ABRUPTO

31.8.04
 


APRENDENDO COM O PADRE ANT�NIO VIEIRA: "SE PERGUNTA A SABEDORIA DIVINA, PORQUE N�O PERGUNTAR� A IGNOR�NCIA HUMANA?"

"Vos autem quem me esse dicitis?" (S. Mateus, XVI.)

"Mui seguro est� do seu valor quem tira a sua opini�o ao campo. E se � temeridade tomar-se com muitos, com todo o mundo se tomou quem desafiou sua fama. Na ocasi�o de que fala S. Mateus (cujo � o Evangelho que hoje nos prop�e a Igreja) diz que perguntou Cristo, Senhor nosso, que diziam dele os homens: "Quem dicunt homines esse Filium hominis?"

Perguntou o Senhor, para que os senhores que mandam o Mundo se n�o desprezem de perguntar. Se pergunta a sabedoria divina, porque n�o perguntar� a ignor�ncia humana? Mas esse � o maior argumento de ser ignor�ncia. Quem n�o pergunta, n�o quer saber; quem n�o quer saber, quer errar. H� por�m ignorantes t�o altivos, que se desprezam de perguntar, ou porque presumem que tudo sabem, ou porque se n�o presuma que lhes falta alguma cousa por saber. Deus guie a nau onde estes forem os pilotos.

N�o perguntou o Senhor o que era, sen�o o que se dizia: "Quem dicunt?" Antes de se fazerem as cousas, h�-se de temer o que dir�o; depois de feitas, h�-se de examinar o que dizem. Uma cousa � o acerto, outra o aplauso. A boa opini�o de que tanto depende o bom governo, n�o se forma do que �, sen�o do que se cuida; e tanto se devem observar as obras pr�prias, como respeitar os pensamentos e l�nguas alheias. A provid�ncia com que Deus permite a murmura��o, � porque talvez de t�o m� raiz se colhe o fruto da emenda. E se eu de murmurado me posso fazer aplaudido, porque me n�o informarei do que se diz?"

 



Monet
 


EARLY MORNING BLOGS 298

Memory


My mind lets go a thousand things,
Like dates of wars and deaths of kings,
And yet recalls the very hour--
'Twas noon by yonder village tower,
And on the last blue noon in May--
The wind came briskly up this way,
Crisping the brook beside the road;
Then, pausing here, set down its load
Of pine-scents, and shook listlessly
Two petals from that wild-rose tree.


(Thomas Bailey Aldrich)

*

Bom dia!

30.8.04
 


PRIMEIRO NOS SELOS, DEPOIS NOS LIVROS



Os coleccionadores de selos s�o uma forma especial de doidos mansos, em particular os que, contrariamente a todas as recomenda��es, coleccionam tudo. Sobre o Oceano Pac�fico alem�o, aprendi com os selos coloniais alem�es, antes de reencontrar o �Grosse Stiller Ozean�no Corto Maltese da Balada do Mar Salgado.


Sobre as batalhas desesperadas dos ex�rcitos e guerrilhas, deixados perdidos no extremo oriente pela derrota alem� e pela revolu��o bolchevique, conhecia-as da selva dos selos russos dos anos 1918-1924, antes de ler a hist�ria em Hopkirk, num magnifico livro onde tamb�m andam personagens que Hugo Pratt usou para o Corto Maltese.
 


ESPELHO UM DO OUTRO

Que os radicais �fracturantes� das organiza��es do Bloco de Esquerda trouxessem c� o barco para organizarem uma opera��o de propaganda usando a �causa� do aborto, v� que n�o v�, est�o no seu papel. (Dois caveat. O primeiro � que se violarem a lei devem sofrer as consequ�ncias, tanto mais que se trata de uma iniciativa claramente pol�tica, n�o um tr�gico aborto �s escondidas em estado de necessidade de uma infeliz mulher. N�o � a mesma coisa. Numa democracia � assim, mesmo quando n�o se concorda com a lei. O segundo � que, ao transformar a quest�o do aborto numa guerrilha radical, fazem estragos consider�veis no esfor�o moderado e necess�rio para acabar com a criminaliza��o do aborto. Conv�m n�o esquecer que, seja qual for a evolu��o da situa��o, dever� haver um referendo, e no referendo os excessos pagam-se.)

Agora que o governo portugu�s resolva actuar como um espelho do Bloco, como um grupo radical de sentido contr�rio, com todos os tiques do radicalismo ideol�gico, com a agravante de abusar dos meios do Estado, � que coloca uma quest�o muito mais grave do que o folclore do barco. Se o barco foi uma provoca��o, este governo respondeu-lhe ao mesmo n�vel.
 


UMA PERIGOSA ESTUPIDEZ

As revistas feitas pela Pol�cia Mar�tima a um barco portugu�s s� se justificam caso haja s�ria suspeita de que este esteja envolvido numa actividade criminosa. N�o se fazem revistas a um barco (ou a um carro, ou seja l� o que for) para intimidar as pessoas que l� v�o. As for�as armadas portuguesas n�o podem ser usadas para ac��es de intimida��o contra cidad�os que n�o est�o a violar nenhuma lei, mesmo que n�o se concorde com as suas ac��es e opini�es. As for�as armadas portuguesas n�o podem ser usadas para servir de cobertura a encena��es pol�ticas. O Presidente da Rep�blica � posto directamente em causa se n�o fizer ou disser nada.
 


UMA CARA ESTUPIDEZ

Mas que cara estupidez � essa de ter dois barcos de guerra a controlar um pequeno barco, s� para fazer figura? N�o estou aqui a discutir a decis�o de impedir o barco de atracar, que � uma outra quest�o. S� pergunto se n�o h� outros meios mais baratos e discretos de controlar um barco nas �guas internacionais. � que este espavento, (caro, insisto), � uma marca de �gua do ocupante da Defesa, que envergonha os militares sob sua al�ada. Show off.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UMA PERGUNTA

"Gostaria de fazer uma pergunta relativa ao �barco do aborto�: o que se passaria se o �barco do aborto� fosse o �barco da excis�o feminina�?"

(Jos� Carlos Santos)

*

"A t�cnica de discuss�o de arrastar para o campo oposto ideias ou situa��es indefens�veis � velha e funciona bem. S�o no entanto situa��es incompar�veis, que se saiba as mulheres que desejem, proceder a uma interrup��o volunt�ria da gravidez n�o v�o ser arrastadas � for�a para a embarca��o da Woman on Waves. J� no caso da excis�o feminina n�o sei se seria esse o caso."

(Jo�o Figueiredo)


 


A LER E A VER

todos os Jogos Ol�mpicos no bomba inteligente. (Este nome encanita-me, como diz o Vasco PV).

Claro que h� perfei��o. Os gregos descobriram-na h� quase tr�s mil anos. Ao mesmo tempo descobriram a imperfei��o.
 


SOBRE A MINHA INVICTA TERRA

o Avenida dos Aliados.

De que roubo a fotografia da ponte D. Maria abandonada.

Quantas vezes a atravessei de comboio, vendo o medo dos lisboetas que acreditavam numa lenda urbana , a de que a ponte estava para cair? Muitas e algumas a p�. Faltava-se �s aulas no Alexandre Herculano, um pouco l� para tr�s, e das Fontainhas passava-se por aquele sinistro col�gio e depois pela escarpa abaixo passando as linhas-f�rreas e atravessando os t�neis, sempre a olhar para as reentr�ncias cavadas na rocha, n�o viesse um comboio. Era uma verdadeira aventura porque, quando chovia, a �gua que se infiltrava nos t�neis escorria do tecto, misturada com a fuligem do carv�o das m�quinas e sujava a roupa, ind�cio seguro de asneira. Depois passava-se por uma cerca de arame, meia derrubada e chegava-se ao tabuleiro. Ent�o corria-se para atravessar a ponte, n�o fosse aparecer um comboio num dos lados. A ponte era de via �nica e havia um �testemunho� que os maquinistas recebiam nas Devezas e entregavam em Campanh�. Sem �testemunho� n�o se podia atravessar a ponte. Correr na ponte era perigoso porque a ponte era exclusivamente ferrovi�ria e n�o era suposto ser atravessada por pe�es. O pequeno passeio lateral para manuten��o era coberto por t�buas pequenas, muitas das quais j� tinham desaparecido ou estavam partidas e podres e pelos buracos via-se o Douro a correr l� muito abaixo. Muito abaixo. Depois chegava-se ao lado de Gaia e era voltar pelo mesmo caminho. N�o se esquece.


*

"Mais interessante ainda era estar no pequeno passeio lateral quando de facto o comboio passava! N�o se imagina, indo l� dentro, o que a ponte abana c� fora. S� me aventurei uma vez... Se j� metia medo s� de olhar l� para baixo sem nada a passar, quando a m�quina avan�ava lentamente parecia que a trepida��o nos ia inevitavelmente projectar para o Douro. Agarrei-me ao ferro da ponte e decidi rapidamente que haveria de certeza outros locais muito interessantes para fotografar noutro lado qualquer..."

(Tiago Azevedo Fernandes)

*

"Recordo os momentos mais pr�ximos que tive com o meu Pai. Sair de casa (do lado de Gaia), procurar a entrada para a ponte algures nos terrenos adjacentes ao campo de tiro do regimento de artilharia da Serra do Pilar, e lan�armo-nos � aventura! De tantos em tantos metros (pareciam-me muitos, era bem pequeno), havia ref�gios, que permitiam ficar protegido do efeito de suc��o do comboio. A ponte vibrava, mas sentia-se maior protec��o... Inexistente, todavia, a suc��o, porque os comboios reduziam a sua velocidade a 30 ou 40 km, j� n�o me lembro bem. Depois, chegar a campanh�, apanhar o autocarro de volta ao centro, e o 'tr�lei' de volta para Gaia, j� em seguran�a, na ponte D. Lu�s. E lembro-me, claro da viagem de despedida: vindo de Lisboa, propositadamente sa�mos em Campanh�, para espreitar da janela o rio e sentir a vertigem que tanto assustava os viajantes do resto do Pa�s.

As pontes do Porto t�m um brilho especial. E disto fazem parte tamb�m os t�neis para S.Bento e para a Alf�ndega. H� tempos li um projecto de reaproveitamento deste circuito. Porqu� ser megal�mano? Mais f�cil seria abrir a ponte para percursos pedestres... ali�s, � desta ponte que se tem a mais bonita vista doPorto: a Escarpa de Gaia, as Fontanhias, o col�gio. E olhando para o outro lado, ver (ser� que ainda se v�?), o Monte Castro, o Areinho, o Pal�cio do Freixo.

Mem�rias doces... Mas aqui fica a sugest�o! Em vez de comboios antigos, porque n�o, pura e simplesmente, abrir a ponte � travessia de pessoas?"

(Daniel Rodrigues)
 


AR PURO: VEM OUTONO


Isaak Levitan

*

"N�o fora uns ramos de um abeto no lado esquerdo do quadro, e eu diria que Levitan se tinha sentado ali na "alverca", na estrada entre a Goleg� e a Azinhaga, e tinha decidido pintar um cen�rio que me � bem familiar. Uma das coisas boas da vida � ter mem�ria e mem�rias. Li aqui h� tempos algu�m que dizia que somos s� mem�ria. O que faz imenso sentido. Tudo o que somos j� foi, acabou de ser. N�o se trata de nostalgias ou saudades. � termos uma hist�ria. � vida. N�o � querer voltar a viver o que j� se viveu ou querer voltar para tr�s, nem sequer � usar as mem�rias para ocupar o presente. � sermos o que somos, com o que j� fomos.

Venha o Outono! (Com Inverno, Primavera e Ver�o j� incorporados�)
"

(RM)
 


EARLY MORNING BLOGS 297

ROMANCE DEL JURAMENTO QUE TOM� EL CID AL REY DON ALONSO

En santa Gadea de Burgos, do juran los hijosdalgo,
all� le toma la jura el Cid al rey castellano.

Las juras eran tan fuertes que al buen rey ponen espanto;
sobre un cerrojo de hierro y una ballesta de palo:

�Villanos te maten, Alonso, villanos, que no hidalgos,
de las Asturias de Oviedo, que no sean Castellanos;
m�tente con aguijadas, no con lanzas ni con dardos;
con cuchillos cachicuernos, no con pu�ales dorados;
abarcas traigan calzadas, que no zapatos con lazo;
capas traigan aguaderas, no de contray ni frisado;
con camisones de estopa, no de holanda ni labrados;
caballeros vengan en burras, que no en mulas ni en caballos;
frenos traigan de cordel, que no cueros fogueados.
M�tente por las aradas, que no en villas ni en poblado;
s�quente el coraz�n por el siniestro costado;
si no dijeres la verdad de lo que te fuere preguntando,
si fuiste ni consentiste en la muerte de tu hermano.�

Jurado hab�a el rey que en tal nunca se ha hallado,
pero all� hablara el rey malamente y enojado:
�Muy mal me conjuras, Cid, Cid, muy mal me has conjurado;
mas hoy me tomas la jura, ma�ana me besar�s la mano.
�Por besar mano de rey no me tengo por honrado,
porque la bes� mi padre me tengo por afrentado.
�Vete de mis tierras, Cid, mal caballero probado,
y no vengas m�s a ellas dende este d�a en un a�o.
�Pl�ceme, dijo el buen Cid, pl�ceme, dijo, de grado,
t� me destierras por uno, yo me destierro por cuatro.�

Ya se parte el buen Cid, sin al rey besar la mano,
con trescientos caballeros, todos eran hijosdalgo,
todos son hombres mancebos, ninguno no hab�a cano;
todos llevan lanza en pu�o y el hierro acicalado,
y llevan sendas adargas, con borlas de colorado;
mas no le falt� al buen Cid adonde asentar su campo.


(An�nimo)

*

Bom dia!
 


A LUA

de novo. O ar tem a humidade do Outono, a melhor das esta��es. A caminho.

29.8.04
   


A VER E A LER

o Companhia de Mo�ambique e o Ma-Schamba que est�o a publicar um album de fotografias de Mo�ambique, feito pelo comerciante Jos� dos Santos Rufino, nos anos vinte. Os textos da Companhia de Mo�ambique s�o um muito interessante retrato da nossa hist�ria colonial e das pessoas que a fizeram.
 



G. H. Davis, Closing Up
 


EARLY MORNING BLOGS 296

Artificial Horizon


Thirty-five hundred feet above the earth, I said goodbye
to the heartland with its musk of animals and alfalfa,

to the Coralville Reservoir and its wounded
peregrine falcon with the dusky blue feathers,

to the lattice of pastures interlaced like Celtic spirals,
full of pink-snouted spotted pigs and overflowing corncribs,

to the cemetery with its black angel and tombstones
engraved with contemporary memento mori--

Garfield the cat, a pack of Marlboros, a Corvette--
instead of death's heads and winged cherubs.

We flew farther--saw the golden dome of the Maharishi
levitating and the barges on the Mississippi marking twain.

And hard by my hip, my pilot star, your long fingers
controlled the ailerons, practicing skid and slip,

Touch and go, bank and stall, keeping a steady hand
as we flew beyond the bounds of the artificial horizon.


(Sue Standing )

*

Bom dia!
 


VER A NOITE

Hoje a Lua cumpriu o seu dever. De manh� muito cedo, os amadores da "early morning", podem, nos pr�ximos meses, ver as "luzes do Zod�aco", um falso nascer do Sol resultado da poeira dos c�us. Mas primeiro esperem que a Lua encolha de novo.

28.8.04
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: BONS CONSELHOS

"A prop�sito de Esposa e M�e, escolho Conselhos a uma Noiva da Condessa de Vinh� e Almeida. (Come�a por explicar que "estes despretenciosos Conselhos a uma Noiva" se destinavam a uma "sua sobrinha muito querida a ela confiada desde pequenina" a quem os deu como presente de casamento.) Mando-te este conselho que n�o tem nada a ver com casamentos, noivas, crian�as ou coisa pr�xima:
"Para subir com dignidade na sociedade � preciso sobretudo saber esperar, e �s vezes recusar. Aceitar cargos e honrarias extemporaneas, ocupar lugares para os quais n�o estamos aptos, n�o � avan�ar, � recuar. Tudo se quer a seu tempo e ganho com manifestas provas de capacidade. O que perdeu Portugal foi todos os politicos se julgarem indignos d'outra posi��o que n�o fosse a de presidente de conselho."
Disse isto, a boa Senhora, em 1927. Perguntar�s e bem: porqu� dar t�o bizarro conselho a uma noiva?"

(R.)
 


OUVINDO HOROWITZ EM MOSCOVO

Este � um dos discos em que, se n�o fosse gravado ao vivo, se perdia metade da for�a. O concerto, em 1986, foi um daqueles momentos de emo��o �nica na hist�ria da m�sica ao vivo e uma bofetada na trag�dia cultural e hist�rica do comunismo sovi�tico. Horowitz, que deixara a sua Ucr�nia em 1925 para o ex�lio, aparecia agora anunciado num �nico cartaz que dizia �Recital de piano de Vladimir Horowitz (USA)� nas paredes do Conservat�rio de Moscovo. Bastou para se fazerem filas pela noite dentro. O Conservat�rio de Moscovo � uma casa muito especial e quem teve a sorte de assistir a concertos na sua sala nobre (eu tive-a v�rias vezes) sabe que o que se respira l� est� na ess�ncia do que � a cultura ocidental: um p�blico de amadores, no melhor sentido da palavra, um p�blico intenso e entusiasta, de gente que sabe o que ouve e gosta da m�sica. Ponto. � esse p�blico que perturba neste disco, tanto quanto as interpreta��es sem paralelo de Horowitz. O pianista come�a com Scarlatti e Mozart, e o p�blico bate palmas. Mas a coisa come�a a aquecer quando Horowitz se transcende em dificuldade e beleza com Scriabin, Liszt , Schumann, Moszkowski e Rachmaninov e, a cada momento, na exacta altura em que ainda soa no ar o �ltimo som do �ltimo acorde, a assist�ncia rompe num imediato �bravo� , num italiano �bravo�, de pura emo��o.

 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: AS VOLTAS QUE TENHO QUE DAR



nesta cratera, para n�o perder o p�. Mas chego l�.
 


COMO IDENTIFICAR A M�O DA CENTRAL DE INFORMA��ES NAS NOT�CIAS


D�rer

1- Exemplos de sugestio falsi (de f�rias que n�o s�o f�rias mas sim trabalho. Onde? Na piscina? Na praia?) :

"O primeiro-ministro est� em Espanha, nas Ilhas Baleares, onde ir� gozar tr�s dias de f�rias, disse fonte do gabinete de Pedro Santana Lopes. Segundo a mesma fonte, o primeiro-ministro ir� aproveitar a desloca��o �s Baleares para se encontrar com empres�rios espanh�is. Santana Lopes dever� ainda encontrar-se com o ex-comiss�rio Europeu e ex-ministro dos Neg�cios Estrangeiros espanhol Abel Matutes, que tamb�m se encontra nas Baleares, adiantou a fonte. O primeiro-ministro dever� regressar a Portugal na quinta- feira." (Lusa)

2 - Sugestio falsi (de for�a onde h� fraqueza) e omissio veri (sobre os motivos):

"Com a Fran�a e a Alemanha a prepararem-se para violar o d�fice pelo quarto ano consecutivo, o Governo aposta que 2005 ser� o ano da flexibiliza��o das regras de disciplina or�amental dos pa�ses da zona euro.E com Jos� Manuel Barroso a chefiar a Comiss�o Europeia prev�-se que seja dada maior aten��o � d�vida p�blica em detrimento do �est�pido� limite dos 3% do PIB para o d�fice, como o apelidou Romano Prodi, o seu antecessor em Bruxelas.
Este empenho s�bito de Portugal na revis�o do PEC vem ao encontro de uma reivindica��o antiga da esquerda. Mas o objectivo n�o � fazer a vontade � oposi��o. A quest�o � que o pr�ximo Or�amento de Estado (OE), decisivo para o ciclo eleitoral que se inicia, dificilmente conseguir� encaixar um d�fice abaixo dos 3% do PIB." (Expresso, hoje)

Os recados est�o a vermelho.
 


