lacquer box, beaming Portuguese men with enormous noses and exaggeratedly baggy trousers smile vaguely , like clowns in a pantomine.
"

(Jo�o Costa)
 


SOBRE O PORTO - REPETI��ES

O Porto � a minha cidade "moral". Nem eu sei bem o que isso �, mas sei que �. Para complementar a "geografia", aqui ficam dois textos antigos sobre o Porto:

"O Porto n�o � a cidade dos anjos, nem a cidade da luz, nem a cidade branca. � feito de uma pedra onde todas as partes brilham - e no entanto � escura, s�lida, tensa, pesada.

� feito de mica que � um pequeno espelho mineral, de quartzo que pode ser absolutamente transparente, ou de feldspato, de cor sedosa, vagamente rosa. Mas, a pedra do Porto, feita de tanta luz, � escura e a cidade � assim uma cidade do Norte, iluminada por essa luz que ningu�m melhor do que os pintores dinamarqueses de Skagen conheciam. � na Foz do Douro que esta luz come�a e depois sobe pelas colinas cobertas de casas, pelas ruelas, at� onde termina a cidade novecentista, as avenidas que a transportam at� uma periferia de onde partiam as "estradas". Para Amarante, para Guimar�es, para Braga, para Entre-os-Rios, para um interior que est� profundamente ligado com a cidade cujo nome diz que nunca ningu�m a venceu.

O olhar do Porto � por isso um olhar grave como o granito. � um olhar que j� vem de muito longe e foi sempre o mesmo. � um olhar burgu�s, dos que vivem e trabalham no burgo e que na cidade encontram um ref�gio e as liberdades. As liberdades e n�o a democracia, porque o Porto � mais liberal do que democrata.

Este olhar burgu�s � contr�rio � dissipa��o, ao desperd�cio. � tamb�m por isso que no Porto nem os yuppies, nem as rapariguinhas do shopping esconderam as centenas de milhares de vidas de trabalho antigas que est�o pregadas em todas as fachadas da cidade. Vidas de estivadores, de caldeireiros, de tip�grafos, de tabaqueiros, de carvoeiros, de comerciantes, de carrejonas, de merceeiros e mar�anos, de alfaiates, de cobradores, de ourives, de criadas de servir, de taberneiros, de talhantes, de armazenistas. S�o estas vidas que fizeram o Porto e que olham por dentro do olhar das pessoas do Porto."


*

"O Porto fez-me gostar de uma qualidade sem grandes elogios nos dias de hoje e tamb�m sem grande reconhecimento social, por muita ret�rica que � sua volta se ou�a, a integridade. Muita da vida p�blica portuguesa n�o seria o que � se houvesse um pouco mais de reconhecimento social da integridade. Se os �ntegros n�o parecessem personalidades obstinadas, com mau feitio, �pouco male�veis�, como agora se diz.

O Porto fez-me gostar das pessoas simples, integras, ainda n�o tocadas pela inutilidade das palavras, ainda n�o ecl�ticas, ainda n�o dominadas pelo amor-pr�prio destrutivo, ainda n�o obcecadas pelas suas virtudes e pela sua facilidade, ainda n�o acumulando superf�cies como quem acha que a vida � um longo espelho, ainda n�o distra�das, ainda n�o impacientes, ainda querendo mais alguma coisa com uma tenacidade de absoluta dedica��o. Como o Porto � feito de granito em vez de calc�rio, selecciona a dureza, a persist�ncia, o trabalho, as boas contas, as �contas � moda do Porto�.

Nunca mostrei a minha cidade, mostrar de mostrar, a quem eu n�o ache integro."


*

"Diz Alexandre Dumas que "quando se mostra a um amigo uma cidade j� conhecida, p�e-se nisso a mesma presun��o que se usa para mostrar uma mulher de quem se foi amante."