O PROBLEMA � QUE � MESMO ASSIM

Como diz o Ruben de Carvalho em a �A verdade de nada� no Di�rio de Not�cias.

Ou Rui Tavares em Um livro, um amigo no Barnab�, tornado mais rid�culo pela legenda sobre a �a leitura em dia sentado num dos recantos mais apreciados por Salazar�. H� coisas em que nada h� de mais contraproducente do que a pol�tica do "parec�-lo".

Ou no Expresso (que n�o tem liga��es em linha) que continua a revelar, atrav�s das suas �fontes� na "central", aquilo que est� em curso desde a tomada de posse do governo: a prepara��o psicol�gica para o aumento do d�fice. J� se est� na fase de passar da prepara��o psicol�gica (o aumento do d�fice � �inevit�vel� como a chuva) para a prepara��o pol�tica.
 


EARLY MORNING BLOGS 295

Fonte frida


Fonte frida, fonte frida
fonte frida y con amor,
do todas las avecicas
van tomar consolaci�n,
sino es la tortolica,
que est� viuda y con dolor.
Por ah� fuera a pasar
el traidor del ruise�or;
las palabras que le dice
llenas son de traici�n:
�Si t� quisieses, se�ora,
yo ser�a tu servidor.�
�Vete de ah�, enemigo,
malo, falso, enga�ador,
que ni poso en ramo verde
ni en ramo que tenga flor,
que si el agua hallo clara
turbia la bebiera yo;
que no quiero haber marido
porque hijos no haya, no;
no quiero placer con ellos
ni menos consolaci�n.
�D�jame triste, enemigo,
malo, falso, mal traidor;
que no quiero ser tu amiga
ni casar contigo, no!�


(Romance an�nimo)

*

Bom dia!

27.8.04
 


INTEND�NCIA

Actualizadas, com coment�rios de leitores, as notas: PROV�RBIOS DE GRANDE ACTUALIDADE SOBRE O PRINC�PIO DE PETER e AR PURO

 


VALE A PENA ACOMPANHAR

o Casa em Constru��o . Para al�m do m�rito deste �(quase) di�rio em Timor Leste(�)Hist�rias de uma viagem a Dili como m�dico volunt�rio da AMI�, a �ltima nota que li � uma sensata observa��o sobre o barco das "Women on Waves", concluindo com esta evid�ncia que salta aos olhos: �Em apenas duas semanas, o trabalho dos grupos pr�-aborto mais moderados estar� (se n�o destruido) seriamente dificultado.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: T�O PERTO E T�O LONGE (LAMENTO DA �OPPORTUNITY�)



Aqui estou eu, t�o perto e t�o longe. Queria ir ver aquelas duninhas (ser� que eu escrevi isto, duninhas? Existe?), e n�o me deixam. Dizem do JPL que n�o se anda em terreno que n�o se conhece, que falta rocha para eu por os p�s, que as areias podem ser trai�oeiras, que h� ir e voltar e aqui pode-se n�o voltar, que sou muito preciosa para ser perdida por curiosidade, s� por interesse. Seja. Manda quem pode, obedece quem deve. Eu digo-lhes � noite, n�o me chame eu �oportunidade�, quando ningu�m me v� e eles est�o distra�dos com o �Esp�rito��
 


EARLY MORNING BLOGS 294

The Daffodils


I wandered lonely as a cloud
That floats on high o'er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host, of golden daffodils;
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.

Continuous as the stars that shine
And twinkle on the Milky Way,
They stretched in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.

The waves beside them danced, but they
Out-did the sparkling waves in glee:
A Poet could not but be gay,
In such a jocund company:
I gazed--and gazed--but little thought
What wealth the show to me had brought:

For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.


(William Wordsworth )

*

Bom dia!



26.8.04
 


BIBLIOFILIA

Numa gaveta esquecida, numa c�moda abandonada, numa casa familiar que j� ningu�m habita, havia um monte de lixo, de pap�is velhos. Tinha-os metido num caixote para ver o que era, numa altura em que houvesse sol e vento. O p� era tanto que era dif�cil abrir o caixote dentro de uma casa. De l�, sai o tempo, como � costume. Os amadores de papel velho sabem muito bem como �. Restos, restos de vidas. Aqui est�o tr�s desses marcadores do tempo.









Um � um manual sobre o autom�vel, de autoria de Jo�o Almeida e Vasconcelos, da velha Livraria Sim�es Lopes do Porto. Data de 1938 a segunda edi��o, e � dedicada ao m�dico que salvou a vida ao autor. No Pref�cio, o autor queixa-se que nenhum dicion�rio acolheu at� agora as palavras �garagem� e �derrapagem��









O mais surpreendente foi o "livro" que tem o s�mbolo do trabalhador batendo o ferro, numa imagem muito pr�xima das vinhetas usadas pela Internacional Comunista. � o verso de um livro de recibos da f�brica de �cortumes� �Rio Porto� que existia nos anos trinta em S. Vicente de Pereira, Ovar.


Por �ltimo este manual brasileiro de C�rmen Otero, Esposa e M�e. Conselhos �s jovens esposas e m�es, publicado no Rio em 1948. L� se d�o estes s�bios conselhos:

Deves tamb�m ensinar os teus filhos que, em presen�a de crian�as menos favorecidas pela sorte, n�o devem comer gulodices sem lhes dar um pouquinho, mas, como as vezes s�o muitos e ningu�m ficaria servido, � melhor evitar a cobi�a dos n�o favorecidos, afastando-se por ocasi�o da refei��o.
As crian�as bem-educadas tamb�m n�o devem ca�oar das roupas humildes e dos sapatos gastos dos seus coleguinhas mais pobres e, na hora de se fazer justi�a, como na hora da brincadeira, todos, ricos e pobres, tem o mesmo direito.


Como � normal nestas gavetas, s� livros �teis.
 


AR PURO

O meu ar puro de ontem foi uma pequena excurs�o de �naturalista amador� �s lagoas de Arrimal e � depress�o da F�rnea em Alvados (Porto de M�s), ambos os s�tios no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Das lagoas, a mais pequena, estava cheia de lixo, garrafas, sacos de pl�stico, detritos produzidos por detritos, a �grande� mantinha uma calma digna, entre um pelourinho antigo e uma bizarra e gigantesca flor-de-lis em pedra deixada pelos escuteiros. A depress�o � mesmo uma depress�o, banhada pelo sol quente, com os restos de �rvores ardidas e o leito seco de uma levada. A �livraria� de pedra estratificada entusiasma qualquer bibli�filo, que a saiba ler.

O saque do �naturalista amador� foi escasso. Hortel� selvagem para secar, um pequeno ramo de flores imediatamente mumificado, dois f�sseis e um cristal de quartzo. O cristal � humilde, imperfeito, partido, atravessado por uma infloresc�ncia castanha avermelhada (hematite?). Dos f�sseis, um � interessante cheio de uma esp�cie de vermes tubulares (crin�ides?) em v�rias posi��es na rocha, incrustados uns, outros s� se v� o c�rculo tubular. Um deles, o que primeiro me chamou a ten��o, quando lavei a rocha, saiu intacto do seu leito de morte, pequeno tubo de pedra vindo de um mar antiqu�ssimo.
O ar estava puro, a n�o ser um indistinto p� vindo das pedreiras.

*

"O ambiente que se vive em muitos dos Parques Naturais � francamente de lamentar, quando comparamos com aquilo que esperamos encontrar em tais espa�os e o que se v� por esses pa�ses fora. Em alguns paises os Parques Naturais est�o sob uma tutela Nacional, devidamente sensibilizada para essa �rea que, com a participa��o muitas vezes de mecenas zelam pela conserva��o, melhoramento e limpeza dos parques naturais. E a� d� prazer visitar esses parques, onde tudo � considerado n�o s� do ponto de vista do ambiente, mas tamb�m com facilidades para os seus frequentadores. Claro que, como em outras coisas, n�s temos os Parques que merecemos porque n�o sabemos, ou merec�-los ou at� utiiz�-los, ou talvez falta de um plano geral de desenvolvimentos de tais espa�os, e � pena.

Outro dia, por exemplo, visitei Caldas da Rainha, e logo � entrada, quem vem de Lisboa, encontra o seu Parque D. Carlos I, que em tempos j� foi muito mais cuidado do que actualmente. H� placas assinalando v�rios espa�os, e um deles � o do Parque das Merendas; o espa�o est� l�, mas o que falta s�o os equipamentos para as merendas, e � ver as pessoas sentadas pela relva, fora do tal espa�o, com as suas merendas, quando uns bancos e mesas r�sticas ou outro equipamento do g�nero completaria o espa�o., que seria acolhedor, deixando talvez saudade de voltar de novo.

N�s apontamos e reclamamos, mas tudo continua na mesma, tudo leva sempre muito tempo para que as coisas se endireitem. Bem podemos reclamar e exigir, mas somos sempre mandados para a bicha..."


(C Marcos)
 


FIFTY-SEVEN CHANNELS AND NOTHIN' ON

Raz�o tem o Bruce Springsteen quando canta

I bought a bourgeois house in the Hollywood hills
With a trunkload of hundred thousand dollar bills
Man came by to hook up my cable TV
We settled in for the night my baby and me
We switched 'round and 'round 'til half-past dawn
There was fifty-seven channels and nothin' on


porque n�s tamb�m temos muitos jornais e nenhuma not�cia. Corrijo: a �nica not�cia veio da blogosfera ( do Portugal profundo, do Bloguitica) e � passada para os jornais sem qualquer indica��o de fontes, como se fossem outros a descobri-la. Posso estar enganado e ser outra a circula��o da not�cia (dos factos da not�cia), mas a verdade � que a li com 24 horas de anteced�ncia em blogues e n�o vi indicada a sua origem no jornal. H�bitos.
 



William De Morgan, desenhos para azulejos
 


EARLY MORNING BLOGS 293

Rages de C�sars


L'homme p�le, le long des pelouses fleuries,
Chemine, en habit noir, et le cigare aux dents :
L'Homme p�le repense aux fleurs des Tuileries
- Et parfois son oeil terne a des regards ardents...

Car l'Empereur est so�l de ses vingt ans d'orgie !
Il s'�tait dit : " Je vais souffler la libert�
Bien d�licatement, ainsi qu'une bougie ! "
La libert� revit ! Il se sent �reint� !

Il est pris. - Oh ! quel nom sur ses l�vres muettes
Tressaille ? Quel regret implacable le mord ?
On ne le saura pas. L'Empereur a l'oeil mort.

Il repense peut-�tre au Comp�re en lunettes...
- Et regarde filer de son cigare en feu,
Comme aux soirs de Saint-Cloud, un fin nuage bleu.


(Rimbaud)

*

Bom dia!

25.8.04
 


PROV�RBIOS DE GRANDE ACTUALIDADE SOBRE O PRINC�PIO DE PETER

Na S�bado usei o prov�rbio brasileiro "quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacar�" como t�tulo de uma coluna. Vim agora a saber que no Porto h� um prov�rbio id�ntico: "quem nasceu para cinco, nunca chega a dez".

*

"�cerca das vers�es do prov�rbio "Quem naceu para lagartixa, nunca chega a jacar�", aqui lhe deixo outra que a minha m�e, agora com 78 anos, utilizava frequentemente "Quem nasceu para pataco, nunca chega a tost�o".

(Edite Soares)

*

"Sobre os ditados semelhantes ao "quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacar�", recordo-me de um que a minha av�, tripeira como n�s, usava com frequ�ncia: �quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita�. "

(Jorge Ricardo Pinto)



 


BIBLIOFILIA



Victor Davis Hanson, Why the West Has Won. Carnage and Culture From Salamis to Vietnam, Nova Iorque , Faber and Faber, 2001

Escrevi sobre este livro na �ltima S�bado, e, na pr�xima semana, colocarei o texto em linha na VERITAS FILIA TEMPORIS, ou mesmo no Abrupto, se tiver a oportunidade de desenvolver a nota de leitura. Mas devo j� dizer que � um livro muito bom, muito bem escrito, de autoria de um professor de "cl�ssicas". A sua an�lise da "forma" de guerra ocidental, e das suas rela��es com a cultura, a sociedade e a pol�tica, associada a batalhas com conte�do de choque "civilizacional", � pol�mica quanto baste, mas muito �til para o repensar de conceitos que tinham entrado em decl�nio como o de "civiliza��o".
 


A LER COM ATEN��O

"Ser e Parecer" (I e II) no Bloguitica.
 


EARLY MORNING BLOGS 292

3 do Book of Nonsense

There was an Old Lady of Prague,
Whose language was horribly vague;
When they said, "Are these caps?"
She answered, "Perhaps!"
That oracular Lady of Prague.

There was an Old Man at a easement,
Who held up his hands in amazement;
When they said, "Sir, you'll fall!"
He replied, "Not at all!"
That incipient Old Man at a casement.

There was an old Person of Burton,
Whose answers were rather uncertain;
When they said, "How d'ye do?"
He replied, "Who are you?"
That distressing old person of Burton.


(Edward Lear)

*

There was a hidden man of Obladia
Each morning saying �Bom dia!�

24.8.04
 


AR PURO


Isaak Levitan
 


EARLY MORNING BLOGS 291

The Road and the End


I shall foot it
Down the roadway in the dusk,
Where shapes of hunger wander
And the fugitives of pain go by.
I shall foot it
In the silence of the morning,
See the night slur into dawn,
Hear the slow great winds arise
Where tall trees flank the way
And shoulder toward the sky.

The broken boulders by the road
Shall not commemorate my ruin.
Regret shall be the gravel under foot.
I shall watch for
Slim birds swift of wing
That go where wind and ranks of thunder
Drive the wild processionals of rain.

The dust of the traveled road
Shall touch my hands and face.


(Carl Sandburg)

*

Bom dia!

23.8.04
 


AR PURO


Ivan Shishkin
 


A LER ABSOLUTAMENTE

A entrevista de Jonathan Lunine sobre porque � que o planeta Tit� � muito importante de estudar e conhecer.
 


EARLY MORNING BLOGS 290

As aldeias


Eu gosto das aldeias sossegadas,
com o seu aspecto calmo e pastoril,
erguidas nas colinas azuladas,
mais frescas que as manh�s finas de Abril.

Pelas tardes das eiras, como eu gosto
de sentir a sua vida activa e s�!
V�-las na luz dolente do sol-posto,
e nas suaves tintas da manh�!...

As crian�as do campo, ao amoroso
calor do dia, folgam seminuas,
e exala-se um sabor misterioso
de agreste solid�o das suas ruas.

Alegram as paisagens as crian�as
mais cheias de murm�rios do que um ninho:
e elevam-nos �s coisas simples, mansas,
ao fundo, as brancas velas dum moinho.

Pelas noites de Estio, ouvem-se os ralos
zunirem nas suas notas sibilantes...
E mistura-se o uivar dos c�es distantes
com o c�ntico met�lico dos galos.


(Gomes Leal)

*

Bom dia, �s aldeias! Nenhuma das quais � assim. Ou �? Para o praticante da aurea mediocritas ...

22.8.04
 



S. Gerasimov
 


EARLY MORNING BLOGS 289: "Pentiti, scellerato! / No, vecchio infatuato!"

Don Giovanni o l'empio punito - Atto Secondo - Scena Diciannovesima

Il Convitato di Pietra e detti

La Statua:
Don Giovanni, a cenar teco
M'invitasti e son venuto!


Don Giovanni:
Non l'avrei giammai creduto;
Ma far� quel che potr�.
Leporello, un altra cena
Fa che subito si porti!


Leporello (facendo capolino di sotto alla tavola):
Ah padron! Siam tutti morti.

Don Giovanni (tirandolo fuori):
Vanne dico!

La Statua (a Leporello che � in atto di parlare):
Ferma un po'!
Non si pasce di cibo mortale
chi si pasce di cibo celeste;
Altra cure pi� gravi di queste,
Altra brama quaggi� mi guid�!


Leporello:
(La terzana d'avere mi sembra
E le membra fermar pi� non so.)


Don Giovanni:
Parla dunque! Che chiedi! Che vuoi?

La Statua:
Parlo; ascolta! Pi� tempo non ho!

Don Giovanni:
Parla, parla, ascoltando ti sto.

La Statua:
Tu m'invitasti a cena,
Il tuo dover or sai.
Rispondimi: verrai
tu a cenar meco?


Leporello (da lontano, sempre tremando):
Oib�;
tempo non ha, scusate.


Don Giovanni:
A torto di viltate
Tacciato mai sar�.


La Statua:
Risolvi!

Don Giovanni:
Ho gi� risolto!

La Statua:
Verrai?

Leporello (a Don Giovanni):
Dite di no!

Don Giovanni:
Ho fermo il cuore in petto:
Non ho timor: verr�!


La Statua:
Dammi la mano in pegno!

Don Giovanni (porgendogli la mano):
Eccola! Ohim�!

La Statua:
Cos'hai?

Don Giovanni:
Che gelo � questo mai?

La Statua:
Pentiti, cangia vita
� l'ultimo momento!

Don Giovanni (vuol scoigliersi, ma invano):
No, no, ch'io non mi pento,
Vanne lontan da me!


La Statua:
Pentiti, scellerato!

Don Giovanni:
No, vecchio infatuato!

La Statua:
Pentiti!

Don Giovanni:
No!

La Statua:
S�!

Don Giovanni:
No!

La Statua:
Ah! tempo pi� non v'�!
(Fuoco da diverse parti, il Commendatore sparisce, e s'apre
una voragine.)

Don Giovanni:
Da qual tremore insolito
Sento assalir gli spiriti!
Dond'escono quei vortici
Di foco pien d'orror?


Coro di diavoli (di sotterra, con voci cupe):
Tutto a tue colpe � poco!
Vieni, c'� un mal peggior!


Don Giovanni:
Chi l'anima mi lacera?
Chi m'agita le viscere?
Che strazio, ohim�, che smania!
Che inferno, che terror!


Leporello:
(Che ceffo disperato!
Che gesti da dannato!
Che gridi, che lamenti!
Come mi fa terror!)

(Cresce il fuoco, compariscono diverse furie, s'impossessano
di Don Giovanni e seco lui sprofondano.)

(Libreto de Lorenzo da Ponte, m�sica de Wolfgang Amadeus Mozart)

*

Bom dia!

21.8.04
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LOSPALOS

"H� tempos consultei o relat�rio sobre a miss�o a Timor do PE e verifiquei que aparece erradamente designada a capital do distrito(anteriormente ocupa��o conselho/circunscri��o administrativa) de Lautem, ou seja a localidade de Lospalos, que surge na redac��o do PE ( eventualmente por importa��o terminologica do departamento de assuntos pol�ticos da UNTAET, que deve ter assessorado a visita), como Los Palos.
N�o sei se a etimologia das designa��es topon�micas segue as linguas de origem- Los Angeles, � o hisp�nico de Os Anjos, La Guardia � a Guarda, Buenos Aires os Bons Ares. Mas parece-me que Lautem est� muito para l� de qualquer lado de Tordesilhas. A l�ngua local � o fataluko, da fam�lia melan�sia e Lospalos, local pac�fico e ermo, foi durante muito tempo, da administra��o colonial e na ocupa��o designado pelo mesmo termo. Quando as Na��es Unidas chegaram( e antes ainda no per�odo do referendo alguns jornalistas portugueses, ajudaram � propaga��o do erro) muitos funcion�rios internacionais, habituados � hispaniza��o do mundo, colocaram os Palos, onde nunca os houve, como se pode confirmar na designa��o administrativa estabelecida na Constitui��o aprovada com a independ�ncia, onde s�o ali�s confirmada outras designa��es tradicionais e do per�odo de administra��o portuguesa( Cova Lima, para o distrito cuja capital � Suai e Oecusse-Ambeno para o enclave em Timor Ocidental).
"

(Jorge Lobo Mesquita)
 



Thomas Graham

20.8.04
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: HOLLYWOOD AJUDA A APANHAR UM BOCADO DO SOL

N�o � brincadeira. � mesmo: daqui a uns dias, helic�pteros, pilotados por gente habituada a fazer as acrobacias e os efeitos especiais dos filmes de Hollywood, v�o apanhar, a meio da queda, uma c�psula que contem um bocado de Sol transportado pela sonda G�nesis. Os saberes mais imprevistos tendem a juntar-se sempre, um dia.

H� uma nova p�gina no JPL para acompanhar a miss�o.
 


EARLY MORNING BLOGS 288

Photo of Home From Home


I used to leave this granite house
after everyone else was asleep,
and, walking down the hill, come to the
woods just behind you snapped
this photo, old friend, who think I can bear
to look at it.

The full moon loomed so close
I'd think I could reach out and gather it
into folds, until I noticed
one star fallen out of the side,
blinking to know where it was,
dead probably, by then, or now.

One night when I was seven
I stood in the dining room, staring
at the decanter on the drinks cart
shining like fool's gold, its liquor smelling
of honey and rosin, belly flat
as mother's breast
as she lay back to sleep beside me.

Later, I caught the moon,
through the dormer window nearest the spot
this photo was taken, a crescent
chunk of old ice.


(Richard Deutch)

*

Bom dia!


19.8.04
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DIREITO DE EXPLICA��O

"Leitor habitual de Jos� Pacheco Pereira, por quem tenho enorme respeito intelectual, n�o posso deixar de esclarecer algumas informa��es feitas no Abrupto de 08-08-04, sobretudo quando refere que �os dois autarcas disseram-nos (...) que t�m imensos espa�os vazios que, pelos vistos, foram constru�dos sem objectivo definido, porque sen�o estavam cheios�.

N�o � o caso da C�mara Municipal de Santar�m. Efectivamente a C�mara Municipal de Santar�m n�o tem espa�os vazios, mas antes falta deles para poder instalar condignamente trabalhadores e servi�os.

O Presidente da C�mara limitou-se a indicar ao Governo e � comunica��o social instala��es perten�a de privados (CNEMA - cujos accionistas s�o, entre outros, o pr�prio Minist�rio da Agricultura e a C�mara Municipal), ou edif�cios p�blicos (Governo Civil, Esta��o Zoot�cnica Nacional, CAE) que, disponibilidades de espa�o e que em simult�neo t�m dignidade para acolher organismos governamentais.

Compete ao Governo quando anuncia com pompa e alarde medidas de descentraliza��o de servi�os, averiguar previamente se as mesmas s�o exequ�veis e em que prazo. N�o foi o que o Governo fez.

Para mais esclarecimentos, queira consultar a Carta Aberta ao Primeiro-Ministro, publicada no Jornal �P�blico� de 15 de Agosto e tamb�m no Jornal Regional �O Ribatejo� de 19 do corrente.
"

(Rui Pedro de Sousa Barreiro, Presidente da CM Santar�m)
 


POEIRA DE 19 DE AGOSTO: FACE IT KID

Hoje h� cinquenta e dois anos, Sylvia Plath dava-se a si pr�pria um empurr�o para cima:

Face it kid, you've had a hell of a lot of good breaks. No Elizabeth Taylor, maybe. No child Hemingway, but god, you are growing up. In other words, you've come a long way from the ugly introvert you were only five years ago. Pats on the back in order? O.K., tan, tall, blondish, not half bad. And brains, `intuitiveness' in one direction at least. You get along with a great many different kinds of people. Under the same roof, close living, even.You have no real worries about snobbishness, pride, or a swelled head. You are willing to work. Hard, too. You have willpower and are getting to be practical about living - and also you are getting published. So you got a good right to write all you want. Four acceptances in three months - $500 Milk, $25, Sin Seventeen, $4.50 Christian Science Monitor (from caviar to peanuts, I like it all the way).

N�o durou muito, porque tudo o que sobe tem que cair. Ter�? Einstein, numa experi�ncia do pensamento, mostrou que �
 



Andrew Wyeth
 


EARLY MORNING BLOGS 287

Chorus Sacerdotum from "Mustapha"

Oh, wearisome condition of humanity,
Born under one law, to another bound;
Vainly begot, and yet forbidden vanity,
Created sick, commanded to be sound.
What meaneth nature by these diverse laws?
Passion and reason self-division cause.
It is the mark or majesty of power
To make offences that it may forgive;
Nature herself doth her own self deflower,
To hate those errors she herself doth give.
For how should man think that he may not do,
If nature did not fail and punish too?
Tyrant to others, to herself unjust,
Only commands things difficult and hard,
Forbids us all things which it knows is lust,
Makes easy pains, unpossible reward.
If nature did not take delight in blood,
She would have made more easy ways to good.
We that are bound by vows and by promotion,
With pomp of holy sacrifice and rites,
To teach belief in good and still devotion,
To preach of heaven's wonders and delights:
Yet when each of us in his own heart looks
He finds the God there far unlike his books.


(Fulke Greville, Baron Brooke)

*

Bom dia!

18.8.04
 


INTEND�NCIA

Actualizado O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: WHAT IF?.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: OLHANDO DE CIMA


Marte, "Esp�rito" olhando para a plan�cie atravessada.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O POVO

"Um S�bado h� uns meses atr�s, no concurso "Um contra Todos" na RTP, tive oportunidade de assistir a um momento raro de televis�o. Verdadeiro servi�o p�blico.

� concorrente, a "Um", trinta e poucos anos, n�o sei como se chamava, � feita a pergunta "Segundo a Constitui��o a quem pertence o poder pol�tico?" e dadas tr�s hip�teses de resposta, "O Presidente da Rep�blica, o Primeiro Ministro ou o Povo".

Os receios de quem l� em casa assistia ao programa confirmaram-se. A resposta tardou porque a concorrente hesitava entre o Sr. Presidente e o Sr. Primeiro Ministro. Em momento algum deu mostras de sequer lhe passar pela cabe�a que o poder pol�tico, segundo a Constitu���o, pertence ao Povo. Uma mulher com trinta e poucos anos, que viveu a quase totalidade da sua vida em Democracia.

A hist�ria vai ainda a meio. Os "Todos" com ela se defrontava responderam � mesma pergunta. Estariam ainda em jogo � volta de 30 concorrentes. Nenhum acertou. Nenhum."


(M�rio Almeida)


*

"Tamb�m assisti ao programa da RTP, hoje citado pelo M�rio Almeida, o concurso "Um contra todos".
Confirmo e acrescento, que me recordo da pr�pria concorrente, nas suas hesita��es entre o primeiro ministro e o presidente, ter dito perempt�riamente - ao Povo � que n�o �!
O que ainda deu um tom ir�nico � coisa... "


(Carlos Santos)

*

"Perante o cen�rio pol�tico que se nos apresenta em Portugal, n�o acho que a concorrente tenha propriamente falhado a resposta� Existe constitui��o em Portugal? Existe, mas parece que n�o � s� o �povo� dos concursos que a desconhece� ali�s, parece que quem mais a cita � quem menos a aplica�O que ser� pior? E o que � mais grave: falhar num concurso de TV ou num mandato pol�tico? Para bom entendedor�"

(Filipa Guimar�es)

*

"N�o sei o que � mais aflitivo (surpreendente, tr�gico?), se a suposta ignor�ncia da concorrente - que como a maioria dos portugueses nunca leram a Constitui��o - se o abismo que separa as nossas leis da realidade, a come�ar pela lei fundamental. "

(Amora da Silva)
 


EARLY MORNING BLOGS 286

Os para�sos artificiais


Na minha terra, n�o h� terra, h� ruas;
mesmo as colinas s�o de pr�dios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, n�o h� �rvores nem flores.
As flores, t�o escassas, dos jardins mudam ao m�s,
e a C�mara tem m�quinas especial�ssimas para desenraizar as �rvores.

O c�ntico das aves � n�o h� c�nticos,
mas s� can�rios de 3� andar e papagaios de 5�.
E a m�sica do vento � frio nos pardieiros.

Na minha terra, por�m, n�o h� pardieiros,
que s�o todos na P�rsia ou na China,
ou em pa�ses inef�veis.

A minha terra n�o � inef�vel.
A vida na minha terra � que � inef�vel.
Inef�vel � o que n�o pode ser dito.


(Jorge de Sena)

*

Bom dia, na minha terra!


17.8.04
 


OBRIGADINHA - 2

Os advogados da defesa, os jornalistas a mando, os conspiradores, os cabalistas, as partes interessadas no processo, as partes desinteressadas no processo (mas interessadas na sua venda comunicacional), todos podem falar, que, numa democracia que funcione, n�o afectam a justi�a. Podem cometer um crime falando, podem criar dificuldades � justi�a, podem desenvolver �estrat�gias�, mas, se tudo o resto funcionar bem, n�o podem impedir a justi�a. S� uma parte n�o o pode fazer, por raz�es que est�o muito para l� da lei, e que tem a ver com o funcionamento da democracia e a �tica social: a PGR, os magistrados, os ju�zes e os pol�cias, que det�m sobre o processo (e um processo s�o pessoas: v�timas, inocentes e culpados) poderes com origem nas prerrogativas do seu estatuto profissional. Podem prend�-los, podem interrog�-los, podem escutar-lhes o telefone, podem copiar-lhes o disco duro dos computadores, fazer-lhes buscas a casa. N�o podem � falar. Nem demais, nem de menos, n�o podem falar. A sua �fala� pr�pria � a condu��o do processo de modo a dar satisfa��o �s v�timas e puni��o aos culpados.

A enorme perturba��o que atravessa a sociedade portuguesa, a que se interessa por estas coisas e � dedicada � causa p�blica, os melhores de n�s todos, que exactamente por isso se sentem mais ofendidos, � a constata��o inequ�voca, insisto, inequ�voca, de que esta regra b�sica n�o foi cumprida, sem consequ�ncias de maior.

*

"Estamos t�o s� a assistir � materializa��o da crise da Justi�a na sua verdadeira ess�ncia. N�o � nada de novo pois j� tivemos Camarate, j� tivemos o microfone no gabinete de Cunha Rodrigues. Invariavelmente os protagonistas s�o os mesmos, apenas mudar� um ou outro rosto.
Neste aspecto a mediatiza��o at� que acaba por ter um efeito positivo, na medida em que algo ainda vai soando junto da opini�o p�blica. Um misto de mensagem e de ru�do, que obriga a decifrar a realidade. Chegamos ao c�mulo de se aproveitar a viola��o de princ�pios legais e �ticos, para que alguma verdade escondida se revele. Sem uma publica��o das cassetes, parcial ou n�o, fidedigna ou n�o, n�o seria poss�vel aceder a uma parcela da verdade. � claro que tudo de adv�m de grava��es feitas sem consentimento, de declara��es feitas ao arrepio de deveres �ticos e deontol�gicos, de publica��es abusivas e il�citas.
A serpente do mal parece enroscada em si mesma, mordendo-se, envenenando-se, como se a sua presa n�o a saciasse mais.
"

(Carlos Bote)
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: CR�NICA DA BELEZA IMPURA


Parece uma fotografia que n�o vale nada, mas dentro daquele quadradinho est� um novo parente da fam�lia solar: S/2004 S1. S/2004 S1 e S/2004 S2 s�o os dois novos sat�lites de Saturno descobertos pela Cassini. A fotografia est� "impura", restos de raios c�smicos, "ru�do" est� l� tudo. E uma pequena pedra, com cerca de 3 quil�metros, no meio de for�as gigantescas, passeando solta (presa) �s voltas, batendo contra tudo. Oh guarda, che / bella giovent�.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: WHAT IF?

"Acabei de ler aquele que � talvez o trabalho "definitivo" sobre a campanha Napole�nica na R�ssia ("1812 . Napoleon's Fatal March on Moscow" de Adam Zamovski), que recomendo vivamente. H� uma curiosidade que vem do "Guerra e Paz" sobre o pr� e p�s-Borodino (pronuncia-se b�r�din�), a que mesmo quem n�o seja um adepto de historiografia militar n�o consegue ficar alheio. A batalha crucial (foi preciso esperar pelo primeiro dia da ofensiva no Somme em 1916 para morrerem mais homens num s� dia ) e a retirada em pleno Inverno fazem parte das refer�ncias psicol�gicas colectivas de muito boa gente dos povos envolvidos. H� no livro at� refer�ncias � Legi�o Portuguesa e ao Marqu�s d'Alorna bem como � forma her�ica como um batalh�o comandado por um tal Castro actuou no trabalho de protec��o da retaguarda da Grande Arm�e envolvida no trajecto tr�gico do regresso. Mas estou a deambular para fora daquilo ao que vinha. A saber: muito perto do final do livro fala-se da in�mera literatura que resultou daquela campanha. Das mem�rias, todas mais ou menos indulgentes para com os respectivos memorialistas, sabemos bem, mas houve tamb�m um pequeno livro (escrevo de mem�ria, deixei o "1812" em casa) que imagina o que seria se Napole�o tivesse marchado para S�o Petersburgo e imposto a paz a Alexandre. Na pr�tica redundaria num Imp�rio global com Paris como nova Roma. Mas o pormenor que achei uma del�cia foi o destino dos Ingleses. Napole�o atravessa a Mancha, conquista Londres, proclama nos Comuns a dissolu��o do Reino, permite ao Monarca que se mude para Glasgow com o t�tulo de Rei da Esc�cia e da Irlanda, e a Inglaterra pr�priamente dita � dividida numa m�o cheia de D�partements e incorporada no territ�rio Fran�a! Como "wishful thinking" dum franc�s com a P�rfida Albion atravessada � dif�cil fazer melhor!"

(JTP)

*

"Lembro que no Reino Unido existe uma grande tradi��o para visitar campos de batalha desenvolvendo um tipo de turismo cultural, praticamente desconhecido entre n�s. Repare, no que � proposto neste s�tio (este � apenas um dos muitos que encontrei).

Repare que � Batalha do Porto, uma das mais surpreendentes e r�pidas vit�rias de Wellesley em Portugal � dedicada um dia! Quem em Portugal sabe o que se passou com pormenor e se dedica a divulgar essa interessante hist�ria? O uso de 2 ou 3 barcos rabelos para transportar tropas inglesas para o "Semin�rio" sem que as sentinelas francesas dessem conta, as baterias inglesas no Monte da Virgem "varrendo" as colunas francesas e a fuga precipitada de Soult abandonando a sua refei��o no Pal�cio das Carrancas. Tudo "hist�rias" que nos dizem respeito e ignoradas!

Recordo tamb�m que a bibliografia anglo-sax�nica sobre as Invas�es Francesas � imensa, como se comprova introduzindo "Peninsular War" na Amazon. No campo da fic��o destaco as novelas de "Sharpe" de Bernard Cornwell que come�aram agora a ser traduzidas para Portugu�s. O �ltimo livro deste autor (Sharpe's Escape)cobre o per�odo da Batalha do Bu�aco, Saque de Coimbra e as Linhas de Torres Vedras."


(Jose Paulo Andrade)
 


EARLY MORNING BLOGS 285

Ballade des proverbes


Tant gratte ch�vre que mal g�t,
Tant va le pot � l'eau qu'il brise,
Tant chauffe-on le fer qu'il rougit,
Tant le maille-on qu'il se d�brise,
Tant vaut l'homme comme on le prise,
Tant s'�logne-il qu'il n'en souvient,
Tant mauvais est qu'on le d�prise,
Tant crie-l'on No�l qu'il vient.

Tant parle-on qu'on se contredit,
Tant vaut bon bruit que gr�ce acquise,
Tant promet-on qu'on s'en d�dit,
Tant prie-on que chose est acquise,
Tant plus est ch�re et plus est quise,
Tant la quiert-on qu'on y parvient,
Tant plus commune et moins requise,
Tant crie-l'on No�l qu'il vient.

Tant aime-on chien qu'on le nourrit,
Tant court chanson qu'elle est apprise,
Tant garde-on fruit qu'il se pourrit,
Tant bat-on place qu'elle est prise,
Tant tarde-on que faut l'entreprise,
Tant se h�te-on que mal advient,
Tant embrasse-on que chet la prise,
Tant crie-l'on No�l qu'il vient.

Tant raille-on que plus on n'en rit,
Tant d�pent-on qu'on n'a chemise,
Tant est-on franc que tout y frit,
Tant vaut "Tiens !" que chose promise,
Tant aime-on Dieu qu'on fuit l'Eglise,
Tant donne-on qu'emprunter convient,
Tant tourne vent qu'il chet en bise,
Tant crie-l'on No�l qu'il vient.

Prince, tant vit fol qu'il s'avise,
Tant va-il qu'apr�s il revient,
Tant le mate-on qu'il se ravise,
Tant crie-l'on No�l qu'il vient.


(Fran�ois Villon)

*

Bom dia!

16.8.04
 


BIBLIOFILIA



Duncan Brack / Iain Dale, Prime Minister Portillo and Other Things That Never Happened, Londres, Politico's, 2003

John Baxter, A Pound of Paper. Confessions of a Book Addict, Londres, Doubleday, 2002

Dois livros-tipo de escritas que n�o se fazem por c�: a fic��o hist�rica do g�nero "o que � que aconteceria se...", e livros sobre o amor aos livros, obsessivo, doentio, total.

(Em breve.)
 


EARLY MORNING BLOGS 284

"INDIGNATION" JONES


You would not believe, would you,
That I came from good Welch stock?
That I was purer blooded than the white trash here?
And of more direct lineage than the New Englanders
And Virginians of Spoon River?
You would not believe that I had been to school
And read some books.
You saw me only as a run-down man,
With matted hair and beard
And ragged clothes.
Sometimes a man's life turns int a cancer
From being bruised and continually bruised,
And swells into a purplish mass,
Like growths on stocks of corn.
Here was I, a carpenter, mired in a bog of life
Into which I walked, thinking it was a meadow,
With a slattern for a wife, and poor Minerva, my daughter
Whom you tormented and drove to death.
So I crept, crept, like a snail through the days
Of my life.
No more do you hear my footsteps in the morning,
Resounding on the hollow sidewalk,
Going to the grocery store for a little corn meal
And a nickel's worth of bacon.