Mas foi por partilhar consigo essa cidade �moral� e n�o por ociosa prova de erudi��o � que n�o tenho! � a espontaneidade do coment�rio. Talvez a inflexibilidade do granito, que ao Porto enobrece frontarias, tenha limitado o inchar dos egos balofos e que de si pr�prios, ou de quem lhes � �til, se alimentam. E depois, quem sabe, talvez o brilho da mica que reluz na mancha cinzenta gran�tica seja o reduto da autenticidade a fazer mais que diferen�a."

(Tati)
 


A MINHA GEOGRAFIA


(Original em Avenida dos Aliados)

Vista do c�u, a minha mais pr�xima geografia (v�-se mal, mas eu vejo-a totalmente, pouco importa, est�o l� as casas e os s�tios):

Biblioteca P�blica Municipal do Porto em S. L�zaro, o segundo s�tio onde me fiz.

Largo do Padr�o e caf� do Padr�o, onde me preparava para ir para a Biblioteca.

Jardim de S. L�zaro, um jardim rom�ntico �nico, com as suas grades fechadas, as est�tuas e as grandes �rvores.

Caf� S. L�zaro.

Escola Superior de Belas-Artes.

A casa do Eug�nio no andar de cima, a da Rosa no andar de baixo.

Nos limites da fotografia, o Campo 24 de Agosto, o Liceu Alexandre Herculano, a sede da PIDE no Porto, as Fonta�nhas, o lugar do antigo ed�ficio da f�brica de tabacos, a Rua Santos Pousada, a loja do alfarrabista Marinho, a minha casa.
 


AR PURO


N. Astrup
 


EARLY MORNING BLOGS 350

And You Thought You Were the Only One


Someone waits at my door. Because he is
dead he has time but I have my secrets--

this is what separates us from the dead.
See, I could order take-out or climb down

the fire escape, so it's not as though he
is keeping me from anything I need.

While this may sound like something I made up,
it is not; I have forgotten how to

lie, despite all my capable teachers.
Lies are, in this way, I think, like music

and all is the same without them as with.
The fluid sky retains regret, then bursts.

He is still there, standing in the hall, insisting
he is someone I once knew and wanted,

come laden with gifts he cannot return.
If I open the door he'll flash and fade

like heat lightning behind a bank of clouds
one summer night at the edge of the world.


(Mark Bibbins)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES; O SERVI�O P�BLICO VISTO DO REINO UNIDO

"(...) No Reino Unido, o servi�o p�blico est� a sofrer uma revis�o. Ao longo deste ano, a ag�ncia das comunica��es OFCOM realiza v�rios processos de consulta com acad�micos, a ind�stria, os profissionais, organiza��es v�rias e, muito importante, o p�blico. Estive na semana passada numa dessas sess�es, divulgadas e abertas a qualquer um, onde todos s�o encorajados a colocar quest�es, enviar pareceres e fazer com que os seus interesses sejam ouvidos. A prova de que o servi�o p�blico funciona e satisfaz foi expressa pela maioria da popula��o brit�nica inquirida pela OFCOM, que revelou estar disposta a pagar o mesmo ou um pouco mais para manter a BBC e outras deriva��es de servi�o p�blico (a presente taxa de r�dio e televis�o custa cerca de 170 euros por ano e � obrigat�ria).

Na mesma sess�o, um senhor que tinha garantidamente mais de oitenta anos � �eu lembro-me de ouvir a minha primeira emiss�o de r�dio da BBC, em 1924� � fez ouvir a sua voz. O facto de o servi�o p�blico ter uma hist�ria longa e respeitada por aqui, faz com que os brit�nicos tenham um sentimento de perten�a relativamente aos destinos dos seus espa�os mediados de comunica��o.