(Edgar Lee Masters)

*

Bom dia, na nossa Spoon River!

15.8.04
 


POEIRA DE 15 DE AGOSTO 2



Hoje, h� quarenta e tr�s anos, ergueu-se o Muro que Conrad Schuman saltou em nome da liberdade contra o "socialismo real".
 


A LER

Vale a pena ler "Vale a pena?" e "Juristas" no Portugal dos Pequeninos.
 


MAIS E MAIS AR PURO


Ilya Ostrukov
 


POEIRA DE 15 DE AGOSTO

(Cortesia de Jo�o Costa que lembrou esta �poeira�)

Hoje, h� oitenta e seis anos, Churchill foi a Paris como Ministro do Armamento e da� escreve � sua mulher Clementine :

Paris, 15 August, 1918

My Darling One:
I never saw anything like the tropical brilliancy of the weather here.
Each day is more perfect than the other. It was provoking to be cooped up in a conference hour after hour...It is quite an impressive gathering - the 4 great nations assembled along the tables with their ministers & generals etc. We arranged that each gt power represent one of the little powers (so as to restrict members).
France took Greece, Italy was given Serbia, the U.S. Belgium, & we took the Portuguese; so we were like four kangaroos each with an infant in the pouch.
Ours is rather a dirty brat I am afraid...

Always yr devoted
W.


Pois �.
 


EARLY MORNING BLOGS 283

Baif, qui, comme moi, prouves l'adversit�


Baif, qui, comme moi, prouves l'adversit�,
Il n'est pas toujours bon de combattre l'orage,
Il faut caler la voile, et de peur du naufrage
C�der � la fureur de Neptune irrit�.

Mais il ne faut aussi par crainte et vilit�
S'abandonner en proie : il faut prendre courage,
Il faut feindre souvent l'espoir par le visage,
Et faut faire vertu de la n�cessit�.

Donques sans nous ronger le coeur d'un trop grand soin,
Mais de notre vertu nous aidant au besoin,
Combattons le malheur. Quant � moi, je proteste

Que je veux d�sormais fortune d�piter,
Et que si elle entreprend le me faire quitter,
Je le tiendrai, Ba�f, et f�t-ce de ma reste.


(Joachim du Bellay)

*

Bom dia!

14.8.04
 


MAIS AR PURO


Fyodor Vasilev
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SILLY SEASON

"A not�cia � espantosa. Cientistas russos afirmam que encontraram os destro�os de uma nave espacial extra-terrestre que se despenhou em 1908 em Tunguska, na Sib�ria, anunciou quarta-feira � noite a ag�ncia noticiosa Interfax. Infelizmente a not�cia n�o diz que parte da nave � que encontraram. Ter� sido o motor, as asas ou a cozinha? Mas ainda � mais espantoso que not�cias destas apare�am hoje em dia na comunica��o social e que passem no rodap� dos notici�rios da TV, como se fosse algo cred�vel. Ser� que se algu�m dissesse que na R�ssia encontraram o Gagarin vivo tamb�m iam passar a not�cia? Ou que a estrela de Bel�m pousou mesmo na gruta do menino Jesus? Tamb�m passavam t�o assombrosa descoberta?"

(Jos� Matos)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: CRATERAS FEMININAS

"Como nomes, tamb�m podia dar:

- Guilhermina Suggia, que tamb�m poucos conhecem. Existe tamb�m uma confus�o, n�o sei se j� desfeita, com as l�pides com o nome dos pais, aus�ncia quase total de grava��es dela acess�veis, etc. ( ver Blogger com o seu nome),

- Lu�sa Todi, cuja campa se situa algures numa cave dum pr�dio, se bem depreendi do que ouvi num programa da A2.
"

(Rui Laia)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: REVISTAS LIDAS NO CABELEIREIRO

"(...) vi a capa da revista VIP. Fiquei a saber que:

Marcelo Rebelo de Sousa j� esconde mal as suas ambi��es. Desta vez, e a primeira, pois tanto quanto me apercebi, at� agora s� temos visto as partes do puzzle (s�o as revistas que eu vejo no cabeleireiro as poucas vezes que l� vou), apareceu com a fam�lias no seu completo em f�rias: namorada de h� vinte anos (...), filha e genro, filho e nora. Tenho acompanhado com interesse o seu recente gosto contido programado e eficaz de aparecer nas revistas cor-de-rosa. Primeiro aparece ele e falar dele. Uns meses depois aparece ele e o neto, e j� fala ou pouco da sua vida pessoal e da rela��o com os seus filhos. Depois aparece ele a falar da sua namorada de h� vinte anos (...) e a explicar o quanto ela gosta da privacidade.
Depois aparece ele e o filho no mar de fato t�rmico no Inverno a dizer-nos do seu amor pelo mar partilhado com o filho. Depois, umas primeiras fotografias t�midas com a namorada de quem diz maravilhas. Depois tamb�m aparece na Quinta do Lago de f�rias com a filha no mar em que louva as qualidades da filha e fala da sua cumplicidade com ela. Agora finalmente vemos todas as pe�as do Puzzle e a fam�lia no seu completo.

Nada se deixa ao acaso nesta caminhada com objectivos bem definidos. Que faltar� agora? Aguardo com paci�ncia. As idas ao cabeleireiro dar�o os seus frutos! Ou me engano muito, ou vai l� chegar (e com o meu voto!)
. "

(JPC)
 


EARLY MORNING BLOGS 282

There was an Old Man who supposed,
That the street door was partially closed;
But some very large rats,
Ate his coats and his hats,
While that futile old gentleman dozed.


(Edward Lear)

*

Bom dia!

13.8.04
 



Isaak Levitan, Vento fresco no Volga, 1895

(Isto estava l� em baixo no limbo do blogue, rapidamente soterrado pelos eventos. Mas, penso que se h� coisa que os eventos precisam � de ser varridos com ventos e seria injusto que esta lufada de ar fresco n�o fizesse mais parte do dia de hoje do Abrupto. E subiu c� para cima.)
 


CORREIO

Algum correio, enviado entre o fim da manh� de hoje e as 15 horas, foi apagado por engano. Pedia aos que me escreveram, em particular sobre a quest�o do OBRIGADINHO, que repetissem o envio.
 


OBRIGADINHA

Correio da Manh� � Posso escrever isto? Fonte do MP? Correcto?
Sara Pina � Pode o qu�?
CM � Fonte do MP, soube o �Correio da Manh�.
SP � N�o pode p�r fonte nenhuma.
CM � Fonte pr�xima do processo e est� a andar.
SP � N�o pode.
CM � Fonte pr�xima do processo e�
SP � N�o pode. Isso muito menos.
CM � Ent�o, pronto, soube o �Correio da Manh�, o �Correio da Manh� apurou junto de qualquer coisa (�)
SP � Isso pode p�r.
CM � Tanto que, ao contr�rio de�
SP � Ponha assim, o �Correio da Manh� apurou que � mais do que uma crian�a, pronto, mas n�o p�e fonte nenhuma, nem judicial, nem do MP e muito menos fonte do processo, sen�o sou morta na segunda-feira.
CM � T� bem, n�o morre nada.
SP � O �Correio da Manh� apurou.
CM � O �Correio da Manh� apurou que (�)
SP � N�o ponha fonte nenhuma sen�o nunca mais lhe dou uma informa��o.
CM � T� bem Sara, obrigadinha.


(Uso a transcri��o do Barnab�)

Esta mulher j� est� na rua das suas fun��es ou n�o? O PGR sabia ou n�o que a sua porta-voz (a que transporta a voz) falava assim com um jornalista ou n�o? Porque se sabia, a porta � a mesma. E r�pido.

*

"O grande problema que envolve o assunto em quest�o prende-se com a impossibilidade real e factual de se poder controlar e fiscalizar o segredo de justi�a.
Que tipo de instrumentos � que podem evitar que algu�m com conhecimento de um determinado processo judicial passe informa��o para o exterior? Muitas vezes, as leis no papel s�o bonitas, mas nada eficazes. A do segredo de justi�a � uma delas...
S� quando uma dessas situa��es il�citas for exemplarmente julgada � que o medo se poder� instalar nas mentes daqueles que com acesso a processos judiciais facilmente vendem informa��o aos jornalistas. A� sim, pensar�o duas vezes antes de violarem o segredo de justi�a..."


(Pedro Peixoto)

*

"Neste pa�s raramente algu�m � posto porta fora. Sabe isso. Todos sabemos.
Raramente algu�m � demitido. Outra coisa, sim, e bem mais agrad�vel at� em termos curriculares, � ser aceite o pedido de demiss�o. Em Portugal quem faz asneira em cargos de responsabilidade, principalmente asneira grosseira, por regra, apresenta a sua demiss�o, n�o tem de sofrer o vexame de ser demitido.
O trabalhador, na privada ou na fun��o p�blica, esse sim, � despedido por base numa justa causa legalmente estabelecida. Agora os altos respons�veis n�o est�o sujeitos a esse tipo de coisas. Seria um vexame. � assim h� muito tempo e o caso de Adelino Salvado mostra que assim continuar�. Os processos de branqueamento seguem-se logo ap�s os esc�ndalos. Assim ditam as nossas boas regras.
"

(Carlos Bote)

*

"Porque � que nesta transcri��o do Barnab� est� o Correio da Manh� e n�o o Octavio Lopes?... Ali�s, no Barnab� est� um subt�tulo assim: "Conversa entre Sara Pinto, Porta-Voz do Procurador-Geral da Rep�blica, Souto Moura, e um jornalista do "Correio da Manh�", publicada no "Independente". Todos t�m nome menos o jornalista do Correio da Manh�?... Ora em "O Independente" n�o est� um "jornalista do Correio da Manh�", est� Octavio Lopes. Ele j� est� a perder o nome?... Est� a desaparecer enquanto pessoa que fez as grava��es?

(...) estou a manifestar uma enorme desconfian�a quanto ao conte�do muito selectivo de O Independente de hoje, e a tentar entender os meandros do mais absurdo proteccionismo corporativo que est� a ser dado a Octavio Lopes."

(Henrique Jorge)
 


TEND�NCIAS

Numa fase ainda muito err�tica, � prematuro definir tend�ncias. H� mais sobreviv�ncias do que tend�ncias. Mas h� sinais interessantes, saibamos n�s l�-los:

- j� come�ou a prepara��o psicol�gica para a ultrapassagem do d�fice, feita, muitas vezes, como � da regra, com promessas de o manter.

Bibliografia: not�cia do Independente sobre Bag�o F�lix e o d�fice.

- em �reas em que o Governo n�o t�m grande margem de manobra, em que n�o h�, a curto prazo, high stakes, ou em que os interesses do Governo e da oposi��o s�o os mesmos, as escolhas s�o t�picas do �bloco central�. O �bloco central� � em Portugal a melhor garantia de governar sem se ser incomodado e j� deu muitas provas da sua efic�cia nos momentos dif�ceis, nos tribunais, nas pol�cias, nas empresas p�blicas, na empregabilidade dos gestores. Para os amadores da teoria das conspira��es � tamb�m nestes sectores que os poderes discretos das v�rias ma�onarias funcionam.

Bibliografia: saber de experi�ncia feita com coisas vistas e conhecidas;

artigo de Jos� Ant�nio Barreiros no Di�rio de Not�cias.
 


NOMES

Naquela que deve ter sido uma das mais bizarras interven��es numa comiss�o pol�tica de um partido (o PSD, neste caso, ao tempo de Cavaco Silva), numa discuss�o qualquer que havia sobre a nossa �auto-estima�, ou sobre o sat�lite portugu�s, eu perguntei-me porque raz�o us�vamos pouco a possibilidade de dar nomes portugueses a alguns dos acidentes da geografia dos planetas. A necessidade de nomenclatura crescia exponencialmente, � medida que se iam conhecendo melhor os planetas com as sondas dos anos 70 e 80.

J� havia pelo menos uma �Vasco da Gama� na Lua, mas era pouco. Acho que dei o exemplo de V�nus, cujas regras de nomenclatura conhecia. Eu sabia que n�o t�nhamos nomes para as Fossae, que tinham que ser �deusas da guerra�, nem para as Chasmata, que tinham que ser �deusas da ca�a�, mas sempre se podia fazer alguma coisa para as Crateras, acima dos 20 km, que tinham nomes de mulheres famosas. Acho que o primeiro nome que me veio � cabe�a foi o de Florbela Espanca. Ningu�m sabe quem �, disse-me um outro participante na reuni�o. Tamb�m h� uma cratera chamada "Suzanne Valadon", porque os franceses n�o deixam os seus cr�ditos por m�os alheias, e pouca gente sabe quem �... Algu�m, sensato, passou adiante.

Em Marte, onde se podem dar nomes de cidades a pequenas crateras, h� uma Lisboa, identificada como um �porto portugu�s�, misturada com Viana (Brasil), Platte no Dakota do Sul, Porvoo (Finl�ndia), etc., etc. Mas n�o h� sequer a minha terra, o Porto (o que � que tu esperas, Rui?...).

*

"(...) pelo menos o nome do seu rio "Durius" foi atribu�do a um vale marciano. O meu rio "Munda" tambem, tal como o "Tagus". Lisboa, Aveiro e Funchal s�o os nomes de cidades portuguesas atribu�dos a crateras marcianas."

(Rui Curado Silva da Klepsydra)

*

"Nomes portugueses na Lua listados, junto com as coordenadas:

Acosta 5.6S 60.1E 13.0 EU PG 080B4 LTO 5 1976
0 AA Cristobal; Portuguese doctor, natural historian (1515-1580).

[Camoens] 0.8N 84.9E 33.0 EU PG 063C3 LTO 6 0
0 AA Luis de; Portuguese author (1524-1530).

Magelhaens 11.9S 44.1E 40.0 EU PG 79 LAC 5 1935
66 AA Fernao De (Ferdinand Magellan); Portuguese explorer (1480-1521).

Nonius 34.8S 3.8E 69.0 EU PG 112 LAC 5 1935
66 AA Nunez, Pedro; Portuguese mathematician (1492(?)-1578).

Vasco da Gama 13.6N 83.9W 83.0 EU PG 1 LOC 5 1935
66 AA Portuguese navigator, explorer (1469-1524).

Num dia como hoje, � reconfortante lembrar grandes portugueses."


(S)
 


EARLY MORNING BLOG 281

Poderoso caballero es don Dinero.


Madre, yo al oro me humillo;
�l es mi amante y mi amado,
pues, de puro enamorado,
de contino anda amarillo:
que, pues, dobl�n o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompa�a;
viene a morir en Espa�a
y es en G�nova enterrado.
Y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Es gal�n y es como un oro,
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Son sus padres principales
y es de noble descendiente,
porque en la venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Mas, �a qui�n no maravilla
ver su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
do�a Blanca de Castilla?
Pero pues da al baxo silla
y al cobarde hace guerrero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismo robles
da codicia su minero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos.
Y pues �l rompe recatos
y ablanda al juez m�s severo,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Y es tanta su majestad
(aunque son sus duelos hartos),
que con haberle hecho cuartos
no pierde su autoridad:
pero pues da calidad
al noble y al pordiosero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afici�n,
que a las caras de un dobl�n
hacen sus caras baratas.
Y pues las hace bravatas
desde una bolsa de cuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

M�s valen en cualquier tierra,
(mirad si es harto sagaz),
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra.
Y pues al pobre lo entierra
y hace propio al forastero,
Poderoso caballero
es don Dinero.


(Francisco de Quevedo)

*

Bom dia!

12.8.04
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES; ELOGIO DO VERDE TINTO

"Mas nada est� perdido: a pequena caneca de barro branca com riscas azuis tem sido a minha principal c�mplice. Nela est� o verde tinto que s� aqui tem a particularidade de fazer milagres. Sabe-me fresca e divinamente e encerra em si o mist�rio da �perten�a�. A toalha de papel fica suja e de um roxo quase negro das pingas que escorrem da imperfei��o do bico da caneca - s�o sempre muito estreitos. Os copos ficam maravilhosos com aquele vermelho espesso que s� o verde tinto nos sabe dar, e os nossos cantos dos l�bios? Aqui n�o saberia beber outra coisa. Regresso a casa �slightly dizzy� do exerc�cio do meu pequeno prazer privado que nem o Homem Aranha nem a Britney Spears chamuscam."

(J.)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:A GIRAFA

"A prop�sito do poema Le Chameau et les B�tons flottants (EARLY MORNING BLOGS 278):

Dizem que quando o Luis XIV (ou XV?) viu uma girafa, pela primeira vez, assestou a luneta e disse: �Este animal, provavelmente, N�O existe!�.

A girafa, com o seu pesco�o de dois metros e o seu olhar penetrante, tem um horizonte mais amplo que todos os outros animais terrestres; deve ser, por isso, um animal s�bio: j� sabe que no mar flutuam troncos desgarrados, enquanto o comum da parentela de quatro ou duas patas, ainda treme pela aproxima��o da Armada de Filpe II."


(Luis Manuel Rodrigues)

 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAU JORNALISMO

"Mais um exemplo de mau jornalismo...

Ontem vi escrito em v�rios lados que "JPP era a favor da publica��o do conte�do das cassetes". Como as not�cias se baseavam no Abrupto e eu n�o tinha percebido nada disso quando li os seus textos, vim c� hoje novamente verificar. Pois �: divulgar os nomes n�o � o mesmo que divulgar o conte�do. N�o sei o que pensa sobre o assunto, mas de facto o que consta do Abrupto � diferente daquilo que foi divulgado por quem aparentemente n�o sabe ler.
"

(Tiago Azevedo Fernandes)

Toda a raz�o, toda a raz�o. E ainda h� as not�cias, e os coment�rios, feitos a partir do Abrupto, sem o citar. Costumes.
 


MAY I GOVERN MY PASSION WITH AN ABSOLUTE SWAY

 


EARLY MORNING BLOG 280

The Old Man's Wish


If I live to be old, for I find I go down,
Let this be my fate: In a country town
May I have a warm house, with a stone at the gate,
And a cleanly young girl to rub my bald pate.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

Near a shady grove, and a murmuring brook,
With the ocean at distance, whereupon I may look,
With a spacious plain without hedge or stile,
And an easy pad-nag to ride out a mile.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

With Horace and Petrarch, and two or three more
Of the best wits that reign'd in the ages before,
With roast mutton, rather than ven'son or veal,
And clean though coarse linen at every meal.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

With a pudding on Sundays, with stout humming liquor,
And remnants of Latin to welcome the vicar,
With Monte-Fiascone or Burgundy wine,
To drink the King's health as oft as I dine.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

With a courage undaunted may I face my last day,
And when I am dead may the better sort say,
In the morning when sober, in the evening when mellow,
He's gone, and left not behind him his fellow.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.


(An�nimo)

*

Bom dia!

11.8.04
 


SOBRE "PODER CORPORATIVO E RESPONSABILIDADE"

"Partilho das suas preocupa��es sobre a gravidade deste epis�dio da cassette (?) roubada, mas pretendo chamar a sua aten��o para algumas incorrec��es nos seus textos sobre a mat�ria: de facto, a lei (C�digo Penal) proibe a grava��o de conversas sem o consentimento do outro interlocutor ou ilegalmente gravadas. Apenas em situa��es limite se pode excluir a ilicitude dessas grava��es, nomeadamente em casos de leg�tima defesa. E n�o s�o os jornalistas que deliberam sobre o chamado "interesse p�blico" dessa actua��o.
Por outro lado, existem limites ao direito ao sigilo profissional, que n�o � j� um direito absoluto como fora consagrado na Lei de Imprensa de 1975. O tribunal imediatamente superior �quele onde esteja a decorrer um julgamento, cujo magistrado entenda dever limitar esse direito, poder� decidir da quebra do sigilo com a consequente presta��o do depoimento, se entender existir um interesse preponderante (CPP, art. 135.�). � verdade que o C�digo deontol�gico do Jornalista lhe imp�e manter o sigilo profissional, mas a lei em vigor limita esse direito.
Estou de resto absolutamente convicto de que um juiz imporia a quebra do sigilo se isso possibilitasse o p�blico conhecimento do(s) autor(es) de uma viola��o t�o grosseira do segredo de justi�a como as que temos presenciado.
Finalmente, permito-me recordar que em Julho do ano passado, o Expresso do nosso arq. Saraiva publicou um chamado "C�digo de Conduta do Expresso", onde, a� sim, se admitia que os jornalistas do seman�rio poderiam "recorrer a aparelhos de escuta ou � intercep��o de conversas telef�nicas privadas" caso existisse "interesse p�blico", ent�o definido como "evitar um crime ou um delito grave, proteger a seguran�a ou a sa�de p�blicas" etc.
Na altura, perante o sil�ncio geral, como julgo que os jornalistas nunca deveriam praticar este tipo de actos ou serem interpretes �nicos do conceito de interesse p�blico, sobretudo quando muitas vezes apenas depois de praticado o acto criminoso se pode averiguar se esse interesse tinha ou n�o existido, fiz uma queixa � Alta Autoridade para a Comunica��o Social, que viria a criticar o jornal, recomendando a modifica��o do dito c�digo. At� hoje...
"

(Alberto Arons de Carvalho)

*

"Talvez Robert Herrick (1591-1674) tenha raz�o:

THINGS MORTAL STILL MUTABLE

Things are uncertain; and the more we get,
The more on icy pavements we are set"


(Jo�o Costa)

*

"As considera��es - ali�s, desprimorosas - feitas no escrito POBRE PA�S 1 - O PODER CORPORATIVO E A IRRESPONSABILIDADE referem genericamente os jornalistas e os magistrados. Como magistrado judicial no activo, um de entre milhares que exercem as suas fun��es com honestidade, e avesso � exposi��o medi�tica, entristece-me a facilidade com que toma o todo pela parte. Creio mesmo que ser�o muito poucos os magistrados judiciais que se enquadram no modelo que o seu escrito pretende transmitir.
As nomea��es pol�ticas de magistrados judiciais para cargos de subordina��o hier�rquica, como por exemplo, a Pol�cia de Seguran�a P�blica, Direc��es-Gerais, Servi�os de Informa��es e outros (com regresso posterior � magistratura), al�m de degradantes para a Justi�a, contribuem muito mais para a promiscuidade de interesses que o Sr. critica, e bem, no seu escrito.
"

(A. Costa)
 


LOGO � NOITE



� incr�us, olhai para cima, para ver chover luz, se estas nuvens n�o nos tra�rem o olhar e nos derem chuva de �gua em vez de fogo. S�o as Perseidas e est�o aqui (cortesia da NASA).



*

"� impressionante a quantidade de asneiras que ouvimos na r�dio e na TV sobre as perseidas. Numa r�dio local logo pela manh�, uma jornalista insistia em dizer que o planeta Tutle tinha passado pelo espa�o e deixado um rasto de poeiras. Confundir um planeta com um cometa ser� normal? N�o � uma coisa que se aprende na escola? N�o devia um jornalista saber distinguir um planeta de um cometa para perceber o absurdo da afirma��o? � noite na TVI, a pivot do Jornal da Noite falava no "meteorito das perseidas" que vai passar pela Terra e na pe�a logo a seguir, o jornalista dizia que Marte estava em aproxima��o � Terra e que isso ia afectar as observa��es. Ora isto � daquelas coisas completamente inventadas. Onde � que o jornalista foi desenterrar uma hist�ria destas? Tudo isto mostra a falta de aten��o e cuidado com que � elaborado um texto para um teleponto ou para uma reportagem. Ainda por cima, saiu hoje no P�blico um artigo sobre o fen�meno correcto em todos os aspectos. Bastava ler o P�blico ou ir � net para se fazer um bom texto. Por isso, n�o percebo como pode haver confus�es deste tipo?"

(Jos� Matos)
 


BIBLIOFILIA A DOIS

Hoje, no Di�rio de Not�cias, o Vasco Gra�a Moura escreve sobre as nossas deambula��es bibli�filas por Bruxelas e Estrasburgo. Tamb�m eu tenho saudades, mas, como fiel Eckermann, tenho c� em casa guardada uma m�o cheia dos poemas repentinos de Estrasburgo (mais de Estrasburgo do que de Bruxelas), que o Vasco fazia em portugu�s e franc�s, com aquele dom�nio da palavra que ele tem como quem respira.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: COSTUMES

"E porque n�o citar S�neca ( filosofo latino do s�culo I ) em rela��o � actual crise da nossa justi�a :

" O mal n�o tem rem�dio quando os v�cios se transformaram em costumes".


(Ant�nio Monteiro Pais)
 


 


EARLY MORNING BLOGS 279

Alguns prov�rbios e "cantares" de Antonio Machado:

El ojo que ves no es
ojo porque t� lo veas;
es ojo porque te ve

*

Para dialogar
preguntad primero
despu�s...escuchad

*

Hoy es siempre todav�a.

*

Busca a tu complementario
que se marcha siempre contigo
y suele ser tu contrario

*

Si vino la primavera
volad a las flores
no chupe�s cera

*

En mi soledad
he visto cosas muy claras
que no son verdad

*

Pero yo he visto beber
hasta en los charcos del suelo
Caprichos tienen la sed

*

Despacito y buena letra:
el hacer las cosas bien
importa m�s que el hacerlas

*

Ense�a Cristo: a tu pr�jimo
amar�s como a ti mismo
m�s nunca olvides que es otro


(Antonio Machado)

*

Bom dia!


10.8.04
 


POBRE PA�S - 3 - INTERESSE P�BLICO

O �interesse p�blico� tem as costas maiores que eu conhe�o. Tem a vantagem de n�o ter ningu�m que o defina, logo servir para tudo.

S� que agora, eu sei bem o que � que era de interesse p�blico: a divulga��o dos nomes dos magistrados que desonram a sua fun��o falando sob processos em que est�o envolvidos, dos pol�cias que desonram a sua profiss�o revelando segredos profissionais, dos advogados que pisam a deontologia para promoverem os seus clientes. Sim. Esses � que era do interesse p�blico sabermos quem s�o.

S� que a sacrossanta protec��o das �fontes� o impede, apesar de ser dif�cil de comprovar que o anonimato que � protegido tenha alguma coisa a ver com qualquer �interesse p�blico�. Estas pessoas n�o falaram aos jornalistas por amor da verdade ou para impedir um mal maior. Falaram porque s�o irrespons�veis e t�m todos uma pequena agenda a promover.

Claro que o problema vem de cima, vem da cabe�a, a tal que come�a a apodrecer no peixe, gangrenando o corpo. Quando os principais respons�veis governamentais e da oposi��o, a maioria esmagadora dos grupos parlamentares e por a� adiante promovem a sua carreira com inconfid�ncias e intrigas, � dif�cil esperar que actuem neste processo a n�o ser para se proteger a prazo, como �fontes�.
 


POBRE PA�S - 2- TRANSPAR�NCIAS

Eu n�o quero que institui��es como a justi�a, procuradores, ju�zes, pol�cias sejam �transparentes�. Quero que eles respondam por aquilo que fa�am de errado. Quero accountability, n�o escrut�nio em tempo real para vender �comunica��o�, com a inevit�vel consequ�ncia que, quando � assim, s�o os poderosos que escapam, e os pobres que s�o punidos. A justi�a e o trabalho das pol�cias �, deve ser, pela sua pr�pria natureza, discreto e secreto, ou ent�o n�o �. Se n�o o �, a injusti�a cresce, na exacta medida dos t�tulos retumbantes de jornais e televis�es.
 


POBRE PA�S 1 - O PODER CORPORATIVO E A IRRESPONSABILIDADE

Toda esta trapalhada grave, muito grave, das cassetes roubadas, revela uma quest�o estrutural mais de fundo: nos �ltimos vinte anos, o poder de algumas corpora��es ultrapassou o do estado. Dois casos s�o hoje absolutamente pertinentes: o dos jornalistas e dos magistrados. � sua volta outros poderes cresceram, mais cl�ssicos, o do dinheiro em particular, mas, no c�mputo geral, o poder dos poderosos aumentou.

O crescimento do poder dos jornalistas e magistrados fez-se durante os mesmos anos e pelas mesmas raz�es: a press�o populista das oposi��es e a ced�ncia cobarde de governos, para a constitui��o de contra-poderes que fizessem, fora do sistema pol�tico, aquilo que deveria ser feito por uma Assembleia forte e um sistema judicial equilibrado e eficaz. Como ningu�m quis fortalecer a democracia onde ela devia ser fortalecida, criou-se um monstro que, a prazo, devora quem o gerou e degrada a vida p�blica.

O poder destas corpora��es levou-as ao local ideal: o da irresponsabilidade que gera a impunidade. Magistrados e jornalistas n�o podem ser chamados a qualquer responsabilidade, porque conquistaram uma absoluta irresponsabilidade. Nenhuma lei se lhes aplica efectivamente e s� existem excep��es nuns desgra�ados apanhados a n�vel local e regional, sem a protec��o dos maiores. Mas, na capital, nos grandes �rg�os de comunica��o, no limite, n�o h� responsabilidade. Sempre que h� uma crise, alguns jornalistas juram a p�s juntos que certas coisas nunca mais ir�o acontecer� at� � pr�xima crise em que elas acontecem de novo. Hoje est�o-se a tornar t�o habituais que est�o a criar novos standards de comportamento. J� ningu�m sabe como era, j� s� se sabe como �.

N�o � legal gravar algu�m sem o seu consentimento. Mas um jornalista pode faz�-lo. N�o � legal divulgar conversas gravadas ilegalmente, mas um jornalista pode faz�-lo. N�o � legal roubar e vender a um receptador (ou v�rios) o produto de um roubo, mas um jornalista pode ser receptador de um objecto roubado. Nada � legal, mas h� sempre uma excep��o para os jornalistas. Os jornalistas podem fazer o que um pol�cia ou um servi�o de informa��es n�o pode. Os jornalistas podem fazer praticamente tudo, que n�o s�o respons�veis por nada. Basta invocar o �interesse p�blico� que eles pr�prios definem. Depois quando se espera justi�a, quem a devia garantir diz logo � cabe�a que ela � imposs�vel.

� verdade que tudo isto acontece pela miser�vel pr�tica, que quase toda a gente acha normal, de fazer confid�ncias como �fonte� dos jornais e televis�es. Esta pr�tica gera cumplicidades, e impedimentos que depois introduzem mais sil�ncios e incomodidades no completo esclarecimento dos casos. Acaba por haver culpados de um lado e de outro e, no momento decisivo, eles calam-se para n�o se comprometerem e se protegerem. Como na corrup��o.

Se � verdade que desde o director da PJ, a agentes, magistrados envolvidos nos processos, advogados de defesa, pol�ticos, seja l� quem for que entende defender a sua causa, os seus interesses, ou valorizar-se junto de jornalistas, ou pura e simplesmente mostrar-se loquaz e incontinente sobre segredos que lhe d�o a guardar, eu s� acredito num estado e num governo que os ponha na rua no dia seguinte. Por just�ssima causa.
 


PROBLEMAS QUE N�O S�O NOVOS: ESTAREMOS ERRADOS?

Em Outubro de 1953, o jornal Ler, cria��o de Francisco Lyon de Castro e obra de Fernando Piteira Santos, publicou este texto sem indica��o de autor. O autor � certamente Piteira Santos, que sabia que aquele era o �ltimo n�mero do jornal, proibido pela Censura e atacado com a maior das hostilidades pelo PCP, que lhe chamava o �jornal do SNI�.

"Porque se quis apenas ser um �jornal de Letras, Artes e Ci�ncias� � e s� isso � procurou-se, com a objectividade de que os homens que vivem de p�s fincados na terra s�o capazes, servir a cultura. N�o se ignorava que as culturas se dividem e se op�em, mas cuidou-se, consciente e sinceramente, que, antes, antes de op��o, o problema primacial e urgente era o de opor a no��o de cultura e todos os valores culturais aut�nticos � deplor�vel subvers�o de valores, ao triunfo da ignor�ncia, das capelinhas do elogio m�tuo, dos grupos de escaladores da gl�ria e � lepra de uma mistifica��o que grande parte da imprensa poderosa auxilia e que conduz, inevitavelmente, ao del�rio do futebol, ao �pio do fado e a essas tristes exibi��es de mau gosto, incultura e bo�alidade que s�o os programas radiopublicit�rios."

�N�s temos a ingenuidade de considerar que o depoimento do escritor Joaquim Pa�o d�Arcos sobre Holywood ou as li��es do matem�tico Hugo Baptista Ribeiro na Universidade de Berkeley, na Calif�rnia, �xitos da fadista Am�lia Rodrigues nas boites de Nova Iorque; n�s temos a ingenuidade de supor que o escritor Ferreira de Castro leva o nome de Portugal mais longe e mais alto do que o �matador� Manuel do Santos; n�s temos a ingenuidade de nos sentir mais diminu�dos do concerto das na��es pela percentagem de analfabetismo do que com o pesado score de uma derrota na �ustria. Estamos errados? Estaremos, realmente, a errar?"

�Mas comparem-se o 6300 exemplares da tiragem de Ler � n�mero que os entendidos n�o consideravam prov�vel e poss�vel e n�mero que nenhum jornal do g�nero em Portugal atingiu � com o volume das tiragens dos jornais desportivos e ter-se-� uma imagem clara e significativa da situa��o que explica que no calor de uma campanha eleitoral o discurso do Prof. Jo�o Cid dos Santos ou a palestra do Eng. Cunha Leal assumam menor vulto nas discuss�es pol�ticas do que os sucessos e os insucessos do Sporting, do Benfica ou Futebol Clube do Porto."

�E atente-se igualmente em que nos mesmo dias em que se explica a chamada �crise do livro� por raz�es econ�micas, pelas dificuldades da classe m�dia, pelo baixo n�vel dos trabalhadores, n�o h� crise para a frequ�ncia aos espect�culos de futebol; e n�o se esque�a que o ritmo de venda dos romances de Aquilino Ribeiro, de Alves Redol ou de Francisco Costa � de longe excedido pelo ritmo de venda dos romances policiais traduzidos directamente do americano ou grosseiramente decalcados das edi��es brasileiras."

 



James Ensor
 


EARLY MORNING BLOGS 278

Le Chameau et les B�tons flottants


Le premier qui vit un Chameau
S'enfuit � cet objet nouveau ;
Le second approcha ; le troisi�me osa faire
Un licou pour le Dromadaire.
L'accoutumance ainsi nous rend tout familier.
Ce qui nous paraissait terrible et singulier
S'apprivoise avec notre vue,
Quand ce vient � la continue.
Et puisque nous voici tomb�s sur ce sujet,
On avait mis des gens au guet,
Qui voyant sur les eaux de loin certain objet,
Ne purent s'emp�cher de dire
Que c'�tait un puissant navire.
Quelques moments apr�s, l'objet devient br�lot,
Et puis nacelle, et puis ballot,
Enfin b�tons flottants sur l'onde.
J'en sais beaucoup de par le monde
A qui ceci conviendrait bien :
De loin c'est quelque chose, et de pr�s ce n'est rien.


(La Fontaine)

*

Bom dia!

9.8.04
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O MAR

" (...) a prop�sito do poema de hoje no ABRUPTO: n�o sei que idade teria eu, mas tinha a suficiente para me lembrar da primeira vez que o meu av� paterno viu o mar. Lembro-me de que todos n�s fic�mos excitados com a ideia e olh�vamos para ele com um ar emocionado. E ele, pasmado, limitou-se a dizer com uma voz sumida: �ent�o � isto ...� e depois ficou para l� calado a olhar at� o arrastarmos de volta para casa.

Eu achei que era um Grande Momento e por isso me lembro bem dele.

E lembrei-me, por associa��o de ideias, de que a minha Av� achava que tudo o que passava na televis�o era mentira. E dava gra�as a Deus por isso sen�o � j� viste se esta gente toda morresse mesmo...�. E eu optei por concordar e ficar ali, serenamente, a ver mentiras com ela. � certo que tudo isto se passou j� no s�culo passado e eu, afinal, sou velha como o tempo. E o meu av� morreu h� mais de vinte anos, com a primeira vez que viu o mar."

(RM)

*

"N�o sei o que pare�o ao mundo; aos meus pr�prios olhos sou apenas um rapaz que brinca na praia e se diverte, que de vez em quando encontra um seixo mais liso ou uma concha mais bonita do que o costume, enquanto que o grande oceano da verdade permanece por descobrir diante de mim." - Newton (enviado por S,)

*



"Esta fotografia, tirada na mais movimentada das duas praias que frequento no Ver�o (a s�rio!). Fica num dos poucos locais da costa ocidental portuguesa a Norte do estu�rio do Sado junto ao qual n�o passa qualquer estrada."

(Jos� Carlos Santos)
 


MAU SINAL

Na economia daquilo que o Primeiro-Ministro considera necess�rio chamar � sua coordena��o directa, n�o se inclu�ram os fogos, mas o �caso� (muito mal contado) das cassetes �roubadas� sobre o processo Casa Pia. A escolha � muito interessante, porque o Primeiro-ministro revela a sua peculiar sensibilidade a quest�es que envolvam �fontes�, boatos, inconfid�ncias, pol�cias, magistrados e jornalistas. Mau sinal. Nada justifica que o Primeiro-Ministro se envolva directamente nesta quest�o. A mat�ria � quando muito para o Ministro da Justi�a, embora, em bom rigor, deveria ser apenas com a justi�a (houve um roubo ou n�o houve?) e n�o com o Governo. Envolver o Governo, a come�ar por cima, no processo Casa Pia, que � onde tudo vai acabar por desaguar, � um erro que Dur�o Barroso n�o cometeria.
Mau sinal.
 


A LER

Rui Tavares, "O que se passa com "artificial"?" no Barnab�.

Para a discuss�o, alguns exemplos de coisas absolutamente artificiais: a democracia, a cultura, a liberdade, o mercado, a �m�o invis�vel�, as aspas, o socialismo, o tecn�cio, a anestesia, Deus, o soneto, etc. (o etc. tamb�m � artificial).

Naturais? Talvez a segunda lei da termodin�mica, mas nem disso estou muito certo.

*

"Os sonhos s�o naturais ou artificiais?!!!"

(I.)

*

"Esta pergunta � natural ou artificial?"

(S.)