No ano passado, a BBC Scotland fez uma revis�o da sua grelha informativa. Para isso, o director da esta��o regional passou dois meses a viajar pelo pa�s para melhor sondar as necessidades informativas do escoceses. Isso implicou passar pelos s�tios mais remotos � as ilhas do norte, as highlands, as comunidades urbanas e rurais � e promover debates locais. Isto � servi�o p�blico. N�o � complicado, nem elitista, nem pretencioso. � apenas o garante de um espa�o que se procura aproximar de um n�vel equilibrado e representativo do debate p�blico, onde a audi�ncia n�o � reduzida ao lugar de consumidor mas tamb�m tratada como um centro de cidadania. O espa�o audiovisual portugu�s deteriorou-se a uma velocidade galopamente. Os governos que recusam conduzir um debate s�rio sobre o assunto est�o a negar aos portugueses o seu desenvolvimento democr�tico."


(Claudia Monteiro)
 


WILLIAM HAMILTON E DUGALD STEWART VISTOS POR WILLIAM JAMES

(Ambos citados no poema de Edgar Lee Masters da Spoon River Anthology de hoje de manh�. James come�a assim as confer�ncias que deram origem � The Varieties Of Religious Experience - A Study In Human Nature :)

"IT is with no small amount of trepidation that I take my place behind this desk, and face this learned audience. To us Americans, the experience of receiving instruction from the living voice, as well as from the books, of European scholars, is very familiar. At my own University of Harvard, not a winter passes without its harvest, large or small, of lectures from Scottish, English, French, or German representatives of the science or literature of their respective countries whom we have either induced to cross the ocean to address us, or captured on the wing as they were visiting our land. It seems the natural thing for us to listen whilst the Europeans talk. The contrary habit, of talking whilst the Europeans listen, we have not yet acquired; and in him who first makes the adventure it begets a certain sense of apology being due for so presumptuous an act. Particularly must this be the case on a soil as sacred to the American imagination as that of Edinburgh. The glories of the philosophic chair of this university were deeply impressed on my imagination in boyhood. Professor Fraser's Essays in Philosophy, then just published, was the first philosophic book I ever looked into, and I well remember the awe-struck feeling I received from the account of Sir William Hamilton's class-room therein contained. Hamilton's own lectures were the first philosophic writings I ever forced myself to study, and after that I was immersed in Dugald Stewart and Thomas Brown. Such juvenile emotions of reverence never get outgrown; and I confess that to find my humble self promoted from my native wilderness to be actually for the time an official here, and transmuted into a colleague of these illustrious names, carries with it a sense of dreamland quite as much as of reality."
 


DIA DOS MORTOS / SCRITTI VENETI

Na ilha de San Michele h� um pequeno convento franciscano. � uma obra hist�rica da arquitectura renascentista, com a primeira fachada neo-cl�ssica, um edif�cio bel�ssimo, com a porta voltada para a laguna, com as ondas a tocarem os degraus num embarcadouro de m�rmore. Ao lado uma l�pide lembra outro habitante dos Piombi, S�lvio Pellico , o das �minhas pris�es�. Um dos habitantes do convento, Fra Luciano Neri, viveu toda a sua vida no cemit�rio, tornou-se �il frate del cimiterio�. Uma humilde brochura que n�o deve existir em nenhum s�tio sen�o aqui, pousada a um canto da igreja com uma caixa de esmolas ao lado, lembra-o, num testemunho de uma vida entre os mortos por dedica��o aos vivos. Na capa, uma fotografia de um velho com um sorriso bondoso mas relutante, com uma reserva que se pode reconhecer na sua mais antiga fotografia, um jovem frade diante da Madonnina dell�orto. Um dos cap�tulos fala da �sapenza della semplicit��, noutro, o cardeal patriarca escreve: �Nel paradiso possa continuar ela sua opera, che era grande dono per chi cercava uno sprazzo di speranza.� A sua campa est� l�, a foto a esmalte e um ros�rio, e as datas dos seus quase noventa anos de vida (1909-1998).

� Jos� Pacheco Pereira
In�cio
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