*

"Os meus exemplos favoritos de coisas absolutamente artificiais: as vacinas e os m�todos anti-conceptivos. "

(Jos� Carlos Santos)
 



Henri Roland de la Porte
 


EARLY MORNING BLOGS 277

La primera vez que vio la mar


�V�late Dios, el charco, el que provocas
con verte a helar el alma de las venas,
Ad�n de tirubones y ballenas,
almejas viles y estupendas focas!
Cer�leo sorbedor por tantas bocas
de m�s naves que vio tu centro arenas;
teatro en quien oy� tr�gicas scenas,
sentada la Fortuna entre estas rocas.

T�, que ense�aste al Draque, a Magallanes
lo m�s estrecho de tu campo oblico,
a pesar de sirenas y caimanes,

en Espa�a nac� con solo el pico,
cansado estoy de trajinar desvanes,
dime, �por d�nde van a Puerto Rico?


(Lope de Vega)

*

Bom dia!

8.8.04
 


COISAS VISTAS NO ESPELHO DO MUNDO

Parab�ns � SIC (penso n�o me enganar e ter sido a SIC) por aquela visita guiada comparativa aos locais em Santar�m e Goleg�, feita pelos autarcas no papel de cicerones da televis�o: �aqui fica o gabinete do senhor secret�rio de Estado�, �aqui ficam os assessores�, �aqui est� a escadaria monumental que permite um acesso directo ao senhor secret�rio de Estado�. � espantoso como os autarcas se prestam a estas cenas rid�culas, principalmente o autarca de Santar�m, preterido na escolha, trazido de umas merecidas f�rias douradas para a turbul�ncia de explicar porque � que lhe tiraram o brinquedo das casinhas do Governo da sua terra.

H� um aspecto de servi�o p�blico informativo na reportagem: ver como as autarquias gastam dinheiro em obras in�teis, e subaproveitadas. Os dois autarcas disseram-nos, na ponta dos seus dedos indicadores, que t�m imensos espa�os vazios que, pelos vistos, foram constru�dos ou reconstru�dos sem objectivo definido, porque sen�o estavam cheios. Caso contr�rio, n�o nos explicaram o que � que vai sair dos espa�os para entrar ocasionalmente, muito ocasionalmente, o �senhor Secretario de Estado�. (Suspeito que, na Goleg�, a julgar pelo que se via numa sala, ir� sair o arquivo hist�rico e um fundo antigo de biblioteca�Para onde ir�?). E vimos aquelas gigantescas instala��es do CNEMA (Centro Nacional de Exposi��es e Mercados Agr�colas) em Santar�m, quase todo o ano vazias, e onde j� v�rias vezes fui e sempre vi menos de 10% do espa�o a funcionar, com excep��o da Feira da Agricultura, o p� acumulando-se no resto (n�o vale a pena dizerem-me porque eu sei que as obras s�o do per�odo cavaquista). Talvez, uma vez por ano, aquele anfiteatro magn�fico, encha a metade, numa capital de distrito que n�o tem uma verdadeira livraria, apesar de ter universidade�
 


EARLY MORNING BLOGS 276

First Fig


MY CANDLE burns at both ends;
It will not last the night;
But ah, my foes, and oh, my friends--
It gives a lovely light!


(Edna St.Vincent Millay)

*

Bom dia!

7.8.04
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: O CH�O



Este � o ch�o no fundo da cratera Endurance, com uma cor falsa para o vermos melhor. A "Oportunidade" olha para este ch�o de areia e pergunta-se: acabarei ali?
   


ESTADO DO III VOLUME DA BIOGRAFIA DE �LVARO CUNHAL

S�o-me pedidas informa��es sobre o �estado� do III volume da biografia pol�tica de Cunhal, sobre a qual tenho trabalhado nos �ltimos anos. Aqui segue uma lista provis�ria dos t�tulos dos cap�tulos, que pode dar uma ideia do conte�do final do volume. Os cap�tulos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 11, e 15 est�o praticamente encerrados. Os outros est�o em fases distintas de acabamento e os cap�tulos 13 e 14 bastante atrasados.

�LVARO CUNHAL � O PRESO (1949-1960)

(todos os t�tulos s�o tamb�m provis�rios)

1 � O choque: da pris�o ao julgamento

2 - Os anos mais duros (1949-52): os expulsos, os �traidores� e os mortos

3 � O PCP sozinho

4 - Cunhal na Penitenci�ria: �a estrela de seis pontas�

5 - Estrat�gias contra a solid�o: ler , escrever e desenhar

6.- A purga dos intelectuais

7 - A continua��o das purgas

8 - Foga�a e Cunhal � dist�ncia

9 - Cunhal em Peniche (1956-60)

10 - O PCP � luz de Krutchov e o combate ao �sectarismo�

11 - V Congresso (1957)

12.- A emerg�ncia da quest�o colonial

13 - O �furac�o� Delgado

14 - Depois de Delgado

15. - A fuga de Peniche


Como aconteceu j� com os outros volumes, cada per�odo cronol�gico da biografia tem problemas pr�prios. No caso destes anos existem dois tipos de problemas: um diz respeito ao processo narrativo e pode ser resumido nesta quest�o � como � que se escreve um texto sobre um homem que est� preso e tem os seus gestos rigidamente controlados e repetitivos? Trinta p�ginas chegam para descrever o quotidiano de um preso e h� que encontrar mecanismos para ligar essa aparente (e real) monotonia de gestos com o fio de uma �vida�. O segundo problema � que estes anos 1949 � 1960 s�o �malditos� na hist�ria oficial do PCP por v�rias raz�es contradit�rias � o �sectarismo�, primeiro, e depois o que veio a ser conhecido como o �desvio anarco-liberal� e por isso s�o muito pouco conhecidos e estudados. Mais importante: a memorialistica em que o PCP � f�rtil, ilude quase completamente a pol�tica neste per�odo, concentrando-se nas �lutas� e na repress�o, o que dificulta muito saber-se o que realmente se passou. Acresce que, enquanto nos anos trinta, havia uma direc��o relativamente concentrada e com uma cadeia de comando facilmente definida, os anos cinquenta s�o os mais confusos, entre as purgas, expuls�es e decis�es contradit�rias.
 



John Frederick Peto, The Poor Man Store
 


EARLY MORNING BLOGS 275

There was an Old Man with a beard,
Who said, "It is just as I feared!--
Two Owls and a Hen,
Four Larks and a Wren,
Have all built their nests in my beard!"

(Edward Lear)

*

Bom dia!


6.8.04
 


POEIRA DE 6 DE AGOSTO

Hoje, h� quarenta e dois anos, Noel Coward escreveu no seu di�rio uma nota sobre o suic�dio ontem de Marilyn Monroe:

"Marilyn Monroe committed suicide yesterday. The usual overdose. Poor silly creature. I am convinced that what brought her to that final foolish gesture was a steady diet of intellectual pretentiousness pumped into her over the years by Arthur Miller, and `The Method'. She was, to begin with, a fairly normal little sexpot with exploitable curves, and a certain natural talent".

Depois estragaram-na.

*

"N�o vejo, n�o consigo ver, qual o interesse em citar um tipo machista e coward."

(EM)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES / OBJECTOS EM EXTIN��O: "LEMBRETE"

"Lembrete pertence a um interessante conjunto de palavras e ou express�es que a minha av� (de Viana do Castelo) usava e o meu Pai ainda usa (e at� eu) mas que ca�ram em desuso. Algumas eram com certeza quase regionalismos outras puro arcaismo. Fazem parte desse grupo: p�co, pespego, salvo erro, badejo (os galegos ainda t�m badejo), e tantas outras que n�o me v�m agora � cabe�a."

(JPC)

*

"Em rela��o aos objectos em extin��o, lembrete est� bastante divulgado pelo menos entre aqueles que t�m um telem�vel da Nokia com a linguagem em portugu�s. Na parte da agenda, quando escolhemos um dia aparece entre outras op��es o lembrete. Em rela��o ao salvo-erro, costumo ouvi-la de vez em quando. Uma que a minha av� diz que n�o ou�o ningu�m dizer � "badagaio"(n�o sei se � assim), do estilo "qualquer dia d�-me o badagaio" : )"

(Hugo Filipe)

*

"Uns Kms a Sul : ......"o jetas",...."cor de burro quando foge",...."bronh�is com �gua da mina",......"ir �s m�rcolas"......."passou-me uma nuvem"..........."mudam o nome aos bois".......etc."

(C.Indico)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A SOCIEDADE DA ENTREVISTA

"Pois, � por isso que h� quem diga que vivemos na "sociedade da entrevista". A sociedade em que o eu se torna objecto de narra��o pessoal, em que a tecnologia confessional se estende dos rituais religiosos aos procedimentos das ci�ncias sociais e humanas e depois ao trabalho dos mass media, sempre na busca da desoculta��o do sentimento privado aut�ntico.
Paradoxalmente, assim se engendram modos publicamente partilhados de sentir e exprimir sentimentos de forma socialmente aceit�vel. De tal forma que o pr�prio espect�culo se banaliza e esvazia.
"

(Tiago Neves)
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: MONTINHOS



O �Esp�rito� tem frio. Est� Inverno. Tem pouco Sol em cada sol. Tem que se colocar a jeito para receber o pouco calor que recebe. Mas viu um montinho. Um montinho marciano. Na sua infinita mem�ria lembrou-se:

Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem Ter que haver madrugada.


O �Esp�rito� j� tem menos frio. Se se virar para Norte, a terra das oportunidades, vai conseguir os seus 380 watts."Sem Ter que haver madrugada."
 



Gustave Caillebotte
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "ISTO PARECE O FORUM DA TSF"


"Hoje, ao ler a quantidade de posts de leitores do abrupto, n�o resisti: isto parece um �f�rum TSF� online."

(Jorge Machado)

 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: AS UNIVERSIDADES EST�O A TENTAR FAZER O QUE DEVIA SER FEITO NO ENSINO SECUND�RIO (2� s�rie)

"Tamb�m eu sofro com o Ensino. Sou adolescente, estudante do Secund�rio. Todos os dias observo a ignor�ncia dos meus colegas. N�o que eu seja excepcionalmente inteligente, mas considero que, ter amigos do mesmo ano (11�)e idade, que ignoram a exist�ncia de Viriato, a f�rmula qu�mica da �gua, � absolutamente inaceit�vel. Todavia, � assim que o nosso pa�s pretende alcan�ar o pelot�o da frente da Uni�o Europeia. Com o facilitismo, com a extrema borucracia que impede os professores de reprovar os seus educandos. N�o � com mais licenciados que nos vamos desenvolver. � necess�ria qualidade, em vez de quantidade. Converter o Secund�rio em Ensino obrigat�rio � dar mais um passo rumo ao facilitismo.
Sinceramente, n�o sei onde vamos parar. S� espero estar preparado para o futuro que me espera na Universidade... Ou talvez seja melhor pensar primeiro nos exames nacionais. Desculpe o desabafo. N�o estava previsto.
"

(Viriato O Porta-Bandeira )

*

"1-Nunca consegui perceber porqu� que depois do 25/4/74, rebentaram com o ensino liceal, tendo-se baixado intencionalemte o n�vel e a quallidade do ensino.
2-Nunca consegui perceber porque rebentaram tamb�m com o ensino t�cnico ( o Cavaco Silva, por ex. vem do ensino t�cnico);
3-Nos trinta anos de Democracia, os ministros da Educa��o foram quase sempre do PSD.
4-Nunca consegui perceber como � que o Bag�o F�lix, na altura em que foi secret�rio de estado da forma��o profissional ( os anos doirados dos fundos europeus), n�o foi capaz de compreender que os dinheiros do FSE eram para aplicar no ensino t�cnico e jamais para oferecer aos habituais beneficia�rios do OGE.
5-Jamais serei capaz de compreender a cultura nacional do facilitismo.
6-Considero um crime hist�rico de propor��es catastr�ficas, aquela brincadeira (j� na altura, evidente � saciedade) da cria��o das universidades privadas, ocorrida sob o per�odo dourado do cavaquismo.
7-Finalmente: como sobreviver aos p�ximos vinte anos de decl�nio, ainda que haja coragem para p�r o ensino ao servi�o dos estudantes?
"

(Maria Teresa Carvalho)

*

"Na universidade privada onde dou aulas". N�o diz "na universidade privada onde sou professor", d� aulas, assim vai o ensino "superior"...

(Manuel Rocha Carneiro)

*

"Na sequ�ncia do que foi escrito a cerca do estado do ensino universit�rio em Portugal e da eloquente defesa do sistema feita pelo cibernauta, continuo a afirmar que a forma como o ensino, seja ele prim�rio, secund�rio ou superior, � encarado e levado a cabo neste pa�s por professores, alunos, pais, enfim, por todos os intervenientes no assunto � fruto direto da forma como o Governo encara a Educa��o, isto �, como assunto obviamente n�o priorit�rio ! A falta de exig�ncia e de responsabiliza��o passa-se a todos os n�veis, embora, a meu ver, seja uma atitude fixada desde tenra idade, desde os bancos escolares, copiada dos exemplos que surgem todos os dias, de todos os lados e perpetuados "ad eternum"! Infelizmente enquanto n�o se ultrapassar essa necessidade de aparecer a qualquer custo, fazendo obras grandiosas em vez de dar forma��o e sal�rios dignos aos professores para que possam cumprir suas fun��es de forma eficaz, ser� muito dif�cil alcan�ar um desenvolvimento digno do termo."

(Luiza Rosado)
 


EARLY MORNING BLOGS 274

Judeu errante


Hei de seguir eternamente a estrada
Que h� tanto tempo venho j� seguindo
Sem me importar com a noite que vem vindo
Como uma pavorosa alma penada.

Sem f� na reden��o, sem cren�a em nada
Fugitivo que a dor vem perseguindo
Busco eu tamb�m a paz onde, sorrindo
Ser� tamb�m minha alma uma alvorada.

Onde � ela? Talvez nem mesmo exista...
Ningu�m sabe onde fica... Certo, dista
Muitas e muitas l�guas de caminho�

N�o importa. O que importa � ir em fora
Pela ilus�o de procurar a aurora
Sofrendo a dor de caminhar sozinho.


(Vinicius de Moraes, cortesia de DBH do No Quinto dos Imp�rios)

*

Bom dia!

5.8.04
 


EARLY MORNING BLOGS 273

Spring is like a perhaps hand

III


Spring is like a perhaps hand
(which comes carefully
out of Nowhere)arranging
a window,into which people look(while
people stare
arranging and changing placing
carefully there a strange
thing and a known thing here)and

changing everything carefully

spring is like a perhaps
Hand in a window
(carefully to
and fro moving New and
Old things,while
people stare carefully
moving a perhaps
fraction of flower here placing
an inch of air there)and

without breaking anything.


(e.e.cummings)

*

Bom dia!

4.8.04
 


INTEND�NCIA

Actualizado O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: AS UNIVERSIDADES EST�O A TENTAR FAZER O QUE DEVIA SER FEITO NO ENSINO SECUND�RIO

e o �ltimo BIBLIOFILIA.
 


EARLY MORNING BLOGS 272

Un deux trois


Un deux trois
J'irai dans les bois
Quatre cinq six
Cueillir des cerises
Sept huit neuf
Dans mon panier neuf
Dix onze douze
Elles seront toutes rouges.


("Comptine"
a
n�
ni
ma
n�,n�,n�,n� )

*

Bom dia!
 


O ESTADO DA NA��O


Jim Dine

3.8.04
 


SEMPRE O MESMO ESPECT�CULO, TODOS OS DIAS, EM TODAS AS TELEVIS�ES

Anteontem o futebol, ontem os inc�ndios, hoje as derrocadas. J� repararam como tudo � t�o parecido? Como tudo ocupa o mesmo lugar nos telejornais? Como uma coisa sucede � outra, ocupando o tenebroso vazio dos dias em que n�o h� imagens �fortes�.

Na televis�o todos estes eventos s�o-nos dados como espect�culos, usando mecanismos narrativos e f�lmicos semelhantes, com actores id�nticos � a tr�ade do Sujeito (os jogadores, o seleccionador, os incendi�rios invis�veis, os bombeiros, os �respons�veis�), da Sorte /Azar, e dos Espectadores Participantes (o �povo�, do futebol, das v�timas dos inc�ndios, dos habitantes, �levantado do ch�o� pelos jornalistas demiurgos).

O papel de cada um � rigidamente estabelecido: o �povo� emociona-se com as bandeirinhas, ou chora desesperado a sua desgra�a, ou grita insultos contra �eles�. O �povo� na televis�o s� tem direito � emo��o, nunca � raz�o. Os Sujeitos seguem a regra portuguesa, hoje g�nios e her�is, amanh� bestas, dependendo da Sorte /Azar, o lugar do deus ex-machina na narrativa. Quem manda? Os jornalistas, senhores da palavra, invocadores das iras e alegrias do �povo�, os que decidem se as imagens s�o belas ou repulsivas, escolhem a m�sica de fundo, os planos lentos do drama, tudo. Os mestres do espect�culo.
 


HOMENS / MULHERES

O editorial do Jos� Manuel Fernandes de hoje (que n�o est� em linha) � pelo menos, para n�o dizer outra coisa, um pouco bizarro. Jos� Manuel Fernandes fala das diferen�as entre os homens e as mulheres, oscilando entre o biol�gico e o cultural, manifestadas nos comportamentos sexuais. No exemplo com que abre o editorial, procura mostrar (demonstrar) que as mulheres s�o menos prom�scuas do que os homens. Tudo isto o leva a louvar a �coer�ncia � da posi��o do Papa sobre a condi��o feminina, pilar da fam�lia.

A mim parece-me que se fosse verdade o que l� � dito, a Igreja teria ent�o cometido um erro de propor��es hist�ricas fazendo dos homens (dos padres) os pilares da sua actua��o, em vez das mulheres, muito mais f�ceis de levar ao e de conservar o celibato, e de manter a �fam�lia� crist� unida� O conservadorismo nos costumes prega-nos muitas partidas.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: AS UNIVERSIDADES EST�O A TENTAR FAZER O QUE DEVIA SER FEITO NO ENSINO SECUND�RIO (Actualizado)

"O contribuinte Aires Almeida (1.8.04) queixa-se ("com o tipo de ensino superior que temos em Portugal, nem que tiv�ssemos o dobro de licenciados de outros pa�ses europeus nos conseguir�amos aproximar deles"), com alguma raz�o, da falta de qualidade do ensino superior em Portugal. S� que n�s estamos perante um dilema: se tiv�ssemos em Portugal o grau de exig�ncia que se deve esperar de uma universidade, o n�mero de alunos que ter�amos n�o seria muito superior ao que t�nhamos em 1973.

Na universidade privada onde dou aulas apenas cerca de 10% dos meus alunos est�o � altura dessas exig�ncias. O resto arrasta-se penosamente, ou nem sequer l� devia estar. S� que � este arremedo de ensino superior que pode tirar os portugueses do analfabetismo funcional. Por muito maus que os alunos sejam, saem das universidades a saber mais do que sabiam quando para l� entraram, e por vezes at� come�am a acordar para a cultura, o conhecimento e o rigor intelectual. Os filhos destes, quando chegarem � universidade, j� estar�o mais perto de poderem aproveitar as oportunidades do ensino superior, e poder-se-� exigir-lhes o que n�o foi poss�vel exigir aos pais. N�o esque�amos que a maioria dos alunos universit�rios s�o oriundos de fam�lias onde nunca houve antes licenciados. No fundo as universidades est�o hoje a tentar fazer o que devia ter sido feito no ensino obrigat�rio e no secund�rio. Em vez de criticarmos o ensino superior, dev�amos tentar compreender o que est� na origem dos problemas apontados, e agradecer o trabalho mais do que ingrato de aqueles que tentam ensinar a esse n�vel.

Dentro de uma ou duas gera��es julgo que poderemos ter universidades t�o exigentes como as estrangeiras. Entretanto lutamos por ultrapassar as consequ�ncias de um subdesenvolvimento multissecular. N�o � uma tarefa que possa ser realizada de um dia para o outro, pelo que n�o vale a pena atirar-nos pedras. Exijam, sim, rigor e compet�ncia ao ensino obrigat�rio e ao ensino secund�rio, e talvez assim consigamos acelerar um pouco este processo de desenvolvimento.
"

(Nuno Cardoso da Silva)


*

"Li o texto que publicou no seu Abrupto acerca do que se passa no ensino superior nos dias de hoje da autoria de Nuno Cardoso da Silva e n�o posso deixar de expressar a minha total discord�ncia pelo que ali est� escrito. Um professor dizer que s� 10% dos alunos � que mereciam estar no estabelecimento de ensino superior onde d� aulas �, al�m do mais, uma falta de respeito, al�m de se desconhecer que tipo de estudo objectivo d� ao autor do texto qualquer base cient�fica para aquela afirma��o grave. Mas sempre ser� de dizer que o insucesso de um aluno, ou mais grave a incapacidade de 90% de alunos que alegadamente se arrastam penosamente ou nem sequer l� deveriam estar, � um enorme atestado de incompet�ncia a quem ensina. Ou ser� que os professores s�o meros despachantes administrativos? N�o lhes cabe ajudar, incentivar, estimular o aluno? O insucesso de um aluno n�o � tamb�m um insucesso do professor?
Afirmar que se as universidades tivessem o devido grau de exig�ncia ter�amos o mesmo n�mero de alunos de 1973, exala um lament�vel saudosismo do antigamente. Um saudosismo fascista que se denuncia pelo facto daquele autor fazer refer�ncia que muitos alunos prov�m de fam�lias onde n�o h� licenciados. E depois? Em 1973 n�o havia alunos oriundos de fam�lias oper�rias? Claro que havia. Em plena democracia fazer a defesa encapuzada do elitismo selectivo � no m�nimo de um anacronismo lament�vel.
O ensino superior carece de um ensino obrigat�rio e de um ensino b�sico melhores, disso n�o h� d�vida. Comece-se por a�. Agora n�o venham falar em percentagens de empirismo viciado ou em enquadramentos sociol�gicos descabidos. O texto em causa � um insulto �s conquistas da democracia e ao acesso � ci�ncia e ao conhecimento que a mesma possibilitou. Por muito que cause saudades os tempos em que se fazia do analfabetismo e da ignor�ncia os pilares fundamentais de interesses institu�dos.
Por �ltimo quero dizer o seguinte: tenho forma��o acad�mica e sei bem a exig�ncia a que fui sujeito, juntamente com muito colegas meus, quer em termos program�ticos quer em termos de avalia��o. N�o se queira dar a ideia que em Portugal reina a balda e a anarquia. O que reina, sim, � a cont�nua diverg�ncia entre o ensino (b�sico, secund�rio e superior) e o mercado de trabalho. O que reina s�o a falta de meios com que professores e alunos se deparam dia-a-dia nas universidades. O que reina � a falta de apoio a quem quer c� ficar no campo da investiga��o.
Os problemas s�o bem vis�veis, n�o se tente fazer fumo.
"

(Carlos Bote)


*

"O Sr. Carlos Bote pode revoltar-se contra as opini�es do Sr. Nuno Cardoso da Silva. Mas n�o pode revoltar-se contra a constata��o que ele faz, de que apenas 10% dos alunos t�m capacidades (e penso que n�o fala de capacidades inatas, gen�ticas) para estar no ensino, mesmo que a a afirma��o n�o seja sustentada por nenhum estudo cient�fico.
Licenciei-me h� 4 anos no T�cnico. Penso que o meu curso foi bastante exigente, tive de me superar sucessivamente e fui melhorando a performance ao longo do curso, que acabei com uma boa m�dia. � claro para mim que a minha prepara��o (em termos de rigor, ritmo de trabalho e, menos importante, conhecimentos) era � partida insuficiente.
Dou agora aulas noutra universidade p�blica (menos exigente que a minha). Os alunos que ensino est�o ainda mais incapazes do que eu era. A grande diferen�a � que eu tinha umas luzes de como pegar num livro e aprender e de como estar numa aula, sentado, sem perceber o que o professor dizia mas a tentar. Esse esfor�o, sempre frustrante, � impens�vel para os meus alunos (que me reconhecem bom dom�nio da mat�ria e capacidade de a transmitir).
Escapei por um ano �s primeiras reformas do ensino secund�rio. Ser� aqui que est� a diferen�a?
"

(Ricardo Resende)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O TRIUNFO DO TRIVIAL

"Do NYTimes de 30 de Julho de 2004, transcrevo Paul Krugman:

Under the headline "Voters Want Specifics from Kerry", The Washington Post recently quoted a voter demanding that John Kerry and John Edwards talk about "what they plan on doing about health care for middle-income or lower-income people. I have to face the fact that I will never be able to have health insurance, the way things are now. And these millionaires dont seem to address that".

Mr. Kerry proposes spending $650 billion extending health insurance to lower-and-middle-income families. Whether you approve or not, you can�t say he hasn�t addressed the issue. Why hasn�t this voter heard about it?

Well. I�ve been reading 60 days�worth of transcripts from the places the four out of five Americans cite as where they usually get their news: the major cable and broadcast TV networks. Never mind the details - I couldn�t even find a clear statement that Mr. Kerry wants to roll back recent high-income tax cuts and use the money to cover most of the uninsured. When reports mentioned the Kerry plan at all, it was usually horse race analisys - how it�s playing, not what�s in it.

(...)

Somewhere along the line, TV news stopped reporting on candidates�policies, and turned instead to trivia about that supposedly reveal their personalities. We hear about Mr. Kerry haircuts, not his health care proposals. We hear about George Bush�s brush cutting, not his environmental policies.

(...) A Columbia Journalism Review Web site called campaigndesk.org, says its analisys " reveals a press prone to needlessly introduce Senators Kerry and Edwards and Kerry�s wife, Teresa Heinz Kerry, as millionaires or billionaires, without similar labels for President Bush or Vice President Cheney."

As the site points out, the Bush campaign has been "hammering away with talking points casting Kerry as out of the mainstream because of his wealth, hoping to influence press coverage (,...). Republicans, of all people, are practicing the politics of envy, and the media obediently go along.

In short, tht triumph of the trivial is not a trivial matter. (...)."

Por este caminho a Democracia faz-se substituir pela mediocracia."


(H. Preto)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: ONDE NOS QUEREM COLOCAR

"
"A foto foi tirada na cidade onde habito praticamente desde a nascen�a, Guimar�es, e pretende simbolizar as pe�as de um jogo que n�s somos, manipulados, nas linhas e colunas onde nos querem colocar. "N�s n�o somos aquilo que somos, mas o que os outros pensam de n�s."

(Paulo Pinto)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES. A OFERTA E A PROCURA NOS INC�NDIOS

"J� h� muito tempo que os inc�ndios s�o um neg�cio que envolve montantes elevados e o mais diverso tipo de interesses. O Estado, todo ele (Central, semi-central, aut�rquico, empresas p�blicas, institutos p�blicos, protec��es civis), como sempre � o "pivot" de tudo.O dinheiro que o Estado arrecada e gasta � conseguido a muito baixo custo, atrav�s de impostos.

Ora, o Estado, h� tr�s d�cadas, que se convenceu (ou foi convencido) que o problema dos inc�ndios se apaga atirando para cima deles dinheiro, esquecendo que as notas s�o de papel e quanto mais notas se atiram, mais os inc�ndios crescem. � A LEI DA OFERTA E DA PROCURA.Quanto mais dinheiro h� para combater os inc�ndios e tudo o que os rodeia, mais fogos aparecem e aparecer�o!

Os dados da protec��o civil n�o deixam d�vidas: Na d�cada de 70, o inc�ndio m�dio consumia 4 hectares de floresta! Come�a o dinheiro do Estado para os fogos! Na d�cada de 80, o inc�ndio m�dio passa para 40 hectares de floresta! � preciso mais dinheiro! Faltam meios! Na d�cada de 90, o inc�ndio m�dio passa para 400 hectares! Mais, mais, mais dinheiro, avi�es, helic�pteros, indemniza��es .... Actualmente, in�cio do s�culo XXI, o inc�ndio m�dio passou para 4 000 hectares!!!

Ser� preciso extrair qualquer conclus�o! A minha pequena vila da Beira Litoral tinha h� 30 anos, 3 carros de bombeiros. Hoje tem 30 e sofisticad�ssimos, nunca houve tanto inc�ndio como actualmente e as queixas de meios insuficientes s�o permanentes!!! Mal se iniciou o ver�o deste ano e perante o primeiro inc�ndio pequeno, o autarca local veio logo exigir que o Estado fosse r�pido a pagar as indemniza��es para o seu concelho e, para isso, propunha que a disponibiliza��o desses dinheiros estivesse isenta de qualquer formalidade ou processo burocr�tico. Venha o dinheiro e j�!!! Os inc�ndios s�o altamente rent�veis para muita gente!!!

O espect�culo das televis�es � extraordin�rio!!! Dezenas de jornalistas, eqUipamentos, materiais, helic�teros alugados a bom pre�o, nos locais para fazer a reportagem dos fogos, como da Volta a Portugal se tratasse! E, de facto, tal como os ciclistas l� aparecem como previsto, tamb�m os inc�ndios n�o defraudam as expectativas da ind�stria dos "media" l� comparecendo, � hora certa, para g�udio do neg�cio jornal�stico!

As TVs est�o quase a ganhar coragem para passar a incluir nas reportagens dos inc�ndios: "Vamos ligar, em directo ao inc�ndio da Serra do Caldeir�o, com o patroc�nio do Banco ... e, de seguida, vamos ver como est� o fogo de Viana do Castelo com o patroc�nio da Cerveja ... Fique connosco, a TV que melhor cobertura fez dos inc�ndios em 2003, de acordo com a Markteste!!!"


(Jo�o Augusto)
 


CONSULTA OBRIGAT�RIA

P�gina Eu Sou Astr�nomo, de iniciativa de Pedro Guinote. E a Astronomy Picture of the Day, que, � primeira vista, n�o vi inclu�da nas muitas liga��es da p�gina portuguesa.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UM SOCIAL DEMOCRATA...

"Gostei imenso do discurso do Dr. Miguel Veiga. Eu n�o fazia a m�nima ideia que algu�m activo no PSD ainda acreditava na social democracia! Quero dizer, que algu�m no PSD acreditava que as pessoas deviam ter todas direito � sua dignidade, ou que algu�m no PSD ainda se atrevia a acreditar nas pol�ticas sociais e fiscais que o PSD defendia quando eu fazia campanha pela AD: erradicar a pobreza, quebrar o ciclo da mis�ria, educar todos, restaurar a auto-estima dos mais pobres e ensin�-los a ganhar dinheiro, etc. Ficamos a saber que ainda h� UM social democrata neste PSD conservador, cat�lico, liberal (social liberal), nacionalista e anti-intelectual, onde os pobres n�o contam e os ministros falam em baixar o sal�rio m�nimo para �melhorar a economia� e criar mais �empregos�.

Desculpe-me que lhe diga, mas n�o creio que o Dr. Miguel Veiga fa�a uma grande diferen�a neste PSD que nos todos vemos como uma ala moderada do PP. Mais um Miguel Veiga, menos um Miguel Veiga... vamos continuar a falar da localiza��o do casino e a d�vida externa vai subir para 250 billi�es de d�lares. No fim do dia, tudo considerado, eu acho que o PSD (e o CDS do Prof. Freitas do Amaral) eram largamente partidos de pessoas que acreditavam na democracia, que queriam ter uma palavra a dizer em rela��o aos seus futuros. Claro que estavam cheios de fascistas e de imbecis, e de snobs, e de arrivistas que achavam que iam fazer carreira a lamber as botas aos ricos e aos poderosos. Mas este PSD e este PP s�o partidos de gente que anda � procura de um l�der que �saiba� o que � melhor para eles, que lhes meta medo e depois os prometa defender, que os roube e lhes diga que �dos pobres � o reino dos c�us�, que lhes d� prociss�es, milagres e canoniza��es em F�tima, e um Big Show SIC permanente na comunica��o social. Pode ser triste admiti-lo, mas h� que diz�-lo: o Dr. Santana Lopes e o candidato que melhor representa o PSD hoje.
"

(Filipe Vieira de Castro)
 


BIBLIOFILIA

Nancy Schoenberger, Dangerous Muse. A Life of Caroline Blackwood, Londres, Weidenfield, 2001

Uma hist�ria de mulher: um pouco das Mitford (um blend das v�rias irm�s), um pouco de Lou Andreas Salom�, um pouco de harpia, um pouco de Plath, muita bebida, maridos pouco recomend�veis (Lucien Freud, Robert Lowell e outro), decad�ncia, literatura a mais.

Quando se � muito belo(a) na juventude, e tudo p�ra � volta, os estragos da vida s�o muito vis�veis e dificilmente se envelhece bem, se � que isso existe. As fotografias do livro mostram a deteriora��o da beleza com grande crueldade e percebe-se como Lady Caroline e os seus homens contribu�ram activamente para o resultado. Freud, que via figuras e n�o abstrac��es nas suas pinturas, percebeu-o muito bem, retratando-a, em Hotel Bedroom de 1954, feia e velha quando ela era ainda muito bela.


*

"Envelhecer bem ou mal � um daqueles conceitos que me exasperam. N�o se envelhece bem nem mal. Envelhece-se. Bem e mal. E assim assim. Conforme os dias. � como crescer (ali�s, em bom rigor, s�o a mesma coisa.)

A ideia do �envelhecer bem� � um conceito absolutamente mundano, dos muitos que por ai pululam, que nos fazem prisioneiros do vazio. (e dos cremes anti rugas). Lembrei-me agora de um detalhe de h� uns anos (...) que me deixou gelada. Um grande amigo meu morreu. No vel�rio, algu�m me perguntou: �J� o viu? Est� muito bem.� Claro que n�o o vi. Nem queria ver. Bem? N�o. Morto. Bem e mal."


(RM)
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: BOA VIAGEM, MENSAGEIRO









para o planeta de ferro, com asas nos p�s, o comerciante, o ladr�o, o portador das boas not�cias, o veloz, o enganador, o atleta, o deus dos rebanhos que tamb�m a n�s pastoreias, as �tribos dos homens mortais�, atrav�s da �negra noite�. Hermes Promakhos, campe�o, Hermes Trikephalos, que nos guias nas estradas, Hermes Dolios, com todas as habilidades, Hermes Epim�lios, que proteges os rebanhos. Nosso Merc�rio, dos gentios.
 


EARLY MORNING BLOGS 271

A la noche


Noche, fabricadora de embelecos,
loca, imaginativa, quimerista,
que muestras al que en ti su bien conquista
los montes llanos y los mares secos;
habitadora de cerebros huecos,
mec�nica, fil�sofa, alquimista,
encubridora vil, lince sin vista,
espantadiza de tus mismos ecos:

la sombra, el miedo, el mal se te atribuya,
sol�cita, poeta, enferma, fr�a,
manos del bravo y pies del fugitivo.

Que vele o duerma, media vida es tuya:
si velo, te lo pago con el d�a,
y si duermo, no siento lo que vivo.


(Lope da Vega)

*

Bom dia!

2.8.04
 



Alfons Walde
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: HEPATITE C

"Sou um portador do v�rus da Hepatite C, uma doen�a grave, que amea�a tornar-se numa das maiores epidemias da hist�ria da humanidade. Descobri isso h� cerca de 3 anos e meio e de l� pra c� tenho travado uma grande batalha para obter informa��es e apoio, para al�m de j� me ter submetido a dois prolongados ( o primeiro por 8 meses e o segundo por 1 ano ) tratamentos � base de Interfer�o e Ribavirina, com imensos e penosos efeitos colaterais e mesmo sociais ( a nivel profissional e n�o s� ).

H� muito pouca informa��o disponivel e nenhuma Associa��o de apoio aos portadores desta doen�a que pode ser mortal ou tornar-se cr�nica. Estima-se que em Portugal j� existam cerca de 125.000 portadores, embora s�mente 10% o saibam. A Hepatite C � uma doen�a assintom�tica e contagiosa. Seu v�rus ( HCV ) transmite-se b�sicamente pelo sangue contaminado e pode permanecer at� trinta anos no corpo humano. Por isso a maioria dos infectados ( para al�m dos chamados grupos de risco ) est� nas faixa dos cinquenta anos, ou seja : foram contaminados antes do apertado controlo do sangue que se deu depois do surgimento da SIDA. Em Portugal, por exemplo, sabe-se que os ex-combatentes e mulheres que tenham recorrido � cesariana antes do surgimento da SIDA, s�o potenciais portadores do v�rus.

Por isso tomei a iniciativa de criar um Blog que pretende ser um ponto de apoio e fonte de informa��o aos demais portadores. Ocorre que � muito dificil divulg�-lo. Venho solicitar, se poss�vel, a sua inestim�vel colabora��o para a divulga��o deste Blog."

(Almeida Neto)
 


ELOGIO DE MIGUEL VEIGA

As interven��es que Miguel Veiga fez nos Conselhos Nacionais do PSD, em Julho, s�o dois documentos �nicos na nossa vida partid�ria actual. Tenho pena que o seu texto integral n�o seja conhecido e, com autoriza��o do seu autor, publiquei-as no VERITAS FILIA TEMPORIS. Ficam para a nossa hist�ria pol�tica. N�o conhe�o paralelo em nenhum outro partido, nos dias de hoje, de um seu respons�vel eleito manifestar a sua discord�ncia face a um quase unanimismo (e, nesses dias, um unanimismo agressivo, como se v� nos momentos em que foi interrompido), usando de uma clara argumenta��o pol�tica que separa todas as �guas. N�o h� nessas interven��es nenhuma ret�rica: Miguel Veiga diz a Dur�o Barroso e a Santana Lopes, e aos conselheiros do PSD, o que deve ser dito, de forma clara e l�mpida, e com uma acutil�ncia pol�tica que n�o deixa nenhuma pedra por virar.

Claro que n�o s�o soundbites, e ningu�m se deu ao trabalho de as relatar em fun��o da sua relev�ncia, nem os jornalistas d�o import�ncia a estes discursos mais elaborados e argumentados. Veiga � tratado com displic�ncia, quando n�o no tom insultuoso de Meneses, por jornalistas que se irritam por ele falar de coisas que n�o cabem em duas frases e que lhes parecem �complicadas�. Como alguns deles medem os pol�ticos pela sua ambi��o face aos cargos e ao �protagonismo�, e como Veiga n�o tem nenhuma, n�o conta. Mas, ao cumprir, em condi��es dif�ceis, a sua obriga��o pol�tica e moral, restituiu ao PSD a honradez dos homens do Porto que, como S� Carneiro, o fizeram. Nele, o sopro gen�tico que fez o PSD, no pensamento e na ac��o de S� Carneiro, vivem pelos princ�pios, pelo pensamento e pela pol�tica, e n�o por uma mim�tica f�nebre assente em arroubos coreogr�ficos.
 


NOLI ME TANGERE

O papel da �cultura� como instrumento de propaganda do Estado moderno (e dos seus governos) � essencial no paradigma Malraux � Lang, de que o actual Primeiro-Ministro j� se proclamou disc�pulo no passado. A �cultura� �, junto com o desporto e o espect�culo urbano, uma das formas modernas do circo que se substitui ao p�o. Ser� ele, o Primeiro-Ministro, o verdadeiro �ministro da cultura�, e a� pode desenvolver, com pequenos custos, opera��es de propaganda usando esse meio intang�vel, fortemente dependente do Estado e muito venal.

� uma �rea onde se move bem e onde sabe como actuar, onde sabe como fazer opera��es pontuais de sucesso garantido. (Outro ministro que tamb�m aprendeu a faz�-lo foi Morais Sarmento, envolvendo na reprograma��o da �2�, um canal p�ssimo sob todos os pontos de vista, um grupo de intelectuais, os quais depois ficaram naturalmente constrangidos ou silenciosos na sua cr�tica ao produto final). � s� contar os dias at� ver que intelectual (ou artista) da esquerda vai aceitar colaborar com o governo (melhor, com o seu Primeiro-Ministro), calando um sector cr�tico e suscitando elogios pela escolha.

*

"O Dr. Pacheco Pereira gosta de fingir que ignora certas coisas. Pretende fazer passar a ideia de que as ideias sobre a cultura de Andr� Malraux, de Jack Lang, e, no caso portugu�s, de Manuel Maria Carrilho, s�o em tudo id�nticas �s ideias de Pedro Santana Lopes. Mas sabe que existem diferen�as abissais entre eles.
Os tr�s primeiros s�o (ou foram) pessoas extremamente empenhadas na cultura e nas artes, n�o s� na vertente patrimonial, mas tamb�m na vertente de produ��o contempor�nea, e que, por isso, t�m (ou tiveram) um projecto cultural que passa(va) pelo apoio aos agentes culturais, com vista a promover a cria��o. N�o vejo como consegue o Dr. Pacheco Pereira p�r em causa a honestidade das suas op��es pol�ticas. Poder� n�o concordar com as suas ideias, mas n�o t�m o direito que dizer que elas se limita(va)m a "opera��es de propaganda". Al�m disso, sendo pessoas empenhadas nas manifesta��es art�sticas e culturais conhecem muito bem o mundo em que se move(ra)m e apresenta(ra)m projecto consistentes
Com Santana Lopes, pelo contr�rio, nada disso acontece. Ele n�o � definitivamente uma "homem da cultura" e apresenta grandes defici�ncias quanto a conhecimentos culturais e art�sticos, sobretudo no que toca a arte contempor�nea (refiro-me � cria��o dos �ltimos 200 anos). As suas medidas na �rea da cultura s�o muito err�ticas, n�o apresentam nenhuma consist�ncia, funcionando muito mais para fazer alarido (como, ali�s, acontece em todas as outras �reas em que interv�m) . O exemplo do Parque Mayer � sintom�tico. A ideia de procurar ressuscitar a Revista Portuguesa, um g�nero teatral sem nenhum interesse cultural, s� pode vir de algu�m que n�o percebe nada de teatro mas que sabe muito bem como fazer passar para os portugueses a convic��o de que � um pol�tico com preocupa��es culturais.
Para finalizar, gostaria de acrescentar que muito mais rapidamente compreenderia que o Dr. Pacheco Pereira estabelecesse uma rela��o entre Malraux, Lang e Carrilho e Teresa Patr�cio Gouveia. Por que raz�o esta rela��o n�o � feita? Porque interessa muito mais juntar os tr�s primeiros a uma personagem do PSD incompetente."

(M�rio Azevedo)
 


EARLY MORNING BLOGS 270

Henri quatre


Henri quatre
Voulait se battre
Henri trois
Ne voulait pas
Henri deux
Se moquait d'eux
Henri un
Ne disait rien.


("Comptine" an�nima)

*

Bom dia!



1.8.04
 



Diebenkorn, Ocean Park
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UMA PORTUENSE NO EX�LIO REGRESSA A CASA

"1 - Vou comprar o jornal e o rapaz, corpulento mas ainda adolescente lan�a-me um �Bom-dia menina!�. No supermercado para pagar pedem-me �na outra caixa, menina�, nas lojas perguntam-me �a menina j� est� atendida?�.

Fico surpreendida, n�o me lembrava que fosse assim, ou porque n�o o era de facto, ou era de facto, mas porque tamb�m eu era �menina� tudo era e soava natural. Mas feitas as contas o �menina� � bem mais af�vel e simp�tico do que o indiferente e deseducado �voc� com que me brindam habitualmente noutros locais nos dias de hoje.

2 � �Como se chama o teu irm�o?�. Responde-me a crian�a prontamente: �Dabide!� com �b� e �d� bem soprados. (It feels like home!)

3 � Certa manh� acordei com um som da minha inf�ncia: a ronca dos nevoeiros de ver�o! (It�s home!) E eu a pensar que tal j� n�o existia; pelos vistos enquanto houver nevoeiros no ver�o�

4 � Os �croissants� que como para tirar a barriga de mis�rias, n�o s�o afrancesados e folhados, mas sim fofos e cheios.
"

(JPC)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: INC�NDIOS - UM TESTEMUNHO

"No domingo passado entre os muitos inc�ndios que infelizmente surgiram por todo o pa�s, houve tamb�m um inc�ndio no Alentejo, na minha terra, junto � casa dos meus pais e de muitos vizinhos e amigos que conhe�o desde que nasci. N�o causou danos maiores do que os j� suficientemente graves da �rea ardida, isto �, n�o arderam casas, n�o houve mortos nem feridos mas ficou destru�da, evidentemente, vegeta��o, corti�a, pastagem para gado. Acontece que contactar mais de perto com esta realidade me fez tomar consci�ncia da forma como as coisas est�o organizadas e ter a vontade de as gritar bem alto para que todos as conhe�am. Esta pequena aldeia (Fornalhas Novas), fica a mais de 50 Kms de dist�ncia da sede do Concelho a que pertence � Odemira, portanto Distrito de Beja. Existem duas corpora��es de bombeiros relativamente pr�ximas, uma a cerca de 12 kms (Alvalade-Sado) e outra a cerca de 20 (Cercal do Alentejo). Ambas na �rea territorial do Concelho de Santiago do Cac�m, Distrito de Set�bal.

Quando os residentes locais deram conta do deflagrar do inc�ndio chamaram evidentemente os bombeiros, e, salvo melhor opini�o, muito correctamente chamaram os que se encontram mais pr�ximos. Segundo me foi relatado os bombeiros desta corpora��o chegaram mesmo a deslocar-se ao local do inc�ndio e l� foram informando que n�o sendo do concelho, nada poderiam fazer. E nada fizeram. Nessa altura o fogo rapidamente teria sido circunscrito. Mas n�o. Foi preciso esperar pela corpora��o certa, a do Concelho, que fica a mais de uma hora de dist�ncia! � poss�vel compreender isto? N�o consigo conceber que burocracias de divis�es administrativas e territoriais se sobreponham ao combate a um inc�ndio. E ponham em causa bens e, mais grave do que isso, vidas humanas. Infelizmente percebo agora muito melhor as raz�es de tanta calamidade um pouco por todo o pa�s.

N�o consigo compreender a actua��o dos bombeiros. Acredito que se t�m este tipo de actua��o � porque recebem instru��es neste senti do. O que indubitavelmente tem de se colocar em causa � a forma como as coisas est�o organizadas. Muito provavelmente por quem n�o faz a m�nima ideia das realidades no terreno, n�o faz ideia das dist�ncias. Ultrapassa completamente a minha capacidade de entendimento ficar � espera dos bombeiros certos permitindo que o fogo avance e destrua tudo � sua passagem. A mim parece-me l�gico e evidente que n�o se deve esperar que o fogo avance. Este n�o escolhe concelhos nem freguesias. Quando avan�a, avan�a. N�o tem jurisdi��o. Porque � que o seu combate h�-de ter? Ter�o os respons�veis a no��o das consequ�ncias deste tipo de actos administrativos? N�o deveriam ser criadas �reas de actua��o independentes das divis�es administrativas? Ser� que nem para combater inc�ndios somos capazes de nos organizarmos? Ser� assim t�o impens�vel que os munic�pios colaborem uns com os outros? Ser� que a Protec��o Civil de Set�bal e a de Beja n�o podem p�r um p� no territ�rio uma da outra? Enquanto is so tudo arde???? Um inc�ndio n�o � propriamente um papel que anda de secret�ria em secret�ria at� que �encontre� o funcion�rio �certo� para tratar do assunto... Sem retirar gravidade a este acto, mas essa � outra discuss�o..."

(Maria Santos Silva)
 


ELOGIO DA CAPITAL

A Capital � hoje um jornal que vale a pena ler, at� porque a sua agenda � muito diferente da dos outros jornais di�rios. O jornal � bastante mais � esquerda do que todos os outros, mas n�o � s� por isso que faz a diferen�a. � porque reflecte, talvez por ter uma equipa pequena, a idiossincrasia dos seus redactores e do seu director. � um jornal maison, �ntimo, e por isso � um jornal urbano interessante, que publica trabalhos jornal�sticos com informa��o nova e temas pouco tratados, ou tratados de um ponto de vista diferente das redes de contactos estabelecidas na imprensa tradicional.

A �cultura�, nome dado hoje quase que exclusivamente �s industrias culturais, tem por exemplo na Capital um tratamento distinto daquele que � dado no P�blico, no Expresso ou no Jornal de Letras, onde habitualmente se ouve a voz dos m�dios e grandes �empres�rios� - �criadores�. (No livro de P�an sobre o Le Monde, um dos cap�tulos mais interessantes � aquele sobre as redes de influ�ncia e patrocinato nos suplementos culturais, e que, transposto para Portugal, daria resultados muito reveladores.)

Na Capital falam os �pequenos�. A reportagem de hoje sobre os �criadores� culturais � reveladora do seu peso nas ind�strias culturais, com as suas pequenas empresas urbanas, e a sua depend�ncia do Estado e das autarquias. No centro de toda a reportagem, est� um discurso - entre o afectivo e o ad terrorem - sobre os subs�dios do Estado central e das autarquias, elaborado por Alexandre Melo, referido no jornal como �o especialista�. Vale a pena ler o �especialista�:

Quando se tenta p�r em causa, em termos gerais, a exist�ncia de subs�dios como instrumento de pol�tica cultural, julgo que n�o se est� avaliar bem as consequ�ncias disso numa sociedade como a portuguesa�(�) �Em Portugal, caso desaparecessem totalmente os subs�dios, desaparecia o cinema, a dan�a, o teatro, a m�sica. Desaparecia praticamente tudo o que fosse cria��o cultural excepto algumas formas de cria��o decalcadas do modelo televisivo e que alinham pelo m�nimo denominador comum de uma popula��o caracterizada por n�veis de analfabetismo, ignor�ncia e subdesenvolvimento cultural massivos, que est�o entre os mais baixos da Europa e do chamado mundo desenvolvido� (Alexandre Melo)

E os seus ecos:

Pedro Penim refor�a essa ideia: �O teatro n�o subsiste por si, precisa de ser apoiado. Esse apoio permite ter uma estrutura de produ��o a tempo inteiro, pagar aos actores e ter um espa�o para ensaiar e apresentar as pe�as�.
Foi precisamente a partir do momento em que passou a receber o subs�dio estatal que o Teatro Praga � uma jovem companhia nascida em 1995 e de que Penim � um dos mentores � come�ou a actuar de acordo com uma estrutura mais profissional.


 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O ESTADO DAS COISAS

"Penso que foi o mesmo Carlyle que teria dito haver tr�s tempos em pol�tica (cito de mem�ria): "o tempo da ideologia, o tempo do pragmatismo e o tempo do oportunismo". Estaremos de acordo que atingimos o terceiro stadium..."

(Rui Mota)

*

"(...) a ler o excelente artigo de Desid�rio Murcho em sobre a qualidade do ensino da filosofia em Portugal (j� agora, permita-me que lhe sugira uma visita ao site dirigido por Desid�rio Murcho sobre filosofia e que �, em minha opini�o, um dos melhores que se podem encontrar em toda a net).

� comum atribuir-se o atraso portugu�s aos nossos baixos n�veis de instru��o (n�o falo s� do atraso cultural: dado o nosso pa�s n�o ter os artistas, os cientistas, as orquestras, etc. que seria de esperar de um pa�s europeu com mais de 800 anos de hist�ria). E os media d�o frequentemente como exemplo os n�meros de licenciados e doutorados, comparando esses n�meros com os de outros pa�ses europeus. Considero que o diagn�stico est� correcto, mas a simples compara��o acerca dos n�meros de licenciados e de doutorados esconde um problema muito mais grave: com o tipo de ensino superior que temos em Portugal, nem que tiv�ssemos o dobro de licenciados de outros pa�ses europeus nos conseguir�amos aproximar deles. O problema n�o est� no n�mero, mas na qualidade do ensino superior. A indig�ncia do nosso ensino superior � um dos maiores cancros do pa�s e quase ningu�m fala disso. Talvez porque quem tem voz p�blica fa�a quase sempre parte da pseudo-comunidade cient�fica nacional e contribua activamente para o triste panorama que refiro. S� agora, quando alguns dos nossos concidad�os doutorados noutros pa�ses come�am a leccionar nas nossas faculdades (sobretudo nos departamentos de ci�ncias) � que se come�am a ver alguns sinais de esperan�a. Mas nos departamentos das chamadas �ci�ncias humanas�, literaturas e filosofia, o panorama � simplesmente medonho. Para qu� ter cursos superiores tirados nestas universidades? Eu licenciei-me em filosofia na FLUL e de filosofia nada aprendi. Acho quase miraculoso como n�o me conseguiram aniquilar o interesse pela filosofia, como sucedeu a muitos dos mais inteligentes colegas que tive. Em Portugal n�o h� verdadeiro ensino de filosofia (e de muitas outras coisas) porque simplesmente n�o h� verdadeira comunidade filos�fica; o que abunda s�o umas emin�ncias pardas, provincianas, desinformadas, improdutivas e mesquinhas que tentam passar por grandes pensadores e odeiam a ci�ncia, o rigor os argumentos e as ideias.

O ensino superior em Portugal � um verdadeiro tabu nacional. N�o lhe parece que isto merece ser discutido?"


(Aires Almeida)

*

"Li os seus escritos sobre o casal da margem sul.S�o 3.30 da madrugada de um s�bado e tomo a liberdade de lhe dar a minha situa��o pessoal que, quanto a mim, reflecte e de que maneira alguns dos piores aspectos caracterizadores do pobre pa�s que temos.
N�o se consegue dormir no bairro onde habito, no Montijo, porque duas discotecas fazem um barulho infernal.

J� contact�mos com a C�mara Municipal, de forma oficial, atrav�s de correio devidamente registado. J� fizemos in�meras queixas � Pol�cia.
Nada acontece. E porqu�?
Quanto a mim porque:

1.Na �nsia de satisfazer as clientelas aut�rquicas, se foi criando um monstro, entregando-lhe poderes excessivos que fazem que a pr�pria pol�cia n�o actue com receio de repres�lias, uma vez que as licem�as de funcionamento destes estabelecimentos, passaram, creio que durante um dos governos Guterres, a depender exclusivamente das C�maras municipais.

2. Neste pa�s de leis para tudo, falta "s�" faz�-las cumprir e respeitar.Este � um dos cancros da nossa sociedade.

Ah, � verdade, n�o cham�mos ainda as televis�es. talvez seja por isso que o problema n�o foi resolvido...
"

(M. Barrona)

*

"Quando � que algu�m critica a incompet�ncia dos bombeiros. Incompet�ncia pura! apesar da coragem que ningu�m lhes retira, a maior parte n�o tem forma��o adequada, friso, adequada!

Isto para n�o falar da incompet�ncia das chefias. Com o n�vel de literacia deste pa�s d� vontade de pensar quantos bombeiros sabem ler um mapa militar? Quantos sabem orientar-se? qtos sabem servir-se de uma simples b�ssola? Se pensarmos que a maioria dos portugueses n�o percebe as instru��es de uma m�quina de lavar a roupa....

Pode escrever ou dizer publicamente alguma coisa sobre isto? � que sinceramente estou farto da desculpa do "maluco da aldeia" que gosta de ouvir as sirenes..."


(Jo�o Duarte)
 


POEIRA DE 1 DE AGOSTO

Hoje , h� cinquenta e quatro anos, estava calor, humidade e chovia. Tempo de Ver�o no Massachusets. Sylvia Plath tinha dezoito anos. Sylvia estava �tentada� a escrever um poema. Olhou para a chuva e lembrou-se de uma carta rejeitando a publica��o de um poema: depois de uma grande chuvada, poemas intitulados �Chuva�, �chovem� por todo o lado nas revistas e jornais. Desistiu. H� uma poesia a menos sobre a chuva.
 



John Constable
 


EARLY MORNING BLOGS 269

Romance del infante vengador


Helo, helo por do viene el infante vengador,
caballero a la jineta en un caballo corredor,
su manto revuelto al brazo, demudada la color,
y en la su mano derecha un venablo cortador;
con la punta del venablo sacar�an un arador,
siete veces fue templado en la sangre de un drag�n
y otras tantas afilado porque cortase mejor,
el hierro fue hecho en Francia, y el asta en Arag�n.
Perfil�ndoselo iba en las alas de su halc�n.
Iba buscar a don Cuadros, a don Quadros, el traidor.
All� le fuera a hallar junto al emperador,
la vara tiene en la mano, que era justicia mayor.
Siete veces lo pensaba si lo tirar�a o no
y al cabo de las ocho el venablo le arroj�;
por dar al dicho don Cuadros, dado ha al emperador,
pasado le ha manto y sayo, que era de un tornasol,
por el suelo ladrillado m�s de un palmo lo meti�.
All� le habl� el rey, bien oir�is lo que habl�:
-�Por qu� me tiraste, infante? �Por qu� me tiras, traidor?
-Perd�neme tu alteza, que no tiraba a ti, no,
tiraba al traidor de Cuadros, ese falso enga�ador,
que siete hermanos ten�a no ha dejado si a m�, no.
Por eso delante de ti, buen rey, lo desaf�o yo.
Todos f�an a don Cuadros y al infante no f�an, no,
sino fuera una doncella, hija es del emperador,
que los tom� por la mano y en el campo los meti�.
A los primeros encuentros Cuadros en tierra cay�.
Ape�rase el infante, la cabeza le cort�
y tom�rala en su lanza y al buen rey la present�.
De que aquesto vido el rey con su hija le cas�.


(An�nimo do Romanceiro)

*

Bom dia!
 


VER A NOITE - BLUE MOON 2

J'ai vu dans la lune

"J'ai vu dans la lune
Trois petits lapins
Qui mangeaient des prunes
Comm' des p'tits coquins
La pipe � la bouche le verre � la main
En disant : " Mesdames,
Versez-nous du vin,
Tout plein. "


(An�nimo)



� Jos� Pacheco Pereira
In�cio
Site Meter [Powered by Blogger]